fev
24

Waldir: opção à esquerda

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Waldir Pires, ex-ministro do goveno Lula e ex-governador da Bahia, deu entrevista também nesta quarta-feira à revista digital Terra Magazine ( http://terramagazine@terra.com.br )terra, sobre a política em seu estado no momento crucial das articulações de nomes e grupos com vistas tanto à sucessão presidencial quanto à do governador Wagner, que concorrerá à reeleição ao governo estadual.

Como assina TM na apresentação da entrevista, o PT baiano vive tremores políticos com a provável adesão de ex-afilhados de Antonio Carlos Magalhães (1927-2007), o inimigo histórico dos petistas no Estado, à chapa eleitoral do governador Jaques Wagner, candidato à reeleição. Wagner defende a aliança com os ex-governadores carlistas Otto Alencar (PP) e César Borges (PR), o que tiraria uma vaga do PT no Senado para acomodar a revoada dos ex-adversários.

Um dos principais nomes lembrados pela esquerda baiana e por petistas, para concorrer ao Senado, é o do ex-governador da Bahia e ex-ministro da Defesa do governo Lula, Waldir Pires (PT). Até o momento, porém, fortaleceu-se a tese pragmática, propugnada por Jaques Wagner: o acordo com o PP e o PR, refúgios de ex-carlistas, garantiria a governabilidade. Os militantes do PT estrilam e questionam a mistura.

Para Waldir Pires, um dos mais experientes político da Bahia, será um erro se o PT baiano não tiver candidato a senador nas eleições deste ano e abrir mão das duas vagas para o “carlismo”

Bahia em Pauta reproduz conversa de Waldir Pires com o repórter de Terra magazine, Claudio Leal.

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CLAUDIO LEAL

Apesar das pressões para que se declare candidato, Waldir Pires tem preservado a discrição e a fidelidade às orientações do partido. Pela primeira vez, em entrevista a Terra Magazine, ele analisa a possibilidade de o PT perder uma vaga no Senado para “forças conservadoras”. Waldir mantém relacionamento afável com Jaques Wagner e pondera:

– Tenho apreço pessoal pelo governador. Ele ganha a eleição na Bahia. O Lula é o grande eleitor e Jaques Wagner está com um governo aprovado pelos baianos. Portanto, o PT deve estar no Senado federal, na próxima legislatura, para defender as conquistas sociais do governo Lula. A direita baiana conseguiu, a rigor, ficar no Senado. Dois candidatos eventualmente saídos das forças conservadoras são, evidentemente, algo inacreditável – avalia o petista.

Em 1994, o ex-governador foi candidato ao Senado e perdeu a vaga para o carlista Waldeck Ornelas, numa eleição suspeita de fraudes grotescas. Em algumas urnas, Waldeck chegava a superar os votos do padrinho ACM. Waldir voltou a concorrer para o Senado em 2002, mas não venceu. Em 2010, ele não tomará a iniciativa de lançar-se candidato, mas aceita a “batalha”, caso o partido o convoque: “Estou à disposição do PT”.

– Essa é a aspiração da democracia. Eu me ponho na seguinte posição: é inimaginável que o PT não tenha uma voz no Senado. Digo isso porque Wagner ganha a eleição. Não é possível uma volta à experiência anterior. Um governo como o do Lula tem que ser preservado até o final.

Nas articulações de bastidores, a deputada federal e ex-prefeita de Salvador, Lídice da Matta (PSB), é cogitada como vice de Jaques Wagner. Em 2008, ela aceitou ser vice na chapa de Walter Pinheiro (PT), candidato considerado fraco para conquistar a prefeitura da capital baiana. Pinheiro terminou derrotado por João Henrique (PMDB), apadrinhado do ministro Geddel Vieira Lima. Agora, seria a vez de retribuir o gesto de Lídice na dobradinha estadual. O acordo ainda não foi fechado.

O cenário do Senado é o mais acirrado, nos arraiais do PT. Com ironia, o deputado federal José Carlos Aleluia (DEM) costuma repetir um agradecimento em nome do grupo remanescente de ACM: “A chapa que Wagner está querendo montar (com César Borges e Otto Alencar) é uma homenagem a Antonio Carlos. É o reconhecimento de que Antonio Carlos, entre as suas qualidades, teve a de formar grandes quadros na política baiana”. Waldir Pires não assumirá posições de conflito, interna ou externamente, mas pretende expor a Wagner suas ideias sobre a sucessão:

– Espero poder conversar com o governador e manifestar a minha posição dentro do PT. Não é uma aspiração de natureza pessoal, mas para se preservar o que se conquistou no século XX. É a própria continuidade democrática de Lula, para consolidar a derrota ao neoliberalismo que reduziu a administração pública a questões financeiras, de contabilidade – define Waldir.

“Isso só fortalece minha posição”, diz um mais que satisfeito Geddel Vieira Lima, ministro da Integração Nacional, em entrevista ao jornalista baiano Claudio Leal, na entrevista postada nesta quarta-feira na revista digital Terra Magazine. O contentamento do ministro (PMDB), concorrente do petista Jaques Wagner ao governo da Bahia, é com a defesa de palanque duplo na campanha presidencial em Minas Gerais em favor de Dilma Rousseff, feita pelo vice-presidente, José Alencar.

“Com o segundo palanque, nós iríamos trazer apoios para ela, que não seriam trazidos pelo PT”. Ele repete uma frase melodiosa: “Danço a banda que tocar”. (Parênteses: o que pode significar, para o PT nacional, um rapte-me, me adapte-me, me capte-me. Jura de fidelidade), diz Terra Magazine na apresentação da entrevista do ministro Geddel, que Bahia em Pauta reproduz..

( VHS)

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Geddel com Dilma:

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A ENTREVISTA DO MINISTRO GEDDEL VIEIRA LIMA

CLAUDIO LEAL (repórter de Terra Magazine: ( http://terramagazine@terra.com.br )

De Minas Gerais, o vice-presidente José Alencar (PRB) acendeu duas estrelas nos olhos do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB). Pré-candidato ao governo da Bahia, rompido com o PT no Estado, o peemedebista tenta armar um palanque duplo para a ministra Dilma Rousseff (PT), mas tropeçou na reprimenda do presidente Lula às divisões da base aliada.

Entretanto, Zé Alencar reforçou ontem a tese dos arabescos estaduais: “Eu acho que podemos perfeitamente, se não houver um acordo, ter dois palanques de apoio à eventual candidatura da Dilma”, defendeu o vice, referindo-se à disputa mineira.

