Estamos retornando à superfície com o Bahia em Pauta, depois de quatro dias fora do ar, depois de um grande mergulho em águas profundas e desconhecidas. Desta vez foi mais difícil e isso é o que importa. À medida que tenhamos explicações mais conclusivas sobre os “problemas técnicos”, iremos informando aos leitores e ouvintes.
Por enquanto, o que importa é agradecer de coração aos que foram essenciais ao nosso retorno: Laura e Cristina, em Salvador, e Lucas, em São Paulo.
E à solidariedade amiga e permanente de Rosane Santana.

Iremos retornando aos poucos, pois foram feitos alguns reajustes aos quais este editor (da velha guarda) ainda precisa dominar e se habituar.Agradecemos antecipadamente a todos pela paciência e confiança. E como diria o grande João Saldanha:VIDA QUUE SEGUE>

(VItor Hugo Soares)


A pré-candidata à Presidência pela Rede, Marina Silva, sugeriu à população a Lava Voto STRINGER REUTERS


DO EL PAÍS

OPINIÃO

144 milhões de juízes para a Lava Voto?

Juan Arias

A sociedade brasileira começa a ter a percepção de que o Supremo Tribunal Federal não demonstra muita pressa em condenar os políticos denunciados por corrupção, nem mesmo aqueles que, como o senador Renan Calheiros, são alvo de uma dúzia de acusações. Até agora, o tribunal de primeira instância de Curitiba, por exemplo, já emitiu, na Operação Lava Jato, mais de cem sentenças de condenação, muitas delas confirmadas em segunda instância. O Supremo ainda não apresentou uma condenação definitiva de um político. Assim se chegará às eleições do próximo ano com candidatos a presidente, deputados, senadores e governadores acusados de corrupção, mas ainda sem sentença que os impeça de disputar as eleições, nas quais poderão ser reeleitos e manter assim o foro privilegiado que lhes permite eternizar seus processos no Supremo.

O que a sociedade pode fazer? A pré-candidata à presidência Marina Silva teve uma ideia que seria bom que viralizasse nas redes sociais: criar um tribunal com 144 milhões de juízes ? todos os brasileiros com direito a voto ?, que deveriam se negar a votar em qualquer candidato sobre o qual recaia não uma condenação, e sim uma simples acusação ou suspeita de ter usado dinheiro público em vantagem própria. Esses 144 milhões de eleitores-juízes não precisam lutar com os intrincados problemas jurídicos que podem permitir que um réu em um processo dor corrupção dispute uma eleição. Para que esses milhões de juízes condenem um candidato, bastará uma simples acusação ou suspeita de que se trate de um político corrupto, porque poderão usar o argumento da moralidade pública que um representante do povo deveria poder demonstrar para pedir seu voto. Afinal, será que faz sentido que um candidato condenado, por exemplo, a vários anos de prisão em segunda instância ? e apesar da Lei da Ficha Limpa ? possa, por meio de recursos de seus advogados, disputar uma eleição? Legalmente, é possível, moralmente, não deveria sê-lo. Essa condenação de negar o voto a quem não demonstrar ter respeitabilidade e moral suficiente para poder representar a sociedade pode ser tão ou mais eficaz do que uma condenação judicial.

Será possível alegar que muitos desses milhões de eleitores não contam com informações suficientes sobre os candidatos para poder julgar sua honestidade. Poderia ser assim no passado, mas não agora, quando as técnicas de comunicação permitem conhecer em tempo real a vida e as ações dos cidadãos, ainda mais daqueles que já ocupam cargos públicos. Bastaria apresentar na internet, ou em cartazes nas ruas e praças do país, os nomes dos candidatos à eleição ou à reeleição acompanhados de suas biografias e das acusações ou suspeitas que possam recair sobre cada um deles quanto a condutas moralmente inconciliáveis com o cargo que desejam disputar. Não se trata de um julgamento sumário nas ruas, já que a sentença dos eleitores não tem valor de lei, mas existe a necessidade e o direito do cidadão de saber se a pessoa em quem pensa em votar merece ou não sua confiança no campo da decência moral. Para isso, existem hoje leis severas de transparência, que nos permitem conhecer as condutas dos escolhidos para governar o país. Não se trata de nenhuma caça às bruxas, apenas de saber um mínimo sobre a conduta pública de um candidato.

