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Postado em 13-01-2018 13:34

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 13-01-2018 13:34

Dilma Rousseff (PT), ex-presidente da República, afastada do governo por impeachment no segundo mandato, ao ser questionada sobre a possibilidade de se candidatar por um estado do Nordeste, que tornaria mais fácil uma eleição ao Senado.

Resultado de imagem para Deneuve x Oprah feminism
Oprah Winfrey, no Globo de Ouro: discurso
contra assédio levanta onda de especulações
políticas nos EUA…
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…Cristiane Brasil e o pai: nomeada ministra não toma posse no
Trabalho e vira embaraço para governo Temer.

ARTIGO DA SEMANA
 

Cristiane Brasil, Catherine Deneuve, Oprah Winfrey: mulheres abrem 2018

Vitor Hugo Soares

Três mulheres deram o tom e ditaram o ritmo dos primeiros debates e das encrencas políticas e culturais do ano que se inicia. A primeira delas vem de Niterói, tem o nome de Cristiane Brasil, que parece talhado sob medida para os tempos temerários que se anunciam já na entrada de 2018 na banda do lado de baixo da linha do Equador.. Ela já causou polêmicas e produziu estragos de bom tamanho no outro lado da ponte, ora por sua explícita atuação na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, ora pelas condenáveis relações trabalhistas mantidas com seus empregados particulares – mas onde público e privado estão quase sempre estão misturados.

Agora, deputada federal em Brasília, do nada ela foi tirada do bolso do colete do pai e chefe do PTB (Roberto Jefferso, detonador do Mensalão) escolhida pelo soturno habitante do Palácio do Jaburu para o delicado cargo de ministra do Trabalho (quanta ironia!). Ela dá sinais nítidos de ter potencial de sobra para ser o estopim da bomba de muitos megatons que ameaça despedaçar as pilastras já cheias de fissuras da base do  governo do PMDB, sob comando de Michel Temer. Quer a ministra tome posse (o que ainda é dúvida,graças ao tamanho da complicação judicial e ética em que se meteu), ou não, oque pode descambar para reboliço ainda maior.

A segunda vem da França, olho do furacão de históricas polêmicas e memoráveis debates políticos e culturais que mexem de tempos em tempos com a cabeça de gente de todo gênero do planeta inteiro, a exemplo do que está acontecendo agora mesmo. A começar pelo debate sobre a  questão da mulher e do feminismo, cujo exemplo moderno mais expressivo, para mim. é Simone de Beauvoir, autora de “O Segundo Sexo” (um livro basilar e pioneiro sobre o tema), primeira grande paixão platônica e intelectual do jornalista que assina este artigo semanal de informação e opinião. Isso desde que a vi, bela, faceira e sobranceira, pisando o solo da Cidade da Bahia, lá pelos emblemáticos Anos 60, em sua visita ao Brasil ao lado de Sartre. Para ser exato, no período de 12 de agosto a 21 de outubro de 1960..

Digo isso porque em 2007 escrevi um texto sobre o assunto, publicado neste blog e no jornal A Tarde (onde, na época, eu era editor de Opinião). Escrito que talvez, nestes tempos extremados do politicamente correto, provavelmente não pegaria bem, a começar pelo título: “Simone, que mulher!”. Ainda assim, nesta semana de mulheres envolvidas, ou combatentes de debates febris (não raramente agressivos), ouso reproduzir trechos do que então escrevi sobre a visita da autora de “Todos os Homens são Mortais” .

Simone e Sartre desembarcaram em Recife, a convite da Universidade Federal de Pernambuco, para participar em Olinda do I Congresso Brasileiro de Crítica e História Literária. Depois cruzaram várias regiões – viram até Brasília ainda em construção por JK- sempre acompanhado de outro casal famoso: Jorge Amado e Zélia Gattai. “Em Salvador, a passagem de Simone deixou rastros indeléveis, principalmente nos meios universitários e no bares mais populares, freqüentados por intelectuais e artistas. O professor de etnografia da UFBA, Vivaldo da Costa Lima, a quem a escritora francesa se refere várias vezes em seu livro autobiográfico “A Força das Coisas” , costumava apontar para velho tamborete de um desses barzinhos no Maciel – antiga área de prostituição do restaurado Pelourinho – e informava: “;Ali Simone de Beauvoir sentou o seu traseiro”.

