“Something Big”, Burt Bacharach: Um maestro soberano, como foi Tom, para aplaudir, hoje e sempre, com o Coração, em todos os idiomas!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

ago
08

DO EL PAÍS

Em homenagem aos 40 anos de morte do poeta, a atriz e cantora Mariana de Moraes resgata em curso as histórias por trás das canções e poemas do avô, que fez o Brasil grande mundo afora

O poeta Vinicius de Moraes.
O poeta Vinicius de Moraes.Archivo personal
Joana Oliveira
São Paulo

Vinicius de Moraes (1913-1980) sempre escreveu canções, desde muito jovem, mas o fazia às escondidas. Para um jovem poeta cultuado na Academia, pegava mal ser compositor. “Era como se ele tivesse duas personalidades que se ocultavam mutuamente, uma não contava que existia para a outra”, comenta a atriz e cantora Mariana de Moraes, de 50 anos, neta do Poetinha que cantou como ninguém o amor e a saudade. A primeira composição foi feita aos 15 anos, em 1928, mas Loura ou morena só foi musicada em 1932, por Haroldo Tapajós. Agora, em homenagem aos 40 anos de sua morte, Mariana resgata as histórias por trás dessa e de outras letras e poemas do avô em um curso online de quatro aulas. Em 25 de janeiro, aniversário da cidade de São Paulo, ela iniciou as homenagens com um show cantando o repertório de Vinicius, que pretendia transformar em álbum ainda neste ano. Mas a pandemia do novo coronavírus atrasou os planos.

  • Elis Regina e Adoniran Barbosa em cena de um documentário de 1978.

Ao longo de quase 30 anos de carreira, Mariana, que é filha do fotógrafo Pedro de Moraes e da atriz Vera Barreto Leite, participou de diversos projetos mundo afora sobre Vinicius e, ainda que até este ano não tivesse gravado as músicas do avô, sempre debruçou-se sobre a obra dele. “Não por ser neta, mas por ser uma fiel seguidora do João Gilberto, que foi o primeiro e grande intérprete do Vinicius”, diz ela. Atriz de formação —e discípula do Teatro Oficina de Zé Celso—, Mariana sempre mistura poesia, histórias e música em seus shows. A oportunidade de preparar um curso sobre o avô, que começa no dia 10 de agosto, deu-lhe a ideia de levar suas histórias aos palcos, quando a quarentena acabar. “Quero contar as histórias dele, a história das músicas dele e dos valores éticos que ele passou para a família, sobre como viver a vida”.

Uma dessas histórias é sobre como o jovem poeta consagrado, que recebeu uma bolsa de estudos para a Universidade de Oxford, conheceu aquele com quem construiria quiçá a maior parceria do cancioneiro brasileiro: Tom Jobim. Vinicius escreveu a peça O Orfeu da Conceição e moveu mundos e fundos —pedindo empréstimos a amigos e endividando-se— com o sonho de encená-la no Teatro Municipal. Enquanto buscava um compositor para o musical, conheceu Tom Jobim. E o sonho deu certo. A peça foi apresentada durante três noites e entrou para a história como a primeira vez em que 36 negros apresentaram-se no panteão das artes cênicas brasileiras. O Orfeu da Conceição viria a se tornar o filme Orfeu Negro (ou Orfeu do Carnaval), de 1959, dirigido pelo francês Marcel Camus, que ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e a Palma de Ouro em Cannes.

“Em alguns de seus textos, Vinicius revela o desenvolvimento dessa ideia de transpor o mito grego de Orfeu para a favela carioca e de ele não ser um herói helênico que toca lira, mas um negro que toca violão”, conta Mariana, que destaca a admiração de Vinicius por toda a cultura africana e afrobrasileira. Não à toa, uma das aulas do seu curso será dedicada aos afro-sambas que Vinicius compôs com o amigo Baden Powell. “Uma das grandes bandeiras na vida de Vinicius era mostrar que a arte popular não é menor que a arte erudita ou acadêmica e ousar unir ambas. A trajetória dele mostra como essa poesia erudita se infiltrou no artista popular e fez com que a música no Brasil ganhasse uma dimensão que nunca tinha tido”, diz Mariana.

