abr
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Do Jornal do Brasil

 

Por 7 votos a 4,  os ministros  do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram hoje (12) negar o pedido de liberdade protocolado pela defesa do ex-ministro Antônio Palocci, preso desde setembro de 2016 na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, devido às investigações da Operação Lava Jato.

No ano passado, Palocci foi condenado pelo juiz federal Sérgio Moro a 12 anos, dois meses e 20 dias de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em um dos processos a que responde no âmbito da Lava Jato.

A maioria de votos foi formada com base no voto do relator, proferido na sessão de ontem (11). Fachin entendeu que há risco para a ordem pública, caso o ex-ministro seja libertado. Para o ministro, Palocci ainda tem influência e parte dos recursos que foram desviados ainda não foi recuperado. “Esse cenário revela periculosidade concreta do agente, circunstância que evidencia fundado receio de práticas de futuras infrações”, entendeu o relator.

Sessão plenária do STF julga o habeas corpus do ex-ministro Antonio Palocci

O entendimento foi acompanhado pelos ministros Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Rosa Weber, Celso de Mello e Cármen Lúcia.

Votaram a favor da liberdade de Palocci os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio.

Última a votar, a presidente do STF, Cármen Lúcia, também acompanhou a maioria e entendeu que a decisão de Moro, ao manter a prisão de Palocci, levou em conta que não era possível substituir o cárcere por medidas cautelares, em função do risco de reiteração dos crimes.”O minsitro Fachin demonstrou que nada havia de desarrazoado [na sentença], porque o transcurso [do processo] se fazia da maneira razoável, pertinente e necessária. Não havia reconhecimento de excesso de prazo”, afirmou.

Para Gilmar, o prazo indefinido das prisões preventivas é uma forma de tortura para viabilizar acordos de delação premiada. “Vertentes que pretendem restringir o habeas corpus, limitar o habeas corpus estão, obviamente, fazendo rima com o AI-5”, disse.

Lewandowski entendeu que, com o encerramento das investigações e a definição da sentença do ex-ministro, não há mais necessidade da continuidade da prisão. “Com a prolação da sentença, a prisão preventiva já exauriu todos os seus efeitos, no tocante ao requisito da conveniência da instrução criminal, não mais substituindo risco de interferência na produção probatória, razão pela qual não se justifica, sob este fundamento, a manutenção da custódia cautelar”, argumentou.

De acordo com as investigações, a empreiteira Odebrecht tinha uma espécie de “conta-corrente de propina” com o PT, partido do ex-ministro. De acordo com os investigadores, a conta era gerida por Palocci, e os pagamentos a ele eram feitos por meio do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht – responsável pelo pagamento de propina a políticos – em troca de benefícios indevidos na Petrobras.

No STF, a defesa de Palocci alegou que o caso deveria ser julgado pela Segunda Turma da Corte, e não pelo plenário.  Além disso, os advogados criticaram o “uso da prisão preventiva como forma ilegal de antecipação de pena”.

Real Madrid Juventus Buffon
Buffon, depois de ser expulso. Carlos López GTRES
Madri

Gianluigi Buffon estreou como jogador profissional em 19 de novembro de 1995, aos 17 anos, defendendo o gol do Parma. Seu primeiro jogo pela Champions League, com as mesmas cores, foi em 1997, poucos meses antes de o Real Madrid encerrar um jejum de 32 anos e inaugurar sua história europeia a cores. Mais de duas décadas depois daquilo, e após várias acareações entre o goleiro italiano, já na Juventus, e a equipe branca, Buffon aterrissou pela sexta vez em Madri cercado por um ambiente de despedida. Aos 40 anos, sendo 23 de uma carreira lendária, Gigi encara a hora da aposentadoria. Um adeus adiado apenas por um único motivo: a Champions League, competição que nunca deixou de perseguir, mas que nunca deixou que lhe dar as costas, o único troféu de clubes ausente numa vitrine tão invejável como é a sua.

