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OPINIÃO

Um país nada monótono

Fernando Gabeira

Num discurso de despedida na Câmara do Comércio, o embaixador sueco Per-Arne Hjelmborn disse esta frase para concluir: “O Brasil não é um país monótono”. Fui convidado para falar um pouco sobre as expectativas na volta do exílio e de como as coisas se passaram nestes 40 anos. Foi uma oportunidade para agradecer a generosidade com que a Suécia recebeu os brasileiros após o golpe no Chile.

A frase de Hjelmborn não me saía da cabeça. Pensei: está morrendo o caso Neymar e entrando em cena os vazamentos na Operação Lava Jato.

Na primeira leitura do caso, achei um pouco exageradas as reações que viam naquilo uma tempestade em copo d’água ou que viam o fim da Lava Jato e uma regressão à era da impunidade no Brasil. Previ alguma coisa no meio: agitação política e um desgaste para a Lava Jato.

É difícil de considerar com frases sem o contexto. Mais ainda basear-se puramente nelas, pois, de um modo geral, vazamentos que abalam a política costumam ser como terremotos, com explosões sucessivas. Não se sabe quando será nem a intensidade do próximo abalo.

O conjunto das frase que li mostra uma proximidade entre Sergio Moro e os promotores. Revela uma orientação a uma das partes. A maioria dos juristas que se pronunciaram acha que rompe com o princípio de imparcialidade.

Haverá consequências políticas e consequências jurídicas. Tanto numa como em outra, é importante preservar a Lava Jato. Algumas pessoas acham que ela foi negativa para o País. Não é o meu caso. A Lava Jato, que condenou 159 pessoas, trouxe bilhões de reais de volta ao País e repercutiu no continente levando ex-presidentes do Peru à prisão, foi um passo gigantesco na luta contra a corrupção. Mas não está isenta de crítica nem de enquadramento jurídico. Ela foi uma tentativa de corrigir os fracassos do passado: operações sufocadas, como a Castelo de Areia e o caso Banestado. Era todo um aparato político a ser enfrentado e um Supremo Tribunal Federal (STF) severo na garantia dos direitos.

A proximidade entre juiz e promotor não é muito questionada quando se trata do combate a uma organização criminosa comum. É normal até a prisão de advogados de defesa. Neste caso, não se questionaria um juiz que indicasse a produção de provas, desde que avaliasse com serenidade se válidas ou não. Quando repórter policial, observei em alguns júris que o promotor se sentava ao lado do juiz e o advogado de defesa ficava no plenário. Em termos rituais, já era um traço de proximidade.

Mas estamos no campo da política, onde tudo é banhado por um outro ar. A Lava Jato conseguiu driblar muitos obstáculos neste território.

No meu entender, ela se fragilizou com a ida de Moro para o governo Bolsonaro. É um governo que prioriza o combate ao PT. A Lava Jato alcança um espectro muito mais amplo, atravessa fronteiras, leva a uma reavaliação dos bancos suíços, um terremoto na política sul-americana. A opção de Moro, simbolicamente, associou Bolsonaro à Operação Lava Jato e o PT como seu alvo.

Pode-se argumentar que Moro como ministro, ao contrário de outros, ajudará a Lava Jato. O problema é que ele a encarnou e seu desgaste terá repercussão em todo o trabalho daqui para a frente.

É sempre interessante saber quem invadiu o aplicativo, quem encomendou o ataque. Mas as consequências estão aí. Faça chuva, faça sol, o PT grita “Lula livre”. Por que deixaria de gritar agora, com o impulso dos vazamentos? Renan Calheiros, no Congresso, sempre quis aprovar a lei do abuso de autoridade. E Gilmar Mendes, por sua vez, já acenou com a possibilidade de usar os vazamentos como prova contra a Lava Jato. Enfim, não há outro caminho: segurar o tranco, reconhecer as frases autênticas, descartar as fakes produzidas na rede e analisar uma a uma, colocá-las no contexto.