Dessa fusão surgiu a bossa nova e sua santíssima trindade: Vinicius, Tom e João Gilberto. “Essas e outras amizades são um capítulo muito importante da vida dele. Todo mundo fala das nove mulheres que ele teve, mas, na verdade, o que ele mais cultivou foram amigos, de todas as áreas”, afirma a neta. De Pablo Neruda a Carybé, Manuel Bandeira, Rubem Braga, o mestre Pixinguinha, até Carmen Miranda e o cineasta Orson Welles, quem conheceu em Los Angeles, o primeiro posto de Vinicius de Moraes como adido cultural do Itamaraty.

Foi precisamente depois de ele deixar a carreira de diplomata, que exerceu entre 1943 a 1963, que Mariana conviveu mais tempo com o avô, que morreu quando ela tinha 11 anos, no dia 9 de julho de 1980. “Quatro anos antes disso, fui viver o exílio na França com meus pais. Foi justamente nesse período que ele foi demitido do Itamaraty pela ditadura militar e ficou livre para ser um artista de palco. É sua fase popstar”, lembra ela, referindo-se aos shows que Vinicius passou a fazer no exterior. “Ele sempre me levava aos shows que fazia em Paris e, pelo menos três vezes no ano, era a única pessoa da família que eu encontrava. A lembrança que eu tenho é de um avô muito amoroso”.

 
O poeta Vinicius de Moraes e sua neta, Mariana de Moraes.
O poeta Vinicius de Moraes e sua neta, Mariana de Moraes.Arquivo pessoal

Mariana, que cantava com afinação desde pequena, era um dos xodós do poeta. “Ele tinha o maior orgulho de mim porque eu cantava e era uma criança afinada que sabia todas as músicas do João Gilberto”, ri ela, que lembra com carinho de quando Vinicius lhe presenteou com um gravador para que ela treinasse como cantora. Mariana fala com igual carinho da tia, Susana de Moraes, primogênita de Vinicius. “Ela fez por mim o que ele teria feito, foi uma grande amiga e conselheira”. Foi a tia quem aconselhou Mariana a não cantar o repertório do avô enquanto não tivesse uma carreira consolidada. “Ela dizia que primeiro eu tinha que me colocar no mundo e ser reconhecida pela minha própria voz”, diz Mariana sobre a tia, para quem Vinicius compôs Valsa de Eurídice, para celebrar seus 15 anos, muito antes de lançar-se oficialmente como compositor.

Vinicius atemporal

Mariana ressalta que a figura de Vinicius de Moraes, assim como sua obra, é atemporal, apesar de, segundo ela, “estar fora de moda” atualmente no Brasil. “Os artistas do país estamos abandonados. A música popular brasileira está abandonada no Brasil. É uma tristeza, porque o que a música popular deu para o Brasil, como o futebol no esporte, foi uma identidade. Desde o Cartola ao [Heitor] Villa-Lobos.”, lamenta ela, que critica a falta de política cultural do Governo de Jair Bolsonaro.

A artista acredita que, se estivesse vivo hoje, o avô se posicionaria, “com seu pragmatismo amoroso”, contra essa realidade. “Ele foi importante para a carreira de praticamente todo mundo que faz música popular brasileira hoje. Tenho certeza que, se estivesse aqui, estaria usando de seu privilégio para colocar-se politicamente contra o atual panorama sociopolítico do país, de fascismo, racismo, ignorância”, diz e logo acrescenta, saudosa: “Como eu gostaria de ter tomado um porre com meu avô!”.

