“Nunca pare de sonhar”, Gonzaguinha:Saudade eterna!!!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

maio
20

Postado em 20-05-2020 00:22

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 20-05-2020 00:22

Pesquisadores da Universidade de Princeton vasculham os arquivos digitalizados da histórica livraria Shakespeare and Company para detalhar o perfil leitor de seus clientes mais ilustres

Alessandro Leone
Cupello (Itália)
O escritor James Joyce e a livreira Sylvia Beach em 1930, dentro da livraria Shakespeare and Company, em Paris.
O escritor James Joyce e a livreira Sylvia Beach em 1930, dentro da livraria Shakespeare and Company, em Paris.getty

Durante a primeira parte do século XX, Paris representava mais do que nunca a cidade dos intelectuais, um ponto de encontro onde confluíam alguns dos autores-símbolo daquela época. Gertrude Stein a chamava de Geração Perdida, uma expressão que se tornou famosa graças ao romance Paris É uma Festa (1948), de Ernest Hemingway, e que descrevia os jovens que tiveram o azar de chegar à maturidade no contexto da Primeira Guerra Mundial. A capital francesa oferecia recantos que pareciam refúgios seguros, como a histórica livraria Shakespeare and Company. Fundada em 1919 por Sylvia Beach, dedicava-se, e ainda se dedica, à venda de livros em língua inglesa, naquele momento difíceis de conseguir a um preço razoável.

De fato, na Brentano custavam cinco vezes mais que os livros em francês, e o catálogo da Biblioteca Americana não era tão extenso a ponto de ser atrativo. Já o serviço da Shakespeare and Company se apresentava como algo único. Por oito francos e outros sete de depósito era possível solicitar um livro em empréstimo, ou dois se a cifra subisse para 12 francos. O tempo máximo de leitura permitido era de duas semanas para as publicações mais antigas e uma para as mais recentes. Todos esses detalhes são conhecidos graças ao trabalho do Projeto Shakespeare and Company, comandado pelo professor Joshua Kotin, da Universidade de Princeton (EUA), que vasculhou os arquivos digitalizados da livraria parisiense na Internet. Através desses dados, os pesquisadores revelam os gostos literários de alguns dos grandes escritores que costumavam frequentar a loja, como Gertrude Stein, James Joyce, Ernest Hemingway, Aimé Césaire, Simone de Beauvoir, Jacque Lacan e Walter Benjamin.

A livraria Shakespeare and Company em 2020.
A livraria Shakespeare and Company em 2020.Bertrand GARDEL / Getty

Os papéis escritos a mão mostram os nomes dos clientes e os livros solicitados em empréstimo. Assim, revela que Hemingway levou, entre as 90 publicações anotadas em sua ficha, as memórias de Joshua Slocum, Sailing Alone Around the World (“navegando sozinho ao redor do mundo”, 1900), ou inclusive um exemplar de um dos seus próprios livros, Adeus às Armas (1929). Stein, por sua vez, leu a novela romântica A Love in Ancient Day (“um amor na antiguidade”, 1908), de Truda H. Crosfield, e a fantasia Equality Island (“ilha da igualdade”, 1919), de Andrew Soutar, enquanto Benjamin pegou um dicionário alemão-inglês e The Physical and Metaphysical Works of Lord Bacon (“as obras físicas e metafísicas de lorde Bacon”, 1853), este último pouco antes de seu suicídio, em setembro de 1940, quando a polícia espanhola lhe comunicou que o entregaria à Gestapo. Lacan aproveitou o serviço para pedir um obscuro livro sobre a história da Irlanda durante sua leitura de Joyce, e Claude Cahun, sob o nome de Mlle Lucie Schwob, dedicou-se às obras de Henry James. Se atrasavam a devolução, a política era sempre a mesma: entregar ao infrator um desenho que retratava Shakespeare arrancando os cabelos.

Shakespeare and Company Project

“Muitas coisas me surpreenderam”, diz Kotin. “Surpreendeu-me que Lacan lesse sobre a Irlanda, ou que Stein lesse romances de fantasia. Mas também pela diversidade das pessoas que eram sócias da livraria. E, por último, pela diversidade dos livros. Esperava que Joyce, Woolf e Mansfield fossem os autores mais populares, não achava que fossem Norman Douglas, Charles Morgan e Rosamond Lehmann”, acrescenta.

