out
04

Postado em 04-10-2009 11:42

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 04-10-2009 11:42


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Zamba Para No Morir
Mercedes Sosa

Romperá la tarde mi voz
Hasta el eco de ayer.
Voy quedándome solo al final,
Muerto de sed, harto de andar.
Pero sigo creciendo en el sol,
Vivo.

Era el tiempo viejo la flor,
La madera frutal.
Luego el hacha se puso a golpear,
Verse caer, sólo rodar.
Pero el árbol reverdecerá
Nuevo.

Al quemarse en el cielo la luz del día
Me voy.
Con el cuero asombrado me iré,
Ronco al gritar que volveré
Repartido en el aire a cantar,
Siempre.

Mi razón no pide piedad,
Se dispone a partir.
No me asusta la muerte ritual,
Sólo dormir, verme borrar.
Una historia me recordará
Siempre.

Veo el campo, el fruto, la miel
Y estas ganas de amar.
No me puede el olvido vencer,
Hoy como ayer, siempre llegar.
En el hijo se puede volver
Nuevo.

out
04

Postado em 04-10-2009 10:13

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 04-10-2009 10:13

Mercedes: “Bem mais que uma cantora extraordinária” /Clarim
Msosa
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Depois de permanecer internada durante 11 dias em um hospital do bairro de palermo, em Buenos Aires, morreu nas primeiras horas da madrugada deste domingo, 4 a cantora argentina Mercedes Sosa , aos 74 anos. A confirmação por familiares da morte de La Negra (como os argentinos sempre a chamaram com admiração e respeito) causou um clima de consternação não apenas na capital argentina e em Tucuman, provincia natal da artista, mas em toda a Américas Latinas, incluindo o Brasil, a cuja música Mercedes Sosa sempre esteve ligada e onde sempre gozou de muito prestígio desde os anos 60.

Segundo o site oficial da artista, Mercedes sofria de uma doença hepática, que foi complicada por problemas respiratórios. Ela entrou em coma e passou a respirar com ajuda de aparelhos desde a quinta-feira passada. Na sexta recebeu extrema-unção, mas combatente como sempre, resistiu até a madrugada de hoje, quando se confirmou o seu falecimento.O corpo da artista será velado no Salão dos Passos Perdidos, no Congresso Nacional Argentino.

Sem perder jamais a telúrica ligação com o canto de seu país, Mercedes foi uma artista internacional na melhor acepção.Haydé Mercedes Sosa nasceu no dia 9 de julho de 1935, na cidade de San Miguel de Tucumán. Com uma carreira de 60 anos, correu o mundo, dividiu o palco com inúmeros e prestigiosos artistas, entre eles os brasileiros Milton Nascimento, Chico Buarque de Holanda,Caetano Veloso, Fagner e Beth Carvalho. Deixa magnifica e inesgotável discografia.

“Sua voz levava mensagens de compromisso social através da música da raiz folclórica, sem prejuízos de somar outras vertentes e expressões de qualidade musical. Seu talento indiscutível, sua honestidade e suas profundas convicções deixam uma enorme herança para as gerações futuras”, diz a sua família no comunicado publicado no site oficial da cantora.

Natural da provícia de Tucamán, foi desde o começo da carreira uma cantora de grande apelo popular na América Latina e conhecida como La Negra pela cor das longas e lisas madeixas. Ganhou destaque muito nova, com quinze anos de idade, após se apresentar em uma competição de uma rádio da sua cidade natal e conseguiu um contrato de dois meses. O timbre marcante levou Mercedes a gravar o primeiro disco Canciones con Fundamento, em 1965, com um perfil de folk argentino.

Em 1967 veio a definitiva consagração internacional após gravar o sucesso Cantata Sudamericana e Mujeres Argentinas, com Ariel Ramirez e Feliz Luna. A música foi em homenagem à chilena Violeta Parra.

