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ARTIGO DA SEMANA

Marina: de Camaleoa a Jaguatirica na sabatina da Globo News

Vitor Hugo Soares

 

A aparentemente frágil e isolada Marina Silva foi sabatinada terça-feira, último dia de julho, por jornalistas do canal privado de televisão Globo News, na série de entrevistas promovida com os principais presidenciáveis às eleições deste ano. No páreo dos mais bem avaliados nas pesquisas até aqui – pela terceira disputa seguida – a candidata (ex-PT, ex-Verde e atual Rede Sustentabilidade) – não se esborrachou em negativas e contradições, como alguns esperavam e, não poucos, até torciam. Vestida de branco e despojada de adereços, foi às vezes arisca como Jaguatirica amazônica, outras tantas foi camaleoa (ou camaleão fêmea como preferem os puristas da língua e acadêmicos), a depender das questões e dos modos dos questionadores.     

 A cara e a voz da chamada terceira via no Brasil se apresentou, na maior parte do tempo, como força conciliadora progressista e cristã. Protestante, quando tudo ao seu redor é barril, pau puro, vale tudo de ataques com palavras ferinas, fake news, ameaças de puxar o revólver ou os cabelos e até chamar “baionetas caladas e falantes” (no dizer de Ulysses Guimarães) dos círculos militares, para o baile político e civil da campanha e do governo. Vacilou e derrapou em alguns momentos, mas não pediu arrego, nem perdeu o rumo.

A começar pelas escolhas de defesa que fez –uma delas a continuidade do combate sem trégua a corruptos e corruptores na política, no governo e nas poderosas corporações públicas e privadas, através do incentivo e apoio político e institucional explícito à Lava Jato; e contra a tentativa de fazer do servidor público (na proposta de Reforma da Previdência)  o bode expiatório da crise nacional, à guisa de combater privilégios.

Priorizou, também, suas opções de ataques: destacou o fracasso rotundo do governo Temer (MDB), decorrente segundo a sabatinada, do conluio da incompetência com a cumplicidade de “corruptos dentro dos palácios” . Atacou, além disso, o que qualificou de dubiedades e perigo, dos discursos do medo ou o deixa ficar de candidatos como o deputado-militarista Bolsonaro (PSL) e do tucano Alckmin, neste caso para agradar o chamado Centrão.  Bateu, também, no que definiu como “manobras mal disfarçadas,  das chicanas judiciais ou propostas de indulto político que favorecem a impunidade”, a exemlo dos que postulam a soltura do ex-presidente Lula, condenado a 12 anos e um mês de cadeia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Ainda sobraram flechas para Dilma Rousseff, desavença antiga, desde as batalhas ambientalistas, quando ambas pertenciam ao PT, mas não se bicavam. Confrontada pelos entrevistadores, com assuntos particular e pessoalmente espinhosos, a candidata da REDE fez volteios e jogo de corpo. Advogou um plebiscito para a questão do aborto, caso se pretenda promover alterações na lei em vigor. À pergunta se sua religião evangélica poderia interferir em suas decisões de governo, reagiu: “Me mostre um projeto meu que foi na contramão do estado laico e da liberdade das pessoas”. E subiu o tom: “Não vejo as pessoas questionarem a fé de candidatos católicos como Geraldo Alckmin”, protestou na sabatina. 

Terceira colocada nas presidenciais de 2010 e 2014, Marina Silva segue na mesma trilha em 2018. Sem abrir mão de princípios e projetos de governo e de País. É provável que não cheque ao Palácio do Planalto , mas ficou patente, que ela está pronta para o embate político, e decidida a fazer bonito na campanha eleitoral, com Eduardo Jorge (PV) como vice. Se possível, surpreender. Inesperadamente.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Postado em 04-08-2018 01:56

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 04-08-2018 01:56

Biga: parabéns mana querida, neste 4 de agosto de seu aniversário. Que as palavras da canção de Tim Maia – este saudoso artista notável de quem você gosta tanto – leve ao seu coração a nossa mensagem de felicidades, paz e amor fraternal. Hoje como sempre. Viva!!!

