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Postado em 03-08-2020 00:16

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 03-08-2020 00:16

 DO EL PAÍS
 
 
Billie Holiday em 1943.
Billie Holiday em 1943. Gilles Petard (Redferns / Getty)

Mais de 60 anos depois de sua morte, o tema fetiche de Billie Holiday, ‘Strange fruit’, ressurgiu como hino dos protestos contra o racismo nos Estados Unidos.

Quando Billie Holiday (1915-1959) começou a popularizar Strange fruit, sua mãe lhe perguntou: “Por que você se faz notar desse modo?” A filha respondeu: “Porque pode melhorar as coisas”. “Mas isso vai te matar”, advertiu Sarah. Ao que a cantora sentenciou: “Sim, mas poderei sentir isso. No meu túmulo vou saber”. A primeira vez que cantar a música quase lhe custou a vida foi em 1944, quando um militar a chamou de nigger (um insulto racial) depois de uma apresentação. A artista, vermelha de raiva e com lágrimas nos olhos, quebrou uma garrafa de cerveja em uma mesa e se lançou contra ele com os restos afiados de vidro em riste. Dorian Lynskey assim o relata em 33 rotações por minuto – História da canção de protesto (sem tradução no Brasil). Em outra ocasião, pode-se dizer que lhe custou a prisão: “Cantar essa canção não me ajudou nem um pouco”, lamentou Holiday na revista Down beat em 1947. “Cantei-a no Earle Theatre até que me obrigaram a parar.” No dia seguinte, o departamento de narcóticos do FBI prendeu a cantora com acusações que a levaram a um ano de prisão. Ela nunca acreditou que fosse uma casualidade.

Mas o que tinha aquela canção que tanto incomodava os brancos? A letra não insultava a supremacia dominante nem explicitava protesto algum contra a opressão em que os negros viviam. Fazia algo pior: descrevia de maneira crua o panorama vomitivo que havia depois do linchamento de dois homens negros, a ponto de excitar os odores da cena e desenhar a feição desconjuntada dos cadáveres: “Das árvores no sul, pende uma fruta estranha. / Sangue nas folhas e sangue na raiz. Corpos negros balançando na brisa do sul. / (…) Os olhos esbugalhados e a boca torta. / Aroma de magnólias, doce e fresco, / e o repentino odor de carne queimada. / Aqui está a fruta para que os corvos a colham, / (…) para que o sol a apodreça, para que as árvores a soltem. / Esta é uma colheita estranha e amarga”.

Não é que o texto parecia uma fotografia, ele o era. A canção havia sido criada em 1938 por Abel Meeropol, um professor judeu de ensino médio, e se limitava a reproduzir um instantâneo da imprensa que falava de um linchamento acontecido em Marion, Indiana, em 7 de agosto de 90 anos atrás. Naqueles tempos os linchamentos não só aconteciam, eram comemorados. Eram eventos premeditados e não resultantes de um arrebato de um ou vários ofendidos que, clandestinamente, faziam justiça com as próprias mãos. Este e muitos outros detalhes do contexto histórico estão em Con Billie Holiday. Una biografia coral, de Julia Blackburn, que cita o jornalista e escritor H. L. Mencken: “[No sul dos EUA] Os linchamentos ocupavam o lugar do carrossel, do teatro, da orquestra sinfônica e de outras diversões habituais”. A selvageria era tal que se fretavam ônibus para levar o público, que davam gritos de incentivo e até cartões postais do resultado eram editados como lembrança.

Meeropol primeiro popularizou a composição em seu micromundo de reuniões quase clandestinas com filocomunistas, nas quais sua mulher se encarregava de cantá-la. Mas em um dia de 1939 o autor viu a oportunidade de mostrá-la a Barney Josephson, dono do Café Society, em Nova York, onde Billie Holiday começava a reinar; este pediu a ela que a experimentasse ao piano em particular com o professor e a artista concordou, não sem receios iniciais, já que a canção é especialmente mortiça. Mas entendeu a mensagem profunda e a tornou sua a ponto de estreá-la dias depois. Aqueles que a ouviram cantar Strange fruit pela primeira vez naquela noite de março de 1939 ficaram petrificados. Para depois aplaudir com o afinco que imprime a raiva.

