dez
09

Do Jornal do Brasil

 

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, disse hoje (8) que vai para São Paulo na próxima quinta-feira (13) fazer nova avaliação médica. Ele afirmou que, se estiver bem, quer fazer logo a cirurgia para retirada da bolsa de colostomia. “Não gostaria de ficar parado em janeiro”, afirmou após participar de cerimônia de formatura dos aspirantes da turma Almirante Saboia, na Escola Naval, no Rio de Janeiro.

A operação do presidente eleito estava marcada inicialmente para o dia 12 de dezembro, mas foi adiada após uma série de exames feita no dia 23 de novembro por médicos do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. No dia seguinte, Bolsonaro afirmou que a nova avaliação estava marcada para o dia 19 de janeiro e que a cirurgia poderia ser feita no dia 20. Dessa forma, ele só seria submetido ao procedimento depois da posse na Presidência da República, marcada para 1º de janeiro.

Os exames pré-operatórios precedem a realização da terceira cirurgia a que Bolsonaro será submetido desde que foi esfaqueado no abdômen por Adélio Bispo, durante ato político, em Juiz de Fora (MG), em 6 de setembro.

Ele fez uma cirurgia inicial, de grande porte, na Santa Casa de Juiz de Fora, depois uma segunda, já no Einstein, para corrigir uma aderência. A estimativa é que o período de recuperação dessa terceira cirurgia seja de 10 a 15 dias.

Pirassununga

Após a cerimônia militar, o presidente eleito disse que ontem (7) confundiu os remédios e dormiu e, com isso, acabou perdendo o compromisso em Pirassununga. Ele afirmou, entretanto, que está se sentindo bem.

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09

Postado em 09-12-2018 00:16

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 09-12-2018 00:16



 

Sinovaldo, no

 

dez
09

Postado em 09-12-2018 00:13

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 09-12-2018 00:13

Bolsonaro vira assistente de acusação em caso respondido por Adélio

 


Jair Bolsonaro foi incluído como assistente de acusação no processo respondido por Adélio Bispo de Oliveira, o homem que tentou matar o presidente eleito.

Com a inclusão, Bolsonaro terá acesso a todas as informações dos autos, “como as quebras dos sigilos telefônico e bancário do acusado, bem como aos laudos de insanidade mental”, registra o G1.

A inclusão permite também que ele “proponha novos meios de prova, faça requerimentos para que sejam feitas perguntas às testemunhas e o credencia a participar da audiência de instrução de Adélio”.

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Moro, na companhia de Vargas Llosa: fala firme em Madri…
Resultado de imagem para Temer en Buenos Aires G20 El Pais
…e Temer, ao lado de Salman, no G20. em Buenos Aires:melancolia.

ARTIGO DA SEMANA

Chegadas e despedidas: Moro em Madri, Temer em Buenos Aires

Vitor Hugo Soares

Dessemelhantes sim, mas igualmente significativas, são as imagens de dois personagens da hora da política brasileira, colhidas em eventos de ressonância internacional neste final de 2018: Michel Temer, em Buenos Aires, cumpre melancolicamente  seus derradeiros dias de mando,  durante a reunião de cúpula dos chefes de estado do G-20. Em Madri, Sérgio Moro (ex-juiz da Lava Jato e futuro ministro da Justiça e da Segurança), cheio de novos projetos e transbordante de confiança, no seminário “Grandes Desafios da Iberoamérica”.

Na Espanha, Moro fala para figuras representativas da política, dos negócios e da cultura na região europeia. Sem a companhia do  convidado de honra do encontro, Paulo Guedes,  aconselhado pelos médicos a não tomar avião esta semana e a repousar, sem sair de casa, cuidando de problemas respiratórios. O ex-magistrado de Curitiba, ao contrário, depois do puxado evento na Europa, amanheceu quarta-feira no centro do BBl, no DF, onde o futuro governo se estrutura, enquanto produz fatos e polêmicas. E ocupa – com surpreendente competência – os principais espaços do noticiário político, econômico, e até de costumes. As imagens o mostram Moro à vontade, bem disposto, com jogo de cintura  nas tomadas de decisões e nas falas com a imprensa.
      
