OPINIÃO

Bolsonaro e seu estranho Deus das armas

Bolsonaro debate Band
Candidato à Presidência Jair Bolsonaro em coletiva no Congresso. ADRIANO MACHADO REUTERS

O ex-paraquedista Jair Bolsonaro, de extrema direita, candidato a presidente, considera como “uma missão de Deus” que o Brasil tenha um Governo formado por militares. Assim manifestou dias atrás no Fórum da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), em São Paulo. “No meu ministério terei, sim, muitos militares”, afirmou. E seriam de primeira divisão, “atacantes como Neymar”. Pensa portanto, se ganhar as eleições, em colocar nas mãos desses generais do Exército os ministérios-chaves do seu Governo. E tudo isso por fidelidade a Deus.

Bolsonaro justifica um possível Executivo composto por militares argumentando que, se os presidentes anteriores escolheram como ministros “guerrilheiros, terroristas e corruptos”, como diz polemicamente, por que não poderia ele convocar generais do Exército? O ex-paraquedista quis unir em um só abraço, hábil e eleitoreiramente, as duas instituições que aparecem nas pesquisas como as mais bem avaliadas pelos brasileiros: o Exército e a Igreja. Pretende fazer um governo de militares como algo que Deus lhe pede. Desse modo, conseguiria o milagre, ou a aberração, de que o Exército pudesse governar o país sem ter que dar um golpe militar.

Ascanio Seleme retratou em uma de suas colunas no O Globo essa conjunção de Bolsonaro entre a Igreja e os militares durante a convenção que sacralizou sua candidatura à presidência: “Em alguns momentos, a convenção parecia um culto de uma grande igreja evangélica (…). Em outros momentos, a sensação era de que se estava dentro de um quartel”.

Bolsonaro é um personagem que sabe, além do mais, usar a falácia de querer resolver problemas complexos com receitas simplistas. Uma delas é a de querer tirar o país da crise política, econômica e moral que o castiga com uma equipe de governo formado por membros do Exército. Demonstrou que leva a sério esse projeto ao escolher como vice o general Mourão, que já tinha insinuado, meses atrás, a necessidade de uma intervenção militar frente à crise política e institucional que agita o Brasil.

Trata-se de um militar defensor da ditadura e da tortura, que se permitiu em seguida arriscar palpites culturais ao afirmar, com tons racistas, que os brasileiros sofrem da “indolência dos indígenas” e da “malandragem dos africanos”. Sua função de vice-presidente o coloca constitucionalmente, além disso, na possibilidade de chegar à presidência se, por algum motivo, o titular tiver que abandonar o cargo, algo quase já normal neste país.

Desde antes de Lula chegar ao poder foi criado o ministério da Defesa ocupado por civis, mas agora teríamos com Bolsonaro a anomalia de um Governo em democracia formado por generais. O Brasil apresentaria, nesse caso, uma série de problemas que poderiam comprometer gravemente a democracia. Os militares, cuja função é a de defesa do Estado, estariam governando, e isso poderia arrastar as demais instituições à confusão. É como se alguém quisesse criar um governo de juízes. Seria a morte do Estado de direito, que se funda na divisão de poderes. E tudo isso amalgamado na ambiguidade religiosa de Bolsonaro e seus acólitos, que já revelaram mais de uma vez querer governar com a Bíblia mais do que com a Constituição.

Não sei que estranho Deus das armas inspirou Bolsonaro a formar um Governo com o Exército para resolver os problemas do país. Não pode ter sido o Deus cristão, o dos evangelhos, cuja fé o militar professa, já que esse é um Deus de paz – “Todos aqueles que usarem da espada, pela espada morrerão” (Mateus, 26,52) –, de perdão e não de vingança, de respeito pelos diferentes, e defensor de todas as liberdades – “A verdade vos livrará” (João, 8,31) –, o Deus que condena a ambiguidade, que pediu a seus discípulos que respeitassem as instituições sem as confundir: “Deem a Deus o que é de Deus, e a César o que é de César” (Mateus, 17,24ss), respondeu Jesus aos fariseus que buscavam tentá-lo, confundindo Deus com o Estado.

