Há um País que se perdeu pelo caminho, naturalizou as coisas erradas e temos o dever de enfrentar isso. E de fazer um novo País, ensinar as novas gerações de que vale a pena ser honesto, sem vingadores mascarados, sem achar que ricos criminosos têm imunidade”.

Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal, na última sessão do pleno antes do recesso do judiciário.

maio
29

Postado em 29-05-2020 00:38

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 29-05-2020 00:38

DO EL PAÍS

Enquanto ataca Corte, presidente se aproxima do Congresso e oferece vaga no Supremo ao PGR, que o investiga. “É a interpretação de quem conspira contra a democracia”, diz Oscar Vilhena

Bolsonaro é observado pelo ministro Augusto Heleno na frente do Palácio da Alvorada.
Bolsonaro é observado pelo ministro Augusto Heleno na frente do Palácio da Alvorada.Joédson Alves / EFE
 Afonso Benites|Carla Jiménez
Brasília e São Paulo28 may 2020 – 23:45 BRT

Em conflito aberto com o Supremo Tribunal Federal e diante de inquéritos que acossam a ele e parte de seus mais fieis militantes, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) invocou por meio de suas redes sociais uma “intervenção militar pontual”, ou seja, um golpe contra outros poderes constituídos. Na tarde desta quinta-feira, quando em suas contas no Twitter e no Facebook, o mandatário compartilhou uma entrevista concedida pelo advogado constitucionalista Ives Gandra Martins, na qual ele defendeu que o artigo 142 da Constituição permite uma intervenção das Forças Armadas em outros poderes para a garantia da lei e da ordem. “Live com Ives Gandra: A politização no STF e a aplicação pontual da 142”, escreveu o presidenteNa entrevista, o advogado disse que, em casos extremos, quando começasse a haver um choque entre poderes, os militares exerceriam um “poder moderador” e interviriam em outra instituição. “Caso contrário, o que teríamos seria um superpoder. Existe um poder máximo que é Supremo, o Judiciário, e existem poderes menores, subpoderes, que seriam o Legislativo e o Executivo. E cada vez que houvesse um conflito, mesmo que parte do conflito fosse o poder Judiciário, seria o próprio poder Judiciário era quem decidiria em causa própria”.O EL PAÍS consultou dez juristas, três deles que preferiram não ter seus nomes revelados pelos cargos que ocupam, e todos afirmaram, unânimes, que não há a figura de “intervenção militar” que não seja um golpe. Parte deles opina, inclusive, que o presidente, que já havia participado de manifestações golpistas, incorreu no crime de incitar um golpe de Estado.Pela manhã, Bolsonaro, que usava uma gravata azul com desenhos de pequenos fuzis enfileirados, já havia demonstrado inconformismo com uma decisão de quarta-feira do ministro Alexandre de Moraes, da Suprema Corte, no âmbito do polêmico inquérito das fake news. Era uma ordem de apreensão de computadores, celulares e tablets de 29 bolsonaristas, além da quebra de sigilos bancário e fiscal de quatro deles, parte da apuração sobre uma rede de disseminação de boatos contra o STF. “Ontem foi o último dia. Eu peço a Deus que ilumine as poucas pessoas que ousam se julgar melhor e mais poderosos que os outros que se coloquem no seu devido lugar, que nós respeitamos”, disse. E seguiu exaltado: “Não podemos falar em democracia sem um Judiciário independente, sem um Legislativo independente, para que possam tomar decisões não monocraticamente, por vezes, mas as questões que interessam ao povo que tomem, de modo que seja ouvido o colegiado. Acabou, porra”.Em entrevista à rádio Bandeirantes, o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, opinou na mesma linha. “Vou me valer de novo das palavras de Ives Gandra Martins: o poder moderador para restabelecer a harmonia entre os Poderes não é o STF, são as Forças Armadas (…) Eles [militares] vêm, põem um pano quente, zeram o jogo e, depois, volta o jogo democrático. É simplesmente isso”.Todos os discursos ocorrem seis dias depois de o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, emitir uma nota à República para advertir das consequências “imprevisíveis” para a “estabilidade nacional” caso o Supremo decidisse requisitar o celular do presidente no curso de uma investigação contra o presidente —há um pedido em análise na Procuradoria-Geral da República. A nota foi endossada pelo Ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, num inusual participação do chefe das Forças Armadas em questões de política interna.O presidente “conspira contra a democracia”