O portal Terra destaca ao noticiar sua morte:”De personalidade marcante, Sosa é conhecida também como uma ativista política de esquerda, sendo peronista na juventude. Se posicionou contra à figura de carlos Menem e apoioi a eleição do ex-prediente Néstor Kirchner”. Toda essa procupação inclusive – assinala o portal – fica evidente em seu repertório, tornando-se uma das grandes expoentes da Nueva Canción, movimento musical nos anos 60, com raízes africanas, cubanas, andinas e espanholas. Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque são representantes.

Uma perda imensa, portanto, também para o Brasil.

(Vitor Hugo Soares, com informações do site oficial de Mercedes Sosa, porta Terra na web e diários argentinos)

out
04

Postado em 04-10-2009 00:07

Arquivado em ( Artigos, Janio, Municípios) por vitor em 04-10-2009 00:07

Paulo Afonso: “mil vivas aos Franciscos”
cachoeira
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CRÔNICA / FRANCISCOS

Flores para o rio que clareia a noite

Janio Ferreira Soares

Neste Domingo, 04 de outubro, comemora-se o dia de São Francisco, padroeiro de Paulo Afonso (BA) e rio do mesmo nome que, sabe-se lá como e quando, partiu das Gerais se arrastando feito cobra pelo chão até chegar aqui e se jogar por entre pedras, mandacarus e portais, isso bem antes de suas águas serem desviadas pra dentro de ferozes turbinas, que girando pás e eixos finalmente ampliaram a profecia do faça-se a luz – só que, dessa vez, em vez do Sol, iluminaram-se as noites nordestinas.

Os poucos que me lêem devem saber que eu o conheci ainda menino na velha cidade de Glória (BA), levado que fui por mãos fortes e carinhosas para molhar meus pés nas suas correntezas, numa espécie de apresentação a que muitas crianças ribeirinhas são submetidas quando se dão por gente. “Janio, São Francisco; São Francisco, Janio.” Começava ali a nossa história, apesar de só o descobrir de verdade mais adiante, quando subi numa goiabeira no quintal da casa de minha avó e o vi por inteiro passando em direção a Paulo Afonso, levando consigo toda a imponência e quietude daqueles que sabem a força que tem.

Esse é o São Francisco, rio com nome de santo (ou vice-versa), que os forasteiros adoram chamar de Velho Chico, enquanto nós, catingueiros de guerra e dependentes de suas águas, simplesmente o olhamos e o louvamos, assim como se olha e se louva um fim de tarde no sertão.

E para homenageá-los (o rio e o santo), vamos realizar uma procissão fluvial que passará por baixo da ponte que dá acesso a Paulo Afonso e que depois seguirá em carreata até a igreja de São Francisco, uma belíssima construção da arquitetura gótica datada de 1950, localizada no ponto mais alto da cidade. Inclusive, quando a procissão estiver passando, algumas pessoas planejam jogar pétalas de flores para amenizar um pouco as toneladas de lixo que diariamente são derramadas nas suas águas.

Justa e merecida homenagem, principalmente vinda de humanos. É que a velha e sábia natureza de há muito já faz a sua, matizando com suas cores a sua longa Via Crucis, que, apesar de todas as agressões, continua tendo forças para iluminar nossas vidas e, de quebra, ainda consegue adoçar um pedaço do mar das alagoas. Mil vivas aos Franciscos.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso (BA)

out
03

Postado em 03-10-2009 19:27

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 03-10-2009 19:27

Gloria Maria: “Ivete está ótima”
gloria
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Segue a procissão de visitas, no Hospital Português, em Salvador, a Ivete Sangalo, depois do parto. Na tarde deste sábado, 3, quem esteve com a cantora baiana que, na noite de ontem,  “ganhou neném” , como dizem os soteropolitanos, foi a jornalista Glória Maria, ex-âncora do Fantástico da TV Globo. A informação é do R7, novo portal na web da Rede Record.

