dez
20
Posted on 20-12-2009
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 20-12-2009

Corrupção e Violência:i~mãos siameses
Corrupção

==================================================
OPINIÃO/ VISÃO CRÍTICA

CORRUPÇÃO E VIOLÊNCIA

Rosane Santana

Com as pesquisas qualitativas a indicarem a Segurança Pública, como o calcanhar-de-aquiles dos governos estaduais em todo o Brasil, inclusive na Bahia, às vésperas das eleições majoritárias é comum aparecerem, de última hora, “candidatos especialistas” em soluções para o problema da violência. A maioria da população não sabe, entretanto, que o aumento da criminalidade, direta ou indiretamente, guarda estreita relação com a corrupção na esfera política.

Segundo estudiosos, a corrupção política, que é crime, além de desviar recursos públicos de serviços essenciais ao bem-estar da população em benefício de grupos privados, também favorece atividades ilícitas como lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e prostituição, entre outras. A prática, estimulada pela impunidade, está atraindo o crime organizado para dentro do País, de acordo com a pesquisadora da Universidade de Brasília (UNB), Lígia Pavan Baptista, responsável pela implantação da Biblioteca Virtual Sobre Corrupção, da Controladoria Geral da União (CGU).

De 1 a 4% do Produto Interno Bruto (PIB), valor estimado em um mínimo de R$ 30 bilhões de reais, é o custo anual da corrupção para a economia brasileira, segundo dados recentes da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Órgãos de Controle administrativo, como a Controladoria Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU) admitem que a corrupção é praticada com a participação de funcionários públicos e políticos em diversas esferas – prefeitos, vereadores, deputados, senadores etc. – em benefício próprio e de grupos privados envolvidos no negócio.

Do que foi detectado pela CGU, no período entre 2003 e 2007, os setores mais prejudicados pelos desvios são saúde, com 613 milhões, seguido pela educação, com 470 milhões. Ao impedir que a população carente tenha acesso a políticas públicas em áreas essenciais à melhoria da qualidade de vida, a corrupção contribui para aumentar a exclusão social e a violência, restringindo a cidadania e condenando o País a um ciclo vicioso de miséria e desigualdade. Combatê-la, portanto, ainda é o melhor remédio para diminuir a escalada do crime no Brasil

Não se pode dizer, evidentemente, que todos os políticos são corruptos. Mas, a lentidão das casas legislativas em tomarem providências contra os seus integrantes flagrados em desvios e as brechas encontradas na lei para que os corruptos escapem no Judiciário acabam por colocar em descrédito toda a classe, levando o País a iminência de uma crise institucional, diante da falsa percepção de que a política é sempre território de atividades ilícitas.

O Poder Legislativo é colocado em xeque, com boa parte do eleitorado questionando a existência da instituição, como adverte a Transparência Brasil,e o Judiciário, pela brandura com que tem tratado os corruptos no país, cai em descrédito absoluto, reforçando a idéia de que a cadeia é somente para pobres. Essa conjuntura, naturalmente, gera um clima de impunidade que favorece ainda mais a escalada da violência, as aventuras autoritárias de poder, com a supressão das liberdades democráticas, e o aumento da corrupção.

Rosane Santana, jornalista, mestre em História pela UFBA, mora em Boston e estuda na Universidade de Harvard).

Genebaldo Correia: em campanha
genebaldo
O eleitor não é bobo
================================================

Rosane Santana

O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, depois de uma quarentena auto-imposta, desde que vários dos nomes do PMDB, por ele indicados para cargos no governo do Estado, foram flagrados na famosa “Operação Expresso”, está a propor soluções para a Segurança Pública da Bahia, em seu programa radiofônico da Rádio Metrópole.

Ora bolas, o melhor remédio contra a violência é acabar com o alarmante índice de corrupção existente no Brasil, assunto sobre o qual, convenhamos, o ministro não tem autoridade moral para falar. Vive, aliás, em companhia de Genebaldo Correia, um das estrelas da CPI dos Anões, de onde Geddel teria escapado, depois de chorar copiosamente diante das câmeras de televisão, graças a intervenção do presidente da Câmara dos Deputados à época, Luis Eduardo Magalhães.