Misturar o divino com o profano, a Igreja com o Exército e a fé com as urnas é preparar o terreno para novas guerras como as que a humanidade já sofreu no passado, muitas delas realizadas em nome desse Deus militar que hoje parece inspirar Bolsonaro. Pastores evangélicos e cristãos em geral começam a questionar se podem, sem trair sua consciência, votar num candidato cujo Deus é mais o das metralhadoras e da morte que o dos ramos de oliveira da paz, que são o coração do cristianismo ainda não poluído pelo poder profano.

Afogamento
Gilberto Gil

Vou correr o risco de afundar de vez
Sob o peso da insensatez
Já sem poder boiar
Estarei com alguém nariz contra nariz
O afogamento por um triz
PUBLICIDADE
inRead invented by Teads
Tentarei me salvar

Sempre assim
Sempre que o amor vaza a maré
Vou parar bem longe aonde não dá pé
Difícil de nadar

Outro dia o fato aconteceu enfim
Um golfinho, um anjo, um boto serafim
Chegou para me ajudar

Me agarrei àquele corpo liso e me deixei levar
Ao lado seu sorriso aberto a me guiar
Então eu relaxei e me entreguei completamente ao mar

Sempre assim
Sempre que o amor vaza a maré
Vou parar bem longe aonde não dá pé
Dificil de nadar

Outro dia o fato aconteceu enfim
Um golinho, um anjo, um boto, serafim
Chegou pra me ajudar

Me agarrei àquele corpo liso e me deixei levar
Ao lado seu sorriso aberto a me guiar
Então eu relaxei e me entreguei completamente ao mar

=========================

Belo e perfeito tema musical para a fortes e envolventes cenas românticas e dramáticas vividas pelo casal Rosa e Valentim , na novela “Segundo Sol”, ambientada em Salvador e litoral sul baiano, que fica melhor a cada dia. 

Nada a acrescentar. Só a desejar.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Eleições 2018 Lula
Militantes do PT usam máscara de Lula na Convenção Nacional do partido. NACHO DOCE REUTERS
São Paulo

O PT terá pela frente uma de suas disputas eleitorais mais difíceis desde que Lula concorreu pela primeira vez à presidência, em 1989. A campanha deste ano será feita com o ex-sindicalista e principal cabo-eleitoral da legenda de corpo ausente. Preso em Curitiba, ele não deverá ter acesso aos palanques e câmeras de TV. Neste cenário inédito, o partido terá que contornar uma série de problemas, como a exclusão dos debates na TV e a difícil tarefa de colar nos dois vices da chapa, o oficial, Fernando Haddad (PT), e a reserva, Manuela D’Ávila (PC do B), o rótulo de candidatos de Lula. 

Nesta última quinta-feira, o desafio se tornou claro. A insistência em manter Lula como o candidato fez com que o partido com o presidenciável líder das pesquisas ficasse de fora do primeiro debate, na TV Bandeirantes. O ex-presidente não foi autorizado a deixar a cadeia pela Justiça. E, para tentar compensar, Haddad e Manuela D’Ávila promoveram uma conversa paralela na internet, que nem de longe atingiu a popularidade do encontro televisivo. No dia seguinte, na porta da carceragem de Curitiba, a presidenta da legenda, Gleisi Hoffmann, afirmava em entrevista coletiva, após “uma longa conversa com Lula”, que o partido tomará todas as medidas jurídicas necessárias para que ele participe dos próximos debates. E que, se não conseguir, haverá um esforço para que Haddad vá em seu lugar. O próximo encontro entre presidenciáveis já acontece na próxima sexta-feira, na Rede TV.

