maio
21

Postado em 21-05-2020 00:20

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 21-05-2020 00:20

Jornal do Brasil

Afetados pela crise econômica causada pelo covid-19, não têm emprego ou onde morar e veem no retorno ao Brasil a única maneira de sobreviver

   ELISABETH ALMEIDA, Especial para o JB

Dezenas de imigrantes brasileiros que residem em Portugal lutam desde o dia 25 de abril pelo direito ao repatriamento em um dos voos fretados pelo governo brasileiro em parceria com a companhia TAP. “A maioria dos passageiros são turistas que ficaram retidos aqui, mas há casos de pessoas que no meio deste processo (pandemia) foram perdendo completamente as condições de ficarem em Portugal, porque perderam os seus empregos e não têm condições de pagar a renda do próximo mês e que vieram entrando em contato com o consulado”, disse Izabel Cury, secretária do Consulado do Brasil em Lisboa.

Segundo Izabel, os turistas são a prioridade do Consulado “A gente tem estabelecido como critério o seguinte: a prioridade, obviamente, são os turistas, porque é para isso que os voos foram contratados, mas também não temos interesse em deslocar uma aeronave com assento vazio, quando há compatriotas precisando de voltar para casa e em necessidade”, concluiu.

O grupo, que começou com aproximadamente trinta pessoas, era formado por idosos e casais com crianças e até mesmo bebês de colo que, por conta da pandemia causada pelo novo coronavírus, tiveram seus contratos de trabalho encerrados. Com o desemprego e sem seus salários, mesmo os imigrantes que conseguiram se manter no trabalho tiveram quedas de até 40% nos ganhos, e com isso a renda familiar caiu e muitos foram despejados de suas casas por falta de pagamento do aluguel.

Uma grande “culpada” nessa situação é a maneira como autônomos trabalham em Portugal, emitindo recibos verdes, termo usado no país para a política em que o governo dá aos imigrantes o direito de usufruir de um ano de isenção de desconto para a Segurança Social. Por parecer vantajoso, os trabalhadores abrem mão do benefício e acabam perdendo todos os direitos previstos pela Segurança Social de Portugal.

Sem trabalho, casa e com a notícia de que o governo brasileiro teria fretado seis voos de repatriamento, a entrada do Aeroporto Internacional de Lisboa se tornou a nova morada. Alguns foram até o Aeroporto Humberto Delgado alegando ter recebido instruções do Consulado brasileiro de que estariam confirmados em uma das aeronaves, outros se deslocaram até a capital portuguesa em busca de uma vaga remanescente. O resultado disso foram dias ao relento, sem dinheiro, sem comida e sem voos; já que muitos do que estariam confirmados na lista do Consulado, ao chegar em Lisboa, receberam a informação de que já não estavam mais.

Alex Santos é um dos brasileiros que se dirigiram ao Aeroporto Humberto Delgado seguindo recomendações que, segundo ele, partiram do Consulado ainda no dia 16 de abril “Eu vim pra cá (ao Aeroporto de Lisboa) quando confirmaram o meu voo para o dia 22 de abril e quando cheguei no aeroporto e fui perguntar, o meu nome já não estava na lista mais. Fui perguntar a razão e disseram que eu iria em um voo futuro, depois a mesma coisa. Agora eu estou aqui desde aquele dia esperando a resposta deles e não tenho resposta. Está tudo gravado no meu e-mail, eu não apaguei nada para ter a prova de tudo”, disse Alex.

