jun
14

Postado em 14-06-2018 00:19

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 14-06-2018 00:19

Moro mantém bens de Marisa Letícia bloqueados

 

Sergio Moro decidiu manter bloqueados, de forma provisória, os bens pertencentes a Marisa Letícia, informa o UOL. A ex-primeira-dama morreu em fevereiro do ano passado.

Os valores correspondem à metade dos bens comuns de Marisa e de Lula, que teve suas aplicações financeiras congeladas pelo juiz federal após a condenação no processo do triplex no Guarujá.

Entre os bens bloqueados, além de valores em contas bancárias, estão dois carros, três apartamentos e um terreno em São Bernardo.

A decisão foi divulgada no mesmo dia em que João Gebran Neto, do TRF-4, deu prazo de três dias para que Moro julgue um pedido apresentado a ele pela defesa de Lula em janeiro deste ano.

No pedido, os advogados pedem que a parte dos valores bloqueados correspondente a Marisa seja liberada, alegando que, com a morte, sua punibilidade foi extinta.

Desse modo, no despacho de hoje, Moro ordenou que os recursos pertencentes à ex-primeira-dama continuem bloqueados até que seja julgado o mérito do pedido.

Resultado de imagem para Anthony Bourdain e Regina Soares Califórnia

ARTIGO

Descanse em Paz, Meu Herói

Regina Soares

 

Poucos me impressionaram tanto, até aqui, como o fez Anthony Bourdain!!! Tendo acompanhado sua trajetória pelos 20 anos de carreira, muito de perto, e aprendido, com ele, a ver o mundo, e seus habitantes, através do prato de cada dia…

Sua figura forte, esbelta, resoluta, competia com o diálogo igualmente vigoroso e destemido com que enchia a tela e eletrizava uma audiência faminta, não só de descobrir os segredos culinários, seus olores e sabores regionais, mas, sobretudo, a história por trás de tudo!!

Aprendi muito, viajei, com Tony, o mundo, visitei vilarejos por demais curiosos e interessantes, sentei no chão ou em banquinhos de plásticos de botecos os mais diversos, participei dos papos inusitados, a linguagem nua e crua, o olho no olho, lambia os dedos, só me segurava na hora dos muitos porres que tomou, porque sou fraca e tenho os meus limites, o que ele aparentava não ter, se entregava inteiro….

Sua morte foi um baque enorme, um soco no estômago, pra lembrar que tudo que vi, até aqui, não passava de um show muito bem elaborado e conduzido, que a vida real é outra coisa, tem seus limites, e, às vezes, somos nós mesmo que os impomos!!!

Descanse em paz, meu herói, vou seguir vendo os tapes, quando a dor passar….

Regina Soares é advogada, especializada em eleições americanas. Mora na Califórnia (USA) há décadas.

Viva Santo Antonio, o glorioso santo dos católicos da Bahia, Portugal, Itália e de todos os cantos. Santo de fé até deste editor ateu, que acredita em milagres. Salve!!!

BOM DIA!!!

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EM TEMPO: A música vai dedicada especialmente a Chloe Sorensen , a feliz aniversariante deste glorioso dia de Santo Antonio. Felicidades!!!

(Hugo e Margarida)

jun
13

Postado em 13-06-2018 00:21

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 13-06-2018 00:21

São Paulo

Se as eleições presidenciais ocorressem agora, quatro em cada dez mulheres do país não teriam um candidato, segundo a pesquisa Datafolha divulgada no último domingo. O resultado repete o visto pelo levantamento telefônico do DataPoder360, a divisão de pesquisas do site Poder360, em cenários que não consideraram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preferido entre elas. Enquanto até 42% das entrevistadas pela pesquisa afirmam que votariam branco, nulo ou se declaram indecisas, a taxa atual destes não votos entre os homens é de 25%. As mulheres, principal força eleitoral do país, estão mais indecisas ou desprezam mais os atuais nomes disponíveis neste momento da disputa do que os homens. E quais seriam os motivos que levam a essa diferença entre elas e eles?

