jun
13
Posted on 13-06-2011
Filed Under (Charges, Crônica) by vitor on 13-06-2011


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Benett, hoje na Gazeta do Povo (PR)

jun
12


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CRÔNICA/ ANTONIO

O que contam sobre Antonio

Maria Aparecida Torneros

Dizem que Frei Antonio pregava para os peixes. Dizem mais: que os peixinhos punham suas carinhas sobre a água e o ouviam, em contrição. São tantas as histórias que contam sobre este Santo de origem portuguesa que viveu e morreu na Itália, se fez discípulo e amigo de São Francisco.

Ele também se dedicou aos pobres, andou pregando pela África e surpreendeu aos seus contemporâneos, pelos transportes físicos, quando, ao meditar, diante dos fiéis, ele ali deixava o corpo, como que petrificado, e era visto em lugares distantes, como se pudesse se materializar, em viagem espiritual, de difícil explicação lógica, verdadeiros atributos de um mago.

Defendeu, inclusive, seu próprio pai, e este conseguiu absolvição pois era acusado sem provas e os juízes aceitaram o argumento do Santo, e seu pensamento se perpetua através do culto e da fé. Segundo registros, Santo Antônio livrou o pai da forca. Tinha havido um crime de morte em Portugal, onde nascera Santo Antônio.e todas as suspeitas do crime recaíam sobre o pai do santo.

No dia do julgamento, os juízes estavam reunidos para proferir a sentença condenatória. Assentado ali no banco dos réus, seu pai não podia se defender. Nesse momento Santo Antônio estava fazendo um sermão numa igreja da Itália.

Conta-se que, em dado instante, ele interrompeu o sermão e ficou imóvel, como se estivesse dormindo em pé. Durante esse mesmo tempo foi visto na sala do júri, em Portugal, conversando com os juizes.

Entre outras coisas, disse-Ihes o santo: Por que tanta precipitação? Posso provar a inocência do meu pai. Venham comigo até o cemitério. Aceitaram o convite. Frei Antônio mandou abrir a cova do homem assassinado e perguntou ao defunto: “Meu irmão, diga perante todos, se foi meu pai quem matou você”.

Para espanto dos juízes e de todos que ali estavam, o defunto abriu a boca e disse devagar, como se estivesse medindo as palavras: “Não foi Martinho de Bulhões quem me matou”. E tornou a calar-se. Estava provada de maneira milagrosa a inocência do seu pai. Operou-se aí dois fatos milagrosos, a bilocação, ou ato de uma pessoa estar (por milagre) em dois locais ao mesmo tempo, e o poder de reanimar os mortos.

Entre tantos legados para nossa reflexão, ele estudou e se formou em Coimbra, alguns são mesmo preciosidades :

– O pão simboliza a caridade e deve estar unida a outro alimento de boas obras.

– A esperança gera um sentimento de humildade.

– É tanta a beleza da magestade divina que anima as almas a possui-la.

– A fé e a esperança são as duas asas da alma, com elas se eleva das coisas terrenas e seascende do visível ao invisível.

– A esperança é a aceitação dos bens futuros.

– O rosto de Deus está impresso em nossa razão.

Venerado e lembrado em diversos continentes, o Santo foi se tornando lenda, adquiriu fama de encontrar coisas e pessoas perdidas, de achar companheiros e promover casamentos, de proteger os pobres, de zelar pelo pão das famílias, e suas várias histórias passam através dos séculos, fortalecendo os corações dos que o buscam na fé, como exemplo de vida e dedicação à religiosidade.
O jovem padre que se juntou aos Franciscanos da Itália, passou três anos, lecionando, pregando e fazendo milagres no sul da França – Montpellier, Toulouse, Lê Puy, Bourges, Arles e Limoges. Muitos episódios da sua passagem pela terra levam a refletir sobre seus predicados paranormais, equivalendo-se em práticas de yoguis, devido a atos contemplativos e intensas meditações.

Não é a-toa que o povo brasileiro incorporou, por herança cultural e religiosa, a devoção ao santo português, que é celebrado de norte a sul do país, com festas e folguedos, ladainhas, trezenas, orações pessoais ou em grupo.

Quanto à sua imagem, trazendo o menino Jesus nos braços, se deve ao que contou o conde Tizo. Estando o Santo em casa do conde, em Camposampiero, recolhido num quarto em oração, o conde, curioso, espreita pelas frestas de uma porta a atitude de Frei Antônio; depara-se então uma cena miraculosa: a Virgem Maria entrega o Menino Jesus nos braços de Santo Antônio.

