“São João sem Futrica”, Luiz Gonzaga: Feliz São João, em casa! Ano que vem, com Fé em Deus, vai rolar fogueira! Bom início de semana, com a Certeza que a Saúde Vale Mais!

BOM DIA E BOM COMEÇO DE SEMANA!

(Gilson Nogueira)

maio
25
Reveja repercussão de Sergio Moro na Lava Jato - Migalhas Quentes
Do Estadão: Reproduzido da página da autora teatral e cronista  Aninha Franco (República do Pelô) , no Facebook
O ex-ministro Sérgio Moro afirmou que não entrou no governo Jair Bolsonaro ‘para servir um mestre’. “Entrei para servir ao País, à Lei”, disse em entrevista à revista Time. O ex-juiz da Lava Jato relatou à publicação norte-americana sua passagem pelo primeiro escalão do Executivo e as denúncias que fez ao renunciar ao cargo no final de abril.
“Não era minha intenção atingir o governo”, disse. “Mas eu não me sentiria confortável com minha consciência sem explicar porque eu estava saindo”.
Ao anunciar a saída do governo, o ex-ministro acusou Bolsonaro de tentar interferir no comando da PF para obter informações sigilosas.
A declaração levou à abertura de um inquérito, atualmente voltado para a divulgação de gravação de reunião ministerial do dia 22 de abril, encontro no qual, segundo Moro, o presidente afirmou que iria interferir em todos os ministérios para obter relatórios de inteligência.
De acordo com um trecho transcrito pela Advocacia-Geral da União, Bolsonaro teria dito: “Eu não vou esperar f. minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura. Vai trocar; se não puder trocar, troca o chefe dele; não pode trocar o chefe, troca o Ministro. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira”.
O Planalto alega que o uso da palavra ‘segurança’ se trata da segurança pessoal do presidente – mas Moro afirma que se trata da chefia da Polícia Federal no Rio, foco de interesse da família presidencial.
À revista Time, Moro alegou que aceitou o convite para ingressar o governo Bolsonaro como uma ‘oportunidade para consolidar as conquistas da Lava Jato e fortalecer permanentemente a lei em Brasília’. Porém, após sucessivas derrotas no comando da Justiça ocasionadas até pela falta de apoio do Planalto, sua permanência no governo passou a ‘perder o sentido’.
O sentimento teria se agravado após a aproximação de Bolsonaro com parlamentares do Centrão.
“Eu não posso estar em um governo se não tenho um compromisso sério contra a corrupção e o Estado de Direito”, disse.
Ao ser questionado se aceitaria o posto em uma eventual vitória petista em 2018, Moro respondeu que isso ‘não seria possível sem que o PT reconheça seus erros passados’. “Precisa ser um compromisso sério”, afirmou. “Infelizmente, o governo que foi eleito também não tinha isso.”

Secretário de Vigilância em Saúde anuncia que deixará a pasta nesta segunda

Wanderson de Oliveira foi peça chave na gestão de Luiz Henrique Mandetta e planejava deixar o cargo antes mesmo da saída do ex-ministro


postado em 24/05/2020 11:15

 
(foto: Marcello Casal JrAgência Brasil)
(foto: Marcello Casal JrAgência Brasil)
 

O secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, anunciou que deixará a pasta na próxima segunda-feira (25/5). Wanderson foi peça chave na gestão de Luiz Henrique Mandetta e planejava deixar o cargo antes mesmo da saída do ex-ministro. Em uma mensagem enviada a grupos de Whatsapp do Ministério da Saúde, Wanderson oficializou a informação. 

“Amanhã (HOJE), dia 25/05, deixarei definitivamente a função de Secretário de Vigilância em Saúde. A decisão foi tomada em 15/04, antes mesmo da saída do Ministro Mandetta a quem sou eternamente grato”, disse o secretário na mensagem. 