Muitos promotores preferiam que Holiday abrisse mão da canção em favor de seu repertório mais convencional de jazz, mas ela se defendia do veto incluindo em seus contratos o direito de cantá-la. De fato, sendo um tema capaz de gelar o público e nada adequado para um final de festa, costumava interpretá-lo para encerrar o show, como Josephson planejou. Naquela primeira noite em que a cantou em seu café, o empresário organizou um ritual à altura do calafrio que buscava: os garçons pararam de servir entre as mesas, todas as luzes da sala se apagaram e só se via ela, sob um frio holofote central, com sua magnólia nos cabelos e cantando inabalável. Em outros bares, retiravam os maços de cigarro das mesas para evitar o brilho das brasas.

Ela sempre continuou cantando Strange fruit —embora cada vez menos— até 17 que em julho de 1959 a cantora de voz queixosa morreu jovem (de cirrose), aos 44 anos, exatamente como a mãe a havia advertido. Mas a filha também estava certa: 61 anos depois, sua canção fetiche ressurgiu como hino dos protestos raciais nos Estados Unidos. E Billie Holiday pôde sentir isso de seu túmulo.

O outro linchamento

O estranho fruto antirracista de Billie Holiday
  • Lado B do single: Fine and mellow (Commodore Records).
  • Ano: 1939.
  • Listas de vendas nos Estados Unidos: número 4.
  • Billie Holiday nunca assistiu a um linchamento, mas certamente o seu próprio lhe bastou. Antes de se tornar famosa, cantou na orquestra de Artie Shaw, formada por brancos. Na turnê pelo sul dos EUA de 1938, a cantora não podia dormir no hotel de seus colegas —se não havia hotel para negros, ela dormia no carro— e também não podia usar os banheiros públicos dos bares. Em Nova York as coisas não eram melhores para ela: entrava e saía pela cozinha do hotel Lincoln e durante os intervalos não podia ficar na sala, mas tinha de aguardar em um quartinho o início da apresentação seguinte. Mais? Um programa de rádio contratou a orquestra de Shaw para animar as horas, mas a marca que o patrocinava se recusou que ela cantasse porque era negra. Holiday teve de ceder esse trabalho a Helen Forrest, uma melosa voz branca.

“Camará”, Waltinho Queiroz, a Bahia na alma, para abrir os caminhos da virada! Saravá, meu rei!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

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Do Jornal do Brasil

RICARDO BRITO

O presidente Jair Bolsonaro disse neste domingo no Twitter que não responde por operações conduzidas por outros Poderes, em meio a críticas recentes à operação Lava Jato feitas pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, e no momento em que mostra sinais de aproximação com políticos investigados na maior ação de combate à corrupção do país.

Macaque in the trees
Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

“Qualquer operação, de combate à corrupção ou não, deve ser conduzida nos limites da lei, e assim tem sido feito no meu governo”, disse Bolsonaro. “Quanto às operações conduzidas por outro Poder, quem responde pelas mesmas não sou eu”.

Na semana passada, Augusto Aras —escolhido por Bolsonaro para comandar a PGR em setembro passado— fez duras críticas à força-tarefa da Lava Jato em Curitiba ao afirmar, por exemplo, que haveria “caixas de segredos” do grupo, em referência a supostos documentos que não seriam rastreáveis pelo sistema do Ministério Público Federal.

A força-tarefa de Curitiba rebateu o que considerou ser uma ilação feita por Aras e defendeu a atuação do grupo. A discussão sobre a operação ocorre a um mês do prazo para o procurador-geral decidir se vai prorrogar por mais um ano a força-tarefa.

