out
07

Postado em 07-10-2009 20:22

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 07-10-2009 20:22

Marcelo Nilo: bombardeado na madrugada
marcelo
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Na noite de ontem e madrugada desta quarta-feira, 7, na Assembleia Legislativa da Bahia, se contabilizou mais um dia de perda de tempo e de gastos sem retorno para a população, além de mais desgaste para a atividade parlamentar.

Vamos por partes:

1- Constavam na pauta de votação quatro projetos e um requerimento de urgência. Dos projetos, um era instituindo o Hino ao 2 de julho como hino oficial da Bahia e o segundo era sobre a instituição da medalha do 02 de julho. O terceiro projeto tratava do Planserv, permitindo que servidores das empresas de economia mista do estado – embasa, conder e cerb – possam participar do plano.

2- O quarto e último projeto tratava de gratificação para os policiais civis e o requerimento de urgência era para o subteto dos servidores do estado. O teto salarial do servidor está vinculado ao salário do governador, assim sendo para aumentar o teto é necessário o aumento do salário do governador.

Até aí tudo bem. Ocorre que o governador não quer o aumento, mas deseja aumentar o subteto. E aí o bicho começa a pegar.

3 – Na elaboração desse projeto, que é de iniciativa da Assembléia, os técnicos tentaram arrumar uma forma de aumento do limite dos salários dos servidores, do modo pretendido pelo governador. No artigo 1º do projeto o salário do governador é mantido e no parágrafo único eleva-se o subteto. A oposição disse que assim não votaria alegando inconstitucionalidade. Esse impasse foi a gota d’água para a obstrução acirrada que se seguiu noite a fora.

O que não se noticiou, por sono ou falta de vontade:

O presidente Marcelo Nilo foi bombardeado todo o tempo com a obstrução, sem ter a mínima ajuda de seus pares. Todos correram da briga. Apenas o líder Waldenor deu o ar da graça, mesmo assim de forma tímida.

Enquanto isso, os deputados da oposição Gaban, Arthur Maia e Elmar Nascimento brigava armados até os dentes.

Gaban vem se destacando na oposição como o “homem bomba”. Não tem limites. Subiu à tribuna tirou o microfone e levou, sem llembrar que foi presidente da Casa e que essa não é a melhor postura de um verdadeiro parlamentar.

Elmar, o mais raivoso, procurou briga física com Pedro Alcântara e com o deputado Javier Alfaya, atingidos com nomes injuriosos e inaceitáveis em casas de família ou numa Assembléia, por mais reles que seja.

A impressão final é de que o governo mais uma vez comeu mosca, na parte técnica. A manobra da oposição só não deu certo porque vazou antes e a assessoria do governo presente conseguiu reverter o desastre que se anunciava.

Uma noite e madrugada lastimável para governo e oposição, em que tudo – ou quase – se perdeu. Inclusive o sono.

(Postado por Vitor Hugo Soares, com informações de notívagos atentos na Assembléia)

out
07

Postado em 07-10-2009 15:46

Arquivado em ( Aparecida, Artigos) por vitor em 07-10-2009 15:46

Dilma abre o coração em O Globo/img. Arquivo
midilma

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CRÔNICA / SENTIMENTOS

O coração da candidata Dilma

Aparecida Torneros

A entrevista publicada no domingo, dia 4 de outubro, no Jornal O Globo, Rio de Janeiro, é precedida de um esclarecimento que antecipa aos leitores sobre as circunstâncias do “ping-pong” que se segue. O box introdutório menciona “adversidade”, reencontro da entrevistada Dilma Housseff com o entrevistador Jorge Bastos Moreno, fala da sobrevivência diante da doença, da cura anunciada para o câncer após tratamento e na longa conversa que se iniciou num café da manhã e se estendeu quase até a hora do almoço.

O jornalista deixa entrever que a ministra abriu mão da agenda oficial para divagar nas ondas da emoção que é recuperar a sede de viver, citando inclusive ” Hoje percebo a intensidade da tarde. Observo atentamente o que o vento faz com as folhas das árvores, sinto o perfume das flores e o cheiro da terra”.

A partir daí, segue-se um abrir de um coração de candidata, ou melhor, um coração feminino, prestes a se “apaixonar” por algo ou alguém mais humano e menos administável, do ponto de vista de qualquer autor de novela, digamos que a reportagem em destaque no jornal carioca, revela uma “nova” Dilma, que relembra até as novelas que assistiu ainda jovem, na cadeia, acompanhada das outras presas políticas.

