fev
05

Postado em 05-02-2010 13:58

Arquivado em ( Artigos, Ivan) por vitor em 05-02-2010 13:58

O jornalista político Ivan de Carvalho lança seu olhar crítico sobre os institutos de pesquisas eleitorais no País.Sobre essa questão, o colunista assinala nesta sexta-feira, em seu espaço diário na Tribuna da Bahia: No caso das pesquisas eleitorais, no Brasil, diz Ivan, há fatos e histórias capazes de lançar suspeitas sobre muitos institutos e empresas de pesquisa de opinião pública. Bahia em Pauta reproduz o texto.
(VHS)

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Souto;”surpresa completa”

OPINIÃO POLÍTICA


Pesquisas sob suspeita


Ivan de Carvalho

Há uma forte tendência no meio político para impor ressalvas e reservas às pesquisas eleitorais e seus resultados. Em 2006, por exemplo, quando as pesquisas eleitorais, sem exceção, apontavam para uma tranquila reeleição do governador Paulo Souto, Jaques Wagner – que vinha crescendo nos índices de intenção de votos das pesquisas, mas bem longe do que seria suficiente – foi eleito no primeiro turno.

Surpresa total e mil explicações posteriores do que pode ter acontecido. Mas nenhuma antecipação, nessas pesquisas, do que poderia e iria mesmo acontecer. Os institutos de pesquisa literalmente comeram mosca. E nem se pode supor má fé generalizada, pois todos apontavam na mesma direção e sequer fizeram o suspeitíssimo movimento de correção que às vezes alguns fazem nos últimos dias, para sair dos resultados de interesseira má fé e aproximar-se da realidade eleitoral, de modo a salvar a própria face ou o próprio (e às vezes já somente suposto conceito).

Estatística já foi definida, mais ou menos, como a maneira de torcer os números até obrigá-los a falar o que se quer que eles falem. Em verdade podem ser produzidas estatísticas sérias, mas também é possível fazer da estatística um poderoso instrumento de enganar pessoas, grupos de pessoas, povos, grupos de nações e, por algum tempo, até o mundo inteiro.

No caso das pesquisas eleitorais, no Brasil, há fatos e histórias capazes de lançar suspeitas sobre muitos institutos e empresas de pesquisa de opinião pública, seja quanto a sua competência técnica, seja, principalmente, quanto à vinculação a interesses políticos e/ou econômicos que se refletem nos resultados apresentados ao público.

Há dois casos emblemáticos na questão de confiança das pesquisas eleitorais no país. O primeiro, uma espécie de consenso, entre políticos, jornalistas e publicitários, de que o Instituto Datafolha – independente da capacidade técnica alguns de seus congêneres também muito conhecidos e de comparações de números que produziram sobre eleições passadas – tem maior credibilidade quando se trata de pesquisa eleitoral. Isto porque integra um grupo jornalístico independente, o grupo da Folha de S. Paulo, e não aceita fazer pesquisa eleitoral por encomenda de partidos, políticos ou quaiquer outros envolvidos.

O segundo caso é do Instituto Gallup. Criado nos Estados Unidos e mundialmente famoso, o Gallup opera no Brasil e já fez pesquisas eleitorais aqui (se não me falha a memória por iniciativa própria, trabalhando para si mesmo). Depois de algum tempo, que não foi muito longo, anunciou que não mais iria operar em pesquisas eleitorais, limitando-se ao setor de pesquisas na área econômica.

Acho até que dá para entender. O Gallup atuou em pesquisa eleitoral para obter maior visibilidade e possivelmente clientes. Mas é um instituto muito sério e não gostou dos costumes no mercado das pesquisas eleitorais. Ciente de que quem com porcos se mistura farelos come, optou por manter seu conceito mundial como instituto de pesquisa de opinião pública.

fev
05

Postado em 05-02-2010 12:41

Arquivado em ( Artigos, Eventuais) por vitor em 05-02-2010 12:41

DEU NO JORNAL A TARDE

“Bomba, Bomba”, diria o célebre colunista Ibrahim Sued se vivo estivesse:

A polêmica sobre o projeto de construção da ponte monumental de 12Km, ligando Salvador à Ilha de Itaparica, ganhou combustível novo com a matéria que o jornal A TARDE publica em sua edição desta sexta-feira, assinada pela repórter Patrícia França.