Esta será apenas uma das dificuldades que o partido terá nos próximos meses. Nem mesmo a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV, que começa em 31 de agosto, trará novas imagens do ex-presidente. Desde que foi preso, em abril deste ano, a Justiça negou vários pedidos do PT para que equipes do partido –e até mesmo seu fotógrafo pessoal– pudessem captar vídeos de Lula. Assim, apenas imagens e áudios de arquivo do ex-presidente poderão ser utilizados. “Tem muito material que o Lula gravou antes de ser preso, já pensando nesse cenário de golpe”, disse uma fonte da legenda ao EL PAÍS. A ideia dos programas será colocar eminências petistas para apresentar Haddad, com o reforço de vídeos antigos do ex-presidente elogiando seu pupilo, que é quem deve tomar a cabeça da chapa caso a Justiça Eleitoral declare a inelegibilidade de Lula, condenado em segunda instância e, por isso, passível de ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa. O material é vasto: o ex-presidente foi o principal fiador e cabo eleitoral da campanha que levou Haddad à Prefeitura de São Paulo em 2012.

A tônica dos programas, conforme confirmado por petistas próximos à campanha, também será insistir na tese do golpe político-jurídico que levou o ex-presidente à prisão e o impediu de disputar a presidência em igualdade de condições. “O horário político será um instrumento de defesa da candidatura do Lula. E caso ela seja barrada [pelo Tribunal Superior Eleitoral], será uma denúncia disso. Assim vamos transformando acontecimentos jurídicos em elementos de campanha”, afirmou uma fonte do PT.

Pela primeira vez em décadas, o partido também chega à campanha sem um marqueteiro todo-poderoso, geralmente responsável não só pelos programas de rádio e TV, mas também por algumas decisões estratégicas da campanha. O histórico dos antigos marqueteiros do partido não é dos melhores. João Santana, que trabalhou na segunda campanha de Lula e na de Dilma Rousseff, foi condenado pela Lava Jato este ano e firmou acordo de colaboração premiada que prejudica o partido. Antes de Santana, o nome da propaganda petista era Duda Mendonça, um dos responsáveis por levar pela primeira vez na história o PT ao Planalto. Ele se viu envolvido no escândalo do Mensalão —do qual terminou absolvido em 2012—, apenas para voltar aos holofotes com a Lava Jato em 2016, o que o levou a também assinar acordo de delação premiada.

Desta vez, diz o partido, caberá a uma equipe formada principalmente por militantes e quadros internos se encarregar da propaganda da chapa de Lula. “É um trabalho coletivo mais adequado ao cenário das campanhas atuais”, explica o PT, em nota. O partido afirma ainda que a decisão de adotar este novo modelo não foi tomada “por questão de custos”, e sim para “superar o modelo antigo do marqueteiro”. Questionada, a campanha não respondeu sobre os problemas deste “modelo antigo”.

Dois ex-marqueteiros do partido se se viram envolvidos em escândalos de corrupção e se tornaram delatores

Pessoas ligadas à campanha petista afirmaram que o modelo da campanha controlada por um grande marqueteiro “estava ligado a uma grande preponderância dos programas de TV”, e que no cenário atual aposta-se em um aumento da importância relativa de outros meios de comunicação. Um exemplo disso foi o debate paralelo feito na última quinta-feira. Segundo o PT, o ao vivo realizado no Facebook teve “mais de um milhão de visualizações”. As menções ao nome de Lula, no entanto, foram inferiores às feitas aos outros candidatos que participaram do evento na Band.

Além disso, fontes petistas afirmam que “as campanhas hoje são mais baratas”, e que “praticamente não existem mais aqueles profissionais com perfil exclusivo de marketing político”. Apesar de ter trazido para dentro da estrutura do partido o papel de propaganda e marketing, petistas afirmam que o publicitário Sidônio Palmeira, responsável pelas campanhas vitoriosas dos petistas Jaques Wagner e Rui Costa na Bahia em 2006, 2010 e 2014, será uma espécie de “consultor informal” do partido. Ele nega, mas confirma que foi sondado: “Eu não sou nada [na campanha] (…) me procuraram pra fazer a campanha, eu estava fazendo a do Rui Costa, e me consultaram em algumas coisas, mas não estou no dia a dia, não estou em condições de falar sobre isso”, afirmou Sidônio à reportagem. O publicitário, no entanto, frisou que será importante que o PT resgate os feitos econômicos “da época do Lula, para contrapor à situação atual”.