Ao lado do futuro ministro, o escritor Mario Vargas Llosa. Peso pesado da cultura, Nobel de Literatura, ex-candidato a presidente do Peru – e influente pensador e cidadão do mundo. Dias antes, o autor de “A Guerra do Fim do Mundo” publicou o artigo “Juízes e Presidentes”, que segue causando bafafá entre os donos do poder no continente, e ainda dando o que falar.  Llosa escreveu que a corrupção é hoje o maior inimigo da democracia na América Latina, “corroendo-a a partir de dentro, desmoralizando a cidadania e semeando desconfiança em relação a instituições… O que ocorreu no Brasil nos últimos anos foi um anúncio d o que poderia ocorrer em todo continente”…, afirmou.
O escritor deixa claro que não morre de amores pelo presidente eleito do Brasil. Mas expressa a esperança de que “pelo menos dois de seus ministros – Moro e Paulo Guedes – moderem Bolsonaro e o levem a atuar dentro da lei e sem reabrir portas para a corrupção”.  Moro foi adiante. Disse não ver no presidente eleito um risco de autoritarismo. “Jamais teria  aceitado o convite para entrar no gabinete de ministros do governo se vislumbrasse esses perigos”, garantiu. E concluiu dizendo o que a maioria, no seminário,  queria ouvir: “No meu caso, é uma oportunidade para avançar na agenda anticorrupç&at ilde;o em outro âmbito do poder. É necessário promover reformas mais amplas e gerais e isso não posso fazer como juiz, mas como ministro da Justiça sim”. Saiu do auditório, da Fundação Internacional para a Liberdade, em Madri, sob aplausos.

Em Buenos Aires, na despedida de Michel Temer, na cúpula do G20, as marcas e imagens são de silêncio e melancolia. Na foto oficial, o mandatário brasileiro aparece isolado numa das laterais. Temer teve “uma presença apagada”, nos registro da imprensa. Nem ao menos se reuniu com Mauricio Macri, anfitrião do encontro. Mais tristes só o olhar e os passos do presidente  a caminho do Aeroporto de Ezeiza, no retorno a Brasília.
Os signos do poder são duros e perversos, às vezes. Mas implacáveis e reveladores.

Vitor Hugo Soares, jornalista, é editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br    

“Guerreira”, Clara Nunes : cantemos com esta mineira saudosa de todos os santos e todos os orixás, neste 8 de dezembro de louvar Nossa Senhora da Conceição da Praia – Padroeira da Bahia – e de festeja Clarice, a afilhada mais que querida e também guerreira, que faz aniversário. Viva!!!

(Hugo e Margarida)

