maio
31

Postado em 31-05-2009 00:43

Arquivado em ( Artigos, Multimídia) por vitor em 31-05-2009 00:43


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CRÔNICA / DETALHES

CRÕNICA DE UMA CANÇÃO DE ROBERTO

Regina Soares

“Eu sou do tempo em que cada momento da vida era marcado por uma música de Roberto Carlos. O primeiro amor, o primeiro namorado, o primeiro beijo, os amigos, as travessuras, tudo estava de uma maneira ou outra conectado a uma certa canção que tornaram esses momentos perpétuos.

Quando vim do Brasil para residir nos Estados Unidos, deixando tudo para traz e seguindo somente o coração e a ilusão do amor, na minha bagagem coloquei meus discos LPs, dentre eles muitos do Roberto. Após 36 anos de altos e baixos, idas e vindas, revisão do conceito “eterno amor”, minha bagagem musical continua comigo e só fez aumentar. Roberto já não é presença assídua no meu dia a dia, ficou num passado que eu gosto de visitar quando me bate o desejo de voltar ao tempo em que tudo era fantasia e o romance era presença constante no cotidiano.

Roberto Carlos parece não ter mudado, sempre foi muito vaidoso e conserva uma imagem jovem e amavelmente privada. Sua vida não parou, viveu intensos romances, procriou, sofreu, gozou como qualquer um de nós, mas passa uma impressão que viveu e vive uma história de amor sem fim. “ Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi”.

Nestes 50 anos de brilhante profissão, quando o Brasil inteiro rende sua homenagem ao seu Rei, fui atras dos meus velhos LPs e encontrei a minha canção favorita, tarefa realmente difícil, para compartir com vocês enquanto eu desfruto mentalmente desse filme cheio de dramas, romances, paixões, que é a minha vida, com todos os DETALHES. “

Regina Soares, advogada, mora em Belmont, na área da Baia de San Francisco (EUA)

maio
30

Postado em 30-05-2009 23:38

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 30-05-2009 23:38

Ricardo Teixeira: Bola fora/UOL
ricardo
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Em Nassau, nas Bahamas, será anunciada neste domingo (31) uma provável lista que já circula no País (em blogs, jornais, radios e TVs) há vários dias. A das prováveis cidades que irão sediar os jogos da Copa do Mundo de 2014 . Diate disso, assessores do presidente da Confederação Brasileira de Futebol informavam neste sábado
que Ricardo Teixeira anda contrariado com o vazamento deste autêntico “segredo de polichinelo”.

“Me engana que eu gosto” dirá, certamente, qualquer soteropolitano menos ingênuo. Afinal de contas, desde a última sexta-feira uma lista com as supostas 12 cidades escolhidas anda em blogs e resenhas de esportes das emissoras AM e FM. Além disso, ninguém faz segredo de que o vazamento teria partido de “canos furados” no próprio gabinete da presidência da CBF, daí a falta de sentido de que o “furo” agitou os bastidores e irritou Ricardo Teixeira.

Quem deve estar surpreendido e irritado de verdade é o comitê organizador do Mundial no Brasil, principalmente com Ricardo Teixeira, e isso seguramente conta ponto contra, em relação à capacidade de organização e seriedade do país anfitrião.

Ainda está fresca na memória , por exemplo, a atitude do deputado José Rocha (PR-BA), ao convocar uma entrevista coletiva no Barradão, antes do começo do jogo entreVasco e Vitória pela Copa do Brasil, para anunciar que Salvador já fora confirmada como uma das sedes do Mundial.

“Martelo batido”, disse o parlamentar, sem esconder que falava “com autorização do meu amigo presidente da CBF, Ricardo Teixeira”. Nem o governador Jaques Wagner ou o prefeito João Henrique mereceram tamanha deferência do presidente da CBF, a ser verdade o que afirmou Zé Rocha  na coletiva do Barradão.

É só recuperar as gravações da “coletiva” de Zé  Rocha, no Barradão, para ver como são bem guardados os segredos da CBF. A notícia dada pelo deputado não recebeu nenhum desmentido nos dias seguintes, nem o “inconfidente” Zé Rocha foi repreendido por seu amigo Teixeira.

Daí em diante foi o que se viu, os vazamentos se multiplicaram, até vazar esta semana toda a provável relação de cidades escolhidas para sediar o mundial de 2014, com anúncio festivo previsto para este domingo. Brasília (DF), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Manaus (AM), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) , São Paulo (SP) e Belo Horizonte (MG). Sete outras cidades concorrentes ficam de fora.

