set
25
Posted on 25-09-2009
Filed Under (Artigos, Multimídia, Vitor) by vitor on 25-09-2009


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Vinte e cinco de setembro. Nesta data comemora-se o Dia do Rádio no país. Na verdade, a celebração está associada ao dia do do “Pai do Rádio Brasileiro”, Roquete Pinto, que em 1923 fundou a primeira emissora de rádio do Brasil, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro.

Antes , porém, em 1922, foi realizada a primeira transmissão radiofônica , durante o centenário da independência . Na época, uma estação de rádio foi instalada no Corcovado, no Rio de Janeiro, para a veiculação de músicas e do discurso do então presidente Epitácio Pessoa.

Raros meios de comunicação, desde sua origem, tem tido tão profunda ligação com o povo deste país – cada um do nós tem uma bela de amor ao rádio para contar – que este festejado hoje. Mas isso exigiria muitas linhas para contar, na infância, na juventude ou na velhice. Quem quiser que conte a sua no espaço de comentários deste site-blog.

Agora é hora de festejar a data com uma música-simbolo . Aí vai “Cantores do Rádio”, com Chico, Nara e Bethania. Um vídeo retirado de “Quando o Carnaval Chegar”, filme de 1972, roteiro e direção de Cacá Diegues com Chico Buarque, Maria Bethânia, Nara Leão, Hugo Carvana e o baiano Antonio Pitanga.

Viva o Rádio.

(Vitor Hugo Soares) .

set
23
Posted on 23-09-2009
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Para muita gente que gosta de música e luta pela paz no planeta , a data de hoje e a música “Pride”( Em nome do Amor) estão indissoluvelmente ligadas a Sarajevo. No estadio de Kosovo lotado, em ambiente de quase extase do público, no dia 23 de setembro de 1997, a banda U2, comandada por Bono Vox, era a primeira a apresentar um grande show, o Popmart, na Bósnia, depois da guerra que a tornou independente da Iugoslávia.

No palco, Edge, Adam Clayton, Larry Mullen Jr e Bono emocionadíssimos (o vocalista chegou a perder a voz no início do show) tocavam fundo corações e mentes enquanto as arquibancadas de um lado estavam lotadas por soldados das forças de paz da ONU e de outro por civis de todas as etnias dos Bálcãs, “que experimentavam depois de quatro anos de isolamento e violência como era se divertir e celebrar a vida sem brigas ou confusões”.

Presente ao espetácuo, a blogueira Tatiana Klix registrou: “euzinha, na pista, fazia alguma noção de que estava fazendo parte de algo que era bem mais que um show legal do U2, o que já seria bom demais”.

A música para começar o dia neste 23 de setembro é Pride, com U2, Para que os nossos ouvintes leitores possam sentir um pouco de toda emoção de Saravelo. Confira.

(Vitor Hugo Soares)


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Terça-feira, 22 de setembro. Data do do início de primavera brasileira de 2009, que já saudamos mais cedo com a canção emblemática de Tim Maia. Mas é também a data de mais um aniversário de Maria do Socorro Fonseca, amiga mais que querida e figura fundamental para o Bahia em Pauta desde o seu surgimento. Por múltiplos motivos: desde a tenacidade crítica e rigorosa, sempre, mas pricipalmente quando o assunto é qualidade e conteúdo, assunto em que Socorro não faz concessões.

Daí ter sido ela escolhida não apenas como leitora especial, mas também indicada por toda equipe como uma espécie de ombudsman informal do BP. A que vê tudo, analisa cada informação ou ponto e vírgula do texto, e não se importa de ligar, na tampa, para fazer uma correção ou indicar uma pauta sobre assunto que ela julgue relevante. Dicas generosas ou críticas severas, como é de seu feitio, em geral passadas para a revisora Margarida, sua amiga de juventude e de sempre, como também este agradecido editor.

Sabemos o quanto ela gosta de “Dindi”, a magnifica composição de Tom Jobim, desde o sucesso estrondoso quando Maysa a gravou pela primeira vez e ela morava em Juazeiro da Bahia. Aqui, a música que o Bahia em Pauta oferece a Maria do Socorro, no dia de seu aniversário, vai na primorosa interpretação da baiana Gal Gosta, acompanhada pelo autor.
Ah, Socorro, se soubesses o bem que todos te queremos no Bahia em Pauta e o quanto agradecemos à sua contribuição generosa!

Toda felicidade do mundo.

(Vitor Hugo Soares, editor, pela equipe do Bahia em Pauta).

set
19
Posted on 19-09-2009
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Serra em Salvador /img. Estadão
Record
Lula e Dilma em Porto Alegre
ludilma

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ARTIGO DA SEMANA

SERRA NO TERREIRO DE LULA

Vitor Hugo Soares

No começo, há mais de 10 anos, Lula descobriu o enorme potencial nordestino como fonte decisiva de votos em disputas presidenciais. Na Bahia, como nos tempos pioneiros da exploração de petróleo na área suburbana de Lobato (pobre e abandonada hoje como sempre), o ex-líder metalúrgico do ABC paulista, fundador do PT, desenvolveu longo, largo e paciente trabalho de prospecção política, nem sempre com resultados favoráveis. Mas acabou descobrindo reservas eleitorais tão abundantes para ele quanto as do óleo do Pré-sal, no qual o mundo inteiro anda de olho ultimamente.