Depois da surra sofrida em Turim, a enésima para ele e para a Juventus, o desafio parecia novamente inalcançável, e o arqueiro encarava a viagem ao Santiago Bernabéu apenas com a chave de ouro após anos de perseverança e decepções. Um adeus amargo, mas num estádio compatível com a sua grandeza, propenso e especial para escutar pela última vez a musiquinha da Champions. Assim interpretava o próprio Buffon até as 20h47 desta quarta, pela hora local, quando a Juve abriu o placar. Ou mesmo até a saga da Roma contra o Barcelona da véspera. Seja como for, só um milagre permitia imaginá-lo levantando a Orelhuda em Kiev. Fora da Copa, era o seu último desafio, e inclusive o único caminho possível para adiar um pouco mais a sua aposentadoria, até 2019. Porque, se tivesse a Champions, Buffon queria o Mundial de Clubes.

O gol de Mandžuki? aos dois minutos abriu uma fresta de esperança. Foi o começo de uma virada extraordinária que, depois do tento de Matuidi, colocou o adeus definitivamente em suspenso. Um exercício heroico perante o rei dos reis, que revirou por completo o roteiro estabelecido. Da presumível despedida a priori programada para ele a alcançar a glória no Bernabéu. De levantar o Chamartín a jogá-lo para baixo. De concluir sua trajetória internacional a retomar esse sonho tão eterno como impossível que é a Champions. Chegou a tocá-lo, a tê-lo tão perto, que quando Benatia atropelou Lucas a um palmo da sua figura e Michael Oliver apontou a marca do pênalti Buffon entrou em estado de cólera. Completamente furioso, correu até o árbitro e o recriminou por sua decisão. “Vai a cagare”, provocou, segundo o jornal La Gazzetta. O jovem juiz inglês não se intimidou perante o mito e lhe respondeu com o cartão vermelho.

Raivoso, incrédulo, murmurando com a cabeça baixa, saiu a passos rápidos na direção do túnel. Talvez sem perceber que tinha o Bernabéu aos seus pés, prestando um tributo à sua legendária carreira no meio do caos, no ponto mais gélido de uma noite frenética e até aquele instante de trevas para o madridismo. Não deu a mínima para a torcida, que reagiu como se a virada do rival não tivesse acontecido, como se Cristiano Ronaldo já tivesse convertido a penalidade máxima, e que a classificação do Real voltasse a ser um fato. Mas, pouco depois, o português mandou a bola para as redes e a Juve para a sarjeta, confirmando o final europeu de Buffon.

Um vermelho em 14 Champions

Foi um final atroz, como sua história na Champions, com três finais perdidas. Para ele, além disso, também foi injusto e com um culpado evidente, Michael Oliver. Não hesitou em apontá-lo. “Estava muito perto do árbitro e do bandeira. Se ele tem o cinismo de marcar um pênalti assim, aos 48 do segundo tempo, não é um homem, é um animal. O juiz estava perdido, e ainda por cima me deu o vermelho. Não pode ter o cinismo de destruir o sonho de uma equipe com uma jogada tão duvidosa e depois de terem nos surrupiado um pênalti muito parecido no jogo de ida. Só alguém que tem um balde de lixo no lugar do coração pode tomar essas duas decisões”, clamou após o ocorrido. Repetiu mais ou menos as mesmas palavras várias vezes, a quente e a frio, a jornalistas italianos e espanhóis, para microfones, câmeras e gravadores, durante mais de meia hora. “Ele quis virar o protagonista de uma eliminatória num episódio muito duvidoso. Quando a pessoa não tem personalidade, que fique na arquibancada comendo batatas com sua mulher e não atrapalhe uma façanha épica”, acrescentou.

Depois, após um efusivo abraço em Cristiano nas vísceras do Chamartín, foi embora sorridente, orgulhoso dos seus e com seu primeiro cartão vermelho em 14 temporadas e 117 jogos pelo principal torneio continental. Uma despedida similar à que ele mesmo presenciou no caso de Zinedine Zidane na final da Copa da Alemanha, 12 anos atrás, em 2006. Um final igualmente cruel, igualmente imerecido e igualmente grande. O final europeu de Buffon, de outro mito que se vai.

abr
13

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Movimentos cívicos querem nova audiência com Cármen Lúcia

 

Os movimentos cívicos — incluindo o Vem Pra Rua e o Diferença — vão tentar marcar uma nova audiência com a presidente do STF, Cármen Lúcia, nos próximos dias.