Para Oscar Vilhena, professor da FGV Direito em São Paulo, Bolsonaro e seu clã, ao invocar o artigo 142 da Carta, usam a “interpretação de quem conspira contra a democracia e não é capaz de interpretar um artigo dentro do quadro geral da Constituição”. “Trata-se de uma interpretação enviesada de que seriam as Forças Armadas, e não o Supremo, que têm a última palavra sobre a defesa da Constituição”, diz Vilhena.

“Ele está claramente incitando golpe, ele e o filho [Eduardo]”, disse o advogado especializado em direito público Marco Aurélio de Carvalho. A mesma opinião tem Cezar Britto, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil e membro da Comissão Brasileira de Justiça e Paz. “Em nenhuma hipótese as Forças Armadas podem atuar a pedido dos poderes. Elas podem atuar para garantir a democracia, mas nunca contra a democracia”.

O advogado constitucionalista Guilherme Amorim Campos da Silva concorda que “não existe intervenção militar constitucional, como tem pregado o presidente”. Ele acredita que o mandatário está incorrendo em crime de responsabilidade ao quebrar o juramento de defender a Constituição. “As Forças Armadas entram em ação a pedido de algum dos poderes constituídos, para garantir a institucionalidade do país, e não para atuar como força autônoma ou soberana sobre os demais”.

Na opinião do criminalista José Carlos Abissamra Filho, diretor do Instituto em Defesa do Direito de Defesa, o presidente tem ficado sozinho politicamente e vem tentando se vincular à instituições que gozam de prestígio social, como Polícia Federal e Forças Armadas. “Ele vem pedindo esse apoio das Forças Armadas há algumas semanas já. Essa é mais uma tentativa. Está esperando para ver se as Forças Armadas vão dar. Eu não vejo clima para que isso ocorra”.

O constitucionalista Erick Pereira segue na mesma linha. Para ele, Bolsonaro faz um discurso “intimidador, mas inexequível”. “Não tem espaço constitucional para isso. Apenas se for ato de violência ditatorial e este não precisa da Constituição”. Outro especialista em direito público, Cristiano Vilela diz que o presidente tem andado no limite da incitação a um golpe. “Ele tem feito isso regularmente. Tem dado declarações que deixam a entender, mas sem dizer literalmente”.

Supremo e promessa a Aras

A aposta de Bolsonaro na tensão máxima com o Supremo acontece em meio à expectativa de que o plenário da Corte julgue, na próxima semana, a legalidade do inquérito das fake news, instaurado pelo próprio tribunal e objeto de debate no mundo jurídico. O relator do caso, Edson Fachin, pediu celeridade nessa análise, já que o procurador-geral, Augusto Aras, pediu a sua suspensão na quarta-feira. No ano passado, Aras, indicado por Bolsonaro, entendia que a apuração era legítima, agora, mudou de ideia.

Detalhe da gravata de Bolsonaro, fuzis enfileirados.
Detalhe da gravata de Bolsonaro, fuzis enfileirados.Joédson Alves / EFE

Aras é uma figura central no xadrez político-jurídico não só por causa desta atuação no inquérito relatado por Moraes, mas também porque é ele quem decidirá se Bolsonaro deve ou não ser denunciado por suposta interferência na Polícia Federal. Depois de visitá-lo pessoalmente nesta semana, Bolsonaro resolveu, nesta quinta, oferecer a ele, em público, uma possível vaga no Supremo Tribunal Federal.

