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Posted on 05-08-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-08-2020


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Jornal de charges – O melhor do humor gráfico brasileiro na Internet – ano XXIII – 3ª- feira 04/08/2020

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Aroeira, NO PORTAL 247 Brasil

 DO CORREIO BRAZILIENSE

Saiba quem foi Alfredo Stroessner, ditador paraguaio elogiado por Bolsonaro e enterrado em Brasília, que será exumado por decisão da Justiça


JF Jaqueline Fonseca

 
(foto: Wanderlei Pozzembom/CB/D.A Press)
(foto: Wanderlei Pozzembom/CB/D.A Press)

Mais de duas semanas após a publicação da decisão que determina a exumação do corpo de Alfredo Stroessner, a Campo da Esperança Serviços, empresa responsável pela administração dos cemitérios da capital, ainda não foi notificada. A Subsecretaria de Imprensa do Distrito Federal disse que a Secretaria de Justiça do Distrito Federal, responsável pelos assuntos funerários, também não foi acionada e que a Polícia Civil, que é o órgão que fará a exumação do corpo, não vai se manifestar porque o caso está em segredo de justiça.

A exumação foi determinada pela 2ª Vara da Família do Distrito Federal, a pedido de um homem que alega ser filho do ditador paraguaio, em ação que corre sob sigilo. O Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT) disse que não comenta o caso por este motivo. O advogado Ricardo Oliveira, que representa o possível filho de Stroessner, foi procurado mas não atendeu nem retornou o contato do Correio.
 Quem foi Alfredo Stroessener
Alfredo Stroessner foi um dos mais cruéis líderes políticos que existiu nas Américas. O general foi presidente do Paraguai por 35 anos e responsável pela mais longa ditadura da região, conforme explica o professor do Departamento de Direito da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Marcus Vinicius Xavier. “Stroessner foi o mais longevo ditador militar na América do Sul. Seu governo começa em 1954 e se estendeu até 1989, quando ele foi apeado do poder por manifestações populares, ao lado de muitas outras circunstâncias, em especial uma grave crise econômica, levaram a seu sogro, o Gal. Andrés Rodrigues, a dar um golpe de estado”, afirma.
 
A derrocada de Stroessner é marcada por um reviravolta que incluía, além de contornos militares, questões familiares. “Resultou de um golpe de Estado dado pelo general Andrés Rodríguez, sogro do filho de Stroessner que também chamava-se Alfredo e era oficial da Força Aérea. O velho ditador preparava esse seu filho para sucedê-lo no poder, entrando em conflito com lideranças tradicionais do Partido Colorado que apoiaram Rodríguez no golpe contra o seu protetor, Stroessner”, explica o professor de História da América da Universidade de Brasília (UnB) Francisco Doratioto ao Correio.
 
 O opositor ganhou força e apoio, após 35 anos de Stronato, período como ficou conhecida a ditadura de Stroessner. Anos marcados por violência, estupros, violação de vários direitos adquiridos, desaparecimento de pessoas, especialmente meninas de menores de 15 anos. O ex-presidente do Paraguai foi responsabilizado pelo estupro e rapto de milhares meninas. “Stroesenner foi acusado de ser uma estuprador em série de meninas entre os 11 e os 15 anos. Seus oficiais sequestram meninas em comunidades pobres e levavam para sua fazenda, onde eram estupradas por ele e sua trupe”, detalha o professor Marcus Vinicius Xavier.
 
Algumas das violências cometidas pelo ex-presidente do Paraguai viraram obras como o livro Uma Rosa e Mil Soldados, de Julia Ozorio Gamechoe, que aos 13 anos foi tirada de sua casa pelos militares para virar escrava sexual de Stroessner.
 
Além de rapto e estupro, o ditador foi acusado de violar de vários direitos humanos. “O caso mais famoso foi a descoberta, em 1992, dos chamados “arquivos do terror”. Conjunto de documentos encontrados numa delegacia da periferia de Assunção e que comprovaram a existência da Operação Condor, liderada pelo Chile de Pinochet e envolvendo os países do Cone Sul”, pontua a historiadora e professora da Faculdade de Ciência da Informação da UnB Georgete Medleg Rodrigues. Os documentos provam também que o regime de Stroessner torturou, estuprou e matou utilizando a estrutura governamental.
 
Diante de tal histórico, Alfredo Stroessner não poderia construir um legado positivo ao país que presidiu. O professor de análises e cenários futuros da Fundação Dom Cabral e CEO da Consultoria Dharma, Creomar de Souza, explica que o ditador se manteve na presidência do Paraguai fraudando as eleições. “Durante esse tempo, em termos de política interna, foi um centralizador, um autocrata, que criou mecanismos ficcionais de perpetuação no poder, não dá nem para dizer que ele criou um arranjo que fosse minimamente democrático. Ele fraudou eleições e se utilizou de seu partido, Partido Colorado para se perpetuar no poder. O legado dele em termos de Paraguai não envolve uma melhoria significativa em termos de qualidade de vida da população, muito ao contrário, havia uma enorme preocupação para que os membros do regime fossem beneficiados pelas decisões dele e isso não envolvia melhoria para a população como um todo.”
 
Depois de ser deposto, Alfredo Stroessner fugiu do Paraguai e buscou exílio para que pudesse viver sem pagar pelos crimes que cometeu. As boas relações dele com o Brasil, fortalecidas especialmente com a construção da usina de Itaipu, ajudaram a escolher o destino.

Porque o Brasil ?

Enquanto líder do Paraguai, Alfredo Stroessner manteve aquele país próximo ao governo brasileiro. Foi sob seu comando que os dois países se uniram para a construção da hidrelétrica binacional de Itaipu — que até os dias atuais é uma das maiores geradoras de energia no mundo — conforme explica o professor de história da América da Universidade de Brasília (UnB) Francisco Doratioto. “Desde que ascendeu ao poder no Paraguai, em 1954, ele distanciou o seu país da Argentina e aproximou-o do Brasil, que o apoiou. A construção da represa hidrelétrica de Itaipu nas décadas de 1970 e 1980 foi a maior realização nas relações bilaterais e dinamizou a economia paraguaia, até então modesta. Com isso, ele criou fortes relações com políticos e militares brasileiros e sempre vinha a nosso país, participar de feira de gado em Minas Gerais e para outras atividades.”
 