O menino tendo os bracinhos enlaçados ao redor do pescoço do frade conversava com ele amigavelmente, arrebatando-o em doce contemplação. Sentindo-se observado, Antonio, que já estava no fim da vida ( ele morreu com 36 anos) faz conde Tiso jurar que só contaria o visto após a sua morte. A revelação deste fato resultou na figura ímpar de um santo que traz nos braços o menino Deus. Salve Antonio, o santo mago e doutor da fé e da esperança.

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, acaba de retornar da Itália, onde visitou a basílica de Santo Antonio, em Pádua. O texto que BP publica em louvor a Antonio, cujo dia se celebra nesta segunda-feira, 13 , foi escrito pela autora em junho de 2009.

Rio:paisagem da janela do ap de Gilson

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CRÔNICA/SENTIMENTOS

Feijoada carioca

Gilson Nogueira

Dois grandes bolos, um de banana e outro de laranja, sobre a mesa onde Tico, o gato mais misterioso do mundo, resgatado em Santa Tereza , deu para subir durante o almoço da família. Minha netinha, ajoelhada na mesinha de centro da sala, assistindo Ra Tim Bum. O sol aparece entre as nuvens escuras da chuva que deverá cair lá pelas oito horas da noite. Seus raios ultrapassam a vidraça esquentando o pequeno quarto do computador e do toca discos.

Retiro a camisa azul e branca de malha de manga comprida fabricada em Blangadesh que ganhei de presente de minha filha mais velha de aniversário e mergulho na idéia de escrever uma crônica falando de comportamento. Tudo porque acabo de ler Ruy Castro, na Folha de São Paulo, relembrando encontros, como repórter, com atrizes de cinema, na época das reportagens em revista e jornais em que trabalhou.

Meu genro acaba de encontrar-se, casualmente, com o filho do colega Ancelmo Gois, no corredor da Cobal do Humaitá. Não cumprimentei o amigo porque,quando me dei conta, estava falando sozinho, próximo a mesas e cadeiras vazias de uma pizzaria que serve de arquibancada das torcidas cariocas em dias de clássicos transmitidos, ao vivo, por canais abertos e fechados de TV.

Ouço o som do motor do primeiro helicóptero a sobrevoar a cabeça da estátua do Cristo Redentor transportando turistas que pagam nota preta para registrá-la em fotos e filmes.Entram pela janela um cheiro de churrasco e as buzinas e vozes de mais um sábado na cidade do Rio de Janeiro das orquídeas enfeitando troncos de árvores, entre as quais uma de flores amarelas que combinam com o azul do mar e o verde da floresta cariocas.

Tico mia.Pisaram o rabo dele. Minha netinha dá as ordens e indaga: ” Vamos almoçar aonde ? ” Respondo: “ Academia da Cachaça,na Barra da Tijuca!” Aprovação total. E a crônica nascida da idéia de falar das coisas efêmeras?,pergunto-me. Não dá para demorar. São,quase,duas horas da tarde, o estômago ronca feijoada. “ Não esqueçam o CD de João Gilberto,para escutarmos,no carro! ,lembra minha mulher.

Começa a esfriar, de novo, na terra em que verão e inverno dormem juntos.O Rio continua um barato. Cada dia mais maravilhoso!

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do Bahia em Pauta

jun
10
Posted on 10-06-2011
Filed Under (Crônica, Janio) by vitor on 10-06-2011

Janio: direto de Paulo Afonso
o incrivel diálogo do poder

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CRÔNICA/CONVERSAS

O papo de Lula com Palocci

Janio Ferreira Soares

– Pôxa, Palocci, de novo!
– Mas presidente, eu achei que as coisas tinham mudado. Genoino é assessor do Ministério da Defesa; Delúbio foi perdoado; Erenice está na dela; João Paulo se elegeu deputado e foi escolhido para presidir logo a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça); sem falar em Renan, Jucá, Sarney, então eu pensei que…
– Pensou errado, Palocci, pensou errado. Esses últimos que você citou aí são velhos marinheiros acostumados a driblar tempestades. O diabo são os nossos, que não aprendem nunca. Aí aparecem esses meninos da imprensa, como se diz lá em Garanhuns, feito cães chupando manga, fuçando tudo, doidos para nos pegar na curva da displicência (“ô Marisa, anote essa para a próxima palestra.”) e dá no que dá. Mas também, você foi de uma ingenuidade que vamos respeitar! Precisava comprar um apartamento de 7 milhões? Disfarçava, adquiria um menor lá pras bandas do Itaim, financiava em 48 meses. Aí depois fica com essa cara de pamonha que saiu do fogo antes da hora, se desmilinguindo todo, sem ter como explicar essa reincidência comportamental (ô Marisa, mais uma!).
– Mas presidente, eu achei que depois da entrevista na Globo as coisas iriam melhorar.
– Fala sério, Palocci. A única coisa real ali eram aqueles carros passando ao fundo enquanto você falava. A propósito, eu vi um fusca piscando os faróis e pensei: será que é o Francenildo enviando um sinal codificado?
– O assunto é sério, presidente, e você sabe muito bem que eu não podia dizer a origem do dinheiro, senão aquela sua amnésia da época do mensalão poderia voltar. Aproveitando o embalo, diga aos companheiros que eu quero um tratamento igual ao que Zé Dirceu teve quando saiu.
– Um implante de cabelo?
– Você perde o amigo, mas não a piada, hein?
– Falando nisso, e com todo respeito ao Bernardo, que louraça! Lembra uma espiã russa dos filmes de 007. Só vejo um problema: nós, da turma da língua presa, teremos dificuldades em falar “Rousseff e Hoffmann”. Ou treina, ou diz apenas “Dilma e Gleisi”. Até breve.
– Se Deus quiser.
– Chamou?

