jan
17

Postado em 17-01-2018 00:06

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 17-01-2018 00:06

 
Um ano de Donald Trump presidente dos EUA Ampliar foto
Obama e Trump em Washington, durante a posse do atual presidente norte-americano, em 20 de janeiro de 2017 Getty
Miami

Um ano depois da posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, o ambiente político propiciado pela Casa Branca é exatamente o contrário que o seu antecessor, Barack Obama, buscava cultivar. No mesmo país onde durante os dois mandatos do democrata (2009-2017) se debatia se uma sociedade pós-racial já havia se consolidado, tendo como símbolo a eleição do primeiro presidente afro-americano, o novo mandachuva do Salão Oval, o heterodoxo republicano Trump, aviva com sua retórica o fantasma da discriminação e da divisão e se vê obrigado a se desvincular da imagem que ele mesmo desenha, com afirmações próprias de um tempo que parecia superado pela era Obama: “Não sou racista”, afirmou no domingo, após supostos comentários em que teria qualificado Haiti, El Salvador e outros como “países de merda”. Obama, um bacharel em direito que estudou em Harvard e representava a cicatrização da ferida racial, foi substituído por seu oposto. Um magnata inoportuno que atira punhados de sal nessa ferida.

“Esse era o maior legado de Obama, a culminação do ideal liberal dos Estados Unidos como país da integração e da tolerância, e agora estamos vendo como esse espírito está sendo golpeado por um movimento reativo que busca desvirtuá-lo”, diz Eduardo Gamarra, cientista político da Universidade Internacional da Flórida. “Mas, sob o ruído de Trump, permanece esse projeto de inclusão impulsionado pela figura de Obama. Sem ele não acredito que hoje pudéssemos estar falando na possibilidade de uma presidenta afro-americana”, acrescenta, referindo-se aos rumores de uma candidatura de Oprah Winfrey, a apresentadora de televisão mais célebre do país, que na semana passada, durante a cerimônia de premiação do Globo de Ouro, irrompeu no debate político com seu discurso contra o machismo e a xenofobia.

Julian E. Zelizer, professor de História e Assuntos Públicos da Universidade de Princeton, acredita que o legado de inclusão de Obama poderia ser reativado como uma reação social orgânica às tendências divisionistas de Trump, a começar pelas eleições de 6 de novembro deste ano, que renovarão toda a Câmara de Representantes (deputados) e um terço do Senado. Ambas as casas do Congresso são atualmente controladas pelo Partido Republicano. “Ele energizou todo um contingente eleitoral que continua por aí, entre eles os afro-americanos, os latinos, os millenials. Todos eles são parte de uma coalizão obamista que não serviu aos democratas para ganhar em 2016, mas eles não sumiram, e acredito que podem chegar a ter muito mais impacto político do que se acredita.”

George C. Edwards, especialista em estudos presidenciais e professor na Universidade Texas A&M, avalia que, com relação à herança de Obama, o primeiro ano de Trump está “apresentando um efeito demolidor que não é tudo isso”. Embora concorde que os avanços nos direitos civis estão sendo erodidos, salienta a permanência de dois pilares da política de Obama: a lei de cobertura sanitária – conhecida como Obamacare –, “que Trump não poderá destruir, no máximo retocar nas margens”, e a recuperação econômica dos Estados Unidos. “Obama deixou para Trump uma economia forte”, diz. “Foi ele [o democrata] quem teve que lutar contra a crise financeira e criou regulações bancárias, e quem impulsionou uma estratégia de estímulo que permitiu uma guinada na economia, até agora com benefícios.” Para Edwards, os elementos da presidência de Obama mais ameaçados pelo modelo de Trump são a proteção ambiental, em processo de “desregulação administrativa” e com os Estados Unidos abandonando o Acordo de Paris – um dos feitos do democrata na questão climática –, e a política de imigração, com a deportação de indocumentados como prioridade da Casa Branca e a colocação em xeque do programa criado por Obama para dar cobertura legal aos dreamers, imigrantes irregulares que chegaram aos Estados Unidos ainda menores de idade.