A proximidade de Stroessner com o Brasil fez com que após o fim de sua ditadura, ele viesse para cá. Ao ditador, foi dado asilo político. À época, o país era presidido por José Sarney, com quem o Stroessner tinha uma relação amigável.“O recurso ao pedido de asilo político no Brasil era natural e o governo Sarney concedeu-o por ser uma tradição do Direito interamericano e também por tratar-se de um aliado no jogo geopolítico regional”, frisou Doratioto.
 
O acolhimento oferecido a Stroessner ajudou a manter as boas relações entre o Brasil e o Paraguai, como complementa o cientista político Paulo Kramer. “O Paraguai, em razão da história e da geografia, sempre foi uma prioridade para as políticas externa e de segurança nacional brasileiras. A construção de Itaipu só fez aumentar essa importância. O governo Sarney atendeu rapidamente ao pedido de asilo de Stroessner para evitar o prolongamento de uma crise nesse importante e sensível vizinho, o que deixaria preocupados militares e diplomatas, sobretudo por conta da dependência do parque industrial da Região Sudeste em face da energia elétrica de Itaipu.”
 
O professor de análises e cenários futuros Creomar de Souza comenta que o exílio no Brasil garantiu que Stroessener pudesse manter uma vida tranquila, longe das acusações que pesavam sobre ele. “Aqui ele consegue ser aceito para viver e não sofrer nenhum tipo de processo ou algo do gênero e parece ter uma vida que em determinado sentido é bastante reclusa até o fim.”
 
Quem critica a recepção brasileira ao ditador é o coordenador da Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (Anced) Djalma Costa. “Enquanto brasileiro e cidadão e militante das causas da infância e da adolescência, eu lamento muito que este homem tenha encontrado guarida no Brasil e tenha passado o resto da sua vida aqui neste país. O levantamento que se tem hoje de 1,6 mil vítimas de Stroessner não é algo que podemos afirmar. Imaginamos que pode ser muito maior o número de vítimas que ele fez. Stroessner devastou sua própria sociedade, seu próprio país para se manter no poder.”
 
Djalma pontua que, à época, a situação causou desconforto na sociedade brasileira, que também estava se despedindo recentemente de um regime anti-democrático. “A estadia dele não era tranquila para um país que estava saindo de uma ditadura militar. E como ele foi expulso de seu país, então, isso também não era tranquilo na sociedade brasileira, portanto não se registra o que ele está fazendo e como ele está fazendo. Ele ficou esquecido. Tanto é que, depois de 1989, quando ele chegou aqui, só vai se lembrar dele quando ele morre, em 2006. Ninguém nunca lembrou que ele estava aqui.”
 
Stroessner era casado e teve três filhos com a esposa Eligia Morato. No entanto, notadamente, o ditador teve várias amantes. No dia seu velório, em 17 de setembro de 2006, compareceram duas mulheres chamadas Estela e Tereza, que seriam filhas de María Estela com Stroessner. Maria é uma das famosas amantes de Stroessner, que se destacou ainda mais após lançar uma obra sobre seu romance com o ditador. O livro, Mi Vida con el Presidente Stroessner, foi lançado em 2008 e não tem tradução para o português.
 
Outra amante que se mostra importante na história do ditador, mesmo após sua morte, é Michele Fleitas. O noticiário paraguaio publicou em 2016 que esta amante, mãe de Verônica, Gisela e Enrique, começava a mover uma ação na Justiça para resgatar uma herança de aproximadamente 20 milhões de dólares para ela e seus filhos. O caso de Michele com o ditador teria começado nos anos 1970, antes mesmo deve vir para Brasil.
 
 
“Stroessner era extremamente discreto e cumpria as condições exigidas de um asilado político: abster-se de atividades políticas. Ele foi, digamos, um asilado político exemplar e viveu recluso com seu filho Alfredo, durante os anos em que viveu em Brasília. Comenta-se que saía de casa somente para tomar sol perto do Lago Paranoá e que gostava de assistir ao Show da Xuxa”, revelou o professor Francisco Doratioto.
 
A esposa de Stroessner morreu seis meses antes do ditador, no Paraguai. Stroessner morreu aos 93 anos em 16 de agosto de 2006 pesando 45 quilos depois de dois dias entubados em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular de Brasília. Ele teve uma parada séptica após sofrer complicações de uma cirurgia de hérnia.
 
O corpo de Stroessner foi enterrado em cerimônia com sem a presença de autoridades políticas brasileiras e com poucos amigos e parentes. Ao ditador foi oferecido uma sepultado na ala de autoridades, no Cemitério Campo da Esperança. À época a família cogitou enterrar Stroessner no Paraguai, junto com a esposa, mas houve manifestações contrárias, inclusive do presidente que informou que não daria ao ex ditador honras de estado devido ao grave
 
Em entrevista ao Correio Braziliense após a morte do ditador, Gustavo Alfredo Domínguez Stroessner, conhecido como Goli, disse que avô morreu sentindo falta do Paraguai e nunca mudou suas convicções.  “Ele nunca se arrependeu de nada. Atuou num momento em que o mundo era diferente, havia a Guerra Fria e ele teve de governar como mandava a política mundial”, afirmou ao Correio o neto Alfredo “Goli” Stroessner (em 2006).
 
No dia do enterro de Stroessner, seu neto Goli exaltou o Stronato e reconheceu a trajetória do avô. “Levamos teu nome com orgulho, seguiremos teu caminho, seguiremos sempre teu exemplo de patriotismo”, disse enquanto baixava o caixão coberto com as bandeiras do Paraguai e do Partido Colorado.
 
Em que pese o elogio ter vindo do neto, a figura de Stroessner inspira confiança a outros líderes políticos. No dia de sua morte, a sessão da Câmara dos Deputados do Paraguai teve que ser suspensa após uma confusão que começou em um pedido de homenagem ao ditador. O então deputado Juan Vicente Ramírez propôs um minuto de silêncio pela morte do general, mas os opositores deixaram o local.
 