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco

maio
14


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CRÔNICA/DULCÍSSIMA

Irmã Dulce e outros santos

Janio Ferreira Soares

Em meio a ladainhas jornalísticas que perecem não ter fim, finalmente a Bahia se prepara para a beatificação de Irmã Dulce, fato mais do que justo nesta terra repleta de santos estrangeiros, divindades diversas e entidades estabelecidas.
A beatificação, leio, é a etapa que precede a concessão da patente de santo. A partir daí, uma comissão exige a apresentação de mais alguns milagres comprovados, para só então o agraciado ser canonizado pelo Papa e aí poder ser cultuado em todo o mundo.

No caso de Irmã Dulce nem precisava esse protocolo todo, já que sua obra em vida lhe permitiu um exclusivíssimo cartão fidelidade azul-celeste, desses que vem com um chip divino que dá acesso direto a sala vip do firmamento, embora, pelo seu estilo, ela preferisse padecer como uma simples mortal na longa fila do check-in eterno.

Não tenho muita intimidade com santos tradicionais apesar de ter crescido no meio deles, vizinho que fui da igreja de Santo
Antônio da Glória. Mas lembro bem das imagens com suas bochechas rosadas parecendo sorrir toda vez que o coral comandado por minhas tias desafinava a Ave Maria. Meus santos e santas favoritos continuam sendo aquilo e aqueles que, de alguma forma, deixam a vida mais leve. E isso vale tanto para o momento em que meus filhos me dão um sorriso molhado de piscina, quanto para a vez em que ouvi Milton numa distante noite de orvalho e breu, com sua voz de zabumba saindo de um velho rádio sintonizado na Inconfidência de Minas. Merecia uma vela.

Mas agora é hora de festejar a primeira santa baiana, apesar de ela já sê-la de há muito no meu altar secreto, local onde também guardo outros baianos aureolados por mim, a exemplo de Caymmi, esse mestre de canções em forma de rezas, que além de acalentar têm o dom de espreguiçar minha alma; de Glauber, um santo guerreiro de premonições certeiras e inspirações geniais; de Jorge Amado, santo sonso do pau-oco e maioral em inventar personagens divinais; e de Raul, Wally, Gregório, Waldick…, sem falar nos vivos. Mas aí são outros caracteres.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco


Delúbio: quanto vale a barba dele?
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CRÔNICA/ BARBUDOS

Quanto vale a barba de Delúbio?

Janio Ferreira Soares

Numa rápida consulta ao Google, fica-se sabendo que no Egito Antigo o seu uso era uma forma de status, enquanto na Idade Média os membros da Igreja Cristã eram orientados a raspá-la para se diferenciarem dos judeus e mulçumanos. Já em outras culturas seus portadores carregavam a fama da sabedoria, da excentricidade, da falta de higiene e até, acredite, do aumento da potência sexual.

Existem ainda os que a usam para encobrir um queixo estilo Noel Rosa, ou simplesmente por preguiça de tirá-la. O fato é que, desde o tempo em que os nossos ancestrais descobriram que lascas de pedras afiadas podiam removê-la, a barba está sempre ali, ó, representando uma marca pessoal, ou sendo sumariamente raspada.

Já o bigode – esse estranho adorno que rivaliza em esquisitice com a gravata borboleta – de há muito deixou de ser um simples complemento, aí dependendo do beiço de quem o usa. (Por exemplo: sobre a boca do famoso – pelo menos na Bahia – delegado Magalhães, ele vira uma espécie de homenagem em 3D a nossa gloriosa Claudia Ohana).