No âmbito da política internacional, o primeiro ano de Trump não representou uma alteração substancial, segundo Zelizer. Sem deixar de lado a retórica mais inflamada entre o novo presidente e a Coreia do Norte e a sacudida no vespeiro do Oriente Médio causada pelo reconhecimento norte-americano de Jerusalém como capital de Israel, o professor de Princeton afirma que “o acordo sobre armas nucleares com o Irã permanece, e os arremedos que Obama fez depois das guerras do Iraque e Afeganistão continuam aí”. No aspecto geopolítico, Edwards destaca o fato de Trump ter retirado os Estados Unidos do tratado comercial com países do Pacífico, apresentado por Obama com o objetivo primordial de conter a expansão comercial da China. “Este foi um esforço que Trump de fato desmontou e que garantiu mais liderança mundial a Pequim”, afirma.

Gamarra salienta a “crise de representação política” como a questão central do primeiro ano pós-Obama. “As pessoas não acreditam mais nos partidos, nas instituições da democracia. A cultura cívica dos Estados Unidos, que radicava no profundo respeito dos cidadãos às instituições, está se perdendo. Obama construiu sua política já dentro de um cenário que refletia esse problema, com um clima de polarização e sem consensos bipartidários. Nesse sentido, o edifício de esperança social e política que o presidente Barack Obama levantava tinha os pés de barro”.

CUBA DE VOLTA À GELADEIRA

P. DE LLANO, Miami

O último golpe de efeito de Barack Obama em seu mandato foi o degelo com Cuba depois de mais meio século de guerra fria entre os EUA e seu vizinho socialista do Caribe. Quando ele deixou o poder, as relações estavam azeitadas e com sinais de que progrediriam pouco a pouco, mas o programa de Trump de reversão das políticas do democrata incluiu a retomada da briga com a ilha.

Dias depois de sua vitória eleitoral, Trump comemorou abertamente a morte do “brutal ditador” Fidel Castro. Já no poder, em junho, viajou a Miami para cercar-se dos mais duros ativistas do exílio anticastrista e lançar um discurso em que se conjurava contra o castrismo e anunciava a limitação das viagens de norte-americanos à ilha e a proibição de fazer negócios com empresas das Forças Armadas cubanas. “Não apoiaremos o monopólio militar que oprime o povo”, declarou Trump.

A degradação dos vínculos bilaterais alcançou seu auge com o escândalo dos supostos ataques a diplomatas norte-americanos em Havana. O caso dos chamados “ataques sônicos” eclodiu quando fontes ligadas a uma investigação norte-americana revelaram à imprensa as suspeitas de que 21 norte-americanos, entre funcionários da embaixada e seus familiares, haviam sido alvo de alguma arma que funcionava por meio de ondas sonoras. O episódio se transformou em uma novela confusa e sem responsabilidades claras. Os Estados Unidos, incapazes de identificarem os culpados pelas agressões, já se distanciam da hipótese do “ataque sônico”, e Cuba continua afirmando que isso nunca existiu, e que a segurança dos diplomatas norte-americanos em Havana sempre esteve garantida.

Fica para trás o discurso de Obama em um teatro de Havana pedindo a abertura do regime, diante da cúpula do poder cubano. E também sua descontraída presença com Raúl Castro em um jogo de beisebol na capital cubana. Com Trump, interessado por razões eleitorais em fortalecer seus laços com a comunidade anticastrista da Flórida, os EUA voltam a dar as costas a Cuba.

Feliz jazzneiro!

BOA TARDE

(Gilson Nogueira)

jan
16

Postado em 16-01-2018 17:04

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 16-01-2018 17:04

Por Guilherme Mazui, G1, Brasília

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República informou que o presidente Michel Temer determinou nesta terça-feira (16) o afastamento dos vice-presidentes da Caixa Econômica por 15 dias (leia a íntegra da nota ao final desta reportagem).

