fev
06
Posted on 06-02-2010
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 06-02-2010

Pinheiro: Valentia com Ubaldo, faltou contra JH

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ARTIGO DA SEMANA

DIAS DE FÚRIA E FOLIA

Vitor Hugo Soares

Vivemos dias de fanfarronadas travestidas de fúria, desavenças e desacatos: na política em ano eleitoral; no centro do poder de sonhos absolutistas em Brasília; nos governos estaduais em desalinho. Observo da Bahia quase tudo, sem entender quase nada do que dizem e do que pretendem , além dos efeitos retóricos, personagens como Ciro, Serra, Dilma, Lula, Aécio e até mesmo o governador Jaques Wagner e auxiliares, neste período em que Momo começa a imperar.

Dirão alguns que quase sempre foi assim, e o espanto é por deficiência de memória. Momo é tempo de bazófia, de brincadeira, gandaia, confusão. Em alguns lugares bem mais que em outros. No Brasil – e na Cidade da Bahia em especial -, é um tempo desconcertante, bem próximo das palavras usadas pela Enciclopédia Universalis (Paris, 1970) para definir lugares e personagens de “Histórias de Cronópios e Famas”, o livro notável de Julio Cortázar.

“Sobre um fundo de caricaturas da vida de Buenos Aires, é uma seleção variada, insólita, de notas, de fantasias e de improvisações. Um humor melancólico, irônico ou violento”… Eis a mais perfeita definição destes dias da política e da vida brasileira. No Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Minas , na Bahia, em Pernambuco. Tanto que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e a ministra Dilma Rousseff (PT), já anunciam que estarão em Salvador em pelo menos um dia para ver de perto essa folia. Faltam Ciro (PSB) e a verde Marina (PV) para a festa ficar completa e mais animada.

Por falar em Bahia, o secretário de Planejamento estadual, o evangélico deputado petista Walter Pinheiro, ataca com ferocidade inusitada ao escritor João Ubaldo Ribeiro. Entrevistado pelo “Jornal do Brasil”, Pinheiro surpreendeu esta semana pelas imagens e palavras agressivas ao partir para cima do autor de “Viva o Povo Brasileiro”, em defesa do governo na polêmica em torno da ideia do governador Jaques Wagner de construir uma ponte com 13km de extensão, ligando Salvador à Ilha de Itaparica. A obra bilionária ( R$1,5 a 2 bi)já desperta cobiça de quatro grandes empreiteiras – OAS e Odebrecht à frente .

Nascido em Itaparica e dono da obra fabulosa que projetou a ilha baiana no mundo inteiro, Ubaldo se opõe frontalmente à construção da ponte.A considera faraônica e distante das prioridades locais. Expôs isso com argumentos devastadores em defesa de sua opinião em artigo publicado no jornal A Tarde, que ganhou apoio nacional.

Depois de largo silêncio e ao ver o incêndio se espalhar pelo país, o governo Wagner saiu em defesa do projeto. Mas já corria na frente o manifesto intitulado “Itaparica: ainda não é adeus”, de apoio a Ubaldo, que recebeu assinaturas de figuras do porte de Chico Buarque de Holanda, Verissimo, Emanoel Araujo, Cacá Diegues, Milton Hatoum, Ricardo Cravo Albin, Sonia Coutinho, Jomard Muniz de Britto, Hélio Pólvora, Edson Nery da Fonseca, Sebastião Nery, Hélio Contreiras, entre muitos outros, baianos ou não.

Mas a fúria do secretário Pinheiro na defesa da ponte surpreendeu até alguns petistas, lembrados da docilidade do parlamentar nos debates com João Henrique Carneiro (PMDB), na última eleição para a prefeitura de Salvador, na qual Pinheiro foi fragorosamente derrotado: nos debates e nos votos. Vejamos dois trechos do que disse sobre João Ubaldo, o secretário encarregado de tocar o projeto (segundo assinala o JB):

– O João Ubaldo tem todo o direito de destilar o veneno dele. Deve estar olhando para governos anteriores.

– O velho João Ubaldo saiu da rede. Se não fosse o PMI (Procedimento de Manifestação de Interesse), ele receberia a ponte pelo peito.

Ontem, no jornal A Tarde, o próprio governador Wagner se encarregou de renovar o combustível da polêmica, ao chamar de “besteirol” e “clichês” os argumentos do escritor João Ubaldo. É mais que provável que tudo terá resposta. A questão é saber se antes ou depois do carnaval.

