jul
23

Postado em 23-07-2009 14:28

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 23-07-2009 14:28

Bahia em Pauta recebeu da jornalista e colaboradora Aparecida Torneros, do Rio de Janeiro, e-mail com o seguinte texto de Ricardo Kotscho, um nota 10 do jornalismo brasileiro, o seguinte texto, que este site-blog baiano, surpreso e contente, repassa aos seus leitores, com os devidos agradecimentos a Cida. Grande notícia mesmo!. Confira.
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RICARDO KOTSCHO

Brasília – Com um dia de atraso, informo em primeira mão: a mais surpreendente notícia da Folha de S. Paulo desta terça-feira não estava na capa nem nas manchetes internas.

Saiu na última página do Caderno de Esportes. E não se tratava de uma reportagem, mas de um anúncio do portal UOL, da mesma empresa que edita a Folha.
O título é instigante:

“Você acha que a população do nordeste está menos online do que da do sudeste? Você está enganado”.

Em um anúncio de meia página do UOL, bravo concorrente do nosso iG , encontramos informações que poderiam ir para a manchete do jornal.

Com tanta notícia repetida que circula todo dia, o dia todo por todas as mídias, geralmente falando de desgraças e safadezas, o anúncio trazia uma novidade, quer dizer, algo que eu não sabia:

“A internet é hoje mídia nacional: a penetração nas principais praças do nordeste é similar à do sudeste e sul”.

Você sabia disso? Eu só fiquei sabendo à noite, ao ler o jornal no final de um dia de viagem a Brasíloia, no bar do hotel Meliá, ouvindo uma belíssima cantora, Larissa Vitorino, de quem também nunca tinha ouvido falar.

Me lembrou a Nara Leão do início da carreira, meiga e bela como sua voz, um banquinho e uma guitarra elétrica.

Mas voltando ao anúncio do UOL. Lá esta uma prova provada de que o Brasil não é mais o mesmo, no bom sentido:

“A penetração da Internet na cidade de São Paulo é de 39%. Já em Salvador atinge 41% e no Distrito Federal ultrapassa 50%. Anuncie na Internet: mídia nacional”.

Salvador mais internética do que São Paulo? Quem poderia imaginar uma coisa dessas cinco ou dez anos atrás?

A melhor explicação quem me deu para este Brasil ainda desconhecido para nós paulistas foi meu velho amigo Toninho Durmond, o homem da Globo em Btrasília.

“A marca deste governo que vai ficar é a distribuição de renda”.
O engraçado é que ele me disse isso num longo e agradável papo que tivemos pela manhã, antes de eu encontrar este anúncio do UOL.
O gráfico que ilustra a peça publicitária mostra o aumento de penetração da internet fora do eixo Rio-São Paulo. Deixa claro também que temos hoje não só distribuição de renda entre as classes sociais, mas de riqueza entre as diferentes regiões do país.

A assinatura do anúncio é emblemática exatamente por ele ter sido publicado no jornal de papel de maior circulação do país:
“Anuncie na Internet _ www.amidiaquemaiscresce.com.br”.

Deixando de lado o governo, sem entrar no FlaXFlu de quem é contra ou a favor do Lula, há um fato inegável: o Brasil de 2009 é outro país e o crescimento da internet é apenas um dos sinais desta mudança para melhor que muitos colegas da velha mídia ainda insistem em ignorar.
Somos hoje mais de 60 milhões de brasileiros ligados à grande rede, metade deles recém-chegados ao mercado consumidor.

Para saber como mudou a vida do país, seguindo os conselhos do mestre repórter Gay Talease, é preciso levantar a bunda da cadeira e sair por aí, desligar-se dos celulares e da própria internet, abrir os olhos e os ouvidos para depois poder contar as novidades.

O Brasil sempre me surpreende quando saio do meu mundinho de São Paulo e não levo meu laptop. Tem notícia nova no pedaço em todo lugar, todo dia. É só procurar, conversar com as pessoas, olhar em volta, sem teses pré-concebidas, sem preconceitos nem pensamentos únicos, sem pauta fechada, nem verdades absolutas.
Vale a pena tentar ver o Brasil de um outro jeito.