Hoje, o histórico de empréstimos desses escritores pode ser consultado livremente na página do projeto, com buscas por cliente ou por livro. Para Kotin, a grande quantidade de material consultado demonstra uma semelhança com nossos hábitos atuais. “Comparo suas leituras com nosso tipo de consumo: podemos ler romances e poemas sofisticados, mas ainda vemos coisas na Netflix.”

Beach publicou em 1922 a legendária novela de James Joyce, Ulisses, e manteve a Shakespeare and Company aberta até 1941, quando se recusou a vender o último exemplar de Finnegans Wake (1939) a um oficial nazista. George Whitman conseguiu reabrir a loja 10 anos depois e doou os arquivos a Princeton em 1964. A equipe de Kotin trabalha há seis anos no armazenamento desse infinito material e, apesar disso, o professor afirma que ainda estão em um ponto inicial. “Agora que temos o site, não vejo a hora de descobrir clássicos esquecidos ou comunidades de escritores unidos por seus gostos. E também informações sobre os americanos expatriados em Paris. Tenho muitíssimas perguntas. O projeto é uma ferramenta para respondê-las”, afirma. Nos próximos meses, o plano é incluir um mapa que mostrará onde os autores residiam e uma lista dos livros mais populares.

Os preços da livraria.
Os preços da livraria.Shakespeare and Company Project

Sylvia Beach não quis cumprir a regra da Associação Americana de Bibliotecas que exige que essas instituições destruam os registros dos usuários para proteger sua privacidade. O resultado foi um arquivo de inestimável valor. “Era uma obsessiva colecionadora de informações. Nos anos vinte, a loja e a biblioteca já eram muito famosas. Ela sabia que as pessoas se interessariam pelos arquivos no futuro. Mesmo quando fechou, continuou emprestando livros”, conta Kotin.

maio
20

O ator Mário Frias, apontado nos bastidores como cotado para substituir Regina Duarte na Secretaria Especial da Cultura, esteve no almoço de Jair Bolsonaro com dirigentes de Flamengo e Vasco, nesta terça-feira.

Segundo O Globo, além de Frias e dos presidentes dos dois clubes, também participaram do encontro Flávio Bolsonaro e Roberto Jefferson.

Mais cedo, como registramos, Bolsonaro compartilhou no Twitter o vídeo de uma entrevista de Frias à CNN Brasil, no início do mês, em que ele se diz à disposição do governo para ajudar na área cultural.

A fritura de Regina Duarte continua.

maio
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CadernoB

As vozes cômicas de Streep estão entre os destaques, e provocaram risadas

O cineasta neozelandês Taika Waititi convocou alguns de seus amigos de Hollywood confinados pelo coronavírus por videochamada para lerem em suas salas de estar o clássico “James e o Pêssego Gigante”, de Roald Dahl, para uma iniciativa de caridade.

Waititi, diretor de “Jojo Rabbit” e “Thor: Ragnarok”, lê o livro infantil de 1961 do autor britânico enquanto seus amigos —incluindo Meryl Streep, Benedict Cumberbatch e Cate Blanchett— participam dublando personagens e se divertindo.

Macaque in the trees
Meryl Streep (Foto: Reuters/Mario Anzuoni/8/2/20)

Cynthia Erivo, Beanie Feldstein, Josh Gad, Mindy Kaling, Gordon Ramsay, Eddie Redmayne, Olivia Wilde, Ruth Wilson e Archie Yates são alguns dos demais participantes.

Em trailers divulgados nesta segunda-feira, Chris Hemsworth se gaba de sua “amabilidade” ao irmão Liam, astro de “Jogos Vorazes”, o que se acredita ser sua primeira atuação conjunta.

As vozes cômicas de Streep estão entre os destaques, e provocaram risadas em Cumberbatch.

O romance será lido em 10 episódios, e os dois primeiros estão disponíveis a partir desta segunda-feira no canal de YouTube de Roald Dahl. Os fundos arrecadados irão para a Partners In Health, uma instituição de caridade de saúde materna de Serra Leoa.

Waititi, ganhador do Oscar, disse que ele mesmo é “uma criança adulta” que leu o livro muitas vezes para suas filhas.

O livro trata das aventuras de um órfão em um mundo mágico surreal dentro de um pêssego gigante, e Waititi diz que é a história perfeita para os tempos de confinamento.

