out
02
Posted on 02-10-2010
Filed Under (Crônica, Janio) by vitor on 02-10-2010

Marina: a surpresa que voa alto

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CRÔNICA/ UMA MULHER

VOE, MARINA, VOE

Janio Ferreira Soares

É uma pena que talvez não dê tempo, mas eu gostaria muito de ver Marina disputando com Dilma o segundo turno da eleição presidencial. Primeiro, porque ela me lembra aquela vizinha que sempre chega com um pedaço de bolo ou um chazinho de erva cidreira para acalmar os nervos da gente. Segundo, porque seria muito bacana uma disputa entre uma Silva e uma Rousseff. A propósito, se fosse uma luta pra valer eu até arriscaria dizer como seria a apresentação das duas.
“Neste canto do ringue, pesando o seu peso e mais o de toda a nação petista, ela, uma mineira com sangue búlgaro correndo nas veias; ela, que é a esperança dos companheiros que estavam controlados por Lula e que sonham em voltar a vestir camisetas com a foto de Che Guevara no peito; ela, que não é de brincadeiras e já foi acusada de ter feito chorar o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli; ela, que ao contrário de Lula (que sempre foi uma metáfora em constante aperfeiçoamento) é uma grande interrogação, a começar pelas sobrancelhas flexionadas em arco. Com vocês, o furacão dos pampas, Dilma Vana Rousseff!”
“No outro canto do ringue, pesando o suficiente para flutuar acima do bem e do mal, ela, que veio dos cafundós do Acre; ela, que perdeu a mãe aos 15, contraiu hepatite aos 16, e mais cinco malárias e uma leishmaniose; ela, que foi empregada doméstica, estudou no Mobral e se formou em História; ela, que aos 36 anos foi a senadora mais jovem da história da república, e depois foi ministra do Meio Ambiente no governo Lula; ela, que por não concordar “com ganhos exacerbados para poucos e resultados perversos para os mais pobres”, pediu demissão, saiu do PT e foi para o PV. Com vocês, a caboquinha Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima!”
E quando a platéia já imaginava um massacre, milhões de silvas (incluindo Lula, Marisa e José Alencar) fariam uma grande corrente e ela flutuaria tal um raro colibri, espalhando uma essência mágica sobre todos, que, hipnotizados, lhe dariam uma bela vitória no ringue e nas urnas. Voe, Marina, voe.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso , na margem baiana do Vale do São Fracisco)

set
25

Willie: carisma em Saratoga

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CRÔNICA/ESPETÁCULO

Com Willie em Saratoga

Regina Soares

Direto de San Francisco (EUA)

O verão não começa sem a abertura dos concertos na Vinha da Montanha, “The Mountain Winery” (http://www.mountainwinery.com/).
No topo de uma elevada colina na cidade de Saratoga na California, o local é, por si só, um deslumbramento: Espetacular vista do Silicon Valley, ambiente acolhedor e refinado, ainda que ao ar livre, cada visita é um evento realmente inesquecível!
O calendário é largo e o preço alto, deixando a tarefa da escolha ainda mais difícil. Dentre os nossos escolhidos estava o show de Willie Nelson, legendário cantor e compositor da musica “country” nos Estados Unidos. Uma figura controversa, não só por seu visual com suas longas tranças grisalhas, bandanna vermelha acompanhando o famoso chapéu de vaqueiro que o tornou um icone da cultura popular americana e reconhecido universalmente, também por sua rebeldia em conformar com as regras sociais e a dureza das leis que não se adptam ao seu modo de viver. Willie travou uma longa batalha com o todo poderoso IRS (Internal Revenew Service) que seria o nosso famoso “Leão”, na década de 80 que o deixou com uma divida de alguns milhões de dólares em impostos atrasados, pagos com a venda do disco duplo “The IRS Tapes” e o apoio popular.
Mas, não vou contar sua historia nem trajetoria musical que, com mais de 200 álbuns desde o começo de sua carreira em 1950, grandes hits que o tornaram uma grande estrela do gênero “Country Americano” é conhecida e reconhecida mundialmente. Quero responder a pergunta que talvez alguns de vocês tenha: Por que Willie?
A resposta é simples: Autenticidade! Nos tempos que vivemos, coisa rara.
Não sendo, nem eu nem meu filho jovem que me acompanhava, fãs da chamada musica sertaneja (country), embora as características do nosso sertão sejam bem diferentes ao equivalente americano, também sofredor e embalado em “blues”, não temos nenhum tipo de restrição a qualquer tipo de musica desde que nos toque, que nos fale, que nos chegue aos sentidos e nos ganhe.
Willie Nelson foi sempre alguém que me interessou conhecer por tudo que já disse e seu carisma ficou evidente em tudo que nos presenteou naquela noite de lua cheia no céu de fim de verão!

