dez
30
Posted on 30-12-2009
Filed Under (Artigos, Multimídia, Vitor) by vitor on 30-12-2009


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Em fuga do trânsito caótico da Cidade da Bahia má sinalizada, violenta, desprotegida e praticamente jogada às traças administrativamente pelo pior prefeito das nove maiores capitais do País, corto caminho para escapar do engarrafamento monstro na área da estação do ferry-boat , em São Joaquim. Para chegar a Itaigara, opto pelo Largo do Tanque, Liberdade e Estrada da Rainha…

Quase na hora do presidente Lula desembarcar nesta Salvador de tumultos e desgovernos agravados no fim de ano (para repousar na tranquila e segura praia do Inema) estou diante do histórico Largo da Lapinha, em frente à sua Igreja , atraente e famosa bem antes do Padre Pinto. Olho para o alto e lá está quase que pairando no ar a igreja de Santo Antõnio Além do Carmo. Pura poesia e paz no meio do tumulto soteropolitano.

Penso em milagre de São Baden Powell, só pode ser, pois tudo vem junto com a vontade imensa de ouvir “Lapinha”, a música do dia no Bahia em Pauta.

Tudo a ver. Confira.

(Vitor Hugo Soares)

dez
26
Posted on 26-12-2009
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Chico Pintos: o guerreiro da Bahia
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Um homen e um exemplo: Na Feira de Santana vibrante do despertar do guerreiro.Lugar onde ele nasceu, governou e deu os primeiros passos e gritos multitudinários de rebeldia e insubmissão a arrogância dos poderosos armados da época.

Na Bahia, onde ele emergiu como um dos maiores vultos da política, elegeu-se deputado federal com a força do voto livre e rebelde dos baianos no tempo da opressão contras as liberdades e a inteligência.

No Brasil, onde Chico semeou idéias e ensinou um povo a ouvi-lo atraves da palavra sábia e poderosa , da conversa pessoal amena e doce, do discurso firme e altivo nos palanques e plenários, mas principalmente pelo exemplo de retidão , coragem e firmeza de princípios até o último dia de vida.

Que olhe por todos onde estiver agora, mas principalmente pelos que não esqueceram suas palavras e exemplo,s e sentem sua falta neste final de 2009 tanto quanto no dia de sua partida.

(Vitor Hugo Soares)

dez
26

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É sempre complicado escrever sobre a mulher amada. No sobrescrito de um presente de loja ou na dedicatoria de uma canção, há sempre o risco das palavras não corresponderem com exatidão ao que se deseja expressar, ou soarem ridículas, que é o mal menor segundo os poetas mais apaixonados.

Mas chega dos rodeios da eterna timidez. O fato é que neste 26 de dezembro de 2009 não é possivel deixar passar em branco a data de aniversário de Margarida Dourado Cardoso Soares. Afinal, além da amada, elétrica, vibrante, impaciente às vezes com falhas que seu perfeccionismo crítico não tolera , ela é, acima de tudo, a companheira sempre generosa e dedicada, de longa travessia de vida e lutas a dois.

Parceira de longas e encantadoras travessias por Praga, Paris, Buenos Aires, San Francisco , Montevideu, Canal, Irecê e Londres, para citar apenas as cidades que ela mais adora, por um ou outro motivo especial.

Amiga e conselheira querida de largas caminhadas também pelas lutas políticas, pela boa mesa e belas canções, como a que Bahia em Pauta escolheu na voz inigualável de Billie Holliday, para homenagea-la nesta data querida.

Como se não bastasse é preciso não esquecer que Margarida é jornalista competente e de longa estrada profissional percorrida, diretora , estimuladora e revisora deste site blog baiano sempre plugado no mundo. Uma mulher assim merece votos de toda felicidade do mundo no dia de seu aniversário. E muito mais!
E muitos beijos.

(Vitor Hugo Soares )

dez
26
Posted on 26-12-2009
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Marcio: no hospital em Salvador
marcio
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Sean: embarque para os EUA
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ARTIGO DA SEMANA

SEAN E MARCIO: MENÍNOS SIMBÓLICOS DO BRASIL

Vitor Hugo Soares

O tempo do Natal e do Ano Novo é pleno de simbologias envolvendo crianças e sentimentos. O mundo nesta época, desde os primórdios do cristianismo, é mostrado como um território dominado por adultos poderosos e insensíveis, abastados e cruéis em eternas conspirações contra meninos inocentes.

O escritor britânico Charles Dickens emprestou, depois, genialidade às novelas natalinas, ao povoa-las de malfeitores de todos os tipos, mas em geral usurários capitalistas que atazanavam crianças inglesas e européias nos livros. Mais tarde, também, as americanas e brasileiras, quando suas histórias ganharam as telas do cinema e os palcos teatrais.