O R7 assinala que Glória contou a site como foi a visita, que durou cerca de uma hora e meia.

– O neném da Ivete é a coisa mais linda do mundo. Ele se parece muito com ela. Mama pra caramba! O Marcelo não para de mamar. Ela me contou que ele passou a noite toda mamando. Ele é comilão. É uma gracinha. Todo delicadinho. E Ivete está ótima e muito feliz.

O filho de Ivete, Marcelo, nasceu na noite de sexta (2), de parto cesárea. O bebê tem três quilos. O pai da criança, o estudante soteropolitano Daniel Cady, acompanhou Ivete Sangalo o tempo todo.

A ex-âncora do Fantástico, segundo R7, chegou no hospital acompanhada do padrinho do bebê e assessor pessoal de Ivete, Raimundo Espinheiras, conhecido como Dito.  A jornalista  Gloria Maria,  que adotou duas meninas em Salvador, em julho deste ano, disse que já combinou de sair junto com Ivete e as três crianças.

– A gente já combinou que, assim que estiver tudo em ordem, a gente vai sair muito juntas, as duas mamães. Vamos curtir juntas nossa maternidade.

O portal da Record revela ainda que na saída do hospital, Glória recebeu a lembrancinha dada a quem visita o bebê: um ursinho de pelúcia sentado em uma cadeira de praia

out
03

Postado em 03-10-2009 10:52

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 03-10-2009 10:52


O Rio de Janeiro, como a Mangueira, é tão grande, que não cabe explicação. Ou cabe?. Confira na música interpretada por Barry, para começar o sábado no Bahia em Pauta com a alegria que ainda permanece em todos os corações.
(Vitotr Hugo Soares)

out
03

Postado em 03-10-2009 09:53

Arquivado em ( Aparecida, Artigos) por vitor em 03-10-2009 09:53

riodej

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Cida Torneros

Do senso de humor carioca, ninguém duvida, e logo que foi anunciada a vitória do Rio de Janeiro na disputa para sediar as Olimpíadas de 2016, começou a circular na internet, com notoriedade nas bandas dos usuários do twitter, uma frase brincalhona, parodiando o mote da campanha do presidente americano Obama.
– Yes, we “créu”!
Divulgada junto de uma imagem caricaturada que lembra o homem mais poderoso do mundo, mas com as feições modificadas para o saudoso Mussum, humorista carioca que fez parte da turma dos trapalhões.
A frase, galhofeira e oportuna, pelo teor de alegria que invade o povo brasileiro pela vitória em Copenhagem, é reflexo também da utilização pelo próprio presidente Lula, que se referiu ao fato de que agora nós podemos sim realizar a sonhada competição, pela primeira vez na América do Sul, no Brasil e no Rio de Janeiro, ao defender a candidatura emocionada da capital conhecida internacionalmente por suas belezas naturais.

humor

Mas o espirito brincalhão do carioca prevaleceu, e a imagem disseminada no mundo cibernético, lembra também o nosso Pelé, tem um pouco de cada mestiço brasileiro, traz um sorriso feliz e um certo ar de quem teve malandragem suficiente para esperar a sua hora… Afinal, o Brasil ganha o status de país capaz de capitanear um sonho de atletas, empresários, torcedores, governantes, jovens, crianças e idosos que gritam pelas ruas : Sim , nós podemos!

(Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro e edita o Blog da Mulher Necessária, onde o texto foi publicado originalmente: (www.blogdamulhermecessaria.blogspot.com)

out
03

Postado em 03-10-2009 09:11

Arquivado em ( Artigos, Vitor) por vitor em 03-10-2009 09:11

Lula e Pelé: emoção à flor da pele…
pelula
…que invadiu o Rio
BRAZIL-OLY2016-RIO DE JANEIRO
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ARTIGO DA SEMANA

AS FACES DA VITÓRIA DO RIO

Vitor Hugo Soares

Semana passada, no plenário da ONU, o presidente Lula reeditou o antigo “sapo barbudo” das lutas sindicais e políticas na região do ABC paulista nos anos 70. De cara amarrada e palavras duras, ele atacou os golpistas de Honduras, garantiu abrigo a Manuel Zelaya na embaixada brasileira em Tegucigalpa, defendeu o direito de retomada do posto de governo pelo presidente eleito, usurpado pelas armas. Em seguida, retomou as vestimentas franciscanas, que lhe têm caído como luva nesta década, para ajudar a produzir , ontem, uma vitória histórica para a América do Sul.

