“Nossas últimas viagens”, João Bosco e João Donato: Belíssima  composição – melodia, letra e arranjo instrumental – de três mestres da música brasileira ,  Aldir Blanc [saudoso), João Bosco e João Donato, gravada no Songbook de João Donato. Beleza e emoção de arrebentar, à flor da pele, da reserva especial de Gilson Nogueira. Confira.

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

Na quinta-feira, o presidente deve visitar o Piauí e a Bahia. Na sexta, será a vez do Rio Grande do Sul.

O roteiro presidencial prevê uma ida ao Parque Nacional da Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato (PI), no dia 30.

Na mesma data, Bolsonaro seguirá para Campo Alegre de Lourdes (BA), onde deve participar da inauguração de uma adutora que capta água do Rio São Francisco.

Na sexta, dia 31, o presidente estará em Bagé (RS), para a entrega de um conjunto habitacional. Ele deve estar acompanhado do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho.

As viagens para o Piauí e a Bahia estavam inicialmente programadas para o início do mês, mas acabaram adiadas por causa do diagnóstico positivo de Bolsonaro para a Covid-19.

DO CORREIO BRAZILIENSE

42 bilionários vivem cada vez melhor e se tornaram ainda mais abastados, ao aumentaram as fortunas em US$ 34 bilhões


VB Vera Batista
 
Enquanto milhões de cidadãos lutam em busca do auxílio emergencial, 42 bilionários vivem cada vez melhor(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Enquanto milhões de cidadãos lutam em busca do auxílio emergencial, 42 bilionários vivem cada vez melhor (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Pesquisa da ONG Oxfam aponta que, no Brasil, enquanto milhões de cidadãos lutam em busca do auxílio emergencial, 42 bilionários vivem cada vez melhor e se tornaram ainda mais abastados, ao aumentaram as fortunas em US$ 34 bilhões, mesmo durante a crise sanitária pelo novo coronavírus.

Entre março e junho, no país, a alta nas riquezas foi de 70% maior que em toda a América Latina e Caribe, no período, onde 73 pessoas elevaram-na em US$ 48,2 bilhões (R$ 252 bilhões) — o valor, destaca a Oxfam, é equivalente a um terço do total de recursos previstos em pacotes de estímulos econômicos por todos os países da região. Ao todo, apenas esses privilegiados brasileiros acumularam, em moeda nacional, R$ 177 bilhões.E as desigualdades podem crescer ainda mais, pelos impactos econômicos da crise sanitária. Os dados estão no relatório “Quem Paga a Conta? – Taxar a Riqueza para Enfrentar a Crise da Covid na América Latina e Caribe”, com base na lista das pessoas mais ricas da Forbes publicada este ano e no ranking de bilionários em tempo real, também da Forbes.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre março e maio, 7,8 milhões de pessoas perderam o emprego no Brasil, e 522,7 mil micro e pequenas empresas fecharam as portas na primeira quinzena de junho.

Com a crise da covid-19, a ONG estima que a América Latina e o Caribe devem registrar perdas significativas de receita tributária para 2020. A queda no Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas do país) pode chegar a 2%, ou US$ 113 milhões a menos na arrecadação, o que equivale a 59% do investimento público em saúde em toda a região.

Taxar as grandes fortunas

Nesse contexto, a Oxfam apontou algumas sugestões para o projeto de reforma tributária do governo, que começou a ser discutida no Congresso Nacional este mês. Entre as propostas, o relatório destaca o imposto sobre grandes fortunas.“É impensável abordar a recuperação econômica diante dessa crise sem romper com o tabu da sub-tributação da riqueza”, aponta a Oxfam, ao frisar que o Fundo Monetário Internacional (FMI) incluiu essa medida nas recomendações para responder à crise.

A ONG também propõe taxar ganhos extras das corporações, já que alguns setores, como o farmacêutico, grandes cadeias de distribuição e logística, telecomunicações ou a economia digitalizada vivem períodos de alto rendimento, aponta o relatório.

Essa sobretaxa extraordinária, e temporária, deveria ser aplicada sobre a parcela dos lucros durante a crise. Outra sugestão é a criação de um imposto digital para plataformas de streaming e de vendas online, que aumentaram os lucros com o isolamento social.