Haja o que houver neste domingo, em Nassau, o estrago está feito, estabelecendo-se um anticlimax para a grande festa do anúncio”, programada para várias capitais, inclusive Salvador.

Gol contra da CBF

(Por: Vitor Hugo Soares)

maio
30

Postado em 30-05-2009 17:18

Arquivado em ( Artigos, Multimídia) por vitor em 30-05-2009 17:18

CRÔNICA DE VIAGEM/DOUCE FRANCE

PARIS, EU TE AMO

Aparecida Torneros

Paris, primavera de 2009, o metrö ferve de linhas que se enredam sob a cidade; o homem toca o acordeon em pleno vagao lotado; alguem repousa a cabeça no peito amado sonhando com o momento que nao vai passar.

Tudo ficarà na alma na memoria no coraçao para sempre.
Paris tem a luz que vem de um tempo perpetuado no extase de um infinito espiritualizado, tudo se mistura e cada beijo no Cafe de Flore revive o amor de Simone e Sartre;

As mãos dadas, os olhares profundos, a torre Eifel lhes acenando com promessas e o rio Sena lhes espreitando os segredos mais inconfessáveis.

Em Paris; se descobre realmente para que o amor existe, e para que serve, porque aqui os apaixonados se reconhecem assim, na tela pintada por um pintor maravilhoso que se assinou DEUS, nas ruas de Paris…

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Amanheceu o sabado em Paris e o sol veio me dizer que meus dias nesta viagem de sonhos é a propria certeza da primavera. O calor de uma atmosfera feliz me invade. Sinto que muitas Maries e Antoines se encontram pelas praças e equinas das ruas parisienses buscando o amor ou a razao dele, como cantou Piaf: pra que serve o amor, o amor serve pra que?

O amor acontece em Paris e serve para reinventar-se…

Aparecida Torneros, jornalista e escritora, é autora do livro “A Mulher Necessária”, mora no Rio de Janeiro e viaja pela Europa.

maio
30

Postado em 30-05-2009 10:50

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 30-05-2009 10:50


O Serviço de Meteorologia e o céu meio carregado indicam: Salvador e Recôncavo terão mais um sábado de “casamento de raposa”. Chuva e sol se revesam e criam o clima ideal para ouvir Guilherme Arantes – o baiano adotivo- cantar a música para começar o dia do Bahia em Pauta: Deixa Chover. Bom também para refletir sobre os versos sábios da letra da canção: “infelizmente nem tudo é exatamente como a gente quer. Deixa chover, deixa a chuva molhar”.

(Vitor Hugo Soares)

maio
30

Postado em 30-05-2009 01:07

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 30-05-2009 01:07

Salvador: dias para ficar em casa
chuvas2
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ARTIGO DA SEMANA

UM LIVRO PARA DIAS DE CHUVAS E CPIs

Vitor Hugo Soares

Enquanto as inundações dissolvem o Nordeste – da Bahia ao Piauí – sair em Salvador virou aventura cheia de riscos. A cidade, de trânsito normalmente atravancado, ficou mais perigosa, ao ganhar paisagem lunar emprestada pelas crateras nas ruas, barrancos desabados e casas ruídas às dezenas. Até o prefeito foi desalojado de seu gabinete da Praça Thomé de Souza, ao pé da bela Baia de Todos os Santos, na decantada “terra do sol o ano inteiro”.

Para piorar tudo, rígidas operações de segurança, por todo canto esta semana, durante as visitas dos presidentes Lula, do Brasil, Chávez, da Venezuela, e Wade, do Senegal. Os três de uma vez só, convenhamos, é complicação de sobra em qualquer lugar. Melhor ficar em casa e aproveitar para reler um bom livro, sem tirar o olho da movimentação dos três chefes de Estado na Bahia, nem a atenção do bafafá nos circuitos da política e da imprensa, com a iminência de começar a CPI da Petrobrás, semana que vem.

Na rádio FM, Gal Costa interpreta o samba exaltação de Ary Barroso: “Isso aqui, ôô, é um pouquinho do Brasil Iaiá / deste Brasil que canta e é feliz/ feliz, feliz”. No entorno, dias diluvianos: moradias em ruínas, plantações destruídas, barragem inaugurada no Piauí há menos de 10 anos, com montes de recursos federais e pouca fiscalização, arrombada. Pessoas soterradas ou levadas pela correnteza.