dez
08

Resultado de imagem para Cida Torneros escritora Bahia em Pauta
O bichinho da sustentabilidade me pegou
Maria Aparecida Torneros
Em 2005, eu trabalhava na área de Comunicação da secretaria estadual de Meio Ambiente no Rio de Janeiro. O secretário era o arquiteto Luiz Paulo Conde. Este sugeriu que eu cursasse o MBA em gestão ambiental da escola politécnica da UFRJ, dirigido pelo Professor Haroldo de Mattos Lemos. Fiz o curso que durou um ano de 18 às 22 h, de segunda à sexta, incluindo viagens para trabalho em campo o que me levou ao Espírito Santo para visitar a Aracruz celulose por exemplo. Mas, participações em encontros nacionais como o Seminário sobre problemas de hidrologia, pude participar em João Pessoa de uma semana de discussões que ferviam naqueles dias, sobre a transposição do Rio São Francisco. Fomos ver de perto em outra ocasião, o sistema Guandu, de abastecimento de água do Rio de Janeiro e lembro das aulas sobre destino de resíduos, manipulação do lixo, além dos conceitos apavorantes sobre as pesquisas em torno do aquecimento global, de cunho científico inquestionável. Algumas vezes, dr. Conde me perguntava o que eu estava achando do curso. Minhas respostas eram sobre minhas depressões pessoais, a nível emocional, pois constatava diariamente o quanto o modelo consumista era auto destrutivo para o Planeta Terra. De cunho capitalista, baseado na exploração aparentemente inesgotável das riquezas naturais, esse modus vivendi capitalista mantido pela busca insana do lucro, queima de combustíveis fósseis, indústria automobilística, agronegócio alimentado pelo viés carnívoro, exploração desmedida de mares, um sem número de hábitos acumuladores por parte das Nações mais ricas em detrimento dos povos pobres, tudo isso me fazia repensar sobre os caminhos da humanidade naquele 2005.
Eu cursei e fiz monografia. Mas sabia que ia me aposentar em menos de dez anos e talvez não trabalhasse efetivamente com meio ambiente no meu dia-a-dia.
Entretanto, o bichinho da sustentabilidade me pegou. Em 2009, viajando pela Europa, fiquei deslumbrada ao ver os imensos ventiladores da energia eólica e os veículos movidos à eletricidade que iniciavam a busca humana por sobrevivência alternativa aos modelos depredadores  por nós excessivamente utilizados.
Na Verdade, pouco mudou. Acompanhei a Rio 92 como jornalista. Fui na Rio mais 20 como ativista. Torci pelo acordo de Paris com esperança. Nos dias atuais padeço de certa desesperança face aos dramas da emissão de dióxido de carbono de países como China e Estados Unidos, sendo que estes, na era Trump, sairam do acordo de Paris.
Para completar minhas reservas pessoais, observo que o Brasil, da era Bolsonaro, já não vai sediar a COP 25, o que parece cortar a trajetória de luta da brava gente brasileira que sonha com a sustentabilidade possível.
Ao que tudo indica, o nome do novo ministro da pasta do Meio Ambiente deverá se alinhar à ideologia do governo recém eleito que nega em tese os argumentos comprovados da necessidade de mudarmos o curso da estrada. Conter desmatamento e preservar áreas florestais é dever nacional. Empregar energias de fontes limpas é necessidade. Manter-se no acordo de Paris, é ato de consciência humanitária, afinal.
Nossas vidas humanas, animais, vegetaisvão nos agradecer nos séculos vindouros. Se diminuirmos lucros, valerá por salvarmos a natureza explendorosa e pudermos salvar gerações hoje imersas na miséria da desesperança de um futuro supra ideológico. Maior que a ultrapassada guerra entre esquerda e direita ou entre riqueza e pobreza, está o elo quase perdido entre manter a Terra viva ou acelerar seu trágico fim. Cida Torneros é jornalista e, escritora, mora no Rio de Janeiro, colaboradora da primeira hora do Bahia em Pauta

dez
08

Do blog O Antagonista

Exclusivo: Bolsonaro diz que cheque de ex-assessor para primeira-dama foi pagamento de dívida

 

Por Claudio Dantas

Jair Bolsonaro disse a O Antagonista que os R$ 24 mil pagos pelo ex-assessor Fabrício José de Queiroz a Michelle Bolsonaro, por meio de cheques, são referentes à quitação de uma dívida pessoal – como revelou Crusoé.

“Emprestei dinheiro para ele em outras oportunidades. Nessa última agora, ele estava com um problema financeiro e uma dívida que ele tinha comigo se acumulou. Não foram R$ 24 mil, foram R$ 40 mil. Se o Coaf quiser retroagir um pouquinho mais, vai chegar nos R$ 40 mil.”

Segundo o presidente eleito, Queiroz lhe fez dez cheques de R$ 4 mil. “Eu podia ter botado na minha conta. Foi para a conta da minha esposa, porque eu não tenho tempo de sair. Essa é a história, nada além disso. Não quero esconder nada, não é nossa intenção.”

