Há um País que se perdeu pelo caminho, naturalizou as coisas erradas e temos o dever de enfrentar isso. E de fazer um novo País, ensinar as novas gerações de que vale a pena ser honesto, sem vingadores mascarados, sem achar que ricos criminosos têm imunidade”.

Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal, na última sessão do pleno antes do recesso do judiciário.

Messi, depois de terminar o jogo contra Islândia.
Messi, depois de terminar o jogo contra Islândia. Ricardo Mazalan AP

Messi na Argentina: um Picasso na cozinha

 

Com a permissão do eterno Eduardo Galeano. A viagem do futebol do prazer ao dever que lacerava o inesquecível escritor uruguaio tem em Messi um clandestino angustiado por tal travessia entre o Barcelona e a Argentina. O alviceleste Messi é demasiado solene. Com mais amigos do que jogadores de apoio ao seu redor. O diálogo futebolístico com Biglia, por exemplo, nunca será o mesmo que tem com Xavi e Iniesta. Biglia ou tantos outros da Argentina não seriam do seu grupinho exclusivo azul-grená quando o churrasco desse lugar ao futebol

Na Argentina, o circunspecto e aflito Messi é um capitão que puxa os companheiros com fórceps. Enquanto isso, esses companheiros se torturam porque ao lado deles não há maneira de que sequer um gênio faça truques de magia entre tantas pedras. Em suma, um suplício para todos: Messi e os rapazes não se entendem, não há forma de que a bola os traduza. Um sussurra para ela, outros a chutam ferozmente

O resultado é um Leo pouco natural, demasiado despojado de seu sentido recreativo do jogo, ao qual sempre esteve ligado desde que era um pirralho em sua cidade de Rosário. Aquele garotinho que se tornou menino em Barcelona nunca retornou à sua infância de bairro e a cada viagem de volta à América teve de agir como um adulto prematuro. Como seus compatriotas perderam seu processo educacional, agora exigem, sem a menor consideração, que ele pague sua dívida. Exigiram isto à força e, depois de sua tentativa de aposentadoria da seleção, agora quase imploram. O mestre Galeano diria: “Senhor Messi, uma pitada de futebol, por favor”. E Messi está disposto a fazê-lo. Tem tatuado na alma que é apenas um argentino de passagem por Barcelona.

Então, de alguma forma, Messi se empenha em ser Messi onde nem sequer ele, tão único, pode ser. Tal desamparo chega a ser tão comovente que o camisa dez não encontra consolo nem nos pênaltis. Cobrar penalidades máximas nunca foi o seu forte, mas enquanto no Barça ele muitas vezes se redime com uma facilidade insultante, na seleção nacional argentina tudo lhe custa muitíssimo.

Não há dúvida de seu compromisso inabalável, o que não impede de pensar no inconveniente da sobrecarga. Se no Barça Messi pode ser tudo ou apenas parte, de acordo com a forma como transcorra este ou aquele jogo, a Argentina exige que seja Leo a cada segundo. Se no Camp Nou há um momento que não é Iniesta, Iniesta faz de Iniesta, como antes faziam Ronaldinho, Neymar ou Xavi. O problema é que se La Pulga não faz de Mascherano ou de Biglia, Mascherano e Biglia se representam a si mesmos. O que não convém a uma Argentina que para desconcertar Messi ainda mais trata a bola, sua melhor amiga, como se fosse uma qualquer. Com a Argentina ele ainda tem que ser mais do que Messi, o que já é o cúmulo.

Assim não há como se conectar a Messi. O homem se desanima, grita para si mesmo e acaba sem energia. E sem respostas. Para definir em poucas palavras: não se pode ter um Picasso pendurado na cozinha. Por mais Picasso que seja.

jun
17

Postado em 17-06-2018 01:17

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 17-06-2018 01:17


 

Quinho , no jornal

 

jun
17

Postado em 17-06-2018 01:15

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 17-06-2018 01:15

PGR quer ouvir Marcelo Odebrecht em inquérito que investiga Temer

Raquel Dodge afirmou ao STF que, para aprofundar o inquérito que investiga Michel Temer, a PGR e a PF querem ouvir Marcelo Odebrecht, registra o G1.