“Eu sou o André, mais um dos brasileiros que estão sem condições financeiras de se manter. Estamos aqui no aeroporto desde o dia 25 de abril às 20h. Hoje teve o voo (de repatriamento) e quase todo mundo ficou para trás. Nós não somos irresponsáveis por termos vindo aqui sem termos sido chamados. Nós estamos aqui porque não temos mais condição, não temos dinheiro, não temos mais casa e nem comida. Estamos fazendo ‘vaquinhas’ para comer e as pessoas que estão aqui estão se ajudando pois não temos mais para onde ir”, relatou André Soncin, eleito porta-voz do grupo

“Os representantes do Consulado vieram aqui e simplesmente sairam pela porta dos fundos, como ratos, e não deram uma satisfação para nós, não disseram nada e simplesmente saíram pela porta dos fundos. Só que nós estamos aqui no relento, no frio [10ºC à noite] e não por sermos irresponsáveis, mas por não termos para onde ir, não temos mais o que fazer e o Consulado tem a obrigação de nos repatriar, nós somos brasileiros, trabalhadores e pais de família.”, continuou Soncin.“Tem crianças aqui sem leite, idosos, pessoas com remédios controlados e nós vamos para onde? Alguém me diz? Estamos todos aqui sem poder nem entrar no Aeroporto e por isso estamos do lado de fora há dias, quer dizer, já perdemos tudo, até a nossa dignidade”, desabafou o porta-voz do grupo.

O grupo de brasileiros também ressalta em sua defesa, diante de comentários sobre o fato de irem viver em Portugal, que de acordo com dados do Observatório das Migrações (OM), apenas a contribuição dos imigrantes residentes no país rendeu à Segurança Social em 2019, o dobro do valor arrecadado em 2013, e por isso o OM enfatiza a importância dos imigrantes para a economia do país e relata que “serão cada vez mais necessários para conduzir à sustentabilidade do sistema de Segurança Social português”.

O estudo confirma a frase usada por muitos membros do grupo que estava acampado na parte externa do Aeroporto Internacional de Lisboa, de que “ouvimos de muitos portugueses e até mesmo de outros brasileiros que não deveríamos ter vindo e que é melhor mesmo voltarmos para o nosso país, mas eles se esquecem de que todos aqui trabalham e contribuem para Portugal e que ninguém está aqui de graça. Viemos tentar a vida aqui com o mesmo direito que qualquer cidadão tem de ir ao Brasil e não queremos este tipo de julgamento”, disseram.

A primeira vitória – “Bom gente, desculpa esse tempo todo (sem se comunicar), o clima aqui foi tenso, foi horrível, mas a polícia esteve aqui e eles disseram que nós vamos embora amanhã. Todos nós que ficamos aqui na luta, vamos embora amanhã, nós conseguimos! A gente conseguiu! Graças a Deus e a vocês! Conseguimos! Conseguimos! Nós conseguimos!” disse André Soncin emocionado, ao receber a informação de que seu nome estava confirmado na lista de um dos voos de repatriamento.

O voo a princípio seria o último voltado para o repatriamento, e teve como passageiros treze membros do grupo que passou tantos dias acampados ao relento no Aeroporto de Lisboa, estando André entre eles. Em contrapartida, o número de brasileiros à espera do repatriamento que se iniciou com 30 pessoas, já passava dos 70, e coordenadores de grupos relacionados a este fim relatam que o real número deve passar dos trezentos, que aguardam retornar ao Brasil o quanto antes por não ter condições de se manter em Portugal.

“Tudo indica que na semana que vem, todos estarão em casa, mas eu só vou descansar mesmo quando todos estiverem a embarcar para o Brasil. Espero realmente que, se Deus for grande como é, eles consigam ir.. Vamos orar por eles, fazer uma corrente de energia forte para que eles consigam estar com suas famílias e filhos”, deseja José Rafael Batista, um português que abraçou a causa e desde sábado esteve junto com os imigrantes na luta pelo repatriamento dos brasileiros.

Ao desembarcar no Aeroporto Internacional de São Paulo, André Soncin, que viajou apenas com a roupa no corpo, já não era capaz de esconder a alegria de retornar para os braços de sua família: “Oi, pessoal! Acabei de chegar no aeroporto (de São Paulo), graças a Deus, graças a vocês. Eu devo muito a todas vocês, já que se não tivesse todo mundo se empenhando, nada disso seria possível. Estou sabendo que uma parte foi para um hostel e que terá um voo ainda vindo para o Brasil, alguém confirma isso para mim, senão eu não terei paz. Parece que nossa luta deu certo, que Deus abençoe a todos vocês, que lutaram; que ajudaram com doações; com palavras de apoio… Muito Obrigado!” disse.