Mas, ela vai além, repensa sobre a paixão, fala de literatura, de música, aliás, canta algumas letras famosas, segundo seu interlocutor, o jornalista Moreno, hábil no mister de deixar a entrevistada tão à vontade que ela responde “infelizmente não”, logo de cara, à primeira pergunta formulada. -” A senhora está namorando? Está apaixonada?”

Assim, o que é possível ler, tanto ao pé da letra, como nas entrelinhas da peça jornalística, traz o perfil dos sentimentos de uma mulher como qualquer outra, que vê a vida com olhos de quem precisa divulgar que convive bem com a solidão, porque, na verdade, ela mesma classifica ” é o bom convívio consigo mesmo”.

Dilma lista suas preferências musicais, tão variadas e de um teor eclético presumível para quem trafega em mundos populares e eruditos, com a missão profissional de melhor entender o povo ao qual se postula como possível candidata a governar, em eleições que esmiuçarão tudo, desde de sua vida pessoal, passando pelo seu comportamento político, e incluindo o nível de equilíbrio necessário para alguém que pode vir a comandar um país como o Brasil.

Se candidata, e se eleita, pela primeira vez, o Brasil terá uma mandatária usando saias , batons e brincos, sem perder de vista que estarão a seu cargo, como chefe do Executuivo, observar com atençaõ os números do PIB, os investimentos necessários para o crescimento da renda per capita das classes mais baixas, e ainda, manter-se serena e conciliadora, por vezes, e noutras, ter pulso firme, apaziguar questões adversas, articular apoios, ser “anticaos”.

Ela cita o livro “anticâncer” como o que mais ganhou durante a fase difícil da doença que enfrentou, diz que deve ter recebido uns 20 exemplares, que o leu, que valeu a pena e que o distribuiu em São Paulo, provavelmente, entre os doentes que conheceu.

A entrevistada relembra o personagem Sinhozinho Malta, vivido pelo ator Lima Duarte, e conta que a primeira novela que lembra de ter assistido foi Irmãos Coragem, nos tempos da cadeia. Dilma solta-se pelos caminhos sensitivos da musicalidade, da literatura, da tietagem por Roberto Carlos, do qual diz gostar demais, e aponta “Debaixo dos caracóis dos seus cabelos”, como uma das suas preferidas.

Cantarola uma do Chico : ” A Rita levou meu sorriso, no sorriso dela …” e se diz apaixonada por aquela intitulada “Quem te viu , quem te vê”. Destaca o trecho que gosta mais: ” Hoje eu vou sambar na pista, você vai de galeria, quero que você assista, na mais fina companhia”.

Do Gil, ela fala em Procissão, e tenta lembrar outras, e do Pinxiguinha, ela lembra de Rosa. Canta uma parte memorável; ” Tu és, divina e graciosa, estátua majestosa do amor, por Deus esculturada”

Mas quando se refere a Noel Rosa, a ministra canta inteira a que fala na Noite de S. João. “Nosso amor que eu não esqueço, e que teve seu começo numa festa…”

A entrevista, que ocupou página inteira, e ainda prossegue em meia página mais adiante, acrescenta muito mais sobre os gostos musicais e literários da Dilma candidata, da Dilma cantadora, da Dilma sobrevivente de doença grave, da Dilma que adora João Cabral de Melo Neto, que chega a lembrar dos sonhos infantis, um deles, segundo ela, o que durou mais tempo, o de ser bailarina.

O inusitado da reportagem, em termos de informação ao público que, estatisticamente, parece mesmo conhecê-la ainda muito pouco, e deve ter sido o fato de que um jornal de grande circulação, num domingo de amplo espectro de leitores, se dispôs a divulgar o coração da candidata Dilma.

Uma senhora que está sendo preparada para tentar a disputa no pleito máximo da condução dos caminhos nacionais, e que, até agora, falava de pré-sal, de usinas termo-nucleares, de obras e orçamentos para o programa de aceleração do crescimento, ou se defendia de tiroteios políticos naturais que partem de adversários também interessados na mesma luta pelo poder, ou na democrática e oportuna onda de colocações plausíveis entre situação e oposição.

Pois a “poderosa” Dilma foi apresentada, “frágil”, de coração aberto, digamos assim, entre os devaneios do seu interlocutor, ou os sonhos agora difundidos para os homens disponíveis que se habilitarem a se candidatar a um lugarzinho especial no tal “coração apaixonável” ( por que não?) da candidata a nossa chefe de Governo.