(Hugo e Margarida)

Por Gustavo Garcia e Filipe Matoso, G1, Brasília

O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, durante entrevista à GloboNews (Foto: Reprodução/GloboNews) O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, durante entrevista à GloboNews (Foto: Reprodução/GloboNews)

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, afirmou nesta sexta-feira (3) que, se eleito, pode privatizar a Petrobras “se não tiver solução”.

A declaração foi dada em entrevista à GloboNews que, nesta semana, entrevistou postulantes ao Palácio do Planalto nas Eleições 2018.

“Se não tiver uma solução, eu sugiro a privatização da Petrobras. Acaba com esse monopólio estatal e ponto final. Então, é o recado que eu dou para o pessoal da Petrobras”, afirmou o candidato.

“Eu entendo que a Petrobras é estratégica. Por isso não gostaria de privatizar a Petrobras, esse é o sentimento meu. Agora, se não tiver solução, não tiver um acordo, você não vai ter outro caminho”, acrescentou.

De acordo com o candidato, se ele for eleito, o economista Paulo Guedes será o ministro da Fazenda e terá a liberdade para conduzir a política econômica e ainda escolher, por exemplo, o presidente do Banco Central.

“O Brasil está numa situação tal que você tem que acreditar nas pessoas e o Paulo Guedes não vai tomar decisões sem conversar comigo. […] E ele já falou que gostaria de manter o presidente do Banco Central [Ilan Goldfajn]. Eu falei: ‘Quem vai definir isso é você, eu quero resultado'”, completou.

Gays, mulheres e aborto

Durante a entrevista, o candidato do PSL disse que não é homofóbico, mas, sim, contra o que chamou de “ideologia de gênero” que, segundo ele, é ensinada nas escolas.

“Nunca fui homofóbico. [Mas] eu não posso admitir que crianças com seis anos de idade assistam a filmes como ‘Encontrando Bianca’, onde meninos se beijam, meninas se acariciam, para combater a homofobia. Está na cara que a criancinha de seis anos de idade que assistir a isso, no intervalo, o Joãozinho vai querer namorar o Pedrinho. Um pai não quer chegar em casa e encontrar o filho brincando de boneca por influência da escola”, afirmou.

Em outro trecho, Bolsonaro foi indagado sobre o que pretende fazer, caso seja eleito, para combater a desigualdade salarial entre homens e mulheres. Ele disse, então, que seria um “absurdo” o governo criar algum tipo de política sobre o tema.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), o rendimento médio dos homens é de R$ 2.012, enquanto o das mulheres, de R$ 1.522. Além disso, levantamento do site de empregos Catho mostra que as mulheres ganham, nos mesmos cargos e funções, até 53% menos que os homens.

“Se você quiser interferir no mercado, você vai quebrar de vez. Não é que tem quem ganha menos ou mais. Isso vai do entendimento de quem contrata. Você vai chegar e vai dizer que [homens e mulheres] têm que ganhar a mesma coisa? […] Você não tem como interferir no mercado. Isso é um absurdo”, afirmou Bolsonaro nesta sexta.

Em outro trecho, o candidato do PSL à Presidência da República avaliou que não cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF) discutir a descriminalização do aborto. Uma ação na Corte visa descriminalizar a prática até 12 semanas de gestação.

Hoje, é permitido à mulher fazer aborto em caso de estupro, risco de vida para a mãe ou feto anencéfalo.

Outros temas

Saiba abaixo outros temas abordados pelo candidato durante a entrevista à GloboNews:

  • Possíveis candidatos a vice: “Ou vai ser a senhora Janaína Paschoal, ou o senhor príncipe Luiz Philippe de Orléans e Bragança. [O que] está faltando é que eu estou conversando com a Janaína e ela apresenta alguns problemas familiares, porque ela tem dois filhos. […] Não posso ter preferência. Lógico, sempre, a gente pensa em um ‘plano B’. No momento, o ‘plano B’ é o príncipe.”

