Governo promove nesta quinta certame de quatro blocos para exploração de petróleo na região que concentra a maior biodiversidade do Atlântico Sul, com berçário de baleias, tartarugas e aves marinhas. Moradores temem uma “nova Brumadinho”

Arquipélago de Abrolhos, na Bahia.
Arquipélago de Abrolhos, na Bahia.Marco Antônio Teixeira (WWF Brasil)

A região que concentra a maior biodiversidade e o maior banco de corais da parte sul do Oceano Atlântico tem seu futuro em aberto. O Parque Nacional de Abrolhos, no extremo sul da Bahia, tem 87.943 hectares de unidades de conservação que interligam importantes ecossistemas marítimos e costeiros, incluindo áreas de manguezais das quais comunidades tradicionais pesqueiras tiram seu sustento. É um berçário de reprodução de baleias jubarte e local de sobrevivência de várias espécies em risco de extinção, como tartarugas e aves marinhas. Não por acaso é conhecido como “santuário de Abrolhos”. Um marco da conservação brasileira por ter sido o primeiro parque marítimo instituído no país na década de 1980, Abrolhos — que já vinha lidando com a morte de corais provocada pelo aquecimento das águas e com a chegada de rejeitos da barragem que rompeu em Mariana — agora enfrenta o temor de ficar ainda mais vulnerável ao risco de impactos ambientais provocados pela exploração de petróleo em áreas cada vez mais próximas.

O Governo brasileiro realiza nesta quinta-feira (10) um leilão para exploração de petróleo e gás que inclui quatro blocos em uma porção específica da bacia de Camuamu-Almada, a 130 quilômetros do banco de corais de Abrolhos. Eles deverão ser leiloados na contramão de um parecer técnico do Ibama feito em abril, no qual especialistas do órgão reforçam a necessidade de estudos ambientais antes dos blocos serem ofertados às empresas. E alertam para o risco de danos “irreversíveis” em uma região de extrema sensibilidade ambiental caso haja vazamentos de óleo, especialmente num contexto em que as próprias empresas petrolíferas não têm conseguido apresentar, em nível mundial, planos de emergência eficazes e ágeis para minimizar danos em caso de acidentes.

A preocupação de ambientalistas com a oferta de blocos para exploração mais próximos a Abrolhos ganhou ainda mais força no último mês, com a vulnerabilidade dos mares brasileiros que ficou evidente diante do vazamento de óleo cru que já atinge todos os estados nordestinos, e já atingiu até o norte da Bahia. “O Brasil não está preparado para lidar com grandes acidentes ambientais, qualquer que seja a natureza desse acidente, incluído grandes vazamentos de óleo e petróleo no mar”, afirma a pesquisadora Célia Faganello, da Universidade Federal do Sul da Bahia. O monitoramento marítimo é de responsabilidade da Marinha, que diz atuar com 5.000 homens e 650 embarcações nas fiscalizações.

Mapa mostra o Parque Nacional Marítimo de Abrolhos.
Mapa mostra o Parque Nacional Marítimo de Abrolhos.

O caso, que já preocupa cientistas porque não há controle de até onde pode chegar, é considerado inédito. A Marinha, junto com outros órgãos federais, atua para investigar a origem do vazamento. Até agora, a principal tese é de que o óleo tenha sido despejado por uma embarcação em alto mar. “Ainda que o derrame atual não atinja a região de Abrolhos e o litoral sul da Bahia, as regiões coralíneas e costeiras, como manguezais e restingas, poderão ser severamente afetadas, a depender da concentração, persistência, das características do óleo, assim como das condições meteorológicas e oceanográficas”, explica o oceanógrafo Marcos Bernardes.

Segundo os técnicos do Ibama, um possível vazamento de óleo na região de Abrolhos poderia se estender rapidamente pelos litorais norte e sul da Bahia e chegar à costa do Espírito Santo, incluindo todo o complexo recifal do Banco de Abrolhos. Pesquisadores da região também se preocupam com os impactos da atividade, considerada de risco, para além da possibilidade de um acidente. A parte sísmica para exploração da área, por exemplo, já poderia impactar as baleias jubarte, que se orientam pelo som e migram para a região entre os meses de julho e novembro para se reproduzir. A espécie foi retirada da lista brasileira de animais em extinção há cinco anos, graças a programas de recuperação desenvolvidos por pelo menos três décadas.

