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23

Postado em 23-01-2010 23:05

Arquivado em ( Aparecida, Artigos) por vitor em 23-01-2010 23:05

Cida: saudades de cheiros e sabores

CRÔNICA/ RIO-BAHIA
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FIM DE SEMANA

Aparecida Torneros

O fim de semana começa na sexta à noite. Pode se iniciar mais cedo, com um telefonema da Cris, de Búzios, falando da ida a Buenos Aires, no seu niver, em 29 de janeiro. Helô já marcou, irá dia 4 de fevereiro, e só volta depois do carnaval. Pena que ainda não poderei ir com elas, por agora. Mas o verão no Rio é imperdível, desculpem a imodéstia!

Reja também ligou, convidou pra assistir peça de teatro, mas não poderei ir, marquei outras coisas, fica pro próximo. Katia chamou pra ir na casa dela no Recreio, adiei, entrou na fila, ela compreendeu.

Quanto ao fim de semana, pra todos os efeitos, é quando o pessoal pára nos bares da cidade e entorna chope após chope, pelo menos neste tórrido verão de 2010, enquanto o temporal me prende por mais de uma hora dentro de um ônibus entre o Leblon e a Vila Isabel, no auge das oito da noite. Fui na igreja de santa Mônica, rezar e me solidarizar pela perda da D. Antonia, mãe do Luiz e sogra da Tê, casal que considero irmão nesta vida. Antes da chuva, peguei a carona da Verinha, para estar na missa, em tempo.

Consigo chegar em casa às dez, mas tô tão cansada pra sair e a cidade tá alagada. Falo por telefone com um bando de amigas e familiares. Perdi a novela da Helena.

Então, combinamos a tarde de sábado, uma visita à mais nova integrante do clã das “mujeres” descendentes de Carmen Torneros. Ana Beatriz tem 3 meses de idade, é baiana, está no Rio pela segunda vez na vida, veio em dezembro, e voltou nesta semana de janeiro, com a mãezona Luciana, e a vó Carminha, mas a belezinha precisa retornar a Salvador, pois a Lu é médica e recomeça o trabalho em fevereiro.

Vou conhecer a Bia, minha priminha-sobrinha-neta que é fofa e adora um avião, ainda bem! Aí, me bateu mesmo uma saudade da Bahia. Vou combinar com a Lu, não dá mais tempo de me organizar para o carnaval, mas vou depois, com certeza. Adoro Salvador, sinto-me em casa e sua aura me tranporta para um clima de muita paz toda vez que por ali caminho, quando como o acarajé, olho o mar, sinto a sua gente tão acolhedora, onde fiz vários amigos e ainda por cima, cheiro seus temperos tão quentes.

No sábado à noite, minha sobrinha Ana Paula ( jornalista quase “pronta”, que me orgulha muito!) sugeriu irmos no Siri, pertinho de casa, que tem os melhores pastéis de camarão do pedaço, lugar pra se jogar conversa fora, e curtir frutos do mar. Prometo convidar uma galera, quem sabe mais primos e primas da ala jovem, que curtem esse programinha conosco. Quanto à manhã de domingo, já que a Cris ( outra prima, jovem estudante de biologia) vem dormir aqui em casa, penso em caminhar com ela em volta do Maraca, e levá-la pra frazer a tal visita guiada por lá, que ensina tudo sobre a sua história, além de encontrar bandos de gringos que todo o dia ali vão conhecer a história do futebol brasileiro.

Já marquei também um cineminha light na tarde de domingo, tipo quatro e meia, no shopping Tijuca, o filme, comédia, “amor sem escalas”, pra refrescar a cuca, comer pipoca, preciso convidar a Belliza e outras priminhas, quem sabe topam a curtição de uma jovem tarde de domingo versão dois mil e dez?

Para fechar o fim de semana, programão: show as oito, do outro lado da baía ( ou da poça como costumamos brincar!), na praia de Icaraí, com o Marcos Valle, e uma tschurma de responsa…50 anos da Bossa Nova. Meu ex aluno da faculdade, Luiz Fernando, jornalista da Secretaria de Cultura de Niterói ( Nikite) me convidou, já avisei a umas cinco amigas e tá praticamente confirmado. Atravessaremos o mar pela ponte em busca de uma comemoração justa, bem ao estilo da nossa geração, talvez eu até durma por lá, na casa da Dê, outra jornalista antenada e alegre, e só retorno ao Rio na segunda cedo, pra resolver os probleminhas da outra semana que começa.