“Isso só fortalece minha posição”, diz Geddel, em entrevista a Terra Magazine. “Com o segundo palanque, nós iríamos trazer apoios para ela que não seriam trazidos pelo PT”. Ele repete uma frase melodiosa: “Danço a banda que tocar”. (Parênteses: o que pode significar, para o PT nacional, um rapte-me, me adapte-me, me capte-me. Jura de fidelidade).

“O presidente e Dilma sabem como funciona o duplo palanque na Bahia. O prefeito de Salvador, João Henrique (PMDB), acolheu o PT até abril do ano da eleição (em 2008), mas ele saiu do governo e o prefeito teve que enfrentar o diálogo”, explica Geddel. O ministro insiste apenas em ter acesso direto a Dilma Rousseff, que, na última eleição municipal, cumpriu a promessa de não pisar em terreiros baianos e nem mesmo cruzar o espaço aéreo dos adversários regionais PT e PMDB. “A outra hipótese é gravar pra um e pra outro, garantir o franco acesso para os dois”, completa.

Panelinha

Apesar do rompimento com Jaques Wagner, Geddel ressalta que o governador continua “uma figura extremamente agradável, carinhosa”, exceto no campo político. A respeito da possível aliança de Wagner com ex-afilhados de Antonio Carlos Magalhães, ancestral inimigo do PT, o peemedebista troça: “Querido amigo, ele vai ter que explicar a Zete”. E, pois não, quem é Zete? Geddel sorri, professoral: era a dona-de-casa da propaganda petista contra a “panelinha” de ACM, na eleição baiana de 2006.

“Eu já tô cansada dessa panelinha/ É muita propaganda pra pouca farinha”, cantava a personagem Zete, panela e abacaxi à mão. “Não fui eu! Wagner afirmou, na campanha, que a Bahia foi governada pessimamente nos últimos quarenta anos, o que era fruto das administrações passadas”, volta a espetar. O governador petista ensaia uma chapa com os ex-carlistas Otto Alencar (PP) e César Borges (PR), ingredientes históricos da panelinha.

Disposto a dançar as músicas executadas por Lula, Geddel não esconde um desconforto com a velha amizade do companheiro-mor e Wagner. “Eles são amigos, não sei das conversas dele com o presidente. Espero que às vezes aproveite a proximidade para conversar sobre a Bahia…”. Se quer saber, Geddel Vieira Lima não considera sua pré-candidatura enfraquecida, ainda que tenha estacionado em terceiro lugar nas sondagens eleitorais. “Tenho muito respeito por Paulo Souto (DEM), mas a candidatura dele é fraca”, arrisca, contrariando os números do segundo colocado. Com o apoio do senador César Borges ao PT, avalia o ministro, quem perde é o DEM, o ex-partido de ACM. Questão de proximidades ideológicas. Preocupado com a limpidez da análise, Geddel ainda pergunta: “Ficou tudo claro?”.

Dom Geraldo: “Vergonha!”

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Ao falar com exclusividade nesta segunda-feiraNESTA SEGUNDA-FEIRA para a revista digital Terra Magazine sobre a Campanha da Fraternidade 2010, cujo tema “Dinheiro e Vida ” já começa a suscitar fortes polêmicas em vários setores de opinião pública, dentro e fora das cinco igrejas que participam do maior movimento religioso no campo social na América Latina , o arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Cardeal Dom Geraldo Majella olha e muitas direções

.: “A corrupção no Distrito Federal é uma vergonha internacional”, diz o bispo da Bahia, nascido em Minas Gerais, na conversda com o repórter Claudio Leal. A CF deste ano, segundo Terra Magazine na apresentação da entrevista, nasce com um tema que promete ir além das críticas econômicas e iluminar os subterrâneos das eleições: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”. Com esse lema, a Igreja Católica brasileira oferece a primeira resposta articulada à crise financeira e às novas funções das meias na política nacional.

Bahia em Pauta reproduz a entrevista de Dom Geraldo a Terra Magazine ( http://terramagazine@terra.com.br )

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CLAUDIO LEAL

A Campanha da Fraternidade 2010, lançada na Quaresma por cinco igrejas (católica, anglicana, luterana, presbiteriana e ortodoxa), nasce com um tema que promete ir além das críticas econômicas e iluminar os subterrâneos das eleições: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”. Com esse lema, a Igreja Católica brasileira oferece a primeira resposta articulada à crise financeira e às novas funções das meias na política nacional.

– Há sempre aqueles que põem o dinheiro dentro das meias, dentro de outras partes do corpo para levar o dinheiro da corrupção – atesta o Cardeal Arcebispo-primaz do Brasil, Dom Geraldo Majella Agnelo, 76 anos, em entrevista a Terra Magazine.

Nomeado arcebispo metropolitano de Salvador em 1999, o religioso mineiro tem sido um dos principais porta-vozes da Campanha da Fraternidade. Dom Geraldo reconhece avanços no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, mas ataca a política econômica e afirma que o presidente precisa completar o seu legado.

– Não há dúvida de que há vários avanços do presidente Lula. Mas ele precisa completar a sua obra. Porque, segundo o meu modo de pensar, é garantir empregos, não só pra ganhar sem fazer nada, mas garantir empregos onde cada um vai ter aquilo e vai se sustentar.

O cardeal não vê motivos para a Igreja fazer uma “autocrítica” de suas relações com o poder econômico. Entretanto, não deixa de registrar o espanto com a desenvoltura do governador José Roberto Arruda e seus aliados no Distrito Federal:

– Realmente, isso é uma vergonha nacional e internacional.

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A ENTREVISTA DO PRIMAZ DO BRASIL A TERRA MAGAZZNE

Terra Magazine – O lema da Campanha da Fraternidade 2010 é “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”. O que motivou a escolha do tema e a quem ela é dirigida?
Dom Geraldo Majella – Ela é dirigida a todos aqueles que põem toda a sua confiança só no dinheiro, como é o que se evidencia, internacionalmente, ao poder do dinheiro. Dá-se toda atenção ao dinheiro, à economia, e menos à dignidade do próprio homem. Esse é o motivo, de ver como a economia muda facilmente os horizontes das pessoas, dos países. Ficam todos submissos, até os Estados, à economia. O que está em jogo é não perder dinheiro, mas não se fala nada das pessoas que perdem o dinheiro, os empregos. Tudo isso é uma situação que deixa sempre em suspenso a atividade humana dos assalariados, dos que dependem do dinheiro, dos que não fazem do dinheiro só um jogo de bolsa, de juros. É isso. É uma falta de consideração com as pessoas, que não valem nada diante do dinheiro.