Ricardo Kotscho, jornalista de São Paulo, ex-JB, ex-Folha de S. Paulo, editor de um dos mais interessantes e acessados blogs do País.

jul
23

Postado em 23-07-2009 10:28

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 23-07-2009 10:28

Hamlet de Wagner Moura chega ao TCA
moura
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Maria Olívia, para Bahia em Pauta

Os ingressos para as duas sessões de Hamlet – 25 ( 20horas) e 26 (19horas) de julho, estão esgotados há um mês, para as apresentações no TCA. Como Salvador foi “uma escolha afetiva” de Wagner Moura na fase de encerramento da temporada da peça, vai rolar uma encenação extra nesta sexta, dia 24, às 20horas. Mas não se anime caro internauta – assim que foi anunciada a nova sessão, em menos de duas horas os bilhetes estavam todos vendidos.

“Em nenhuma outra cidade concordei em fazer uma sessão extra, porque tenho trabalhado muito em novos compromissos. Mas não podia deixar de me dar essa oportunidade de que mais pessoas, mais amigos pudessem me assistir”, afirmou o baianíssimo Wagner Moura.

A montagem da peça de William Shakespeare – escrita há quatro séculos, é a realização de antigo sonho de Moura. Para o ator, “essa é uma das mais fiés traduções de Hamlet. Quando digo que conseguimos deixar o texto mais comunicativo, refiro-me à preservação de sua poética, sem excessos de rebuscamentos desnecessários”. Wagner Moura junto com o diretor Aderbal Freire Filho e a professora de inglês Barbara Harrington foram os responsáveis pela tradução da obra.
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Observação: Na sexta-feira, 31 de julho, Maria Bethânia vai cantar na missa pelos 100 anos de Dom Helder Câmara, na Igreja dos Santos Anjos, construída pelo bispo dos pobres, no Leblon, Rio de Janeiro. Se for possível, vale a viagem à cidade maravilhosa.
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Maria Olivia é jornalista

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jul
23

Postado em 23-07-2009 10:07

Arquivado em ( Artigos, Eventuais) por vitor em 23-07-2009 10:07

Hipólito da Costa: história na lixeira
hopolito
Deu no OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA

OPINIÃO/ DIPLOMA DE JORNALISMO

A história jogada no lixo

Alberto Dines

O Estado brasileiro judicializou-se, transferiu-se para os tribunais. A inoperância e desqualificação do Legislativo somada ao caráter circunstancial e casuísta das ações do Executivo levam o Judiciário a assumir uma série de atribuições indevidas.

Atrás desta grave disfunção estrutural está o velho mandonismo e a incapacidade dos agentes políticos para buscar algum tipo de consenso e conciliação. Preferem os impasses logo encaminhados às diferentes instâncias judiciais mesmo quando as divergências são de ordem conceitual, não envolvendo ilícitos ou ameaças.

O STF tem sido a instituição mais procurada para dirimir controvérsias, digamos impertinentes, porque a Constituição de 1988, apesar da fama progressista e cidadã, apresenta enormes lacunas e imprecisões. A pressa em promulgá-la permitiu a sobrevivência de estatutos produzidos durante o regime militar designados aleatoriamente como “entulho autoritário”.

Nem a Lei de Imprensa nem a discussão sobre a obrigatoriedade do diploma específico para o exercício de jornalismo deveriam ter sido encaminhadas à suprema corte. Foi um equívoco – ou leviandade – submetê-las à apreciação de um ministro-relator, e em seguida aos seus dez pares, nenhum deles disposto a e suficientemente preparado para mergulhar numa questão complexa e multifacetada.

Tanto o ministro-relator Gilmar Mendes como aqueles que o acompanharam na decisão não conseguiram convencer a sociedade de que haviam entendido a chamada Questão do Diploma de Jornalismo. Deixaram-se iludir pelos autores da representação. É incrível, mas é imperioso e penoso registrar que Suas Excelências, Meritíssimos e Meritíssimas, foram ingênuos. Ao invés de convocar peritos, contentaram-se com constatações simplistas, produzidas pelo senso comum e lugares-comuns.

