out
05

Postado em 05-10-2009 14:35

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 05-10-2009 14:35

Cristina e Nestor Kirchner: emoção na despedida /La Nacion
Cristinak
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“Viva Mercedes!”. As mostras de devoção e reconhecimento à artista Mercedes Sosa , que morreu domingo, não se detiveram nesta segunda-feira,5,durante todo o traslado de seu cortejo fúnebre do Congreso Nacional até o famoso cemitério de Chacarita, onde La Negra será cremada.

Mal chegou ao cemitério, os aplausos e os cânticos em seu nome se fizeram escutar com mais força. No entanto, as lágrimas não tardaram e brotar novamente.

Centenas de pessoas estiveram presentes para dar o último adeus junto com familiares, e amigos íntimos da cantora.

“Suas cinzas serão espalhadas em outro momento nas terras de Tucumán, onde Mercedes nasceu, em Mendoza porque foi onde se ligou ao movimento da nova canção e em Buenos Aires, onde viveu desde os anos 60”, detalhou seu filho Mateus.

Ás 11h3, um emotivo e prolongado aplauso marcou o momento da saída do caixão com os restos da cantora tucumana, de 74 anos, falecida ontem, 4.

O operativo policial fechou o Salão dos Passos Perdidos do Congreso onde a artista foi velada, para a despedida final dos familiares e amigos mais íntimos, e isso fez o público se concentrar ao largo da avenida Callao, primeiro ponto de passagem do cortejo, onde prorromperam aplausos, flores foram jogadas, enquanto uma multidão tocava o veículo coroado por un ramo de flores brancas.

LEGADO DE UMA MÃE – o filho de Sosa expressou esta manhã que “o melhor” que lhe deixou sua mãe foi “foi o respeito pelas pessoas”, ao tempo que agradeceu as demonstrações de afeto que recebeu sua família depois da morte da cantora.

Além disso, afirmou Mateus emocionado: “Mercedes Sosa nos deixa o andar sempre para adiante, o amor à liberdade, à democracia e a la solidaridad . Como mãe, foi uma pessoa maravilhosa, inigualável, adorável, o mesmo que como avó e tia, um ser extraordinário”.

DOR NACIONAL – O governo de Cristina Kirchner decretou tres días de luto pela morte de Mercedes Sosa. À decisão da Casa Rosada, publicada hoje no Diário oficial , se somaram os governos da cidade de Buenos Aires e de Tucumán. O decreto afirma que a carreira musical de Sosa “foi sempre na direção de um forte compromissoo social” e destaca “o espírito solidário, a honestidade intelectual, o compromisso artístico e social e a férrea defesa dos direitos huimanos e das causas justas”.

(Texto traduzido do jornal argentino La Nacion por Vitor Hugo Soares)

out
05

Postado em 05-10-2009 11:49

Arquivado em ( Artigos, Eventuais) por vitor em 05-10-2009 11:49

Acenos da janela
ivexuxa
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OPINIÃO DO LEITOR

“BAIANO NÃO NASCE, ESTRÉIA”

Carlos Lima Cavalcanti Neto

A Bahia ocupou nas décadas de 60 e 70 lugar de destaque nos cenários cultural e político brasileiro. Daqui saíram artistas como Gil, Caetano, Bethânia e Gal, Tom Zé, João Gilberto… Isso, aliás, é do conhecimento de todos. Uma peculiaridade desses artistas é que além de executar belissimamente seus ofícios ainda se inseriam no contexto político, demonstrando suas indignações quanto ao período em que vivíamos sob a ditadura militar ou, mesmo, lançando o Tropicalismo, movimento político-cultural, que até hoje ainda sofremos a influência, positiva é claro.

A partir da década de 80, com o retorno do país à democracia, mudanças bruscas aconteceram. Na economia vivemos um dos piores períodos do século. Tanto que essa foi considerada a década perdida. Isso influiu fortemente na área cultural, principalmente em nossa terra. A partir de 1983, surgiram bandas e cantores com uma proposta diferente: alterar o ritmo e as letras das músicas tocadas no carnaval da Bahia. As marchinhas e as músicas inteligentes de Dodo e Osmar e Moraes Moreira davam lugar à letras pobres e ritmos alucinantes. Surgia ali Chiclete com Banana, Asa de Águia, Cheiro de Amor, etc.

