out
06

Postado em 06-10-2009 14:18

Arquivado em ( Artigos, Eventuais) por vitor em 06-10-2009 14:18

Deu em Terra Magazine

A revista digital Terra Magazine publicou sábado passado, 3, artigo do jornalista Francisco Viana, sobre os 40 anos anos do surgimento do jornal Tribuna da Bahia, evento marcante que se celebra neste mês de Outubro, e o impacto da forma e conteúdo do jornal pensado e conduzido em seus primeiros anos por Quintino de Carvalho.

Bahia em Pauta reproduz a seguir o texto de Viana, que fala também do jornalismo que então se praticava na Bahia .Confira. (Vitor Hugo Soares)

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Chico Viana: atento às mudanças/img. TM
chico
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OPINIÃO/ JORNAIS

UMA ÉPOCA DE OURO

Francisco Viana (De São Paulo)

Hoje, vou dedicar a coluna à Tribuna da Bahia que está fazendo 40 anos. Faço-o porque seminal para toda uma geração de jornalistas, uma época fundadora. Quando a Tribuna da Bahia começou a circular – as imagens daquele tempo desfilam na memória como um filão encantado – eu trabalhava em A TARDE. Foi uma revolução. Na redação, não se falava de outra coisa que não fosse o novo concorrente. O que fazer?

A Tribuna era aguerrida. Sua redação criativa e muito jovem. Cultivava a magia da palavra, o veneno da palavra, a força do fato, explorava as contradições do fato. A TARDE era o contrário: uma redação de profissionais da antiga que começava, timidamente, a se oxigenar com a chegada dos alguns poucos repórteres recém-formados. Vivia de fama, da reputação modelada nos tempos do Dr. Simões Filho, o liberal conservador que fundou o jornal. Seus olhos, nada ingênuos, fixavam-se em duas instituições basilares: a Igreja e as Forças Armadas. Mas equilibrava-se ao centro e seus movimentos gravitavam no rumo do liberalismo clássico. Seu redator-chefe, o venerando Jorge Calmon era um esteio contra o obscurantismo do regime. Anticomunista, orgulhava-se de proteger os jornalistas de esquerda ou contrários ao regime. Enfim, um jornalista honrado que acreditava genuinamente no modelo liberal de fazer jornal.

A TARDE estava acomodada no tempo-espaço da história passada. Sua diagramação lembrava os jornais dos anos 30: pesada, sem vida, produto de uma cultura burocrática, onde a rotina era encher as páginas, não a arte de torná-las atraente para o leitor. Enquanto a primeira página da Tribuna tratava as noticias como um filme de arte, A TARDE lembrava um filme do cinema mudo, com imagens que nada falavam e textos eternamente privados de voz. Mas A TARDE reagiu. E reagiu com vigor. Passou a buscar criatividade, trabalhar melhor os fatos, pensar mais a cidade, dar mais atenção às reportagens. Onde foi encontrar tanta energia? Na sua história, na sua fundação, nas campanhas em defesa da Bahia e dos baianos que tanto se orgulhava. Corria a lenda que o baiano preferia deixar de comer o pão a deixar de comprar A TARDE. Foi esse mito de fundação, digamos assim, que nutriu o jornal de entusiasmo, de uma apaixonante vontade de fazer.

Entre os que comandaram a ofensiva, três nomes se destacaram, à época – José Curvello, Fernando Rocha e Brito Cunha. Revezavam-se na chefia de reportagem. Experientes, tiveram inestimável valor educativo. Lideravam. E havia também alguns jovens vindos da Faculdade de Jornalismo da UFBA, entre eles Vitor Hugo Soares (colunista de Terra Magazine), Agostinho Muniz e Suzana Serravalle, esta uma das raras mulheres repórteres, inspirava a redação com uma glamorosa combinação de beleza, elegância e inteligência.