Reconhecimento da profissão

As entidades patronais que direta ou indiretamente patrocinaram a causa fixaram-se na questão do certificado e menosprezaram o ponto crucial: a existência de uma profissão multi-secular, na verdade bi-milenar, reconhecida em todo Ocidente.

Era mais fácil e mais conveniente eliminar a obrigatoriedade do certificado sob o pífio pretexto de universalizar o acesso à informação do que reconhecer que os precursores dos jornalistas contemporâneos foram os funcionários romanos chamados de diurnarii (daí giornalisti e journalistes). Também chamados de actuarii porque se encarregavam de preparar as atas ou Actas informativas que circulavam na capital do império a partir do século II a.C.

A profissão de jornalista, reconhecida e legalizada, começou com a produção das Actae Diurnae (Atas Diurnas), também conhecidas como Atas Públicas, Atas Urbanas ou ainda Diurnálias. Mas também circulava uma Acta Populi e, para comprovar que nada se cria, tudo se copia, havia até uma Acta Senatus, secreta, que certamente inspirou o senador José Sarney a produzir seus boletins confidenciais.

Os proto-jornalistas foram estudados pelo historiador-jornalista Carlos Rizzini em O Jornalismo antes da Tipografia (Cia. Editora Nacional, S. Paulo, 1968, pp. 4-10). Mais recentemente, o historiador português Jorge Pedro Souza ofereceu preciosas informações sobre uma atividade exercida há dois milênios que o espirituoso presidente do STF, Gilmar Mendes, considera equivalente à dos mestres-cuca (Uma Breve Historia do Jornalismo no Ocidente in Jornalismo: Historia, Teoria e Metodologia, pp 34-44, Edições Universidade Fernando Pessoa, Porto, 2008).

Hipólito e os redactores

Na apresentação da primeira edição do Correio Braziliense, o primeiro periódico a circular sem censura no Brasil e em Portugal, seu autor, o gaúcho Hipólito da Costa, escreveu com data de 1º de Junho de 1808 uma profissão de fé sobre a nobre missão dos jornalistas aos quais designa como redactores das folhas públicas.

Hipólito delineava de forma inequívoca uma função social e um ofício. Sua convocação dirigia-se primeiramente aos que vivem em sociedade e, em seguida, àqueles que deveriam servi-la. O patriarca do jornalismo estabelecia uma clara diferenciação entre o cidadão e aqueles que devem informá-lo. Não regulamentou a profissão, concedeu-lhe um status especial. Distinguiu-a com a missão de levar a colônia a superar os 308 anos de trevas e silêncio e preparar a sua emancipação.

Dois séculos depois, a conjugação de um Estado capenga e uma corte desnorteada – ou mal informada – jogam nossa história no lixo.

Alberto Dines, jornalista, é editor chefe do portal Observatório da Imprensa, onde este texto reproduzido pelo Bahia em Pauta saiu originalmente.

jul
22

Postado em 22-07-2009 17:22

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 22-07-2009 17:22

Com o título “Ibama multa Prefeitura de Salvador em R$2 milhões”, a revista digital Terra Magazine acaba de postar nesta quarta-feira(22) reportagem detalhada sobre a febre imobiliaria em andamento em Salvador, cujo capítulo mais polêmico ultimamento é a disputa de áreas verdes dos últimos resquícios da Mata Atlântica para a construção de condomínios privados de alto luxo. (V.H.S)
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O texto assinado pelo repórter Felipe Amorim, produzido especialmente para TM, revela (entre outros segredos que envolvem a prefeitura de Salvador), como o mosquito da dengue entra nesta estranha história baiana, marcada por absurdos.

Bahia em Pauta reproduz a seguir trechos da reportagem , cuja íntegra pode (e deve) ser lida em Terra magazine: ( http://terramagazine.terra.com.br ). Confira.