Eleições 2018
Mulheres participam de ato contra Temer em maio. Paulo Pinto AGPT

A tendência de indecisão entre as eleitoras meses antes da votação não é novidade e se repete em todos os pleitos. E isso não significa que se manterá tão alta até o momento em que elas chegarem às urnas, apontam estudos sobre o comportamento eleitoral das mulheres. As eleitoras demoram mais para escolher candidatos e costumam decidir de olho nas propostas, especialmente as que abordam serviços públicos, algo que se torna evidente apenas após o início da campanha na TV.

No atual estado da corrida eleitoral, elas são decisivas para desenhar o panorama: de um lado, puxam para cima – em nível recorde – o número de eleitores que não escolhem ninguém se Lula não estiver no páreo; do outro, erguem um muro que, até agora, impede que o candidato de extrema direita Jair Bolsonaro avance na dianteira sem ele.

Condenado em segunda instância, Lula pode ter sua candidatura impugnada pelas regras da Lei da Ficha Limpa, mas quando seu nome é testado nas pesquisas a maior proporção de suas intenções de voto está entre as mulheres —31% delas afirmam querer votar nele; entre os homens, a taxa é de 29%. Por isso, na ausência de Lula a taxa de não voto aumenta. “Lula tem uma variável fundamental que é o Bolsa Família“, afirma Maurício Moura, presidente do Idea Big Data, que coordenou diversas campanhas no Brasil e no exterior. Um estudo das Nações Unidas do ano passado apontou que o programa de transferência de renda favorece a autonomia das mulheres beneficiárias, que se sentem menos dependentes dos parceiros ao adquirir uma fonte regular de renda —o pagamento é feito preferencialmente a elas. Também exige a frequência das crianças à escola e a vacinação. A luta está em quem vai convencer esta eleitora de merece o voto que seria de Lula. Marina Silva é quem mais cresce dentre as mulheres que declaram votos na ausência de Lula (até 17% sem Lula ante 11% com ele).

Sem o petista, Marina se aproxima de Bolsonaro, que desponta em primeiro nas pesquisas na ausência do ex-presidente. Entre as mulheres, o deputado está em clara desvantagem. Tem entre as eleitoras uma preferência muito mais baixa que entre os eleitores. Se até 27% dos homens afirmam que pretendem votar nele, entre as mulheres este número cai para até 12%, segundo o Datafolha. Bolsonaro precisa conquistar os votos delas pra poder crescer, algo complicado para um candidato que fez declarações machistas polêmicas, especialmente em um momento de fortalecimento dos movimentos feministas. Em abril do ano passado, ele afirmou que “fraquejou” ao ter o quinto filho e, por isso, ela nasceu mulher, o que causou revolta nas redes sociais. Ele também causou indignação ao chamar a deputada Maria do Rosário de “vagabunda” e afirmar: “jamais iria estuprar você porque você não merece”.

Esperar para ver

Seja como for, parece faltar ainda algumas semanas até que o quadro mude de maneira significativa. “As mulheres esperam chegar a informação que lhes interessa. Geralmente, elas são mais cuidadosas na escolha”, diz a socióloga Fátima Pacheco Jordão, que em 2010 realizou um estudo sobre o poder do voto feminino para o Instituto Patrícia Galvão, ONG da qual é conselheira. Em sua pesquisa, ela apontou que entre as eleitoras o voto costuma ser mais consciente e consistente e as mulheres ficam na expectativa de propostas que afetem diretamente a vida da população, como as relacionadas à saúde, educação, desemprego e segurança. E, enquanto elas são mais sensíveis a políticas públicas, eles demonstram mais interesse por assuntos ligados ao jogo de poder, como as escolhas partidárias, por exemplo. Por isso, os homens geralmente têm mais certeza de seus votos nesta etapa da corrida eleitoral, quando as decisões políticas estão sendo tomadas.

Lúcia Avelar, pesquisadora associada do Centro de Estudos de Opinião Pública (Cesop) da Unicamp, pondera que os dados globais das pesquisas de opinião não mostram as diferenças que existem entre as mulheres dentro dos diversos estratos, como renda, escolaridade e região do país, por exemplo. Mas ela concorda que, em geral, as mulheres costumam decidir mais tarde. “Elas são muito mais conhecedoras dos serviços públicos e sociais”, explica. Para ela, entretanto, a elite política não dá tanta importância a essa parcela de votantes, que representa 52,5% do eleitorado brasileiro, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Eles acham, erroneamente, que a mulher acompanha o voto do companheiro. Há um conservadorismo pesado que cega um pouco os políticos. Eles começam a acordar agora para a importância de dar uma atenção especial para elas”, ressalta.

