fev
13

Postado em 13-02-2010 17:07

Arquivado em ( Artigos, Vitor) por vitor em 13-02-2010 17:07

Cid Teixeira: Bahia passada a limpo

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CRÔNICA DA SEMANA


BRASIL, BAHIA E BAIANOS

Vitor Hugo Soares

Antes do desembarque no Carnaval de Salvador,  para circular em campanhas mal disfarçadas pelos camarotes e blocos mais fechados – e bem frequentados por políticos, empresários, governantes e celebridades da Bahia e do país, –  o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (ela já passa este sábado na folia baiana), presenças anunciadas nos circuitos da festa, deviam reservar um tempo para leitura atenta da entrevista do historiador Cid Teixeira à revista digital Terra Magazine esta semana.

Não se imagine um exercício intelectual e informativo recomendável apenas para candidatos à presidência e seus assessores políticos ou marqueteiros. A conversa do professor Cid com o repórter de TM, Cláudio Leal, com a participação especial do antropólogo da UFBA, Roberto Albergaria, é aconselhável para muito mais gente. Aula primorosa sobre poder no Brasil, política, Bahia e baianos para qualquer pessoa, essencial a quaisquer candidatos – o socialista Ciro Gomes (PSB) e a verde Marina Silva, inclusive.

Começa na apresentação do entrevistado aos leitores: achado digno de referência em termos de concepção de texto jornalístico, com contextualização perfeita e de imediato entendimento ( fora das divisas baianas), do perfil e da dimensão de Cid Teixeira em sua província e o elevado conceito que o intelectual desfruta no meio de seu povo.

Abre aspas:

“Um homem avista o casarão arruinado, no Centro de Salvador, e decide parar o carro, para contemplar os adornos.  Ao lado, um mestre de obras. Malemolente, encostado no tapume, ele vê o estranho sondar os desvãos do prédio em caquinhos.

– O que era isso aí?

E o operário responde:

– Não sei. Por que o senhor não pergunta ao professor Cid Teixeira?”

Fecha aspas e pausa para breve recordação:

Houve um tempo na Bahia – e não faz tanto tempo assim – em que qualquer dúvida mais intricada sobre religião, cultura, história, arte, política, futebol ou governo, ia bater nas portas de dois endereços: o Palácio Arquiepiscopal do Campo Grande (vendido e transformado em prédio de alto luxo chamado agora de “Solar dos Cardeais”), onde morava o cardeal Primaz do Brasil, Dom Avelar Brandão Vilela; ou na porta da casa do professor Cid Teixeira.

Nas redações dos jornais locais e sucursais dos grandes diários do país – incluindo o Jornal do Brasil, onde eu então trabalhava -, nas reuniões de governos, nas associações empresarias e até nas discussões de rua era comum ouvir-se, quando a dúvida insuperável se estabelecia: “Liga para esclarecer com Dom Avelar”. Ou o mais comum ainda hoje : “Liga e tira a dúvida com o professor Cid.”

Para saber mais sobre este homem, voltemos a Terra Magazine:

“Oitenta e cinco anos, a picardia dos séculos nos olhos em losango, o historiador Cid Teixeira ganhou o reconhecimento dos anônimos no programa radiofônico “Pergunte ao José”, no qual respondia a dúvidas sobre a história de Salvador e da Bahia. A simplicidade de seus relatos, sem espezinhar o vernáculo, revelava um humanista, um leitor de crônicas históricas e da literatura universal.

“O folclorista Câmara Cascudo se definia como ‘erudito de província’. E talvez Cid José Teixeira Cavalcante, nascido em 11 de novembro de 1924, seja também uma ave dessa espécie, pela despretensão da conversa e pela autoridade de intelectual à margem das vaidades acadêmicas. O romancista Jorge Amado o descreveu em “Bahia de Todos os Santos” com essa roupagem de historiador a serviço do povo, da divulgação da história ao homem comum.”

Perfeito, é a cara do entrevistado!

Afastado dos jornais, das salas de aula e dos estúdios das rádios (chegou a ser editor-chefe da Tribuna da Bahia), o professor Cid Teixeira, como revela TM, vive “a tragédia de ficar viúvo”, com todo mundo querendo indicar uma nova companhia feminina para ele. Mas segue firme: mantém seu vozeirão inconfundível, “suas leituras e a memória do cotidiano minúsculo, porém essencial para compreender a formação do povo baiano – e, claro, o brasileiro, já que as desordens nacionais nasceram na cidade do poeta Gregório de Mattos”.