O próprio Jorge Bastos Moreno deixou escapar no seu texto que ” esse é o mistério que a campanha eleitoral certamente não vai revelar – uma pena para um país que nunca teve um primeiro-damo”.

Aparecida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, e edita o Blog da Mulher Necessária, onde o texto foi publicado originalmente) (http://blogdamulhernecessaria.blogspot.com)

out
07

Postado em 07-10-2009 11:30

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 07-10-2009 11:30

Maestro Ramon volta ao Barradão
ramon
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Deu no Esporte da Tribuna da Bahia:

Sobre o classico de rubronegros na noite desta quarta-feira à noite no Barradão, pela primeira divisão do Campeonato Brasileiro, a TB publica:

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“Para manter vivo o sonho do G-4, somente o triunfo interessa ao Vitória, que tem a obrigação de valorizar o mando de campo, a vantagem de jogar em casa. A escalação oficial do time só saí momentos antes da partida, já no vestiário do Barradão. Mas pelo trabalho realizado esta semana no Centro de Treinamentos da Toca do Leão, o técnico Vagner Mancini deixou claro que a determinação é encarar o Flamengo, lutar os 90 minutos, e mais os acréscimos, em busca dos gols.

Com a volta de importantes jogadores que estavam em recuperação no Departamento Médico, Anderson Martins e Ramon Menezes, ou suspensos, como o zagueiro Wallace e o meia Willian, treinador terá praticamente todo o grupo à sua disposição, e aproveitou para fazer uma série de avaliações nos treinamentos da semana. Ficam de fora do clássico contra o Flamengo o goleiro Viáfara, que ainda se recupera de um estiramento muscular, o atacante Neto Berola, expulso contra o Santo André, e o volante Carlos Alberto, suspenso pela 3ª advertência do cartão amarelo.

A segunda-feira Mancini comandou um coletivo onde avaliou a possibilidade da entrada de Gláucio no meio-campo, e até o aproveitamento de Leandrão no lugar de Neto Berola, ao lado de Roger. Mas a tendência é repetir a fórmula que deu certo contra Palmeiras e Inter, com Ramon no meio-campo e Willian mais avançado no ataque, ao lado de Roger.

No fim do trabalho o assistente técnico Ricardo Silva realizou um trabalho de finalizações com os jogadores de ataque. Os treinamentos foram encerrados ontem à tarde, com início de concentração na Chácara Vidigal Guimarães.

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Bahia em Pauta recomenda: Ao Barradão, torcida rubronegra. E tudo pelo Leão da Barra!

out
07

Postado em 07-10-2009 10:50

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 07-10-2009 10:50

Deu na coluna

Em sua coluna diária na Tribuna da Bahia o jornalista político Ivan de Carvalho assina uma análise sobre os subterãneos do PR no estado. “Na superfície as coisas parecem calmas, tranquilas, mas nos bastidoreso ambiente é de barata voa”, provoca o articulista da TB. Leia tudo a seguir no Bahia em Pauta, que reproduuz o texto.
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PR baiano: promessas e dívidas
PR
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OPINIÃO POLÍTICA/ BASTIDORES

Barata voa no PR

Ivan de Carvalho

Na superfície as coisas parecem calmas, tranqüilas. Mas nos bastidores o ambiente é de barata voa. Assim estão as coisas no PR da Bahia.
Começando pelo começo, convencionou-se, pelo menos para divulgação – o que parece haver sido suficiente para convencer alguns deputados estaduais –, que a direção nacional do partido liberou os parlamentares nos Estados para seguirem a direção política que quiserem, sem darem a mínima para as direções estaduais.
A idéia dos que sustentam essa tese é de que a direção estadual pode mais e tendo adotado a citada diretriz, não têm poder as direções estaduais para adotar diretriz em sentido contrário.
Daí que, embora o comando estadual do PR da Bahia esteja em ostensiva oposição ao governo estadual do petista Jaques Wagner, mesma posição de todos os deputados federais baianos ainda sob a bandeira do PR – o deputado federal José Carlos Araújo abandonou recentemente a legenda – três deputados estaduais desse partido integram ostensivamente a base político-parlamentar e eleitoral do governador Wagner. São os deputados Gilberto Brito, Pedro Alcântara e Reinaldo Braga, que há poucos dias migrou do PSL para o PR na presunção de que aí teria liberdade total para apoiar o governo Wagner e, presume-se, a reeleição do governador.
O deputado José Carlos Araújo era presidente estadual do PR, mas perdeu este cargo quando o senador César Borges decidiu aceitar o convite para ingressar na legenda e assumir a presidência e o controle na Bahia. Na composição feita na época, José Carlos Araújo foi designado secretário geral da seção regional.
Ocorreu que o deputado federal José Carlos Araújo e mais alguns deputados estaduais tudo faziam para que o PR se aliasse ao governo Wagner, enquanto as simpatias políticas do senador César Borges e dos integrantes da bancada federal (excetuando Araújo) iam na direção contrária, de oposição no âmbito estadual.
Agora, o drama. Comenta-se que brevemente (há quem sugira que possa ocorrer já na próxima sexta-feira, mas esta data não tem qualquer confirmação) a direção estadual se reunirá e fixará como diretriz partidária na Bahia, questão fechada, que a bancada estadual do PR é oposição e como tal deve se comportar.