A campanha petista será coordenada pelo economista Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras no período de 2005 a 2012. Sua passagem pela estatal foi marcada pelo crescimento da empresa, turbinado principalmente pela descoberta das reservas do Pré-Sal e pelo alto preço do barril de petróleo no mercado internacional. Anos depois de deixar o comando da Petrobras, no entanto, ele se viu arrastado para o furacão da Operação Lava Jato que varreu as gestões petistas. Gabrielli chegou a ter seus bens congelados pela Justiça e foi condenado em 2017 pelo Tribunal de Contas da União a ressarcir a estatal em mais de 100 milhões de reais. Segundo as investigações, ele teria tido um papel ativo na aquisição da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, que segundo o TCU causou prejuízos de mais de 790 milhões de dólares à petroleira.

Transferência de votos pode ser trunfo petista

Em um cenário no qual existem boas chances de Lula ser barrado das urnas, o partido aposta no fenômeno conhecido como transferência de votos para fazer com que os pouco mais de 30% de eleitores que o apoiam até o momento votem em seu vice, Haddad. De acordo com as últimas pesquisas, o ex-prefeito de São Paulo tem entre 6 e 8% das intenções de voto em um cenário sem o ex-presidente. No entanto, segundo levantamento do Instituto Datafolha, 30% dos eleitores afirmaram que votariam “com certeza” em um candidato indicado por Lula, enquanto 51% “não votariam jamais” e 17% votariam “talvez”.

A capacidade de transmissão de votos em uma situação como a de Lula, preso, “é algo difícil de mensurar, e o fenômeno é pouco conhecido neste contexto”, diz o cientista político Leonardo Avritzer, da Universidade Federal de Minas Gerais. De qualquer forma, o professor ressalta que o ex-presidente “conseguiu manter intenção de votos alta durante um grande período de tempo e em uma situação muito adversa, que foi a prisão”, o que é um sinal de que ele manteve seu “capital político”. “Existem variáveis como a empatia que o eleitor terá com o nome indicado pelo ex-presidente. Isso tudo depende do trabalho feito nas propagandas do partido para colar Haddad em Lula”, conclui.

Haddad disse que será “a voz de Lula” na corrida eleitoral, mas é difícil saber o quanto suas palavras ecoarão como sendo as do ex-presidente. Enquanto Lula for mantido como cabeça de chapa, o partido navegará praticamente às cegas com relação à popularidade de seu possível substituto. Isso porque enquanto não for barrado pela Justiça o nome do ex-presidente continuará aparecendo nas pesquisas, o que obrigará o PT a fazer seus próprios levantamentos para saber o desempenho do vice.

Por Juliane Peixinho, G1 Petrolina


Canal da transposição rompe em Salgueiro, no Sertão de Pernambuco

Canal da transposição rompe em Salgueiro, no Sertão de Pernambuco

Um canal do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco, que fica entre os municípios de Terra Nova e Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, rompeu neste sábado (11). A obra da terceira estação de bombeamento do Eixo Norte (EBI-3) foi entregue no dia 3 de agosto pelo presidente Michel Temer.

De acordo com o Ministério da Integração há suspeita que tenha sido um ato criminoso. A Polícia Militar de Pernambuco prendeu suspeitos de terem cometido o dano ao trecho. Moradores afirmam que os envolvidos queriam desviar o curso d’água daquele ponto para que fosse possível encher um reservatório nas imediações.

Com o rompimento, as águas estão desaguando no Riacho Grande, que passa pelo distrito de Umãs em Salgueiro e seguindo até o município pernambucano de Terra Nova.