Que tempos, hein, penso agora, no meio do bafafá destes dias!

No caso do alvorecer de 2018, no entanto, quando a formidável pensadora francesa já partiu faz tempo – que pena este embate sem ela -, refiro-me agora a outra simbólica representante do sexo feminino na França: a atriz Catherine Deneuve (74 anos), personalidade também referencial (e polêmica) desde o filme “La Belle de Jour” ( A Bela da Tarde), do incrível cineasta espanhol, Louis Buñuel. É a atriz que ocupa agora o centro da cena, ao encabeçar o surpreendente manifesto, assinado por uma centena de artistas e intelectuais, publicado na terça-feira pelo diário Le Monde, que dispensa comentários.

Na carta pública as francesas pegam pesado em vários trechos, mas sem perder o charme jamais. Acusam o movimento “Me Too” – surgido a partir das denúncias de assédio sexual do produtor de Hollywood Harvey Weinstein – de “promover o puritanismo, criar clima “totalitário” e sepultar a liberdade sexual”. O grupo de mulheres, Deneuve à frente, sustenta que Me Too já fez com que “muitos homens tenham sido punidos em seu trabalho por tocar um joelho, tentar roubar um beijo ou falar sobre questões intimas durante um almoço profissional”.

O documento vai mais fundo e mexe no vespeiro das “irmãs americanas” ao entrar em terreno movediço e explosivo da questão: “A violação (o esupro) é um crime mas flertar insistente e torpemente não é crime e o cavalheirismo não é uma agressão machista”, destaca o manifesto, que se não muda o rumo da prosa, oferece perspectivas novas de forma e de conteúdo, na exposição e análise da delicada questão que afeta e mexe com os nervos de muita gente. Do ponto de vista do jornalismo, um fato a ser saudado. Igualmente do ponte de vista do livre debate intelectual de ideias e conceitos.

O documento reconhece que o caso Weinstein levou a uma tomada de consciência sobre violência sexual contra as mulheres no contexto profissional, mas lamenta que agora favoreça a outros tipos de interesses: “Esta febre de enviar os “viados” ao matadouro, longe de ajudar as mulheres a ser autônomas , serve na realidade aos interesses dos inimigos da liberdade sexual, aos extremistas religiosos, aos piores reacionários e os que pensam que as mulheres são seres à parte, crianças com uma cara adulta”, diz um duro trecho do manifesto que Catherine Deneuve encabeça. Tem mais, muito mais, mas quem estiver interessado leia a íntegra que corre livremente na Internet. Só digo que vai ter trocos, muitos e em diferentes escalas de textos e de conteúdos, e isso é bom, democrático e salutar.

A terceira mulher em destaque nos primeiros dias de 2018 é Oprah Winfrey, a mais destacada, famosa e rica apresentadora de televisão dos Estados Unidos. Ao converter-se , domingo passado, na primeira mulher negra a aceita o premio honorífico Cecil B. De Mille, na festa de entrega do Globo de Ouro, o discurso da homenageada foi tecido em torno das questões de gênero, pobreza e raça em seu país. A fala de Oprah fex explodir uma onda gigantesca de especulações, costa a costa. No centro do tsunami, uma pergunta: Oprah Winfrey será candidata presidencial contra Donald Trump em 2020?

No trecho do discurso apontado como principal causador da avalanche especulativa na redes sociais, Oprah afirmou:”Durante demasiado tempo, as mulheres não foram escutadas e nem se acreditava que elas se atreveriam a contar a verdade sobre esses homens (os assediadores de Hollywood). Mas o tempo desses homens se acabou!”. Precisa dizer mais no País sob o mando de Trump? Responda quem souber.