A turma da faculdade sabia escrever. Tinha visão quanto ao jornalismo moderno que começava a ser entronizado no dia a dia da cidade. Levou para a redação uma maior profundidade na compreensão da realidade, sobretudo a realidade política. Na “guerra” com a Tribuna – sim, era uma autêntica guerra – A TARDE tinha um trunfo e soube aproveitá-lo. Era matutino. Fechava às 10 da manhã. Como a Tribuna era vespertina, muitas vezes tirava partido do tempo para dar furos. Lembro de um acidente de avião em que morreram vários oficiais da casa militar do Governo. Os corpos chegaram a Salvador depois da meia noite. A Tribuna mobilizou seus melhores repórteres, entre eles Sérgio Mattos, mas A TARDE saiu na frente.

Era assim. Uma vitalidade prática. Uma mistura de criatividade e ação. A concorrência era pedagógica. Aprendi muito na redação de A TARDE – a velha e a nova guarda. Era uma redação unida, solidária. Aprendi principalmente com Vitor Hugo, de gestos calmos, mas de inabalável firmeza de atitudes. Creio, foi graças a ele que comecei a ler e estudar Marx e, também, a pensar o Brasil pela ótica do antigo ceticismo grego, sempre determinado a demolir verdades e buscar a compreensão da totalidade e das contradições dos fatos. Mais tarde, já em O Globo, no Rio de Janeiro fui compreender que o jornalismo é mais ou menos como a dialética marxiana: uma aproximação dos fatos por ondas sucessivas, mas sempre atenta aos dados da realidade. É o que se chama da análise concreta da realidade concreta. Marx desenvolveu seu método a partir de Hegel, mas foi o jornalismo que o ensinou a valorizar os fatos. E o que fez dele um grande jornalista. Quem lê o 18 Brumário de Napoleão Bonaparte se surpreende com o absoluto rigor na tratamento dos fatos. Ou seja, a análise da realidade histórica é feita a partir do real.

Voltando à redação de A TARDE. Eu estava com 18 anos. Ainda não tinha cursado a Faculdade. Ficava encantado com o modo da Tribuna escrever, com a edição do jornal, com a vitalidade da reportagem. E vivia na redação. Chegava as 7 da manhã, saia às vezes às 10 da noite. A redação ficava na Praça Castro Alves. Ainda ouço a algaravia das cansadas máquinas de escrever, ainda vejo a luz fosforescente a iluminar as arcaicas mesas de madeira um tanto carcomida e posso ouvir os gritos de Curvello pedindo pressa porque o jornal precisava adiantar o fechamento para a manhã seguinte. É uma paisagem não fugitiva, a despeito da passagem do tempo.

Participei ativamente da virada de A TARDE. Suava a camisa. Havia duas publicações me fascinavam, à época. A Tribuna e a revista Realidade. Sabia o nome dos repórteres de memória e, também, das reportagens. Lia também o L’Express e o Le Monde Diplomatique, mas com dificuldade pois ainda dava os primeiros passos no aprendizado do francês. Era uma espécie de coringa. Podia estar fazendo uma reportagem sobre a seca em Irecê ou juazeiro, como um desastre de avião ou um buraco de rua.

Foram anos preciosos. Visto à distância, foi uma época singular. Havia uma ditadura no país, mas a Bahia era uma espécie de éden. Servia de abrigo para os militantes sitiados no Rio de Janeiro e São Paulo. O emprego era fácil, a sociedade acolhedora e, na verdade, tornou-se uma espécie de divã de psicanálise nacional. E havia um dado que não pode ser esquecido: a industrialização, que se afirmava lentamente, gerava riqueza e dava base ao ciclo de renovação que faria da Tribuna um ícone e uma metáfora. Ícone, porque se tornou referência de jornalismo dinâmico e moderno. Metáfora porque simbolizava uma época de ouro que, infelizmente, se exauriu.