Bolsonaro disse não lembrar do valor original, que depois se avolumou. Ele comentou também que não registrou a operação no imposto de renda.

O presidente eleito contou que Fabrício Queiroz é seu amigo. Eles se conheceram em 1984, na Brigada Paraquedista. Era soldado, depois passou no concurso da PM e, mais tarde, virou assessor no gabinete do filho Flávio.

Bolsonaro falou ainda que se surpreendeu com a identificação pelo Coaf de uma movimentação de R$ 1,2 milhão na conta de Queiroz – incompatível com sua renda. E disse que cortou o contato com o amigo até que ele se explique para o Ministério Público.

dez
08

Postado em 08-12-2018 00:23

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 08-12-2018 00:23

Do Jornal do Brasil

Em meio ao imbróglio envolvendo membros do PSL, incluindo os filhos do presidente eleito Jair Bolsonaro, sobre protagonismo no partido, os eleitos da legenda se reúnem na próxima quarta-feira, 12, à tarde com o futuro chefe de Estado no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, onde se concentra o governo de transição. As disputas recentes devem entrar no debate do encontro, embora não tenham sido o motivo da agenda.

O vice-líder do partido na Câmara, Delegado Waldir (PSL-GO), disse que o encontro já estava marcado há muito tempo, dentro do circuito de reuniões que Bolsonaro tem feito com as bancadas partidárias do Congresso. Disse ainda que as disputas não foram o motivo para realizar o evento. “Eu convoquei os eleitos bem antes disso e também não há nada demais nas conversas, os debates são normais”, afirmou.

Macaque in the trees
Jair Bolsonaro (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O protagonismo de parlamentares eleitos pelo PSL e ainda não empossados tem incomodado a família Bolsonaro e antigos parlamentares. Nos últimos dias, dois filhos do presidente eleito enviaram recados diretos e indiretos para seus correligionários pelas redes sociais. Paralelamente, os correligionários tiveram um debate acalorado em um grupo de WhatsApp. No grupo de troca de mensagens, que reúne os eleitos pelo partido, Joice Hasselman (PSL-SP) criticou a articulação da legenda e discutiu com o deputado e senador eleito Major Olímpio (PSL-SP).

Posteriormente, Eduardo Bolsonaro entrou na conversa e disse que recebeu ordens do pai para conduzir articulações na Câmara apenas nos bastidores, de modo a não irritar o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que poderia acelerar a aprovação das chamadas “pautas bombas” na Casa.

Segundo Waldir, a convocação para a reunião de quarta foi feita por meio deste mesmo grupo de WhatsApp. Paralelamente, nesta sexta-feira, o deputado eleito por São Paulo Junior Bozzella afirmou que foi escolhido como líder da bancada do PSL de São Paulo e Alexandre Frota (PSL-SP) será o vice-líder. Um dos objetivos, segundo Bozzella, é fazer a interlocução de São Paulo junto à transição de governo e “ajudar de fato o Brasil e o Governo Bolsonaro”.

dez
08

Postado em 08-12-2018 00:11

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 08-12-2018 00:11


 

Tacho, no (RS)

 

A nova presidente da CDU se torna, assim, a favorita para suceder a chanceler no cargo, em 2021

 
A chanceler alemã, Angela Merkel, no espaço de congressos de Hamburgo onde se realiza o encontro da União Democrata Cristã.

 A chanceler alemã, Angela Merkel, no espaço de congressos de Hamburgo onde se realiza o encontro da União Democrata Cristã. JOHN MACDOUGALL AFP

Annegret Kramp-Karrenbauer foi escolhida como sucessora de Angela Merkel como chefe da centro-direita alemã. Em uma votação apertada, 1.001 delegados da União Democrata Cristã (CDU) optaram pela continuidade do legado centrista de Merkel contra o candidato da ruptura, Friedrich Merz, que propôs uma mudança para a direita. O voto apertado, em que a vencedora obteve 517 votos, ante 482 de seu rival, evidenciou a profunda divisão de um partido em baixa, diminuído pelo avanço da extrema direita.