Bastante utilizado pelos germânicos e gauleses em suas batalhas – e por sarneys e jucás em seus disfarces -, o bigode também era cultivado por militares da chamada linha dura e por humoristas como Cantinflas, Carlitos e o impagável Zé Bonitinho, o que prova a sua versatilidade. É tanto que Freddy Mercury e o pessoal do Village People fizeram dele um poderoso estandarte do movimento gay.

Para quem ainda não sabe, na Bahia (onde mais poderia ser?) está acontecendo uma grande jogada de marketing de uma empresa de lâminas de barbear, que consiste em pagar uma boa grana para raspar algumas – como diria Odorico Paraguaçu – penugens solidificadas de fisionomistas juramentados. Foi assim com Bell, do Chiclete, e em breve será a vez do governador Wagner. Dizem que o próximo alvo poderá ser Lula. Sugiro Delúbio. É que ele está voltando à ativa e nada mais adequado do que uma cara bem lisa a nos sorrir. Sem falar que pode até pintar um cachê extra do Óleo de Peroba.

Pra maquiagem

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, na margem baiana do Vale do São Francisco

abr
20


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Anos 60 no Rio de Janeiro
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CRÔNICA/VIVÊNCIAS

Zé Luis, o militante, uma história a ser contada

Maria Aparecida Torneros

Ele gritava, em 67 e 68, pelos corredores do colégio: – Cidaaaaaaaaaaaa…. espalhafatoso e sempre sorridente. Zé Luís, um moreno de cabelos de índio, tão lisos, que insistentemente caíam sobre seus olhos. Aluno do científico e presidente do diretório estudantil da entidade. Eu, aluna do curso clássico noturno, no Pedro II, também muito risonha e cheia de amigas e amigos.

Nosso namoro foi quase infantil, e quase adulto. Durou menos de um ano, entre encontros e desencontros. Mas me rendeu muitas notas máximas na cadeira de prática de ensino, na escola Normal, onde eu cursva, simultaneamente, durante os dia, o Instituto de Educação, para formar-me professora primária. Na verdade, rendeu muito mais, uma história inacabada a ser recontada. Ele queria ser arquiteto e era exímio desenhista. Num tempo em que não existiam nem a computação gráfica e nem as xeroxs coloridas, eu pedia para o Zé desenhar figuras históricas para meus trabalhos de normalista. Lembro de um Santos Dumont que ele fez, junto com a imagem do avião 14 Bis. Foi um sucesso, no álbum seriado que me serviu de apoio para uma das aulas que dei às crianças da escola onde estagiava como professoranda.

Tirei 10, evidentemente, não só pelos desenhos lindos, mas também porque a figura carismática do pai da aviação sempre fez parte da minha galeria pessoal de líderes brasileiros, arrojados compatriotas e inteligentes criaturas a honrar meu país.

Eu e duas amigas éramos inseparáveis. Regina e Rosária, que me acompanham até hoje e certamente devem se lembrar nas noites em que as deixei para acompanhar o Zé nas tais reuniões dos militantes. Aconteciam numa universidade. Eu ia e não entendia quase nada. Ansiava pelo término das reuniões porque queria trocar uns beijinhos com o namorado. Mas a discussão acalorada corria solta, na praça da República, com alunos secundaristas a planejar mobilização para as constantes greves daquele período.

Nas noites em que ele me gritava, eu respondia: – Espera, Zé, já to indooooooooooooooo…. olhando-o do alto das grades dos corredores do segundo andar, no prédio centenário na Av. Mal. Floriano. Lá embaixo, o menino risonho, engravatado, com a pastinha debaixo do braço, me aguardando para irmos namorar. Mas só depois da tal reunião político-estudantil. Eu aceitava e vivia a dupla aventura. Iniciava-me nas artes da política e do amor, pisando em ovos, digamos, não compreendia ambos , aliás, tenho dúvidas com os dois temas, que persistem até os dias de agora.

Um casalzinho de jovens caminhava abraçado , uniformizado, pela av Presidente Vargas em direção ao tal encontro, onde eles se chamavam de “camaradas”. Via sempre por lá o líder estudantil Vladimir Palmeira, com sua verve envolvente.

Um dia, a boba aqui perguntou porque faziam isso. O Zé, com ares de sabichão , me disse que eu precisava ler mais a respeito da revolução russa, dos Bolcheviques e Mencheviques, que só vim a estudar mesmo nos anos 70, na universidade.

Assembléia terminada, votadas as questões de ordem, combinadas as datas e horas das passeatas e protestos, eu e ele seguíamos para ver o mar, na Praça XV, olhando Niterói lá longe, antes da construção da ponte. No trajeto , ele sempre me lembrava que no dia de cada passeata, eu devia me esconder na casa de velas, na hora do pegapracapá, quando a polícia chegasse, já que estaria muito ocupado e não poderia me proteger. Eu me sentia importante, participante corajosa, como namorada do manda chuva dos estudantes do Pedro II.