No caso das operações que Moro mencionou num diálogo, talvez seja mais fácil de determinar o contexto. Moro autorizava operações da Lava Jato. Era razoável que perguntasse pelo destino de suas autorizações anteriores. Tecnicamente para um juiz, suponho, a imparcialidade é sempre uma tensão. Por inércia, pode estar ajudando uma das partes, precisamente uma suposta organização criminosa. Politicamente, de novo, as coisas são mais complicadas.

Ao entrar no governo Bolsonaro, Moro acionou inúmeras sinapses, o vazamento do diálogo de Dilma e Lula antes que ele assumisse o cargo de ministro, por exemplo. Tecnicamente, poderia ser visto como uma tentativa de bloquear a fuga de um acusado. Comumente, um acusado desaparece. Lula iria se refugiar no foro privilegiado. A repercussão disso no impeachment passa a ser vista como intencional.

Se Moro resistisse no cargo de juiz, talvez enfrentasse melhor os ventos contrários. De todos os obstáculos políticos a enfrentar, o mais insidioso e melífluo é a atração pelo poder.

Estrategicamente, a Lava Jato não pode se associar a um governo específico. Caso contrário, ela será de alguma forma sempre cobrada. Onde está o Queiroz?, por exemplo. A investigação está correndo em nível estadual, mas envolve o filho de um presidente, tem repercussão nacional, trabalha suspeitas não só de rachids, mas de envolvimento com as milícias. Por que não esclarecer no ritmo daqueles tempos? Cá para nós – com o perdão da rima –, já saberíamos muito sobre Queiroz.

Mexer nisso agora pode parecer suicídio: afinal, o governo é um aliado da Lava Jato. Mas o grande aliado é a parte da sociedade que quer combater a corrupção como tarefa de Estado, com os cuidados legais, mas acima de todos os partidos.

Não é uma tempestade em copo d’água. É um momento decisivo. Durante anos lutei, no Congresso, entre outros temas, contra a corrupção no sistema político que construímos. Resultados modestos, desanimadores.

A Lava Jato foi o instrumento mais eficaz produzido na história moderna do Brasil. Imaginar que se pode voltar o ponteiro aos tempos da roubalheira é uma fantasia. Os tempos são outros, a sociedade é outra: não deixa.

“El Corazon al Sur”, Susana Rinaldi:  Simplesmente sensacional e histórica esta apresentação de Susana , com orquestra, na Finlândia. Neste vídeo ela transforma todo gelo em vulcão, ao interpretar este clássico e maravilhoso tango portenho. De encher de emoção, argentinos ou não, com sua presença e domínio pleno de palco e estilo único de cantar. Capaz de iluminar, sozinha, todo apagão que ontem se abateu sobre a Argentina e o Uruguai.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares).

 

 

“Ficou evidente a obsessão de Moro pela apuração da verdade”, diz advogado de réu da Lava Jato

 

Em artigo no Estadão, Luís Carlos Dias Torres, advogado de réus da Lava Jato, afirmou que em sua experiência “nunca houve comprometimento da imparcialidade” de Sergio Moro nos casos em que atuou.

“E toda vez que procurei o Dr. Sérgio Moro para despachar, sempre fui recebido com atenção e respeito. Nunca precisei do Telegram do juiz Sérgio Moro para poder falar com ele”, disse.

“O que ficou muito evidente para mim na conduta do Dr. Sérgio Moro foi sua obsessão pela apuração da verdade. E, afinal de contas, é para isso que serve o processo penal (…).

A inversão de valores que estamos vivendo é de deixar qualquer pessoa de bem completamente estarrecida. As pessoas que trabalham para fazer com que os criminosos paguem por seus crimes, são condenadas. Enquanto isso, o sigilo (da fonte) vale para proteger a identidade de criminosos audazes, mas o sigilo (das comunicações) pode ser atropelado se for para expor autoridades altamente respeitadas ao juízo (leigo) da opinião pública. É isso mesmo ou eu perdi alguma parte dessa história?!?”

jun
17

Postado em 17-06-2019 00:36

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 17-06-2019 00:36

Do Jornal do

 RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Joaquim Levy, 58, pediu demissão da presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) neste domingo (16), sete meses após aceitar o convite feito por Paulo Guedes. Desde que assumiu, o economista anunciou reestruturação na instituição com reduções e mudanças de cargos, mas não conseguiu “abrir a caixa-preta” do BNDES, promessa de campanha do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Esse era um dos principais pontos prometidos pelo então candidato do PSL durante a eleição na área de economia — ele costuma apontar problemas em empréstimo do BNDES para países como Cuba e Venezuela. Levy sempre sofreu resistência de Bolsonaro por ter atuado como ministro de Dilma Rousseff (PT) e secretário de Sérgio Cabral (MDB) no governo do Rio de Janeiro.

