out
05

Postado em 05-10-2009 10:42

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 05-10-2009 10:42


A jornalista Rosane Santana telefona de Boston e reclama: Em tributo a Mercedes Sosa não pode faltar “Gracias a la Vida”, a canção da chilena Violeta Parra inseparavelmente ligada também à cantora argentina. Bahia em Pauta entende o recado e, sem mais delongas, aí vai, para começar o dia, a música sugerida. Confira.

(Vitor Hugo Soares)

out
05

Postado em 05-10-2009 10:17

Arquivado em ( Artigos, Rosane) por vitor em 05-10-2009 10:17

Mercedes Sosa: indicação para três Grammys/img. Página 12
gracias
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O Grammy e Mercedes Sosa

Rosane Santana

BOSTON (EUA) – A rede de TV CNN e o jornal The New York Times noticiaram ontem a morte de Mercedes Sosa, a quem chamaram de “A voz da América Latina”. A intérprete imortalizada em cancões como “Gracias a la Vida” e “Volver a los 17”, ganhadora de dois Grammy Latino, concorre novamente ao prêmio que será entregue no próximo mês em Las Vegas, com o disco Cantora 1, seu último trabalho, indicado para três categorias, incluindo álbum do ano e melhor álbum folclórico.

Mercedes que já foi comparada a americana Joan Baez, também conhecida por seu estilo vocal distinto e opiniões políticas, não pode ser reduzida a categoria de intérprete do folclore latino-americano, como declararam apressadamente, logo após sua morte, alguns órgaos da imprensa mundial. Sua voz grave e potente, que brotava das cordilheiras e vales andinos, profundamente enraizada no seu passado e na sua cultura – politicamente engajada, quando os tempos lhe exigiram, o que lhe valeu o exílio -, cantou os mais variados estilos, folk, pop, MPB (em suas incursões com Milton) e bossa-nova.

O que verdadeiramente há de marcante nessa intérprete, além da voz inconfundível, personalíssima, é que quando cantava, Mercedes sempre colocava sua alma, parecendo encarnar os versos de Ricardo Reis, um dos heterônimos de Fernando Pessoa : “Para ser grande, sê inteiro, nada Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és. No mínimo que fazes…”, razao de sua profunda identidade com o povo latino e o que explica a sua grandeza e sua longevidade como artista- uma intérprete que superou o próprio tempo e se manteve por mais de meio século fazendo sucesso -, como prova sua recente indicacão para o Grammy.

Rosane Santana, jornalista, mora em Boston e estuda na universidade de Harvard.

out
04

Postado em 04-10-2009 23:41

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 04-10-2009 23:41


Para terminar este domingo de perda sem tamanho, um pouco mais da presença de Mercedes Sosa em uma de suas interrpretações mais extraordinárias, Novicia, ao lado do autor, Victor Heredia, que sempre caminhou ao lado de La Negra na Argentina. A gravação apresentada no Bahia em Pauta é do CD “Cantora 2”, nominado para três Grammys em 2009. A canção foi gravada antes, com grande sucesso na Argentina, pela dupla Heredia -Chico Buarque. Boa noite!

(Vitor Hugo Soares)
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NOVÍCIA

Victor Herédia

Cruzo la línea temprana de su niñez
se puso su vestidito color ayer
y fue como una oración
de otoños sobre sus pies
el ir ofreciendo vida justo en la esquina
temblando ausente su desnudez

Sus leves huesos en cruz
meciendo en suave luz
el tipo que la acaricia
y ella novicia llorándose

Hay donde esta su amor
su principito azul
que oscura noche desata
lunas baratas sobre su ajuar
que oscura noche desata
lunas baratas sobre su ajuar

Bebió su copa de olvido y salio otra vez
catorce sueños hundidos ahogándose
la escolta la soledad
oscuro perro
ladrando a esa luna muerta
que la persigue junto a la sombra de su niñez