Sentávamos num banco qualquer. Sonhávamos e imaginávamos o futuro. Sempre ríamos muito. Ele era um ser brincalhão. Um namoradinho da mocidade que nunca esqueci, melhor que isso, um amigo que me ajudava a estudar, na biblioteca, muitas vezes, quando eu precisava me concentrar para as provas. Depois de algum tempo, levava-me ao ponto do ônibus. Eu ia para um lado e ele para outro. Não podia chegar tarde em casa, no subúrbio, a hora fatal era sair da cidade às 22 horas.

Quando eu já estava terminando a escola normal e já tinha decidido fazer o vestibular para jornalismo, encontrava-me atarefada com estudos e preparativos para a formatura, ele me veio com uma convesa estranha. Estava sério pela primeira vez. Presenteou-me com um livro sobre o comunismo chinês: “a oitava lua”. Disse que ia ter que sumir. Que se engajaria numa luta mais forte contra a ditadura. Só depois eu soube que era o MR8. Naquele dezembro de 68, as coisas recrudesceram. Foi assinado o AI5, eu participei da colação de grau, sem a presença dele, mas homenageio-o no meu discurso de oradora. Apenas citei que o dedicava a alguém que tinha concorrido para que eu concluísse o curso ajudando-me muito e que agora não podia estar ali. Não sabia do seu paradeiro. Mas confiava que ele seguia sua caminhada por ideais tão fortes na garotada da época.

O ano seguinte, 69, já na universidade, foi, para mim, de muitas descobertas sociais e políticas. Segui imaginando que o Zé devia estar na luta e que um dia me procuraria. Já não éramos namorados, mas as memórias dos nossos momentos compartilhados nunca saíram da minha cabeça.

A cada vez que sabia de alguma notícia de militantes mortos ou abatidos, presos ou perseguidos, exilados ou mais tarde anistiado, eu observava as listas de nomes na esperança de uma linha sobre o Zé Magro, como era conhecido. Na vida clandestina, eu supunha, ele devia ter assumido codinomes a que nunca tive acesso.

O som da sua risada, seus trejeitos espalhafatosos, seu desenho esmerado, a lápis cera, seu carinho daqueles velhos tempos, ainda permanecem em mim.

A vida correu. Passaram-se 40 anos. Estamos em dezembro de 2008. Nunca mais soube dele.

Vou encerrar este texto transcrevendo um email que recebi de um ex militante (omitirei seu nome), em 2005.

Vale como outra homenagem à memória do Zé, e a sua história , ou melhor a nossa pequena-grande história, e meninos quase adultos, naqueles meses de 67 e 68.

Eis o texto recebido: ” Maria Aparecida, o Vladimir sempre avisa que, nos tempos atuais, é preciso TER MUITO CUIDADO quando se fala de ex-companheiros, especialmente se for um “MAMA DON´T CRY” (“amigos presos e sumidos pra nunca mais voltar”). Vc. é jornalista e sabe muito mais que eu sobre o assunto. O Vladimir aconselhava que quando nos deparamos com tal fato, no caso o Zé Magro, é bom que narremos fatos e/ou costumes que NUNCA FORAM relatados nos vários livros de memórias ou histórias daquele período. Vou tentar seguir os conselhos do Vladimir. Eu conheci e fiquei amigo de um aluno do Colégio Pedro II, em 1968, chamado JOSE LUIS DA MOTTA RODRIGUES, que sempre comparecia as reuniões do Centro Acadêmico Candido de Oliveira, na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, na Praça da Republica ( Campo de Santana ), liderada por Vladimir Palmeira. Zé Magro, sempre com seu uniforme do “CAFÉ GLOBO”, como ele gostava de definir o Pedro II por causa de um horrível emblema pregado no lado esquerdo da camisa branca. Zé Magro tinha um “tique nervoso” de sempre alisar a gravata azul ( de péssimo gosto ) berrante que compunha o uniforme. Zé Magro falava sempre do seu amigo e colega de classe, um jogador (ponta-esquerda) de futebol do Fluminense, chamado Gilson Nunes, embora o Zé Magro se confessasse torcedor do Flamengo. Zé Magro contava que namorava uma normalista do Instituto de Educação, da Praça da Bandeira. Todavia era muito comum que as meninas de lá namorassem meninos do Pedro II e do Colégio Militar. As meninas do Pedro II também gostavam de namorar os meninos do Colégio Militar, os quais, por razões apenas sabidas por eles, não tinham coragem de levar, uniformizados, suas namoradas na porta do colégio Pedro II. Zé Magro morria de rir quando nos contava isso…. Zé Magro tinha uma grande amizade com o Prof. Jairo Bezerra, de quem falava muito bem, mormente quando contava vantagem de “ ter professores que foram autores dos livros que todo mundo usava no ginasial e científico do Brasil “. A ultima vez que conversei com Zé Magro, foi em 69, quando nos encontramos na sinuca da Praça Tiradentes, quando ele me contou que iria para São Paulo se juntar ao MR-8. Certa ocasião, em 1976, em Pigalle, Paris, vi uma pessoa muito semelhante ao meu amigo Zé Magro, mesmo descontando o desgaste do tempo. Soltei do táxi e saí correndo atrás da pessoa, mas não consegui encontra-lo. Li praticamente TODOS os livros de memórias “DOS QUE VOLTARAM”, mas não consegui identificar ninguém com traços do ZÉ MAGRO. Até hoje, tratando-se do Zé Magro, continuo “bêbado trajando luto”. Para que meu coração não dê problemas ( como o seu que disparou ) vou tomar meu Atenol 100. L.P.S.M.