Em Copenhague ele jogou mais um papel tão crucial quanto arriscado. Desta vez, porém, optou estrategicamente pela face do “Lulinha paz e amor”. Assim o presidente do Brasil desfilou esta semana sob o céu da Dinamarca. Cenário sheakespeariano cheio de paixões trágicas e desencontradas; manobras muitas vezes desleais e mal-encobertas; conspirações e traições sem fim de todo lado. Neste cenário Lula entrou de corpo, alma e convicção, mas vestido de modéstia , na defesa vitoriosa do Rio de Janeiro para sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

Nesta refrega internacional entre Rio, Madri, Chicago e Tókyo, dá gosto e comove ver a imagem de Luiz Inácio Lula da Silva que a televisão transmite de Copenhague para o Brasil e para o planeta inteiro interessado no desfecho da disputa encarniçada. Com o auditório repleto de celebridades mundiais de todos os esportes, das artes, dos negócios e da política, é praticamente impossível – a não ser por cegueira ideológica ou preconceitos inqualificáveis -, não ser contagiado pela emoção do ex-operário metalúrgico no seu terno azul e elegante gravata nas cores da bandeira nacional, que está na tribuna.

“Essa candidatura não é só nossa, é também da América do Sul, um continente com quase 450 milhões de homens, mulheres e cerca de 180 milhões de jovens, um continente que nunca realizou os Jogos Olímpicos. Está na hora de corrigir esse desequilíbrio. É hora de acender a pira olímpica em um país tropical, na mais linda e maravilhosa cidade: o Rio de Janeiro”, dispara Lula, com pontaria política e diplomática de um campeão olímpico de tiro.

Apesar dos argumentos convincentes e irrespondíveis, esta não foi uma missão fácil. O presidente, Pelé, o governador, o prefeito do Rio, o cineasta Fernando Meirelles com seu filme de beleza e apelo irrecusáveis, além de todos os mais diretamente envolvidos nesta batalha da Dinamarca – e não são poucos – seguramente sabiam disso. E se não sabiam, basta ver a reportagem que o jornal espanhol El Mundo publicou ontem, assinada pelo repórter Fernando Mas.

O texto mostra primorosamente como o Hotel Marriot, nas margens de um dos principais canais de Copenhague, se transformou nesses últimos quatro dias, no centro das conspirações olímpicas. A caça e conquista do voto definitivo era a missão de todas as delegações que buscavam até a tarde de ontem, converter-se na sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Assinala o jornal de Madri:

“O rei Juan Carlos de Espanha em uma suíte. A rainha Sofia em outra. Zapatero em uma terceira. Todos no sétimo andar do Marriot. O sexto andar está reservado para os negociadores brasileiros, com Lula da Silva à frente. Os delegados que visitavam as suítes do sétimo andar eram reclamados em seguida num piso mais abaixo. O terceiro, onde atuava Michelle Obama, a desenvolta primeira-dama dos Estados Unidos”, conta o texto de El Mundo.

Michelle comandou as negociações em favor de sua cidade, até o presidente Obama desembarcar na Dinamarca, na undécima hora, para as manobras do inútil esforço final em favor de Chicago, cuja população parece não chorar muito a derrota, assim como os habitantes de Tókyo, cidade do oriente que já abrigou uma Olimpíada.

