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Posted on 19-04-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 19-04-2019


 

Synnove,  NO PORTAL DE HUMOR GRÁFICO

 

Do Jornal do Brasil

 

RICARDO BRITO

BRASÍLIA (Reuters) – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), recuou e revogou nesta quinta-feira decisão anterior que havia retirado dos sites O Antagonista e da revista Crusoé uma reportagem, publicada na sexta-feira da semana passada, que faz uma suposta ligação do presidente da corte, Dias Toffoli, com a empreiteira Odebrecht.

Na decisão mais recente, Moraes disse que houve “flagrante incongruência” entre a afirmação da reportagem e o esclarecimento público feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Em nota, a PGR disse que não tinha recebido o material referente a Toffoli da primeira instância.

Macaque in the trees
Ministro do STF, Alexandre de Moraes (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

A reportagem mencionava um pedido de esclarecimento da Polícia Federal ao empreiteiro Marcelo Odebrecht, que firmou acordo de delação premiada, para saber quem seria a identidade de um personagem que ele cita em um e-mail como “amigo do amigo do meu pai”. Marcelo disse se tratar de Dias Toffoli, segundo a reportagem.

Moraes disse só ter recebido nesta quinta a documentação sobre a menção ao atual presidente do Supremo em seu gabinete. Por essa razão, liberou a publicação da reportagem nos ambientes virtuais.

“A existência desses fatos supervenientes –envio do documento à PGR e integralidade dos autos ao STF– torna, porém, desnecessária a manutenção da medida determinada cautelarmente, pois inexistente qualquer apontamento no documento sigiloso obtido mediante suposta colaboração premiada, cuja eventual manipulação de conteúdo pudesse gerar irreversível dano a dignidade e honra do envolvido e da própria corte, pela clareza de seus termos”, disse.

REAÇÃO

A mais recente decisão de Moraes foi tomada no âmbito de um inquérito sigiloso, aberto no mês passado por portaria do presidente do Supremo, que tem por objetivo apurar a existência de notícias fraudulentas e outros crimes de honra contra ministros do STF, que tem sido alvo de críticas públicas e até questionamentos dentro e fora da corte.

Pouco antes de ter sido tornada pública a posição de Moraes, o decano do STF, ministro Celso de Mello, havia afirmado em mensagem que a censura do conteúdo de uma publicação jornalística, mesmo aquela ordenada pela Justiça, é ilegítima, autocrática e incompatível com a Constituição e destacou que eventuais abusos da imprensa devem ser objetos de responsabilização posteriormente.

“A censura, qualquer tipo de censura, mesmo aquela ordenada pelo Poder Judiciário, mostra-se prática ilegítima, autocrática e essencialmente incompatível com o regime das liberdades fundamentais consagrado pela Constituição da República!”, disse Celso de Mello, ministro mais antigo em atividade na corte, em mensagem obtida pela Reuters.

Na sua decisão, Moraes rechaçou alegações de ter havido “censura prévia” da reportagem porque não havia a comprovação da existência do documento e que tinha potencial de atingir a honra do presidente do Supremo.

