mar
06


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De volta ao Carnegie Hall

Rosane Santana

A morte de Jonny Alf, aos 80 anos, na última semana, levou-me de volta aos Estados Unidos, país onde a bossa nova ocupa lugar de destaque nas programações diárias de rádios locais, com execuções de várias composições que marcaram o movimento e onde artistas como Tom Jobim e João Gilberto ocupam lugar de honra no concorrido mercado de jazz. Mais do que isso, são absolutamente populares, de tal forma que, até hoje, é quase impossível para um músico brasileiro ingressar no mercado americano com outra batida que não seja bossanovista.

Isso acontece, por exemplo, com nomes como Milton Nascimento e Caetano Veloso, que tive a oportunidade de ouvir algumas vezes na prestigiosa National Public Radio (NPR), enquanto passeava à noite pelas ruas de Boston, no verão, sentindo a brisa que vinha do Charles River – o rio que corta a cidade. Emoção indescritível. A exceção é Roberto Carlos, cantor com influências gilbertianas, que pode ser encontrado, com certa facilidade, em lojas de discos, por causa do grande contingente de imigrantes hispânicos, entre os quais é bastante popular. É muito conhecido também entre intelectuais americanosna Universidade de Harvard.

Lembro Caetano, em um dos seus momentos mais proféticos: “Será que apenas os hermetismos pascoais, e os tons, os mil tons e seus sons e seus dons geniais, nos salvam, nos salvarão dessas trevas e nada mais…?” (Podres Poderes, 1984) Verdadeiramente, a Bossa Nova é onde o Brasil é Primeiro Mundo. Em 22 de junho de 2008, cobri para Terra Magazine, em primeira mão para o Brasil, a antológica estréia do show 50 Anos da Bossa Nova, no Carnegie Hall, em Nova Iorque, quando João Gilberto foi ovacionado por uma platéia de americanos (atenção, não era o Brazilian Day!).

Vi socialities americanas, como a ambientalista novaiorquina Allegra Levanne ,esperar, durante quase duas horas, a saída do cantor daquela casa de espetáculos, para conseguir um autógrafo do artista no CD Getz/Gilberto que tinha nas mãos- clássico da bossa nova que vendeu mais de um milhão de cópias em meados dos sixties. Antes, já havia assistido músicos cantarem bossa nova ,”nos bares da vida, em troca de pão”, e a execução de Garota de Ipanema pela Orquestra Sinfônica de Boston, quando chorei.

Americanos costumam prestigiar seus ídolos. Gigantes do jazz como Miles Davis e Stan Gets, entre outros, não saem de cartaz, como se fossem artistas vivos e continuassem a produzir. Frank Sinatra, Beatles, Jimi Hendrix, Jean Joplin, Elvis Presley, entre outros que deixei de citar, também não saem da moda. Suas músicas são executadas diariamente à exaustão, em rádios americanas. Seus discos são encontrados em qualquer loja especializada.

Agora pergunto: o que faz um músico da grandeza de Johnny Alf, no Brasil, ser lembrado apenas em sua morte? O que faz um movimento como a bossa nova ser praticamente esquecido, a não ser entre platéias mais requintadas e amantes do estilo? O nosso subdesenvolvimento, respondo, embora possa parecer arrogante na resposta. Canções como “Eu e a Brisa” e “Ilusão à toa”, são obras-primas, que poderiam constar em qualquer antologia da música universal. Esta última, nas interpretações de Johnny Alf e Fafá, ela absolutamente surpreendente, embora com em tom a la Nelson Gonçalves, e no dueto de Elis e Gal, são puro êxtase.

À propósito, quando deixava o Carnegie Hall, em Nova Iorque, na noite de 22 de junho de 2008, após a estréia internacional do show comemorativo dos 50 anos da Bossa Nova, João Gilberto interrompeu bruscamente uma entrevista, quando um repórter da TV Record perguntou se a Bossa Nova poderia ser considerada MPB, depois de 50 anos.
Retratos do Brasil.

Rosane Santana é jornalista, mestre em Hisdtória pela UFBA, acaba de retornar de Boston, onde passou tr~es anos estudando em Harvarda.Está em São Paulo.

mar
05
Posted on 05-03-2010
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 05-03-2010

Janio na TB: eterna busca da notícia

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ROSANE SANTANA

Figura frágil, tímida, quando o conheci há cerca de 20 anos, o rosto, que a doença foi transfigurando, lembrava o do poeta Castro Alves, de quem guardava ainda semelhanças pelo espírito byronista, ultra-romântico. Jânio Lopo respirava jornalismo e sua escrita o ajudava a se manter vivo, nos últimos anos, quando o coração apaixonado pela profissão e pela boemia dava sinais de cansaço.