Em sua tradicional live de quinta-feira no Facebook, na qual abriu espaço para comentaristas da rádio Jovem Pan lhe fazerem perguntas, Bolsonaro teceu elogios a Aras. O mandatário disse que o procurador está fazendo um excelente trabalho, principalmente na área econômica e que, se ele pudesse indicar um terceiro ministro para o STF, o nome seria o de Aras. “Se aparecer uma terceira vaga, espero que ninguém ali desapareça, o Augusto Aras entra fortemente para essa vaga aí”. Até 2022 estão previstas duas aposentadorias de ministros da Corte a de Celso de Mello em novembro deste ano e a de Marco Aurélio Mello, em 2021.

Enquanto atacava na redes sociais o Supremo por um lado, por outro, o presidente recebia o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que tenta atuar como bombeiro na crise. Em um relato feito a senadores, Alcolumbre disse seu objetivo é pedir calma ao presidente enquanto o país enfrenta a pandemia de coronavírus.

O gesto do presidente do Senado é importante porque a estratégia de Bolsonaro parece ser por água na fervura do conflito, mas sem perder a retaguarda no Congresso. Para tanto, tem forjado aliança com o Centrão, grupo de partidos de direita que aceitou apoiá-lo em troca de cargos e acesso a fundos públicos, e com parte da cúpula do Parlamento. Com os acordos já feitos, em tese, Bolsonaro consegue evitar o andamento de processos de impeachment ou de denúncias criminais na Câmara – já que as legendas do Centrão somam cerca de 200 deputados, 28 a mais do que o mínimo necessário para barrar os intentos. “Atendemos, sim, alguns interesses desses partidos”, disse o presidente sobre o Centrão nesta quinta-feira. Na campanha eleitoral, era comum ouvir do então candidato e de seus aliados mais próximos a afirmação de que o mal do Brasil estava nesse grupo partidário, que representava “a velha política”.

Por causa desta blindagem no Congresso, a oposição usa todas as armas jurídicas disponíveis contra o Planalto e ministros diz que a expectativa é que qualquer atitude contra o Governo venha ou do Supremo ou uma mobilização da sociedade no segundo semestre. “A panela de pressão vai estourar depois de julho, quando a economia degringolar por causa da pandemia”, ponderou o líder da minoria na Câmara, José Guimarães (PT-CE).

maio
29

Postado em 29-05-2020 00:35

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 29-05-2020 00:35

Do Jornal do Brasil

 

A rejeição ao presidente Jair Bolsonaro subiu de 38% para 43% em maio na comparação com abril e atingiu patamar recorde, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, que mostrou ainda uma consolidação do apoio ao presidente em 33%.
Macaque in the trees
Presidente Jair Bolsonaro ajeita máscara na saída do Palácio da Alvorada (Foto: Reuters/Adriano Machado)

O levantamento foi realizado nos dias 25 e 26 de maio, portanto após a divulgação quase na íntegra de reunião ministerial no âmbito de inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura suposta interferência política de Bolsonaro na Polícia Federal, segundo o jornal Folha de S.Paulo, que publicou os resultados da pesquisa.

Aqueles que consideram o presidente regular passaram de 26% em abril para 22%, indicando uma migração de pessoas que estavam nesse campo para uma avaliação negativa, uma vez que o percentual de ótimo/bom se manteve estável em 33% e aqueles que responderam não saber passarem de 3% para 2%.

A pesquisa ouviu 2.069 pessoas por telefone e tem margem e erro de 2 pontos percentuais, informou a Folha.

No início da gestão Bolsonaro, em abril do ano passado, pesquisa Datafolha mostrou uma divisão em três partes dentro da margem de erro a respeito da avaliação de Bolsonaro: 30% de ruim/péssimo, 32% de ótimo/bom e 33% de regular.

Os número de agora apontam para uma separação maior entre a avaliação positiva e a negativa, com uma diferença de 10 pontos —43% de ruim/péssimo ante 33% de ótimo/bom.