Macaque in the trees
Joaquim Levy (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Ao longo da campanha, a promessa de “abrir a caixa-preta” do banco gerou diversos memes e mensagens virais no Whatsapp. Uma delas dizia que “se o povo brasileiro acha que o ‘petrolão’ foi o maior escândalo de todos os tempos no país, esperem até ver o que fizeram no BNDES”. Outras acusavam supostas obras financiadas pela instituição no exterior.

Em seu Twitter, Bolsonaro também tratou do tema algumas vezes. Em janeiro, após divulgar os 11 países que mais utilizaram recursos do banco e as razões para os empréstimos, afirmou: “Ainda vamos bem mais a fundo”. Pouco antes, havia dito que iria “revelar ao povo brasileiro o que foi feito com seu dinheiro nos últimos anos”.

Em novembro, Bolsonaro havia mostrado confiança e prometeu abrir a caixa-preta do BNDES na primeira semana de governo “Se não abrir a caixa-preta, ele [Joaquim Levy] está fora”, disse, na ocasião. 

Entre 2015 e 2018, o banco já havia devolvido R$ 309 bilhões ao Tesouro. Em junho do ano passado, a instituição acertou a reestruturação da dívida, antecipando o prazo final em 20 anos, passando para 2040, com um cronograma anual de devoluções de R$ 25 bilhões, em média. O atual governo, porém, queria a devolução de R$ 126 bilhões do BNDES à União em 2019. 

Na última terça-feira (11), o banco havia anunciado que aprovou a reformulação da estrutura de áreas chave. Segundo nota divulgada pelo BNDES, o objetivo era permitir que a instituição respondesse de maneira mais ágil aos desafios do desenvolvimento econômico e social do Brasil e ainda às oportunidades criadas com a liberalização da economia do país.

O então presidente da instituição esperava facilitar a atuação do banco em áreas de infraestrutura de governos federal, estaduais e municipais e proporcionar mais agilidade ao financiamento de pequenas e médias empresas. A reformulação almejava a venda de ativos públicos e a transferência desses serviços ao setor privado, inclusive no caso do saneamento.

No comunicado, Joaquim Levy também informou a criação de uma nova diretoria para buscar simplificar processos na gestão da carteira de participação do sistema BNDES. A área ainda seria responsável por fomentar os mercados de capitais no país e apoio às áreas de atendimento ao cliente.

O departamento industrial foi outro afetado e passou a ser dividido em duas áreas, que ofereceriam a carteira do banco aos clientes e outra. Já o de comércio exterior foi reduzido.

Mesmo com a reestruturação, Levy pretendia não causar impacto nos gastos da instituição. De acordo com o BNDES, os custos adicionais foram compensados com a redução de cargos e departamentos do banco.  

Além disso, foram promovidas mudanças e rodízios nas posições dos superintendentes e o aumento do número de mulheres nos cargos de chefia. De 20 postos, sete passaram a ser ocupados por representantes do sexo feminino – eram quatro antes da reestruturação.

Durante a reformulação, o advogado Marcos Barbosa Pinto ocuparia, a convite de Levy, a diretoria de mercado de capitais do banco de fomento. O fato incomodou Bolsonaro pois Pinto atuou em gestão petista. O presidente, então, disse que demitiria Levy se a nomeação fosse mantida, mas ele entregou o cargo antes.

Joaquim Levy também atuou em governos do PT. Por exemplo, chefiou o Ministério da Fazenda no segundo mandato de Dilma, quando brigou para diminuir o rombo das contas públicas, que ultrapassaram a marca dos R$ 100 milhões entre 2015 e 2018. Ainda foi secretário do Tesouro Nacional no início de Lula como presidente do país, em 2003. Na ocasião, conteve gastos públicos  e foi chamado de “mãos de tesoura”. 

