set
30

Postado em 30-09-2009 10:38

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 30-09-2009 10:38

Rina: “quase baiana”

liangulo
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Deu na revista

Em sua coluna na Isto É, Semana, o jornalista e âncora da Band, publica a seguinte nota:
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Diplomacia
Laços históricos
Há quase 20 anos na Bahia, onde é uma das donas da Editora Corrupio, a ex-guerrilheira Rina Angulo é a nova embaixadora de El Salvador no Brasil. Foi indicada para o cargo pelo publicitário João Santana, brasileiro que montou a campanha vitoriosa do presidente Maurício Funes, eleito em março último. Os laços culturais entre os dois países ficarão mais apertados

set
29

Postado em 29-09-2009 22:24

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 29-09-2009 22:24

Protógenes: alargando horizontes
proqueiroz
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O delegado da Operação Satiagraha, Protógenes Queiroz, agora filiado ao PC do B, segue mirando horizontes mais amplos. Ontem (28) à tarde, em São Paulo, ele teve um encontro com a deputada federal, pelo PSB paulista, Luiza Erundina, ex-prefeita de São Paulo. Para viabilizar a conversa Protógenes contou na articulação com uma mãozinha da conterrânea Lídice da Mata, ex-prefeita de Salvador e desde então amiga sempre muito próxima de Erundina.

O objetivo é aproximar o delegado afastado da Polícia Federal, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Oportunity, de personalidades interessantes do país. Gente do mundo político, cultural, sociedade civil organizada, entre outros. “Pessoas que tenham história, conteúdo e que possam contribuir com a nova caminhada de PQ, mais provavelmente no rumo da Câmara Federal em 2010”, segundo um assessor.

O encontro aconteceu no final da tarde desta segunda, dia 28, no escritório político da ex-prefeita  Erundina, na capital paulista, e durou mais de duas horas. Quem andou por perto garante que os dois saíram do papo muito satisfeitos e ficaram de se encontrar mais vezes para “trocar figurinhas”.

Outras rodadas virão. A conferir.

(Postado por Vitor Hugo Soares)

set
29

Postado em 29-09-2009 18:48

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 29-09-2009 18:48

Braga se filia a PR de Wagner…
braga
… e dá adeus a Geddel
Ged
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Na recente visita de Geddel Vieira Lima à região de Irecê, as juras maiores de futuros compromissos e fidelidade eterna recebidas pelo ministro de Integração Nacional partiram do deputado Reinaldo Braga, que abandonou o PSL que o elegeu, e prometia pousar no PMDB para “dar força” na campanha do ministro para governador em 2010.

Pois bem, o deputado de Xique-Xique assinou no começo da noite desta terça-feira, 29, sua nova ficha de filiação partidária e optou pelo PR. Não o do time comandado pelo senador carlista, Cesar Borges, mas ao PR do JW, ou seja, do governador Jaques Wagner, que passou a tarde rindo à toa, enquanto seus adversários do PMDB se desesperavam sem saber como dar a má notícia ao ministro de Lula

Corre de boca em boca na região do São Francisco um conselho  político que diz: “Quem quiser que faça fé em promessa de um Braga , principalmente o Reinaldo, em época de eleição”.

O conselho é antigo, desde o tempo do governo Waldir Pires, mas parece que o ministro Geddel aprendeu tarde demais.

(Vitor Hugo Soares)

set
29

Postado em 29-09-2009 17:00

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 29-09-2009 17:00

Jeanne Moreau (com Caca Diegues) no Vidigal
moreau
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Moreau, Filha de Iansã

Maria Olívia

Convidada de honra do Festival de Cinema do Rio, que acontece na Cidade Maravilhosa, a atriz francesa Jeanne Moreau, de 81 anos, disse que descobriu sua afinidade com o candomblé : Minhas cores são o azul e o branco.

A atriz – que teve o privilégio da amizade dos escritores Jean Genet, Marguerite Duras, Henrry Miller e Anais Nin, e inspirou Orson Welles, Truffaut, Antonioni, Buñuel, Werner Fassbinder e Toony Richardson (com quem foi casada) – ainda guarda com carinho na memória a imagem de Dona Maria, a senhora que a hospedou numa fazenda durante as filmagens de Joanna Francesa (1975), longa que o diretor Cacá Diegues rodou no interior de Alagoas, há trinta anos, no verão de 73/ 74.

