Há um País que se perdeu pelo caminho, naturalizou as coisas erradas e temos o dever de enfrentar isso. E de fazer um novo País, ensinar as novas gerações de que vale a pena ser honesto, sem vingadores mascarados, sem achar que ricos criminosos têm imunidade”.

Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal, na última sessão do pleno antes do recesso do judiciário.

dez
12

Postado em 12-12-2018 00:05

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 12-12-2018 00:05



 

S. Salvador, no diário

 

dez
12

Postado em 12-12-2018 00:02

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 12-12-2018 00:02

Sandro Pozzi

  • Planta de maconha em San Luis Obispo, CalifórniaPlanta de maconha em San Luis Obispo, Califórnia Richard Vogel AP

A indústria do tabaco começa a apostar no florescente mercado da maconha. O grupo Altria, que entre suas marcas mais populares controla os cigarros Marlboro, começa a ocupar o terreno ao comprar ações da canadense Cronos, fabricante legal de maconha. A manobra procura abrir caminho para outras áreas além do cigarro tradicional, cujas vendas estão se desacelerando.

A Altria desembolsou 1,8 bilhão de dólares (sete bilhões de reais) para assumir 45% das ações da Cronos. É uma quantia pequena em comparação aos 25,6 bilhões de dólares que o conglomerado norte-americano faturou em escala global no ano passado. Mas a manobra poderia servir para marcar o começo de uma nova indústria à medida que o consumo da cannabis seja regulamentado.

A empresa tem um dilema. Atualmente controla 45% das vendas de cigarros nos EUA. O negócio é muito rentável: gera um lucro operacional de 8,4 bilhões de dólares por ano. Mas, ao mesmo tempo, a Altria precisa pensar no futuro e, para isso, controlar o produto fadado a substituir o tabaco parece uma boa opção, e ela tem recursos mais do que suficientes para sondar novas águas e assumir riscos.

A empresa matriz da Philip Morris levará à Cronos sua experiência de comercialização do tabaco, um fator que pode ser importante quando, num futuro não tão longínquo, a comercialização da maconha começar a ser padronizada em escala global. A Altria se reserva, além disso, a opção de continuar elevando seu investimento até assumir o controle de sua sócia se considerar oportuno. A Canopy Growth, rival da Cronos, já recebeu uma injeção de quatro bilhões de dólares da Constellation Brands, dona da cervejaria Corona.

Mas o futuro do negócio dependerá, em grande medida, do tempo que os EUA levarão para abrandar as regras em nível federal. O mercado da maconha é atualmente estimado em seis bilhões de dólares, com a previsão de chegar aos 10 bilhões nos próximos anos, à medida que mais Estados do país aprovam seu consumo para fins medicinais e recreativos. Todas essas manobras alimentaram o entusiasmo entre os investidores.

O Canadá autorizou há dois meses o consumo recreativo da cannabis. Howard Willard, executivo-chefe da Altria, observa que o investimento na Cronos “representa uma nova e estimulante oportunidade de crescimento” para a companhia, porque lhe permite se posicionar desde o começo em um “setor global emergente”, que crescerá “rapidamente durante a próxima década”.

Perda de brilho nas Bolsas e diversificação

A Altria busca, paralelamente, uma diversificação urgente na sua carteira, indo além dos produtos tradicionais à base de tabaco, com uma forte aposta no cigarro eletrônico. Há semanas especula-se que a empresa estaria negociando a aquisição de uma participação na Juul Labs, líder no setor dos cigarros eletrônicos, que está hoje sob forte pressão nos EUA por seu elevado consumo entre adolescentes.

As ações da Altria perderam um quarto de seu valor no último ano. Depois do anúncio da sexta-feira, entretanto, recuperaram 2%, enquanto as da Cronos tiveram alta de mais de 30% em uma só sessão. “É o sócio ideal”, afirma Mike Gorenstein, seu executivo-chefe, “porque nos dá os recursos e a experiência de que necessitamos para poder acelerar de forma significativa nossa estratégia de crescimento”.