A vencedora está agora na linha de frente para se tornar a próxima chanceler alemã. Kramp-Karrenbauer, também conhecida como AKK, era a candidata preferido de Merkel, que planeja continuar liderando o governo alemão até 2021. O triunfo do AKK remove o espectro de eleições antecipadas; um cenário muito mais provável se tivesse vencido Merz. A coexistência política com ele teria sido complicada, por ser um rival histórico do chanceler, que o relegou em 2002, quando ele era chefe do grupo parlamentar.

Faltando apenas algumas horas para a eleição, o resultado ainda era incerto e os barões do partido romperam o silêncio para expressar seu apoio à continuidade centrista ou pela renovação e um giro à direita . Se há algo claro é que o novo chefe da CDU terá de remendar a divisão do partido em um momento de baixa. O congresso da CDU marca o fim de uma era que começou 18 anos atrás, quando Merkel tomou as rédeas do partido no poder na Alemanha, em uma grande coalizão com os social-democratas.

No final de outubro, a chanceler Merkel anunciou que iria deixar a presidência da legenda. Ela fez isso pressionada pelo crescente descontentamento no partido pela perda de votos em eleições recentes e a ascensão dos populistas (o Alternativa para a Alemanha), que encontraram um espaço cada vez maior à direita da CDU. O anúncio de Merkel tornou este congresso de Hamburgo crucial. Dele surgiu uma vencedora que enfrentará o desafio de unir um partido dividido sobre o legado de uma chanceler em seu quarto mandato e recuperar o terreno eleitoral perdido em um contexto de instabilidade e crescente fragmentação política, também na Alemanha.

Havia três candidatos: Annegret Kramp-Karrenbauer, conhecida como AKK e miniMerkel por representar o centro e, portanto, a opção de continuidade. Em oposição a ela, Friedrich Merz, um empresário bem-sucedido, que retorna à política após ter sido defenestrado pela chanceler há 14 anos e que propõe a volta à essência de um partido que ele considera que se desviou muito em direção ao centro. E, por último, com menos possibilidades do que os dois anteriores, Jens Spahn, atual ministro da Saúde, pertencente à ala mais conservadora da CDU.

Durante duas semanas, os candidatos percorreram o país em oito conferências regionais, nas quais tentaram convencer os filiados e especialmente os mil delegados chamados a votar. As intervenções não serviram para deixar antever um claro favorito. Mas causaram alguma euforia em um partido que não realizava uma eleição semelhante fazia quase meio século. Pesquisas entre os eleitores da CDU mostravam vantagem para AKK, mas quem vota são os 1.001 delegados, e não os simpatizantes, o que aumentou a incerteza sobre o resultado.

Até meados desta semana, os pesos pesados do partido vinham evitando revelar suas preferências, mas o anúncio de Wolfgang Schäuble, o presidente do Bundestag e sumo sacerdote da política alemã, rompeu abruptamente a trégua. Schäuble deixou claro em uma entrevista que apoiava seu amigo Merz. “Seria o melhor para o país”, disse o homem, que, de acordo com a imprensa alemã, urdiu em surdina um plano para pressionar Merkel a deixar a liderança do partido.

O apoio de Schäuble a um dos candidatos não caiu bem entre os partidários de AKK e especialmente o ministro da Economia, Peter Altmaier. “Eu não tinha tornado pública minha posição por respeito aos delegados. Mas agora que Schäuble abriu as comportas, posso dizer que com Annegret Kramp-Karrenbauer temos a melhor chance de unir a CDU e vencer as eleições”, disse ele ao Rheinische Post. Outro membro proeminente, Daniel Günther, uma jovem estrela do partido, também optou por AKK. Merkel não se pronunciou abertamente, mas era um segredo de polichinelo que sua candidata é Kramp-Karrenbauer.