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Postado em 04-08-2018 01:43

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 04-08-2018 01:43

DO PORTAL TERRA BRASIL
Yuri Silva
 

O prefeito de Salvador, ACM Neto, presidente nacional do DEM afirmou nesta sexta-feira, 3, que a senadora Ana Amélia (PP-RS), escolhida pelo presidenciável do PSDB Geraldo Alckmin para candidata a vice-presidente em sua chapa, “é a melhor candidata a vice possível”. Segundo o líder do Democratas, o nome dela sempre foi o seu preferido para a vaga.

“Não podia ter melhor vice. Torci muito por Ana Amélia. Torci desde o começo que desse certo. Nesse momento, não podia ter melhor candidata (a vice). São as mulheres se empoderando e ganhando força na política. Trabalhei muito para que fosse uma vice mulher”, disse o prefeito de Salvador, durante a convenção do DEM na Bahia, que lançou o ex-prefeito de Feira de Santana José Ronaldo como candidato ao governo do Estado.

ACM Neto (DEM) é um dos principais articuladores do Centrão

 
 
ACM Neto (DEM) é um dos principais articuladores do Centrão

Foto: Paulo Lopes/Futura Press / Futura Press

O nome da senadora ganhou força, no entanto, somente após a recusa do empresário Josué Gomes (PR), primeira indicação do Centrão ­- bloco fomado pelo DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade, do qual ACM Neto é um dos principais articuladores – ao declarar apoio a Alckmin, no dia 19.

Na convenção do DEM na Bahia, ACM Neto relativizou o fato do presidente do PP Ciro Nogueira ser aliado do governador do Piauí Wellington Dias (PT), apesar de apoiar Alckmin nacionalmente. “Se não fosse Ciro Nogueira, Ana Amélia não seria hoje candidata a vice-presidente. Ciro Nogueira foi o principal responsável por essa articulação. Ciro Nogueira tem tido um papel decisivo para a campanha de Geraldo Alckmin”, defendeu ACM.

Ele também disse que “quase a totalidade do DEM apoiará Alckmin” e informou que casos pontuais de Estados que farão campanha para outros presidenciáveis “serão acompanhados e supervisionados pelo partido”. Ele citou como exemplo o diretório do DEM no Rio Grande do Sul, onde o deputado Onyx Lorenzoni coordenará a campanha do capitão da reserva Jair Bolsonaro, pré-candidato do PSL ao Palácio do Planalto.

Bolsonaro também deve subir no palanque de José Ronaldo na Bahia, mesmo com a existência de um acordo para que o DEM dê sustentação à candidatura de Alckmin no Estado. “O PSL compõe a nossa aliança aqui na Bahia. A gente tem que respeitar o espaço e o direito do PSL trabalhar pelo candidato nacional”, relativizou Neto.

Ele citou Alckmin quando discursou durante a convenção. Na ocasião, disse ?o DEM vai eleger o ex-governador de São Paulo nas eleições 2018 e “acabar com essa história de que o Nordeste é do PT, de que o Nordeste é vermelho”.

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Postado em 04-08-2018 01:41

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 04-08-2018 01:41

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Comandante do Exército alerta sobre proibição de campanha em quartéis, inclusive de militares

Por Claudio Dantas

O comandante do Exército, general Villas Bôas, divulgou aos subordinados uma nota informativa com orientações para visitas de candidatos a organizações militares durante a campanha eleitoral.

Segundo o documento, obtido em primeira mão por O Antagonista, a intenção é “proporcionar tratamento isonômico para evitar atos que possam ser questionados como indevidos”.

Qualquer visita deve ser agendada previamente e informada ao escalão superior. Caso o candidato apareça sem avisar, deverá ser conduzido ao setor de comunicação social, sempre acompanhado de um militar.

Esses contatos devem ser sempre registrados em vídeo ou fotografia, que em hipótese alguma poderão ser divulgados em redes sociais ou aplicativos de mensagens. Gravações por parte das equipes dos candidatos estão proibidas.

Os militares deverão evitar conversas informais com emissão de opinião sobre as eleições ou outro tema relacionado. Também está vedada a distribuição de propaganda eleitoral, como santinhos ou outros materiais, dentro das instalações militares.

Militares candidatos também estão proibidos de fazer campanha fardados.