Sus leves huesos en cruz
meciendo en suave luz
el tipo que la acaricia
y ella novicia llorándose

Hay donde esta su amor
su principito azul
que oscura noche desata
lunas baratas sobre su ajuar
que oscura noche desata
lunas baratas sobre su ajuar

Cruzo la línea temprana de su niñez
se puso se vestidito color ayer
Bebió su copa de olvido y salio otra vez
catorce sueños hundidos ahogándose

out
04

Postado em 04-10-2009 21:15

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 04-10-2009 21:15

Wagner e Geddel: “rompimento apesar de Lula”
gedlula

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Deu no Estado de S. Paulo

Em sua edição impressa deste domingo, o jornal Estado de S. Paulo publica reportagem política assinada pela jornalista Luciana Nunes Leal, em que aponta o trincamento das alianças políticas em cinco estados, entre eles a Bahia.”Coligações que elegeram governadores não devem se repetir na Bahia, no Rio, Pará, Paraná e Rio Grande do Sul”, diz a matéria.

O Estadão revela que cinco dos dez maiores colégios eleitorais do País já expõem, a um ano das eleições, a fragilidade das alianças que elegeram os atuais governadores. No caso do Rio Grande do Sul, a crise não envolveu legendas, mas as próprias autoridades, após o vice-governador Paulo Feijó, do DEM, acusar a governadora Yeda Crusius (PSDB) de desvio de recursos da campanha. Yeda é investigada em CPI da Assembleia gaúcha.

No caso de Minas Gerais, a reportagem destaca que a ruptura está na oposição ao governador Aécio Neves (PSDB). PT e PMDB, coligados em 2006, trabalham por candidaturas próprias ao governo.

“Nas eleições passadas, ainda havia a regra da verticalização. Em 2010, as alianças são livres. O PMDB, por exemplo, tem tradição de formar alianças locais separadas da nacional”, lembra o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). As normas anteriores impediam que partidos coligados na eleição nacional se unissem a legendas adversárias nas alianças estaduais. O PMDB não formalizou coligação nacional em 2006 e para poder firmar alianças com partidos governistas e oposicionistas nos Estados. Com o fim da verticalização, todas composições partidárias serão possíveis em 2010.

Ainda segundo a reportagem do Estadão, “por enquanto, apenas na Bahia, quarto maior colégio eleitoral do País, a ruptura da antiga aliança implicou a saída do governo. Liderado pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, o PMDB deixou o governo do petista Jaques Wagner, entregou duas secretarias e o comando da Junta Comercial do Estado (que era ocupada pelo pai do ministro, Afrísio Vieira Lima) e anunciou intenção de disputar o governo com o ex-aliado. Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha pedido entendimento entre Geddel e Wagner, para garantir palanque único e forte para a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, na disputa pela Presidência, a reaproximação é praticamente impossível”.

(Leia íntegra da reportagem no Estadão deste domingo)
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(Postado por Vitor Hugo Soares)

out
04

Postado em 04-10-2009 17:03

Arquivado em ( Artigos, Multimídia, Newsletter, Vitor) por vitor em 04-10-2009 17:03

Despedida de Mercedes: fila e lágrimas em Buenos Aires
despedida

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No dia 11 de novembro de 2007 (o Bahia em Pauta ainda não estava nem em gestação), escrevi para publicação no espaço que disponho há anos, todos os sábados, no Blog do Noblat, um artigo intitulado “Ela (Mercedes Sosa) e elas”, que foi publicado tanbém no Ponto de Vista, espaço de Opinião do jornal Tribuna da Bahia.O texto fala de um momento político na América Latina marcado pela intensificação da participação feminina na política e no poder , que coincidia com o retorno aos palcos, no México, depois de longa ausência por motivos de saúde,da grande cantora argentina que morreu na madrugada deste domingo.