Relembro-o sentado em um canto, quase escondido na redação da Tribuna da Bahia, fuçando os jornais e buscando um tema para sua coluna diária, qual escafandrista a procurar tesouros submersos. Atrás da aparente fragilidade, a firmeza para defender o que achava correto e a bravura e o destemor para enfrentar os poderosos de plantão, que se sentiam eventualmente ofendidos com suas críticas; a lealdade e a generosidade com os amigos.

Jânio, meu querido, vou sentir sua falta. Perdoe minha ausência e a indelicadeza de não tê-lo visitado, como programei, quando da rápida passagem pela Bahia, há cerca de duas semanas, depois de três anos nos EUA e alguns contatos pelo telefone. Gostaria de abraçá-lo e tomar uma cerveja contigo e prometi que o faria, quando retornasse a Salvador no final de março. Mas a vida me colheu de surpresa, hoje, uma tarde cinzenta que ficou cor de chumbo, em São Paulo, quando recebi a notícia de sua partida, na redação de Terra Magazine. Ainda choro.

Sou-lhe profundamente grata, amigo, pela generosidade com que sempre me acolheu, pela lealdade, pela admiração, pelo carinho, pelo humanismo, pelo teu exemplo. Vá em paz, guerreiro querido.

Rosane Santana, jornalista baiana. mestre em História pela UFBA, acaba de retornar de Boston (EUA) onde pessou três anos estudando em Harvard. Está em São Paulo>

fev
23

PT: ondas no andar de baixo

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ROSANE SANTANA

O aburguesamento de petistas que ocupam cargos no poder, especialmente de comando, tem gerado insatisfação crescente nas alas mais a esquerda do partido. Alguns xiitas não se acanham em tratar abertamente de temas como corrupção, demonstrando insatisfação com seus lideres, alguns deles citados nominalmente, inclusive na Bahia, a quem acusam de abandonar antigas bandeiras da esquerda, o que não é novidade nenhuma.

Quem imagina que o recente congresso do PT, em Brasilia, foi missa encomendada em que o partido caminharia para um lado e o governo e sua candidata, Dilma Roussef, para outro, pode estar certo em sua avaliação, mas, em parte. Em caso de sérias turbulencias internas na agremiação,com repercussões externas e no governo, Dilma Rousseff, cuja liderança não foi engendrada nos movimentos populares e de massa, mas ungida pelas mãos de Lula, ficaria mais vulnerável as pressões das alas xiitas do partido, depois de eleita, avalia fonte partidária.

Essa insatisfação ja foi captada pelos dirigentes do partido e pela candidata, que se esforçam em fazer propostas mais à esquerda do que tem sido a Era Lula, no futuro programa de governo, de olho no que, no momento, é apenas uma marolinha, mas poderá ser uma onda gigante que se avoluma. Alertam os xiitas.

Em um ano eleitoral a tendencia sera a acomodação das partes, segundo fontes do partido, com o objetivo de eleger Dilma Rousseff para a presidencia e conquistar o maior número de cadeiras na Camara dos Deputados e nas Assembleias Legislativas. Mas, a partir de 2011, a coisa muda de figura e o que pareciam divergencias naturais, a olhares menos atentos, poderá caminhar para um serio rompimento, em uma luta em que as alas mais a esquerda, que se consideram porta-vozes dos movimentos sociais, não deixariam barato.

Se assim for, fica ameacado o projeto de Lula que deseja a permanencia do PT 16 anos na presidência da Republica, com uma provável eleição de Dilma e posterior reeleição. A menos que os companheiros do andar de baixo e mais à esquerda joguem a toalha, o que não parece ser o animo no momento.

Alias, nunca foi.


Rosane Santana é jornalista, mestre em História pela UFBA, acaba de retornar ao País, depois de três anos de estudos na Universidade de Harvard.

fev
09
Posted on 09-02-2010
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 09-02-2010

Lampião: fantasma não assusta mais

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ROSANE SANTANA

BOSTON (EUA) – Houve um aumento crescente da violência na Bahia, nos últimos três anos, período em que estou nos Estados Unidos, mas pude acompanhar os acontecimentos em tempo real, pela Internet.Considero equivocada a explicação que vincula o fenômeno específico, diretamente, ao tráfico de droga e a falta de uma política de Segurança Pública para o Estado.

