Que bonito, Roma! Um triunfo no estádio Olímpico, digno de todos os maiores deuses e guerreiros  d

Que bonito, Roma! Um triunfo no estádio Olímpico, digno de todos os maiores deuses do futebol. Viva!

 

BOM DIA

 

(Vitor Hugo Soares)

o futebol. Viva!

 

BOM DIA

 

(Vitor Hugo Soares)

Frustrados por terem sido barrados em visita ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, governadores afirmam ter registrado “indignação” na Polícia Federal. O governador do Maranhão Flávio Dino (PCdoB) afirmou nesta terça-feira, 10, que os dez chefes de Executivos estaduais também deixaram carta em apoio ao ex-presidente. A juíza da Vara de Execuções Penais de Curitiba negou pedido para a realização do encontro na Sala Especial em que o petista cumpre pena de 12 anos e um mês no caso triplex desde sábado, 7. Dino falou em vídeo transmitido pela página de Facebook do ex-presidente.

“Eu fiquei surpreso com o fato de não termos conseguido que o presidente Lula tivesse um direito respeitado e assegurado na Lei de Execução Penal que é o direito à visita, está no artigo 41 infelizmente mais uma decisão inexplicável em que se considerou que seria uma espécie de privilégio”, afirmou Dino.

Governadores se reuniram com o superintendente da Polícia Federal

Para Dino, “privilégio é o que não está na lei e, nesse caso, está na lei a previsão de visitas”.

“Foi negado de modo que deixamos o registro da nossa indignação e, ao mesmo tempo, manifestamos a nossa solidariedade pessoal e política ao ex-presidente Lula mediante entrega de uma carta assinada por três senadores. Vamos continuar insistindo para que esse direito do ex-presidente Lula seja respeitado”, afirmou.

Ao vetar a visita de políticos ao ex-presidente, a juíza Carolina Lebbos decidiu expressamente “não há fundamento para a flexibilização do regime geral de visitas próprio à carceragem da Polícia Federal”.

A magistrada destacou trecho da ficha individual do apenado, referindo-se à decisão do juiz Sérgio Moro, que mandou prender Lula. “Além do recolhimento em Sala do Estado Maior, foi autorizado pelo juiz a disponibilização de um aparelho de televisão para o condenado. Nenhum outro privilégio foi concedido, inclusive sem privilégios quanto a visitações, aplicando-se o regime geral de visitas da carceragem da Polícia Federal, a fim de não inviabilizar o adequado funcionamento da repartição pública, também não se justificando novos privilégios em relação aos demais condenados”.

abr
11

Postado em 11-04-2018 00:06

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 11-04-2018 00:06

 
O ex-governador de MG Eduardo Azeredo.
O ex-governador de MG Eduardo Azeredo. José Cruz/Ag. Br.

  Um dos maiores símbolos da morosidade da Justiça brasileira poderá ser preso em breve. O ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB) está a um recurso de ter a pena confirmada em segunda instância – e consequentemente pode começar a cumprir pena. Ele é um dos maiores nomes do escândalo de corrupção conhecido como o mensalão tucano (ou mineiro) ocorrido em 1998, que envolveu um esquema de financiamento ilegal de campanha para sua reeleição. Além de Azeredo, outras eminências peessedebistas também estão na mira da Justiça. Aécio Neves pode se tornar réu porque a primeira turma do Supremo Tribunal Federal deve decidir na próxima terça-feira se aceita ou não a denúncia onde ele é acusado dos crimes de corrupção e obstrução de Justiça. De quebra, a força-tarefa da Operação Lava Jato em São Paulo pediu à Procuradoria Geral da República que envie o inquérito sobre o governador licenciado Geraldo Alckmin para a primeira instância – ele perdeu o direito ao foro privilegiado ao deixar o Palácio dos Bandeirantes para disputar a presidência.

O caso de Azeredo é considerado emblemático quando se fala de morosidade vista como impunidade na Justiça no país, e chegou a ser citado por ministros do STF durante a discussão, em 2016, sobre prisão após condenação em segunda instância. Azeredo foi condenado por desviar 3,5 milhões de reais de três empresas estatais  mineiras para quitar dívidas de campanha. As companhias lesadas são o Grupo Financeiro do Banco do Estado de Minas Gerais, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais e a Companhia Mineradora de Minas Gerais. Parte do valor foi pago via doações eleitorais não declaradas – o famoso caixa 2. O escândalo também ficou conhecido como valerioduto tucano, graças à participação do empresário e publicitário Marcos Valério, responsável por arquitetar o esquema.