“É impossível se passar por uma campanha sem que exista um cluster que seja feminino. Alguma tática de comunicação para esse grupo é necessária”, diz Moura, do Idea Big Data. Ele reconhece, entretanto, que a atenção dada às campanhas para o voto das mulheres ainda é desproporcional ao tamanho delas no eleitorado. “A questão é que existem muito mais candidatos homens do que mulheres e, por isso, as campanhas já partem de uma lógica inicial masculina. Essa força ainda é subestimada em relação ao tamanho do eleitorado porque a lógica da política ainda é masculina”, ressalta. Para ele, o problema se corrige com o aumento de candidatas mulheres no processo.

“Eu não escolhi meu candidato e acho que não vou votar em ninguém. Prefiro assistir aos debates, que ajudam quando a gente não conhece muito os nomes”, conta a analista de sistemas Fabiana Guimarães Zinhani, 30. O mesmo afirma a manicure Maria Mônica da Conceição, 62. “Na verdade, nem sei quem disputa, além do [ex-governador] Geraldo Alckmin“. Para ambas, o atual cenário de candidatos, que se mostra mais pulverizado e com nomes menos conhecidos, faz com que a escolha seja ainda mais difícil do que nos anos anteriores. E o voto delas ainda mais importante, explica Pacheco Jordão. “Neste contexto, o peso de cada voto é maior e [diante das muitas opções] elas provavelmente vão demorar ainda mais para escolher”, diz. “Em decisões apertadas como as que temos tido, quem acaba decidindo a eleição é a mulher”, explica a socióloga.

jun
13

Por Mariana Oliveira, TV Globo, Brasília

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o ex-ministro Paulo Bernardo, marido dela (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil) A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o ex-ministro Paulo Bernardo, marido dela (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil)

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o ex-ministro Paulo Bernardo, marido dela (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil)

  Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para a próxima terça-feira (19) o julgamento da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), do ex-ministro Paulo Bernardo e do empresário Ernesto Kugler Rodrigues, ligado ao casal.

Na semana passada, o ministro Celso de Mello, revisor da Lava Jato no STF, liberou o caso para julgamento.

Nesta terça (12), o ministro Ricardo Lewandowski, presidente da Segunda Turma, marcou a sessão destinada à análise do caso.

Segundo a acusação do Ministério Público, os três, “agindo de modo livre, consciente e voluntário”, pediram e receberam R$ 1 milhão desviados do esquema de corrupção que atuava na Petrobras.

O dinheiro, ainda de acordo com a denúncia, teria sido direcionado para campanha eleitoral de Gleisi em quatro parcelas de R$ 250 mil.

O repasse teria sido realizado, segundo a Procuradoria Geral da República (PGR), por meio de empresas de fachada do doleiro Alberto Youssef contratadas pela Petrobras.

Ainda conforme a PGR, os recursos foram liberados pelo ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, cujo objetivo seria obter apoio político de Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo para se manter no cargo.

Versões

À época em que Gleisi e Paulo Bernardo se tornaram réus no Supremo, a defesa da senadora negou os crimes e apontou supostas divergências entre as declarações de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef nas delações premiadas, especialmente em relação ao modo como o dinheiro teria sido repassado.

A defesa de Paulo Bernardo também rebateu a acusação, alegando que não teria sido provada interferência do ex-ministro para manter Paulo Roberto no cargo de diretor na Petrobras.

Íntegra

Leia abaixo a nota divulgada nesta terça-feira pela assessoria de Gleisi:

Nota da senadora Gleisi Hoffmann sobre julgamento no STF

Recebi com serenidade a notícia de que a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar, na próxima terça-feira (19), a ação penal em que fui injustamente denunciada, sem qualquer prova ou indício de crime.

Trata-se de acusação forjada nos subterrâneos da Lava Jato, onde criminosos condenados negociam benefícios penais e financeiros em troca de delações mentirosas, que servem à perseguição política contra o PT e os nossos dirigentes.