A decisão de Temer é anunciada após o Ministério Público Federal de Brasília e o Banco Central recomendarem ao governo federal o afastamento dos vice-presidentes.

Os pedidos foram apresentados em razão das suspeitas de irregularidades na Caixa investigadas pelo MPF e pela Polícia Federal.

Deflagrada em 2016, a Operação Greenfield investiga desvios em fundos de pensão de bancos e de estatais. Por meio dessa investigação, a PF e o MPF descobriram irregularidades no Fundo de Investimentos do FGTS (FI-FGTS), vinculado à Caixa, e deflagraram uma segunda operação, batizada de Sépsis.

Íntegra

Leia abaixo a íntegra da nota da Secretaria de Comunicação Social:

O presidente da República, Michel Temer, determinou ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e ao presidente da CEF, Gilberto Occhi, que afastem os vice-presidentes do banco por 15 dias, prazo que terão para apresentar ampla defesa das acusações.

Do Blog do

Noblat

A era da insensatez

Por Elton Simões

Possivelmente demore anos. Provavelmente décadas. Mas um dia acontece. A poeira sempre baixa. E quando a poeira destes dias baixar, talvez haja poucos motivos para orgulho. É que quase certo que nossos tempos não serão conhecidos como época de equilíbrio e razão.Convenhamos que equilíbrio e razão não tem sido as características mais marcantes dos últimos anos. E, pior, provavelmente continuarão ausentes no horizonte previsível. Acostumamos com a irracionalidade e falta de civilidade. E não parece existir ou pelo menos a gente não enxerga, outra maneira.E parece ter piorado muito com o crescimento das mídias sociais. Todo mundo fala de tolerância, inclusão, respeito, e de muitas outras aspirações. Mas na hora da pratica, abraçamos com entusiasmo os apedrejamentos públicos, coletivos e sumario. Se é que já houve algum dia, não existe espaço para equilíbrio na mídia social.

Espanta a rapidez com que multidões se formam para apedrejar supostos vilões por coisas que talvez tenham feito. Ninguém mais tem tempo para considerar (ou tentar) contexto, fatos, circunstancias.

O julgamento é sempre sumario. Dispensa evidencia, racionalidade ou equilíbrio. Parecer politicamente incorreto é a única exigência para a condenação, as vezes definitiva, mas sempre pública. Uma frase infeliz é o que basta para um bom apedrejamento. Nas mídias sociais, punição e humilhação pública são entretenimento para as massas.

Depois de lutar séculos por liberdade de expressão, crença e opinião, o mundo parece agora estar condenado a medir precisamente tudo o que fala, escreve ou diz. Teclados e línguas devem nestes tempos funcionar como fitas métricas. Sem direto a margem de erro.

Proibir expressão não impede o pensamento. Não se combate intolerância com mais intolerância. Qualquer possibilidade de diálogo ou mudança de opinião desaparece. A razão morre. E o ressentimento floresce, escondido da vista de todos.

E aí mora o perigo. De uma forma ou outra, ressentimento abafado acumulado tende a se manifestar através de decisões sobre as opções disponíveis. E nestes tempos onde as opções disponíveis são questionáveis, o risco da escolha errada é imenso. E talvez inaceitável. Ou mesmo inacreditável. É tudo o que dá para esperar da era da insensatez.

Parabéns (em memória) clarividente Luther King. Eternidade para as suas palavras e o seu exemplo.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

jan
16

Postado em 16-01-2018 00:28

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 16-01-2018 00:28

Morre Dolores O'Riordan do The Cranberries Ver galeria de fotos
A cantora Dolores O’Riordan, na França, em uma imagem de arquivo. DAVID WOLFF GETTY
Londres

Dolores O’Riordan, a inconfundível voz de The Cranberries, uma das bandas de maior sucesso nos anos 90, morreu nesta segunda-feira aos 46 anos de forma repentina, segundo informou em um comunicado o representante da banda irlandesa, que não especificou a causa da morte. A artista, intérprete de sucessos como Linger e Zombie, se encontrava em Londres gravando.