Faltava “o toque bem brasileiro”. A chamada “cor local”, que acaba de explodir em dimensão internacional nas historias reais de dois meninos no Brasil. No Rio de Janeiro, Sean Goldman, de 9 anos, que voou com o pai para os Estados Unidos, na quinta-feira. Na Bahia, o menino Márcio, de apenas dois anos, que teve mais de três dezenas de agulhas enfiadas em diferentes regiões do corpo, durante rituais de perversidades, no oeste do Estado, passa o fim de ano internado em um hospital público de Salvador, depois de duas cirurgias de alto risco. Deve passar por uma terceira nos próximos dias.

Como se vê, o Brasil acaba de mostrar ao mundo que também é o tal quando a questão é maltratar crianças. Superou-se até diante de outras nações – olha os ufanistas aí de novo. Produziu ao mesmo tempo dois episódios natalinos de arrepiar. Sean, o menino meio brasileiro e meio norte-americano acabou, por decisão do ministro presidente da Suprema Corte, Gilmar Mendes, partindo com o pai americano, em vôo fretado por uma poderosa cadeia de televisão americana, para a Flórida. Na Disney passará esses dias festivos, antes do encontro com a família do pai em New Jersey.

A viagem de volta de Sean, para o reencontro com seus avós paternos, mexeu até com a toda-poderosa secretária de Estado americano, Hillary Clinton. Ela vibrou com o veredicto de Gilmar Mendes: “Estou muito contente que Sean Goldman se reuniu com seu pai David Goldman , e que eles estão voando para Nova Jersey. Eu quero agradecer a todos que ajudaram a concluir este longo processo com sucesso, inclusive a muitos membros do Congresso e diversos partidos tanto daqui quanto do Brasil”, afirmou a secretária, em nota.

Também o senado norte-americano se meteu no caso. Em seguida à decisão do presidente do Supremo, que mandou a família brasileira – parte materna – devolver “de imediato” o garoto Sean ao pai norte-americano, a casa legislativa votou a suspensão do embargo que pesava sobre a exportação de centenas de produtos brasileiros para os Estados Unidos.

Só não se sabe ainda sobre as transformações na vida e nos sentimentos de Sean, que até aqui é o que parece interessar menos nessa história toda. Isso deve estar reservado para a abordagem do filme que se seguirá, seguramente sucesso de bilheteria. Ou série de TV na rede que patrocina o vôo de Sean com o pai para os Estados Unidos.

O segundo menino simbólico deste Natal incrível é o baiano Márcio, de dois anos e meio de idade, nascido na barriga da miséria nordestina, no seio de família paupérrima no oeste do baiano. A região é exaltada como “a nova fronteira agrícola do Estado” por políticos sevados na demagogia e no dinheiro público fácil.

De lá chega, neste fim de 2009, uma das histórias mais cruéis e horripilantes de qualquer tempo e de qualquer lugar, mesmo os mais primitivos. Também com repercussão mundial, mas sem as mesmas reações locais prontas e os discursos enfáticos dos donos do poder, da política e, muito menos dos escalões mais elevados do judiciário. Salva-se, no caso, a humanidade e o esforço competente e generoso dos médicos e servidores do hospital público Ana Néri, da capital baiana, para minorar os sofrimentos no corpo e na alma do menino ferido, além da tentativs incessante der salvar Marcinho dos sérios riscos que ainda corre para sobreviver.

Marcio teve o corpo perfurado por mais de 30 agulhas num suposto ritual de magia negra. Recurpera-se de duas cirurgias, a mais recente realizada na véspera do Natal. Ao todo, já foram extraídas 18 agulhas que estavam alojadas no coração, pulmão, intestino, bexiga e fígado do garoto. A criança será ainda submetida a uma terceira intervenção cirúrgica para a retirada de agulhas na coluna cervical.

O padrasto do menino, que confessou o crime, teve a prisão preventiva prorrogada pela justiça, juntamente com duas mulheres suspeitas de participar no alegado ritual macabro. O resto é esperança de um final feliz, como nas mais terríveis novelas deste período.

Feliz Natal para todos.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

dez
19
Posted on 19-12-2009
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O poder de uma imagem..
Fantome
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…de Silvio Berlusconi
Silvio

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ARTIGO DA SEMANA

O FANTASMA DA ÓPERA DE MILÃO

Vitor Hugo Soares

Uma das imagens mais fortes, entre as cenas marcantes no caso da recente agressão sofrida pelo primeiro ministro da Itália é, sem dúvida, a da saída de Sílvio Berlusconi do hospital, em Milão. Alí esteve internado, até quinta-feira, para tratar dos ferimentos no rosto e na alma, decorrentes da estatueta do Duomo atirada sobre ele, por um italiano com problemas mentais, domingo passado, na saída de um ato público na imensa praça em frente à famosa catedral milanesa.

