jun
16

Postado em 16-06-2019 02:05

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 16-06-2019 02:05

Cineasta e cenógrafo, apaixonado por ópera e indicado ao Oscar por ‘Romeu & Julieta’, faleceu em Roma aos 96 anos

Franco Zeffirelli
Franco Zeffirelli, em 1972. Getty Images
Madri

Com a morte de Franco Zeffirelli, cujo nome real era Gianfranco Corsi, no sábado aos 96 anos em sua casa em Roma, desaparece uma concepção de cinema muito próxima à operística. Atualmente, muitos diretores também consideram os filmes como ferramentas para levantar grandes espetáculos, mas a linha de Zeffirelli, herdada de um gênio que também foi seu amante, Luchino Visconti, desaparece com ele. Visconti criou um cinema mais apegado à terra e aos sentimentos que o de Zeffirelli, cuja obra se manteve aferrada a um classicismo na forma e nos temas e autores que o inspiraram. Apesar disso, a carreira do cineasta se prolongou durante seis décadas através do cinema, do teatro e da ópera. Com indubitável sucesso, especialmente nos anos sessenta e setenta: é um dos oito diretores italianos que foram indicados ao Oscar. Zeffirelli “se apagou serenamente após uma longa doença”, disseram alguns veículos de comunicação italianos citando fontes próximas ao cineasta.

Nascido em Florença em 1923, Gianfranco Corsi era o filho ilegítimo de um comerciante de lãs, Ottorino Corsiuna, e uma estilista, Adelaide Garosi Cipriani, que tinha um próspero negócio no centro da cidade. Os dois eram casados com outras pessoas, e o escândalo do nascimento de Gianfranco prejudicou a loja de sua mãe, que faleceu quando seu filho tinha seis anos. Garosi era apaixonada por Mozart, e quis dar ao menino o nome da aria de Idomeneo chamada Zeffiretti lusinghieri, mas se enganaram no registro civil e escreveram Zeffirelli.

Criado na casa de uma tia, onde aprendeu inglês, sua paixão pelo teatro começou durante sua infância, quando ao passar férias na Toscana viu obras representadas por companhias itinerantes. Durante a Segunda Guerra Mundial, Zeffirelli fez parte da guerrilha da resistência italiana, e após a entrada das tropas aliadas em seu país, trabalhou como tradutor para um regimento escocês.

Com o final do conflito, o artista estudou Arte e Arquitetura em sua cidade natal e começou a atuar em produções radiofônicas. Chegou ao cinema como ajudante de direção de Vittorio de Sica, Roberto Rossellini e do homem que mudou sua vida, Luchino Visconti. Eles se conheceram em Roma, quando Zeffirelli atuou em um pequeno papel de uma adaptação teatral de Crime e Castigo dirigida por Visconti. Em 1948 se transformou em seu assistente de direção em A Terra Treme. Também trabalhou com Visconti em Sedução da Carne (1954), e Zeffirelli ajudou Salvador Dalí a colocar a salvo os desenhos que o pintor espanhol realizou para a versão destinada aos palcos italianos dirigida por Visconti de As You Like It, de Shakespeare.

Em meados dos anos cinquenta nasceu sua amizade com Maria Callas, a quem dirigiu em várias óperas – Zeffirelli costumava se encarregar também da cenografia –, de modo que após estrear na direção cinematográfica com a comédia Camping (1958), seu segundo longa-metragem foi o documentário para televisão Maria Callas: Live at Covent Garden (1964).

Em 1960, após dirigir com sucesso a ópera Lucia di Lammermoor, na Royal Opera House de Londres, provocou um terremoto nos palcos londrinos com sua versão no Old Vic de Romeu & Julieta, com cenários que recriavam a Itália de forma realista e com um jovem elenco de acordo com as idades das personagens do drama de Shakespeare, começando pelos protagonistas, John Stride e Judi Dench. Com esse trabalho ganhou um Tony especial pela cenografia.