Por enquanto, nossa, eta sábado quente, este! As praias estão apinhadas, minha amiga Beatriz, de Buenos Aires está no Rio, ontem encontrei com a Tereza Cristina, que me avisou. Preciso ligar hoje pra ela, e marcar de ir na Argentina em tempo recorde, por uns três dias, ou um “ratito” mais…

Ah, na lista dos telefonemas, devo incluir meu filhão, que talvez possa nos encontrar no cineminha amanhã, se estiver de folga do trampo, já que o Pedro, meu sobrinho também jornalista de esportes, estará de plantão, acompanhando as peripécias do campeonato futebolístico e afins.

Nossa, além de tórrido, cada fim de semana deste verão é entupido de coisas a fazer, realizar, comidinhas e bebidinhas gostosas, gargalhadas, e ontem, na costumeira sessão de psicanálise que tenho nas manhãs de sexta, ouvi do terapeuta um compensador elogio, sobre o meu jeito “vibrante” de levar a vida… e pensei comigo, feliz, que para coroar tudo isso tenho a companhia maravilhosa de um amor que habita nas vizinhanças do meu coração e comparece no meu ego a cada bom dia que nos trocamos pela vida.

Afinal, desejar bom dia uns aos outros é espargir energia positiva, e pode-se acrescentar na receita, beijos , abraços, sorrisos, saudades arrefecidas, certezas felizes de que há em todo fim de semana, na verdade, um recomeço de vida, embutido e prestes a romper a casca do ôvo.

Vou lá, o week end tá borbulhando em mim, o que não quer dizer que eu não sinta as dores dos irmãos que no mundo sofrem as injustiças e as intempéries, mas significa que é preciso viver o que a vida nos oferece e entender que tudo é mesmo passageiro como um breve fim de semana. O ideal é valorizar cada instante em que se pode sorrir e abraçar alguém, nas semanas que recomeçam e nas almas que se reencontram.

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro. Edita o Blog da Mulher Necessária, onde o texto saiu originalmente.

jan
23

Postado em 23-01-2010 22:36

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 23-01-2010 22:36


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Para terminar o sábado, uma antiga canção de amor, na Rádio BP, em homenagem a João Ubaldo Ribeiro, o grande J.U, no seu aniversário, hoje!
PARABÉNS J.U. (Gilson Nogueira)

jan
23

Postado em 23-01-2010 22:17

Arquivado em ( Artigos, Ivan) por vitor em 23-01-2010 22:17

DEU NA COLUNA
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Heloisa Helena: guerra em Liliput

Em sua coluna na Tribuna da Bahia o jornalista Ivan de Carvalho completa na edição deste sábado (e domingo) a análise sobre o ruidoso e emblemático debate interno do minúsculo PSOL com vistas à disputa presidencial este ano. “Liliput olhou para o próprio umbigo, encantou-se com ele e ignorou o Universo em derredor. Apostou que o espaço existe só para Liliput”, diz o colunista da TB. A chave para a compreensão desta metáfora política bem brasileira está no texto de Ivan, que Bahia em Pauta reproduz. (VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA


O umbigo de Liliput

Ivan de Carvalho

A maioria do Psol (passa em minha cabeça de véspera de sábado a idéia de duas pessoas, em contraposição à minoria composta por uma pessoa) decidiu que o partido lançará candidatura própria a presidente da República. Dois nomes estão lançados – o do promotor aposentado, pessoa conhecida, respeitada e sem votos, Plínio de Arruda Sampaio; e o do ex-deputado, também sem votos, já que não conseguiu reeleger-se, tendo a cabeça cortada pelo eleitorado, João Batista, de codinome Babá.
Numa animada convenção (é possível fazer uma produtiva festa de decibéis com quatro pessoas, o que já se tem constatado nos mangues quando se colocam quatro caranguejos numa lata) em junho, o país de Liluput, melhor dizendo, o Psol, decidirá entre seus dois aspirantes. Há em Liluput um paradoxo, pois nesse país em miniatura há dois grandes eleitores.
Um deles emergiu há poucos dias e certamente o leitor que haja se dado ao trabalho de passar os olhos em dois artigos anteriores sobre as recentes ocorrências relacionadas a Liliput já está sabendo que esse grande eleitor é o bravo bispo da arquidiocese baiana de Barra, dom Luiz Flávio Cappio, que já tem em sua biografia duas greves de fome contra o projeto (atualmente em execução) de transposição de águas do rio São Francisco. Dizia o ex-governador baiano Octávio Mangabeira: “Pense um absurdo. Na Bahia há precedente”. No caso do apoio do bispo ao pré-candidato do Psol Plínio de Arruda Sampaio, não havia precedente nem na Bahia e não se trata de nenhum absurdo, é claro.
Portanto, vamos ao segundo grande eleitor. Ou melhor, eleitora, porque se trata da ex-senadora, ex-candidata a presidente, vereadora de Maceió e candidata ao Senado Heloísa Helena. Não está claro se ela vai apoiar, para presidente da República, Plínio ou Babá, embora seja óbvio que o Brasil – apesar de toda a jactância e ufanismo de seu atual presidente – está precisando ainda de uma. Sem babá o país tem feito muita besteira ou, pelo menos, muita besteira se tem feito no país – e aqui é coisa séria, o Brasil não é nenhum Liliput. Pelo amor de Deus, não pensem que a babá pode ser Dilma. Ela já é a PAC-WOMAN.
O discurso de Heloísa Helena é um encadeado de slogans e palavras de ordem, mas além de extremamente ética, ela é inteligente. Estava defendendo o apoio de Liliput, vale dizer, do Psol, à candidata a presidente do PV, a senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva. Mas sua tese perdeu, inclusive porque o deputado Fernando Gabeira, do PV, topou ser candidato a governador do Rio de Janeiro e estar no mesmo palanque com o tucano José Serra no segundo turno eleitoral. Não no primeiro, quando, naturalmente, apoiará a candidata do PV, Marina Silva.
Mas aí Liliput olhou para o próprio umbigo, encantou-se com ele e ignorou o Universo em derredor. Apostou que o espaço existe só para Liliput.
Mas sem drama. Houve tempo em que parte da humanidade e supostos “cientistas” pensavam que a Terra era o centro do Universo

jan
23

Postado em 23-01-2010 20:30

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 23-01-2010 20:30

Para Caetano excesso de…

…Beyoncé em rádios baianas é irritante

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Por essa a cantora baiana Ivete Sangalo, que vai abrir os shows da amiga norte-americana Beyoncê na turnê pelo País, que inclui Salvador, não esperava.

Na terceira noite do Festival de Verão, superevento musical que antecipa o carnaval de Salvador, o cantor e compositor Caetano Veloso foi o dono da madrugad, desta sexta-feira (22). E o santamarense não deixou barato, principalmente no discurso polêmicos e carregado de críticas disparado em muitas direções, depois de sua apresentação no palco do “festival da mistura”, como anunciam seus organizadores.

Começou com a surpreendente declaração de amor do artista pelo grupo de pagode baiano Psirico, sucesso de massa até o ano passado, mas que começa a ser descartado na programação das emissoras de rádio. Embalado, o autor de “Alegria, Alegria” disparou críticas ao avesso que se observa agora nas radios locais: a excessiva programação de músicas da cantora pop norte-americana Beyoncé, a ponto de tornar-se alguma coisa de insuportável.

O site Mídia News destaca que Caetano Veloso fez a declaração após seu show reclamando que passa o verão na Bahia, de dezembro a fevereiro, e que não suporta mais ouvir a cantora norte-americana nas rádios da Bahia. “Gostava das rádios daqui porque conseguia ouvir o bom pagode baiano, mas agora só dá ela. Eu gosto da música ‘Single ladies (Put a ring on it)’, mas já deu o que tinha de dar.”