No meu caso, a cada falsidade desmascarada durante o processo, os criminosos foram mudando seus depoimentos e mentindo cada vez mais. É escandaloso que a Procuradoria Geral da República (PGR) tenha oferecido denúncia contra mim em vez de punir os que são acobertados pela Lava Jato.

Há quatro anos, aguardo o desfecho dessa trama. Nada vai apagar o sofrimento causado a mim e a minha família, os danos a minha imagem pessoal e política, mas vejo com alívio o dia em que a Justiça terá a oportunidade de me absolver e restaurar a verdade.

Senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR)

jun
13

Postado em 13-06-2018 00:13

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 13-06-2018 00:13


 

Myrria , no jornal (AM)

 

jun
13

Postado em 13-06-2018 00:11

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 13-06-2018 00:11

 O deputado Pauderney Avelino não quer saber de aliança do DEM com Ciro Gomes, desde que o presidenciável o acusou de ser o “corretor” da compra de votos da reeleição de Fernando Henrique.

Reveja o vídeo do pronunciamento de Ciro, ocorrido em 2016:

Aos amantes de ontem, de hoje e de sempre. Feliz Dia dos Namorados!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Blog

Noblat

Lula “Jim Jones”

Suicídio coletivo

No dia seguinte à sua eleição para presidente da República em 2002, reunido em um hotel da capital paulista com os principais membros de sua campanha, Lula foi logo advertindo:– Nesta sala, as únicas pessoas votadas e eleitas fomos eu e o José Alencar.Em seguida, comentou que haveria lugar para todos eles no seu governo. De fato, estava preocupado com a disputa de cargos. E queria reforçar a sua autoridade e prestigiar Alencar, seu vice.Condenado a 12 anos e um mês por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, impedido de ser candidato, Lula não tem mais cargos para oferecer a ninguém, mas tem votos.E é por tê-los, como mostram todas as pesquisas, que subjuga o PT à sua exclusiva vontade de seguir dizendo que apesar da lei, ele será candidato em outubro, e só deixará de ser quando quiser.

Parte dos seus acólitos acredita que Lula é um sábio, quase não erra. E que ao se apresentar como candidato, só se fortalece para na hora certa abençoar outro nome e transferir-lhe seus votos.

Outra parte dos acólitos acha que Lula erra quando adia a escolha de outro nome, e que isso poderá prejudicar o desempenho do partido. Mas não tem coragem para opor-se a ele.

A mais recente pesquisa Datafolha foi celebrada pelo PT como uma prova a mais da força eleitoral de Lula, de como ele continua vivo na memória coletiva e de como tem razão em se dizer candidato.

A pesquisa, porém, trouxe uma informação que o PT preferiu ignorar. Há um ano, quando perguntados em quem pretenderiam votar para presidente, 15% dos eleitores diziam o nome de Lula.

Agora, só 10% dizem a mesma coisa. Lula perdeu, portanto, 1/3 da intenção de voto espontânea. Certamente porque os eleitores, aos poucos, estão se convencendo de que ele não será candidato.

Quanto mais o PT demorar a indicar um candidato à vaga de Temer, mais eleitores de Lula se sentirão à vontade para fazer suas escolhas pessoais sem esperar uma ordem de cima. Elementar.

O PT parece estar para Lula como milhares de pessoas nos anos 70 do século passado estiveram para James Warren “Jim” Jones, fundador e líder nos Estados Unidos do culto Templo dos Povos.

Em novembro de 1978, na Guiana inglesa, pouco mais de 900 fiéis de Jim Jones, estimulados por ele, espontaneamente tomaram veneno e morreram. Foi o maior caso de suicídio coletivo até hoje.

Em uma fita gravada na ocasião, ouve-se a voz do pastor dizendo: “Cometemos um ato de suicídio revolucionário para protestar contra as condições de um mundo desumano”.

Pré-candidata da Rede à Presidência, Marina Silva.
Pré-candidata da Rede à Presidência, Marina Silva. MAURO PIMENTEL AFP
Não é verda que a última pesquisa do Datafolha sobre as eleições presidenciais não revelou nada de novo. Uma leitura cuidadosa e sem preconceitos ideológicos mostra que o partido daqueles que escolheram como lema o ódio a tudo e a todos é minoritário e perdedor. A tal ponto que Marina Silva, uma das candidatas hoje com maiores chances de vitória na ausência de Lula, é a menos raivosa e a mais positiva e amante do diálogo. Nada em sua candidatura ostenta o selo já não de ódio, mas de confronto ou violência. É sua a feliz frase: “Uma arma nunca será o símbolo do Brasil que eu amo.” Nem uma arma, nem o ódio. Nunca é mordaz.