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Postado em 04-08-2018 01:37

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 04-08-2018 01:37

Lula carregado por apoiadores no dia de sua prisão, em 7 de abril.
Lula carregado por apoiadores no dia de sua prisão, em 7 de abril. Stringer . REUTERS

Os aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmam que usarão todos os recursos na Justiça para garantir que o petista participe das eleições neste ano, mas, caso insistam nessa estratégia, o país pode enfrentar uma situação inédita —e cheia de incertezas— no pleito de outubro: o líder nas pesquisas de opinião com uma candidatura com o risco de ser impugnado no meio (ou mesmo depois) do processo eleitoral. Embora alguns petistas avaliem que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF) vão correr contra o tempo para indeferir a candidatura de Lula antes de 17 de setembro, a data limite para a troca de candidato, os prazos apertados que a Justiça Eleitoral terá para analisar o processo e a possibilidade de apresentar recursos ao STF fazem com que a hipótese de não substituir Lula seja debatida dentro do PT.

“Dependendo das condições, sim, é muito possível [manter a candidatura de Lula sub judice]”, afirmou ao EL PAÍS a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann. A senadora deve presidir neste sábado a convenção do partido que prevê formalizar o petista como candidato ainda que sem nome de vice, em mais uma estratégia para ganhar tempo. O segundo da chapa, disse Gleisi, só seria anunciado no dia 14 e ela fez questão de repetir que o Ciro Gomes seria um bom nome para o posto. “Se for verdade que Lula será candidato, conversemos; se não for, por favor, Brasil: muita calma nessa hora! Nosso país não aguentará outra aposta no escuro”, retrucou o pedetista em carta aberta na qual disse que “até as pedras” sabem que Lula, que está preso desde abril devido a uma condenação em segunda instância por corrupção que o enquadra na Lei da Ficha Limpa, será impedido.

A tese da candidatura sub judice ganha eco na ala mais radical do PT, que acredita que a solução drástica —não trocar a candidatura de Lula no dia 17 de setembro caso ele ainda possa apresentar recursos ao Supremo— seria uma forma de reforçar ainda mais o discurso de que a sigla e o ex-presidente estariam tendo seus direitos desrespeitados. Além do mais, a meta desse grupo é tentar garantir que, mesmo com o registro negado, o nome de Lula apareça na urna eletrônica. Com 33% das intenções de voto, segundo o último levantamento Ibope, tudo indica que o petista teria uma votação expressiva, o que deixaria o Supremo contra a parede: afinal, os juízes anulariam os votos dados a Lula, um candidato que poderia muito bem liderar o primeiro turno? “Ninguém na condição em que está o Lula hoje deixou de ser candidato”, afirma o senador Lindbergh Farias, líder do PT no Senado. “Qualquer decisão definitiva no STF só ocorrerá depois das eleições. Então vai surgir a seguinte questão: não será o candidato Lula que estará sendo julgado, mas o presidente eleito”, complementa o líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta.

Encruzilhada

Mas como esse cenário seria possível? Caso o TSE e o Supremo indeferirem em definitivo o pedido de candidatura de Lula até 17 de setembro, não há mais o que discutir. A única opção do PT seria ungir um candidato alternativo e esperar que a popularidade de Lula transfira votos ao escolhido (o nome mais especulado hoje em dia é o do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad). Mas a coisa se complica se, devido a eventuais recursos no STF, uma decisão em definitivo da última instância do Judiciário não ocorra antes desse prazo.

Dessa forma, se a peleja jurídica se estender, o partido vai se deparar com uma encruzilhada em 17 de setembro: caso insistam numa disputa judicial “até o fim”, a sigla não poderá mais substituir seu representante, mesmo se o STF vier a bloquear a candidatura de Lula depois disso. Haveria dois caminhos a seguir. Abrir mão de eventuais recursos que ainda poderiam beneficiar o ex-presidente na Suprema Corte e lançar um substituto no pleito ou redobrar a aposta no líder petista, numa espécie de “tudo ou nada” eleitoral. É uma aposta de alto risco. Segundo explica um ex-ministro do TSE, que falou sob condição de anonimato, no caso de uma impugnação após 17 de setembro o PT ficaria sem candidato e — se não houver tempo hábil para retirar o seu nome da urna — os votos dados a Lula seriam anulados. Mesmo assim há quem defenda esse caminho dentro do PT.