Em nota, o Ministério da Integração informou que foi um rompimento pontual e técnicos já estão no local, atuando para recuperação da estrutura que deverá ser normalizada em até 48 horas. Também designaram equipes para verificar todo o perímetro e avaliar possibilidades de danos a comunidades no entorno.

 
 
Trecho do canal de transposição do rio São Francisco se rompe

Trecho do canal de transposição do rio São Francisco se rompe

 

Canal da transposição rompe em Salgueiro, Sertão de Pernambuco (Foto: Willian Carvalho e Marcelo Manoel/ Arquivo pessoal ) Canal da transposição rompe em Salgueiro, Sertão de Pernambuco (Foto: Willian Carvalho e Marcelo Manoel/ Arquivo pessoal )

Canal da transposição rompe em Salgueiro, Sertão de Pernambuco (Foto: Willian Carvalho e Marcelo Manoel/ Arquivo pessoal )

ago
12
Posted on 12-08-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-08-2018
 

Atualizado diariamente desde 1996 Se você acha que não está vendo a página de hoje. Clique aqui para atualizar

Jornal de charges – O melhor do humor gráfico brasileiro na Internet – ano XXII – Sábado 11/08/2018

random image
Sinovaldo, no jornal NH (RS)

ago
12
Posted on 12-08-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-08-2018

Lula vence debate

 

Míriam Leitão, em sua coluna em O Globo, diz que o grande vencedor do debate da Band foi Lula e o PT por terem sido poupados das críticas dos candidatos.

“Por estranha estratégia dos candidatos, o PT foi poupado de cobranças sobre o mensalão e o petrolão. Naquele mesmo dia havia acontecido um evento emblemático: o Ministério Público, que o ex-presidente acusa de perseguição, devolveu à empresa mais R$ 1 bilhão desviado da estatal. O partido foi poupado da crítica de o governo Dilma [Rousseff] ter provocado a pior recessão do país, ter transformado 16 anos de superávit primário no maior rombo fiscal em duas décadas e iniciado a mais dolorosa onda de desemprego. Dilma foi invenção de Lula mas a ele nada é imputado”.

Resultado de imagem para Jaques Wagner candidato a senador fala para empresários no hotel Mercury
Jaques Wagner, candidato ao senado, fala sobre
PT e eleições com empresários no Hotel Mercury…
Imagem relacionada
… e Juarez Bahia: lições
sobre jornalismo de verdade

ARTIGO DA SEMANA

Mourão no Sul, Wagner no Nordeste: bastidores em chamas

Vitor Hugo Soares

 

Recordo, enquanto acompanho pela TV as tentativas do capitão Bolsonaro para apagar o incêndio causado por seu vice, na chapa presidencial, general Mourão, na aula explícita de racismo e preconceito que ministrou entre quatro paredes, em Caxias do Sul: Aprendi com Juarez Bahia, – ex- Editor Nacional do Jornal do Brasil, ganhador de seis prêmios Esso, mestre de história, teoria e prática da comunicação, de várias gerações de jornalistas no Brasil, – uma das lições mais verdadeiras em minha profissão. Que o relevante no dia a dia da imprensa, em geral, reside no que não está exposto aos holofotes no formato da retórica enganadora dos discursos de palanque ou entrevistas de candidatos ou donos do poder da vez . É preciso trazer à luz o fato oculto, ensinava o autor de “Jornal História e Técnica”, destacado professor da USP e da Universidade Católica de Santos.  

Dois casos, desta semana, logo nos primeiros movimentos da campanha presidencial, demonstram o alcance e a atualidade dos ensinamentos do autor do “Dicionário de Jornalismo” entre  outros escritos do legado de Bahia – jornalista e professor nascido em Feira de Santana, quando ainda distrito de Cachoeira, reduto libertário das lutas de resistência da cultura negra local e nacional.