Sem aviões caças, helicópteros e muito menos submarinos nucleares franceses para garantir a segurança de tão preciosas descobertas na Bahia (mas que se estendem por praticamente toda região nordestina) , gaviões e pássaros das mais coloridas plumagens – verde inclusive – sobrevoam a área e começam a pousar pelas bandas de cá na disputa por um pedaço do bolo. Um deles, o governador de São Paulo, José Serra, passou esta sexta-feira, 18, visitando a área pela segunda vez em menos de um mês.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, nome do PT preferido pelo presidente, aparentemente não dá muita bola – ou pelo menos não tem dedicado a mesma atenção que Lula sempre dispensou a essas “reservas”. Deve imaginar que elas estão garantidas e em segurança nas mãos do companheiro Jaques Wagner. Ou, quem sabe, considere as “minas” esgotadas, apesar da pesquisa mais recente mostrar exatamente o contrário.

Os tucanos – José Serra à frente, e o governador de Minas, Aécio Neves, logo atrás – com os números nas mãos – sinalizam claramente que pensam diferente da petista mãe do PAC. Serra que já cantou baião com Dominguinhos em São Paulo e dançou forró em Recife, voltou a aterrissar em um dos principais terreiros eleitorais do petismo no País, umbilicalmente ligado a Lula, como demonstrado cabalmente nos dois pleitos mais recentes.

Serra retornou agora com mãos cheias de números alentadores em termos de preferência, disparado nas preliminares da corrida presidencial de 2010. Enquanto isso, Dilma (PT), a concorrente mais próxima, olhada pelo retrovisor parece parada no acostamento da pedregosa estrada que vai dar no gabinete mais importante de Brasília. Na vizinhança, ela segura com fé e esperança na mão do chefe da equipe, para não derrapar mais e descer a ribanceira.

Propósito anunciado para esta nova passagem de Serra pela capital baiana: a palestra para empresários locais sobre “Perspectivas econômicas do estado e do Nordeste” na emblemática Associação Comercial da Bahia, a primeira entidade de homens de negócio da América Latina. Apesar dos reiterados avisos de Serra, salão lotado de políticos da terra: tucanos, que são poucos e mais reduzidos ainda, agora, com a fuga do presidente da Assembléia Legislativa, Marcelo Nilo; estrelas locais na constelação dos democratas, que ainda somam números e nomes expressivos apesar da ausência de ACM (o ex- governador Paulo Souto, senador Antonio Carlos Magalhães Junior e ACM Neto à frente), além de representantes dos partidos periféricos de sempre.

Muita gente mais, porém, a maioria desconhecida pelo visitante, na fila de abraços ou apertos de mão, disputa uma brecha para cumprir uma das mais antigas e mais perniciosas tradições da política da Bahia, “a adesão”, como vergastava o bravo e saudoso Chico Pinto, que partiu há dois anos, mas segue presente no imaginário local como eterno combatente do adesismo.

O tucano paulista plana sobre todos. “Sem falar de política”, segundo ele, mas visivelmente contente e empenhado em fortalecer sua mais que possível candidatura à Presidência em 2010, Serra demonstra ter aprendido muito com o adversário e atual ocupante do Palácio do Planalto. Não repete, como Lula, que um dia e em algum lugar no passado já foi baiano, mas já conta histórias de forte apelos locais.

“Eu aprendi a ser político na Bahia, no tempo em que era do movimento estudantil, que não era essa coisa oficialista que é hoje. Eu me elegi presidente da UNE – União Nacional dos Estudantes graças aos baianos. Paulista não sabe fazer política”, afirmou o ex-militante da Ação Popular (AP), quando da visita anterior a Salvador.

Ontem, a agenda do governador de São Paulo previa conversas em pólos conflitantes: do polêmico apresentador Raimundo Varela, porta-voz local, de peso, da Rede Record, do bispo da Igreja Universal, Edir Macedo; ao mineiro arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, cardeal D. Geraldo Magela, ex-presidente da CNBB. Mais sincretismo do que isso, impossível.

Como se vê, na Bahia ou não, no rastro das “reservas” descobertas por Lula ou em campos próprios, o fato é que Serra demonstra cada dia mais que aprendeu bem. Principalmente a política que poderá conduzí-lo ao lugar que ele mais deseja há tanto tempo.

Saravá!

