DO EL PAIS
Singapura 
Kim Jong-un e trump em Singapura
Kim Jong-un e Trump posam para foto histórica. AP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, se reúnem no luxuoso hotel Capella, em Singapura, para um encontro sem precedentes: devido aos seus protagonistas, à forma extravagante como as negociações prévias foram conduzidas e ao seu significado. Ambos chegaram ao local na noite desta segunda-feira – manhã de terça na Ásia – e cumprimentaram-se ante as bandeiras dos dois países num momento histórico envolto em grande expectativa global. “Teremos uma excelente relação”, disse Trump, que afirmou esperar um encontro “tremendamente exitoso”. Kim disse que havia obstáculos para a reunião, mas “nós o superamos e estamos aqui hoje”. O encontro que rompe o quase total isolamento internacional da Coreia do Norte cimenta o degelo em marcha, mas não elimina as graves dúvidas que rodeia o processo de desnuclearização do regime norte-coreano. O arsenal atômico é o seguro de vida da ditadura e ainda está por se provar a real intenção de Pyongyang de se desfazer dele.

Após as fotos e com uma indicação com a mãos de Trump, os mandatários se dirigiram a uma sala reservada do hotel, na ilha de Sentosa. Os dois se reuniram a sós por 45 minutos e, depois, as TVs mostram imagens do encontro ampliado, com as comitivas diplomáticas incorporadas. Apenas às 16h locais – 5 da manhã de terça no Brasil –  estava previsto que Trump falasse à imprensa.

Se as negociações fracassarem, todas as opções contra o regime norte-coreano voltarão ao tabuleiro. Se tiverem sucesso, começará um longo processo que – talvez, apenas talvez – levará ao desarmamento nuclear da Coreia do Norte. Um processo que pode durar mais de dez anos e custar bilhões de dólares. Poucos analistas acreditam que Pyongyang esteja verdadeiramente disposta a renunciar de maneira “completa, irreversível e verificável”, como exige Washington, a um programa nuclear ao qual tem dedicado décadas, recursos econômicos significativos e inúmeros sacrifícios de sua população. Se concordar, será em troca de concessões gigantescas. E, se o fizer, tudo pode ir por água abaixo: uma vez adquirido o conhecimento necessário, poderia recriá-lo sempre que quisesse. A Coreia do Norte conta com uma equipe de 200 especialistas, segundo cálculos dos serviços secretos da Coreia do Sul.

A Coreia do Norte “pagou um preço muito alto para conseguir uma força poderosa e confiável que permita nossa defesa”, destacou no mês passado sua vice-ministra de Relações Exteriores, Choe Son-hui.

Uma força considerável. De acordo com cálculos da Coreia do Sul, seu vizinho do norte destina 25% de seu orçamento, ou cerca de 10 bilhões de dólares por ano (36,8 bilhões de reais), para gastos militares. Os últimos testes de mísseis no ano passado, antes da moratória declarada unilateralmente, representaram um desembolso de cerca de 300 milhões de dólares (1,1 bilhão de reais).

Alguns especialistas estimam que a Coreia do Norte tenha entre 15 e 20 bombas nucleares. Esse número, segundo os serviços de inteligência dos EUA, pode chegar a 60. Essas armas têm um poder de destruição entre 10 e 25 quilotons, o equivalente às bombas atômicas que destruíram Hiroshima e Nagasaki em 1945. Em setembro do ano passado, Pyongyang completou seu sexto e até agora mais potente teste nuclear, uma bomba de hidrogênio de 100 a 250 quilotons de potência.

O plutônio e o urânio enriquecido necessários para essas armas são fabricados no Centro de Pesquisa Nuclear de Yongbyon. O especialista Sigfried Hecker estima que a Coreia do Norte tenha entre 20 e 40 quilos de plutônio e entre 175 e 645 quilos de urânio altamente enriquecido. O regime poderia produzir, segundo cálculos de especialistas, entre 30 e 60 bombas adicionais, entre três e sete a cada ano.

Para que essas bombas possam chegar a algum lugar, precisam de mísseis para transportá-las. O arsenal norte-coreano tem cerca de mil mísseis de diferentes alcances. Durante o mandato de Kim Jong-un, a Coreia do Norte completou quase cem testes, e que alcançaram um ritmo frenético no ano passado.