A condenação de Azeredo na segunda instância ocorreu em 23 de agosto de 2017 – 20 meses após a sentença na primeira instância. “Deve ser mantida a condenação imposta ao apelante pelos delitos de peculato e lavagem de dinheiro”, afirmou o desembargador Adilson Lamounier. Os magistrados também decidiram reduzir a pena total em nove meses, totalizando 20 anos e um mês de prisão. Agora restam apenas os embargos infringentes para que o tucano possa começar a cumprir pena. Ele ainda poderia entrar com os chamados “embargos dos embargos”, mas estes recursos não têm poder de alterar a sentença e pela jurisprudência atual não impedem que o decreto de prisão seja emitido. É um caso semelhante ao ocorrido com o ex-presidente Lula na semana passada.

Caso o Tribunal de Justiça de Minas Gerais aceite os embargos, o processo seria anulado e teria de ser refeito. Neste cenário, a prisão de Azeredo se torna virtualmente impossível. Ele completa 70 anos em setembro deste ano, e pela lei isso significa que o prazo para a prescrição dos crimes irá cair para a metade.

A morosidade da Justiça no caso também se deve a algumas manobras feitas pelo tucano. Em fevereiro de 2014 a Procuradoria Geral da República pediu a prisão de Azeredo. Dias depois o então deputado federal renunciou ao mandato. Com isso perdeu direito ao foro privilegiado, mas ganhou tempo: o processo começou a tramitar do zero na primeira instância.

Aécio e Alckmin na mira da Justiça

O caso de Alckmin, pré-candidato tucano ao Planalto, corre no Superior Tribunal de Justiça. Mas agora que entrou em pré-campanha e teve que deixar o cargo, a força-tarefa da Lava Jato em São Paulo entrou com um pedido de declínio de competência para que o processo seja remetido para a Justiça de primeiro grau do Estado. Agora cabe à relatora, Nancy Andrighi, decidir se envia os autos para SP.

O caso tem como base depoimentos dos colaboradores da Lava Jato Benedicto Barbosa da Silva Junior, Carlos Armando Guedes Paschoal e Arnaldo Cumplido de Souza e Silva, todos da Odebrecht. De acordo com os delatores, a empreiteira teria feito repasses ilegais para sua campanha em 2010 e 2014. A força-tarefa da operação em São Paulo pediu o envio do processo “com urgência, tendo em vista o andamento avançado de outras apurações correlatas sob nossa responsabilidade”.

Mesmo que Alckmin seja condenado em primeira instância pela Justiça Federal em São Paulo isso não afeta – do ponto de vista legal – sua candidatura. Isso porque a lei da Ficha Limpa apenas veda a posse de candidatos com sentença em segunda instância. De qualquer forma, uma eventual condenação pode prejudicá-lo nas eleições.

O terceiro tucano que enfrentará uma situação delicada em abril é Aécio. O processo que pode levá-lo ao banco dos réus no STF na próxima semana tem relação com o suposto pedido de propina de 2 milhões de reais ao empresário Joesley Batista, da JBS, e com o que a PGR considerou uma tentativa de atrapalhar as investigações. O advogado do tucano Alberto Toron disse que ele foi “vítima de uma situação forjada”, e que “não existe crime na conduta do senador”. Caso os ministros aceitem a denúncia contra o parlamentar, ele se torna réu. Os processos contra políticos que tramitam no STF têm se arrastado desde o início da Lava Jato. Mas, depois do episódio Lula, e com a pressão social sobre o Judiciário para que todos os políticos implicados em denúncias de corrupção sejam julgados, independente do partido, os processos envolvendo os tucanos será o grande teste.

abr
11

Postado em 11-04-2018 00:04

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 11-04-2018 00:04



 

Sinfrônio, no (CE)

 

DO BLOG O ANTAGONISTA

Conselho de Ética aprova relatório preliminar contra Maluf e Lúcio

 

O Conselho de Ética da Câmara aprovou hoje o prosseguimento das representações contra Paulo Maluf, Lúcio Vieira Lima e Celso Jacob.

O relatório contra Maluf, em representação da Rede que pede a cassação do mandato do ex-prefeito de São Paulo, foi aprovado por 10 votos a 0. O do irmão de Geddel Vieira Lima passou por 12 votos a 2.

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Agora, haverá 40 dias para ouvir testemunhas e coletar provas. Ao final desse prazo, devem ser apresentados pareceres definitivos. Se a comissão votar pelo prosseguimento, a decisão final sobre os deputados irá para o plenário da Câmara.