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

set
12
Posted on 12-09-2009
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Na rota baiana: Marina, Aécio..
salvador
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Serra e…
serra
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…ciro.
ciro
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ARTIGO DA SEMANA

ROTAS BAIANAS PARA O PLANALTO

Vitor Hugo Soares

Virou moda entre postulantes à presidência da República dar uma chegada em Salvador antes de a campanha eleitoral começar pra valer. Esta prática, que mistura misticismo e marketing político, foi iniciada nas primeiras e mal-sucedidas disputas do atual ocupante do Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva, e jamais foi interrompida, nem mesmo depois da primeira vitória.

Ultimamente o cortejo ganhou cores e caráter pluripartidário, ao registrar a visita à terra das medidas coloridas do Senhor do Bonfim de nada menos de quatro dos cinco mais destacados postulantes ao lugar de Lula em 2010: a senadora Marina Silva, do PV; o ex-ministro da Integração Nacional Ciro Gomes, PSB; e os governadores Aécio Neves, de Minas Gerais, e José Serra, São Paulo, ambos do PSDB.

Mas o que desejo é assinalar aspectos desta situação que começa a virar a mais nova tendência entre os mais prováveis candidatos às eleições presidenciais em 2010, visíveis nestes movimentos iniciais mal disfarçados de campanha. Trata-se, na verdade, de um rito meio espírita, misturado com incensos do catolicismo e tambores dos terreiros de candomblé, iniciado pelo pernambucano de nascimento, paulista por adoção, “e baiano por algum inexplicável segredo espiritualista”, como sempre dá um jeito de repetir quando está na Bahia o atual inquilino do Palácio do Planalto.

Lula não se cansa de propagar o que considera os efeitos benéficos desta prática que ele segue religiosamente há anos. Agora, porém, segredo revelado pelo próprio recebedor da graça, a capital baiana parece ter-se tornado ponto de partida preferencial dos postulantes de praticamente todos os partidos. Estranhamente, a única exceção digna de nota até aqui é a poderosa ministra-chefe da Casa Civil, a petista Dilma Rousseff, nome “in pectore” do presidente para a sua sucessão.

Dilma tem preferido passar ao largo dos terreiros e da Baía de Todos os Santos desde a campanha para prefeito da capital baiana, quando se mostrou indecisa em relação a que palanque subir: se no de João Henrique Carneiro (reeleito), do PMDB, empurrado pelas mãos do ministro Geddel Vieira Lima, ou no de Walter Pinheiro, o petista apoiado pelo governador e companheiro de partido da ministra, Jaques Wagner.

“Durante a campanha só passarei em Salvado pelo alto, de avião”, teria prometido Dilma a Geddel na época, segundo fartamente divulgado na Bahia, e jamais desmentido por ela ou alguém próximo, como acaba de fazer a esquentada ministra substituta da Casa Civil, Erenice Guerra, que lançou nota oficial para desmentir o governador Aécio Neves, quando este protestou contra a quebra compromissos assumidos com Minas pelo governo Lula através do PAC da mãe Dilma.

“Espaço aberto, espaço ocupado”, diz o ditado tão ao gosto das citações dos políticos, donos do poder e marqueteiros de plantão. E são os tucanos Serra e Neves os que mais esvoaçam agora sobre as colinas e terreiros de Salvador, além das locas mais fechadas e apropriadas para os acordos e conchavos políticos. Tudo quase igualzinho ao que Lula sempre fez deste lado do Nordeste, cada vez mais decisivo no mapa das disputas presidenciais.

José Serra, o paulista normalmente sisudo e de poucas palavras, nem parecia o mesmo em sua recente passagem pela Bahia. Abraçou e sorriu para todos os que apareceram em sua frente: o colega petista Jaques Wagner; os companheiros de plumagem na fauna local, como o deputado Jutahy Magalhães; os aliados do DEM como ACM Junior e ACM Neto, entre outros.

Aécio Neves, o “baianeiro” (mistura de baiano com mineiro), como ele faz questão de se intitular agora, repetiu os passos de seu colega paulista e fez ainda mais. Recebeu o título de Cidadão Baiano na Assembleia Legislativa, em festiva cerimônia de plenário lotado e efusivo e, em seguida, deu marcante e comovente entrevista na Radio Metrópole, a Mário Kertész. A conversa segue sendo citada por políticos locais e ouvintes da emissora, pela emoção, relevância informativa no terreno da gestão administrativa e atuação política, mas sobretudo pela sinceridade do político mineiro ao falar dos últimos dias de sofrimento de seu avô, até a morte, depois de internado no Hospital de Base de Brasília, na véspera de tomar posse como presidente da República.

Com os resultados da mais recente pesquisa divulgada esta semana, os tucanos Serra e Aécio devem ter ficado animados com os efeitos benéficos dos ares místicos da Bahia. A ministra petista, Dilma Rousseff, ao contrário, deve ter sentido uma pontada de arrependida de seu atual distanciamento de Salvador.