A intenção é pedir que a ministra continue resistindo e não paute a discussão em torno da prisão de condenados em segunda instância.

Um dos argumentos que pode ser utilizado por Carminha, na opinião de representantes desses movimentos, é de que esse tema deve ser tratado pelo Congresso, onde surgiram recentemente pelo menos quatro projetos para garantir a prisão após a condenação em segundo grau.

 
 
Adoniran Barbosa na década de 1970Adoniran Barbosa na década de 1970 Reprodução

Conta-se que no final da década de 1970, Adoniran Barbosa, depois de fazer uma ronda pelo Bixiga e centro de São Paulo, chegava-se a um sofá da Rádio Eldorado, sediada na Rua Major Quedinho, tapava o rosto com seu inseparável chapéu e dormia. Mais tarde, quando acordava, desandava a pedir favores para quem estivesse por lá. Queria um café, uma ligação e a execução de um LP de tango, quando estava de tango. Não trabalhava lá, mas usava aquele sofá como um náufrago que se agarra a uma tábua em alto mar. O sambista paulista havia brilhado na era de ouro do rádio, e, no final da vida – Adoniran morreria em 1982, poucos anos depois de adotar a Rádio Eldorado como lugar preferencial de suas sestas –, tinha dificuldades de se encontrar em uma cidade e em um meio profissional que havia mudado radicalmente.

O que se conhece hoje do sambista é a caricatura, o personagem com que ele se confundiu: o homem do sotaque engraçado, que fez sucesso na rádio e na TV, que compôs Trem das Onze e umas outras canções que têm uma São Paulo, hoje histórica e algo romântica, como pano de fundo. Adoniran – Meu Nome é João Rubinato, documentário que abriu a 23ª edição do Festival Tudo É Verdade, busca, a partir de entrevistas e farta pesquisa musical e de imagens de arquivo, desvendar o mito Adoniran. “O filme é bem tradicional do ponto de vista de apresentação, mas busca retratar as diferentes facetas do artista, sem cair no lugar comum que às vezes sua figura inspira”, disse Pedro Serrano, diretor do filme, durante a abertura do festival, dedicado apenas a documentários, que vai até dia 22 de abril no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Do retrato traçado pelo filme, surge João Rubinato, nome de batismo do sambista, um artista múltiplo, que circulou com desenvoltura pela comédia em programas de rádio e televisão, que retratou São Paulo como poucos e que conciliava alegria e tristeza, com mesma intensidade. Indissociável do nome Adoniran Barbosa, o artista é quem melhor captou um momento de mudanças intensas na capital paulistana, seja no modo de falar – uma mescla de sotaques italianos, portugueses e caipiras, que ele emulou tanto em seus sambas, quanto nos programas de rádio –, seja no desalojamento de uma população pobre que vivia em cortiços na região central da cidade e foi expulsa para a periferia.

Se Adoniran foi capaz de absorver a cidade vibrante, que mais crescia na América Latina, em algum momento deixou de se reconhecer nela. A história dos cochilos no sofá da rádio Eldorado é bem simbólica disso. Em determinado momento do documentário, o sambista se queixa que já não sabe andar no Bixiga, seu próprio bairro, pois ele foi inteiro entrecortado por viadutos e novas ruas. Para a imagem de Adoniran Barbosa como apenas um personagem curioso – chapéu, gravata borboleta, sotaque de outros tempos –, o documentário de Pedro Serrano faz emergir uma figura complexa, que se mistura com a cidade e que usa do humor para tratar dos assuntos mais duros da sociedade paulistana: os despejos, a pobreza das ruas, o progresso que não levou em conta os marginalizados.