O caso se refere a um jantar em que Temer teria negociado com executivos da Odebrecht no Jaburu.

Além de Odebrecht, a PGR quer ouvir também Fernando Migliaccio, ex-funcionário da Odebrecht, Ibanez Filter, Vinícius Claret, doleiro conhecido como Juca Bala, Cláudio Barbosa, doleiro suspeito de lavar dinheiro no esquema de Sérgio Cabral e o marqueteiro Duda Mendonça.

De acordo os delatores da Odebrecht, teriam participado do encontro Eliseu Padilha, Marcelo Odebrecht, o ex-executivo Cláudio Melo Filho, e o então vice-presidente Temer.

Resultado de imagem para Juan Grabois advogado argentino Vaticano

Juan Grabois (com o megafone): barrado na PF

ARTIGO DA SEMANA

 

“Terço do Papa”: novo plano para salvar Lula deu chabu

Vitor Hugo Soares

O advogado e militante sindicalista argentino Juan Grabois foi barrado em seu desastrado intento de chegar, esta semana, à cela do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na sede da Polícia Federal, em Curitiba. Apresentou-se, falsa e desgraçadamente, como consultor do Vaticano, encarregado pelo Papa Francisco de entregar um terço e uma mensagem ao preso, que cumpre pena de 11 anos e um mês por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O plano junino tinha tudo para dar chabu. E deu.

 “É mais fácil apanhar um mentiroso do que um coxo” ensina o ditado popular, cuja sabedoria foi desprezada pelo nada modesto (no sentido cristão do termo) portenho de 35 anos, filho do famoso (e folclórico) ex-dirigente do sindicalismo peronista no país vizinho, Roberto “Pajarito” Grabois”. Vale destacar que o advogado desembarcou na capital paranaense, depois de criar na imprensa de seu país, um barulhento caso político e diplomático com o governo do presidente Macri. Lá surgiu também, de repente, como “voz do Vaticano”, para comentar “a surpresa do Papa diante de uma doação governamental à Fundação Scholas Ocurrentes”, uma rede de ensino para jovens carentes impulsionadas pelo próprio pontífice, ex- arcebispo de Buenos Aires.  

Desceu por aqui cercado de elogios. Referenciado como “jovem líder de grande apreço do Papa Francisco”, não só por notórios sites petistas e de linhas auxiliares locais e estrangeiros, mas também por importantes e qualificados veículos da imprensa brasileira. Sabe-se agora, que a presepada do jovem Grabois fazia parte da frágil arquitetura do novo plano, denominado de “Denúncia Internacional”. Festejado horas depois do barraco armado pelo visitante argentino em Curitiba, como um tento decisivo e de grande repercussão, para assinalar o lançamento do novo plano a ser seguido por dirigentes políticos e pela militância petista, com a finalidade de tirar Lula da cadeia antes das eleições presidenciais deste ano. 

Na retórica, uma mudança estratégica e tática de rumos e de prioridades da ação política e de propaganda ideológica. De fato, confissão de equívoco, e reconhecimento à moda da casa, do fracasso rotundo do projeto inicial do PT e agregados, de desencadear atos incendiários de norte a sul do País. Tola, tacanha e pretensiosa ideia de que tudo só se resolverá a partir “das ruas cheias, dos  supermercados invadidos, do trânsito engarrafado, greves, estudantes agitados. Fora isso, Lula continuará preso”, como proclamado ainda esta semana junina, nas postagens de renitentes arautos das fogueiras e dos pneus queimados. Mesmo diante da melancólica constatação de que nem o barulhento acampamento do “Bom dia, Lula”, resistiu ao frio e às primeiras chuvas do inverno no Paraná.