“Os impactos advindos de um derrame de grande dimensão sobre ecossistemas de manguezais e corais são em geral irreversíveis”, alerta o parecer do Ibama. Mesmo assim, o presidente do órgão, Eduardo Fortunato Bim, autorizou que a Agência Nacional de Petróleo (ANP) seguisse com o leilão desses blocos. O Governo argumenta que a área não fica tão próxima a Abrolhos e que retirar os quatro blocos de Camamu-Almada do certame provocaria prejuízo financeiro ao país. Esses blocos, porém, representam apenas 0,3% —10,8 milhões de reais— da arrecadação total estimada pelo Governo com este leilão, que inclui 36 blocos no país. Ao EL PAÍS, o Ministério de Minas e Energia disse que “o processo seguiu o devido rito processual, inclusive na avaliação ambiental”. E que, portanto, não há qualquer irregularidade que motive a retirada dessas áreas do leilão. O Ibama não respondeu às solicitações da reportagem.

O parecer técnico do Ibama não tem poder para definir quais áreas serão ou não ofertadas para exploração, mas costumava ser acatado pelo Ibama desde 2004, quando uma resolução do Conselho Nacional de Pesquisa Energética determinou a realização da análise ambiental prévia às licitações da ANP. Bim argumenta que o estudo de avaliação ambiental solicitado pelos técnicos do Ibama não fundamenta a retirada dos blocos do leilão, já que precisará ser feito por terceirizadas contratadas pelas empresas petrolíferas durante o processo de licenciamento ambiental.

Abrolhos é um berçário das baleias jubarte.
Abrolhos é um berçário das baleias jubarte.Marco Antônio Teixeira (WWF Brasil)

“Como são terceirizados, esses estudos muitas vezes não apontam todos os impactos, em detalhes. E o processo de compensação ambiental nem sempre cobre todas as espécies ou as atividades impactadas que deveriam”, pondera Hudson Pinheiro, mestre em Oceanografia Ambiental e pesquisador da Academia de Ciências da Califórnia, que trabalha na região. Ele diz que a oferta desses blocos mais próximos a Abrolhos é ainda mais preocupante num contexto de afrouxamento das leis ambientais pelo qual passa o Brasil. Em 2011, por exemplo, o estudo prévio de impacto ambiental, que deveria ser imprescindível para a exploração de petróleo em alto mar, deixou de ser obrigatório em alguns casos.

O complexo licenciamento em áreas sensíveis

Ao arrematarem os blocos, as empresas deverão solicitar ao Governo brasileiro licenças ambientais específicas tanto para a exploração quanto para a produção e comercialização do produto ou gás que encontrem ali. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, já declarou que a venda dos blocos no leilão não garante a concessão da licença ambiental. Ou seja, as empresas podem comprar os blocos e depois não conseguir a permissão para explorá-los. O próprio modelo de contrato da ANP para o leilão diz que o indeferimento definitivo da licença pode gerar extinção contratual, sem que a empresa tenha direito a indenização.

O licenciamento de blocos já licitados nesta bacia de Camamu-Almada tem sido um trabalho difícil e bastante complexo para o Ibama, por conta da sensibilidade ambiental da área. A nota técnica do órgão dá essa dimensão, ao mencionar os impasses que envolveram, nos anos 2000, o licenciamento para perfurações do bloco BM-CAL-4. As primeiras licenças saíram quando o órgão ainda definia os critérios mais adequados para avaliação, mas depois um entendimento mais rígido dos impactos culminou em negativas para o licenciamento. A questão foi judicializada, e a empresa chegou a conseguir novas permissões ao apresentar planos de emergência de alto custo, que em um caso prático de um pequeno vazamento de diesel acabou se mostrando insatisfatório. A licença para a produção, então, acabou negada pelo órgão porque a empresa não conseguiu apresentar um projeto ambientalmente viável e que desse respostas rápidas em caso de acidente.

Se por um lado não há garantias de que as empresas possam explorar os blocos que comprarem pela complexidade para o licenciamento, ainda existe o risco de não se encontrar os recursos na região e uma grande insegurança jurídica rondando a concessão desses blocos. Em resposta a uma ação civil pública do Ministério Público Federal para impedir o leilão desses blocos, a Justiça Federal da Bahia decidiu na última terça-feira que o Governo poderá leiloá-los, mas que os blocos ficaram sob o crivo do Judiciário. A ANP também é obrigada a informar aos participantes do leilão os blocos que estão sub júdice, deixando claro o risco do negócio.  “Nossa expectativa é de que as empresas não adquiram lote nesta região por toda a insegurança jurídica”, afirma o biólogo Guilherme Dutra, diretor da área de oceanos da ONG Conservação Internacional.