“Ela me lembrou muito uma das mulheres mais importantes da minha vida, minha avó, que eu chamava de Memé. Quando eu era pequena ela falava para mim: Você não nasceu para ficar atrás das portas, servindo pessoas. Cuide para que não morras uma idiota, viu?…Pois é, a grande estrela do cinema e teatro franceses aprendeu a lição da avó, mantendo intacto seu interesse pelas coisas e pessoas a sua volta. Exemplo : tem devorado, como criança, os inúmeros livros sobre a história e a cultura do Brasil que encontrou no apartamento do cônsul da França, no bairro do Flamengo, onde ela está hospedada.

“Estou aprendendo coisas maravilhosas sobre o país. Entendo minha ligação com o Brasil, embora tenha passado quatro meses aqui e nunca mais ter voltado. Todos esses diferentes povos invadiram o Brasil e aqui ainda falam a mesma língua…Na França, um país muito menor, temos os britânicos, os bascos, todos querem ser independentes, ter a própria língua – disse Moreau, enquanto tragava um cigarrinho, ao repórter Carlos Heli de Almeida, do Jornal do Brasil. E a religião?, perguntou o repórter do JB. O candomblé pegou todos os santos católicos. Sou filha de Iansã, minhas cores são azul e branco.

Os vários compromissos que se acumulam na agenda, a impedem de concluir um projeto antigo, o de escrever um livro de memórias. Culpa também a falta de disciplina e sua admiração pelos grandes escritores, “gente que respeito muito e cuja genialidade não quero comprometer”.
– Ainda pretendo concluir minhas memórias, sim. O tempo passa e espero que minha força de vontade coincida com minhas intenções. Não escreverei algo tradicional, do início ao fim, porque reajo ao que acontece ao mundo a minha volta, que está sempre mudando. Tome como exemplo o cinema. Nos anos 60, os diretores queriam enteder este mistério chamado mulher. É uma deusa, uma puta ? Hoje é tudo sexo físico. Não se usam mais palavras como voluptuosa ou sensual. Tudo se resume a trepar.

Maria Olivia é jornalista
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Mais Informações : (http://www.festivaldorio.com.br)

set
29

Postado em 29-09-2009 14:04

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 29-09-2009 14:04

O editor de Bahia em Pauta recebeu do cineasta baiano, Tuna Espinheira, diretor de “Cascalho”, um e-mail com breve mas significativo depoimento de Isabel Ribeiro, sobre as gratuitas e injustificadas agressões de cunho racista, sofridas pela jornalista, partidas de uma desconhecida sábado passado (26), no Ondina Apart Hotel, em Salvador. Bel participava de reunião de trabalhos com duas psicólogas de um instituto de São Paulo, quando foi agredida. Isabel deu queixa na polícia.A audiência está marcada para domingo, 4 de outubro, às 15 hs.

A seguir, BP reproduz o depoimento de Isabel sobre o caso:

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“Aconteceu sábado, 26/09 no Ondina Apart Hotel, estávamos, eu, Isabel Ribeiro, Maria Lúcia Silva e Maria Helena Santos, ambas psicológas do Instituto Amma Psique, São Paulo, numa reunião de trabalho, no restaurante do referido Hotel, já estavamos de saída quando uma mulher branca acompanhada de um homem, começou a falar em alto e bom tom o quanto achava nojento e o quanto detestava o meu cabelo. Voltei, peguntei se falava comigo, e ela respondeu, é com voce mesmo repetindo tudo com raiva. Nessa altura Lúcia e Helena que estavam um pouco à frente voltaram pra perguntar o que acontecia, expliquei, diante da perplexidade delas, a mulher repetiu mais uma vez, dessa vez acrescentando “E saiam daqui!”. Bom, esse é o resumo do evento, fomos para a delegacia, fizemos Boletim de Ocorrencia, e a audiencia está marcada para , domingo dia 04 de outubro as 15hs.

Diante do acontecido, fico pensando, no tamanho do mal que enfentamos cotidianamente, e na forma com que tentamos nos proteger!”