Ao mesmo tempo, Bolsonaro tem se aproximado cada vez mais de políticos investigados na operação, oferecendo cargos no governo a indicados de alguns alvos de investigações — o que contraria uma promessa de campanha. Na quinta-feira, por exemplo, ele viajou ao Piauí e cumpriu uma agenda pública com o presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PI), que é alvo da Lava Jato.

Até o momento, o presidente —que se elegeu ancorado na promessa de combate à corrupção e na esteira de defesa enfática da Lava Jato— não se manifestou publicamente sobre as questões referentes à operação.

Na série de postagens no Twitter, intitulada “Combate à corrupção/A Verdade”, Bolsonaro disse que “o maior programa de combate à corrupção” foi executado por ele ao não lotear cargos estratégicos, como por exemplo as presidências das estatais, segundo o presidente.

“A Polícia Federal goza de total liberdade em sua missão”, afirmou, ao repetir que em breve o efetivo da corporação será aumentado.

Em uma crítica ao ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro, seu ex-ministro da Justiça e atual desafeto, o presidente destacou que com a troca do titular da pasta, “como por um passe de mágica, várias e diversificadas operações foram executadas”.

“A Polícia Rodoviária Federal, por sua vez, quase triplicou a apreensão de drogas com o novo ministro”, disse, referindo-se à gestão do novo ministro da Justiça, André Mendonça.

Embora não se declare candidato, Moro é apontado como um potencial adversário do presidente na sucessão de 2022. Ao deixar o governo em abril, o ex-juiz acusou Bolsonaro de buscar interferir politicamente na PF.

Bolsonaro conclui seus comentários na rede social afirmando que o governo está “há 18 meses sem qualquer denúncia de corrupção” e que isso tem incomodado parte da imprensa e os derrotados nas eleições de 2018.

Entretanto, o presidente ignorou, por exemplo, o fato de seu ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio, ter sido indiciado pela PF em um esquema de candidaturas-laranja e ter sido denunciado pelo Ministério Público de Minas sobre esses fatos.

Além disso, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente, é investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por suspeita de prática de “rachadinha” em seu gabinete quando era deputado na Assembleia Legislativa do Estado.(Com agência Reuters

ago
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Postado em 03-08-2020 00:10

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 03-08-2020 00:10

DO CORREIO  BRAZILIENSE

Clima de animosidade aumentou com o bate-boca entre o PGR , Augusto Aras, e integrantes do Conselho Superior do Ministério Público que defendem a força-tarefa


 
(foto: Evaristo Sá/AFP)
(foto: Evaristo Sá/AFP)
 
 O que era para ser mais uma reunião do Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) para discutir o orçamento resultou na mais evidente prova da crise interna que vive o órgão. Na última sexta-feira, em sessão por videoconferência, subprocuradores levaram ao procurador-geral da República, Augusto Aras, um manifesto que rebate críticas feitas por ele à Lava-Jato. A reação do PGR, que, nas últimas semanas, vem medindo forças com integrantes do Ministério Público Federal (MPF) nos estados, foi a mais forte e inesperada possível, colocando em risco a estabilidade da instituição.

Além de dizer que é vítima de fake news criadas pelos próprios pares, ele assegurou ter provas de irregularidades no órgão e afirmou que o material foi enviado a setores competentes para averiguação. Nunca o clima foi tão ruim no MPF, e as consequências do embate público podem ser desastrosas.A escalada de tensão dentro do Ministério Público Federal começou em 27 de junho, quando a procuradora Lindora Araújo, braço direito de Aras, foi à Procuradoria da República no Paraná e solicitou dados da Lava-Jato que estavam em poder dos integrantes da operação em Curitiba. O grupo — há seis anos à frente das diligências que pararam o país e abalaram as estruturas da política nacional — estranhou o pedido e recorreu à Corregedoria do órgão para relatar o caso. Contrariado, Aras foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) para ter acesso às informações e conseguiu. As decisões do chefe do MP geraram uma divisão interna rápida e profunda.