O medo de ser ‘uma nova Brumadinho’

O impacto socioeconômico que pode ser provocado pelo risco de vazamentos de óleo é uma preocupação latente na região, onde milhares de pessoas dependem tanto do turismo nas ilhas que formam o arquipélago de Abrolhos quanto da pesca e do extrativismo. “Abrolhos não pode ser só um ponto de mar, tem que olhar para a terra também porque está tudo interligado”, protesta o pescador Carlos Alberto Pinto dos Santos. Ele faz parte de uma das 2.600 famílias que dependem da pesca e da captura de mariscos em oito comunidades tradicionais da Reserva Extrativista de Canavieiras, uma das maiores faixas de mangue de Bahia. “Abrolhos é a vida da gente. Sou jangadeiro e bisneto de jangadeiro. O que ameaça esse espaço ameaça a nossa existência”, diz Carlos.

Pescador João Gonçalves vive em uma das oito comunidades tradicionais da Resex de Canavieiras.
Pescador João Gonçalves vive em uma das oito comunidades tradicionais da Resex de Canavieiras.Marco Antônio Teixeira (WWF Brasil)

Essas comunidades, que historicamente lutam contra os interesses da especulação imobiliária e da carcinicultura, agora se veem ameaçadas pelo que chamam de “doença do petróleo”. E temem que os riscos de acidentes as levem a uma tragédia como a de Brumadinho, onde o rompimento de uma barragem da Vale deixou danos ambientais e sociais ainda difíceis de serem contabilizados. “Não queremos comer marisco contaminado. A gente não pode aceitar um empreendimento que pode acabar com nosso modo de viver, sabendo que ninguém limpa petróleo de mangue”, diz o pescador João Gonçalves, 78 anos.

Ele aprendeu a capturar pescados e mariscos quando criança, uma tradição que é passada de pai para filho na comunidade. Desde pequeno, aprendeu a identificar a andada do caranguejo no período reprodutivo pelo cheiro do mangue. Muito além de uma relação de trabalho, há um cuidado para manter vivo um território com o qual se tem uma relação de pertencimento. “Nós somos os olhos daqui. Estamos lutando para que as próximas gerações possam viver como nós”, diz João.

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10

Janaína: trocar de partido é “trocar de problema”

 

Janaina Paschoal falou hoje sobre os rumores acerca da possível saída de Jair Bolsonaro do PSL.

A deputada estadual do PSL-SP disse à Folha que deixar a legenda não vai resolver os problemas do presidente.

“Penso que trocar de partido só implica trocar de problema”, afirmou Janaina. “Sair é um direito dele. Mas, em pouco tempo, ele estará infeliz no próximo. Não é uma praga, é só uma constatação.”

Janaina Paschoal disse mais:

“Ficar, ou não, em um partido é uma decisão muito pessoal. Como defensora das candidaturas independentes de partidos, eu compreendo o desconforto do presidente. Por outro lado, pondero que o presidente vem, já há um bom tempo, trocando de partidos sucessivamente.”

Do Jornal do Brasil

 

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse nesta quarta-feira (9) que o óleo que vazou e que atinge diversas praias no litoral do Nordeste vem “muito provavelmente” da Venezuela. As informações são da Agência Brasil.

O ministro citou estudo da Petrobras, ao participar de audiência pública na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados.

“Esse petróleo que está vindo, muito provavelmente, da Venezuela. Como disse o estudo da Petrobras, é um petróleo que veio por um navio estrangeiro, ao que tudo indica, navegando próximo à costa brasileira, com derramamento acidental ou não, e que nós estamos tendo enorme dificuldade de conter”, disse.

O ministro salientou a dificuldade em solucionar o problema, uma vez que a origem do vazamento é indeterminada e desconhecida.

Segundo o Ibama, a mancha de óleo atingiu 138 localidades em 62 cidades de nove estados da Região Nordeste. Até esta segunda-feira (7), a Petrobras já havia recolhido 133 toneladas de resíduos.

Segundo o Ibama, o material oleoso é petróleo cru e, desde o dia 2 de setembro, se espalhou pelo litoral de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Na terça (8), ao participar de uma audiência pública realizada pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse que análises laboratoriais confirmaram que a substância não provém da produção da estatal brasileira.

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10
Posted on 10-10-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-10-2019



 

Zop, no portal de humor gráfico

 

Levantamento do órgão constatou que até 2030 cerca de 40% dos funcionários públicos deverão se aposentar no país

   Professores durante assembleia no Rio, em 2017.
Professores durante assembleia no Rio, em 2017. Tânia Rego Ag. Brasil

Um servidor público federal no Brasil custa quase duas vezes a mais para o seu empregador, a União, do que um trabalhador da iniciativa privada em atividade econômica similar. Essa é uma das conclusões de um detalhado estudo elaborado pelo Banco Mundial que analisou a gestão de pessoas e a folha de pagamentos no setor público brasileiro. O levantamento será lançado nesta quarta-feira, em Brasília. Os pesquisadores destrincharam os dados de 22 bases do Governo e de Estados nas quais pode-se analisar a renda de cada trabalhador, os reajustes concedidos ao longo da última década, as gratificações por desempenho, entre outros. Por ano, todos os 11,5 milhões de servidores públicos brasileiros custam 725 bilhões de reais. Isso equivale a 20 vezes o valor gasto com o Bolsa Família e representa 10% do produto interno bruto.