Enquanto isso vale verificar o que andou rolando esta semana fora da Bahia.

Ao retornar de férias na Europa, o deputado do PSB, Ciro Gomes, candidato do partido à sucessão de Lula, jogou água gelada na cabeça dos que já consideravam favas contadas sua desistência da postulação, em favor do nome da ministra Dilma Rousseff. “O PSDB e o PT querem que eu retire a minha candidatura. Algum dos dois está errado. A única pessoa que está certa de querer tirar a minha candidatura é o Serra. Significa que o santo Lula nesse assunto está errado”, rebate Ciro.

Se o tiroteio é mesmo pra valer, ou apenas bala de festim de carnaval, só se saberá depois de Momo passar.

O senhor de Brasília parece apostar no tempo, senhor da razão. Depois do susto da crise de hipertensão em Recife, Lula dá sinais de ter colocado a cabeça no congelador – velha e sábia receita do gaúcho Leonel Brizola – mas sem deixar de falar grosso. “Eu meço minha pressão todos os dias: é 11 por 7 (em Pernambuco bateu nos 18 x 12). Foi um problema (a crise de hipertensão) que aconteceu. Mas, se eles pensam que vou ficar sentadinho em Brasília, podem tirar o cavalinho da chuva. Vamos inaugurar tantas obras que eles vão ficar doidos.”. Ontem já estava em Florianópolis.

“Eles”, provavelmente, são os tucanos e a turma do DEM, assim como os petistas baianos chamam de “essa gente” o ex-governador Paulo Souto (DEM), os ex-carlistas no Estado e, ultimamente, o cantor Caetano Veloso e o escritor João Ubaldo.

A conferir, depois que o carnaval passar.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br


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Neste 5 de janeiro, data do aniversário da jornalista Maria Olívia Soares, um dos sustentáculos deste site blog , uma música só não basta para começar o dia. Bahia em Pauta então traz duas canções com o perfil da querida aniversariante, a partir de observações e sentimentos de outros dois colaboradores que a enxergam sob prismas diversos e de observatórios diferentes. Os dois, porém, Claudio e Regina, falam com o mesmo afeto e admiração que Olívia desperta em todos que convivem com ela, ou simplesmente a conhecem.

Emoção à flor da pele, que se expõe às vezes em silêncio, outras aos gritos, ela cativa a todos. Velhos e novos.Irmãos, parentes, aderentes, amigos, colegas de trabalho, companheiros de vida , de muitas lutas, de horas de prazeres, de tempos de dificuldades. De tempos de dificuldades principalmente, pois ser solidária é uma de suas maiores qualidades.

Tem outras, e defeitos também, mas deixo a palavra com Regina, que de San Francisco, na Califórnia, manda a música “O Quereres”, de Caetano, e mensagem para a aniversariante, que passa no Rio de Janeiro, cidade de seus encantos e amores, o dia de seu aniversário. Beijos e longa vida para ela pelo bem e para a alegria de todos nós que a amamos e admiramos.

(Vitor Hugo Soares, editor, Margarida, revisora, e toda equipe de BP)
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Regina com a palavra:

“Escolhi essa musica -O Quereres – para dedicar Maria Olivia no dia do seu aniversário, por ser bem representativa, na minha opinião, do seu ser. Olivia é sempre mais do que a gente quer ou espera, supera todas as expectativas. Guerreira, generosa, antenada, muito bem informada, sensibilidade a flor da pele, amiga leal, entrega-se de corpo e alma a suas causas numa dedicação total aos que foram, pela sorte, menos favorecidos.

Algumas pessoas agem com o coração, outras com a cabeça, Olivia, eu diria, age com as vísceras, todo seu ser se agita e contribui para seus atos. Sem alardear e nem mesmo aceitar credito, ela é capaz dos mais generosos gestos de carinho, que somente quem a conhece pode entender. Precisamos de muitas pessoas como essa extraordinária lutadora, mas, infelizmente, esse “artigo” esta em falta.

Muitos anos de vida, com saúde e muita força pra gozar seus prazeres, como o Rio, que entrou na sua vida pela veia do coração e a sua sempre amada Bahia. Muito amor e OBRIGADA por existir.