Um exemplo emblemático? Voltemos a TM e á entrevista do professor Cid.

“Doce e maledicente, como o bom baiano deve ser, Cid Teixeira identifica a vocação regional para o vira-casaquismo (fenômeni que também horrorizava o o falecido deputado autentico Chico Pinto), uma arte derivada do chaleirismo, hoje disseminada de Brasília à Cidade da Bahia, com ganhos para todos os lados”.

– Não havia revolucionários em 1930. Quando a Revolução ganhou, acabou-se o estoque de pano vermelho nas lojas. Porque todo mundo estava de lenço vermelho nos pescoços, todos viraram revolucionários – conta Cid Teixeira.

E mais não digo para não tirar o prazer da leitura integral da ótima conversa do repórter de TM e do antropólogo da UFBA, com o magnífico professor Cid Teixeira, mestre em Brasil, Bahia e baianos.

Alegre carnaval a todos.


Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor-soares1@terra.com.br

fev
13

Postado em 13-02-2010 16:40

Arquivado em ( Artigos, Gilson) por vitor em 13-02-2010 16:40

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CRÔNICA / CARNAVAIS

Boêmio azul turquesa

Gilson Nogueira

Sorveteria Primavera, verão, quatro horas da tarde, a brisa sempre mansa e sinuosa entra pelas mangas da mortalha. Feito espiã do sexo chega às chamadas partes íntimas do malandro e suaviza o calor. Parece picolé do céu escorrendo na pele ouriçada com o beijo da francesa linda – e anônima- no folião moreno de sol do Porto da Barra envergando a mortalha do Broco do Jacu, o maior e melhor bloco do planeta, até que Deus apareça para fundar outro igual. Sigo desfilando na avenida saudade. E lembro que brincar o Carnaval de Salvador tinha algo de estágio no paraíso.

Sorveteria Primavera, quatro e meia da tarde. A francesa já beija outro baiano e, logo em seguida, some no beco, como se quisesse confirmar que amor de Carnaval desaparece na fumaça, de acordo com a música que deveria haver escutado em algum lugar antes de aterrissar ali. O Relógio de São Pedro imita um vigia do tempo, mas, está parado, inerte na sua importância e magnífico enquanto ícone do passado glorioso da primeira capital do Brasil. Seus ponteiros dormem, um em cima do outro, sugerindo o acasalamento da sua falta de manutenção que atravessa os anos com a idéia de que meio-dia de domingo é uma boa hora de se fazer amor. O tesão do beijo da conterrânea de Brigitte Bardot segue firme, fazendo mais um adão de todas as evas do Carnaval da Bahia querer mais e mais…

O beijo daquela lourinha sapeca fez o tempo parar. E um silêncio regado a uísque com cerveja tomar conta do boêmio azul turquesa que acabara de misturar línguas em confraternização universal de amor à vida, como aluno da escola da dialética do prazer. “Adeus, francesinha cheirosa, remetendo ao perfume de Paco Rabane e ás flores de Besançon!”, soluçou, baixinho, mergulhando em uma dose de uisque escocês que Buldogue levava enfiado no short.

O couro come de cor e salteado nas barracas de mesas e tamboretes de madeira, onde a turma deixa cair a alegria picárdica de uma geração cheia de charme, astúcia, talento, beleza e picardia. Os metais e couros da “orquestra” atacam sucessos do grande compositor Waltinho Queiroz, fundador do bloco, cidadão que honra a cultura nativa, guardião da música baiana, defensor dos pobres e oprimidos, São Jorge da gandaia honesta.

E uma tristeza, de repente, abraça o folião exausto de tanto sonhar. O Carnaval não deveria ser o mesmo, nos anos que viriam, pensou ele, solitário, próximo ao Mosteiro de São Bento, misturando samba e reza, entendendo que o progresso, inevitável, infelizmente, iria impor modismos, envelhecendo o que se fazia, ali, sem medo de ser assaltado, de ser agredido, na felicidade geral.O Bloco do Jacu, do maioral Waltinho, que foi obrigado a rasgar sua fantasia, assimo como fiz, também, é, apenas, um retrato na parede. A culpa é sua, progresso.