A fotografia de que falo – entre as inúmeras que foram feitas e publicadas no Brasil e no mundo – é uma dessas raridades que grandes profissionais conseguem, as vezes. No caso, o repórter fotográfico Giampiero Sposito, da agência de notícias européia Reuters. Coisa para prêmio, tamanha a sua expressividade e as múltiplas possibilidades de interpretação humana, política e comportamental que oferece. Bem mais até –avalio – que o também impactante registro fotográfico da cara sangrando do polêmico líder político.

Vi pela primeira vez a foto da Reuters no Público, bom e confiável diário da minha predileção, prazer renovado quando vou à Lisboa e posso manuseá-lo na edição impressa, sentado numa das mesinhas de rua de A Brasileira, bar tradicional do bairro boêmio do Chiado, ao lado da estátua do poeta Fernando Pessoa. Com um copo de vinho “Porca de Murça” na mão, o prazer é ainda maior..

Mas a face transformada de Berlusconi ví na edição online do jornal, que acesso na web pelo menos três vezes ao dia, por força do ofício de blogueiro, na sempre formosa (embora cada dia mais violenta) cidade da Bahia, como chamava Jorge Amado. Leio Publico para saber as últimas da romântica cidade à beira do Tejo, na porta de entrada da Europa. O rio que a atriz Maitê Proença confundiu com o Atlântico, no vídeo polêmico mostrado no programa Saia Justa, da GNT, que indignou os lusitanos recentemente e quase os levanta em armas em defesa da honra cívica agredida.

Mas retomo a ponta do novelo para não me perder no meio das lembranças de Lisboa, de Dulce, de Amália, de Zeca Afonso e de Pessoa.

O flagrante que Sposito colheu, do primeiro ministro italiano, é mesmo impressionante. Berlusconi olha os jornalistas e curiosos de dentro do automóvel, na saída do hospital milanês, com destino à sua não menos rumorosa casa de descanso e lazer, nos arredores da cidade da alta costura e do futebol. Deverá permanecer em repouso absoluto, por pelo menos duas semanas, recomendam seus médicos.

A expressão, em geral enigmática de Berlusconi, aparece mais enigmática ainda na fotografia da Reuters. Com rosto cheio de ataduras colado na vidraça traseira do automóvel oficial, o político só bem remotamente guarda algumas atitudes e a aparência do “Il Cavalieri”, tratamento respeitoso que lhe é dispensado por jornais e outros veículos de comunicação em seu país e em Portugal.

O Berlusconi da foto é todo o Fantasma da Ópera, como lembrou ontem, na conversa matinal com o jornalista Ricardo Boechat, o impagável anarquista José Simão, na Radio Band News-FM, transmitida em Salvador. Com todas as ilações políticas, comportamentais, psicológicas (até freudianas) que a comparação com o impressionante personagem da ficção permite.

Este é o ponto. O Fantasma da Ópera da novela francesa, de 1910, criação imortal do escritor Gaston Leroux. Desde a sua publicação, foi adaptada inúmeras vezes para o cinema e produções teatrais, cujo auge é a produção da Broadway, por Andrew Lloyd Webber, Charles Hart e Richard Stilgoe. O musical mais visto de todos os tempos em todo o mundo.

A obra de Leroux é tida por inúmeros analistas como uma “novela gótica” (a expressão é do Wilkpedia), que combina romance, horror, ficção, mistério e tragédia. Uma criação sobre subterrâneos da alma e das relações humanas, cuja ação desenvolve-se no século XIX, na Ópera de Paris, um monumental e luxuoso edifício construído, entre 1857 e 1874, sobre um enorme lençol de água debaixo do terreno.

Tudo a ver com o drama de Berlusconi, destes dias, na Itália, com cenário transposto para a fantástica Milão. A dúvida que se levanta agora é sobre os signos da imagem e das atitudes do líder, duramente agredido em público domingo passado. A nova face de uma tragédia pessoal e política? Ou sacada de mestre dos marqueteiros italianos, a serviço do governo desastrado do primeiro ministro, considerados geniais desde os filmes de Fellini e De Sicca?

O conservador direitista Berlusconi, nas cordas, acusado das mais corruptas, mafiosas e sinistras transações – y otras cositas más – em seu país até a semana passada, de repente tende a virar vítima de agressões, preconceitos e incompreensões de seus “adversários e algozes”.

Uma espécie de Fantasma da Ópera de Milão, tipo ideal para receber a solidariedade, a compaixão e a simpatia do grande público, como o fantasma da Broadway. A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

dez
12
Posted on 12-12-2009
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Cavalaria ataca protesto contra corruptos
Cavalaria
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ARTIGO DA SEMANA

BRASÍLIA SOLTA OS CAVALOS

Vitor Hugo Soares

Dona Lavínia é termômetro humano confiável quando preciso medir súbitas alterações de temperatura política no País, ou efeitos de alguma febre malsã no meio social, como a que grassa nestes dias em Brasília. Diarista que duas vezes por semana aparece para arrumar as coisas no apartamento do bairro de classe média onde moro em Salvador, esta antenada sergipana com décadas de vivência baiana, em área violenta da capital, chegou assustada na última quinta-feira.

