Do Jornal do Brasil

 O candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro, disse à Rádio Bandeirantes que pretende participar de debates de televisão no segundo turno, se for liberado pela equipe médica do Hospital Albert Einstein, e pretende “dar uns tiros pelo Brasil, no bom sentido”, demonstrando intenção em viajar em campanha. Ele disse ainda que o candidato a vice-presidente na chapa, general Hamilton Mourão (PRTB), assim como o assessor econômico Paulo Guedes, não deve aparecer no segundo turno porque “não tem traquejo com a imprensa”.

Na entrevista, Bolsonaro disse representar o novo, enquanto o seu adversário, Fernando Haddad (PT), em sua opinião, seria o velho, “a continuidade da corrupção, o desprezo pela família, o desprezo pela Educação”. Segundo ele, “a garotada desaprendeu mais ainda” no período em que Haddad foi ministro da Educação, nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

“Sabemos que o Haddad tem falado com o Lula na cadeia. Hoje está visitando o Lula novamente. Ele (vai) assinar o indulto do Lula e também vai colocar um fim à (Operação) Lava Jato”, afirmou Bolsonaro à radio. O candidato petista, no entanto, já negou essa informação.

Ao comentar o grande número de votos recebidos pelo PT na Região Nordeste do País, Bolsonaro acusou, sem oferecer provas, o partido adversário de utilizar o programa social Bolsa Família para cooptar “eleitores de carteirinha”. “A maneira de arranjar recursos é combatendo a fraude, combatendo a corrupção, até mesmo dentro do Bolsa Família. Acreditamos que 30% aproximadamente são benefícios dados sem qualquer critério. É gente que não precisa receber isso aí. Tenho dito, disse no Nordeste: vamos continuar trabalhando para lá. Combatendo a fraude, tem até como pagar um pouco melhor para essas pessoas”, disse o candidato do PSL.

Bolsonaro afirmou ainda que está “em franca recuperação” física, o que vai permitir que faça campanha pelo Brasil. “O problema que eu teria é, no meio do povo, receber uma cotovelada, um abraço muito forte… Foram duas cirurgias de vulto, em que tudo foi colocado para fora do abdome foi para dentro novamente. Mas estou me sentindo bem. Acredito que esteja com 60% da parte física em dia. A parte mental está boa. Então, tá tranquilo”, argumentou, complementando, em seguida, que a decisão será da junta médica do Hospital Albert Einstein, na próxima quarta-feira, 10. Desde que foi esfaqueado no município de Juiz de Fora (MG), em campanha, Bolsonaro passou a se comunicar com os eleitores via redes sociais.

O candidato do PSL ainda agradeceu o apoio das lideranças evangélicas e lamentou a derrota do candidato a governador do Espírito Santo Magno Malta (PR-ES), a única derrota de “peso” entre os aliados, em sua opinião. Mais uma vez, ele defendeu o corte no número de deputados federais, mas negou que tenha intenção de fechar o Congresso. “Vamos ter uma bancada orgânica bastante grande, além dos simpatizantes. O que pregamos por anos pelo Brasil e depois em Brasília foi bem aceito pela sociedade. A sociedade quer mudança”, destacou.

Entre possíveis ministros, citou apenas o nome do tenente-coronel e astronauta Marcos Pontes, que chegou a se candidatar à chapa de Bolsonaro, como vice-presidente. A vaga, por fim, ficou com o general Hamilton Mourão que, assim como o assessor econômico Paulo Guedes, não deve aparecer no segundo turno, porque “não tem traquejo com a imprensa”, segundo Bolsonaro. Ontem, Mourão, mais uma vez, teve que voltar atrás e se explicar pela afirmação de que o neto é bonito por ser fruto de um “branqueamento da raça”. Depois dos efeitos negativos na imprensa e redes sociais, Mourão disse que fez apenas uma “brincadeira”.