Antes, atuou no governo Fernando Henrique Cardoso como secretário-adjunto de política econômica do Ministério da Fazenda e economista-chefe do Ministério do Planejamento. Ele ainda ocupou o cargo de secretário da Fazenda do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral.

jun
17

Postado em 17-06-2019 00:33

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 17-06-2019 00:33

Jornal do Brasil

  O presidente Jair Bolsonaro disse nesse sábado (15) em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, que o Brasil foi aceito pelos Estados Unidos (EUA) como um aliado extra-Otan, a Organização do Tratado do Atântico Norte. De acordo com Bolsonaro, com a “aliança” o país terá mais assistência no campo militar e também no mercado de defesa.

“Com muito orgulho, anuncio que há pouco colhemos um dos frutos da nossa viagem aos Estados Unidos, ao sermos aceitos pelo presidente Donald Trump como aliado extra-Otan”, disse Bolsonaro ao discursar em um evento militar na cidade gaúcha. “Possibilidade que permite nos equiparmos melhor e interagir mais com o mercado de defesa”, acrescentou. 

Macaque in the trees
Militares do Exército participam de operação das forças de segurança na comunidade do Preventório, em Niterói em maio passado: medida divide opiniões entre os candidatos (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O presidente participou da Festa Nacional da Artilharia (Fenart), no 3º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado, que marca o aniversário do marechal Emílio Luiz Mallet.

Em seu discurso, ele voltou a defender o armamento da população. “Nossa vida tem valor, mas tem algo muito mais valoroso do que a nossa vida, que é a nossa liberdade. Além das Forças Armadas, defendo o armamento individual para o nosso povo, para que tentações não passem na cabeça de governantes para assumir o poder de forma absoluta. Temos exemplo na América Latina. Não queremos repeti-lo. Confiando no povo, confiando nas Forças Armadas, esse mal cada vez mais se afasta de nós”, disse.

Bolsonaro afirmou ainda que é preciso mais que o Parlamento para implementar as medidas políticas. “Precisamos, mais que um Parlamento, do povo ao nosso lado para que possamos impor uma política que reflita paz e alegria para todos nós”.

jun
17

Postado em 17-06-2019 00:31

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 17-06-2019 00:31

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  • GILMAR, NO FACEBOOK

jun
17

Postado em 17-06-2019 00:28

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 17-06-2019 00:28


No Brasil, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que a situação está sendo monitorada desde cedo e que até o momento não há registros de falta de luz no país

 Federico Rivas Molina
Buenos Aires
corte de luz argentina
Captura de televisão da cidade de Buenos Aires às escuras. Getty Images

A Argentina amanheceu às escuras. Um blecaute em larga escala deixou sem eletricidade, a partir das sete da manhã deste domingo, todo o país e boa parte do Uruguai. As empresas energéticas argentinas também informaram que algumas cidades do Chile e do sul do Brasil ficaram sem luz. Porém, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) garantiu que a situação está sendo monitorada desde cedo e que até o momento não há registros de falta de luz no Brasil, informa Carla Jiménez. As autoridades ainda não encontraram explicações para o apagão. A Edesur, empresa distribuidora de energia para o sul da cidade de Buenos Aires, disse que a culpa foi de “uma falha massiva no sistema de interconexão elétrica”. A Edenor, que distribui energia para o norte da capital, também falou de uma falha massiva, mas assinalou que “no momento se desconhecem as causas”. “Em três horas o serviço elétrico poderia começar a ser paulatinamente restabelecido”, informou a Edenor em um comunicado. Três horas depois do corte, as distribuidoras informaram que pouco a pouco o serviço tendia a se normalizar, mas ainda demoraria “várias horas” para se recuperar.

O corte de eletricidade também deixou centenas de milhares de pessoas sem água encanada. A Aysa, empresa pública de abastecimento que atende a capital argentina e 26 distritos vizinhos, onde vivem no total 14 milhões de pessoas, alertou que seus sistemas de bombas estão sem energia e pediu que seus clientes “façam um uso racional do fornecimento”. “Devido a esta falha elétrica, pode haver baixa pressão e/ou falta de água em alguns bairros da cidade e em distritos da província de Buenos Aires”, afirmou a empresa em um comunicado à imprensa.