Perguntei o motivo pensando em algum drama de vizinhança ou pessoal e ela foi direto ao ponto. “O senhor não viu o Jornal Nacional ontem? Os cavalos passando por cima das pessoas em Brasília?”.

Vira sim: na TV Globo, na Record, na Band, e até em noticiários internacionais, sobre rápida e truculenta ação das tropas mobilizadas no Distrito Federal para acabar com o ato de protesto popular contra “um dos mais repugnantes espetáculos de corrupção da história”, como assinala a revista Veja na reportagem de capa desta semana: “O Natal dos Safados”.

Eu assistira muito mais até, porque era 9 de dezembro, o Dia Internacional contra a Corrupção. Paradoxal, a deduzir pelos fatos no DF. Enquanto a polícia espancava e pisoteava gente com cavalos, pertinho dalí realizava-se um ato oficial, no Centro de Convenções de Brasília, para celebrar a relevante data do calendário mundial dos bons costumes.

O governo aproveita para afiar a retórica e emprestar pompa e circunstância, além de destacar o conteúdo do projeto de lei produzido na Controladoria Geral da União (CGU), que considera hediondo e endurece as penas em casos de corrupção ativa e passiva , inclusive contra governadores e outras altas autoridades públicas.

Mas enquanto a nova lei não chega, a cavalaria trata de “acalmar as coisas”, trotando sobre pessoas caídas no asfalto. Limpam a estrada para o escândalo do Mensalão do DEM seguir seu curso e poder andar célere para o esquecimento e a impunidade, como os demais: dos tucanos, dos petistas, do Senado, dos Sarney…

No ato do Dia Contra a Corrupção, mesa e auditório lotados de algumas das mais ilustres figuras da República, o presidente capricha no discurso. “Se o castigo para esta gente (banqueiros, especuladores e autoridades públicass corruptas) não aumentar, continuaremos enchendo as prisões de gente pobre. Hoje só vai preso quem rouba um pão e fica livre o que rouba um milhão”, diz sem citar nomes.

O governador Arruda, cuja rapinagem mais que documentada em imagens jamais vistas neste país, parece ter levado bem mais de um milhão com seus auxiliares no governo do DF – incluindo o presidente da Assembléia Distrital cheio de maços de dinheiro vivo até nas meias -, trata de ganhar tempo.

Não é a primeira vez. Ele conhece bem o trajeto seguro para a impunidade, que é se fazer de morto e buscar o esquecimento o mais rápido possível. Já o trilhou uma vez com penas de tucano, quando ajudou o ex-presidente do Senado e ex-governador da Bahia, Antonio Carlos Magalhães, do PFL, a violar o painel de votação do Congresso.

Na quinta-feira, sem um pedido de desculpas e sem permitir nenhuma pergunta, o governador do DEM anunciou num simulacro de conferência de imprensa, a sua saída “voluntária” do partido. Declara que a desfiliação visa “poupar os companheiros de legenda de ter que decidir entre saciar a sede por atos radicias e midiáticos, ou julgar com amplo direito de defesa e cumprimento dos prazos estatutários”.

O governador do panetone alega ainda desejar evitar uma discussão judicial que possibilitasse a sua permanência no partido. E faz a revelação que ele julga irá apaziguar de vez as coisas “Não disputarei eleição no próximo ano. Quero dedicar-me inteiramente à tarefa de cumprir, como governador, todos os compromissos e metas assumidas no programa de governo”.

Reli esta semana a entrevista de Arruda publicada com todas as honras e destaques, em agosto passado, nas Páginas Amarelas da Veja, com o título “Ele deu a volta por cima”. No trecho sobre métodos e práticas na política e na gestão pública, a revista pergunta: “E qual é o seu limite?”

Arruda reponde: “É o limite ético. É não dar mesada, não permitir corrupção endêmica, institucionalizada. Sei que existe corrupção no meu governo, mas sempre que eu descubro há punição. Não dá para entregar um setor de atividade do governo para que um grupo político cuide dele por interesses empresariais escusos. Se peço a um parlamentar eleito para me ajudar a administrar sua base eleitoral, isso é política. Mas, se entrego a esse parlamentar a empresa de energia elétrica, isso não é aceitável. Quando me pedem algo assim, eu aproveito que tenho cara de bobo e finjo que não entendo”.

Dona Lavínia, a diarista do começo destas linhas, pergunta: “O senhor já viu uma coisa dessas?”. Sem saber se ela se refere aos cavalos ou aos maços de dinheiro de Arruda, mas sem querer me fazer de desentendido, dou resposta que serve para as duas situações: “Sim, já vi. E não deram em nada”. Com ou sem cavalos.