E decidirá também que qualquer deputado estadual que tentar burlar o que se anuncia será alvo das “medidas cabíveis”, o que significa ser processado na Comissão de Ética do PR e punido – quase certamente com a expulsão da legenda – o que dará ao PR a base jurídica para requerer do Tribunal Regional Eleitoral que efetive a cassação do mandato do deputado rebelde.

Caso a Justiça Eleitoral decida aplicar também a pena cumulativa de inelegibilidade durante oito anos por infidelidade partidária, além de perder o mandato, o deputado cassado não poderia candidatar-se nas eleições de 2010 e até esgotarem-se os oito anos da penalidade de inelegibilidade, o que, na prática (ressalvados casos raríssimos no mundo, dos quais os sem direito por dez anos Fernando Collor, hoje senador, foi um e Jânio Quadros foi outro) significa fim da carreira política.

Um deputado do PR indagado sobre a comentada futura decisão da direção estadual de seu partido, foi incisivo: “Esta decisão vai fatalmente acontecer. Só não sei se será tomada na sexta-feira, pelo menos ninguém me falou isso”. Confrontado com a tese de que a direção nacional “liberou geral” para os deputados do PR apoiarem quem quisessem e que esta foi razão essencial para a recente filiação de Reinaldo Braga, o mesmo deputado do PR replicou: “Me mostre o documento da direção nacional do PR que faz essa liberação. Não existe. Se existisse, o deputado José Carlos Araújo não teria deixado o partido para apoiar o governo estadual, mesmo sabendo que, por si só, a mudança de legenda dificultaria sua reeleição”.

out
06

Postado em 06-10-2009 23:36

Arquivado em ( Artigos, Laura) por vitor em 06-10-2009 23:36

France Telecom: “suicídios assustam”
suicidios
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ARTIGO / PRESSÕES

Por trás dos suicídios na France Telecom

Laura Tonhá

Notícias de suicídio sempre assustam, estamos pouco preparados para lidar com a desistência diante da vida. A nossa cultura: ocidental, global, midática, séc. XXI reza que a vida é “maravilhosa” e que só não é feliz, lindo e rico quem não quer. Difícil entender porque num mundo tão “maravilhoso”, o suicídio seja uma opção cada vez mais freqüente.

A onda de suicídios na France Telecom talvez não tenha tido a cobertura na imprensa mundial que o fato merecia, ou uma análise mais profunda que explicasse o que leva 24 funcionários de uma empresa a se suicidarem num período de 1 ano e meio.

A morte mais recente aconteceu no último dia 28, um funcionário atirou-se de um viaduto, depois de escrever uma carta denunciando o clima profissional vivido no seio da gigante das telecomunicações francesa.

De acordo com a AFP, rede de notícias da França, o empregado trabalhava numa central de chamadas da France Telecom em Annecy, nos Alpes. Casado e pai de dois filhos, o homem de 51 anos deixou dentro do carro uma carta dirigida à sua mulher, “evocando o sofrimento vivido no contexto profissional”. A mulher do suicida explicou aos investigadores que “o seu marido se encontrava muito depressivo há vários meses”.

Os sindicatos informaram que o funcionário tinha sido transferido recentemente para uma central telefônica onde as condições de trabalho são péssimas.

“É aterrorizante. Ele trabalhava numa secção conhecida há muito tempo por ser insuportável, havia uma verdadeira indiferença, nenhum calor humano, não se falava senão de números, os empregados eram carne para canhão”, palavras de Patrice Diochet, do sindicato CFTC.