Maluf, que cumpre prisão domiciliar desde que Dias Toffoli o liberou da Papuda, foi condenado pelo STF a sete anos e nove meses em regime fechado. Lúcio é acusado de envolvimento no bunker da propina. E Jacob, o deputado do provolone na cueca, cumpre pena no semiaberto por falsificação de documentos.

resultado Roma x Barcelona
Manolas faz o estádio Olímpico explodir com o terceiro gol. Paolo Bruno Getty Images
  • A Roma venceu o Barcelona no estádio Olímpico por 3 a 0 e fez história na Champions League, se classificando às semifinais da competição. Depois de perder por 4 a 1 na Espanha, Dzeko, De Rossi e Manolas foram os responsáveis pela ‘remontada’ italiana. No primeiro tempo, só o lado italiano jogou; a equipe de Di Francesco pressionou o Barcelona o tempo inteiro e não foi ameaçada. Dzeko fez 1 a 0 logo aos seis minutos e, ao lado de Schick, desperdiçou boas chances criadas durante a etapa inicial. Já no segundo, o ímpeto da Roma continuou o mesmo, sufocando o adversário: Dzeko sofreu pênalti de Piqué, convertido por De Rossi, e Manolas completou de cabeça escanteio cobrado por Kolarov, sem chances para Ter Stegen. O sufoco final não foi suficiente para o Barça, que pela terceira temporada seguida fica fora das semifinais europeias.

 

Também se enfrentaram nesta terça pelas quartas de final da Liga dos Campeões da UEFA Manchester City x Liverpool. O Liverpool, que já havia ganhado o primeiro jogo, venceu por 2 a 1 e  se classificou nas semis da Champions League, com gols de Salah e Firmino para os vencedores e Gabriel Jesus para os derrotados.

abr
10

Postado em 10-04-2018 18:14

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 10-04-2018 18:14

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Por 3 votos a 1, a Segunda Turma do Supremo determinou que Sérgio Cabral volte à prisão no Rio –de onde fora transferido para Curitiba devido às regalias recebidas…

Por 3 votos a 1, a Segunda Turma do Supremo determinou que Sérgio Cabral volte à prisão no Rio –de onde fora transferido para Curitiba devido às regalias recebidas.

O voto de Gilmar Mendes para devolver a Benfica o ex-governador do Rio foi vencedor. Ele foi seguido por Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski. Só Edson Fachin votou contra.

Cabral, o motel e a Turma da pirraça no STF

Sim, Sérgio Cabral poderá voltar ao seu motel em Benfica.

Isso nada tem a ver com Estado de Direito, é pura pirraça dos ministros da Segunda Turma.

abr
10

Postado em 10-04-2018 00:32

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 10-04-2018 00:32

 
Maio de 68
Manifestação gaullista em Paris, em 30 de maio de 1968 Roger Viollet (Getty)

Apenas os melhores jornalistas são capazes de diagnosticar em 996 palavras – 12 parágrafos, 6.180 caracteres – o estado de ânimo de um país. Somente os melhores possuem a rara capacidade de percepção, o sensor para captar as correntes profundas que acabam definindo um momento da história. E apenas os melhores, como os grandes clássicos da literatura, dão origem às mais variadas interpretações, a ponto de seus textos, lidos com perspectiva, poderem significar uma coisa e todo o contrário. O artigo em questão foi o diagnóstico mais agudo da França pré-revolucionária do inverno de 1968, ou um dos mais descomunais erros de análise da história do jornalismo.

Quando a França se entedia… é o título do texto que Pierre Viansson-Ponté, experiente jornalista do Le Monde, publicou na primeira página do vespertino parisiense na edição datada de 15 de março de 1968. O artigo foi uma demonstração do jornalismo francês mais clássico: informava sem sobrecarregar com dados; interpretava sem opinar; era claro e, ao mesmo tempo, com um estilo refinado. Viansson-Ponté descreveu uma França afundada na letargia e no tédio, uma espécie de fim da história 25 anos antes de Francis Fukuyama ter popularizado o termo. Um país próspero, sem guerras, sem tensões políticas, sem conflitos sociais. O paraíso, ou o inferno.