A líder da banda irlandesa The Cranberries estava em Londres em uma breve sessão de gravação”, afirmou o representante do grupo em um comunicado sem mais detalhes. “A família [de Dolores O’Riordan] está arrasada com a notícia e pediu privacidade neste momento tão difícil”, acrescento

Conunicado da polícia confirmou a informação e acrescentou que o corpo de O’Riordan foi encontrado no hotel Park Lane da capital britânica às 9h05.

“Estamos partindo para a Irlanda: trevo de quatro folhas”

Nascida em Limerick em 1971, O’Riordan era a mais nova de sete irmãos e foi educada no catolicismo. Dolores devia seu nome à profunda fé católica de sua mãe. Ela não era praticante, mas se declarou admiradora do papa João Paulo II, a quem visitou com a mãe no Vaticano.

“Estamos arrasados ao ouvir as notícias sobre o falecimento de Dolores O’Riordan. Nossos pensamentos vão para a família dela neste momento”.

O’Riordan se uniu a The Cranberries em 1990 (então chamados de The Cranberry Saw Us), com o guitarrista Noel Hogan, o baixista Mike Hogan e o baterista Fegal Lawler. Seu salto à fama chegou com o álbum de estreia, Everybody else is doing it, so why can’t we? (1993), que incluía a canção Linger, sobre a rejeição e as frustrações do desamor adolescente, que se transformou em seu primeiro sucesso mundial.

“Encontrei certa vez Delores O’Riordan quando eu tinha 15 anos. Ela foi gentil e adorável. Peguei seu autógrafo em minha passagem de trem e com isso ganhei o dia. Ela tinha a mais incrível voz e presença. Muito triste por ouvir que ela faleceu hoje”.

“Quando era adolescente, não me sentia atraente, minha mãe não me deixava usar maquiagem”, explicou O’Riordan em uma entrevista ao The Guardian no ano passado. “Era uma menina estranha, superprotegida, com um vestido rosa de flores e laços na cabeça, que tocava órgão na igreja. Minha mãe me comprava as roupas, então, na minha primeira sessão de fotos com The Cranberries, Noel me trouxe um novo look e me deu um par de botas Doc Martens. Ficavam grandes, mas mesmo assim as coloquei. De repente, parecia uma garota indie”.

Seu disco seguinte, No Need to Argue, lançado um ano depois, superou o sucesso do primeiro e permitiu que a banda fizesse novos registros e que O’Riordan mostrasse todo o potencial de sua voz. Torturada e excessiva, mas sempre comovente, a voz de O’Riordan atingiu o auge em Zombie, single cantado por milhões de jovens na década de noventa, escrita na sequência do atentado do IRA em Warrington, que matou duas crianças, de três e 12 anos.

No Need to Argue vendeu 17 milhões de cópias em todo o mundo e fez do The Cranberries uma das maiores bandas que surgiram no contexto do então chamado rock alternativo. Graças em boa medida à voz de O’Riordan, impetuosa, sinuosa e libérrima, a banda irlandesa introduziu essa combinação de fúria e doçura que caracterizou muitas bandas de certo rock alternativo dos anos noventa.

Depois de mais três álbuns de estúdio, os Cranberries pararam, mas voltaram em 2009 com o objetivo inicial de atuar apenas ao vivo. Finalmente, lançaram mais dois álbuns, o último dos quais, Something Else, uma coleção de versões acústicas e três músicas novas, foi lançado no ano passado. Enquanto isso, O’Riordan lançou dois álbuns solo (Are You Listening?, 2007; No Baggage, 2009).

Em 2017, a banda anunciou uma turnê com shows na Europa e nos Estados Unidos. Pouco depois de começar as primeiras datas europeias, a turnê foi suspensa por problemas de saúde de O’Riordan. O site oficial da artista atribuiu o cancelamento a “razões médicas associadas a um problema nas costas”. Pouco antes do Natal, O’Riordan fez uma postagem em seu perfil do Facebook na qual dizia estar bem e que havia feito seus “primeiros pequenos shows em meses”.