Um cidadão tem o direito de se negar a votar em um indivíduo, mesmo que este ainda não tenha sido declarado réu ou condenado por um tribunal de Justiça, se considerar que as denúncias que pesam sobre esse candidato, por parte da procuradoria ou da polícia, são suficientes para alertar o eleitorado antes de lhe conceder um voto de confiança. Eu não voto no Brasil, mas se pudesse fazer isso, não daria meu voto para reeleger um deputado ou senador sobre quem pesa não uma, mas até uma dúzia de acusações que ainda caminham lentamente pelos tribunais superiores, graças, muitas vezes, ao fato de ele ter advogados de renome que conseguem prolongar seus processos.

Lançar para as próximas eleições a Operação Lava Voto poderia significar o início de uma verdadeira catarse nacional, levando ao Congresso e à Presidência da República pessoas que não parecem ter se sujado com os jogos perversos da corrupção, cujo dinheiro foi subtraído dos hospitais, das escolas ou da pesquisa científica. É dinheiro de todos e de cada um, e por isso existe o direito sagrado de que cada cidadão que se aproxima de uma urna com seu voto possa se transformar em juiz e sem apelação. Se, apesar de tudo isso, houver pessoas que continuem dando seu voto a um candidato sabendo de sua falta de honradez moral, nesse caso serão elas mesmas que se condenarão ante sua consciência.

O fato de que existe uma grande perplexidade da sociedade brasileira frente à nomeação, por exemplo, do novo presidente da República é demonstrado pelos dados reveladores da última pesquisa do Datafolha, segundo a qual mais da metade dos eleitores ou não sabem ainda em quem vão votar ou não pensam em votar em ninguém, o que pode ser também um voto de resistência cívica. Nesse grupo estão 55% dos eleitores. Poderia parecer indiferença, mas também perplexidade em relação ao momento que vive o país e medo de poder se enganar votando em quem talvez continue agindo dando as costas para a população. Minha convicção, e tomara não me equivoque, é que desta vez, depois da Lava Jato, os cidadãos pensarão duas vezes antes de votar em um candidato, sinal de que, apesar de tudo, estamos diante de uma sociedade fundamentalmente saudável que quer participar ativamente da construção de seu próprio destino, o que seria impossível reelegendo os corruptos ou os que simplesmente têm cheiro de corrupção.

Marina Silva tem razão, uma Lava Voto seria a melhor culminação da limpeza política iniciada pela Lava Jato, que, apesar da artilharia lançada contra seus juízes e promotores, orquestrada muitas vezes nas sombras pelos corruptos, continua sendo uma das instituições mais valorizadas e mais aplaudidas por uma sociedade que está aperfeiçoando sua democracia.

dez
06

BOM DIA!!!

dez
06

Postado em 06-12-2017 00:14

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 06-12-2017 00:14

DO EL PAÍS

Afonso Benites

Brasília

Sob o comando de Evo Morales, o Governo da Bolívia foi um dos primeiros a não reconhecer a gestão de Michel Temer. Assim que este assumiu a presidência do Brasil com o impeachment de Dilma Rousseff, o embaixador boliviano em Brasília foi convocado de volta ao seu país. Era um sinal de um dos países identificados como do eixo bolivariano na América do Sul de que não aceitariam a gestão. Nesta terça-feira, um ano e quatro meses após a oficialização do afastamento de Rousseff, Morales se reuniu com Temer para tentar passar um sinal político: apesar das diferenças ideológicas, é possível trabalhar pela integração dos dois países.

A fala de Morales durante um brinde no almoço no Ministério das Relações Exteriores deixou isso bem claro. “A Bolívia precisa do Brasil para se industrializar”. Hoje, o Brasil é o principal comprador de toda a produção boliviana. Quase 20% de tudo o que o país andino exporta, é adquirido pelo Brasil. Conforme o Itamaraty, em 2016, o intercâmbio bilateral alcançou 2,8 bilhões de dólares (9,1 bilhões de reais).

E se a diplomacia é feita por meio dos sinais, a vinda do mandatário boliviano também demonstra o fosso diplomático no qual o Brasil está afundado. Desde que Temer preside o país, apenas cinco chefes de Estado ou de Governo fizeram uma visita oficial a ele. Além de Morales, estiveram em Brasília o paraguaio Horácio Cartes, o argentino Mauricio Macri, o espanhol Mariano Rajoy e o português Antonio Costa. Nenhum outro líder esquerdista, nem mesmo dos Governos tido moderados como o de Uruguai ou Chile, se aproximaram do Brasil.