O Rio venceu! Viva o Rio! Nenhum lugar de mundo merecia mais este triunfo magnífico. A vitória não será em vão, mas cobra, a partir de agora, o cumprimento das emocionadas e, seguramente, decisivas palavras do presidente brasileiro em Copenhague: “Os que nos derem essa chance não se arrependerão. Os jogos no Rio serão inesquecíveis (…). Para o movimento olímpico será a chance de sentir o nosso sol. Será a chance de falar para o mundo que a Olimpíada é de todos”.

Bravo! “Viva a sua paixão”, como recomenda o maravilhoso e também decisivo filme de Fernando Meireles mostrado ontem em Copenhague para o mundo. Viva o Rio, com sua gente tão maravilhosa quanto a cidade.

E viva a América do Sul, outra grande vitoriosa de ontem na Dinamarca.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

out
02

Postado em 02-10-2009 23:53

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 02-10-2009 23:53

Ivete: é menino!
ivete

Deu no Glamurama (Coluna de Joyce Pascovitch na UOL)

Nasceu!

Glamurama acaba de confirmar a notícia com a assessoria de imprensa do Hospital Português de Salvador: Ivete Sangalo deu à luz a um menino. O bebê recebeu o nome de Marcelo, e nasceu grande e super saudável. A família está em festa.

* “Sou o tio mais feliz do mundo”, disse Jesus Sangalo, irmão de Ivete.

out
02

Postado em 02-10-2009 23:17

Arquivado em ( Artigos, Claudio) por vitor em 02-10-2009 23:17

joca
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João Carlos Teixeira Gomes, jornalista e escritor, filho do primeiro goleiro do Bahia, solta chispas e verbos contra os cartolas do clube baiano, numa entrevista carregada de atávica paixão tricolor, publicada pela revista digital, Terra Magazine, com assinatura do repórter baiano Claudio Leal (rubronegro dos bons). O tricolor de aço está ameaçado de voltar à Série C e vive colapso administrativo. Isso, para Joca, é um fenômeno social que requer reação cívica dos baianos como no 2 de Julho. Bahia em Pauta reproduz a entrevista, na íntegra, para seus leitores. Confira. (VHS)

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Claudio Leal
De Salvador (BA)

Alcançava todas as bolas. No jargão futebolístico dos anos 30, o primeiro goleiro do Esporte Clube Bahia, Teixeira Gomes, era “uma antena”. Pegava tudo. Naquela tarde do Campo da Graça, mítico e extinto gramado de Salvador, a antena tricolor contrariou o epíteto e sofreu um frango. Ora vá, torcida. O corpulento goleiro passou a reagir às vaias com bananas e ofensas. No campo em que, anos mais tarde, o cronista Antonio Maria irradiaria outras pelotas, ele seria capaz de irromper uma batalha para honrar sua fama de arqueiro. Revoltados, os torcedores avançaram contra Teixeira Gomes e suas bananas.

Hora do folhetim: à beira do gramado, num carro, o dono do cinema Jandaia, João Oliveira, acompanhava o jogo com suas filhas, como num corso carnavalesco. Em solidariedade, ofereceu abrigo ao fugitivo no automóvel, ao lado de suas pequenas. Desse frango nasceria um casamento: entre respirações sobressaltadas, Teixeira Gomes se enamorou por Célia, uma das filhas de Oliveira.

O escritor e jornalista João Carlos Teixeira Gomes nasceu dessa fuga e desse encontro improvisado. Nascido em 1936, filho de um dos primeiros ídolos do Bahia, Joca, como é conhecido desde os tempos da Geração Mapa – protagonizada pelo cineasta Glauber Rocha -, deve ao tricolor baiano o primeiro respiro de vida. Agora que o clube esboça um retorno à Série C, depois de perder em casa para o Duque de Caxias (2×1), e vive uma decadência sem precedentes, Joca se integra atemporalmente ao Batalhão dos Periquitos, grupo de baianos que atuou no expurgo das tropas portuguesas em 1823, para conclamar:

– Que a torcida do Bahia incorpore o espírito revolucionário dos baianos do 2 de Julho e se una nas ruas, nas praças, pressionando nas rádios, na internet e nos jornais, os incompetentes que afundam um clube glorioso, para estabelecer a grande e definitiva reação, pois o Bahia hoje depende, exclusivamente, do amor e do poder da sua torcida.