“És Notícia”, do jornalista e escritor italiano Giovanni Cesareo é o livro que escolho para ler. Trata dos labirintos da comunicação em geral, e do jornalismo impresso em especial, a partir do chamado “caso Aldo Moro”, o ex-presidente da Democracia Cristã na Itália encontrado morto, em maio de 1978, com 11 tiros, depois de ficar semanas em poder das Brigadas Vermelhas.

Vinte e dois anos e alguns dias, portanto, desde o assassinato do líder italiano e das lições mal aprendidas deixadas pela tragédia política e humana. O autor põe em relevo a importância que, já naquela época de tumultos e confusão, começavam a adquirir as chamadas “rotinas produtivas” que, desde então, grassam como vírus mais contaminante que o da gripe suína e se espalha entre a nova elite de burocratas que reina, hoje, em algumas das redações dos nossos mais lidos e respeitados jornais impressos.

Cesareo lembra a manhã de maio de 78 em que o cadáver de Moro foi encontrado no centro da capital romana, a poucos passos da sede da Democracia Cristã (DC) e do partido Comunista Italiano (PCI). Durante as horas seguintes, em sucessivas edições especiais, os noticiários da RAI chamaram a atenção dos telespectadores para a cor do automóvel onde estava o cadáver. Tratava-se, na verdade, de um detalhe totalmente secundário e absolutamente inútil para a compreensão do fato.

No quadro da informação daquele dia, tal “notícia, com suspense, acabou por adquirir um relevo. Cesareo registra que desde a manhã do seqüestro de Moro, por obra das Brigadas Vermelhas, grande parte das matérias, dedicadas pelos diários italianos ao acontecimento, havia sido nutrida com detalhes deste tipo. “No agônico ‘black-out’ de informações significativas, de verificações diretas, de análises fundadas na exploração de processos reais que haviam levado à formação dos grupos terroristas no país e ao desenvolvimento de suas atividades – além do contexto político-social em que se havia produzido o seqüestro -, os diários e os semanários produziram colunas e colunas repletas de boatos, abobrinhas, declarações oficiais e uma infinidade de detalhes inúteis”. O autor vai direto ao ponto ao explicar as razões de tal comportamento.

“De uma parte, para registrar e difundir aquilo que a magistratura, a polícia e os dirigentes dos partidos queriam comunicar (a seus próprios interlocutores privilegiados, parceiros, ou adversários, e aos cidadãos comuns). De outra parte, para manter vivo o tema, criando uma atmosfera, descrevendo minuciosamente pequenos fatos reais, presumidos e até inventados (e, a cada minuto, desmentidos, ou esquecidos de um dia para o outro)”.

O livro desnuda as falsidades que envolvem a comunicação a partir das “fontes” que produzem as notícias. Mostra o quanto está deformado todo o sistema informativo e defende a necessidade de se “buscar um sistema novo que revolucione o complexo e até agora falso mundo das comunicações”. “És Notícia”, diga-se, foi publicado em 1986. Antes, portanto, da explosão planetária da Internet, com seus sites de informação, portais, revistas virtuais e, principalmente, dos blogs.

Quem sabe está aí o começo do caminho na direção proposta por Cesareo. Sei que é preciso avançar muito ainda, mas torço para isso, principalmente em dias trágicos como os que se desenrolam no Nordeste, e de confusão da política e do poder no país. Talvez esteja aí, de fato, o começo da revolução sugerida em “És Notícia”.

“Que assim seja!, exclamo. Na dupla condição de rodado jornalista e de iniciante blogueiro da Bahia.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

maio
30

Postado em 30-05-2009 00:34

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 30-05-2009 00:34

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E já que falamos da Argentina, nada melhor que a música de um dos seus artistas mais geniais, e reconhecidos no planeta inteiro, para começar a madrugada deste sábado (30). Astor Piazzola executa com seu bandoneon sem igual uma de suas mais aplaudidas composições: Libertango. Agora é transportar-se para a Praça de San Telmo, Viejo Almacem, Club de Viño, Caminito ou outro recanto de tango em Buenos Aires e deixar-se levar nas asas da melodia de Piazolla
(Vitor Hugo Soares)

maio
30

Postado em 30-05-2009 00:11

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 30-05-2009 00:11

Peron e Evita: mitos em alta
eva
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Reportagem publicada no jornal espanhol “El Mundo”, produzida em Buenos Aires pela repórtes Carmen de Carlos, revela que a campanha em curso na Argentina, para as eleições legislativas de 28 de junho, voltaram a ressuscitar as mil e uma caras do peronismo no país vizinho, às marges do Rio da Prata.