Vitor Hugo Soares é jornalista, edior do site blog Bahia em Pauta.E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

BOM DIA!!!

jan
13

Postado em 13-01-2018 00:07

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 13-01-2018 00:07

A Advocacia-Geral da União entrou nesta sexta-feira (12) com recurso no Tribunal Regional Federal da 2ª Região para que o juiz Vladmir Vitovsky decida sobre o juízo competente para julgar a ação que trata da posse da deputada Cristiane Brasil no Ministério do Trabalho.

Nesta semana, a Justiça Federal de Niterói suspendeu a posse da deputada federal para o Ministério do Trabalho. Segundo a AGU, essa ação foi ajuizada às 20h11 do último dia 7.

Mas a AGU argumenta que a primeira decisão sobre o caso foi proferida pela Justiça de Teresópolis, em uma outra ação popular, que manteve a decisão de Michel Temer de indicar Cristiane. De acordo com o órgão, essa ação foi ajuizada às 16h36, também no dia 7.

Com isso, o governo argumenta que a competência para o caso deveria ser do juiz de Teresópolis, primeiro a receber ação popular sobre o caso, e não o de Niterói.

Com o embargo de declaração, a AGU questiona a decisão e argumenta que a Justiça de Niterói deveria ter devolvido a ação ao juiz prevento – no caso, o de Teresopolis.

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Postado em 13-01-2018 00:05

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 13-01-2018 00:05

 


 


 

Miguel , no

 

 

jan
13

Postado em 13-01-2018 00:04

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 13-01-2018 00:04

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Padilha é convocado como testemunha de Geddel

 Justiça Federal em Brasília marcou depoimento do ministro da Casa Civil de Michel Temer, Eliseu Padilha, para o dia 6 de fevereiro, informa o Correio Braziliense.

O juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara, aceitou Padilha como testemunha de defesa de Geddel Vieira Lima –que continua preso na Papuda, em decorrência das investigações do bunker da propina em Salvador.

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Postado em 13-01-2018 00:02

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 13-01-2018 00:02

 
Visita de índios mapuches ao Vaticano em fevereiro de 2017Visita de índios mapuches ao Vaticano em fevereiro de 2017 L´Osservatore Romano

A fotografia foi tirada no Vaticano. Nela, o Papa Francisco aparece com uma indígena mapuche que, com seus trajes coloridos, parece estar praticando algum rito espiritual. Francisco inclina sua cabeça para que a indígena possa tocar seu rosto. Alguns quiseram ver uma forma de bênção ao Papa, embora parece que a indígena está tentando transmitir o espírito de seus deuses ancestrais ao Papa. A foto foi vista pelas pessoas comuns como um gesto de simpatia do Papa Francisco a todos os indígenas da Terra. Outros, no entanto, incluindo políticos e grupos católicos conservadores, criticaram o fato, visto como um sacrilégio. Afirmam que é a primeira vez que um Papa permite ser abençoado por uma seguidora de ritos pagãos. E chamaram a mapuche de “bruxa”.

Os conservadores afirmaram que não foi uma surpresa preparada para Francisco como tantas vezes ocorre durante as audiências na Praça de São Pedro, nas quais o Papa de repente se encontra com uma criança nos braços, colocada por uma mãe para que seja abençoado. Alegam que o pontífice, ao inclinar a cabeça na direção da mapuche para que ela possa tocar seu rosto, está conscientemente aceitando o rito que será realizado. E é ela quem abençoa o Papa e não o contrário.

Em minhas muitas viagens ao redor do mundo com Paulo VI e João Paulo II vi cenas nas quais grupos de feiticeiros indígenas realizavam alguns de seus ritos pagãos na presença do Papa. Mas é verdade que é a primeira vez que um Papa permitiu que fosse feito um desses ritos nele com uma compostura séria e piedosa. A foto, que foi tirada no ano passado, ressuscitou agora sob o signo da polêmica na véspera da viagem de Francisco ao Chile, de 15 a 18 próximos. Nesta viagem, o Papa irá abordar o espinhoso problema das comunidades mapuches que, no Chile e na Argentina, são muito ativas na defesa de seus direitos e de suas terras cobiçadas pelas multinacionais.