Em comunicado divulgado nas redes socias, oficiais do Consulado do Brasil em Portugal, o órgão público alega ter feito todo o possível e que acredita ter cumprido sua missão “O Consulado-Geral em Lisboa, em coordenação com a Embaixada do Brasil e com os Consulados-Gerais sediados no Porto e Faro, de fato contratou, até o momento, seis voos de repatriamento em benefício de nacionais brasileiros. Cinco desses voos já chegaram a seu destino, e um sexto será operado nos próximos dias. No total, já foram beneficiados com a medida 1.494 nacionais brasileiros, e há a perspectiva de que mais de 300 embarquem no próximo voo. Até aqui, todos os voos partiram lotados”, diz a nota.

Os remanescentes – Treze membros do grupo de imigrantes brasileiros foram repatriados ainda em abril, os outros dezessete permanecem em Portugal aguardando uma resposta.

Após o voo do dia 30/4, com parte do grupo, eles receberam a informação de que não poderiam permanecer do lado de fora do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa e, sem o auxílio do Consulado brasileiro, recorreram à Segurança Social do governo português que, os alojou em um hostel, o Inatel de Oeiras, também em Lisboa, onde recebem também apoio psicológico.

“Depois de uma semana dormindo lá no aeroporto e sem resposta nenhuma do Consulado, a gente continua aqui em Portugal e ainda sem notícias e o que aconteceu é que o Estado português tomou as nossas dores e nos trouxe pra cá, no Inatel”, disse Ilker Luiz, que é natural de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. “Estamos aqui presos em Portugal, a única resposta que tivemos do Consulado é que nosso nome seria incluído em um voo futuro e que estariam analisando, mas o nosso critério não corresponde à ajuda humanitária, que é só para casos de urgência e a gente liga e não consegue resultado nenhum”.

“Poxa, todo mundo aqui está desempregado, todo mundo não tem para onde ir e estão morando embaixo da ponte aqui na cidade de Lisboa e o Consulado não toma nenhuma providencia para ajudar o seu próprio povo. Portugal tem tomado as nossas dores, através da linha 144, da Segurança Social de Portugal que, tem acolhido o que pode, mas o sistema deles já está sobrecarregado também e a única coisa que a gente quer é voltar para a casa é voltar para a nossa pátria brasileira e quem está cuidando da gente é Portugal. Que vergonha ver Portugal tomando as nossas dores e nosso país virando as costas pra gente. Isso não é admissível”, concluiu Ilker.

A esperança- A nova esperança para o grupo, que tanto lutou pelo repatriamento é o voo que acontecerá nesta sexta-feira, dia 22 de maio, que sairá de Lisboa com destino a São Paulo.

O voo sairá da capital portuguesa às 14 horas e com a viagem bem sucedida de outros compatriotas que passaram dias a fio acampados no Aeroporto Humberto Delgado, um grupo de brasileiros já está indo em direção à Lisboa para fazer filas e se manifestar, de maneira pacífica, o seu descontentamento com as autoridades brasileiras.

Segundo André Soncin, brasileiro repatriado e que segue como porta-voz do grupo, sua missão está prestes a ser cumprida, “Se Deus quiser conseguirei cumprir meu principal objetivo, que é conseguir o repatriamento dos meus companheiros de luta, que permaneceram junto comigo por tantos dias ao relento no aeroporto e que não conseguiram vir para o Brasil. Já é uma alegria imensa saber que eles estão no Inatel e estão sendo cuidados, bem assistidos pelo governo português e já com nome na lista do voo do dia 22 de maio”.

“Meu maior pesadelo é ver que meus companheiros lá que não conseguiram embarcar ainda em abril e que vão fazer isso agora. Minha expectativa é para que tudo dê certo e que todo mundo consiga seu objetivo, o seu repatriamento e estamos aqui ainda sonhando para que tudo aconteça da melhor forma possível e que todo mundo possa voltar ao seu país de origem. Aí sim poderemos dormir em paz, sabendo que nosso objetivo foi cumprido”, encerrou André.

