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Postado em 16-04-2018 00:56

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 16-04-2018 00:56

Ex-presidente no dia da prisãoEx-presidente no dia da prisão Andre Penner AP

Pesquisa Datafolha que entrevistou eleitores entre quarta e sexta-feira aponta uma queda de intenção de voto no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida eleitoral. Lula começou a cumprir pena de prisão há uma semana, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato. De acordo com informações publicadas pelo jornal Folha de S. Paulo, Lula aparece com 31% dos votos em seu melhor cenário, uma queda em relação a seu melhor índice  anterior (36%), registrado em janeiro pelo mesmo instituto. Ainda assim, o petista ainda lidera com folga em todas as simulações. Foram realizadas 4.194 entrevistas e a margem de erro do estudo é de dois pontos para mais ou para menos. 

A queda do petista acompanha o crescente debate interno no PT com relação à candidatura de Lula. A informação oficial é que o ex-presidente será o candidato da legenda até o fim. Mesmo condenado e detido, o político pode ser candidato e até eleito – a palavra final é do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e pode vir apenas na reta final de campanha, depois de agosto. A questão é que, até lá, o apoio de Lula, visto como candidato cada vez mais inviável, pode declinar. Isso poderia enfraquecer o papel do ex-presidente como cabo eleitoral. Todos no PT repetem que a decisão de desistir ou não da candidatura será de Lula.

Em uma análise publicada na Folha, dois diretores do Datafolha lembram um dado que mostra o impacto da prisão do petista na intenção de voto: queda na pesquisa espontânea. Esse é o tipo de levantamento em que o eleitor é instado a responder em quem pretende votar sem que seja citado nenhum nome e é considerado um bom termômetro. Nesta pergunta específica, as menções ao nome do petista caíram 4 pontos percentuais. Por outro lado, sua rejeição, que já vinha em queda, caiu ainda mais.

Quanto à prisão em si, 54% dos ouvidos pelo Datafolha acham que ela foi “justa” contra 40% que discordam. Outra pesquisa no final de semana, do instituto Ipsos, traz números um pouco melhores para Lula e sua campanha para provar que ele está sendo perseguido politicamente pela Lava Jato. Neste sábado, o jornal Estado de S. Paulo divulgou dados do levantamento do Ipsos que mostram um país mais dividido quanto à prisão do petista (50% a favor e 46% contra). O dado mais positivo para o PT na pesquisa, que tem três pontos de margem de erro, mostra que uma ampla maioria da população (73%) concorda com a afirmação de que “os poderosos querem tirar Lula da eleição”. Outros 55% concordam com a afirmação de que ele sofre perseguição na operação.

Joaquim Barbosa desponta

O Datafolha também perguntou aos eleitores sobre intenção de voto em cenários em que o ex-presidente não está na urna eletrônica. Com o petista fora, o deputado de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL), recém denunciado por racismo no Supremo Tribunal Federal, e a ex-senadora Marina Silva (Rede) aparecem grudados na liderança. Bolsonaro tem 17% e  a ex-ministra do Meio Ambiente de Lula oscila entre 15% e 16%.

Ainda nos cenários sem Lula, o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), aparece com entre 7% e 8%, colado com o pedetista Ciro Gomes (9%). A novidade do levantamento é a inclusão do nome do ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa. Recém filiado ao PSB, mas sem nem sequer ter lançado pré-candidatura presidencial, ele aparece com até 10% das intenções de voto.

O instituto também investigou qual o destino dos votos de Lula, com ele fora da disputa. A resposta, até o momento, é que a maior parte dos lulistas declara voto branco ou nulo quando ele não está entre os candidatos, especialmente no Nordeste. Entre os que se dispõem a escolher um outro nome, Marina Silva é citada por 20%, seguida por Ciro (15%), mas até Bolsonaro, Alckmin e Barbosa ganham mais menções (5%) do que outros candidatos esquerdistas mais próximos de Lula, como o petista Fernando Haddad (3%), Guilherme Boulos, do PSOL (3%), e Manuela D’Ávila, do PCdoB (3%).