Manteve a mesma aposta ao levar Romeu & Julieta ao cinema em 1968. O casal protagonista, Leonard Whiting e Olivia Hussey, era tão jovem que, como na tela apareciam os seios de Hussey, a atriz não pôde assistir a première do filme em Londres porque a classificação de idade recebida por Romeu & Julieta não a deixava entrar na sala. Ainda que um ano antes Zeffirelli havia dirigido Richard Burton e Elizabeth Taylor em A Megera Domada (sua versão da obra), foi Romeu & Julieta o filme que lhe deu fama, uma indicação ao Oscar e o transformou em milionário.

Muitos de seus filmes não suportaram bem o passar do tempo; somente alguns, como sua biografia de São Francisco de Assis, Irmão sol, irmã lua, de 1972, mantêm sua frescura e inovação. Entre seus trabalhos baseados em óperas se destacam La Traviata (1982) – com a qual obteve sua segunda indicação ao Oscar, dessa vez graças à sua direção artística –, Cavalleria Rusticana (1982), Tosca (1985), Otello (1986) e Don Carlo (1992).

Nos anos setenta conseguiu encadear três de seus grandes sucessos. Primeiro, em 1976, dirigiu Plácido Domingo em um espetacular Otello no La Scala; depois filmou uma desmistificadora e realista visão – tanto para cinema como para televisão – da vida de Jesus Cristo em Jesus de Nazaré (1977), e por fim dirigiu uma nova versão do drama de pugilismo O Campeão (1979), com Jon Voight, Faye Dunaway e Rick Schroder.

Entre seus filmes estão O Jovem Toscanini (1988) – biografia do mítico diretor de orquestra, idolatrado por Zeffirelli (o cineasta era neto de outro diretor de orquestra) –; Hamlet (1990), com Mel Gibson e Glenn Close; Sparrow (1993), Jane Eyre – Encontro com o Amor (1996), com William Hurt e Charlotte Gainsbourg, e Chá com Mussolini (1999), em que ele, sem basear-se em fatos reais, ilustrou o ambiente em que se criou o diretor. Como homenagem a sua amiga Maria Callas, seu último filme foi uma biografia sobre os últimos anos da diva: Callas Forever (2002).

Católico e conservador – foi senador de 1994 a 2001 pelo partido de Silvio Berlusconi, Força Itália –, Zeffirelli detestava a palavra gay (“Uma forma estúpida de chamar os homossexuais, como se fossem palhacinhos inócuos e divertidos”, escreveu em sua autobiografia de 2003). Em suas memórias disparou contra muita gente, como os críticos: “A ignorância, a incompetência e, principalmente, a falta de paixão de muitos críticos são evidentes. Para alguns deles sou uma relíquia do passado, o representante de um estilo teatral abandonado pelas novas gerações de diretores. O fato de que meu trabalho continua sobrevivendo impávido, apesar de sua hostilidade, os irrita profundamente”.

jun
16

Postado em 16-06-2019 02:01

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 16-06-2019 02:01

Do Jornal do Brasil

 

 

Declaração ocorre após Bolsonaro elogiar ex-juiz no combate à corrupção, deixando dúvidas sobre confiança no ministro da Justiça

 

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, neste sábado, que só confia 100% em seu pai e sua mãe, ao comentar a situação do ministro da Justiça , Sergio Moro, que teve diálogos com a força-tarefa da Lava-Jato divulgados esta semana pela agência de notícias The Intercept Brasil.

Bolsonaro completou, porém, que na sua avaliação a credibilidade de Moro não foi abalada. Bolsonaro insinuou que as conversas podem ter sido “forjadas”.

“O Moro foi responsável, não por botar um ponto final, mas por buscar uma inflexão na questão da corrupção e mais importante: livrou o Brasil de mergulhar em uma situação semelhante à da Venezuela”, afirmou o presidente nesta sexta-feira (15).

Confiança

Questionado se confia no ministro, ele disse que sim, mas que confiar 100%, “só em pai e mãe”. “Eu não sei das particularidades da vida do Moro. Eu não frequento a casa dele. Ele não frequenta a minha casa por questão até de local onde moram nossas famílias. Mas mesmo assim, meu pai dizia para mim: confie 100% só em mim e na mãe”, disse.