Haddad (PT) em coletiva de imprensa em Curitiba nesta segunda-feira, 8 Hedeson Alves EFE

 

Fernando Haddad (PT) tentou demonstrar ânimo nesta segunda-feira diante da tarefa hercúlea que tem pela frente: tentar alcançar e ultrapassar Jair Bolsonaro (PSL) no embate final em 28 de outubro. Em pouco mais de 15 minutos de conversa, afirmou por duas vezes que a sua chegada ao segundo turno, com somente 20 dias de campanha, foi “um feito”. Agora, terá de cumprir um feito ainda maior: fazer crescer velozmente os mais de 31 milhões de votos que recebeu e virar a disputa, algo inédito desde redemocratização. Após correr para se cristalizar como herdeiro de Luiz Inácio Lula da Silva, agora o candidato precisará fazer o caminho contrário: se descolar do ex-presidente e das propostas mais controversas do PT para tentar evitar, o quanto puder, a rejeição pelos eleitores antipetistas e atrair votos espremidos pela polarização e até mesmo votos bolsonaristas.

A 20 dias do segundo turno, a manobra de despetização, se efetivada, será um tanto difícil. Mas os acenos da campanha já aparecem nessa direção. Se, por um lado, a primeira agenda desta segunda foi a semanal visita a Lula, preso em Curitiba desde abril condenado pela Lava Jato, a entrevista coletiva que Haddad sempre dá na saída foi, pela primeira vez, sem o cenário do prédio da Polícia Federal de fundo. O candidato preferiu falar em um hotel no centro da cidade, um ambiente um pouco mais neutro. E mencionou Lula apenas uma vez, já sinalizando a direção que a campanha deve percorrer.

A estratégia seria aprofundada na própria segunda-feira, em entrevista na TV Globo. O Jornal Nacional usou todo o peso de ser o principal telejornal da maior emissora do país para negociar sabatinas curtas com os dois candidatos à presidência. Os apresentadores se restringiram a perguntar sobre declarações e propostas, dos próprios candidatos ou aliados, a respeito de mudar a atual Constituição ou que soassem como ameaça à democracia. Haddad rejeitou pela primeira vez uma proposta que consta do programa de Governo do PT que é de convocar uma Assembleia Constituinte, uma vez eleito. “Revimos nosso posicionamento”, afirmou o ex-prefeito. Ele também foi perguntado a respeito de uma declaração feita pelo ex-ministro José Dirceu em entrevista ao EL PAÍS. Questionado se havia possibilidade de o PT ganhar, mas não assumir a presidência por causa de um golpe, Dirceu disse achar a possibilidade improvável e completou: “E dentro do país é uma questão de tempo pra gente tomar o poder. Aí nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição.” A afirmação provocou uma onda de críticas e viralizou nas redes. No JN, Haddad respondeu: “Dirceu não participa da minha campanha nem participará do meu governo. Eu discordo dele.”

A proposta de Constituinte e a frase de Dirceu, além do endosso do PT ao regime de Nicolás Maduro na Venezuela e da falta de uma declaração clara de repúdio aos escândalos de corrupção, se transformaram nos pontos chave que complicam a transição da candidatura a um tom mais moderado, essencial para atrair aliados. O próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso citou nesta segunda a proposta de Constituinte como um ponto que não concordava com Haddad, por exemplo. Ciro Gomes (PDT) também já havia criticado a iniciativa.

As declarações ao JN podem, portanto, funcionar como novos acenos. Nesta segunda-feira, Haddad já havia feito gestos para todos os lados. Convocou Ciro – a quem chamou de “pessoa de alta respeitabilidade” – e Guilherme Boulos (PSOL), a se aliarem por uma “ampla aliança democrática”. Mencionou Marina Silva (Rede), Henrique Meirelles (MDB) e Geraldo Alckmin (PSDB), de quem ele afirma “poder discordar, mas nunca deixei de respeitar”. Ao falar à imprensa em Curitiba, o petista afirmou também que manterá a linha propositiva, podendo “ajustar parâmetros” em seu programa de governo, de acordo com os apoios que pode receber dos candidatos derrotados. E incluiu a segurança pública no hall de temas, algo que não costumava figurar em seu discurso. “[Vamos] empoderar a Polícia Federal”, afirmou, para, em seguida, mirar em seu alvo: “Armar a população é desonerar o Estado de proteger o cidadão”. Uma das principais bandeiras de Bolsonaro, defendida por grande parte de seu eleitorado, é liberar o porte legal de armas.