( Gilson Nogueira é jornalista )

fev
13

Postado em 13-02-2010 16:06

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 13-02-2010 16:06

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Por motivos técnicos, e não por ressaca do editor como alguns poderiam pensar diante da “bagaceira” que corre solta nos circuitos do carnaval de Salvador, Bahia em Pauta levou quase dois dias sem renovar seu conteúdo.

De Provedor novo, mas ágil e mais seguro, o BP volta ao ar, com a publicação do artigo de Janio Ferreira Soares, que está na folia pernambucana, enquato Moraes Moreira retorna ao velho ninho soteropolitano com o seu Pombo Correio. Bola pra frente.

“Vida que segue”, como diria o grande João Saldanha.

( Vitor Hugo Soares )

fev
13

Postado em 13-02-2010 15:41

Arquivado em ( Artigos, Janio) por vitor em 13-02-2010 15:41

Moraes Moreira: volta ao ninho/Terra Magazine

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CRÔNICA / CARNAVAIS

Moraes Moreira e o Rebolation

Janio Ferreira Soares

Andei acompanhando os debates realizados pelo jornal A Tarde sobre o Carnaval de Salvador e a maioria quer a volta da praça e do poeta. Eu também. Agora só falta combinar com os russos. Mas adianto que vamos perder.

Todo ano a turma com mais de cinquenta Carnavais questiona o modelo da folia e reclama dos blocos e camarotes, que continuam avançando pelo asfalto, coitado, que nesses dias deve estranhar a quantidade de pés paulistas a lhe pisotear. Mas o pior é que o único eco dessas discussões é o pancadão do Chiclete reverberando na caixa dos peitos dos nativos (apenas 19%, segundo pesquisa do governo), cada vez mais espremidos entre tapumes e churrasquinhos de gato.

O problema – ou a solução, aí depende dos cifrões – é que o Carnaval baiano virou um grande negócio e funciona basicamente para os donos de blocos, camarotes e emissoras de tevês, além da selecionada fauna que frequenta certos espaços nababescos, totalmente excitada pela possibilidade de cruzar com celebridades entre caipiroscas de seriguela e canapés by Dadá.

Quanto aos saudosistas, um conselho: se conformem, ou procurem algo parecido. Sugiro Recife, pois lá ainda se brinca um autêntico Carnaval de multidões sem cantor, com milhares de pessoas fantasiadas indo pra rua só pelo prazer de ficar nas calçadas esperando passar algum bloco de sopro ou de percussão pra ir atrás.

Há uns dois anos eu cruzei com Moraes Moreira depois de sua participação no Quanta Ladeira, bloco comandado por Lenine, e a visão do velho exilado baiano caminhando à vontade entre colombinas e pierrôs, enquanto o som dos metais da orquestra do maestro Spock invadia as esquinas do Recife Antigo, foi quase de fazer chorar.

Agora, 10 anos depois, finalmente o genial pombo correio volta ao ninho. Mas uma coisa me preocupa. O que passará pela sua cabeça quando, ao cantar Chão da Praça, ele procurar a mão do poeta e der de cara com os apresentadores da Band exaltando o Rebolation. É capaz de a saudade pegá-lo de novo pelo braço e em 2011 levá-lo de volta pra embriaguez do frevo.

( Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, na região do vale do São Francisco )

fev
12

Postado em 12-02-2010 10:03

Arquivado em ( Artigos, Regina) por vitor em 12-02-2010 10:03

Aninha Franco leva drama…

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…dos “cordeiros” ao palco

Postado originalmente como comentário ao artigo do músico Paquito sobre o carnaval de Salvador, o texto da advogada Regina Soares, colaboradora deste site-blog que mora há décadas na área da belissima Baia de San Francisco, na Californa, sem tirar os olhos de sua Baia de Todos os Santos, sobe agora para o espaço principal do Bahia em Pauta, por seu contaúdo e propriedade. Confira. (VHS)

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REGINA SOARES

SAN FRANCISCO (CA-USA) – A escritora, advogada, dramaturga e administradora do Theatro XVIII http://www.theatroxviii.com.br , localizado no Pelourinho, Aninha Franco, uma legítima cidadã “pelourinhense”, que acompanhou com atenção todas as etapas pelas quais passou o local, sempre interferindo em seu destino, escreveu uma peca sobre os “cordeiros” em 2005, “Esse Glauber”, que representava um dialogo entre dois desses homens e mulheres que tem essa função no Carnaval da Bahia.