Com a crise financeira mundial, houve uma alteração drástica da mentalidade do consumismo?
Esta crise não trouxe novidade. Claro que ela veio aumentar ainda mais e reafirmar a força do sistema econômico mundial, que está acima dos próprios países.

Como o senhor avalia as imagens de corrupção no governo do Distrito Federal? Os envolvidos conseguiram servir a Deus e ao dinheiro com eficiência?
É uma prova… (risos) A corrupção faz com que se faça qualquer negócio por dinheiro. Que se comprem consciências, que se vendam consciências… Enfim, a corrupção não é só daquele que procura corromper, mas daquele que aceita também a corrupção. Realmente, isso é uma vergonha nacional e internacional. Em toda parte do mundo existem essas provas de corrupção. Não sei onde a corrupção é mais alta, se é no Brasil ou se existe em outros países onde a situação é tão grave quanto a do Brasil.

A campanha aborda também a economia. O senhor reconhece avanços sociais no governo Lula ou houve mais privilégios ao sistema financeiro?
Não há dúvida de que há vários avanços do presidente Lula. Mas ele precisa completar a sua obra. Porque, segundo o meu modo de pensar, é garantir empregos, não só pra ganhar sem fazer nada, mas garantir empregos onde cada um vai ter aquilo e vai se sustentar. Isso é importante. Vai ganhar o seu salário com o suor do seu rosto.

De alguma forma, a campanha incorpora a crítica ao comportamento das igrejas neopentecostais, que têm crescido no Brasil com uma postura agressiva em relação ao dinheiro dos fiéis?
Bom, tem-se visto que muitas vezes até se coloca para os fiéis uma promessa, como se Deus fosse um grande “quebra-galho” do mundo. Deus é providente, mas ele não é um quebra-galho para as pessoas. Faça isso e Deus vai te mostrar aquilo. Não. Ele quer que nós sejamos justos, verdadeiros no nosso proceder, não enganando ninguém, portanto não dizendo mentiras e também não sendo injustos para ninguém.

Como foi feita a articulação para a Campanha da Fraternidade ser ecumênica?
Já é a terceira vez que se faz a campanha ecumêmica. A cada cinco anos, mais ou menos, se faz uma campanha ecumênica. Já é um passo, um modo de agir que já está consagrado. Eu só desejo que realmente possa servir para o entendimento das várias denominações cristãs, porque é no diálogo, nas mãos para fazer o bem, que nós podemos crescer como irmãos.

No bojo dessa campanha, a Igreja Católica não precisa também fazer autocríticas na sua relação com o poder econômico?
Não… Não vejo. Qual autocrítica nós poderíamos fazer?

Na sua Arquidiocese, a de Salvador, sempre houve a expectativa de que a Igreja se desculpasse pela venda da primeira Sé do Brasil a um companhia de bonde (Linhas Circular de Carris da Bahia), que a destruiu, em 1933 (leia a história aqui). Nunca houve um pedido formal de desculpas ao povo baiano e isso tem relação…
Isso é anterior até ao meu nascimento, né? (risos) Já encontrei o caminho percorrido. Naquele tempo ainda não se tinha um cuidado tão grande com as coisas, com os bens culturais. Então, para favorecer a passagem do bonde, a história que vem até hoje é que o governo decretou derrubar a Sé para favorecer o bonde, que, afinal de contas, nem ficou muito tempo naquele lugar.

Recentemente, houve também a venda do histórico Palácio Arquiepiscopal para ser construído um condomínio de luxo (N.R.: onde reside a cantora Ivete Sangalo), no bairro do Campo Grande.
Não, aquele lá, aquele prédio nem era um prédio feito para ser residência. Um prédio que era um escritório e foi adaptado para residência. Ficou de 1933 até 1999. Não tinha esse valor histórico…

Foi uma especulação imobiliária.
Bom! Isso aí é uma questão de administração dos bens. Aquele prédio, quando eu vim para Salvador, foi declarado não-próprio para habitação. Tive que mudar, na véspera de chegar a Salvador para tomar posse da Diocese. Foi dito que eu não iria mais para aquele prédio, porque foi declarado não apto, perigoso para habitação. O cupim estava comendo. Eu tive até cartões de visita com aquele endereço. Fiz aquilo de propósito, já tinha tudo preparado para ficar lá. Tive que ir pro Mosteiro de São Bento, mas o bispo não vai poder morar lá. Fiquei uma semana, depois fui para uma casa que foi emprestada pelo consulado alemão, fiquei 45 dias… Depois para uma casa alugada, até que nós fizemos a casa definitiva, onde eu moro hoje.

Voltando à corrupção, o governo afirma que o País avançou no combate a essas práticas, há mais controle dos gastos públicos. O que o senhor diz?
Deus queira! Deus queira que haja mais controle. É isso que a gente deseja. Por mais que se faça, há sempre aqueles que põem o dinheiro dentro das meias, dentro de outras partes do corpo para levar o dinheiro da corrupção.

Terra Magazine ( http://terramagazine@terra.com.br )

fev
18

DEU EM TERRA MAGAZINE:

Marcela Rocha

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou relatório que acata quatro pedidos de impeachment contra o governador afastado José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM). No entanto, negou contra o vice Paulo Octávio (DEM), que cogita renunciar.

Na ânsia de se desvincular do governo do DF, a Executiva do DEM se reunirá para discutir a expulsão de Paulo Octávio. Contudo, ressalta o deputado federal Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), a decisão depende ainda da renúncia ou não.

Após a prisão de Arruda, ocorrida na última quinta-feira, 11, sua ex-legenda orientou que todos os filiados deixassem o Palácio Buriti. Paulo Octávio não obedeceu e, segundo o deputado, “farão de tudo para desvincular completamente a legenda do governo do DF”. O recado foi dado.

Na tarde desta quinta-feira, 18, André Duda, assessor de Arruda, disse Paulo Octávio não vai renunciar ao cargo.

Leia abaixo a entrevista:

Terra Magazine – Como o DEM trabalha, agora, o afastamento do governo do DF?
Antônio Carlos Magalhães Neto – A imprensa e alguns políticos dizem que ele vai renunciar, mas isso ainda não aconteceu.