Menos ministro, menos, porque o eleitor não é bobo!

(Rosane Santana, jornalista baiana, mora em Boston (EUA) sempre antenada na Bahia)

dez
14
Posted on 14-12-2009
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 14-12-2009

JH: entrada da nova mansão/img.Política Livre
Mansão
===================================================
Chama o Robin Hood

Rosane Santana (Boston-EUA) – Quem conheceu João Henrique, na Assembléia Legislativa da Bahia , há alguns anos, encarnando uma espécie de Robin Hood, deve estar perplexo com sua transformação. O combativo deputado, sempre em mangas de camisa, colarinho surrado, sapatos gastos, que arrebatou a classe média com sua luta contra a cobrança excessiva de taxas e impostos, virou prefeito e ficou milionário, tudo indica. La dolce vita!

Li no site Política Livre, do jornalista Raul Monteiro, que João Henrique mudou-se para o Horto Florestal, condomínio onde “o imóvel mais barato não custa menos do que R$ 3,5 milhões”. Adeus dureza! Enquanto isso, os crofres municipais estão vazios, com a cidade mergulhada em eterna crise financeira. Aliás, frise-se, desde que aqui desembarcou Tomé de Sousa, primeiro governador-geral enviado por sua majestade el Rei D. João.

Vivendo dias de Barão, com maiúscula, não se pode negar que sua excelência tem bom gosto. Saiu recentemente do Alphaville, de onde teria sido expulso por escorpiões e barbeiros. De comum entre os dois condomínios, a paisagem cercada de verde, privilégio de poucos, enquanto no resto da cidade a especulação imobiliária, sob secular aquiescência da Prefeitura, nesta província da Bahia, destrói o que ainda existe de beleza natural ( e que eu espero em breve rever).

Prefeito, chama o Robin Hood, por favor!

Rosane Santana, jornalista, mestre em História pela UFBA, mora em Boston(EUA) ,estuda em Harvard sem tirar os olhos das mazelas da política baiana)

dez
13

Governador Arruda:”valeu!”/Img.Arquivo
JRarruda
====================================================
ARTIGO / CORRUPÇÃO

ACORDA BRASIL

Rosane Santana

Conversei outro dia, com uma colega chinesa, Jing Yang, na Universidade de Harvard, sobre seu país, enquanto esperava a chegada da professora em sala de aula. A imprensa, de uma maneira geral, inclusive nos Estados Unidos, insiste, com certa freqüência, na idéia de que o século XXI será um século asiático. É verdade que a crise norte-americana tem levado muitos a se perguntarem sobre quem sucederá os EUA na liderança mundial e a China, o principal credor do país, com cerca de um trilhão de dólares investidos em letras do tesouro e outros seguros americanos, de acordo com a National Public Radio (NPR), é forte candidata ao pódium.

Ressalte-se, de uma vez por todas, cerca de um trilhão em aplicações variadas e não seis trilhões de dólares, como já li em alguns jornais brasileiros e blogs, talvez para valorizar a crescente influência da China no mundo Ocidental, inclusive na América Latina, na mesma proporção que decresce a influência americana. Este é um fenômeno que alguns estudiosos atribuem à política neoliberal de Bill Clinton, mantida por George W. Bush, trazendo de volta o velho nacionalismo no continente de Che Guevara em choque direto com Washington.

O Brasil também tem aparecido como forte concorrente da China. Estabilidade econômica proporcionada pelo Plano Real, que o governo Lula seguiu à risca desde a Era Palocci, a reação da economia brasileira à crise econômica mundial e as recentes descobertas de petróleo e gás natural – as mais importantes dos últimos 20 anos, segundo The New York Times – colocam o país na berlinda. E é o bastante para o governo navegar em alta popularidade, numa onda de falso otimismo que ignora os entraves a serem vencidos pelo país no caminho do desenvolvimento e bem-estar social.