Regina Soares é advogada, especializada em eleições americanas, mora na Califórnia há mais de 30 anos e esteve, com o filho Pablo, também amigo e colaborador do BP, no show de Willie Nelson em Saratoga.

set
22
Posted on 22-09-2010
Filed Under (Crônica, Eventuais) by vitor on 22-09-2010

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CRÔNICA DE ADEUS

OYÁ VEIO BUSCAR VIVALDO

Marlon Marcos

A primeira vez que ouvi falar sobre antropologia foi, aos 7 anos de idade, da boca do próprio professor Vivaldo da Costa Lima, simbolo da antropologia brasileira, que foi “bater um papo” com os alunos do antigo primário de uma escola pública, situada no bairro do Maciel – Pelourinho, que levava o nome deste grande mestre. Eu, ousadamente, já era aluno do 2º e estava entre os mais curiosos e lhe fiz, na época, várias perguntas… A antropologia me mordeu ali, e desatento, não entendi que esta disciplina, em algum tempo, seria minha maior linha de ação e interesse profissional. Perdi muito tempo. Em 1990, fui aluno do professor Vivaldo no curso de Ciências Socias, na UFBA, quando, tive contato com sua arrogância , e na mesma proporção, com sua maestria e generosidade intelectual.

Vivaldo se foi… Nesta quarta-feira, dia 22 de setembro; o sol quente dos trópicos e a Primavera iniciando. Se foi deixando discípulos e livros, leituras expressivas sobre a diversidade cultural humana à luz das mais importantes teorias antropológicas que circularam nos meios acadêmicos no mundo. Se foi cumprindo uma vida como homem, intelectual e político – que será para sempre lembrado na cidade e no País que ele tanto contou história, preservou a memória e dignificou o filão dos que usam a ciência como forma de melhorar o mundo explicando a necessidade da coexistência entre os diferentes, e lançando luz sobre os feitos culturais dos que foram submetidos pela escravidão ou pela pobreza social.

E eu aqui: aquele menino descobrindo o termo antropologia em 1977… hoje, um jovem senhor, em 2010, continuo querendo querendo querendo descobrir a antropologia captando e exprimindo a poesia que há nela e que senti pela primeira vez na fala de um dos mestres maiores que esta ciência produziu no Brasil.

Oyá veio buscá-lo… O senhor foi o melhor intérprete do Afro-Brasil… Ogum que lhe dê assento no Orum entre os ventos nobres e negros do povo que o senhor tanto estudou. Olorum modupé e minhas saudades sinceras!!!
Marlon Marcos, cronista, é um poeta em busca da poesia da antropologia, como o próprio autor, diplomado pela UFBA, se define.

set
17
Posted on 17-09-2010
Filed Under (Crônica) by vitor on 17-09-2010

Dona Cecília: “estou satisfeito,”diz o cronista

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OPINIÃO POLÍTICA/ MÃES

Prefiro dona Cecília

Janio Ferreira Soares

Na frente em todas as pesquisas e muito próxima de ser a primeira mulher a presidir o País, Dilma Rousseff anda dizendo que será a mãe do povo brasileiro.

Não sei você, mas desde já agradeço a nobre intenção genitorial da candidata e adianto que estou muito satisfeito com os préstimos maternais de dona Cecília, quase noventa de idade e sempre com um lindo sorriso emoldurado por vasto cabelo preso em coque, que além de todos os cuidados possíveis ainda me recomenda diariamente a dezenas de santos e, de quebra, faz um bife cozido com batatas que eu duvido que a pretendente a mãe do Brasil seja capaz. Portanto, caso realmente insista nessa onda de consanguinidade, concedo à dona Dilma, no máximo, a chance de ser minha madrinha de crisma ou minha comadre de fogueira de São João.

Nunca simpatizei com políticos que se arvoram protetores do povo. Além de soar canhestro, essa pseudo-paternidade dá a impressão de que somos um bando de crianças sempre na dependência de alguém para trocar nossas fraldas e colocar papinha de maizena na “boquinha do neném!”. O que eu espero de um presidente é que ele aja de modo constitucional e republicano, e que assegure os meus direitos.