Essa costura por apoios também passará pelos próprios aliados. A campanha petista precisará realizar um esforço entre os governadores que dividiram palco com Haddad no primeiro turno e já se reelegeram. Principalmente no Nordeste, onde sete, dos nove Estados, encerram a eleição no domingo. Nessa esteira, o PSB, partido disputado até o último minuto entre o PT e o PDT durante as convenções e que acabou decidindo pela neutralidade, reunirá sua executiva nesta terça-feira em Brasília para deliberar sobre quem apoiará. Muito provavelmente, o partido, tradicionalmente de esquerda, deve abraçar a candidatura petista.

Contraofensiva nas redes

No plano regional, o PT terá dois caminhos: arriscar explorar melhor o terreno no Sul, Sudeste e Centro-oeste, onde foi derrotado, ou voltar ao Nordeste e em parte do Norte, para se fortalecer entre o eleitorado que o levou para o segundo turno. Durante a campanha, Haddad foi o candidato que mais visitou o Nordeste. Essa agenda o ajudou a render os frutos da vitória com o suporte da região. Entre os Estados, só não foi vitorioso no Ceará, dominado pela família Ferreira Gomes, de Ciro Gomes (PDT). Porém, nas capitais nordestinas, só saiu vitorioso em Salvador – na Bahia o PT reelegeu seu governador Rui Costa com mais de 75% dos votos – e em São Luís, capital do Maranhão que reelegeu o comunista Flávio Dino, do partido de coligação com o PT, também no primeiro turno. Isso mostra que, embora a maioria dos eleitores nordestinos tenham votado no petista, ainda há terreno a ser explorado

Em Pernambuco, o governador Paulo Câmara (PSB) – para quem Haddad ligou no domingo logo que soube da sua vitória – apoiará o petista independentemente da posição que seu partido tomará em Brasília. Câmara tem uma dívida política dom o PT, já que a direção petista rifou a candidatura própria de Marília Arraes no Estado para apoiar o governador. Contudo, ainda não é possível saber de que forma e em que tamanho esse apoio do pernambucano ocorrerá.

Outro ponto central é a estratégia de redes sociais, onde o PT arrancou tarde. Somente na semana passada anunciou um canal de WhatsApp para denunciar as notícias falsas das quais era alvo. Agora, tenta correr atrás do prejuízo. Nesta segunda, Haddad propôs que seu rival assine um “protocolo ético”, uma espécie de “carta de compromissos contra a calunia e a difamação anônima que acontece na internet, sobretudo no WhatsApp”, como ele mesmo definiu. E chamou Bolsonaro, que não participou de nenhum debate devido ao atentado que sofrera no início de setembro, para discutir ao vivo. “Gostaria que esses temas afeitos a valores fossem discutidos publicamente, olho no olho”.

Nesta segunda, petistas fizeram circular uma mensagem pelo WhatsApp pedindo para que se criassem grupos na plataforma para a distribuição de material de campanha. A mensagem pede ainda o engajamento nos grupos familiares e de amigos e leva os links para as redes sociais de Haddad e da campanha.

out
09
Posted on 09-10-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-10-2018


 

 Pelicano, no portal de humor

 

 
 
 
São Paulo

 

O incontrolável avanço do populismo de extrema direita está prestes a incluir um novo sócio no poder. O claro triunfo de Jair Bolsonaro (PSL) no primeiro turno das eleições brasileiras, com 46% dos votos, contra 29,2% de Fernando Haddad (PT), exigirá uma reviravolta inesperada nas próximas três semanas para evitar que o maior país da América Latina, o quinto mais populoso do mundo, seja governado por um político autoritário e retrógrado. Uma espiral que parece não ter freio e que, apesar das peculiaridades de cada país, guarda muitas semelhanças entre si.

Eduardo Bolsonaro e o ex-estrategista de Trump, Steve Bannon.
Eduardo Bolsonaro e o ex-estrategista de Trump, Steve Bannon.

A história de Bolsonaro é a história da vitória de Donald Trump; do Brexit; da rejeição ao processo de paz da Colômbia; do triunfo do ultradireitista Matteo Salvini e do populista Movimento 5 Estrelas na Itália; da consolidação de Marine Le Pen na França. A história de que as emoções, especialmente o medo e o ódio, mobilizam mais que qualquer programa político. A do difundido cansaço com as classes dirigentes, que, no caso da Europa, são consideradas responsáveis pela crise econômica e pela deterioração da qualidade de vida de amplos setores da sociedade, e, no caso da América Latina, acusadas de corroer as instituições, aproveitando-se delas para corromper. A tal ponto que a mera promessa de combatê-las pesa mais que o fato de o responsável por esse combate ser um partidário da ditadura militar, machista, racista e homofóbico.

