out
13
Posted on 13-10-2009
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 13-10-2009

Congresso americano: saúde domina debates
capitol

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Rosane Santana

(De Boston) – Democratas estão prontos nesta terça-feira para forcar a revisão da legislação de saúde através da influente Comissão de Finanças do Senado, mas enfrentam novos obstáculos das seguradoras aumentando a preocupação sobre o projeto de lei abrangente.

Um relatório divulgado ontem pela America’s Health Insurance Plans, um grupo comercial da indústria, disse que o projeto de lei da Comissão de Finanças imporia custos rígidos sobre os consumidores. Entre outras coisas, diz o relatório de saúde da família que uma apólice de seguro que custa hoje $ 12.300 aumentaria para 25.900 dólares, em média, até 2019, no âmbito do projeto de lei, mais do que sob a lei atual.

Com a iminente votação em comissão, os democratas da Casa Branca empurraram o assunto para trás. Eles disseram que o relatório do setor não levou em conta as outras disposições da lei – como créditos de imposto para comprar o seguro e os limites de despesas- projetado para reduzir os custos de seguro para famílias de baixa e média renda.

O senador Jay Rockefeller, da Virgínia, um democrata no Comitê de Finanças, disse que o relatório foi “enganoso e nocivo” e representa “politicagem de lucro das empresas no seu pior.”

O relatório levantou novas questões sobre a viabilidade política dos 829 bilhões de dólares em 10 anos, factura de compromisso elaborada sob a orientação do senador Max Baucus, D-Montana, presidente da Comissão de Finanças do Senado.

A votação que ocorre nesta terça-feira no senado representa um potencial ponto de virada no debate da saúde. Comissão Baucus é o último dos cinco painéis do Congresso para analisar a legislação de saúde antes de começar o debate no plenário da Câmara dos Deputados e do Senado.

O relatório do grupo da America’s Health Insurance Plans conclui que, no âmbito do plano Baucus, os custos do seguro de saúde privado aumentaria em 111 por cento durante a próxima década. No actual sistema, os custos aumentariam 79 por cento, disse o relatório.

Prémios para os indivíduos poderiam levantar-se por um extra de R $ 1.500, se o plano for implementado, segundo o relatório.

A senadora Nancy Pelosi, líder dos democratas, reconheceu ha alguns meses, que foi um erro da administração Obama não enviar uma proposta fechada ao Congresso, mas apenas idéias gerais do plano, o que enfraqueceu a posição do governo.

(Rosane Santana, jornalista, de Boston (EUA),com informações do Wall Street Journal e CNN )

out
05
Posted on 05-10-2009
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 05-10-2009

Mercedes Sosa: indicação para três Grammys/img. Página 12
gracias
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O Grammy e Mercedes Sosa

Rosane Santana

BOSTON (EUA) – A rede de TV CNN e o jornal The New York Times noticiaram ontem a morte de Mercedes Sosa, a quem chamaram de “A voz da América Latina”. A intérprete imortalizada em cancões como “Gracias a la Vida” e “Volver a los 17”, ganhadora de dois Grammy Latino, concorre novamente ao prêmio que será entregue no próximo mês em Las Vegas, com o disco Cantora 1, seu último trabalho, indicado para três categorias, incluindo álbum do ano e melhor álbum folclórico.

Mercedes que já foi comparada a americana Joan Baez, também conhecida por seu estilo vocal distinto e opiniões políticas, não pode ser reduzida a categoria de intérprete do folclore latino-americano, como declararam apressadamente, logo após sua morte, alguns órgaos da imprensa mundial. Sua voz grave e potente, que brotava das cordilheiras e vales andinos, profundamente enraizada no seu passado e na sua cultura – politicamente engajada, quando os tempos lhe exigiram, o que lhe valeu o exílio -, cantou os mais variados estilos, folk, pop, MPB (em suas incursões com Milton) e bossa-nova.

O que verdadeiramente há de marcante nessa intérprete, além da voz inconfundível, personalíssima, é que quando cantava, Mercedes sempre colocava sua alma, parecendo encarnar os versos de Ricardo Reis, um dos heterônimos de Fernando Pessoa : “Para ser grande, sê inteiro, nada Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és. No mínimo que fazes…”, razao de sua profunda identidade com o povo latino e o que explica a sua grandeza e sua longevidade como artista- uma intérprete que superou o próprio tempo e se manteve por mais de meio século fazendo sucesso -, como prova sua recente indicacão para o Grammy.