Há, entretanto, um aspecto na operação que pode se chocar com o consumidor de maconha. A Altria é uma das corporações mais odiadas, porque o produto que vende tem graves consequências para a saúde, derivados da combustão do tabaco. A Cronos, por sua vez, concentra grande parte de seus ativos no negócio da maconha medicinal. Resta ver como essa aliança irá alterar a percepção social sobre a marca.

A injeção de liquidez que a Altria oferece lhe permitirá não só reforçar sua infraestrutura de distribuição, aproveitando a escala global do conglomerado. Também lhe abrirá o caminho para desenvolver novas marcas e produtos. Além da Canopy, a Cronos tem outros concorrentes: Tilray, Aphria e Aurora – na qual, especulou-se, a Coca-Cola poderia estar interessada. A Lagunita, uma marca de cerveja controlada pela Heineken, está vendendo água com infusão de cannabis na Califórnia, onde a droga é legal, e a filial Molson Coors tem uma empresa conjunta com a The Hydropothecary para comercializar bebidas desse tipo no mercado canadense. Trata-se de um mercado com muito futuro, sem dúvida.

dez
11

Postado em 11-12-2018 00:16

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 11-12-2018 00:16

bolsonaro
Bolsonaro durante a cerimônia de diplomação no TSE. ADRIANO MACHADO REUTERS

Juan Arias

  • Jair Bolsonaro, no ato solene de sua diplomação como Presidente da República na sede do TSE, revelou que pensa governar sem paraquedas e sem filtros. Não gosta da imprensa clássica que o poder tanto bajulou no passado.

O capitão da reserva e paraquedista do Exército deixou claro que sua relação com a sociedade será feita diretamente com as pessoas, através das redes sociais “sem intermediários”, cara a cara, twitter a twitter, a qualquer momento do dia e da noite.

De acordo com o novo presidente “o poder popular já não precisa de intermediários”. Adeus, portanto, às mediações diplomáticas, aos assessores de imprensa, às entrevistas jornalísticas coletivas. Para que se a tecnologia permite que ele se comunique sem filtros com as pessoas?

O primeiro gesto simbólico que confirma a postura revolucionária de Bolsonaro foi protagonizado durante a diplomação quando o espaço reservado ao seu encontro com a imprensa ficou vazio. Ele não apareceu.

Será uma revolução na comunicação de um Presidente com a população diretamente, ao vivo, sem que precise se submeter a perguntas indiscretas dos intermediários da comunicação?

O novo presidente sabe que os 57 milhões de votos que o levaram ao Planalto não foram dados pelas televisões e os grandes jornais, que o criticaram. Foram as redes, seus desabafos ao vivo, seu cara a cara com as pessoas.

Se não voltar atrás em seu propósito, certamente teremos um Presidente da República inédito, onipresente, que pode surpreender a qualquer momento com suas declarações. A pergunta que não pode deixar de ser feita é se esse novo modo de se comunicar com a sociedade sem filtros e intermediários será prerrogativa sua ou permitirá que tal revolução possa ser imitada por seus ministros, por seus três inquietos filhos e também sem paraquedas diplomáticos.

É uma aposta de risco. Moderna, sem dúvida, mas não isenta de graves perigos dada a responsabilidade e o poder que o Presidente da República exerce no Brasil.

Bolsonaro poderá esnobar a imprensa tradicional, se negar a usá-la e evitar seu assédio, algo que é parte intrínseca da imprensa que somente sendo oposição será fiel a sua missão de vigiar o poder e seus possíveis desmandos e pecados.

O capitão poderá prescindir da imprensa e dos jornalistas. O que não deve ignorar é que eles não prescindirão dele. Serão como uma mosca que o perseguirá gostando ou não.

A democracia tem suas regras e as instituições sua função e sua liberdade de ação. Melhor para todos, como se dizia no velho jornalismo, que seja tudo “à luz do dia”.