“Esta história doida e maravilhosa diz respeito à resistência das crianças, ao triunfo sobre a adversidade e a se lidar com a sensação de isolamento, o que não poderia ser mais relevante hoje”.(Reuters)

maio
20

Postado em 20-05-2020 00:16

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 20-05-2020 00:16

Policiais e manifestantes entraram em confronto em Santiago nessa segunda-feira (18), em meio ao lockdown imposto em toda a cidade para conter a propagação do coronavírus. Autoridades locais avisaram que uma das regiões mais pobres da capital chilena enfrenta escassez de alimentos.

Um grupo de manifestantes atirou pedras, gritou palavras de ordem e queimou pilhas de madeira ao longo de uma rua, na empobrecida vizinhança na periferia, ao sul de Santiago. Imagens em redes sociais e em canais de televisão mostraram a polícia usando gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar a multidão.

Em nota, o município informou que famílias passam fome nas regiões mais pobres de El Bosque, um bairro onde moram muitos trabalhadores informais e desempregados. O distrito urbano está em quarentena desde meados de abril.

“As últimas semanas tiveram grande demanda de moradores da região por comida”, disse o prefeito de El Bosque, Sadi Melo, que é do partido Socialista chileno, de oposição ao atual governo federal. “Estamos em uma situação muito complexa de fome e falta de trabalho”.

Santiago é uma das cidades mais prósperas da América Latina. Mas uma divisão nítida entre pobres e ricos e a crescente percepção da desigualdade levou a protestos em massa no fim de 2019. Muitas das pautas reivindicadas pelos manifestantes no ano passado, desde o aumento de aposentadorias a reajustes salariais, continuam sem solução.

Em comunicado, o gabinete de Melo disse que El Bosque havia distribuído mais de 2 mil pacotes de ajuda às famílias necessitadas, mas pediu que o governo central não continue a sobrecarregar os municípios com uma responsabilidade econômica com a qual não conseguem lidar. (Natalia Ramos e Dave Sherwood/Agência Brasil)

maio
20

Postado em 20-05-2020 00:13

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 20-05-2020 00:13



 

J. Bosco, NO JORNAL

 

maio
20

Postado em 20-05-2020 00:11

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 20-05-2020 00:11

DO CORREIO BRAZILIENSE

Presidente da República discutiu possibilidade de volta do futebol no país. Mané Garrincha já foi oferecido para receber partidas do Campeonato Carioca, apesar de abrigar um hospital de campanha com pacientes diagnosticados com covid-19


postado em 19/05/2020 16:53 / atualizado em 19/05/2020 18:08

Semanas depois de o Estádio Mané Garrincha ter sido oferecido à Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) para a retomada do Campeonato Carioca, dirigentes do Flamengo e do Vasco se encontraram com o presidente Jair Bolsonaro na manhã desta terça-feira (19/5). Rodolfo Landim, presidente do Flamengo, e Alexandre Campelo, presidente do Vasco, eram alguns dos presentes na reunião.

O encontro tratou principalmente sobre as chances de retorno das partidas de futebol no país, apesar da pandemia do novo coronavírus. Além disso, os representantes dos clubes cariocas tentaram avançar nas discussões sobre o convite feito à Ferj pela Arena BSB, empresa que adminsitra o Mané Garrincha.
No fim de abril, o CEO da Arena BSB, Richard Dubois, disse ao blog Drible de Corpo, do Correio Braziliense, que “fomos consultados e temos todo interesse em receber competições esportivas nesse período, desde que haja liberação por parte das autoridades competentes, como por exemplo portões fechados, e os protocolos de segurança sanitária sejam cumpridos”.
Apesar de o Mané Garrincha servir atualmente como hospital de campanha para receber pacientes diagnosticados com covid-19, o CEO afirmou que “isso não impede a realização de eventos esportivos”. “Aqui (em Brasília), a pandemia está mais controlada do que no Rio. O nosso hospital está bem separado, por exemplo, do setor operacional do estádio. Nós continuamos trabalhando no Mané Garrincha. Portanto, não há problema em receber partidas de futebol”, comentou Dubois.
Recentemente, a Ferj emitiu um comunicado pedindo o retorno das atividades futebolísticas no Rio de Janeiro e garantindo que os clubes do estado estão prontos para voltar respeitando medidas de prevenção e de combate à disseminação da covid-19. O documento foi assinado por 14 dos principais times do futebol carioca, à exceção de Botafogo e Fluminense.
No entanto, a prefeitura do Rio de Janeiro ainda não autorizou os clubes da cidade a reiniciarem suas atividades. Dessa forma, uma das opções em cogitação tanto pelo Flamengo quanto pelo Vasco é de que as equipes venham à capital federal para, em um primeiro momento, retomar os treinos.
O Flamengo, especificamente, estaria disposto a arcar com os custos para que as famílias dos jogadores do clube fiquem hospedadas em Brasília, caso haja a autorização do Governo do Distrito Federal (GDF) para que o rubro-negro possa treinar na capital do país.
A despeito da crise sanitária causada pelo novo coronavírus, a equipe deve encontrar menos resistência em Brasília visto que o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), é flamenguista declarado e tem boa relação com a diretoria do clube. Em 2019, por exemplo, ele acompanhou a delegação do Flamengo na partida de ida das oitavas de final da Copa Libertadores contra o Emelec, no Equador.
Além disso, nos últimos anos, o Mané Garrincha serviu de palco para alguns jogos do rubro-negro. Em fevereiro deste ano, inclusive, o Flamengo conquistou a Supercopa do Brasil na arena, ao derrotar o Athletico-PR por 3×0.