 

A Procuradoria-Geral da República (PGR), sediada em Brasília e chefiada por Aras, tem poder de alterar estruturas e regras no MPF, inclusive para mudar a composição de equipes. O lado da corda representado por ele e por procuradores contrários aos métodos usados na Lava-Jato é, institucionalmente, mais forte. No entanto, qualquer decisão que provoque modificações profundas precisa passar pelo Conselho Superior do MPF. E é lá que está a resistência mais forte à gestão Aras. Dos 10 integrantes — além do PGR, que preside o conselho —, os subprocuradores Nicolao Dino, Nívio de Freitas Silva Filho, José Adonis Callou de Sá e Luiza Cristina Fonseca Frischeinsen representam a barreira para que o chefe do MP tenha passe livre no conselho. Além disso, os quatro são apoiadores da Lava-Jato e têm influência sobre os demais integrantes, o que cria um ambiente de resistência ao que procede do PGR.

Na última terça-feira, Aras afirmou que está na “hora de corrigir os rumos para que o lavajatismo não perdure”. Ele fez referência à operação que corre desde 2014 e que mira um gigantesco esquema de corrupção montado nas diretorias da Petrobras e de suas subsidiárias e que contou com larga participação de empreiteiras e políticos da mais alta cúpula da República.

 

Três dias depois, na sessão do Conselho, Dino leu a carta assinada por ele, Nívio Filho, Adonis Sá e Luiza Frischeinsen, na qual rechaçaram as declarações do PGR. “A fala de S. Exa. (Aras) não constrói e em nada contribui para o que denominou de ‘correção de rumos’. Por isso, não se pode deixar de lamentar o resultado negativo para a instituição como um todo — expressando, por que não dizer, nossa perplexidade —, principalmente, por se tratar de graves afirmações articuladas por seu chefe, que a representa perante a sociedade e os demais órgãos de Estado”, diz um trecho do manifesto.

 

Aras reagiu de forma ríspida e inesperada às críticas dos colegas. “Coragem nunca me faltou, e neste sentido, quero começar a dizer ao conselheiro Nicolao Dino — pessoa com que eu sempre tive excelente relacionamento profissional e pessoal — que não me dirigi em um evento acadêmico, se não pautado em fatos e provas. Fatos que se encontram sob investigação na corregedoria e no Conselho Nacional do Ministério Público”, ressaltou. “Cabe a eles apurarem a verdade, a extensão, a profundidade, os autores, os coautores e os partícipes. Acostumei-me a falar com provas e tenho provas. E essas provas estão depositadas em órgãos competentes”, emendou.

Grupos

A força-tarefa em Curitiba também tem o apoio de equipes da Lava-Jato no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília e de procuradores influentes no Pará e em Minas Gerais. Chefiada por Deltan Dallagnol, a operação do MPF do Paraná tornou-se uma espécie de porta-voz das forças-tarefas. Os procuradores ganharam milhões de seguidores nas redes sociais, influência política e o apoio do ex-ministro Sergio Moro, que foi juiz titular da 13ª Vara Federal de Curitiba. Ao longo dos anos, as equipes também colecionaram acusações de violação do devido processo legal, de atuação em conjunto com Moro e de divulgação de provas e de denúncias com interesses políticos.

Todas essas suspeitas, que provocaram ações das defesas dos réus no Supremo e reclamações no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), foram reunidas, agora, por Aras. Ele alega ter provas de irregularidades, inclusive, da existência de um banco de informações sobre 38 mil pessoas. Os dados seriam tão complexos que ocupam um espaço de 350 terabytes nos computadores. Essa capacidade seria suficiente para armazenar 87,5 milhões de fotos tiradas de uma câmera de 12 megapixels, ou 175 mil horas de vídeo. As informações prometem causar uma reviravolta no MPF nos próximos meses, inclusive, resultar no afastamento de procuradores.