Vitor Hugo Soares é jornalista – E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

dez
06
Posted on 06-12-2009
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Que delícia acordar neste domingo de dezembro, com a luminosidade plena de manhã de sol em Salvador, e ter “Encanteria”. o CD novinho em folha de Maria Bethania para ouvir. Um dia inteiro para curtir cada uma de suas 11 maravilhosas faixas.

Agradeço silenciosamente, mas do fundo da alma, à querida amiga e jornalista das melhores da terra, Patrícia França, pelo presente tão especial de aniversário, e pelo atraso na entrega.

Escuto “Feita na Bahia”, e a emoção toma conta da casa, provavelmente através daqueles segredos espiritualistas que Bethania e Patrícia conhecem tão bem e acreditam tanto, e chegam a balançar convicções de um empedernido ateu, que acredita em Deus.

Corro para o Google em busca de algum vídeo ou gravação do samba de Roque Ferreira. Encontro um gravado ao vivo, em 24 de outubro de 2009 na segunda apresentação da santamarense notável na estréia da sua nova turnê, “Amor, Festa e Devoção”. Maria Bethânia sobe ao palco do Canecão , no Rio de Janeiro, para nos encantar e mais uma vez , diz a apresentação do vídeo.

Não tem a perfeita qualidade de som e o arranjo espetacular do disco, nem o solo de maravilhoso de trombone do disco. Mas de alguma forma é preciso compartilhar com os leitores e ouvintes do Bahia em pauta um pouco desta maravilha. Obrigado Patricia!Obrigad
“Feita na Bahia” é a música para começar o dia na Radio BP, e nada poderia ser melhor.

Obrigado Patrícia! Obrigado Bethania!

(Vitor Hugo Soares)

====================================================== Fui feita na Bahia
Num terreiro de Oxum
Os tambores sagrados
Bateram pra mim
Me banhei com guiné
Alfazema e dandá
Defumei com quaró, benjoim
E de pano da costa
Batizei no Bonfim
Um velho preto alaketu
Me disse que foi
Lá de Ketu que eu vim
Eu já vim predestinada
Pra cantar assim
Sou iluminada, eu sou,
Sou de Ketu sim

dez
05
Posted on 05-12-2009
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Jose Mujica: Uruguai em mãos maduras
jmujica

Lucia Topolansky: senadora e primeira dama
Luruguai

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ARTIGO DA SEMANA

BRISA NO CORAÇÃO

Vitor Hugo Soares

Mesmo com todo barulho dos escândalos, que cada vez mais rolam por aí – do “Expresso da Propina”, na Bahia, ao “Mensalão do DEM” de imagens e diálogos deslavados do governador José Roberto Arruda (DEM) e seus cúmplices no governo do Distrito Federal – assumo como propósito da semana a leitura de “Histórias de Canções”, de Wagner Homem, relatos sobre as origens das composições de Chico Buarque de Holanda.

O autor reproduz as letras e relata suas origens desde “Tem mais Samba” (1964) e “Pedro Pedreiro” (1965) (as primeiras criações), até as mais recentes “Sempre”, composta para o filme “O maior Amor do mundo”, de Cacá Diegues, e “Subúrbio”, ambas de 2006. O livro é precioso presente antecipado de Natal. Curto agora suas páginas como um daqueles usurários ingleses dos contos natalinos de Charles Dickens. Gente que guardava fortunas em baús e porões e tiravam o sono de muita criança e adolescente no passado, mas que diante dos tipos que se vêem nesses dias tenebrosos – na política, nos negócios e nos governos – não assustam mais ninguém.

De repente interrompo também a leitura que me cativa, ao ver de relance duas imagens na página aberta do jornal à minha frente. São, respectivamente, do presidente recém eleito pela Frente Ampla do Uruguai, Jose “Pepe” Mujica , e de sua mulher, Lucia Topolansky, a senadora mais votada no pleito da semana passada, que irá dividir sua combativa atuação de militante política e parlamentar com as tarefas protocolares de primeira dama, a partir da posse do marido , ano que vem.

As fotografias estão nas paginas da Folha de S. Paulo. Ilustram matérias da correta, atraente e completa cobertura das eleições na pequena e fascinante República Oriental da América do Sul – como os uruguaios gostam de chamar seu país. Textos assinados pela enviada especial do jornal paulista a Montevidéu, Silvana Arantes, cuja leitura dá enorme prazer pessoal e profissional. Uma brisa no coração do jornalista.

Nas imagens Pepe Mujica e Lúcia aparecem cada um de seu jeito próprio. Ambos, porém, se assemelham muito com um daqueles simpáticos, interessantes e sempre participantes idosos que o visitante habitual de Montevidéu – como este que vos escreve -, encontra nas ruas, esquinas, restaurantes, cafés, teatros, cinemas ou no “footing” nas ramblas de Pocitos ou lojas da capital uruguaia.