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CRÔNICA

                         Tintas do coração: Notre Dame de Paris devastada

                        Gilson Nogueira

 Depois de ler o artigo de meu colega das antigas Jolivaldo Freitas, no Correio, sob o título Pobre Paris, deu-me  vontade de comer o texto, logo após o almoço, como sobremesa. Fiquei,assim, arrotando, no bom sentido, o desejo de espalhar pelo mundo o que considero uma das melhores coisas escritas na terra da felicidade pelo colega de profissão. Aliás, uma das coisas mais bem Freitas que li, nos últimos dias, com, quase, 74 anos de Bossa Nova.  Por isso, surgiu-me, de novo, aquela  vontade imensa de tentar mudar o mundo, sonho que acompanha alguns de minha turma de vida e daquela que formou-se em jornalismo, na Universidade Federal da Bahia, em 1971, conhecida como a mais irreverente que a  Ufba pariu.
Bem, convido quem tem a paciência de ler essas linhas, na tela do computador ou de celulares, de todos os tamanhos e  tipos, para que, agora, exatamente agora, passe a mão na tela do seu aparelho e confira o que imagino haver acontecido comigo, quando li o que o grande Joli escreveu. O visor do celular de minha mulher, ao meu lado, enquanto eu acessava o Correio, estava úmido.
” Êpa, você molhou meu celular??? ”
“ Eu, não, você deve ter sentido uma lágrima escorrendo do artigo de Jolivaldo sobre o incêndio monstruoso na Catedral de Notre Dame, em Paris, a Cidade Luz que, neste instante, vive a escuridão que domina a alma dos que acreditam em Deus, por não aceitarem certas coisas que acontecem, certamente, , por arte do diabo, e que parecem mostrar que o inferno é aqui.”
Dentro de meu gabinete,  nas paredes e em molduras sobre a bancada do meu PC, uma noite diferente chega sem que eu perceba.  Há um silêncio momentâneo. E misterioso.  Não ouço ruído algum, apenas de um quadro  que soltou-se da parede em que está pendurado um certificado da Academia Brasileira de Letras,com a assinatura do seu presidente, Cícero Sandroni, conferido ao bossanoveiro da capital do berimbau, no dia 30 de novembro de 2008, por haver participado da Mesa-redonda, sob o título “ NO BALANÇO DA BOSSSA. MEIO SÉCULO DE SEDUÇÃO”.
A lágrima escorre no teclado do meu Dell. Vou enxugá-la. Antes, quero deixar, aqui,  um abraço para cada francês que lamenta a morte da catedral  construída para ficar mais perto do Céu. E um aperto de mão ao colega  escritor e jornalista, daqueles que, invariavelmente, escrevem com  as tintas do coração.
Gilson Nogueira, jornalista, é colaborador da primeira hora do site blog Bahia em Pauta

“MarieMédia”, Mireille Mathieu: O grande maestro Francis Lai , autor de trilhas inesquecíveis do cinema , compôs, em 1988, a música desta canção, sobre um texto de Louis Amade. Na época,  Mathieu cantou diante da célebre Vierge au pilier da catedral Notre Dame de Paris. Foi diante desta mesma imagem  que o poeta Paul Claudel recebeu  a revelação da fé cristã e se converteu ao catolicismo. Aqui toda emoção de Mireille Mathieu, em gravação dos Anos 80.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DO JORNAL DO BRASIL

Presidente do Brasil é apresentado como “um personagem complexo”

  A revista norte-americana Time incluiu o presidente Jair Bolsonaro entre as 100 pessoas mais influentes do mundo em 2019. A lista foi divulgada nesta quarta-feira (17).

No texto sobre a escolha, Bolsonaro é apresentado como “um personagem complexo”. “Ele representa uma forte quebra de uma década de corrupção de alto nível, e a melhor chance do Brasil em uma geração para realizar reformas econômicas que podem domar o aumento do déficit [fiscal]”, aponta a revista.

“O ex-militar também é garoto propaganda da masculinidade tóxica e [representa] uma intenção homofóbica e ultraconservadora de travar uma guerra cultural e, talvez, reverter o avanço do Brasil no combate às mudanças climáticas”, pondera o texto.

Macaque in the trees

Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o presidente dos EUA, Donald Trump (Foto: Isac Nóbrega/PR)

Entre os líderes, a lista da Time inclui ao todo 26 nomes, como o do opositor venezuelano Juan Guaidó, a congressista americana Alexandria Ocasio-Cortez, nome em ascensão no Partido Democrata, e a premiê da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, que ganhou reconhecimento internacional pela forma como lidou com o massacre em mesquitas de seu país.

O presidente dos EUA, Donald Trump, o papa Francisco, o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, e o ministro italiano, Matteo Salvini, também foram incluídos na relação de 2019.

A então presidente brasileira Dilma Rousseff foi incluída nas listas da Time de 2011 e 2012, seus primeiros anos de mandato. O ex-presidente Lula esteve entre os eleitos pela revista em 2004 e em 2010.

O ex-presidente Michel Temer foi citado em uma lista feita pela Time em 2017, como um dos cinco líderes mais impopulares do mundo, ao lado de nomes como o do ditador venezuelano Nicolás Maduro.

Na música, a lista de 2019 cita as cantoras Taylor Swift, Lady Gaga e Ariana Grande, além do grupo sul-coreano de k-pop BTS.

Do cinema, entraram os atores Mahersala Ali (do filme “Green Book”), Yalitza Aparício (de “Roma”), Dwayne Johnson (conhecido como The Rock) e a veterana Glenn Close, entre outros.

No esporte, houve destaque para o atacante egípcio Mohamed Salah (do Liverpool), para o jogador de basquete LeBron James (Los Angeles Lakers) e para o golfista Tiger Woods.