A advogada Hanna Gomes destaca que os efeitos da crise podem levar a ações na Justiça, inclusive no âmbito de processos em andamento ou já encerrados. “Existe um real enfraquecimento do órgão, considerado que é único, com atuação em todo o território brasileiro. A Lava-Jato não é um órgão autônomo e deve prestar as informações à Procuradoria-Geral. Existe, sim, a possibilidade de prejuízo para investigados e processados”, argumenta. “Isso pode dar margem a suspeitas de extravagância de competências com a coleta de dados e informações sem indícios de crime. Pode gerar uma visão, para os defensores e os envolvidos, sejam testemunhas ou investigados, de enfraquecimento e provocar ações sobre essas condutas.”

Aras acusado de machismo

Desde sexta-feira, declarações do procurador-geral da República, Augusto Aras, causam revolta nos grupos de discussão do MPF. A maioria das críticas é feita por procuradoras, que acusam Aras de machista e defendem a subprocuradora-geral da República Luiza Frischeisen, alvo de ataque. Aras afirmou: “Quero dizer, doutor Nicolao (Dino, subprocurador), que o senhor não vai gostar de nenhuma fake news sobre a sua família. E muito menos a doutora Luiza, que talvez não tenha família, mas, talvez tenha. Doutor Adônis muito menos. Mas enquanto eu estava aqui eu estava recebendo uma ataque à minha família”. Uma das procuradoras disse que “a fala do PGR, referindo-se a Luiza como uma pessoa ‘sem família’, me soou profundamente machista, agressiva e misógina”.

“O belo desenho institucional do Ministério Público na Constituição de 1988 está sob ameaça de ser grosseiramente rasurado”, disse.

“No final do processo, a depender de alguns dos desenhistas da vez, o Ministério Público não seria nem mesmo reconhecido. Passaria despercebido.”

ago
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Postado em 03-08-2020 00:06

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 03-08-2020 00:06


 

Jorge Braga, NO diário

 


 

 

 

 

 

 

Jorge Braga, NO DIÁRIO

 

ago
03

Postado em 03-08-2020 00:05

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 03-08-2020 00:05

 

DO CORREIO BRAZILIENSE

A estimativa é que no Brasil vivam cerca de 24 mil lobos-guará


A espécie sofre com a degradação do meio ambiente, avanço desordenado de atividades humanas sobre o Cerrado e centros urbanos, o que leva à perda de habitats(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
A espécie sofre com a degradação do meio ambiente, avanço desordenado de atividades humanas sobre o Cerrado e centros urbanos, o que leva à perda de habitats (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
O lobo-guará, escolhido para ilustrar a nova cédula de R$ 200, está entre as 1.173 espécies da fauna ameaçadas de extinção. A estimativa é que no Brasil vivam cerca de 24 mil lobos-guará, com maior concentração no Cerrado. Eles podem ser encontrados ainda, em menor número, na Mata Atlântica, no Pantanal e no Pampa.
A espécie sofre com a degradação do meio ambiente, avanço desordenado de atividades humanas sobre o Cerrado e centros urbanos, o que leva à perda de habitats. Também é afetada pelo aumento da caça, por atropelamentos e disseminação de doenças a partir do contato com cães domésticos.
“O lobo-guará é talvez a espécie mais icônica do bioma Cerrado. É um animal sempre associado à imagem dos vastos campos e savanas permeados pelas belíssimas veredas que compõem as paisagens especiais do Brasil central. É muito importante associarmos nosso patrimônio natural a símbolos de valor, mas isso precisa vir associado à consciência de que para sobreviverem necessitam que seu habitat natural esteja preservado”, destaca Reuber Brandão, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e professor associado da Universidade de Brasília.
O lobo-guará figura na lista de espécies ameaçadas do Portal da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, na categoria de vulnerável, e depende da preservação de seus ambientes naturais para continuar existindo.
Segundo a RECN, estima-se que cerca da metade da área original do Cerrado já tenha sido destruída. Incêndios florestais, obras de infraestrutura para energia hidrelétrica e demanda por carvão vegetal para a indústria siderúrgica também ameaçam o bioma.
“Precisamos entender que existe diferença entre valor e grandeza. Apesar da escolha da espécie para ilustrar as novas cédulas de real ser positiva, o valor destes organismos e da natureza brasileira é imensamente superior ao valor nominal do dinheiro. Nesse caso, a grandeza se traduz por meio de medidas efetivas pela proteção do patrimônio natural imenso, insubstituível e único. É atribuir valor à conservação da biodiversidade, do bioma Cerrado, das Unidades de Conservação de Proteção Integral e ao icônico e elegante lobo-guará”, avalia Brandão.