A maior polarização ocorre no momento em que o presidente trava uma disputa com o STF diante de inquérito contra fake news que investiga aliados e apoiadores de Bolsonaro, e também diante da guerra travada pelo presidente com governadores devido às medidas de combate ao novo coronavírus.

Bolsonaro também perdeu o apoio do ex-juiz Sergio Moro, que deixou o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública no mês passado e acusou Bolsonaro de tentar interferir na PF.

Na comparação com outros presidentes da República em momentos similares do governo, Bolsonaro tem a aprovação mais baixa e a reprovação mais alta.

A ex-presidente Dilma Rousseff, que acabou sofrendo impeachment em seu segundo mandato, era aprovada por 64% nesse momento em seu primeiro mandato e reprovada por apenas 5%. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha 38% de aprovação e 17% de reprovação, segundo a Folha.

Segundo o Datafolha, passou de 49% para 52% o percentual daqueles que consideram que Bolsonaro não possui mais capacidade de governar, enquanto permaneceu estável em 45% a parcela que considera que ele ainda tem.

Depois da divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, em que Bolsonaro aparece várias vezes exaltado e falando muitos palavrões, o número daqueles que consideram que Bolsonaro “em nenhuma situação se comporta como um presidente da República deveria se comportar” subiu para 37%, em comparação com 28% no mês passado, enquanto 13% disseram que ele se comporta adequadamente em “todas as ocasiões”, ante 14%.

Também cresceu o percentual dos que disseram nunca confiar nas declarações do presidente, passando de 38% em abril para 44% em maio, enquanto recuou de 37% para 32% o número daqueles que disseram confiar às vezes na fala de Bolsonaro. Manteve-se estável em 21% o percentual daqueles que disseram sempre confiar.(Reuters)

maio
29

Postado em 29-05-2020 00:33

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 29-05-2020 00:33



 

Cau Gomez, no portal 

 

maio
29

Postado em 29-05-2020 00:30

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 29-05-2020 00:30

DO CORREIO BRAZILIENSE

O parlamentar, que já tem histórico de ataques ao STF, disse que uma ruptura institucional “não é mais uma opinião de se, mas de quando”


(foto: Maryanna Oliveira/Camara dos Deputados)
(foto: Maryanna Oliveira/Camara dos Deputados)

Maia disse ter considerado “grave” a fala do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, que também atacou o Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta. O parlamentar, que já tem histórico de ataques ao STF, disse que uma ruptura institucional “não é mais uma opinião de se, mas de quando”. 

 Para o presidente da Câmara, a fala “é muito ruim, é muito grave”. “Frases como essa apenas criam um ambiente de maior radicalismo entre as instituições, e isso é ruim”, afirmou. Ele assegurou que o Supremo “vai continuar tendo o apoio do Legislativo para tomar suas decisões de forma independente”.
“Se algum partido entender que há um crime na frase dele, pode representar no Conselho de Ética”, orientou Maia. O Conselho não tem trabalhado nos últimos meses, durante a pandemia, mas pode ser acionado. O deputado Marcelo Freixo (PSol-RJ) anunciou pouco depois, em sessão remota do plenário, que entrará com representação contra o deputado. 
Parlamentares de vários partidos também rechaçaram as falas do presidente e dos filhos, classificadas como autoritárias. “Não ficaremos inertes a qualquer ataque ao poder Judiciário”, disse Alessandro Molon (PSB-RJ), líder do partido na Câmara. “O que está em jogo é a nossa democracia e nós vamos defendê-la”, disse. 
Deputados também lembraram que, desde a campanha eleitoral em 2018, Eduardo dizia que, para derrubar a Corte, bastariam “um cabo e um soldado”. “Ele está afirmando isso de novo, que só não sabe quando, mas que vai haver fechamento, golpe de Estado”, disse Ivan Valente (PSol-SP). Ele cobrou posicionamento mais enfático de Maia. “Tem que dizer que isso não e tolerável, é ditadura”, afirmou.