Autor da melhor biografia de Glauber e de competente ensaio sobre a obra de João Ubaldo Ribeiro, Teixeira Gomes promove disparos telefônicos aos amigos a cada derrota humilhante. Fundado em 1931, o Esporte Clube Bahia caiu para a Terceira Divisão em 2005 e neste outubro beira outra vez o rebaixamento para o quinto círculo do inferno. O escritor ressalta: a crise do tricolor é um “fenômeno social”.

– O Bahia não é apenas um clube esportivo, mas uma força social no Estado da Bahia.

Presidido pelo deputado federal Marcelo Guimarães Filho (PMDB) – primogênito do empresário e ex-deputado preso pela Polícia Federal em 2007, Marcelo “pai” -, o clube é dominado há décadas pelo mesmo grupo, que não esboça afastamento e até absorve os opositores. Patrimônio alienado, trocas frenéticas de técnicos, atrasos no pagamento dos jogadores, humilhações sucessivas, constelação medíocre e continuísmo de cartolas. Teixeira Gomes diagnostica:

– São notoriamente pessoas absolutamente incompetentes para soerguer um clube que vem sofrendo uma desmoralização continuada e intolerável para sua imensa torcida. Basta vermos que as sucessivas diretorias incompetentes, dentro dessa linha de continuísmo, não foram sequer capazes de fazer do Bahia uma equipe de competência média para disputar os torneios locais e nacionais.

Leia a íntegra da entrevista com o tricolor João Carlos Teixeira Gomes, ex-editor-chefe do Jornal da Bahia e autor, entre outros livros, de “Tempestade Engarrafada”, de “Glauber Rocha, esse vulcão”, do best-seller “Memórias das Trevas” e do romance recém-lançado “Assassinos da Liberdade”.

Terra Magazine Em colapso administrativo, o Esporte Clube Bahia perdeu em casa para o Duque de Caxias e agora corre o risco de voltar para a Terceira Divisão. Filho do primeiro goleiro do clube e torcedor extremado do tricolor baiano, como o senhor analisa a derrocada do Bahia?

João Carlos Teixeira Gomes – É preciso notar, em primeiro lugar, que o Bahia não é apenas um clube esportivo, mas uma força social no Estado da Bahia. Basta que se dimensione a grandeza da torcida de um clube que, por si só, é capaz de encher um estádio das dimensões da Fonte Nova, como ficou patente para todo o Brasil, mais uma vez, no episódio da queda da arquibancada da Fonte Nova em 2007 (no jogo contra o Vila Nova). Ora, diante de um fenômeno dessa envergadura, é inconcebível que sucessivas diretorias incompetentes, notoriamente vinculadas aos interesses e às ambições do senhor Paulo Maracajá (ex-presidente do clube e atual conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios), venham levando em progressão ininterrupta um clube dessa força popular à completa desmoralização e à decepção profunda da sua torcida. O sofrimento hoje da grande massa que se identifica com o Bahia, pelas cores do clube e pelas suas tradições de vitórias, inclusive com dois campeonatos brasileiros, no rol de suas conquistas, é um fato que transcende a esfera puramente esportiva para se transformar num verdadeiro trauma da sociedade baiana.

Terra Magazine – O senhor fala em “trauma da sociedade baiana” e isso me leva a perguntar se a decadência do tricolor não está vinculada à própria mediocridade cultural e econômica da Bahia, que vive uma estagnação cultural profunda?