Que não permita que ladrões invadam o meu quintal e roubem minhas mangas e galinhas; que me guarde dos censores travestidos de democratas que salivam ávidos com a possibilidade de voltar a controlar o que meus olhos vêem e minha mente anseia; que, em hipótese alguma, admita a violação dos meus segredos, sejam eles fiscais ou sentimentais (não quero ninguém sabendo detalhes daquele verão de 86 na Ilha de Itaparica); e, caso isto aconteça, que ele jamais se comporte como um militante partidário, mas sim, como alguém que jurou me proteger contra as mazelas da ditadura.

Agora, se você quiser mesmo chamá-la de mamãe – ou de vovó -, um lembrete: como família não se escolhe, no almoço dominical prepare-se para tomar a benção e beijar as mãos dos titios Renan e Zé Dirceu, além de beber “gualaná” no colo do vovô Sarney. A sobremesa? Tia Erenice faz um pudim!

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, no lado baiano do Vale do São Francisco.

set
05
Posted on 05-09-2010
Filed Under (Crônica, Janio) by vitor on 05-09-2010

CRÔNICA/GOL DE PLACA

NO TEMPO DO ACABOU CHORARE

Janio Ferreira Soares

Em outubro de 2007 a revista Rolling Stone publicou uma relação com os 100 melhores discos brasileiros de todos os tempos, escolhidos numa votação feita por 60 pessoas entre técnicos, estudiosos e jornalistas, que citaram seus 20 álbuns favoritos sem ordem de preferência, cujo destaque foi Acabou Chorare, dos Novos Baianos, o mais votado de todos.

Lançado em 1972 pela Som Livre, esse disco equivale a um daqueles petardos que só os grandes craques sabem dar na bola com o lado de fora do pé, que quando parece que está indo pra fora, muda de rumo, faz uma leve curva e surpreende o goleiro. Como o que Nelinho mandou da lateral da grande área contra a Itália na Copa de 78, ou ainda aquele outro que quase ninguém viu, mas deve ter acontecido durante as intermináveis peladas disputadas pelos meninos nos intervalos das gravações no sítio Recanto do Vovô, no Rio de Janeiro.

Na edição de julho último, a Rolling Stone voltou à carga e conta detalhes deliciosos sobre a gravação desse disco, como o caso dos capacitores de um velho televisor que foram colocados na guitarra Gianinni Supersonic de Pepeu para que ela emitisse uma distorção parecida com a da Fender de Jimmi Hendrix, ou ainda a estreita relação da banda com João Gilberto, cuja filha, Bebel, foi a grande responsável pelo título do disco. (Depois de uma longa temporada entre o México e os Estados Unidos acompanhando o pai, ela, enrolada entre o espanhol e o português, caiu no chão do sítio e, diante da preocupação de João com seu choro, levantou-se e disse: “Não machucou papai, acabou chorare.”)

Nascia ali o nome de um dos grandes discos da música brasileira, numa época em que a competência e a simplicidade dos artistas andavam no mesmo tom, fato, aliás, que acontece até hoje. Um exemplo.

Há pouco tempo eu contratei as bandas 14 Bis e A Cor do Som para um evento aqui em Paulo Afonso, e ao ligar pro escritório dos mineiros fui atendido diretamente por Sérgio Magrão, grande baixista e compositor de sucessos como Caçador de Mim (parceria com Sá – que faz dupla com Guarabyra – e que infelizmente não pôde participar do evento), que imediatamente lembrou que eles haviam tocado aqui há 14 anos, também trazidos por este locutor que vos fala. Turma boa de papo e copo, antes do show traçamos um belo pirão de surubim com pimenta, que parece ter sido um excelente combustível para fazer decolar a velha aeronave rock’n roll, que flanou mais afiada do que nunca pela noite estrelada do sertão do São Francisco.

Com a Cor do Som, foi a mesma coisa. Dadi, Gustavo e Mú (acompanhado da esposa), pegaram um avião no Rio, desceram em Salvador, se encontraram com Armandinho e equipe e enfrentaram quase 1.000 km (ida e volta) de estrada, numa boa, muito mais pelo prazer de estarem juntos relembrando casos, amores e canções, do que pelo cachê. Um retorno emocionante.
Exigências? Um bom som e uma boa cama, é claro, para acalentar as dores e os pecados do mundo. Quase nada diante das pratarias e jatinhos exigidos pelas estrelas do axé, que, com raríssimas exceções, pedem muito e não entregam nada além de estridentes acordes correndo atrás de um monte de monossílabos átonos desafinados e desconexos.