Conforme notícias da AFP, também no mês de setembro, um técnico de 48 anos da cidade de Troyes esfaqueou a si próprio durante uma reunião, após ouvir que teria que mudar de função; e uma mulher de 32 anos cometeu suicídio em um dos escritórios do grupo em Paris, a funcionária pulou da janela do quarto andar de um prédio após uma reunião.

Os sindicatos afirmam que todo esse desespero é causado pela reestruturação crônica da France Telecom e por pressões no ambiente de trabalho.

O Blog de Luiz Nassif explica que a empresa francesa implantou uma política de “mobilidade sistemática” de seus “cadres” ( quadros técnicos e administrativos com cargos de chefia intermediária). Por essa política, a cada 3 anos esses funcionários são transferidos de local de trabalho. Além disso, estabeleceu metas individuais de produtividade que geram uma concorrência insuportável entre colegas de trabalho, metas, aliás, consideradas por trabalhadores e sindicalistas geralmente impossíveis de serem atingidas com os meios materiais disponíveis.

A editora de Época Negócios, Alexa Salomão, escreveu em sua coluna: “A France Telecom não é “uma qualquer”. Foi uma estatal poderosa, privatizada no final dos anos 90. O Estado detém 26% do capital, o que ainda faz dela um patrimônio francês. Seu lucro, no ano passado, superou os quatro bilhões de euros. Mais de 100 mil pessoas trabalham na empresa. Por tudo isso, o que está ocorrendo lá – e da forma como está ocorrendo – ultrapassa a fronteira do surreal”.

Surreal em qualquer lugar, mais surreal na França, mundialmente conhecida por trabalhadores engajados em seus direitos; local onde práticas como o “boss-napping” (sequestro de executivos de empresas, que vão demitir pessoas, para negociação de melhores condições para os trabalhadores) recebem apoio da população.

Paulo Nogueira, editor do blog Diário do Mundo, em reportagem sobre a França, ressalta que o francês tem uma relação com o trabalho bem diferente do que se vê nos Estados Unidos, e consequentemente no Brasil. A vida fora do escritório faz parte da cultura dos franceses, os americanos vêem isso com a mesma desconfiança misturada com desprezo com que os franceses vêem a cultura workaholic e consumista entranhada nos Estados Unidos.

De acordo com Nogueira, um executivo que trabalhou na França escreveu há pouco um artigo revelador para o New York Times em que relata sua dificuldade:  “Meus superiores me avisaram para evitar a palavra changement (mudança) nas conversas com minha equipe; “evolução” seria mais palatável. Mudança está associada a idéias e conceitos importados, coisa que é difícil de engolir para os franceses”.

Talvez isto explique um pouco porque 24 trabalhadores franceses preferiram a morte a seguir o padrão “workaholic”, para não dizer selvagem, que grandes empresas adotam para concorrer num mercado global.

Lembro-me de uma conversa recente com um amigo psicólogo em que ele dizia que a psicologia nas organizações é uma farsa. Nas palavras dele, ainda que psicólogos organizacionais estejam “na moda” e ganhem muito dinheiro com pesquisas de clima e cultura organizacional, entre outras técnicas de análise das relações humanas corporativas, no final das contas, o que prevalece nas empresas privadas é o lucro. E por ele vale tudo.

Depois das 24 mortes o presidente da France Telecom, que não divulgou seus próprios dados sobre os suicídios, anunciou um congelamento temporário das transferências e mudanças de funções de funcionários até o final de outubro. E foi só. O salve-se quem puder está legalizado.

Laura Tonhá, publicitária baiana, é uma das criadoras do Bahia em Pauta.

out
06

Postado em 06-10-2009 23:06

Arquivado em ( Artigos, Laura, Multimídia) por Laura em 06-10-2009 23:06

Continua “bombando” na web a entrevista, do mês passado, no Jô Soares, da consultora sensual Suzana Leal. Vale a pena assistir é uma aula de bom-humor e sabedoria diante dos revezes da vida. Suzana perdeu o marido para uma grande amiga e deu a volta por cima; também montou seu próprio negócio, depois de algum tempo longe do mercado de trabalho, e hoje é uma empresária de sucesso.  

A primeira parte da entrevista segue abaixo. Para assistir a continuação basta clicar ao lado. Parte 2  Parte 3 Parte 4  Boas risadas.