Mas, mesmo em meio à realidade menos romântica que as canções do Poetinha, é também nas memórias do avô que Mariana encontra paralelos e lampejos de esperança. “Achei outro dia um texto dele sobre a Segunda Guerra Mundial, em que ele fala da dor daquele momento e chega a usar a palavra quarentena ao referir-se à situação dos familiares dos soldados que foram para a Guerra. Foi um momento difícil, mas que passou”. Como escreveu em Chega de saudade, Vinicius de Moraes faz lembrar que o amor prevalece e que “a distância não existe”

ago
08

Postado em 08-08-2020 00:22

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 08-08-2020 00:22

O caso Wajngarten e o PL de armas na Câmara

 

Os bolsonaristas na Câmara esperam que o caso de Fábio Wajngarten –que reagiu a um assalto e, armado, rendeu um assaltante– faça o Congresso retomar as discussões sobre a posse e o porte de armas.

Como mostramos, a liderança do governo tenta avançar com um projeto de lei do Executivo sobre o tema.

O texto amplia para diversas categorias o acesso a armas e munições, como integrantes das carreiras de auditoria da Receita Federal, agentes de trânsito, advogados públicos federais e oficiais de justiça e do Ministério Público.

O projeto foi ressuscitado na semana passada, após o Planalto definir pautas de costumes como prioritárias. O líder Vitor Hugo, inclusive, conseguiu as assinaturas necessárias para pedir urgência para a proposta.

O aceno de Jair Bolsonaro aos apoiadores, no entanto, tem sofrido resistência da oposição. Em reunião de líderes na quarta (5), houve discussão entre Vitor Hugo, que cobrava a votação da matéria, e Alessandro Molon, líder do PSB, que defende que o texto não vá à frente.

A resistência também parte de Rodrigo Maia, que tem dito a parlamentares que o projeto sobre armas não é prioridade em meio à pandemia.

ago
08

Postado em 08-08-2020 00:19

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 08-08-2020 00:19

DO CORREIO BRAZILIENSE

Obtido pela revista Crusué, quebra de sigilo bancário mostra que valor é superior ao que o presidente havia informado. Na época, Queiroz era assessor de Flávio Bolsonaro

ST
Sarah Teófilo
 

 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

A quebra de sigilo bancário de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) na época em que ele era deputado estadual no Rio de Janeiro, mostra que o então assessor fez depósitos que chegaram a R$ 72 mil na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro. As informações obtidas pela revista Crusué, que teve acesso às transações de Queiroz.

O valor é superior ao que havia dito o presidente Jair Bolsonaro. A investigação já havia revelado depósitos que chegaram a R$ 24 mil na conta da primeira-dama. Ao justificar caso no entanto, Bolsonaro afirmou que Queiroz havia depositado, na verdade, R$ 40 mil na conta de sua esposa como pagamento de um empréstimo feito pelo presidente da República, na época deputado federal. Os pagamentos teriam sido feitos em dez cheques de R$ 4 mil, segundo Bolsonaro.

Segundo a revista Crusué, ao menos 21 cheques foram depositados na conta da primeira-dama entre 2011 e 2018. Informações da Folha de S. Paulo apontam, ainda, que a esposa de Queiroz, Márcia Aguiar, chegou a depositar também quatro cheques na conta de Michelle no valor total de R$ 11 mil, em 2011.

A apuração, realizada pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ) é relativa ao esquema de desvio de salários de servidores da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), chamado de ‘rachadinhas’. Além de Queiroz, o senador Flávio Bolsonaro também é investigado. Ele conseguiu recentemente o foro especial no caso, que saiu da 27ª Vara Criminal do Rio e subiu ao Órgão Especial. Agora, o parlamentar tenta fazer com que o caso deixa ser investigado pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaecc).

Tanto Márcia quanto Queiroz tiveram prisão preventiva decretada em junho. Márcia ficou foragida até a defesa conseguir a prisão domiciliar para ambos, garantia pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio de Noronha. 