Depois de avançar nos últimos dois anos em um ritmo que surpreendeu especialistas, em julho e novembro do ano passado a Coreia do Norte testou com sucesso, pela primeira vez, mísseis intercontinentais capazes de atingir qualquer ponto do território norte-americano, como Kim teve o prazer de lembrar em seu primeiro discurso do ano. No entanto, não está comprovado que esses mísseis, quando carregados com uma ogiva nuclear, possam resistir sem se desintegrar em sua reentrada na atmosfera.

Entre todos os mísseis, a estrela é o Hwasong-15. Em seu teste de novembro — o último antes de a Coreia do Norte ter declarado unilateralmente uma moratória — atingiu uma altura de 4.475 quilômetros e percorreu uma distância de outros mil antes de cair no mar. Com esses dados, especialistas calcularam que poderia cobrir uma trajetória de 13.000 quilômetros.

Além disso, analistas acreditam que o país possua 200 mísseis Nodong, capazes de chegar ao Japão; 600 Scud, que podem alcançar a Coreia do Sul e parte do Japão, e pouco menos de 50 Taepodong e Musudan, que poderiam atacar Guam e partes da costa oeste dos EUA, segundo a organização Iniciativa de Ameaça Nuclear (NTI, na sigla em inglês).

Se criar este programa exigiu investimentos sem dimensões, livrar-se dele também não será barato. Um estudo realizado pela Universidade Kookmin, em Seul, estimou que os custos diretos e indiretos seriam de cerca de 20 bilhões de dólares (cerca de 73,7 bilhões de reais): 5 bilhões de dólares para o desmantelamento de bombas e instalações; outros 5 bilhões para a construção de dois reatores nucleares para produzir eletricidade, prometidos na época pelos Estados Unidos; e 10 bilhões de dólares para despesas indiretas, como reconstruir a economia norte-coreana e reconhecer técnicos nucleares em postos civis.

Outro relatório, do Centro para Segurança Internacional e Cooperação da Universidade de Stanford e assinado por Siegfried Hecker, estima que levará pelo menos uma década para concluir o processo. Isso, se não houver obstáculos. “A política pode atrasar a desnuclearização definitiva em até quinze anos”, destacou autor.

Pyongyang assegura que deu um primeiro passo ao dinamitar seu centro de testes em Punggye-ri, ao norte de seu território, embora o site especializado 38 North considere que os danos nas entradas dos túneis sejam limitados. “Embora os procedimentos realizados pelos norte-coreanos dificultem a reutilização do local no futuro, recuperar o acesso aos túneis de teste concluídos nas áreas sul e oeste ainda pode ser possível”, diz a análise.

Mesmo sem seu programa nuclear, o exército norte-coreano tem dimensões respeitáveis. Estima-se que, com 1,1 milhão de soldados – 5% da população -, seja o quarto do mundo (atrás da China, Índia e EUA). Centenas de mísseis no território norte-coreano apontam para a Coreia do Sul.

Segundo estimativas dos Ministérios de Defesa dos EUA e da Coreia do Sul, incluídas em um relatório do Conselho de Relações Exteriores (CFR) norte-americano, a Coreia do Norte tinha, entre 2015 e 2016, mais de 1.300 aeronaves, 300 helicópteros, 430 navios de combate, 250 navios anfíbios, 70 submarinos, 4.300 tanques, 2.500 veículos blindados e 5.500 lançadores múltiplos. Embora, de acordo com as estimativas de especialistas, uma boa parte desse equipamento seja obsoleta. Sanções internacionais impediram sua modernização.

jun
12
Posted on 12-06-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-06-2018


 

Mariano, no portal de humor gráfico

 

jun
12

No país dos sovietes corporativo-sindicais

Uma das coisas mais fáceis de fazer no Brasil, além de assaltar e matar, é criar conselhos na esfera da Justiça. O sindicalismo de toga resolve criar um conselho, cria — e depois repassa aos pagadores de impostos a conta com passagens aéreas, auxiliares, uso de bens públicos, faltas ao serviço e o que mais for.

Agora há, atenção, um tal Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União — cujo presidente tomará posse no próximo dia 28, em Goiânia.

Quem é o presidente? Benedito Torres Neto, irmão de Demóstenes Torres.

É o país dos sovietes corporativo-sindicais.

jun
11

Pesquisa do Instituto Datafolha que foi divulgada neste domingo (10) mostra que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue na liderança das intenções de voto para presidente em 2018, com 30%. Em segundo também continua Jair Bolsonaro (PSL), com 17%. Marina Silva (Rede) soma 10%, Geraldo Alckmin, 6%, assim como Ciro Gomes (PDT). 