Conforme o estudo, de maneira geral, os servidores públicos das três esferas (municipal, estadual e federal) recebem 19% a mais do que seu equivalente na iniciativa privada. Não é um dado que se diferencie do resto do mundo. A média mundial é de 21%. A distorção se dá, contudo, quando se analisa os servidores separadamente. Os federais têm prêmios salariais 96% maior do que os trabalhadores privados. Os estaduais, 36%. Enquanto que os municipais não ganham mais do que a média dos particulares. “Para além do prêmio salarial, o servidor público brasileiro dispõe de estabilidade, de forma que o risco de demissão é muito baixo uma vez sendo admitido”, destaca o relatório. De maneira geral, contudo, a maioria dos servidores públicos federais têm vencimentos inferior a 10.000 reais. São 56%, conforme a pesquisa.

O levantamento acaba indo na mesma linha do discurso da equipe econômica do ministro Paulo Guedes, que defende um enxugamento da máquina do Estado, inclusive com a realocação de servidores e a diminuição do número deles.Nas últimas semanas, circulou em Brasília a informação de que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), estaria discutindo com o presidente Jair Bolsonaro o fim da estabilidade do funcionalismo público, algo que é refutado por grande parte das entidades de representação laboral. Ambos negaram que haja esse debate.

Por outro lado, o levantamento do Banco Mundial contrasta com levantamentos feitos pelas entidades de classe, que defendem a reposição do quadro de trabalhadores que se aposentaram. Algo que não está no planejamento do Governo.

Elaborado a pedido do Governo federal, o documento serve como uma maneira de demonstrar a importância de se fazer uma profunda reforma administrativa no poder público, segundo o coordenador do estudo, Daniel Ortega. Uma das informações que também embasa essa opinião dele é a de que até o fim do Governo Bolsonaro, em 2022, cerca de 26% dos servidores da ativa vão se aposentar. Para 2030, esse índice atinge 40%. “É um bom momento para se realizar reformas”, afirmou Ortega.

Hoje, a máquina pública federal tem 300 carreiras diferentes. “A diminuição do número de carreiras tornando-as mais transversais e com atributos mais generalistas proporcionaria mais flexibilidade à administração pública”. A proposta do banco é que se flexibilize parte delas movendo servidores de um órgão para o outro sem a necessidade da realização de novos concursos públicos. Um exemplo citado pelos pesquisadores é a criação de uma carreira técnica de nível médio, que substituiria a carreiras técnicas diferentes para educação, saúde e segurança. A avaliação é que vez que esses servidores se ocupam de tarefas administrativas e acabam exercendo atividades semelhantes.

Outra sugestão é a de que se estabeleçam critérios mais claros e restritos de progressão na carreira. Os dados mostram que, em algumas carreiras, em apenas uma década se chega ao seu topo. É o caso, principalmente, das carreiras jurídicas, em que um servidor começa ganhando mais de 20.000 reais mensais e rapidamente chegam perto do teto do funcionalismo público – 39.000 reais. Alguns exemplos. Um médico leva 28 anos para chegar ao maior patamar da carreira. Um professor de ensino superior e um funcionário do ministério da Defesa, 25. Enquanto que juízes, promotores e procuradores, levam 10 anos.

Um outro dado que mostra essa distorção na progressão é o que analisa a porcentagem de funcionários de determinados órgãos que já chegaram ao topo. 98% dos servidores da Defesa estão nesse último degrau. Entre os da área judiciária, são 78,2%. Os menores índices estão entre os professores de ensino superior (2,9%), os funcionários de agências reguladoras (3,3%) e os médicos que trabalham em universidades (4%).

Estados

Quando se depararam com os dados estaduais, as conclusões não foram tão distintas. Os pesquisadores também constataram que há um gap entre o setor público e privado formal, um crescimento da folha de ativos em decorrência do aumento do salário médio dos trabalhadores, alta dispersão salarial causada por gratificações e reajustes salariais dados de forma célere mediante pressão de categorias. Constataram também que reduzir as taxas de reposição de servidores tem um limite e não resolve o problema fiscal. Comparando o período entre 2003 e 2017 constata-se que o número de servidores estaduais cresceu 0,5%, mas o salário médio aumentou 78,1%.