Aparecida Torneros, jornalista e escritora , mora no Rio de Janeiro, onde edita O Blog da Mulher Necessária


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CRÔNICA

Beijo na boca, como viver sem ele?

Maria Aparecida Torneros

Sou daquelas pessoas beijoqueiras. Quando menina ( como centenas fazem) treinei muito beijando laranjas e maçãs tentando adivinhar o gosto de um futuro e prazeroso beijo na boca. Retive em mim alguns receios naturais, esperei o namorado do colégio, adiei muito e aos 17 anos, finalmente, provei da coisa ansiada, com um desajeitado sentimento de invadir e ser invadida no sorriso e na sensação de doce ou amargo, foi uma confusão.

Com o tempo, claro, esmerei-me na prática e os namoradinhos foram se sucedendo, descobri que cada ser humano beija do seu prórprio jeito e que há beijos despretenciosos e inocentes enquanto outros são provocantes e libidinosos. Os beijos de amor são identificados com o coração aos pulos, elevam-se à categoria do alerta vermelho, casamento ou sexo à vista, afinal, a carne é fraca, dizem todos por aí…
Atualizando meu vocabulário com os filhos adolescentes de amigas e amigos, incorporei o BV, boca virgem, quer dizer aquela pessoinha que ainda não beijou ninguém. Corre entre a meninada o estigma, Fulaninha é BV, coitadinha… rs…

Noutro dia, uma amiga viúva há uns poucos anos, me confessou que não abraça ou beija alguém desde que perdeu o marido, e o fez, num tom choramingado, saudoso, talvez porque o beijo que realmente lhe faz falta não é o de qualquer um, mas aquele do seu companheiro de tantos anos que partiu deixando-lhe a saudade da vida em comum e consequentemente dos seus beijos trocados por décadas.

Há casais que se beijam, pelo processo da rotina, como autômatos, nem parecem sentir a importancia dos seus beijos e a propria necessidade deles tornou-se ato cotidiano, fazendo parte do roteiro previsto na correria do dia a dia.

Os chamados beijos inesquecíveis, estes nos acompanham a vida inteira, quem não os tem por aí seja em sonho ou lembrança, atentando para os que já vimos e revimos em cenas cinematográficas ou novelas sublimadoras de solidões e abandonos pessoais. Muitas vezes ver um beijo de amor, numa cena deliciosamente bem estruturada, parece lavar a alma de quem anda carente de beijos reais…

Solteiros e divorciados precisam traçar estratégias para descolar seus beijinhos avulsos, e o conseguem, com artimanhas de pequenos encontros, conquistas, bailinhos de clubes, etc. Tudo perfeito e plausível.

Nos carnavais, nos permitimos, claro que alguns de nós, nem todos somos iguais, trocar beijos com estranhos no auge da folia… e em festas, os jovens chamados “ficantes”, fazem a fila andar e beijam vários parceiros numa só noite…

Nada a julgar, apenas constatar que o beijo nunca sai de moda, é o primeiro passo, depois do olhar (então é o segundo?) para que se aproxime de alguém com efetivo encontro de peles e tatos…

Beijar e fechar os olhos. Imaginar-se num mundo de amor e paz… Sem despedidas… Sem egoísmos, sem cobranças, sem depois…

Ficar sem beijar..Ficar sem falar. Fechar a boca.. Fechar-se aos beijos. Trancar o coração, abaixar os olhos, beijar só na saudade, e seguir vivendo, também pode ser uma escolha, uma fuga, uma decisão, um pós-trauma, um desgosto, a sensação que ninguém mais nos beijará daquele jeito…