O professor Creomar de Souza destaca que os países da América Latina ainda não têm o distanciamento temporário necessário para avaliar as ditaduras aqui instaladas. “Sem sombra de dúvidas ele deixa um legado bastante controverso no Paraguai. E se some a isso ao ambiente da américa latina que ainda não conseguiu fazer uma leitura exata ainda – a maioria dos países – uma leitura exata e sem paixões desse período autoritário.”
 Em fevereiro deste ano, a figura de Alfredo Stroessner foi exaltada pelo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. Durante evento de posse da nova diretoria de Itaipu, Bolsonaro disse que o empreendimento só deu certo “porque do outro lado havia um homem com visão, um estadista que sabia perfeitamente que seu país, o Paraguai, só poderia continuar progredindo se tivesse energia. Então, aqui está minha homenagem ao nosso general Alfredo Stroessner”.

 

Por G1 BA


Esposa comenta perda repentina de Jorge Portugal; enterro acontece nesta terça-feira

Esposa comenta perda repentina de Jorge Portugal; enterro acontece nesta terça-feira

A manhã desta terça-feira (4) foi marcada por despedidas e homenagens ao educador, compositor e escritor Jorge Portugal, que morreu na noite de segunda (3), em Salvador. O corpo dele foi levado para a cidade natal, Santo Amaro, no recôncavo baiano, onde será sepultado nesta tarde.

Jorge Portugal tinha 63 anos. Ele foi internado na tarde de segunda no Hospital Geral Roberto Santos, depois de passar mal em casa. À caminho da unidade de saúde, o professor sofreu paradas cardiorrespiratórias e chegou a ser estabilizado, mas não resistiu e morreu horas depois.

O corpo do professor foi velado pela família e amigos em Santo Amaro. A esposa dele, Rita Vieira Portugal, falou sobre a perda repentina.

“Muito difícil. Eu chamava ele de ‘meu menino’ e foi uma perda que ninguém esperava. Foi muito difícil e está sendo muito difícil para mim, Caetano e Bárbara [filhos do casal]. Jorge é uma das pessoas mais lindas que eu conheci. Meu parceiro, amigo, pai dos meus filhos, companheiro, parceiro de café, de almoço, de jantar, de sentar na varanda. Dos projetos todos: ‘Aprovado’, ‘Tô sabendo’, ‘Professor na estrada’, ‘Circulador Cultural'”, destacou ela.

“Uma vida juntos. Uma perda dessa a gente não tem muito o que falar, não tem palavras”, – Rita Portugal.

 

Durante a manhã, um dos três filhos de Jorge Portugal, o sociólogo Caetano Ignácio, falou que o educador teve cinco paradas cardíacas, enquanto estava a caminho do hospital.

Rita disse que Portugal havia colocado um aparelho de marca-passo no início do ano, porque estava com problemas no coração e insuficiência cardíaca.

“Ele colocou o CDI 26 de janeiro, que é o marca-passo. Ele estava com o coração enfraquecido, com insuficiência cardíaca. E aí depois dessa pandemia, ele não pôde dar aulas. Ele ficou em casa e isso foi entristecendo ele cada vez mais. Portugal era um homem das palavras, era um homem que gostava de dar aula onde fosse. Não precisava pagar, só era chamar e ele ia com prazer. No [Colégio] Lomanto [Jr.], no Cabula, em todas as escolas públicas, ele era presente”.

“Como dizia minha comadre Canô: ‘Chamou, o professor estava lá’. A Bahia perde um grande homem de alma nobre, um grande educador. Um inventor de culturas, porque Portugal criou muitas culturas. A Bahia perde um grande filho, que só se vê na Bahia” – Rita Portugal.

Homenagens

Jorge Portugal — Foto: Reprodução Facebook Jorge Portugal

Jorge Portugal — Foto: Reprodução Facebook Jorge Portugal

Além dos familiares, grandes amigos de Portugal, como Maria Bethânia, Caetano Veloso, Raimundo Sodré, Sérgio Siqueira e Jota Velloso prestaram homenagens. Artistas como Lázaro Ramos, Lazzo Matumbi e Margareth Menezes também deixaram mensagens de pesar e falaram sobre a importância do educador para a cultura da Bahia. Veja depoimentos:

Maria Bethânia, amiga, cantora e compositora: “Estou muito triste com a morte de Jorge. Inesperada. Tão moço, no auge da sua poesia. Um educador de qualidade, um rapaz encantado com a vida. A música não vai esquecê-lo e sempre será grata pelos poemas que entregou a seus parceiros. Lindos, alegres poemas. Sentidos, comovidos e comoventes. Chorei quando soube de sua morte. Meu amigo confiou à minha voz tantas palavras boas. A primeira música que gravei dele foi ‘Filosofia pura’, e convidei a Gal Costa para fazer comigo. Gravei a pedido do meu pai, santamarense apaixonado e orgulhoso dos seus poetas e amigos. Dentre tantas canções, com seus poemas que cantei, aquele que anda mais perto por agora de mim é o ‘Vila do adeus’. Que o espírito dele encontre a luz o conforto no sagrado coração de Jesus e de Maria, nossa mãe da purificação. É uma perda imensa para o Brasil e para cada um de nós, seus amigos”.

Caetano Veloso, amigo, cantor e compositor: “Jorge Portugal era meu vizinho em Santo Amaro. Eu ja? era adulto e ele ainda menino. Sempre mostrou capacidade intelectual. Nas conversas santamarenses e, depois, como professor de portugue?s em Salvador. Tornou-se tambe?m um letrista de muito alto ni?vel, principalmente em parcerias com Roberto Mendes. Chegou a ser secreta?rio de cultura do estado da Bahia. Apresentou programas relativos a li?ngua e cultura na TV e no ra?dio baianos. Uma mente e uma sensibilidade ti?pica do Reco?ncavo. Tenho orgulho dele. Estamos todos com saudade do seu papo e das suas ideias”.