Eleições 2018 Joaquim Barbosa
Divulgação

 A condenação de Luiz Inácio Lula da Silva e sua prisão no início deste mês prometem embaralhar ainda mais o cenário eleitoral deste ano. Ainda que o ex-presidente possa estar fora do jogo, ao enquadrar-se na Lei da ficha Limpa, ele será um dos influenciadores mais importantes da disputa. E isso vale para ambos os lados do jogo, explica o chefe do Departamento de Gestão Pública da FGV-SP, Fernando Abrucio. Enquanto a esquerda depende do apoio de Lula para a transferência de votos, a direita precisa evitar atacá-lo com muita veemência, pois isso pode impactá-la no segundo turno.

Pergunta. Acha que o PT consegue manter a ideia de não ter um plano B com Lula preso?

Resposta. Sempre esteve na cabeça do PT que seria muito difícil que o Lula se tornasse candidato. E não tem a ver com a prisão em si, já que é possível que ele seja solto antes da eleição. Mas ele não será candidato por conta da Lei da Ficha Limpa. O que está jogo depois desse episódio da prisão é o quanto ele terá de influência na eleição. E isso é realmente muito difícil de saber porque estar dentro da prisão não quer dizer que ele perderá influência sobre os eleitores. Por isso me estranha muita gente do centro para a direita tentar comemorar a prisão do dele porque quando forem para a eleição, no mínimo, entre 20% a 25% dos eleitores vão estar muito próximos do lulismo. E esses eleitores podem definir quem vai ser o presidente no segundo turno. É preciso ter uma certa inteligência estratégica para perceber que não é preciso ficar ao lado do Lula, para quem não está vinculado ao PT ou a partidos próximos, mas estar contra ele é burrice.

P. Mas existem candidatos que se fortalecem com o discurso anti-Lula.

R. O anti-Lula do país já foi construído pelo eleitorado e ele tem nome: chama-se Jair Bolsonaro. Todos os outros que tentarem se construir igualmente ao Jair Bolsonaro vão ter dificuldade de roubar os votos dele. 

P. Como acredita que ficará o cenário eleitoral sem Lula?

R. Ainda há várias hipóteses. É possível ainda que essas candidaturas, que estão hoje na casa de 15, se transformem num número menor. A gente ainda não sabe quais dessas vão sobreviver. Parcerias como a de Joaquim Barbosa e Marina Silva não são impossíveis. Joaquim Barbosa conseguiu um partido grande, que vai ter chance eleitoral em alguns Estados. A marca do Joaquim Barbosa nesta pesquisa Datafolha (até 10%) já era esperada. Ele se tornou o único outsider com chances de disputar e ganhar: ele consegue ter votos de todos os lados. Já a Marina está em um partido que reduziu de tamanho recentemente a ponto de, olhando a lei, não ter nem direito de participar de um debate presidencial na TV. Pode ser também que saia uma parceria entre o Ciro e o PT. Só depois de junho a gente vai ter um cenário mais claro. Mas certamente será o mais fragmentado das eleições desde 1989. Isso significa que com certeza haverá segundo turno e que há grande chance de um candidato ir para o segundo turno com menos de 20% dos votos. Há uma possibilidade de se haver um segundo turno com um candidato mais do centro para a direita e outro mais do centro para a esquerda. Mas isso não são favas contadas, nem para um lado, nem para o outro.

P. Por quê?

R. Depende um pouco dessas combinações entre os candidatos. Se a centro-direita se fragmentar demais e fizer um processo de autodestruição, ela poderá perder. E do outro lado isso também pode acontecer. Não é impossível que esses setores se digladiem de tal maneira que você possa ter candidatos mais próximos apenas de um dos polos. O candidato que tem o nome mais consolidado hoje, e isso não significa que vá para o segundo turno, é Bolsonaro. Ele tem algo em torno de 15% dos votos e se torna um dos polos da eleição. Um dos polos da eleição vai ser bater no Bolsonaro, tanto os candidatos do centro para a esquerda como os candidatos do centro para a direita. O Bolsonaro vai ser o candidato a ser derrotado.

P. E o Governo de Michel Temer? Que papel pode ter?

R. Acho que vai ser outro dos polos importantes para a definição de votos. A tendência do pessoal do centro para a esquerda é dizer que todos os candidatos do centro para a direita são candidatos do Temer. Henrique Meirelles, Rodrigo Maia, Geraldo Alckmin, Bolsonaro, Rodrigo Rocha. E livrar-se do Temer será o segundo espantalho da eleição. Quem conseguir terá mais chance eleitoral. Há ainda um terceiro polo, que é a definição em relação ao lulismo. Se o PT tiver um candidato, a eleição vai ser ‘eleitores, olhem o que fizeram com o Lula. Então, salvem o Lula’. Mas o restante da centro esquerda como Ciro Gomes, Marina, Joaquim Barbosa, vão ter mais chances quanto mais captarem o lulismo. O que não significa transformar a eleição no ‘salvem o Lula’, mas captarem um discurso que a saída para o país é mais próxima do que aquilo que existia nos dois governos Lula.