Bolsonaro quer volta

Bolsonaro é favorável ao reinício das competições futebolísticas. No mês passado, ele até disse que havia um pedido da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para que os jogos pudessem voltar a ser disputados sem público. “Isso é uma coisa que estamos avaliando. Nem tudo o que a gente avalia é para ser definido. Não é coisa definida ainda. Mas são algumas iniciativas que de alguma forma poderiam trazer uma rotina um pouco melhor para o dia a dia das pessoas”, disse o presidente.
Além disso, em entrevista à Rádio Guaíba, ele falou que os atletas precisam voltar a competir para ter como garantir o sustento das suas famílias

 DO EL PAÍS
 

Pedra de toque/Opinião

 

Os espiões filósofos

Mario Vargas Llosa
 

Ninguém se surpreendeu, naquele subúrbio de Washington DC, quando se instalaram por lá Philip e Elizabeth Jennings, que pareciam a própria essência dos casais americanos. Tinham dois filhos: Paige, a mais velha, que ajudava muito o pastor batista do bairro e havia tomado nessa igreja o banho lustral, e Henry, o filho mais novo, ás da matemática e do esporte, disputado com bolsas pelas melhores escolas. Os Jennings ganhavam a vida com uma agência de viagens e, por acaso, chegou para viver em seu bairro Stan Beeman, agente do FBI especializado em contraespionagem, de quem se tornaram muito amigos.

A série que conta sua história se chama The Americans, foi criada por Joe Weisberg e, embora tenha, como é comum na telinha, diferentes produtores e diretores, está muito acima das idiotices divertidas que as histórias em capítulos costumam ser, alcançando um nível intelectual que parece ter contribuído para seu pouco sucesso quando foi transmitida. Precisamente por isso me atrevo a recomendá-la efusivamente a quem, nestes dias de confinamento, está cansado de ler e quer passar um tempo entretido com um bom espetáculo televisivo.

Ao contrário das aparências, Philip e Elizabeth Jennings não são norte-americanos, mas russos, e não são nem mesmo casados, embora, depois de muito tempo, venham a contrair matrimônio pelo rito russo-ortodoxo na própria Washington DC. Foram doutrinados desde crianças pela KGB soviética para trabalhar na terra do principal inimigo da URSS, os Estados Unidos. E a verdade é que têm se saído muito bem nesses anos em que estão em Washington DC, sem ser detectados pelas agências de espionagem norte-americanas, passando informações e assassinando os inimigos (verdadeiros ou inventados) do império soviético. Estamos nos anos de Ronald Reagan, quando o presidente, por meio da chamada “guerra nas estrelas” —que os críticos consideravam um disparate—, pressionava a URSS para que, mostrando a ruína de sua economia socializada, tentasse competir com os Estados Unidos naquela fantasia de foguetes espaciais que acabou de afundá-la e precipitou a crise mais profunda, da qual emergiria Gorbachov, e mais tarde o desaparecimento do comunismo soviético.