Quase dois anos depois o texto vai republicado. Agora no Bahia em Pauta, no dia da partida de Mercedes. Vai a título de informação deste site-blog, mas igualmente de tributo deste editor a uma das artistas que mais contribuiram para o amor do jornalista pela música e paixão pela América Latina.

Com um beijo de saudades no coração de La Negra. (VHS)

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ELA(MERCEDES SOSA) E ELAS

Vitor Hugo Soares (24/11/2007)

Miro a Cordilheira dos Andes e os altiplanos do México, enquanto no Atlântico Sul o tucano Fernando Henrique Cardoso sai do silêncio temporário e abre o bico em nova arrelia contra o seu sucessor no Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva, ao sugerir que o governante petista detesta a educação, “a começar pela própria”. O novo bafafá já se propaga pelos blogs – a começar por este do Noblat -, com a dura resposta do ministro petista Tarso Genro, e a briga, nem sempre em tons exemplares, promete ser das boas.

Acontece que ando meio saturado dos freqüentes ataques de ciumeira dessa relação tumultuada de amor e ódio entre FHC e Lula. Desvio a atenção para o suplemento cultural da edição “on-line” do jornal chileno “La Tercera”. Ali encontro uma notícia que espero há quase 10 anos: a cantora argentina Mercedes Sosa superou finalmente a enfermidade que a obrigou a um longo afastamento dos palcos e volta a espalhar pela América Latina, o seu canto inimitável, na série de apresentações pelo continente iniciada ontem na Cidade do México.

Em seu giro , Mercedes apresenta o espetáculo “Gracias a la Vida”, considerado pela crítica como um canto de louvor e entusiasmo renovado de quem sai de depressivo e prolongado fundo de poço. A amiga de Milton Nascimento e dos estudantes pode soltar o vozeirão outra vez em “Como la cigarra”, para mim uma de suas mais emblemáticas e comoventes canções.

“Tantas veces me mataron, tantas veces me mori,/ Sin embargo estoy aqui, resucitando”. Imagino à distância essa música se espalhando pela noite da capital mexicana neste final de semana, como tantas vezes vi os garotos e adultos de Buenos Aires fazerem na saída de teatros e casas de discos, quando a artista estava no auge. E como eu próprio me vi fazendo nos anos 70, em meu primeiro show com a argentina de Tucuman, em histórica noite no Teatro Castro Alves, em Salvador.

“Cantando al sol, como la cigarra/ después de um año bajo la tierra/ igual que sobreviviente/ Que vuelve de la guerra”. Desta vez, o mergulho de Mercedes foi mais longo do que uma simples estação. Aparentemente também, muito mais dolorido para a sua alma sensível.

Nos últimas décadas ouvi muito e vi de perto algumas vezes está que é uma das minhas cantoras preferidas. A última vez que estive próximo dela foi há cerca de dois anos, em Buenos Aires, quando Mercedes compareceu a uma apresentação do espetáculo em que o cantor e compositor Victor Heredia celebrava 30 anos de carreira em um teatro de Corrientes, no coração da capital portenha. Foi uma noite inesquecível, até mesmo pelo que deixou de acontecer, como a prevista canja da cantora.

Na platéia, Mercedes demonstrava profundo abatimento físico e parecia extremamente deprimida. Não subiu ao palco. Heredia pediu desculpas ao público e explicou que ela estava “muito gripada e afônica”, impedida de cantar. Agradeceu a presença da cantora no teatro, mesmo doente, e a casa quase vem abaixo de aplausos. Guardei comigo a impressão de que, no corpo e na mente da artista, se escondiam bem mais que um simples resfriado. E conservei a esperança de que, fosse o que fosse, seria passageiro.

Em sua ressurreição, constato agora com alegria que Mercedes Sosa não só voltou à superfície como manteve o prumo. De longe, a impressão é de que ela segue íntegra e fiel ao que sempre foi ao longo de toda a carreira. Quinta-feira, na véspera da primeira das três apresentações que fará no México – a última será neste domingo em Guadalajara –, convocou jornalistas para uma entrevista coletiva e aproveitou para fazer uma convocação política às conterrâneas da revolucionária Fryda Kallo: “As mulheres deste país devem sair a ganhar eleições, porque sabem o que custa manter a casa e manter o trabalho”.