“Fotografia”, Gal Costa:Magnificamente a voz de Gal e a linda canção de Tom. Isso basta.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

maio
21

Postado em 21-05-2020 00:16

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 21-05-2020 00:16

 

DO EL PAÍS

Empresário que rompeu com clã presidencial depõe por cinco horas à PF e diz que suas revelações vão “ao encontro” das de Moro. Delegados desmentem presidente

O presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira, em Brasília.
O presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira, em Brasília.Joédson Alves / EFE

Foi como acender um rastilho de pólvora. A decisão do empresário e presidente do PSDB no Rio de Janeiro, Paulo Marinho, de romper de vez com Jair Bolsonaro e afirmar que soube que integrantes da Polícia Federal atuaram para beneficiá-lo na campanha presidencial de 2018 incendiou de vez a investigação sobre as supostas tentativas do mandatário de interferir politicamente no trabalho da PF. Por cinco horas na tarde desta quarta-feira, Marinho, que é suplente do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e foi seu aliado até meados de 2019, prestou depoimento à Polícia Federal dentro do inquérito que investiga se o presidente cometeu cinco crimes ao tentar interferir politicamente na corporação. A investigação, aberta após a demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça no final de abril, se baseou nos relatos feitos pelo ex-juiz da Lava Jato.

Ao sair do depoimento, Marinho não revelou aos jornalistas o teor do que disse, alegando que poderia atrapalhar as investigações. Limitou-se a dizer que suas palavras iam ao “encontro” das acusações de Moro. Foi a sequência esperada do capítulo que ele abriu no fim de semana, quando, em entrevista à Folha de S. Paulo, trouxe novos elementos e personagens para a trama que enrola a família Bolsonaro. O empresário diz ter provas do que revelou ao jornal. Segundo esse antigo aliado de Bolsonaro, Flavio lhe contou numa reunião em sua casa que fora avisado, antes do segundo turno da eleição de 2018, que dois assessores dos Bolsonaro estariam entre os alvos da Operação Furna da Onça, um desdobramento da Lava Jato que, no dia 8 de novembro daquele ano, resultou na prisão de dez deputados estaduais suspeitos de receberem uma mesada ilegal dos governos de Sergio Cabral e de Luiz Fernando Pezão. A informação antecipada teria vindo de um delegado simpatizante do então candidato Jair Bolsonaro. Um dos alvos da investigação era o ex-assessor de Flávio, Fabrício Queiroz, suspeito de administrar um esquema milionário de apropriação de parte dos salários dos servidores do gabinete – a rachadinha.

O episódio narrado por Marinho acabou implicando outros personagens que terão de prestar depoimento. Segundo ele, Flávio esteve em sua casa junto com o o advogado Victor Granado Alves em dezembro de 2018. Alves foi o interlocutor de Flávio no encontro com o delegado que antecipou a operação que atingiria a família Bolsonaro em outubro de 2018, duas semanas antes do segundo turno. A justificativa do delegado que, segundo o relato, vazou a informação era de proteger a campanha eleitoral de Bolsonaro, favorito a vencer a eleição. Alves confirmou ao jornal O Globo a reunião que teve com Flavio na casa de Marinho no final de 2018.

Assessor próximo de Flávio, o escritório de Granado Alves recebeu 500.000 reais provenientes do fundo partidário do PSL entre fevereiro de 2019 e março de 2020 por prestar serviço de assessoramento jurídico ao diretório estadual do Rio de Janeiro —a legenda diz que vai cobrar os valores do advogado de volta. Flávio era quem dirigia o partido no Estado. O valor é proveniente de recursos públicos, algo que toda a família Bolsonaro costuma dizer que não precisava usar em sua campanha eleitoral. O advogado, que também é investigado no esquema da rachadinha, já defendeu o senador em casos envolvendo a uma franquia de chocolates do parlamentar e possui duas lojas da mesma rede.