P. Nesta eleição qualquer um parece acreditar ter esperança. Acredita mesmo que as legendas queiram se aglutinar?

R. O sistema político de 1993 para cá era estruturado em torno do PT e do PSDB e tinha o PMDB como linha auxiliar. PT e PSDB perderam muito com a crise. PT fortemente, com o Lula impedido de ser candidato. E o PSDB, mesmo tendo um candidato com chance, como o governador Alckmin, não é a sombra do que foi entre 93 e 2014. E o PMDB é o Temer. Se você for ao Nordeste, os líderes do PMDB dizem que nem conhecem o Temer. O Eunicio Oliveira vai apoiar o candidato do PT no Ceará. O Renan Calheiros só fala mal do Temer em Alagoas. Em Pernambuco eles estão completamente divididos. No Piauí há uma boa chance de uma parte do PMDB apoiar o candidato do PT a governador. Esse tripé que sustentava o sistema político se quebrou. Não é que esses partidos não vão mais ter importância. Eles vão. Mas não mais organizados neste tripé. E diante deste cenário muita gente colocou as manguinhas de fora. Disse: ‘é minha vez’. Mas o que a gente não sabe é se eles são capazes de sustentar essa campanha até o final. Porque é uma campanha presidencial com menos dinheiro do que no passado, uma eleição casada, com eleição nos Estados e no Congresso, e uma eleição em que grande parte dos partidos vai querer priorizar no seu financiamento os candidatos ao Congresso Nacional e Assembleias Legislativas. Mas, mesmo assim, dada a quebra do tripé, nós vamos ter mais candidatos do que tivemos nos anos anteriores.

P. Agora se fala que o PT poderia abrir mão da cabeça de chapa em nome do Ciro Gomes. Acredita que é possível?

R. Possível é. Mas não dá para cravar qual é a decisão. O PT tem três opções hoje. Uma é fazer uma anticandidatura, não disputar, algo que alguns líderes do partido defendem, mas acho que a chance de isso sobreviver é quase zero. As duas chances mais efetivas mesmo são: ou apoiar candidato próprio ou apoiar candidato de outro partido. Claro que a tendência maior seria lançar candidato próprio se a gente levar em conta a história do PT. O PT sempre teve um tino mais majoritário, de querer comandar o processo político. Mas desta vez há um temor muito grande de não conseguir construir um candidato que substitua Lula. Os nomes do Jaques Wagner e do Fernando Haddad estão muito distantes do peso que o Lula tinha. Jaques Wagner tem problemas porque é investigado e tem uma eleição ao Senado garantida na Bahia. E Haddad é mais jovem na política, ganhou uma prefeitura importantíssima por São Paulo, mas a perdeu em primeiro turno. A aliança com Lula pode ocorrer por duas razões: uma é que não se consiga construir um substituto e outra é que Lula perceba que é melhor uma lógica de frente ampla do que de partido majoritário.

P. A pesquisa Datafolha mostrou uma queda na intenção de voto de Lula e o PT segue dizendo que ele será candidato até o fim. O PT tem um prazo limite para definir um plano B para a candidatura do ex-presidente antes de esse apoio se desidratar ou ainda é cedo para  cravar isso?

R. Acho que o PT tem até junho para definir. Aí a decisão vai depender se Lula estará livre para fazer campanha para um candidato do PT, com bom potencial para transferir votos, nas ruas, sobretudo no Nordeste. Mas se ele continuar preso, nesse caso o apoio a um candidato (fora do PT) pode ser mais eficaz. Com ele preso é mais fácil e mais efetivo apoiar outro candidato de outro partido, alguém mais conhecido, como o Ciro ou o Joaquim Barbosa.

P. A decisão de Ciro Gomes de não visitar o Lula no sindicato na véspera da prisão não pode prejudicar esse plano de tê-lo como cabeça de chapa?