Paulo Octávio diz ter se sentido desamparado pelo partido.
O problema é que o partido não pode mais ter qualquer vínculo com o governo do DF. Já pagamos um preço muito caro por tudo o que já aconteceu e sem responsabilidade alguma. Não podemos continuar vinculados a esse governo.

Qual a saída para o DEM? O senador Demóstenes Torres defende a retirada de todos os filiados do governo – o que vocês também já recomendaram – a expulsão de Paulo Octávio e a intervenção no Diretório.
A intervenção é um caminho bem provável. A retirada do governo já foi uma decisão comunicada. Agora, a expulsão de Paulo Octávio vai depender da decisão dele sobre continuar ou não no governo.

Se ele permanecer no governo, ele será expulso?
Veja bem, o DEM quer se desvincular completamente do governo do DF. Mas isso não é uma barganha, quero deixar claro que isso será, obviamente levado à votação na Executiva. Mas queremos nos desvincular por completo.

Da mesma forma que nem todos do PT estavam envolvidos no Mensalão, nem todos do DEM estão neste escândalo de agora. O DEM tem feito todo o necessário para se desvincular?
Tem feito tudo o que pode. Fomos os únicos que cortamos na própria carne para nos desvincular e deixar isso claro. Não passamos a mão na cabeça de ninguém. Iríamos expulsar Arruda, mas ele decidiu sair um dia antes. O presidente da Câmara saiu. Obrigamos todos os filiados a saírem e retiramos qualquer tipo de apoio ao governo do DF.

O que significaria para DEM manter Paulo Octávio no partido?
O DEM quer se desvincular completamente do governo do Distrito Federal.

E quem quiser se manter nele está fora?
Pronto.

jan
18

Aécio: “cuidado com armadilhas./Beto Magalhães-TM

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Editor-chefe da revista Terra Magazine, repórter até na alma, Bob Fernandes não sai sem uma boa e nova informação de bastidor, notícia, reportagem ou entrevista, de onde quer que ele passe. Há poucos dias, por exemplo, ele andou por Belo Horizonte e, apesar da proverbial desconfiança e poucas palavras dos políticos mineiros, arrancou uma alentada e reveladora entrevista do governador Aécio Neves, seguramente destinada a discussão e polêmicas em todos os quintais partidários nesta fase de primeiros ensaios da campanha presidencial à sucessão do presidente Lula.

Na conversa exclusiva com Bob, o governador Aécio é enfático ao afirmar de público, e também pela primeira vez, que é “zero” a chance de ser candidato a vice-presidente da República numa eventual chapa encabeçada pelo colega tucano de São Paulo, José Serra.

Mas não para aí.

Depois de abrir mão de sua pré-candidatura, por discordar dos atrasos nas decisões internas do PSDB, o governador mineiro se revela atento ao que considera uma “armadilha” eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Aécio diagnostica: para robustecer a candidatura da ministra Dilma Rousseff, que o PT articula um discurso de divisão do País entre “ricos e pobres”, “nós e eles”.

O editor-chefe de TM revela na apresentação da entrevista , que dias antes dessa conversa no Mangabeiras, palácio encravado no topo da cidade de Belo Horizonte, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, esteve em São Paulo reunido com o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso e com o presidente do PSDB, Sérgio Guerra.

“Nós teremos que fugir da armadilha que, de forma autoritária, vem sendo preparada”, alerta o governador na entrevista a Terra Magazine. Entende Aécio que a transferência de votos do presidente para Dilma, ungida como sucessora, tem um limite:

– É algo muito relativo e as qualidades do candidato terão que se acentuar ao longo da campanha…

Uma vez mais, Aécio atenta para o risco de um “programa autoritário” do PT para dividir o Brasil muito além das divergências com o PSDB.

– Eu confesso a você que me surpreendi com o vigor do programa do PT já nessa linha que eu chamarei de autoritária, porque ela não serve ao país, ela é falsa, não é real, não existe essa coisa… Vamos fugir desse maniqueísmo ou, como eu disse, dessa posição autoritária de criar uma divisão no País que não interessa a absolutamente ninguém.

E mais Bahia em Pauta não diz, para não tirar o sabor e a arte da conversa de Aécio com Bob Fernandes em sua fonte original: Terra Magazine (www.terramagazine@terra.com.br).  Aliás, só mais o aperitivo da primeira pergunta de Bob a  Aécio, para aumentar o apetite.”

Bob Fernandes
De Belo Horizonte (MG)

Terra Magazine – Estamos aqui em Minas Gerais, no Palácio das Mangabeiras, com o governador Aécio Neves. Qual é a possibilidade de o senhor vir a ser candidato a vice-presidente numa chapa do PSDB?

Aécio Neves – É um prazer enorme estar falando com você na minha primeira entrevista após o meu anúncio de que deixaria o PSDB à vontade para construir sua candidatura. Disse então que voltaria minhas forças e as minhas atenções para as coisas de Minas Gerais. Eu reconheço e respeito a posição de alguns companheiros que gostariam de ver uma chapa composta pelo governador Serra e por mim. Mas, da mesma forma que respeito essa posição, é natural que eles respeitem o meu ponto de vista de que essa chapa não é adequada para nós vencermos as eleições.
O quadro partidário brasileiro é extremamente plural, nós devemos absorver outras forças políticas. Não acho que eu possa ajudar mais uma candidatura do PSDB do que estando em Minas Gerais, eventualmente como candidato ao Senado, ajudando a dar a vitória ao nosso candidato ao governo de Minas Gerais e ao nosso candidato a presidente da República, mas para isso eu precisarei me dedicar profundamente às questões mineiras. Portanto, não existe, nem cogito essa possibilidade de disputar a vice-presidência da República. Coloquei meu nome para candidato à Presidência, para a construção de uma nova convergência política no Brasil, de um governo que olhasse para o futuro, aquilo que eu chamei o pós-Lula. O partido, e eu respeito essa posição, optou por caminhar em outra direção. Cabe a mim cuidar das coisas de Minas e apoiar o candidato do meu partido.

Confira.

(Vitor Hugo Soares)

nov
16

O bicho continua pegando em Santo Amaro da Purificação, formosa e geralmente pacata cidade do Recôncavo Baiano. Dona Canô. matriarca do lugar e da família Veloso, não se conforma com explosiva entrevista de Caetano Veloso ao jornal Estado de S. Paulo, na qual o flho mais famoso depois de fazer declaração de voto à senadora verde, Marina Silva, para a presidência da República, chamou o presidente Lula de analfabeto.