No Brasil como na China, concorda minha colega Jing Yang, a concentração de renda e a corrupção impedem o salto em direção a um lugar no pódium. “Poucos, muito poucos controlam a riqueza”, diz ela, que adotou os EUA como pátria recentemente. Com a volta da censura prévia à imprensa, referendada por decisão recente do Supremo Tribunal Federal, que proíbe o jornal “O Estado de São Paulo” de divulgar tenebrosas transações de um dos herdeiros do presidente do Congresso, José Sarney, infelizmente o Brasil, se não houver reação, também caminha para se igualar à China nesse aspecto, o que será péssimo. À propósito, louve-se a atitude do vice-presidente da República, José Alencar, que manifestou preocupação ao cerceamento da liberdade de imprensa.

Tenho feito contínuas reflexões sobre a realidade brasileira em comparação com o que vivencio nos Estados Unidos há cerca de três anos, país que tomo como referência por ainda ser uma potência militar e econômica e, internamente, um modelo de democracia, com a maioria da população, inclusive milhares de brasileiros que aqui residem, tendo acesso ao mercado de consumo, às maravilhas da tecnologia e à educação e uma Justiça célere e eficaz, além de uma imprensa livre. Sobre a China, só conheço o que li nos livros e conversei com colegas na Universidade de Harvard, onde os chineses estão em toda parte. Por aqui, o Brasil é uma grande promessa, mas é preciso viabilizá-la.

O problema número um, citado por todos, professores e alunos, com os quais conversei, é a corrupção, em evidência neste momento, graças a revolução tecnológica, seus poderosos satélites, micro-câmeras e comunicações eletrônicas instantâneas, que, segundo o sociólogo inglês Anthony Giddens, viabilizou a aldeia global de Marshall McLuhan. Entretanto, o fenômeno, herança do patrimonialismo português e, por que não dizer, ibérico, já existe mesmo antes da fundação do Estado brasileiro, no século XIX, nas antigas Câmaras de Vereadores dominadas pelos latifundiários e senhores de engenho. A diferença é a repercussão globalizada.

Não se rouba, portanto, nem mais nem menos, rouba-se como sempre se roubou num país de baixa participação política (65% dos brasileiros ignoram a política, segundo recente pesquisa do Vox Populi), onde há falta de transparência nos negócios públicos e impunidade. Acrescente-se concentração de renda, analfabetismo e ignorância.

Afinal, quem imagina, num mundo democrático e civilizado, que um país onde seus líderes são flagrados escondendo dinheiro em cuecas, meias e coisas que tais, pode ser levado a sério, está enganado. O máximo que conseguiremos despertar é a antiga atitude de cobiça dos colonizadores – explorar, saquear, roubar as nossas riquezas. A imagem de José Roberto Arruda , ninguém menos do que o governador do Distrito Federal, embolsando um maço de dinheiro e dizendo “valeu”, que rodou o mundo, é um tiro no peito de todos os brasileiros que se esforçam para construir um país melhor.

Acorda Brasil!

Rosane Santata, jornalista, mestre em História pela UFBA, mora em Boston (EUA) e estuda na Universidade de Harvard

nov
24
Posted on 24-11-2009
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 24-11-2009

Obama: mudança do tempo
Baobama

==================================================
ROSANE SANTANA

BOSTON (EUA)- O RealClear Politics, um dos mais respeitados sites sobre política dos Estados Unidos, disse que Barack Obama não pode mais reivindicar o apoio da maioria no Congresso americano, ao analisar o resultado da última pesquisa Gallup, em que o presidente aparece com menos de 50% de popularidade. Obama, segundo o RCP, perdeu posição muito rapidamente, principalmente entre os chamados independentes (não democratas ou republicanos), registrando a maior queda entre os presidentes americanos eleitos no pós-guerra.

Os analistas acreditam que será difícil a recuperação de Barack Obama e que sua queda nas pesquisas terá um impacto imediato no debate sobre o sistema de saúde. “ Para alguns presidentes a queda abaixo de 50 marca o início de um declínio inexorável”, avaliam. Mais difícil ainda – ressaltam – é a Casa Branca manter a pressão sobre os democratas moderados. Outras pesquisas, segundo o Real Clear Politcs também apontam queda da popularidade de Obama em função das falhas na legislação sobre saúde, além do problema do desemprego, na casa dos dois dígitos, e a decisão de transferir para tribunais civis o julgamento de Khalid Sheikh Mohammed, considerado o mentor intelectual do ataque terrorista às torres gêmeas do World Trade Center.