E quantos de nós, ao entrarmos na velhice, solitários e resolvidos, voltamos a ser BVs? Parece engraçado? Pois façam uma pesquisa, há mas pessoas vivendo sem beijos na boca do que se pode imaginar… sobrevive-se, sim, verdade…

Como se vive sem um beijo na boca? Vive-se da saudade dele ou do esquecimento dele…é válido… o que pode doer é viver com desejo dele, sem se atrever a permitir-se correr atrás, dar-se uma chance…

Porque o sentimento pode assumir outras dimensões, beija-se a alma em pensamento, faz-se trabalho voluntário e caridoso, abraçam-se os necessitados de compreensão, atendam-se nossos vellhinhos, distribuam-se beijos na testa, confortem-se os sofrimentos alheios, e a vida segue…muitos casais trocam beijos na boca em homenagem a uma vida que sonham…

Quem vive sem eles, mesmo sem dar ou receber mais beijos na boca…é indispensável recordar o bolero e pedir “besame mucho” como se fora esta noche la última vez”…

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária


Wagner e Dilma: destinos políticos atrelados
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DEU NO IG

O início do segundo mandato de Jaques Wagner (PT) mostrou que a aproximação com o governo Dilma Rousseff é aposta estratégica do governador da Bahia. Nesses cem primeiros dias, Wagner atrelou-se ao Planalto em seu principal projeto, a chamada UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) baiana, e na medida mais impopular, um corte de gastos superior a RS 1 bilhão.

Embora o conceito de UPP tenha nascido no Rio de Janeiro, na Bahia ela terá apoio federal – o aumento da violência é um dos problemas mais graves enfrentados pelo Estado.
O anúncio de destaque de Wagner na área de segurança, a mais sensível para o governo baiano, é um projeto com 99% de recursos federais, a construção de bases comunitárias de segurança, que Dilma associara na campanha às UPPs cariocas.

A polícia da Bahia ocupou em março duas favelas de Salvador dominadas por traficantes. Em uma delas promete instalar até abril a primeira de 34 bases, a R$ 600 mil a unidade. No modelo previsto, segundo o governo baiano, o Ministério da Justiça banca a construção e o Estado entra com o pessoal. Ainda não houve, contudo, repasses de recursos pelo Planalto.

O governo do PT na Bahia vem procurando reforçar a divulgação de suas ações em segurança, área em que Wagner acumula críticas e índices desfavoráveis. De 2005 a 2009, por exemplo, houve alta de 142% nos assaltos a banco e de 85% nos roubos de veículos. A taxa de homicídios subiu 42% de 2004 a 2009 e o índice de mortes por armas de fogo avançou 347% entre 2000 e 2008.

Além de promover as operações nas favelas, o governador trocou a cúpula da segurança pública – o novo secretário da área é um delegado federal de 33 anos – e a titularidade de 23 delegacias de Polícia Civil. Diante de 26 roubos cinematográficos a banco registrados no Estado apenas em 2011, anunciou um convênio com instituições bancárias e policiais para coibir o crime. Também concentrou as investigações de homicídios em apenas uma unidade.

Da segurança pública também veio a maior turbulência do segundo mandato de Wagner. Às vésperas do Carnaval, um tiroteio entre policiais civis terminou com um investigador morto e uma crise entre o sindicato da categoria e a cúpula da segurança no Estado. O sindicato declarou greve e o governo conseguiu liminar na Justiça que enfraqueceu o movimento.

Na ocasião, Wagner defendeu a ação policial com frase de efeito: “Não há hipótese alguma de a gente conviver com laranja podre dentro de nenhuma unidade da segurança pública”. O policial morto era investigado por extorsão. Inquérito do caso indiciou outros dois policiais e quatro informantes sob acusação de formação de quadrilha, entre outros crimes.

Corte de gastos

O governo baiano associou seu principal projeto em 2011 a recursos federais e também recorreu ao Planalto para justificar a medida mais impopular até agora: um corte de gastos de R$ 1,06 bilhão – 4% do total do Orçamento estadual.

A área econômica de Wagner justificou a medida pela perspectiva de menor crescimento do País em 2011 e pelo cortes orçamentários de R$ 50 bilhões feitos por Dilma, que afetam as transferências constitucionais aos Estados.

“Dois mil e onze não será um ano fácil. Será, provavelmente, o mais duro dos quatro, para que tenhamos três outros melhores”, afirmou Wagner ao justificar o corte. Com a tesoura no Orçamento, o governo baiano suspendeu novos investimentos até julho e também a abertura de concursos públicos.

Cenário político

Se a situação de caixa de Wagner é apertada em 2011, no campo político o cenário é tranquilo. Diferentemente do primeiro mandato, quando teve que construir maioria no Legislativo após a eleição, desta vez o petista já conta com maioria na Casa: ao menos 35 dos 63 deputados estão com o governo.