DO EL PAÍS

Atlas Político mostra que gestão do presidente é considerada ruim ou péssima para 58%. Fora de ministério, Moro sofre abalo na imagem

O presidente Jair Bolsonaro na saída do Palácio da Alvorada, nesta terça-feira.
O presidente Jair Bolsonaro na saída do Palácio da Alvorada, nesta terça-feira.Joédson Alves / EFE
 Daniela Mercier
São Paulo
Em um mês em que a crise sanitária do coronavírus saiu do controle, elevando o Brasil ao segundo lugar mundial em número de casos, e em que crescem os indícios de sua interferência política na Polícia Federal para proteger sua família, o presidente Jair Bolsonaro vê a reprovação ao seu Governo aumentar: 58,1% dos brasileiros avaliam a gestão como ruim ou péssima, aponta pesquisa Atlas Político divulgada nesta quarta-feira. A imagem pessoal do presidente, porém, não segue a mesma deterioração, um indicativo de que o mandatário do país conserva apoio em suas bases.

Desde o levantamento realizado em 25 de abril, logo após o ministro Sergio Moro ter anunciado sua demissão e lançado as acusações que hoje pressionam o presidente, os índices de aprovação e desaprovação do desempenho de Bolsonaro permanecem estáveis, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais. Na nova pesquisa, Bolsonaro mantém alta reprovação (65,1% agora, ante 64,4% há um mês) e sofre ligeiro aumento na aprovação (32,9% agora, ante 30,5% em abril).

A pesquisa —que ouviu 2.000 pessoas entre domingo e terça-feira de forma online, com amostra que reflete a população brasileira adulta— é a primeira realizada após a divulgação do vídeo de uma reunião ministerial que reforça indícios de que o presidente tentou trocar o comando da Polícia Federal para evitar investigações contra sua família e aliados, suspeita que é alvo de uma apuração no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF). A gravação mostra também o descaso oficial em relação à pandemia e evidencia a dinâmica das discussões do Governo, com o uso de palavrões, insultos a autoridades e outros Poderes e defesa de agenda contra minorias e o meio ambiente.

Foi também no período entre as duas pesquisas que Bolsonaro deu uma de suas declarações mais polêmicas sobre a pandemia, ao ser questionado sobre o aumento do número de mortes em 28 de abril. “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?”, afirmou a jornalistas. Desde então, o presidente elevou as críticas às medidas de isolamento social implantadas por Governos locais e reforçou a defesa da reabertura da economia, mediando o lobby de empresários que externaram preocupação com a “morte de CNPJs” em decorrência da crise.

O fato de esse discurso não abalar a imagem pessoal do presidente pode estar alinhado com a perda do apoio popular às medidas de contenção do vírus, como o fechamento do comércio e de escolas. Apesar de 72% dos entrevistados afirmarem concordar com esse tipo de política hoje, esse apoio caiu 10 pontos percentuais desde março, enquanto o índice dos que dizem discordar do isolamento cresceu de 13% para 24% no mesmo período.

O cientista político Andrei Roman, criador do Atlas Político, ressalta que há grande disparidade de leitura da condução da pandemia entre eleitores e não eleitores de Bolsonaro no segundo turno de 2018. Se entre quem votou no presidente a aprovação ao isolamento se divide (47% dizem aprová-lo, o mesmo de reprovação), esse percentual salta entre os eleitores do petista Fernando Haddad (96%). “Há uma polarização ideológica que aumenta a distinção entre esses dois grupos”, aponta. “Essa é uma dimensão-chave para a leitura dos dados [sobre o apoio às medidas de isolamento]”.

De acordo com o pesquisador, a diferença entre a estável aprovação pessoal de Bolsonaro e a queda da aprovação de seu Governo pode indicar que uma parcela da população guardava esperanças em relação à gestão, mesmo não gostando do estilo do presidente. A queda de outro ministro no período —médico Nelson Teich, da Saúde— parece ter influenciado nessa mudança de percepção.