Lobo-guará

Elegante e discreto, o lobo-guará (chrysocyon brachyurus) é o maior canídeo silvestre da América do Sul. Ele pode atingir até um metro de altura e pesar 30 quilos. Sua pelagem laranja avermelhada, além da beleza, lhe confere alguns apelidos, como lobo-de-crina e lobo-vermelho. Sua gestação dura pouco mais de dois meses, com média de dois filhotes. Livre na natureza, vive cerca de 15 anos. Além do Brasil, é encontrado na Argentina, Bolívia, Paraguai, Peru e Uruguai.
Segundo a RECN, o lobo-guará tem comportamento discreto, solitário e pouco ofensivo, preferindo se manter distante dos humanos. Geralmente, pode se alimentar de animais de grande porte, como os veados campeiros, ou pequeno porte, como roedores, tatus e perdizes, além de frutos típicos do Cerrado, como o araticum (Annona crassiflora) e a lobeira (Solanum lycocarpum), também atuando como importante dispersor de sementes.
 
 
Cédulas
 
O lobo-guará ficou em terceiro lugar em uma pesquisa realizada pelo Banco Central (BC) sobre quais animais em extinção deveriam ser representadas em novas cédulas.

ago
02

Postado em 02-08-2020 00:26

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 02-08-2020 00:26

 

        Janio Ferreira Soares

 

Poderia ser um filme de ficção. Ou melhor, de comédia. Ou melhor, de drama. Ou melhor, de terror. Ou melhor, do gênero que você quiser.

Começaria numa noite de 2017, com Michael Temer recitando mesóclises codificadas para Joesley Batista, que no dia seguinte surgiria igual a uma Rapunzel caipira na janela de uma torre construída ilegalmente na Ladeira da Barra, jogando linguiças Friboi em forma de tranças pra Geddel usá-las como pêndulo num constante vai e vem de malas cheias de dólares e promessas sem fim.

Corta para o Guarujá, onde um senhor grisalho caminha pela orla com uma camiseta atochada numa pança esbanjando impunidade, onde se lê – num sofrível francês: “Terminé Lé Palhaçé! Est Meilleur Déjàir S’habituer: Bolsonarré Président Brésilien 2018”.

No percurso, ele se junta a um grupo protestando em frente ao triplex de Lula e, depois de um equivocado “bonjour, mon ami compatriote” a um rapaz vestindo uma camiseta com a foto de um disco de Lobão chamado Décadence Avec Élégance, pega um megafone e berra: “un, deux, trois, quatre, cinq mille, jé quer qué lê Lulê voá pá putê quelle parrê!”, para delírio de umas senhorinhas segurando cartazes de Bolsonaro ao lado de Doria, à época ainda gritando ao mundo: “Je t’aime, mon cherry Jair!”.