REGINA SOARES
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De Cláudio Leal, um amigo querido da aniversariante e do BP:

Acho que Olívia gostaria desse vídeo, no aniversário. É o reencontro de Cartola com o pai, depois de uma briga de décadas. O pai pede para ele cantar “O mundo é um moinho”. De revirar o coração. Cartola, disse-me Olívia, foi a única pessoa a quem ela já pediu autógrafo, no projeto Pixinguinha.

abraços,
Claudio.

fev
04


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O que mais surpreende na reportagem que o Jornal do Brasil publica em sua edição desta quinta-feira ( Bahia em Pauta reproduz), sobre a polêmica em torno da ideia do governo Wagner, de construir uma ponte ligando Salvador a Itaparica, são as imagens e palavras de extrema agressividade utilizadas pelo evangélico secretário de Planejamento, Walter Pinheiro (PT), contra o escritor João Ubaldo Ribeiro. Nascido em Itaparica e dono da obra fabulosa que projetou a ilha baiana no mundo inteiro, Ubaldo se opõe frontalmente à construção bilionária.

Vejamos dois trechos do que disse Pinheiro – encarregado de tocar o projeto como assinala o JB – sobre Ubaldo, a propósito de discutir o tema:

– O João Ubaldo tem todo o direito de destilar o veneno dele. Deve estar olhando para governos anteriores.

– O velho João Ubaldo saiu da rede. Se não fosse o PMI (Procedimento de Manifestação de Interesse), ele receberia a ponte pelo peito.

Fiquemos por aí, por enquanto:

O relevante aqui é chamar a atenção para o palavreado agressivo que Pinheiro usa na defesa da ponte e do governo, surpreendente até mesmo para alguns de seus mais próximos companheiros petistas. Principalmente quando lembram a docilidade apática do atual secretário estadual de Planejamento , nos debates com João Henrique Carneiro (PMDB) nos quais foi fragorosamente derrotado.

Ainda não deu para esquecer os debates e a apatia nem entre os de memória mais curta, na disputa pela prefeitura de Salvador, também vencida pelo adversário, que, como se sabe não é dos melhores em debates e em administração. Ao contrário, mostram as pesquisas mais recentes.

No fim, a pergunta que não quer calar: Onde Pinheiro foi buscar tanta fúria para agredir o escritor João Ubaldo?

(Vitor Hugo Soares )


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A notícia sobre a presença de Jô Soares na capital portuguesa para viver o papel do poeta Fernando Pessoa, já em cartaz, fez bater uma saudade danada no coração do editor de Bahia em Pauta.E quantas belas recordações, a começar pelo Rocio!!!

Daí para o fado “Recado a Lisboa”, a maravilhosa composição de Villarel que Francisco José consagrou, foi um pulo na escolha da música para começar o dia neste site blog baiano de olho no mundo.”Lisboa.minha mãezinha, com o seu chale traçado”, como choram os versos da canção do imigrante, em permanente viagem.Como te esquecer, Lisboa?. “Como esquecer da Graça, que é tão bela, que é tão boa?”

A canção que fala da Graça e dos recantos mais adoráveis de Lisboa, vai aqui em vídeo do you tube com interpretação de Anabela.”Que Deus te ajude, Lisboa, a cumprir essa mensagem”.

Confira e diga se o editor tem ou não razão de sobra para sentir a saudade que lhe bateu, de repente, neste domingo de sol em Salvador.

(Postado por Vitor Hugo Soares)

jan
30

Lula: apesar da fadiga visível…

ARTIGO DA SEMANA

… Presidente brinca com saúde em Paulista

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A FADIGA DO “HOMEM DO ANO”

Vitor Hugo Soares

Em Recife, poucas horas antes de passar mal na noite de quarta-feira e ser levado para o setor de urgências médicas do Hospital Português de Beneficência da capital pernambucana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva protagonizou uma situação emblemática destes dias e noites do poder, do governo e da política no País. Isso quando já apertava o cinto para decolar rumo ao título de “Homem do Ano” em Davos, na Suíça.

Devidamente filmada, som bem audível, a cena transcorre em um dos vídeos mais acessados do You Tube nos últimos dias no Nordeste, entre a Bahia e Ceará, mas que está bombando principalmente em Pernambuco pós-susto do presidente Lula na Veneza brasileira. O fato ainda mexe – e muito – com o País. Dá calafrios principalmente na espinha governista, petistas à frente, embora alguns tentem disfarçar.