Na foto da Folha, Mojica, 75, está cercado de fotógrafos, repórteres e eleitores. Veste um surrado e antigo casaco de “cashemere” com cara da “Magdalena”, a antiga e famosa fábrica de agasalhos uruguaia. Parece um daqueles “tios do peito”, que quase todo mundo tem. A senadora Lucia, 65, cabelos encanecidos, riso franco, palavras firmes de quem pensa e sabe das coisas da vida e do governo em um país com um dos mais elevados níveis educacionais do continente e uma das mais baixas taxas de corrupção de seus políticos e dirigentes.

Sim, a futura primeira dama do Uruguai fala: “Sou uma militante política e tenho compromisso com meu eleitorado, mas não tenho problemas com a questão protocolar. É uma desgraça que se tem que cumprir. Não há nenhum problema nisso, me tomará o tempo necessário, mas minha principal tarefa estará no Senado”, adianta Lucia. E que perfeita simbiose dos dois com o país cujo comando eles acabam de conquistar!

Sinto-me preso, sem poder trocar uma leitura pela outra, e resolvo seguir dividindo a atenção entre o livro e o jornal.

Estou na página 66 do livro de Wagner Homem. O autor conta a história de “Bom Tempo”, a cantiga maravilhosa daquele torcedor do Fluminense: “Satisfeito, a alegria batendo no peito/ O radinho tocando direito/ A vitória do meu tricolor”. Vibro intensamente como se fosse o próprio personagem da fantástica canção.

Mas, diante das fotos de Pepe Mujica e Lucia, troco de emoções. Estou convencido de já ter encontrado estes dois em minhas muitas andanças por Montevidéu dos anos 70/80, ou mais recentemente. Talvez na frente daquele quiosque ao lado do Balfer Hotel, na movimentada esquina da Calle Cuaréim com a Avenida 18 de Julio, onde comprava com Margarida os jornais do dia, e o jornalista Paulo Valente, ou o coronel Dagoberto Rodrigues (ambos no exílio) aproveitavam para pedir ao “garoto Tupamaro” que nos atendia, “notícias do movimento que os diário não davam mais”, temerosos da repressão e horrores da “Operação Condor”, que então corria solta por toda América do Sul.

Sopro e brisa no coração. “Meus olhos molhados. Insanos dezembros / mas quando me lembro são anos dourados”. Pulei para a página 242 de “Histórias de Canções. Wagner Homem conta uma história de 1986, quando nasceu a arrebatadora música encomendada pela Globo a Tom e Chico Buarque para uma das mais inesquecíveis séries de televisão já produzidas no Brasil.

Dou mais uma olhada nas imagens do Uruguai estampadas na Folha. Intimamente desejo sorte e sucesso a Mujica e Lucia. E fecho o livro e o jornal para poupar o agitado coração.

Vitor Hugo Soares é jornalista – E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

nov
27
Posted on 27-11-2009
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 27-11-2009

Dona Lindu e Seu Aristides: vida real
linaristides
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Cartaz do Filme: vilão não aparece
Filme
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ARTIGO DA SEMANA

SEU ARISTIDES, O VILÃO DO FILME

Vtor Hugo Soares

De Salvador acompanho o bafafá político e cinematográfico em Brasília em torno do filme “Lula, o filho do Brasil” e logo estou de novo voando nas asas da memória para Paulo Afonso, na beira do São Francisco, o rio da minha aldeia. Estertores dramáticos do governo de Getúlio Vargas, tempo da construção da primeira grande hidrelétrica da CHESF no Nordeste, que o presidente Café Filho inaugurou no começo dos anos 50, em dia para nunca esquecer.

Então, o gaúcho Vargas já havia disparado o tiro no peito no Palácio do Catete, mas, mesmo sepultado, seguia sendo “o cara” (na época se chamava “o maioral”) de um Brasil comovido e indignado. Paulo Afonso era ainda distrito de Glória, cidade onde eu morava. Ali estava um dos maiores formigueiros de operários e engenheiros do País, vindos de todas as partes – até da Rússia – para trabalhar na mega-construção, “orgulho do operariado e da engenharia do Brasil”, como proclamava a propaganda oficial.

Na Paulo Afonso daquele período dois belos e modernos cinemas (com cinemascope e tudo) – o Cine Poty, da vila dos operários, e o CPA, sala frequentada pelos engenheiros e gente grande do lugar, do outro lado do arame que na época dividia a cidade. Eram meus locais preferidos. Dois fantásticos laboratórios de sonhos e de observações de reações humanas, políticas e sociais.