A cantora norte-americana vai se apresentar no Rio de Janeiro e também se apresenta em Florianópolis (dia 4 de fevereiro, no Parque Planeta), em São Paulo (dia 6, no Estádio do Morumbi) e em Salvador (dia 10, no Parque de Exposições de Salvador). A cantora baiana Ivete Sangalo fará as apresentações de abertura em SP e em Salvador, lembra Midia Newa.

jan
23

Postado em 23-01-2010 13:57

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 23-01-2010 13:57

Jean Simmons: parte uma diva britânica

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O cinema mundial perde mais uma de suas grandes divas. A atriz britânica Jean Simmons, nomeada para o Oscar por duas vezes, morreu com quase 81 anos, vítima de um câncer pulmonar. A informação é do jornal norte-americano Los Angeles Times.

Jean Simmons que representou ao lado de Laurence Olivier no clássico “Hamlet” foi eleita, em 1950, a «mais popular estrela do cinema britânico». Nascida em Londres, a 31 de Janeiro de 1929, Jean Simmons começou a carreira no “grande cinema” aos 15 anos, no filme «Give Us The Moon».

Depois de lhe ter sido atribuído um prémio de interpretação, em 1948, pelo desempenho de Ofélia em «Hamlet», Jean Simmons  manteve-se no estrelato nas décadas de 1950 e 1960. Primeiro em «César e Cleópatra», depois em «Grandes Esperanças», «A Lagoa Azul» ou «Spartacus».

Entre Londres e os Estados Unidos da América, a atriz que completaria 81 anos na próxima semana, atuou em cerca de 75 filmes.

Saudades da grande estrela, que permanece em suas interpretações!

(Postado por Vitor Hugo Soares, com informações do L.A. Times e do portal TSF (Portugal)

jan
23

Postado em 23-01-2010 13:04

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 23-01-2010 13:04

PARABÉNS, MESTRE JOÃO UBALDO!!! PENA DE GIGANTE! (VHS)

jan
23

Postado em 23-01-2010 11:56

Arquivado em ( Artigos, Rosane) por vitor em 23-01-2010 11:56

UBALDO:VIGOROSO ANIVERSARIANTE

ROSANE SANTANA

BOSTON (EUA) – O escritor João Ubaldo Ribeiro está de volta a Bahia, ou melhor, a Itaparica, onde comemora hoje 69 anos, na casa que foi de seu avô Ubaldo Osório, onde nasceu, repetindo um ritual de anos. O intelectual celebrizado no Brasil e no exterior, através de romances como “Viva o Povo Brasileiro” e “Sargento Getúlio”, desferiu ontem, com a verve de sempre, contudentes críticas ao projeto de construção da ponte entre Salvador e Itaparica.

Em texto de extraordinário vigor, João Ubaldo volta a atacar a proposta do governo baiano, contra a qual se posicionou desde o ano passado, por considerá-la dispendiosa e economicamente inviável, além de uma ameaça a cultura local e ao meio ambiente. Ele acusa os idealizadores de “ávidos sacerdotes de mamon”, “filibusteiros do progresso que em nosso meio abundam, entre concorrências públicas fajutas, superfaturamentos, jogadas imobiliárias e desvios de verbas”.

Em homenagem ao aniversário daquele que é considerado um dos maiores escritores da língua portuguesa, Prêmio Camões 2008, Bahia em Pauta reproduz o artigo “Adeus Itaparica”, publicado originalmente em A TARDE.

( Rosane Santana, jornalista, mestre em História pela UFBA, mora em Boston há trêa anos, estuda em Harvard e arruma as malas para retornar à terrinha em fevereiro)
 

 

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João Ubaldo Ribeiro…

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…”Adeus, Itaparica do meu coração”

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O ARTIGO DE JOÃO UBALDO

Como todos os anos, vim a Itaparica, para passar meu aniversário em minha terrA, na casa onde nasci. Casa de meu avô, coronel Ubaldo Osório, que fez pouco mais na vida que amar e defender a ilha e seu povo.

De lá para cá, muito se tem perpetrado para destruí-los física ou culturalmente e há nova tentativa em curso. Trata-se da anunciada construção de uma ponte de Salvador para cá. Isso é qualificado, por seus idealizadores, de progresso.