“Olá a todos. Aqui, Dolores. Eu me sinto bem”, escreveu também a vocalista no Twitter. Seu último tuíte, datado de 4 de janeiro, é uma foto na qual segura um gato nos braços, com a mensagem: “Adeus, Gio. Vamos para a Irlanda”.

Ontem, muitos músicos quiseram homenagear a artista. Sua voz, escreveu o popular cantor irlandês Hozier, “questionou como uma voz pode soar no contexto do rock, nunca vi ninguém usar seu instrumento assim”.

O’Riordan sofria de transtorno bipolar. Deixa três filhos, que teve com Don Burton, ex-empresário do Duran Duran, com quem rompeu em 2014, depois de 20 anos de casamento.

jan
16

Brasília
Rodrigo Maia e Henrique Meirelles pré-candidatos
O presidente da Câmara Rodrigo Maia, em Brasília. Fabio Rodrigues Pozzebom Ag. Brasil

Antes em total sintonia, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), esfriaram a relação entre si. Apesar de nenhum dos dois admitirem, ambos já trabalham suas candidaturas à sucessão presidencial neste ano. Maia e Meirelles estão entre os mais queridos pelo mercado financeiro e pelo centrão, grupo de partidos de centro direita que hoje sustenta o governo Michel Temer (MDB). Nos bastidores da política, especulou-se que uma chapa presidencial poderia ser formada em torno dos dois nomes. Mas o distanciamento entre ambos, provocado principalmente pelo recuo de Meirelles a apoiar as mudanças na “regra de ouro”, deixou essa proposta em segundo plano.

Algo que pesaria contra essa chapa seria a falta de carisma e, principalmente, de votos para cargos no Executivo. Henrique Meirelles disputou apenas uma eleição, para deputado federal em 2002 e foi eleito pelo PSDB de Goiás com votação recorde, 183.000 votos. Renunciou ao cargo no ano seguinte, para se tornar presidente do Banco Central indicado por Lula. Rodrigo Maia, por sua vez, foi eleito deputado federal pelo Rio por cinco eleições consecutivas. Quando concorreu à prefeitura do Rio de Janeiro em 2012, contudo, teve apenas 2,9% dos votos.

Neste momento, o cenário é que ambos deverão lançar seus nomes para o cargo de presidente da República. Querem aproveitar a ausência de lideranças políticas brasileiras e, principalmente, o espaço entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na esquerda, e Jair Bolsonaro (PSC), na direita. “O Rodrigo Maia tem confiança de agentes do mercado financeiro, de agentes políticos. Tem mostrado muita segurança, equilíbrio, na condução de matérias importantes na Câmara dos Deputados, por isso é nosso nome”, afirmou o deputado Pauderney Avelino, um dos entusiastas dentro do DEM pela candidatura Maia.

O sinal mais firme dado pelo deputado até agora foi uma entrevista que concedeu ao jornal O Globo, na qual não descartou concorrer à presidência. “Eu não tenho problema de correr risco, mas não estou disposto a participar de uma aventura”, afirmou Maia.

O discurso é semelhante ao que os deputados do PSD têm em relação a Meirelles “Ele começa a se descolar como um candidato que tem afinidade com o mercado e com a sociedade”, disse o líder do PSD, Marcos Montes, um dos que lançou a candidatura do ministro.

Maia não foi testado em pesquisas eleitorais. Já Meirelles, quando seu nome é citado, não ultrapassa a casa dos 3% das intenções de voto. Além disso, os dois estão estreitamente ligados a um governo que tem índices recorde de impopularidade. E como lidar com essa falta de aprovação popular? “O nome do Maia ainda não foi testado. Quando o for, saberemos. O que é importante é nós termos partidos que possam dar capilaridade, que tragam tempo de televisão e apoiem uma campanha”, analisou Avelino. Os partidos que ambos miram são Solidariedade, PP, PR e PRB. Os três primeiros já demonstraram afinidade com Rodrigo Maia. Enquanto Meirelles já se aproximou do PRB.