“No entanto, as grandes plataformas digitais vivem em uma total anomalia fiscal. Quando o sistema fiscal internacional foi desenhado, há quase cem anos, ninguém podia antecipar a evolução desses modelos empresariais de corporações digitais, às quais os vazios do sistema fiscal internacional nessa matéria permitiram operar sem tributar praticamente nada nos países onde geram suas receitas”, aponta o levantamento.

jul
28
Posted on 28-07-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-07-2020

Do Jornal do Brasil

A pandemia do novo coronavírus, que já infectou mais de 16 milhões de pessoas em todo o mundo, é facilmente a pior emergência global de saúde já enfrentada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), disse nesta segunda-feira o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Gebreyesus.

Somente com a adesão estrita às medidas de saúde, desde o uso de máscaras até evitar aglomerações, o mundo será capaz de vencer a pandemia, acrescentou Tedros em uma entrevista coletiva virtual em Genebra.

“Onde essas medidas são seguidas, os casos caem. Onde elas não são, os casos sobem”, disse ele, ao elogiar China, Alemanha e Coreia do Sul por controlarem seus surtos.(Com agência Reuters)

jul
28
Posted on 28-07-2020
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DO EL PAÍS

O debate sobre a utilização desses protetores faciais está repleto de noções sem fundamento científico

Clientes com máscara em feira de livros Sabadell, na região de Barcelona, em 23 de julho.
Clientes com máscara em feira de livros Sabadell, na região de Barcelona, em 23 de julho.CRISTOBAL CASTRO

 Patricia R. Blanco

As discussões sobre o uso de máscaras para conter a expansão do SARS-Cov-2 têm sido marcadas por uma série de mitos pseudocientíficos, propalados por certos políticos populistas —como o brasileiro Jair Bolsonaro e, até a última semana, pelo norte-americano Donald Trump—, que desaconselham sua utilização para evitar males piores. Mas a posição científica predominante é a de que, nas zonas com transmissão comunitária da covid-19, o uso de máscaras ajuda a evitar a disseminação da doença, sobretudo nos lugares onde não é possível respeitar a distância física de 1,5 a 2 metros.

Embora o uso dessa proteção por si só não contenha a propagação do vírus (são necessárias também rigorosas medidas higiênicas e de distanciamento social), existe um consenso de que sua utilização ajuda a deter a pandemia, que já afetou mais de 15,5 milhões de pessoas no mundo todo. Estas são algumas das mentiras que circulam sobre o uso de máscaras —e das certezas que a pesquisa científica determinou sobre elas.

1. Respiramos menos oxigênio

Falso. Várias mensagens difundidas nas redes sociais afirmam que o uso de máscaras produz “hipóxia” ou falta de oxigênio no sangue. “Seu uso permanente fará com que as pessoas saudáveis adoeçam porque estão respirando ar em menor quantidade do que seu corpo necessita”, dizia um texto divulgado no Facebook que já foi removido pela rede social. Não há nenhuma evidência científica de que a utilização de máscaras provoque hipóxia. Os materiais empregados em sua fabricação permitem a entrada suficiente de oxigênio.

2. Respiramos dióxido de carbono

Falso. O uso de máscara, ao contrário do que apontam algumas mensagens difundidas no Facebook e no WhatsApp, não produz “hipercapnia” ou excesso de gás carbônico no sangue arterial. Segundo esses rumores, que não se baseiam em comprovações científicas, a hipercapnia aparece porque as máscaras retêm o dióxido de carbono que exalamos ao respirar e, portanto, respiramos “uma e outra vez o ar exalado”. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), “usar máscaras médicas durante muito tempo pode ser desconfortável, mas não provoca intoxicação por dióxido de carbono nem hipóxia”. “Uma vez posta a máscara médica, certifique-se de que esteja bem colocada e que permita respirar com normalidade”, acrescenta a OMS.