Nesse cenário, o país registrou sete estados em calamidade financeira e 12 que extrapolaram o limite de gastos com pessoal delimitado pela lei de responsabilidade fiscal, que é de 60% da receita corrente liquida. O resultado é que nos últimos anos, 20 das 27 unidades da federação atrasaram em algum momento os pagamentos de seus servidores ativos e terceirizados.

Para tentar mudar esse panorama, os Estados têm de cortar, em média, 2% ao ano suas despesas com servidores ativos e inativos para voltar a atingir o limite da LRF até 2022. Os que têm o maior desafio são Minas Gerais, que teria de cortar 5,4%, Mato Grosso do Sul, 4,8%, e Rio Grande do Norte, 3,6%

 
DO EL PAÍS
 

Moro está preso na ratoeira de Bolsonaro ou fareja algum destino que ignoramos?

Será que, quando deixou a jurisprudência para se trasladar para a política, acreditava que dominaria o mito Bolsonaro e até o poderia suceder?

 Juan Arias

Bolsonaro e Moro durante cerimônia no Palácio do Planalto.
Bolsonaro e Moro durante cerimônia no Palácio do Planalto. Joédson Alves (EFE)

Ficaram muito distantes os tempos em que o agora ministro da Justiça do Governo de Jair Bolsonaro, o ex-juiz Sérgio Moro, era o duro fustigador dos políticos corruptos. Agora mais parece ser o advogado de defesa do presidente e de seu clã familiar. Quem parecia ser capaz de ver até pelo no ovo dos políticos, sobretudo os de esquerda, agora se apresenta como o máximo garantidor da honradez da família real e do Governo.

Moro caiu em uma ratoeira ou acalentará algum destino que ainda ignoramos? Será que, quando deixou a jurisprudência para se trasladar para a política, acreditava que dominaria o mito Bolsonaro e até o poderia suceder? A verdade é que o presidente de extrema direita, uma vez conquistado o troféu Moro, levou pouco tempo para fazê-lo ver que quem manda e desmanda no Governo é somente ele.

Moro parece ter aceitado não somente sua posição na hierarquia dentro do Governo, sendo um a mais, mas também oferecido tal vassalagem a seu chefe Bolsonaro. Se até então o presidente tinha como pitbull seu filho irrequieto Carlos, agitador das redes sociais em defesa do pai, agora a ele se juntou o ex-juiz da Lava Jato, que ainda mantém fortes laços de amizade com os comandos da Polícia Federal e a Procuradoria do Estado.

Apesar de os analistas políticos terem especulado que Moro não aguentaria por muito tempo o cargo de ministro da Justiça e que poderia sair batendo a porta, ante as humilhações que o presidente lhe ia impondo gota a gota, mais parece o contrário. É Moro quem demonstra estar à vontade com o mito Bolsonaro e sua tropa exacerbada que pretende, sempre em luta contra a modernidade, até mudar a Constituição, pois, segundo eles, a atual é “laica e socialista”.

Moro nestes meses está acumulando declarações de amor a Bolsonaro e a seu movimento extremista. Seria possível dizer que não sabe o que fazer para que acreditem que, além de não pretender abandonar o Governo, suas relações com o presidente não poderiam ser melhores. E ele sai em sua defesa nos momentos de dificuldade, sobretudo quando o presidente, seu partido ou a própria família começam a aparecer salpicados de corrupção. Para Moro não parecem existir nunca irregularidades ou pecados em torno de Bolsonaro. Não é que o justifique, é que desmente e até dá a entender que possui informações reservadas para poder afirmar que é assim. Isso já não seria ilegal, se fosse verdade?

Cada vez mais, Moro e Bolsonaro fazem galanteios mútuos. O presidente chegou a dizer em seu discurso na ONU que Moro, seu ministro da Justiça, era “um herói nacional”. E não se trata apenas de que a relação entre o ministro e o presidente parece sem conflitos, mas que Moro está cada vez mais assimilando as essências autoritárias do bolsonarismo, como aparecem nos documentos que preparou em seu ministério contra a violência. Neles, Moro parece um fiel discípulo da concepção bolsonariana de combater a violência com mais violência. Diz e repete nas entrevistas que, em 2022, se Bolsonaro se candidatar à reeleição, e faltam mais de três anos, seu voto será para ele e que não irá se mudar para nenhum outro partido. Ele se sente à vontade no bolsonarismo e em sua carga de extremismos e de luta contra a modernidade em busca de velhas essências medievais em todos os campos do saber, da ciência, da arte e da cultura.