Conheço esse progresso. É o progresso que acabou com o comércio local; que extinguiu os saveiros que faziam cabotagem no Recôncavo; que ao fim dos saveiros juntou o desaparecimento dos marinheiros, dos carpinas, dos fabricantes de velas e toda a economia em torno deles; que vem transformando as cidades brasileiras, inclusive e marcadamente Salvador, em agregados modernosos de condomínios e shoppings acuados pela violência criminosa que se alastra por onde quer que estejamos enfurnados, ilhas das quais só se sai de automóvel, entre avenidas áridas e desertas de gente.

Também conheço os argumentos farisaicos dos proponentes da ponte, ávidos sacerdotes de Mamon, autoungidos como empresários socialmente responsáveis. Na verdade, sabem os menos ingênuos, eles se baseiam em premissas inaceitáveis, tais como uma visão imediatista, materialista e comprometida irrestritamente não só com o capital especulativo, que já está pondo as mangas de fora no Recôncavo, como aquele que investe aqui usando os mesmos padrões aplicados em PagoPago ou na Jamaica. A cultura e a especificidade locais são violentadas e prostituídas e o progresso chega através do abastardamento de toda a verdadeira riqueza das populações assim atingidas.

As estatísticas são outro instrumento desses filibusteiros do progresso que em nosso meio abundam, entre concorrências públicas fajutas, superfaturamentos, jogadas imobiliárias e desvios de verbas. Mas essas estatísticas, mesmo quando fiéis aos dados coligidos, também padecem de pressupostos questionáveis. Trazem à mente o que alguém já disse sobre a estatística, definindo-a como a arte de torturar números até que eles confessem qualquer coisa. E confessarão, é claro, pois Mamon é forte e sempre esteve na crista da onda.

Mas não mostrarão que esse progresso é na verdade uma face de nosso atraso. Atraso que transmutará Itaparica num ponto de autopista, entre resorts, campos de golfe e condomínios de veranistas, uma patética Miami de pobre. E que, em lugar de valorizar o nosso turismo, padroniza-o e esteriliza-o, matando ao mesmo tempo, por economicamente inviável, toda a riqueza de nossa cultura e nossa História. Quem não é atrasado sabe disso.

Para não cometer esse tipo de atentado é que, em Paris, por exemplo, não se permite a abertura de shoppings onde isso possa ferir o comércio de rua tradicional. Tampouco, em Veneza, as gôndolas foram substituídas por modernas lanchas. Num país não submetido a esse estupro socioeconômico e cultural, os saveiros seriam subsidiados, as antigas profissões, o artesanato e o pequeno comércio também. Exercendo a vocação turística de toda a região, teríamos razão em nos mostrar com tanto orgulho quanto um europeu se mostra a nós. Mas nosso destino parece ser acentuar infinitamente a visão que enxerga em nós um país de drinques imitando jardins, danças primitivas, pouca roupa e nativas fáceis.

Adeus, Itaparica do meu coração, adeus, raízes que restarão somente num muro despencado ou outro, no gorgeio aflito de um sabiá sobrevivente, no adro de alguma igrejinha venerável por milagre preservada, na fala, daqui a pouco perdida, de meus conterrâneos da contracosta. Sei em que conta me terão os que querem a ponte e não têm como dizer que só estão mesmo é a fim de grana, venha ela de onde vier e como vier. Conheço os polissílabos altissonantes que empregam, sei da sintaxe americanalhada em que suas exposições são redigidas e provavelmente pensadas, como convém a bons colonizados, já ouvi todos os verbos terminados em “izar” com que julgam dar autoridade a seu discurso.

É bem possível que a ponte seja mesmo construída, mas, pelo menos, não traio meu velho avô.

JOÃO UBALDO RIBEIRO

jan
23

Postado em 23-01-2010 00:00

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 23-01-2010 00:00


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MÚSICA GARIMPADA E INDICADA POR GILSON NOGUEIRA PARA A RÁDIO BP.