Por Laura Tonhá

out
06

Postado em 06-10-2009 22:57

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 06-10-2009 22:57

France Telecom: suicidios em série
Ftelecom

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Deu no La Nacion ( de Madri)

Louis-Pierre Wenes, diretor adjunto de France Télécom e considerado pelos sindicatos franceses o principal responsável pela escalada de suicídios que mina a empresa , apresentou segunda-feira, 5, seu pedido de demissão. O diretor da companhia, Didier Lombard, aceitou o pedido sem impor nenhum reparo.

Depois, os empregados da operadora telefônica receberam uma mensagem de correio eletrônico na qual seu já ex-chefe os informava da razões de sua partida: “Nada justifica que um homem ou uma mulher ponha fim a seus dias. Não posso aceitar. Nem agora nem nunca”.

Há alguns dias, Wenes se queixava , algo depreciativo, no semanário Le Nouvel Observateur, de que “uma pequena parte dos empregados não consegue mudar de cultura e passar do prefixo telefônico da província, usado a décadas, para o moderno sistema Livebox (marca de router)”.

Semana passada, a ministra de Economía, Christine Lagarde, se reuniu com o responsável máximo da empresa para exigir medidas contra a onda de suicídios. Nos últimos 18 meses, se suicidaram 24 empregados, alguns nas mesmas dependências de trabalho, por não resistirem às pressões. O substituto de Wenes será Stéphane Richard, membro do gabinete da ministra de Economía e próximo do presidente Nicolas Sarkozy.

(Texto traduzido do La Nacion por Vitor Hugo Soares. Mais acima neste blog mais detalhes e uma análise deste caso dos suicídios na França, produzido por Laura Tonhá , do Bahia em Pauta)

out
06

Postado em 06-10-2009 21:56

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 06-10-2009 21:56

Lyz (com Michael): “antes dos jornais”/ Arquivo
Lyz
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Deu no Twitter

A atriz Elizabeth Taylor, uma das últimas lendas vivas de Hollywood, anunciou nesta terça-feira, 6, no seu Twitter, que vai ser hospitalizada para uma operação no coração.

“Meus queridos amigos, quero anunciar-vos, antes que isto apareça nos jornais, que vou dar entrada no hospital para uma operação no coração”, escreve a atriz de 77 anos.

Elizabeth Taylor adiantou que não se trata de uma operação de coração aberto, mas para lhe ser colocado um aparelho destinado a compensar uma insuficiência cardíaca.

A saúde de Elizabeth Taylor foi alvo de inúmeras especulações nos últimos anos. A atriz detentora de dois Óscar da Academia de Cinema de Hollywood foi operada de um tumor no cérebro em 1997 e teve de desmentir, em 2006, sofrer de Alzheimer.

Apareceu em público no princípio de setembro, no funeral de Michael Jackson, que foi um dos seus grandes amigos.

out
06

Postado em 06-10-2009 18:25

Arquivado em ( Multimídia, Newsletter) por vitor em 06-10-2009 18:25


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Maria Olívia

A Escola de Samba Unidos da Vila Isabel já tem samba enredo para o carnaval de 2010. A composição que vai embalar o enredo sobre os 100 anos de Noel Rosa é de Martinho da Vila. A finalíssima para escolha do samba acabou na alta madrugada de domingo, dia 4, com a quadra da escola lotada, recebeu um público de mais de seis mil pessoas. Desde o início da disputa, em agosto, o sambista, também de Vila Isabel, já era favorito.
Noel a Presença do Poeta da Vila é o título do enredo da Escola de Samba Unidos da Vila Isabel para o carnaval de 2010, ano do centenário do autor de Feitiço da Vila, Apito da fábrica de tecidos, Com que roupa, entre tantas outras perolas da musica popular brasileira. Alex de Souza, Alex Varela e Martinho da Vila são os autores.

( Maria Olivia é jornaista )

out
06

Postado em 06-10-2009 14:18

Arquivado em ( Artigos, Eventuais) por vitor em 06-10-2009 14:18

Deu em Terra Magazine

A revista digital Terra Magazine publicou sábado passado, 3, artigo do jornalista Francisco Viana, sobre os 40 anos anos do surgimento do jornal Tribuna da Bahia, evento marcante que se celebra neste mês de Outubro, e o impacto da forma e conteúdo do jornal pensado e conduzido em seus primeiros anos por Quintino de Carvalho.