“É uma coisa que nós só saberemos nos dias 15 e 16 de setembro. Nós não adiantamos essa discussão, por isso que a gente tem insistido tanto que não tem plano B”, contemporiza Gleisi, presidenta do PT. “Nós não temos essa clareza: se vamos substituir [o Lula] ou se vamos continuar sub judice. Vai depender muito do desempenho da disputa jurídica no Tribunal Superior Eleitoral. Nós temos argumentos fortes, o presidente tem aí recursos muito plausíveis e a jurisprudência eleitoral nos faz acreditar que é possível disputar uma eleição sub judice e levantar a elegibilidade”, complementa.

O precedente que mais se parece ao cenário do “tudo ou nada” defendido pela ala mais radical do PT ocorreu em 2006, quando Rui Costa Pimenta, então candidato pelo Partido da Causa Operária, disputou o Palácio do Planalto. O Tribunal Superior Eleitoral negou seu registro por problemas na prestação de contas de pleitos anteriores, mas Pimenta recorreu ao STF e seu nome apareceu na urna eletrônica. O caso dele só foi resolvido pelo Supremo em 25 de outubro daquele ano, mais de 20 dias depois do primeiro turno. A candidatura foi considerada irregular e os votos depositados em Pimenta, anulados. Uma questão pequena já que o postulante em questão era de uma legenda nanica e teve poucos votos. Quando se pensa nessa hipótese com o nome de Lula na urna, o problema se torna significativamente maior.

Pelas declarações mais recentes de membros do Tribunal Superior Eleitoral, no entanto, a indicação é que o caso Lula será analisado de forma célere. O presidente do TSE, ministro Luiz Fux, argumentou recentemente que o petista está numa situação de “inelegibilidade chapada”. Ministros do tribunal dizem reservadamente que a tendência é que a Corte julgue o processo do ex-presidente até 31 de agosto, portanto antes do início do horário eleitoral gratuito. Em outra frente, a Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, afirmou na semana passada que o Ministério Público vai pedir o ressarcimento dos recursos públicos usados por partidos políticos nas campanhas de políticos inelegíveis.

Divergência

Apesar de Gleisi afirmar que esse assunto só será tratado às vésperas do prazo limite para a troca de candidato, o tema já gera discussões internas dentro do PT. Um grupo de petistas mais moderados acredita que manter a candidatura sub judice mesmo depois da determinação da corte eleitoral seria uma espécie de plano suicida, com consequências imprevisíveis para o partido e para as próprias eleições. Um parlamentar ouvido reservadamente disse, por exemplo, que o ideal seria considerar a decisão do TSE como a linha definitiva para a troca de candidato.

De qualquer forma, o caminho que será seguido depende — como tudo no PT — da estratégia traçada pelo próprio ex-presidente Lula. Quem o visita na carceragem em Curitiba garante que ele está determinado a manter a sua candidatura até as últimas consequências, mas alguns interlocutores do petista acreditam que o plano é esticar o discurso de que não há plano B pelo máximo de tempo possível — se conseguirem até o dia 17 de setembro, melhor. O cálculo é que quanto mais próximo das eleições, mais chances o substituto terá de herdar o eleitorado que votaria no ex-presidente. Apostar numa candidatura com risco de ser anulada durante ou depois do pleito, dizem, seria igual a abdicar das possibilidades de um petista chegar ao segundo turno das eleições.