A pesquisa mostra ainda que 30% dos eleitores dizem que votariam com certeza num candidato indicado por Lula, e 17% dizem que talvez o fariam. Entretanto, 51% afirmam que o apoio do petista os levariam a rejeitar um candidato.

Lula segue na liderança das intenções de voto para presidente

O PT ainda mantém a pré-candidatura do ex-presidente Lula, mesmo ele estando preso há mais de dois meses na carceragem da Polícia Federal de Curitiba. Apesar do apoio de 30% a um candidato indicado pelo petista, os dois nomes mais cotados no PT para a empreitada, o ex-prefeito Fernando Haddad e o ex-governador Jaques Wagner não ultrapassaram 1% nessa pesquisa Datafolha.

Nessa mostra, cerca de 1/3 dos entrevistados afirmaram que Lula deveria apoiar a candidatura de seu ex-ministro Ciro Gomes (PDT), caso seja mesmo impedido pela Justiça de concorrer nas eleições presidenciais de outubro deste ano.

Num contraponto ao porcentual que um candidato pode ter neste pleito, caso tenha o apoio do petista, o Datafolha mostra que uma indicação do presidente Michel Temer (MDB) levaria 92% dos eleitores a não votarem em um candidato. Já o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) levaria 65% dos eleitores a rejeitarem um candidato.

A mais recente pesquisa Datafolha, realizada entre os dias 6 (quarta-feira) e 7 (quinta-feira) deste mês, teve como base 2.824 entrevistas em 174 municípios em todos os Estados do País, mais Distrito Federal. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob número BR-05110/2018.

VEJAM OS RESULTADOS

Cenário 1 (Se Lula for candidato)

Lula (PT): 30%

Jair Bolsonaro (PSL): 17%

Marina Silva (Rede): 10%

Geraldo Alckmin (PSDB): 6%

Ciro Gomes (PDT): 6%

Alvaro Dias (Podemos): 4%

Manuela D’Ávila (PC do B): oscila entre 1% e 2%

Rodrigo Maia (DEM): oscila entre 1% e 2%

Aldo Rebelo (SDD): oscila entre 0% e 1%

Fernando Collor de Mello (PTC): oscila entre 0% e 1%

Flávio Rocha (PRB): oscila entre 0% e 1%

Guilherme Afif Domingos (PSD): oscila entre 0% e 1%

Guilherme Boulos (PSOL): oscila entre 0% e 1%

Henrique Meirelles (MDB): oscila entre 0% e 1%

João Amoêdo (Novo): oscila entre 0% e 1%

João Goulart Filho (PPL): oscila entre 0% e 1%

Josué Alencar (PR): oscila entre 0% e 1%

Levy Fidelix (PRTB): oscila entre 0% e 1%

Paulo Rabello de Castro (PSC): não alcança 1% em nenhum cenário

Sem candidato: 21%

Cenário 2 (Se o PT lançar Fernando Haddad no lugar de Lula)

Jair Bolsonaro (PSL): 19%

Marina Silva (Rede): 15%

Ciro Gomes (PDT): 10%

Geraldo Alckmin (PSDB): 7%

Alvaro Dias (Podemos): 4%

Fernando Haddad (PT): 1%

Sem candidato: 33%

Cenário 3 (Se o PT lançar Jaques Wagner no lugar de Lula)

Jair Bolsonaro (PSL): 19%

Marina Silva (Rede): 14%

Ciro Gomes (PDT): 10%

Geraldo Alckmin (PSDB): 7%

Alvaro Dias (Podemos): 4%

Jaques Wagner (PT): 1%

Sem candidato: 33%

Cenário 4 (Se o PT ficar fora da eleição):

Jair Bolsonaro (PSL): 19%

Marina Silva (Rede): 15%

Ciro Gomes (PDT): 11%

Geraldo Alckmin (PSDB): 7%

Alvaro Dias (Podemos): 4%

Sem candidato: 34%

Cenário 1 (se Lula for candidato e chegar ao 2º turno):

Lula (PT): 49%

Jair Bolsonaro (PSL): 32%

Branco/nulo: 17%

Não sabe: 1%

Cenário 2 (se Lula for candidato e chegar ao 2º turno):

Lula (PT): 49%

Alckmin (PSDB): 27%

Em branco/Nulo: 22%

Não sabe: 1%

Cenário 3 (se Lula for candidato e chegar ao 2º turno):

Lula (PT): 46%

Marina (Rede): 31%

Em branco/Nulo: 21%

Não sabe: 1%

Cenário 4 (se o PT lançar Fernando Haddad no lugar de Lula):