Infalível de novo, a estratégia que o radical brasileiro seguiu se assemelha muito a dos casos anteriores: um uso da linguagem tosca a custo zero; contínuas críticas aos meios de comunicação tradicionais, enquanto constrói os seus próprios e faz um uso incomparável das redes sociais para obter seus fins. Em todos os casos, prima um componente nacionalista e um culto à personalidade que supera o de seus rivais. Como Trump na campanha, Bolsonaro também se valeu de seus filhos como porta-vozes. Um deles, no começo da corrida presidencial, manteve um encontro com Steve Bannon, ex-estrategista de Trump. Não há provas de que haja um plano coordenado em nível mundial, mas sim de que eles se retroalimentam e se aproveitam da onda ultraconservadora. “Brasil também muda! Esquerda derrota e ar fresco!”, escreveu Salvini, vice-presidente do Governo italiano, no Twitter para comemorar os resultados do primeiro turno.

O mais que provável triunfo de Bolsonaro não terá uma repercussão apenas no Brasil. Coloca a América Latina, onde o autoritarismo campeia na Venezuela e Nicarágua e caminha pela Guatemala, para citar o exemplo mais recente, à beira dos dias mais incertos de sua história recente. Além disso, insufla uma dose de adrenalina ao avanço da ultradireita mundial, uma vitória das elites mais conservadoras – os mercados brasileiros receberam com confete e serpentina os resultados de domingo –, que optam por esconder o perigo de personagens como Bolsonaro sob o guarda-chuva de que é preciso levá-los a sério, mas nem tanto. Que, definitivamente, o que ele diz são bravatas, e que não governará desse jeito.

O país encara agora três semanas decisivas, mergulhado numa polarização que obrigará os dois aspirantes a convencerem os eleitores a optarem pelo que rejeitaram até agora. No caso de Bolsonaro, é a pergunta do milhão: como vai se deslocar para o centro se o fato de ser um radical de extrema direita o levou aonde teoricamente não deveria ter chegado? Compensa para ele esse esforço, quando é rejeitado por 44% do eleitorado? Enquanto isso, Haddad, previsivelmente, atirará contra ele tudo o que tiver à mão, todas as armas da velha política, que o PT tão bem domina, ou dominava. A tradicional agremiação da esquerda brasileira aprofundará os ataques ao militar reformado, a quem esgrime seu histórico de declarações contra os direitos humanos e a quem acusa de querer fazer o país retroceder 40 anos.

O desgaste do PT

Mas Bolsonaro tem a seu favor que nada disto é novidade, nem o freou até agora. Ele parece protegido de qualquer ataque. E, ao mesmo tempo, o antipetismo, um sentimento que se sabia grande, mas não a esse ponto, serve-lhe como um combustível inextinguível. Se há 10 dias mais de 59% dos eleitores do militar eram antipetistas declarados, resta-lhe agora seduzir o desencantado centro, que acaba de ficar órfão: ele talvez não seja o candidato perfeito, mas, para parte desse setor, “pelo menos não é o PT”.

Consideravelmente maior é o desafio que espera Haddad. Agora mais do que nunca, deve ganhar os votos reservados a Lula, mas ao mesmo tempo se livrar da longa sombra de seu mentor para conquistar pelo menos parte do eleitorado não petista. Sua única esperança de derrotar Bolsonaro é unificar esses dois lados, confrontados há anos, e se tornar o candidato do centro, justamente onde reina o antipetismo e onde é maior a tentação de passar para o lado de Bolsonaro. Para isso, tem a cartada de se apresentar neste segundo turno como um democrata maior que seu rival. E que as pessoas, desta vez, acreditem nisso.