Destaco primeiro o caso, ocorrido em Salvador, da participação de Jaques Wagner, ex-governador, postulante a senador pelo PT, no encontro de empresários com o candidato ao governo estadual (Rui Costa), promovido pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) e outras entidades representativas do Comércio e do Agronegócio, no Hotel Mercury. Ao falar sobre o seu partido e o quadro da sucessão presidencial, o “galego” disse como quem não quer nada:

 “Acho (Haddad) um ótimo nome. Acho que é um candidato preparado (…) O fato de ele não ter sido reeleito em 2016 (perdeu a prefeitura de São Paulo para o tucano João Dória), não tem importância, porque a gente (O PT) vivia uma situação muito ruim, no olho do furacão, naquele momento”. Mais não digo, a não ser o que imagino teria comentado um irônico francês, hospedado por acaso no hotel, durante o encontro: “Amaldiçoado seja aquele que pensar mal destas coisas”.

O outro caso é a conversa que se pretendia “sigilosa”, na cidade gaúcha, onde o general Mourão meteu-se, desgraçadamente, a gato mestre da história e da formação cultural da sociedade brasileira, e desandou em considerações rasteiras e ofensivas à índios e negros, citados como símbolo de duas mazelas nacionais, “a indolência” e a “malandragem”, responsáveis, segundo ele, pelo atraso do País. “Este é o nosso contexto cultural”, disse o oficial aos seus escolhidos ouvintes, a pretexto de explicar as “condições do subdesenvolvimento no Brasil e na América Latina”.

Bolsonaro bancou um Pilatos dos novos tempos. Lavou as mãos e fez o sempre: livrou a cara do parceiro de chapa e culpou a imprensa, “pelo sensacionalismo” de divulgar um fato que, segundo sua avaliação, deveria ficar submerso nos bastidores. Mourão fez pior ainda, em sua tentativa precária de consertar o malfeito. “Eu sou indígena. Meu pai é amazonense. E a malandragem. Nada contra, mas a malandragem é oriunda do africano”. Com a palavra, o poeta abolicionista  Castro Alves: “Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós. Senhor Deus! Se é loucura…se é verdade/ Tanto horror perante os céus”.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog  Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

 

Fato Consumado: Quarteto em Cy e MBP4, bom demais e acima de qualquer divergência (pelo menos para este editor do BP), em qualquer tempo e em qualquer situação.

BOM DIA

(Vitor Hugo Soares)

 
São Paulo
Daciolo lê a Bíblia em sua mensagem final no debate da Band.
Daciolo lê a Bíblia em sua mensagem final no debate da Band. PAULO WHITAKER REUTERS
O Partido Novo reuniu 236.000 assinaturas para pressionar a Band a incluir seu candidato à presidência da República no debate de quinta-feira. A pressão de nada adiantou, porque João Amoêdo precisava ter alcançado outro número, muito menor, mas bem mais difícil de conseguir: cinco deputados federais. O Patriota atingiu o número mínimo para participar dos debates de tevê em abril, com a adesão de Pastor Eurico, o segundo deputado mais votado em Pernambuco em 2014. Cinco dias antes, Cabo Daciolo tinha se unido ao partido pelo qual hoje se apresenta como candidato à presidência da República — e do qual esteve longe de ser a primeira escolha. Ao empurrar uma candidatura nanica, o deputado tem uma missão bem maior do que se tornar a estrela histriônica dos debates, como aconteceu na embate entre candidatos: ele têm de ajudar o Patriota a não desaparecer.

“Se o povo compreender o projeto do Cabo Daciolo e perceber sua honestidade, ele pode ser bem sucedido. Se for muito bem sucedido, vai dar muitos votos de legenda. De repente, ele pode até ganhar a eleição! Aí a gente estourava a boca do balão”, torce Adilson Barroso, fundador e presidente do Patriota, explicitando que a candidatura é parte da luta pela sobrevivência partidária deflagrada pelas novas regras eleitorais, criadas com a intenção de reduzir a quantidade de legendas no país.