Na história, o carnaval acabou e o tema do ano na cidade foi “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, em homenagem ao cineasta Glauber Rocha. Todo Mundo (RitaAssemany) e Qualquer Um (Diogo Lopes Filho), aguardam o pagamento pelos dias trabalhados separando dois mundos: o do interior dos blocos e o da multidão excluída. O texto é de Aninha Franco, a direção de Marcio Meirelles (então amigos de outros carnavais) e a trilha sonora original de Jarbas Bittencourt.

Os depoimentos colhidos e que fazem parte do dialogo são impactantes. O que os faz segurar aquela corda por cerca de oito horas, expostos a todo tipo de violência e discriminação, com direito a apenas um pacote de biscoito recheado e duas garrafinhas de água por dia? Dinheiro, claro. O valor em questão assusta ainda mais. “Me prometeram uma diária de R$10, mas na hora só pagaram R$8. Acho um absurdo, mas vou reclamar com quem? Tenho três filhos pequenos pra criar, precisava do dinheiro”, diz a jovem cordeira, sem querer se identificar, revelando que já apanhou muito e já bateu também quando “o bicho pega na avenida”.

Regina Soares, advogada, foliã desde menina, mora em Belmont, área da Baia de San Francisco, Califórnia, há mais de 30 anos, com antena voltada para sua Baia de Todos os Santos, que ferve em mais um carnaval)


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MARCHA CARNAVALESCA LANÇADA EM 1967. GANHOU AS RUAS E O CORAÇÃO DOS BRASILEIROS NAQUELE ANO E VIROU SUCESSO DE TODOS OS CARNAVAIS.

MAGNÍFICO ZE KETI! MAGNÍFICA DALVA DE OLIVEIRA!

BOA NOITE!!!

fev
11

Postado em 11-02-2010 23:00

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 11-02-2010 23:00

fev
11

Postado em 11-02-2010 22:39

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 11-02-2010 22:39

Clinton:segundo enfarte

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O ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, de 63 anos, foi submetido nesta quinta-feira a uma angioplastia para colocar dois “stents” numa artéria coronária. Clinton, que retornou recentemente de visita humanitária ao Haiti, foi hospitalizado de urgência em Nova Iorque a na tarde de hoje,depois de ter acusado fortes dores no peito.

Bill Clinton já havia sofrido um ataque cardíaco em 2004, na sequência do qual fez cirurgia para colocação de quatro pontes de safena. De acordo com os seus médicos, Clinton tem feito tratamento para reduzir o colesterol, mas antes deste episódio, não havia nada no seu quadro clínico que suscitasse preocupação.

“O presidente foi internado depois de sentir um desconforto no peito. Na sequência de uma consulta com o seu cardiologista, foi submetido a uma angioplastia. Está a recuperar, muito bem disposto”, informou o seu assessor Douglas Band, num comunicado.

As circunstâncias em que o antigo presidente se tsentiu mal não são ainda conhecidas. Clinton estaria trabalhando normalmente em seu escritório de Nova Iorque, e acabara de chegar de mais uma viagem ao Haiti, onde já esteve várias vezes.

Bill Clinton, que tinha sido nomeado Alto-Representante para o Haiti pelas Nações Unidas, lidera os esforços de assistência da sociedade civil americana àquele país devastado por um violento terramoto no mês passado.

A secretária de Estado Hillary Clinton abandonou uma reunião na Sala Oval para se juntar ao marido em Nova Iorque. Mas o Departamento de Estado adianta que a viagem de Hillary ao Qatar e Arábia Saudita, marcada para sexta-feira, não foi desmarcada.

(Com informações do jornal Público, de Portugal, e agências internacionais de notícias)

fev
11

Postado em 11-02-2010 18:48

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 11-02-2010 18:48

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DEU NO PORTAL MSN

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM), se entregou na tarde desta quinta-feira na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Segundo informação da PF, ele será recolhido à carceragem da Superintendência, onde ficará à disposição da Justiça.