Margareth Menezes, amiga, cantora e compositora: “Partiu, Jorge Portugal, um amigo querido nos disse adeus. Alma nobre da Bahia. Suas letras e poesias retratam o que temos de mais genui?no. Um gigante na danc?a das palavras e um menino baiano de sorriso largo que sempre nos dava um abrac?o corac?a?o. Tive a honra de gravar algumas canc?o?es com letras suas e uma parceira que me deu imensa alegria pela sua generosidade. Sa?bado passado voce? me mandou um beijo e eu lhe retribui com palavras de forc?a e fe?. Que as palavras que eu lhe falei continue vibrando no seu ser e, para mim, sua memo?ria sempre sera? no lugar de um dos maiores compositores da nossa gerac?a?o, amigo irmão. Obrigada, professor por tantas boas lic?o?es nas canc?o?es, por tantas imagens e mensagens deixadas pra nós. Apesar de tanto na?o, tanta dor que nos invade, somos no?s a ‘Alegria da Cidade’. Voa poeta, vai com Deus”.

 

Lázaro Ramos, amigo e ator: “E eis que se foi mais um dos nossos grandes, professor Jorge Portugal. A tristeza cala fundo hoje. Suas aulas na TV sempre foram uma inspiração. Tanta paixão que ele mostrava pelo saber que a gente não tinha outra opção a não ser se apaixonar também. E ele dizia: “Quanto mais a gente ensina, mais aprende o que ensinou”. Obrigado Jorge, pela alegria que oferecia a cada encontro. Obrigado por também ser poeta e letrista de canções tão emblemáticas. E obrigado pelas mensagens de incentivo que você sempre me mandava. Me despeço com uma de suas canções. Bom descanso poeta”.

Lazzo Matumbi, amigo, cantor e compositor: “Pois a vida é exatamente assim: quando menos imaginamos, ela vem e nos arrebata. Com a mesma velocidade que nos traz a Alegria, nos remete à tristeza, deixando um vazio no coração e a interrogação do por quê. Só sei que a poesia está de luto e a alegria, sem o poeta da cidade, que parte sem dizer adeus. Mas na certeza que, do Orum, escreverá versos memoráveis que jamais serão esquecidos. Descanse em paz, parceiro Jorge. Axé sempre”.

Roberto Mendes, amigo e compositor: “A palavra para Jorge era muito fácil. A palavra o adotou, gostava dele. Fazer música com Jorge era fácil. Ele contava às pessoas que começou a tocar violão e parou de tocar por minha causa. Eu costumo dizer que tentei às vezes escrever algumas coisas, mas nunca escrevi nada para ficar perto de Jorge. Nós somos dois em um e a parceria é isso: amizade, afeto, carinho. Continuamos junto até hoje, a gente não vai se separar nunca. Jorge sou eu”.

Raimundo Sodré, amigo, cantor e compositor: “Espero em Deus que ele esteja em um bom lugar e eu sei que está. Estará ele, Aldir Blanc, Riachão e tanta gente maravilhosa. Portugal era um compositor que está aqui guardado no meu coração e está no coração de tantos brasileiros”.

 

Jota Velloso, amigo, cantor e compositor: “Eu tive a sorte de conviver e na realidade, apesar de eu ter nascido em família de artistas, a coisa de eu ter me tornado compositor foi a convivência com ele e com Roberto Mendes. Então, esse presente eles quem me deram”.

Clarindo Silva, amigo e agitador cultural: “Figura ímpar da nossa cultura, da nossa arte. Compositor, escritor, amigo. Deixa uma saudade enorme essa figura, que nas ruas do Pelourinho a gente parava para bater papo. Nas grandes entrevistas, nas grandes aulas, você, Jorge Portugal, deixa um vazio extraordinário para todos aqueles que lhe conheceram, que lhe apreciaram e que assistiram suas aulas. Deixo o grande abraço para os seus familiares e peço a Deus que ilumine seu espírito. Eu costumo dizer que a morte destrói a matéria, mas constrói a eternidade. Você será eterno em nossos corações”.

João Gomes, ex-colega de trabalho: “Jorge é um dos seres humanos mais completos que eu já conheci, do ponto de vista intelectual. Poeta, compositor, apresentador, orador de uma capacidade imensa. Deixa uma obra extremamente valorosa para a Bahia e para os baianos”.

Mira Silva, amiga, ex-colega de trabalho e jornalista: “A gente precisa falar de sua grandeza, do quanto você foi especial na vida de tanta gente, de tantos garotos, de tantas garotas, que acordavam todos os sábados pela manhã para assistir pela manhã as aulas magníficas do professor Jorge Portugal. Você fez a diferença na vida de muitas pessoas, tenha certeza disso”.

Paulo Sobral, amigo e ex-colega de trabalho: “Um ser humano fantástico, um ser humano de grandes e múltiplos talentos. Grande parceiro de grandes projetos. Fica uma saudade muito grande e a certeza de que Jorge Portugal passou por essa vida e deixou legados maravilhosos. Fica com Deus, meu amigo”.

Sérgio Siqueira, amigo e ex-colega de trabalho: “A Bahia perde um grande professor, um grande poeta. Jorge levava a poesia na alma. Pedra pisada de preto, luso bantu sudanesa. Precipício de beleza, reconvexa alegria. Ímã de toda utopia, rima de toda riqueza. Tudo isso, com certeza, só se vê na Bahia. Descanse em paz poeta”.

Jorge Portugal, o mestre

Nascido em 1956, na cidade de Santo Amaro, no recôncavo da Bahia, Jorge Portugal completaria 64 anos na quarta-feira (5). Formado em Letras pela Universidade Federal da Bahia, ele foi um educador, poeta, letrista e compositor brasileiro que marcou gerações.

O educador ficou conhecido por obras voltadas para estudos universitários, como o livro “Redação é assim”, adotado por cursos pré-vestibulares de Salvador. Sempre sorridente, Portugal se consolidou como apresentador de televisão ao liderar por nove anos “Aprovado”, programa educativo voltado para estudantes universitários na TV Bahia.