Seis semanas depois da publicação do artigo, explodiu o Maio de 68, uma revolta inicialmente estudantil, depois operária, e finalmente uma crise política que colocou a V República à beira do abismo. A sociedade conformista e melancólica retratada por Viansson-Ponté, a França que se entediava profundamente, organizou de repente uma desenfreada quermesse revolucionária – a antítese do tédio – que concentraria, em poucas semanas, todos os sonhos e aspirações de uma parte da juventude ocidental do momento e ajudaria a colocar em movimento muitas das transformações sociais – da igualdade de gêneros à cultura do eu e do individualismo – que definem o mundo em que vivemos hoje.

Pode parecer que, 50 anos depois, a França está entediada novamente. Tem um Governo forte, como o de 1968, sem oposição, e com um presidente seguro de si, quase monárquico. Somente agora, 11 meses depois que Emmanuel Macron venceu as eleições, o descontentamento com suas reformas começa a ser visível pouco a pouco. Mas os problemas existenciais que angustiavam os franceses há alguns meses – a fratura social, as divisões étnicas e os guetos jihadistas, um pessimismo que parecia endêmico e um declínio inexorável – parecem coisa do passado. Os alertas antiterroristas continuam ativos desde o verão de 2016, a economia cresce, o desemprego cai e o presidente é admirado no mundo.

Os problemas existenciais parecem coisa do passado. A economia cresce, o desemprego cai e o presidente é admirado no mundo

A França se entedia? Não, respondeu há poucos dias Frédéric Dabi, vice-diretor geral do instituto de pesquisa de opinião Ifop. “A França espera…”, acrescentou. Este, disse, seria hoje um título mais adequado para o artigo de Viansson-Ponté. Ou melhor: a França está à espera… De quê? Do que vai acontecer com as reformas de Macron. De que a economia continue crescendo e o desemprego caindo. De que seja superada a fratura entre a França de cima e a França de baixo, entre a França das cidades e a França periférica.

O ensaísta Alain Minc, considerado até recentemente como o apóstolo da globalização feliz, analisa o mal-estar em seu último livro, Une Humble Cavalcade dans le Monde de Demain (Uma Humilde Cavalgada no Mundo de Amanhã). “Não é uma novidade na história: o capitalismo é uma máquina que fabrica eficiência e desigualdade”, escreve. E constata, na França de 2018, “sintomas de uma onda estrondosa, de uma frustração que sacode uma geração, de um clima pré-1968”.

Uma foto da França em março de 2018 poderia ser aquela oferecida pelo Insee (Instituto Nacional de Estudos Estatísticos e Econômicos) em seu relatório anual França, Retrato Social. A última edição se concentra no que chama de França mediana, isto é, a que se encontra na mediana de renda, a meio caminho entre os mais ricos e os mais pobres. Pertencem a ela 18,5% da população. É uma França que ganha entre 1.510 e 1.850 euros líquidos por mês. Mais próxima dos pobres no nível educacional, na profissão, se é que trabalham, e em sua visão do futuro, e mais próxima dos ricos na taxa de emprego, na raridade das famílias monoparentais ou no acesso tanto a produtos de primeira necessidade quanto à propriedade da moradia.

Outro relatório recente, escrito pelo pesquisador Jérôme Fourquet e publicado pela Fundação Jean-Jaurès, disseca outra fratura, a cultural, que vai para além das desigualdades econômicas, menores na França em comparação com outros países desenvolvidos. O relatório, intitulado1985-2017: Quando as Classes Favorecidas Fazem Secessão, descreve um “processo invisível” que levou a um “separatismo” das elites.

Os espaços de troca entre as diferentes Franças, como o serviço militar ou as colônias de férias, desapareceram ou entraram em declínio

As elites vivem nos mesmos bairros e cidades e são educadas nas mesmas escolas. Se relacionam, se casam e se reproduzem entre si. Espaços de troca entre as diferentes Franças, como o serviço militar ou as colônias de férias, desapareceram no primeiro caso ou entraram em declínio no segundo.

Um diagnostico de hoje como o que Viansson-Ponté fez em 1968 poderia falar da fratura étnica e da presença de jihadistas nos guetos, mas seria incompleto caso esquecesse os temores – e riscos – do francês médio de cair na precariedade, deduzidos do relatório do Insee, ou da secessão ou separatismo, como diz Fourquet, entre as classes sociais. Essa segregação ajuda a explicar o mal-estar político de hoje, e não apenas na França.