“Lula não é analfabeto”, reagiu Dona Canô nesta segunda-feira, 16, mais uma vez, às palavras do filho.Ela deu entrevista por telefone que a revista digital Terra Magazine publica hoje. Na conversa com o repórter de TM em São Paulo , Claudio Leal, a centenária matriarca santamarense, que já fizera o filho Rodrigo – secretário municipal de Cultura de Santo Amaro – pedir de público em nome da família desculpas “ao governador Jaques Wagner, ao presidente Lula e principalmente ao povo brasileiro” – confirma sua disposição de falar com Lula – que telefona para ela em cada aniversário – para pedir desculpas pessoalmente.

Dona Canô, memo abalada com o episódio, não perde o espírito maternal e tenta proteger a cria, enquanto aguarda Caetano Veloso ligar para o casarão da família em Santo Amaro Na entrevista a Terra Magazine (terramagazine.terra@terra.com.br ), ela critica a imprensa por tentar “prejudicar Caetano”.

Terra conta tudo. Bahia em Pauta reproduz. Confira ( Vitor Hugo Soares)

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Dona Canô: defesa de Lula e cuidados com Caetano
Canveloso

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TERRA MAGAZINE

CLAUDIO LEAL

Em visita a Roma, o presidente Lula precisa apenas retornar ao telefonema de Dona Canô, 102 anos, a matriarca de Santo Amaro (BA), para ouvir os pedidos de desculpas pelas duras críticas do filho Caetano Veloso. Em entrevista a Terra Magazine, a mãe do compositor afirma que “Lula não é analfabeto”. Espírito maternal, ela critica a imprensa por tentar “prejudicar Caetano”.

– Os jornalistas gostam muito de polêmica. Eu nem dou confiança. Eles ficam explorando, explorando, explorando… Por mim! Vou falar com ele (Caetano). Sempre que podia, falava, mas falava pessoalmente, não por telefone.

Em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, na Rede TV, Lula voltou a comentar o ataque de Caetano: “Minha resposta foi ouvir o disco ‘Chico Buarque político'”. E só. Nas declarações ao jornal Estado de S. Paulo, Caetano Veloso anunciou apoio à senadora Marina Silva (PV) e sentenciou: “Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é uma cabocla. É inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro.”

Dona Canô transmite paciência. Não ligou para Lula, no início desta segunda-feira, porque o “amigo” presidente não é lá um homem de acordar cedo.

Terra Magazine – A senhora conseguiu falar com Lula?
Dona Canô – Vou tentar. Se ele ouvir, quiser atender, eu falo. É muito ocupado. Se ele não quiser atender, não falo.

Mas já ligou pra ele?
Ainda é muito cedo (às 9h30 do horário baiano). E ele é homem que acorda às sete horas? Ham. Ele é homem que acorda de dez horas em diante (risos)

O que vai dizer a ele?
O senhor pode bem imaginar. Primeiro que foi a imprensa que gosta muito de fazer alarde, precisa fazer esse trabalho e saiu com isso pra prejudicar Caetano. Segundo, que eu não aprovei o que Caetano disse, ele não é analfabeto. Caetano disse que a moça (Marina Silva) que queria ser presidente não era analfabeta. Não disse que Lula era analfabeto. Os jornalistas gostam muito de polêmica. Eu nem dou confiança. Eles ficam explorando, explorando, explorando… Por mim! Vou falar com ele (Caetano). Sempre que podia, falava, mas falava pessoalmente, não por telefone. Agora eu vou falar.

Caetano ainda não ligou pra senhora?
Não. Ele só liga pra mim quando tem necessidade. Ele achou que não tinha necessidade. Mas eu sei que ele vai ligar.

Caetano sempre fez críticas a políticos que também eram amigos da senhora, como ACM. Ele teve essas discordâncias.
Ele sabe. Ele sabe que, toda vez que falo com Lula, eu digo a ele. Se achou isso, não tenho o que fazer.

A senhora viu o que Lula respondeu a Caetano, ontem, na TV?
Não vi. O que foi?

Ele disse que a resposta dele era ouvir um disco de Chico Buarque.
Então! Tá vendo? Ele notou a diferença (risos)

Santo Amaro está precisando de ajuda?
Muito, muito, muito, mas não chega nada pra gente. Chegam só procurando conversa.

O que acha de Lula como presidente?
Como presidente, não. Como meu amigo. Quando ele veio aqui me dizer que estava concorrendo à presidência, eu disse: “Olha, Lula, é uma questao delicada. Você com essa natureza.. Mas, se você tá com vontade, vá”. Votei nele. E votaria quantas vezes fosse necessário.

nov
05

Jorge Hage: aperto na fraude com lupas informatizadas
johage
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O poço aparentemente sem fundo da corrupção e das fraudes segue fazendo sérios estragos no país, embora alguns dados demonstrem que o cerco contra os corruptos e seus métodos fraudulentos se fecha cada vez mais, mesmo sem a colaboração essencial de julgamento e punição mais ágeis e severos dos infratores.

Segundo revela o ministro-chefe da Cotroladoria Geral da República, Jorge Hage Sobrinho, em entrevista exclusiva editada nesta quinta-feira,5, duas dezenas de modalidades de fraudes foram detectadas em compras licitadas pela União nos últimos quatro anos. Suas ocorrências estão mapeadas em setores econômicos, regiões, órgãos, ramos. Envolvem contratos que somam R$ 5,75 bilhões de verbas públicas.

Mas, como afirma TM na apresentação da entrevista realizada pelo repórter Eliano Jorge, isto é só uma amostra de um promissor trabalho de investigação da CGU.É com lupas informatizadas, e não telescópios, que se vasculham estas contas astronômicas de milhões de contratos. O ministro da CGU, Jorge Hage, minimiza o flagra de quase R$ 6 bilhões em operações suspeitas: “Representa apenas 6,9% do universo (examinado). Além disso, não significa que em todas elas tenha ocorrido fraude. A procuradoria vai aprofundar para verificar onde realmente houve”.

O ministro assinala na conversa, que tal universo se espalha por R$ 164,8 bilhões em licitações realizadas. Um banco de dados de difícil averiguação humana. Graças a uma malha fina tecnológica, foram identificados tipos de irregularidades que vão balizar as auditorias. Novas formas de desvios ainda são estudadas.

