abr
19
Posted on 19-04-2012
Filed Under (Poesia) by vitor on 19-04-2012


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Conselho

Carlos Ayres Brito ¹

Namore bem com a vida.
Deixe que ela seduza você.
Permita-se ter um caso de amor
Com ela,
Mas não pare por aí:
(…)
Faça tudo isso e prove da vida
Como do néctar das flores
Prova o colibri,
Sem se perguntar se existe outro céu
Fora daqui.

Carlos Ayres Brito ¹
* Aracaju, SE. – 18 de Novembro 1942 d.C


Colares;presente de aniversário
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Deu no Blog de Rosane Oliveira, no jornal ZERO HORA, de Porto Alegre. Sugestão da jornalista Maria Olívia Soares:

Presente de aniversário

Para homenagear o ex-governador Alceu Collares, que comemorou 84 anos em 7 de setembro, a deputada Manuela D’Ávila preparou um presente especial e foi à casa dele ontem entregar o mimo. É um CD com a gravação de um rap feito a partir do poema O Voto e o Pão, que Collares escreveu em 1977 e que recitou incontáveis vezes em entrevistas, programas de televisão e conversas com amigos. O refrão diz “O voto é tua única arma/ Põe teu voto na mão”.

A produção e o arranjo é do rapper White Jay.
http://wp.clicrbs.com.br/rosanedeoliveira/ (ouça clip)
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O VOTO E O PÃO

(Alceu Collares)

Mandam no teu destino.

Mas ele é teu, meu irmão.

Ergue teus braços finos

E acaba com a exploração

Faz tua revolução!

O voto é tua única arma.

Põe teu voto na mão.

O voto é tua única arma.

Põe teu voto na mão.

O voto é tua única arma

Põe teu voto na mão.

Tua casa está caindo;

Pouca comida tem no fogão;

Tua mulher está mal vestida;

Teu filho de pé no chão.

FAZ TUA REVOLUÇÃO!

O voto e tua única arma;

Põe teu voto na mão.

O voto é tua única arma;

Põe teu voto na mão;

O voto e tua única arma;

Põe teu voto na mão.

Escravismo, feudalismo, capitalismo,

Socialismo, tudo em vão.

Vai milênio, vem milênio.

E continuas na escravidão

FAZ TUA REVOLUÇÃO!

set
07
Posted on 07-09-2011
Filed Under (Poesia) by vitor on 07-09-2011


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PATRIA MINHA

Vinicius de Moraes

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos…
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu…

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda…
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha… A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
“Liberta que serás também”
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão…
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
“Pátria minha, saudades de quem te ama…
Vinicius de Moraes.”

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