Rosane Santana, jornalista, mora em Boston e estuda na universidade de Harvard.

set
08

Harvard: “lugar apaixonante”
harv
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373 anos de uma legenda do saber

Rosane Santana

(De Boston (USA))- A Universidade de Harvard, a mais antiga instituição de ensino superior dos Estados Unidos, completa hoje, 8 de setembro, 373 anos. Está localizada na pequena cidade de Cambridge, separada de Boston ( capital de Massachusetts), pelo Charles River. Por aqui passam, todos os anos, cerca de 20 mil estudantes estrangeiros e centenas de turistas curiosos de conhecer os prédios da universidade, espalhados por toda a cidade. São dezenas de bibliotecas, livrarias, cinema, teatro, museus e loja de souveniers comercializados com a marca Harvard.

Não é exagero afirmar que a Universidade de Harvard é o sonho de consumo de todo estudante americano e, por que não dizer, do Planeta (cientistas, pesquisadores e alunos de graduação), pelo que a instituição oferece enquanto espaço para geração de ciência, novas tecnologias e formação de líderes. Nas ruas e no campus se fala e se ouve uma profusão de línguas, mas há uma unidade de espírito quando o assunto é a busca do conhecimento, aquilo que os gregos acreditavam ser a aspiração maior do ser humano.

A legendária universidade, falada em dezenas de filmes e livros, ocupa o topo do ranking das melhores do mundo, com patrimônio avaliado em cerca de 30 bilhões de dólares (doações de ex-estudantes e empresas), e tem entre os seus ex-alunos oito presidentes (John Adams, John Quincy Adams, Theodore and Franklin Delano Roosevelt, Rutherfor B. Hayes, John Fitzgerald Kennedy, George W. Bush e Barack Hussein Obama), mais de 40 prêmios Nobel e o homem mais rico do mundo, Bill Gates.

Em Harvard há uma soma de tudo que faz uma grande universidade, além de dinheiro, é claro: liberdade de ação, respeito à diversidade e estímulo à formação de pensamento crítico voltados para a pesquisa e geração de conhecimento.

Há inteligência, delicadeza e inspiração por toda parte, que fazem dessa universidade um lugar apaixonante.

Rosane Santana, jornalista, mestre em História pela UFBA, mora em Boston e estuda em Harvard

set
06
Posted on 06-09-2009
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 06-09-2009

Desafio: petróleo e meio ambiente
petromar

OPINIÃO

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Meio ambiente muda agenda política

Rosane Santana

Um dos maiores desafios dos países em desenvolvimento – neste grupo inclusos Brasil, China e India -, atualmente, é conciliar a expansão econômica com a preservação do meio ambiente – fundamental para a perpetuação da vida no Planeta. O assunto – ressalte-se – foi tema de discussão e prova na Universidade de Harvard (EUA), neste verão, quando comemorou-se o bicentenário do naturalista inglês, Charles Darwin, autor do livro “A Origem das Espécies”, que revolucionou a biologia moderna opondo-se à concepção religiosa da origem divina do universo narrada no livro dos Gênesis.

O darwinismo ganha relevância, neste momento, especialmente sua tese de sobrevivência dos mais fortes no processo de adaptacão das espécies ao meio ambiente, em funcão das mudanças climáticas aceleradas pelo excesso de gás carbônico na atmosfera – o vilão do efeito estufa -,que está provocando o aquecimento global.. Ressalte-se, entretanto, serem os maiores emissores de CO2 os países mais industrializados, que integram o chamado G-7 (Estados Unidos, Canadá, Japão, Itália, Alemanha, França e Inglaterra).

Tais alteracões têm atingido indistintamente populações de todos os países, com excesso de calor e chuvas e inundacões que provocam destruicão, afetando as localidades mais pobres, o Terceiro Mundo em especial, onde os prejuízos na agricultura, por exemplo, são enormes, pela precaridade tecnológica.