De repente, um de seus capangas, igualmente amante do idioma de Balzac, diz: “pardon, mi desembargadé”, e cochicha algo em seu ouvido. Em seguida, extremamente nervoso, o doutor exclama: “merde, justement em Baúrrú!”, e retorna ao seu esconderijo secreto – ma non troppo -, localizado no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Corta pra Bauru, onde acaba de nascer Francisco Guedes Bombini, um garoto vindo do ensolarado Planeta Down, cuja principal missão é enfrentar adversidades e derrotar estatísticas, fatos que o transformarão no fofo e poderoso Super Chico, herói ideal pra se contrapor aos desmandos de monsieur Eduardô Siqueirrá, coincidentemente ex-juiz da cidade do nosso herói.

Passam-se três anos e estamos em julho de 2020. Depois de vencer sete cirurgias causadas por problemas renais e cardíacos, Super Chico agora luta pra derrotar o vírus que invadiu a Terra e já matou mais de 91 mil brasileiros. Enquanto isso, o nosso desembargador, adepto do “e daí?”, anda pela orla de Santos sem nenhuma máscara protetora e, ao ser orientado por um guarda a usá-la, se irrita e diz: “mas c’est só una petit gripezinha, seu analphabète!”.

Nessa hora, como o filme é meu, Super Chico, já curado do Covid, dá um rasante e pega o doutor pelo elástico do calção, que aos gritos de “oh mon dieu, est entré no mon régô!”, é levado de volta ao Planeta das Carteiradas, um privilegiado mundo onde todos usam poderosas capas pretas, há séculos blindando-os das leis que castigam os mortais. Fini.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco

ago
02

Postado em 02-08-2020 00:24

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 02-08-2020 00:24

“À noite sonhei contigo”, Paula Toller Doçura de voz e fascínio interpretativo de uma cantora atraente e mais que especial. Confira no domingo de agosto.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

ago
02

Postado em 02-08-2020 00:15

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 02-08-2020 00:15

 

DO CORREIO BRAZILIENSE

O ex-presidente petista disse ainda que Moro tem pouco caráter e dignidade. “Ele está fazendo tipo, ele fez tipo no meu processo, ele sabe que ele mentiu”


AE Agência Estado
 
Lula disse ainda que gostaria de participar de um debate com o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, caso o ex-juiz da Lava Jato viabilize sua candidatura à Presidência da República em 2022 (foto: AFP / Miguel Schincariol)
Lula disse ainda que gostaria de participar de um debate com o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, caso o ex-juiz da Lava Jato viabilize sua candidatura à Presidência da República em 2022 (foto: AFP / Miguel Schincariol)
 O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em entrevista a um conjunto de rádios do interior da Bahia, que gostaria de participar de um debate com o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, caso o ex-juiz da Lava Jato viabilize sua candidatura à Presidência da República em 2022. O petista disse ainda que o presidente Jair Bolsonaro é quem deve estar preocupado com uma eventual candidatura de Moro.
“Não tenho um pingo de preocupação”, disse Lula, dando a entender que pode ser candidato. “Se tiverem que lançar o Moro como candidato, que lancem. Quem deve estar preocupado com ele é o Bolsonaro”, afirmou o petista, cuja candidatura é impedida com base na Lei da Ficha Limpa.
E acrescentou: “Tem gente que acha que Moro deve ser um candidato forte. Eu sinceramente gostaria de ver o Moro disputando uma eleição presidencial. Gostaria de poder participar de um debate com o Moro, cara-a-cara, na televisão, para chamá-lo de mentiroso, olhando na cara dele sem a proteção da toga.”
Lula disse ainda que Moro tem pouco caráter e dignidade. “Ele está fazendo tipo, ele fez tipo no meu processo, ele sabe que ele mentiu. Ele sabia que precisava me condenar. Ele faz parte do jogo sujo, sujando a história do poder Judiciário Brasileiro, ele sabe disso. Eu dizia isso pra ele.” 
O ex-presidente da República afirmou também que sua condenação foi por “crime indeterminado”. “O Moro deveria escrever num pedacinho de papel o que é um crime indeterminado.

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