Em resumo, ruiu o projeto de utilização das “tropas” da Via Campesina, lideradas por João Pedro Stédile, presidente do MST; das desastrosas invasões urbanas a cargo dos grupos liderados por Boulos (PSOL) , ou dos irresponsáveis discursos e palavras de ordem da presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, falando em guerra, sangue e mortes. Apela-se, agora, para o plano da “denúncia internacional”.

Até aqui, resumido à infeliz e desmoralizante patuscada armada com participação mambembe do peronista Juan Grabois, que deu chabu. Fragorosamente.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br  

 

Uma casa portuguesa fica bem, desde sempre, com Amália!!!

Uma seleção portuguesa de futebol fica melhor ainda com um craque genial do porte de Cristiano Ronaldo!!! Viva!!!

(Vitor Hugo S

jun
16

Postado em 16-06-2018 00:45

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 16-06-2018 00:45

Rio de Janeiro
O interventor federal do Rio, general Walter Souza Braga Netto.
O interventor federal do Rio, general Walter Souza Braga Netto. Silvia Izquierdo AP

O general Walter Braga Netto, comandante militar do leste e interventor federal no Rio de Janeiro, vem impedindo que a imprensa registre boa parte de suas falas públicas e faça perguntas sobre o seu trabalho como governador da área de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro. O mais recente episódio ocorreu nesta sexta-feira, em evento promovido pela Câmara Espanhola de Comércio no Museu do Amanhã, no centro do Rio de Janeiro, ainda que seu porta-voz negue que ele tenha vetado a cobertura jornalística de seu discurso. Além do militar, nomeado interventor pelo presidente Michel Temer (MDB) em fevereiro, participaram do evento O futuro do Rio de Janeiro Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, e Rubem César Fernandes, secretário-geral da ONG Viva Rio e pré-candidato ao governo do Estado pelo PPS.

A imprensa fora convocada pela Câmara Espanhola para o evento, que era fechado e com convites que variavam de 300 a 450 reais. Mas, no momento do debate, marcado para começar às 11h30, os repórteres foram impedidos de permanecer no local. Um repórter de O Estado de S. Paulo foi expulso do auditório pela organização e instado a não usar o conteúdo que havia conseguido registrar no início do evento. Explicação, de acordo com fontes ouvidas pela reportagem: o general Braga Netto vetara a presença de repórteres durante sua fala. Além da restrição aos jornalistas, os convidados foram orientados pela organização do evento a não filmar e nem gravar o debate para “deixar os convidados à vontade”.

Oficialmente a explicação foi outra. O coronel Roberto Itamar, porta-voz de Braga Netto, explicou ao EL PAÍS que o interventor federal tinha autorizado a presença e inclusive perguntas de repórteres, mas que não queria que seu discurso fosse filmado ou fotografado. Já representantes da Câmara Espanhola argumentaram que não havia consenso entre os convidados sobre a presença de jornalistas durante o debate, o que teria gerado a decisão não permitir a entrada dos profissionais. A imprensa ficou fora do auditório e só foi autorizada a fazer entrevistas individuais após o evento com os que quisessem falar. Não foi o caso de Braga Netto.

Outros episódios

Durante os quatro meses de intervenção federal outros episódios também revelaram certa resistência de Braga Netto na hora de prestar esclarecimentos à imprensa. Nesta quinta-feira, após entregar um plano estratégico da intervenção para Temer, em Brasília, chegou a falar rapidamente com repórteres na saída do Planalto junto com o ministro da Segurança, Raul Jungmann. Mas, segundo relatos de jornalistas presentes, saiu apressadamente dizendo que tinha de pegar um voo. Na quarta-feira, dia 13 de junho, Braga Netto também fez uma explanação sobre a intervenção federal e o plano estratégico em um debate realizado na Associação Comercial do Rio de Janeiro. Câmeras de vídeo e foto de vários veículos de comunicação estavam posicionados para registrar o momento, mas Braga Netto ordenou que todas as máquinas fossem desligadas, algo que foi prontamente aceito pelos profissionais ali presentes, segundo relatos. Naquela ocasião, o general permitiu a presença de jornalistas, que inclusive puderam gravar o áudio de sua fala. Segundo explicou o coronel Itamar ao EL PAÍS, Braga Netto não gosta de ser filmado e nem fotografado porque “perde a concentração na hora de falar”.