O governador Jaques Wagner, responsável pela idéia, sai em defesa da ponte duas semana depois de lançado o manifesto que propõe amplo debate sobre a construção da ponte – tema do artigo “Adeus, Itaparica”, de autoria do escritor João Ubaldo Ribeiro publicado no jornal baiano..

O manifesto conquistou assinaturas de perrsonalidades do porte de Chico Buarque de Holanda, Aninha franco, Verissimo, Emmanoel Araujo, Sebastião Nery, Cacá Diegues, Sonia Coutinho, entre dezenas de outros – baianos ou não.

O governador Wagner considera “besteirol” e “clichê” os argumentos do autor de “Viva o povo Brasileiro” contrários à construção da ponte de custo bilionário ( R$ 1,5 a 2 bi) e em defesa de amplo debate sobre o projeto em torno do qual quatro grandes empreiteiras já demonstram interesse, entre elas a OAS e a Odebrecht. .

Bahia em Pauta reproduz a matéria de A TARDE:

(Vitor Hugo Soares)

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Wagner: “posso encontrar outros ícones”

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Patrícia França, do A TARDE

Duas semanas depois de lançado o manifesto em defesa de amplo debate sobre a construção da ponte Salvador-Ilha de Itaparica – tema do artigo “Adeus, Itaparica”, de autoria do escritor João Ubaldo Ribeiro publicado em A TARDE –, o governador Jaques Wagner (PT) declarou, nesta quinta, que é defensor da ponte porque traz modernidade. Ele disse respeitar a opinião de Ubaldo, ilustre itaparicano em férias na ilha, mas define como “besteirol” e “clichê” o argumento de que as coisas que envolvem dinheiro são sempre obra cara e a serviço de empreiteira.

“João Ubaldo é um grande escritor, não sei se é um grande urbanista, mas tem o direito de emitir a opinião dele. Mas não acho que a opinião dele é referencial. É uma opinião de um cidadão, como é um cidadão qualquer trabalhador de Itaparica”, disse Wagner, para quem os argumentos do escritor “podem ter uma reverberação maior pelo o que ele representa do ponto de vista do mundo literário, de nossa cultura”.

Aninha e Chico – O manifesto para discutir a ponte Salvador-Itaparica, que terá 12 quilômetros de extensão e deverá custar entre R$ 1,5 bilhão a R$ 2 bilhões, já tem a adesão de intelectuais de todo o país, como a dramaturga baiana Aninha Franco e o compositor Chico Buarque de Holanda. João Ubaldo, em seu artigo, alerta para o risco da ponte comprometer o meio ambiente e aumentar a pobreza na ilha por conta da especulação imobiliária.

Wagner acha que o tema não deva ser discutido com paixão, porque não contribui com o debate, e disse não ter nenhum medo de dogma. “Eu gosto de me contrapor com argumentos e com debates”, frisou o governador. “A verdade é um processo de debate e construção de consenso. Então não me venha pra cá nenhum dono da verdade, dizer é assim ou é assado”.

Em tom desafiador, falou: “Eu (também) posso encontrar outros ícones da cultura baiana e brasileira que têm opinião contrária ao do meu querido escritor”.

Audiência – Entre os que discordariam do escritor, na opinião do governador, estaria o povo de Itaparica e que o manifesto deveria ser uma audiência pública na ilha ou em Salvador ou na Prefeitura de Vera Cruz. “Esses são os maiores interessados” , assinala o petista, lembrando que mesma polêmica foi criada quando foi construída a Ponte do Funil, que interliga a ilha ao continente pela contracosta.

Jaques Wagner explicou que só fez lançar uma ideia que ele espera se materializar. Disse que, mesmo que quisesse buscar uma solução mais barata, expandindo por exemplo o Sistema Ferryboat, ainda assim não seria solução para driblar os congestionamentos nos feriados e durante o verão. Segundo ele, há impossibilidade de atracação e desatracação.