A palavra síntese daqueles tempos era concorrência. Saudável e ativa. Não a concorrência pela concorrência, mas a concorrência para fazer o melhor, servir ao leitor. Denunciar o regime nas entrelinhas. Um dado que me marcou até hoje foi o vigor ético da nova geração. Falava-se muito desse tema. Não de uma ética utilitária, mas de uma ética ditada pelo caráter das ações. Os recém-chegados da faculdade viam o jornalismo como uma profissão. Não um passaporte para conseguir empregos públicos. Navegavam no sonho de salários dignos e navegava-se no sonho da independência de opinião.

Os repórteres de A TARDE e da Tribuna, como também o Diário de Noticias e do Jornal da Bahia disputavam palmo a palmo o furo, a reportagem bem escrita, as manchetes. O JB mais à esquerda, mais cioso da sua intelectualidade, mais agressivo. O Diário de Noticias mais para o centro, mais governista, mais suave. Mas com uma redação competente. Fazia-se jornalismo. O bom texto, o bom repórter tinha valor. Respirava-se vontade de ir além das expectativas. Havia uma visão crítica da sociedade. Dava prazer trabalhar. A lógica dominante era da paixão pelo fazer acontecer. Se destacar. Visitar a estação do tempo de 40 anos atrás não é saudosismo, mas, sim, um tributo à memória. Como ensina Hannah Arendt é a memória que garante a eternidade da ação fugaz dos homens. Fico por aqui. Dedico este artigo a todos os companheiros daqueles tempos de guerra (contra a ditadura) e utopia (como vontade transformadora). Foi um privilégio ter participado daqueles dias e noites de recriação do jornalismo.

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Francisco Viana é jornalista, consultor de empresas e autor do livro Hermes, a divina arte da comunicação. É diretor da Consultoria Hermes Comunicação estratégica e colunista de Terra Magazine (e-mail: viana@hermescomunicacao.com.br )
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out
06

Postado em 06-10-2009 13:22

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 06-10-2009 13:22

A alegria e a dor entoam, cada uma a seu modo, as notas que compõem a marcha do destino. Aplausos e silêncios, sorrisos e lágrimas, a todo momento, misturam-se, no palco dos instantes de cada um. É a vida, esse festival de contrastes, de paradoxos, de porquês, feitos de sonhos e angústia, de perdas e ganhos. Por ser a vida assim, misteriosa, a cada grito de euforia, um gemido. Esta semana está acabando, assim, entre sons de festa e de saudade. Quem dera que a vida fosse sempre chama!
( As palavras são do jornalista Gilson Nogueira, mandadas em mensagem no fim de semana passado, junto com a voz de Sinatra na música de Tom. Por algum motivo a mensagem ficou perdida por alguns dias em alguma esquina da Internet.Descobertas pelo editor nesta terça-feira , mensagem e música voz dão a nota da canção para começar o dia na Rádio BP. Confira (VHS)

out
06

Postado em 06-10-2009 10:56

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 06-10-2009 10:56

Dilma: “andar com fé”
Dilma
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Deu na coluna:

A jornalista Mônica Bergamo publica em sua coluna na Folha de S. Paulo, edição desta terça-feira,6, a seguinte nota:

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NÚMEROS

“E Michel Temer (PMDB-SP), presidente da Câmara, que defende a aliança do PMDB com Dilma, tem mostrado para correligionários pesquisa que encomendou sobre o “potencial” dos candidatos à Presidência. Pelos números que ele exibe, a diferença entre Dilma e José Serra (PSDB-SP) cai para sete pontos quando o nome dela é associado ao do presidente Lula e o dele, ao do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP). Na pesquisa do Ibope divulgada em setembro, a diferença entre os dois é de 20 pontos, em favor de Serra”.

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Bahia em Pauta comenta:

A ministra-chefe da Casa Civil, que há bastante tempo não navega pelas águas da Baia de Todos os Santos, desembarca esta-feira, 9, em Salvador com este e outros dados, favoráveis à sua indicação à sucessão do presidente Lula, nas mãos.