Os sinais de que Braga Netto realizaria seu mandato afastado dos holofotes começaram já em sua primeira entrevista coletiva como interventor federal, no dia 27 de fevereiro deste ano. As perguntas dos repórteres tiveram que ser escritas em papéis distribuídos pela assessoria de imprensa (nos quais se pedia para colocar nome, veículo, e-mail, telefone e cargo) e entregues dez minutos antes da entrevista começar, para que fossem previamente analisadas. A coletiva foi encerrada em apenas meia hora e poucas perguntas foram respondidas.

Dias depois, quando a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram executados, Braga Netto se limitou a soltar uma pequena nota lamentando o ocorrido, apesar de ser ele o responsável pela segurança pública do Estado. Coube ao ministro da Segurança Raul Jungmann vir à público para dar explicações e prometer o empenho das autoridades em investigar o caso. “Não havia motivo para fazer uma exposição pública sobre uma questão que estava sendo noticiada. Já havia ministros e outras pessoas falando. Ele trabalha muito e não é de muitas palavras”, explicou o coronel Roberto Itamar em abril durante uma conversa com o EL PAÍS, que havia solicitado uma entrevista a Braga Netto.

Para que sua imagem seja preservada e evitar vir a público para explicações, o coronel Itamar se tornou a face mais visível da intervenção federal. O general do Exército e comandante militar do Leste continuará como o máximo responsável pela segurança pública do Rio até o dia 31 de dezembro deste ano.

jun
16

Postado em 16-06-2018 00:43

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 16-06-2018 00:43


 

Ronaldo, no (PE)

 

jun
16

Postado em 16-06-2018 00:42

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 16-06-2018 00:42

Ciro e a nova revolta da vacina

 

Ciro Gomes disse hoje o seguinte:

“Quando Lula, que é o maior líder popular do país, sofreu o que sofreu, a mim me toca agora, talvez, nesse campo progressista, a responsabilidade maior de não deixar o país descambar para o retrocesso.”

E ainda:

“O Brasil está ameaçado por uma recrudescência do fascismo, que é um fenômeno internacional. E nós, os democratas, temos que nos levantar e nos organizar e ajudar o povo brasileiro a se vacinar contra esse fenômeno.”

O problema é que os brasileiros parece preparar uma nova revolta da vacina.

Eleito o melhor jogador da partida entre Portugal e Espanha, Cristiano Ronaldo manteve a habitual marra ao falar dos três gols marcados, no empate em 3 a 3, nesta sexta-feira, na estreia das seleções na Copa do Mundo da Rússia. Em tom tranquilo, o atacante falou do feito como se tivesse acabado de realizar algo corriqueiro durante a partida.

– Eu trabalho há muitos anos e confio muito em mim. Trabalho para isso. Temos que destacar o poder de reação da equipe, nós saímos na frente, depois a Espanha ficou em vantagem, mas não desistimos. Creio que foi um empate justo. Espanha teve certo controle do jogo, Portugal teve oportunidades e foi um bom jogo – disse o atacante.

Cristiano Ronaldo atingiu mais uma marca pessoal. O atacante, com os três gols na partida, agora marcou nas últimas quatro edições de Mundial (2006, 2010, 2014 e 2018). O atacante do Real Madrid se mostrou satisfeito, mas reiterou que o importante foi a atuação de Portugal.