– Identificados padrões de comportamento, isso passa a permitir para nós uma atuação preventiva, pra impedir que (essas fraudes) voltem a ocorrer – frisa Hage.

Na entrevista, o ministro defende o polêmico sistema de pregão pela internet, que passou a dominar as licitações da União e pode ampliar-se por meio de um projeto de lei.

Desvio de verbas públicas é tema que Hage habituou-se a comentar desde a estreia de Terra Magazine, em 17 de abril de 2006. Culpa de um país em que, averiguou a CGU e declarou o ministro àquela época, “a corrupção é cultural, sistêmica; rouba-se em até 80% dos municípios”.

Bahia em Pauta reproduz trechos da entrevista:

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Terra Magazine – Em relação à reportagem da Folha de S. Paulo (de 2 de novembro de 2009) sobre investigações da CGU, como funcionam as fraudes no pregão eletrônico?

Jorge Hage – O que é preciso corrigir em relação à matéria da Folha, não é que tenha informação errada, é que ela induz ao entendimento de que existiram R$ 6 bilhões de compras com fraude. Não é exatamente disso que se trata. O que existe é uma malha fina que estamos criando neste Observatório da Despesa Pública, que é um trabalho de investigação em cima do banco de dados de compras acumuladas dos últimos anos, utilizando esta tecnologia de informática mais moderna que nós temos, procuramos identificar tipologias de fraude que se repetem. Identificamos estes tipos de fraudes, isolamos cada um, de modo a orientar nossa auditoria, nossa área de controle interno, para já trabalhar de forma mais focada, em cima daquilo, com um trabalho inclusive preventivo. Então, identificamos já 15 a 20 tipos de fraude que transformamos em trilhas de auditoria.

Que tipos, por exemplo?

Por exemplo, vínculo societário entre licitantes. Quer dizer, duas ou três empresas que frequentemente comparecem a uma licitação, a um pregão, como se estivessem concorrendo entre si, quando, na verdade, são do mesmo dono, da mesma família. Outro exemplo: empresas criadas muito recentemente – há um mês, 15 dias ou dois meses – vêm participar de uma licitação.

Havia casos de ligação entre quem fazia a licitação e quem vencia?

Não. O pregão é a única forma de licitação que consegue evitar isso. Porque o pregoeiro não tem contato com os licitantes. Ele não sabe quem está apresentando as propostas. Para ele, aquilo é incógnito. E só se vai saber depois que ele define o vencedor. Esta é uma das várias vantagens do pregão. Mas, como eu estava lhe dizendo, estas tipologias de fraude nós aplicamos ao banco de dados onde tem R$ 165 bilhões de compras licitadas entre 2005 e abril de 2009. Dentro deste universo de R$ 165 bilhões, identificamos estas tipologias mapeadas em R$ 5,75 bilhões, que é o número que está na matéria da Folha, o número está correto. Agora, isto representa apenas 6,9% do universo. Além disso, não significa que em todas elas tenha ocorrido fraude. O que significa é que estes 6% é o tanto que caiu nessa malha fina. A partir daí, a procuradoria vai aprofundar para verificar onde realmente houve fraude.

Há chance de, neste universo de R$ 165 bilhões, ter escapado alguma coisa?

Aí não tem chance de ter escapado nada. Porque os softwares são aplicados em cima desta montanha de dados e identificam sempre que ocorrem aqueles tipos de fraude. É lógico que podem ocorrer outros tipos de fraude, outras tipologias. Mas entre essas 15 a 20 que já desenvolvemos, não escapa nada. O que houver de fraude recente e cujo volume, cujo montante, justifique uma auditoria, a gente faz. Agora, a gente não vai atrás de todo este banco de dados que, na verdade, tem dados desde 1998, coisas de 11 anos atrás. É claro que não vamos procurar agora, digamos, se houve uma compra de papel de expediente de R$ 10 mil em 1998.

Quais são as vantagens do sistema do pregão eletrônico? A transparência, a redução da corrupção…?

São várias. A primeira, que lhe falei, que o pregoeiro não tem contato com os licitantes. Esta, pra nós, é talvez a mais importante de todas porque o risco de corrupção é diretamente ligado ao contato entre o agente público e o representante privado que tem interesse na história. É nesta interface que se coloca o risco. Então, se você elimina o contato entre o pregoeiro e os licitantes – o pregoeiro não sabe quem está apresentando as propostas, que ele recebe pela internet -, isso aí já é uma enorme vantagem. A outra vantagem é a transparência. Aquilo ali está visível para todo mundo.
A terceira vantagem é que, como não há o contato prévio, é impossível a orientação, o direcionamento. Outra coisa é que você primeiro recebe as ofertas de preço. E preço é o fator mais objetivo, embora não possa ser o fator único de escolha em alguns os casos. Por isso mesmo, nem todo tipo de contratação pode se resolver pelo pregão. Mas tudo que é serviço comum, produtos comuns, que podem ser comprados por pregão, nós estamos sempre enfatizando que deve se preferir o pregão porque, primeiro, você escolhe por preço, que é um dado objetivo. Se você oferecer seu produto por R$ 5 mil e eu oferecer o meu por R$ 7 mil, o pregoeiro não tem desculpa para comprar o meu em vez do seu. Quando entram os fatores capacidade técnica, qualidade técnica, criativdade, aí é que a coisa complica. Ou então inabilitação da empresa por falta de documento. Tudo isto, no pregão, fica em plano secundário. Fica para uma segunda fase. Só depois é que se vai ver documentação da empresa etc. Na primeira fase, se escolhe por preço…

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Leia a íntegra da entrevista em Terra Magazine ( http://terramagazine.terra.com.br )

out
31
Posted on 31-10-2009
Filed Under (Entrevistas, Newsletter) by vitor on 31-10-2009

Geddel e Dilma: “só carinho”
gedilma
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No comando da pasta da Integração Integração Nacional do governo Lula , o ministro Geddel Vieira Lima insiste em proclamar à toda altura a sua condição de pré-candidato do PMDB na Bahia, contra o governador petista Jaques Wagner. Enquanto isso, costura a aliança das duas legendas nacionalmente, e parece não ter motivos de arrependimento ou temer desgaste político causado pelas críticas ácidas que recebe de adverários em seu estado.

Ao contrário, como revela na entrevista concedida ao repórter baiano Eliano Jorge, postada neste sábado, 31, na revista digital Terra Magazine.