O vídeo, um sucesso completo nos sites e blogs nordestinos em que tem sido publicado, a começar pelo do polêmico jornalista pernambucano Jamildo Melo, um dos primeiros a informar sobre a fadiga do presidente. A cena acontece durante o discurso de Lula na inauguração da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Paulista, localidade na Região Metropolitana do Recife.

Mesmo visivelmente estafado pela agenda massacrante e em ritmo de campanha a que se impôs nos últimos dias, o presidente não perde a oportunidade de brincar com seus conterrâneos. Faz troças bem ao estilo da terra e leva o público ao delírio, enquanto tenta marcar mais um gol de palanque no centro de saúde repleto de eleitores, dirigentes da política local e na presença atenta da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, preferida do orador à sua sucessão

“Eu quero ser o primeiro paciente desta UPA aqui”, diz o presidente da República ao iniciar os elogios rasgados à obra do governo federal em associação com o governo de pernambucano. O público ri e aplaude, os políticos se deliciam e trocam segredos entre si. E Lula vai em frente: “Eu visitei a UPA quando cheguei. Ela está tão organizada, tão estruturada, que dá vontade da gente ficar doente para ser atendido aqui”, segue o presidente em seu discurso.

O vídeo mostra, em seguida, a troca de olhares cúmplices e sorrisos de satisfação entre o governador Eduardo Campos (PSB) e a petista Dilma Rousseff, sentados lado a lado na cerimônia no salão da UPA, na periferia da capital pernambucana.

Mas, como se sabe, palavras e promessas de discursos políticos voam como plumas com os que as pronunciam, em busca do próximo palanque. Ainda mais em períodos pré-eleitorais como este que começou no País antes do tempo legal e que ninguém segura mais. Nem a lei. É assim há muito tempo e só muda quem faz o comício, ou quem chora por causa dele.

Basta lembrar o tempo do famoso caderno do presidente Juscelino, citado no livro “O Dia em que Getúlio matou Allende”, do jornalista Flávio Tavares. Nas viagens de JK, um assessor anotava os pedido de eleitores e promessas do presidente. Quando o caderno estava cheio até a última página, o auxiliar perguntava: “O que faço agora, presidente?”. E Juscelino respondia, segundo Tavares em seu livro: “Rasga, joga fora e começa outro caderno”.

Ao que se sabe até aqui, o presidente Lula não costuma fazer o mesmo. Mas na quarta-feira em Paulista, agiu como administradores públicos, políticos e candidatos fazem em geral por aqui depois de cada palanque e de cada comício. Acabado o discurso cheio de imagens e troças bem ao agrado do eleitor presente, o presidente “rasgou o caderno” e seguiu em frente.

Lula deixou o centro de atendimento médico que acabara de inaugurar sem ao menos pedir a um médico, enfermeira ou atendente de tantos que estavam por lá, para lhe medir a tensão. Isso seria talvez o suficiente não só para o presidente cumprir a promessa do discurso que acabara de pronunciar, mas provavelmente teria sido providência simples e eficiente para identificar sinais concretos da subida violenta da pressão e da fadiga já visível no rosto cansado de Lula.

A hipertensão levaria poucas horas mais tarde ao maior susto de saúde que ele já passou em seus quase oito anos de governo e discursos como o do centro médico de Paulista na quarta-feira.

UPA!, troçam os pernambucanos depois do susto, enquanto se divertem com o vídeo da inauguração do posto médico no subúrbio de Recife. No Hospital Português, em Pernambuco, Lula não só verificou a perigosa pressão de 18 x 12, como foi obrigado a obedecer à recomendação expressa de cancelar a agenda que previa a viagem a Davos e a volta “por cima do rastro”, como dizem os nordestinos, para participar de novo comício, neste sábado, 30. Desta vez em Salvador, na abertura do Fórum Social Internacional da Bahia.

O PT baiano anda inconsolável com a ausência da estrela de maior atração do evento. Fica o buraco político, que caberá ao governador Jaques Wagner e seus aliados preencherem, enquanto o presidente repousa ao lado da primeira dama Marisa Letícia e filhos, que seguramente agradecem. A ministra e “afilhada” Dilma Rousseff também.

UPA!

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor-soares1@terra.com.br

jan
22

Orlando Silva: o cantor das multidões…

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…E Sergio Guerra: político de má pontaria

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ARTIGO DA SEMANA

JORNAL DE ONTEM

Vitor Hugo Soares

Sempre impliquei com o início da letra do samba canção “Jornal de Ontem”, clássico da música romântica composto por Romeu Gentil e Elisário Teixeira, consagrado na voz do cantor das multidões, Orlando Silva, com regravação mais moderna da baiana Gal Costa. A birra vem do tempo de estudante de jornalismo na UFBA, nas aulas de interpretação de textos.