A animação dentro da Van que leva os meninos da Cor do Som para o show lembra o de um transporte colegial. No trajeto, Dadi pergunta a Armandinho algo sobre o tom de uma música que ele não recorda, Gustavo amola as baquetas e grunhe qualquer coisa numa língua que parece viking, enquanto eu converso com Mú e sua esposa sobre trufas e cinema mudo, um de seus discos solo.

Na platéia, centenas de velhos e novos baianos aguardam ansiosos, com a alma certamente cheirando a talco, como bumbum de bebê.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso (BA)

ago
29
Posted on 29-08-2010
Filed Under (Crônica, Gilson) by vitor on 29-08-2010

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CRÔNICA/DESPEDIDA

Dinamitando a História

Gilson Nogueira

A morte do amado Estádio Octávio Mangabeira, a Fonte Nova, irá se transformar em um espetáculo midiático. Neste domingo, 29, assim que bananas de dinamite implodirem o que restou daquela praça de esportes, ou seja, seu lance de arquibancadas mais perto do céu, o Ibope vai fazer muita gente feliz. Depois, no lugar da Fonte Nova, o vazio, como o marco zero do absurdo.

E que ironia do destino, logo em um domingo, dia que, em passado nem tão distante, assim, ir à Fonte Nova carregava o mesmo sabor de uma feijoada completa, acompanhada de Coca Cola, e a magia de uma missa na Basílica do Bonfim.

Portanto, aproxima-se o momento do tiro fatal, em forma de aperto de um detonador, que irá calar, de vez, o grito de gol que não quis ir embora e que agonizava, ali, raquítico, faminto, tonto, esperançoso, no fosso úmido e fedorento, à beira do campo, já sem as traves, confiante em tomar forma, após a jogada do craque fantasma, capaz de virar o jogo, e, desse modo, não permitir o desmoronamento do templo maior de sua religião futebol.

Rasga-se, assim, com a implosão do último pedaço da Fonte Nova, uma página da história do desporto baiano. Explode-se uma espécie de cofre das mais ricas lembranças do povo da Boa Terra. Mais que isso, um relicário de proezas gigantescas dos jogadores de futebol da Bahia, em defesa das cores de sua seleção e de seus times, no campeonato local, e em disputas oficiais e amistosas com times de outras plagas.

Que saudade da zorra do Guarani, do Galícia, do Ypiranga, do São Cristóvão, do Botafogo, do Leônico, do meu Bahia mais Bahia que o Bahia de hoje. Que falta você vai fazer,minha Fonte Nova abençoada !!!

Ao som das dinamites pipocando, das palminhas de sempre, nessas ocasiões, e dos gritinhos da moda, encenados por quem não experimentou a sensação indescritível de assistir um Bahia e Vitória pelo buraco do portão do Xaréu da Fonte Nova e, com isso, dar-se por glorificado em ver, apenas, o jogador do seu time bater o corner e esperar o grito da torcida, você desaparece do mapa. Em seu lugar pretendem construir uma arena (argh!), com o nome de Nova Fonte Nova. Não gosto desse nome e morro um pouco com você, querida vizinha de muitos anos.

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador de origem do Bahia em Pauta e, na juventude, também ex-morador da Rua do Genipapeiro, bairro da Saúde/Nazaré. A casa de sua família ficava a menos de 500 metros do portão de entrada da Fonte Nova.

ago
22
Posted on 22-08-2010
Filed Under (Crônica) by vitor on 22-08-2010

Harvey “Duas-Caras” Dent e a transformação de Serra
  

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CRÔNICA ELEITORAL 

Serra decidiu morrer 

Janio Ferreira Soares 

José Serra decidiu morrer. Não fisicamente, como Veronika, personagem do escritor Paulo Coelho. Sua morte foi estritamente moral, como a do respeitado e incorruptível promotor de Gothan City, Harvey Dent, que depois de um acidente em que perdeu sua noiva e teve metade do corpo queimado, foi manipulado mentalmente pelo vilão Coringa, vindo a se transformar no temido Duas-Caras, inimigo mortal de Batman. 

Com Serra aconteceu coisa muito parecida. Governador respeitado da maior cidade do País e favorito nas pesquisas até o começo da campanha presidencial, ele se viu num beco sem saída quando Dilma, candidata de Lula, começou a subir nas pesquisas. 