Com o passar dos anos, a grande quantidade de bandas e cantores iam se alternando no mercado da música, a maioria se desfazia na mesma velocidade dos ritmos e algumas poucas se firmavam nesse mercado, promissor e pouco exigente. Nesse ínterim outras bandas também surgiam, entre elas a Banda Eva e a cantora Ivete Sangalo. Essa cantora hoje figura no cenário nacional como uma das mais importantes e influentes artistas. Isso também o mais incauto dos brasileiros também já sabe.

Mas essa influência agora orbita não na política, não na cultura, mas no estrelismo pobre e sensacionalista das revistas de fofoca, dos programas da Xuxa e da Hebe Camargo. O nascimento de seu filho Marcelo parou quase um andar de um Hospital da Bahia, numa cópia caricata do nascimento da filha de sua comadre Xuxa, que veio visita-la. Pobre Bahia e pobre daqueles que deixam suas casas e suas famílias para tomar um ônibus e ir até a instituição ver por uma fresta a estrela da axé music. Enquanto muitos morrem nas filas dos hospitais de gripe e de verminose, o que torna essa ostentação descabida e desrespeitosa. Reservam um andar de um hospital para a estrela dar à luz a um filho.

A comparação até parece uma mesquinhez da parte desse que vos escreve, mas é o retrato nítido e incontestável da cultura baiana que transparece. Enquanto que as bandas como Olodum, Didá, Malê de Balê e outros, perecem com a falta de patrocínio e com as dificuldades financeiras.

(Carlos Lima Cavalcanti Neto é leitor e colaborador do Bahia em Pauta)

out
05

Postado em 05-10-2009 11:19

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 05-10-2009 11:19

Anúncio dos vencedores do Nobel de Medicina
Nobel
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Tres cientistas que trabalham no Esdos Unidos são os ganhadores do prémio Nobel da Medicina 2009 : Elizabeth Blackburn, Carol Greider e Jack Szostak, por estudos sobre a protecção dos cromossomos, segundo anunciou nesta segunda-feira o Comité Nobel, em Estocolmo, Suécia.Os estudos são considerados no mundo científico como de notável alcance em relação ao combate ao câncer de pele e de pulmão.

O pesquisado português, Alexandre Quintanilha, que conhece há mais de 20 anos Elizabeth Blackburn, disse às agências de notícias européias, que este prémio até já devia ter chegado há mais tempo. Os estudos premiados sobre cromossomos são importantes também na questão do envelhecimento humano.

Elizabeth Blackburn, originária da Austrália, Carol Greider, dos Estados Unidos, e Jack Szostak, que nasceu no Reino Unido, são laureados por descobertas pioneiras no campo da medicina molecular sobre o processo de multiplicação dos cromossomas.

A Academia Sueca explica que o estudo destes professores, que trabalham todos em território norte-americano, deram um contributo para a compreensão do mecanismo de protecção dos cromossomas pelos chamados telomeros e enzimas telomerases.

MUTAÇÕES GENÉTICAS-Estas investigações ajudam a compreender porquê certo tipo de mutações genéticas acontecem bem como os processos que estão na origem de doenças causadas por modificações nos cromossomas.

As descobertas destes três cientistas, prossegue a academia, “constituem um importante avanço da ciência e abrem o caminho para a cura de diversas doenças causadas por degenerações genéticas como certo tipo de anemias, o cancer da pele ou do pulmão”.

Segundo o portal TSE Rádio Notícias, de Lisboa, o investigador português Alexandre Quintanilha conhece há mais de 20 anos uma das laureadas, Elizabeth Blackburn. Os dois já foram parceiros em júris e trabalhos do Comité de Investigação do Departamento do Genoma Humano, que foi fundado, entre outros, por esta cientista.

Alexandre Quintanilha considera que este prémio é merecido e descreve Elizabeth Blackburn como uma mulher «tímida», que não procura o protagonismo.