Posto em meditação por dois assuntos destacados e barulhentos nas edições dos diários e revistas – o programa de direitos humanos do governo federal e o feroz conflito PSDB x PT, decorrente da entrevista do presidente nacional dos tucanos, senador Sergio Guerra, na revista Veja – flagrei-me outra vez às voltas com os versos do começo da canção imortal: “Para mim, você é jornal de ontem/ Já li, já reli, não serve mais”

Nestes dias bélicos da política nacional recorri algumas vezes aos serviços do You Tube. Reli com mais atenção – e isenção – a letra completa, saboreando o prazer sempre renovado de escutar a melodia na voz incomparável de Orlando. Percebi, finalmente, a justeza de sentido dos versos dos autores em seu conjunto, e a cegueira que desprezava o todo de uma das mais completas e tocantes composições já escritas e cantadas.

Neste caso, o único conforto foi verificar que aparentemente não estou só quanto ao gosto pela leitura e a valorização do dito e escrito em folhas lidas e relidas. Afinal, é isso que forma a memória, “sem a qual o homem não é nada”, como afirma Buñuel no livro de recordações “Meu último suspiro”.

Na edição de domingo (17), o Ombudsman da Folha de S. Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, por exemplo, vai direto ao ponto, sem os rodopios deste articulista. Lembra que em 21 de dezembro do ano passado, em Brasília, foi lançado em cerimônia pública o programa de direitos humanos do governo federal, o terceiro da história e o primeiro da administração de Lula.

Sempre atento, o jornalista revela: no dia seguinte, o evento mereceu na Folha um registro de irrisório desprezo: um texto-legenda na capa e duas colunas de alto a baixo em página par (menos valiosa de acordo com os signos jornalísticos ensinados nas aulas de comunicação impressa). “O programa só foi citado para explicar por que a reunião havia ocorrido”, assinala.

O restante do espaço foi utilizado para tratar do novo corte de cabelo da ministra Dilma Rousseff. “Só na sexta-feira, dia 8, e especialmente no fim de semana, quando foi manchete de primeira página três dias, o programa apareceu como assunto mais importante do país, só desbancado pelo terremoto do Haiti”, recorda o jornalista na análise crítica publicada na Folha com título emblemático: “18 dias para achar a importância”.

E a pergunta que não quer calar é feita pelo Ombusdman: “Se o programa de direitos humanos é tão relevante, por que a Folha não acompanhou o processo de sua elaboração?”. E faz uma constatação incômoda: o jornal também demorou a mostrar ao seu público que as duas versões anteriores desse programa “eram muito parecidas com esta, consequência quase natural daquelas”. “Foi só na coluna Brasília na segunda-feira e numa ampla reportagem com boa arte na terça, que isso ficou claro”, aponta.

Foi mais ou menos a mesma toada na grande imprensa brasileira – sabem de sobra os leitores de jornal de ontem. A diferença, praticamente, está na audácia corajosa da Folha de S. Paulo, ao abrir espaço amplo – mesmo que em página par (8) -, além do acolhimento democrático e respeito às palavras do crítico interno do diário. E isso faz muita diferença. Para melhor.

Agora um pulo rápido para as Páginas Amarelas da Veja, com a entrevista a sangue quente e pavio curto e incendiário do senador pernambucano Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB. Dessas cujos efeitos em geral são mais desastrosos para quem faz os disparos do que para aqueles a quem as balas são dirigidas. “Tiros no pé”, diz-se atualmente.

Na revista de ontem, Guerra, fiel ao sobrenome, procura encrenca e diz com todas as palavras não apenas acreditar que “Lula foi o último presidente a fazer política com as mãos sujas”. Acrescenta que “não há mais espaço para esse tipo de mentalidade que redundou no mensalão, na compra espúria do Parlamento”. E por aí vai.

Ah, e tem ainda o trecho em que o presidente dos tucanos anuncia que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma das meninas dos olhos do governo Lula, será riscado do mapa no caso de vitória do governador de São Paulo, José Serra, para presidente da República…. “Apenas os projetos eleitoreiros, os que têm padrinhos políticos, estão andando… Isso é o PAC, – e nós vamos acabar com ele”, promete o presidente do PSDB.