Felipe Amorim
De Salvador (BA), especial

“O mosquito aedes aegypti é o novo (e estranho) personagem da febre imobiliária de Salvador, que tem perdido áreas verdes para empreendimentos de luxo. Primeiro ato: uma avenida é construída em Áreas de Preservação Permanente (APP) do Rio Trobogy, dentro da Unidade de Conservação Ambiental do Parque do Vale Encantado. Segundo ato: as obras, de responsabilidade da prefeitura, estão sendo executadas com base em um alvará judicial para o controle de focos do mosquito transmissor da dengue.

Com resquícios de Mata Atlântica, o Parque do Vale Encantado está situado entre a Avenida Luiz Viana Filho (conhecida como Avenida Paralela), maior vetor de expansão imobiliária da cidade, e a orla soteropolitana. Pelo lado da avenida, está o Shopping Paralela, empreendimento de R$250 milhões inaugurado este ano por Walter Barreto, presidente da Associação baiana dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-BA). Pelo lado próximo ao mar, o parque é flanqueado por três condomínios de classe média alta.

As obras de aterramento de parte da região alagadiça do Rio Trobogy começaram há pouco mais de três meses, com base na autorização judicial do juiz Everaldo Cardoso de Amorim, da 8ª Vara da Fazenda Pública da Bahia. Amorim atende a um pedido feito no dia 19 de março pela corretora de imóveis Rosana Maria Damaso Kauark, que mora em um dos condomínios fronteiriços ao parque.

O mosquito e a Mata Atlântica

O Vale Encantado foi criado pela prefeitura em 2007, com 280 mil m2 de remanescentes de Mata Atlântica, a partir da doação à prefeitura, obrigatória por lei, de 35% do terreno de cada um dos condomínios. Rosana reclamou à justiça da alta infestação de mosquitos transmissores da dengue (aedes aegypti) na região onde mora e anexou ao pedido um laudo da empresa Gaia Recursos Naturais. A empresa recomenda o aterramento de onze pontos onde teriam sido encontrados focos do mosquito, além da “canalização do rio Trobogy na área do terreno, já que no local as águas ficam retidas, recolocando-o no seu leito natural”.

O juiz determinou, em 30 de março, que a Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo de Salvador (Sucom) – órgão da prefeitura – inicie as obras. Mesmo após sucessivos embargos feitos pelo Instituto do Meio Ambiente (órgão do governo estadual) as obras continuaram.

Na última quarta-feira, 15 de julho, o Ibama determinou o embargo das obras, o que foi prontamente descumprido. Na sexta, veio um novo embargo do Ibama e uma multa de R$ 2 milhões à prefeitura de Salvador, por realizar a obra sem a licença do órgão ambiental competente, e uma outra de R$ 150 mil pelo desrespeito ao primeiro embargo.

Sesab: não há focos de dengue

Após a Polícia Federal lacrar os quatro tratores que trabalham no local, na sexta-feira 17, as obras permanecem paradas desde então.”A questão é gravíssima. Ali é uma área de Mata Atlântica e necessita da autorização do Ibama. Além de ser uma APP, onde o desmatamento pode assorear o recurso hídrico e prejudicar a qualidade da água, levando ao desequilíbrio do ecossistema”, pontua o superintendente do Ibama na Bahia, Célio Costa Pinto. “A procuradoria do Ibama está estudando medidas judiciais para a reparação dos danos. Vamos pedir à Justiça que determine isso”, acrescenta. Qualquer recurso judicial ao embargo do Ibama levará o caso à Justiça Federal.

Um detalhe sobressai: a Secretaria de Saúde (Sesab), em inspeção feita no local no dia 08 de julho, a pedido do MPE-BA, não encontrou quaisquer focos de dengue na área e recomendou expressamente não ser indicado o aterramento para efeito de controle do mosquito transmissor. “O Ministério Público está investigando e poderá propor uma ação penal contra todos os envolvidos”, avisa a promotora de justiça da 5ª Promotoria do Meio Ambiente Hortênsia Pinho.