Wanderson já tinha pedido para sair do Ministério da Saúde assim que os rumores sobre a saída de Mandetta começaram a crescer. No entanto, Mandetta, na sua última coletiva de imprensa, em 15 de abril, informou que não aceitou a demissão do secretário

 

Na mensagem enviada aos servidores da pasta, Wanderson disse que desde a chegada de Nelson Teich, agora também ex-ministro da Saúde, colocou o cargo a disposição. “Ele (Teich) me pediu para ficar mais algumas semanas. Assim procedemos e combinamos que após minhas férias em 20/05, iríamos acertar a data da publicação da exoneração”, explicou. 

O secretário de Vigilância em Saúde deixa o ministério em meio ao crescimento exponencial de casos e mortes da covid-19. O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, que acertou a exoneração de Wanderson na última quarta-feira (20/5), pediu para que o secretário continue ajudando no combate ao novo vírus. 

Wanderson afirma que continuará “com o maior prazer”. “Somos da mesma instituição, Ministério da Defesa e nós conhecemos desde janeiro de 2019 onde conheci seu trabalho a frente da operação acolhida.” 

maio
25

DO CORREIO BRAZILIENSE

Segundo nota assinada pelo secretário de Saúde do STF, o ministro está bem e respira sem ajuda de aparelhos


 
(foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF)
(foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF)

Após ser hospitalizado no sábado (23/5) para drenagem de um pequeno abscesso, o ministro e presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, apresentou sintomas respiratórios que sugerem uma infecção pelo novo coronavírus. Por isso, o ministro segue internado para ser observado. 

A informação foi divulgada por meio de nota assinada pelo secretário de Saúde do STF, Marco Polo Dias. Segundo ele, o ministro está bem e respira sem ajuda de aparelhos. 
“Na última quarta-feira, 20, o ministro foi submetido a teste diagnóstico para o novo coronavírus, que foi negativo”, diz a nota. 

maio
25
Posted on 25-05-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-05-2020

DO SITE O ANTAGONISTA

Dois dias antes de Jair Bolsonaro sacar em rede social a Lei de Abuso de Autoridade para tentar se defender na investigação de interferência indevida na Polícia Federal, O Antagonista fez e publicou o vídeo de uma entrevista com o procurador Roberson Pozzobon, da Lava Jato em Curitiba, sobre os efeitos dessa lei e de outros itens aprovados pelo Congresso e sancionados pelo presidente, como a criação da figura do juiz de garantias e as restrições à prisão preventiva e à delação premiada; além do fim da prisão em segunda instância, decidido pelo STF.

“Se de um lado existe uma vedação de decretação de prisão em determinas circunstâncias com normas abertas, palavras que dão margens a interpretações bastante diferentes, e de um outro existe a Lei de Abuso, que criminaliza determinadas condutas, isso acaba gerando uma engrenagem de travamento daqueles que querem, ou que arriscam – porque o cenário agora é de risco –, investigar, processar e julgar criminosos de colarinho branco”, disse Pozzobon.

O procurador também explicou em detalhes que o fim da prisão em segunda instância “diminui o incentivo para colaboradores” e comentou que sua retomada por meio de PEC ou PL, defendida por Sergio Moro e prometida no final de 2019 por parlamentares para 2020, foi deixada de lado.

“Tudo isso funcionando de forma concatenada acaba trazendo um baita retrocesso para o nosso sistema anticorrupção brasileiro – um retrocesso que certamente não trará vantagem alguma para o contribuinte, trará talvez vantagem para aqueles que desviam.”

Assista à íntegra da entrevista:

maio
25
Posted on 25-05-2020
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 Dálcio, NO
(sp)

 

DO EL PAÍS

A série ‘Hollywood’, da Netflix, recuperou em uma de suas tramas o nome de Lee Miller, uma mulher que viajou pelo mundo, foi precursora da fotografia surrealista e morreu deixando centenas de segredos em um sótão

Lee Miller, em sua fase de modelo, fotografada para a ‘Vogue’, em 1931, por George Hoyningen-Huene. / George Hoyningen-Huene / Condé Nast / Getty Images
Lee Miller, em sua fase de modelo, fotografada para a ‘Vogue’, em 1931, por George Hoyningen-Huene. / George Hoyningen-Huene / Condé Nast / Getty Images
 Eva Güimil

 

No quinto capítulo de Hollywood, uma das séries de sucesso da Netflix durante a pandemia, a personagem de Patti Lupone, produtora plenipotenciária de uma imitação da Paramount Pictures, oferece à mulher que Mira Sorvino interpreta (uma atriz fictícia chamada Jeanne Crandall) um papel que a fará ganhar o Oscar. Trata-se de Lee Miller.