Ressalte-se que o governo Wagner manteve intocável a cúpula da Policia Militar do Estado, como o fez Obama, em nível mais amplo, com as autoridades de Segurança dos EUA, para não provocar interrupções que seriam prejudiciais ao trabalho policial, na visão de estrategistas. Aqui, apesar do atentado terrorista frustado no Natal de 2009, não houve solução de continuidade na área, mas na Província da Bahia, sim, com os chefões envolvidos em tenebrosas transações.

A droga é um problema em todo o mundo, é verdade, mas, cá para nós, não entra na minha cabeça a idéia de que o consumo de crak é fator responsável pela multiplicação, em progressão geométrica, da violência em Salvador e em todo o Estado.

Antes de Jacques Wagner assumir o poder, já tínhamos o Morro do Águia, na San Martin, endereço conhecido de qualquer taxista, onde Ravengar fazia a festa, frequentado, dizem, até por patricinhos baianos.

Recorramos à história…

Durante a Regência (1831-1840), período de muitas turbulências, após o Primeiro Reinado, Feijó criou a Guarda Nacional para assegurar a tranqüilidade do Império, escanteando o Exército que participou, no Campo de Santana, no Rio de Janeiro, das manifestações a favor da deposição do imperador Pedro I.

Sabe-se, desde então, para não retrocedermos muito, da importância da Segurança Pública para a estabilidade dos negócios, tanto que a Regência foi sucedida pela relativa tranquilidade do Segundo Reinado, longo período de alternância no poder e posterior conciliação entre conservadores e liberais. A cafeicultura floresceu nessa época. A famosa frase positivista, Ordem e Progresso, cunhada no “Pendão da Esperança”, não foi à toa.

Milicias, como a Guarda Nacional, deram origem às polícias militares, no Brasil, que tiveram papel fundamental para garantir o poder dos coronéis, especialmente os mandões do Nordeste.

Em Terra Brasilis, os conservadores sempre andaram de mãos dadas com as milícias e, posteriormente, polícias militares.

Eles, seguramente, sabem muito sobre o súbito aumento da violência na Bahia.

Há mais coisas no ar do que simples aviões de carreira, nessa história de banditismo armado pelo interior.

Lampião é só um fantasma.

E fantasmas não metem medo.


Rosane Santana, jornalista, mestre em História pela UFBA, mora em Boston e se prepara para voltar ao Brasil )

jan
23
Posted on 23-01-2010
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 23-01-2010

UBALDO:VIGOROSO ANIVERSARIANTE

ROSANE SANTANA

BOSTON (EUA) – O escritor João Ubaldo Ribeiro está de volta a Bahia, ou melhor, a Itaparica, onde comemora hoje 69 anos, na casa que foi de seu avô Ubaldo Osório, onde nasceu, repetindo um ritual de anos. O intelectual celebrizado no Brasil e no exterior, através de romances como “Viva o Povo Brasileiro” e “Sargento Getúlio”, desferiu ontem, com a verve de sempre, contudentes críticas ao projeto de construção da ponte entre Salvador e Itaparica.

Em texto de extraordinário vigor, João Ubaldo volta a atacar a proposta do governo baiano, contra a qual se posicionou desde o ano passado, por considerá-la dispendiosa e economicamente inviável, além de uma ameaça a cultura local e ao meio ambiente. Ele acusa os idealizadores de “ávidos sacerdotes de mamon”, “filibusteiros do progresso que em nosso meio abundam, entre concorrências públicas fajutas, superfaturamentos, jogadas imobiliárias e desvios de verbas”.

Em homenagem ao aniversário daquele que é considerado um dos maiores escritores da língua portuguesa, Prêmio Camões 2008, Bahia em Pauta reproduz o artigo “Adeus Itaparica”, publicado originalmente em A TARDE.

( Rosane Santana, jornalista, mestre em História pela UFBA, mora em Boston há trêa anos, estuda em Harvard e arruma as malas para retornar à terrinha em fevereiro)
 

 

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João Ubaldo Ribeiro…

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…”Adeus, Itaparica do meu coração”

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O ARTIGO DE JOÃO UBALDO

Como todos os anos, vim a Itaparica, para passar meu aniversário em minha terrA, na casa onde nasci. Casa de meu avô, coronel Ubaldo Osório, que fez pouco mais na vida que amar e defender a ilha e seu povo.