“É uma investigadora da máxima qualidade e penso que já devia ter recebido este prémio há mais tempo”, considera Quintanilha.

(Postado por Vitor Hugo Soares, com informações de agências de notícias européias e TSE Radio Notícias, de Lisboa).

out
05

Postado em 05-10-2009 10:42

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 05-10-2009 10:42


A jornalista Rosane Santana telefona de Boston e reclama: Em tributo a Mercedes Sosa não pode faltar “Gracias a la Vida”, a canção da chilena Violeta Parra inseparavelmente ligada também à cantora argentina. Bahia em Pauta entende o recado e, sem mais delongas, aí vai, para começar o dia, a música sugerida. Confira.

(Vitor Hugo Soares)

out
05

Postado em 05-10-2009 10:17

Arquivado em ( Artigos, Rosane) por vitor em 05-10-2009 10:17

Mercedes Sosa: indicação para três Grammys/img. Página 12
gracias
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O Grammy e Mercedes Sosa

Rosane Santana

BOSTON (EUA) – A rede de TV CNN e o jornal The New York Times noticiaram ontem a morte de Mercedes Sosa, a quem chamaram de “A voz da América Latina”. A intérprete imortalizada em cancões como “Gracias a la Vida” e “Volver a los 17”, ganhadora de dois Grammy Latino, concorre novamente ao prêmio que será entregue no próximo mês em Las Vegas, com o disco Cantora 1, seu último trabalho, indicado para três categorias, incluindo álbum do ano e melhor álbum folclórico.

Mercedes que já foi comparada a americana Joan Baez, também conhecida por seu estilo vocal distinto e opiniões políticas, não pode ser reduzida a categoria de intérprete do folclore latino-americano, como declararam apressadamente, logo após sua morte, alguns órgaos da imprensa mundial. Sua voz grave e potente, que brotava das cordilheiras e vales andinos, profundamente enraizada no seu passado e na sua cultura – politicamente engajada, quando os tempos lhe exigiram, o que lhe valeu o exílio -, cantou os mais variados estilos, folk, pop, MPB (em suas incursões com Milton) e bossa-nova.

O que verdadeiramente há de marcante nessa intérprete, além da voz inconfundível, personalíssima, é que quando cantava, Mercedes sempre colocava sua alma, parecendo encarnar os versos de Ricardo Reis, um dos heterônimos de Fernando Pessoa : “Para ser grande, sê inteiro, nada Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és. No mínimo que fazes…”, razao de sua profunda identidade com o povo latino e o que explica a sua grandeza e sua longevidade como artista- uma intérprete que superou o próprio tempo e se manteve por mais de meio século fazendo sucesso -, como prova sua recente indicacão para o Grammy.

Rosane Santana, jornalista, mora em Boston e estuda na universidade de Harvard.

out
04

Postado em 04-10-2009 23:41

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 04-10-2009 23:41


Para terminar este domingo de perda sem tamanho, um pouco mais da presença de Mercedes Sosa em uma de suas interrpretações mais extraordinárias, Novicia, ao lado do autor, Victor Heredia, que sempre caminhou ao lado de La Negra na Argentina. A gravação apresentada no Bahia em Pauta é do CD “Cantora 2”, nominado para três Grammys em 2009. A canção foi gravada antes, com grande sucesso na Argentina, pela dupla Heredia -Chico Buarque. Boa noite!

(Vitor Hugo Soares)
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NOVÍCIA

Victor Herédia

Cruzo la línea temprana de su niñez
se puso su vestidito color ayer
y fue como una oración
de otoños sobre sus pies
el ir ofreciendo vida justo en la esquina
temblando ausente su desnudez

Sus leves huesos en cruz
meciendo en suave luz
el tipo que la acaricia
y ella novicia llorándose

Hay donde esta su amor
su principito azul
que oscura noche desata
lunas baratas sobre su ajuar
que oscura noche desata
lunas baratas sobre su ajuar

Bebió su copa de olvido y salio otra vez
catorce sueños hundidos ahogándose
la escolta la soledad
oscuro perro
ladrando a esa luna muerta
que la persigue junto a la sombra de su niñez