R. Pode atrapalhar. Mas Ciro tem defendido, ainda que de forma mais moderada, o Lula. Não tem feito o discurso de outros candidatos do centro para a direita, que é o de comemorar a prisão. Acho que a aposta do Ciro é que o PT lançará mesmo um candidato e que ele quer o apoio do partido em um eventual segundo turno. Por isso que ele tem uma relação ambígua. De um lado, ele critica a decisão relativa ao ex-presidente, mas, de outro, não se aproxima completamente do PT porque acha que o partido vai lançar um candidato próprio e não adianta ele estar lá.

P. Quando a gente olha para a Argentina, a gente vê que Mauricio Macri conseguiu unir aqueles que odiavam o peronismo. Por que no Brasil a direita não conseguiu fazer isso?

R. A maneira como o Temer chegou ao poder é muito diferente. Macri ganhou uma eleição democraticamente. A população o escolheu como substituto do peronismo, ninguém escolheu Temer como substituto do lulismo. Temer chegou ao poder como um traidor para uma parte da população e, ao longo do mandato, não conseguiu construir essa legitimidade, seja pelas denúncias de corrupção, seja pelo lado econômico e social.

P. Mas e os outros candidatos?

R. Há vários candidatos a Macri no Brasil. Candidatos que querem substituir o que foi a hegemonia do PT nos últimos anos. Alckmin, Meirelles, Maia, Flávio Rocha, o próprio Bolsonaro. E eles vão buscar os votos para se colocar como o substituto do lulismo. Só que é mais complexo no Brasil do que no peronismo. Para além da prisão do Lula, existe o fato de que o Brasil não é quase bipartidário como a Argentina. O Brasil é um país muito mais pluripartidário, no qual o segundo turno dá um peso importante na decisão final a grupos que são minoritários do ponto de vista do voto. O lulismo pode ser minoritário nesta eleição, mas ainda tem 25% dos votos. Colocar-se como substituto do lulismo pode ser bom. Dizer-se completamente anti-lulista pode ser ruim. Esse dado eleitoral que tem que ser friamente interpretado por todos aqueles que querem substituir o lulismo. Vão ter que pensar numa estratégia em que se coloquem como substitutos, mas que não se coloquem como completos inimigos.

P. Pensando para além da eleição: como se governa em um cenário como esse em que está tudo tão fragmentado?

R. A gente pode esperar sair desta eleição com um Congresso Nacional muito fragmentado. Com Governos estaduais com vários partidos governando pelo país. Vai ser um cenário em que a gente precisa fazer reformas que racionalizem o Estado e garantam um ajuste fiscal e ao mesmo tempo teremos que melhorar os serviços públicos urgentemente porque a desigualdade está aumentando. E fazer a mesma coisa ao mesmo tempo, não será fácil. E, por fim, a gente não sabe como esse presidente eleito vai sobreviver ao enorme tiroteio que vai ter nessa campanha. O quanto o Brasil vai conseguir ter um presidente em 2019 que assuma num cenário diferente do que assumiu Dilma Rousseff. Ela assumiu em um cenário em que as forças políticas não conseguiam entrar numa sala, sentar numa mesa e conversar. Acho que se não construirmos um cenário diferente será muito difícil governar o país. A grande questão é saber o quanto esse presidente eleito vai conseguir reduzir esse grau de polarização que existe na sociedade e dentro da política brasileira. Quanto mais ele reduzir e quanto mais ele abrir as portas para forças diferentes, mais chances ele terá de governar.

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Postado em 16-04-2018 00:52

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 16-04-2018 00:52


 

Paixão, na (PR)

 

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Do Jornal do Brasil

 

“Para o PT, a definição de candidatura para as eleições de outubro de 2018 está clara: Lula será o nosso candidato aconteça o que acontecer”, enfatiza o PT, ao justificar a manutenção das vigílias instaladas em Curitiba (PR) que pedem a liberdade do petista. “Ainda assim, dos nove cenários estudados, o instituto de pesquisas realizou seis deles sem o ex-presidente. A manobra para tentar criar um imaginário em que Lula não esteja no pleito esbarra numa questão fundamental: a preferência popular”, avalia o partido.

Lula segue na liderança das pesquisas

O PT destaca que, mesmo após a “prisão política” do ex-presidente, Lula segue na liderança das pesquisas, com uma média entre 30% e 31% das intenções de voto para o primeiro turno. Na sequência, o partido considera empate técnico entre Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede), com intenções que vão de 15% a 17%. “Ou seja: Lula tem o dobro das intenções de voto dos candidatos que, empatados, liderariam o pleito se ele é retirado artificialmente da disputa”, analisa o comunicado.

