maio
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Postado em 24-05-2009 14:17

Arquivado em ( Municípios, Newsletter) por vitor em 24-05-2009 14:17

Inauguração da mostra…
mostra
…Evandro presente
evandro
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Grazzi Brito

JUAZEIRO (BA)- Foi inaugurada na úiltima sexta-feira na cidade de Juazeiro, no lado baiano do Vale do São Francisco, a mostra fotográfica “Canudos 100 Anos”, de Evandro Teixeira, um dos mais legendários e premiados fotojornalistas do País, da melhor escola de profissionais do Jornal do Brasil. A mostra ficará no Centro de Cultura João Gilberto até o dia 22 de junho. Evandro, editor de fotografia do JB, no Rio de Janeiro, participou da abertura da exposição.

Depois de percorrer vários países e cidades brasileiras, a mostra fotográfica está pela primeira vez no interior da Bahia, sob organização e coordenação do Mural Galeria Fotógrafo Euvaldo Macedo Filho (MAGEM).
As 43 imagens da mostra retratam a população e o cotidiano da cidade de Canudos.

São imagens comoventes que revelam em preto e branco a realidade dos sertanejos. O trabalho, iniciado em 97 ,foi desenvolvido durante quatro anos. Neste tempo, Evandro reencontrou os sobreviventes e herdeiros da comunidade criada por Antônio Conselheiro, líder messiânico que comandou milhares de seguidores na Guerra de Canudos. “Refiz a trajetória de Conselheiro, conversei com seus herdeiros, registrei lado a lado a antiga e a nova Canudos (…) Canudos é sinônimo de luta, de resistência, de mudança, de esperança. É a história do país, vivida e contada por gente simples, cuja força parece vir da agrura da terra, da beleza rude do sertão”, explicou Evandro.

Muitas pessoas foram ao Centro de Cultura conferir a mostra e conhecer Evandro, o simpático , competente e corajoso reporter fotográfico, ganhador do Prêmio Esso de Fotografia. Foi ele o úinico fotógrafo no mundo a fazer imagens do primeiro protesto no Chile contra o ditador Augusto Pinochet, durante o enterro do poeta Pablo Neruda, que morreu poucos dias depois do golpe em que foi assassinado o presidente Salvador Allende.

Evandro Teixeira, fotografo e cidadão do mundo, é baiano sertanejo nascido na cidade de Santa Inês. Bravo!

Grazi Brito, jornalista, mora em Juazeiro.

maio
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Postado em 24-05-2009 12:03

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 24-05-2009 12:03


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E a canção para começar o dia neste domingo(25) no Bahia em Pauta vem do arquipélago de Cabo Verde, na véspera de começar am Salvador as celebrações da Semana da África na Bahia. Duas musas reunidas – a africana Cesárea Évora, e a brasileira Marisa Monte – em dueto pleno de emoção e sensibilidade à flor da pele. As duas cantam “Mar Azul”, um dos maiores sucessos internacionais da musa dos pés descalços da ilha de São Vincente, no noroeste do arquipélago africano, onde nasceu Cesárea para encantar o mundo. Confira a performance magistral das duas artista sem tirar a atenção dos músicos fora-de-série que as acompanham.
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(Vitor Hugo Soares)

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Postado em 24-05-2009 11:26

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 24-05-2009 11:26

Senegal-Bahia: identidade
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O presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, que desembarca no começo da noite deste domingo(24) em Salvador, e será recepcionado oficialmente amanhã pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, tem agenda cheia no campo cultural em sua passagem pela capital baiana. Nesta segunda-feira (25). Lula, Wade e o governador Jaques Wagner participam, às 19h, no Teatro Castro Alves, em Salvador, do lançamento do III Festival Mundial de Artes Negras (Fesman) no Brasil, que marca também a abertura da programação da Semana da África na Bahia, com um espetáculo de música e dança no Teatro Castro Alves.