Não vejo não. Vejo no plano esportivo. Como jornalista, mais do que como torcedor, vejo a decadência do Bahia como consequência de uma espantosa incapacidade administrativa, que foi acentuada a partir dos 7 x 0 que o clube tomou na Fonte Nova em jogo contra o Cruzeiro, na gestão de Marcelo Guimarães, o pai (em 2003). Dali começou o Bahia a despencar para as divisões inferiores, sem capacidade de organizar sequer um time de futebol que mantivesse ao menos as tradições locais, de conquistas de campeonatos na Bahia.

Terra Magazine – O atual presidente do clube, que contou com muitas simpatias políticas, é filho do ex-presidente Marcelo Guimarães, que foi preso numa operação da Polícia Federal, a Jaleco Branco. A crise se origina também dessa incapacidade de se renovar?

Exatamente. Não tem havido renovação. A incapacidade de renovação administrativa se deve à permanência do grupo que, sob a chefia hoje dissimulada de Paulo Maracajá, incluiu depois uma figura sem a menor tradição no clube que foi o senhor Petrônio Barradas, sequenciando a desastrosa gestão do ex-deputado estadual Marcelo Guimarães e hoje continuada por seu filho. São notoriamente pessoas absolutamente incompetentes para soerguer um clube que vem sofrendo uma desmoralização continuada e intolerável para sua imensa torcida. Basta vermos que as sucessivas diretorias incompetentes, dentro dessa linha de continuísmo, não foram sequer capazes de fazer do Bahia uma equipe de competência média para disputar os torneios locais e nacionais. Há um dispêndio enorme de contratações de jogadores sem condições de vestir a camisa do Bahia, distanciados das tradições do clube, técnicos improvisados e, sobretudo, dispersando os recursos imensos que o clube angaria pela fidelidade da sua torcida. Medianamente administrado, com políticas realísticas em relação ao novo estágio do futebol brasileiro, o Bahia seria um clube auto-suficiente e com um substancial patrimônio físico.

E, no entanto…
Não tem nem mais acomodações dignas para seus jogadores, vai perdendo progressivamente o pequeno patrimônio que construiu ao longo dos anos, sem direito a nunca ter tido um grandioso estádio que suas tradições impunham. O conjunto desses fatos aponta para o absoluto despreparo da camarilha que ao longo de todos esses anos vem desgovernando o Esporte Clube Bahia, tendo chegado ao cúmulo de contratar um ex-dirigente do Esporte Clube Vitória (Paulo Carneiro), já expulso das fileiras do clube rival para comandar o setor de futebol do Bahia. Esqueceram-se de que esse mesmo dirigente, quando presidente do Vitória, humilhava a diretoria do Bahia nos jogos do estádio Barradão, não mencionando no letreiro sequer o nome do Bahia, que era simplesmente “o visitante”.

Paulo Carneiro, que agora foi defenestrado também do Bahia, afirmou que o tricolor tinha uma torcida de “suburbanos”. (risos) Essa eu não sabia! Ele punha “visitante” no letreiro…

Terra Magazine – Apesar da crise evidente, há uma movimentação de velhos opositores para aderir ao grupo de Marcelo Guimarães Filho. Alguns eram até raivosos. Como definir esse ensaio de adesão?

Uma coisa espantosa! Essa aproximação é uma coisa espantosa e infunde a desesperança entre a sofrida torcida do Bahia. Creio mesmo que, ao lado dos interesses permanentes de retorno do senhor Paulo Maracajá, apostando no caos para aparecer como salvador da pátria, está a ausência de uma oposição unida e capaz de trabalhar contra a atual diretoria para o soerguimento do clube. É um dos fatores que respondem pela permanência de longo tempo dos coveiros, porque não há uma proposta concreta de reação capaz de empolgar a torcida e levá-la outra vez para as ruas como em 2006. O torcedor do Bahia é hoje um desesperançado.