Na reorganização do secretariado prevaleceu a continuidade: apenas dez das 25 pastas ganharam novos titulares. O PP do vice-governador e secretário da Infraestrutura Otto Alencar assumiu protagonismo e o papel de principal sigla aliada ao governo. Atraiu para seus quadros o prefeito de Salvador, João Henrique, que deixou o PMDB e se aproxima politicamente de Wagner.

Os primeiros dias do segundo mandato de Wagner também indicam que a aposta no atrelamento ao Planalto é sustentada por uma forte relação pessoal com a presidenta, da qual poucos governadores desfrutam. O governador foi anfitrião da presidente no primeiro contato de Dilma com eleitores de baixa renda desde a posse, em ato em 1 º de março em Irecê, acompanhou Dilma em sessão de teatro em Brasília em horário de folga e estará com a presidente na visita à China, a viagem mais importante da presidente ate o momento.

Leia mais sobre cem dias do governo Dilma no IG: http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/

abr
08
Posted on 08-04-2011
Filed Under (Aparecida, Crônica) by vitor on 08-04-2011

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CRÔNICA/SENTIMENTALIDADES

AMORES E REVOLUÇÕES

Maria Aparecida Torneros

Tenho passado as noites, há algumas semamas, na casa da minha mãe, de 84 anos, que anda baqueando em saúde física. Entretanto, quanto às memórias, sua saúde mental já não tão perfeita ainda dá mostras de conservar lembranças fortes, como constatei durante a apresentação do primeiro capítulo da novela “amor e revolução”, no SBT, a que assistimos juntas, em meio a uma pluralidade impossível de controlar.

Os sentimentos vieram aos borbotões, ela disparava frases sobre aqueles dias de 64, em que eu tinha 14 anos e ela 36, o quanto ela acompanhava noites adentro as transmissões da rádio da legalidade, com a voz forte e inesquecível do gaúcho Leonel Brizola a pregar o estado de direito e a permanência do presidente Jango no poder.
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Revivemos as questões familiares. Tio preso e sumido que era líder metalúrgico na Fábrica Nacional de Motores, meu pai perseguido no trabalho, por meses a fio, os vizinhos que nos estranharam, proclamando a vitória dos militares e dali por diante uma sucessão de fatos aos quais nos acostumamos a conviver. Nas esquinas, desde o subúrbio carioca onde morávamos, a caminho do centro, onde eu e meu irmão cursávamos o ginasial, nas esquinas, aparatos militares, muita boca fechada, muito medo e a sensação de que o país virava de cabeça para baixo.

No colégio, conversas sussurradas com coleguinhas mais conscientes, tentativas de compreensão e a certeza da ditadura que se instalaria e faria parte da nossa história por longo tempo.

Amores? era o nosso tempo de iniciá-los, a começar pelos jogos amorosos entre adolescentes sonhadores e indo ao encontro dos conceitos de amor à Pátria que o Colégio Pedro II tão magestosamente nos incutia através de paradas ocasionais, marchas em solenidades rotineiras, cantorias de hinos ufanistas, aulas inesquecíveis de história e geografia do nosso país imenso e rico.

Revoluções? centenas delas dentro dos nossos corações e atormentando nossas cabeças. Um ir-e-vir e informações truncadas, censuradas, mentiras, verdades camufladas, os próximos anos, tentativas de resistência, o fenômeno do militarismo acima da legalidade, o exílio de tantos, o desaparecimento de outros tantos, as torturas, as perseguições, um inferno sob a égide de um sol maravilhoso, tropical, os anos 60 escoando, a dureza do AI5 em dezembro de 68, a conquista da famosa Copa do Mundo em 70 e o mundo rondando em torno de novos ideais, resgate democrático, direito de votar, diretas já, em pouco mais de 15 anos, dentro de nós, mil amores e mil revoluções.

Pois a novela está só começando. Parece que vai misturar tudo num fervente caldeirão. Tomara que sirva para esclarecer e elucidar às novas gerações. Tomara que honre a memória dos tombados e desaparecidos, e que ajude a repassar e repensar período tão obscuro da vida brasileira.

Enquanto isso, eu e minha mãe, permanecemos juntas, testemunhas das nossas sentimentalidades e lembranças, diante de uma televisão capaz de transmitir episódios fortes, atingindo ainda que tardiamente, corações que se surpreendem frágeis, apesar das décadas que ficaram para trás. Daqui para a frente, um Brasil novo nos impele a festejar… é que acreditamos piamente…

Maria Aparecida Torneros é escritora e jornalista, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher necessária

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