O assunto vem ganhando a cada dia maior relevância nas discussões acadêmicas e políticas nos Estados Unidos. Tanto que o presidente Barack Obama, desde que tomou posse em janeiro, anunciou sua disposição de colocar “a energia alternativa, o meio ambiente e a mudança climática no centro da definição americana de segurança nacional, recuperação econômica e prosperidade”. A indicação do Prêmio Nobel de Física de 1997, Steven Chu, promotor da pesquisa de fontes energéticas renováveis, para secretário de Energia, é uma demonstração do esforço nessa direção.

Disse anteriormente, inclusive, que a decisão de Obama representa uma tentativa de colocar os Estados Unidos na liderança da luta contra o aquecimento global, depois da resistência a iniciativas como o Protocolo de Quioto, na Era Bush, no momento em que a União Européia discute um novo tratado climático e o presidente da ONU, Ban Ki-Moon, propõe um “New Deal Verde”, para combater as alterações no clima e no meio ambiente

É nessa conjuntura, em que a questão ambiental está na pauta do dia, que a candidatura da senadora Marina Silva, a presidência da República, esperam seus idealizadores, pode ganhar corpo e, supostamente, atrapalhar o caminho da ministra Dilma Roussef, candidata declarada do presidente Lula. Esse ponto de vista (a força de Marina) é compartilhado por políticos e marqueteiros, além de fervorosos admiradores da ministra.

Mais do que um problema ambiental, em minha opinião, essa é uma questão política e de gestão que deve estar aberta ao debate não apenas àqueles que historicamente estão vinculados a causa ambientalista, pois está a afetar a todos indistintamente. Trata-se de um problema de sobrevivência humana, de reeducacão de todos, inclusive com um nítido direcionamento na área do ensino formal, e não do partido ou do candidato A ou B. Essa partidarização, pode ser um bom mote publicitário, mas não ajuda o debate e nem contribui para sua democratização, o que é o mais importante.

O desafio para o Brasil, por exemplo, um dos candidatos a potência, neste século, sem dúvida, será conciliar a exploracão de seu potencial energético, fundamental para o seu desenvolvimento, sobretudo as novas descobertas na área de petróleo – considerado uma fonte de energia poluente -, com a preservação do meio ambiente.

Se isso é possível, quem pode responder e propor caminhos é a ciência e a tecnologia, sugerindo políticas públicas adequadas. Espera-se que na campanha à presidência da República, no próximo ano, os candidatos e candidatas saibam discutir a questão, sem satanizar essa ou aquela alternativa, com discursos panfletários, mas buscando equacioná-la com bom senso, como o fez Obama, por exemplo, indicando um renomado cientista para uma pasta considerada estratégica.

A depender da abordagem, o debate da questão no horário político eleitoral será um dos pontos altos da campanha presidencial do próximo ano e pode ser um passo importante para uma mudança na agenda política dos atuais e futuros governantes.

Rosane Santana, jornalista e mestre em História pela UFBA, mora atualmente em Boston e estuda da universidade de Harvard.

set
04

Rosane Santana

Boston (EUA)- Há duas semanas, a mídia mundial, com certo estardalhaço, anunciou que o governo brasileiro queria mudar os contratos de exploracão do pré-sal entre a Petrobras e petrolíferas estrangeiras, colocando estes últimos na condição de financiadores, apenas, medida apontada como um retrocesso. Aqui nos Estados Unidos, o The New York Times, em matéria de capa, chegou a insinuar que o país enveredaria por um viés nacionalista a la Bolívia, Equador e e Venezuela.

“Confrontado com a mais importante descoberta mundial de petróleo em anos, o governo brasileiro pretende um retrocesso de mais de uma década de estreita cooperação com as companhias petrolíferas estrangeiras e, mais diretamente, contra a extração em si”, disse o mais importante jornal americano.

Sucederam-se debates dentro e fora do país, sempre nessa linha.

Em entrevista ao jornalista Bob Fernandes, editor da revista eletrônica TerraMagazine, nesta sexta-feira, 4 de setembro, o senador Aloísio Mercadante dá importante contribuição para esclarecer os interesses multinacionais por trás das críticas contra as mudanças nas regras do jogo.