No encontro, os dois chefes de Estado assinaram um memorando de entendimento que trata do Corredor Ferroviário Bioceânico e um acordo internacional para a cooperação policial. A ferrovia é de interesse de empresas chinesas e deverá cruzar o Brasil, partindo de Santos, e a Bolívia, até chegar no Oceano Pacífico, em território peruano. Quando e se entrar em operação, as exportações brasileiras que partem do porto de Santos rumo à Xangai demorariam 36 dias para chegar e percorreriam 18.651 quilômetros – uma economia de pelo menos 22 dias e 4.000 quilômetros, segundo os cálculos do Governo boliviano. Em uma segunda etapa ela passaria também pela Argentina e pelo Chile.

Já o acordo de cooperação visa, principalmente aproximar os dois países no combate ao tráfico internacional de drogas. A fronteira entre Bolívia e Brasil é uma das principais rotas de cocaína. Paralelamente, Temer e Morales também trataram da renovação da compra de gás boliviano pelo Brasil, um tema importante e complexo da relação. O atual acordo vence em 2019 e há uma tentativa de renová-lo por mais dez anos.

Durante a reunião, Temer evitou entrar em uma seara cara para Morales, a tentativa do boliviano se reeleger pela terceira vez. Na semana passada, um grupo de opositores de Evo Morales enviou uma carta ao presidente brasileiro para que ele intercedesse na questão. Algo que Temer não fez. No último dia 29, a o Tribunal Constitucional da Bolívia suspendeu os artigos da Constituição que limitavam o número de reeleição a duas consecutivas. Morales está no cargo desde 2006, foi reeleito duas vezes e, pela regra que estava vigente, não poderia se candidatar novamente em 2019. Agora, pode. A decisão do tribunal atropelou o resultado de um plebiscito, que proibia a terceira reeleição.

dez
06

Postado em 06-12-2017 00:12

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 06-12-2017 00:12


De Nicolielo, no Jornal de Baru (SP)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Recolhimento noturno de Lúcio deve passar na Câmara, dizem aliados

Aliados de Lúcio Vieira Lima acham que, se o STF determinar seu recolhimento noturno, ele será aprovado no plenário da Câmara por larga margem, diz Gerson Camarotti no G1.

A medida foi solicitada por Raquel Dodge. Até a bancada do PMDB, segundo Camarotti, reconhece que a situação do irmão de Geddel no caso dos R$ 51 milhões encontrados no bunker da propina é “extremamente delicada”.

Coração rubro-negro na mão e a transmissão platinada

Lilian Machado

Desde que eu me entendo por gente, o questionamento sobre a parcialidade nas transmissões de futebol era tema frequente na sala de casa. O senhor Luizinho, meu pai, amante do futebol arte e do Esporte Clube Vitória, com o seu jeito simples desabafava sobre a desvalorização dos clubes nordestinos pelas grandes redes nacionais de comunicação e exaltava a sua paixão rubro-negra, que nunca cessaria, nem mesmo, diante da influência pesada das veiculações vindas do sul maravilha. Nelas cabiam muito mais as emoções do Flamengo e do Corinthians, enquanto nós seríamos os “estranhos no ninho”, em busca de uma chance.

Um misto de angústia, indignação e lembranças como essas passou por mim ontem (domingo), durante a partida entre o Vitória e o Flamengo, pela última rodada do Campeonato Brasileiro, realizada no Barradão. Sem cogitar como seria a transmissão, – como torcedora só queria saber do meu time – resolvi assistir ao jogo, ligada como muitos telespectadores, na telinha da Globo, como a própria se auto propaga. Bola em campo, torcida agitada, estádio lotado para ver o Vitória. Menções assim eram externadas pelo narrador, além das jogadas e de todo o desenrolar da partida.

Até o primeiro tempo, o jogo era dominado pelos rubro-negros baianos, com muitas trocas de passes e tramas trabalhadas, coroadas no gol de Carlos Eduardo, que brindou com alegria a torcida.

Mas, eis que no segundo tempo, em meio ainda ao êxtase do time baiano, que pressentia a sua permanência fácil na série A, a situação mudou e o Leão que seguia melhor viu o empate nos pés do flamenguista Rafael Vaz. Naquele momento, o torcedor entrava em choque com o grito efusivo do narrador Luiz Roberto. O anúncio do gol do Vitória pelo famoso narrador, tempos antes, não foi tão enfaticamente prolongado, como aquele ocorrido no lance do Flamengo. Até aí, o que poderia parecer um complexo ou uma conspiração de torcedora ficaria claro: O narrador global torcia pelo time carioca.