“O que caracteriza atualmente nossa vida pública é o tédio. Os franceses estão entediados”, começava em 15 de março de 1968 o artigo Quando a França se entedia… de Viansson-Ponté. A França, argumentou ele, não participava naquele momento das convulsões globais no Vietnã, na América Latina ou na Ásia. Vivia em uma espécie de bolha de ignorância e paz. “Em todo caso, são problemas deles, não nossos…”. Na França, então, o Governo era estável e os trabalhadores, entorpecidos pela televisão, obedeciam às regras e às autoridades, como os estudantes. O tédio era palpável na juventude. Na Espanha, Itália, Bélgica, Argélia, Japão, Estados Unidos, Egito, Alemanha ou Polônia, escreveu o jornalista: “os estudantes se manifestam, se mexem”. Na França, por outro lado, nada: apenas “se preocupam em saber se as garotas nos [campi de] Nanterre e Antony poderão ter livre acesso aos quartos dos rapazes”. O problema, concluiu, era que “sem entusiasmo não se constrói nada”. “Finalmente, e isso foi visto, um país também pode acabar morrendo de tédio”, dizia a frase final.

A genialidade do artigo era que, sem saber, o autor havia detectado os sintomas da revolta que estava prestes a explodir. O diagnóstico do mundo de hoje está por ser escrito.


Trenet e sua canção imortal para começar a terça-feira de maio no BP.

Da  trilha de Baisers Volés (“Beijos Roubados”, que na versão brasileira ganhou o título de “Beijos Proibidos”), o belo e genial filme de Francois Truffaut que esta famosa e esplêndida canção de Charles Trenet embala. Terceiro filme da trilogia do personagem Antoine Doinel, depois de ser uma criança triste em Os Incompreendidos e um adolescente descobrindo o amor em Antoine e Colette. Pura maravilha para lembrar Maio de 2008, na França.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Cena em que Edir Macedo descobre que sua filha nasceu com uma pequena deficiênciaCena em que Edir Macedo descobre que sua filha nasceu com uma pequena deficiência Reprodução

Em Rio das Flores, sua cidade natal, no Rio de Janeiro, Edir Macedo sofre bullying dos colegas de infância que o apelidam de “dedinho”, por causa de uma má formação nas mãos. Anos depois, na capital fluminense, acaba se vendo obrigado a romper com uma namorada que o acusa de só ter olhos para Deus. Em outro momento, pede para ser missionário e ouve um “não” esnobe do pastor de uma igreja evangélica que frequentava. No nascimento de sua segunda filha, recebe no hospital a notícia de que a menina tem lábio leporino e palato fendido. A todas as provações, responde do mesmo jeito. Ajoelha e diz de forma fervorosa que superará tudo em nome de Deus e que trabalhará para levar a mensagem do Senhor para cada vez mais pessoas. Não se conforma, em nenhum momento, com sua sina

A narrativa de Nada a Perder – Contra Tudo. Por Todos dificilmente cativará quem já não está cativado. Como esperado em uma cinebiografia autorizadíssima pelo próprio retratado, o enredo de vitórias pessoais em nome de Deus do fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) é cansativo e condescendente. Mesmo assim, há leituras possíveis do filme recém-lançado que permitem entender um pouco melhor as ambições do líder da Igreja que é um fenômeno brasileiro incontestável – está no rádio, televisão, no Legislativo, Executivo, Judiciário, em todos os cantos do país e em mais muitos outros cantos do mundo. “O filme busca consolidar o Edir Macedo como um grande mito religioso, uma figura que transcende a própria Universal e que encarna a trajetória dos batalhadores”, diz Roberto Dutra, sociólogo e professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).

Por trás da previsibilidade recheada por músicas emocionantes do filme, há a mensagem clara da Universal que, com o passar do tempo, vem ganhando novas roupagens inspiradas na figura messiânica de Edir Macedo. Em uma cena, ainda na adolescência e acossado por dúvidas, o pastor diz que se questiona se faz sentido acreditar num Deus morto, referindo-se a uma imagem de Jesus. “O que posso esperar deste Deus preso na cruz?”, indaga. A frase, segundo Dutra, faz todo sentido no elemento de neojudaísmo que o pastor tem deixado transparecer cada vez mais. “Não é uma recusa de Jesus, mas uma intenção de fazer uma releitura. O cristianismo é marcado por uma teodiceia do sofrimento, a Universal promove a teodiceia da prosperidade, da valorização da vida e de determinados grupos sociais, no caso, os fiéis da Igreja”, diz Dutra.