Como tem mais tempo na política do que Meirelles, Maia leva uma vantagem, de transitar com maior facilidade entre autoridades. Nos últimos dias esteve em Santa Catarina, no Espírito Santo, no Rio de Janeiro e, neste sábado seguiu para uma agenda internacional nos Estados Unidos e no México. Nas viagens nacionais, aproveita para pedir apoio aos governadores e deputados locais. Nas internacionais, para testar seu nome entre agentes estrangeiros.

Enquanto não se lançam oficialmente, ambos iniciam conversas sobre suas possíveis equipes. Meirelles gostaria de levar consigo boa parte dos ocupantes de cargos na administração Temer, entre eles Mansueto Almeida, seu secretário de Acompanhamento Econômico, e Eduardo Guardia, seu secretário-executivo. Enquanto Maia trabalha com a possibilidade de se unir a antigos aliados de Lula, como o economista Marcos Lisboa, e outros que já trabalharam com o DEM, como o marqueteiro Fernando Barros.

O primeiro teste para Maia será no dia 28 de fevereiro, quando o DEM fará sua convenção nacional em Brasília. Para Meirelles, é em março, quando ele anuncia ao presidente Temer se abandona o ministério para iniciar a campanha. O que deve os unir, novamente, será a reforma da Previdência, prevista para ser votada no dia 19 de fevereiro e é fortemente apoiada tanto por um quanto por outro. O resultado que sair da votação dos deputados será fundamental para definir os rumos de qualquer uma das candidaturas. De qualquer forma, ambos esticarão a corda o quanto puder. Se notarem que não têm chances, o apoio de seus partidos será entregue com um valor mais alto.

jan
16

Postado em 16-01-2018 00:24

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 16-01-2018 00:24


 

Paixão, na

 

 

jan
16

Postado em 16-01-2018 00:23

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 16-01-2018 00:23

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Militante do PC do B: ‘Tem que estourar a cabeça de coxinha’

 PC do B de Mato Grosso do Sul suspendeu por 120 dias, no início deste ano, um de seus filiados que fez ameaças contra os integrantes do TRF-4, informa O Globo.

O corretor de imóveis Urias Fonseca Rocha havia mandado por WhatsApp uma mensagem em que dizia que a condenação de Lula será inaceitável.

Dizia também que era preciso “ir pra rua, ir pro pau” e “começar a estourar a cabeça de coxinha, de juiz, mandar esses golpistas para o inferno”.

O militante –candidato a vereador em Campo Grande, em 2016, quando teve 136 votos– disse que foi “mal interpretado” e não quis incentivar ninguém a cometer agressões.

jan
15

Postado em 15-01-2018 00:13

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 15-01-2018 00:13

OPINIÃO

Não sou racista, minha obra prova

William Waack

  Danilo Verpa/Folhapress  
PARATY - RJ - 06.07.2013 - 21h30 - Mesa "O Povo e o Poder no Brasil com Andre Lara Resende e Marcos Nobre com intermediacao de Willian Waack durante a Flip 2013 em Paraty. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress, ILUSTRADA)
O jornalista William Waack, em evento na edição de 2013 da Flip
 

Se os rapazes que roubaram a imagem da Globo e a vazaram na internet tivessem me abordado, naquela noite de 8 de novembro de 2016, eu teria dito a eles a mesma coisa que direi agora: “Aquilo foi uma piada —idiota, como disse meu amigo Gil Moura—, sem a menor intenção racista, dita em tom de brincadeira, num momento particular. Desculpem-me pela ofensa; não era minha intenção ofender qualquer pessoa, e aqui estendo sinceramente minha mão.”