Maitê Proença, que criticou Regina Duarte e provocou a ira da ex-secretária especial da Cultura durante uma entrevista recente, afirmou hoje que o sucessor da atriz no cargo será “mais um fantoche” nas mãos de Jair Bolsonaro.

Como noticiamos, o substituto de Regina deve mesmo ser o ator Mário Frias.

“Não importa [quem assumirá o cargo]. Será mais um fantoche. Se for um bom fantoche, dura. Se não for, cai”, disse Maitê ao Globo.

“Fica cada vez mais claro que a troca frenética de ministros e secretários acontece, principalmente, nos setores em que o presidente deseja que nada se mexa.”

maio
21

Postado em 21-05-2020 00:07

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 21-05-2020 00:07

Hospital em que Gil Vianna (PSL-RJ) estava internado usa protocolo do medicamento para tratamento do novo coronavírus


 

 
Ex-oficial da PM e do Exército, Vianna era aliado de Bolsonaro e cumpria mandato de deputado no Rio (foto: Reprodução/Instagram)
Ex-oficial da PM e do Exército, Vianna era aliado de Bolsonaro e cumpria mandato de deputado no Rio (foto: Reprodução/Instagram)

O deputado estadual fluminense Gil Vianna (PSL-RJ), aliado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e que morreu com a COVID-19 na noite dessa terça-feira, foi tratado com cloroquina. O medicamento, que teve protocolo de uso liberado em amplo aspecto nesta quarta-feira pelo Ministério da Saúde, é administrado, junto a outras medicações, no hospital em que o parlamentar estava internado, em Campos dos Goytacazes, no Rio.

Ex-oficial da PM e do Exército, Vianna tinha 54 anos e era aliado a Bolsonaro. A informação foi divulgada pelo jornalista Lauro Jardim, de O Globo. Segundo o colunista, a unidade de saúde já utilizava protocolo para medicação com cloroquina para pacientes da COVID-19 em estado grave.
 
Nesta quarta-feira, o Sistema Único de Saúde (SUS) recebeu sinal verde para o protocolo de uso da cloroquina também para casos leves da doença. A pauta era prioridade na visão do presidente Jair Bolsonaro desde o início da pandemia no Brasil e foi um dos motivos que causaram as demissões dos médicos Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich do Ministério da Saúde. Hoje o general Eduardo Pazuello comanda a pasta interinamente.

maio
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DO EL PAÍS

Multinacional enfrenta mais de 16.000 processos que acusam seus produtos de conterem componentes cancerígenos. Empresa reafirma segurança e diz que comercialização continuará no Brasil

O talco para bebês da Johnson e Johnson em uma prateleira na Farmácia Jack’s em San Anselmo, na Califórnia.
O talco para bebês da Johnson e Johnson em uma prateleira na Farmácia Jack’s em San Anselmo, na Califórnia.JUSTIN SULLIVAN / AFP
 Antonia Laborde

A Johnson & Johnson anunciou nesta terça-feira que deixará de vender seu talco para bebês nos Estados Unidos e Canadá. O gigante dos produtos de higiene e farmácia comunicou que a decisão se baseia na “reavaliação da carteira de produtos de consumo relacionada com a covid-19”. A J&J é ré em mais de 16.000 ações de consumidores que alegam que os talcos da empresa, principalmente o Baby Powder, lhes causaram câncer. A agência Reuters publicou no final de 2018 que a companhia sabia havia 40 anos que seus produtos continham uma pequena quantidade de amianto, uma substância cancerígena, algo que a J&J desmentiu em reiteradas ocasiões.

O conglomerado informou que o plano é reduzir nos próximos meses as vendas do produto, que representa aproximadamente 0,5% de seu faturamento no setor de saúde nos Estados Unidos, mas que o varejo continuará vendendo o estoque já existente até que se esgote. A decisão de descontinuar a venda do Baby Powder na América do Norte representa um marco para a companhia, que durante mais de um século promoveu a segurança de seu talco com base em “décadas de estudos científicos”, mas assegurou que “continuará defendendo energicamente o produto” nos tribunais.