Aquela crise provocou transtornos enormes na própria URSS; um setor reacionário queria liquidar Gorbachov e seus partidários da abertura e democratização do comunismo, fazendo concessões que permitiram um acordo com o Ocidente para a eliminação gradual de armas nucleares. A KGB parece ter girado para o radicalismo extremo, a julgar pela divisão que aquela abertura provocou na família Jennings, na qual o marido, Philip, cansado de sentir-se manipulado, da vida dupla e de tantos assassinatos, distancia-se de sua profissão secreta, enquanto Elizabeth continua a exercê-la com o mesmo entusiasmo sangrento do início. O próprio Stan Beeman, que estabeleceu uma relação secreta com um espião russo, parece confuso com o que ocorre na URSS nesse momento limítrofe.

The Americans é muito bem conduzida, narrando a vida dupla do casal e sua estreita amizade com o agente do FBI, composta de passeios ao campo e pizza e hambúrgueres compartilhados, bem regados pela aguada cerveja norte-americana, domingos e feriados. Os filhos dos Jennings, em especial, afeiçoam-se de Stan, o que parece recíproco, e passam muito tempo na casa desse vizinho. Os espiões, por sua vez, não são, de forma nenhuma, aqueles derramadores de sangue em diferentes graus de animalidade aos quais o cinema nos acostumou, e sim seres inteligentes e quase intelectuais, pois se interessam pelas projeções culturais, políticas e morais de seu ofício, e leem jornais —sempre que Elizabeth aparece, está folheando o The Washington Post ou o The New York Times—, e suas conversas e solilóquios sempre têm a ver com a projeção internacional daquilo que fazem. O espectador acompanha de perto, assim, as dúvidas morais despertadas principalmente em Philip —depois nela, também— por sua arriscada profissão. Foram educados na crença de que a Pátria (com inicial maiúscula) devia ser defendida de um inimigo que queria destruir a URSS e o comunismo. Agora, com o que ocorre, duvidam que isso esteja tão claro, e começam a se perguntar, primeiro ele e depois ela, se aquilo não é uma manobra retórica daquela camarilha que enche a boca falando do socialismo, de sociedade sem classes e de uma “verdadeira” liberdade que não existe em nenhum lugar da própria URSS, para continuar exercendo um poder fora do comum.

Stan Beeman é um homem decente e moral, apesar de sua profissão. Sabe que uma sociedade democrática deve ser defendida de seus inimigos e adversários, e sabe também que seu ofício é pouco compatível, talvez completamente incompatível, com a legalidade, pois as agências secretas e suas façanhas estão constantemente em conflito com ela. Ele tenta exercer sua profissão dentro dos limites legais e morais, e por isso entra constantemente em conflito com seus chefes e colegas, e é provável que isso piore depois que ele descobre que sua nova namorada pode ter sido enviada pela KGB soviética para seduzi-lo. Ele participa da cena mais dramática de toda a série, quando enfrenta a família Jennings após descobrir que seus melhores amigos e vizinhos são agentes soviéticos e, portanto, seus inimigos mortais.

A existência desses espiões conspira contra a própria ideia de uma sociedade regida por um sistema no qual todos os atos do Governo estão submetidos a uma crítica sistemática do Parlamento, da imprensa e dos partidos políticos. Os espiões não podem agir em plena luz, mas na sombra, e suas ações, seja a transmissão de informações ou a paralisação e destruição do inimigo —o engano, a falsificação, a tortura e o assassinato são suas principais armas—, são todas contrárias à legalidade e a um regime de liberdades públicas. No entanto, a realidade tem feito com que as agências secretas venham impondo sua existência em todos os países democráticos; em alguns deles, com regimes mais rigorosos no cumprimento da lei, o Estado tenta controlar essas atividades clandestinas e pune quem se excede em suas ações, violando as leis. Mas, dessa forma, só conseguem reduzir, e às vezes anular, a eficiência de suas agências secretas. Qual é a solução? Em The Americans, claramente não há nenhuma; no máximo, um regime pode tentar conduzir seus trabalhos de contraespionagem por um caminho mais ou menos legal, desde que, dessa forma, possa controlar ou derrotar as agências secretas de seus adversários. Se estas prevalecem, aqueles pruridos de legalidade vão pelos ares e os espiões têm carta branca para agir, valendo-se de todos os recursos, legais ou ilegais. Isso conspira contra a democracia e pode corrompê-la até acabar com ela, transformando-a em mera fachada. Ou em tema de filme.