Sus leves huesos en cruz
meciendo en suave luz
el tipo que la acaricia
y ella novicia llorándose

Hay donde esta su amor
su principito azul
que oscura noche desata
lunas baratas sobre su ajuar
que oscura noche desata
lunas baratas sobre su ajuar

Cruzo la línea temprana de su niñez
se puso se vestidito color ayer
Bebió su copa de olvido y salio otra vez
catorce sueños hundidos ahogándose

out
04

Postado em 04-10-2009 21:15

Arquivado em ( Newsletter) por vitor em 04-10-2009 21:15

Wagner e Geddel: “rompimento apesar de Lula”
gedlula

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Deu no Estado de S. Paulo

Em sua edição impressa deste domingo, o jornal Estado de S. Paulo publica reportagem política assinada pela jornalista Luciana Nunes Leal, em que aponta o trincamento das alianças políticas em cinco estados, entre eles a Bahia.”Coligações que elegeram governadores não devem se repetir na Bahia, no Rio, Pará, Paraná e Rio Grande do Sul”, diz a matéria.

O Estadão revela que cinco dos dez maiores colégios eleitorais do País já expõem, a um ano das eleições, a fragilidade das alianças que elegeram os atuais governadores. No caso do Rio Grande do Sul, a crise não envolveu legendas, mas as próprias autoridades, após o vice-governador Paulo Feijó, do DEM, acusar a governadora Yeda Crusius (PSDB) de desvio de recursos da campanha. Yeda é investigada em CPI da Assembleia gaúcha.

No caso de Minas Gerais, a reportagem destaca que a ruptura está na oposição ao governador Aécio Neves (PSDB). PT e PMDB, coligados em 2006, trabalham por candidaturas próprias ao governo.

“Nas eleições passadas, ainda havia a regra da verticalização. Em 2010, as alianças são livres. O PMDB, por exemplo, tem tradição de formar alianças locais separadas da nacional”, lembra o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). As normas anteriores impediam que partidos coligados na eleição nacional se unissem a legendas adversárias nas alianças estaduais. O PMDB não formalizou coligação nacional em 2006 e para poder firmar alianças com partidos governistas e oposicionistas nos Estados. Com o fim da verticalização, todas composições partidárias serão possíveis em 2010.

Ainda segundo a reportagem do Estadão, “por enquanto, apenas na Bahia, quarto maior colégio eleitoral do País, a ruptura da antiga aliança implicou a saída do governo. Liderado pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, o PMDB deixou o governo do petista Jaques Wagner, entregou duas secretarias e o comando da Junta Comercial do Estado (que era ocupada pelo pai do ministro, Afrísio Vieira Lima) e anunciou intenção de disputar o governo com o ex-aliado. Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha pedido entendimento entre Geddel e Wagner, para garantir palanque único e forte para a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, na disputa pela Presidência, a reaproximação é praticamente impossível”.

(Leia íntegra da reportagem no Estadão deste domingo)
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(Postado por Vitor Hugo Soares)

out
04

Postado em 04-10-2009 17:03

Arquivado em ( Artigos, Multimídia, Newsletter, Vitor) por vitor em 04-10-2009 17:03

Despedida de Mercedes: fila e lágrimas em Buenos Aires
despedida

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No dia 11 de novembro de 2007 (o Bahia em Pauta ainda não estava nem em gestação), escrevi para publicação no espaço que disponho há anos, todos os sábados, no Blog do Noblat, um artigo intitulado “Ela (Mercedes Sosa) e elas”, que foi publicado tanbém no Ponto de Vista, espaço de Opinião do jornal Tribuna da Bahia.O texto fala de um momento político na América Latina marcado pela intensificação da participação feminina na política e no poder , que coincidia com o retorno aos palcos, no México, depois de longa ausência por motivos de saúde,da grande cantora argentina que morreu na madrugada deste domingo.

Quase dois anos depois o texto vai republicado. Agora no Bahia em Pauta, no dia da partida de Mercedes. Vai a título de informação deste site-blog, mas igualmente de tributo deste editor a uma das artistas que mais contribuiram para o amor do jornalista pela música e paixão pela América Latina.