– Sem dúvida estou muito feliz, é uma marca pessoal bonita, mais uma na minha carreira. Mas para mim o mais importante é o que a seleção fez – afirmou o artilheiro da Copa, até o momento.

jun
15

Postado em 15-06-2018 00:27

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 15-06-2018 00:27

Destaque na abertura da Copa, ex-goleador da seleção mantém nos negócios e na política o faro oportunista que o consagrou nos gramados

  Artilheiro do pentacampeonato mundial com a seleção brasileira, em 2002, Ronaldo Nazário voltou a ser escalado em uma Copa do Mundo. Dessa vez, ele foi atração da cerimônia de abertura na Rússia, ao lado do cantor Robbie Williams. Como no Mundial passado, ainda será comentarista da Rede Globo nas partidas do Brasil. A reaparição com pompas de Ronaldo, que mantém inabalada a imagem de ídolo, pelo menos para o mercado, parceiros comerciais e patrocinadores, contrasta com sua escanteada verve política. De herói do penta a fenômeno do ativismo em causa própria, do cidadão que pretendia usar o prestígio de atleta consagrado para melhorar o país ao astro que saiu de cena após o mar de lama da corrupção engolir seu candidato a presidente nas últimas eleições, Ronaldo deixa cada vez mais claro que só entra em campo na boa, jogando para a torcida até o ponto em que o vento sopra a seu favor.

Recentemente, antes de embarcar para a Rússia, ele estrelou um comercial da Empiricus, empresa de análise financeira conhecida pelo tom apocalíptico e agressivo de suas campanhas de marketing. Ronaldo empresta a voz ao seguinte discurso publicitário: “Jogador de futebol tem carreira curta. São poucos os que ganham dinheiro. E dos que ganham, raríssimos os que conseguem manter o padrão de vida quando se aposentam. Eu posso dizer o contrário. Eu ganhei dinheiro, mesmo depois que me aposentei dos gramados. E o que eu fiz de diferente? Aprendi a andar com as pessoas certas.”

Constata com precisão a realidade da maioria dos jogadores, que pecam pela falta de planejamento pós-carreira. Porém, para quem há até pouco tempo se dizia comprometido em se portar como um padrão de ética e conduta para o Brasil, Ronaldo mostra desfaçatez ao justificar seu sucesso econômico bradando ter aprendido a andar com as pessoas certas. No mundo fenomenal, o que viriam a ser “pessoas certas”? Ricardo Teixeira, a quem ele bajulou defendendo sua permanência no comando da CBF? Marco Polo Del Nero, com quem tentou negociar contratos de patrocínio antes da Copa no Brasil? Ou Aécio Neves, amigo de longa data que recebeu seu apoio incondicional na última campanha à Presidência da República? Todos eles indiciados pela Justiça por suspeitas de corrupção.

O endosso a Aécio expôs o frágil engajamento de Ronaldo com a causa pública. Não pelo candidato que escolheu, pois é saudável que jogadores e ídolos do esporte tomem partido, se posicionem sobre questões nacionais, independentemente do tema ou da orientação ideológica. Mas sim por confundir militância com oportunismo político. Logo que o senador tucano foi derrotado nas urnas, Ronaldo engrossou as manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff e posou com a camisa: “A culpa não é minha, eu votei no Aécio”. Depois que o ex-governador de Minas Gerais foi sugado pelo escândalo de propina envolvendo a JBS, o Fenômeno, que via com bons olhos a possibilidade de se tornar ministro do Esporte em um eventual governo do candidato do PSDB, tirou seu time de campo da política.

Jamais voltou a mencionar publicamente o tucano que agora responde a nove processos no STF por acusações de corrupção. Questionado sobre o tema, adota o discurso de que “não é o momento de procurar culpados”. Seria sensato pensar assim, já que, em uma democracia, nada mais compreensível que mudar de opinião, mantê-la ou reconhecer a desilusão por um voto. Entretanto, foi justamente Ronaldo um dos primeiros a caçar culpados ao debochar com o lema de que a culpa não era sua. A aventura de militante na política se resumiu a lançar uma pedra ao mar e correr dos respingos.