>> Datafolha: prisão enfraquece candidatura, mas Lula segue líder

Para um eventual segundo turno, o partido acredita que Lula seria “imbatível”, com intenções de voto entre 46% e 48%. Ao final, a nota cita a Pesquisa Ipsos, divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo, ontem, com a informação de que 52% da população acredita que a Operação Lava Jato não está investigando todos os políticos e apenas 43%, o mínimo histórico atingido, avalia que ela investiga todos os partidos.

A nova pesquisa Datafolha, que foi feita entre quarta, 11, e sexta-feira, 13, teve como base 4.194 entrevistas em 227 municípios. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob número BR-08510/2018.

   

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Paulo Afonso: vento Norte e chuva na barragem de Moxotó.

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ARTIGO

 

Chuva rara em dia quente

 

Janio Ferreira Soares

 

Sexta-feira passada, como de hábito, acordei às 5 da manhã e me pus a ler jornais e sites para saber em que pé andava a anunciada prisão de Lula. E entre fanáticos a favor e contra – além de uma nova categoria que poderíamos chamar de mezzo reinaldos, mezzo azevedos -, mudo de página e dou minha tradicional checada no Clima Tempo, mesmo sabendo que poderei ser enganado.

Como de costume, lá estava uma vaga previsão representada por nuvens e sol nas três fases do dia, acrescida do clássico 50% de possibilidade de cair 5mm de uma chuva que nunca vem, provavelmente porque seus pingos são engolidos pelas sedentas almas nordestinas vagando na secura do limbo do sertão. Escolado, dou de ombros e vou ler a coluna do craque português João Pereira Coutinho, semanalmente marcando seus golaços na Folha de São Paulo, alguns também de bicicleta.

Findo o expediente, me desnudo das vestes e dos problemas, coloco o surrado calção florido e sigo para minha quietude ribeirinha, onde os primeiros sons a me esperar são os latidos de Edgar e Júlio em monumentais saltos dignos de um João do Pulo, enquanto os últimos, já de madrugada, são os chiados dos filhotes das corujas rasga-mortalhas que habitam a laje que precede o telhado, assim que percebem que seus pais estão voltando do rio com um socó pendurado nas garras. (A propósito, quem tiver tempo procure ouvir a emocionante canção em homenagem ao nosso campeão do salto triplo composta por João Bosco e regravada em seu novo CD, dessa vez com a ilustre companhia de fragmentos do Clube da Esquina n.º 2 a enriquecer a letra do genial Aldir Blanc).

Pois muito bem, falando em rio, abro portas e janelas que dão pra ele e vejo flutuando em suas águas figuras estranhas às costumeiras canoas que, de revestrés, parecem até um desfile de submarinos e fragatas fantasmas. Assustado, passo um pouco de Limpol nos óculos, aperto a vista e constato tratar-se de uma espécie de procissão formada por ilhas de baronesas e taboas, pragas advindas da poluição do São Francisco que vivem viajando ao sabor do vento, principalmente se ele sopra do Norte. “Opa, vento Norte! Será que hoje o Clima Tempo erra?”, pensei alto. Não deu outra.

E enquanto a Globo News mostrava a atmosfera esquentando lá no Sindicato dos Metalúrgicos, relâmpagos começaram a cortar acima do concreto da barragem de Moxotó, anunciando muito mais que os 5mm previstos, o que fez com que os fanáticos coxinhas achassem que era o céu comemorando a prisão de Lula, enquanto os exaltados mortadelas diziam ser lágrimas de tristeza derramadas pelo segundo Deus. Eu, como sou uma espécie de pastrami, fiz foi me esbaldar na companhia de Júlio e Edgar num belo banho de goteira, localizada bem debaixo de onde as corujas dormem.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco

“A propósito, quem tiver tempo procure ouvir a emocionante canção em homenagem ao nosso campeão do salto triplo composta por João Bosco e regravada em seu novo CD, dessa vez com a ilustre companhia de fragmentos do Clube da Esquina n.º 2 a enriquecer a letra do genial Aldir”

(Trecho do artigo que Janio Ferreira Soares assina, brilhantemente, neste domingo, no Bahia em Pauta).

