set
06

Postado em 06-09-2009 11:06

Arquivado em ( Artigos, Eventuais) por vitor em 06-09-2009 11:06

Argentinos: perdidos em Rosário/ El Clarim
argentinos

OPINIÃO/ Maradona

Maradona sem rumo

Por Daniel Guiñazú

Diego Maradona pensou e executou a partida com o Brasil com transparente infantilidade. Supôs o técnico ( e ninguém o questionou) que mudar a sede para Rosário, com o espírito exaltado da torcida em um estádio menor e com a pressão que isso significaria para os brasileiros, seria suficiente para para inclinar a coisa a seu favor. Ficou claro ao final dos 90 minutos que não alcançou nada disso. Os brasileiros absorveram sem pestanejar o apoio do público. E ganharam caminhando. Com uma resolutividade, um domínio da situação, uma solidez coletiva e destaques individuais que se situaram muito acima da confusão celeste e branca.

O problema maior da Seleção é que nem sequer existe um Plano A. Há tempo que subsistem as dúvidas sobre o que pretende Maradona. Não basta . Não bastam invocações retóricas e o motivacional para armar um time competitivo. Também não é suficiente lançar em campo os melhores homens . Se não existe uma idéia clara de que é preciso jogar, tudo o demais passa a ser secundário, E esse é o grande esse é o grande que a derrota da noite de sábado recoloca sobre o tapete. Diego e Bilardo repetem que não há espaço para trabalhar. É um pretexto. Dunga recebe tanto ou mais jogadores do exterior que a Argentina. E ao mesmo tempo arma times compactos, que há tempo vêm demostrando a nossos selecionados uma superioridade que, atualmente, parece abissal.

(Texto opinativo publicado na edição deste domingo (6) pelo jornal argentino Página 12. Traduzido por Vitor Hugo Soares, editor de Bahia em Pauta)

set
06

Postado em 06-09-2009 10:02

Arquivado em ( Artigos, Rosane) por vitor em 06-09-2009 10:02

Desafio: petróleo e meio ambiente
petromar

OPINIÃO

=================================================
Meio ambiente muda agenda política

Rosane Santana

Um dos maiores desafios dos países em desenvolvimento – neste grupo inclusos Brasil, China e India -, atualmente, é conciliar a expansão econômica com a preservação do meio ambiente – fundamental para a perpetuação da vida no Planeta. O assunto – ressalte-se – foi tema de discussão e prova na Universidade de Harvard (EUA), neste verão, quando comemorou-se o bicentenário do naturalista inglês, Charles Darwin, autor do livro “A Origem das Espécies”, que revolucionou a biologia moderna opondo-se à concepção religiosa da origem divina do universo narrada no livro dos Gênesis.

O darwinismo ganha relevância, neste momento, especialmente sua tese de sobrevivência dos mais fortes no processo de adaptacão das espécies ao meio ambiente, em funcão das mudanças climáticas aceleradas pelo excesso de gás carbônico na atmosfera – o vilão do efeito estufa -,que está provocando o aquecimento global.. Ressalte-se, entretanto, serem os maiores emissores de CO2 os países mais industrializados, que integram o chamado G-7 (Estados Unidos, Canadá, Japão, Itália, Alemanha, França e Inglaterra).

Tais alteracões têm atingido indistintamente populações de todos os países, com excesso de calor e chuvas e inundacões que provocam destruicão, afetando as localidades mais pobres, o Terceiro Mundo em especial, onde os prejuízos na agricultura, por exemplo, são enormes, pela precaridade tecnológica.

O assunto vem ganhando a cada dia maior relevância nas discussões acadêmicas e políticas nos Estados Unidos. Tanto que o presidente Barack Obama, desde que tomou posse em janeiro, anunciou sua disposição de colocar “a energia alternativa, o meio ambiente e a mudança climática no centro da definição americana de segurança nacional, recuperação econômica e prosperidade”. A indicação do Prêmio Nobel de Física de 1997, Steven Chu, promotor da pesquisa de fontes energéticas renováveis, para secretário de Energia, é uma demonstração do esforço nessa direção.

Disse anteriormente, inclusive, que a decisão de Obama representa uma tentativa de colocar os Estados Unidos na liderança da luta contra o aquecimento global, depois da resistência a iniciativas como o Protocolo de Quioto, na Era Bush, no momento em que a União Européia discute um novo tratado climático e o presidente da ONU, Ban Ki-Moon, propõe um “New Deal Verde”, para combater as alterações no clima e no meio ambiente

É nessa conjuntura, em que a questão ambiental está na pauta do dia, que a candidatura da senadora Marina Silva, a presidência da República, esperam seus idealizadores, pode ganhar corpo e, supostamente, atrapalhar o caminho da ministra Dilma Roussef, candidata declarada do presidente Lula. Esse ponto de vista (a força de Marina) é compartilhado por políticos e marqueteiros, além de fervorosos admiradores da ministra.