Nesta tarde, os ministros da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) referendaram a decisão do ministro Fernando Gonçalves de mandar prender preventivamente o governador por tentativa de coação de testemunhas e obstrução da Justiça. A ordem inclui outros quatro assessores de Arruda.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, o procurador-geral Roberto Gurgel vai ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedir intervenção federal no Distrito Federal.

fev
11

Postado em 11-02-2010 18:37

Arquivado em ( Artigos, Ivan) por vitor em 11-02-2010 18:37

Lula e Armadinejad: conveniências?


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Na Tribuna da Bahia, em seu artigo desta quinta-feira, o jornalista político Ivan de Carvalho assinala que o governo brasileiro, um dos primeiros em todo o mundo a reconhecer a duvidosa vitória eleitoral de Ahmadinejad e um dos poucos a receber a visita oficial do suposto presidente reeleito, divulga sua posição contrária a novas sanções contra o Irã pelo anúncio do governo iraniano de que vai enriquecer urânio a 20%, um passo importante na direção da construção de armas nucleares. Para Ivan, o que Brasília quer é entusiasmar a “esquerda” no ano eleitoral, mesmo à custa de ajudar no avanço do programa atômico militar do Irã. Bahia em pauta reproduz o texto.(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

UMA POSIÇÃO IRRESPONSÁVEL

IVAN DE CARVALHO

O governo do Irã avisou aos jornalistas que trabalham para os meios de comunicação estrangeiros que eles não poderão cobrir, hoje, os desfiles – que serão sete – pelo 31º aniversário da Revolução Islâmica, que derrubou o regime do xá Reza Palevi e colocou no poder o clero islâmico xiita chefiado pelo ayatollah Ruhollah Khomeini, sucedido até aqui pelo ayatollah Ali Khamenei. Nos últimos meses, esses jornalistas foram proibidos de cobrir manifestações oposicionistas, mas é a primeira vez que são excluídos de comemorações do aniversário da Revolução Islâmica de 1979.

É que há uma grande expectativa de que a oposição – considerada pelos chefes dominantes do clero xiita “inimiga de Allah” – realize manifestações de protesto contra a reeleição (considerada fraudulenta pela oposição) do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Os jornalistas ou meios de comunicação estrangeiros estão autorizados a cobrir apenas o discurso que o presidente Ahmadinejad (aquele que nega, declarando ser mito e mentira, a matança de seis milhões de judeus pelo nazismo durante a Segunda Guerra Mundial) fará na manhã de hoje na praça de Azadi. Azadi significa liberdade e a escolha do local para o discurso parece mais uma ironia do que qualquer outra coisa.

O governo prevê a presença de centenas de milhares de pessoas nos sete desfiles. Ocorre que a oposição convocou o povo para protestar, nesses desfiles oficiais, contra o regime e a eleição por ela não aceita de Ahmadinejad. Explicando: a oposição está proibida de fazer manifestações de rua. Nas últimas que fez, no dia 27 de dezembro, nas grandes cidades do Irã, em comemoração à luta religiosa de Ashura, foram reprimidas pelas forças de segurança. Houve oito mortos, centenas de feridos e mais de mil presos. Daí que agora a oposição resolveu usar as manifestações oficiais para misturar-se a elas e protestar, na esperança de embaraçar a repressão e se fazer ouvir.

Enquanto isso, o governo brasileiro, um dos primeiros em todo o mundo a reconhecer a duvidosa vitória eleitoral de Ahmadinejad e um dos poucos a receber a visita oficial do suposto presidente reeleito, divulga sua posição contrária a novas sanções contra o Irã pelo anúncio do governo iraniano de que vai enriquecer urânio a 20%, um passo importante na direção da construção de armas nucleares.

O governo brasileiro sugere que a proposta de novas sanções não seria aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU e, sendo, seria ineficaz, pois não conduz ao diálogo. Ora, as sanções visam a forçar o Irã ao diálogo, evitando a perigosa alternativa, de desdobramentos imprevisíveis – um ataque militar “preventivo” ocidental ou israelense às instalações nucleares iranianas. A galera da “esquerda” do PT e outras galeras “esquerdistas” adjacentes devem estar exultantes. Como o governo Lula quer.

Aparentemente, apenas. Porque que ele quer é entusiasmar a “esquerda” no ano eleitoral, mesmo à custa de ajudar no avanço do programa atômico militar do Irã.

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