Vai dedicada ao cronista de Santo Antonio da Glória, do centenário Lindemar Liberalino da Silva.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Lula atrás das gradesFERNANDO VICENTE
 

A entrada de Lula, ex-presidente do Brasil, em uma prisão de Curitiba para cumprir uma pena de doze anos de cadeia por corrupção deu origem a grandes protestos organizados pelo Partido dos Trabalhadores e homenagens de governos latino-americanos tão pouco democráticos como os da Venezuela e da Nicarágua, o que era previsível. Mas menos do que o fato de muita gente honesta, socialistas, social-democratas e até liberais considerarem que foi cometida uma injustiça contra um ex-mandatário que se preocupou muito em combater a pobreza e realizou a proeza de tirar, ao que parece, aproximadamente 30 milhões de brasileiros da miséria quando esteve no poder.

Os que pensam assim estão convencidos, pelo visto, de que ser um bom governante tem a ver somente com realizar políticas sociais avançadas e que isso o exonera de cumprir as leis e agir com probidade. Porque Lula não foi preso pelas boas coisas que fez durante seu governo, mas pelas ruins, e entre essas se encontra, por exemplo, a gigantesca corrupção na empresa estatal Petrobras e suas empreiteiras que custou à sofrida população brasileira nada menos do que dez bilhões de reais (desses, 7 bilhões em propinas).

Quem pensa tão bem de Lula, aliás, se esquece do feio papel de leva e traz que ele representou como emissário e cúmplice em várias operações da Odebrecht – no Peru, entre outros países – corrompendo com milhões de dólares presidentes e ministros para que favorecessem a transnacional com bilionários contratos de obras públicas.

Por essa razão e outros casos que Lula tem não só um, mas sete processos por corrupção em andamento e que dezenas de seus colaboradores mais próximos durante seu governo, como João Vaccari Neto e José Dirceu, seu chefe de Gabinete, tenham sido condenados a longas penas de prisão por roubos, esquemas ilícitos e outras operações criminosas. Entre as últimas acusações que pendem sobre sua cabeça está a de ter recebido da construtora OAS, em troca de contratos públicos, um apartamento de três andares em Guarujá.

Os protestos pela prisão de Lula não levam em consideração que, desde que ocorreu a grande mobilização popular contra a corrupção que ameaçava asfixiar todo o Brasil, e em grande parte graças à coragem dos juízes e promotores liderados por Sérgio Moro, juiz federal de Curitiba, centenas de políticos, empresários, funcionários e banqueiros foram presos ou estão sendo investigados e têm processos abertos. Mais de cento e oitenta já foram condenados e várias dezenas deles o serão em um futuro próximo.

Jamais algo parecido havia ocorrido na história da América Latina: um levante popular, apoiado por todos os setores sociais que, partindo de São Paulo, se estendeu depois por todo o país, não contra uma empresa, um político, mas contra a desonestidade, a enganação, os roubos, as propinas, toda a enorme corrupção que gangrenava as instituições, o comércio, a indústria, a atividade política, em todo o país. Um movimento popular cuja meta não era a revolução socialista e derrubar um governo, mas a regeneração da democracia, que as leis deixassem de ser coisa sem importância e fossem verdadeiramente aplicadas, a todos por igual, ricos e pobres, poderosos e pessoas comuns.

O extraordinário é que esse movimento plural encontrou juízes e promotores como Sérgio Moro, que, encorajados por essa mobilização, lhe deram uma via judicial, investigando, denunciando, enviando à prisão diversos executivos, comerciantes, industriais, políticos, autoridades, homens e mulheres de todas as condições, mostrando que é realizável, que qualquer país pode fazê-lo, que a decência e a honestidade são possíveis também no Terceiro Mundo se existe a vontade e o apoio popular para isso. Cito sempre Sérgio Moro, mas seu caso não é único, nesses últimos anos vimos no Brasil como seu exemplo foi seguido por incontáveis juízes e promotores que se atreveram a enfrentar os supostos intocáveis, aplicando a lei e devolvendo pouco a pouco ao povo brasileiro uma confiança na legalidade e na liberdade que quase havia perdido.