Tamanha é a identificação de Moro com Bolsonaro que até o jornal Folha de S.Paulo foi criticado por uma publicação em que relata que dinheiro ilegal poderia ter sido usado na campanha de Bolsonaro, segundo informações obtidas da Polícia Federal. E é conhecida a dificuldade que o presidente de extrema direita encontra em dialogar com os meios de comunicação que não comungam de suas ideias. O ministro chegou a afirmar, sem que ninguém lhe perguntasse, que Bolsonaro “fez a campanha eleitoral mais barata da história”, tentando responder à imprensa.

Moro, neste caso, parece ter se esquecido que boa parte da imagem de que desfrutava até internacionalmente quando era juiz da Lava Jato se deve aos meios de comunicação que sempre o protegiam. Essa identificação cada vez mais estreita de Moro com Bolsonaro parece, ao mesmo tempo, não ter volta atrás, já que Moro, que pode ser acusado de muitos erros, mas não de ser ingênuo e sem perspicácia, sabe muito bem que nos outros campos da política, nas demais instituições do Estado, sua imagem, embora ainda com grande força popular, está se deteriorando rapidamente.

Neste momento Moro não poderia contar, se se divorciasse de Bolsonaro, nem com a maioria dos partidos nem com o Congresso, e menos ainda com o Supremo Tribunal Federal, do qual desejaria fazer parte. Uma das críticas mais duras feitas nos últimos dias a Moro foi a do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que chegou a denunciar que o ex-juiz tem a estratégia permanente de tentar “acuar as instituições democráticas”.

Portas políticas e institucionais se fecham todos os dias ao ministro Moro, enquanto ele parece se identificar cada vez mais com as essências autoritárias do bolsonarismo, que começou com o objetivo de poder governar, a golpe de decreto, encurralando o Congresso e o Supremo. Não está conseguindo. Nunca um presidente tinha tido rejeitados pelo Congresso tantos decretos ou vetos como ele. Desesperado, Bolsonaro agora chega a fazer a corte às tais instituições que pretendia domar com a força. Acabou de afirmar que está pensando em “casar-se com Maia”, usando seu tópico sexual da paixão para explicar suas relações com o poder.

O pior para Moro parece ser que não tem volta atrás e agora só consegue respirar politicamente por meio de seu pacto de sangue com o bolsonarismo. Do outro lado da política já ardem, de fato, as conversações para a criação de um polo de centro democrático que apresentaria um candidato alternativo a Bolsonaro, no caso de algum infortúnio político ou pessoal o levar a abandonar o cargo ou se pensar em se candidatar de novo. O grande bloco democrático que é a maioria do Congresso já está unido na busca de uma saída ao bolsonarismo para acabar com essa tempestade autoritária e de extrema-direita que tomou conta do Brasil. E espera-se que a esquerda, se desta vez for capaz de unir forças, entre no mesmo barco.

Sem saída, então, para Moro, o novo bolsonariano doutor de peso no Governo? A política é sempre uma incógnita, embora no momento tudo leve a crer que ambos querem ser rei. Bolsonaro continua sendo, porém, com o poder na mão, o verdadeiro rei, e Moro, só um de seus peões. Por mais paradoxal que possa parecer, o ministro que até ontem era o rei da Lava Jato em Curitiba, com passagem por Harvard, cuja mão não tremeu ao condenar políticos e empresários de calibre, agora se entrega como aprendiz político de alguém que até chegar ao poder era apenas um capitão reformado e expulso do Exército, com uma presença insignificante no Congresso em 30 anos de deputado. Ele mesmo confessa que “nunca imaginou chegar à Presidência”.

É possível que o astuto e nada ingênuo ex-juiz Moro não tivesse previsto esse panorama? Ou será que o jogo será outro? Será verdade, como às vezes se sussurra em Brasília, que Moro guarda em seus cofres algo que ainda possa lhe servir politicamente?

O filósofo e cientista francês Pascal, precursor do que seria o existencialismo angustiante do século XX, tornou célebre sua frase “o coração tem razões que a razão desconhece”. Aqui poderia ser o oposto: que o excesso da fria razão chega a se esquecer das exigências do coração. Pascal duvidava da capacidade do ser humano de entender a si mesmo. Dizia que é a liberdade de escolher o que nos distingue dos animais. Essa capacidade de escolha pode, no entanto, obnubilar-se quando o ser humano prefere os riscos e prazeres do poder ao bem de toda a comunidade.

“Sinatra Basie”: Frank Sinatra em show antológico , realizado no “Hollywood Palace”, em Los Angeles, em Outubro de 1965, aqui em gravação de arquivo da ABC TV.