Talvez João Rubinato não exista, porque quem existe é o mágico Adoniran Barbosa, vindo dos carreadores de café para inventar no plano da arte a permanência da sua cidade e depois fugir, com ela e conosco

No final do documentário, o artista gráfico Elifas Andreato, lembra-se do retrato que fez para o LP em comemoração aos 70 anos de Adoniran. No desenho, o sambista aparece fantasiado de palhaço com um semblante triste e uma lágrima escorrendo no rosto. Logo depois de deixar a sugestão de capa na gravadora, recebeu a ligação de um executivo que trabalhava lá: “Elifas, você acha que o Adoniran vai entender esse negócio de palhaço chorando?”. Indeciso, o artista resolveu fazer outro desenho. Agora, com um Adoniran Barbosa altivo e sóbrio. Um tempo depois, Elifas conta em um dos depoimentos mais tocantes do documentário, o sambista ficou sabendo da história e quis ver o desenho original. Logo em seguida ligou para o artista e disse, meio a sério, meio na brincadeira: “Sou muito grato a você, mas por que você trocou de desenho, seu filha da puta? Eu sou aquele palhaço”.

Envergonhado, Elifas confessa que subestimou a sensibilidade de um dos maiores artistas do cancioneiro brasileiro. Para não restar dúvida da profundidade sempre colocada em dúvida de Adoniran, o documentário é finalizado com uma elegia assinada por Antonio Candido, em 1975: “Lírico e sarcástico, malicioso e logo emocionado, com o encanto insinuante da sua anti-voz rouca, o chapeuzinho de aba quebrada sobre a permanência do laço de borboleta dos outros tempos, ele é a voz da Cidade. Talvez a borboleta seja mágica; talvez seja a mariposa que senta no prato das lâmpadas e se transforma na carne noturna das mulheres perdidas. Talvez João Rubinato não exista, porque quem existe é o mágico Adoniran Barbosa, vindo dos carreadores de café para inventar no plano da arte a permanência da sua cidade e depois fugir, com ela e conosco”.

Mais quatro indicações do Tudo É Verdade

Um pouco mais enxuto de que em edições anteriores, o festival de documentários este ano tem cerca de 50 filmes selecionados, entre brasileiros e estrangeiros. Na abertura desta quarta-feira, 12, Amir Labaki, idealizador da mostra, falou um pouco sobre as dificuldades para se colocar de pé o evento este ano. Com a crise, os patrocínios e fontes de renda minguaram, em um cenário comum a todo o meio de gestão cultural no Brasil. Apesar das dificuldades, os filmes selecionados para esta 23ª edição do festival têm títulos muito interessantes, graças, segundo Labaki, a uma safra espetacular de documentaristas brasileiros. O EL PAÍS selecionou quatro títulos da lista para você ter por onde começar a partir desta quinta-feira, 12.

Quando as Luzes das Marquises se Apagam

Adoniran e mais quatro filmes para não perder no É Tudo Verdade
 

Dirigido por Renato Brandão, o documentário conta a história dos cinemas de rua de São Paulo, na década de 1950, a partir do depoimento de antigos frequentadores e imagens de arquivo.

O Processo

Dirigido por Maria Augusta Ramos, o documentário mostra uma perspectiva sobre o julgamento que culminou no processo de impeachment de Dilma Rousseff. Ramos filmou cerca de 450 horas durante meses de trabalho em que teve acesso exclusivo a reuniões e discussões a portas fechadas.

Adoniran e mais quatro filmes para não perder no É Tudo Verdade
 

Che, Memórias de Um Ano Secreto

Dirigido por Margarita Hernández, o filme retrata o ano de 1966, quando Che Guevara viveu entre Dar es Salaam, na Tanzânia, e Praga, na então Tchecoslováquia, depois de tentar instalar um foco guerrilheiro (sem sucesso) no Congo.

Adoniran e mais quatro filmes para não perder no É Tudo Verdade
 

Elegia de Um Crime

Dirigido por Cristiano Burlan, documentário finaliza a Trilogia do Luto, em que o diretor faz um retrato cru das violências de sua família, uma história bem comum no Brasil. Em Construção, de 2007, abordou a morte do pai, que morreu de forma pouco esclarecida, em Mataram Meu Irmão, de 2013, reconstitui o assassinato do irmão, Rafael Burlan, e agora trata do assassinato da mãe pelo parceiro.