Romário, hoje senador, teceu uma crítica pertinente ao comportamento “camaleão” de seu ex-companheiro de ataque na seleção brasileira. “O cara era Dilma antes da Copa. A Copa acabou, passou a ser Aécio. Ele foi a favor da Copa do Mundo. Depois, meteu o pau”, disse o pré-candidato ao governo do Rio pelo Podemos. Ronaldo integrou o Comitê Organizador da Copa. Enquanto protestos se espalhavam pelo país, ele chegou a dizer que “não se faz Copa com hospitais”, defendendo os gastos do governo federal em estádios. Após o Mundial, passou a ser crítico das obras superfaturadas e entrou de cabeça na campanha em prol de Aécio Neves.

Ronaldo camiseta Aecio ampliar foto
Ronaldo exibe camiseta em manifestação no início de 2015. Werther Santana Agência Estado

Em que pese suas próprias contradições e a fama de falastrão, Romário também fez leitura cirúrgica sobre a maleabilidade do Fenômeno no campo político: “Ele é um grande ídolo. Agora, politicamente, o Ronaldo é zero, um copo d’água em cima da mesa. Se beber, bebeu. Se não beber, fica aí. Nunca apitou porra nenhuma na política. Já ouvi comentários de que ele tem interesse em se candidatar. Se um dia virar político, aí, sim, ele vai deixar de ser um copo d’água”. Evidentemente que não é preciso ocupar um cargo público para exercer o papel de cidadão. Mas, para uma figura célebre do porte de Ronaldo, pega mal se vender como personalidade preocupada com os rumos do país apenas quando os amigos precisam de uma mãozinha.

Incoerências à parte, o antigo centroavante da seleção continua sendo uma máquina de ganhar dinheiro fora dos gramados. Fundou uma empresa de marketing esportivo, a 9ine, em 2010. Entre sua cartela de clientes estava Neymar, maior craque brasileiro da atualidade. Ronaldo nunca enxergou conflito de interesses ao conciliar a função de comentarista da Globo na última Copa com a de gestor da imagem do principal jogador da seleção. Embora tenha encerrado as atividades da 9ine por causa da crise econômica, ele é sócio da Octagon, que cuida dos patrocínios de Gabriel Jesus, herdeiro da camisa 9 que um dia foi de Ronaldo. Como criticar com isenção o cliente que depende da opinião pública para gerar novos contratos publicitários? A indiscutível habilidade de transitar rapidamente entre universos tão diferentes parece ajudar nessas horas. Ronaldo não se constrange em trocar as bandeiras que levanta de acordo com aquilo que lhe convém. Basta lembrar 2008, quando fazia juras de amor ao Flamengo, que assegurava ser seu time do coração, mas, depois de fechar com o Corinthians, virou corintiano de carteirinha.

É inegável que sua história vitoriosa no futebol e na seleção não está em xeque pelos posicionamentos dúbios depois de pendurar as chuteiras, assim como é louvável a iniciativa de bancar a Fundação Fenômenos, que promove atividades de inclusão social em bairros de periferia. Mas, camuflado entre apadrinhamentos por conveniência e acordos comerciais, o faro oportunista que ostentava nas áreas adversárias se converte em gol contra nas investidas pela política. Enquanto estiver mais preocupado em ganhar dinheiro e andar com as “pessoas certas”, Ronaldo dificilmente conseguirá se estabelecer como um exemplo positivo no jogo democrático. Ainda que volte a subir em outro palanque nas próximas eleições, já deu mostras suficientes de o interesse em manter a prosperidade de seus negócios se sobrepõe ao suposto compromisso de ajudar a melhorar o Brasil.

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