DO UOL,EM SÃO PAULO

Nathan Lopes e Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

 Acompanhada da presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), e do senador Roberto Requião (MDB-PR), por volta das 15h15 desta segunda-feira (23), a ex-presidente Dilma Rousseff chegou à Superintendência da PF, em Curitiba, para tentar visitar o ex-presidente Lula, mesmo após a juíza Carolina Lebbos ter barrado todos os pedidos de visita ao ex-presidente. Ela deixou o prédio por volta das 16h30 Imagem: Geraldo Bubniak/Estadão Conteúdo

A juíza Carolina Lebbos barrou, nesta segunda-feira (23), todos os 23 pedidos de visita ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) feitos até hoje e não autorizou a entrada de uma comissão de deputados para vistoriar a Superintendência da PF (Polícia Federal) em Curitiba, onde o petista está detido desde 7 de abril.

Sobre visitas, a magistrada ressalta que, em duas semanas, chegaram “requerimentos de visitas que abrangem mais de uma dezena de pessoas, com anuência da defesa, sob o argumento de amizade com o custodiado”. Entre os pedidos, havia solicitações da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e da senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT. De acordo com a juíza, não há ilegalidade na decisão. “Analisa-se, no caso em exame, limitação de cunho geral relativa a visitas na carceragem da Superintendência”.

Por volta das 15h15, Dilma, que havia anunciado a visita ao ex-presidente, chegou à Superintendência da PF para tentar visitar o colega de partido mesmo após a negativa da Justiça. Ela deixou o prédio por volta das 16h25 sem conseguir visitar o preso.

Na saída, ao falar com a imprensa, Dilma lembrou os três anos em que ficou presa, durante a ditadura, e disse ter “experiência” em prisão. “Eu acredito que é uma situação muito estranha [não permitir visitas], porque não tem justificativa para Lula estar isolado.”

Segundo ela, “mesmo durante a ditadura”, presos eram permitidos a receber amigos, além de parentes e advogados.

Perguntada sobre o que desejaria fazer se tivesse conseguido encontrar Lula, Dilma afirmou: “Primeiro, eu abraçaria ele, depois eu me solidarizaria. Em terceiro, conversaria sobre o tema que ele mais gosta: o Brasil e o povo brasileiro”.

Ela estava acompanhada dos senadores Roberto Requião (PMDB-PR), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Lindbergh Farias (PT-RJ) e da ex-ministra Eleonora Menicucci. A comitiva permaneceu por aproximadamente 1 hora e 10 minutos e não foi autorizada a conversar com o ex-presidente.

Apenas familiares são liberados para ter contato com detentos, além de advogados, que têm acesso livre. Lula recebe familiares às quintas, diferentemente dos demais presos, cujo dia de visita é na quarta. Eles podem entrar na PF das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30. O MPF (Ministério Público Federal) já havia se manifestado contra visitas que não fossem no dia de visita.

Deve, neste momento, ser observado o regramento vigente, o que inviabiliza o acolhimento dos pedidos de visita deduzidos

Carolina Lebbos, juíza federal

Ao todo, 23 pedidos de visita ao ex-presidente Lula foram feitos à juíza Carolina Lebbos até a tarde desta segunda –entre eles, o do diplomata e ex-ministro da Defesa Celso Amorim e do escritor Raduan Nassar. Solicitaram autorização à juíza:

  • Dilma Rousseff, ex-presidente da República
  • Ciro Gomes, pré-candidato à Presidência pelo PDT
  • Adolfo Pérez Esquivel, vencedor do Nobel da Paz em 1980
  • Gleisi Hoffmann, senadora pelo PT e presidente nacional do partido
  • Zeca Dirceu, deputado federal (PT-PR)
  • Eduardo Suplicy, vereador pelo PT em São Paulo e ex-senador