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CRÔNICA/DESPEDIDA

O Parceiro

Gilson Nogueira

 

Os blocos de nuvens avermelhadas parecem refletir   o fogo do maçarico do maior artista plástico do Brasil e um dos maiores do mundo, no seu atelier, lá no Alto de Ondina, onde fui, com o seu amigo Alfredinho, também artista, mostrar alguns guaches que havia produzido para um salão de arte moderna em Brasília, no início dos anos 70. As nuvens de fim de tarde dão-lhe adeus em meu nome e preparam a passagem dele para a Eternidade. Anunciam, penso, sob os olhares de admiração dos anjos, sua chegada no Infinito, silenciosamente. Logo mais, vai haver a Primeira Vernissage do Firmamento, sob o Patrocínio de Deus. Mário Cravo Júnior, assim, por extenso, como pede o cronista que teve o privilégio de conhece-lo pelas ruas da Cidade da Bahia, vendo, nele, mais que um escultor, pintor, professor, intelectual… uma estrela em carne e osso, estará nos olhando lá do alto e agradecendo as homenagens à sua partida e inspirando os que ficaram a valorizar, cada vez mais, os homens e mulheres que, através da arte, escreveram e escrevem a síntese da paz. Arte é a paz, sob qualquer ângulo, forma, perspectiva e material que dê-lhe sentido, vida.

Perco, como a Humanidade, uma referência artística de toda a vida e fico, assim, sem entender como poderá ser a Cidade da Bahia sem ele, a pensar, a ensinar, a produzir, a inspirar, ao vivo, a arte em seu estado divinal! E, aqui, vendo o crepúsculo dar lugar ao breu, invade-me uma vontade enorme de sentar com ele em volta daquela piscina, de novo, no transcorrer dos anos de boemia, para sorrir com arte. E que saudade daquele encontro próximo ao Shopping Barra, não lembro o ano, quando o cumprimentei, emocionado, dizendo-lhe que havia visto e tocado, com o coração, uma escultura em ferro, com um palmo de altura, denominada  O Capoeirista, no Museu da Chácara do Céu, no alto do bairro de Santa Thereza, na cidade do Rio de Janeiro. Pois é, nada acontece por acaso. Aquele sujeito dando um rabo de arraia, em cima daquela mesa, deve, agora, ter saído de lá para saudar a Chegada do Parceiro.”Saravá, Marão!!!”
 
Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do BP

“Vá”, Charles Aznavour: Soberba canção de um fabuloso poeta, compositor e intérprete.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Ciro Gomes na convenção do PDT, em 20 de junho.
Ciro Gomes na convenção do PDT, em 20 de junho. UESLEI MARCELINO

Derrotado em sua tarefa de atrair o PSB para sua candidatura, Ciro Gomes partiu para um discurso mais fortemente ideológico para tentar conquistar um eleitor de esquerda, especialmente aquele que ele julga estar decepcionado com o PT. Na quarta-feira em Brasília, o partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que sacrificaria candidaturas próprias em quatro Estados – Pernambuco, Paraíba, Amazonas e Amapá – em troca da neutralidade do PSB, anulando assim, uma possível aliança dos socialistas com o pedetista. Naquela noite, Ciro Gomes afirmou, sereno, em entrevista à GloboNews, que ainda não havia sido comunicado da decisão do PSB, numa sinalização de que restava alguma esperança de reverter a derrota. Mas, nesta quinta-feira, em São Paulo, ele parecia mais conformado e com disposição para o ataque. Chamou o acordo de “golpismo” e de “facada nas costas”.

Em um hotel na região da avenida Paulista, falou com a imprensa por breves dez minutos antes de participar de um debate sobre os desafios para o próximo governo promovido pela Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco). Armado, anunciou que “nunca quis” o apoio do PT, que a possibilidade de ser vice em uma chapa com petistas era uma “aberração” e disse que pretende atrair eleitores do partido de Lula que estão decepcionados depois do que aconteceu. “Quero falar com o eleitorado simpatizante do PT”, afirmou. “Que não é de cabresto. Eles pensam que é, mas é o melhor eleitorado brasileiro e que deve estar hoje muito constrangido com o que a sua burocracia tem feito”.

O discurso talvez seja a única munição do PDT para atrair esse eleitor. Figurando em terceiro lugar nas pesquisas, a campanha de Ciro vive a escassez: tem pouco tempo na TV, pouco dinheiro e pouca representatividade nas redes sociais, principal ferramenta de mobilização de Jair Bolsonaro (PSL), que também contará com pouca participação na televisão.