Milhares de consumidores, em sua maioria mulheres com câncer de ovário, processaram a empresa por não ter advertido sobre os potenciais riscos de seus produtos. Um júri de Saint Louis (Missouri) ordenou em julho de 2018 à companhia que pagasse 4,69 bilhões de dólares (27 bilhões de reais, pelo câmbio atual) a 22 mulheres e a suas famílias, logo depois que estas atribuíram sua doença ao uso do produto para bebês, embora a evidência científica a esse respeito nunca tenha sido conclusiva. Meses antes de o veredicto ser anunciado, a FDA (principal autoridade sanitária dos EUA) fez um estudo com amostras do produto nas quais não detectou presença de amianto.

Krystal Kim, de Filadélfia, quem sobreviveu a dois episódios de câncer de ovário atribuídos ao produto da multinacional, e que foi uma das que ganharam o processo inicial, afirmou nesta terça-feira ao The New York Times que a decisão de retirar o talco do mercado é uma vitória. “Isto significa que não haverá mais meninas que passem pelo que nós passamos”, argumentou. “Isto se interrompe agora. Esse monstro está fora das prateleiras.” No resto do mundo, entretanto, continuará sendo comercializando. Relatórios divulgados durante o litígio mostraram que há meio século a empresa se preocupa com a possibilidade de haver rastros de amianto em seu talco.

Através da assessoria, a Johnson & Johnson garante que o produto seguirá nas prateleiras brasileiras. A empresa diz que a descontinuação da linha nos EUA e Canadá é “parte de uma avaliação mais ampla do portfólio relacionada à priorização durante a pandemia de covid-19. A demanda pelo produto diminuiu na América do Norte, principalmente em razão da mudança nos hábitos dos consumidores, potencializada por informações equivocadas sobre a segurança do produto e constante publicidade em relação aos processos litigiosos”. A J&J segue confiante na segurança do talco para bebês e afirma que “décadas de estudos científicos independentes realizados por médicos especialistas em todo o mundo apoiam sua segurança”.

maio
21

Postado em 21-05-2020 00:03

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 21-05-2020 00:03


 

Migue, NO

 

maio
21

Postado em 21-05-2020 00:02

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 21-05-2020 00:02

Durante entrevista sobre a pandemia, ex-presidente disse que “ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus”


CB Correio Braziliense

postado em 20/05/2020 15:57 / atualizado em 20/05/2020 18:34

 
(foto: Reprodução/Twitter)
(foto: Reprodução/Twitter)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu desculpas após usar usar a expressão “ainda bem” ao se referir ao surgimento do novo coronavírus. “Usei uma frase infeliz, que não cabia, para tentar explicar que é no auge da crise que a gente entende a importância do SUS e do Estado. Peço desculpas a quem se sentiu ofendido”, afirmou. 

A declaração polêmica aconteceu na terça-feira (19/5), em entrevista à revista Carta Capital que era transmitida pela internet. Lula disse: “Ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus. Porque esse monstro está permitindo que os cegos enxerguem, que os cegos comecem a enxergar, que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises”.
 

O pedido de desculpas, publicado em uma rede social, Lula também afirmou que poderia ter usado a palavra “infelizmente”, no lugar de “ainda bem”, o que o teria feito soar de maneira mais adequada.

“Eu sou ser humano movido a coração, eu sei o sofrimento que causa a pandemia, não poder enterrar seus parentes, eu não saio de casa do dia 12 de março até agora. Nasceu netinha minha e eu não fui ver. Acredito piamente, enquanto não tiver remédio, a melhor solução para não pegar a doença é ficar em casa”, acrescentou.