“Os democratas não precisam entrar em pânico. A maioria dos modernos presidentes reeleitos cairam abaixo de 50 em algum momento de seu primeiro mandato. Mas a sua popularidade cedo (cerca de 70%) significa que poucos, tão rapidamente, caíram tanto quanto Obama”.

Comentário: Acrescentaria à análise, a questão das guerras no Oriente Médio. O povo americano, em geral, está interessado na solução de seus problemas internos e exausto com a manutenção das guerras anti-terror, que Obama prometeu acabar e não dá sinais de poder faze-lo. Entre os independentes, por exemplo, a maior parte é de ativistas contrarios à invasão do Iraque e Afeganistão como resposta ao terrorismo. Esse movimento tem, inclusive, ligações cibernéticas com a Europa.Nessa conjuntura, questões como a reforma imigratória, salvo engano, vão continuar sendo adiadas. É esperar.

Rosane Santana, jornalista, mestre em História pela UFBA, estuda em Harvard

nov
13
Posted on 13-11-2009
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 13-11-2009

OPINIÃO/ POLÍTICA

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

Rosane Santana

É preocupante a desenvoltura com que se movimentam na política baiana, dois personagens da história recente deste País, de passado nada lisonjeiro. Impossível não lembrar da repetina epidemia de cegueira, a que alude o escritor português José Saramago, em um dos seus romances – no qual fala da mixórdia e desapreço aos valores mais básicos do ser humano-, que atinge, em nome da sobrevivência, o Brasil de hoje, especialmente, a classe dirigente, de onde deveriam partir os exemplos.

Os dois são personagens da histórica CPI dos Anões, de 1992, primeiro dos escândalos que marcam a crise do estilo toma-lá-da-cá na política brasileira, de raiz oitocentista. Ambos, com ligações pessoais e familiares com a antiga Arena, o partido da ditadura. Um deles, punido com a pena de banimento do cenário politico, por longo tempo, até ressurgir das sombas do esquecimento pela ignorância e pela cegueira. Outro, descendente de uma oligarquia, ganhou salvo conduto no episódio, com apoio de poderoso clã baiano.

É fato, que ninguém pode levar a sério essas personagens, velhas raposas de bastidores, principalmente quando se fala em mudança. Mas, nunca é demais abrir o olho, antes que seja tarde.

Rosaner Santana, jornalista, mestre em História pela UFBA, mora em Boston e estuda na universidade de Harvard.

nov
10
Posted on 10-11-2009
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 10-11-2009

Caso Geisy chega a Harvard
UHarvard
=======================================================

ROSANE SANTANA

BOSTON (EUA)- A discussão sobre os constragimentos a que foi submetida a estudante Geisy Arruda, da Universidade Bandeirante (Uniban), de São Paulo, por estar usando uma minissaia, está globalizada. Foi tema do warm up (aquecimento), que precede o debate principal nas aulas do Instituto de Linguas da Universidade de Harvard ontem.

“Ridiculous” foi a palavra mais usada por alunos de varias nacionalidades (austríacos, coreanos, chineses, cazaquistaneses e mongóis) para classificar o episódio. Muita gente ficou sem entender por que num país onde as mulheres ficam nuas no Carnaval, uma estudante foi quase linchada por causa do vestido curto. Como brasileira, francamente, não soube responder o que aconteceu. Mas corei de vergonha. Na pátria de Betth Friedan e Glória Stein isso é impensável, porque os agressores, no mesmo dia, teriam sido presos e responderiam a processos. Quanto `a escola, teria sido fechada. Ninguém se engane. Os direitos da mulher nos EUA são levados a sério.

Rosane Santana, jornalista, mestre em História pela UFBA, estuda em Harvard.

nov
09
Posted on 09-11-2009
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 09-11-2009

Soldados em Fort Hood:mistérios
Stringer

=====================================================
ROSANE SANTANA

BOSTON (EUA) – A prestigiosa National Public Radio (NPR), dos Estados Unidos, divulgou na noite de domingo, 8 de novembro, que investigadores estão procurando pistas que levem a uma explicacão sobre a atitude do major Nidal Hasan, 39, que matou 13 e feriu 30 pessoas, na última semana, na maior base militar do país, Fort Hood, Texas. Até a hipótese de terrorismo está sendo considerada, após denúncia de que o militar teria gritado “Allahu Akbar”, “Deus é grande”, em árabe, antes do tiroteio.