O resto é com tempo, senhor da razão.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail:  vitor-soares1@terra.com.br

set
08
Posted on 08-09-2009
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 08-09-2009

incendio
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OPINIÃO / SEGURANÇA

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TENTAÇÃO DO FOGO

Alguém já escreveu certa vez: das tentações dos baianos, o fogo é uma das maiores. Na mosca. Fatos das últimas horas parecem dar razão, mais uma vez, ao autor desta palavras.

Estamos falando dos estranhos,audaciosos, mas emblematicos atentados a tiros que atingiram agentes de segurança pública e módulos policiais, além da própria população no dia das comemorações cívicas e militares do 7 de setembro.

Ônibus , que servem principalmente às camadas mais necessitadas da população, foram atacados e incendiados em bairros populares nas últimas 24 horas, inclusive na manhã desta terça-feira.

Sinais mais evidentes de ações organizadas e coordenadas por traz disso tudo, impossível. Quanto a este ponto parece haver concordância total entre as polícias Civil e Militar, autoridades de governo, políticos sempre com acusações ou soluções na ponta da língua (a depender do lado de atuação) e sociedade.

As dúvidas começam na hora de identificar (e punir com máximo rigor) os responsáveis por estas tentativas perigosas de amedrontar a cidade e seus habitantes e visitantes, e mostrar, com fatos irrespondíveis, a quem tudo isso interessa.

A primeira saída é sempre a mais fácil: atribuir tudo ao tráfico e a traficantes, apontar dois ou três prováveis culpados, e deixar que tempo leve tudo ao esquecimento mais uma vez. O Chefe de Polícia, cESAR Nunes, parece ter dúvidas ainda, pelo que deixou claro em entrevista coletiva esta manhã, e é bom que as tenha, ao contrário dos que já decidiram que o crime organizado é quem comanda tudo em Salvador, atualmente.

Para Nunes, os incêndios e os atentados a tiros são coisas com motivações e agentes diferentes. “Não vimos ainda uma conexão plausível para os dois fatos”. Ainda bem, mas é essencial que polícias – e meios de comunicação também – atuem com rapidez e competência para descobrir quem, efeitivamente está acendendo as tochas que ameaçam incendiar Salvador. E os culpados não devem ser procurados apenas no tráfico, mas também na própria polícia e em outras áreas.

Há quem considere estranho, por exemplo, a coincidência do fogo e dos tiros com o anúncio do julgamento de oficiais corruptos detidos no comando da PM há poucos meses. Sem falar nos olhos da imprensa internacional voltados para a Bahia nestes dias de fogo, que antecedem o jogo Brasil e Chile em Pituaçu. “Vamos acordar”, diria o radialista Moura Costa.

Seja como for, é preciso atuar – e o governo não pode se omitir nesta ação – não só para apagar as chamas visíveis nas últimas horas, mas para extinguir o fogo que grassa há tempo sob o monturo.

( Vitor Hugo Soares )

set
05
Posted on 05-09-2009
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Mafalda estátua (com Quino)…
Quimafalda
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…perdeu o vestido vermelho
vermafalda
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Macunaíma continua o mesmo
macunaima
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ARTIGO DA SEMANA

DE MAFALDA A MACUNAÍMA

Vitor Hugo Soares

Bombardeado por tantas notícias desagradáveis, que chegam de um lado e outro do continente, dá alegria saber que, desde domingo passado, quem caminhar por San Telmo, bairro boêmio, antigo e charmoso de Buenos Aires, encontrará a estátua em tamanho natural de Mafalda. Homenagem justa à heroína das tiras de histórias em quadrinhos (HQ) do desenhista Quino, uma das mais fascinantes figuras femininas que já conheci. Mesmo não sendo de carne e osso, ela transpirava paixão e entrega por todos os poros, comum naqueles anos 60/70.

Pensei com meus botões de baiano perdidamente apaixonado, há décadas, tanto por esta garota incontrolável, quanto por Buenos Aires, a esplendorosa cidade de seu nascimento e residência. Penso: que grande personagem da semana de Brasil e Argentina, a clamar a ressurreição pelo menos por um dia, do épico Nelson Rodrigues. Só este pernambucano e carioca da gema como nenhum outro, seria capaz de produzir um texto com a força necessária para este sábado de fim de inverno no sul do continente. Dia histórico qualquer que seja o resultado da partida em Rosário, em que as seleções de Maradona e Dunga revivem toda rivalidade e encantamento desse confronto do futebol mundial com paixões à flor da pele, bem do jeito de Mafalda.

A primeira recordação é das tantas vezes que andei quilômetros pelas calles Corrientes, Esmeralda ou Reconquista, sempre cheias de gente, dia e noite – “até fechar o último quiosque”, como diz Maradona – à procura de uma “tira” nova de Mafalda. Se não havia recente, comprava as mais antigas mesmo, pois sempre pareciam renovadas e surpreendentes a cada nova leitura. Que prazer acompanhar de perto as aventuras daquela garota indomável, com suas tiradas saborosas e implicâncias que sempre faziam pensar.