Jorge Portugal na cidade de Santo Amaro — Foto: Reprodução / Redes Sociais

Jorge Portugal na cidade de Santo Amaro — Foto: Reprodução / Redes Sociais

Entre as letras de sucesso compostas por Jorge Portugal está “Só se vê na Bahia”, escrita em parceria com Roberto Mendes e outras composições, que ficaram marcadas nas vozes de Gal Costa, Maria Bethânia e Elba Ramalho, como “Vida vã”, “Filosofia pura” e “A massa”.

Em 2015, Portugal foi nomeado secretário de Cultura da Bahia, onde ficou até 2017. Jorge Portugal deixa esposa, Rita Vieira, e três filhos, o sociólogo Caetano Ignácio, a atriz Bárbara Bela e o jornalista Thiago Dantas.

Coluna - J. R. Guzzo - Estadão
 
ARTIGO
MISTURA GROSSA
J. R. Guzzo
 
O Ministério Público, pelo que está escrito na lei brasileira, é pago para agir na acusação contra delinquentes e para representar o interesse público quando entender que ele esteja sendo contrariado; seu papel é ficar contra os criminosos. Da mesma maneira, cabe aos advogados agir na defesa de quem é acusado pelo MP; seu papel é ficar a favor dos clientes. O primeiro tem de procurar a condenação. Os segundos têm de procurar a absolvição. Mas isso aqui é o Brasil, e no sistema de Justiça do Brasil quase nada funciona como determinam a lógica, a decência e as próprias leis.
Temos, assim, que o MP, segundo a postura pública de seu funcionário mais alto, o procurador-geral da República, se coloca contra quem faz as denúncias e a favor de quem é denunciado – ou, pelo menos, é assim quando se trata de combate à corrupção. Na sua visão de justiça, exposta pela última vez numa palestra eletrônica que fez nesta semana, o dr. Augusto Aras nos informou que o grande problema da corrupção no Brasil não são os corruptos que durante anos a fio transformaram a administração pública em sua propriedade privada. O problema, diz ele, é a Lava Jato.
É realmente um espanto, mesmo para um país em que os marechais de campo da Justiça são esses que há por aí. Acredite se quiser, o PGR lançou o seu manifesto contra a maior e mais bem-sucedida operação de combate à corrupção jamais feita nos 520 anos de história do Brasil numa emissão fechada de imagem e som para cerca de 300 advogados criminalistas – em grande parte sócios de bancas milionárias e com clientes, ainda mais milionários, atolados na Lava Jato sob acusações de ladroagem em primeiro grau.
Como assim? Numa de suas mais conhecidas lições de ética, um antigo e afamado criminoso do Rio de Janeiro já ensinava: “Bandido é bandido, polícia é polícia”. Então: procurador é procurador, advogado é advogado. O lugar onde eles têm de se falar é no fórum, diante do juiz – só lá. Se não for assim, e durante o tempo todo, vira uma mistura grossa com a pior cara possível.
A Lava Jato foi, possivelmente, o mais precioso momento já vivido pela Justiça deste país na execução do que deve ser a sua tarefa superior – fazer justiça. Num país classicamente desgraçado pela corrupção sem limite e pela impunidade quase absoluta dos ladrões, a operação colocou na cadeia 300 dos mais perigosos, bilionários e influentes corruptos que já atuaram entre o Oiapoque e o Chuí ao longo da história nacional.
Fez os criminosos devolverem bilhões ao erário. Liquidou uma praga que se imaginava invencível – as empreiteiras de obras públicas, que desde então pararam de governar o Brasil. (Querem voltar, é claro; mas aí já são outros quinhentos.) Levou para a prisão um ex-presidente da República, tido como homem mais poderoso e intocável do País. Pois é: o PGR acha que tudo isso está errado.
Aras acusa os procuradores do seu próprio MP das piores coisas – insinua, inclusive, chantagem e extorsão –, mas não foi capaz de apontar, objetivamente e com o apoio de fatos, um único delito cometido por eles.
Fica escandalizado por haver na Lava Jato informações sobre “38 mil” pessoas, que “ninguém sabe como foram colhidas”. E daí? Com a quantidade de ladrão que há neste país, poderiam ser 380 mil. E, se não sabe, deveria saber; problema dele. É um despropósito. Os atos do MP e os do juiz Sérgio Moro – que, como magistrado, vale uns 150 Aras – estiveram o tempo todo sujeitos ao exame dos tribunais superiores. E, se houve erros, por que diabo a Corregedoria do próprio MP jamais foi atrás deles?
O problema não é o que a Lava Jato fez. É o que o PGR está fazendo

“Só um beijo”, Luiza e Salvador Sobral: Vai dedicada a Abigail, a mana querida, neste 4 de agosto de seu aniversário, a belíssima canção composta e cantada em dupla pelos irmãos e grandes artistas portugueses, Luiza e Salvador Sobral. Um canto transcendente, além do tempo sombrio de isolamento que atravessamos, e fica no ar à espera de dias melhores. Que virão e então poderemos festejar, outra vez , outra data igual a esta, com os beijos de grande afeto, louvores e agradecimentos à fraterna e convivência, além de cantar aquela músicas antigas que fazem a gente chorar. De felicidade (como no ano passado). Parabéns, Biga!!!

(Hugo e Margarida)

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  Já te pedi, até insisti para não chegares perto… perto de mim Que é melhor assim que algo incerto E eu não sou de grandes paixões quebrar corações não é para mim… prefiro evitar no meu canto ficar É melhor assim. Mas tu não me quiseste ouvir voltaste a insistir a chegar perto assim Egoísta ruim! Sei que foi só um beijo, mas não foi só um beijo… pra mim (Salvador) No instante em que te vi deixei de procurar, não tinha mais sentido. Se aquilo que buscava e sem saber sonhava era contigo E desde logo, ignorei o teu pedido pois o que dizia a tua boca era pelos olhos desmentido Investi sem hesitar Nunca quis nada tanto assim Tudo fiz por um beijo mas não foi só um beijo… pra mim Já te pedi (no instante em que te vi) Até insisti (deixei de procurar) para não chegares perto (não tinha mais sentido) Perto de mim (se aquilo que buscava) É melhor assim, que algo (e sem saber sonhava) incerto (era contigo) E eu não sou de grandes paixões (e desde logo) quebrar corações não é para mim (ignorei o teu pedido) prefiro evitar, no meu canto ficar (pois o que dizia a tua boca) é melhor assim, mas tu (era pelos olhos desmentido) não me quiseste ouvir, voltaste a insistir (investi sem hesitar) a chegar perto assim (nunca quis) Egoísta ruim! (nada tanto assim) Sei que foi só um beijo (tudo fiz por um beijo) mas não foi só um beijo (mas não foi só um beijo) pra mim (pra mim) ?