Alckmin (PSDB): 36%

Haddad (PT): 20%

Em branco/Nulo: 40%

Não sabe: 4%

Cenário 5 (se o PT lançar Fernando Haddad no lugar de Lula):

Bolsonaro (PSL): 36%

Haddad (PT): 27%

Em branco/Nulo: 34%

Não sabe: 3%

Cenário 6 (se o PT lançar Fernando Haddad no lugar de Lula):

Ciro (PDT): 38%

Haddad (PT): 19%

Em branco/Nulo: 38%

Não sabe: 4%

Cenário 7 (Sem Lula)

Ciro (PDT): 32%

Alckmin (PSDBB): 31%

Em branco/Nulo: 34%

Não sabe: 3%

Cenário 8 (Sem Lula)

Marina (Rede): 42%

Alckmin (PSDB): 27%

Em branco/Nulo: 29%

Não sabe: 2%

Cenário 9 (Sem Lula)

Alckmin (PSDB): 33%

Bolsonaro (PSL): 33%

Em branco/Nulo: 32%

Não sabe: 3%

Cenário 10 (sem Lula)

Marina (Rede): 42%

Bolsonaro (PSL): 32%

Em branco/Nulo: 24%

Não sabe: 2%

Cenário 11 (sem Lula)

Ciro (PDT): 36%

Bolsonaro (PSL): 34%

Em branco/Nulo: 28%

Não sabe: 3%

Cenário 12 (sem Lula)

Marina (Rede): 41%

Ciro (PDT): 29%

Em branco/Nulo: 28%

Não sabe: 2%

Influência

30% dizem que votariam em candidato indicado por Lula.

17% dizem que ‘talvez’ votariam em candidato indicado por Lula

51% dizem que rejeitariam em candidato indicado por Lula

65% dizem que rejeitariam candidato indicado por Fernando Henrique Cardoso

92% dizem que rejeitariam candidato indicado por Michel Temer

Dois mestres ~imortais da sanfona, do baião, do forro e do melhor e mais alegre e popular da música brasileira. Viva!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

 

 

 

 

 

 

 

jun
11
Posted on 11-06-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-06-2018
Nova York

Anthony Bourdain se transformou numa estrela planetária graças a sua atitude rebelde, suas viagens e, sobretudo, pela sua paixão pela comida. A última imagem que postou na sua conta no Instagram é a de um prato típico da Alsácia, na qual se veem duas salsichas, duas peças de toucinho e um corte de porco curado repousando sobre um leito de chucrute, com uma mensagem em que se lê “almoço leve”.

Essa imagem de aventureiro, que através das tradições culinárias ajudou a descobrir a humanidade, é a imagem que celebram as grandes cadeias de televisão nos Estados Unidos para lhe render tributo. “Muitos dos que o assistiam sentirão também que perderam um amigo”, dizia Anderson Cooper em seu programa AC 360, transmitido pela CNN. O canal de notícias foi sua casa nos últimos cinco anos.

O prato que imortalizou na sua agenda virtual dias antes de tirar a própria vida é típico da região onde Bourdain estava filmado um novo episódio de Parts Unknown. A sétima temporada estreou em maio. A comida é o legado que deixa o chef estrela, que muito antes de se converter em um contador de histórias começou sua carreira lavando pratos numa cozinha em Nova Jersey. Tinha 13 anos.

O fenômeno Bourdain começou há duas décadas com um artigo que escreveu na revista New Yorker sob o título “Não coma antes de ler isto”. Foi a semente do livro Kitchen Confidential, no qual contava sobre os recantos mais escondidos das cozinhas na cidade dos arranha-céus. Virou rapidamente um sucesso de vendas. Daí começou a apresentar A Cook´s Tour para a rede Food Network, título que estava inspirado em seu segundo livro.

Foi contratado depois pelo Travel Channel, que o lançou ao estrelato com No Reservations. The Smithsonian o elevou à categoria de estrela do rock ao vê-lo, pela sua atitude, como o Elvis dos cozinheiros. Por esse programa foi premiado com dois prêmios Emmy. A CNN o contratou em 2013. “Muitos de vocês, como muitos de nós, sentimos um amplo leque de emoções: choque, tristeza, confusão”, dizia emocionado Cooper. 