A verdade, por mais dura e criativa que seja, nunca deveria ter medo de ser questionada e iluminada. O medo à informação continuará sendo, com ou sem redes, a pior imagem que pode desejar transmitir um presidente que não tem nada a esconder.

Johnny Mathis – Christmas Album 2019 !!! Feliz You Tube !!!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)


O álbum inteiro vai dedicado em memória a Alaôr Soares, saudoso pai deste editor do BP, que amava a música intensamente e era fã da voz e do estilo de Mathis com igual intensidade. 

Viva a música! Viva Mathis! Eternidade para seu Alaôr!!!

(Vitor Hugo Soares)

Do Jornal do Brasil

 

O presidente eleito Jair Bolsonaro foi diplomando na tarde desta segunda-feira, 10, em cerimônia no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em um discurso sem tropeços, um emocionado Bolsonaro falou que o país vive um “novo tempo” e que a vontade popular “não precisa de intermediação”.

“Vivenciamos um novo tempo. As eleições de outubro revelaram uma realidade distinta das práticas do passado. O poder popular não precisa mais de intermediação. As novas tecnologias permitiram uma relação direta entre o eleitor e seus representantes. Neste novo ambiente a crença da liberdade é a melhor garantia de respeito aos altos ideias que balizam nossa Constituição. Diferenças são inerentes a uma sociedade múltipla e complexa como a nossa, mas jamais devemos nos afastar dos ideias que nos unem: o amor a pátria e o compromisso com a construção de um presente de paz”, disse o presidente eleito.

Macaque in the trees
Jair Bolsonaro (Foto: Governo de transição)

Bolsonaro também fez questão de agradecer a Deus por estar vivo. O presidente eleito defendeu ainda o resultado das eleições e frisou que o voto popular é “inquebrantável”.

“120 milhões de brasileiros compareceram às urnas de forma pacífica e ordeira, respondemos ao dever cívico do voto. Nós, brasileiros, devemos nos orgulhar dessa conquista. Em um momento de profunda incertezas em várias partes do globo, somos um exemplo de que a transformação pelo voto popular é possível. Este processo é irreversível. Somos o exemplo do poder do voto. Nosso compromisso com a soberania do voto popular é inquebrantável”, afirmou.

Bolsonaro chegou em Brasília na tarde desta segunda-feira para participar à tarde da cerimônia de diplomação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A entrega do diploma oficializou o resultado da eleição e dá direito ao eleito de assumir o mandato para o qual concorreu.

dez
11

Marina Rossi
João de Deus, durante atendimento em 2012.
João de Deus, durante atendimento em 2012. PEDRO LADEIRA AFP

O Ministério Público de Goiás instituiu uma força-tarefa nacional para apurar as denúncias de crimes sexuais contra o médium João Teixeira de Faria, 76, conhecido como João de Deus. Quatro promotores do Estado estão à frente da investigação sobre as supostas ocorrências, reveladas pelo Programa do Bial, da TV Globo, na sexta-feira, quando ao menos 13 mulheres relataram terem sido vítimas de crimes sexuais promovidos pelo líder religioso. Para coletar depoimentos que possam surgir de fora de Goiás, Estado onde o médium vive e trabalha, o MP anunciou uma coordenação nacional entre os promotores de outros Estados. Até agora, 40 mulheres se apresentam como vítimas de João de Deus, a maioria por meio do canal criado pela promotoria para receber as denúncias e devem ser ouvidas nos próximos dias. “Sabemos que há vítimas no país inteiro e fora do país”, afirmou Luciano Miranda Meireles, coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal (CAO) do MP-GO, durante entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira. “Não será necessário que elas venham até aqui. Elas podem prestar depoimento no Ministério Público local”.