 
 

 

 
 
 

 

 

 

 DO CORREIO BRAZILIENSE

A partir de ontem, 3, estão valendo as regras da Portaria nº 244 e da Instrução Normativa nº 45, publicadas em 17 de junho de 2020 no Diário Oficial da União (DOU), que fez uma revisão de legislação para permitir o uso de novas tecnologias de verificação à distância 

De acordo com o Ministério da Economia, os normativos simplificam a prova de vida para mais de 700 mil aposentados e pensionistas da União que recebem os benefícios pelo Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos (Siape). As medidas se aplicam também a anistiados políticos civis e seus pensionistas inclusos na Lei 10.559 de 13 de novembro de 2002.

As novas tecnologias permitem a comprovação de vida por biometria em aplicativos mobile e em terminais de autoatendimento bancário. Isso permitirá que os beneficiários, ainda que estejam no exterior, sem condições de deslocamento ou mesmo sem um local próximo para a prova anual de vida, possam ter acesso ao serviço a qualquer hora e em qualquer lugar.

Segundo o secretário de Gestão e Desempenho de Pessoal do Ministério da Economia, Wagner Lenhart, “mais uma vez, o governo federal mostra sua preocupação em facilitar a vida do cidadão e digitalizar a maior quantidade possível de serviços. A transformação digital veio para ficar e desde janeiro do ano passado, o governo federal digitalizou 729 serviços. A estimativa do Ministério da Economia, órgão central da transformação digital do governo, é de economizar R$ 2,2 bilhões anuais com a transformação digital”, afirmou Lenhart.

A prova

O beneficiário continuará com a obrigatoriedade de realizar a comprovação de que está vivo, mas as demais atualizações cadastrais ocorrerão pelos canais remotos de autosserviço – o aplicativo Sigepe mobile e Portal do Servidor.

“Além disso, a partir da vigência dos novos atos normativos, mesmo que o usuário esteja com o pagamento suspenso, ele poderá realizar a comprovação de vida nas agências bancárias, o que antes só era permitido nas Unidades de Gestão de Pessoas”, destaca o ministério.

Comunicação
Uma outra alteração acontecerá na comunicação de pendências. Até então, quando o beneficiário não comparecia para a comprovação de vida no mês de aniversário, a Unidade de Gestão de Pessoas o notificava por Aviso de Recebimento (AR) dos Correios.

A partir da vigência dos novos normativos, os aposentados, pensionistas, anistiados políticos civis ou seus pensionistas poderão ser avisados por quaisquer meios de comunicação, desde que aptos a garantir a comprovação da ciência inequívoca desses ou de seu representante legal ou responsável natural.

Um exemplo seria a utilização do envio de notificação pela Central de Mensagens do Sigepe, que já tem a funcionalidade de exigir a confirmação de leitura da mensagem por parte do usuário. O objetivo é agilizar o processo e permitir a redução de custos.

Visitas técnicas
Outro ponto alterado foi a descentralização da celebração de contratos, convênios, ajustes ou outros instrumentos congêneres para as visitas técnicas. A partir da vigência dos normativos, os próprios órgãos setoriais e seccionais podem realizar essa atividade, que estava restrita ao Órgão Central do Sipec, tornando assim o processo mais ágil e efetivo.

Integração
Os normativos também permitem a integração dos sistemas de comprovação de vida do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) e do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), para que os beneficiários que recebem pelos dois regimes possam comprovar que estão vivos uma única vez.
Legislação

As novas orientações, que entram em vigor em 3 de agosto, e vão substituir a Portaria nº 363, de 28 de novembro de 2016, e Orientação Normativa Segep nº 1, de 2 de janeiro de 2017, equipara a prova de vida da Administração Pública Federal a que já é feita pelo INSS. Para mais informações, acesse aqui a Portaria nº 244 e a Instrução Normativa nº 45

Para saber mais sobre o processo de prova de vida acesse https://www.gov.br/servidor/pt-br/acesso-a-informacao/servidor/recadastramento.

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Posted on 04-08-2020
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Jornal de charges – O melhor do humor gráfico brasileiro na Internet – ano XXIII – 2ª- feira 03/08/2020

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Sinovaldo, no jornal NH (RS)

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DO EL PAÍS

Monarca deixa o Palácio da Zarzuela para impedir que as informações sobre sua fortuna no exterior prejudiquem a família real espanhola

Juan Carlos I, em janeiro, quando foi visitar sua sobrinha Simoneta Gómez Acebo, que estava hospitalizada.
Juan Carlos I, em janeiro, quando foi visitar sua sobrinha Simoneta Gómez Acebo, que estava hospitalizada.José Oliva / Europa Press
 Miguel González
Madri

O rei emérito, Juan Carlos I, comunicou ao filho, Felipe VI, sua “meditada decisão de se mudar para fora da Espanha” ante a “repercussão pública” das notícias sobre suas contas no exterior e “para contribuir” com seu filho para que possa desenvolver seu papel como chefe de Estado “com a tranquilidade e a calma” que o cargo exige, de acordo com a carta divulgada pela Casa do Rei.

O comunicado foi divulgado poucas horas depois de dom Juan Carlos abandonar o Palácio da Zarzuela, onde residiu nos últimos 58 anos. A Casa do Rei não especifica em que país ele viverá a partir de agora e apresenta sua saída da Espanha como uma decisão voluntária, embora tenha sido tomada em consenso com o filho, que expressou seu “profundo respeito e gratidão” pelo passo dado.