Bolsonaro afirmou ainda que muita gente se surpreendeu com a demissão do general Santos Cruz de seu governo nesta semana. “Isso pode acontecer. Muitas vezes, você se surpreende com a separação de um casal: ‘Mas viviam tão bem!’. Mas a gente nunca sabe qual a razão daquilo. E é bom não saber. Que cada um seja feliz da sua maneira”.

 

jun
16

Postado em 16-06-2019 01:58

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 16-06-2019 01:58

Do Jornal do Brasil

 

BRASILIA (Reuters) – Supostas mensagens pessoais vazadas publicadas na sexta-feira à noite pelo site Intercept Brasil mostram que o então juiz Sergio Moro teria orientado promotores a influenciar a opinião pública no processo que levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à prisão.

O Intercept Brasil postou o que teriam sido as conversas entre Moro, hoje ministro da Justiça e Segurança Pública, e promotores, sugerindo que eles fizessem uma declaração pública explicando contradições no depoimento de Lula para minar sua reivindicação de ser vítima de perseguição política.

O diálogo teria ocorrido após o depoimento de 10 de maio de 2017 de Lula contra acusações de que ele recebeu um apartamento no Guarujá (SP) como propina. Lula deixou o tribunal dizendo a apoiadores que estava sendo “massacrado” e que se preparava para concorrer à Presidência novamente.

Moro questionou neste sábado a autenticidade das mensagens e disse que não comentaria textos obtidos por hackers.

“Reitera-se a necessidade de que o suposto material, obtido de maneira criminosa, seja apresentado a autoridade independente para que sua integridade seja certificada”, disse ele em comunicado.

Os textos copiados do aplicativo Telegram parecem mostrar Moro sugerindo aos promotores que montassem uma campanha pública contra Lula, e o Intercept Brasil afirma que o diálogo levanta dúvidas sobre a imparcialidade de Moro no julgamento que levou a uma sentença de 12 anos de prisão para Lula.

“Talvez vcs (sic) devessem amanhã editar uma nota esclarecendo as contradições do depoimento com o resto das provas ou com o depoimento anterior dele”, escreveu Moro ao promotor Carlos dos Santos Lima sobre a investigação, segundo a transcrição mostrada pelo Intercept Brasil.

Advogados de Lula há muito argumentam que Moro é um juiz com motivação política, que queria prender seu cliente para impedi-lo de concorrer à presidência em 2018, quando pesquisas o mostravam liderando a disputa, mesmo após ele ter sido preso.

Em entrevista publicada na sexta-feira, Moro disse ao jornal Estado de S.Paulo que não teme que a condenação à corrupção contra Lula seja anulada, o que especialistas jurídicos, incluindo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), disseram que poderia acontecer.

O Intercept Brasil publicou reportagens baseadas no que disse ser um “enorme tesouro” de supostas mensagens recebidas de fonte anônima contendo trocas entre promotores, Moro e outros envolvidos na investigação e julgamento da operação Lava Jato.

Considerada a maior investigação de corrupção do mundo, ela revelou bilhões de dólares em propinas pagas em esquemas envolvendo principalmente contratos com estatais. Ela derrubou políticos e empresários no Brasil e na América Latina.

Moro disse ao jornal entender que não havia nada ilegal em suas conversas com os promotores e insistiu que o caso de Lula “foi um caso decidido com absoluta imparcialidade com base nas provas, sem qualquer espécie de direcionamento”.

Moro foi nomeado ministro pelo presidente Jair Bolsonaro, que ganhou a Presidência depois que Lula ter sido impedido de concorrer por causa de sua condenação.

(Reportagem de Anthony Boadle)

jun
16

Postado em 16-06-2019 01:55

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 16-06-2019 01:55



 

Paixão, NA

 

 

Por G1 — Brasília

O diretor de Mercado de Capitais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Marcos Barbosa Pinto, enviou neste sábado (15) uma carta de renúncia ao presidente da instituição, Joaquim Levy.

Na carta, Marcos Pinto afirmou que decidiu deixar o cargo em razão do “descontentamento manifestado” pelo presidente Jair Bolsonaro.