“A lancha vai continuar, mas precisamos expandir nossa capital que está estourada demograficamente e a ponte seria um vetor Oeste de crescimento”, ponderou Wagner, que não vê alternativa de menor custo para fazer a travessia, conectando a rodovia BR-242 com o Porto de Salvador. As construtoras OAS e Odebrecht já realizaram estudos preliminares e têm interesse em participar de uma eventual licitação.

fev
05

Postado em 05-02-2010 08:43

Arquivado em ( Artigos, Gilson, Multimídia) por vitor em 05-02-2010 08:43


A PONTE

fev
05

Postado em 05-02-2010 00:05

Arquivado em ( Artigos, Claudio, Multimídia, Regina, Vitor) por vitor em 05-02-2010 00:05


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Neste 5 de janeiro, data do aniversário da jornalista Maria Olívia Soares, um dos sustentáculos deste site blog , uma música só não basta para começar o dia. Bahia em Pauta então traz duas canções com o perfil da querida aniversariante, a partir de observações e sentimentos de outros dois colaboradores que a enxergam sob prismas diversos e de observatórios diferentes. Os dois, porém, Claudio e Regina, falam com o mesmo afeto e admiração que Olívia desperta em todos que convivem com ela, ou simplesmente a conhecem.

Emoção à flor da pele, que se expõe às vezes em silêncio, outras aos gritos, ela cativa a todos. Velhos e novos.Irmãos, parentes, aderentes, amigos, colegas de trabalho, companheiros de vida , de muitas lutas, de horas de prazeres, de tempos de dificuldades. De tempos de dificuldades principalmente, pois ser solidária é uma de suas maiores qualidades.

Tem outras, e defeitos também, mas deixo a palavra com Regina, que de San Francisco, na Califórnia, manda a música “O Quereres”, de Caetano, e mensagem para a aniversariante, que passa no Rio de Janeiro, cidade de seus encantos e amores, o dia de seu aniversário. Beijos e longa vida para ela pelo bem e para a alegria de todos nós que a amamos e admiramos.

(Vitor Hugo Soares, editor, Margarida, revisora, e toda equipe de BP)
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Regina com a palavra:

“Escolhi essa musica -O Quereres – para dedicar Maria Olivia no dia do seu aniversário, por ser bem representativa, na minha opinião, do seu ser. Olivia é sempre mais do que a gente quer ou espera, supera todas as expectativas. Guerreira, generosa, antenada, muito bem informada, sensibilidade a flor da pele, amiga leal, entrega-se de corpo e alma a suas causas numa dedicação total aos que foram, pela sorte, menos favorecidos.

Algumas pessoas agem com o coração, outras com a cabeça, Olivia, eu diria, age com as vísceras, todo seu ser se agita e contribui para seus atos. Sem alardear e nem mesmo aceitar credito, ela é capaz dos mais generosos gestos de carinho, que somente quem a conhece pode entender. Precisamos de muitas pessoas como essa extraordinária lutadora, mas, infelizmente, esse “artigo” esta em falta.

Muitos anos de vida, com saúde e muita força pra gozar seus prazeres, como o Rio, que entrou na sua vida pela veia do coração e a sua sempre amada Bahia. Muito amor e OBRIGADA por existir.

REGINA SOARES
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De Cláudio Leal, um amigo querido da aniversariante e do BP:

Acho que Olívia gostaria desse vídeo, no aniversário. É o reencontro de Cartola com o pai, depois de uma briga de décadas. O pai pede para ele cantar “O mundo é um moinho”. De revirar o coração. Cartola, disse-me Olívia, foi a única pessoa a quem ela já pediu autógrafo, no projeto Pixinguinha.

abraços,
Claudio.

fev
04

Postado em 04-02-2010 23:55

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 04-02-2010 23:55

Edson Sombra: testemunha

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DEU NO PORTAL DO IG

A Polícia Federal investiu quase um mês de investigações até prender em flagrante nesta quinta-feira o servidor público Antônio Bento da Silva, que entregou R$ 200 mil ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Edson Sombra, e um bilhete manuscrito no qual se lê a frase “Quero ajuda” .

Segundo IG, que cobriu os bastidores do caso, autoridades que trabalham na operação Caixa de Pandora afirmam ter reunido indícios de que o contato entre Antônio Bento da Silva e Edson Sombra foi uma tentativa de suborno comandada pelo governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Informam também que o bilhete foi escrito pelo governador Arruda.