A investigação teve início com um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), em 2018, que identificou movimentação de R$ 1,2 milhão na conta de Queiroz. O MP passou a investigar o esquema de rachadinhas na Alerj envolvendo Queiroz e Flávio.

ago
08

Postado em 08-08-2020 00:17

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 08-08-2020 00:17


 

Duke, NO JORNAL

 

ago
08

Postado em 08-08-2020 00:15

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 08-08-2020 00:15

DO CORREIO BRAZILIENSE

Internada com covid-19, Maria Aparecida Firmo Ferreira, 81 anos, deixou a UTI do Hospital de Santa Maria nesta quinta-feira (6/8). Ela foi transferida para o Hospital Regional de Ceilândia

TS
Tainá Seixas
 

Maria Aparecida foi socorrida pelos vizinhos, no Sol Nascente antes de ser internada, em julho - (foto: TVBrasilia)

Maria Aparecida foi socorrida pelos vizinhos, no Sol Nascente antes de ser internada, em julho – (foto: TVBrasilia)

A avó da primeira-dama Michelle Bolsonaro, Maria Aparecida Firmo Ferreira deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Santa Maria na quinta-feira (6/8). No início da tarde desta sexta-feira (7/8), ela foi transferida para o Hospital de Ceilândia, onde está sendo atendida em um leito de enfermaria.

Ela está internada devido à covid-19 desde 1° de julho. Inicialmente admitida no Hospital de Ceilândia, teve piora do quadro e precisou ser encaminhada à UTI, quando foi transferida para o Hospital de Santa Maria.

Durante sua estadia no hospital, esteve em estado de saúde grave e precisou ser intubada duas vezes, após apresentar melhora seguida de agravamento do quadro clínico. Na segunda-feira (3/8), ela voltou a respirar apenas com auxílio de máscara nebulizante.

Bahia em Pauta » Blog Archive » Joaci Góes: O Papa não fará o Lula ...
ARTIGO/Ponto de vista
 