Terra Magazine – Você aceitaria ver um jogo do Bahia?
Para mim, ver o Bahia jogar sempre foi uma alegria imensa, pois me acostumei desde criança a ver o uniforme glorioso que meu pai vestiu como goleiro e fundador. Mas eu sou, sobretudo, amante do bom futebol, do futebol bem jogado, e os times que essas sucessivas diretorias incompetentes têm organizado nos últimos anos é de uma mediocridade de campos de interior atrasado.

Terra Magazine – Como se diz na Bahia, times pra “um baba”?
De babas, ou para o público do Sul do País, de peladeiros desastrosos.

Terra Magazine – Houve passeata de torcedores, protestos, mas há apenas, neste momento, uma apatia, um desalento. Qual o último recurso dos torcedores?

Uma boa pergunta. Em 1823, os baianos se uniram para expulsar os portugueses recalcitrantes, que permaneciam em Salvador e tentavam desunir o País. Que a torcida do Bahia incorpore o espírito revolucionário dos baianos do 2 de Julho e se una nas ruas, nas praças, pressionando nas rádios, na internet e nos jornais, os incompetentes que afundam um clube glorioso, para estabelecer a grande e definitiva reação, pois o Bahia hoje depende, exclusivamente, do amor e do poder da sua torcida, porque da sua diretoria há longo tempo só tem encontrado traição. Pois é isso exatamente o que são os diretores, a partir de Marcelo Guimarães pai e filho, Petrônio Barradas e todos os demais maracajistas (seguidores de Paulo Maracajá): traidores das glórias e de toda a rica trajetória do Esporte Clube Bahia.

out
02

Postado em 02-10-2009 19:24

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 02-10-2009 19:24

Rio agradece ao mundo/ Diário de Pernambuco
OLIMPÍADA/ELEIÇÃO/RIO 2016

Deu no rádio

O TSE Radio Notícias, um dos principais portais noticioso de produziu matéria sobre a emocionada entrevista do presidente Lula, em Copenhague, em seguida á escolha do Rio de janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2916. Confira.

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«Vamos provar que a alma generosa dos brasileiros vai realizar a mais extraordinária Olimpíada que o mundo já assistiu», disse o presidente brasileiro, em Copenhague, em declarações à imprensa do seu país.

Lula da Silva considerou que o Brasil e o Mundo «estavam de parabéns» pelo fato de «um país do chamado Terceiro Mundo ter conseguido a honra» de organizar uns Jogos Olímpicos.

«Hoje é um dia para celebrar, porque o Brasil deixou de ser um país de segunda classe para entrar na primeira classe», acrescentou o presidente brasileiro.

Segundo ele, quem pensa que o Brasil não tem capacidade para organizar os Jogos «vai ter uma surpresa», tendo Lula considerado que o Rio de Janeiro, «um símbolo do país» aos olhos do mundo, «merece esta honra».

De acordo com Lula da Silva, desta forma a cidade poderá melhorar a sua imagem a nível internacional, tantas vezes projetada de forma negativa através da probreza e da violência.

Lula, que encabeçou a delegação brasileira que se deslocou a Copenhague para o ouvir veredito do Comité Olímpico, admitiu ainda que chorou naquele momento porque não tinha tido coragem de o fazer «no momento da apresentação».

O presidente agradeceu o «carinho e a gentileza» do presidente do Comité Olímpico Internacional, Jacques Rogge, e assinalou depois que todos na sua delegação diziam que o belga nunca ria e estava sempre «muito sério» e questionavam-se sempre se este gostava ou não de brasileiros.

«E eu ficava sempre a pensar que muitas vezes no papel de presidente nós não podemos rir e temos de mostrar a maior seriedade», concluiu.

O Rio de Janeiro venceu na corrida pela organização dos Jogos a cidades como Chicago, nos EUA, Tóquio, no Japão, e Madrid, em Espanha, aquela que mais luta deu, mas foi batida por 66 votos contra 32 no escrutínio final dos membros do Comité Olímpico Internacional.

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