LEIA INTEGRA DO CASO EM TERRA MAGAZINE (http://terramagazine.terra.com.br)

jul
22

Postado em 22-07-2009 16:41

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 22-07-2009 16:41

Dr Murray: cerco se fecha
medico
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A polícia de Los Angeles e a a brigada antidrogas chegaram na tarde desta quarta-feira(22)com um ordem judicial de acesso aos registros de consulta do doutor Conrad Murray, médico pessoal de Michael Jackson e principal testemunha da morte do megaastro do pop dos Estados unidos.

A informação é do portal TMZ, primeiro a confirmar a morte de Jackson. Segundo o site americano de celebridades, uma caravana de 15 veículos, com mais de duas dezenas de agentes da brigada antidrogas, assím como agentes policíais de Los Ángeles e Houston, se dirigiu ás 10.20 (hora local) ao Armstrong Medical Clinic en Houston.

O proprietário da clínica é um médico que teve cassada a licença em 2005 por receitar aos seus pacientes mais fármacos que os necessários ao tratamento,segúndo as autoridades.

A batida policial foi levada a cabo por petição da Polícia de Los Ángeles a partir dos resultados da autópsia do cantor, que indicam que a sua morte poderia estar vinculada ao uso de Propofol (um potente anestésico utilizado nas intervenções cirúrgicas. Foram encontrados restos deste medicamento nas primeiras investigações dentro da mansão do artista..

O doutor Conrad Murray era o encarregado de tratar dos problemas de saúde de Michael Jackson antes de sua morte.Também foi ele quem tentou reanimar o cantor depois da parada cardíaca que causou a sua morte.

O advogado de Murray, Edward Chernoff, em comunicado emitido a TMZ defende seu cliente: “O juiz de instrução quer esclarecer a causa da morte, nós compartilhamos com esse objetivo. Baseados nas descrições minuto a minuto e detalhe a detalhe dos últimos dias de Michael Jackson, ele .(dr. Conrad Murray] não deveria ser um dos implicados nas acusações driminais”, diz o comunicado.

Parentes e pessoas próximas do artista acusaram reiteradas vezes os médicos de ser culpados na morte na morte do “Rai do Pop”, ao prescrever medicamentos dos quais o cantor abusava.

Enquanto isso, ninguém sabe onde está corpo do artista, ainda não sepultado quase um mês de pois de sua morte.

(Postado por:Vitor Hugo Soares, com informações do portal americano TMZ e do jornal espanhol El Mundo).