Moro perde apoio

Pivô da investigação contra Bolsonaro, o ex-ministro Sergio Moro perdeu apoio desde a sua saída do Governo e, pela primeira vez, tem a percepção negativa (43%) de sua imagem igualada à avaliação positiva (42%), considerando a margem de erro. Para Roman, apesar de a aprovação ao ex-juiz ainda ser considerável e maior do que a do próprio presidente, Moro vive agora sua pior situação desde o auge da Lava Jato. Em abril, a aprovação do ex-ministro chegou a 57%. No entendimento do pesquisador, a queda no apoio ao ex-ministro é natural após a sua demissão e se deve ao afastamento de parte do núcleo duro do bolsonarismo em relação a ele.

Outra baixa no Governo, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta mantém a popularidade elevada mesmo após mais de um mês fora do comando da crise de saúde: 52% dos entrevistados têm uma imagem positiva do antigo titular da Saúde, percentual que era de 63% em abril, e sua imagem é apontada como negativa por 29%.

Ditadura e impeachment

A pesquisa avaliou também a opinião dos brasileiros sobre um eventual retorno à ditadura militar no Brasil, em um momento em que uma intervenção militar no país entra na pauta de manifestações a favor de Bolsonaro. Segundo o Atlas Político, 83% da população é contra a implantação de um regime de exceção e 8,9% é a favor.

Já o apoio a uma destituição do presidente via impeachment vem crescendo desde março e alcança 58% dos entrevistados, ante 36% contra.

“Crazy”, Patsy Cline: esta obra prima da música country norte-americana vai direto para a Califórnia. Dedicada a minha amada sobrinha e afilhada Gabriela Vallejos Permentter, só para lembrar da sua mais recente passagem pela Cidade da Bahia que ela tanto ama. E, principalmente, da serenata que fizemos ao mar sob o luar de Guarajuba, e Gabee cantou, lindamente, esta musica da predileção de seu padrinho, que Patsy Cline consagrou. Recordar é viver. Vivamos.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares) 

maio
28

Postado em 28-05-2020 00:13

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 28-05-2020 00:13

DO EL PAÍS

Esquema, turbinado por robôs, seria seria financiado por empresários próximos ao presidente. Donos da Havan e da Smart Fit estão entre os alvos e tiveram celulares e computadores apreendidos

O blogueiro Allan dos Santos, do site 'Terça Livre', ao lado de policias federais, que cumpriram mandados de busca e apreensão em seu endereço, nesta quarta, como parte de uma ação que investiga notícias falsas, conduzida pelo STF.
O blogueiro Allan dos Santos, do site ‘Terça Livre’, ao lado de policias federais, que cumpriram mandados de busca e apreensão em seu endereço, nesta quarta, como parte de uma ação que investiga notícias falsas, conduzida pelo STF.ADRIANO MACHADO / Reuters
 Diogo Magri

Aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tiveram seus endereços vasculhados na manhã desta quarta-feira, durante uma ação da Polícia Federal, que cumpria ordens judiciais determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, como parte da investigação sobre as fake news (inquérito 4.781). Foram 29 mandados de busca e apreensão em endereços no Distrito Federal, Rio de Janeiro, em São Paulo, Mato Grosso, no Paraná e em Santa Catarina. Entre os que foram visitados por policiais federais estão o blogueiro Allan dos Santos, do site de ultradireita Terça Livre, o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-SP), o empresário Luciano Hang, dono da Havan, e a ativista bolsonarista Sara Winter.

Segundo a decisão proferida por Moraes, o objetivo do inquérito é investigar “notícias fraudulentas, falsas comunicações de crimes, denunciações caluniosas, ameaças e demais infrações revestidas que atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal”. A justificativa também menciona o vazamento de informações sigilosas para insinuar a prática de atos ilícitos na Corte e a verificação da existência de “esquemas de financiamento e divulgação em massa nas redes sociais, com o intuito de lesar a independência do Poder Judiciário”.