Cabeça virada para a esquerda, graças à congênita tendência familiar, e a ajuda das doutrinações de Luiz Gonzaga. Não o notável sanfoneiro pernambucano de Exu, que também passava muito por lá e virara uma espécie de semideus depois de gravar a antológica música sobre o lugar: “Olhando prá Paulo Afonso, eu louvo nosso engenheiro/ louvo nosso “cassaco”, caboclo bom brasileiro/ Eu vejo o Nordeste erguendo a bandeira/ tem ordem e prograssso a nação brasileira/E esta usina feliz mensageira/ vivendo da força da cachoeira”. No final, o refrão ufanista empolgava: “Meu Brasil vai, Meu Brasil vai!”

Lembro aqui de Luiz Gonzaga Ferreira, de quem era fã e seguidor mirim nas lutas sociais e políticas de então. Gonzaga, combativo e perseguido dirigente sindical dos bancários dos anos 60 na Bahia, hoje mais reconhecido – segundo o conterrâneo Edgar Campos, no Senadinho baiano no Shopping Barra, em Salvador – como tio de uma celebridade da atualidade: o ator Wagner Moura, que deu os primeiros passos na vida e na arte nas calçadas de Rodelas, outra cidade perto de Paulo Afonso, também engolida, como Glória, pelas águas que movem uma de suas usinas.

Apesar das lições de Luis sobre o “imprevisível comportamento das massas”, uma das coisas que mais me intrigavam na Paulo Afonso daquele tempo , eram as estranhas e inesperadas reações do público na platéia lotada do Cine Poty quando passava filme de caubói. A torcida passional, barulhenta e irrefreável a favor do vilão, mesmo que o mocinho na tela fosse o simpático e imbatível ator James Stuart.

E voltamos a Brasília do filme “Lula, o filho do Brasil”. Leio que na abertura do 42º Festival de Cinema de Brasília, ao rebater com bom humor as críticas feitas pela oposição de que o filme é uma forma de manipulação política, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo recomendou a oposição a procurar, entre seus maiorais, alguém que também pudesse ter a vida retratada nas telas. Bernardo não sugeriu nomes, mas assinalou: “Se procurarem bem, eles acham”.

Críticos, palpiteiros e políticos “do lado contra”, como se dizia em Paulo Afonso, acham que nem será preciso tanta procura, esforço e investimento. No próprio filme que exalta Lula e sua mãe, Dona Lindu, vivida por Glória Pires, há um personagem que parece feito de encomenda para a oposição torcer: Seu Aristides, pai de Lula o homem mau da história.

Até mesmo dentro do governo há quem diga que o diretor Fábio Barreto carregou demais nas tintas de tons cinzentos e negativos em relação ao perfil de Seu Aristides. A começar pela cena em que Lula enfrenta o pai no meio da rua, quando este tenta bater em Dona Lindu. Barretão não dá refresco ao personagem interpretado por Milhem Cortaz, mostrado o tempo todo como arrogante, beberrão, truculento e malvado. Homem incapaz de um gesto de afeto, a não ser em relação ao seu cachorro Lobo, deixado no Nordeste pela mulher no êxodo da família de pau de arara para o Sudeste.

Na chegada de surpresa de Lula com Dona Lindu em São Paulo, Seu Aristides nem quer saber da viagem e da família. Vai logo interpelando a mulher por ter deixado Lobo em Pernambuco. Na Paulo Afonso do tempo de Getulio, um personagem assim tinha tudo para cair nas graças da massa na platéia do popular Cine Poty.

Na Brasília de Lula tem muita gente da oposição apostando que não será diferente agora, quando Seu Aristides, o vilão de “Lula, o filho do Brasil” pintar – e bordar – nas telas nacionais. A conferir

Vitor Hugo Soares é jornalista – E-mail:: vitor_soares1@terra.com.br

nov
21
Posted on 21-11-2009
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 21-11-2009

Mario conversa com…
Mario
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…Lygia (e seu gato): que domingo!
Lygia

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ARTIGO DA SEMANA

FUTUCANDO A MEMÓRIA

Vitor Hugo Soares

Ligo o rádio na manhã de domingo, dia que sempre pediu cachimbo. Ultimamente esta idéia tornou-se subversiva e perigosa para além dos riscos à saúde. São dias de implacável perseguição administrativa, econômica e policial aos fumantes. Não há trégua nem territórios inteiramente livres para uma tragada sem protestos e discursos “politicamente corretos”, embora os cariocas sigam resistindo aos radicalismos das proibições – por bravura para uns, ou pura insanidade para outros.

Em São Paulo do governador e ex-ministro da Saúde José Serra, anti-tabagista inflexível da primeira hora, ou em Salvador do evangélico prefeito João Henrique Carneiro, dá no mesmo, ou quase – porque na capital baiana a cultura do larga-isso-pra-lá segue imbatível e sempre é possível um jeitinho. “Até em Paris!”, reclama uma querida amiga baiana, fumante e combatente, assustada com os rigores das proibições em um dos templos mundiais do respeito às liberdades individuais e do livre arbítrio.