DO EL PAIS
 
São Paulo
Onda conservadora leva Bolsonaro fortalecido para embate final contra PT

 
Reuters Photographer REUTERS

 

O Brasil fecha o primeiro turno das eleições de 2018 com a polarização aguda entre o candidato de extrema direita Jair Bolsonaro, em franca vantagem com 46,7% dos votos válidos, e o petista Fernando Haddad, com 28,3%, que defende o legado do ex-presidente Lula. É água e óleo no Brasil de hoje. Fácil esperar sobressaltos até o próximo dia 27, quando o país viverá o segundo turno e definirá o 41 presidente da República depois de uma das eleições mais emocionantes da história democrática. Ciro Gomes, do PDT, ficou em um honroso terceiro com 12,5%, à frente do governador licenciado de São Paulo, Geraldo Alckmin, que fechou esta eleição com 4,8% das votos e personifica a derrota fragorosa de seu partido. Marina Silva, que prometia desempenho de outrora, saiu com mirrados 2%.

Militar reformado e deputado federal por quase três décadas, Bolsonaro chegou à reta final da campanha experimentando o sabor de quem já é vitorioso, anunciando uma onda conservadora que deve pautar o país. Na última semana, reforçou seus apoios a despeito de toda a resistência a seu nome. Nem a marcha #Elenão foi capaz de deter sua ascensão. Mais do que isso. Nesta eleição, experimentou o dom do toque de Midas restrito a poucos do olimpo político – Lula, por exemplo. Os candidatos ungidos pelo candidato do PSL tiveram votação espantosa. Seu filho Flavio foi o mais votado para o Senado pelo Rio de Janeiro, e Eduardo, por São Paulo, foi o deputado federal mais votado da história do país.

Bolsonaro pai, parlamentar do chamado baixo claro da Câmara, pavimenta assim seu caminho para a presidência da República numa jornada avassaladora e surpreendente, onde até uma tragédia durante a campanha eleitoral virou golpe de sorte para o candidato. Um militante contrário ao seu nome se infiltrou entre a multidão que ovacionava o candidato em Juiz de Fora (MG) e o atacou com uma faca no dia 6 de setembro. O atentado, que atingiu o intestino de Bolsonaro, quase lhe custou a vida. Ficou internado por 23 dias, boa parte do tempo na UTI. Mesmo fragilizado, gravou vídeos para a sua campanha de dentro do hospital, e manteve a comunicação unidirecional pelas redes sociais com seus seguidores. Tirou partido como nunca da comunicação por Whastapp, fonte de informação de quase 70% de seus eleitores, que alimenta diariamente seus seguidores com centenas de notícias a favor do candidato e contra seus adversários.

O acidente o obrigou a ficar fora dos debates, o que evitou o confronto direto com seus competidores e o poupou do questionamento de suas posições mais polêmicas, seja em relação a minorias, seja sobre as suas propostas para a economia, saúde e educação. Acabou ganhando exposição gratuita na mídia a cada boletim médico, e apareceu mais humanizado diante dos eleitores. Foi ganhando apoios públicos de políticos, empresários e de pastores evangélicos, como Edir Macedo, dono da Record, que lhe deu de presente uma entrevista de 30 minutos, exibida durante o último debate da rede Globo. Ali, apareceu em sua casa, atendido por um enfermeiro, e até com sua bolsa intestinal que precisou adotar depois do atentado. Uma imagem que suspendeu a fama de agressivo e violento que seus adversários tentaram colar nele durante toda a campanha.

Poucos dias antes da facada em Juiz de Fora, Bolsonaro havia chocado o país ao sugerir “fuzilar a petralhada” em um comício em Rio Branco, capital do Acre, e ao ensinar crianças a fazer o gesto de uma arma nas mãos. Até virar candidato oficialmente, soube fazer fama com seus comentários politicamente incorretos, e seu desprezo pela esquerda. Subiu nas pesquisas fomentando o antipetismo, e jogando bombas desestabilizadoras, como as suspeitas levantadas para as urnas eletrônicas – sem provas —, ou a ameaça de que não reconheceria o resultado se não fosse ele o vitorioso. Voltou atrás nesta última, mas o boato sobre as urnas foram fermentadas nas redes pelos seus filhos e amplificadas por seus seguidores.

Nesta segunda etapa, terá o mesmo tempo de propaganda que Haddad, e o candidato deve vestir o uniforme de paz e amor para blindar sua votação e evitar que os votos dos adversários derrotados migrem para Haddad.