Frank Eterno Sinatra, para abrir a semana das crianças! Viva Ele! Viva Elas!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

 

 

DO G1/ O GLOBO

Por Mariana Oliveira, TV Globo — Brasília

Janot cumprimenta pessoas em lançamento de livro, em Brasília — Foto: Mariana Oliveira/G1 Janot cumprimenta pessoas em lançamento de livro, em Brasília — Foto: Mariana Oliveira/G1

Janot cumprimenta pessoas em lançamento de livro, em Brasília — Foto: Mariana Oliveira/G1

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot lançou nesta terça-feira (8) em Brasília o livro “Nada menos que tudo – Bastidores da operação que colocou o sistema político em xeque”, publicado pela Editora Planeta.

O evento ocorreu na Livraria Leitura do shopping Pier 21. Segundo a livraria, 220 exemplares foram vendidos no local até as 20h – o balanço definitivo deve ser fechado na quarta (9).

Janot chegou ao shopping por volta de 19h10. Às 19h30, uma fila grande de pessoas se formou.

Quem chegou por volta desse horário esperou cerca de uma hora para cumprimentar o ex-procurador-geral. O público era, na maioria, formado por advogados e servidores da PGR.

O ex-procurador não quis conceder entrevista aos jornalistas que acompanhavam o lançamento do livro.

Trecho polêmico

Em um trecho do livro, Janot revela que, quando estava à frente da Procuradoria Geral da República, entrou armado no Supremo Tribunal Federal (STF) com a intenção de matar um ministro. Depois, em entrevista, revelou que se tratava de Gilmar Mendes.

A entrevista gerou repercussão a ponto de a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão na casa e no escritório de Janot.

A operação foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes no inquérito que apura ofensas, ameaças e informações falsas contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

No apartamento de Janot, a Polícia Federal apreendeu arma e munição. Os agentes pediram, e Janot entregou uma arma, três pentes de munição. Depois, foram localizadas mais seis caixas de munição nos armários. Janot entregou ainda seu celular, tablet, e as respectivas senhas dos aparelhos.

‘Impressionante quantidade de indícios’ contra Bezerra

 

Por Renan Ramalho
Na justificativa da busca e apreensão nos gabinetes de Fernando Bezerra, Luís Roberto Barroso disse ainda que, durante a investigação, a Polícia Federal “reuniu uma impressionante quantidade de indícios de cometimento de crimes”.

O ministro cita documentos juntados antes (registros de transações bancárias, ligações telefônicas, gravações de conversas, etc.), quanto elementos colhidos na própria diligência, no mês passado (como uma lista de “doadores ocultos” e R$ 55 mil fracionados em envelopes).

“O exame criterioso e imparcial dos elementos produzidos não conferia a este magistrado outra opção que não a decretação da busca e apreensão aqui impugnada. Não seria republicano nem ético desviar do reto caminho por se tratar de figura poderosa”, afirma o ministro.

As informações foram enviadas a Dias Toffoli, que recebeu pedido do Senado para suspender a análise das provas colhidas nos gabinetes de Bezerra

Jornal do Brasil

 

DO JORNAL DO BRASIL

Catarina Lorenzo se juntou a Greta em petição contra 5 países

 

Com quantos anos se faz uma ativista ambiental? Para alguém que desde pequena pôde ver de perto os efeitos das mudanças climáticas, não é preciso mais do que 12. A surfista baiana Catarina Lorenzo marcou presença em um dos maiores protestos pelo clima na história e, ao lado de mais 15 jovens, incluindo a sueca Greta Thunberg, assinou uma denúncia contra o Brasil e outros quatro países no Comitê das Nações Unidas sobre os Direitos das Crianças.

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Catarina Lorenzo tem 12 anos e conhece desde pequena os efeitos das mudanças climáticas (Foto: Reprodução / #ChildrenVsClimateCrisis)

A ação foi apresentada em Nova York, em 23 de setembro, dois dias após o contundente discurso de Greta na cúpula climática da ONU, e também questiona Alemanha, Argentina, França e Turquia. Juntos com o Brasil, esses países são os cinco maiores poluentes de um grupo de 45 signatários de um protocolo que autoriza menores de idade a assinarem petições contra violações da Convenção das Nações Unidas para os Direitos das Crianças.

Segundo a denúncia, a incapacidade desses Estados de enfrentar a crise climática constitui uma “violação dos direitos” de crianças e adolescentes. No texto, os 16 jovens ainda exortam o comitê a obrigar os cinco países a atuarem para proteger os menores dos efeitos “devastadores” do aquecimento global.