Uma delas com políticos fanfarrões e gente machista, autoritária, pusilânime ou corrupta. Tipos que Mafalda detestava tanto quanto a sopa quente caseira que a mãe a fazia tomar, crente – como todas as boas madres com misturas explosivas de sangue italiano e judeu correndo nas veias – nos poderes da alimentação saudável. Filhos devem tomar toda a sopa, mesmo que seja preciso matar ou morrer – a depender da origem da mãe no caso -, para que eles obedeçam, sem deixar um pingo no prato.

A busca por Mafalda produzia uma sensação empolgante de descoberta – semelhante às idas às bancas de jornais em Salvador para comprar a nova edição do Pasquim – para o jovem repórter brasileiro do Jornal do Brasil que trabalhava na sucursal de “Salvador de Bahia”, como os amigos portenhos repetiam a cada nova apresentação. A Argentina então, ao contrário do Brasil, parecia um oásis de liberdade na política, nas ruas, nos bares e restaurantes no convívio cotidiano da “cidade florescente”, como no tempo em que Gardel canta com saudade no tango “Anclao em Paris”.

Leio que a inauguração da estátua de Mafalda, em escala proporcional ao tamanho de uma menina real da sua idade, tem múltiplos significados e objetivos, além de simplesmente criar mais uma atração para turistas que visitam em levas uma cidade já tão repleta de atrações. O escultor Pablo Irrgang, responsável pela escultura, explica: a idéia central é estabelecer um ponto de interação da personagem com seus seguidores e visitantes, “no local dos fatos”.

Há, porém, uma diferença: na estátua recém inaugurada o original vestidinho vermelho dos primeiros anos de Mafalda foi trocado sutilmente no monumento (ou nem tão sutilmente assim?) por uma roupa verde, como pedem os novos tempos “politicamente corretos”, em que a questão ambiental assume o lugar das utopias de antes, concentradas nos conflitos políticos, ideológicos e de mudanças de comportamento, expressos com todas as palavras e ações da menina enfezada.

Esta observação crítica partiu de Margarida, minha mulher, também jornalista, fã ardorosa de Mafalda, a ponto de ter recebido o apelido honroso da personagem de Quino, nos tempos de chumbo em que circulava na redação do jornal em que trabalhava vestida em contestadoras camisetas da contestadora portenha, na época em que generais, aliados a civis mal dissimulados, mandavam no Brasil. O fato é que a escultura vem saldar uma dívida pendente dos argentinos com Mafalda, um personagem local com dimensões globais, “capaz de expressar seu mal-estar com o mesmo ímpeto para desterrar a sopa e a guerra da face da terra”.

Quanta grandeza e diferença humanitária para os minúsculos personagens transpirando mau-caráter que vemos nestes dias mesquinhos da política, dos governos e da sociedade – por quase todo lado: nas barrancas do Rio da Prata ou nas bandas de cá da América do Sul, sintetizados por figuras trêfegas, que rondam por gabinetes e corredores da política e do poder, agora mais tranqüilos e soltos, depois que um novo surto de revolta e gritaria parece ter cessado, no Planalto Central e no resto do país.

O que se vê nestes dias é gente cada vez mais distante da paixão que transforma e dos sentimentos sempre críticos, mas generosos de Mafalda. Estamos de novo mais próximos de Macunaíma, o personagem safado, preguiçoso e sem caráter do livro de Mário de Andrade, que ganhou na adaptação para o cinema por Joaquim Pedro de Andrade, a cena emblemática em que dezenas de pobres retirantes sem força e sem vontade são despejados na entrada de uma grande cidade brasileira e o dono do caminhão depois de receber o dinheiro pelo transporte da carga humana, avisa “Agora é cada um por si, e Deus contra!”.

Bom jogo Brasil e Argentina para todos.

Vitor Hugo Soares
é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

ago
29
Posted on 29-08-2009
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ARTIGO DA SEMANA

Cinco senadores, quatro mulheres… e Ulysses

Vitor Hugo Soares

Neste artigo se tratará de Senado e senadores. Digo: de cinco destes senhores do parlamento – quatro brasileiros (Zé, Heráclito, Aloizio e Eduardo) atores tragicômicos da trupe que encena crise ética infindável, e o norte-americano, Edward Kennedy. Este último, morto em combate de muitas batalhas contra um câncer. Deixa ao partir marcas simbólicas em seu país, onde Ted está sendo recordado como um dos políticos mais influentes e mais decisivos dos últimos 50 anos, até quando comparado com seus poderosos irmãos, John e Bob.

De uma forma ou de outra, para glória, humilhação ou desonra, os cinco foram destaques desta penúltima semana de agosto de 2009. No entanto, no começo destas linhas abre-se espaço para as palavras do deputado Ulysses Guimarães. Aquele que em seu Decálogo do político e do estadista estabeleceu a coragem como primeiro mandamento.