O documento traz depoimentos de deputados que fizeram parte da base de apoio ao Governo mas a deixaram nos últimos meses, como Alexandre Frota e Joice Hasselmann. “Os documentos e informações juntados até o momento aos autos fornecem sérios indícios da prática de crimes”, diz o documento, mencionando os investigados Allan dos Santos, Bernardo Kuster, Sara Winter, Filipe Barros, Leandro Ruschel, Douglas Garcia e outros donos de perfis bolsonaristas, como @carteiroreaca e @Bolsoneas. Ainda são apresentados diversos posts e conversas de WhatsApp que “apontam para a real possibilidade de existência de uma associação criminosa, denominada nos depoimentos dos parlamentares como ‘Gabinete do Ódio’, dedicada a disseminação de notícias falsas, ataques ofensivos a diversas pessoas, às autoridades e às Instituições”. Carla Zambelli, Bia Kicis e Luiz Philippe de Orleans e Bragança, deputados que alegaram não terem recebido os agentes federais, devem ser ouvidos pelo inquérito nos próximos 10 dias.

A conclusão de Moraes é que o chamado “Gabinete do Ódio” está sendo financiado “aparentemente por um grupo de empresários que atuaria de maneira velada fornecendo recursos (das mais variadas formas), para os integrantes dessa organização”. Entraram, portanto, na mira da Polícia Federal os empresários Luciano Hang e Edgard Corona, proprietários respectivos de Havan e Smart Fit, como possíveis mecenas bolsonaristas das fake news e demais discursos de ódio.

Ativista bolsonarista e líder do grupo paramilitar de apoio ao Governo federal ?“Os 300 do Brasil”?, Sara Winter foi uma das primeiras a se pronunciar nas redes sociais. Ela disse que os agentes federais estiveram em sua casa por volta das 6h e levaram seu celular e notebook. “Moraes, seu covarde, você não vai me calar!”, publicou ela em referência ao ministro que conduz as investigações. Mais tarde, Winter ameaçou o ministro em vídeo chamando-o de “filha da puta” e “arrombado”, entre outros palavrões. “A gente vai infernizar a tua vida, vai descobrir os lugares que o senhor frequenta, a gente vai descobrir quem são as empregadas domésticas que trabalham para o senhor… até o senhor pedir para sair”, exclamou a ativista “pró-vida”.

Outro alvo que postou uma foto do mandado de busca e apreensão no Twitter foi o político Roberto Jefferson, que teve “computadores e armas”, segundo ele, apreendidos pela PF. “Atitude soez, covarde, canalha e intimidatória, determinada pelo mais desqualificado Ministro da Corte. CENSURA”, escreveu. Deputado federal e filho do presidente, Eduardo Bolsonaro usou um artigo publicado no jornal Gazeta do Povo para defender que o inquérito conduzido pelo STF é inconstitucional. Seu aliado em São Paulo, o deputado estadual Douglas Garcia foi um dos alvos da investigação que apura a disseminação de notícias falsas. Garcia se defendeu por meio de um vídeo publicado em suas redes, no qual diz que “esse nível de investigação apequena a Polícia Federal”.

maio
28

Postado em 28-05-2020 00:10

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 28-05-2020 00:10

 

DO CORREIO BRAZILIENSE

Ministro afirma que existe esquema de disseminação em massa de mensagens com o intuito de atacar as instituições


 
(foto: RosineiCoutinho/SCO/STF)
(foto: RosineiCoutinho/SCO/STF)

Na decisão que autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra suspeitos de espalharem fake news e promoverem ataques pelas redes sociais contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e seus integrantes, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que investigações da Polícia Federal apontam a existência do chamado “Gabinete do Ódio”.