Leia mais sobre o caso no IG ( http://www.ig.com.br )

fev
04

Postado em 04-02-2010 22:00

Arquivado em ( Aparecida, Artigos) por vitor em 04-02-2010 22:00


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CRÔNICA / IDENTIDADE

O Homem da Tarja Preta, do meu amigo Contardo

Aparecida Torneros

Quando li o texto do Contardo Calligaris sobre o filme “Um homem sozinho”, descobri que eu tinha escrito quase igual a ele sobre o mesmo tema, e resolvi comunicar-me, pra dizer-lhe isso, ou seja, falar das impressões semelhantes que certos motivos inspiram ao incidir sobre nossos sentimentos e reflexões.

Qual não foi minha surpresa porque depois disso, ele e eu iniciamos uma troca de emails. De forma amena e coloquial, fomos nos conhecendo, ainda que distantes fisicamente. Até que, finalmente, o encontrei, no lançamento do seu livro “Um conto de amor”, que ele veio autografar também no Rio.

Ao lançar o meu livro “A mulher necessária”, troquei com ele algumas confidências e medos de principiante. O Contardo, com seu jeito italianão de ser, incentivou-me e acalmou, deu-me força, mandei pelo correio um exemplar, direto pro seu consultório de psicanalista experiente.

Muitas vezes eu me deleito com seus artigos da Folha, concordando em número, gênero e grau, entretanto, há vezes em que discordo plenamente do que ele diz, mas admiro sua verve solta, sua sinceridade freudiana, sua sensibilidade humaníssima, e sigo sendo sua amiga e fã.

Um dia, ele me convidou para a estréia do Homem da Tarja Preta, li a respeito, bateu-me enorme curiosidade. Já tínhamos trocado correspondência aludindo sobre as cobranças que a sociedade impõe aos homens, no exercício da sua masculinidade estereotipada. Não pude comparecer à estréia, mas, em passagem de alguns dias por Sampa, em abril de 2009, aproveitei que estava na casa de uma amiga e ex aluna, e fomos, em quatro, eu, ela e os pais dela, pessoas que estimo muito, ambos, na casa dos setenta anos, e muito religiosos.

A peça é forte, moderna, antenada, questionadora, instigante. O público reage de muitas maneiras, e uma delas, é rejeitando seu conteúdo desafiador. Claro que me vi em palpos de aranha, quando o casal de senhores ao meu lado indignou-se com o personagem que se travestiu de mulher em plena noite, em frente ao computador, soltando seus demônios. Minha amiga, numa consequente defesa psicológica, dormiu quase o tempo todo, grudada nos pais que permaneceram até o fim, segundo eles, em respeito a mim.

Eu, por minha vez, confundi sentidos, mas admirei a coragem do autor, trazendo à baila um tema tão vivo na comunicação atual. As conversas fantasiosas das salas de bate-papo frente ao dilema de seres que não se reconhecem nos modelos que lhes são impostos. Vi que o Contardo lá estava, acompanhado do casal Bruna Lombardi e Carlos Alberto Ricelli, mas, na saída, com a pressa dos meus acompanhantes, não pude cumprimentá-lo. Fiz depois, via email.

Agora, depois de muitas apresentações em várias capitais brasileiras, O Homem da Tarja Preta chega à Bahia, e certamente, será objeto de reação e reflexão, apesar das vésperas de carnaval diluirem, em tese, o pensamento crítico a um questionamento real e presente na vida nossa de cada dia. Modelos de vida sufocados pela necessidade de corresponder ao que de nós esperam por aí.

Vale conferir e observar. Vale assistir e polemizar. Vale perceber que todos podemos ser e ter “nick names” em salas de bate-papo, ao passo que usemos máscaras protetoras, em madrugadas silentes, no escuro dos nossos porões incendiados. Contardo é sensível, pode nos acordar de sonhos ou de pesadelos feéricos através de texto tão contundente, é bem verdade que pode também nos fazer rir e nos proporcionar momentos de descontração por nos sabermos protegidos por tarja preta, na foto do jornal, que nem revela nossos rostos e nem diz verdadeiramente quem somos nós…

Aparecida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária.

fev
04

Postado em 04-02-2010 20:51

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 04-02-2010 20:51

San francisco sente terremoto no Pacífico

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Um forte terremoto de magnitude 6,0 na escala Richter foi sentido nesta quinta-feira ao largo da costa californiana (Oeste dos Estados Unidos), numa região a 400 quilômetros a norte da cidade de San Francisco, segundo informou o Instituto Geofísico Norte-Americano.