Obama, que vai visitar o posto militar do Texas, nesta terça-feira, para homenagear as vitimas, usou seu programa de rádio do fim de semana para caracterizar o tiroteio como “um crime contra a nossa nação”. O presidente ordenou que as bandeiras na Casa Branca e outros edifícios federais fossem hasteadas a meio mastro até quarta-feira, Dia dos Veteranos.

O médico militar Val Finnell, que fez pós-graduacão em saúde pública com Hasan, na Virgínia, diz que ele possuia sentimentos anti-americanos e queixava-se de sentimento anti-mulcumano na tropa.”Eu tinha verdadeiras dúvidas sobre suas prioridades e suas crenças”, disse Finnell.

No entanto, um irmão de Hasan afirmou que a família está “em estado de choque” e que ele é um homem “pacífico, amoroso e compassivo”.

Comentário: Tudo leva a crer que as tropas americanas andam mesmo exauridas com as guerras do Iraque e Afeganistão, deflagradas para combater o terrorismo, destruir a Al Qaeda e matar Osama Bin Laden, sem êxito. Tanto que o tiroteio de Fort Hood não foi isolado. Outras bases teriam se rebelado e chegaram a ser cercadas, permanecendo sob forte vigilância. Obama que prometeu por fim aos conflitos, mas escalou a elite da Era Bush, para a área de segurança, temendo novos atentados terroristas, terá que dar explicações ao povo americano.

Rosane Santana, jornalista e mestre em História pela UFBA, mora em Boston e estuda na Universidade de Harvard.

nov
05
Posted on 05-11-2009
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 05-11-2009

Eli Parisier: “mensagem direta”
71145466SP011_Senate_Candid
==================================================
OPINIÃO / INTERNET E POLÍTICA

OBAMA, WEB E BRASIL II

Rosane Santana

A discussão sobre o uso da Internet na política, no Brasil, envolta em uma onda de mal entendidos e muita desinformação, ao que parece, passa ao largo do fenômeno globalização, ainda reduzido a questões de ordem econômica por muitos observadores que não se detêm em suas implicações tecnológicas, políticas e culturais, como ressalta o sociólogo inglês Anthony Giddens. Prova disso, é a mistificação em torno dos resultados eleitorais obtidos nas últimas eleições presidenciais americanas, através da Web, e os benefícios que o uso da Internet poderia trazer ao processo eleitoral brasileiro, já no próximo ano. À propósito, volto ao tema a pedido de leitores.

Em primeiro lugar, é preciso deixar claro: antes mesmo de Barack Obama ingressar no Partido Democrata, eleger-se presidente dos Estados Unidos e Ben Self fundar a Blue State Digital, milhões de ativistas americanos e europeus insatisfeitos com a política externa dos EUA, especialmente após o 11 de Setembro, navegavam, tramavam e arrecadavam cifras milionárias no espaço cibernético, a partir de pequenas contribuições individuais, para apoiar candidatos contrários às guerras no Oriente Médio, especialmente a “Guerra contra o Terror”, de George W. Bush.

Entre os militantes, muitos herdeiros ou ex-ativistas do Vietnã, cérebros em informática e tecnologia da informação, tribos de todas as idades e credos, formando um verdadeiro tsunami, da Europa a América do Norte, que mostrou sua força nas eleições presidenciais norte-americanas de 2008 -uma disputa globalizada-, através da Internet. O tsunami responde pelo nome de Moveon.Org Politic Action e possui hoje, segundo seus líderes, cinco milhões de membros, supostamente com alto grau de politização e familiaridade com as novas tecnologias, é preciso ressaltar, para dar uma dimensão do fenômeno.