Vem para conversar com as tropas petistas e tentar diminuir o fosso que se estabeleceu entre ela e as “bases’ da militância baiana neste largo período de ausência e separação. Antes, porém, passa na colina sagrada da Igreja do Bonfim, para agradecer ao santo de maior devoção dos baianos – Oxalá dos orixas rituais do Candomblé – a cura do câncer linfático a cujo tratamento se submeteu no hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

Há poucos dias o governador Jaques Wagner fez chegar aos ouvidos mais atentos do Planalto, que o nome de Dilma, ao contrário do que sempre aconteceu com Lula, não
empolga na Bahia.

A conferir.
(Vitor Hugo Soares)

out
05

Postado em 05-10-2009 19:26

Arquivado em ( Multimídia, Newsletter) por vitor em 05-10-2009 19:26


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Se a ditadura cair mesmo em Honduras, como já se desenha, um garoto de apenas 10 anos de idade tem garantido o seu lugar entre os herois da redemocratização no país da América Central. Desde o final de agosto, quando fez um discurso inflamado e articulado do começo ao fim contra o golpe de Estado em Honduras, o menino Oscar David Montesinos não só virou heroi em Tegucigalpa, como desde então vem ganhando fama mundial, através de um video da manifestação disponível no You Tube.

O garoto joga duro contra o ditador Roberto Micheletti e seus principaisd aliados, incluindo o que Oscar denomina de “mídia golpista” e altas autoridades da hierarquia da igreja católica local.

No ato político em Tegucigalpa, o menino falou cerca de dois minutos, o suficiente para incendiar a massa e se tornar símbolo da resistência no país. O vídeo em que o menino é ovacionado multiplicou-se pelo YouTube e tem até versão legendada em português. São inúmeros os comentários de apoio ao presidente deposto Manuel Zelaya, decorrente do discurso de Montesinos, merecidamente. Confira.

(Postado por Vitor Hugo Soares)

out
05

Postado em 05-10-2009 18:40

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 05-10-2009 18:40

Ditador Micheletti anuncia recuo
Rmicheleti
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Ditador golpista de Honduras, Roberto Micheletti, anunciou nesta segunda-feira,5, a revogação do decreto que restringe as liberdades fundamentais no país. “A minha intenção é revogar o decreto, mas caberá ao Conselho de Ministros revogar hoje as restrições às liberdades de reunião e de imprensa”, disse Micheletti numa entrevista difundida por uma cadeia de televisão local.

Resultante de um golpe de Estado que derrubou o presidente Manuel Zelaya em 28 de Junho, o governo de Micheletti assinou em 27 de Setembro um decreto que limita as liberdades de circulação, de reunião e de imprensa, além de autorizar detenções sem mandato judicial.

Dois órgãos comunicação social que se opõem ao golpe de Estado, a Rádio Globo e a Cadeia 36 de televisão, tiveram suas atividades encerradas no dia seguinte.Segundo os analistas da crise hondurenha, a revogação do decreto é uma das condições impostas por Manuel Zelaya, refugiado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, para iniciar um diálogo com o regime de Micheletti.

Em entrevista ao mesmo canal, Micheletti admitiu hoje pela primeira vez o regresso ao poder do presidente Zelaya, sem especificar claramente as condições.O presidente expulso do poder em Honduras em 28 de Junho, através de um golpe de Estado conduzido por Micheletti, propõe uma agenda de três pontos para resolver a crise política no país, que prevê o seu regresso ao poder chefiando um governo de coligação.

Segundo um porta-voz de Zelaya, o primeiro ponto da agenda é a aprovação e assinatura do Acordo de San José, o segundo ponto é introduzir alterações ao texto proposto pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, e o terceiro que a implementação seja supervisionad por observadores nacionais e internacionais.