Os mapuches são cerca de um milhão no Chile e cerca de cem mil na Argentina e esperam que Francisco aproveite a viagem para apoiar sua luta. Meses atrás ele disse a uma delegação de índios mapuche: “Não vamos permitir que os governos tomem a terra dos índios sob o pretexto de estabelecer novas tecnologias”. E acrescentou: “Eles devem seguir suas próprias tradições e sua cultura com olhar voltado para o progresso e com especial atenção pela Mãe Terra”.

Os indígenas com os quais Francisco vai se encontrar no Chile se sentem discriminados pelos governos, racial e socialmente, e não deixarão de expressar seus sentimentos para o Papa. Trata-se, curiosamente, do único grupo de nativos da América que derrotou militarmente os conquistadores espanhóis no século XVI usando táticas inéditas de guerrilha com as quais conseguiram resistir por 300 anos. Eles não se sentem chilenos nem argentinos, apenas nativos, e pretendem continuar assim. Não querem ser reconhecidos como araucários, nome que tinha sido dado pelos espanhóis, mas como mapuches.

Em vista da viagem que o Papa Francisco planejava fazer ao Chile, não há dúvidas de que ter aceitado aquele ritual da índia mapuche que parecia querer transferir o espírito de seus deuses foi mais do que um gesto de simpatia. O Papa argentino, apesar de sua simplicidade franciscana, continua sendo jesuíta e, como tal, um intelectual que sabe medir suas ações e adaptá-las aos tempos de hoje. É bem possível que, abaixando a cabeça para a mapuche para que ela pudesse tocar seu rosto, além de um gesto de carinho para a indígena, o Papa Francisco estava enviando uma mensagem, não só religiosa, mas também política e social, para o outro lado do Atlântico. Vamos descobrir em breve.

Buenos Aires São Paulo
S&P rebaixa a nota do Brasil
Mauricio Macri (esq.) na última reunião de gabinete de 2017. Presidência argentina

Maiores economias da América do Sul, Brasil e Argentina ainda penam para normalizar suas situações econômicas. A Argentina fechou 2017 com um aumento nos preços de 24,8%, índice só superado pela Venezuela e por alguns poucos países africanos. Dezembro foi o pior mês do ano no país vizinho, com uma taxa de 3,1%, duas vezes superior à de novembro. Ou seja, em apenas um mês, a alta de preços superou a inflação anual brasileira, que ficou em 2,95% e foi amplamente comemorada pelo Governo Temer.

A alegria do Planalto durou pouco. Pouco menos de 24 horas depois, a agência de avaliação de risco Standard & Poor’s rebaixou a nota de crédito da dívida do Brasil de “BB” para “BB-“. A nota serve como uma baliza para grandes investidores: quanto mais baixa, mais longe o país fica de conseguir o selo de “bom pagador”, o que ajuda o fluxo de investimentos e impacta em outras taxas da economia.

Em nota divulgada na noite desta quinta, a S&P elogiou os esforços do Governo Temer, considerado uma administração pró-receituário básico do mercado, mas disse que os resultados não são suficientes. Para a agência, não há apoio suficiente na classe política para avançar as reformas liberais. A advertência vem apenas semanas antes de o Planalto tentar fazer o que pode ser sua última chance de aprovar a reforma da Previdência, em fevereiro. A maior parte dos analistas já via com ceticismo a ofensiva do Governo para aprovar a mudança nas aposentadorias, um tema impopular, a apenas meses das eleições.

A ida dos brasileiros às urnas também foi um tema da Standard & Poor’s. A agência não vê apoio coeso na classe política às reformas. Não acredita também que o cenário mais provável seja a vitória de candidato disposto a mudar a Previdência ou cortar os gastos públicos de maneira intensa. A S&P cita ainda que o nome que lidera as pesquisas até o momento, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pode ficar fora da disputa. “As incertezas em torno do resultado das eleições, em nossa visão, torna menos provável que um novo presidente com um sólido capital político seja capaz de passar mudanças constitucionais significativas de maneira rápida para aliviar os gargalos de receita”.