jul
22

Postado em 22-07-2009 12:08

Arquivado em ( Aparecida, Artigos, Multimídia) por vitor em 22-07-2009 12:08


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CRÔNICA/TEMPO

Essa moça tá diferente… uauuuuuuuuuuuuuuu

Aparecida Torneros

Ela era eu, e eu era ela, em 69, vendo o astronauta descer na lua, saindo em 70, pra dançar na rua, em Copacabana, quando o Brasil ganhou a copa. Tanto copo, tanto samba, tanta lua, tanta rua, a moça era eu, magricela, saltitante, cercada de gente, na areia, na maré cheia, em noite de lua branca, éramos um bando de meninos e meninas caminhando na madrugada, o Chico saltando de banda, soletrávamos a banda, que passava, víamos o mundo passar e virar de cabeça pra baixo, o país se escondia no subterrêneo da torturada juventude, da torturante ditadura, nós éramos eles e eles eram todos os que nos perseguiam, dedos em riste, a praia vazia nos dias de chuva, os ventos soprando nos dias de agosto, o amor disposto, aquele que crê, amor de gente nova, de moços e moços, pobres criaturas sonhadoras, com direito a se encantar pra desencantar depois, dando guinadas no futuro, deixando de ficar na janela, descendo para o asfalto, ganhando as calçadas, desfilando de minis, fazendo parte da história, na passeata, no ato, no protesto, no sexo, no envolvimento, no engajamento, da tomada de lugar, marcando posição, defendendo a liberdade, gritando questões de ordem, desordenando tudo, uma geração inteira, de hyppies e guerrilheiros, de gente esfusiante, desafiante, corajosa, em verso e prosa, eles eram elas e elas eram eles, os barcos embarcando canções, festivais, composições, prêmios, viagens, novos rumos, novos baianos invadindo os templos boêmios cariocas, os meninos do Rio, os morros que nao tinham vez, e que buscaram voz, que se favelizaram, as comunidades somos nós e os instintos são de todos…as fotos e os filmes em preto e branco, a revelação, o processo, no escuro, a imagem de um tempo, ela era eu, eu era ela, ele nem sabia se era o meu bem, eu nem sabia lhe dar o meu amor, éramos assim, a medida de um momento em que o mundo parecia simples de ser encarado e resolvido, e ela era prá-frente, e ele estava prá-lá-de-marraqueshi, baseando-se na previsão do tempo, em Woodstok, sem destino, sem lenço , sem documento,ela nem se importava com o cílio postiço, tinha blindagem e maquiagem, usava a pílula, era moderna, misturava os hálitos, os hábitos, os duas peças, os monoquinis, biquini cavadão, o asa delta, o puro sangue de trote vencedor, lá ia ela , e eu era a própria alegria de ser, naqueles anos de 69 e 70, por sentir o amor, enquanto ela era a própria tristeza de ver, naqueles anos de 69 e 70, por ver a dor dos presos políticos, ela e eu nos confundíamos, nos alternávamos, nos desentendíamos, nos questionávamos, nos enturmávamos, nos acostumávamos a ser ora ela e ora eu…
agora ela tá diferente de mim e eu tó diferente dela, só no tempo, porque na carinha de hoje, ambas, reproduzimos a de anteontem, ainda bem…

Cida Torneros é jornalista , poeta e escritora, autora do livro ” A Mulher Necessária”, mora no Rio de Janeiro.

jul
22

Postado em 22-07-2009 11:40

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 22-07-2009 11:40


É Chan Chan a música para começar o dia no Bahia em Pauta, nesta quarta-feira (22) de tonalidades cubana em Salvador da Bahia por onde passa esta tarde Raul Castro, o irmão de Fidel a caminho de volta para casa, mas aproveita para uma passada no Pelourinho, de evidentes semelhanças com Havana.

Composta por Compay Segundo, Chan Chan é, sem dúvida, uma das maiores maravilhas do Buena Vista Social Club, formado por músicos e intérpretes de talento acima de ideologias, muitos deles, infelizmente, já desaparecidos. Como diz o comentário de um dos ouvintes deste video, gravado durante show em Amsterdam, “isto é música, e falar de política aqui é ser surdo”. Confira.

(Vitor Hugo Soares)

jul
22

Postado em 22-07-2009 10:30

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 22-07-2009 10:30

Raul Castro, e colegas, em Sauipe/UOL
rcastro
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O preesidente de Cuba, Raul Castro, desembarca no começo da tarde desta quarta-feira na Base Aérea de Salvador, em sua segunda passagem pela capital baiana no período de oito meses.

Em dezembro do ano passado o dirigente cubano também desceu em Salvador, para participar da Cúpula de chefes de estado da América Latina, realizada na Costa de Sauípe. Era a sua primeira viagem oficial a um país estrageiro depois de ter assumido o lugar do irmão Fidel Castro.

Nesta quarta-feira (22), Raul Castro (desta fez em visita não oficial, para reabastecimento do avião em que retorna a seu país), terá uma parada prevista de pelo menos quatro horas na Bahia. Ainda assim, o presidente de Cuba será recebido com todas as honras pelo governador Jaques Wagner, e aproveira para uma rápida esticada pelo Pelourinho e outras áreas do sítio histórico baiano tombado como Patrimônio de Humanidade.