O ódio político no Brasil e sua expressão corporal 3
 
Joaci Góes
 
Para a eminente amiga Fátima Carvalho!
Como dissemos no artigo anterior, para compensar o ódio do mal, temos a cólera do bem, a cólera santa ou divina, cujo símbolo maior é o Cristo, de chicote na mão, vergastando os vendilhões do Templo. Inclui, também, Irmã Dulce como personalidade por vezes dominada pela cólera divina, sob os protestos de alguns que sempre associam, equivocadamente, a cólera ao mal. Invulnerável ao medo, Deus não o é em relação ao ódio, como o demonstram os episódios de Sodoma e Gomorra e do Mar Vermelho. No Levítico, capítulo 26, versículos 16 a 18, Ele ameaça: “Eu também vos enviarei terror, exaltação e febre que vos consumirão os olhos e destruirão vossas almas.”
Sobre o tema da cólera santa, Rui Barbosa escreveu uma página imortal na “Oração aos Moços”, o mais belo discurso de todos os tempos. Vale a pena transcrever linhas desse monumento de retórica moral, como não há igual, no espaço e no tempo:
“Bem pode haver ira, sem haver pecado… E às vezes poderá haver pecado, se não houver ira… A virtude da mansidão compreende dois atos: um é reprimir a ira, quando é desordenada; outro excitá-la, quando convém… Nem toda ira, pois, é maldade; porque a ira, se, as mais das vezes, rebenta agressiva e daninha, muitas outras, oportuna e necessária, constitui o específico da cura. Ora deriva da tentação infernal, ora de inspiração religiosa.
Comumente se acende em sentimentos desumanos e paixões cruéis; mas não raro flameja no amor santo e da verdadeira caridade. Quando um braveja contra o bem, que não entende, ou que o contraria, é ódio iroso ou ira odienta. Quando verbera o escândalo, a brutalidade, ou o orgulho, não é agrestia rude, mas exaltação virtuosa; não é soberba, que explode, mas indignação que ilumina; não é raiva desaçaimada, mas correção fraterna.
Então, não somente não peca o que se irar, mas pecará, não se irando. Cólera será; mas cólera da mansuetude, cólera da Justiça, cólera que reflete a de Deus, face também celeste do amor, da misericórdia e da santidade. Dela esfuzilam centelhas, em que se abrasa, por vezes, o apóstolo, o sacerdote, o pai, o amigo, o orador, o magistrado. Essas faúlhas da substância divina atravessam o púlpito, a cátedra, a tribuna, o rostro, a imprensa, quando se debatem, ante o país, ou o mundo, as grandes causas humanas, as grandes causas nacionais, as grandes causas populares, as grandes causas sociais, as grandes causas da consciência religiosa. Então a palavra se eletriza, brame, lampeja, atroa, fulmina. Descargas sobre descargas rasgam o ar, incendeiam o horizonte, cruzam em raios o espaço. É a hora das responsabilidades, a hora da conta e do castigo, a hora das apóstrofes, imprecações e anátemas, quando a voz do homem reboa como o canhão, a arena dos combates da eloquência estremece como campo de batalha, e as siderações da verdade, que estala sobre as cabeças dos culpados, revolvem o chão, coberto de vítimas e destroços incruentos, com abalos de terremoto.
Ei-la aí a cólera santa! Eis a ira divina! Quem, senão ela, há de expulsar do templo o renegado, o blasfemo, o profanador, o simoníaco? Quem, senão ela, exterminar da ciência o apedeuta, o plagiário, o charlatão? Quem, senão ela, banir da sociedade o imoral, o corruptor, o libertino? Quem, senão ela, varrer dos serviços do Estado o prevaricador, o concussionário, e o ladrão público? Quem, senão ela, precipitar do governo o negocismo, a prostituição política, ou a tirania? Quem, senão ela, arrancar a defesa da pátria à cobardia, à inconfidência, ou à traição? Quem, senão ela, ela a cólera do celeste inimigo dos vendilhões e dos hipócritas? A cólera do justo, crucifixo entre ladrões? A cólera do verbo da verdade, negado pelo poder da mentira? A cólera da santidade suprema, justiçada pela mais sacrílega das opressões? Todos os que nos dessedentamos nessa fonte, os que nos saciamos desse pão, os que adoramos esse ideal, nela vamos buscar a chama incorruptível. É dela que, ao espetáculo ímpio do mal tripudiante sobre os reveses do bem, rebenta em labaredas a indignação, golfa a cólera em borbotões das fráguas da consciência, e a palavra sai, rechinando, esbraseando, chispando como o metal candente do seio da fornalha. Esse metal nobre, porém, na incandescência de sua ebulição, não deixa escória. Pode crestar os lábios, que atravessa. Poderá inflamar por momentos o irritado coração, de onde jorra. Mas não o degenera, não o macula, não o resseca, não o caleja, não o endurece; e, no fundo são da urna onde tumultuavam essas procelas, e onde borbotam essas erupções, não assenta um rancor, uma inimizade, uma vingança. As reações da luta cessam, e fica, de envolta com o aborrecimento ao mal, o relevamento dos males padecidos.”
Diante disso, depois disso… não sei como termine!
Joaci Góes é escritor, presidente da Academia de Letras da Bahia, ex-diretor da Tribuna da Bahia. Texto publicado nesta quinta-feira, 6/8, na TB.

“Ay amor!”, Bola de Nieve(Ignácio Villa): Um imortal bolero cubano e toda grandiosidade de um músico e intérprete excepcional. Confira!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

ago
07

Postado em 07-08-2020 00:31

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 07-08-2020 00:31

DO EL PAÍS

A casa mexicana de Gabriel García Márquez, falecido em 2014, conserva seu estúdio de trabalho e seus quase 5.000 livros. E também sua paixão por dicionários, rosas amarelas e máquinas de escrever

Gonzalo García Barcha, filho de Gabriel García Márquez, na biblioteca de seu pai na Cidade do México.
Gonzalo García Barcha, filho de Gabriel García Márquez, na biblioteca de seu pai na Cidade do México.Teresa de Miguel

 David Marcial Pérez

Cidade do México
  • Mario Vargas Llosa e Gabriel García Márquez, vistos por Fernando Vicente.