Bahia em Pauta reproduz a seguir o texto de Viana, que fala também do jornalismo que então se praticava na Bahia .Confira. (Vitor Hugo Soares)

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Chico Viana: atento às mudanças/img. TM
chico
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OPINIÃO/ JORNAIS

UMA ÉPOCA DE OURO

Francisco Viana (De São Paulo)

Hoje, vou dedicar a coluna à Tribuna da Bahia que está fazendo 40 anos. Faço-o porque seminal para toda uma geração de jornalistas, uma época fundadora. Quando a Tribuna da Bahia começou a circular – as imagens daquele tempo desfilam na memória como um filão encantado – eu trabalhava em A TARDE. Foi uma revolução. Na redação, não se falava de outra coisa que não fosse o novo concorrente. O que fazer?

A Tribuna era aguerrida. Sua redação criativa e muito jovem. Cultivava a magia da palavra, o veneno da palavra, a força do fato, explorava as contradições do fato. A TARDE era o contrário: uma redação de profissionais da antiga que começava, timidamente, a se oxigenar com a chegada dos alguns poucos repórteres recém-formados. Vivia de fama, da reputação modelada nos tempos do Dr. Simões Filho, o liberal conservador que fundou o jornal. Seus olhos, nada ingênuos, fixavam-se em duas instituições basilares: a Igreja e as Forças Armadas. Mas equilibrava-se ao centro e seus movimentos gravitavam no rumo do liberalismo clássico. Seu redator-chefe, o venerando Jorge Calmon era um esteio contra o obscurantismo do regime. Anticomunista, orgulhava-se de proteger os jornalistas de esquerda ou contrários ao regime. Enfim, um jornalista honrado que acreditava genuinamente no modelo liberal de fazer jornal.

A TARDE estava acomodada no tempo-espaço da história passada. Sua diagramação lembrava os jornais dos anos 30: pesada, sem vida, produto de uma cultura burocrática, onde a rotina era encher as páginas, não a arte de torná-las atraente para o leitor. Enquanto a primeira página da Tribuna tratava as noticias como um filme de arte, A TARDE lembrava um filme do cinema mudo, com imagens que nada falavam e textos eternamente privados de voz. Mas A TARDE reagiu. E reagiu com vigor. Passou a buscar criatividade, trabalhar melhor os fatos, pensar mais a cidade, dar mais atenção às reportagens. Onde foi encontrar tanta energia? Na sua história, na sua fundação, nas campanhas em defesa da Bahia e dos baianos que tanto se orgulhava. Corria a lenda que o baiano preferia deixar de comer o pão a deixar de comprar A TARDE. Foi esse mito de fundação, digamos assim, que nutriu o jornal de entusiasmo, de uma apaixonante vontade de fazer.

Entre os que comandaram a ofensiva, três nomes se destacaram, à época – José Curvello, Fernando Rocha e Brito Cunha. Revezavam-se na chefia de reportagem. Experientes, tiveram inestimável valor educativo. Lideravam. E havia também alguns jovens vindos da Faculdade de Jornalismo da UFBA, entre eles Vitor Hugo Soares (colunista de Terra Magazine), Agostinho Muniz e Suzana Serravalle, esta uma das raras mulheres repórteres, inspirava a redação com uma glamorosa combinação de beleza, elegância e inteligência.

A turma da faculdade sabia escrever. Tinha visão quanto ao jornalismo moderno que começava a ser entronizado no dia a dia da cidade. Levou para a redação uma maior profundidade na compreensão da realidade, sobretudo a realidade política. Na “guerra” com a Tribuna – sim, era uma autêntica guerra – A TARDE tinha um trunfo e soube aproveitá-lo. Era matutino. Fechava às 10 da manhã. Como a Tribuna era vespertina, muitas vezes tirava partido do tempo para dar furos. Lembro de um acidente de avião em que morreram vários oficiais da casa militar do Governo. Os corpos chegaram a Salvador depois da meia noite. A Tribuna mobilizou seus melhores repórteres, entre eles Sérgio Mattos, mas A TARDE saiu na frente.