Bourdain utilizou a crítica gastronômica como um canal para ajudar a audiência a viajar pelo mundo e explorar a humanidade através suas comidas. A televisão serviu-lhe também para fazer uma defesa das populações marginalizadas e denunciar as condições trabalhistas que se vivem nas cozinhas. “As pessoas me confundem. A comida, não”, confessou em seu primeiro livro, no qual revelou sua paixão pela carne. Isso o levou a ser reconhecido dentro e fora da indústria.

O chef nova-iorquino forjou a imagem de livre pensador, hedonista e humanista. Também não ocultou os problemas que teve por abusar das drogas. Anthony Bourdain, duas vezes divorciado, apoiou além disso a sua namorada, a atriz Ásia Argento, em sua cruzada contra o ex-produtor de cinema Harvey Weinstein, a quem ela acusou de tê-la violentado. A promotoria confirmou que ele faleceu por enforcamento. A prova toxicológica deve decifrar se ele consumiu alguma substância.

O programa de Bourdain era transmitido aos domingos pela noite nos EUA. Privilegiava o encontro com os locais e os sabores das regiões que visitava, afastadas dos turistas, em contraste ao requinte e à estética. Nunca viajava sem seu quimono de jiu-jitsu e entre suas causas era muito perseverante contra o assédio sexual nos restaurantes. Também era um grande defensor dos imigrantes, com ou sem documentos, especialmente dos latinos que trabalham nas cozinhas.

Bourdain dizia que o principal motivo que tinha para viver era sua filha Ariana, de 11 anos. Mas nas entrevistas mais recentes mostrava uma parte sombria por seu antigo vício em heroína e inclusive comentou que já havia pensado em suicídio após ver tudo o que já havia feito na vida. Mas em seguida retificou a mensagem e declarou-se “razoavelmente contente”. Também disse que morreria trabalhando, porque não tinha intenção de se aposentar. “Sou demasiado neurótico”, admitiu.

jun
11
Posted on 11-06-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-06-2018
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Aroeira, no jornal O Dia (RJ)

A assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores enviou a O Antagonista a seguinte nota sobre a matéria do Metrópoles repercutida neste site:

“Com relação à matéria postada em O Antagonista sobre a recente visita do Ministro das Relações à Ásia, são prestados os seguintes esclarecimentos.

A participação da Senhora Gisele Sayeg na viagem não gerou custo para o Erário, e não há impedimento legal à sua participação. Os hotéis são compatíveis com o nível de representação de uma visita ministerial. Em algumas capitais, a hospedagem do ministro foi custeada pelo país anfitrião.

O périplo por sete países da Ásia (China, Coreia do Sul, Indonésia, Japão, Singapura, Tailândia e Vietnã) visou a explorar o enorme potencial inexplorado nas relações do Brasil com a região. A viagem busca recuperar o tempo perdido, colocando a Ásia no centro da política externa brasileira. Alguns dos países visitados não eram visitados por chanceleres brasileiros há quase duas décadas.

Há várias oportunidades na região como um todo, em particular o sudeste asiático. Um Brasil competitivo, inserido nas cadeias globais de valor, com uma forte base na economia do conhecimento, passa obrigatoriamente por um aprofundamento das relações com a Ásia e o aproveitamento das oportunidades econômico-comerciais e tecnológicas que o continente oferece.  Já são conhecidos os volumes de nosso comércio com China (1o parceiro do Brasil), Japão (6o parceiro) ou Coreia do Sul (9o parceiro). Menos conhecido do público é o potencial da aproximação com membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), bloco formado por dez países. Em conjunto, a ASEAN foi, em 2017, o 4º principal parceiro do Brasil (intercâmbio de US$ 18,5 bilhões).

Exemplo da volta do Brasil ao jogo global foi o lançamento, em Seul, das negociações do acordo Mercosul-Coreia do Sul, que ajudará a ampliar as relações com um grande investidor no Brasil. No Japão, foi nítido o interesse da confederação empresarial KEIDANREN em um futuro acordo com o MERCOSUL e no relacionamento mais estreito com o Brasil.

Durante a visita, o Ministro levou a mensagem de que o Brasil oferece condições propícias para o comércio e os investimentos. A visita também se integra na estratégia de abertura de novas frentes negociadoras do Mercosul, com o objetivo de tornar-se plataforma para a inserção competitiva de seus membros na economia global, e atrair investimentos de empresas asiáticas. O Ministro transmitiu estas mensagens nos diversos encontros que manteve com autoridades e empresários nos sete países visitados.