 
Art Graphique e Patrimoine (Reconstrução 3D) EL PAÍS

O incêndio que destruiu o telhado da catedral de Notre-Dame em Paris na segunda-feira afetou diferentes espaços do edifício. A maior parte dos danos no interior está concentrada sob o cruzeiro do templo, que sustentava a flecha de madeira que desmoronou uma hora após o incêndio ter sido declarado. Este é o saldo dos danos, cuja reparação pode durar até 20 anos, segundo especialistas.

1. A agulha

Balanço dos danos de Notre-Dame
IAN LANGSDON EFE

A agulha de Viollet-le-Duc, que se elevava 93 metros acima do solo, e a torre do sino na parte de trás da nave desapareceram uma hora após o início do incêndio. A flecha, como era conhecida, foi acrescentada à igreja pelo arquiteto Eugène Viollet-le-Duc em 1859-1860. As primeiras informações indicavam que o fogo havia consumido o galo de cobre que ficava no topo do pináculo. A escultura, que, segundo a Igreja, abriga as relíquias de Santa Genoveva e São Dionísio (Saint Denis), além de um fragmento da Coroa de Espinhos de Cristo, foi encontrada entre os escombros.

2. A estrutura da cobertura

O marco do século XIII era conhecido como la fôret (a floresta) por causa das toneladas de troncos de carvalho usados para construí-lo (1.300 carvalhos derrubados em uma área de 21 hectares de floresta). Cada viga pertencia a uma árvore diferente.

Balanço dos danos de Notre-Dame
notredamedeparis.fr
 

3. As rosáceas

Permanecem em seu lugar, mas as partes altas apresentam imperfeições causadas pelo fogo. Em algumas partes dos vitrais o chumbo que une os vidros se fundiu.

O marco do século XIII era conhecido como la fôret (a floresta) por causa das toneladas de troncos de carvalho usados para construí-lo (1.300 carvalhos derrubados em uma área de 21 hectares de floresta). Cada viga pertencia a uma árvore diferente.

Balanço dos danos de Notre-Dame
Dan Kitwood Getty Images
 
4. As abóbadas

Das nove abóbadas da nave principal, duas não resistiram: a quarta e a do cruzeiro.

Embora ainda estejam de pé, as autoridades informaram que foram identificadas “vulnerabilidades” na estrutura do edifício, particularmente na abóbada e uma parte do transepto (nave transversal que forma o braço curto em uma igreja de planta de cruz latina), o que obrigou ao esvaziamento de cinco edifícios vizinhos do monumento como medida de precaução.

Balanço dos danos de Notre-Dame
Christophe Petit Tesson AP
 

5. Os órgãos

A catedral tem três órgãos: o principal (de 7.374 tubos), o do coro (de 1.840) e um portátil que estava no cruzeiro e foi destruído.

Dos três órgãos instalados na catedral, o maior deles, construído na entrada principal entre os séculos XV e XVII, está a salvo, embora a estrutura tenha sofrido com a queda de alguns escombros, de poeira e água. O instrumento tem uma caixa decorada com autômatos. Foi restaurado em 2014.

Balanço dos danos de Notre-Dame
 

6. O que se salvou

Balanço dos danos de Notre-Dame
 

O sistema dos arquitetos medievais transferia o empuxo da nave central para o exterior através dos arcobotantes (arcos) até os contrafortes (paredes externas). Isso favoreceu a resistência da estrutura.

O fogo não alcançou as grandes pinturas dos séculos XVI e XVII, conhecidas como Mays, que pendiam das paredes da nave, do coro e das capelas. Mas foram danificadas pela água, de acordo com o ministro francês da Cultura. Suas grandes dimensões impediram que fossem retiradas a tempo. Essas cenas religiosas, que lembram a vida dos apóstolos, foram presentes da guilda dos ourives parisiense entre 1630 e 1707. Chegaram a 66, das quais 13 ainda estavam expostas ao público. Seus autores incluem renomados pintores da época, como Charles Le Brun e Jacques Blanchard.

As 16 estátuas de cobre posicionadas na base da agulha em 1860, durante a ampliação de Notre Dame no século XIX, foram salvas por terem sido desmontadas em 11 de abril para restauração. No momento do incêndio acabavam de chegar a um depósito da cidade de Périgueux, no sudoeste do país, onde serão restauradas.