Por acaso, o candidato que, naquela conjuntura, mais se identificava com as aspirações dos ativistas internautas, simpatizantes do Partido Democrata, era um afro-americano chamado Barack Obama, que prometeu – e está sendo cobrado -, mas não cumpriu até agora, por um fim aos conflitos da Era Bush. Não por acaso, Hillary Clinton, que apoiou a invasão do Iraque e continua favorável ao endurecimento contra o Irã e a Coréia do Norte, foi descartada como representante do Moveon, que prossegue dando o que falar na política americana e é objeto de estudo em prestigiosos centros acadêmicos como a Universidade de Harvard.

Ressalte-se que mais de 50% dos quase 800 milhões de dólares arrecadados pela campanha do candidato democrata Barack Obama originaram-se de pequenas contribuições de pessoas físicas, de até 200 dólares. Por trás dessa tática de arrecadação, a estratégia adotada há quase 10 anos pela onda gigante e revelada pelo seu diretor executivo, Eli Pariser, em entrevista ao jornal The New York Times (Março, 2003) e à Revista Rolling Stones, fonte já citada (Nov.de 2007): combater a crescente influência de grandes companhias sobre governos, em nível internacional, o que ele considera a maior ameaça à democracia.

O segredo para unir tanta gente em torno de uma causa é simples. Eli Pariser, que descende de judeus sionistas por parte de pai e de socialistas poloneses, por parte da mãe, ambos ex-ativistas do Vietnã, ensina que as mensagens políticas encaminhadas pela Internet devem ser sempre diretas, sem tecer análises ou comentários que possam suscitar divisões ideológicas. O Moveon abriga pessoas de diferentes nacionalidades e diversas organizações, envolvendo norte-americanos e europeus. E sua atuação não pára depois da eleição.

Os ativistas tiveram influência decisiva junto ao Congresso americano, nas recentes discussões sobre a reforma no sistema de saúde pública dos EUA, e articulam campanhas contra os senadores, inclusive democratas, que estão dificultando a aprovação da matéria, através de e-mails enviados aos seus membros, aos quais estão solicitando doações entre 25 e 200 dólares. A briga entre Obama e a FoxNews (pró-republicana), tem tido o apoio do movimento, que sugere boicote dos telespectadores à rede.

“A democracia através da Internet resolve o problema de como focar a atividade política em um extenso país onde a grande maioria dos cidadãos está extremamente ocupada e distraída, porque o que mantém tantos americanos ocupados e distraídos estes dias é a Internet”, diz Eli Pariser (The New York Times, Março de 2003).

É possível que, no futuro , o Brasil possa encabeçar um movimento dessa natureza, através do espaço cibernético, com bandeiras próprias, parece óbvio, em direção, por exemplo, à América Latina. A Web abre um leque inimaginável de possibilidades também na política. Não soa, portanto, tão estranho, o recente apelo de Hugo Chavez às venezuelanas, para apoiarem Dilma Roussef, a candidata de Lula. Mas para que a Internet favoreça essa unidade, dentro e fora do território, o Brasil e os outros países do continente terão que vencer o desafio de se modernizarem, combatendo a corrupção, distribuindo renda, democratizando a educação e a tecnologia.

Rosane Santana, jornalista, mestre em História pela Universidade Federal da Bahia, mora em Boston e estuda atualmente na Universidade de Harvard (EUA).

out
23

=================================================

OPINIÃO / POLÍTICA

Obama , Web e Brasil

Rosane Santana

Leio em jornais brasileiros que a Blue State Digital, empresa norte-americana que estruturou o suporte tecnológico para viabilizar a bem-sucedida campanha de marketing de Barack Obama na Internet, está de malas prontas para desembarcar nas eleições presidenciais do próximo ano, no Brasil. Pelas mãos do engenheiro elétrico Ben Self, sócio da companhia, o efeito Obama poderá dar resultados na Terra Brasilis.

Não acredito. Recorro ao arquivo pessoal onde guardo, cuidadosamente, artigos e livros adquiridos nesses quase três anos de estudo na Universidade de Harvard, em que há um pouco de tudo, especialmente Política. Releio, então, uma esclarecedora entrevista de Eli Pariser, diretor executivo do Moveon.org Politic Action sobre como a Internet está revolucionando a política, concedida a revista Rolling Stone, em novembro de 2007.