Adoniran e mais quatro filmes para não perder no É Tudo Verdade

Agora no cinema, a grandeza e os desencontros na cidade amada, de um artista genial de São Paulo e da música brasileira. Não percam. Não só o El Pais recomenda. O Bahia em Pauta também. 

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

abr
12
Posted on 12-04-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-04-2018

Nesta quarta-feira completam-se quatro dias que o ex-presidente Lula está preso na superintendência da Polícia Federal de Curitiba. Lá, ele começou a cumprir pena de 12 anos e 1 mês por corrupção e lavagem de dinheiro. Embora detido, do lado de fora o petista segue dominando as narrativas. Desde sábado, lideranças da esquerda internacional, passando pela ex-presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, o ex-presidente uruguaio Pepe Mujica, e o mandatário venezuelano, Nicolas Maduro, até o líder do movimento França Insubmissa, Jean-Luc Melenchon, o líder do Podemos na Espanha, Pablo Iglesias e o ex-premiê de Portugal, José Sócrates, já se manifestaram em defesa do ex-presidente.

O PT, por sua vez, distribui seus esforços em torno de uma estratégia que vai desde transferir a direção política do partido para Curitiba, passando por um acampamento montado em frente ao prédio onde Lula está preso, atos por diversas capitais e na insistência do discurso de que Lula permanece candidato à presidência. “Lula não é apenas o candidato do PT”, disse ao EL PAÍS a presidenta do partido, senadora Gleisi Hoffmann. “Lula é o candidato de uma parcela grande da população”, afirmou, amparada nas pesquisas eleitorais que apontam, pelo menos até o momento, o petista em primeiro lugar (37% dos votos) em todos os cenários.

Neste final de semana, o Datafolha publicará uma nova pesquisa de intenções de voto, em que seu nome será testado, muito embora ainda permaneçam as dúvidas se ele conseguirá, ou não, concorrer. Na segunda-feira, o instituto registrou a primeira pesquisa após a prisão do ex-presidente. Serão apresentados nove cenários para os entrevistados. Lula é o candidato do PT em três dele. O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, substitui Lula em outros três cenários, e o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner em outros dois. Em apenas um cenário o PT não apresenta nenhum candidato. Os resultados devem sair no próximo domingo e avaliam também o atual Governo Temer e as intenções de voto para o Governo de São Paulo. “Quem define o candidato não é o Datafolha, somos nós”, disse Gleisi, ao ser questionada sobre os cenários sem Lula. “Lula vai ser o candidato, sob qualquer hipótese. Ele é inocente, por isso é um preso político”, afirmou.

Incluir o ex-presidente nas pesquisas faz sentido já que sua prisão não o torna inelegível automaticamente. A Lei da Ficha Limpa estabelece que não basta apenas a condenação pela Justiça para que alguém seja proibido de ser candidato. É preciso que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorize ou não a candidatura. Enquanto isso, Lula está no jogo, mesmo fora de campo. A manutenção do seu nome tem sido lida de diversas formas pelo mundo político. Por um lado, a insistência de ser candidato é uma maneira de insistir em sua inocência, ou seja, calar-se seria admitir a culpa. Por outro, apontar sucessor agora poderia queimar cartuchos antes do tempo.

Um dos cartões que devem circular em apoio a Lula.
Um dos cartões que devem circular em apoio a Lula.
 

Seja como for, a estratégia é manter o PT vivo mesmo que abalado com a prisão de seu maior líder. Fora da capital paranaense, o partido desenhou uma tática de guerrilha para as redes sociais para manter seu nome em voga. De maneira geral, o discurso será estabelecido em três linhas: enaltecer as conquistas sociais dos governos do PT, ressaltar a permanência dos ideais defendidos por Lula mesmo após sua prisão, e, por último, tratá-lo como um injustiçado, e a Justiça como parcial.