O setor governista é encabeçado pelo marido da presidenta Cristina Kirchner e seu antecessor no cargo, Néstor Kirchner. O “discidente”, o empresário multimillonário Francisco de Narváez e, a cavalo entre um e outro, se abre um ramalhete de dirigentes que seguem tendo  Peron por bandeira e  Evita como santa e ceia, afirma o jornal espanhol.

Segundo a imagem produzida pela autora do texto, “há tantos peronistas quanto manchas tem um tigre. «Durante seu exílio em Puerta de Hierro, perguntaram ao general Juan Domingo Perón o que era o peronismo. Ele respondeu: “Depende». A piada, na boca de Francisco de Narváez, serve para explicar que «tudo cabe no peronismo». O candidato que aspira vencer, no próximo 28 de junho, nas urnas a Kirchner e dar posteriormente o salto à presidencia do Partido Justicialista (PJ), está convencido de que é hora de «estreitar as margens e definir o peronismo do século XXI».

Entrevistado na reportagem, O escritor Juan José Sebreli, autor de «Os desejos imaginários do peronismo” e, entre outros ensaios, «Comediantes e Mártires», onde derruba o mito de Eva Duarte de Perón, adverte: «Sempre houve vários peronismos, agora o que acontece é que está mais fragmentado». Ignacio García Hamilton, historiador com um livro a ser lançado sobr o movimento de Perón, encontra um denominador comum neste saco de peronismos: «Ambição de poder, falta de respeito às instituições e ao Estado de Direito, assim como um acentuado autoritarismo… Em essência, —adverte em coincidência com Sebreli—, o peronismo não é democrático, é sinônimo de populismo, umas vezes de direita e outras de esquerda”.

DEMOCRACIA PERONISTA

Ouvida também pela repórter de El Mundo, a socióloga e diretora da Consultoria Romer y Associados, Graciela Romer não deprecia esta análise mas faz concessões ao movimento justicialista, que é como o batiza Peron. «Ao peronismo é preciso reconhecer que foi o movimento que melhor representou nos anos 40 e 50 o processo de industrialização. As grandes transformações se produziram pela colaboração do peronismo e a situação de bem-estar na época, as reformas, com todos seus defeitos, que se dão nos anos 90, se alcançam graças à sua intervenção>>.

Sebreli insiste em uma particular «democracia peronista» e descreve os distintos rostos de Peron, «fascista, desenvolvimentista, neoliberal e conservador» em função “da etapa atravessada, mas sempre autoritário e populista”.

A reportagem assinala que esse mesmo catálogo, ainda que não na mesma ordem, se dá nos partidos que concorrem às eleições, e nos presidentes da escola do general: Carlos Ménem, Eduardo Duhalde, Adolfo Rodríguez Saá e Néstor Kirchner. Os analistas coincidem em identificar  Menem como o “menos autoritário”. Seu primeiro governo – assinala Sebreli— foi o mais democrático». Sylvina Walger, autora do livro «Pizza con champán», fiel retrato da queda e o excesso do que ela chama «o menemato», assegura que «então, apesar de tudo, o governo era mais democrático»

(Texto traduzido e postado por: Vitor Hugo Soares).

maio
29

Postado em 29-05-2009 17:26

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 29-05-2009 17:26


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E como anunciaria Zé Laiette com a sua voz inimitável de locutor da Difusora de Glória, a música do dia do Bahia em Pauta,”Mestre Jonas”, é dedicada ao cronista inimitável do Vale do São Francsico, Janio Ferreira Soares, colaborador deste site-blog. E não precisa dizer mais nada, porque a antológica canção de Rodrix e o texto da cronica do secretário de Cultura de Paulo Afonso, publicado no BP, dizem tudo.

(Vitor Hugo Soares)

maio
29

Postado em 29-05-2009 10:25

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 29-05-2009 10:25

Avenida das lembranças
salvador

CRÕNICA COTIDIANO/SAUDADES

O silêncio e a paz de Jonas

Janio Ferreira Soares

Nas minhas primeiras idas a Salvador várias coisas me encantaram. Dentre elas, a escada rolante da Fundação Politécnica; o elevador Lacerda; a banana split da Lobrás; o cheiro das maçãs de uma banca perto do Cine Guarani; o vai e vem das meninas com suas calças azuis e desbotadas, e, principalmente, a imagem “de cinema” da televisão. Diante dela eu varava as noites e ficava até depois de encerrada a programação, apenas vendo o indiozinho da Itapoan piscando no escuro da sala. Mas tinha um programa em especial que me fascinava e me deixava vidrado diante da tela azulada da velha ABC. Chamava-se Som Exportação.