 

Moraes aponta que a rede criada para propagar notícias falsas e atacar as instituições é financiada por empresários e tem forte indicativo de que se trata de uma “associação criminosa”. De acordo com Moraes, “as provas colhidas e os laudos periciais apresentados nos autos apontam para a real possibilidade de existência de uma associação criminosa, denominada nos depoimentos dos parlamentares como “Gabinete do Ódio”, dedicada a disseminação de notícias falsas, ataques ofensivos a diversas pessoas, às autoridades e às Instituições, dentre elas o Supremo Tribunal Federal, com flagrante conteúdo de ódio, subversão da ordem e incentivo à quebra da normalidade institucional e democrática”, disse.

  • Moraes cita depoimentos de parlamentares como Joice Hasselmann e Alexandre Frota, que narram a eventual estrutura do Gabinete do Ódio. Joice afirma que a estrutura utilizada para atacar adversários do governo é organizada de dentro do próprio Palácio do Planalto. “Como se vê de tudo até então apresentado, recaem sobre os indivíduos aqui identificados sérias suspeitas de que integrariam esse complexo esquema de disseminação de notícias falsas por intermédio de publicações em redes sociais, atingindo um público diário de milhões de pessoas, expondo a perigo de lesão, com suas notícias ofensivas e fraudulentas, a independência dos poderes e o Estado de Direito”, afirma o ministro no despacho.
O magistrado afirma que as investigações da Polícia Federal apontam o uso de mensagens e massa e até de robôs contra as instituições. “Relatório técnico pericial encartado nestes autos, constatou a existência de um mecanismo coordenado de criação e divulgação das referidas mensagens entre os investigados”, completou Moraes.

maio
28

Postado em 28-05-2020 00:09

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 28-05-2020 00:09

DO CORREIO BRAZILIENSE

O senador afirmou que o presidente rompeu com ele ”de forma pessoal” e que sairá da política ao fim do mandato


AE Agência Estado
 
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
 
 

Eleito em 2018 com mais de 9 milhões de votos, o senador Major Olimpio (SP), líder do PSL no Senado, afirmou, nessa terça-feira (26/5), que está sendo pressionados por colegas da Polícia Militar a ter “lealdade cega” ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e que, por isso, decidiu abandonar uma eventual candidatura ao governo de São Paulo e a política após o término de seu mandato, em 2026. O senador afirmou que Bolsonaro rompeu com ele “de forma pessoal” para “proteger filho bandido”.“Todo mundo sabe que meu sonho era disputar o governo em 2022, mas estou fora”, disse Olimpio ao Estadão. “Não quero mais me candidatar. Estou enojado com essa situação. Policiais militares estão me cobrando lealdade cega ao presidente. Me chamaram de traíra. Não sou traíra. Quem está desviando conduta é o presidente.”

 

A indignação do senador, que foi eleito na esteira do bolsonarismo, se difundiu entre policiais após Olimpio responder o áudio de um colega que o procurou. “Era um conversa privada, mas ele resolveu dar publicidade”, disse o parlamentar. Olimpio preferiu não revelar o nome do colega, que na gravação é chamado de Azevedo. O senador ingressou na Polícia Militar há 42 anos e entrou na política tendo como base a categoria.

O motivo do rompimento com Bolsonaro, diz Olimpio, foi o fato de ele ter sido um dos senadores que assinaram o requerimento para a criação da CPI da Lava-Toga. “Quem se desviou foi o presidente (Bolsonaro), que não quis que eu assinasse a CPI da Lava-Toga para proteger filho bandido. Eu não tenho bandido de estimação. Isso de palavrão em reunião (ministerial) é besteira”, disse Major Olímpio na gravação.

 

Na época, Flávio Bolsonaro, que hoje está no Republicanos, foi o único dos quatro senadores do PSL que não assinaram a petição pela abertura da comissão. A CPI era defendida principalmente por parlamentares classificados como “lavajatistas”. 

maio
28

Postado em 28-05-2020 00:05

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 28-05-2020 00:05



 

 Sponholz, NO

 

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