Com um beijo de saudades no coração de La Negra. (VHS)

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ELA(MERCEDES SOSA) E ELAS

Vitor Hugo Soares (24/11/2007)

Miro a Cordilheira dos Andes e os altiplanos do México, enquanto no Atlântico Sul o tucano Fernando Henrique Cardoso sai do silêncio temporário e abre o bico em nova arrelia contra o seu sucessor no Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva, ao sugerir que o governante petista detesta a educação, “a começar pela própria”. O novo bafafá já se propaga pelos blogs – a começar por este do Noblat -, com a dura resposta do ministro petista Tarso Genro, e a briga, nem sempre em tons exemplares, promete ser das boas.

Acontece que ando meio saturado dos freqüentes ataques de ciumeira dessa relação tumultuada de amor e ódio entre FHC e Lula. Desvio a atenção para o suplemento cultural da edição “on-line” do jornal chileno “La Tercera”. Ali encontro uma notícia que espero há quase 10 anos: a cantora argentina Mercedes Sosa superou finalmente a enfermidade que a obrigou a um longo afastamento dos palcos e volta a espalhar pela América Latina, o seu canto inimitável, na série de apresentações pelo continente iniciada ontem na Cidade do México.

Em seu giro , Mercedes apresenta o espetáculo “Gracias a la Vida”, considerado pela crítica como um canto de louvor e entusiasmo renovado de quem sai de depressivo e prolongado fundo de poço. A amiga de Milton Nascimento e dos estudantes pode soltar o vozeirão outra vez em “Como la cigarra”, para mim uma de suas mais emblemáticas e comoventes canções.

“Tantas veces me mataron, tantas veces me mori,/ Sin embargo estoy aqui, resucitando”. Imagino à distância essa música se espalhando pela noite da capital mexicana neste final de semana, como tantas vezes vi os garotos e adultos de Buenos Aires fazerem na saída de teatros e casas de discos, quando a artista estava no auge. E como eu próprio me vi fazendo nos anos 70, em meu primeiro show com a argentina de Tucuman, em histórica noite no Teatro Castro Alves, em Salvador.

“Cantando al sol, como la cigarra/ después de um año bajo la tierra/ igual que sobreviviente/ Que vuelve de la guerra”. Desta vez, o mergulho de Mercedes foi mais longo do que uma simples estação. Aparentemente também, muito mais dolorido para a sua alma sensível.

Nos últimas décadas ouvi muito e vi de perto algumas vezes está que é uma das minhas cantoras preferidas. A última vez que estive próximo dela foi há cerca de dois anos, em Buenos Aires, quando Mercedes compareceu a uma apresentação do espetáculo em que o cantor e compositor Victor Heredia celebrava 30 anos de carreira em um teatro de Corrientes, no coração da capital portenha. Foi uma noite inesquecível, até mesmo pelo que deixou de acontecer, como a prevista canja da cantora.

Na platéia, Mercedes demonstrava profundo abatimento físico e parecia extremamente deprimida. Não subiu ao palco. Heredia pediu desculpas ao público e explicou que ela estava “muito gripada e afônica”, impedida de cantar. Agradeceu a presença da cantora no teatro, mesmo doente, e a casa quase vem abaixo de aplausos. Guardei comigo a impressão de que, no corpo e na mente da artista, se escondiam bem mais que um simples resfriado. E conservei a esperança de que, fosse o que fosse, seria passageiro.

Em sua ressurreição, constato agora com alegria que Mercedes Sosa não só voltou à superfície como manteve o prumo. De longe, a impressão é de que ela segue íntegra e fiel ao que sempre foi ao longo de toda a carreira. Quinta-feira, na véspera da primeira das três apresentações que fará no México – a última será neste domingo em Guadalajara –, convocou jornalistas para uma entrevista coletiva e aproveitou para fazer uma convocação política às conterrâneas da revolucionária Fryda Kallo: “As mulheres deste país devem sair a ganhar eleições, porque sabem o que custa manter a casa e manter o trabalho”.