Balanço dos danos de Notre-Dame
REUTERS
 

O altar também estaria a salvo, de acordo com uma foto divulgada nas redes sociais pelo padre Pierre-Hervé Grosjean, da diocese de Versalhes. A grande peça de mármore e a cruz que o presidem estariam ainda no lugar. A monumental Pietá, do escultor Nicolas Coustou, colocada na abside permanece aparentemente intacta.

Você acha que se quiséssemos atrapalhar a reforma, estaríamos negociando?”, pergunta coordenador do PR na CCJ

 

Por Diego Amorim

O Antagonista conversou com o deputado Marcelo Ramos, coordenador da bancada do PR na CCJ da Câmara.

Ele participou de uma reunião há pouco com o secretário especial da Previdência, Rogério Marinho, e disse ao site que se tratou de um “debate republicano, digno de um Parlamento independente”.

Ramos afirmou que o partido não quer cargos, nem emendas, nem espaço. E que tem interesse em aprovar a reforma da Previdência.

“Nós queremos fazer a reforma ser aprovada. Você acha que se quiséssemos atrapalhar a reforma, estaríamos negociando? Temos voto para derrubar o parecer do relator na CCJ. Não há gesto mais efetivo de que queremos contribuir do que a negociação.”

Ao sentenciar que o governo “não tem base política”, o deputado acrescentou que alterações na proposta apresentada pela equipe econômica são necessárias para que sejam alcançados os 308 votos necessários para a aprovação no plenário.

“Não adianta colocar para votar, seja na CCJ ou no plenário, para perder. Se quiser ganhar, um governo que não tem base precisa fazer certas concessões.”

Segundo a liderança do PR, “há um cuidado” para que as mexidas no texto já na CCJ não tenham impacto fiscal — com exceção do questionamento sobre as mudanças nas regras do abono salarial.

“Teremos até terça-feira para discutir com o governo e ver a possibilidade de calibrar tudo isso. Entendo que, com alguns ajustes, não haverá empecilho para aprovarmos o relatório na semana que vem na CCJ.”

Ramos confirmou que o PR está no grupo dos que fazem vista grossa em relação aos seguintes pontos: mudanças nas regras do abono salarial, no FGTS, na idade de aposentadoria compulsória de ministros do STF, além da troca no foro para julgamento de ações contra o INSS e os dispositivos que retiram da Constituição regras de aposentadoria.

abr
18

Do  Jornal do Brasil

Nesta quarta-feira (17) foram retirados mais quatro corpos nos escombros do desabamento de dois prédios no condomínio Figueiras do Itanhangá, na comunidade da Muzema, na zona oeste do Rio de Janeiro, ocorrido na sexta-feira (12). Segundo informou o Corpo de Bombeiros, a corporação segue em busca de outros três desaparecidos.

Também foi constatado que uma das pessoas dadas como desaparecidas estava entre os óbitos identificados no Instituto Médico Legal (IML).

Macaque in the trees
Desabamento de dois prédios na comunidade da Muzema, na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, deixou mortos e feridos. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O trabalho dos bombeiros na Muzema entrou no sexto dia. Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros e secretário da Defesa Civil, coronel Roberto Robadey, o trabalho continua de forma manual até pelo menos sexta-feira (19), pois ainda há a esperança de encontrar sobreviventes entre os escombros.

Estão sendo empregadas britadeiras, cortadeiras e cães farejadores, que indicam os locais onde possa haver pessoas. A equipe completa do Corpo de Bombeiros conta com 11 militares no local, com substituições a cada 12 horas.

Vítimas

O total de vítimas está em 26, sendo oito sobreviventes. Destes, três permanecem internados e cinco já tiveram alta. Entre as vítimas fatais, cinco já foram sepultadas, os corpos de três pessoas de uma mesma família aguardam traslado para o Maranhão e outros oito corpos ainda estão no Instituto Médico Legal. Fora os corpos encontrados hoje, apenas um ainda não foi identificado.

 

abr
18
Posted on 18-04-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-04-2019



 

Sid, no portal de humor gráfico

 

Presidente argentino anuncia plano de controle de preços para aliviar a crise de seu Governo

 Enric González
Buenos Aires
O presidente Mauricio Macri, em março, durante ato público na província de Jujuy (norte).
O presidente Mauricio Macri, em março, durante ato público na província de Jujuy (norte). Presidencia

Mauricio Macri dispara seus últimos cartuchos. Tendo de enfrentar uma inflação que está deixando seu Governo nas cordas, o presidente argentino anunciou um plano para congelar preços e tarifas que se parece muito com o que ele prometeu que nunca faria: a intervenção nos mercados, tradicionalmente associada com o peronismo e o populismo. Segundo Macri, trata-se de “promover alívio a curto prazo” para uma população asfixiada pela recessão e pelo aumento dos preços. Não é difícil deduzir que o plano, estabelecido por seis meses, ou seja, até as eleições presidenciais de outubro, também visa melhorar suas chances de permanecer no cargo.