Atordoado pela possibilidade da derrota e orientado pelos seus marqueteiros a assumir uma postura “viúva Porcina” (aquela que foi sem nunca ter sido), ele deixou de ser o candidato da oposição para virar uma espécie de transformista eleitoral, um Victor ou Victória tupiniquim (Serra ou Rousseff?), e o que é pior, sem a brilhante direção de Blake Edwards. 

E o resultado dessa sua dualidade suicida é que Inês, que já morreu faz tempo, agora terá uma ilustre companhia para matar (sem trocadilho) seu tempo e talvez ficar sabendo qual foi o verdadeiro motivo que levou um genuíno frequentador da coluna de Mônica Bergamo a querer se transformar numa desbotada foto 3X4 de um lambe-lambe do interior pernambucano. 

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, na região baiana do Vale do São Francisco  

ago
21
Posted on 21-08-2010
Filed Under (Crônica, Janio) by vitor on 21-08-2010

Plínio: “da-lhe velhinho’

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CRÔNICA POLÍTICA/NANICOS

Plínio e os nanicos

Janio Ferreira Soares

O título acima poderia ser o de um desenho animado, onde reinaria uma mistura de personagens que fazem parte do contexto. (Plínio Raposo, ou simplesmente Plínio, é aquele garoto rico e chato que paquera Glória e por isso é inimigo mortal do dono do gibi, o grande Bolinha. Quanto a nanico, é como Fred Flintstone chama carinhosamente seu amigo Barney). Mas a verdade é que o assunto continua sendo a sucessão presidencial, só que dessa vez não falarei de Dilma, Serra ou Marina, mas sim daqueles que estão à margem do processo e são conhecidos exatamente como candidatos nanicos.

Cada um está tendo menos de um minuto na TV para tentar convencer o eleitor de que, por exemplo, Ivan Pinheiro, do Partido Comunista Brasileiro – que promete fechar o senado e reconhecer as FARC como organização política – tem condições de chefiar a nação.

Você também pode optar pelo companheiro Rui Costa Pimenta, do Partido da Causa Operária, que não apresentou nenhuma proposta ao TSE, preferindo governar de acordo com as carências sociais, ou, ainda, escolher Zé Maria, do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – que foi expulso do PT por ser considerado muito radical – que anuncia a taxação das grandes fortunas e a estatização do sistema financeiro.

Há também a opção pelo bom e velho democrata cristão, Eymael, que tem como grande trunfo a nova versão de seu famoso jingle “Ey, Ey, Eymayel..”, nas versões axé, milonga e sertanejo. Agora vai.

Mas se você quiser garantir o futuro dos bebês, a melhor escolha é Levy Fidelix, do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro, que promete uma poupança de dois mil reais para cada recém-nascido, resgatável quando o mesmo fizer 21 anos. Uma espécie de Bolsa Fralda ou Bolsa Xixi, tanto faz.

Quanto a Plínio de Arruda, do PSOL, o papo é outro. Além de pregar um calote na dívida interna, os candidatos morrem de medo do que essa espécie de punk da melhor idade pode aprontar nos debates. Espero que ele honre a fama e revele a verdadeira face de cada um. Como diria Pernalonga: dá-lhe, velhinho!

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, na região do Vale do São Francisco

ago
07
Posted on 07-08-2010
Filed Under (Aparecida, Crônica) by vitor on 07-08-2010

Casa Pueblo: encantamento no Uruguai

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CRÔNICA/LUGARES

Minha primeira vez no Uruguai

Aparecida Torneros

Uma onda de frio polar me recebeu na pacata (aparentemente) cidade de Montevideo. Para uma carioca acostumada ao Rio 40 graus, tem sido um ritual vestir tantas roupas para sair as ruas e conhecer o Uruguai, ou parte dele, jà que eu e minha amiga Katia decidimos ir tambèm a Colönia Sacramento e a Punta del Leste, em datas diferentes, o que nos possibilitou entrar em contato com parte da història do paìs, e com o mundo internacional que domina Punta e seus cassinos.

O domìnio portuguës em Colónia è como um resquìcio de um mundo de muitas lutas. Espanhòis, portugueses, argentinos, uruguaios, brasileiros, todos andaram por estas terras com ganas de fincar suas bandeiras definitivas.