De lá para cá, muito se tem perpetrado para destruí-los física ou culturalmente e há nova tentativa em curso. Trata-se da anunciada construção de uma ponte de Salvador para cá. Isso é qualificado, por seus idealizadores, de progresso.

Conheço esse progresso. É o progresso que acabou com o comércio local; que extinguiu os saveiros que faziam cabotagem no Recôncavo; que ao fim dos saveiros juntou o desaparecimento dos marinheiros, dos carpinas, dos fabricantes de velas e toda a economia em torno deles; que vem transformando as cidades brasileiras, inclusive e marcadamente Salvador, em agregados modernosos de condomínios e shoppings acuados pela violência criminosa que se alastra por onde quer que estejamos enfurnados, ilhas das quais só se sai de automóvel, entre avenidas áridas e desertas de gente.

Também conheço os argumentos farisaicos dos proponentes da ponte, ávidos sacerdotes de Mamon, autoungidos como empresários socialmente responsáveis. Na verdade, sabem os menos ingênuos, eles se baseiam em premissas inaceitáveis, tais como uma visão imediatista, materialista e comprometida irrestritamente não só com o capital especulativo, que já está pondo as mangas de fora no Recôncavo, como aquele que investe aqui usando os mesmos padrões aplicados em PagoPago ou na Jamaica. A cultura e a especificidade locais são violentadas e prostituídas e o progresso chega através do abastardamento de toda a verdadeira riqueza das populações assim atingidas.

As estatísticas são outro instrumento desses filibusteiros do progresso que em nosso meio abundam, entre concorrências públicas fajutas, superfaturamentos, jogadas imobiliárias e desvios de verbas. Mas essas estatísticas, mesmo quando fiéis aos dados coligidos, também padecem de pressupostos questionáveis. Trazem à mente o que alguém já disse sobre a estatística, definindo-a como a arte de torturar números até que eles confessem qualquer coisa. E confessarão, é claro, pois Mamon é forte e sempre esteve na crista da onda.

Mas não mostrarão que esse progresso é na verdade uma face de nosso atraso. Atraso que transmutará Itaparica num ponto de autopista, entre resorts, campos de golfe e condomínios de veranistas, uma patética Miami de pobre. E que, em lugar de valorizar o nosso turismo, padroniza-o e esteriliza-o, matando ao mesmo tempo, por economicamente inviável, toda a riqueza de nossa cultura e nossa História. Quem não é atrasado sabe disso.

Para não cometer esse tipo de atentado é que, em Paris, por exemplo, não se permite a abertura de shoppings onde isso possa ferir o comércio de rua tradicional. Tampouco, em Veneza, as gôndolas foram substituídas por modernas lanchas. Num país não submetido a esse estupro socioeconômico e cultural, os saveiros seriam subsidiados, as antigas profissões, o artesanato e o pequeno comércio também. Exercendo a vocação turística de toda a região, teríamos razão em nos mostrar com tanto orgulho quanto um europeu se mostra a nós. Mas nosso destino parece ser acentuar infinitamente a visão que enxerga em nós um país de drinques imitando jardins, danças primitivas, pouca roupa e nativas fáceis.

Adeus, Itaparica do meu coração, adeus, raízes que restarão somente num muro despencado ou outro, no gorgeio aflito de um sabiá sobrevivente, no adro de alguma igrejinha venerável por milagre preservada, na fala, daqui a pouco perdida, de meus conterrâneos da contracosta. Sei em que conta me terão os que querem a ponte e não têm como dizer que só estão mesmo é a fim de grana, venha ela de onde vier e como vier. Conheço os polissílabos altissonantes que empregam, sei da sintaxe americanalhada em que suas exposições são redigidas e provavelmente pensadas, como convém a bons colonizados, já ouvi todos os verbos terminados em “izar” com que julgam dar autoridade a seu discurso.

É bem possível que a ponte seja mesmo construída, mas, pelo menos, não traio meu velho avô.

JOÃO UBALDO RIBEIRO

jan
21

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ROSANE SANTANA

BOSTON (EUA) – O relógio marca 6:23 pm, mas já é noite fechada em Boston, desde as 4pm (4 da tarde). Na capital de Massachusetts o inverno é rigoroso.Troco os cabos da TV para assistir à Globo Internacional. E, por incrível que pareça, as notícias que vêem do país que o mundo acredita ser uma potência emergente, o Brasil, são chocantes. O Jornal da TV, mininoticiário antes do Jornal Nacional, anuncia o assassinato de uma mulher pelo ex-marido.