Esperava-se um discurso ou algum tipo de intervenção solene, talvez na companhia de um grupo de governadores provinciais. Mas o que os argentinos viram foi um vídeo de propaganda que a Casa Rosada postou no Facebook. Jaime Durán Barba, o equatoriano que administra a estratégia eleitoral de Macri, planejou uma reunião entre o presidente e uma família do bairro Colegiales, de Buenos Aires. “Temos que passar pela tempestade”, diz Macri no vídeo. “Todos nós precisamos de um alívio”, acrescenta, um plano de contenção de preços “até que as medidas básicas comecem a funcionar”. A dona de casa, com a filha nos braços, responde: “Precisávamos ouvir algo assim”. A maioria dos cidadãos talvez tivesse feito um comentário menos complacente.

Depois que o vídeo foi transmitido, os ministros Nicolás Dujovne (Fazenda), Dante Sica (Produção e Trabalho) e Carolina Stanley (Desenvolvimento Social) apresentaram os detalhes do programa. Consiste, de acordo com Dujovne, em um “acordo de cavalheiros” com produtores e distribuidores para congelar por seis meses os preços de dezenas de produtos básicos, como óleo de cozinha, farinha, macarrão, arroz, leite, açúcar, conservas e erva-mate, bem como as tarifas de eletricidade e gás, as passagens do transporte público e os cartões do celular pré-pago. O Estado assumirá os aumentos tarifários previamente acordados com as empresas de eletricidade, o que implicará um custo para o Tesouro de cerca de 9 bilhões de pesos (cerca de 815 milhões de reais).

Preparam-se também medidas complementares, tais como descontos em lojas para 18 milhões de beneficiários da ajuda da Seguridade Social (Anses), reduções no preço dos medicamentos para cerca de cinco milhões de pessoas em situação de pobreza, ajuda às pequenas empresas para o pagamento de dívidas tributárias e um modesto plano de subsídio para a compra da primeira casa que beneficiaria cerca de 10.000 famílias. Os ministros indicaram que não estão apenas tentando aliviar a situação econômica dramática da sociedade argentina, mas reativar um consumo que está afundando: em março, caiu 8,9%.

As empresas concordaram em controlar certos preços por diferentes razões. Principalmente, porque preferem respaldar Macri ao invés de assumir o risco do retorno de Cristina Kirchner. Vários já aplicaram previamente aumentos que lhes permitirão resistir bem ao congelamento. Nenhum dirigente deixou de perceber que a intervenção do Governo nos preços, embora disfarçada de “acordo de cavalheiros”, cheira precisamente a kirchnerismo e manobra quase desesperada. Há um ano, pouco antes do início da crise, a reeleição de Mauricio Macri parecia quase garantida. Agora é muito duvidosa, mesmo sem se saber ainda quem ou quais serão seus rivais peronistas em outubro.

O Governo Macri insiste que está trabalhando para o futuro, que as medidas macroeconômicas vão acabar dando frutos e que o plano de controle de preços não é nada mais do que uma ponte para uma situação estável no final do ano. O inquilino da Casa Rosada sofre, no entanto, de um problema de credibilidade. Macri chegou à presidência garantindo que o controle da inflação, que atormentou Cristina Kirchner no final de seu mandato, seria “fácil”. Agora, admite que é muito difícil.

O homem que se gabava de gestão econômica viu a economia estourar em suas mãos e agora depende do Fundo Monetário Internacional, que emprestou 57 bilhões de dólares (cerca de 220 bilhões de reais) ao país e mostrou uma benevolência incomum, mas também impõe medidas de austeridade que levaram a uma recessão profunda: a economia argentina se contraiu 3,5% em 2018 e não irá muito melhor este ano.

O chefe do Gabinete Macri, Marcos Peña, repete de vez em quando que Cristina Kirchner será a rival peronista em outubro e que a rejeição a ela conduzirá à reeleição de seu chefe. As coisas não são tão claras. Kirchner ainda não entrou na corrida. E as pesquisas atuais não garantem que Macri sequer supere o primeiro turno.

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