BOA NOITE!

jan
22

Postado em 22-01-2010 23:47

Arquivado em ( Artigos, Vitor) por vitor em 22-01-2010 23:47

Orlando Silva: o cantor das multidões…

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…E Sergio Guerra: político de má pontaria

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ARTIGO DA SEMANA

JORNAL DE ONTEM

Vitor Hugo Soares

Sempre impliquei com o início da letra do samba canção “Jornal de Ontem”, clássico da música romântica composto por Romeu Gentil e Elisário Teixeira, consagrado na voz do cantor das multidões, Orlando Silva, com regravação mais moderna da baiana Gal Costa. A birra vem do tempo de estudante de jornalismo na UFBA, nas aulas de interpretação de textos.

Posto em meditação por dois assuntos destacados e barulhentos nas edições dos diários e revistas – o programa de direitos humanos do governo federal e o feroz conflito PSDB x PT, decorrente da entrevista do presidente nacional dos tucanos, senador Sergio Guerra, na revista Veja – flagrei-me outra vez às voltas com os versos do começo da canção imortal: “Para mim, você é jornal de ontem/ Já li, já reli, não serve mais”

Nestes dias bélicos da política nacional recorri algumas vezes aos serviços do You Tube. Reli com mais atenção – e isenção – a letra completa, saboreando o prazer sempre renovado de escutar a melodia na voz incomparável de Orlando. Percebi, finalmente, a justeza de sentido dos versos dos autores em seu conjunto, e a cegueira que desprezava o todo de uma das mais completas e tocantes composições já escritas e cantadas.

Neste caso, o único conforto foi verificar que aparentemente não estou só quanto ao gosto pela leitura e a valorização do dito e escrito em folhas lidas e relidas. Afinal, é isso que forma a memória, “sem a qual o homem não é nada”, como afirma Buñuel no livro de recordações “Meu último suspiro”.

Na edição de domingo (17), o Ombudsman da Folha de S. Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, por exemplo, vai direto ao ponto, sem os rodopios deste articulista. Lembra que em 21 de dezembro do ano passado, em Brasília, foi lançado em cerimônia pública o programa de direitos humanos do governo federal, o terceiro da história e o primeiro da administração de Lula.

Sempre atento, o jornalista revela: no dia seguinte, o evento mereceu na Folha um registro de irrisório desprezo: um texto-legenda na capa e duas colunas de alto a baixo em página par (menos valiosa de acordo com os signos jornalísticos ensinados nas aulas de comunicação impressa). “O programa só foi citado para explicar por que a reunião havia ocorrido”, assinala.

O restante do espaço foi utilizado para tratar do novo corte de cabelo da ministra Dilma Rousseff. “Só na sexta-feira, dia 8, e especialmente no fim de semana, quando foi manchete de primeira página três dias, o programa apareceu como assunto mais importante do país, só desbancado pelo terremoto do Haiti”, recorda o jornalista na análise crítica publicada na Folha com título emblemático: “18 dias para achar a importância”.

E a pergunta que não quer calar é feita pelo Ombusdman: “Se o programa de direitos humanos é tão relevante, por que a Folha não acompanhou o processo de sua elaboração?”. E faz uma constatação incômoda: o jornal também demorou a mostrar ao seu público que as duas versões anteriores desse programa “eram muito parecidas com esta, consequência quase natural daquelas”. “Foi só na coluna Brasília na segunda-feira e numa ampla reportagem com boa arte na terça, que isso ficou claro”, aponta.

Foi mais ou menos a mesma toada na grande imprensa brasileira – sabem de sobra os leitores de jornal de ontem. A diferença, praticamente, está na audácia corajosa da Folha de S. Paulo, ao abrir espaço amplo – mesmo que em página par (8) -, além do acolhimento democrático e respeito às palavras do crítico interno do diário. E isso faz muita diferença. Para melhor.

Agora um pulo rápido para as Páginas Amarelas da Veja, com a entrevista a sangue quente e pavio curto e incendiário do senador pernambucano Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB. Dessas cujos efeitos em geral são mais desastrosos para quem faz os disparos do que para aqueles a quem as balas são dirigidas. “Tiros no pé”, diz-se atualmente.