A mesma história de sempre: insatisfeito com a separação, o cidadão assassinou a mulher na frente das câmeras, dentro do salão de propriedade dela e na presença de clientes, depois de inúmeras ameacas feitas à vítima, que comunicou oito vezes à polícia, que não fez nada para evitar o crime, absolutamente nada, porque como explicou a delegada, a polícia não pode sair tomando providências por qualquer denúncia que chega. Deveria.

Desculpem os ufanistas de plantão, deslumbrados com essa história de Brasil potência. Mas muitos amazonas precisam passar por debaixo da ponte para esse país se tornar Primeiro Mundo. No quesito civilidade, que faz toda a diferença, tomamos de goleada.

Aqui nos Estados Unidos, por exemplo, seguramente, não haveria ameaça. Porque a um homem, seja ele quem for, não é dado o direito de ameaçar uma mulher ou abusar de uma mulher (vide Polanski), com um olhar que seja! E, se isso acontece, basta um telefonema à Polícia para que o indivíduo seja levado ao xadrez, imediatamente. Parece mentira, porque é simples, mas é verdade! Muitos homens de origem hispânica e brasileira costumam ser presos, obrigados a pagar idenização e até deportados, por violência contra a mulher, que vai de assédio até espancamento.

Aqui em Massachusetts, todas as vezes em que uma mulher vai ao médico, de qualquer especialidade, para uma primeira consulta, ou, em outra oportunidade, com sintomas de pressão alta ou stress, ela é interrogada a respeito de violência doméstica. Em caso de confissão, é o médico(a) quem toma a iniciativa de comunicar a polícia e o marido, companheiro, namorado, seja lá o que for, é preso. Se há fuga, o indivíduo é procurado e, dificilmente, escapa.

Recentemente, ouvi relato sobre um brasileiro que espancou a mulher e fugiu. Dois anos depois, ao tentar renovar a placa de seu automóvel, o que é obrigatório a cada dois anos, foi preso no local. Ao lançar o número da driver licence (carteira de motorista) no computador, o funcionário do órgão viu a ficha do cidadão e acionou a polícia. Ali mesmo ele foi preso, com um agravante por ter fugido.

Desculpem-me, amigos queridos, mas o homem latino vive na idade da pedra lascada. Até quando angelas diniz, sandras gomides, marias islaines, donas-de-casa, anônimas em geral, tantas, tantas mulheres serão abatidas como passarinho neste país?

Rosane Santana, jornalista, mestre em História pela UFBA, mora em Boston e estuda na Universidade de Harvard

jan
14

Game Change: grande procura

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ROSANE SANTANA

“Game Change”, livro de John Heilemann e Mark Halperin, sobre os bastidores das eleições americanas de 2008, recém-lançado, é best-seller nos Estados Unidos, pontuando a lista das editoras Amazon e Barnes&Nobel, segundo informações da National Public Radio (NPR), mas é também o mais difícil de encontrar.

Ainda fora de estoque, sua distribuição deverá estar regularizada no início da semana que vem, informa a NPR, quando se espera uma corrida frenética em busca do livro, que traz revelações sobre Obama, Hillary, Sarah Palin e John MaCcain no auge da campanha. Algumas delas já circulam em blogs e Tvs como a resposta de Hillary ao convite de Obama para ocupar a Secretaria de Estado, em que a senadora teria advertido o presidente sobre a possibilidade de o marido dela, Bill Cliton, criar problemas futuros para ele, que topou, assim mesmo, a parada.

Rosane Santana, jornalista, mora em Boston (EUA) e estuda em Harvard

jan
14
Posted on 14-01-2010
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 14-01-2010

Zilda Arns na Câmara de Salvador

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A médica pediatra e sanitarista Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, que está entre as vítimas do terromoto no Haiti, é cidadã de Salvador, por iniciativa do ex-vereador e presidente da Fundação João Fernandes da Cunha, Silvoney Sales.O Projeto de Resolução 16/2001, de homenagem a fundadora da Pastoral da Criança, foi aprovado em 19 de
junho de 2001 e a entrega do título aconteceu três meses depois, no dia 24 de agosto.

Católico praticante com estreitas ligações com algumas dioceses da capital, Silvoney, que também é médico, referiu-se à Zilda como “uma pessoa que praticava as três maiores virtudes citadas pelo apóstolo Paulo na Carta aos Coríntios: “a fé, a caridade e o amor”.