Mais do que um problema ambiental, em minha opinião, essa é uma questão política e de gestão que deve estar aberta ao debate não apenas àqueles que historicamente estão vinculados a causa ambientalista, pois está a afetar a todos indistintamente. Trata-se de um problema de sobrevivência humana, de reeducacão de todos, inclusive com um nítido direcionamento na área do ensino formal, e não do partido ou do candidato A ou B. Essa partidarização, pode ser um bom mote publicitário, mas não ajuda o debate e nem contribui para sua democratização, o que é o mais importante.

O desafio para o Brasil, por exemplo, um dos candidatos a potência, neste século, sem dúvida, será conciliar a exploracão de seu potencial energético, fundamental para o seu desenvolvimento, sobretudo as novas descobertas na área de petróleo – considerado uma fonte de energia poluente -, com a preservação do meio ambiente.

Se isso é possível, quem pode responder e propor caminhos é a ciência e a tecnologia, sugerindo políticas públicas adequadas. Espera-se que na campanha à presidência da República, no próximo ano, os candidatos e candidatas saibam discutir a questão, sem satanizar essa ou aquela alternativa, com discursos panfletários, mas buscando equacioná-la com bom senso, como o fez Obama, por exemplo, indicando um renomado cientista para uma pasta considerada estratégica.

A depender da abordagem, o debate da questão no horário político eleitoral será um dos pontos altos da campanha presidencial do próximo ano e pode ser um passo importante para uma mudança na agenda política dos atuais e futuros governantes.

Rosane Santana, jornalista e mestre em História pela UFBA, mora atualmente em Boston e estuda da universidade de Harvard.

set
05

Postado em 05-09-2009 23:38

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 05-09-2009 23:38


==================================================
Alô, alô Maradona e companhia, escutem, escutem bem, com calma, o que a bola canta, quando a seleção brasileira, que está em primeiro lugar, no ranking da FIFA, por ser a melhor do planeta, na atualidade, atua. Deixem o tango, o bom tango, em paz. Ele servirá, apenas, para fazer vocês chorarem a desclassificação para a próxima Copa do Mundo de Futebol.

(Gilson Nogueira, jornalista)

set
05

Postado em 05-09-2009 12:01

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 05-09-2009 12:01


Mais uma bela e oportuna sugestão garimpada no You Tube para Bahia em Pauta pelo jornalista Gilson Nogueira. Confira. BP agradece e pede mais(VHS).

set
05

Postado em 05-09-2009 10:29

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 05-09-2009 10:29


A música para começar o dia no Bahia em Pauta, neste sábado épico de Brasil x Argentina, pela fase de classificação para a Copa do Mundo na África do Sul, ano que vem, é um tango da melhor cepa: “Anclao en Paris”. A letra maravilhosa do grande Cadícamo fala das penas de Carlos Gardel em seu exílio de Paris, lembrando com saudade de sua querida Buenos Aires.

Coisa de mexer com corações portenhos e brasileiros, indistintamente, apesar da rivalidade de sempre no futebol, que mais uma vez será posta à prova na noite de hoje, na culta e elegante cidade de Rosário, às margens do Rio Paraná. Confira e se emocione, que faz bem!

(Vitor Hugo Soares)

set
05

Postado em 05-09-2009 09:54

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 05-09-2009 09:54

O assassino da médica
medica
==================================================

Menos de 24 horas depois de ter participado de longa e detalhada reconstituição do crime, cercado de policiais , jornalistas e câmeras de televisão, Gilvan Cleucio de Assis, 39 anos, réu confesso do assassinato da médica Rita de Cássia Tavares, morta há cerca de um mês, foi encontrado morto por policiais civis dentro de uma das celas da Delegacia de Homicídios, por volta das 23h30 desta sexta-feira (04). Segundo informações da delegacia, a principal suspeita é de que Gilvan tenha se enforcado voluntariamente.

O corpo do preso sob guarda policial já foi encaminhado para o Insrtituto Médico Legal Nina Rodrigues, para ser periciado. A polícia ainda não divulgou informações sobre as circunstâncias da morte do autor do crime recente que chocou os baianos e o país. Com base em depoimento de um dos três companheiro de cela, Gilvan teria utilizado lençóis enrolados em forma de corda (“tereza”) para se matar.