Com todo esse cenário, a agência finaliza dizendo que o Brasil deve crescer menos do que seus vizinhos — o Banco Mundial previu nesta semana 2% de expansão econômica para o Brasil, contra 3% da Argentina.

O desafio argentino

Do lado de lá, se o presidente Mauricio Macri pode ganhar estrelinhas dos agentes de mercado por haver aprovado ao menos uma reforma básica da Previdência e outra tributária, ele segue em falta junto à população. Ele chegou à Presidência com a promessa de acabar com esse mal endêmico da Argentina, que corrói o bolso dos trabalhadores, em especial daqueles que dependem da economia informal e têm mais dificuldade para renegociar salários, e que tem um grande impacto na produtividade e na balança comercial, já que a Argentina é o país mais caro da região. O Governo afirma que conseguirá atingir seu objetivo, mas em um ritmo mais lento do que o previsto. Duas semanas atrás, a equipe econômica alterou as metas de inflação, de 10% para 15% em 2018 e de 5% para 10% em 2019.

Essa mudança aproxima as expectativas oficiais daquelas do mercado, mas as primeiras ainda continuam mais baixas. Os economistas calculam que o número final de 2018 estará entre 17% e 20%; muitos argentinos temem que ele seja até mesmo maior, por causa dos aumentos bruscos ocorridos no início deste ano. O Governo autorizou, neste mês de janeiro, aumentos de até 60% nas tarifas de trens e ônibus, 24% na de eletricidade e 30% na da água. Os impostos municipais no perímetro urbano de Buenos Aires subirão até 60% em 2018. Também foram aprovados aumentos nos serviços de cobertura médica privada, nos pedágios e nas mensalidades das escolas particulares. Os sindicatos ainda não falam de números, mas já afirmam que irão reivindicar aumentos salariais superiores à inflação prevista quando as negociações de acordos coletivos começarem.

Os fortes aumentos nos transportes e nos serviços básicos atendem à estratégia do Governo de retirar os generosos subsídios implantados pelo kirchnerismo e que tinham um custo elevado para os cofres públicos. Mas a classe média tem de somar essas despesas, antes irrelevantes, a muitos outros gastos, como os do supermercado, que não só são superiores aos dos países vizinhos, mas também ao que se vê na Europa.

Otimismo excessivo

Para Federico Semeniuk, gerente de estratégia financeira da consultoria Ecolatina, o Governo cometeu “um erro” ao prometer que baixaria a inflação em pouco tempo. Ele explica que outros países que adotaram metas para a inflação, como Peru, Colômbia e Chile, precisaram de mais tempo para diminuir a escalada dos preços. Por isso, na sua opinião o Governo macrista avança “na direção certa”, como mostra a queda dos 40% de 2016 para os 25% atuais, mas o fato de “ter sido otimista demais” atua contra ele na percepção da população.

Semeniuk acredita que o aumento das tarifas é um dos obstáculos para uma queda mais acelerada da inflação, mas não único. É preciso, também, corrigir o déficit fiscal e desmontar uma certa inércia inflacionária, que faz com que os empresários aumentem os preços toda vez que o dólar sobe e os sindicatos a exigirem ajustes salariais que recomponham o poder aquisitivo dos trabalhadores.

Ramiro Castiñeira, diretor da consultoria Econométrica, lembra o ano de 1935, quando se criou o Banco Central argentino, para explicar a origem do problema. “No seu primeiro século de história, a Argentina conheceu uma inflação média de 3%, com variações derivadas dos vaivéns da economia internacional”, diz Castiñeira. Depois da criação do Banco Central e da decisão posterior de fechar sua economia, “o Governo começa a acionar a maquininha [de emissão de moeda] para financiar o gasto público”, observa, e, com raras exceções, “a maioria manteve essa dinâmica”, com inflações quase sempre de dois dígitos.