Homem caminha próximo a aviso de obrigatoriedade do uso de máscaras el locais fechados em Lille, no norte da França.
Homem caminha próximo a aviso de obrigatoriedade do uso de máscaras el locais fechados em Lille, no norte da França. DENIS CHARLET / AFP

3. A máscara ativa nosso próprio vírus

Falso. Essa afirmação procede do documentário Pandemic, criticado pela enorme quantidade de mentiras que aglutina, no qual a bióloga Judy Mikovits declara o seguinte: “Usar máscaras literalmente ativa o seu próprio vírus. Você adoece por causa das suas próprias expressões de coronavírus reativadas e, se for o SARS-CoV-2, então você terá um grande problema.” O argumento de Mikovits —a pessoa poderia infectar a si mesma com um vírus que já tem em seu organismo— carece de fundamento científico.

4. O uso da máscara favorece o surgimento de infecções respiratórias

Falso. O material não favorece o surgimento de fungos nem doenças respiratórias, desde que seja empregado de forma adequada. Os Centros para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos lembram que os protetores faciais descartáveis “devem ser usados uma única vez” e que os reutilizáveis “precisam ser lavados e desinfetados depois de cada uso”. A mesma recomendação é feita pela OMS, que enfatiza a importância de trocar as máscaras quando ficarem umedecidas.

5. As máscaras de pano não protegem

Falso. As máscaras higiênicas ou de pano agem como uma barreira para evitar a propagação do vírus do usuário para outras pessoas, como explicam a OMS e os CDC. É certo que seu nível de proteção é menor que o das cirúrgicas, que reduzem a quantidade de gotículas respiratórias transferidas pelo portador da máscara às demais pessoas, ao mesmo tempo em que evitam que o usuário seja infectado por outros. A proteção também é menor que a dos equipamentos autofiltrantes, projetados especialmente para os profissionais da saúde que atendem pacientes com covid-19.

A OMS informa que “usar uma máscara de pano não basta para fornecer um nível de proteção adequado” e recomenda “manter uma distância física de pelo menos um metro em relação aos demais”, além de lavar as mãos com frequência e evitar tocar o rosto e a própria máscara.

6. O uso de máscaras envolve riscos

Verdade. Os especialistas consideram que utilizar máscaras para prevenir a covid-19 implica assumir vários riscos. O principal deles é que seu uso cria a falsa sensação de segurança de estar protegido —o que, segundo a OMS, pode aumentar as possibilidades de infecção por SARS-CoV-2, pois a pessoa com máscara pode tender a tocar o rosto com as mãos sujas. O organismo também afirma que, se não utilizamos a máscara adequada, seu uso pode dificultar a respiração. Lembra ainda que o uso de máscara pode chegar a ferir a pele da cara. Seu uso é desaconselhado por menores de dois anos, pessoas com dificuldades respiratórias e aquelas que precisam de ajuda para colocá-las.

jul
28
Posted on 28-07-2020
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Sponholz, no

DO EL PAÍS

País tem a quinta maior incidência do continente, muito superior à do Reino Unido e França. Vários Governos limitam viagens à Península Ibérica

Passageiros observam informações sobre voos no terminal 4 do aeroporto Adolfo Suárez, em Madri, neste domingo.
Passageiros observam informações sobre voos no terminal 4 do aeroporto Adolfo Suárez, em Madri, neste domingo.Víctor Lerena / EFE

 Elena G. Sevillano

Madri

O ritmo de contágios cresce na Espanha. Isso já vinha sendo observado há quatro semanas, mas se intensificou nos últimos dias. No tabuleiro europeu, proporcionalmente à população, a Espanha ocupa agora o quinto lugar em incidência do coronavírus, atrás de Luxemburgo, Romênia, Bulgária e Suécia. Segundo os últimos dados do Centro Europeu de Controle de Doenças (ECDC), de 25 de julho, a Espanha tem 39,4 casos por 100.000 habitantes (incidência acumulada nos 14 dias anteriores). O Reino Unido, que no domingo decretou a quarentena forçada para qualquer pessoa que chegue da Espanha, dando com isso o tiro de misericórdia na temporada turística do país mediterrâneo, está em 14,7. A situação britânica é similar à da França (14,6) e, em comparação à Alemanha (7,7 por 100.000), a Espanha tem o quíntuplo de contágios.

Os outros Governos da União Europeia se olham no espelho da Espanha porque, embora estejam em melhor situação, a maioria viu nas últimas semanas um recrudescimento dos casos e um número cada vez maior de novos focos em seus territórios. Os Estados se debatem entre a abertura de suas economias e a imposição de novas restrições, num delicado equilíbrio que começa a derivar em medo de uma segunda onda.