Os governos e comunidades empresariais com os quais o Ministro Aloyiso Nunes Ferreira teve contato demonstraram enorme interesse nas relações com o Brasil e o MERCOSUL. Empresários japoneses, sul-coreanos, chineses e singapurenses com os quais o Ministro conversou manifestaram confiança na economia brasileira e disposição concreta de fazer investimentos de longo prazo no Brasil.

Em Singapura, foi assinado um acordo para eliminar dupla tributação, o que é fundamental, pois parte significativa das exportações brasileiras com esse país são do tipo intra-firma, e de alto valor agregado. O Ministro também teve reuniões com fundos de investimento sobre a ampliação de seus portfolios, não apenas em setores tradicionais, como infraestrutura, mas também em empresas inovadoras. Instrumentos sobre cooperação técnica e isenção de vistos foram firmados em Jacarta. Em Hanói, estabelecemos colaboração no treinamento diplomático e entre centros de estudos. Em Bangkok, a ênfase foi no comércio agrícola e cooperação em defesa. Em todos os países, foram exploradas oportunidades de cooperação em áreas prioritárias para o desenvolvimento nacional, tais como ciência, tecnologia, inovação e educação. A região oferece imenso reservatório de boas práticas que podem ser aproveitadas nessas e outras áreas”.

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Paulo Afonso, anos 70: antigo aeroporto da cidade

                                                      Resultado de imagem para janio ferreira soares a tarde

Meio-dia na Praça das Mangueiras

 

Janio Ferreira Soares

 

No filme Meia-Noite em Paris, Gil Pender é um escritor americano que vai passar férias na capital francesa e lá, ao som de um relógio badalando meia-noite, ele embarca num carro que o leva à Paris da década de 20, ocasião onde convive com Picasso, Hemingway e demais lendas que faziam da cidade um paraíso cultural. Baseado nisso e nessa onda da volta do regime militar, ocorreu-me de fazer com o caro leitor e prezada leitora algo semelhante, levando-os para conhecer Paulo Afonso dos anos 70, o que lhes dará uma pequena noção de como era viver numa área de segurança nacional cercada de muros, hidroelétricas e pérolas aos poucos.

Antes de seguir, uma explicação. Por ter voltado a funcionar recentemente após anos parada, a velha sirene da Chesf substituirá o toque do relógio parisiense, em homenagem a quem alertava os operários de que às 7h da manhã era hora de pegar no batente; às 11h30, período de almoço; às 13h30, hora de voltar à labuta e às 17h30 hora de bater o cartão e seguir para o Roda Viva, glorioso lupanar comandado por minha amiga Dulce, que do alto de seu poder de quenga-mor recebia de cossaco a major com a mesma presteza, até porque, segundo ela, “quando nus, eram tudo a mesma merda!”.

Estamos em 2018 numa das cidades mais lindas do Brasil e, depois de um passeio de catamarã pelo maior cânion navegável do mundo, o guia lhe apresenta a Praça das Mangueiras, local onde ficava a principal entrada de um enorme muro que dividia a cidade em duas. Do nada a sirene toca e, no lugar da praça, surge uma enorme guarita cheia de guardas controlando o acesso de carros e pedestres. Sem saber o que fazer, você vê militares vindo em sua direção e aí este locutor passa com sua Brasília amarela e lhe oferece uma carona. Você ainda titubeia, mas, entre um jovem cabeludo e canos de fuzis, não há muito o que pensar.

Você pergunta o que está acontecendo, eu desconverso e continuo pelo lado oriental da cidade com suas casas de taipas, esgotos e lixos nas calçadas. No toca-fitas a nova canção de Lô Borges diz que somos da América do Sul. Sigo para uma guarita menor onde o guarda é um velho conhecido e entramos no lado ocidental. Lá, lhe mostro um hospital referência no Nordeste; um colégio de primeiro mundo; um espetacular clube com cinema exibindo os últimos de Glauber e Godard; um supermercado com preços sem impostos; casas com energia e água de graça; uma fazenda modelo para abastecer um restaurante com refeições a preços simbólicos…

De repente um carro do exército nos fecha e nos conduz ao quartel. A sirene toca e você volta. Eu, como filho de tabeliã, sou perdoado. No Mitsubishi-Evadin, a nova canção de Milton profetiza que nada pode ser como antes. Os poucos, claro, vão continuar insistindo.

 

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, no lado baiano do Rio S~so Francisco

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Praça das Mangueiras, Paulo Afonso.

 

 

 

 

 

Maravilha de artigo, Janio! Beleza de canção para a trilha de um filme genial sobre Paris, Allen!!!

BOM DOMINGO!!!

 

(Vitor Hugo Soares)

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