Já o petista deve encarar uma batalha de Sansão contra Golias, num dos contextos mais arriscados e desfavoráveis que seu partido já experimentou. Entrou na campanha oficialmente no dia 11 de setembro no lugar do ex-presidente Lula, preso desde abril em Curitiba. Até então, era Lula o candidato oficial do PT registrado no Tribunal Superior Eleitoral no dia 15 de agosto. Liderava as pesquisas eleitorais com quase 40% dos votos, mostrando que seu eleitorado estava mais órfão do que nunca diante de um quadro de economia arrochada para garantir o ajuste fiscal. No início de setembro, o tribunal barrou sua candidatura e Haddad assumiu a cabeça de chapa com Manuela D’Ávila (PCdoB) como vice.

Tem a seu favor um Nordeste fiel que reelegeu governadores petistas já no primeiro turno, como é o caso do Ceará, com Camilo Santana (79,5% dos votos), e da Bahia, com Rui Costa (75,9%). A memória do lulismo garantiu a Haddad uma transferência de votos em três semanas que o levou ao segundo turno. Passou de minguados 6% para 22% na reta final. Deve contar com o apoio de Ciro Gomes que logo após o resultado oficial, disse que tomaria suas posições logo, e não trairia sua história de luta pela defesa da democracia e contra o fascismo. “Só posso dizer que ele, não”, ironizou Ciro, em referência a Bolsonaro.

Nos próximos vinte dias da campanha o tabuleiro no Brasil não colocará apenas um candidato contra o outro. Vai testar a união dos partidos de esquerda, mais progressistas, e a força da onda conservadora puxada por Bolsonaro que se alimentou até aqui pelo ódio ao PT. Agora, será a hora da verdade, onde os dois candidatos serão cobrados a dizer a que vieram e se vão resistir aos limites democráticos que o país vêm construindo há 30 anos.  Ambos têm rejeição altíssima, e será um teste definitivo para saber quem terá capacidade de desarmar a bomba relógio que se instalou no país na guerra surda que a política embalou nos últimos anos. 

“Onde Deus possa me ouvir”. Leila Pinheiro. A voz e a arte de uma grande interprete. Sob encomenda para esta maravilhosa composição. Confira!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

out
08
Posted on 08-10-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 08-10-2018

Os ecos bolivarianos de Hamilton Mourão

 

O relato tem se repetido em quase todos os países onde a apuração das urnas trouxe coisas desagradáveis. Seja na eleição de Trump ou no Brexit [a saída do Reino Unido da União Europeia], sempre está ali a grande massa dos chamados perdedores da globalização, trabalhadores empobrecidos e raivosos, com pouca formação, vítimas propícias para qualquer caudilho demagogo. Pouco ou nada disso tem a ver com o movimento que pode colocar na Presidência do sétimo país mais populoso do planeta Jair Bolsonaro, um ex-capitão e paraquedista amante do Governo militar, da tortura e das execuções policiais; machista e racista, além de profundamente ignorante sobre qualquer assunto que não inclua a exibição de testosterona.

Desafiada a responder às mazelas, a elite escolhe tiro, porrada e bomba.” Quem deu esse título a um artigo da Folha de S. Paulo não foi nenhum furioso da esquerda, e sim Reinaldo Azevedo, um dos nomes mais importantes da direita liberal brasileira. Prova disso é a Bolsa, que estoura champanhe após cada pesquisa favorável a Bolsonaro. Ninguém ganha eleição sem penetrar em todas as camadas sociais, é claro, mas as cifras do instituto de pesquisas Datafolha são inequívocas. Entre os brasileiros com ensino superior, o apoio ao ex-capitão supera 40%, contra 20% dos que não concluíram o ensino fundamental. Sua intenção de voto entre os pobres – os que vivem com uma renda familiar mensal de até dois salários mínimos (1.908 reais) – é também de 20%. Já o respaldo entre as classes média e alta chega a 50%. Bolsonaro tem 42% das intenções de voto entre o eleitorado masculino e 28% entre o feminino.

Até alguns meses atrás, o mundo do dinheiro ainda via o candidato do Partido Social Liberal (PSL) com desconfiança. Não tanto por ele dizer que os direitos humanos são “esterco”, mas por sua concepção estatal da economia. Como esses princípios não agradavam, ele trouxe outros: contratou o ultraliberal Paulo Guedes para ser seu guru na área econômica – e todos os temores desapareceram. Basta ver a avalanche de pronunciamentos a favor dele por parte das grandes empresas, que já não escondem sua entrega ao macho alfa que promete limpar o Brasil de assassinos e ladrões. Assim acabou a revolta que em 2016, com a liderança dos setores sociais mais abastados, conseguiu tirar do Governo, após 14 anos, um Partido dos Trabalhadores (PT) assediado pela crise econômica e a corrupção.