Zelaya também garantiu não ter intenção de convocar uma assembleia nacional constituinte após regresso ao poder, para tranquilizar os atuais deputados. Face às ambíguas condições do processo, a principal associação de empresários das Honduras propôs o envio de uma força de manutenção de paz internacional para acompanhar a transição de poder no país, mas sem a presença do Brasil nem da Venezuela, por “não terem permanecido neutros” no evoluir da situação.

“Essa força internacional garantiria que o acordo de paz seja implementado por ambas as partes”, referiu a associação de empresários.

(Postado por Vitor Hugo Soares, com informações do Diário de Notícias, de Lisboa, e agências europeias)
.

out
05

Postado em 05-10-2009 14:35

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 05-10-2009 14:35

Cristina e Nestor Kirchner: emoção na despedida /La Nacion
Cristinak
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“Viva Mercedes!”. As mostras de devoção e reconhecimento à artista Mercedes Sosa , que morreu domingo, não se detiveram nesta segunda-feira,5,durante todo o traslado de seu cortejo fúnebre do Congreso Nacional até o famoso cemitério de Chacarita, onde La Negra será cremada.

Mal chegou ao cemitério, os aplausos e os cânticos em seu nome se fizeram escutar com mais força. No entanto, as lágrimas não tardaram e brotar novamente.

Centenas de pessoas estiveram presentes para dar o último adeus junto com familiares, e amigos íntimos da cantora.

“Suas cinzas serão espalhadas em outro momento nas terras de Tucumán, onde Mercedes nasceu, em Mendoza porque foi onde se ligou ao movimento da nova canção e em Buenos Aires, onde viveu desde os anos 60”, detalhou seu filho Mateus.

Ás 11h3, um emotivo e prolongado aplauso marcou o momento da saída do caixão com os restos da cantora tucumana, de 74 anos, falecida ontem, 4.

O operativo policial fechou o Salão dos Passos Perdidos do Congreso onde a artista foi velada, para a despedida final dos familiares e amigos mais íntimos, e isso fez o público se concentrar ao largo da avenida Callao, primeiro ponto de passagem do cortejo, onde prorromperam aplausos, flores foram jogadas, enquanto uma multidão tocava o veículo coroado por un ramo de flores brancas.

LEGADO DE UMA MÃE – o filho de Sosa expressou esta manhã que “o melhor” que lhe deixou sua mãe foi “foi o respeito pelas pessoas”, ao tempo que agradeceu as demonstrações de afeto que recebeu sua família depois da morte da cantora.

Além disso, afirmou Mateus emocionado: “Mercedes Sosa nos deixa o andar sempre para adiante, o amor à liberdade, à democracia e a la solidaridad . Como mãe, foi uma pessoa maravilhosa, inigualável, adorável, o mesmo que como avó e tia, um ser extraordinário”.

DOR NACIONAL – O governo de Cristina Kirchner decretou tres días de luto pela morte de Mercedes Sosa. À decisão da Casa Rosada, publicada hoje no Diário oficial , se somaram os governos da cidade de Buenos Aires e de Tucumán. O decreto afirma que a carreira musical de Sosa “foi sempre na direção de um forte compromissoo social” e destaca “o espírito solidário, a honestidade intelectual, o compromisso artístico e social e a férrea defesa dos direitos huimanos e das causas justas”.

(Texto traduzido do jornal argentino La Nacion por Vitor Hugo Soares)

out
05

Postado em 05-10-2009 11:49

Arquivado em ( Artigos, Eventuais) por vitor em 05-10-2009 11:49

Acenos da janela
ivexuxa
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OPINIÃO DO LEITOR

“BAIANO NÃO NASCE, ESTRÉIA”

Carlos Lima Cavalcanti Neto

A Bahia ocupou nas décadas de 60 e 70 lugar de destaque nos cenários cultural e político brasileiro. Daqui saíram artistas como Gil, Caetano, Bethânia e Gal, Tom Zé, João Gilberto… Isso, aliás, é do conhecimento de todos. Uma peculiaridade desses artistas é que além de executar belissimamente seus ofícios ainda se inseriam no contexto político, demonstrando suas indignações quanto ao período em que vivíamos sob a ditadura militar ou, mesmo, lançando o Tropicalismo, movimento político-cultural, que até hoje ainda sofremos a influência, positiva é claro.