Sorvino aceita de bom grado, embora não saiba quem é. Nada incomum em 1947, o ano em que mais ou menos se desenrola a cena. Lee Miller é provavelmente a desconhecida mais fascinante do século XX. Modelo, fotógrafa, amante e parceira de Man Ray, musa de Picasso e Cocteau, socialite, precursora da food porn e uma das primeiras civis que testemunharam o horror dos campos de extermínio, uma experiência que a mudou para sempre.

A primeira vez que Elizabeth Miller (Poughkeepsie, Nova York, 1907-1977) foi chamada de Lee Miller se deu na capa da Vogue, em uma aquarela de George Lepape, e sua chegada lá quase parece um clichê de romance romântico. Enquanto caminhava por Manhattan esteve a ponto de ser atropelada, mas um pedestre, que a observava absorto, interveio. O seu salvador não era outro senão Condé Montrose Nast, o homem que fez da Vogue uma lenda e hoje dá nome a uma poderosa editora de moda, atualidades e luxo.

A publicação procurava uma mulher que representasse a nova modernidade percebida nas ruas de Nova York, e Lee se encaixasse no perfil. Tinha um certo ar europeu com seus cabelos curtos e porte sofisticado e, ao mesmo tempo, era profundamente norte-americana graças ao corpo atlético e grandes olhos azuis. A câmera não era algo estranho para ela. Seu pai, apaixonado por fotografia, a havia imortalizado obsessivamente, mesmo em nus que hoje poderiam ser considerados perturbadores. Tinha utilizado isso como terapia: quando estava com apenas sete anos, Lee havia sido estuprada por um conhecido da família que também a infectou com gonorreia, um detalhe revelado por seu filho Antony Penrose em The Lives of Lee Miller.

Para curar seu corpo, sua mãe a banhava em água sanitária e desinfetava tudo o que tocava. Para curar sua alma, seu pai ––seguindo o conselho de um psiquiatra–– tentava fazê-la recuperar o controle de seu corpo, exibindo-o permanentemente.

Em 'Hollywood', a série Netflix criada por Ryan Murphy, Mira Sorvino interpreta uma atriz fictícia a quem é oferecido o papel de Lee Miller em uma cinebiografia.
Em ‘Hollywood’, a série Netflix criada por Ryan Murphy, Mira Sorvino interpreta uma atriz fictícia a quem é oferecido o papel de Lee Miller em uma cinebiografia.

Com a capa da Vogue, essa exposição chegou a todo o país. Nos anos 20, os melhores fotógrafos queriam sua imagem, seu rosto se multiplicava de costa a costa, como os de divas como Greta Garbo, Clara Bow e Louise Brooks. Mas, no auge da carreira, descobriu algo que parece tão moderno como a cultura da anulação de uma pessoa. Uma foto sua terminou em um anúncio de absorvente higiênico da marca Kotex e isso provocou um escândalo. Era a primeira vez que um produto de higiene íntimo era promovido por uma mulher de verdade. As demais marcas consideraram indigno que ela aparecesse em seus anúncios e pararam de chamá-la. Não se importou: fez as malas e foi para a muito menos puritana Paris, satisfeita por ter contribuído para romper um tabu absurdo.

De fotografada a fotógrafa

O vórtice cultural que a capital francesa era na década de 1920 a enredou. Foi atraída por novas tendências artísticas e, sobretudo, por um homem em particular: Emmanuel Radnitzky, mais conhecido como Man Ray, outro norte-americano exilado em Paris, o homem que tinha estado na origem do dadaísmo e do surrealismo. Seu primeiro encontro foi tão cinematográfico como o que a levou à capa da Vogue. Ela lhe pediu que a aceitasse como aluna, mas o homem cujo epitáfio (no cemitério de Montparnasse) o define como “despreocupado, mas não indiferente” respondeu que não tinha alunas e que iria no dia seguinte para Biarritz. Ela respondeu: “Eu também”. E o acompanhou.