Aos 72 anos, a intérprete que fez de “Coração de Estudante” um hino também da América Latina, chama a atenção para o bom momento das mulheres na política atual. Citou fenômenos como as mandatárias do Chile, Michelle Bachelet; da Alemanha, Ângela Merkel, e de sua conterrânea Cristina Kirchner, que tomará posse na Argentina nos próximos dias. Até ontem, pelo menos, Mercedes Sosa parecia desconhecer que o presidente Lula começa a colocar na fila dos nomes fortes à sua sucessão – o da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef.

Em sua passagem pela Cidade do México, a caminho de Santiago do Chile e de outras cidades da América Latina onde levará o show Gracias a la Vida, Mercedes Sosa rende um tributo especial aos estudantes mortos em 1968, no trágico massacre na Praça das Três Culturas de Tlatelolco, ocorrido em 2 de outubro de 1968, dias antes do início dos Jogos Olímpicos do México. Segundo grupos de direito humanos, o massacre deixou uns 300 mortos, a maioria estudantes, como registrou na época a premiada repórter Oriana Falacci nas reportagens que produziu dentro do olho do terremoto.

A cantora argentina fala da enfermidade, que a obrigou a recolher-se por longa temporada: “Cheguei a estar muito grave, em 97 os médicos entravam e saiam de minha casa sem saber o que eu tinha”. Mas aproveita para desmentir a quem anda espalhando por aí que este seja o seu giro de retirada dos palcos: “Nada disso”, reage. Bemvinda, Mercedes! Siempre.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitors.h@uol.com.br

out
04

Postado em 04-10-2009 15:14

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 04-10-2009 15:14


“Preciosa!”, diz, simplesmente, um ouvinte no site do You Tube, ao comentar a interpretação de “Insensatez”(letra e música de Vinícius de Morais) de Mercedes Sosa, no melhor ritmo da bossa nova. A gravação está em seu mais novo CD, Cantora 2, um dos fortes indicados para o Grammy 2009. Não precisa dizer mais. É só ouvir e começar a sentir saudades de La Negra argentina. Confira.
(Vitor Hugo Soares)

out
04

Postado em 04-10-2009 14:00

Arquivado em ( Municípios, Newsletter) por vitor em 04-10-2009 14:00

Na van todos mortos/Jornal do Comércio
vanmorte
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Choque entre um ônibus da empresa Progresso que fazia a linha Petrolina-Recife e uma van com placa da cidade de Juazeiro (BA) deixou 11 mortos em Petrolina, no sertão de Pernambuco. A tragédia aconteceu na noite da última sexta-feira, na BR-428, na região do vale do São Francisco. Segundo o Jornal do Comércio, de Pernambuco, na van foram onze mortos, dez da mesma família. No ônibus, foram sete feridos

Relatos de sobreviventes revelam que os veículos bateram de frente na rodovia federal BR-428, a cerca de 20 km da área urbana de Petrolina. A policia obteve relatos também de que os passageiros da van estartiam voltando de um velório no distrito de Cristália. De acordo com a empresa Progresso, a van teria invadido a pista do ônibus.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que o ônibus, que fazia a linha Petrolina/Recife, transportava 20 passageiros, dos quais oito ficaram feridos. Eles foram socorridos para vários hospitais próximos, como o Memorial e o Hospital Geral de Urgência (HGU), mas nenhum em estado grave.

Todas as 11 pessoas que estavam na van morreram no local. Entre os mortos estavam sete mulheres e quatro homens. O Instituto Médico Legal (IML) divulgou a identidade de cinco vítimas: Ronaldo Martins da Silva, 26 anos, Rosimeiri dos Santos Oliveira, 31 anos, Rosana dos Santos Oliveira, 29 anos (irmã de Rosimeiri), Cláudia Patrícia Rodrigues de Miranda, 25 anos, e Joaquim Fernandes da Cruz, 58 anos. Este último era o motorista da van.