Com o companheiro Wagner como cicerone…

(Postado por: Vitor Hugo Soares)

jul
21

Postado em 21-07-2009 23:14

Arquivado em ( Artigos, Eventuais, Multimídia) por vitor em 21-07-2009 23:14


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Deu na Folha de S. Paulo

OPINIÃO
O LABIRINTO DA INTERNET

JOÃO SANTANA

Um paradoxo da cultura contemporânea é a incapacidade da maioria dos políticos de entender a comunicação política. Essa disfunção provoca, muitas vezes, resultados trágicos.

É o caso da lei votada pela Câmara dos Deputados para regular o uso da internet nas eleições. Se aprovada sem mudanças pelo Senado, vai provocar um forte retrocesso numa área em que o Brasil, quase milagrosamente, se destaca no mundo – sua legislação de comunicação eleitoral. Sim, a despeito da má vontade de alguns e, a partir daí, de certos equívocos interpretativos, o Brasil tem uma das mais modernas legislações de comunicação eleitoral do mundo.

O nosso modelo de propaganda gratuita, via renúncia fiscal, é tão conceitualmente poderoso que se sobressai a alguns anacronismos da lei, como o excesso de propaganda partidária em anos não eleitorais ou a ridícula proibição de imagens externas em comerciais de TV.

Os deputados decidiram errar onde não poderiam. Mas era um erro previsível. A internet é o meio mais perturbador que já surgiu na comunicação.

Para nós da área, ela abre fronteiras tão imprevisíveis e desconcertantes como foram a Teoria da Relatividade para a física, a descoberta do código genético para a biologia, o inconsciente para a psicologia ou a atonalidade para a música.

Na comunicação política, a internet é rota ainda difícil de navegar. Somos neogrumetes de Sagres em mares bravios.

Não por acaso, o mundo está infestado de curandeiros internáuticos a apregoar milagres. E a mídia potencializa resultados reais ou imaginários (“Ah, a campanha do Obama!”, “Ah, as eleições no Irã”, “Ah, o twitter do Serra”, “Ah, vem aí o blog do Lula”) sem que se consiga aferir a real dimensão do fenômeno.

Se é perturbadora para nós do meio, por que não o seria para legisladores e juízes? Principalmente para os políticos, que, como se sabe, sofrem desconforto com a comunicação política desde o surgimento dos meios modernos.

Desde sua origem nas cavernas, o modo de expressão política tem dado pulos evolutivos sempre que surge um novo meio.

De Aristóteles, patrono dos marqueteiros, passando pelos áureos tempos da santa madre igreja, que já deteve a mais poderosa máquina de propaganda política – é a criadora do termo com sua “Congregatio de Propaganda Fide”-, até os dias de hoje, a comunicação politica é feita por meio de uma simbiose entre o que se diz – o conteúdo retórico -persuasivo – e seu suporte de expressão, as ferramentas comunicacionais. Um influenciando o outro e os dois influenciando, sem parar, as sociedades e instituições.
Foram enormes os pulos causados pela imprensa, pelo rádio, pelo cinema e pela TV na forma e no modo de fazer política. Mas nada perto dos efeitos que trará a internet.
Não só por ser uma multimídia de altíssima concentração, mas também porque sua capilaridade e interatividade planetária farão dela não apenas uma transformadora das técnicas de indução do voto mas o primeiro meio na história a mudar a maneira de votar. Ou seja, vai transformar o formato e a cara da democracia.

No futuro, o eleitor não vai ser apenas persuadido, por meio da internet, a votar naquele ou naquela candidata.
Ele simplesmente vai votar pela internet de forma contínua e constante.

Com as vantagens e desvantagens que isso pode trazer.
As cibervias não estão criando só “novas ágoras”. Criam também novas urnas. Do tamanho do mundo. Vão ajudar a produzir uma nova democracia tão radicalmente diferente que não poderá ser adjetivada ou definida com termos do nosso presente-passado, tipo “representativa” ou “direta”.

Sendo assim, creio que nossos legisladores não vão querer passar para a história como os que imprimiram um sinete medieval em ondas cibernéticas. Não é só o erro, como já se disse, de encarar um meio novo com modelos de regulação tradicional. É porque a internet, no caso da comunicação política, nasceu indomável. E sua força libertadora tem de ser estimulada, e não equivocadamente reprimida.