Saiba, porque num mundo onde haverá escassez de petróleo é fundamental que o Estado brasileiro controle a exploração do pré-sal – a mais importante descoberta mundial de petróleo em décadas-, se quer, como é esperado, aqui nos Estados Unidos, transformar-se numa potência mundial, o que passa pela redução da pobreza e melhoria nos serviços de saúde e educação, por exemplo.
Rosane Santana, jornalista e mestre em História pela UFBA, atualmente estuda em Harvard, Massachusets (USA).

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Mercadante: controle estatal/ Agencia Brasil
mercadante
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A ENTREVISTA

Bob Fernandes

A exploração de petróleo nas camadas pré-sal fará o Brasil subir dez posições no ranking mundial de produtor do combustível e é “fundamental que o Estado controle essas reservas”, defende o senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Em entrevista a Terra Magazine, o líder petista no Senado argumenta:

– Porque se a Petrobras tiver que disputar com as grandes empresas de petróleo, que não têm reservas e que sabem que o pré-sal é a mais importante descoberta da última década, elas vão despender grandes recursos para ter acesso a esses blocos. E vão obrigar a Petrobras a se descapitalizar, quando o mais importante para o Brasil é que ela invista.

O regime de urgência dos projetos que definem o novo marco regulatório para exploração do petróleo no pré-sal é necessário, segundo Mercadante. “Você não pode ficar mais de 90 dias esperando a capitalização da Petrobras. A empresa precisa de capital, ela precisa investir”, afirma o senador.

Mercadante não deixou de recordar que os vigorosos críticos da agora oposição, no PSDB e DEM, bradam hoje contra o prazo de 90 dias apreciar e votar as regras do pré-sal, mas fizeram o oposto quando estavam no poder, nos anos FHC. Recorda o líder petista: DEM e PSDB votaram no ano de 1995, no espaço de 5 meses e 18 dias, 5 emendas constitucionais que mudaram a história econômica, a estrutura econômica do Estado brasileiro. O senador lista:

– Em um ano, o governo Fernando Henrique quebrou o monopólio estatal das telecomunicações. E fez uma mudança toda da regulação do setor para a privatização, em cinco meses. Quebrou o monopólio da distribuição do gás canalizado. Tudo isso, emenda constitucional, não é projeto de lei. Eliminou a diferença entre capital nacional e estrangeiro em cinco meses e 18 dias. Quebrou o monopólio do petróleo, refino etc. Também nesse ano de 1995, estendeu ao capital estrangeiro a navegação, interior e cabotagem. E praticamente todas essas emendas tramitaram no prazo de cinco meses. Só aí estou falando de cinco emendas constitucionais, que mudaram decisivamente a história econômica, a estrutura econômica do Estado brasileiro.

Leia a entrevista completa com Mercadante em Terra Magazine
(http://terramagazine.terra.com.br)

ago
31
Posted on 31-08-2009
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 31-08-2009

Oswaldo Aranha: “País vencerá”/Img.CPDOC (1930)
aranha

OPINIÃO / POLÍTICA

DIAS CONTADOS

Rosane Santana

A política clientelista e do favor, de raiz oitocentista, está com os dias contados no Brasil. A agonia do popular toma-lá-dá-cá que desembocou em crises como a do orçamento, em 1992, do mensalão, em 2005, e na atual paralisia do Congresso, com o Senado em chamas, descontados os oportunismos e a manipulação de uma parte da midia, resulta de avanços da cidadania – “acesso aos mercados e aos bens de consumo”, como define o historiador e cientista político José Murillo de Carvalho -, por uma maior parcela da população.

No centro da questão, a incapacidade do Estado em atender e intermediar as demandas de múltiplas clientelas. Afinal, não estamos mais no século XIX, somos uma população de cerca de 200 milhões de pessoas – maioria urbana – o voto de cabresto praticamente desapareceu, a burocracia do país tem se modernizado continuamente, o familismo está em baixa, o eleitor tem mais acesso à informação e o Brasil é um candidato a potência mundial, pelo menos aqui nos Estados Unidos, nos meios acadêmicos, especificamente na Universidade de Harvard, é tratado como tal.