“Para mim a França perdeu o encanto, não volto mais lá”, reclama a amiga enquanto levanta irritada da mesa do bar da Pituba, para pitar na rua, sob um sol de mais de 30 graus. Se estivesse no apartamento, com o chato do filho do vizinho de cima reclamando da fumaça, colocaria para tocar a pleno volume o manifesto musical anarquista de Caetano Veloso, “É Proibido Proibir”.

Mesmo sem nunca ter fumado um cigarro na vida – nem no colégio, nem na universidade, nem nas redações de jornais e revista por onde passei – esta nova querela do Brasil mexe comigo. Até a atenção voar para a conversa surpreendente que vem do rádio ligado, de onde não esperava muita coisa no domingo de solitárias meditações caseiras.

Ficaria contente com uma música de Aznavour, ou com uma notícia amena que me afastasse um pouco do surrealismo das falas e debates sobre o apagão; dos longos e previsíveis arrazoados jurídicos e (principalmente) políticos do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, sobre o refugiado italiano; da cara manhosa e suspeita de Sarney no Senado; dos labirintos afetivos de FHC; da lengalenga em torno do filme “Lula, o filho do Brasil”.

Bom mesmo seria ouvir algo que lembrasse Londres, Lisboa, Madri, Praga, Olinda. Ou mesmo Maceió da farinha boa de Djavan e das deliciosas crônicas do escritor Carlito Lima, o velho Capita, Duque de Jaraguá . Ele acaba de lançar seu mais novo livro, “As Mariposas Também Amam”, e recebeu esta semana na Assembleia Legislativa de Alagoas a comenda Ledo Ivo, com a presença do próprio poeta e escritor, imortal da Academia Brasileira de Letras, que empresta seu nome à honraria destinada aos homens e mulheres de letras, cultura e valor das Alagoas.

Surpresa! Do aparelho sintonizado na Radio Metrópole FM-Salvador, chegam as vozes do diálogo entre o apresentador Mario Kertész , que conversa por telefone da Bahia com a escritora Lygia Fagundes Teles, em São Paulo, ela também, como Ledo Ivo, imortal da ABL. É uma reprise do programa “Na Linha”, que Mario apresenta. Dá gosto ver o jogo do hábil entrevistador no diálogo inteligente com sua tímida, mas sábia entrevistada.

O radialista sabe que encontrou um veio de diamante, mas tem a plena noção de que precisa garimpar com cuidado e delicadeza para não haver rupturas, desabamentos que podem pôr toda mineração a perder..

“Escrever é futucar a memória”, diz a autora de “As Meninas” para explicar suas reticências ao falar. Principalmente quando a conversa se aproxima de revelações mais dolorosas sobre a vida e os despenhadeiros da alma, que ela como poucos retrata em seus livros. Mário dá um empurrãozinho discreto e respeitoso. O suficiente para Lygia seguir “futucando as lembranças”.

Ela fala da morte prematura do primeiro marido e destacado jurista Gofredo Telles, e mais prematura e dolorosa ainda morte do filho, Gofredo da Silva Telles Neto, o brilhante e promissor documentarista paulista. O jovem com profundas ligações com a Bahia, que amava Salvador com a devoção dos iniciados no axé, nos terreiros de candomblé, da gente que vive no casario do bairro de Santo Antonio, do Além do Carmo e do Pelourinho. Espaços que o filho resgatou “em um dos mais bonitos e comoventes filmes que realizou antes de partir”, recorda a mãe comovida.

A escritora lembra também do segundo marido, o saudoso Paulo Emílio Salles Gomes, professor da USP, estudioso e mestre insuperável das coisas ligadas à história e à cultura do cinema brasileiro. Pioneiro das Jornadas de Cinema da Bahia nos anos 60/70, evento hoje internacional, criado e mantido sempre por Guido Araújo.

Perdas e danos que fizeram a autora de “Ciranda de Pedras” e “Antes do Baile” ficar “sozinha, reclusa, solitária”. Lygia conta que foi salva das profundezas da depressão pelos livros e personagens de sua obra com os quais segue convivendo, “inclusive o gato”, um de seus personagens recorrentes. Salva também, confessa, pela entrada na ABL, onde se sente à vontade na hora do chá e das conversas com os seus iguais.

Ligia confessa no ar, ao final da conversa com Mário, que só fica preocupada quando eventualmente dá um espirro na Academia e sempre aparece alguém cheio de expectativas com a pergunta:

“É pneumonia?”

Se fumasse teria enfrentado a turma politicamente correta e pedido um legítimo charuto cubano para completar o prazer do domingo em casa. O que se pode pedir mais depois de saborear uma entrevista tão densa e tão rica, mesmo em reprise, com Lygia Fagundes Teles?

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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