Sim, existe racismo no Brasil, ao contrário do que alguns pretendem. Sim, em razão da cor da pele, pessoas sofrem discriminações, têm menos oportunidades, são maltratadas e têm de suportar humilhações e perseguições.

Durante toda a minha vida, combati intolerância de qualquer tipo —racial, inclusive—, e minha vida profissional e pessoal é prova eloquente disso. Autorizado por ela, faço aqui uso das palavras da jornalista Glória Maria, que foi bastante perseguida por intolerantes em redes sociais por ter dito em público: “Convivi com o William a vida inteira, e ele não é racista. Aquilo foi piada de português.”

Não digo quais são meus amigos negros, pois não separo amigos segundo a cor da pele. Assim como não vou dizer quais são meus amigos judeus, ou católicos, ou muçulmanos. Igualmente não os distingo segundo a religião —ou pelo que dizem sobre política.

O episódio que me envolve é a expressão de um fenômeno mais abrangente. Em todo o mundo, na era da revolução digital, as empresas da chamada “mídia tradicional” são permanentemente desafiadas por grupos organizados no interior das redes sociais.

Estes se mobilizam para contestar o papel até então inquestionável dos grupos de comunicação: guardiães dos “fatos objetivos”, da “verdade dos fatos” (a expressão vem do termo em inglês “gatekeepers”). Na verdade, é a credibilidade desses guardiães que está sob crescente suspeita.

Entender esse fenômeno parece estar além da capacidade de empresas da dita “mídia tradicional”. Julgam que ceder à gritaria dos grupos organizados ajuda a proteger a própria imagem institucional, ignorando que obtêm o resultado inverso (o interesse comercial inerente a essa preocupação me parece legítimo).

Por falta de visão estratégica ou covardia, ou ambas, tornam-se reféns das redes mobilizadas, parte delas alinhada com o que “donos” de outras agendas políticas definem como “correto”.

Perversamente, acabam contribuindo para a consolidação da percepção de que atores importantes da “mídia tradicional” se tornaram perpetuadores da miséria e da ignorância no país, pois, assim, obteriam vantagens empresariais.

Abraçados a seu deplorável equívoco, esquecem ainda que a imensa maioria dos brasileiros está cansada do radicalismo obtuso e primitivo que hoje é característica inegável do ambiente virtual.

Por ter vivido e trabalhado durante 21 anos fora do Brasil, gosto de afirmar que não conheço outro povo tão irreverente e brincalhão como o brasileiro. É essa parte do nosso caráter nacional que os canalhas do linchamento —nas palavras, nesta Folha, do filósofo Luiz Felipe Pondé— querem nos tirar.

Prostrar-se diante deles significa não só desperdiçar uma oportunidade de elevar o nível de educação política e do debate, mas, pior ainda, contribui para exacerbar o clima de intolerância e cerceamento às liberdades –nas palavras, a quem tanto agradeço, da ministra Cármen Lúcia, em aula na PUC de Belo Horizonte, ao se referir ao episódio.

Aproveito para agradecer o imenso apoio que recebi de muitas pessoas que, mesmo bravas com a piada que fiz, entenderam que disso apenas se tratava, não de uma manifestação racista.

Admito, sim, que piadas podem ser a manifestação irrefletida de um histórico de discriminação e exclusão. Mas constitui um erro grave tomar um gracejo circunstanciado, ainda que infeliz, como expressão de um pensamento.

Até porque não se poderia tomar um pensamento verdadeiramente racista como uma piada.

Termino com um saber consagrado: um homem se conhece por sua obra, assim como se conhece a árvore por seu fruto. Tenho 48 anos de profissão. Não haverá gritaria organizada e oportunismo covarde capazes de mudar essa história: não sou racista. Tenho como prova a minha obra, os meus frutos. Eles são a minha verdade e a verdade do que produzi até aqui.

WILLIAM WAACK, 65, é jornalista profissional desde os 17; trabalhou em algumas das principais redações do país e foi correspondente internacional por 21 anos na Europa e Estados Unidos

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