Das respectivas comitivas presidenciais participam, também, os ministros da Cultura do Brasil, Juca Ferreira, e do Senegal, Mame Dirame Diouf. No show do TCA devem brilhar em suas participações anunciadas Margareth Menezes, Carlinhos Brown, Gilberto Gil e Balé Folclórico da Bahia, além dos grupos de cultura african a exemplo do mundialmente aplaudido Balé do Senegal, Youssounour e Cooumba Gwallo. No dia 25 de maio é comemorado o Dia da Libertação da África, instituído pela ONU. O Brasil é o país homenageado nesta edição do festival. Será realizada, de 25 a 31 de maio, uma série de atividades para comemorar a Semana da África em Salvador. como exibição de filmes, palestras e shows.

O Brasil é o país convidado de honra do festival e a Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura, está organizando a presença brasileira. Uma das iniciativas é o lançamento de um edital para selecionar os artistas nacionais que irão participar de apresentações em Dacar, capital do Senegal.Com o tema “O Renascimento Africano”, o III Festival será em Dacar, de 1º a 14 de dezembro deste ano, com grandes atrações já confirmadas, a exemplo da cantora, Cesária Évora ( a dama dos´pés descalços de Cabo Verde), os instrumentistas Manu Dibango e Salif Keita, além do ex–presidente da África do Sul, Nelson Mandela, entre outros.

A magnitude do show e das atrações programada para a noite desta segunda-feira no TCA, dá bem uma idéia do que vem por aí..

(Vitor Hugo Soares, com informações da Coordenação da Redação de Jornalismo da Agecom)

maio
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Postado em 24-05-2009 00:15

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Paulo Afonso: paraiso radical
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Para a manhã deste domingo(24) de tempo incerto em Salvador, uma boa sugestão para quem ficar em casa, na capital e no interior da Bahia (ou em qualquer parte do país) é ligar a televisão para ver o Esporte Espetacular, que a Rede Globo de Televisão apresenta a partir das 11h10.

Vai rolar uma matéria bacana sobre Paulo Afonso, um dos lugares mais bonitos e surpreendentes do Estado e da terra, mas tão pouco conhecido pelos próprios baianos, e tão esquecido e mal divulgado pelos agentes de cultura e de turismo estaduais – públicos e privados.

Paulo Afonso, oasis do sertão onde a força das águas do Rio São Francisco se transforma em energia eletrica que ilumina o Nordeste e move suas indústrias é também, atualmente, uma das cidades mais encantadoras e bem cuidadas da Bahia. Novo paraíso dos chamados esportes radicais, que atraem para o rio que corre entre canions de tirar o fôlego, esportistas e turistas de várias regiões do país e do mundo. É um pouco desta maravilha da natureza e da tecnologia chamada Paulo Afonso, que você verá no Esporte Espetacular deste domingo.

E uma atração extra: a participação de Janio Ferreira Soares, cronista de primeira linha e colaborados do Bahia em Pauta. O perigo é a Globo levar Janio, secretário de Cultura de Paulo Afonso, para substituir Leo Batista no programa dominical. Se isto não acontecer, porém, logo este site-blog terá mais um belo texto vindo das margens do São Francisco para postar para seus leitores. Confiram.

(Vitor Hugo Soares)

maio
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Postado em 23-05-2009 22:39

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 23-05-2009 22:39


Conduzido pelas palavras e, principalmente, pela melodia de “Madri, Madri, Madri”, do mexicano Agustin Lara, que cantou a Espanha como ninguém, vamos caminhar um pouco esta noite de sábado e madrugada de domingo(24) pela vibrante e espetacular capital espanhola, por onde anda atualmente a escritora, jornalista e colaboradora especial deste site-blog, Aparecida Torneros. Afinal é na noite e madrugada que Madri fica ainda mais viva, intensa e ardente como nenhuma outra cidade do mundo.Andemos então por Madri através da música eterna de Agustin Lara.

(Vitor Hugo Soares)

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Postado em 23-05-2009 21:50

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Bar do Chiado: preferido de Pessoa

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CRÕNICA DE VIAGEM

PELOS BARES DE BOCAGE E PESSOA

Aparecida Torneros*

Há duas semanas encontro-me a viajar visitando cidades de Portugal e Espanha. Meu tour, cuja meta é Paris, para fechar com chave de ouro a primeira vez que venho à Europa, inclui lugares históricos, tanto sob o ponto de vista pessoal (fui primeiro à Galícia, em Vigo, Orense, Verin e Santiago de Compostela) na terra da minha avó Carmen Toneros, como a ancestralidade ibérica que nos atinge a todos na Amèrica Latina.