Nas simulações do Datafolha, Marina, acusada de ausente, de silenciosa, aquela que não infecta as redes com ódio e advoga um Brasil mais comprometido com a defesa da Terra, mais justo e menos corrupto em que todos sejam capazes de ouvir as razões de quem pensa diferente, obteria 42% em um segundo turno contra 32% de Bolsonaro, 42% contra 27% de Alckmin e 41% contra 29% de Ciro Gomes.

Como comentou o leitor Hugo Leandro neste jornal: “É um resultado inexplicável. Ninguém conhece seus eleitores e venceria todos.” Não serão esses os eleitores que se recusam a seguir a moda do ódio a qualquer custo? Mais específico, o leitor Thiago Arruda escreve: “Talvez Marina seja capaz de superar o ódio promovido pela polarização.”

Sem dúvida, os milhões que, de acordo com a pesquisa, votariam em Marina – que, nas poucas vezes que fala, é para evocar a ética, a solidariedade, o diálogo e a capacidade de ouvir – não são aqueles que fizeram do ódio ou da vingança sua bandeira. Os políticos corruptos podem ser punidos, mas, como me disse ela em uma entrevista, “sem a necessidade de odiá-los. São punidos negando-lhes o voto.”

Os 34% dos brasileiros que, sem Lula no páreo, anunciam que ou não votarão ou anularão o voto serão filhos do ódio ou melhor, do desencanto, do fato de não encontrar um candidato capaz de ouvir, sem exigir-lhes ódio, seus desejos de esperança em um Brasil mais igual e ainda mais feliz? Se esses milhões fossem frutos do ódio, não lhes faltariam candidatos. Abstêm-se porque talvez não encontrem aquela luz na janela que o papa João XXIII deixava acesa à noite, quando ainda era anúncio na Bulgária. Fazia isso para que, caso alguém precisasse de sua ajuda, pudesse entrar sem se anunciar. “Não perguntava quem eram nem se acreditavam ou não em Deus, mas o que precisavam”, disse ele a um grupo de jornalistas.

Se me perguntam, nem aqueles que, com Lula condenado e na prisão, estariam decididos a votar nele são do partido do ódio. Milhões de pobres não identificam Lula com um partido, mas com o presidente “paz e amor”, aquele que não queria que nenhum brasileiro passasse fome. Não, os hipotéticos votos para Lula não podem ser capitalizados pelos amantes de um país dividido e com desejo de sangue.

Marina Silva, em quem ninguém pode encontrar os estigmas da intransigência, teria mais razão do que muitos outros para trilhar o caminho da vingança e da beligerância já que, nas eleições de 2014, foi cruelmente acusada de querer tirar a comida dos pobres se chegasse ao Planalto. Soube que ela chorou com as imagens da televisão em que, quando se ouvia seu nome, a comida desaparecia do prato das crianças. E, no entanto, a silenciosa Marina pode ser criticada por muitas coisas, mas não de ser propagadora de ódio ou divisões entre os brasileiros. Ela afirma que “prefere perder ganhando do que ganhar perdendo”. Ganhar perdendo é possível usando as armas do medo, do ódio e da mentira. Perde-se ganhando quando se é capaz de estar disposto a perder antes de trair a própria consciência.

Quantos milhões de brasileiros existem que, em vez de ganhar a qualquer preço, até mesmo com a arma do ódio e da falta de escrúpulos, preferem a fidelidade à sua consciência, dormir sem pesadelos, capazes de olhar nos olhos de seus filhos sem se envergonhar? Tenho certeza de que muitos mais do que se pensa. Talvez a grande maioria. E esse é o Brasil que, apesar dos tropeços, ainda mantém o país de pé. Aquele que não tem vergonha de pronunciar palavras de esperança e concórdia. É o Brasil melhor, aquele que sabe conceber a vida não como uma batalha ou um tiroteio, mas desfrutando das pequenas ou grandes felicidades que o ódio sempre será incapaz de oferecer.

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