O pusilânime nunca será estadista, pregava Ulysses, invocando um mestre mundial na matéria: Winston Churchill. Para o líder britânico, das virtudes, a coragem é a primeira, porque sem ela, a fé, a caridade, o patriotismo, desaparecem na hora do perigo.

“Há momentos em que o homem público tem que decidir, mesmo com risco de sua vida, liberdade, impopularidade ou exílio. Sem coragem não o fará”, escreveu o velho timoneiro no Decálogo publicado em “Rompendo o Cerco”. “Homem público”, no caso, tem aqui o significado clássico da expressão. Mas vale também para as mulheres da política e do poder: Dilma Rousseff, da Casa Civil; a senadora do Acre, Marina Silva (petista durante 30 anos e Verde a partir deste domingo); e a vereadora do PSOL de Alagoas, Heloisa Helena, por que não, em sua brava insubmissão?

Que conste também desta seleta relação o nome da ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira. Mesmo que esta mineira de nascimento com pegadas fortes de sua passagem em terras do Nordeste, pareça contentar-se com seu perfil profissional “dedicado exclusivamente a administração fazendária”, conforme ela declarou no depoimento à CCJ do Senado, que segue causando abalos dentro e fora da Receita. A inclusão se dá pelo mérito do corajoso debate que ela suscitou sobre ética, verdade e mentira no exercício do poder e do serviço público, ao confrontar a poderosa comandante da Casa Civil do governo Lula, no caso do encontro particular das duas no Palácio do Planalto.

Este debate, se não perder seu essencial viés ético ao focar a questão da verdade e da mentira no exercício da atividade pública, para naufragar no terreno pantanoso das futricas partidárias, ideológicas e eleitorais, pode ser útil ao país.

E estamos de volta ao começo. Retomo então o rumo, quase perdido, a partir da morte do senador democrata dos Estados Unidos, Ted Kennedy, até esta semana, o último sobrevivente da chamada era de ouro do clã Kennedy, morto aos 77 anos, e que será enterrado neste sábado (29) em Massachussets, estado pelo qual se reelegeu sete vezes seguidas.

Há 40 anos, depois dos assassinatos dos irmãos John, em 63, e Bob, em 68, quase todos apostavam que seria Ted o próximo Kennedy na Casa Branca. Logo ele, que talvez por ser o caçula da família, se tomava menos a sério quanto ao seu futuro na política, e também quanto à sua respeitabilidade pessoal, como assinalam alguns dos que escrevem agora na mídia o obituário do único Kennedy metido na política que chegou à velhice, atuante senador, e com o máximo de respeitabilidade possível entre os homens públicos de seu país.

Quem diria, sobretudo ao olhar para o começo da história de Ted quando jovem, e mesmo já adulto? Dado a meter os pés pelas mãos, como quando foi expulso da rígida e referencial Universidade de Harvard por ter copiado uma prova de Espanhol, como lembram os jornais agora. Ou quando – já casado com a modelo Joan Benett – viu-se, em 69, diante da estranha morte da jovem Mary Jô Kopeckne, na volta de uma festa. O carro dirigido por Ted caiu no lago e Mary morreu afogada. Edward escapou e levou mais de 10 horas para informar à polícia sobre o acidente.

Ted Kennedy morre reabilitado. Retomou o caminho da verdade e da coragem na atividade pública e na vida privada. Não chegou à presidência de seu país, é verdade, mas o senado na vaga do irmão morto, que parecia um prêmio de consolação, acabou possibilitando a ele “uma das caminhadas políticas mais fascinantes da história dos Estados Unidos”. A ponto de o presidente Barack Obama ter suspendido suas férias para chorar a perda de Ted e exibir seu “coração partido” pela perda do “grande senador da América”.

Que diferença para o que se viu esta semana no senado em Brasília, de tanto cinismo e comportamentos servis. Enfim, da ausência da coragem moral e política que separa o estadista do pusilânime.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

ago
22
Posted on 22-08-2009
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 22-08-2009

Lina depõe na CCJ, Demóstenes observa
lina
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ARTIGO DA SEMANA

FALTA DE MEMÓRIA

Vitor Hugo Soares

O microfone sensível ligado em cima da mesa para o início da sessão da Comissão de Constituição e Justiça, do Senado, capta e lança no ar, pelas ondas da TV, a voz do senador e bem informado jornalista Demóstenes Torres, presidente da mesa, dirigindo-se a auxiliares da casa: “Cadê a mulher? E cadê o nome dela?”.

A mulher aparece em seguida. É uma mineira de nascimento, mas profissional destacada e acatada na região Nordeste, principalmente entre o Rio Grande do Norte e Pernambuco. Assim, em Salvador, o jornalista redobra a atenção no som, nas imagens e nos movimentos dos presentes à sessão da CCJ. Nas quase seis horas seguintes, a depoente iria transformar-se em um dos mais importantes personagens desta semana de agosto para não esquecer.