Desde que as denúncias se tornaram públicas, na madrugada do sábado para o domingo na TV, a repercussão do caso só cresceu. O médium, que nega todas as acusações, se tornou famoso internacionalmente por tratar celebridades e políticos, como o ex-presidente Lula, e já foi entrevistado por Oprah Winfrey. Nesta segunda, a promotoria pontuou que ainda não é possível precisar o número de vítimas, já que nenhum depoimento foi prestado e os relatos foram feitos somente à imprensa, o que dificulta a investigação. “Para que o acusado seja ouvido, será preciso ter algo de material, de concreto”, afirmou Meireles. “Até o momento, nós temos uma reportagem de um programa de televisão”. Ele afirmou que há dois depoimentos agendados para a terça-feira, um em São Paulo e outro em Minas Gerais. “Esperamos que isso sirva para que as vítimas procurem o Ministério Público, para que elas saibam que elas são as vítimas. Elas não são as culpadas”.

De acordo com os relatos feitos pelas mulheres ao programa, os casos ocorreram entre 2010 e fevereiro de 2018. “Sabemos que muitas vezes as vítimas que sofrem esse tipo de violência demoram um tempo até denunciar”, afirmou a procuradora Patrícia Otoni, coordenadora do CAO de Direitos Humanos do MP de Goiás, que também faz parte da força-tarefa. Ela classificou as acusações como “gravíssimas”. Para facilitar o processo de coleta das eventuais denúncias, foi criado um e-mail para receber os relatos: denuncias@mpgo.mp.br. A promotoria afirmou garantir o sigilo dos depoimentos, não expor a vítima e, se necessário, providenciar segurança para elas. “Sabemos da influência que a pessoa que está sendo denunciada possui na localidade. Talvez a vítima que more aqui tenha menos coragem de denunciar”, reconheceu a promotora.

Absolvido em 2012

Os quatro promotores à frente do caso também contarão com o apoio de duas psicólogas para dar suporte às eventuais vítimas. Meireles explicou que os depoimentos podem ser suficientes para uma eventual condenação, já que se trata de um crime que muitas vezes não encontra provas materiais. “É claro que não vamos encontrar vestígios do crime, nem lesão corporal, ou algum tipo de ferimento na mulher. Principalmente se já passou algum tempo”, diz. “Então, o depoimento da vítima em algumas situações pode sim ser o único meio a levar a uma condenação. E não há por que duvidar de uma mulher que venha até o Ministério Público, que corre o risco de se expor, a troco de nada”.

A promotoria explica que, a partir dos depoimentos, será possível definir os rumos do processo e as eventuais medidas cautelares a serem tomadas, como intimar o acusado a depor ou até mesmo interditar o templo do médium, mantido em Abadiânia (GO). “Se for verificado que aquele ambiente era um ambiente voltado para a prática do crime, a interdição do estabelecimento vai ser uma dinâmica necessária”, afirmou Meireles.

Ao portal G1, o advogado Alberto Toron, que defende o médium, afirmou que seu cliente nega as acusações “enfaticamente”, e que ele está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos. Toron também disse que o “padrão” de atendimento de João de Deus é em grupo e não individualmente, ao contrário do que as supostas vítimas apontaram nos relatos. O advogado afirmou, por fim, que nesta segunda-feira ele e seu cliente iriam até as autoridades judiciárias de Abadiânia para se colocar à disposição dos investigadores. Até o fechamento desta reportagem, o médium ainda não havia se apresentado à Justiça.

Caso um inquérito seja aberto, esse não será o primeiro envolvendo denúncias por abusos sexuais contra João de Deus. Em 2012, o médium chegou a ser denunciado por assédio sexual, mas foi absolvido na sequência, por falta de provas. Agora, se virar réu, ele pode responder por estupro, violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável.

dez
11

Postado em 11-12-2018 00:08

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 11-12-2018 00:08

Do Jornal do Brasil

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, defendeu hoje (10) os direitos humanos durante cerimônia de diplomação do presidente eleito, Jair Bolsonaro, e do vice, general Hamilton Mourão.

A diplomação é o último passo formal para que a chapa vencedora das eleições presidenciais de outubro possa tomar posse no dia 1º de janeiro.