Já há um consenso do que deve ser modificado na proposta da Câmara. O Senado, que vive profunda crise de imagem, tem um bom tema de agenda positiva. Mas não é por oportunismo que urge corrigir os equívocos da Câmara. É simplesmente pelo prazer de estar conectado com o futuro.

JOÃO SANTANA, 56, é jornalista, publicitário e consultor político. Já coordenou o marketing de dezenas de campanhas estaduais e municipais (como a de Marta Suplicy em 2008), além de três campanhas presidenciais, no Brasil (Lula em 2006), na Argentina e em El Salvador.

jul
21

Postado em 21-07-2009 21:35

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 21-07-2009 21:35

Jorge Hage, CGU: dois tentos
Hage
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O presidente da República acaba de assinar dois atos de impacto para a administração pública federal , ambos cobrados por orgãos e entidades,  públicos e privados, envolvidos no combate à corrupção e irregularidades no país. O primeiro decreto trata da questão do nepotismo, determinada pela Súmula Vinculante do STF nº13, de 29/08/08). O segundo trata do pagamento de diárias a ministros de Estado , para conter abusos e irregularidades na utilização dos chamados cartões corporativos..

No primeiro caso, a súmula do STF vinculou a administração pública de todos os poderes e esferas administrativas quanto a proibição de nomear cônjuge, companheiro ou parente para exercício de cargos em comissão ou de confiança,  para evitar a prática do“nepotismo”. O decreto que acaba de ser assinado pelo presidente Lula, a partir de iniciativa conjunta dos ministérios da Controladoria Geral da União (CGU) e do Planejamento, estabelece a obrigatoriedade de prestação de informações sobre vínculos familiares pelos agentes públicos.

A proposta do decreto, acatada pelo chefe do Executivo, visa, segundo os que o elaboraram, estabelecer como obrigatória a apresentação de declaração, – pelos ministros, ocupantes de cargo de natureza especial e agentes públicos ocupantes de cargos  DAS ( Direção e Assessoramento Superiores ), – acerca da existência de vínculo matrimonial, de companheirismo ou de parentesco consanguíneo ou afim, em linha direta ou colateral, até o terceiro grau, com ocupantes de cargos em comissão ou funções de confiança no âmbito do Poder Executivo federal.

A declaração incluirá, também, a eventual existência de vínculos com estagiários, terceirizados ou consultores que prestem serviços ao órgão.

CARTÕES CORPORATIVOS

Quanto ao segundo decreto, sobre o pagamento de diárias aos ministros de Estado, também visa  produzir  impacto na administração pública, segundo esperam seus elaboradores, em especial o ministro-chefe da CGU, Jorge Hage. O objetivo é evitar abusos no uso do chamado cartão corporativo, que já motivou escândalos recentes, denunciados principalmente pela imprensa.

Até hoje só havia diária para servidor público em geral e para ministros quando em viagem ao exterior. Em viagens no país, o ministro pagava as despesas respectivas com o cartão de pagamento do governo federal, vulgarmente chamado de “cartão corporativo” (este, de empresas). O que implicava em algumas distorções, porque  os ministros se hospedavam em hotéis de diferentes classes, assim como se alimentavam e pagavam despesas de locomoção de forma  que  achavam conveniente, o que dava desproporção de valores se comparados entre si.

A partir do decreto assinado hoje, o valor é determinado e cada ministro só pode gastar aquele valor. Se desejar se hospedar  em hotéis de luxo, fazer refeições em  restaurantes caros, locar carro, fora do patamar da diária concedida, poderá fazê-lo, é claro, mas pagando do seu próprio bolso, e não às custas do erário.

Os dois decretos foram trabalhados conjuntamente pela Controladoria Geral da União e pelo Ministério do Planejamento, conduzidos, respectivamente, pelos ministros Jorge Hage e Paulo Bernardes.

(Postado por: Vitor Hugo Soares)

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