Uma rosa amarela, um dicionário e uma máquina de escrever. É tudo de que Gabriel García Márquez (Aracataca, Colômbia, 1927?Cidade do México, 2014) precisava para entrar em ação. Aos oito anos, seu avô lhe contou que as flores amarelas davam sorte, e ele nunca mais se separou delas. Durante a entrega do Nobel de Literatura (1982), tinha uma escondida no bolso. Gabo se considerava um amante dos dicionários, embora sua relação com as enciclopédias fosse de amor e ódio. Em 1977, prefaciou uma edição do Diccionario de Uso del Español, de María Moliner, seu favorito. Mas, ao mesmo tempo, inventava palavras: condolientes (“condolentes”), mecedor (“mexedor”, “balanceador”). Propôs até mesmo aposentar a ortografia, principalmente o “h rupestre”.

Também declarou guerra às máquinas de escrever. Sua primeira Remington ardeu no fogo dos distúrbios do Bogotaço, em 1948. Uma década depois, a máquina que concebeu em Paris Ninguém Escreve ao Coronel tinha perdido a tecla “d” pelo caminho. Para poder terminar o texto, teve de improvisar, completando manualmente cada “c” com um tracinho vertical. Depois, comprou uma Torpedo alemã e uma Smith Corona elétrica. Isso até se apaixonar pela Apple. Um eMac do início dos anos 2000, um computador branco com forma de pepino retrofuturista, continua na escrivaninha de sua casa na Cidade do México.

“Não era especialmente fetichista, mas foi comprando cada um dos modelos de Mac que foram saindo”, conta seu filho Gonzalo García Barcha, olhando para a traseira as costas ovais da máquina. Depois da explosão de sucesso de Cem Anos de Solidão durante sua estadia em Barcelona, a família chegou a esta casa na Cidade do México em 1975, quando ele tinha 11 anos e seu irmão, Rodrigo, 15. Gonzalo García lembra que muitas manhãs, ao voltar do colégio, os dois garotos cruzavam correndo o quintal com jardim e entravam para cumprimentar seu pai enquanto ele trabalhava no estúdio. Sentado à mesa onde hoje permanece um vaso com rosas amarelas diante de uma coleção de dicionários na estante, Gabo os olhava em silêncio, com os dedos ainda sobre o teclado, e os deixava falar. “Muitas vezes não sabíamos se realmente nos escutava. Ele se concentrava muito quando estava trabalhando.”

A concentração é uma das características mais destacadas por aqueles que alguma vez o viram trabalhando em seu estúdio. Iván Granados foi seu bibliotecário pessoal de 2007 até sua morte, em abril de 2014. Também costumava chegar de manhã. Cumprimentava-o ?“bom dia, professor”? e, durante as três ou quatro horas seguintes, mal trocavam palavras. “Ele não era nem um pouco maníaco, não interferia muito na organização de seus livros. Em troca, o que precisava era que o deixassem trabalhar o tempo que fosse necessário”, conta, por telefone, Granados, que prepara a publicação de uma pesquisa sobre a obra de Gabo, além de uma compilação de textos dispersos do autor colombiano. Depois da morte do escritor, Granados continuou indo à casa para terminar a tarefa. Durante anos, encarregou-se de dividir os quase 5.000 títulos em quatro áreas: uma com as traduções de seu próprios títulos; outra com dicionários e enciclopédias; uma terceira com livros de documentação com os quais preparava suas obras; e finalmente, a literatura que lhe interessava ?romance, poesia, ensaio, jornalismo, cinema e política.