(Postado por Vitor Hugo Soares, editor do Bahia em Pauta, solidário com Bel)

set
29

Postado em 29-09-2009 11:39

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 29-09-2009 11:39

Polanski: defesa na Europa
rpolanski
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Deu no jornal:

Enquanto na América Latina recrudesce o debate político em torno da volta do fantasma do golpismo no continente, a partir da deposição violenta do presidente eleito democraticamente Manuel Zelaya do governo da Honduras, e o agravamento da situação com o seu retorno surpreendente para abrigar-se na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, na Europa é um crime comum, envolvendo o cineasta Roman Polanski, que mobiliza opiniões e sentimentos antagônicos.

Em reportagem opinativa publicada em sua edição desta terça-feira, o Público, influente jornal de Portugal, assinala: Um crime com 32 anos e muitas histórias judiciais e pessoais mal contadas cruzam-se numa quase luta diplomática entre o Velho e o Novo Mundo.

“O realizador de “O Pianista” e “A Semente do Mal” foi preso no sábado e arrisca-se à extradição para os EUA, de onde fugiu em 1978 depois de ter mantido relações sexuais com uma menina de 13 anos. Ela perdoou-o. E nós?”, pergunta o diário de Lisboa. Veja a seguir, no Bahia em Pauta, trechos da reportagem sobre o assunto que domina a mídia europeia:

(Vitor Hugo Soares)
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Joana Amaral Cardoso

“A história tem os contornos de qualquer detenção de uma celebridade particularmente amada e detestada, sobretudo quando envolve um crime sexual com menores. Tal como aconteceu com Winona Ryder ou Michael Jackson, do embate de Polanski com a justiça já resultou um ícone do consumismo na cultura pop. É verdade, elas aí estão – as t-shirts (camisetas) “Free Roman Polanski”( Leberdade para Polanski) já emergiram na Internet e estão à venda por preços entre os 10 e os 22 dólares. É o preço a pagar por uma história com 30 anos de sexo, mentiras e vídeo.

Há já muitos dispostos a vestir a camisola da causa “Libertem Polanski”. Amigos, admiradores, artistas, nomes de todo o mundo estão mobilizando-se. Barbet Schroeder, Costa-Gavras, Wong Kar-wai, Fanny Ardant, Ettore Scola, Giuseppe Tornatore e Monica Bellucci são alguns dos cerca de 70 signatários célebres da petição que exige a libertação imediata de Polanski e que contestam a “armadilha policial” que o apanhou.

Roman Polanski foi detido no sábado à noite em Zurique, vai ser homenageado com um prémio de carreira no festival de cinema da cidade. Já passou três noites na prisão por um crime cometido e admitido há 32 anos. E cuja vítima abdicou da queixa. Polanski teve relações sexuais com uma menina de 13 anos em 1977. O crime é público, pelo que a acusação e o mandado de captura se mantêm. A Suíça tem acordo de extradição com os EUA e desta vez sabia onde encontrar Polanski.

O realizador de “Chinatown” e “O Pianista” (que lhe valeu um Óscar, recebido em 2003 por Harrison Ford pela impossibilidade de Polanski viajar até aos EUA devido ao mandado de captura) agradece a todos os que têm manifestado o seu apoio após a sua detenção. E, segundo o seu agente Jeff Berg, mantém o ânimo. “A voz dele é forte… está muito ansioso para resolver isto e ir para casa”, disse Berg à BBC Radio 4.

Ontem, os advogados do realizador de 76 anos rejeitaram o pedido de extradição para os EUA. “Tendo em conta as circunstâncias extravagantes da sua detenção, o seu advogado suíço solicitará que ele seja posto em liberdade sem demora”, disse ontem o advogado Hervé Temime em comunicado, citado pela AFP. “A sua defesa sustentará a ilegalidade do pedido de extradição de que ele é alvo.” Em causa estará a possível prescrição do caso, defendem os advogados do realizador.

Europa vs EUA

Vários países europeus saíram já em defesa de Polanski e ao ataque não só dos EUA, mas também da Suíça. A organização do Festival de Zurique está estupefacta com a detenção do realizador, presença habitual na Suíça – onde, aliás, tem uma casa, em Gstaad, na qual passou o Verão. A Associação Suíça de Realizadores critica “o escândalo jurídico que danificará a reputação” do país da neutralidade, do sigilo bancário, das estâncias de esqui e dos chocolates.

A imprensa suíça refletia ontem o que dizia ser o mal-estar causado no país pela emboscada ao realizador de O Quê? “Vergonha”, “desgaste na imagem”, afronta à Polónia e à França (países que partilham a filiação de Polanski), “choque aos cinéfilos e aos amigos das artes”, “ridículo”, lê-se nos editoriais.