Lee se tornou sua aprendiz, amante e principal modelo, e, como costuma acontecer quando se revê a história de mulheres que compartilham o trabalho com homens, seus trabalhos eram misturados no estúdio e muitos foram atribuídos erroneamente a Ray.

De fato, sua influência foi decisiva em algumas das inovações do fotógrafo, como depois de se assustar porque um rato pousou em seus pés. Acendeu a luz antes de terminar um processo de revelação e assim inventou a solarização. Um efeito que enfatiza os contornos dos corpos, gerando um dramatismo que ambos exploraram, mas permanece associado a ele. Para o mundo, ela era apenas a musa dele e em alguns livros de fotografia até se referem a ela como “seu técnico de laboratório”, ignorando até que Lee era uma mulher.

No entanto, ela possuía estilo próprio e algumas de suas fotografias como o Nude Bent Forward (nu inclinado para a frente), que o olho humano identifica como um pênis ou uma bunda, e que justifica as teorias de Freud sobre a sexualidade cotidiana, são seu expoente máximo.

O que começou como uma tutoria terminou como um duelo de egos que Ray, acostumado a modelos silenciosas que se limitavam a passar do estúdio para a sua cama, não sabia administrar. Ele a admirava e ao mesmo tempo era obcecado por ela. Quando percebeu que os sentimentos de Ray por ela tornariam impossível o seu desenvolvimento como artista, ela foi embora. Para se livrar de sua influência, Man Ray a estilhaçou e começou a fragmentar de modo obsessivo sua anatomia, especialmente olhos e lábios.

Lee Miller com alguns soldados em Rennes (França) em 1944, para onde foi como fotógrafa de guerra.
Lee Miller com alguns soldados em Rennes (França) em 1944, para onde foi como fotógrafa de guerra. Getty Images

Uma das obras resultantes é Objeto para ser Destruído, um metrônomo em cujo pêndulo ele adicionou uma fotografia de um olho de Lee e que incluía um pequeno manual de instruções: “Coloque no pêndulo de um metrônomo o olho da pessoa amada que você não voltará a ver. Ponha o metrônomo para funcionar até o limite de sua resistência. Com um martelo, tente destruí-lo de um só golpe”. Duas décadas depois, um grupo de estudantes de arte levou a obra ao pé da letra e aos gritos de “Viva a poesia! destruiu o metrônomo de Ray. Com o dinheiro do seguro, ele comprou outros cem e hoje eles podem ser vistos em vários museus, como o Reina Sofia. Dadaísta, sim, precavido, também.

Adeus, Man Ray

Não foi o único cativado pela beleza de Lee Miller. Pablo Picasso a pintou seis vezes e Jean Cocteau a incluiu em seu filme O Sangue de um Poeta, outro motivo para um surto de raiva de Ray, que queria Lee só para ele. Sua obsessão por Miller pode ser seguida pelas cartas do artista, que tenta segurá-la pedindo a em casamento. Mas ela o rejeitou.

Miller fugiu para os Estados Unidos para se distanciar dos egos desmedidos da capital da arte e montou um lucrativo estúdio de fotografia, tendo clientes como Elizabeth Arden, Helena Rubinstein e Saks Fifth Avenue. A Nova York que tirava a poeira da Grande Depressão parecia o pior lugar para começar um negócio, mas seus retratos solarizados triunfaram e toda a alta sociedade queria ser imortalizada por sua câmera. Quando o calor do verão nova-iorquino se tornou sufocante demais para ela, fechou o estúdio, pensando em abandoná-lo somente por dois meses. Nunca voltou.

Pelo caminho cruzou com o rico empresário e engenheiro egípcio Aziz Eloui Bey. Depois de Nova York e Paris, Lee Miller chegava ao Cairo. Durante três anos, viveu como um personagem de Paul Bowles, tão loira, tão branca, tão independente, viajando por aquela Cairo ancestral em que se sentia purificada. A mulher que tinha oscilado entre as agitadas Nova York e Paris levou três anos para se cansar da languidez cairota. Aziz não pôs obstáculos à separação: ela iniciava uma nova reinvenção.