(Rosane Santana é jornalista, mora em Boston (EUA) e estuda na Universidade de Harvard.

jan
02
Posted on 02-01-2010
Filed Under (Artigos, Rosane) by Margarida on 02-01-2010

Rosane Santana

BOSTON_O envolvimento da rede terrorista Al Qaeda no atentato frustrado ao vôo 253 da Northwest Airlines foi admitido, pela primeira vez, pelo presela primeira vez pelo presidente Barack Obama em seu programa de rádio, neste sábado, segundo a edição online do The New York Times. O mais influente jornal americano informou que, pela terceira vez, desde o episódio ocorrido no dia de Natal, enquanto o avião sobrevoava a cidade de Detroit, Obama é instado publicamente a dar explicações, durante férias de 10 dias em Honolulu.

De acordo com The New York Times, Obama também rebateu as críticas dos republicanos, como o ex-vice-presidente Dick Cheney e outros, que o acusam de “não reconhecer que a luta contra o terrorismo é uma guerra”. Obama disse que ele estava bem consciente de que “a nossa nação está em guerra contra uma rede de longo alcance da violência e do ódio.” Obama declarou ter recebido relatórios preliminares sobre o incidente, mas não deu mais detalhes sobre como o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, de 23 anos, vinculado a extremistas religiosos, já conhecido pelos serviços de inteligência, foi autorizado a embarcar em um vôo para os Estados Unidos com explosivos em suas roupas íntimas.

COMENTÁRIO: Com um índice de popularidade abaixo dos 50%, segundo institutos de pesquisa americanos, Barack Obama não poderia ter recebido um presente de Natal pior do que esse atentado terrorista, frustrado por acaso. O episódio aponta para falhas graves do sistema de segurança aérea, reacende o debate contra o fechamento da prisão de Guatánamo, pois há informações de que ex-detentos o planejaram, e derruba ainda mais a popularidade do presidente americano que, inexperiente e acuado, em minha opinião, optará por medidas cada dias mais conservadoras.

Os republicanos agradecem.

Rosane Santana, jornalista, mora em  Boston (EUA)

dez
28

Umar Farouk:furou todos os bloqueios/NYT
Farouk
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ROSANE SANTANA

BOSTON (EUA) – A repercussão do atentado frustrado contra um avião da Noryhwest Airlines, vindo de Amsterdã, enquano sobrevoava Detroit, no Dia de Natal , obrigou o presidente Barack Obama a uma pausa em suas férias, no Hawai, segunda-feira, 28, para acalmar os ânimos dos americanos, amedrontados com a possibilidade de um novo ataque terrorista. O presidente determinou uma completa revisão nas normas de segurança dos EUA, mais uma vez postas em xeque.

“O povo americano deve ter certeza de que estamos a fazer tudo em nosso poder para manter você e sua família segura e protegida durante os feriados”, disse Barack Obama, segundo noticiou a edição online do jornal The New York Times na noite de segunda-feira, 28. Os aeroportos registraram filas enormes e os passageiros foram submetidos a mais medidas restritivas.

Muita gente se pergunta, como o autor do atentato, o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, 23 anos, que figurava na lista de suspeitos de terrorismo do FBI, conseguiu embarcar na aeronave, a serviço da Al Qaeda, que reivindicou a autoria do crime.

A sociedade americana tem levado ao extremo a filosofia do politicamente correto, sobretudo em relação aos negros, a tal ponto que a cor da pele virou espécie de salvo-conduto e ninguém, absolutamente ninguém, nas relações sociais, ousa contrariar ou até mesmo contestar um cidadão, cujo fenótipo cor da pele demonstre ascendência africana, mesmo se este é flagrado em situação de afronta à cidadania. Principalmente, se do lado oposto está um branco de olhos azuis. Com a eleição de Barack Obama, um afro-americano, para a presidência da República, a situação se agravou.

Há um acordo tácito nesse sentido, sempre confessado à boca pequena, quando alguém se vê no centro de um embróglio envolvendo negros, temendo ser acusado de discriminação racial, numa sociedade onde os Direitos Civis são levados a sério, a Justiça é rigorosa e célere, e os africanos e seus descendentes são sempre vitimizados.

Esse comportamento, em minha opinião, pode explicar como o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, 23, passou fácil pela segurança e quase explodiu uma aeronave da Northwest Airlines, trazendo pânico à sociedade americana e a passageiros de todo o mundo, além de colocar em xeque a segurança da maior potência militar do Planeta.

Rosane Santana, jornalista baiana, mestre em História pela UFBA, mora em Boston e estuda na Universidade de Harvard)

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