Para deixar claro que a partida para o exterior não é uma tentativa de fugir da ação da Justiça (a Procuradoria do Tribunal Supremo e o Ministério Público da Suíça estão investigando suas contas no exterior), o advogado de dom Juan Carlos, Javier Sánchez-Junco, divulgou um comunicado em que afirma que ele “permanece à disposição a todo o momento do Ministério Público por qualquer procedimento ou ação considerada oportuna”.

Juan Carlos I não perderá o título honorífico de Rei, que lhe foi concedido por um decreto real de junho de 2014, alguns dias antes de sua abdicação. O pai do Rei teria se oposto a renunciar voluntariamente a esse título, que não implica nenhum privilégio, e seu filho não quis privá-lo dele contra sua vontade, como fez com sua irmã Cristina, após o caso Urdangarin.

Esta é a íntegra da carta enviada por Juan Carlos I ao filho:

 “Majestade, querido Felipe, com o mesmo afã de serviço à Espanha que inspirou meu reinado e diante da repercussão pública que certos eventos passados em minha vida privada estão causando, desejo te manifestar a minha mais absoluta disponibilidade para ajudar a facilitar o exercício de suas funções com a tranquilidade e a calma que a sua alta responsabilidade requer. É o que exigem meu legado e minha própria dignidade como pessoa.

 Há um ano te expressei minha vontade e desejo de deixar de desenvolver atividades institucionais. Agora, guiado pela convicção de prestar o melhor serviço aos espanhóis, a suas instituições e a você como Rei, te comunico a minha meditada decisão de me mudar neste momento para fora da Espanha.

Uma decisão que tomo com profundo sentimento, mas com grande serenidade. Fui Rei da Espanha durante 40 anos e durante todos eles sempre quis o melhor para a Espanha e para a Coroa.

Com minha lealdade de sempre.

Com o carinho e afeto de sempre, teu pai”.

Segundo o comunicado da Casa do Rei, Felipe VI transmitiu ao pai seu “profundo respeito e agradecimento por sua decisão”. “O Rei deseja enfatizar a importância histórica que representa o reinado de seu pai, como legado e obra política e institucional de serviço à Espanha e à democracia; e, ao mesmo tempo, quer reafirmar os princípios e valores sobre os quais esta se assenta, no marco de nossa Constituição e do restante do ordenamento jurídico”, conclui a nota.

A decisão do rei emérito ocorre após as investigações iniciadas por promotores suíços e espanhóis sobre os supostos recursos de Juan Carlos I em paraísos fiscais. O advogado do rei emérito também divulgou um comunicado no qual afirma que, apesar da saída de Juan Carlos I da Espanha, seu cliente está à disposição do Ministério Público para qualquer procedimento ou ação que se considere oportuna.

A medida anunciada nesta segunda-feira se dá quase cinco meses depois que Felipe VI adotou, em 15 de março, sua decisão mais dolorosa: privar o pai da dotação de quase 200.000 euros (1,25 bilhão de reais) por ano que ele recebia em recursos públicos e renunciar a qualquer herança que lhe possa corresponder das contas dele no exterior. Mesmo considerando as dúvidas levantadas por essa decisão ?não se pode renunciar a uma herança enquanto não morre quem a concede?, seu significado era claro: o rei rompia as amarras com o pai, que encarnou a instauração da Monarquia constitucional na Espanha.

Os problemas de Juan Carlos I começaram em meados de 2018, quando agentes da Polícia Judiciária suíça enviados pelo procurador Yves Bertossa começaram a revistar a gestora de fundos de Arturo Fasana. Nessa investigação, Bertossa encontrou duas fundações com contas em bancos suíços. A fundação de Liechtenstein Zagatka, de Álvaro de Orleans, primo distante do rei emérito, que pagou voos particulares de Juan Carlos I e de Corinna Larsen; e a fundação panamenha Lucum, cujo primeiro beneficiário era Juan Carlos I e o segundo, Felipe VI.

Quando essa notícia veio a público, em março de 2020, o atual chefe de Estado anunciou que estava renunciando à herança de seu pai e informou que um ano antes Corinna Larsen havia enviado uma carta ao Palácio Zarzuela informando-o que o nome do atual Rei aparecia, junto com o de suas irmãs, como beneficiário dessa fundação. Na Casa Real se tomou a decisão de informar o Governo e recorrer a um cartório para rejeitar qualquer dinheiro dessas contas.

A investigação suíça revelou que em 8 de agosto de 2008 Arturo Fasana depositou na conta da Lucum no banco privado Mirabaud 100 milhões de dólares (530 milhões de reais) procedentes do Ministério das Finanças da Arábia Saudita. Quatro anos depois, o dinheiro foi transferido por ordem do então chefe de Estado para uma conta em Nassau (Bahamas) do banco Gonet & Cie em nome da empresa de fachada Solare, de propriedade de Corinna Larsen. Bertossa embargou as contas dos suspeitos e abriu um processo secreto de lavagem de dinheiro contra os envolvidos na criação da estrutura e no recebimento do dinheiro.

O rei emérito não está sendo investigado no momento, embora fontes judiciais suíças não descartem a possibilidade de que seja no futuro. As informações enviadas pela Suíça às autoridades judiciais espanholas levantaram dúvidas sobre o comportamento do rei emérito após junho de 2014, quando perdeu a blindagem constitucional da inviolabilidade. Embora já seja imputável, o rei emérito tem prerrogativa de foro no Supremo. Por isso, a procuradora-geral do Estado, Dolores Delgado, decidiu no início de junho que a Procuradoria do Tribunal Supremo deveria assumir o caso. Esta fase da investigação deve determinar se há indicações suficientes de que o ex-chefe de Estado tenha cometido algum delito desde que deixou o trono. Os investigadores trabalham fundamentalmente com dois: lavagem de capital (tentar ocultar a origem ilícita do dinheiro) e crime fiscal (uma fraude contra o tesouro público superior a 120.000 euros).

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03
 DO EL PAÍS
 
 
Billie Holiday em 1943.
Billie Holiday em 1943. Gilles Petard (Redferns / Getty)

Mais de 60 anos depois de sua morte, o tema fetiche de Billie Holiday, ‘Strange fruit’, ressurgiu como hino dos protestos contra o racismo nos Estados Unidos.