A iniciativa é da ONG americana Earth Justice e também reúne jovens de África do Sul, Argentina, Alemanha, Estados Unidos, França, Ilhas Marshall, Índia, Nigéria, Palau e Tunísia, além de Brasil e Suécia.

Catarina se juntou à petição por intermédio da entidade Heirs To Our Oceans, que havia descoberto a jovem por meio de uma amiga sua na Califórnia. “Ela contou minha história, e eles viram que eu mesma passei pelas mudanças climáticas pessoalmente, que eu percebi que tinha que acabar com as mudanças climáticas”, conta a adolescente, em entrevista à ANSA.

A surfista relata que sua história mais impactante ocorreu quando ela nadava em uma piscina natural rodeada de corais. “Um dia, eu estava nadando e cheguei perto desse coral grande no meio, e esse coral estava cheio de pontos brancos, o que quer dizer que ele está morto. E quando cheguei mais perto, o coral estava sem alga nenhuma, e a água estava muito quente. Eu mergulhei, toquei na areia, e quando eu faço isso a água vai esfriando, mas a água continuou quente, tão quente, que eu tive que sair. Se eu não aguentei ficar na água, como os peixes, animais marinhos e corais aguentariam ficar?”, questiona.

Esse episódio ajudou a cristalizar o ativismo ambiental em Catarina, que também se incomoda com os rumos de sua cidade, Salvador. O esgoto jogado no mar, o projeto de construção de uma avenida no meio de uma floresta chamada Vale Encantado e a canalização do rio Jaguaribe explicam o caminho de uma jovem surfista baiana até Nova York.

“Meu pai é surfista e desde pequeno tem uma conexão muito grande com o mar, me levava para o mar, me levava para surfar. E desde então sempre tive uma conexão com o oceano. Tem uma floresta em Salvador que se chama Vale Encantado, e um grupo que se chama SOS Vale Encantado. O governo queria construir uma avenida na floresta, e a gente foi para as ruas, protestou, conseguiu fazer com que eles não construíssem a avenida. Então, desde pequena, por parte de mãe e de pai, sempre tive essa conexão com o meio ambiente, de sempre querer proteger, estar sempre lá com ele. E desde pequena minha família me incentivou”, diz.

Mas nada se compara às manifestações pelo clima que tomaram cidades do mundo inteiro em setembro. “A maior greve que eu fui para a rua foi em Nova York. Eu fiquei impressionada com o tanto de gente, o mundo inteiro foi para as ruas falar sobre as mudanças climáticas. Eles perceberam que as mudanças climáticas estão acontecendo e são uma coisa muito perigosa”, afirma.

Culpa dos adultos

Catarina, assim como Greta Thunberg, não usa meias palavras e não faz questão de ser política em seu discurso. Em sua visão, crianças e adolescentes como ela pagarão pelos problemas que os adultos criaram no passado e continuam criando no presente.

“Os adultos conseguiram criar o problema, e pelo visto poucos estão do nosso lado, então já que eles não vão fazer nada, nós queremos atuar para não sofrer as consequências no futuro, porque queremos ter um futuro. Eles tiveram o futuro deles, nós queremos ter o nosso próprio futuro. São as crianças que não vão poder tomar banho de rio, não vão poder tomar banho de mar, vão ter dificuldade para respirar, vão perder suas casas, não vão ter água porque as chuvas vão diminuir, não vão poder plantar e colher suas próprias comidas”, diz Catarina, com uma indignação que cresce e atropela as palavras enquanto ela fala.

Para a surfista, os governos deveriam fazer mais pelo futuro das crianças e apoiar quem quer ajudar o meio ambiente, inclusive por meio do incentivo à plantação de árvores e ao estudo das mudanças climáticas nas escolas. Mas, de acordo com ela, o futuro não depende apenas do poder público.

“Um dos maiores passos”, diz Catarina, “é que todo mundo perceba e não se acostume a viver na poluição”. Em seguida, faz um apelo às novas gerações, àqueles que, como ela, não aceitam que o planeta continue como está.

“Eu gostaria que todas as crianças entendessem que elas têm direito a um futuro e que o futuro delas e o próprio presente já estão sendo afetados pelas mudanças climáticas. Só que no futuro estará bem pior, e no futuro não terá como voltar atrás e acabar com isso. Gostaria que elas começassem a atuar e fazer algo agora. Gostaria que elas nos ajudassem a convencer mais adultos a estarem do nosso lado. Quanto mais gente e mais ajuda, melhor para nós, porque vamos conseguir, todos juntos, acabar com as mudanças climáticas e ter direito de ter nosso futuro e ser feliz”, conclui a surfista, agora com o tom de quem sabe que pode mudar o mundo. (Ansa)

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