O epicentro do sismo ocorreu no Oceano Pacífico, pouco depois do meio-dia, hora local (20:20 GMT), a 11 quilómetros de profundidade.

Segundo o portal português TSF , o abalo foi suficientemente forte para ser sentido pelos habitantes de São Francisco, a 440 quilômetros do epicentro. Para medir a intensidade de um sismo, o Instituto Geofísico Norte-Americano utiliza a «magnitude do momento» e, neste escala aberta, um terremoto de magnitude de 6 é considerado forte.

fev
04

Postado em 04-02-2010 15:21

Arquivado em ( Artigos, Ivan) por vitor em 04-02-2010 15:21

DEU NA COLUNA

Em sua coluna na Tribuna da Bahia o jornalista Ivan de Carvalho lança o olhar atento e ouvidos afinados para os ruídos que chegam de longe, a partir dos rugidos de um conflito que se anuncia entre a China e os Estados Unidos.Agora, Rússia e China, razoavelmente reconciliadas, ensaiam o enfrentamento com os Estados Unidos e, por extensão, com o Ocidente.Merece toda aatenção otexto de Ivan que bahia em pauta reproduz.Confira.

(ViHS)

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China x Estados Unidos:tremores

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OPINIÃO POLÍTICA

USA em dificuldade

Ivan de Carvalho

Numa segunda-feira, 21 de fevereiro de 1972, o então presidente americano Richard Nixon desembarcou em Pequim, onde poucas horas depois foi recebido pelo primeiro-ministro Chou en Lai.

A visita de Nixon à China coroava toda uma fase preparatória e iniciava a execução de uma ampla estratégia conjunta de enfrentamento do agressivo império soviético. A China havia rompido com a União Soviética quando esta, a partir de um famoso discurso de Nikita Kruchev, amaldiçoou o stalinismo, numa ampla manobra política da nova guarda do Kremlin para se consolidar no poder. E Nixon, com os Estados Unidos batidos na África negra pela ofensiva política, diplomática e até mesmo militar da URSS via Cuba e em situação difícil no Oriente Próximo e Oriente Médio, além do sudeste asiático (Vietnam) queria um parceiro para enfrentar o colosso do leste europeu e norte da Ásia.

A China mostrou-se um parceiro político valioso e foi importante para que afinal Ronald Reagan, Margareth Thatcher e João Paulo II ganhassem melhores condições de aplicar o xeque-mate que levou a URSS às reformas de Gorbachev e depois ao colapso, dando lugar a várias repúblicas independentes e a uma grande democracia experimental, a Rússia sob Boris Yeltsin. Experimento que está indo rapidamente para o brejo sob Vladimir Putin.

Agora, enquanto a Rússia engata a marcha-a-ré na estrada que leva do totalitarismo à democracia e à liberdade, a China, que nunca andou nessa estrada, se recompõe com a Rússia e, abrindo parte de sua economia enquanto mantém o controle totalitário da sociedade, torna-se o que está na moda dizer que será “a maior potência do século XXI”. Para um candidato ainda não eleito a tal posição, a China já está bem arrogante. Encontrei ontem no excelente blog bahiaempauta.com.br uma notícia pescada no jornal português Diário de Notícias.

A notícia dá conta de que um alto dirigente chinês avisou que um eventual encontro entre Obama e o Dalai Lama (líder religioso e governante do Tibet no exílio) irá “minar seriamente” as relações entre Estados Unidos e China. Este aviso soma-se aos ataques verbais chineses pela venda de armas americanas a Taiwan – os Estados Unidos têm o compromisso de manter a República da China (Taiwan) bem armada –, mas a China (a totalitária) quer tomar a ilha, assim como, há décadas, invadiu e ocupou o Tibet. Para completar, é recente um conflito envolvendo direitos humanos e o site de pesquisa Google (que ameaçou deixar de funcionar na China, devido à cada vez mais insistente e ampla censura chinesa a seu conteúdo, bem como ao acesso dos internautas chineses ao site). Os chineses não podem saber coisas que o governo não quer que eles saibam e devem saber tudo que o governo quer que eles saibam – esse é o pilar básico de todo totalitarismo.