A partir da década de 80, com o retorno do país à democracia, mudanças bruscas aconteceram. Na economia vivemos um dos piores períodos do século. Tanto que essa foi considerada a década perdida. Isso influiu fortemente na área cultural, principalmente em nossa terra. A partir de 1983, surgiram bandas e cantores com uma proposta diferente: alterar o ritmo e as letras das músicas tocadas no carnaval da Bahia. As marchinhas e as músicas inteligentes de Dodo e Osmar e Moraes Moreira davam lugar à letras pobres e ritmos alucinantes. Surgia ali Chiclete com Banana, Asa de Águia, Cheiro de Amor, etc.

Com o passar dos anos, a grande quantidade de bandas e cantores iam se alternando no mercado da música, a maioria se desfazia na mesma velocidade dos ritmos e algumas poucas se firmavam nesse mercado, promissor e pouco exigente. Nesse ínterim outras bandas também surgiam, entre elas a Banda Eva e a cantora Ivete Sangalo. Essa cantora hoje figura no cenário nacional como uma das mais importantes e influentes artistas. Isso também o mais incauto dos brasileiros também já sabe.

Mas essa influência agora orbita não na política, não na cultura, mas no estrelismo pobre e sensacionalista das revistas de fofoca, dos programas da Xuxa e da Hebe Camargo. O nascimento de seu filho Marcelo parou quase um andar de um Hospital da Bahia, numa cópia caricata do nascimento da filha de sua comadre Xuxa, que veio visita-la. Pobre Bahia e pobre daqueles que deixam suas casas e suas famílias para tomar um ônibus e ir até a instituição ver por uma fresta a estrela da axé music. Enquanto muitos morrem nas filas dos hospitais de gripe e de verminose, o que torna essa ostentação descabida e desrespeitosa. Reservam um andar de um hospital para a estrela dar à luz a um filho.

A comparação até parece uma mesquinhez da parte desse que vos escreve, mas é o retrato nítido e incontestável da cultura baiana que transparece. Enquanto que as bandas como Olodum, Didá, Malê de Balê e outros, perecem com a falta de patrocínio e com as dificuldades financeiras.

(Carlos Lima Cavalcanti Neto é leitor e colaborador do Bahia em Pauta)

out
05

Postado em 05-10-2009 11:19

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 05-10-2009 11:19

Anúncio dos vencedores do Nobel de Medicina
Nobel
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Tres cientistas que trabalham no Esdos Unidos são os ganhadores do prémio Nobel da Medicina 2009 : Elizabeth Blackburn, Carol Greider e Jack Szostak, por estudos sobre a protecção dos cromossomos, segundo anunciou nesta segunda-feira o Comité Nobel, em Estocolmo, Suécia.Os estudos são considerados no mundo científico como de notável alcance em relação ao combate ao câncer de pele e de pulmão.

O pesquisado português, Alexandre Quintanilha, que conhece há mais de 20 anos Elizabeth Blackburn, disse às agências de notícias européias, que este prémio até já devia ter chegado há mais tempo. Os estudos premiados sobre cromossomos são importantes também na questão do envelhecimento humano.

Elizabeth Blackburn, originária da Austrália, Carol Greider, dos Estados Unidos, e Jack Szostak, que nasceu no Reino Unido, são laureados por descobertas pioneiras no campo da medicina molecular sobre o processo de multiplicação dos cromossomas.