O assassino da médica pediatra dividia a cela com mais três presos, dentre eles, José Cardoso dos Santos, um dos acusados de envolvimento no assassinato do ex-deputado Maurício Cotrin, crime acontecido no extremo-sul da  Bahia, ainda cercado de muitas dúvidas e polêmicas quanto aos responsáveis e reais motivações.

A Secretaria de Segurança Pública convocou entrevista coletiva para as 11h deste sábado (05), onde se espera mais informações sobre o suposto suicídio. Na manhã de sexta (04) Gilvan participou da reconstituição do assassinato da médica Rita de Cássia, que foi sequestrada em um shopping e morta com requintes de crueldade pelo assassino, que largou no carro e filha de um ano e oito meses da pediatra, antes de fugir.

A delegada Andrea Ribeiro, da Divisão de Homicídios, que está à  frente das investigações sobre o assassinato da médica, colheu o depoimento de três presos ainda na madrugada deste sábado, 05. O homem acusado da morte do deputado Cotrin alegou que quando acordou, Gilvan já estava morto.

(Postado por Vitor Hugo Soares)

set
05

Postado em 05-09-2009 00:09

Arquivado em ( Artigos, Vitor) por vitor em 05-09-2009 00:09

Mafalda estátua (com Quino)…
Quimafalda
==========================================
…perdeu o vestido vermelho
vermafalda
===========================================
Macunaíma continua o mesmo
macunaima
==================================================

ARTIGO DA SEMANA

DE MAFALDA A MACUNAÍMA

Vitor Hugo Soares

Bombardeado por tantas notícias desagradáveis, que chegam de um lado e outro do continente, dá alegria saber que, desde domingo passado, quem caminhar por San Telmo, bairro boêmio, antigo e charmoso de Buenos Aires, encontrará a estátua em tamanho natural de Mafalda. Homenagem justa à heroína das tiras de histórias em quadrinhos (HQ) do desenhista Quino, uma das mais fascinantes figuras femininas que já conheci. Mesmo não sendo de carne e osso, ela transpirava paixão e entrega por todos os poros, comum naqueles anos 60/70.

Pensei com meus botões de baiano perdidamente apaixonado, há décadas, tanto por esta garota incontrolável, quanto por Buenos Aires, a esplendorosa cidade de seu nascimento e residência. Penso: que grande personagem da semana de Brasil e Argentina, a clamar a ressurreição pelo menos por um dia, do épico Nelson Rodrigues. Só este pernambucano e carioca da gema como nenhum outro, seria capaz de produzir um texto com a força necessária para este sábado de fim de inverno no sul do continente. Dia histórico qualquer que seja o resultado da partida em Rosário, em que as seleções de Maradona e Dunga revivem toda rivalidade e encantamento desse confronto do futebol mundial com paixões à flor da pele, bem do jeito de Mafalda.

A primeira recordação é das tantas vezes que andei quilômetros pelas calles Corrientes, Esmeralda ou Reconquista, sempre cheias de gente, dia e noite – “até fechar o último quiosque”, como diz Maradona – à procura de uma “tira” nova de Mafalda. Se não havia recente, comprava as mais antigas mesmo, pois sempre pareciam renovadas e surpreendentes a cada nova leitura. Que prazer acompanhar de perto as aventuras daquela garota indomável, com suas tiradas saborosas e implicâncias que sempre faziam pensar.

Uma delas com políticos fanfarrões e gente machista, autoritária, pusilânime ou corrupta. Tipos que Mafalda detestava tanto quanto a sopa quente caseira que a mãe a fazia tomar, crente – como todas as boas madres com misturas explosivas de sangue italiano e judeu correndo nas veias – nos poderes da alimentação saudável. Filhos devem tomar toda a sopa, mesmo que seja preciso matar ou morrer – a depender da origem da mãe no caso -, para que eles obedeçam, sem deixar um pingo no prato.

A busca por Mafalda produzia uma sensação empolgante de descoberta – semelhante às idas às bancas de jornais em Salvador para comprar a nova edição do Pasquim – para o jovem repórter brasileiro do Jornal do Brasil que trabalhava na sucursal de “Salvador de Bahia”, como os amigos portenhos repetiam a cada nova apresentação. A Argentina então, ao contrário do Brasil, parecia um oásis de liberdade na política, nas ruas, nos bares e restaurantes no convívio cotidiano da “cidade florescente”, como no tempo em que Gardel canta com saudade no tango “Anclao em Paris”.