Figura de Gabriel García Márquez em seu estúdio e biblioteca no bairro de San Ángel, na Cidade do México.
Figura de Gabriel García Márquez em seu estúdio e biblioteca no bairro de San Ángel, na Cidade do México. Teresa de Miguel

De pé, olhando de frente para a área dos ensaios, Gonzalo García reconhece um livro importante, Las Flores en la Poesía Española, do filólogo José Manuel Blecua. Uma edição de 1968, da editora Gredos. “Em casa nunca houve muita pressão para que nos encaminhássemos para a leitura, mas se perguntássemos, por exemplo, sobre poesia, passavam-nos esse livro”. Gonzalo García, que é ilustrador e editor, avisa, de qualquer forma, que na biblioteca já não há muitos livros de sua infância. Nem aqueles com que seu pai formou sua cultura literária. Ao longo dos últimos anos, a família doou muito material à Biblioteca Nacional da Colômbia, além da parte do arquivo conservada pela Universidade do Texas em Austin.

Mesmo assim, Gonzalo García continua procurando entre os títulos da parede. E aparece uma edição de 1972 do Ulisses de James Joyce, esse “calhamaço assustador”, como um jovem Gabo o chamou. Também aparecem cópias de O Dia do Chacal e O Conde de Monte Cristo. “Meu pai sempre fugiu da solenidade e nunca fez distinção entre o que se chama de alta e baixa cultura, pegava o que podia de todo os lados”, explica seu filho sobre sua conhecida veia popular. Seu bibliotecário pessoal tem uma teoria complementar: “Esta não é a biblioteca de um colecionador ou de alguém que teve a oportunidade de ir guardando seus primeiros livros. É a biblioteca de um viajante que se estabelece definitivamente no México”.

Uma escultura de Gabriel García Márquez e sua esposa, em seu estúdio na capital mexicana.
Uma escultura de Gabriel García Márquez e sua esposa, em seu estúdio na capital mexicana.Teresa de Miguel

Antes de se instalar pela segunda vez, e para sempre, no México aos 52 anos, o escritor colombiano teve uma vida errante: Barranquilla, Bogotá, Paris, Havana, Caracas, Londres, Barcelona. “Além disso, leu seus primeiros livros emprestados”, acrescenta Granados. “Em suas memórias, explica como descobriu Kafka e Faulkner pelos livros de seus amigos.” Apesar de tudo, a biblioteca do viajante também guarda preciosidades. Como uns 20 volumes da lendária Pléiade, a coleção da Gallimard que reúne o cânone da literatura universal através de antologias dos grandes textos, encadernados com capa dura revestida de couro flexível e com páginas finíssimas de papel-bíblia.

O vallenato

O que nunca faltou a Gabo em nenhuma de suas etapas foi o vallenato, sua música favorita. Tanto que gostava de dizer que “Cem Anos de Solidão nada mais é que um vallenato de 450 páginas”. Seus amigos no Caribe colombiano lhe enviavam fitas com músicas. Algumas continuam aqui, ao lado de Rocio Jurado, José Luis Perales, Armando Manzanero e Joaquín Sabina. O estúdio da casa mexicana, um amplo corredor de tijolos brancos em forma de “L”, tem as paredes transformadas em estantes. Acompanhando aos livros, há também mesas, sofás e poltronas para descansar e conversar. De manhã, esta biblioteca era o bunker de trabalho de Gabo. À tarde, o centro de operações de muitas farras. “Tinha um bar sempre muito bem abastecido”, lembra seu filho. Fidel Castro, Sean Penn e Silvio Rodríguez foram algumas das muitas e ilustres visitas. Quando a festa era entre escritores, a brincadeira era que um deles começasse a recitar um verso de Lorca, ou de algum poeta espanhol do Século de Ouro, e outros continuassem com a estrofe.