Seu apoio aberto poderia ser contraproducente. Nenhum candidato quer ser Merkel 2.0. Nem sua protegida AKK, ciente de que Merkel é uma política altamente valorizada dentro do partido, mas cujo legado político, especialmente sua política para os refugiados, provoca divisão. Kramp-Karrenbauer tentou nos últimos dias distanciar-se de sua mentora. E fez isso sobretudo ao endurecer sua retórica sobre a imigração, apesar de representar a ala mais centrista do partido.

KK, 56 anos, é uma eficiente política de província que demonstrou saber governar e ganhar eleições no pequeno Estado de Sarre. Kramp-Karrenbauer conhece bem os meandros do partido, do qual é secretária geral desde fevereiro. “AKK traz sua experiência e convence”, explicou Gabrielle Cocozza, uma afiliada que nesta semana participou do encerramento da campanha dos candidatos em Berlim.

Mas AKK era acima de tudo a candidata que menos polarizava e que muitos consideram capaz de promover a coexistência das diferentes sensibilidades do partido. Era a candidata da máquina partidária e dela não se esperam grandes sobressaltos. Considera-se que Merkel poderia conviver com ela em harmonia como chanceler até 2021, a data que marca o fim do seu quarto mandato.

Falta de sintonia

É quase o oposto do que acontece com Merz, 63 anos. Sua falta de sintonia com a chanceler é evidente e a previsão era que sua convivência com ela, caso fosse eleito, seria espinhosa. Portanto, a eleição de Merz implicaria, segundo muitos analistas, um possível fim da coalizão atual do Governo e a antecipação das eleições parlamentares.

Merz se declara fervorosamente europeu — entre 1989 e 1994 foi eurodeputado de uma UE hoje irreconhecível — e até agora tem sido presidente de vários conselhos, incluindo o do Black Rock na Alemanha, o grande fundo de investimentos dos EUA. Durante a campanha defendeu uma grande reforma tributária e tentou apelar ao cidadão médio, temeroso das dificuldades de integração de um milhão e meio de refugiados que chegaram desde 2015. Mas também se mostrou contraditório, no ritmo das pesquisas de opinião. Se um dia questionava o direito constitucional de asilo, no dia seguinte afirmava que não se pode virar as costas para as pessoas de zonas de guerra.

Mas Merz é um homem muito autoconfiante, que convenceu no corpo a corpo das conferências regionais. “Ele tem ideias claras e sabe aonde quer ir”, avalia Björn Bartnik, consultor financeiro e filiado ao partido em Mainz. Bartnik valoriza o fato de Merz ter passado anos no setor privado, longe da política, porque “isso é muito valioso e uma clara vantagem”. E quer acima de tudo que a CDU reconquiste o terreno perdido para a AfD. Ele acha que Merz é a pessoa certa para isso.

Nos atos de campanha foi ele quem recebe os grandes aplausos, quem criou uma certa magia quando fala numa sala. Spahn, também, mas seu modo e um pouco menos. Ele se movimenta com agilidade de microfone na mão e seu discurso é envolvente, tem presença

Quanto à política externa, pouco se sabe dos três candidatos. Christian Ehler, de 55 anos, é eurodeputado por Brandenburgo e um dos 1.001 chamados a votar. Ehler salientou antes da votação que “nenhum dos candidatos é eurocético e argumenta que “a política europeia não vai mudar com nenhum deles. Os três significam continuidade”, observou, em meio a uma das conferências regionais.

Spahn, o mais novo dos três — tem 38 anos — partia com muito menos chances que seus rivais. O atual ministro da Saúde era o candidato mais conservador e o único que se atreveu a imitar a extrema direira e situar os refugiados no centro de seu discurso, questionando até mesmo o pacto da ONU para a imigração. É também, ao contrário de AKK, defensor do casamento gay. Ele mesmo se casou com seu parceiro logo após a aprovação da união de casais do mesmo sexo na Alemanha no ano passado.

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