Para a elite brasileira, o verdadeiro perigo não é Bolsonaro, mas o PT. Isso embora o partido de Lula nunca tenha mexido na tributação das grandes rendas nem nacionalizado uma empresa. Apesar de ter destinado amplos recursos para ajudar grandes companhias privadas. E apesar de que, embora milhões de pessoas tenham saído da pobreza, os ricos tenham ficado ainda mais ricos durante seus mandatos. Boa parte dos brasileiros está convencida de que o programa oculto do PT é transformar o país numa nova Venezuela. Enquanto isso, os únicos ecos bolivarianos que se ouvem, em versão extrema-direita, provêm do candidato a vice de Bolsonaro. Tão ou mais macho que seu chefe, o general da reserva Antônio Hamilton Mourão especula abertamente com o cenário de um autogolpe presidencial e lança a ideia de uma nova Constituição redigida por uma “comissão de notáveis”, sem representantes populares. Palavrório puro, dizem muitos dos entregues à causa. A autêntica ameaça é encarnada pelo PT. E, se for preciso, deve ser freada na base da “porrada”.

out
08

Da Tribuna da Bahia, Salvador

 

Foto: Reprodução


O governador da Bahia, Rui Costa (PT), garantiu matematicamente a reeleição. Com 70,82% das urnas apuradas, ele contabilizava 75,78% dos votos e governará o Estado por mais quatro anos. Seu principal adversário, o ex-prefeito de Feira de Santana José Ronaldo (DEM), tem até então 21,88% dos votos válidos e já não pode, matematicamente, virar a eleição. A vitória é a quarta seguida do PT na Bahia e consolida o espólio do partido no Estado, que governa há 11 anos.

Em terceiro lugar, com 0,72%, ficou o candidato do PSOL Marcos Mendes, seguido de João Henrique Carneiro (PRTB), com 0,58%, João Santana (MDB), com 0,51%, Célia Sacramento (Rede), 0,49%, e Orlando Andrade, 0,04%.

Brancos somam 3,91% dos votos e nulos 14,36%

Rui Costa é economista e ex-sindicalista. Foi secretário de governo do ex-governador Jaques Wagner, quando cuidava da articulação política e se cacifou para disputar a sucessão do padrinho político. Petista de origem, mas de perfil mais conservador, o governador tem posições divergentes do partido em áreas como a segurança pública, na qual ele defende, por exemplo, endurecimento de penas para criminosos.

Ainda assim, seu governo ostenta altos índices de violência, com taxa de homicídios recorde. No episódio mais polêmico de sua gestão, defendeu policiais militares após uma chacina que matou 12 jovens em um bairro periférico de Salvador. Virou alvo da militância do PT e de movimentos de defesa dos direitos humanos, mas ganhou a confiança da classe média, onde avançou nas pesquisas de intenção de voto, segundo o Ibope.

Com cerca de 10 milhões de eleitores, a Bahia é o quarto maior colégio eleitoral do País. Com economia estruturada principalmente pela agricultura, no interior, e pelos serviços, na capital, o Estado tem como principais desafios para o próximo governante os índices de segurança e da educação, área onde ostenta o pior Ideb do País.

Resultado de imagem para Janaina Paschoal a deputadamais votada do Pais

 DO BLOG BAHIA EM PAUTA

Janaina é deputada estadual mais votada da história

 

À semelhança de Eduardo Bolsonaro, recordista de votação para a Câmara, Janaina Paschoal é oficialmente a deputada estadual mais votada da história do país, registra a Folha.

Com 98,29 das urnas apuradas em São Paulo, a coautora do pedido de impeachment de Dilma Rousseff tinha 2.031.829 votos para a Alesp.

Ela superou inclusive a votação de Eduardo, que a essa altura da apuração estava com 1.814.443 votos para a Câmara.

out
08
Posted on 08-10-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 08-10-2018


 

Nani, no site

 

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