Os Estados Unidos não estão bem. Juntaram-se à China para vencer a URSS. Agora, Rússia e China, razoavelmente reconciliadas, ensaiam o enfrentamento com os Estados Unidos e, por extensão, com o Ocidente.

fev
04

Postado em 04-02-2010 10:47

Arquivado em ( Artigos, Vitor) por vitor em 04-02-2010 10:47


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O que mais surpreende na reportagem que o Jornal do Brasil publica em sua edição desta quinta-feira ( Bahia em Pauta reproduz), sobre a polêmica em torno da ideia do governo Wagner, de construir uma ponte ligando Salvador a Itaparica, são as imagens e palavras de extrema agressividade utilizadas pelo evangélico secretário de Planejamento, Walter Pinheiro (PT), contra o escritor João Ubaldo Ribeiro. Nascido em Itaparica e dono da obra fabulosa que projetou a ilha baiana no mundo inteiro, Ubaldo se opõe frontalmente à construção bilionária.

Vejamos dois trechos do que disse Pinheiro – encarregado de tocar o projeto como assinala o JB – sobre Ubaldo, a propósito de discutir o tema:

– O João Ubaldo tem todo o direito de destilar o veneno dele. Deve estar olhando para governos anteriores.

– O velho João Ubaldo saiu da rede. Se não fosse o PMI (Procedimento de Manifestação de Interesse), ele receberia a ponte pelo peito.

Fiquemos por aí, por enquanto:

O relevante aqui é chamar a atenção para o palavreado agressivo que Pinheiro usa na defesa da ponte e do governo, surpreendente até mesmo para alguns de seus mais próximos companheiros petistas. Principalmente quando lembram a docilidade apática do atual secretário estadual de Planejamento , nos debates com João Henrique Carneiro (PMDB) nos quais foi fragorosamente derrotado.

Ainda não deu para esquecer os debates e a apatia nem entre os de memória mais curta, na disputa pela prefeitura de Salvador, também vencida pelo adversário, que, como se sabe não é dos melhores em debates e em administração. Ao contrário, mostram as pesquisas mais recentes.

No fim, a pergunta que não quer calar: Onde Pinheiro foi buscar tanta fúria para agredir o escritor João Ubaldo?

(Vitor Hugo Soares )

fev
04

Postado em 04-02-2010 09:54

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 04-02-2010 09:54

Secretário Pinheiro: palavras agressivas…

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…contra escritor João Ubaldo

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DEU NO JB


Vasconcelo Quadros , Jornal do Brasil

BRASÍLIA – O governador Jaques Wagner (PT) quer entrar para a história como o líder político que materializou a obra de maior impacto na vida dos baianos, a ponte Salvador-Itaparica, colosso com extensão de 14 quilômetros, custo estimado entre R$ 1,5 bilhão a R$ 2 bilhões e vetor de um megaprojeto de infraestrutura de desenvolvimento regional. Mas há uma pedra no meio caminho. E das grandes.

– Se essa ponte sair vai favelizar a ilha. Será a lógica da especulação imobiliária e da roubalheira. Itaparica será uma patética Miami tupiniquim dos pobres – dispara o escritor João Ubaldo Ribeiro, ilustre itaparicano, que passa férias na ilha e não se conteve ao tomar conhecimento do grande empreendimento.

O protesto do escritor que universalizou a ilha em seus livros vem desencadeando uma série de manifestações de artistas e intelectuais, preocupados com o impacto das obras em dois santuários, a Baía de Todos os Santos e as cidades de Itaparica e Vera Cruz. Hoje, Itaparica é uma bucólica e paradisíaca ilha com pouco mais de 20 mil habitantes, distribuídos em 240 quilômetros quadrados. Ubaldo acha que, de um lado, a ponte atrairá mais pobreza, violência e destruição ambiental e, de outro, a especulação imobiliária, com requintados e milionários condomínios fechados.

– Não haverá preservação coisa nenhuma – diz o escritor, que sacudiu a Bahia com um artigo, Adeus, Itaparica, publicado a seu pedido no jornal A Tarde, de Salvador. Embora garanta que não teve a pretensão de abrir uma cruzada, o escritor ganhou gosto pela polêmica e reforçou seus argumentos com severas críticas à iniciativa. – Só expressei minha desolação.

João Ubaldo, que considera o projeto “uma estupidez” movida, entre outros fatores, por um processo de estigmatização do “ferry-boat”, o precário sistema de travessia de Salvador para Itaparica, cujas filas, em feriados e fins de semana, se arrastam por até seis horas.