“A Argentina ganhará a batalha da inflação somente quando equilibrar as suas contas públicas. Na Argentina, sempre gastamos mais do que aquilo que temos e queremos cobrir isso ou com a emissão de dinheiro ou com a dívida externa. Nenhum desses caminhos á saudável. Os dois sempre acabam mal”, alerta Castiñeira, para quem o combate deve focar o controle do déficit.

A estratégia do Banco Central para enfrentar o problema, oferecendo taxas de juros bastante altas –bem mais altas do que as dos demais países da região–, provocou curtos-circuitos com o Governo. As taxas de juros elevadas atraem muitos investidores, mas afastam o dinheiro da economia produtiva, essencial para gerar novos postos de trabalho e crescimento. Depois de flexibilizar as metas de inflação, a instituição monetária reduziu a taxa básica em 75 pontos, para 28%, uma redução inferior à desejada pela equipe econômica de Macri.

A margem de que dispõe o Banco Central é diminuta., argumenta Semeniuk. “Ao flexibilizar a meta de inflação, a exigência em relação a ela, paradoxalmente, aumenta. No futebol, diríamos que aumentaram o tamanho do gol, e errar o pênalti, nesse caso, implicará um tiro ainda maior contra a própria reputação. Antes a meta era vista como uma referência. Agora, ficou pior não cumpri-la”, afirma.

O macrismo conquistou um forte respaldo nas eleições legislativas de outubro passado. Suas políticas contam, ainda, com o apoio de grande parte do mundo econômico argentino e internacional, que aplaude o fim das restrições cambiais, a reabertura progressiva do país, a melhora da segurança jurídica e o resgate da credibilidade das estatísticas oficiais, entre outras medidas. Depois de um 2016 de recessão, a maioria dos indicadores são, hoje, positivos. Mas a inflação continua com um sinal vermelho, transformada no inimigo mais visível de Macri.

Boleremos!!!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

Ainda há tempo?

Míssil Hwasong lançado pela Coreia do Norte em agosto e que passou por cima do Japão
Míssil Hwasong lançado pela Coreia do Norte em agosto e que passou por cima do Japão AFP
Começo de ano. A praxe indica que nestas ocasiões é melhor expressar os desejos de um próximo ano melhor e lastimar o que de ruim houve no anterior, sem deixar de soprar nas brasas de esperança suscetíveis de serem encontradas no meio de desvarios e extravagâncias por ventura havidas. Será?

Não sei. Fui formado com a obsessão da dúvida metódica cartesiana. A certa altura, lendo Pascal, percebi que mesmo para os mais crentes o caminho da salvação não se encontrava no cômodo embalar da fé sem pitadas de dúvidas. Melhor tê-las e tentar responder, com a lógica (e a esperança), ao demônio da descrença. Por isso coloco o ponto de interrogação no título do artigo.

Mantenho a esperança, mas convém reconhecer que 2017 mostrou que não dá para ter certeza de que os riscos da guerra e do irracional não prevaleçam. Já tivemos sonhos de cooperações entre Estados quando os diplomatas se dedicavam ao multilateralismo para resolver problemas ou pelo menos promover convergências de opiniões, mas só vemos confrontações. Quantos atentados terroristas houve? Muitos e mesmo que um só tivesse havido, matando crianças e adultos que nada têm a ver com as fúrias políticas e religiosas dos fanáticos, já seria suficiente para assustar a Razão. Que dizer do Boko Haram, das mortes provocadas pelo Al-Qaeda e o Estado Islâmico, dos atentados na Tunísia, no Iêmen, ou onde mais seja, que prossigam no caminho perverso do ataque, já antigo, às Torres Gêmeas ou ao Bataclan? O mundo parece percorrer um longo ciclo de desrazão que pode muito bem levar a uma guerra mundial.