Neste sábado (15), Bolsonaro afirmou que Levy estava com a “cabeça a prêmio” e que, se não demitisse o diretor, ele seria demitido.

“Escrevo para apresentar minha renúncia ao cargo de diretor do BNDES. É com pesar que entrego essa carta, logo após ter tomado posse, mas não quero continuar no cargo diante do descontentamento manifestado pelo presidente da República com minha nomeação”, escreveu Marcos Pinto.

“Tenho muito orgulho da carreira que construí ao longo dos anos, seja na academia, no governo ou no mercado financeiro. Dada minha experiência, achei que poderia contribuir para implementar as reformas econômicas de que o país precisa”, acrescentou.

Segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente Bolsonaro ficou “angustiado” porque Levy optou por “nomes ligados ao PT” para cargos no banco.

De acordo com o jornal “Valor Econômico“, Marcos Pinto é mestre em direito pela Universidade de Yale (EUA) e doutor pela Universidade de São Paulo (USP).

Marcos Pinto foi chefe de gabinete de Demian Fiocca na presidência do BNDES (2006-2007). Fiocca era considerado, no governo federal, um homem de confiança de Guido Mantega, ministro da Fazenda nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Marcos Pinto é também ex-diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Resultado de imagem para Moro e Dallagnol hackers Intercept
Moro tem conversas com Dallagnol invadidas por hackers…
Imagem relacionada
Moro com Bolsonaro em Brasília:aplausos da torcida no Mané Garrincha.

ARTIGO DA SEMANA

 

Moro e Dallagnol x Hackers: vozes de Eliana, Heleno e do Mané Garrincha

Vitor Hugo Soares

No meio da saraivada de críticas disparadas sobre as cabeças do ministro da Justiça, Sérgio Moro, e do procurador federal Deltan Dallagnol, dentro e fora do País – desde a noite de domingo, quando explodiu o “informe de imprensa” do site Intercept com foco na Lava Jato – foi possível perceber: estava aceso o estopim de escândalo político, jurídico e de comunicação que se pretendia (alguns ainda pensam assim) com a força das tempestades da natureza que recentemente devastaram Moçambique e outras áreas africanas já semi-destruídas e levadas à miséria por governantes perversos com seu povo e, e m geral, “corruptos por completo ”, para usar a expressão de sábios sertanejos nordestinos, e atualmente em voga em Brasília.
 
Verifica-se neste final de outra esquentada semana junina: os furacões perderam força. Pelo andar da carruagem e dos signos do poder – no Palácio do Planalto, no STF e no Congresso,  mas também nas imagens do barco singrando as águas do Lago Paranoá, antes da medalha de honra afixada pelo presidente no peito de Moro, a nota do general Augusto Heleno, os aplausos no Mané Garrincha e as pesquisas – , tudo indica que a Nação atravessará, sem maiores abalos, a zona de turbulência de outro temporal político. Com mais raios e trovões do que inundações capazes de causar grandes perdas e danos. A conferir.

Meio indiferente às predições de cassandras, que pipocam de todo lado, mas sem querer passar por otimista ou ingênuo de carteirinha, prefiro dar ouvidos a vozes que escuto há mais tempo, conheço mais de perto e confio mais, neste e em outros episódios suspeitos, confusos e dramáticos, da vida nacional. Uma delas, a da ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Eliana Calmon. Capaz, digna e corajosa contemporânea dos bancos acadêmicos desde os anos históricos em que este rodado profissional cursava, ao mesmo tempo, as faculdades de Direito e de Jornalismo da UFBA.

Eliana postou mensagem “Aos Amigos” na sua rede social, manchete política da Tribuna da Bahia, na edição de quarta-feira, 12. A ex-corregedora nacional do STJ espalha luz no quase caos dos primeiros momentos do escândalo, que na definição do argentino El Clarin, “colocou na mira a Lava Jato, maior investigação da história sobre a corrupção no Brasil”, depois que hackers invadiram celulares e grampearam conversas privadas de Moro e Delagnol, através do aplicativo Telegram. E de muita gente mais, incluindo jornalistas e políticos.