Nos jornais dos dias seguintes, “de volta para a vida real”, como dizem os soteropolitanos, Guerra engata marcha ré. Tenta retocar o que afirmou, mas o estrago da revista de ontem está feito. E o conflito está nos palanques e nas ruas, bem antes do tempo aparentemente desejado pelo governador Serra, o provável candidato tucano à sucessão de Lula já com problemas de sobra, embora o presidente do PT, Ricardo Berzoini, jure que as palavras do pernambucano Guerra foram ditadas de São Paulo.

Na estrofe final de “Jornal de Ontem”, o cantor das multidões entoa: “Para mim você é jornal de ontem./ Já li, já reli, não serve mais/ Agora quero outro jornal assim/ Que tenha fatos sinceros/ E sublimes, emocionais”.

Bravos Romeu Gentil e Belisário Teixeira. Bravo cantor das multidões, Orlando Silva!

Vitor Hugo Soares é jornalista – E-mail: vitor_terra1@terra.com.br

jan
19
Posted on 19-01-2010
Filed Under (Artigos, Multimídia, Vitor) by vitor on 19-01-2010


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19 de janeiro.

Nesta data, no ano de 1982, a notícia da morte inesperada da cantora Elis Regina, as cisrcunstâncias trágicas que a cercavam, causariam enorme impacto nos fãs inumeráveis da maior intérprete brasileira na época, deixando o país em estado de choque.No início da tarde daquele dia, milhares de pessoas já se aglomeram diante do Teatro Bandeirantes, onde o corpo foi velado.

Registro do jornal Folha de S. Paulo:A música popular perde, prematuramente, uma de suas maiores intérpretes em todas as épocas, que se identificou com o Brasil desde o início de sua carreira no Beco das Garrafas, no Rio, passando pelos festivais que eletrizaram os anos 60, até a cantora madura dos “shows” dos anos 70, como “Falso Brilhante” e “Transversal do Tempo”.

Ainda a Folha: A causa de seu mal-estar súbito ainda não está esclarecida. Elis deu entrada às 11h45 no PS do Hospital das Clínicas, já sem vida. A morte foi anunciada pouco depois das 12 horas, sendo o corpo levado para o Instituto Médico Legal às 12h30. A autópsia revelou que a cantora não sofria de nenhuma moléstia nos órgãos vitais. O IML anunciará amanhã a “causa mortis”. No entanto, o delegado do 14o DP, Carmo Aparecido de Camargo, afirmou que Elis morreu devido a uma “intoxicação exógena”. Às 16h20 o corpo foi levado para o velório no Teatro Bandeirantes.

Elis Regina será sepultada na manhã de hoje no Cemitério do Morumbi, saindo o cortejo do Teatro Bandeirantes às 11 horas. O DSV já organizou um esquema especial para o trajeto: avenida Brigadeiro Luís Antônio, rua Humaitá, rampa do viaduto Pedroso, avenida 23 de Maio, avenida Rubem Berta, avenida dos Bandeirantes, avenida Luís Carlos Berrine, ponte do Morumbi, avenida Morumbi, rua Professor Carlos Gama, até a rua Deputado Laércio Corte, onde se localiza o Cemitério do Morumbi.

MORTE E ELIS NA VEJA

O AMARGO BRILHO DO PÓ

Aos 36 anos, Elis Regina, a melhor cantora do Brasil, foi achada morta, trancada em seu quarto, onde tomara a derradeira dose de cocaína

27 de janeiro de 1982

A morte da melhor cantora brasileira provocou um choque nacional, assim que a notícia circulou pelo rádio e pela televisão na manhã da última terça-feira. Cheia de vitalidade nos seus 36 anos, Elis Regina de Carvalho Costa, três filhos, passou metade de sua vida em estúdios, distribuindo uma voz impecavelmente afinada por 27 LPs, catorze compactos simples e seis duplos, que venderam algo como 4 milhões de cópias. Não é um recorde – Roberto Carlos vendeu quatro vezes mais –, mas a qualidade é tão boa que lhe assegurou uma das mais sólidas reputações da música popular brasileira. Sua morte, no apartamento que ocupava nos Jardins, em São Paulo, foi chorada com lágrimas canções entoadas por 25 000 fãs, amigos e parentes que a visitaram no velório do Teatro Bandeirantes, palco de seu maior sucesso, o show ‘Falso Brilhante”, no centro de São Paulo. Cerca de…