Portugal me ofereceu a oportunidade de me reconhecer na lingua pátria, tendo visitado o túmulo do grande escritor Luiz Vaz de Camões, no Convento dos Jerônimos, e também ido até a porta da casa onde ele nasceu, já que meu amigo também poeta, Joao Videira Santos, me presenteou com um roteiro literário invejavel pelo centro de Lisboa, quando passei por bares e restaurantes que foram frequentados por Fernando Pessoa, Eça de Queirós, Mario de Sa Carneiro, Jose Maria do Bogage, entre outros.

Em Porto, fiquei encantada com o aconchego da sua gente e sua paisagem, senti-me em casa na livraria da Dina Ferreira, a Poetria, e me perdi de alegria ao visitar a Lelo, lugar de tantos livros e tanta tradiçÃo literária.

Nem sei como descrever Braga, GuimarÃes, Óbidos, Batalha, MarvÃo, sítios de muita história, o barroco português nos inundando olhos e sentimentos.

Aqui em Madri, de onde agora escrevo, há notìcias que me põem de novo na atualidade, e desço à terra, para envolver-me nas discussões que permeiam os últimos três dias que passo na capital espanhola, cidade vibrante, ensolarada na primavera, repleta de turistas, mas “caliente” de assuntos polêmicos. Critica-se o ministerio da Defesa que teria ocultado o surto de Gripe A, entre os soldados de uma unidade militar, em Madri, e que havia recebido a visita de alunos de uma escola, sem terem sido avisados do risco de contaminaçao. Tambèm, ontem, um acidente com a queda de uma torre de sustentação para uma grua com cameras de tevê, sobre o publico, no primeiro comício para as eleições da União Europeia, pouco antes da chegada do ministro Jose Luiz Zapatero, e felizmente, todos os feridos foram atendidos sem gravidade.

Outro assunto em pauta, que suscita muitos programas de debate, é a lei que permitiria as adolescentes grávidas acima de 16 anos realizar aborto sem o consentimento dos pais. Este tema tem sido veiculado constantemente e a briga é intensa, uma vez que envolve questoes civis, religiosas, filosóficas, sociais e econõmicas.

Assim, Portugal e Espanha, me adentram a pele, os olhos, a boca ( comidas e vinhos) , a alma, sobretudo, e tento passar para os amigos brasileiros, um pouco do vulcão interno que me acomete. Bastaria só ter falado da Guernica de Picasso, onde me postei por mais de 10 minutos anteontem, no museu Rainha Sofia e seria suficiente para me tornar uma turista não acidental, mas extremamente consciente do quanto essa peninsula ibèrica me traz mil anos de existencia para o intervalo de duas pequenas semanas.

Aparecida Torneros é jornalista e escritora, autora de “A Mulher Necessária”, mora no Rio dse Janeiro e está em viagem pela Europa.

maio
23

Postado em 23-05-2009 21:15

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 23-05-2009 21:15

Destroços em Trancoso
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O Departamento de Polícia Técnica da Bahia, através de seu diretor, Raul Barreto, confirmou no Instituto Médico Legal de Salvador, para onde os corpos das vítimas foram transportadas, que são 14 os mortos na queda do avião bimotor em Trancoso (Porto Seguro), na noite de sexta-feira(22). São 10 adultos e quatro crianças. As autoridades aeronáuticas e os técnico do DPT descartaram há pouco, qualquer possibilidade de existência de uma 15ª vítima.

Prosseguem agoras os levantamentos técnicos no IML para reconhecimento e identificação dos mortos. A primeira parte (o reconhecimento) parece mais fácil e conta com a ajuda fundamental do filho do piloto, que ajudou na indicação dos assentos de cada passageiro e fechou a porta da aeronave, permanecendo em São Paulo.