Uma cópia de ‘A Morte de Artemio Cruz’, de Carlos Fontes, dedicada a Gabriel García Márquez, na biblioteca do escritor colombiano na Cidade do México.
Uma cópia de ‘A Morte de Artemio Cruz’, de Carlos Fontes, dedicada a Gabriel García Márquez, na biblioteca do escritor colombiano na Cidade do México.Teresa de Miguel

Uma cópia gigante do retrato que Richard Avedon fez de García Márquez nos anos setenta domina uma das paredes. Mais fotos: seus filhos, sua esposa, seus pais, Ernest Hemingway, Gabo com Juan Rulfo, com Felipe González, com Bill Clinton. Os personagens históricos também foram personagens de seus livros. Retratados com um rigor matemático, herdeiro possivelmente de sua veia jornalística. Para O General em seu Labirinto, que narra os últimos dias de Simón Bolívar, Gabo mergulhou fundo nos 34 volumes das memórias de Daniel Florence O’Leary, o general irlandês que acompanhou o libertador até seu túmulo. Voltava uma e outra vez às fontes históricas para, muitas vezes, simplesmente confirmar a verossimilhança de uma cena. Por exemplo, quando quis descrever o general comendo um pedaço de manga e foi comprovar se, no início do século XIX, o cultivo de manga já havia chegado à atual Colômbia.

Mais de seis anos depois da morte de Gabo, ainda chegam à sua casa pacotes com livros. Muitos de autores iniciantes, que continuam buscando a aprovação do professor. A família reconhece que, como esses livros já não têm quem os leia, foi encontrado um destino melhor para eles. Graças a um acordo aprovado em vida pelo próprio Gabo, todos os meses a família envia caixas com livros à biblioteca de uma escola rural agropecuária de um povoado de Sinaloa (México). Em troca, recebe caixas com lichias e camarões

ago
07

Postado em 07-08-2020 00:14

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 07-08-2020 00:14

DO CORREIO BRAZILIENSE

O ministro garantiu que o governo Bolsonaro continua comprometido com o combate à corrupção e com a manutenção da democracia em evento internacional


 
(foto: EduAndrade/Ascom/ME)

O presidente Jair Bolsonaro é um “homem de maus modos, mas de bons princípios”, que não foi eleito pela aliança com o ex-juiz Sergio Moro. Foi assim que o ministro da Economia, Paulo Guedes, tentou rebater as críticas internacionais ao governo de Jair Bolsonaro em evento promovido pelo Aspen Institute nesta quinta-feira (06/08).

 
Questionado sobre a situação político econômica brasileira durante a pandemia do novo coronavírus, Guedes garantiu aos interlocutores norte-americanos do Aspen Institute que o “Brasil vai sair dessa crise antes de vocês” e que “gosta da democracia”, apesar do que os “perdedores da última eleição dizem”. 
 
Para o ministro, a questão é que o Brasil vive uma “democracia vibrante e barulhenta”. Por isso, ele pediu que os participantes do evento fossem gentis e deixassem de lado todos os pré-julgamentos em relação a Jair Bolsonaro. “O presidente é um homem de maus modos, mas de bons princípios”, alegou.
 
Guedes, contudo, mostrou-se incomodado com os questionamentos à crise política observada após a saída de Sergio Moro do governo. Guedes alegou que Bolsonaro e Moro tiveram um “problema de interpretação”, assim como ocorreu entre o presidente e o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. “Mas quem teve os votos? Ministros como eu e o Moro somos substituíveis”, retrucou.
 
O ministro da Economia ainda garantiu que a saída de Moro não atrapalhou o combate à corrupção, nem o governo de Jair Bolsonaro. Para ele, Bolsonaro também trabalha contra a corrupção e não foi eleito por causa de Moro, já que o ex-juiz só anunciou a entrada no governo após o segundo turno das eleições. “Não se pode falar que Bolsonaro foi eleito por causa do Moro, não teve esse efeito. Foi eleito por ele mesmo”, frisou. 

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