Os argentinos celebram hoje o dia dos pais, data em que as famílias se reúnem em casa ou saem para comer fora. Em Buenos Aires, além disso, chove há uma semana.

O corte de energia ocorreu pouco depois das 7h06 deste domingo (pelo horário de Buenos Aires e de Brasília), quando ainda não havia amanhecido. O blecaute afeta também as províncias argentinas da Santa Fé, San Luis, Formosa e Terra do Fogo, que se preparavam para iniciar eleições locais. Apesar do apagão, a votação começou sem maiores problemas, porque o sistema eleitoral argentino se baseia em cédulas de papel, sem necessidade de computadores. Se o corte elétrico se prolongar, pode haver inconvenientes no fechamento das mesas eleitorais, pela impossibilidade de enviar informações por rede às centrais de apuração.

Dezenas de vídeos e fotos do blecaute circulam no Twitter. Um repórter da rádio Cadena 3 na província de Córdoba mostrou como alguns comércios com gerador próprio ainda têm luz, mas postos de gasolina e semáforos não funcionam. Não é uma surpresa que algumas lojas tenham gerador. A Argentina acumula anos de crise energética e os cortes de eletricidade são comuns no verão, quando o uso de aparelhos de ar condicionado sobrecarrega o sistema nacional.

Daniel Russo, porta-voz da Defesa Civil argentina, disse que no momento não se sabe a origem da falha, mas assinalou que o norte do país foi bastante afetado. “Espera-se que em seis ou oito horas seja restabelecida parte do serviço”, afirmou Russo. No sábado ocorreu um tremor de 4,8 graus no norte da Argentina, mas no momento não se relaciona esse fato com o blecaute. Marcelo Cassín, gerente da empresa provincial de energia de Santa Fé, informou que em algumas cidades está voltando a luz.

A volta à normalidade será lenta. A porta-voz da Edesur, Laura Martinez, disse que “voltar a pôr toda a rede de alta tensão em funcionamento para depois passar à média e baixa tensão é uma contingência que vai deixar os argentinos por mais algumas horas sem energia elétrica”. “A recuperação ocorrerá de maneira gradativa, para não provocar danos maiores”, disse Martínez à rádio Mitre. “É preciso colocar o sistema em condição e isso exige manobras paulatinas”, acrescentou.

jun
16

 Joaquim Levy pediu demissão após queixas do mandatário sobre indicação de economista que trabalhou em governos do PT e por suposta falta de informações sobre empréstimos do banco

Joaquim Levy, ao tomar posse no BNDES em janeiro deste ano.
Joaquim Levy, ao tomar posse no BNDES em janeiro deste ano. Tânia Rego Agência Brasil

Mais uma troca de comando barulhenta no Governo Jair Bolsonaro neste domingo. O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy, enviou sua carta de demissão ao ministro da Economia, Paulo Guedes, após o presidente deixar claro que seu cargo estava por um fio. “Estou por aqui com o Levy”, disse o presidente neste sábado, antes de embarcar para agenda no Rio Grande do Sul. O motivo da irritação de Bolsonaro foi escancarada diante de jornalistas que o entrevistavam em Brasília. “Levy nomeou Marcos Pinto para função no BNDES”, em referência a Marcos Barbosa Pinto, contratado na semana passada para o cargo de diretor de mercado de capitais do BNDES. Economista e doutor em direito, Pinto é sócio da Gávea Investimentos e atuou por dois anos no banco de fomento durante o Governo Lula. Foi chefe de gabinete de Demian Fiocca, visto como um nome ligado a Guido Mantega, ex-ministro da Economia de Dilma. Essa ligação com o petismo irritou o presidente. Marcos Pinto ficaria com a responsabilidade de vender participações do BNDESPar, o braço de investimento do banco.