Para isso, diversas frases de efeito foram desenhadas. A marca mais usada será #JamaisApisionarãoNossosSonhos, uma frase dita pelo próprio Lula em um vídeo que começou a circular no momento em que ele se entregava, no sábado. Outras palavras de ordem também serão utilizadas, como “Lula é o povo e o povo é Lula” e “O ‘crime’ de Lula foi gerar 15 milhões de empregos”. Elas circularão pela internet em cartões, com o desenho do rosto do ex-presidente. “No Governo Lula 36 milhões de pessoas saíram da pobreza”, diz um deles. “Dois pesos e duas medidas. Justiça arquiva ações de [Geraldo] Alckmin e julga Lula em tempo recorde” e “Grampearam e divulgaram conversas de Lula. Acham exagero quebrar sigilos de Temer”, diz outros.

A campanha tentará manter Lula como o candidato que fará “do Brasil um país respeitado lá fora mais uma vez”, como diz um dos cartões. Outra tática para manter o nome do ex-presidente em evidência chegou ao Congresso. Deputados do PT estão modificando seus nomes oficiais com o nome “Lula” no meio do sobrenome. Assim, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), por exemplo, passou a ser chamado de Paulo Lula Pimenta.

Na campanha, serão ressaltados também os feitos dos Governos do PT.
Na campanha, serão ressaltados também os feitos dos Governos do PT.
 Para além da internet e do acampamento em Curitiba, militantes e apoiadores do ex-presidente também estão enviando cartas com mensagens positivas ao petista. Uma campanha informal pede até que telefonemas sejam feitos à superintendência da PF para saber como Lula está sendo tratado ali. Um abaixo-assinado eletrônico em defesa da candidatura do ex-presidente ao Prêmio Nobel da Paz já tinha arrecadado mais de 100.000 assinaturas. A campanha, cuja meta é alcançar 150.000 assinaturas, foi criada por Adolfo Pérez Esquivel, ativista argentino que ganhou o Nobel em 1980.

Para além da estratégia virtual, outras ações são realizadas para que a prisão de Lula não caia no esquecimento do noticiário. Nesta terça, uma comitiva de governadores de nove Estados foi à capital paranaense na esperança de fazer uma visita ao ex-presidente. Mas, Tião Viana (PT-AC), Waldez Góes (PDT-AP), Ricardo Coutinho (PB-PSB), Flavio Dino (MA-PCdoB), Wellington Dias (PT-PI) Camilo Santana (PSB-CE)  Rui Costa (PT-BA), Paulo Câmara (PSB-PE), Renan Filho (MDB-AL) foram barrados na porta. O dia de visita aos presos que estão na PF de Curitiba é quarta-feira. Apenas os advogados dos detentos podem visitá-los fora deste dia.

Por isso, a Justiça Federal do Paraná negou o pedido de visitas, o que, segundo Gleisi Hoffmann, deixou o ex-presidente “bravo”. “Ele foi informado pelo advogado Manuel Caetano [um dos que fazem a defesa do petista] sobre a comitiva, e ficou emocionado e bravo porque não puderam visitá-lo”, contou Gleisi Hoffmann. Até o momento, apenas os advogados de Lula o viram. Na manhã desta quarta-feira, o pré-candidato à presidência pelo PSOL, Guilherme Boulos, esteve no acampamento em frente à superintendência da PF em Curitiba.

abr
12
Posted on 12-04-2018
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Nicolielo, no (SP)

 

abr
12
Posted on 12-04-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-04-2018

O juiz Marcos Vinícius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal de Brasília, negou um pedido de prisão preventiva contra o advogado José Yunes e o coronel João Baptista Lima Filho, ambos ex-assessores do presidente Michel Temer, conforme queria o Ministério Público Federal (MPF).

O magistrado negou também expedir mandados de prisão contra os ex-deputados Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, Geddel Vieira Lima e Rodrigo Rocha Loures, todos do MDB (antigo PMDB). Também foram recusadas as detenções de Altair Alves e Sidney Norberto, apontados como operadores de propina de Cunha.

Todos os citados se tornaram réus ontem (10) pelas mãos do mesmo magistrado, que é responsável na primeira instância pela investigação de organização criminosa na bancada do MDB na Câmara, um desdobramento da Lava Jato. José Yunes e João Baptista Filho, bem como os operadores de Cunha, foram incluídos no rol de investigados no mês passado, após pedido do MPF.