A jurista da Bahia recomenda calma e firmeza nesta hora, e chama de “armadilhas” as denúncias publicadas pelo site “The Intercept Brasil”. Compara o atual quadro brasileiro, dos diálogos hackeados, com a técnica usada na Operação Mãos Limpas, na Itália, para desmoralizar os investigadores, depois de uma grande limpeza. “Nada há de suspeito ou ilegal nos diálogos haqueados criminosamente. Temos de ter calma e firmeza, para vencer as armadilhas preparadas pelos que estão em  desespero ao perderem o poder e estão sendo descobertos pela Justiça séria que comanda a Lava Jato. Não podemos cometer o erro dos italianos, alerta Eliana Calmon.

E cita, com refinada ironia, a frase genial de Millôr Fernandes, que ela afirma ter visto  e anotou no meio do escândalo para atingir Moro, Dallagnol e a Lava Jato: “No Brasil, a culpa não é do rato, é do queijo”. Ponto!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blo

“Corcovado”, Elis Regina e Hermeto Pascoal, ao vivo, em Montreux 1979. Performance histórica, grandiosa e inesquecível, promovida por Andre Midani, a perda irreparável desta quinta-feira, 14 de junho, na música brasileira.

R.I.P.

(Vitor Hugo Soares)

 

vI

jun
15

Postado em 15-06-2019 00:24

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 15-06-2019 00:24

“Eles [parlamentares] mostraram que não há compromisso com as novas gerações”, disse o ministro

FolhaPress NICOLA PAMPLONA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta sexta (14) que a proposta de reforma da Previdência apresentada pelo relator Samuel Moreira (PSDB-SP) cede a privilégios e aborta a proposta de capitalização, gerando necessidade de nova reforma no futuro. 

“Eles [parlamentares] mostraram que não há compromisso com as novas gerações. O compromisso com os servidores públicos do Legislativo foi maior do que o com as novas gerações”, criticou Guedes, em entrevista após deixar evento no Rio.

Macaque in the trees
Ministro da Economia, Paulo Guedes (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O relatório apresentado nesta quinta (13) por Moreira manteve pilares considerados importantes pelo governo, como a idade mínima, mas mudou as regras de transição para funcionários públicos e retirou estados e municípios do debate.

“Eu acho que houve um recuo que pode abortar a nova Previdência. As pressões corporativas de servidores do legislativo forçaram o relator a abrir mão de R$ 30 bilhões para os servidores do legislativo que já são favorecidos no sistema normal”, disse Guedes.

O ministro da Economia defende que a economia de R$ 1,2 trilhão em dez anos era fundamental para instituir o modelo de capitalização na Previdência dos brasileiros que ainda não entraram no mercado de trabalho. 

Nesta sexta, ele disse que esperava que o Congresso alterasse sua proposta para mudanças no BPC (o benefício para idosos) e na aposentadoria rural, o que garantiria economia de R$ 1 trilhão, mas não previa o recuo na regra de transição. 

“Recuaram na regra de transição e, como ia ficar feio recuar só para os servidores, estenderam também para o regime geral e isso custou R$ 100 bilhões”, afirmou, calculando a economia da nova proposta em R$ 860 bilhões, contra os R$ 913 bilhões divulgados pelo relator.

“Não são mais de 900. Aí estão colocando imposto sobre banco e isso é política tributária. Estão buscando dinheiro de PIS/PASEP, mexendo nos fundos. Estão botando a mão no dinheiro do bolso dos outros”, disse o ministro. 

Com esse número, diz Guedes, o país precisará de nova reforma no futuro. 

“Para o governo Bolsonaro, está resolvido. Levantou os R$ 860 bilhões, está tudo resolvido. Mas aí, daqui a cinco ou seis anos, tem outra reforma.”

O ministro disse que, com a proposta atual, não faria diferença incluir a capitalização no texto final, já que a economia não é suficiente para permitir a migração para o novo regime.