O problema aponta para uma mudança estrutural na política brasileira, ainda que muitos não estejam percebendo o processo, expressando, frequentemente, desencanto com líderes e governos. É tempo de comemorar. Gosto sempre de recordar uma frase, se não me falha a memória, de Osvaldo Aranha, ex-ministro da Fazenda de Getúlio Vargas- um liberal que combateu o nazismo- pinçada do livro a “História Sincera da República”, do marxista pernambucano Leôncio Basbaum, que li nos tempos da Faculdade de Jornalismo da Universidade Federal da Bahia: “O Brasil é tão grande, mas tão grande, que vencerá com os brasileiros, sem os brasileiros e até mesmo contra os brasileiros”.

Às vésperas da campanha para as eleições presidenciais, no entanto, vejo com ceticismo, a forma como a mídia, estimulada por marqueteiros e interesses políticos tem incensado a candidatura da ex-ministra Marina Silva a presidência da República como a “higienização da política brasileira”. Marina seria uma espécie de salvação em meio a um mar de lama, leia-se corrupção, clientelismo e falta de ética. Falta responder, com quem vai governar? Já vi esse filme e não tem happy end. Mais desencanto e mais alienação.

Na história recente, o presidente Lula, que, no passado, chegou a declarar a existência de “300 picaretas no Congresso” vê-se obrigado a negociar com aquela Casa em condições nem sempre confortáveis e muitos dos problemas do seu governo derivam de curto-circuitos na relação com o Poder Legislativo, próprios do regime presidencialista.

Em 1986, na Bahia, por exemplo, Waldir Pires candidatou-se e teve vitória histórica para o governo do estado, com 1,6 milhão de votos de frente contra o jurista Josapha Marinho, representante das forças conservadoras. Não tenho nada contra o professor Francisco Waldir Pires de Souza. Reconheco nele uma das mais exemplares biografias da moderna política brasileira, apesar dos equívocos. No entanto, para justificar o amplo arco de alianças, o vi, pessoalmente, repetir com certa freqüência, “eu sou a mudança”, mas o seu governo acabou de maneira frustrante.

Pura ilusão ou, lembrando Sérgio Buarque de Holanda, resquícios da “nossa tradição autoritária”, porque governos não se fazem, apenas, com a vontade do governante, mas com centenas ou milhares de pessoas, líderes ou não, trabalhando em prol do bem comum. E numa República, incluem-se o Congresso, representando o Poder Legislativo, e o Judiciário, que no Brasil tem se modernizado, mesmo aos trancos e barrancos.

Mudanças estruturais são processos de longa duração. Para acelerar a transformação do Brasil arcaico em um Brasil moderno, falta avançarmos ainda mais na conquista da cidadania e investirmos em um projeto de educação básica pública e gratuita. Aqui nos Estados Unidos, por exemplo, as escolas públicas de educação fundamental distinguem os bons alunos e os gênios, oferecendo para eles estímulos e oportunidades educacionais.

Imigrantes brasileiros, inclusive, são beneficiados por essa política e estão estudando em universidades americanas, que são consideradas as melhores do mundo, especialmente em Massachusetts, estado apontado como a Atenas da Era Moderna. O governo americano acompanha passo a passo a vida do aluno e, ao final do segundo grau, eles são premiados com bolsas de estudo para o ensino superior, que são caríssimas, cerca de 50 mil dólares ano.

É com conhecimento e tecnologia que se muda um país. Educar é preciso.

Rosane Santana é jornalista e mestre em História pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

ago
20
Posted on 20-08-2009
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 20-08-2009

Rosane Santana

BOSTON (EUA) – Soa totalmente descabida a acusação de que o secretário estadual da Agricultura, Roberto Muniz, em sua campanha para a prefeitura de Lauro de Freitas, no ano passado, tenha insuflado partidários a fazer chacota contra a prefeita Moema Gramacho, por causa de um câncer de mama.

Conheco-o há pelo menos 10 anos. Ele é pai de duas mulheres e um homem sempre elegante no trato com todos. Viveu de perto o problema do câncer de mama, do qual foi vítima um membro da família muito próximo dele. Conhece, portanto, as dificuldades de quem enfrenta a doença, sobretudo as de caráter psicológico, o que acaba por envolver todos os familiares.

Imagino o quanto essa acusação deve estar incomodando não só a ele, mas à família e aos amigos mais próximos.

Portanto, vá com calma minha gente, calma!