Gostaria de concluir celebrando a extraordinária liberdade que os autores e cineastas norte-americanos têm para escrever seus livros ou fazer seus filmes. É verdade que em The Americans os vilões são principalmente os agentes soviéticos. Mas parece que as relativas maldades do FBI não se devem tanto a razões de princípio, e sim à existência, entre seus agentes, de um funcionário essencialmente puro e íntegro, como Stan Beeman. Ou seja, a uma razão muito frágil e passageira.

“Depende”, Amelinha e Fagner: Vídeo mais que especial de apresentação dos dois grandes artistas do Nordeste, gravado no Teatro Fecap, “Janelas do Brasil ao vivo”,é o 15º album da carreira de Amelinha. Tem marcantes participações especiais como Fagner, Zeca Baleiro e Toquinho, com um repertório que mistura os grandes sucessos de sua carreira. Uma pausa de poesia e boa música na terça-feira de maio. Confira.
BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

maio
19

Postado em 19-05-2020 00:23

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 19-05-2020 00:23

Por Rosanne D’Agostino, G1 — Brasília

Celso de Mello vai decidir até 22/5 se libera o sigilo do vídeo de reunião ministerial
 Celso de Mello vai decidir até 22/5 se libera o sigilo do vídeo de reunião ministerial
 

O Supremo Tribunal Federal (STF) informou nesta segunda-feira (18) que o ministro Celso de Mello decidirá até o fim desta semana sobre o sigilo da gravação da reunião ministerial de 22 de abril.

A reunião foi mencionada pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro como prova de que o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal.

Um inquérito foi aberto pelo STF, a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), para investigar as acusações de Moro. Bolsonaro nega ter interferido na corporação.

“O ministro Celso de Mello recebeu agora à tarde, da equipe da Polícia Federal, coordenada pela dra. Christiane Correa Machado, o HD externo que tem em seu conteúdo a gravação da reunião ministerial de 22 de abril de 2020. O ministro Celso de Mello deve começar a assistir o vídeo a partir das 18h desta segunda (18), e decidirá a respeito do levantamento do sigilo – parcial ou total – até o final desta semana”, informou o STF.

Após o envio da nota, o STF divulgou a seguinte declaração de Celso de Mello:

“Recebi a equipe da Polícia Federal, chefiada pela Dra. Christiane Correa Machado, em meu gabinete, na data de hoje, que me atualizou sobre o andamento das investigações criminais e entregou-me um pen drive contendo vídeo e áudio da reunião ministerial de 22/4/2020. Após esse encontro, comecei , agora, a assistir ao vídeo, devendo liberar minha decisão até esta próxima 6a. feira, dia 22/05, talvez antes!”

 

O Supremo já havia informado, na semana passada, que Celso de Mello assistiria ao vídeo nesta segunda e que, somente após ver a gravação, o ministro iria decidir sobre o sigilo.

Celso de Mello assiste ao vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril nesta segunda

A reunião ministerial

A reunião ministerial citada por Moro aconteceu em 22 de abril. Participaram o presidente Bolsonaro, o vice, Hamilton Mourão, Moro e outros ministros. Ao todo, teriam participado 25 autoridades.

Conforme diálogos do encontro, transcritos pela Advocacia-Geral da União, Bolsonaro reclamou da falta de informações da Polícia Federal e afirmou que iria “interferir”.

A defesa de Moro pediu ao STF que divulgue a íntegra do material. Celso de Mello, então, pediu pareceres à AGU e à PGR.

As respostas foram:

  • Procuradoria Geral da República: Defende a divulgação das falas do presidente relativas ao inquérito, isto é, sobre atuação da Polícia Federal, da “segurança”, do Ministério da Justiça, da Agência Brasileira de Inteligência e da alegada falta de informações de inteligência das agências públicas.
  • Advocacia Geral da União: Defende a divulgação das falas de Bolsonaro, mas não das falas dos demais participantes de reunião.
Ato de Bolsonaro põe em xeque versão dele para o que disse na reunião ministerial
 Ato de Bolsonaro põe em xeque versão dele para o que disse na reunião ministerial

 

Versões

Segundo Sergio Moro, Bolsonaro se referiu à Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro quando falou que poderia troca a “segurança” no estado.

Bolsonaro, por sua vez, diz que se referia à segurança pessoal dele no estado, feita pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

O Jornal Nacional mostrou no entanto que, em vez de demitir o responsável pela segurança no Rio de Janeiro, Bolsonaro promoveu o segurança (reveja no vídeo acima).

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