“Isso significa que continuam com a velha Previdência. Se sair só esse corte que o relator acenou, o que ele está dizendo é: ‘abortamos a nova Previdência e gostamos mesmo da velha Previdência e cedemos ao lobby dos servidores públicos que eram justamente os privilegiados.'”

jun
15

Bolsonaro vê ‘circo armado’

 

Jair Bolsonaro disse haver um “circo armado” quando informou aos jornalistas que vai recorrer da absolvição de seu esfaqueador, Adélio Bispo de Oliveira.

“O circo armado [é] que, a partir deste momento, se não houver recurso e [o processo] for transitado em julgado, se caso o Adélio queira falar quem pagou a ele para tentar me assassinar, não tem mais valor jurídico, ele é maluco”, declarou o presidente, conforme o relato do G1.

“Agora, se fosse o contrário, o que estariam pensando a meu respeito? Então, a gente sabe que o circo é armado. Tentaram me assassinar, sim. Eu tenho a convicção de quem foi, mas não posso falar, não quero fazer o prejulgamento de ninguém”, acrescentou.

jun
15

Deputado disse que blindará a Câmara de toda confusão que venha do Planalto

 ANAÏS FERNANDES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em resposta a Paulo Guedes, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta sexta-feira (14) que o ministro da Economia é injusto em suas críticas ao relatório da reforma da Previdência apresentado na véspera e que o governo se tornou uma “usina de crises”.

“Nós blindamos a reforma da Previdência de crises que são, muitas vezes, geradas quase todos os dias pelo governo. Cada dia um ministério gerando uma crise. Hoje, infelizmente, é o meu amigo Paulo Guedes, gerando uma crise desnecessária”, afirmou Maia a jornalistas.

Macaque in the trees
Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O presidente da Câmara disse que, sozinho, o governo teria 50 votos a favor da reforma, “e não a possibilidade de 350 que nós temos”.

“Acho que o ministro Paulo Guedes não está sendo justo com o Parlamento que tem comandado sozinho a articulação para aprovação da Previdência”, afirmou.

Maia disse que o Congresso se tornou “o bombeiro” de crises no país e que a tramitação da reforma pode inaugura “um novo momento em que o governo tem menos responsabilidade com o comando da aprovação das matérias e o Parlamento passa a assumir essa responsabilidade”.

“Nós blindamos o Parlamento. A usina de crise bate e volta. Fiquem lá no Executivo, no ministério da Fazenda, da Educação criadores de crise”, afirmou.

Maia elogiou “o trabalho brilhante” do relator Samuel Moreira (PSDB). “Na democracia, nossas vitórias não são absolutas, isso que o ministro Paulo Guedes talvez não saiba.”

Maia disse que o Parlamento vai continuar atuando com “responsabilidade, equilíbrio e paciência”.

“Não vamos entrar nessa polêmica, nessa falsa crise. É triste ver o ministro fazendo isso. Deixa o governo criando crise”, disse.

Apesar disso, Maia negou que se sinta traído pelo ministro da Economia, mas disse que “infelizmente, Paulo Guedes passa a ser um ator dessas crises.”

O deputado disse que a Câmara vai aprovar a reforma da Previdência “apesar do governo” e com uma garantia de economia na casa de R$ 900 bilhões em dez anos. O projeto original previa R$ 1,2 trilhão.

“Eu acho que ele [Guedes] está errado [ao criticar a desidratação do projeto]. A economia de R$ 900 bilhões é muito próxima de R$ 1 trilhão. Acho que ele foi injusto com o Parlamento. Pedi que os líderes não falassem antes de mim, falo em nome da Casa, inclusive de quem é contrário à reforma da Previdência”, disse Maia.

Em relação às críticas de Guedes a regras para servidores no relatório, Maia afirmou que “gostaria muito que o ministro Paulo Guedes explicasse a transição que ele assinou para as Forças Armadas”.

“[O pedágio] é de 17% do tempo que falta [para se aposentar pels regra atual, na reforma dos militares]. Na nossa proposta é 100%. Quem fez uma transição que beneficiou as corporações foi o ministro Paulo Guedes e o presidente da República”, afirmou.

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