Era assim. Uma vitalidade prática. Uma mistura de criatividade e ação. A concorrência era pedagógica. Aprendi muito na redação de A TARDE – a velha e a nova guarda. Era uma redação unida, solidária. Aprendi principalmente com Vitor Hugo, de gestos calmos, mas de inabalável firmeza de atitudes. Creio, foi graças a ele que comecei a ler e estudar Marx e, também, a pensar o Brasil pela ótica do antigo ceticismo grego, sempre determinado a demolir verdades e buscar a compreensão da totalidade e das contradições dos fatos. Mais tarde, já em O Globo, no Rio de Janeiro fui compreender que o jornalismo é mais ou menos como a dialética marxiana: uma aproximação dos fatos por ondas sucessivas, mas sempre atenta aos dados da realidade. É o que se chama da análise concreta da realidade concreta. Marx desenvolveu seu método a partir de Hegel, mas foi o jornalismo que o ensinou a valorizar os fatos. E o que fez dele um grande jornalista. Quem lê o 18 Brumário de Napoleão Bonaparte se surpreende com o absoluto rigor na tratamento dos fatos. Ou seja, a análise da realidade histórica é feita a partir do real.

Voltando à redação de A TARDE. Eu estava com 18 anos. Ainda não tinha cursado a Faculdade. Ficava encantado com o modo da Tribuna escrever, com a edição do jornal, com a vitalidade da reportagem. E vivia na redação. Chegava as 7 da manhã, saia às vezes às 10 da noite. A redação ficava na Praça Castro Alves. Ainda ouço a algaravia das cansadas máquinas de escrever, ainda vejo a luz fosforescente a iluminar as arcaicas mesas de madeira um tanto carcomida e posso ouvir os gritos de Curvello pedindo pressa porque o jornal precisava adiantar o fechamento para a manhã seguinte. É uma paisagem não fugitiva, a despeito da passagem do tempo.

Participei ativamente da virada de A TARDE. Suava a camisa. Havia duas publicações me fascinavam, à época. A Tribuna e a revista Realidade. Sabia o nome dos repórteres de memória e, também, das reportagens. Lia também o L’Express e o Le Monde Diplomatique, mas com dificuldade pois ainda dava os primeiros passos no aprendizado do francês. Era uma espécie de coringa. Podia estar fazendo uma reportagem sobre a seca em Irecê ou juazeiro, como um desastre de avião ou um buraco de rua.

Foram anos preciosos. Visto à distância, foi uma época singular. Havia uma ditadura no país, mas a Bahia era uma espécie de éden. Servia de abrigo para os militantes sitiados no Rio de Janeiro e São Paulo. O emprego era fácil, a sociedade acolhedora e, na verdade, tornou-se uma espécie de divã de psicanálise nacional. E havia um dado que não pode ser esquecido: a industrialização, que se afirmava lentamente, gerava riqueza e dava base ao ciclo de renovação que faria da Tribuna um ícone e uma metáfora. Ícone, porque se tornou referência de jornalismo dinâmico e moderno. Metáfora porque simbolizava uma época de ouro que, infelizmente, se exauriu.

A palavra síntese daqueles tempos era concorrência. Saudável e ativa. Não a concorrência pela concorrência, mas a concorrência para fazer o melhor, servir ao leitor. Denunciar o regime nas entrelinhas. Um dado que me marcou até hoje foi o vigor ético da nova geração. Falava-se muito desse tema. Não de uma ética utilitária, mas de uma ética ditada pelo caráter das ações. Os recém-chegados da faculdade viam o jornalismo como uma profissão. Não um passaporte para conseguir empregos públicos. Navegavam no sonho de salários dignos e navegava-se no sonho da independência de opinião.

Os repórteres de A TARDE e da Tribuna, como também o Diário de Noticias e do Jornal da Bahia disputavam palmo a palmo o furo, a reportagem bem escrita, as manchetes. O JB mais à esquerda, mais cioso da sua intelectualidade, mais agressivo. O Diário de Noticias mais para o centro, mais governista, mais suave. Mas com uma redação competente. Fazia-se jornalismo. O bom texto, o bom repórter tinha valor. Respirava-se vontade de ir além das expectativas. Havia uma visão crítica da sociedade. Dava prazer trabalhar. A lógica dominante era da paixão pelo fazer acontecer. Se destacar. Visitar a estação do tempo de 40 anos atrás não é saudosismo, mas, sim, um tributo à memória. Como ensina Hannah Arendt é a memória que garante a eternidade da ação fugaz dos homens. Fico por aqui. Dedico este artigo a todos os companheiros daqueles tempos de guerra (contra a ditadura) e utopia (como vontade transformadora). Foi um privilégio ter participado daqueles dias e noites de recriação do jornalismo.

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Francisco Viana é jornalista, consultor de empresas e autor do livro Hermes, a divina arte da comunicação. É diretor da Consultoria Hermes Comunicação estratégica e colunista de Terra Magazine (e-mail: viana@hermescomunicacao.com.br )
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