Segundo Bolsonaro, Pinto não é um nome de sua confiança e não está alinhado com suas ideias. “Quando bota gente suspeita em cargos importantes… E Levy já vem há algum tempo não sendo leal àquilo que foi combinado e àquilo que ele conhece a meu respeito, ele está com a cabeça a prêmio já tem algum tempo”, completou o presidente. A frase fez o strike desejado. Pinto apresentou a sua renúncia ao cargo neste sábado, e Levy tornou pública a sua carta de demissão neste domingo. “Solicitei ao ministro da Economia Paulo Guedes meu desligamento do BNDES. Minha expectativa é que ele aceda. Agradeço ao ministro o convite para servir ao País e desejo sucesso nas reformas”, escreveu Levy em carta divulgada à imprensa. Na carta, Levy também agradeceu aos funcionários do banco pela dedicação e lealdade.

Levy é PhD em economia pela Universidade de Chicago, mesma instituição onde estudou o ministro da Economia, Paulo Guedes. Antes de aceitar o cargo para presidir o BNDES, ocupava o cargo de diretor-geral da área financeira do Banco Mundial. Foi trabalhar em Washington depois de ter sido ministro da Fazenda no segundo Governo Dilma Rousseff por 11 meses. Saiu desgastado pela queda de braço para acertar um ajuste fiscal ao qual Rousseff resistia. Havia tido outra passagem por um governo petista, como secretário do Tesouro Nacional, no primeiro governo do ex-presidente Lula. Foi um dos integrantes da equipe econômica que fez o ajuste rigoroso das contas públicas que pacificou o mercado financeiro anti-Lula.

As credenciais passadas, porém, não contaram nada diante da ansiedade do Governo de escrutinar a atuação do banco, que teria concedido empréstimos suspeitos a países alinhados com a esquerda, caso de Cuba e Venezuela. Levy estaria resistindo a sugestões do próprio Paulo Guedes para contratar nomes de sua confiança. Em entrevista ao jornalista Gerson Camarotti neste sábado, Guedes disse que estava em sintonia com o desconforto de Bolsonaro. “Eu entendo a angústia do presidente. É algo natural ele se sentir agredido quando o presidente do BNDES coloca na diretoria do banco nomes ligados ao PT”, disse o ministro. Ele citou ainda a abertura da tal “caixa preta” das informações sobre empréstimos do banco, que o agora demissionário Levy estaria adiando. “O grande problema é que Levy não resolveu o passado e nem encaminhou o futuro”, concluiu.

Bolsonaro quer desassociar seu Governo de qualquer vestígio de governos do PT. Acatou o nome de Levy por sugestão de Paulo Guedes. Mas não cumpriu as expectativas do presidente, que fez da abertura da caixa preta do BNDES um dos lemas de sua campanha. Levy tinha acabado de promover uma reestruturação de cargos no banco para garantir agilidade de decisões e responder “às oportunidades proporcionadas pela liberalização da economia”, segundo comunicado do dia 11 de junho. A ideia era se desfazer de participações do banco em diversos ativos num momento em que o governo federal precisa de caixa para fechar as contas.

jun
16

Postado em 16-06-2019 02:11

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 16-06-2019 02:11

 
ARTIGO

Artigo publicado na Tribuna da Bahia em 13/06/19

Davi contra Golias

Joaci Góes

Aos queridos sobrinhos Ana Paula e Jai!

 

Antes mesmo de ouvir o que tinham a dizer o promotor Deltan Dallagnol e o Ministro Sérgio Moro a respeito do vazamento ilegal da conversa que tiveram, ao tempo em que o atual Ministro era o juiz da Vara Federal em Curitiba, responsável pelos julgamentos dos crimes da Operação Lava Jato, subiu muito significativamente o bom julgamento que se fazia sobre o excelente trabalho de ambos. De cara, de pronto e de logo, demonstraram, particularmente o destemido e admirado juiz Sérgio Moro, que neles não cabe o anátema de Dante, na Divina Comédia, segundo o qual ”Os lugares mais quentes do inferno estão reservados para aqueles que em momentos de grande crise moral, preferem assumir uma posição de neutralidade”.