E as críticas continuam, ao mais alto nível: “Abominável”, categorizou o ministro francês da Cultura, Frédéric Mitterrand; “chocante”, lamentou a directora-geral da UNESCO, a búlgara Irina Bokova. Entretanto, o chefe da diplomacia francesa, Bernard Kouchner, e o seu homólogo polaco, Radoslaw Sikorski, escreveram à secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, pedindo a libertação do cineasta. A justiça americana dispõe de 40 dias para pedir oficialmente a extradição, com um prazo extra de 20 dias. E Polanski pode recorrer em qualquer fase do processo.

Regresso a 77

Mas voltemos a 1977. No dia 10 de Março, uma jovem de 13 anos, Samantha Gailey (hoje de apelido Geimer, mãe de três filhos), participava numa sessão fotográfica para a Vogue. Por trás da câmara estava Roman Polanski e o cenário era a casa de Jack Nicholson. A sessão foi autorizada pela mãe de Samantha, que queria ver a filha ser uma estrela. A dada altura, o champanhe e os analgésicos entraram em cena. Polanski argumentaria que o sexo entre os dois teria sido consensual, Samantha nega.

“Eu disse: ‘Não, não! Não quero ir para ali! Não, não quero fazer isto! Não!’, e depois não sabia o que fazer. Estávamos sozinhos e eu não sabia o que aconteceria se eu fizesse uma cena. Estava com medo e, depois de resistir um pouco, pensei, bom, a seguir posso ir para casa”, disse Geimer numa entrevista, recuperada ontem pelo Times. Dia 15 de Abril começava o processo judicial por violação de menor, apresentado pelos pais de Samantha. Polanski declara-se inocente.

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Leia a íntegra da reportagem sobre o caso na edição on-lina do jornal Público , de Lisboa:
( http://ipsilon.publico.pt)

set
29

Postado em 29-09-2009 10:22

Arquivado em ( Artigos, Eventuais) por vitor em 29-09-2009 10:22

Marilia: passividade da classe média…
marmuricy
…e imprensa sensacionalista na origem
visalvador
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Deu em Terra Magazine:

A revista digital Terra Magazine ( http://terramagazine.terra.com.br)  publica nesta terça-feira, 29, artigo assinado pela jurista baiana e professora de Direito, Marilia Muricy, ex-secretária estadual de Justiça. O título em sí, “Sentimentos Sociais e Segurança Publica”, já demonstra precupação muito além da trivialidade com que o tema da violência tem sido tratado ultimamente no país, de um modo geral, e na Bahia dos tumultos e incêndios mais recentes, em particular.
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Na chamada para o texto de Marília Muricy, uma referência na Bahia e no país nas questões relacionadas com a ética e a defesa dos direitos humanos, TM destaca que a autora vai direto ao ponto ao identificar na origem do problema a imprensa sensacionalista e a passividade da classe média diante da violência policial.

“Enquanto a polícia, sob a alegação irada e cada vez mais audaciosa de estar respondendo à agressão contra “os seus” vai ampliando sua sequência de extermínios, as “classes médias” fazem “vista grossa” e não negam seu aplauso às “tropas de elite”.

Com autorização de TM, o site-blog Bahia em Pauta reproduz a íntegra do texto que merece reflexão sobre cada parágrafo de informação e análise sobre o que é dito e o que se esconde sobre o tema. Confira.

(Vitor Hugo Soares)

SENTIMENTOS SOCIAIS E SEGURANÇA PÚBLICA

Marilia Muricy

Vivemos hoje, no Brasil, entre o medo e o ressentimento silencioso. Do medo se incumbe, com eficiência ímpar, o jornalismo sensacionalista que nos agride dia a dia com o retrato de nossa miséria, embora sistematicamente resista a divulgar exemplos de solidariedade, tão comuns na vida anônima do cotidiano. O mudo ressentimento é resultado da aviltante consciência da injustiça secular e da impunidade cada vez mais robusta, quer nos processos que atingem figuras notáveis da República, quer nos que afetam a população pobre, vítima das lutas internas do tráfico de drogas e da arrogância policial que estufa o peito e faz trejeitos risonhos de vitória para indicar o número de suas vítimas ou, conforme dizem, daqueles que os ameaçam, “justificando” o imediato aniquilamento.