A Academia Sueca explica que o estudo destes professores, que trabalham todos em território norte-americano, deram um contributo para a compreensão do mecanismo de protecção dos cromossomas pelos chamados telomeros e enzimas telomerases.

MUTAÇÕES GENÉTICAS-Estas investigações ajudam a compreender porquê certo tipo de mutações genéticas acontecem bem como os processos que estão na origem de doenças causadas por modificações nos cromossomas.

As descobertas destes três cientistas, prossegue a academia, “constituem um importante avanço da ciência e abrem o caminho para a cura de diversas doenças causadas por degenerações genéticas como certo tipo de anemias, o cancer da pele ou do pulmão”.

Segundo o portal TSE Rádio Notícias, de Lisboa, o investigador português Alexandre Quintanilha conhece há mais de 20 anos uma das laureadas, Elizabeth Blackburn. Os dois já foram parceiros em júris e trabalhos do Comité de Investigação do Departamento do Genoma Humano, que foi fundado, entre outros, por esta cientista.

Alexandre Quintanilha considera que este prémio é merecido e descreve Elizabeth Blackburn como uma mulher «tímida», que não procura o protagonismo.

“É uma investigadora da máxima qualidade e penso que já devia ter recebido este prémio há mais tempo”, considera Quintanilha.

(Postado por Vitor Hugo Soares, com informações de agências de notícias européias e TSE Radio Notícias, de Lisboa).

out
05

Postado em 05-10-2009 10:42

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 05-10-2009 10:42


A jornalista Rosane Santana telefona de Boston e reclama: Em tributo a Mercedes Sosa não pode faltar “Gracias a la Vida”, a canção da chilena Violeta Parra inseparavelmente ligada também à cantora argentina. Bahia em Pauta entende o recado e, sem mais delongas, aí vai, para começar o dia, a música sugerida. Confira.

(Vitor Hugo Soares)

out
05

Postado em 05-10-2009 10:17

Arquivado em ( Artigos, Rosane) por vitor em 05-10-2009 10:17

Mercedes Sosa: indicação para três Grammys/img. Página 12
gracias
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O Grammy e Mercedes Sosa

Rosane Santana

BOSTON (EUA) – A rede de TV CNN e o jornal The New York Times noticiaram ontem a morte de Mercedes Sosa, a quem chamaram de “A voz da América Latina”. A intérprete imortalizada em cancões como “Gracias a la Vida” e “Volver a los 17”, ganhadora de dois Grammy Latino, concorre novamente ao prêmio que será entregue no próximo mês em Las Vegas, com o disco Cantora 1, seu último trabalho, indicado para três categorias, incluindo álbum do ano e melhor álbum folclórico.

Mercedes que já foi comparada a americana Joan Baez, também conhecida por seu estilo vocal distinto e opiniões políticas, não pode ser reduzida a categoria de intérprete do folclore latino-americano, como declararam apressadamente, logo após sua morte, alguns órgaos da imprensa mundial. Sua voz grave e potente, que brotava das cordilheiras e vales andinos, profundamente enraizada no seu passado e na sua cultura – politicamente engajada, quando os tempos lhe exigiram, o que lhe valeu o exílio -, cantou os mais variados estilos, folk, pop, MPB (em suas incursões com Milton) e bossa-nova.

O que verdadeiramente há de marcante nessa intérprete, além da voz inconfundível, personalíssima, é que quando cantava, Mercedes sempre colocava sua alma, parecendo encarnar os versos de Ricardo Reis, um dos heterônimos de Fernando Pessoa : “Para ser grande, sê inteiro, nada Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és. No mínimo que fazes…”, razao de sua profunda identidade com o povo latino e o que explica a sua grandeza e sua longevidade como artista- uma intérprete que superou o próprio tempo e se manteve por mais de meio século fazendo sucesso -, como prova sua recente indicacão para o Grammy.

Rosane Santana, jornalista, mora em Boston e estuda na universidade de Harvard.

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