Dedicados a denunciar, combater e punir, do modo corajoso como o fizeram, os que organizaram a maior quadrilha para assaltar um país, que se conhece na história do Mundo, Moro e Dallagnol se alçaram muito alto no conceito da sociedade contemporânea, dentro e fora do Brasil, tendo em vista, sobretudo, o gigantismo da estrutura criminosa que defrontam, caracterizando uma versão moderna da desigualdade bíblica de forças entre o colosso filisteu Golias, de três metros de altura, e o jovem e pacífico pastor de ovelhas, o judeu Davi. Golias confiava em seu tamanho, sua força descomunal e experiência guerreira, apoiado, ainda, por um formidável exército; Davi depositava suas esperanças no valor moral de sua causa e em sua fé em Deus.

Os Davis da boa causa da decência brasileira, da qual tanto dependemos para continuar aspirando ideais de paz e prosperidade, têm como única aliada a majoritária opinião pública nacional, permanentemente acossada por ponderáveis parcelas de uma mídia viciada, por membros de tribunais superiores comprometidos com o crime e por um Congresso sensivelmente prostituído. Os que se escandalizam com conversas de conteúdo rotineiro entre juízes e as partes são da mesma natureza dos que se insurgiram contra a instalação do Tribunal de Nuremberg, após a Segunda Guerra, amparados no argumento de que a impunidade dos criminosos de guerra estava assegurada pela inexistência de lei que tipificasse e cominasse pena ao genocídio. Esses mesmos padecentes do distúrbio conhecido como dissonância cognitiva, que os impede de ver que Lula chefiou a mais criminosa quadrilha de que se tem conhecimento na História, comparecem às ruas para vociferar o “Lula livre”, como mecanismo para pôr fim à Operação Lava Jato.

Mais uma vez, o tiro saiu pela culatra! Aturdida, num primeiro instante, pelo que seria a denúncia do fim do mundo, a opinião pública, aí incluída a patuléia ignara, em relativamente pouco tempo, depois de ouvir à saciedade a repetição dos diálogos “condenáveis”, recobrou sua higidez intelectiva e concluiu, tempestivamente, que só um juiz calhorda ou patologicamente burocrático pode manter-se equidistante quando o crime campeia, ostensivamente, contra a honra, a justiça, a miséria e a caridade, lassidão moral que Anatole France vergastou ao denunciar os que obedecem a uma isonomia “que pune o pobre por dormir num banco da praça pública, pedir esmolas ou furtar um pão”. Para as pessoas inteligentes, o Ministro Luís Roberto Barroso defendeu a legitimidade dos diálogos entre o Procurador e o Juiz, ao sustentar, entre outros motivos, que ninguém pode desconhecer a pilhagem de dimensões inéditas e sesquipedais que desembocou na Lava Jato.

No fundo, o que quer a hipocrisia militante, a serviço da impunidade de crimes que têm o mesmo potencial lesivo do genocídio, é equiparar o juiz a uma máquina destituída de sensibilidade, obrigado a tratar igualmente a desiguais, em conflito com o necessário caráter dialético da desigualdade, como preconizado por Aristóteles e Rui Barbosa. Nessa visão grotesca, esposada por conveniências ilegítimas, o juiz deveria agir como o padre do clássico filme A tortura do silêncio, de Alfred Hitchcock, que, acusado de um homicídio que não praticara, sente-se impedido de apontar o verdadeiro culpado que lhe confessara o crime.

De um modo geral, as entidades se manifestaram adequadamente sobre como tratar a questão, de momentosidade construída de má-fé, com a exceção da OAB nacional, cuja direção milita, despudoradamente, para abortar a Operação Lava Jato, descomprometida com o seu dever de agir com isenção, liberta dos compromissos de advogada dos que assaltaram o País. Como estamos mal representados, nós os advogados!

A marcha batida contra o crime organizado para sangrar o Erário não tem volta. Os que lutam para acabar com a Lava Jato flertam com o risco de uma ruptura institucional. Depois não venham chorar sobre o leite derramado.

Joaci Góes  é escritor, presidente da Academia de Letras da Bahia, ex-diretor da Tribuna da Bahia. Texto publicado no dia 13/6, na TB

jun
16

Postado em 16-06-2019 02:09

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 16-06-2019 02:09

“Otello”, Placido Domingo. Que este sublime canto levado magnificamente ao cinema ,   eleve ainda mais toda honra e toda glória a Zefirelli.

R.I..P.

(Vitor Hugo Soares)

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