Por isso, tentando capitalizar a frustração petista, principalmente no Nordeste, o pedetista falou três vezes da situação de Marília Arraes (PT) em Pernambuco. A neta de Miguel Arraes deverá ter sua candidatura ao governo do Estado anulada em troca do apoio do PT à reeleição do governador Paulo Câmara (PSB). O caso de Marília é o mais simbólico, já que ela teria chances de vencer a eleição e promete não desistir tão fácil. Sabendo de seu capital político, Ciro foi enfático. “O que essa moça tem a ver com isso? Ela merecia pagar esse preço? Será que o povo politizado de Pernambuco vai engolir essa providência golpista? Ninguém pode falar em golpe e praticar o golpe”, disse. Depois, chamou o acordo de “uma violência contra uma jovem”. “Tirar alguns segundos de mim cortando o pescoço de uma jovem mulher pernambucana politizada, neta do Miguel Arraes, eu acho de uma violência que, na minha longa estrada, nunca vi coisa igual”, disse.

Enquanto Ciro tentava demonstrar sua preocupação com Marília à imprensa, em Pernambuco a petista discursava durante o encontro estadual do PT. “A nossa candidatura é uma necessidade de resgatar a esquerda para um protagonismo político de Pernambuco”, disse. “E não uma falsa esquerda, uma falsa esquerda que vira para o lado da direita quando é oportuno e quando é melhor volta para a esquerda como se nada tivesse acontecido”, afirmou sob aplausos. Opositora ferrenha do governador, Marília alfinetou: “Não adianta tentar unir a esquerda por meio de chantagem, que é o que o PSB está fazendo. O PSB chantageia o PT pedindo para tirar uma candidatura que hoje faz parte da realidade da política de Pernambuco”.

Silêncio no PSB

A grande preocupação de Ciro ou de Marília parece não ter atingido o PSB. Em silêncio desde ontem, o partido não só não confirmou nada a Ciro Gomes, como também o diretório nacional não se pronunciou até o momento sobre ter aceitado – ou não – a oferta do PT. “Pior que uma decisão errada é não ter decisão”, criticou o presidente do PDT, Carlos Lupi.

O único diretório que se pronunciou até o momento foi o de Minas Gerais. Por meio de nota, os mineiros afirmaram que “a Direção Estadual do PSB tem entendimento contrário a essa decisão” de apoiar a candidatura à reeleição de Fernando Pimentel (PT) ao governo do Estado, abrindo mão de Márcio Lacerda (PSB).

Há cerca de um mês, Ciro Gomes disse ao EL PAÍS durante breve passagem por Pernambuco que o apoio do PSB à sua candidatura era “praticamente a garantia da eleição”. Naquele dia, ele havia se reunido com o governador Paulo Câmara e o prefeito do Recife Geraldo Júlio, ambos do PSB, para pedir apoio. Agora, na iminência de um possível isolamento, o PDT reage afirmando que ainda espera pelos socialistas. “Depende só deles”, afirmou nesta quinta-feira, por telefone, Lupi.

Mas, a jornalistas, Ciro reagiu naturalmente sem essa diplomacia do presidente de seu partido. “Esse negócio de barganhas subalternas me enoja”, respondeu, ao ser questionado o que o PDT teria para oferecer em troca de um apoio do PSB. “Esse comportamento está na base moral da corrupção”. Com os dedos das duas mãos, ostentou que já teria o apoio de ao menos oito diretórios estaduais do PSB. Mas não deixou de criticar os socialistas. “Esse jogo é chocante não porque o PSB está apoiando o PT, mas porque o PSB saiu da eleição, aceitou o constrangimento de se omitir do debate nacional”.

Em pouco mais de dez minutos de desabafo, Ciro Gomes, que tinha como possível vice o ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda (PSB) – que agora pode ser candidato ao Senado em uma chapa com o PT em Minas gerais – tentou se mostrar tranquilo, afirmando ter um plano B. “Eu tenho um backup”, afirmou, sem revelar quem seria.

Ao final do evento, disse a uma plateia quase cheia: “Não vamos desistir do Brasil”. A frase foi a última declaração feita publicamente pelo candidato Eduardo Campos (PSB), em 2014, um dia antes de sofrer um acidente aéreo fatal. Virou o lema da campanha do PSB depois.

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