O ex-presidente teve acesso a todos os direitos de defesa que existem em um país democrático

Há muitos brasileiros admiráveis; grandes escritores como Machado de Assis, Guimarães Rosa e minha querida amiga Nélida Piñon; políticos como Fernando Henrique Cardoso, que, durante sua presidência, salvou a economia brasileira da hecatombe e fez um modelo de governo democrático, sem jamais ser acusado de uma ação digna de punição; e atletas e esportistas cujos nomes correram o mundo. Mas, se eu precisasse escolher um deles como modelo exemplar ao restante do planeta, não hesitaria um segundo em eleger Sérgio Moro, esse modesto advogado natural do Paraná que, após se formar em advocacia, entrou na magistratura na oposição em 1996. Como já confessou, o que aconteceu na Itália nos anos noventa, a famosa Operação Mãos Limpas, lhe deu as ideias e o entusiasmo necessário para combater a corrupção em seu país, utilizando instrumentos parecidos aos dos juízes italianos da época, ou seja, a prisão preventiva, a delação premiada em troca da redução da pena e a colaboração da imprensa. Tentaram corrompê-lo, obviamente, e sem dúvida é um milagre que ainda esteja vivo, em um país onde os assassinatos políticos infelizmente não são uma exceção. Mas lá está, fazendo parte do que vem sendo uma verdadeira, apesar de ninguém ainda a ter nomeado assim, revolução silenciosa: o retorno da legalidade, o império da lei, em uma sociedade que a corrupção generalizada estava desintegrando e impedindo-o de passar de ser o “grande país do futuro” que sempre foi a ser o grande país do presente.

A decência e a honestidade são possíveis também no Terceiro Mundo

O grande inimigo do progresso latino-americano é a corrupção. Ela faz estragos nos governos de direita e esquerda e um enorme número de latino-americanos chegou a se convencer de que ela é inevitável, algo como os fenômenos naturais contra os quais não há defesa: os terremotos, as tempestades, os raios. Mas a verdade é que a defesa existe e justamente o Brasil está demonstrando que é possível combater a corrupção, se existirem juízes e promotores corajosos e responsáveis e, claro, uma opinião pública e imprensa que os apoiem.

Por isso é bom, para a América Latina, que homens como Marcelo Odebrecht e Lula tenham sido presos após ser processados, recebendo todos os direitos de defesa que existem em um país democrático. É muito importante mostrar em termos práticos que a Justiça é igual para todos, os pobres diabos do povo que são a imensa maioria, e os poderosos que estão no topo graças ao seu dinheiro e seus cargos. E são justamente esses últimos que têm maior obrigação moral de obedecer às leis e mostrar, em sua vida diária, que não é preciso transgredi-las para ocupar as posições de prestígio e poder que obtiveram, que elas são possíveis dentro da legalidade. É a única forma de uma sociedade acreditar nas instituições, repelir o apocalipse e as fantasias utópicas, sustentar a democracia e viver com a sensação de que as leis existem para protegê-la e humanizá-la cada dia mais.

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15

Postado em 15-04-2018 00:08

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 15-04-2018 00:08


 

Clayton, no jornal (CE)

 

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Postado em 15-04-2018 00:06

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 15-04-2018 00:06

Em busca da senha ‘perdida’

Os peritos criminais da PF estão desenvolvendo uma interface paralela para ter acesso integral ao My Web Day, o sistema de registro da propina da Odebrecht, informa Juliana Braga no Globo.

“Com o auxílio de técnicos da empreiteira, os peritos conseguiram achar um meio para retirar alguns dados, mas os acessos e as funcionalidades são restritas.

Isso tudo porque nem Marcelo Odebrecht, nem nenhum dos outros 76 delatores da empresa informaram a senha do sistema, sob a alegação de não tê-la encontrado.

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15

Postado em 15-04-2018 00:05

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 15-04-2018 00:05

Um funcionário da embaixada brasileira em Roma foi encontrado morto em sua casa, na capital da Itália, com um cinto de couro em volta do pescoço. A polícia suspeita de homicídio culposo por asfixia erótica, informou a imprensa italiana.

A morte ocorrera na última segunda-feira (9), mas repercutiu somente neste sábado (14). De acordo com o jornal “Il Messaggero”, o homem de 40 anos foi identificado por Alexandre Siqueira Gonçalves, adido cultural do Brasil na “cidade eterna”.

As autoridades locais ainda desconhecem as causas da morte, mas a suposição é de que Gonçalves participava de uma sessão de escravidão sexual. O corpo foi encontrado pela esposa do diplomata, que não havia passado o fim de semana em casa. Segundo o “La Repubblica”, a mulher disse à polícia romana que o marido tinha um relacionamento extraconjugal com um homem.

Uma investigação sobre o crime foi aberta, mas a previsão é que a autópsia só fique disponível em até 60 dias.

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