Quando Billie Holiday (1915-1959) começou a popularizar Strange fruit, sua mãe lhe perguntou: “Por que você se faz notar desse modo?” A filha respondeu: “Porque pode melhorar as coisas”. “Mas isso vai te matar”, advertiu Sarah. Ao que a cantora sentenciou: “Sim, mas poderei sentir isso. No meu túmulo vou saber”. A primeira vez que cantar a música quase lhe custou a vida foi em 1944, quando um militar a chamou de nigger (um insulto racial) depois de uma apresentação. A artista, vermelha de raiva e com lágrimas nos olhos, quebrou uma garrafa de cerveja em uma mesa e se lançou contra ele com os restos afiados de vidro em riste. Dorian Lynskey assim o relata em 33 rotações por minuto – História da canção de protesto (sem tradução no Brasil). Em outra ocasião, pode-se dizer que lhe custou a prisão: “Cantar essa canção não me ajudou nem um pouco”, lamentou Holiday na revista Down beat em 1947. “Cantei-a no Earle Theatre até que me obrigaram a parar.” No dia seguinte, o departamento de narcóticos do FBI prendeu a cantora com acusações que a levaram a um ano de prisão. Ela nunca acreditou que fosse uma casualidade.

Mas o que tinha aquela canção que tanto incomodava os brancos? A letra não insultava a supremacia dominante nem explicitava protesto algum contra a opressão em que os negros viviam. Fazia algo pior: descrevia de maneira crua o panorama vomitivo que havia depois do linchamento de dois homens negros, a ponto de excitar os odores da cena e desenhar a feição desconjuntada dos cadáveres: “Das árvores no sul, pende uma fruta estranha. / Sangue nas folhas e sangue na raiz. Corpos negros balançando na brisa do sul. / (…) Os olhos esbugalhados e a boca torta. / Aroma de magnólias, doce e fresco, / e o repentino odor de carne queimada. / Aqui está a fruta para que os corvos a colham, / (…) para que o sol a apodreça, para que as árvores a soltem. / Esta é uma colheita estranha e amarga”.

Não é que o texto parecia uma fotografia, ele o era. A canção havia sido criada em 1938 por Abel Meeropol, um professor judeu de ensino médio, e se limitava a reproduzir um instantâneo da imprensa que falava de um linchamento acontecido em Marion, Indiana, em 7 de agosto de 90 anos atrás. Naqueles tempos os linchamentos não só aconteciam, eram comemorados. Eram eventos premeditados e não resultantes de um arrebato de um ou vários ofendidos que, clandestinamente, faziam justiça com as próprias mãos. Este e muitos outros detalhes do contexto histórico estão em Con Billie Holiday. Una biografia coral, de Julia Blackburn, que cita o jornalista e escritor H. L. Mencken: “[No sul dos EUA] Os linchamentos ocupavam o lugar do carrossel, do teatro, da orquestra sinfônica e de outras diversões habituais”. A selvageria era tal que se fretavam ônibus para levar o público, que davam gritos de incentivo e até cartões postais do resultado eram editados como lembrança.

Meeropol primeiro popularizou a composição em seu micromundo de reuniões quase clandestinas com filocomunistas, nas quais sua mulher se encarregava de cantá-la. Mas em um dia de 1939 o autor viu a oportunidade de mostrá-la a Barney Josephson, dono do Café Society, em Nova York, onde Billie Holiday começava a reinar; este pediu a ela que a experimentasse ao piano em particular com o professor e a artista concordou, não sem receios iniciais, já que a canção é especialmente mortiça. Mas entendeu a mensagem profunda e a tornou sua a ponto de estreá-la dias depois. Aqueles que a ouviram cantar Strange fruit pela primeira vez naquela noite de março de 1939 ficaram petrificados. Para depois aplaudir com o afinco que imprime a raiva.

Muitos promotores preferiam que Holiday abrisse mão da canção em favor de seu repertório mais convencional de jazz, mas ela se defendia do veto incluindo em seus contratos o direito de cantá-la. De fato, sendo um tema capaz de gelar o público e nada adequado para um final de festa, costumava interpretá-lo para encerrar o show, como Josephson planejou. Naquela primeira noite em que a cantou em seu café, o empresário organizou um ritual à altura do calafrio que buscava: os garçons pararam de servir entre as mesas, todas as luzes da sala se apagaram e só se via ela, sob um frio holofote central, com sua magnólia nos cabelos e cantando inabalável. Em outros bares, retiravam os maços de cigarro das mesas para evitar o brilho das brasas.

Ela sempre continuou cantando Strange fruit —embora cada vez menos— até 17 que em julho de 1959 a cantora de voz queixosa morreu jovem (de cirrose), aos 44 anos, exatamente como a mãe a havia advertido. Mas a filha também estava certa: 61 anos depois, sua canção fetiche ressurgiu como hino dos protestos raciais nos Estados Unidos. E Billie Holiday pôde sentir isso de seu túmulo.

O outro linchamento

O estranho fruto antirracista de Billie Holiday
  • Lado B do single: Fine and mellow (Commodore Records).
  • Ano: 1939.
  • Listas de vendas nos Estados Unidos: número 4.
  • Billie Holiday nunca assistiu a um linchamento, mas certamente o seu próprio lhe bastou. Antes de se tornar famosa, cantou na orquestra de Artie Shaw, formada por brancos. Na turnê pelo sul dos EUA de 1938, a cantora não podia dormir no hotel de seus colegas —se não havia hotel para negros, ela dormia no carro— e também não podia usar os banheiros públicos dos bares. Em Nova York as coisas não eram melhores para ela: entrava e saía pela cozinha do hotel Lincoln e durante os intervalos não podia ficar na sala, mas tinha de aguardar em um quartinho o início da apresentação seguinte. Mais? Um programa de rádio contratou a orquestra de Shaw para animar as horas, mas a marca que o patrocinava se recusou que ela cantasse porque era negra. Holiday teve de ceder esse trabalho a Helen Forrest, uma melosa voz branca.

“Camará”, Waltinho Queiroz, a Bahia na alma, para abrir os caminhos da virada! Saravá, meu rei!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

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