Ia começar o depoimento da ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, servidora pública com mais de 33 anos de carreira “dedicada exclusivamente à administração fazendária”, de repente atirada (por motivos ainda desconhecidos) no olho do furacão dos jogos pesados do poder. Acusada pela poderosa ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff – respaldada por suspeitas levantadas por declarações do presidente Lula -, de invencionices.

A ministra Dilma segue negando a conversa particular, na qual, segundo a ex-secretária da Receita, ela teria pedido para “apressar os processos envolvendo o filho do senador José Sarney”. Nega mesmo diante de evidências e pistas apresentadas por Lina na CCJ, sobre o percurso que seguiu, passo a passo, até chegar à presença da ministra, levada pela secretária executiva do gabinete da Casa Civil, Erenice Guerra, figura onipresente em situações obscuras e estranhas como esta, desde a agressiva reunião em que foi fritado impiedosamente o ex-ministro da Defesa, o baiano Waldir Pires, demitido do cargo por Lula em seguida.

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, cobra que o Palácio do Planalto divulgue os registros de entrada e saída da ex-secretária da Receita, se eles de fato existirem, e aí está uma possibilidade de esclarecimento cabal. “Afinal, argumenta o ministro, não há motivo para esconder-se o registro de ingresso de cidadãos ou servidores públicos em uma repartição”. Ou haverá razão mais séria a impedir que isso seja revelado?, indaga a curiosidade do jornalista e de toda a torcida do Vitória.

Enquanto a dúvida não se esclarece, vive-se no País, situação de surrealismo puro, no melhor estilo de Borges, Cortázar ou Buñuel. Ainda assim, no depoimento na CCJ, a servidora da Receita conseguiu protagonizar um debate exemplar sobre ética, memória, política e serviço público, em um ambiente que ultimamente parece ter perdido o sentido e a exata noção do significado destas palavras.

Antes de começar a transmissão da sessão na TV, dá tempo ainda de correr até a estante de livros para apanhar “Meu Último Suspiro”, do cineasta espanhol Luis Buñuel, tantas vezes lido e relido, outras tantas citado e recomendado em situações surreais como a presente.

No comovente capítulo inicial do livro, o autor fala da importância da memória para uma pessoa, e o trágico resultado que a sua perda representa. Buñuel, que no colégio de Saragoza era um “memorion” capaz de recitar de cor a lista dos reis visogóticos espanhóis, as superfícies e populações de todos os países europeus, “e muitas outras inutilidades”, segundo escreve, certamente se vivo estivesse e passasse por estas paragens também se interessaria pela reunião na CCJ.

Nos colégios, geralmente, segundo o genial diretor espanhol, esse gênero de exercício de memória mecânica é desvalorizado. Mas, na medida em que passam os anos de nossa vida, essa memória, anteriormente desdenhada, torna-se preciosa. A certa altura, o autor confessa que sentia uma inquietação muito intensa e até uma angústia, quando não conseguia lembrar-se de um fato recente que vivera, ou então do nome de uma pessoa com quem estivera nos últimos meses. “De repente, minha personalidade se desagrega, se desmantela”, constata o mago espanhol.

Em “Meu Último Suspiro”, Buñuel também assinala: “É preciso começar a perder a memória, ainda que se trate de fragmentos desta, para perceber que é essa memória que faz toda nossa vida… Nossa memória é nossa coerência, nossa razão, nossa ação, nosso sentimento. Sem ela não somos nada”. Na mosca.

A ministra Dilma, que ainda tem planos políticos ambiciosos a cumprir, e a ex-secretária da Receita Lina Vieira, com todo uma história de vida e profissão a zelar, são relativamente jovens ainda, para ter perdido a memória inteiramente. Talvez com a ajuda sugerida pelo ministro Marco Aurélio, e um aperto maior em Erenice, a amnésia quanto à data e os pontos mais obscuros da conversa se esclareçam em breve.

Para o bem da memória e da verdade.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site-blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Posted on 15-08-2009
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 15-08-2009

Marina Silva: hora da decisão
senmarina

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ARTIGO DA SEMANA

MARINA E A CABEÇA DO MACACO

Vitor Hugo Soares

Cercada de expectativa e polêmica por todo lado – de Recife a Brasília, de São Paulo ao Rio, de Rondônia a Manaus -, a cabocla morena, Marina Silva, senadora pelo Acre e ex-ministra do Meio Ambiente, desembarcou em Salvador no começo da semana. A um passo de largar o PT para disputar pela legenda do PV o lugar de Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto em 2010, ela recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia e, em seguida, ministrou a aula inaugural do segundo semestre da UFBA, em local que não poderia ser mais emblemático: o salão nobre da Faculdade de Medicina, primeira escola de ensino médico do Brasil, localizada a menos de 100 metros de distância do Pelourinho, antigo ponto de martírio de negros escravos, hoje patrimônio tombado da humanidade.