De acordo com o IML, os outros ainda não foram identificados porque estavam sem documentação e os familiares ainda não foram reconhecer o corpo.Os corpos já identificados deverão ser sepuiltados neste domingo.

(Postado por Vitor Hugo Soares, com informações do Jornal do Comércio (PE) e jornal O Globo)

out
04

Postado em 04-10-2009 11:42

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 04-10-2009 11:42


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Zamba Para No Morir
Mercedes Sosa

Romperá la tarde mi voz
Hasta el eco de ayer.
Voy quedándome solo al final,
Muerto de sed, harto de andar.
Pero sigo creciendo en el sol,
Vivo.

Era el tiempo viejo la flor,
La madera frutal.
Luego el hacha se puso a golpear,
Verse caer, sólo rodar.
Pero el árbol reverdecerá
Nuevo.

Al quemarse en el cielo la luz del día
Me voy.
Con el cuero asombrado me iré,
Ronco al gritar que volveré
Repartido en el aire a cantar,
Siempre.

Mi razón no pide piedad,
Se dispone a partir.
No me asusta la muerte ritual,
Sólo dormir, verme borrar.
Una historia me recordará
Siempre.

Veo el campo, el fruto, la miel
Y estas ganas de amar.
No me puede el olvido vencer,
Hoy como ayer, siempre llegar.
En el hijo se puede volver
Nuevo.

out
04

Postado em 04-10-2009 10:13

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 04-10-2009 10:13

Mercedes: “Bem mais que uma cantora extraordinária” /Clarim
Msosa
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Depois de permanecer internada durante 11 dias em um hospital do bairro de palermo, em Buenos Aires, morreu nas primeiras horas da madrugada deste domingo, 4 a cantora argentina Mercedes Sosa , aos 74 anos. A confirmação por familiares da morte de La Negra (como os argentinos sempre a chamaram com admiração e respeito) causou um clima de consternação não apenas na capital argentina e em Tucuman, provincia natal da artista, mas em toda a Américas Latinas, incluindo o Brasil, a cuja música Mercedes Sosa sempre esteve ligada e onde sempre gozou de muito prestígio desde os anos 60.

Segundo o site oficial da artista, Mercedes sofria de uma doença hepática, que foi complicada por problemas respiratórios. Ela entrou em coma e passou a respirar com ajuda de aparelhos desde a quinta-feira passada. Na sexta recebeu extrema-unção, mas combatente como sempre, resistiu até a madrugada de hoje, quando se confirmou o seu falecimento.O corpo da artista será velado no Salão dos Passos Perdidos, no Congresso Nacional Argentino.

Sem perder jamais a telúrica ligação com o canto de seu país, Mercedes foi uma artista internacional na melhor acepção.Haydé Mercedes Sosa nasceu no dia 9 de julho de 1935, na cidade de San Miguel de Tucumán. Com uma carreira de 60 anos, correu o mundo, dividiu o palco com inúmeros e prestigiosos artistas, entre eles os brasileiros Milton Nascimento, Chico Buarque de Holanda,Caetano Veloso, Fagner e Beth Carvalho. Deixa magnifica e inesgotável discografia.

“Sua voz levava mensagens de compromisso social através da música da raiz folclórica, sem prejuízos de somar outras vertentes e expressões de qualidade musical. Seu talento indiscutível, sua honestidade e suas profundas convicções deixam uma enorme herança para as gerações futuras”, diz a sua família no comunicado publicado no site oficial da cantora.