“Só tenho recebido do presidente Lula e da ministra Dilma demonstrações de carinho, de apreço e estou sendo uma pessoa que tem procurado articular muito o PMDB nacional, quebrar resistências para viabilizar uma apoio forte à ministra Dilma Rousseff”, deixa claro. E Geddel ressalva: “A disputa na Bahia não contamina o projeto nacional. Da nossa parte.”

“Falar de Partido dos Trabalhadores com Geddel Vieira Lima suscita opiniões extremas. Do apoio exacerbado ao rompimento total. Ir de um lado desse a outro é como atravessar uma fronteira bem definida. No caso estrito, a da Bahia’, assinala TM na apresentação da entrevista. Confira trechos da conversa do ministro Geddel em Terra magazine, que Bahia em Pauta reproduz a seguir. (VHS)

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Terra Magazine – Houve palanque duplo para eleição em Salvador, em 2008. O que o senhor acha desta nova ocorrência para a disputa pelo governo da Bahia?

Geddel Vieira Lima – É um fato absolutamente natural. Infelizmente o PMDB e o PT da Bahia deixaram de se entender. O PMDB identificou uma série de quebras de compromissos dos pontos de vista administrativos e políticos. O que nós imaginamos e sonhamos em 2006 começou a desmontar em 2008, quando o PT deixou a administração do prefeito João Henrique. Depois de negociar inclusive a ampliação do espaço, lançou uma candidatura. Foi colocado de forma clara. Aliado a este posicionamento político do PT com uma série de desarranjos administrativos, nós entendemos que não cabia mais preservar esta aliança.

Terra Magazine –Existe alguma chance ainda de o senhor compor com o PT baiano…?

Não, não, não, não, não. Não vislumbramos. Não vislumbramos. Cada um vai sair com seu projeto próprio. O que pode nos manter unido é a avaliação de que o projeto nacional é um projeto bem-sucedido. Ou seja, o Lula tem sido excepcional para o Brasil, o Wagner não tem sido bom pra Bahia. Portanto, nós vamos disputar esta eleição, oferecendo um apoio à candidatura que preserve o projeto do presidente Lula.

Terra Magazine –E o que o senhor acha da avaliação de que sua candidatura fica enfraquecida sem o apoio do governo estadual?

Só pode ser uma avaliação dos meus adversários. O Jaques Wagner ganhou uma eleição no passado, numa postura contra o governo estadual. Estar no governo estadual não significa você ter sucesso, significa você fazer uma boa administração. Não é o caso do que está acontecendo na Bahia. Estou extremamente otimista.

Terra Magazine – Como tem sido seu entendimento com a ministra Dilma e o presidente Lula?

Excepcionalmente bem. Só tenho recebido do presidente Lula e da ministra Dilma demonstrações de carinho, de apreço e estou sendo uma pessoa que tem procurado articular muito o PMDB nacional, quebrar resistências para viabilizar uma apoio forte à ministra Dilma Rousseff.

Terra Magazine – O acirramento da disputa na Bahia não pode deteriorar o pré-acordo entre PMDB e PT pela candidatura nacional?

Por quê? Não vejo qual é a ligação que têm uma coisa e outra. Nós vivemos numa federação, não há obrigação de o que acontece nacionalmente se repetir nos mais diversos estados. Já não aconteceu na eleição passada. Em Pernambuco, havia a candidatura do Eduardo Campos e a do Humberto do Costa. Este fato que acontece na Bahia acontecerá em outros lugares. Eu tenho tido com a direção nacional do PT e com o presidente Lula e a ministra Dilma a melhor das relações. E o PT nacional também tem visto posições extremamente ponderadas, moderadas, diferentemente das posições do PT da Bahia, que vivem, entre outras coisas, tentando plantar – e o termo é este – plantar, na mídia amiga, intriga, cizânia, divisão. Já tenho experiência suficiente para não morder este tipo de isca.

Terra Magazine – Na verdade, foi o jornal O Globo que publicou nesta sexta-feira…

Mas eu não estou falando especificamente deste assunto, estou lhe falando de vários assuntos.

LEIA ÍNTEGRA DA ENTREVISTA DO MINISTRO GEDDEL EM TERRA MAGAZINE 

out
27

Nery: “espremi minha vida”
SNery
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“O que fiz, palavra que nenhum bicho, só o homem, era capaz de fazer”. Para o repórter Claudio Leal, da revista digital Terra Magazine, essa frase do aviador Guillaumet, personagem de “Terra dos Homens”, de Saint-Exupery, pronunciada em um bar depois de retornar andando (e na neve) de um desastre nos Andes, talvez pudesse servir de epígrafe do livro de memórias que o jornalista baiano Sebastião Nery se prepara para lançar.

No dia 9 de novembro, em Recife, no aniversário do jornal Diário de Pernambuco, Nery lançará “A Nuvem – O que ficou do que passou” (Geração Editorial), o livro que condensa 50 anos de vida profissional e política. Uma aventura existencial que começa em um internato de seminaristas, na Bahia, e se estende até os anos 90.

“Nesse rastro de evocações, surgem os presidentes Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, os ditadores do regime militar, Tancredo Neves, Brizola, José Sarney e Fernando Collor”, resume Leal na apresentação da entrevista exclusiva de Nery a TM, para falar do livro e da vida.

A palavra ainda com o jornalista de Terra Magazine: “Nery é memória. Num papo informal, o jornalista político é capaz de escalar ministérios, contar a história do enterro da cadela de Jânio Quadros (sim, chamava-se Muriçoca e foi presenteada pela Rainha Elizabeth II), relatar o encontro com Frei Pio de Pietrelcina, em San Giovanni Rotondo (Itália), e lançar uma farpa específica a cada víbora da política nacional”.

– Você de repente vai vivendo mais e a vida se torna uma alameda de amores mortos. Fui revirar, mesmo assim é um negócio difícil… Esse livro sou eu. É minha alma, minha vida, meus sofrimentos, minhas angústias e, inclusive, as brigas em que entrei. Não falseei nada.

A briga com o amigo Leonel Brizola, nos anos 80, está contada num capítulo “denso e forte”. Deputado federal pelo Rio de Janeiro (eleito com 111 mil votos) e secretário nacional do PDT, Nery travou uma conversa amarga com o governador carioca. Modos gaúchos, Brizola passou manteiga no pão antes de lhe pedir uma escolha: o jornalismo ou a direção do partido. Depois do encontro, a sentença.