( Postado por Vitor Hugo Soares )

jan
15
Posted on 15-01-2010
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 15-01-2010

Ulysses e Lula no palanque

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ARTIGO DA SEMANA

LULA E O COCHILO DE ULYSSES

Vitor Hugo Soares

Passou rápido o período de descanso do presidente da República na virada do ano na praia baiana de Inema, pedaço terrestre do Éden dentro da supervigiada Base Naval de Aratu. Lula viajou de férias quando a chapa começava a esquentar, apostando no tempo, eterno curador de feridas, para superar a crise dentro de seu governo dividido diante do Programa Nacional de Direitos Humanos.

O presidente desembarcou na Bahia confiante de que os sinais de tempestades logo se afastariam do Planalto Central e, quando ele retornasse do descanso, tudo estaria outra vez em paz. Lula voltou ao batente esta semana e logo verificou, como na canção de Chico Buarque de Holanda: “inútil dormir que a dor não passa”.

As nuvens da crise carregadas de preocupantes ingredientes militares não se moveram e ficaram mais densas sobre Brasília. O terremoto no Haiti, com a morte de 18 militares brasileiros da Força de Paz da ONU – confirmadas pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim ao retornar de Porto Príncipe -, somado à terrível tragédia humana no país mais pobre das Américas, com o qual o Brasil está cada vez mais envolvido, pode estabelecer uma trégua na crise. Ou agravá-la mais nos próximos dias.

O tempo dirá, mas nada de paranóia, que isso em geral atrai mais desgraças. O fato é que o tumulto se amplia. Força o presidente, segundo assinala O Globo, a usar boa parte de sua “aparentemente inesgotável capacidade de administrador de ambiguidades para manter sem fissuras irreversíveis um governo assentado em eclética aliança político-partidária, formada por frações dos mais diversos quadrantes da geografia ideológica”.

Façamos agora um breve intervalo para outras lembranças. No livro “Dr. Ulysses – o homem que pensou o Brasil”, um dos 39 depoimentos sobre a trajetória do Sr. Diretas é de Luiz Inácio Lula da Silva. Motivado pelos autores a recordar episódio pitoresco ocorrido com Dr Ulysses durante as Diretas Já, Lula lembra que um dia foi à casa do deputado com Luiz Eduardo Greenhalgh. Os dois entraram, subiram as escadas e depararam com Ulysses deitado com as mãos cruzadas na frente.

“Eu e o Luiz Eduardo acreditamos que ele estava morto! Sabe, uma pessoa deitada com a barriga para cima, com a mão cruzada assim. Falei para o Luiz: ‘será que o ‘velhinho’ está morto?'”. Mas Ulysses estava vivinho da silva. Lula e Greenhalgh o chamaram e ele acordou. Tiveram, a seguir, uma conversa interessante, porque nesse dia Lula fora convocar Ulysses para não deixar a Campanha das Diretas morrer. “O Fernando Henrique Cardoso já estava articulando com Tancredo Neves um novo mote; “Diretas Já, Mudança Já”, recorda Lula.

“Eu tinha uma visão clara. Então fui dizer a ele o seguinte: “Olha Dr. Ulysses, eu sei que passaram a perna no senhor, embora o senhor não queira reconhecer publicamente'”. Lula achava que o pessoal de Tancredo Neves, e o próprio Tancredo, sabia “que se a gente conquistasse as Diretas”, Ulysses seria o candidato natural a presidente da República. E Tancredo Neves pela via indireta, pelo Colégio Eleitoral.

“Então eles passaram a perna no senhor. O senhor foi deitar presidente da República e acordou cabo eleitoral de Tancredo. Esta é a verdade e eu disse isso a ele”, conta o presidente no depoimento do livro organizado por Celia Soibermann Melhem e Sonia Morgenstern Russo.

E estamos de volta ao começo destas linhas. O presidente da república faz ginástica para pôr ordem na casa de seu governo rachado pelo Programa Nacional de Direitos Humanos. Quando o presidente embarcou para a Bahia, o desconforto interno no governo, e o bafafá externo, só fizeram crescer. “Outras crises vieram à tona quando, embutido no Programa Nacional de Direitos Humanos, revelou-se um plano de governo, e com propostas inconstitucionais. Uma delas, a censura à imprensa, em nome da defesa dos “direitos humanos”, guarda-chuva amplo o suficiente para abrigar desde medida de desrespeito à propriedade privada à regulamentação do imposto sobre fortunas, descriminalização do aborto, financiamento público de campanhas, e assim por diante”, diz O Globo..