Bolsonaro nega “fritura” da atriz e anuncia a mudança na pasta em um vídeo no Twitter. Ela agora assume órgão mergulhado em crise financeira e ocupado por militares e políticos da extrema direita

A atriz Regina Duarte, no Palácio do Planalto, em 29 de janeiro.
A atriz Regina Duarte, no Palácio do Planalto, em 29 de janeiro.ADRIANO MACHADO / Reuters
 Diogo Magri|Joana Oliveira
São Paulo

A atriz Regina Duarte deixou na manhã desta quarta-feira a Secretaria da Cultura do Governo de Jair Bolsonaro. Ela, que havia assumido a pasta há pouco mais de dois meses, será transferida para o comando da Cinemateca Brasileira, em São Paulo, onde mora, alegando saudades da família. A informação foi confirmada em vídeo publicado na conta oficial de Bolsonaro no Twitter, onde Regina aparece bem-humorada e agradecendo ao presidente. A permanência de Duarte no Governo Bolsonaro já vinha sendo colocada em xeque havia algumas semanas, mas no anúncio o presidente negou ter “fritado” a atriz, a despeito de ter desidratado o poder da agora ex-secretária no comando da cultura do país.

No vídeo, Regina Duarte questiona, em tom de brincadeira, se Bolsonaro a estava “fritando” enquanto secretária da Cultura. “Toda semana, tem um ou dois ministros que estão sendo fritados para a imprensa. O objetivo é sempre desestabilizar a gente e jogar o Governo no chão. Não vão conseguir. Jamais iria fritar você”, respondeu entre risadas o presidente. A atriz agradece a Bolsonaro e chama de “sonho” e “presente” ser nomeada para comandar a Cinemateca, além de confirmar a “saudade dos netos” como motivo para deixar Brasília e voltar a São Paulo.

Regina Duarte assumiu a pasta no dia 4 de março de 2020, após uma novela de quase dois meses que se seguiu depois da demissão do antecessor Roberto Alvim, que usou trechos de um discurso nazista em um de seus pronunciamentos. O noivado entre Bolsonaro e a atriz foi mais marcante do que o breve período em que a intérprete efetivamente ocupou a pasta de Cultura. Sem implementar políticas para o setor, principalmente no momento em que a pandemia do novo coronavírus prejudica financeiramente artistas de todo o país, Duarte demorou dois meses apenas para nomear seu número 2. Pedro Horta, que era seu chefe de gabinete, assumiu como secretário especial adjunto.

Alvo de críticas da ala olavista do Governo mesmo antes de assumir a secretaria, Duarte enfrentou dificuldades até o último momento para fechar sua equipe. O pesquisador Aquiles Brayner, por exemplo, indicado para a diretoria do Departamento de Livro, Literatura e Bibliotecas, foi demitido três dias após sua nomeação, devido à pressão de perfis bolsonaristas nas redes sociais. Depois, Brayner afirmou que tais grupos formam um “grande complô para derrubar qualquer ação legítima no âmbito da cultura”.

Os momentos mais marcantes da breve passagem da atriz pela pasta foram seu silêncio perante as mortes de pilares da cultura brasileira, como o cantor e compositor Moraes Moreira, o escritor Rubem Fonseca e o compositor Aldir Blanc. Cobrada por profissionais do setor e pela imprensa, Duarte afirmou, em entrevista à CNN, no dia 7 de maio, que preferiu prestar suas condolências diretamente às famílias dos mortos —informação depois negada pelos familiares dos artistas.

A entrevista à CNN foi, quiçá, o adeus inicial à Secretaria Especial de Cultura. Durante a conversa, ela minimizou as mortes ocorridas durante a ditadura militar brasileira, chegando a rir sobre o assunto enquanto cantava a marchinha Pra Frente Brasil, símbolo da época. A entrevista acabou tornando-se um bate-boca entre a então secretária da Cultura e os apresentadores, e Duarte encerrou a conversa ao vivo, recusando-se a responder mais perguntas.

Ida para a Cinemateca

A atriz assume agora a Cinemateca em São Paulo, instituição federal com mais de 70 anos que se dedica a preservar a produção audiovisual brasileira. O mais cotado para substituí-la na Secretaria é o ator Mário Frias, que se encontrou ontem com Bolsonaro em um almoço, que também contou com as presenças dos presidentes de Vasco e Flamengo, para discutir a volta dos jogos de futebol no país.