Criada há 10 anos, a Moveon é uma organização que congrega cinco milhões de internautas ativistas, nos Estados Unidos, e foi um dos principais responsáveis pelas milionárias arrecadacões e sucesso de Obama no mundo virtual, embora muitos continuem a pensar que Obama inventou o Blackberry e descobriu a Internet. Simpatizante do Partido Democrata, a Moveon decidiu pelo apoio a Barack Obama, entre outras coisas, porque os Clinton eram considerados muito próximos de George Bush, especialmente em questões de política externa, tendo a senadora Hillary apoiado a invasão do Iraque.

Eli Pariser diz que a maior contribuição que a revolução tecnológica trouxe para a política é a possiblilidade de dialogar com eleitores em tempo real e realizar mudanças rapidamente, diferente dos tempos em que os contatos com senadores e deputados, por exemplo, eram praticamente impossíveis ou levavam muito tempo, quando uma lei ou uma proposta já não podia ser modificada.

No futuro, ele acredita que alguém vai experimentar uma estrutura de decisão democrática que tirará o máximo proveito da tecnologia. Provavelmente, segundo Eli Pariser, o modo como irá funcionar é que eleitores terão representantes sobre várias questões. “Eu poderia decidir que você (o entrevistador) é meu representante em meio ambiente. Cada vez que você votar, eu recebo um e-mail que diz: “Ele votou, sim, em painéis solares”. Se eu não gosto da maneira que você esta votando, eu vou escolher outro representante. Se 100.000 pessoas dão a você uma representação você pode influenciar…”.

Como imaginar, no curto prazo, uma estrutura dessa natureza funcionando no Brasil, país onde a região Norte não conhece banda larga, segundo informações que me chegam por telefone, e boa parte do território não possui sequer energia elétrica? Superados os entraves de infraestrutura, cairemos na questão da democratização da tecnologia. Aqui nos Estados, por exemplo, entre pobres e ricos, negros e brancos, gregos e troianos, o uso de tecnologia de ponta está disseminado em toda a parte.

Computadores, microcomputadores e afins são acessíveis à população de tal forma, que é difícil você encontrar hoje um celular que não seja iPhone ou BlackBarry, por exemplo. Lan houses praticamente não existem (nunca vi), porque se alguém não pode adquirir um bom computador, a biblioteca pública tem centenas deles à disposição. A maioria dos estudantes maneja computadores desde a escola fundamental sem risco de sofrer violência, isto é, ser assaltado na próxima esquina. Em muitas salas de aula, computadores tomam o lugar do quadro negro para o ensino de ciência, matemática, português etc. e tal.

Além da cultura tecnológica, há ainda o que eu chamaria de cultura cidadã, adquirida por anos de valorização da educação. O historiador americano John Lukács diz que, nos Estados Unidos, “desde o início do século XX, a mania nacional de educação havia se tornado parte do credo norte-americano”, abraçado por gente de todas as matizes políticas, republicanos e democratas, capitalistas e socialistas etc.

Isso significa dizer que a maioria das crianças freqüenta escola e que o índice de analfabetismo é quase zero .Isso explica, além do desenvolvimento científico e tecnológico alcançado pelos Estados Unidos, a formação de pensamento crítico, capacidade de autodeterminação nas escolhas pessoais e profissionais, incluindo política, e, ao longo dos anos, o surgimento de organizações como o Moveon, que, aproveitando as possibilidades oferecidas pela Internet, está mudando a história política dos EUA.

Como no Brasil, lembrando Oliveira Viana, tudo acontece por decreto, de cima para baixo, a utilização da tecnologia na política será instrumento do partido do governo e com dinheiro público, tudo indica, haja vista a presença de assessores palacianos em seminários e negociações com a empresa de Ben Self. Coisa muito diferente do que ocorreu nas eleições americanas.

Rosane Santana, jornalista, mestre em História pela UFBA, mora em Boston (EUA) atualmente e estuda em Harvard.

Pages: 1 2 3 4 5 6

  • Arquivos

  • junho 2018
    S T Q Q S S D
    « maio    
     123
    45678910
    11121314151617
    18192021222324
    252627282930