Embora de feitio distinto, os dois processos convergem, em suas perversas consequências. Do ressentimento surge a indiferença pelos assuntos públicos que, afinal “não tem jeito”; é a descrença crônica no papel das instituições, que constitui uma das mais graves doenças da democracia. Isso, em um país, cujos órgãos legiferantes parecem padecer de um surto de “penalização” que se ocupa de pescar minúsculos problemas, deixando, na rede, espaços por onde podem circular os tubarões. Tem-se a impressão de que os nossos “experts” em penalização andam vistoriando a experiência internacional e, sem maior atenção às condições culturais de cada país, concluem: “onde há pena, que seja bem vinda entre nós”. Do medo surge o confinamento das camadas sociais em que se concentram, segundo os órgãos de inteligência policial, as ações do tráfico.

Até por ser recente o meu afastamento da Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Governo da Bahia e, por isso, bem nítidas as lembranças positivas e negativas que tenho dessa enriquecedora experiência, vou limitar o espaço desse artigo, a partir desse ponto, a discutir os sentimentos sociais das nossas elites e do homem comum quanto a segurança pública, destaque quase unânime nas pesquisas de opinião, como flagelo social.

Em meio às elites, os comportamentos já se tornam mais ou menos padronizados; cinde-se o espaço público, esbraveja-se contra a ineficiência da polícia, mas não se hesita em estabelecer com ela acordos de “complementação salarial” que bem lembram as práticas mafiosas. E quando chega a “barbárie”, provocada por fato real ou suposto, a ambivalência se manifesta: para que o excesso, perguntam alguns? Afinal, foi merecido dizem outros! E é algo semelhante, que baseia as reações irracionais às chacinas que ocorrem na periferia e não poupam crianças nem adolescentes, corpos expostos nas primeiras páginas de jornal, imagens destacadas na TV, sem qualquer escrúpulo por parte dos editores.

Porém a ambivalência não é privilégio das elites. Acossados por uma forte sensação de impotência e frágeis vínculos de solidariedade, também os que são vítimas privilegiados da violência envolvem-se na cumplicidade do silêncio e o “salve-se quem puder” termina por ser a única saída, frente ao desamparo produzido pela escassez de instituições de proteção, que as lideranças e os militantes dos direitos humanos lutam, sem sucesso, para fortalecer.

Enquanto a polícia, sob a alegação irada e cada vez mais audaciosa de estar respondendo à agressão contra “os seus” vai ampliando sua sequência de extermínios, as “classes médias” fazem “vista grossa” e não negam seu aplauso às “tropas de elite”, vibrando com o sangue que escorre das telas, em filmes campeões de audiência.

Os direitos humanos, base do Estado Democrático de Direito parecem, com exclusão da militância que ainda resiste, terem sido postos em estado de letargia. Vez por outra, uma audiência pública reúne autoridades do Estado e lideranças comunitárias. Unidos na crítica e no protesto, órgãos do Estado e militantes, daí não resulta, como seria de se esperar, ações concretas de defesa social. Enquanto isso, o Programa de Segurança com Cidadania (Pronasci) um dos mais criativos do Governo Federal, voltado a desvincular o problema de segurança pública de sua versão policial, habilitando policiais e formando, para a paz, lideranças de territórios pré-selecionados, insiste, em alguns Estados, em privilegiar compra de armas e equipamentos, sendo tímidas e até inexistentes as ações que lhes são próprias.

Fui Secretária de Justiça do Estado da Bahia, durante dois anos e meses, o suficiente para aumentar a minha convicção de que a imprestável instituição das prisões, não se confunde com a humanidade que lá está: a humanidade a que pertenço, no bem e no mal, carregada de contradições e paradoxos, capaz de ser intensamente cruel e surpreendentemente terna. Sem descuidar da segurança, investi pesadamente em trabalho, saúde, educação, esporte, lazer, procurando reduzir os níveis de desumanização que a prisão acarreta, do início ao fim da pena. Presos e presas foram levados a assistir peças de teatro. Com a contribuição de um maestro que também acredita nas pessoas, formamos um coral de homens e mulheres presos, que terminou apresentando-se durante a solenidade de transmissão do cargo, na presença do Governador do Estado, que não fez questão de disfarçar a comoção que sentia e que seu rosto revelava, tal como a plateia, que, ao final da exibição, aplaudiu de pé o coral.