Daí por diante, a tensão aumentou e o que era mamão com açúcar ficou amargo para os torcedores do Vitória, com doses mordazes que saíam da entonação daquele narrador. Assim, a angústia de quem estava em frente a tela só crescia, virando desespero depois que o jogador Uillian Correia deixou o braço encostar na bola, numa cobrança de falta, dando de presente um pênalti ao Flamengo, convertido pelo jogador Diego. O protesto de uma torcedora que desejava ver mais imparcialidade naquela transmissão era envolvido pela inquietação de quem não queria ver seu time descer para segunda divisão. Aquele coração na mão só ficaria aliviado, depois, ironicamente das notícias chegadas de terras sulinas. De lá diziam que o Chapecoense, aquele time guerreiro, tão amado na cidade de Chapecó ajudara o Vitória a salvar-se da queda. A tranquilidade só viria, enfim, após o apito final com um adeus dos torcedores do Vitória a um torturante 2017 e o fim da transmissão global. Que em 2018 tenhamos um Vitória mais competitivo no Campeonato Brasileiro e uma cobertura futebolística mais igual. Se houver realização desse último voto, todos os torcedores nordestinos agradecerão.

Lílian Machado é Jornalista, ex-repórter da editoria de Política da Tribuna da Bahia, mais de uma vez recebedora do prêmio anual Quintino de Carvalho pela melhor cobertura da Assembleia Legislativa.Texto especial para o BP.

dez
05

Dá-lhe, Elton!!! Dálhe, Marrom!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


O ministro Antonio Imbassahy (PSDB) ao lado do presidente Michel Temer. UESLEI MARCELINO REUTERS

DO EL PAÍS

Opinião

Fernando Henrique Cardoso

Quando eu era criança havia um ditado que insistia em que “ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”. Eram tempos do Jeca Tatú, figura mítica que habitava os campos brasileiros. Ainda devem existir jecas-tatus por este mundão afora, mas sua imagem esmaeceu no imaginário brasileiro. Havia o drama dos pés descalços; mesmo no Rio, onde passei a meninice e não havia muita gente descalça, muitos usavam tamancos. O bicho-do-pé era uma preocupação dos que iam às fazendas. Depois veio a leva das “havaianas” e se tornou raro ver gente sem sapato. As saúvas devem continuar existindo…

Mais recentemente, antecedendo a Constituição de 1988 e mesmo depois dela, durante meu governo, as “marchas dos sem-terra” tornaram realidade política a carência de reformas no campo. Bem ou mal fomos distribuindo terras. Somando o que foi feito em meu governo ao que fez o primeiro governo petista, houve, sem alarde, uma “reforma agrária”, se considerarmos a redistribuição de terras. Ao lado disso, houve uma revolução agrícola, com ciência e tecnologia da Embrapa por trás, financiamento mais adequado e audácia empresarial.

Não havia SUS até que os governos pós Constituição de 1988 puseram-no em marcha. Adib Jatene, Cesar Albuquerque, José Serra e Barjas Negri são, dentre outros, nomes a serem lembrados nesta construção. Sem esquecer que foi o grupo dos “sanitaristas” da Constituinte, composto por médicos, geralmente de esquerda, que introduziu a noção de Seguridade e inventou a colaboração público-privado no SUS. É boa a prestação de serviços pelo SUS? Depende, mas ele existe e atende, em tese, os 205 milhões de brasileiros.

Dou esses exemplos que mostram a capacidade que tivemos para enfrentar, mesmo que parcialmente, certos problemas que afligem o povo. Isso nos deve dar ânimo para continuar a acreditar no país.

Duas questões nos desafiam especialmente na atual conjuntura: o desemprego e a desconfiança nos governos. De permeio, o crime organizado e o ódio entre facções políticas, além da corrupção dos que usam colarinho-branco. Acrescente-se que desta vez a “crise” dos governos (financeira e moral) foi gerada internamente. Não há como jogá-la no colo do FMI ou “dos estrangeiros”. É tão nossa quanto a saúva ou o bicho-de-pé. Políticas equivocadas da dupla Lula-Dilma levaram a que depois do “boom” viesse a borrasca: os governos (não só o federal) estão exauridos, o PIB despencou mais de 8% entre 2015 e 2016, a desigualdade voltou a aumentar e o desemprego passou de 4% a 14% em igual período. Embora não faltassem razões jurídicas, foi o descontrole da economia que, no fundo, causou o impeachment, pois atingiu e irritou o povo e levou o Congresso a agir.