Não fui autorizada pelo secretário a colocar essa nota. Meu último contato com Muniz foi há, pelo menos, três anos. Mas o faço no intúito e no dever de contribuir com a verdade.

(Rosane Santana é jornalista e estuda Politica, Educação e Meio Ambiente na Universidade de Harvard).

ago
17
Posted on 17-08-2009
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 17-08-2009

Geddel: elogios a Lula estocadas em Wagner
gelula
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ARTIGO / POLÍTICA

COBRA DE DUAS CABECAS

Rosane Santana

Daqui de Boston, onde passo uma temporada de estudos, costumo me surpreender ao acessar os sites baianos de notícia e dar gargalhadas solitárias em frente do computador. Sorry, ou melhor, desculpem-me, mas uma das personagens que mais me fazem rir não é nenhum humorista ou ator baiano, o talentoso Franklin Menezes, por exemplo, mas sua excelência o ministro da Integracão Nacional, Geddel Vieira Lima.

Desde que alçado ao estrelato pelo presidente Lula, que o fez ministro da Integração Nacional (com o aval do governador Jacques Wagner), em retribuição ao papel desempenhado na adesão de uma ala do PMDB ao governo federal, Geddel não para de produzir fatos risíveis.

Sim, porque o ministro que já foi chamado de “percevejo de gabinete” pelo ex-presidente Itamar Franco”, por sua incrível capacidade de mobilização nos bastidores de Brasília, o que lhe valeu, inclusive, absolvição na CPI dos Anões, em 1992, vive a alardear – Laus in ore proprio villescit, elogio de boca propria é vitupério– desapego a cargos públicos e seu compromisso com uma política de princípios. Agora atribui aos novos aliados do governo Jacques Wagner a alcunha de “cobra de duas cabeças”. Sinal de que está incomodado e, por quê?

A publicidade e o marketing, que por dever de ofício vivem de metonímias, têm lá suas razões e poder considerável na política, mesmo aqui nos Estados Unidos, como enfatiza o historiador americano John Lukacs. Imaginem os senhores, num País onde os índices de leitura sao baixíssimos, já nem digo de analfabetismo, porque é repetir o que todo mundo já sabe. Mas nao cabe ao jornalismo reproduzir inocentemente certas bobagens.

Geddel Vieira Lima é um jovem que nasceu e se criou em uma oligarquia nordestina, os Vieira Lima. Sua trajetória política é incompatível com a imagem de modernidade política, que deseja construir. Ele é filho legítimo da política clientelista, oligárquica e mandonista. E é mantido ainda no cargo de ministro por essas circunstâncias que fazem a política uma ação mais pragmática, não confundam, por favor, com programática.

É, entre os politicos baianos, ja disse certa vez, o que melhor encarna o estilo carlista, escola onde iniciou os primeiros passos da vida pública e por muito tempo atuou. Isso pode explicar, inclusive, as constantes desavenças entre ele e o ex-senador ACM, uma vez que este, todo mundo sabe, não admitia concorrentes em seus círculos. E é, por isso mesmo, que a maioria dos carlistas desejam o seu apoio, mas o vêem com certa suspeição, fato que leva a especulações sobre sua volta futura ao governo Wagner.

Por ora, enquanto exalta a ministra e candidata Dilma Rousseff e também o presidente Lula, Geddel estoca o governador Jacques Wagner, que resistiu a apoiar a reeleição de João Henrique, seu candidato, em Salvador, fazendo antítese ao avanço do ministro sobre o espólio carlista nos municípios baianos.

Faz oposição ao governo do estado, mas deseja manter intacta a aliança com o governo federal ( e o cargo de ministro, por “princípio”, está claro) o mesmo que desmantelou o esquema de poder carlista levando Jaques Wagner a uma vitória no primeiro turno. Até quando? Até ficar claro se a candidata de Lula, Dilma Rousseff, terá fôlego para chegar a presidência da República. Ou, podemos vê-lo, ele e os seguidores, empunhando a bandeira do meio ambiente de Marina, ou da ética na política de Heloísa Helena.

E, afinal, quem é a cobra de duas cabeças ministro?

Rosane Santana é jornalista e estuda Política, Educação e Meio Ambiente na Universidade de Harvard (EUA).

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