A identificação dos corpos carbonizados é a parte mais mais difícil e demorada, pois dependerá, na maioria, de exames de DNA. A Polícia Técnica admite, no entanto, que alguns corpos poderão ser identificados nas proximas horas, através de exames das arcadas dentárias de algumas das vítimas. A polícia acredita que a maior dificuldade será a identificação de Rosângela Pereira Barbosa, babá de uma criança de seis meses, pois faltam informações sobre seus familiares e endereço na capital paulista.

Neste sábado, mais cedo, a empresa Arsenal Investimentos divulgou a lista com os 14 nomes das vítimas do acidente. Na aeronave viajavam o empresário Roger Wright, 56 anos, sócio fundador da Arsenal Investimentos; sua esposa Lucila Carvalho Lins; a filha do empresário, Verônica Luchsinger Wright Faro, com o esposo Rodrigo de Mello Faro e seus dois filhos do casal, Vitória Wright Faro e Gabriel Wright Faro.

Também estavam a bordo do bimotor o filho de Roger Wright, Felipe Luchsinger Wright, com sua esposa, Heloísa Alqueres Vaz Wright, o filho, Francisco Alqueres Vaz Wrihgt, de apenas 6 meses, e Rosângela Pereira Barbosa, babá de Francisco.

A bordo ainda a neta de Lucila Carvalho Lins, Nina Pinheiro, filha de Isabela Pinheiro, fruto do primeiro casamento de Lucila; Vera Lúcia Mércio, tia-avó de Roger Wright; o piloto Jorge Lang Filho; e o copiloto Nelson Caminha Affonseca.

As idades das crianças não foram divulgadas. Ainda segundo a assessoria da Arsenal, três sócios de Roger Wright estão na Bahia a fim de colaborar nos trabalhos de identificação e liberação dos corpos, que devem ser enterrados em São Paulo (SP).

(Postado por:Vitor Hugo Soares)

maio
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Postado em 23-05-2009 11:56

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 23-05-2009 11:56

Em sua edição deste sábado(23) o jornal Correio da Bahia publica a notícia do acidente com o helicoptero que caiu na noite de sexta-feira(22), por volta da 19h, na zona rural de Vitória da Conquista, matando seus dois ocupantes. O desastre aconteceu duas horas antes da queda de um jato de porte médio, quando se preparava para pousar na pista de um aeroporto particular de um hotel de alto luxo no extremo-sul do Estado.

Entre 11 e 15 pessoas viajavam no jatinho (a Aeronáutica ainda não tem o número exato). No acidente, como ja havia noticiado ontem mesmo o Bahia em Pauta, não houve sobreviventes. Em Porto Seguro e em Conquista seguem neste sábado as investigações sobre as causas dos dois acidentes. Chovia e ventava forte na hora dos dois desastres.

Segundo o Correio, o helicóptero caiu e explodiu na zona rural de Vitória da Conquista por volta das 19h desta sexta-feira (22) provocando a morte do piloto e de um empresário que estavam dentro da aeronave.

Segundo informações do Capitão Bahia, do Corpo de Bombeiros, o helicóptero saiu de Montes Claros, em Minas Gerais, com destino a Vitória da Conquista e caiu em uma plantação de mandioca na Fazenda Quati, povoado de Simão, em Conquista.

Leia mais informações do caso no Correio da Bahia deste sábado(23)

maio
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Postado em 23-05-2009 10:54

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 23-05-2009 10:54


E para começar o dia com informação e música, dois pilares de sustentação deste site-blog, o Bahia em Pauta foi buscar para seus leitores e ouvintes um vídeo demonstrativo (demo) do documentário “Simonal – ninguém sabe o doro que dei”, tema da análise do jornalista baiano em temporada carioca, Gilson Nogueira, cuja análise dá vontade de sair correndo para o primeiro cinema onde o filme esteja sendo exibido. Que o vídeo a seguir também contribua para isso, em nome da busca da verdade sobre um dos mais polêmicos e talentosos nomes da MPB. E de uma voz e poder interpretativo perenes e incontestáveis.