Rosa Weber discursou após Bolsonaro e lembrou que é comemorado nesta segunda-feira (10) 70 anos da aprovação da Declaração Universal dos Direitos Humanos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Para a ministra, a declaração assegurou que todos devem ser tratados igualmente e que as minorias devem ser respeitadas.

Macaque in the trees
Cerimônia de diplomação de Jair Bolsonaro (Foto: tse)

“A democracia é também exercício constante de diálogo e de tolerância, de mútua compreensão das diferenças, sopesamento pacífico de ideias distintas, até mesmo antagônicas, sem que a vontade da maioria, cuja legitimidade não se contesta, busque suprimir ou abafar a opinião dos grupos minoritários, muito menos tolher ou comprometer os direitos constitucionalmente assegurados”, disse.

Eleições limpas

Sobre o resultado das eleições, a presidente disse que a entrega dos diplomas ao presidente eleito e seu vice representa a celebração de democracia e a consagração da vontade da maioria da população, que escolheu seu candidato por meio de eleições limpas.

“O TSE garantiu a certeza e a legitimidade do resultado das urnas e assegurou a vontade soberana do povo”, afirmou.

Jair Bolsonaro foi eleito presidente da República no segundo turno, com 55,13% dos votos válidos, o equivalente a 57,7 milhões de votos. O candidato do PT, Fernando Haddad, ficou em segundo lugar, e recebeu 44,87% dos votos, que equivalem a 47 milhões.

A diplomação dos candidatos eleitos pela Justiça Eleitoral confirma que os vencedores do pleito cumpriram todas as formalidades exigidas pela lei, como a aprovação das contas financeiras da campanha, e estão aptos para tomarem posse e exercerem os mandatos.

A diplomação para os cargos de governador, senador, deputados estaduais e federais é realizada pela Justiça Eleitoral nos estados.

dez
11

Postado em 11-12-2018 00:06

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 11-12-2018 00:06



 

Jorge Braga, no jornal (GO)

 

dez
11

Postado em 11-12-2018 00:03

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 11-12-2018 00:03

Eleitores de Bolsonaro doam R$ 1,3 milhão à Santa Casa de Juiz de Fora

 

Após mobilização que começou nas redes sociais, eleitores de Jair Bolsonaro doaram R$ 1.306.269,00 para a Santa Casa de Juiz de Fora, informa o Estadão.

Balanço divulgado hoje apontou que 54.905 pessoas participaram da mobilização para ajudar o hospital da cidade mineira, onde o então candidato sofreu cirurgia logo após ser esfaqueado, em 6 de setembro.

Segundo o presidente da Santa Casa, Renato Villela Loures, a campanha foi espontânea e não teve a participação do hospital. O dinheiro arrecadado, disse Loures, será investido em um novo CTI.

Até tu, papa Francisco?

O papa Francisco, no Vaticano, no dia 28 de novembro
O papa Francisco, no Vaticano, no dia 28 de novembro ETTORE FERRARI EFE

 

Tanto a Igreja Católica como as confissões evangélicas mantêm um medo atávico da sexualidade, do qual não conseguem se livrar. Até o papa Francisco, que com sua famosa frase aos jornalistas, “Quem sou eu para condenar a um homossexual?”, parecia ter aberto uma porta de esperança e compreensão da Igreja para com os diferentes, agora recuou.

Queixa-se agora Francisco de que a Igreja parece “inundada pela moda da homossexualidade”. E se espanta de que tantos sacerdotes e religiosos “se declarem homossexuais”, e pede que “sejam tomadas medidas para que não escandalizem”.

Não seria difícil responder ao papa Francisco, que nos havia admirado com sua liberdade de espírito e seu desprendimento do poder, que a Igreja deveria se preocupar mais com o pecado e o escândalo dos sacerdotes pedófilos, que abusam da sua condição para seduzir e violentar menores. Os sacerdotes homossexuais não representam nenhum escândalo, e eles estão sujeitos, assim como os heterossexuais, a respeitar o compromisso com o celibato que aceitaram voluntariamente. Nada mais.