“Sem habilidade, se a gente não se cuidar, não passa nem a cláusula de barreira e acaba com o partido”, diz Barroso, um ex-cortador de cana que tem 8,3 milhões de seguidores no Facebook. A barreira a ser ultrapassada por Daciolo e seu Patriota não é trivial: quem não eleger ao menos 9 deputados em 9 unidades diferentes da federação ou tiver menos de 1,5% do total de votos na Câmara com pelo menos 1% dos votos em cada unidade da federação estará fora. Daí a insistência do partido em ter um candidato ao Planalto para ajudar na estratégia.

Criado como Partido Ecológico Nacional (PEN) em 2013, o Patriota mudou de nome formalmente neste ano na expectativa da adesão do deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ). Sem conseguir entendimento com o capitão reformado, a legenda ainda cogitou lançar o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa antes de optar por Daciolo. “Ele é militar do Corpo de Bombeiros, enquanto o outro, que era possível pré-candidato nosso, é do Exército. Eu prefiro militar do Corpo de Bombeiros, que é a instituição de que o povo mais gosta no país”, justifica Adilson Barroso.

Patriota homologa a candidatura de Daciolo

O presidente do Patriota, que é um dos 241 candidatos a deputado federal pelo partido em São Paulo, descreve o projeto de Daciolo como uma mistura entre investimento no consumo e na produção, além da redução de impostos. “O pessoal fala: ‘quando se investe no consumo, gera inflação’. Na verdade, inflação se gera se você não investe no consumo”, diz Barroso. No último sábado, quando o partido homologou a candidatura de Daciolo, Barroso citou o ex-presidente Juscelino Kubitschek para prometer “50 anos em quatro” e garantir que o partido tem projeto. “Cabo Daciolo, quando você entrar presidente da República, tira 10% dos impostos da gasolina. A inflação vai lá embaixo”, discursou.

Linha de corte para o debate

Para participar do debate da Band, Daciolo se beneficiou de uma nova linha de corte para participar dos embates na TV. Se a atual norma exclui Amoêdo, ela era ainda maior até a minirreforma política de 2017, que reduziu de nove para cinco a quantidade de deputados necessários para justificar a presença na televisão. A medida que tenta inibir a participação de candidatos menos expressivos expôs logo no primeiro debate seus efeitos colaterais: além da candidatura do Novo, que, apesar de pequena, tem conseguido mobilizar uma militância razoável, a medida poderia ter deixado a segunda colocada nas pesquisas de fora do debate da Band. Marina Silva só foi incluída por conta de seus expressivos índices de intenção de voto, já que a Rede tem apenas dois deputados e um senador.

Garantido seu direito de estar em cena, Daciolo chamou a atenção do país ao atacar a classe política de forma ainda mais agressiva que Bolsonaro e sair distribuindo acusações a adversários e louvores a Deus. “O grande problema que a nação está enfrentando hoje é a falta de amor”, decretou, em meio a críticas à ausência de voto impresso e à negação de que existe crise fiscal no país. A insinuação de que o ex-governador Ciro Gomes (PDT) faria parte da “Ursal” (União das Repúblicas Socialistas da América Latina) viralizou nas redes sociais. Foi o ápice de notoriedade de um ex-bombeiro que chamou a atenção do noticiário pela primeira vez em 2011, quando liderou uma greve de sua categoria no Rio de Janeiro. Por comandar a ocupação do Quartel Central, ele acabou preso disciplinarmente e expulso da corporação com outros 13 colegas — todos foram anistiados posteriormente.

A bravura do cabo chamou a atenção do PSOL, que ofereceu a legenda para a candidatura de Daciolo à Câmara em 2014. Ele foi eleito com 48.831 votos graças à defesa da PEC 300, uma proposta de emenda à Constituição que pretendia vincular os salários dos bombeiros e policiais militares do país ao rendimento da Polícia Militar do Distrito Federal, o mais alto do país. Mas a relação entre o deputado e o PSOL foi breve. Já em sua diplomação, ele tietou Jair e Flávio Bolsonaro, com quem tirou uma foto, causando desconforto no partido. Os constantes louvores a Deus na tribuna da Câmara incomodaram os psolistas, que decidiram pela expulsão já em 2015 após o deputado apresentar uma PEC com o objetivo de alterar na Constituição a expressão “todo o poder emana do povo” para “todo o poder emana de Deus” — o estatuto do PSOL não permite protocolar projetos de cunho religioso.