Aos 72 anos, a intérprete que fez de “Coração de Estudante” um hino também da América Latina, chama a atenção para o bom momento das mulheres na política atual. Citou fenômenos como as mandatárias do Chile, Michelle Bachelet; da Alemanha, Ângela Merkel, e de sua conterrânea Cristina Kirchner, que tomará posse na Argentina nos próximos dias. Até ontem, pelo menos, Mercedes Sosa parecia desconhecer que o presidente Lula começa a colocar na fila dos nomes fortes à sua sucessão – o da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef.

Em sua passagem pela Cidade do México, a caminho de Santiago do Chile e de outras cidades da América Latina onde levará o show Gracias a la Vida, Mercedes Sosa rende um tributo especial aos estudantes mortos em 1968, no trágico massacre na Praça das Três Culturas de Tlatelolco, ocorrido em 2 de outubro de 1968, dias antes do início dos Jogos Olímpicos do México. Segundo grupos de direito humanos, o massacre deixou uns 300 mortos, a maioria estudantes, como registrou na época a premiada repórter Oriana Falacci nas reportagens que produziu dentro do olho do terremoto.

A cantora argentina fala da enfermidade, que a obrigou a recolher-se por longa temporada: “Cheguei a estar muito grave, em 97 os médicos entravam e saiam de minha casa sem saber o que eu tinha”. Mas aproveita para desmentir a quem anda espalhando por aí que este seja o seu giro de retirada dos palcos: “Nada disso”, reage. Bemvinda, Mercedes! Siempre.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitors.h@uol.com.br

out
04

Postado em 04-10-2009 15:14

Arquivado em ( Multimídia) por vitor em 04-10-2009 15:14


“Preciosa!”, diz, simplesmente, um ouvinte no site do You Tube, ao comentar a interpretação de “Insensatez”(letra e música de Vinícius de Morais) de Mercedes Sosa, no melhor ritmo da bossa nova. A gravação está em seu mais novo CD, Cantora 2, um dos fortes indicados para o Grammy 2009. Não precisa dizer mais. É só ouvir e começar a sentir saudades de La Negra argentina. Confira.
(Vitor Hugo Soares)

out
04

Postado em 04-10-2009 14:00

Arquivado em ( Municípios, Newsletter) por vitor em 04-10-2009 14:00

Na van todos mortos/Jornal do Comércio
vanmorte
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Choque entre um ônibus da empresa Progresso que fazia a linha Petrolina-Recife e uma van com placa da cidade de Juazeiro (BA) deixou 11 mortos em Petrolina, no sertão de Pernambuco. A tragédia aconteceu na noite da última sexta-feira, na BR-428, na região do vale do São Francisco. Segundo o Jornal do Comércio, de Pernambuco, na van foram onze mortos, dez da mesma família. No ônibus, foram sete feridos

Relatos de sobreviventes revelam que os veículos bateram de frente na rodovia federal BR-428, a cerca de 20 km da área urbana de Petrolina. A policia obteve relatos também de que os passageiros da van estartiam voltando de um velório no distrito de Cristália. De acordo com a empresa Progresso, a van teria invadido a pista do ônibus.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que o ônibus, que fazia a linha Petrolina/Recife, transportava 20 passageiros, dos quais oito ficaram feridos. Eles foram socorridos para vários hospitais próximos, como o Memorial e o Hospital Geral de Urgência (HGU), mas nenhum em estado grave.

Todas as 11 pessoas que estavam na van morreram no local. Entre os mortos estavam sete mulheres e quatro homens. O Instituto Médico Legal (IML) divulgou a identidade de cinco vítimas: Ronaldo Martins da Silva, 26 anos, Rosimeiri dos Santos Oliveira, 31 anos, Rosana dos Santos Oliveira, 29 anos (irmã de Rosimeiri), Cláudia Patrícia Rodrigues de Miranda, 25 anos, e Joaquim Fernandes da Cruz, 58 anos. Este último era o motorista da van.

De acordo com o IML, os outros ainda não foram identificados porque estavam sem documentação e os familiares ainda não foram reconhecer o corpo.Os corpos já identificados deverão ser sepuiltados neste domingo.

(Postado por Vitor Hugo Soares, com informações do Jornal do Comércio (PE) e jornal O Globo)

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