Juiz negou também expedir mandados de prisão contra Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, Geddel Vieira Lima e Rodrigo Rocha Loures

O Ministério Público Federal havia apontado as notícias de que Temer pretende se candidatar à reeleição como indício de risco de que o grupo continuaria a praticar crimes “com o fim de garantir a perpetuação do grupo criminoso no controle central da máquina estatal federal”.

Em sua decisão, no entanto, Reis Bastos recusou o argumento. “Afirmar que anunciada candidatura de Michel Temer à Presidência da República (reeleição) importe na permanência da empresa criminosa e na prática de ilícitos penais por parte dos requeridos demanda a indicação de fatos atuais (contemporâneos) nesse sentido, circunstância que não se verificou”, escreveu o juiz.

Entre os ex-deputados, todos já se encontram presos preventivamente em razão de outras investigações, sendo que apenas Loures teve concedida a prisão domiciliar. José Yunes e João Baptista Filho chegaram a ser presos temporariamente em 29 de março na Operação Skala, por ordem do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF). Eles foram soltos em 1º de abril, após serem interrogados pela Polícia Federal (PF).

O JORNAL DO BRASIL estreou ontem seu novo endereço, voltando às origens históricas na Avenida Rio Branco, coração do Centro do Rio de Janeiro. O prédio de número 157 e seis andares serve exclusivamente ao jornal e foi escolhido para receber a equipe crescente de produção. “Precisávamos encontrar um espaço moderno e com infraestrutura adequada para a equipe de profissionais que estamos recebendo, entre colunistas, novos repórteres, diagramadores. O JB precisava de uma casa nova que estivesse à altura de seu nome e de sua história”, afirma Omar Resende Peres, diretor-’presidente do jornal, responsável por trazer a versão impressa de volta às bancas.

Além da nova redação, localizada no quarto andar, a nova sede conta com moderno auditório, espaços para rádio, novas mídias e área de convivência, com terraço panorâmico. “E o mais importante de tudo é que estamos reunindo uma equipe com gente comprometida com o espírito do JB, de colocar o jornal de volta a seu devido lugar”, diz Peres, lembrando que o jornal impresso já trouxe, inclusive, um impacto positivo para o site, que bateu recorde de audiência no fim de semana, com um crescimento no número de visitantes que chegou a 500%, principalmente pelo tratamento dado à cobertura  dos últimos momentos antes de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se entregar à Polícia Federal. 

A nova sede do JB fica na Avenida Rio Branco 157, no Centro, quase esquina com Rua da Assembleia

Peres avalia que os números demonstram o retorno que ele próprio tem recebido nas ruas, desde que o jornal voltou, em 25 de fevereiro deste ano: “É fruto do trabalho de um jornalismo isento, democrático e liberal. As pessoas dizem que o JB voltou com o mesmo comprometimento de traduzir os fatos sem privilegiar ideologias. O leitor reconhece isso”. 

Pluralidade 

Para Toninho Nascimento, diretor de Redação, “a nova casa do JB é uma aposta no futuro, na pluralidade de opiniões e na democracia, sobretudo num momento com tanto radicalismo”, diz, lembrando do simbolismo que representa estar neste novo endereço, próximo do local onde funcionou o antigo JB, na Avenida Rio Branco 110, antes da mudança para o icônico prédio da Avenida Brasil 500. 

Quem estava no jornal nessa época era Gilberto Menezes Côrtes, atual vice-presidente Editorial. Ele garante que o espírito daquela época permanece ainda hoje: “A redação do JB sempre se supera em momentos decisivos, e já agora mostra a que veio, com uma cobertura sobre o Lula nada espetaculosa. O JORNAL DO BRASIL sempre teve um ponto de vista diferenciado para a notícia, e voltamos a um local privilegiado para olhar a cidade e o Brasil, justamente num ano de grandes desafios, com a cobertura da Copa do Mundo e das eleições”.  

A redação funciona no quarto dos seis andares da construção, que tem terraço panorâmico

Uma das colunistas cuja trajetória se confunde com a do próprio JB, Hildegard Angel está empolgada com o novo espaço, “é uma redação integrada, sem muros, democrática, que estimula o ambiente fraterno e nos inspira. Estou muito feliz com este retorno, é a realização de um sonho”. 