Lula é muita coisa, menos bobo, já se sabe de outras tertúlias. Percebeu os riscos que corre se a crise prosperar, e o quanto isso poderá beneficiar os planos de seus adversários políticos – emplumados ou não – às vésperas de começar o fogo cruzado da campanha à sua sucessão. Diante do perigo, nega o que disse e o que assinou e tenta saída organizada da crise, com o menor número de baixas possíveis em sua tropa.

Já fez chegar aos militares que não permitirá discriminações na questão da Anistia – tema que parece fadado a ser jogado no colo da Justiça. Outras concessões e recuos parecem estar a caminho. “O filho do Brasil” sabe onde as cobras dormem. E tenta evitar o cochilo de Ulysses no tempo das Diretas Já, para não virar mero cabo eleitoral de Dilma Rousseff na sucessão que vem aí.

O tempo dirá.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-Mail: vitor_soares@terra.com.br

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Bahia em Pauta ficou fora do ar por quase dois dias, atacado por problemas técnicos e suspeitas de hackers.Saimos do ar por volta de uma hora da madrugada de terça-feira, logo depois de BP noticiar o terremoto no Haiti e ser um dos primeiros blogs a informar que soldados brasileiros da tropa de paz da ONU estavam entre as vítimas da catástrofe no país onde vivem os pobres mais pobres das Américas.)

Tivemos baixas também, pois o site-blog perdeu muitos arquivos com matérias postadas na última semana, incluindo a do sismo no Haiti. Estamos tentando recuperá-las, mas esse é um trabalho para entendidos e que leva mais tempo. Temos fé e com ela – a fé – retornamos à superfície depois do mergulho que nos deixou longo período fora do ar e sem contato com a nossa razão de ser:os queridos leitores e ouvintes do Bahia em Pauta.

Foi tudo tão rápido e surpreendente para nós, que nem deu tempo de agradecer as generosas referências e elogios ao BP e seu editor, feitas pelo âncora da Radio Metrópole, Mário Kertéz, que comanda alguns dos programas informativos, críticos e bem humorados do rádio em Salvador e no estado.Fazemos isso agora, ampliando os agradecimentos para um dos mais competentes professores da UFBA, Roberto Abergaria e toda a equipe da Metrópole.

Por fim, dois agradecimentos especiais e indispensáveis a santos que velam por este blog baiano sintonizado no mundo: Senhor do Bonfim, no dia do histórico cortejo da lavagem de sua igreja, na Colina Sagrada, Oxalá milagroso do coração dos baianos de fé; e a São Dimas, poderoso mestre da informática, moderador fundamental deste blog, que arrostando dores e sacrifícios impostos por problemas de saúde, consegue trazer Bahia em Pauta de volta à superfície.

Valeu também seguramente, e muito, o ato de fé e contrição flagrado na colina pelas cãmeras da TV do engenheiro Tiago, filho de Dimas e amigo sempre atento deste blog, que aniversaria hoje e para quem Bahia em Paute oferece o Hino ao Senhor do Bonfim, com admiração e agradecimentos.

Salve!

(Vitor Hugo Soares, editor)

dez
30
Posted on 30-12-2009
Filed Under (Artigos, Newsletter, Vitor) by vitor on 30-12-2009

Ivete: antes do tumulto

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A presemça da cantora Ivete Sangalo em uma loja do Shopping Iguatemi de Salvador na tarde desta quarta-feira (30), causou tumulto, mas a confusão dentro da Loja Riachuelo por mais de 300 fãs da cantora, segundo a segurança do maior shopping baiano, foi controlados sem maiores consequências além de algumas prateteiras de roupas no chão e o susto de algus clientes do shopping com a confusão.

Segundo a edição online do Correio da Bahia , Ivete foi o local para conferir as roupas de lançamento da coleção que leva o seu nome – e aproveitou para distribuir algumas peças para os fãs.Aí sw watabeleceu a confusão.

A gerência do estabelecimento estima que mais de 300 pessoas entraram na loja para ver Ivete. Na confusão, muita roupa foi parar no chão e até uma prateleira caiu, mas a situação não saiu do controle, de acordo com a loja.

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