Leio que a inauguração da estátua de Mafalda, em escala proporcional ao tamanho de uma menina real da sua idade, tem múltiplos significados e objetivos, além de simplesmente criar mais uma atração para turistas que visitam em levas uma cidade já tão repleta de atrações. O escultor Pablo Irrgang, responsável pela escultura, explica: a idéia central é estabelecer um ponto de interação da personagem com seus seguidores e visitantes, “no local dos fatos”.

Há, porém, uma diferença: na estátua recém inaugurada o original vestidinho vermelho dos primeiros anos de Mafalda foi trocado sutilmente no monumento (ou nem tão sutilmente assim?) por uma roupa verde, como pedem os novos tempos “politicamente corretos”, em que a questão ambiental assume o lugar das utopias de antes, concentradas nos conflitos políticos, ideológicos e de mudanças de comportamento, expressos com todas as palavras e ações da menina enfezada.

Esta observação crítica partiu de Margarida, minha mulher, também jornalista, fã ardorosa de Mafalda, a ponto de ter recebido o apelido honroso da personagem de Quino, nos tempos de chumbo em que circulava na redação do jornal em que trabalhava vestida em contestadoras camisetas da contestadora portenha, na época em que generais, aliados a civis mal dissimulados, mandavam no Brasil. O fato é que a escultura vem saldar uma dívida pendente dos argentinos com Mafalda, um personagem local com dimensões globais, “capaz de expressar seu mal-estar com o mesmo ímpeto para desterrar a sopa e a guerra da face da terra”.

Quanta grandeza e diferença humanitária para os minúsculos personagens transpirando mau-caráter que vemos nestes dias mesquinhos da política, dos governos e da sociedade – por quase todo lado: nas barrancas do Rio da Prata ou nas bandas de cá da América do Sul, sintetizados por figuras trêfegas, que rondam por gabinetes e corredores da política e do poder, agora mais tranqüilos e soltos, depois que um novo surto de revolta e gritaria parece ter cessado, no Planalto Central e no resto do país.

O que se vê nestes dias é gente cada vez mais distante da paixão que transforma e dos sentimentos sempre críticos, mas generosos de Mafalda. Estamos de novo mais próximos de Macunaíma, o personagem safado, preguiçoso e sem caráter do livro de Mário de Andrade, que ganhou na adaptação para o cinema por Joaquim Pedro de Andrade, a cena emblemática em que dezenas de pobres retirantes sem força e sem vontade são despejados na entrada de uma grande cidade brasileira e o dono do caminhão depois de receber o dinheiro pelo transporte da carga humana, avisa “Agora é cada um por si, e Deus contra!”.

Bom jogo Brasil e Argentina para todos.

Vitor Hugo Soares
é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

set
04

Postado em 04-09-2009 18:57

Arquivado em ( Charges, Multimídia) por vitor em 04-09-2009 18:57

maradona

set
04

Postado em 04-09-2009 17:55

Arquivado em ( Artigos, Laura) por vitor em 04-09-2009 17:55

“O que você acha/”
pílulas

ARTIGO/REFLEXÕES

Psicotrópicos, solução ou droga?

Laura Tonhá

Faço parte de um grupo de mulheres, do Brasil e de outros países, que se correspondem por email, trocamos dúvidas e falamos sobre vida pessoal, quando isto é conveniente. Temos como premissa ajudarmos umas as outras. Recentemente, depois de um depoimento sofrido de uma das integrantes concluímos que uma boa opção seria procurar um psiquiatra. Durante a discussão, outras integrantes do grupo confessaram o uso regular de medicamentos psicotrópicos, com bons resultados na manutenção da qualidade de vida. Convencida, a integrante em questão decidiu procurar um médico. Dias depois relatou-nos contente que recebeu um diagnóstico esclarecedor e estava feliz com as perspectivas, ressaltou que consultar um psiquiatra havia sido uma quebra de paradigmas.

Aqui em Brasília, entre uma aula e outra, ouvi rumores, nos corredores de cursinhos sobre o uso de drogas que melhoram o rendimento dos concurseiros. Entre elas a ritalina e a ampaquina. Procurei saber do que se trata: ritalina, conceitualmente, é um medicamento para quem tem síndrome do déficit de atenção e hiperatividade, uma espécie de anfetamina, que proporciona maior concentração e aumenta o estado de alerta. A outra droga, ampaquina, vem sendo usada experimentalmente como tônico da memória, com efeito nas sinapses cerebrais e influencia positiva no aprendizado e na capacidade de memória. Aparentemente essas drogas estão sendo largamente utilizadas por pessoas interessadas em potencializar seu rendimento estudantil e/ou profissional.