 A Bélgica anunciou nesta semana novas restrições ao comprovar que os contágios aumentam (21,2 casos por 100.000 habitantes): a máscara será obrigatória em mais lugares, como em ruas movimentadas e feiras livres, e quem voltar de férias deverá notificar às autoridades com 48 horas de antecedência. A curva também é ascendente na França, que na sexta-feira notificou 1.130 novos casos. O Instituto Robert Koch, da Alemanha, notificou esta semana um salto no número diário de contágios: de 500 para mais de 800. Como na Espanha, os surtos ali se explicam em sua maioria por festas e atividades de lazer, embora também tenha havido grandes focos em locais de trabalho e eventualmente em hospitais e asilos para idosos.

Não foi só o Reino Unido que tomou medidas para se proteger da Espanha. Assustados por suas próprias cifras de contágios em ascensão, vários países tratam de evitar novas entradas do vírus por suas fronteiras. O primeiro-ministro francês, Jean Castex, recomendou “encarecidamente” à população que não viaje à Catalunha, região que é o novo epicentro da epidemia na Espanha. A França acaba de estabelecer a obrigatoriedade de exames a cidadãos provenientes de 16 países (entre eles o Brasil e os Estados Unidos) para demonstrar na sua chegada ao aeroporto que não são portadores do vírus. Trata-se de países com os quais as fronteiras estão praticamente fechadas, já que a França só permite a entrada, procedentes desses países, de seus cidadãos ou residentes permanentes em seu território.

A Noruega, como o Reino Unido, decretou uma quarentena de 10 dias para quem chegar da Espanha (entre outros países) e recomendou à sua população que não viaje ao país ibérico. A Irlanda anunciou em 22 de julho uma lista verde de países dispensados da quarentena de 14 dias, mas não incluiu a Espanha, por isso os viajantes procedentes desse país continuam precisando se isolar por duas semanas.

A Bélgica, que vê aumentar o número de casos especialmente na faixa etária dos 20 a 30 anos, deu um passo além e proibiu viagens não essenciais às províncias espanholas de Lleida (na Catalunha) e Huesca (em Aragão). Além disso, desde 24 de julho recomenda quarentena a uma série de países que estão numa lista laranja, entre eles certas regiões da Espanha: Aragão, Catalunha, Extremadura, La Rioja, Navarra e País Basco. A Holanda aconselhou seus cidadãos no sábado a não viajarem para Lleida se não for absolutamente necessário. No domingo, a Polônia recomendou à sua população que evite visitar a Catalunha.

Situação desigual

O fato é que a situação epidemiológica na Espanha é muito desigual. Há algumas comunidades (regiões) com um número de contágios tão alto que puxa a média para cima. Não há termo de comparação, por exemplo, entre a incidência acumulada de Aragão (237,86 casos por 100.000 habitantes) com as Astúrias, que detectaram apenas dois pequenos focos desde o início da desescalada, no começo de maio. Sua incidência é de 1,66 casos por 100.000 habitantes. As Astúrias estão agindo com rapidez e com transparência. Assim que detectou o último foco, relacionado com uma cervejaria em Oviedo, a capital regional informou à população, deu o nome do local e, além disso, pediu a colaboração dos cidadãos: todo aquele que tivesse passado pelo Urban’s devia ligar para o 112. Em questão de dois dias as autoridades sanitárias fizeram 400 exames PCR para detectar mais eventuais casos positivos entre os clientes.

Faz algumas semanas que a situação em outros lugares não permite realizar essa mobilização, nem sequer um rastreamento mais modesto dos contatos. Tem sido assim na Catalunha: na área metropolitana de Barcelona, em comarcas de Lleida e numa zona de Girona passou-se dos surtos ao que se conhece como transmissão comunitária, ou seja, a um número de contágios sem conexão entre si, o que impede o monitoramento da cadeia de transmissão. Descontrolados, enfim. A incidência acumulada em 14 dias na Catalunha, que nesta semana tomou a decisão de fechar todos os seus espaços de lazer noturno, está em 111,57 casos por 100.000 habitantes. O último relatório da Generalitat (Governo regional) informa sobre 886 novos diagnósticos num único dia (não todos feitos por PCR, o que significa que alguns podem ser contágios antigos).