O que Duarte considera um “presente” mais parece um presente de grego. A Cinemateca Brasileira está mergulhada em uma crise financeira e passou a ser ocupada por militares e políticos contrários aos que dizem ser o “marxismo cultural”. A Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), entidade que gere a Cinemateca, parou de receber os devidos recursos federais desde o vencimento do contrato de gestão em dezembro de 2019, e afirma que a Cinemateca —responsável pela gestão de mais de 250.000 rolos de filmes, além de além de um milhão de documentos que contam a História do cinema brasileiro— está sendo mantida com o dinheiro de caixa da instituição. A Acerp também afirma que os salários dos funcionários estão atrasados, situação agravada pela pandemia.

Além disso, desde setembro do ano passado, conforme noticiou o jornal Folha de S. Paulo, militares e políticos com agenda conservadora têm ocupado a Cinemateca e realizado reuniões para discutir eventos e a programação cultural da instituição. Em outubro, foi realizada uma mostra de filmes militares.

Na Cinemateca, Regina Duarte terá de conviver com Rodrigo Morais, assessor especial da Acerp e responsável por projetos. Ex-secretário-geral do PSL em São Paulo e próximo a Eduardo Bolsonaro, Morais também é admirador com as ideias de Olavo de Carvalho, principalmente a tese de que a direita deve combater a hegemonia cultural de esquerda.

maio
20

Postado em 20-05-2020 00:26

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 20-05-2020 00:26

 

DO EL PAÍS

Uma imagem do político fazendo compras foi amplamente difundida no Twitter

Não há ninguém mais popular em Portugal que seu presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, o Professor. Desde que ganhou as eleições por maioria absoluta, em janeiro de 2016, sua popularidade nunca minguou. Sua fórmula é agir como ele é: um político habituado a dar abraços, falar com todos e pôr as pessoas de acordo. Sua campanha eleitoral foi a mais barata de todas, e sua equipe cabia em um carro que, frequentemente, era dirigido por um filho dele.

Nunca habitou o palácio de Belém, sede da presidência, pois prefere continuar em sua casa de toda a vida, em Cascais. Ali, diariamente ?exceto durante a pandemia?, faça frio ou calor, toma um banho de mar às 8h da manhã e se seca tranquilamente na areia enquanto turistas ou jovens nativos aproveitam para fazer uma selfie. Geralmente é o próprio Rebelo de Sousa quem pega o celular dos fãs para tirar a foto, pois é quem tem mais prática. Em Portugal, se diz que, depois de cinco anos todos os portugueses já deverão ter uma foto com seu presidente.

No sábado passado ele foi ao supermercado. Talvez lhe faltassem iogurtes bifidus, que adora, ou sabão para a máquina de lavar roupa. Então se pôs na fila do Continente (a rede de supermercados), com sua máscara e seu short azul-celeste, um de seus preferidos. Sua presença não causou nenhuma surpresa entre os cidadãos, acostumados a esse tipo de comportamento por parte de Marcelo de Sousa, hoje numa fila do supermercado, ontem servindo refeições a indigentes. Mas no exterior a imagem parece ter surpreendido, tanto que foi amplamente reproduzida no Twitter.

 

A Internet da vizinha Espanha se mostrou especialmente surpresa ao descobrir que um presidente pode ir às compras com esse estilo. A foto em questão, por exemplo, conseguiu milhares de retuítes e reações em poucas horas, a grande maioria da Espanha. Muitas outras contas retomaram a imagem nas últimas horas, acumulando mais reações.

 Fundador do partido centrista PSD, católico, torcedor do Braga, comentarista nas mesas-redondas televisivas, Rebelo de Sousa decidirá em breve se disputa a reeleição, mais do que garantida, ou se aposenta para cumprir uma de suas promessas: assistir a doentes nos cuidados paliativos de hospitais.
 

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