Na revista de ontem, Guerra, fiel ao sobrenome, procura encrenca e diz com todas as palavras não apenas acreditar que “Lula foi o último presidente a fazer política com as mãos sujas”. Acrescenta que “não há mais espaço para esse tipo de mentalidade que redundou no mensalão, na compra espúria do Parlamento”. E por aí vai.

Ah, e tem ainda o trecho em que o presidente dos tucanos anuncia que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma das meninas dos olhos do governo Lula, será riscado do mapa no caso de vitória do governador de São Paulo, José Serra, para presidente da República…. “Apenas os projetos eleitoreiros, os que têm padrinhos políticos, estão andando… Isso é o PAC, – e nós vamos acabar com ele”, promete o presidente do PSDB.

Nos jornais dos dias seguintes, “de volta para a vida real”, como dizem os soteropolitanos, Guerra engata marcha ré. Tenta retocar o que afirmou, mas o estrago da revista de ontem está feito. E o conflito está nos palanques e nas ruas, bem antes do tempo aparentemente desejado pelo governador Serra, o provável candidato tucano à sucessão de Lula já com problemas de sobra, embora o presidente do PT, Ricardo Berzoini, jure que as palavras do pernambucano Guerra foram ditadas de São Paulo.

Na estrofe final de “Jornal de Ontem”, o cantor das multidões entoa: “Para mim você é jornal de ontem./ Já li, já reli, não serve mais/ Agora quero outro jornal assim/ Que tenha fatos sinceros/ E sublimes, emocionais”.

Bravos Romeu Gentil e Belisário Teixeira. Bravo cantor das multidões, Orlando Silva!

Vitor Hugo Soares é jornalista – E-mail: vitor_terra1@terra.com.br

jan
22

Postado em 22-01-2010 23:24

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 22-01-2010 23:24

Eduardo Santos:poder monárquico em Angola

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DEU NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (PORTUGAL )

A Assembleia Nacional de Angola, na África, aprovou ontem a nova Constituição do país, que proíbe a pena de morte e acaba com a eleição direta do Presidente da República. Na prática foi reforçado o poder do atual Chefe do Estado, José Eduardo dos Santos, que lidera o país há 30 anos. As eleições presidenciais não se realizam e o presidente angolano será o primeiro nome da lista partidária das legislativas, acumulando com a chefia do Governo.

A Constituição foi aprovada por 186 votos a favor e duas abstenções, com boicote do maior partido da oposição, a UNITA, cujos 14 deputados presentes (a formação tem 16) saíram da sala, em protesto. Em declarações ao DN (por telefone, a partir do Cunene), o porta-voz da UNITA, Alcides Alfredo Sakala, disse que a nova Constituição representa “a morte da nossa democracia”. Para o responsável pelas relações internacionais do movimento, a proposta equivale à “monarquização do sistema político angolano”.

“O processo significa que a democracia em Angola está em perigo”, explicou Sakala, ao criticar a oportunidade da votação, sobretudo a coincidência com a Taça das Nações Africanas (CAN 2010), que neste momento atrai toda a atenção da opinião pública. A oposição também contesta “a confusão” entre símbolos nacionais e partidários do novo texto.

As mais recentes eleições legislativas realizaram-se em 2008, com vitória esmagadora do MPLA, que obteve mais de 80% dos votos, ou seja, maioria constitucional. A UNITA teve apenas 10% e a terceira formação, o Partido da Renovação Social (PRS), conseguiu pouco mais de 3% dos votos. As presidenciais foram prometidas para 2009, mas não chegaram a realizar-se. As próximas legislativas serão em 2012. José Eduardo dos Santos está no poder desde 1979.

A questão constitucional surgiu ao mesmo tempo em que as autoridades angolanas prenderam quatro ativistas dos direitos humanos em Cabinda, incluindo o padre Raul Tati, detido no sábado. Os quatro são acusados de crimes contra a segurança do Estado cuja natureza não foi ainda revelada. Há relatos não confirmados de outras prisões.

A repressão surgiu dias depois de uma emboscada da guerrilha de Cabinda contra a escolta que acompanhava a selecção de futebol do Togo. No incidente morreram três pessoas. A Constituição angolana não prevê qualquer tipo de autonomia para o enclave.

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