Ainda guardo no rosto a sensação das lágrimas. Mas houve outras, bem salgadas, de que não me arrependo ter derramado, já que com o sofrimento também se aprende, e muito.

E não posso deixar de lado um depoimento. Talvez por habituada, pela atividade docente, a falar a verdade pude, logo ao assumir a Secretaria, declarar que o crime organizado exercia forte poder dentro dos presídios. Não creio que a ninguém isso tenha soado como novidade. Novidade sim, era a declaração ter partido da própria Secretária, ainda que com a ressalva de que o combate aos acordos internos era um desafio a que o Estado não poderia fugir. Não é difícil imaginar o efeito dessas declarações sobre a aliança entre líderes prisionais e seus parceiros. Esse efeito, aliás, atingiu seu ponto máximo quando começaram as transferências das lideranças para presídios de segurança máxima, distantes de sua área de poder.

Mas a batalha antecedeu as transferências. Aquela altura, eram aproximadamente oito mil internos no sistema da Secretaria de Justiça e seis mil amontoados nas delegacias de polícia, faltando-lhes tudo, inclusive espaço para dormir, sendo o revezamento uma prática comum, regulada pelo “mercado das cadeias”.

Embora o quadro que encontrei fosse de superpopulação em todos os lugares, uniram-se todos em uma cantoria única, que lembrava as antigas carpideiras, repetindo obviedades que o Brasil todo conhece, o mundo lamenta e não consegue resolver. Quando solicitei ao governador Jaques Wagner que me liberasse das funções de secretária, estava em paz e ainda estou. Mas fica no fundo a dor de uma pergunta. Terá o nosso trabalho contribuído de fato para levantar a auto-estima da população carcerária? Caso positivo, e daí? Menos me importaria se, alguns disséssemos que “gastamos velas com defunto ruim”, caso houvesse no horizonte, oportunidade, de que na saída, em vez da quase fatalidade da reincidência, a sociedade os acolheria, na família e com trabalho…

Felizmente, nesse quadro de frustrações e protestos, e esperanças tão poucas, um futuro melhor se anuncia no trabalho de educação para os direitos humanos, já deflagrado pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos do Governo Federal e cujo projeto tem como pressupostos radical mudança de paradigma para a segurança pública no Brasil.

Hans Jonas, em seu Princípio Responsabilidade, lembra que já é hora de deslocar o centro da solidariedade social, transferindo-o do individuo para fincá-lo em estâncias coletivas. Melhor ainda é dizer, com Ricoeur, que as nossas utopias, por designarem, apesar de sua força, “lugar nenhum”, devem ser substituídas pelo “futuro possível da esperança”. É com o que sonho, braços abertos para um mundo de paz.

Marilia Muricy Machado Pinto, mestre em Ciências Humanas, doutora em Filosofia do Direito, é ex-secretária da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Estado da Bahia..

set
29

Postado em 29-09-2009 00:03

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 29-09-2009 00:03


Esta é mais uma colaboração de Cida Torneros, que Bahia em Pauta agradece.

set
28

Postado em 28-09-2009 23:55

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 28-09-2009 23:55

Lucy: musa morre de lupus/ img.Destak (Lisboa)
lucy
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Lucy O’Donnell, que inspirou em 1966 a canção dos Beatles “Lucy in the sky with diamonds”, faleceu na terça-feira passada, aos 46 anos, em consequência de lúpus, segundo informou nesta segunda-feira a Fundação Saint Thomas, que se dedica à investigação daquela doença do sistema imunológico.

A notícia da morte de Lucy, mantida em sigilo durante uma semana, foi divulgada no jornal Destak, que é distribuido grartuitamente em Lisboa, e pela TSE Radio Notícias, também de Portugal. Segundo Julian Lennon, filho de John , o seu pai escreveu a canção inspirado por um desenho que ele (Julian) fez da sua companheira Lucy quando ambos frequentavam um jardim infantil, há mais de 40 anos, na localidade de Weybridge, sul de Inglaterra.

Julian levou o desenho para casa e, segundo conta, deu-o ao pai, ao qual explicou: «É Lucy no céu com diamantes». O filho de Lennon reatara recentemente o contacto com Lucy O’Donnell ao saber que ela sofria de lúpus.