– Com R$ 150 milhões de investimentos é possível reaparelhar e colocar mais três ou quatro embarcações sem correr o risco de homiziar as favelas ou nos deixar como marisco entre os donos da terra e os posseiros – desabafa o escritor. Ele diz que a procura por terra já começou e afirma, com base em informações de amigos engenheiros, que a estimativa de gastos do governo estadual faz parte do “velho golpe” de começar uma obra e depois dizer que o orçamento estourou. – Pode apostar que não cobre (o valor estimado) nem o primeiro quarto da ponte.

O governo baiano praticamente já abriu o canteiro de obras para a construção da ponte, que será mais longa que a Rio-Niterói (13,2 km) e comparável à Vasco da Gama, sobre o Rio Tejo, em Portugal (17,3 quilômetros). Há mais de três décadas na gaveta, um esboço do projeto foi entregue por Wagner ao presidente Lula em março do ano passado, com um pedido para que a iniciativa fosse incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2. O resultado já é visível: o orçamento do Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Denit) deste ano tem disponíveis exatos R$ 23.752.770,00 para os estudos de viabilidade e dos impactos da obra.

– O João Ubaldo tem todo o direito de destilar o veneno dele. Deve estar olhando para governos anteriores – reagiu o secretário de Planejamento do governo baiano, Walter Pinheiro. A ponte, segundo Pinheiro, vai além de Itaparica. Criaria um novo eixo de expansão da já esgotada região metropolitana de Salvador pelo lado Oeste do estado, interligando uma via expressa a partir do Porto de Salvador ao Recôncavo Baiano e à região do Baixo Sul da Baia pela BR-242. E desta para as duas principais rodovias federais, a 116, em direção ao centro do país, e a 101, pelo litoral.

Na semana passada, com a publicação do Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) convocando empresas e pessoas física interessadas em esboçar o projeto da ponte, o governo baiano sinalizou que não se trata mais de uma simples idéia. Depois, garante o secretário de Planejamento, Walter Pinheiro, virão as outras etapas, como o edital e, finalmente, a licitação.

População local apoiaria obra em caso de plebiscito

Encarregado de tocar o projeto da ponte Salvador-Itaparica, o secretário de Planejamento, Walter Pinheiro garante que as obras só serão executadas depois de uma ampla discussão com a sociedade baiana. Apesar dos grandes interesses que colocam duas gigantes da construção civil como possíveis participantes, a OAS e a Odebrecht, o governo não fechou ainda com nenhum projeto, cujo prazo para apresentação vai até 14 de março. Pinheiro responde o principal crítico da obra, o escritor João Ubaldo Ribeiro, afirmando que a reação é resultado do amplo debate.

– O velho João Ubaldo saiu da rede. Se não fosse o PMI (Procedimento de Manifestação de Interesse), ele receberia a ponte pelo peito – ironiza o secretário. Pinheiro garante que o projeto tem viabilidade econômica, sustenta que o governo está atento a todos os aspectos do impacto da obra e afirma que a suspeita de corrupção levantadas pelo escritor é vício da eterna desconfiança de governos passados. – O João Ubaldo não se libertou do vício da coisa pronta.

O secretário acha que, ao levantar suspeitas de propina antes da existência de um projeto, o escritor está “adjetivando” o próprio irmão, o engenheiro Manuel Ribeiro Filho, diretor da OAS, uma das empreiteiras que reivindicam participação na obra. Irmão mais novo de João Ubaldo, Manuel entregou ao governo, no ano passado, uma proposta de construção da via expressa Salvador-Itaparica, reforçando a viabilidade das obras para a economia de Bahia.

Ao JB, o escritor afirmou que diverge das opiniões do irmão e admite que, caso o governo recorra ao que chama de “modismo” e realize um plebiscito, a maioria dos moradores da ilha estará a favor da ponte.

– Se a gente fizesse uma lista de quem mora em Itaparica e é a favor da ponte, seria uma covardia. O João Ubaldo vai lá de vez em quando – alfineta o secretário de Planejamento que, apesar das divergências por causa da obra, se define como um fã do escritor. – Viva o Povo Brasileiro (uma das mais famosas obras do escritor) é meu livro de cabeceira. (V.Q.)

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