Quase a cada mês vem nova má notícia. Pior, não são apenas os ditos terroristas que matam a rodo. Nas cidades brasileiras o crime organizado, muitas vezes com fuzis na mão, em conluio com o narcotráfico e o contrabando de armas, mata nas nossas barbas milhares de pessoas por ano. Estamos longe das terras conflagradas da Síria, do Iraque, da Península Arábica ou de onde mais seja, mas nos morros cariocas, nos presídios amazônicos, nas terras desbravadas do Oeste ou nas ermas periferias de São Paulo, mata-se sem piedade, embora com menos repercussão global do que quando ataques terroristas acontecem em capitais europeias .

E que dizer de outro tipo de matança, não apenas moral, mas concreta, quando a corrupção praticada pelos criminosos de “colarinho branco”, em escala e despudor sem precedentes, além de arrasar moralmente setores ponderáveis das elites dirigentes, deixa ainda mais à mingua os que dependem dos serviços do estado, sobretudo os pobres?

Diante deste quadro, cujas tintas espessas sublinho para dar nitidez ao olhar, embora sabendo que também se possam ver paisagens menos sombrias, qual tem sido a resposta dos povos? Nos Estados Unidos, Donald Trump se elegeu, contrariando o “establishment”, os partidos, boa parte da mídia e de Wall Street. Na Europa Central e do Leste, governos com participação de forças de extrema direita se afirmam na Hungria, na Áustria e na Polônia. Nas pesquisas brasileiras de opinião, pelo menos até agora, sem o quadro eleitoral formado, despontam um capitão irado de cujas propostas pouco se sabe e um líder populista sobre o qual pesam acusações (e mesmo condenações) que destroem o sonho que outrora representou.

Será que, antes de recobrar a Razão, o mundo precisará passar por novas privações e testemunhar o abrir-se do cogumelo atômico que a irada Coreia do Norte ameaça despejar no Japão, quem sabe saltando sua irmã do Sul pelo temor do contágio, podendo mesmo alcançar os Estados Unidos? Viveremos os horrores de uma guerra globalizada? Há décadas parecia que a confrontação dos Estados Unidos com a antiga potência soviética ou mesmo com a China, sem falar nas fricções entre Índia e Paquistão, ou na potencial reação atômica de Israel ao Irã dominador da técnica nuclear, estava controlada. O que esperar quando Donald Trump decreta Jerusalém capital de Israel, animando um conflito milenar?

E no Brasil? Já não terá bastado o descalabro econômico-financeiro produzido pelo “capitalismo de laços” que o lulo-petismo patrocinou, envolvendo e beneficiando empresas e partidos políticos, para que aprendamos a lição de que não há atalhos fáceis para o desenvolvimento e que este requer o império da lei? Será que o “Bolsa Família” (que se originou em governos anteriores e sem tanto alarde) foi suficiente para amortecer a consciência popular e fazer crer que a esperança em dias melhores se contenta com migalhas?

É cedo para responder. Mas não para agir com convicção e tudo fazer para que tais horizontes não despejem novas tempestades. Que não se iluda o leitor: o pior pode sempre acontecer. Evitá-lo depende de cada um e de todos nós. Não há fé cega na Razão ou nos bons propósitos que barre o Irracional, se não se criarem alternativas que impeçam o pior de prevalecer, pela guerra ou pelo voto. As consequências, já dizia o Conselheiro Acácio do Eça de Queiroz, vêm sempre depois…

Colocada a dúvida, construamos caminhos mais razoáveis. Pelo menos no que está ao alcance de nossa mão. O Brasil precisa, urgentemente, de bom senso. Se as forças não extremadas se engalfinharem para ver quem entre vários será o novo líder e não forem capazes de criar consensos em favor do país e do povo, o pior acontecerá. No afã de juntar, importa diminuir as divergências sobre o que não é essencial. Com esperança, e falo simbolicamente, as forças representadas (ou que os adiante mencionados gostariam de representar) por Alckmin, Marina, Meirelles, Joaquim Barbosa, ou quem mais seja (inclusive os setores ponderados da esquerda), precisam entender que os riscos se transformam em realidade pela inércia, pela covardia ou pela falta de visão dos que poderiam a eles se opor.

Bom 2018!

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