Menos casos que no Reino Unido

Por causa dessas diferenças entre os territórios, ocorre o paradoxo de que nove comunidades autônomas espanholas têm menos incidência atual que o Reino Unido. Entre elas, os arquipélagos de Canárias e Baleares, cujos Governos tentam estabelecer corredores aéreos com a Inglaterra para salvar suas temporadas turísticas. Baleares (8 casos por 100.000) e Canárias (5,8) são muitíssimo menos afetadas pelo vírus que os países dos quais procedem os turistas que as visitam.

A Itália (4,9) até agora vinha mantendo o coronavírus sob controle. Na Espanha, apenas Galícia e Astúrias têm menor número de casos acumulados. Mas até mesmo os italianos estão preocupados com uma segunda onda, já que nos últimos dias os contágios também aumentaram. Depois de mais de um mês com um número de novos casos relativamente baixo, nesta semana foram registrados mais de 300 em 24 horas. O virologista italiano Roberto Burioni alertou recentemente sobre os riscos de baixar a guarda. “O vírus continua circulando e está pronto para começar de novo, como fez na Espanha, onde o clima e o estilo de vida certamente não são muito diferentes dos nossos”, escreveu.

Portugal, que já foi considerado exemplo de boa gestão na primeira onda da pandemia, tem agora uma situação similar à da Espanha, com uma incidência acumulada quase idêntica (39 casos por 100.000). Faz alguns dias que o Reino Unido o incluiu em sua lista de destinos pouco seguros, na qual a Espanha também figura.

jul
27
Coluna - J. R. Guzzo - Estadão
ARTIGO
Insulto declarado
J. R. Guzzo
Presidente da Câmara, Rodrigo Maia enfiou o projeto de lei do ‘foro privilegiado’ numa gaveta,
Mesmo para os padrões de safadeza da Câmara dos Deputados do Brasil, de seus presidentes e de suas mesas diretoras, regularmente colocados entre os mais lamentáveis do planeta, é um exagero o que estão fazendo ali com o projeto de lei que acaba com uma das mais espetaculares aberrações da vida política nacional – o “foro privilegiado”.
Trata-se, pura e simplesmente, de um insulto declarado aos 200 milhões de brasileiros. Por meio desta fraude legal maciça, os parlamentares, ministros de Estado, governadores, juízes, procuradores e comandantes das Forças Armadas podem cometer o crime que quiserem, do roubo ao homicídio qualificado, sem ter de responder por nada isso diante da Justiça, como acontece com qualquer outro cidadão deste país. Seus casos são apreciados num “foro especial” – ou seja, em português claro, num tapetão onde basicamente eles julgam a si próprios e ninguém é condenado nunca. O remédio para essa alucinação está pronto. Mas o presidente da Câmara e as gangues que mandam no pedaço não deixam que ele seja aplicado.
O esforço para eliminar o “foro privilegiado”, o principal atrativo que a vida política brasileira oferece aos corruptos, membros de quadrilhas e delinquentes em geral, está sendo feito, acredite se quiser, desde o começo de 2013 – isso mesmo, há sete anos e meio. Em maio de 2017, enfim, a emenda constitucional que desmancha o pior foco de impunidade em vigor na sociedade brasileira (sim, essa trapaça é um dos pontos capitais da nossa “Constituição Cidadã”) foi aprovada no Senado. Pela nova regra, o “foro especial” fica restrito ao presidente da República e mais uns poucos peixes graúdos. Todos os demais – coisa de 25.000 pessoas, ou por aí – perdem o direito de matar a mãe e ir ao cinema, como é hoje. Só que a tentativa de moralização até agora não adiantou nada. Logo depois de aprovado pelos senadores, o projeto foi enviado para a votação na Câmara. Você já imagina o que aconteceu, não é? O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, enfiou a coisa numa gaveta – e, até hoje, três anos depois, não colocou a emenda em votação. Ou seja: continua tudo na mesma.
Como é possível impedir, durante três anos inteiros, a votação de um projeto que tenta demonstrar um mínimo de respeito pelo cidadão? Não há absolutamente nenhum motivo para isso que não seja a recusa em limitar a impunidade de que desfrutam hoje os políticos e o resto da manada descrita acima. Rodrigo Maia custa ao contribuinte brasileiro mais de R$ 6,5 milhões por ano; você paga a casa de 800 metros quadrados que ele ocupa em Brasília, seus oito empregados domésticos, suas dezenas de funcionários, suas diárias de US$ 400 quando viaja ao exterior e mais um caminhão de coisas. O mínimo que poderia dar em troca seria trabalhar com alguma consideração por quem o sustenta. Mas ele não apenas se nega a trabalhar a favor; faz questão de trabalhar contra.
O “foro privilegiado” é um veneno. Não há nada mais hipócrita do que aparecer no jornal e na televisão para declamar enrolação “em defesa da democracia” e impedir que se tente moralizar um pouquinho a atividade política no Brasil. Mas assim é a vida real. Maia foi acusado em 2017 de fazer parte da coleção de políticos comprados pela Odebrecht; a Justiça não chegou nem perto dessa história. Em 2019 foi denunciado pela Polícia Federal por corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro; como tem foro privilegiado, a PF mandou tudo para o ministro Edson Fachin, do STF, que por sua vez passou a bola para a Procuradoria-Geral da República, que até hoje não fez nada. Não está ansioso em mudar coisa nenhuma.
Insulto declarado - Política - Estadão