Na academia fui abordada, pós aula de spinning, por uma atlética senhora que, entre tímida e entusiasmada, me questionou se eu estava fazendo uso do Lexapro, segundo ela “remédio do momento” nos consultórios psiquiátricos. Levou alguns segundos para “cair à ficha” e eu me lembrar onde já tinha visto aquele nome e entender o porquê daquela pergunta. Estava lá estampado em letras azuis na minha simpática e pequenina toalhinha, utilizada durante as suadas aulas de ginástica. Surpresa, expliquei que a minha toalhinha era um souvenir que meu pai, médico, havia ganhado em algum congresso, e que me era muito útil nas idas a academia, mas até aquele momento não tinha a menor noção do significado daquele nome grafado nela.

Outro dia a querida mãe de uma amiga comentou felicíssima que seu psiquiatra a tinha autorizado o uso do Prozac pelo resto da vida. Disse-nos que isto garantiria a sua paz e bem-estar pelos próximos anos, naturalmente ficamos contentes por ela. Eu mesmo adoraria uma pílula que me ajudasse a passar pelos cinco dias anteriores a minha menstruação, todos os meses, período em que o mundo se torna incrivelmente mais difícil e eu me sinto como dizem “doente dos nervos”.

Minha intriga com este assunto chegou ao nível máximo essa semana ao ler a coluna da Eliane Brum no site da revista Época, artigo intitulado “O doping dos Pobres”, onde ela questiona: “Nossa época está produzindo gerações de anestesiados? Para boa parte das pessoas tomar uma pílula para conseguir “aguentar a pressão” é tão trivial quanto tomar um cafezinho. O que tenho visto é um doping social. Combate-se a maconha, o crack, até o cigarro, ótimo. Mas e as drogas médicas que estão pelos barracos e pelos palácios? São menos drogas porque dadas por um doutor?”

Sou filha de psiquiatra e entendo que a psiquiatria é uma ciência. Acho saudável que da mesma forma que freqüentamos ginecologista, oftalmologista, endocrinologista entre outras especialidades médicas também nos consultemos com um psiquiatra, se for o caso. Não sou a Alice do País da Maravilhas, sei que as dores da alma podem roubar o nosso chão, já estive na frente de psicólogos e psiquiatras, chorei muito, mas nunca sai com uma receita de antidepressivo e/ou tranqüilizante. De qualquer forma, sou a favor uso dos medicamentos, desde que recomendados em situações específicas e administrados com acompanhamento médico.

Ainda assim, assisto intrigada à crescente utilização destes remédios e a diminuição do tabu em torno deles e questiono: a psiquiatria deu um salto significativo nos últimos anos e/ou as milagrosas pílulas parecem ser mesmo a solução para agüentar a vida neste mundo competitivo e exaustivo que vivemos?

Nos últimos 40 anos do século XX, houve o renascimento do entendimento biológico de algumas doenças mentais, a psiquiatria evolui e novos medicamentos surgiram. Quanto à vida, sabemos que esta dia-a-dia mais competitiva; confiamos menos uns nos outros; usamos mascaras que impendem relações profundas; somos cobrados a uma postura de super-heróis e estamos em pânico com a crescente violência entre tantas outras mazelas que roubam nosso equilíbrio e sanidade. Mas a questão continua pendente, pelo menos para mim, seriam as novas e velhas pílulas a solução para lidar com tanto desafio e tensão?

Já ouvi também comentários que questionavam a quem interessa a venda desses remédios e colocavam a indústria farmacêutica em cheque. A situação, neste caso, me pareceria ainda mais complexa. Penso se foi isso que Eliane Brum quis insinuar quando disse: “A medicalização da dor psíquica é um fenômeno relativamente recente. Pelo menos nesta proporção, com essa enorme variedade de medicamentos disponíveis e muito mais sendo produzido em escala industrial e vendido em licitações para a rede pública em suas variadas instâncias. Cada comprimido de diazepam (benzodiazepínico), por exemplo, custa menos de um centavo para a rede pública. Bem mais barato, digamos, que uma sessão de psicoterapia.”

E você o que acha?

Laura Tonhá é publicitária e mora em Brasília

set
04

Postado em 04-09-2009 16:45

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 04-09-2009 16:45

Braga: uma sombra no jantar político
braga
=================================================
Se confirmado o relato de que as esposas foram desconvidadas do ágape com o governador mineiro Aécio Neves, na casa do senador Antonio Carlos Magalhães Júnior, para atender à demanda dos políticos da província, ficará provada uma frase do cronista Rubem Braga: “Política é a arte de namorar homens”.

  • Arquivos

  • junho 2018
    S T Q Q S S D
    « maio    
     123
    45678910
    11121314151617
    18192021222324
    252627282930