Natural da provícia de Tucamán, foi desde o começo da carreira uma cantora de grande apelo popular na América Latina e conhecida como La Negra pela cor das longas e lisas madeixas. Ganhou destaque muito nova, com quinze anos de idade, após se apresentar em uma competição de uma rádio da sua cidade natal e conseguiu um contrato de dois meses. O timbre marcante levou Mercedes a gravar o primeiro disco Canciones con Fundamento, em 1965, com um perfil de folk argentino.

Em 1967 veio a definitiva consagração internacional após gravar o sucesso Cantata Sudamericana e Mujeres Argentinas, com Ariel Ramirez e Feliz Luna. A música foi em homenagem à chilena Violeta Parra.

O portal Terra destaca ao noticiar sua morte:”De personalidade marcante, Sosa é conhecida também como uma ativista política de esquerda, sendo peronista na juventude. Se posicionou contra à figura de carlos Menem e apoioi a eleição do ex-prediente Néstor Kirchner”. Toda essa procupação inclusive – assinala o portal – fica evidente em seu repertório, tornando-se uma das grandes expoentes da Nueva Canción, movimento musical nos anos 60, com raízes africanas, cubanas, andinas e espanholas. Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque são representantes.

Uma perda imensa, portanto, também para o Brasil.

(Vitor Hugo Soares, com informações do site oficial de Mercedes Sosa, porta Terra na web e diários argentinos)

out
04

Postado em 04-10-2009 00:07

Arquivado em ( Artigos, Janio, Municípios) por vitor em 04-10-2009 00:07

Paulo Afonso: “mil vivas aos Franciscos”
cachoeira
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CRÔNICA / FRANCISCOS

Flores para o rio que clareia a noite

Janio Ferreira Soares

Neste Domingo, 04 de outubro, comemora-se o dia de São Francisco, padroeiro de Paulo Afonso (BA) e rio do mesmo nome que, sabe-se lá como e quando, partiu das Gerais se arrastando feito cobra pelo chão até chegar aqui e se jogar por entre pedras, mandacarus e portais, isso bem antes de suas águas serem desviadas pra dentro de ferozes turbinas, que girando pás e eixos finalmente ampliaram a profecia do faça-se a luz – só que, dessa vez, em vez do Sol, iluminaram-se as noites nordestinas.

Os poucos que me lêem devem saber que eu o conheci ainda menino na velha cidade de Glória (BA), levado que fui por mãos fortes e carinhosas para molhar meus pés nas suas correntezas, numa espécie de apresentação a que muitas crianças ribeirinhas são submetidas quando se dão por gente. “Janio, São Francisco; São Francisco, Janio.” Começava ali a nossa história, apesar de só o descobrir de verdade mais adiante, quando subi numa goiabeira no quintal da casa de minha avó e o vi por inteiro passando em direção a Paulo Afonso, levando consigo toda a imponência e quietude daqueles que sabem a força que tem.

Esse é o São Francisco, rio com nome de santo (ou vice-versa), que os forasteiros adoram chamar de Velho Chico, enquanto nós, catingueiros de guerra e dependentes de suas águas, simplesmente o olhamos e o louvamos, assim como se olha e se louva um fim de tarde no sertão.

E para homenageá-los (o rio e o santo), vamos realizar uma procissão fluvial que passará por baixo da ponte que dá acesso a Paulo Afonso e que depois seguirá em carreata até a igreja de São Francisco, uma belíssima construção da arquitetura gótica datada de 1950, localizada no ponto mais alto da cidade. Inclusive, quando a procissão estiver passando, algumas pessoas planejam jogar pétalas de flores para amenizar um pouco as toneladas de lixo que diariamente são derramadas nas suas águas.

Justa e merecida homenagem, principalmente vinda de humanos. É que a velha e sábia natureza de há muito já faz a sua, matizando com suas cores a sua longa Via Crucis, que, apesar de todas as agressões, continua tendo forças para iluminar nossas vidas e, de quebra, ainda consegue adoçar um pedaço do mar das alagoas. Mil vivas aos Franciscos.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso (BA)

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