“Diáspora”, Tribalistas: um show completo e simplesmente sensacional em melodia, letra e interpretação de Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown. Gravação e vídeo dignos de antologia. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


DO PORTAL UOL

 
Ex-ministro da Justiça, Sergio Moro disse que o governo Bolsonaro o usava como "desculpa" - Andre Coelho/Getty Images

 

Ex-ministro da Justiça, Sergio Moro disse que o governo Bolsonaro o usava como ‘desculpa’ Imagem: Andre Coelho/Getty Images

O ex-ministro da Justiça Sérgio Moro disse em entrevista ao jornal britânico Financial Times que o governo de Jair Bolsonaro usou sua presença na equipe ministerial como desculpa para demonstrar que medidas anticorrupção estariam sendo tomadas. O ex-ministro afirmou que o governo não estava fazendo muito e que esta agenda tem sofrido reveses desde 2018, quando Bolsonaro se elegeu.

“Uma das razões para eu sair do governo foi que não estava se fazendo muito (pela agenda anticorrupção)”, disse Moro à publicação. “Eles estavam usando minha presença como uma desculpa, então eu saí. A agenda anticorrupção tem sofrido reveses desde 2018”.

O FT lembrou que a saída de Moro foi marcada pela acusação de que o presidente Bolsonaro teria interferido politicamente na Polícia Federal. Um inquérito no Supremo Tribunal Federal investiga as declarações do ex-ministro.

Moro comentou que não se combate corrupção sem respeitar a lei e as instituições. “Ele mudou o diretor da Polícia Federal sem pedir minha opinião e sem uma boa causa. Não acho que dá para combater corrupção sem respeitar a lei e a autonomia das instituições que investigam e denunciam crimes.”

Moro também comentou a aproximação de Bolsonaro com o Centrão, o “controverso bloco de partidos conhecidos por oferecer apoio em troca de cargos políticos”, de acordo com o jornal. “No começo, o governo parecia evitar esse tipo de prática, mas hoje em dia não tenho tanta certeza”.

Na semana passada, o Estadão mostrou que um dos motivos que fizeram integrantes do Centrão se aliarem a Bolsonaro é justamente o medo de uma possível candidatura presidencial de Moro em 2022.

Sem um candidato próprio na direita ou mesmo da centro-direita, o grupo teme que um eventual afastamento de Bolsonaro fortaleça a eleição do ex-ministro caso Bolsonaro tenha o mandato interrompido ou em 2022. Quando era juiz da Lava Jato, Moro foi algoz de vários dirigentes do Centrão.

O ex-ministro também comentou sobre os vazamentos de mensagens atribuídas a ele a procuradores da Operação Lava Jato da época em que ele atuava como juiz federal em Curitiba. As mensagens divulgadas pelo jornal The Intercept Brasil “machucaram a reputação da operação”, de acordo com a publicação. “Não reconheço a autenticidade daquelas mensagens. Não havia nada lá que pudesse comprometer o caso”, afirmou Moro.

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