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Bahia em Pauta publica o texto escrito pela engenheira baiana e estudante de Direito, Maria Tomé, na passagem do 25 de Outubro, Dia da Democracia.

Não foi publicado naquela data por motivos alheios à vontade e ao conhecimento do editor do BP. Sai hoje, 3 de novembro, porque o tema da democracia é sempre atual e o texto toca em fatos e questões candentes. Permanece mais apropriado do que nunca, principalmente diante das afirmações e debates pós-eleitorais em Salvador. Confira.

(Vitor Hugo Soares, editor)

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Ode a Democracia

Maria Tomé

Como o dia 25 de Outubro, dia da democracia, se afigura, achei por bem traçar alguns comentários sobre o tema, já que a falta de interesse do povo brasileiro com essa palavrinha tem me preocupado profundamente.

Recentemente ouvi numa rádio famosa de Salvador que cerca de 80% da população brasileira nunca ouviu falar do Ato Institucional Número 5 – AI-5 – daqueles que ouviram falar, apenas um terço sabia o que era. Ou seja, apenas 6,7% da população Brasileira sabe o que foi o AI-5. Essa informação me deixou muito assustada. Espero que o leitor esteja entre os 6,7% e se não estiver, que reflita sobre a possibilidade de ler um pouco a respeito. Apenas para constar, o AI-5 suspendia garantias constitucionais dando poderes absolutos ao presidente e ao regime militar e causando o fechamento do Congresso Nacional por quase um ano. Era o auge da ditadura e a perda da liberdade.

Porém, o que me levou a está reflexão foi uma questão mais recente, fruto da eleição a prefeitura de Salvador, que teve o condão de igualmente me preocupar. Não quero defender partidos políticos, porém terei que fazer uma crítica ao partido que atualmente se encontra no poder, espero que seja uma crítica construtiva.

Vivemos uma democracia, onde o voto livre é um direito de todos. Porém, na sanha de obter a vitória na cidade de Salvador, o Governo Estadual e Federal ultrapassaram todos os limites da ética e da democracia.

O que está sendo veiculado na imprensa é que se o eleitor não votar em quem o governo “recomenda”, a verba da cidade vai ser cortada, numa infantilidade sem igual, que lembra a minha infância quando o menino que tinha a bola definia como ia ser o jogo, dizendo: “a bola é minha, se não for do meu jeito, não tem jogo”.

Este posicionamento dos nossos governantes fere todos os princípios democráticos, se trata de coação e chantagem, sendo imoral, além de inverídico. Primeiro que parte da verba é vinculada e não há liberdade do governador ou presidente sobre disponibilizar ou não, quanto ao resto, é dever legal que estes trabalhem para o bem do povo não importando quem seja o prefeito.

No mais, presidente e governador se manifestarem sobre em quem o eleitor deve votar é antiético. Não há qualquer óbice sobre um ex-presidente declarar apoio a um ou outro, porém presidente e governador eleito, representando o país e o estado, enquanto representantes públicos do povo, se manifestarem favoravelmente a um, rechaçando outro candidato é imoral e antidemocrático.

Esta postura de nossos representantes é um severo golpe a nossa democracia conquistada a tão duras penas, e novamente faço um apelo ao partido do governo que analise friamente a sua posição e não se vincule tão levianamente a um conceito como totalitarismo e ditadura.

Maria Tomé é engenheira mecatrônica e estudante de Direito em Salvavador
maria15081203@gmail.com

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