Na fotografia Marina aparece comovida. Está abraçada com seu companheiro petista e governador do Estado, Jaques Wagner. Ele a chama afetuosamente de “irmã” e faz chegar-lhe ao ouvido seguramente um dos mais fortes e dos últimos apelos para que desista da idéia de sair do partido que os dois ajudaram a criar e forjar em tempos difíceis, com vitórias, mas também com muitas perdas e danos. Falta talvez, apenas, o pedido de Lula, mas este dificilmente virá pelo rumo que a situação tomou, desde que outros velhos companheiros começaram a lançar no rosto sofrido da acreana, advertência com tom de ameaça, de que o mandato que ela detém pertence à legenda petista e ela poderia perdê-lo por “infidelidade partidária”.

No meio disso tudo, uma primeira recordação se impõe: O Manual de Instruções do escritor argentino Julio Cortázar, parte de um dos livros mais insólitos e surpreendentes do autor, que o jornalista não cansa de citar e recomendar: “Histórias de Cronópios e Famas”. Leitura mais recomendável e atual ainda nesta quadra surreal da política e da vida brasileira, mesmo sabendo-se que o autor quando elaborou o manual mirava seu estranho e sempre surpreendente país às margens do Rio da Prata.

Os olhos de Cortázar, no entanto, sempre enxergaram bem mais longe. Suas instruções, portanto, podem ter serventia agora por aqui. Com sua assombrosa clarividência Cortázar instrui sobre ousadias essenciais para grandes descobertas. A tarefa de amolecer diariamente o tijolo, “abrir caminho na massa pegajosa que se proclama mundo, esbarrar cada manhã com o paralelepípedo de nome repugnante, com a satisfação canina de que tudo esteja no mesmo lugar”…

Ninguém deve imaginar que o telefone vai lhe dar os números que procura. “Por que haveria de dá-los?”, interroga o autor. Virá somente o que você tem preparado e resolvido, “o triste reflexo de sua esperança, esse macaco que se coça em cima de uma mesa e treme de frio”.

“Quebre a cabeça desse macaco – recomenda o portenho genial -, corra do centro em direção à parede e abra o caminho”. Se ousar, garante o escritor, verá como cantam no andar de cima! “Há um andar em cima onde moram pessoas que não percebem seu andar de baixo, e estamos todos dentro do tijolo de cristal. E se de repente uma traça pára pertinho de um lápis e palpita como um fogo cinzento. Olhe-a, eu a estou olhando, estou apalpando seu coração pequenino, e ouço-a: essa traça ressoa na pasta de cristal congelado, nem tudo está perdido”.

Quando abrir a porta e assomar à escada, você saberá que “lá embaixo começa a rua”…, ensina o Manual de Instruções de Cortázar.

Desculpem tantas voltas, mas é que o autor dessas linhas as considera cruciais para compreensão do dilema que abate e consome a senadora Marina Silva na hora de “quebrar a cabeça do macaco”. Decisão cada vez mais próxima de revelar-se ao país, até por exigências da justiça eleitoral. Se de fato Marina romper o “tijolo de cristal” petista, onde está encerrada, mudando para a casa do PV, um primo em primeiro grau, terá tomado, finalmente, a escada na direção da rua. A rua, segundo revelam as pesquisas mais recentes – e a própria tensão e estresse entre as facções mais poderosas de sua legenda atual – parece de braços abertos para acolhê-la.

O tamanho do estrago que provocará uma eventual candidatura de Marina Silva à presidência, em 2010, ainda está por revelar-se. Igualmente é impossível avaliar hoje até onde ela poderá ir. Mas a pesquisa encomendada em julho pelos Verdes, cujos resultados acabam de ser integralmente tabulados, revela que o baque será enorme para vários prováveis concorrentes. Mais devastadorainda em relação à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, nome da preferência “in pectore” do presidente Lula, mesmo que não seja do agrado geral do PT.

Em quatro cenários, no confronto direto entre Marina e Dilma, a senadora perde em um, empata em outro, e ganha em dois, segundo informações do Estadão.

“Surpresa para mim e toda a torcida do Flamengo”, assinala o experiente Antonio Lavareda, coordenador desta pesquisa do PV, cujos resultados seguramente terão peso fundamental na decisão que a íntegra senadora do Acre anunciará em breve. Lembretes em tom de ameaça sobre a possibilidade de devolução do mandato ao PT se a mudança para a casa do parente próximo se efetivar, são inócuos e desrespeitosos para alguém com o caráter e a postura desta líder ambientalista da região amazônica cuja voz tem alcance planetário. Parece contribuir apenas para Marina Silva acelerar o passo na escada, em direção aos apelos da rua.

O resto é uma imensa incógnita, “mas como cantam no andar de cima!”

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail:
vitor_soares1@terra.com.br

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