No cerne do filme está o “pare de sofrer” com que a Iurd ganhou tantos seguidores e, por isso, o retrato de Macedo no enredo é o de alguém que superou todas as adversidades. Ora ele se incomoda com cultos de matriz afrobrasileira; ora suplanta o desafeto pessoal R. R. Soares, líder da Igreja Internacional da Graça de Deus; ora se insufla com o que julga ser uma imprensa parcial que persegue a ele e seus fiéis; ora enfrenta os poderes estabelecidos em Brasília; sempre se bate contra a doutrina e atuação da Igreja Católica. Na cena que abre o filme e que é retomada quase no desfecho, o pastor é preso por 11 dias, em 1992, no que ele enxerga ser um conluio sinistro entre o catolicismo e os poderes de Brasília – mas que, na verdade, é uma acusação de enriquecimento ilegal por meio do dizimo de seus fiéis. Depois, enfrenta uma audiência com um ministro da Justiça em que há a presença de um soturno bispo católico.

Segundo Dutra, apesar do roteiro do filme construído sob medida para Macedo, é inegável que ele transformou o campo religioso brasileiro. “Nenhuma instituição religiosa conseguiu desafiar mais o poder da Igreja Católica do que a Universal”, diz. Assim, na lógica do mito que busca criar, toda a perseguição a que acredita ter sido submetido reverteu-se em poder para ele próprio. Hoje, a Universal não tem apenas um canal de televisão – a Record, que faz frente ao gigantismo da rede Globo –, mas um partido político, o PRB, com um pré-candidato à presidência, o empresário dono da Riachuelo, Flávia Rocha, e uma influência em Brasília tão grande ou maior que a da Igreja Católica. Se Macedo não é um exímio orador, o que, aliás, aparece no filme, se é uma figura desprovida de carisma, sua busca é por criar uma imagem mística, algo institucional. “Ele nunca deu muito valor à teologia e não acredito que esteja difundido isso que é identificado como uma teologia neojudaica aos seus pastores, mas é algo bem mais de representação e imagem”, diz Dutra.

Assim como o filme não termina aqui – ainda haverá mais dois capítulos da cinebiografia, que nesta primeira versão se encerra em 1994 – a história da Universal e o modo como influenciará o Brasil nos próximos anos também não. Para Dutra, o que ficou claro com o passar dos anos é que Macedo é um pragmático quando o assunto é política. Vai de acordo com a correnteza. Se já posou ao lado de Dilma Rousseff, também flerta com a onda conservadora brasileira – “o que não era muito comum, já que ele próprio, por exemplo, chegou a escrever artigos defendendo o aborto” –, personificada por Jair Bolsonaro.  “O mito Edir Macedo ainda não foi traduzido politicamente, existe certa margem de distância entre a igreja e o partido, mas eles já constituem uma máquina política fortíssima, com uma militância que, muitas vezes, advém da própria igreja”. As estreias do filme pelo país coalhadas de nomes da política foram uma mostra disso: o governador Geraldo Alckmin(PSDB) em São Paulo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), em Brasília.

Por fim, do ponto de vista técnico, o filme é bem executado. As atuações são boas, a direção de arte também e há uma bela reconstituição de época do Rio de Janeiro. Mas nada no quesito artístico explica a propalada maior bilheteria da história do Brasil – que, segundo reportagens da Folha de S. Paulo e de O Estado de S. Paulo, é inflada por compra prévia de ingressos e distribuição para os fiéis da Universal que nem sempre comparecem as sessões e, por isso, deixam as salas de cinema esvaziadas. A Igreja rebate a acusação chamando os jornais de reprodutores de notícias falsas e dizendo, bem ao estilo da cinebiografia, que o único objetivo é “denegrir a fé evangélica”. Durante a sessão em que o EL PAÍS assistiu ao filme, numa segunda-feira à tarde, em São Paulo, havia dois outros espectadores e mais duas salas do cinema exibiam o longa-metragem quase simultaneamente.

A incrível nota no IMDB

A. O.

Esqueça Cidadão Kane, considerado um dos melhores filmes, dirigido por um dos melhores diretores, Orson Welles, da história da sétima arte. Esqueça também O Sétimo Selo, principal obra do sueco Ingmar Bergman. Segundo a atual nota do IMDB, site referência que congrega avaliações de usuários e dados sobre filmes, Nada a Perder bate a nota dos outros dois. Enquanto os clássicos têm, respectivamente, 8,4 e 8,2, a cinebiografia de Edir Macedo fica com 8,5. O ranking do site funciona de acordo com a avaliação dos usuários e é conhecido por ser bem criterioso. Nada a Perder já chegou a nota 10 e tem caído nos últimos dias.

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