Instalou-se em Londres e recuperou seu círculo de amigos: Picasso e Dora Maar, Paul Eluard e Nush e Man Ray com Ady, sua nova amante ––a primeira mulher negra a aparecer em uma revista de moda. E com eles, Roland Penrose, um artista britânico endinheirado, fascinado pelo movimento surrealista e conselheiro do Exército britânico na técnica de camuflagem.

Juntos, compartilharam um verão em Mougins, durante o qual Miller se reconciliou com parte de seu passado e documentou fotograficamente. Tornou-se amante de Penrose e se estabeleceu em Londres, embora a guerra se intensificasse e seus amigos lhe implorassem que abandonasse a Europa, como fazia a maioria dos norte-americanos. Mas ela preferiu ali permanecer e, em meio aos bombardeios que devastavam Londres, decidiu dar uma nova orientação à sua arte.

Em 1942, convenceu a Vogue a lhe conseguir uma credencial de correspondente e se juntou ao Exército a lado do jornalista David E. Sherman, da Life. Após o desembarque na Normandia, ambos percorreram durante meses uma Europa devastada pela barbárie.

Lee Miller conversa com o crítico de arte Frederick Laws na inauguração de uma exposição de Picasso em Londres em 1950.
Lee Miller conversa com o crítico de arte Frederick Laws na inauguração de uma exposição de Picasso em Londres em 1950.Getty Images

A Vogue, que tinha sido cética à ideia de ter uma correspondente de guerra, encontrou material excepcional. Lee havia entrado com sua câmera em lugares permitidos apenas ao Exército. Em seu uniforme militar e ao lado da 83ª Divisão de Infantaria do Sétimo Exército dos EUA, testemunhou a morte de dezenas de crianças em um hospital de Viena, documentou o uso de napalm pela primeira vez na Europa, visitou as casas dos ex-comandantes do Exército alemão em cujos aposentos jaziam os corpos daqueles que preferiram cometer suicídio com suas famílias, a ser julgados, e fotografou o horror de Buchenwald e Dachau.

Depois de visitar campos de extermínio, chegou a Munique, no apartamento particular de Hitler, na Prinzregentenplatz, e quase sem pensar se despiu e entrou na banheira do ditador. Horas antes, Hitler e Eva Braun haviam se suicidado em seu bunker. Scherman conseguiu a melhor foto de sua vida, Miller nua com o olhar perdido em um quarto branco asséptico no qual apenas o barro de Dachau ––que ainda permanecia em suas botas–– permitia entrever que aquela não era uma cena da vida cotidiana. Foi severamente julgada pelo que alguns consideraram uma frivolidade. Ela estava apenas tentando exorcizar o horror, a tristeza por aquela Europa vigorosa e brilhante que agora se desvanecia em cacos. Quantos de seus amigos teriam morrido de fome e frio, quantos foram humilhados e torturados pelo regime nazista?

Reencontrar os amigos foi sua obsessão depois do fim da guerra. Quando entrou em uma Paris recém-libertada, o primeiro lugar que visitou foi o número 7 na Rue des Grands-Augustin, a casa de Pablo Picasso. “Você é o primeiro soldado aliado que eu vejo”, disse ele a sua ex-modelo (que teve dificuldade de reconhecer no uniforme militar). A amizade deles permaneceu por toda a vida.

A última grande festa

O mundo estava se recuperando e Lee trocou o pó das trincheiras pelas primeiras coleções de alta costura do pós-guerra e pelo retorno da vida cotidiana às grandes capitais da Europa Ocidental. Em 1947, engravidou sem ter planejado e se casou com Penrose. Eles se instalaram em uma fazenda em Sussex e ela abraçou a vida doméstica com o mesmo fervor com que havia submergido nas etapas anteriores de sua existência. Sua casa se tornou um local de encontro de artistas e de festas perpétuas, mas ela nunca se recuperou completamente do que havia vivido. Sofria de transtorno de estresse pós-traumático e se refugiava cada vez mais no álcool.