Inspiração também é o sentimento expressado por Clóvis Saint-Clair, atual editor de Cidade, que trabalhou na Avenida Brasil 500 como subeditor da lendária revista “Domingo” e editor de Esportes. “O jornal volta para o local onde nasceu e fez história na imprensa, num momento de tantos desafios na cidade e no país, e isso nos inspira a contar boas histórias”, afirma Saint-Clair. 

Deborah Dumar, editora do “Caderno B”, foi estagiária do “B” numa época em que o jornal era “a bíblia da cultura no país e fez a cabeça daquela geração”, lembra. Para ela, estar hoje à frente do “Caderno B” significa a responsabilidade de oferecer uma nova opção de cobertura sobre cultura à cidade, que já foi capital do país e ainda é vitrine cultural do Brasil. “E não podemos esquecer que, neste momento, o JB se torna uma porta de oportunidade no mercado de trabalho”, acrescenta. 

Octávio Costa, editor de Política, também faz questão de contar que faz parte da história do JB. “Meu pai era redator quando o jornal funcionava no Prédio Condessa Pereira Carneiro, aqui na Rio Branco 110. Lembro de ter assistido a meu primeiro desfile de escolas de samba da sacada do jornal, em 1958. Ao entrar nesta nova redação, foi imediata a lembrança de tantos nomes importantes que já passaram sob esta marca, como Wilson Figueiredo, Amilcar de Castro e Pompeu de Souza”.

De olho em novos projetos

Com o crescimento das vendas em banca, o JORNAL DO BRASIL já planeja iniciar a oferta de assinaturas aos leitores. Segundo Antonio Carlos Mello Affonso, vice-presidente de Finanças do jornal, a expectativa é de, até o fim deste mês, começar o processo que vem sendo bastante cobrado pelos leitores. Segundo ele, a meta é obter, logo de início, cerca de 30 mil assinantes. “E quem fizer a assinatura, ganhará, ainda, acesso à versão digital”, explica.

Mas os projetos futuros também incluem lançar um canal de Web TV, numa proposta de jornalismo 24 horas no ar. “Estamos contratando um grupo de trabalho especial para colocar em prática essa proposta, mas toda a redação vai poder participar e contribuir nessa empreitada”, explica o diretor-presidente do JB,  Omar Resende Peres. “Estamos embalados pelas vendas nas bancas, que estão dentro das expectativas, e isso nos impulsiona a novos desafios”, conta Peres. 

Segundo ele, um desses desafios é o de criar, como evento fixo no calendário da cidade, a série de seminários “JB e o Brasil”, abordando temas variados, como economia, política, ecologia e sustentabilidade. 

E a expectativa é inaugurar o Auditório JB em grande estilo, com um convidado especial: “Vamos chamar Mark Zuckerberg, presidente-executivo do Facebook. O Brasil é um dos principais públicos dessa rede social e será fundamental, neste momento em que teremos eleições presidenciais, ouvir do próprio Zuckerberg que o Facebook não terá nenhuma influência no processo”, afirma Omar Peres.

abr
12
Posted on 12-04-2018
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DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

No avião com Sergio Moro

repórter Pedro Venceslau, do Estadão, pegou um voo de Porto Alegre para Curitiba no mesmo corredor de Sergio Moro –o juiz voltava à capital paranaense depois de participar do Fórum da Liberdade.

Horas antes de interrogar Marcelo Odebrecht, Moro se dividiu entre a leitura de um inquérito e a do livro “Excellent Cadavers”, de Alexander Stille, que narra a luta do juiz italiano Giovanni Falcone contra a Máfia até seu assassinato, em 1992.

“Estou lendo pela segunda vez”, disse o juiz a respeito do livro. Questionado pelo repórter sobre a série “O Mecanismo”, Moro respondeu: “Abusaram da liberdade criativa na série, mas eu de fato ia de bicicleta de vez em quando”.

No avião, o juiz foi cumprimentado efusivamente por alguns passageiros. No desembarque em Curitiba, não foi abordado nem hostilizado.

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