Foi para sair do impasse que o governo Temer obteve apoios: para retomar o crescimento da economia (tendo o projeto “Ponte para o Futuro” como roteiro). A despeito de tudo, inclusive da crise moral, o governo vai atravessando o despenhadeiro. Retomou as condições para transformar de retórica em prática viável a exploração do pré-sal, com a reconstituição financeira e moral da Petrobras. Está estabelecendo um plano adequado para as empresas energéticas, deu ímpeto à reforma educativa e assim por diante, sem esquecer-se dos esforços para conter os gastos nos limites do orçamento e das possibilidades de endividamento do Estado.

Não há razão para um partido como o PSDB repudiar o apoio que deu ao governo de transição, nem muito menos para, dentro ou fora do governo, deixar de votar a agenda reformista, que é a do próprio partido. No caso da Previdência, principalmente, as únicas questões cabíveis são: tal ou qual medida aumenta ou diminui os privilégios e, consequentemente, a desigualdade social no país? Nada justifica manter vantagens corporativas nem privilégios. O mesmo vale para uma futura reforma tributária ou para medidas fiscais, que podem doer no bolso de alguns, como é o caso do fim do diferimento de IR nos “fundos fechados”, mas que são justas e necessárias.

Ou nos convencemos de que por trás do desemprego, do ódio político e da violência criminosa está um grau inaceitável de desigualdade, agravado pela crise que nos levou à falta de horizonte, e lutamos contra esta situação, ou pouco caminharemos no futuro. Sem confiança no país, a começar em nós próprios, não há investimento nem crescimento que se sustentem. Esta é, portanto, uma questão coletiva, afeta ao país como um todo e precisa ser tratada como um desafio para o Estado e para a Nação.

A questão central de um partido que nasceu como o PSDB, para se diferenciar da geleia geral que se formou na Constituinte, é a de se distinguir pela afirmação, não pela negação. Não será em função de posições que ocupa ou deixa de ocupar nos governos que se afirmará, mas das bandeiras que simboliza e das políticas que apoia para o Brasil. A hora é de coragem para mostrar como o partido vê o futuro e como colabora para formar uma sociedade melhor (apoiando medidas igualadoras e votando a favor das reformas). Não se trata de questão eleitoral, mas de compromisso com o povo e com o Brasil. A história de um partido não se escreve apenas com manifestos e programas, mas com gestos e com pessoas que simbolizem a mensagem que se quer transmitir. Se o preço para ganhar eleições for o de desfigurar as crenças – no que não creio – melhor ficar com estas e semear para o futuro.

É em nome de sua identidade que o PSDB poderá se desligar do governo que ajudou a formar, mas sem abdicar de suas propostas. É legitimo que um partido escolha dentre seus quadros quem, circunstancialmente, é mais adequado para ser seu candidato à presidência e que lute para alcança-la. Sem “hegemonismos”, pois em um país diverso como o Brasil todo partido precisa de aliados com quem compartilhar o poder e as crenças, o que não subentende a submissão cega nema desmoralização das instituições republicanas.

dez
05

Postado em 05-12-2017 00:09

Arquivado em ( Artigos) por vitor em 05-12-2017 00:09

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

‘Gilmar Mendes afrontou a competência de Dias Toffoli’, diz Raquel Dodge

Raquel Dodge entrou hoje com agravo regimental no STF contra a decisão monocrática de Gilmar Mendes que revogou a prisão preventiva de Jacob Barata Filho, informou o site do MPF.

Na mesma peça, a PGR também pede a restauração da prisão preventiva substitutiva do empresário, decretada pela 7ª Vara Federal do Rio.

A procuradora-geral da República alegou incompetência de Gilmar para julgar o pedido de habeas corpus –o HC anterior fora atribuído no STF, por sorteio, a Dias Toffoli, que negou o pedido em 27 de novembro.

Segundo Dodge, por prevenção, a competência para processar e julgar eventuais pedidos relacionados à Operação Cadeia Velha é de Dias Toffoli –foi em decorrência desse critério que ele indeferiu os habeas corpus para Jorge Picciani e Paulo Melo, presos na operação.

Para a PGR, além de Gilmar agir “despido de competência para tanto, afrontou a competência do ministro Dias Toffoli para fazê-lo, em clara ofensa à regra do juiz natural”.

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