Mas ainda teve tempo de se reinventar uma vez mais: trocou o quarto escuro pela cozinha e começou a inovar como tinha feito antes com a fotografia. Graduou-se na Le Cordon Bleu, em Paris, colecionou mais de 2.000 livros de culinária para os quais teve que arrumar um quarto e criou receitas que combinavam a cozinha tradicional norte-americana com o surrealismo: couves-flores rosa, espaguetes azuis, peitos de frango verdes, pudim de ameixa com molho azul, sorvete de marshmallow e refrigerante … sua cozinha era um reflexo de si mesma.

Apesar de anotar todas as receitas, nunca cumpriu seu objetivo de compilá-las em um livro, o que só seria feito por sua neta Ami Bouhasanne em 2017 em Lee Miller: A Life with Food, Friends and Recipes.

Naquela fazenda de Sussex não restava nada da mulher que o MI5 tinha investigado por medo de que fosse uma espiã soviética perigosa. Ou talvez tenha sobrado muito. Miller passou os últimos anos de sua vida quase reclusa em um quarto que também era um bar, vendo desvanecer-se a beleza com a qual nunca se importara e se distanciando de todos a seu redor, incluindo seu filho. Quando morreu de câncer aos 70 anos, era um enigma para o mundo e suas realizações haviam desaparecido porque nunca tivera o interesse em promovê-las.

Era também difícil reconhecer nela a modelo que tinha sido: o álcool e a depressão haviam cobrado seu preço. Era um mistério até para o filho, com quem havia tido uma relação complexa e que ignorava todo o passado daquela mulher de quem só se lembrava de estar irritada. Após sua morte, ele descobriu no sótão dezenas de milhares de negativos, documentos, jornais, câmeras, cartas de amor e lembranças que formavam parte da espinha dorsal da história europeia recente, uma história em que Lee Miller fora protagonista, mesmo que ninguém se lembrasse dela. Mesmo que, ao morrer o obituário do The New York Times se referisse a ela simplesmente como Lady Penrose

 

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CRÔNICA

A cloroquina cristalina em Teresina

Janio Ferreira Soares

Nesses complicados tempos de idiotices sem fim, dois recentes acontecimentos que até pensei ter outro sentido acabaram por me levar a associá-los a um anjo louco com asas de um avião que decolou antes da hora, e a um velho querubim de brancas madeixas a lamber sua testa cheia de expressões de nãos e de sins.

O primeiro fato foi quando a ministra Damares soube pelas redes que no Hospital Regional de Floriano, cidade a cerca de 250 quilômetros de Teresina, dezenas de portadores do Covid-19 medicados com cloroquina estavam sendo curados. Aí, mesmo sem entender nada do assunto, nossa singela pastorinha da sagrada igreja onde o milagre da goiabeira se deu, pegou um avião e foi até lá testemunhar o fenômeno logo batizado por ela de “o milagre da cloroquina”, felizmente desmentido pelo diretor do hospital, Dr. Justino Moreira, que disse não haver prova do efeito da droga nos pacientes curados.

Dias depois, dando continuidade a essa doentia obsessão por um remédio que um estudo publicado ontem pela Escola de Medicina de Harvard diz que mata mais do que cura, foi a vez do nosso glorioso capitão relinchar mais uma de suas pérolas numa live assistida por centenas daqueles equídeos que se aglomeram diariamente no estábulo de seu quintal, sempre a postos pra seguir o mestre aonde quer que seu potoc, potoc vá, mesmo que o galope suicida siga o rumo do desfiladeiro das valas comuns. Mas voltando à frase, ei-la em todo seu esplendor: “Quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda toma tubaína”.

Como disse lá em cima, tivesse o mito ao menos folheado algum livro com o tecido morto de seus cascos, ou a ministra soltado à franja ao som de uma melodia sobre a poesia de Torquato, e eu até poderia achar que esse jogo de palavras misturando cloroquina e tubaína, mais a inútil viagem a Teresina, teriam sido uma espécie de provocação a Caetano, que, esquerdista até o talo, só lhe sobraria à opção de uma cajuína quente e choca antes de partir.