(Vitor Hugo Soares)

maio
23

Postado em 23-05-2009 10:17

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 23-05-2009 10:17

Simonal: final em aberto
siminal

PRIMEIRA CRÍTICA/DOCUMENTÁRIO

ABENÇOADO POR DEUS

Gilson Nogueira

Contar o final do filme tira o interesse de quem quer assisti-lo. É o entendimento geral. Desvendar o epílogo de uma obra cinematográfica ao espectador, sem que ele a tenha visto, na tela do cinema, do computador ou da TV, seria como ir direto aos finalmentes, com a parceira, ou o parceiro, na cama, antes de passar pelas preliminares. E o que tem isso a ver com o fato de um documentário ser considerado bom? Aparentemente, nada, mas, no caso de Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei, tudo. O documentário é excelente. Teria sido pelo que ele deixa como resposta ao público que vai conferi-lo? Responde ao anseio de que Simonal era inocente? Ele é fiel aos fatos, apresentando os dois lados da história, como manda a prática da boa reportagem no jornalismo? Ou há algo mais, que não foi dito? No documentário Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei, a verdade é revelada? O “caguete”, forma baiana de pronunciar a palavra correta, alcagüete, como se propalou, até aqui, foi invenção da esquerda?

Há, no belo documentário, a intenção dos seus realizadores em deixar para a platéia as conclusões dos fatos mostrados. A fita, que completou, nesta sexta-feira, oito dias de exibição pública, merece os aplausos e elogios de crítica. Já a colocam entre as melhores do gênero já feitos, no país. Seria pelo fato de mostrar que Simonal foi infeliz, como protagonista, na condução da “lanterna” que buscava iluminar a cena de um suposto roubo do seu contador ? A verdade foi mostrada, de uma vez por todas, em relação a ele, Simonal, ainda que o documentário não tenha tido essa intenção? Era, mesmo, Simona dedo-duro? Teria “entregado” colegas do meio artístico aos que estavam a serviço da ditadura?

O fato é que Simonal foi considerado “morto”, enquanto ainda dispunha de vigor, físico, intelectual e artístico para continuar fazendo sucesso. Fecharam-lhe as portas, quando ele gozava de amplas possibilidades de continuar a arrebatar multidões, mundo afora, graças ao seu talento, como cantor de voz belíssima, ao seu modo único de interpretar. Chegou a ser tido como o maior homem show do Brasil. Quem conhecia, até então, nos anos 70, alguém que cantasse igual ou melhor que ele? Fiz-me essas perguntas, depois de assistir Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei, aqui, no Rio, na estréia, sexta-feira passada. Fui um dos que adquiriram ingresso para a primeira sessão, no bom cinema do Unibanco, em Botafogo. No dia que fui ver o belo trabalho, que não busca inocentar Simonal, só minha mulher sabe da minha estupefação, ao ser atendido na bilheteria do cinema.

O filme luz lança sobre o caso que intriga, ainda, o país, apesar dele. Meus olhos lacrimejantes entraram em cena no instante em que Simonal canta com a voz fraca para uma platéia de pouco mais de meia dúzia de pessoas em um pequeno palco de madeira no Pelourinho. Ali estava, quase aos trapos, o cantor que, um dia, conheci, na Fonte Nova, em um amistoso da Seleção contra meu Bahia, no ano do Tri. De Simonal, guardo o autógrafo, como relíquia. Mais que isso, a certeza de que o destino foi um parceiro ingrato. Seu final de vida, melancólico, faz chorar, até hoje, quem o idolatrava e confiava na sua inocência. Não é o meu caso. Na minha memória, a alegria, a satisfação ao ouvi-lo, em interpretações magníficas de músicas brasileiras e estrangeiras. Luiza, de Tom Jobim, sendo acompanhado, ao piano, pelo genial Luisinho Eça, no Beco das Garrafas, é uma delas. Dessas que fazem a gente beber os ares. No filme, através de depoimentos de alguns entrevistados, como o Luiz Carlos Mielle, fica claro que Wilson Simonal não foi enterrado com um furo no caixão, para que seu dedo indicador passasse pela tampa que o cobria. O País Tropical, abençoado por Deus, sabe que a voz, a ginga e o sorriso de um dos seus maiores artistas, em todos tempos, permanecem como o que de melhor já produziu para o planeta. Resta-me, somente, agora, deixar cair – a última lágrima.

Gilson Nogueira é jornalista

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