Daciolo ainda se envolveu em outra polêmica com o partido antes da expulsão ao defender os policiais que estariam envolvidos na morte do pedreiro Amarildo de Souza em 2013. Mais recentemente, Daciolo anunciou da tribuna da Câmara a cura da deputada Mara Gabrilli (PSDB), tetraplégica desde 1994. “O que eu vou falar aqui vai parecer loucura para muitos. Mas eu prefiro a loucura de Deus do que a sabedoria dos homens”, anunciou, destacando que não estava ali para “pregar religião”. Na ocasião, ele contou que a deputada o parou num dos corredores do Congresso Nacional e ele finalmente teve coragem de dizer algo que Deus havia lhe pedido dois anos atrás. Após ler um trecho da Bíblia, como fez no debate da Band, Daciolo profere: “Eu quero aqui, diante de todos, profetizar a cura da deputada Mara. Eu quero que aquela mulher vai levantar da cadeira e vai começar andar”. “Eu saio daqui e vou me direcionar a ela. Vou a um lugar em particular. Creio que em alguns minutos ela voltará a andar”, finalizou.

DO G1

Por G1 PR, Curitiba

Mônica Moura disse ter negociado valores diretamente com Dilma Rousseff (Foto: Marcelo Chello/CJPress/Estadão Conteúdo) Mônica Moura disse ter negociado valores diretamente com Dilma Rousseff (Foto: Marcelo Chello/CJPress/Estadão Conteúdo)

Mônica Moura disse ter negociado valores diretamente com Dilma Rousseff (Foto: Marcelo Chello/CJPress/Estadão Conteúdo)

A marqueteira Mônica Moura voltou a afirmar em depoimento ao juiz Sérgio Moro, nesta sexta-feira (10), que negociou valores para campanha de 2014 diretamente com a ex-presidente Dilma Rousseff.

“Pela primeira vez na vida eu negociei diretamente com uma presidente e com candidato, valores. E depois ela me encaminhou a Guido [Mantega, ministro da Fazenda à época] para que eu resolvesse a parte por fora. A parte por dentro, não, foi toda negociada com ela o valor, mas o partido pagou, nota fiscal, o tesoureiro da campanha”, disse a marqueteira.

O G1 tenta contato com a ex-presidente Dilma Rousseff.

A empresária relatou que encontrou-se três ou quatro vezes com Guido Mantega, na casa dele, em Brasília, para acertar os pagamentos “por fora” negociados com Dilma. Em um dos encontros, disse ter questionado sobre a origem dos valores.

“Cheguei lá [no Guido] com a negociação fechada e disse: ‘Acertei isso com a presidente e ela me disse que o senhor vai dizer como é que vamos fazer’. Aí, mais uma vez: ‘Vai ser a Odebrecht'”, disse a empresária.

A ação em que Mônica foi ouvida é sobre pagamentos não contabilizados da Odebrecht para o casal de marqueteiros, feitos no Brasil e no exterior.

Mônica Moura e o marido, João Santana, foram responsáveis pelas últimas três campanhas do PT à Presidência da República e são acusados pelos procuradores da Lava Jato de receber dinheiro ilegal do setor de propinas da Odebrecht.

O Ministério Público diz ter identificado nas planilhas da Odebrecht repasses que somam R$ 23,5 milhões, entre 2014 e 2014, quando a Operação Lava Jato já estava em andamento. Mônica e João alegam que receberam apenas parte do valor.

Pages: 1 2 3 4 5 6 7 ... 1937 1938

  • Arquivos

  • agosto 2018
    S T Q Q S S D
    « jul    
     12345
    6789101112
    13141516171819
    20212223242526
    2728293031