A propósito, pra quem não conhece como essa canção aconteceu, conta Caetano que ele a escreveu após uma visita à casa de seu Heli, pai de Torquato Neto, em Teresina. Era a primeira vez que os dois se viam depois do suicídio de Torquato, acontecido em 1972. Quase não se falaram. Apenas olharam fotos antigas, enquanto Caetano chorava sem parar. Sem saber muito o que fazer, seu Heli foi ao quintal, colheu uma pequena rosa e lhe deu. Em seguida, beberam uma cajuína, se despediram e, pra sorte nossa e dessa história, a mão do gênio esfregou a própria garrafa e permitiu que ela também pertencesse ao mundo.

Logo no começo, uma afirmação e a pergunta: “Existirmos: a que será que se destina?”. Se me permite uma resposta, meu velho baiano, a isso daí é que não. Viva Torquato Neto!

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.

“Tudo se transformou”, Demônios da Garoa: e a questão é samba aqui está, no domingo do Bahia em Pauta uma verdadeira raridade um das mais bonitas composições do carioca Paulinho da Viola interpretada pelos inimitáveis Demônios da Garoa, de Sampa. Gravação incluída no raro LP “Abre a Gira”, de 1973.. Os Demônios nessa época contavam com a seguinte formação: Arnaldo Rosa (voz e ritmo), Ventura Ramirez (violão de 7 cordas), Canhotinho (cavaquinho), Toninho (violão tenor) e Cláudio Rosa (pandeiro). Maravilha!!!

BOM DIA!

(Vitor  Hugo Soares)

“Tudo se transformou”, Demônios da Garoa:

maio
24
Posted on 24-05-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 24-05-2020

Do Jornal do Brasil

 

 

IESA RODRIGUES, cadernob@jb.com.br

Entre as muitas discussões e desorientações que agitam o mundo da moda e da indústria do vestuário e acessórios, as soluções ainda parecem indefinidas. Durante quanto tempo as vendas pelo e-commerce vão durar? Como lançar novidades, que ninguém sabe se terão uso ou local para exibir?

Mas esta situação não é nova, nem deriva apenas da pandemia. Uma prova é o que a americana Donna Karan vem anunciando desde o final dos anos 1990.

“Por alguma razão além da minha compreensão, as lojas querem receber suéteres de cashmere em julho. Claro que as consumidoras sabem que podem esperar pelas liquidações em outubro, quando realmente começa a esfriar.Temos que vender as roupas certas no tempo certo”, ela dizia em 1997.

Em 2010, ela pensava nos lançamentos: “temos que reduzir o número de peças mostradas nos desfiles e apresentações para a imprensa. Por que antecipar as novidades cinco meses antes de irem para as lojas? Não faz sentido, quando está nevando, as pessoas não encontram botas ou um casaco quente. “ A solução dela foi criar uma marca atemporal, a Urban Zen em 2016.

Enquanto Karan dava estes palpites, os colegas de profissão fingiam que davam atenção. Até que a crise desta pandemia assustou todo o setor. Designers, empresas e fabricantes estão tentando se reunir, enfrentando falências e fechamentos de muitas lojas poderosas, como a Neiman Marcus e a Nordstrom, nos Estados Unidos. Como lançar as semanas de moda, como organizar as entregas para o varejo e competir com as redes de fast fashion, são apenas algumas questões atuais, ainda sem definições. Nesta semana, alguns anúncios parecem trazer uma volta ao consumo normal. Um exemplo é o Aventura Mall, de Miami, que reabriu na quinta-feira, dia 21.

Donna Karan não foi a única profetiza desta situação. O desfile do inverno 2020/2021da grife Maison Margiela, assinado pelo genial John Galliano, mostrou suas visões do que vamos vestir (ou já estamos vestindo): na complementação, as modelos usavam máscaras e as bolsas eram protegidas, cobertas com plástico.

Para encerrar, uma ícone da moda, a holandesa Iris Van Herpen também faz sua profecia. “ Vamos voltar à roupa on demand”. O que significaria isto? A volta às costureiras? Aguardemos as próximas iniciativas.

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