A nossa antiga Provìncia Cisplatina è lugar de muitos campos, muito gado, capital pouco povoada, populacao que enfrenta alem da onda de frio, suas mazelas economico-sociais e tenta seu lugar ao sol, o mesmo sol que ilumina seu emblema nacional, com o complemento das cores azul e branco. Um moderno aeroporto, na capital Montevidèo nos dà sinal de que as coisas estao mudando por aqui, ainda que a passos lentos, mas seguros. Uma explosáo de torres sendo construidas em Punta del Leste nos dão conta do capital investido em lugar de fama mundial, prazeroso balneario do Atlantico Sul.

Apos 5 dias, tento fazer um pequeno balanco e o que me comove, sem pestanejar, è mesmo a visita que fiz à Casa Pueblo, do artista Carlos Paez Villarò. Um encanto me tomou a alma e o coracáo.
Saì de là, com seu livro na máo, o que ele escreveu sobre episodio em que esteve envolvido seu filho Carlito Miguel, nos anos 70, sobre o aviáo que se perdeu nos Andes, do qual o rapaz foi sobrevivente.
A expressao poètica da sua obra-casa, os quadros, as ceramicas, sua semelhanca com mestres como Picasso, Gaudi, Miro, Dali, por exemplo, envolvem os visitantes com a profundidade dos que sabem interpretar o mundo, na beira de um mar insistentemente4 azul, perdidamente plàcido, estonteantemente inspirador.

Acho que para uma primeira vez, degusto as horas que me sobram ( volto ao Brasil no domingo 8) com a sensacao importante de ter vindo ao lugar certo na hora certa, senti-me quase em casa, so nao provei do mate amargo, mas de resto, comi parrilhada, provei seu bom vinho nativo, ouvi sua mùsica, apreciei seus costumes, observei sua gente e me apaixonei por seu artista de punta Balea.

Em tempo, agradeci sua onda polar, mesmo assim, pois pude aquecer com reflexoes o mesmo pensamento que me faz questionar o quanto os paises da Amèrica Latina são berco de povos lutadores, sonhadores, guerreiros, sobreviventes e mesmo assim seguem sendo encantadores, como o pueblo uruguaio…

Cida Torneros, escritora e jornalista, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária

ago
03
Posted on 03-08-2010
Filed Under (Crônica) by vitor on 03-08-2010


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CRÔNICA DE CINEMA

Uma Noite Inesquecível

Maria Olívia

Cena principal: Final do Terceiro Festival de Música Popular Brasileira da Record. Ano de 1967. Grandes nomes da MPB se reúnem no mesmo palco para defender suas canções. Simples assim.

O documentário Uma Noite em 67, dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil – em cartaz no espaço de Cinema Unibanco/Glauber Rocha – , na Praça Castro Alves, mostra os bastidores e o contexto do festival, de maneira simples, mas genial.

A história é contada com as imagens de arquivo da Record e com entrevistas recentes com os ‘donos’ do grande encontro. Chico Buarque, apesar do recato, ‘rouba’ a cena. Mas, a surpresa maior fica por conta de Roberto Carlos. Ele participou do festival com o samba, “Maria, Carnaval e Cinzas”. No filme, o Rei, apesar de avesso a entrevistas, fala de forma descontraída de seu passado como crooner, sua principal escola, quando cantava samba, bolero e adorava Chet Becker.

Muito legal ver Sérgio Ricardo explicar por que quebrou o violão e jogou na platéia, Caetano Veloso lembrar das vaias seguidas de aplausos para “Alegria, Alegria” e dizer da saudade de sua juventude, Gilberto Gil emocionado assumir o medo de se apresentar ao vivo, Edu Lobo contar que, na sequencia, foi para Paris fugindo do sucesso de “Ponteio” – a música vencedora do festival, interpretada por ele e Marília Medalha – e Chico Buarque afirmar que ‘fui escolhido para ser o cara da música conservadora, ninguém gosta de ser chamado de velho aos 23 anos’, confessou.

Histórias maravilhosas não faltam neste belo filme. Vou parar por aqui, não conto mais para não quebrar o encanto. Recomendo aos blogueiros do Bahia em Pauta saírem ‘correndo’ para ver Uma Noite em 67, garanto que não vão se arrepender.

Refrescando a memória – Entre os finalistas, estavam Chico Buarque e o MPB4 com Roda Viva; Caetano Veloso, com Alegria Alegria; Gilberto Gil e os Mutantes, com Domingo no Parque; Roberto Carlos, com Maria, Carnaval e Cinzas; Edu Lobo e Marília Medalha, com Ponteio e Sérgio Ricardo, com Beto Bom de Bola. De quebra, Cidinha Campos comandando as entrevistas em tempo real, imperdível.

Maria Olívia é jornalista

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