Seria mais normal que, a esta altura, a Igreja Católica acabasse abolindo o celibato obrigatório como condição para exercer o sacerdócio. Não se trata de nenhum dogma de fé, e menos ainda de algum ensinamento dos evangelhos. A obrigação do clero secular de professar o celibato nasceu tarde na Igreja, na qual durante séculos não só sacerdotes, mas também bispos e até papas, eram casados e tinham família, começando por são Pedro, cuja sogra Jesus curou.

Todas as confissões cristãs se inspiram nos evangelhos. E é curioso que em nenhum deles exista uma só palavra, recomendação ou condenação da sexualidade nem da homossexualidade. Não se encontra uma só palavra sobre o tema na boca de Jesus, que certamente também era casado. Tão pouco medo tinha da sexualidade que foi acusado de ser “amigo de prostitutas”, sobre as quais chegou a dizer que teriam um lugar preferencial no paraíso.

Nem o exercício da sexualidade nem a homossexualidade são tratados nos evangelhos. Era algo que não preocupava o profeta de Nazaré. Suas prioridades foram sempre, pelo contrário, os marginalizados, os desprezado e os que sofriam os açoites da injustiça social.

Por que então esse medo dos religiosos quanto ao exercício da sexualidade, a força motriz não só dos humanos como também de toda a natureza, já que do seu exercício depende a sobrevivência das espécies?

Talvez esse medo da sexualidade, que a Igreja sempre viu como ameaça e pecado, alheia aos evangelhos, se deva a que a vida tem sido vista mais sob o ângulo da dor e da renúncia que da felicidade e do prazer. A Igreja associou tantas vezes o prazer ao pecado e a dor à virtude.

Renunciar ao exercício da sexualidade é para as Igrejas algo mais digno e agradável a Deus que seu exercício. Durante muito tempo, a Igreja exigia aos casais católicos que no exercício da sexualidade, destinada à procriação, se abstivessem ao máximo de desfrutá-la. Copulava-se só para gerar, durante os dias de fertilidade da mulher, para dar filhos a Deus. O prazer deveria ser eliminado ao máximo.

Entretanto, recordo que no Concílio Vaticano II, convocado pelo papa João XXIII, que foi considerado como o da revolução da Igreja, teve lugar uma grande discussão sobre a finalidade da sexualidade humana. Aqueles 3.000 bispos de todo o mundo, reunidos em Roma, vindos dos cinco continentes, pela primeira vez em 20 séculos de história da Igreja defenderam que a sexualidade não era só um meio destinado à procriação, mas também “um instrumento de diálogo” entre os seres humanos. Foi uma revolução copernicana.

Passaram-se mais de 50 anos daquele Concílio que devolveu à sexualidade sua dignidade e sua condição de nova linguagem da comunicação humana. É triste que ainda hoje, com a nova revolução dos gêneros e o maior conhecimento sobre as diversas formas humanas de viver e exercer sua sexualidade, sem distinções racistas ou farisaicas, a Igreja continue com esses medos.

Medo não só da homossexualidade, como se se tratasse de uma peste da qual defender os cristãos, e sim da própria sexualidade como tal. Algo tão perigoso (na Igreja, chegou a falar-se em algo “sujo”) que hoje quer proibir que se fale dela às crianças e jovens nas escolas.

Na verdade, por trás desse medo da sexualidade esconde-se algo mais profundo e perigoso, que é a convicção de tantos religiosos de que esta vida é só uma passagem para a eternidade. Que, aqui, quanto mais se sofra e mais se castre o prazer e a felicidade, mais Deus abençoará.

Alguém estranha que esteja crescendo o número de agnósticos e ateus no Brasil e no mundo? E que a religião, que deveria ser libertadora de medos e tabus, oferta de felicidade e encontro espiritual e corporal, esteja se tornando um perigo de alienação e discriminação?

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