“Lucy in the sky with diamonds”, uma das canções do álbum “Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, lançado em 1967, gerou polémica ao considerar-se que, na realidade, as iniciais do título da canção se referia à droga psicodélica LSD, o que os “fab four” sempre, reiteradamente, negaram.

set
28

Postado em 28-09-2009 22:50

Arquivado em ( Aparecida, Artigos, Multimídia) por vitor em 28-09-2009 22:50

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CRÔNICA / MULHER

bbardot

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75 anos e sempre La Bardot

Aparecida Torneros

Acho que o ano era 1962. Não estou bem certa. Eu e minhas amigas pré-adolescentes copiávamos para costureira os modelos das calças saint-tropez, a la Brigitte, o que era a última moda e nos deixava com o umbiguinho de fora. Cintura baixa, a pernas em patas de elefante, blusinhas de organza leve, alguns babadinhos e frou-frou. Nossos cabelos, para seguir a musa sensual francesa que despontava como objeto sonhado nas telinhas, ainda nos atrevíamos a pintar mechas claras nos cabelos e usar grandes franjas que caíam selvagengente pelo rosto, emoldurando ares de menina em carinha de mulheres aprendizes.

A Brigitte era nossa ferinha indomável, dava gosto de ler nas revistas semanais as reportagens sobre seus amores , casamentos, rodagens de filmes. Seus ares quase infantis, de BB, literalmente passando aquele jeito de adolescente sapeca, usando por exemplo modelitos em xadrez cor de rosa com babadinhos de bordado inglês, quem não se lembra de vestidos com bolsos, mangas tres quartos, lacinhos e decotes audaciosos?

Ela ditava moda, induzia a comportamentos, incitava a desvendar mistérios de uma femea que Deus criara para seduzir através da sua arte e do seu encanto físico, a uma legião de fãs que se espalharam pelo mundo. Seu amor pela natureza, pelos animais, pelo planeta, é precursor das campanhas ecologicamente corretas dos tempos atuais. Ela se fazia natural por ser, intuitivamente, encantando-se com as praias agrestes da pequenina colônia de pescadores em Búzios, que hoje é reflexo do sua passagem por aquelas terras do Estado do Rio, para onde acorrem turistas ansiosos de conhecer a orla Bardot e tirar fotos com a estátua dela, que na beira do mar, acalenta os sonhos da mulher amante das praias.

Brigitte resistiu ao tempo, como defensora dos animais, como símbolo sexual, como artista polêmica em torno de posições assumidas e por muitas lutas que trava em prol da sobrevivência de muitas espécies.

Mas , o que me parece bem ao seu jeito e quase passa despercebido, é que ela é a própria defesa do seu exemplar humano, um espécime raro de fêmea livre, consciente, decidida, resolvida, amante do amor como entrega e realidade, criatura capaz de oferecer dádivas de prazeres em olhares perseguidores, aqueles que sempre a perseguiram na tentativa de descobrir seus banhos de sol em nudez tão natural quanto inocente, tão pura quanto sintonizada com a paisagem que a acolheu sempre nos esconderijos onde habita e ainda mora, com seus animais e seus amores.

Ela está casada desde os 58 anos de idade com o mesmo homem, segundo o noticiário, parece bem feliz no casamento longo, e , aos 75 anos, dá exemplo de vida bem vivida, continua sendo um sonho de mulher inalcançável para muitos fãs. Por sorte, não perdeu a sensualidade dos olhares e da boca, inconfundível, de lábios cujo coração desenhado mantém o convite ao prazer de viver a vida, com pouca roupa, pés descalços, cabelos ao vento, sorriso espontâneo, ela é a receita simples de vida ao ar livre ou de um estrelato que convive pacificamente com a bandeira da causa ecológica universal.

Brigitte continua a mesma menina, quem duvidar, que a acompanhe e constate, segue brigando para salvar bichinhos e preservar reservas ambientais, esbraveja contra poluição e matanças de espécies indefesas, abraça focas, beija cães e gatinhos, deita ao sol nas manhãs do verão francês e ressurge de vez em quando, em ocasiões especiais, quando sua aparição tem o dom de restituir ao público décadas de magia de uma deusa loura, tão senhora de si agora, como ousou ter sido antes, e como será sempre, confiante e intensa, como diria a propaganda de produtos de beleza.

Cida Torneros, escritora e jornalista, mora no Rio de Janeiro. Este texto foi postado originalmente no Blog da Mulher Necessária , que ela edita. (http://blogdamulhernecessaria.blogspot.com)

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