Foi nele que eu vi pela primeira vez uma turma que eu apenas conhecia de ouvir falar, ou então de algumas canções que conseguiam transpor a Serra do Padre e ecoavam pelas ruas de terra da velha cidade de Glória (BA) através do rádio e da difusora da praça.

Desde Ivan Lins dizendo que o seu peito percebeu que o mar é uma gota comparado ao pranto seu, passando por Milton Nascimento – soltando a voz nas estradas-, até Elis Regina, implorando uma casa no campo pra poder compor muitos rocks rurais, tudo cheirava a novidade para olhos acostumados a ver parentes conversando sob umbuzeiros em flor, e ouvidos habituados a zumbidos de asas de colibris cortando as intermináveis manhãs.

Talvez por isso eu tenha me identificado de imediato com três cabeludos que apareceram por lá tocando uma levada diferente, que misturava o rock do Alabama com o blues de Minas Gerais, cujo resultado – dava para antever – fatalmente transitaria pelo Rio São Francisco, passaria por Pilão Arcado e Sento Sé, e desaguaria entre a montanha e o mar. Sá, Rodrix e Guarabira, eram seus nomes. O prazer foi todo meu.

No dia 22 de maio eu acabara de chegar a Campinas (SP). Ao entrar no hotel o som da TV dizia que Zé Rodrix tinha morrido. Noticia como essa não se pode receber em terras estrangeiras. Deveria tê-la sabido no sitio onde eu morei por mais de 25 anos. Foi lá que nasceram Luiza, Julia e Juca; foi lá que Valéria e eu plantamos mangueiras, goiabeiras e centenas de rolhas de vinho pelo quintal; foi lá que todo fim de semana os mesmos de sempre chegavam pra contar as mesmas histórias, beber a mesma cachaça, ouvir as mesmas canções, mas tudo de uma maneira que parecia a primeira vez.

Tem nada não. Já separei alguns discos, uma boa de Minas, umas Originais pra rebater, e neste fim de semana vou ligar para uns poucos que sobreviveram e ainda estão à mão, para uma última homenagem ao genial compositor e cantor que acabou de pegar uma carona pra cidade mais próxima. Certamente começarei ouvindo Mestre Jonas. Pra quem não lembra, ele é aquele que mora dentro da baleia por vontade própria. Até o fim da vida, até subir pro céu.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, no Vale do São Francisco.

maio
28

Postado em 28-05-2009 23:28

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 28-05-2009 23:28


Uma música romantica para terminar a noite desta quinta-feira e varar a madrugada da sexta-feira (29). Guilherme Arantes – o novo baiano – interpreta “Pedacinhos”, um dos maiores sucessos de uma carreira de sucesso permanente. Uma canção de separação, de fossa, segundo o autor “um dos melhores momentos para o artista compor”.  A música a seguir – e a letra que Bahia em Pauta também publica – é uma prova definitiva desta verdade. Confira.
(Vitor Hugo Soares)

Pedacinhos

(Guilherme Arantes)

Pra que ficar juntando os pedacinhos
Do amor que se acabou?
Nada vai colar
Nada vai trazer de volta
A beleza cristalina do começo
E os remendos pegam mal
Logo vão quebrar
Afinal a gente sofre de teimoso
Quando esquece do prazer
Adeus também foi feito pra se dizer
By by so long farewell
Adeus também foi feito pra se dizer
By by so long, farewell
Adeus também foi feito pra se dizer
By by so long, farewell
Adeus também foi feito pra se dizer
Pra que tornar as coisas tão sombrias
Na hora de partir?
Por que não se abrir?
Se o que vale é o sentimento e não palavras
Quase sempre traiçoeiras
E é bobeira se enganar
Melhor nem tentar
Afinal a gente sofre de teimoso
Quando esquece do prazer
Adeus também foi feito pra se dizer
By by so long farewell
Adeus também foi feito pra se dizer
By by so long, farewell
Adeus também foi feito pra se dizer
By by so long, farewell
Adeus também foi feito pra se dizer

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