– Desci, e estava o ótimo repórter Henrique José. Tinha me visto entrar, e ficou no botequim do Hotel Othon. “O que houve com você e Brizola? Eu tinha a notícia de que Brizola ia lhe enquadrar. É verdade?”. Falei pra ele: “Tenho que ir pra Brasília…” “Me dê apenas uma frase”, pediu. E eu dei: “Acho que nos enganamos. Fomos a Lisboa buscar Brizola e trouxemos Juan Domingo Perón.”

Na entrevista a Terra Magazine , Nery fala com Claudio Leal – um jovem jornalista e conterrâneo – “das experiências escrevinhadas em “A Nuvem”, mas também opina sobre a política brasileira contemporânea, sem esquecer a polêmica confissão do presidente Lula, de que precisa se aliar a “Judas” para poder governar.

– Lula já se aliou a Judas. Mas o Fernando Henrique se aliou a Satanás. Fernando Henrique se antecipou, se aliou a Satanás, fez uma aliança com o sistema financeiro, internacionalizou a economia – ataca o jornalista.

Também polêmico ex-parlamentar, para Sebastião Nery o Congresso Nacional se empobreceu ao servir de esteio para os interesses de grupos financeiros.

– A política passou a ser um braço político do sistema financeiro e dos interesses econômicos. Atrás de cada grande negócio, existe um grande branco. A política brasileira passou a ser monetária e financeira. O Congresso não é mais cultural, político; é capitalista, financeiro.

A ENTREVISTA

Terra Magazine – O subtítulo de “A nuvem” é inspirado numa definição de Alceu Amoroso Lima sobre o passado?
Sebastião Nery – “O passado não é o que passou. É o que ficou do que passou.” O livro, na verdade, é uma espremida. Você não faz um livro desse se não espremer a alma durante 50 anos. Porque eu tinha que contar uma série de histórias. Umas são fáceis, outras não são fáceis. Mas tinha que contar. Você não pode fazer um livro desse com mentira. Pode fazer deixando de contar alguma coisa. Evidente que deixei de contar uma série de coisas. Ou eram pessoalmente desagradáveis ou politicamente incorretas. Por exemplo, discutir o problema do Brizola com o dinheiro. Eu sei quais eram, mas aí era o problema de como ele via o financiamento da vida pública.

Episódios da campanha eleitoral?

O que é um problema complicado com todo político brasileiro. Quando você tem um processo político financiado não publicamente, mas privadamente… Isso aconteceu com o Jânio, com Brizola, com os outros todos. Isso eu achei que não devia tratar, até porque, embora fosse testemunha de alguns fatos, era um processo de financiamento de políticos.

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LEIA ÍNTEGRA DA ENTREVISTA DE SEBASTIÃO NERY EM TERRA MAGAZINE ( http://terramagazine.terra.com.br)

set
12
Posted on 12-09-2009
Filed Under (Artigos, Claudio, Entrevistas) by vitor on 12-09-2009

Mãe Stella, admirada e seguida por Olyntho
stella
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O texto a seguir sobre a morte do escritor da Academia Brasileira de Letras, Antonio Olyntho, foi publicada neste sábado, 12, na revista digital Terra Magazine.

Assinado por Claudio Leal, remete a uma entrevista realizada por telefone pelo repórter baiano com o imortal da ABL, publicada em outubro do ano passado, na qual Olyntho fala de sua estreita e antiga relação com os terreiros baianos de Candomblé, em especial com o Axé Opô Afonja, de Mão Senhora, conduzido atualmente por Mãe Estela.

Bahia em Pauta reproduz o texto de hoje e recomenda a entrevista de outubro em TM (http://terramagazine.terra.com.br).
(VHS)

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Claudio Leal

Morto neste sábado, no Rio de Janeiro, aos 90 anos, o escritor Antonio Olinto manteve vinculações profundas com o Candomblé baiano – talvez seja o último remanescente do grupo de artistas e intelectuais que incluía Jorge Amado, Dorival Caymmi, Carybé, astutamente incorporados ao Ilê Axé Opô Afonjá, em Salvador, por mãe Senhora (a ialorixá saudada por Vinicius de Moraes no “Samba da Bênção”).

Membro da Academia Brasileira de Letras, Antonio Olinto era também o mais velho Obá de Xangô do terreiro hoje liderado por mãe Stella de Oxóssi. No posto civil mais alto do Candomblé, ele tinha como confrades o compositor Gilberto Gil, o antropólogo Vivaldo Costa Lima e o professor Muniz Sodré. “Esses ministros eram antigos reis, príncipes ou governantes dos territórios conquistados por Xangô no país de Yôrubá”, explica o historiador Edison Carneiro em Candomblés da Bahia.

Em 2008, após a morte de Dorival Caymmi, Olinto concedeu uma entrevista a Terra Magazine sobre suas vivências nos terreiros baianos. Lembrou-se de sua amizade com pai Agenor Miranda Rocha (1907-2004), sacerdote e professor no Rio de Janeiro.

– … a Mãe Senhora era uma sábia. Muito inteligente, naquela inteligência natural do povo. E também foi aprendendo. Ela fazia uns discursos bem bons. Sabia falar. E preparou a menina, né? A Stella, que foi filha dela em tudo. Ela morreu e não foi ainda Stella, foi Ondina. Depois dela, todos nós nos reunimos e o Agenor foi jogar os búzios. Ela foi preparada por Senhora para isso.

Nesta entrevista, Olinto contou seu projeto de preservar as obras de arte reunidas em viagens à África, vasto acervo compartilhado com a esposa Zora Seljan.

– Temos aqui 200 esculturas africanas de madeira no meu apartamento. Nós fizemos uma exposição no Sesc do Flamengo e no Sesc de Madureira. Com a morte da Zora, eu fiz um instituto cultural Antonio Olinto, que foi aprovado pelo governo, e eu pretendo doar tudo isso para o instituto. Tenho 16 mil livros, mais essas 200 esculturas, pintura… não tem mais lugar pra pintura. Caixas e caixas com pinturas guardadas. Seria o Instituto Antonio Olinto com o museu Zora Seljan de Arte Africana.

Zora Seljan foi a primeira esposa do cronista Rubem Braga. E Olinto jamais se livraria de uma frase viperina do velho Braga: “Ela melhorou de marido, mas piorou muito de estilo”

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