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Posted on 15-04-2018
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Milos Forman, em Paris em 2009
Milos Forman, em Paris em 2009 MARTIN BUREAU AFP
Milos Forman (Caslav, 1932), diretor de filmes como Amadeus e Um Estranho no Ninho, faleceu em sua casa em Hartford (Connecticut) aos 86 anos, após uma breve doença. “Morreu tranquilamente na sexta-feira, cercado por sua família e amigos mais próximos”, disse sua viúva, Martina. Além dos filmes citados, o cineasta deixou obras primas à história, como Hair e Pedro, o Negro.

O tcheco foi um cineasta especial, que demonstrou que era possível trabalhar dentro de Hollywood com um toque subversivo. Essa mesma aposta iconoclasta, contra o poder – seu cinema refletiu a luta do indivíduo contra a opressão do sistema – e com tons satíricos foi o que provocou sua saída de seu país natal no final dos anos sessenta após a invasão da Tchecoslováquia em 1968.

É curioso, como Guillermo del Toro lembra em seu artigo (em espanhol), como Forman sempre se conectou com o grande público, independentemente do tamanho da produção de seu filme, e como defendia seus personagens protagonistas, por mais estranhos que parecessem no começo de cada narração. “Às vezes são as mentes mais sujas que amam da maneira mais limpa”, contou na divulgação de O Povo contra Larry Flint, Urso de Ouro do festival de Berlim. Seu primeiro filme nos Estados Unidos, Um Estranho no Ninho, exemplifica esse talento, com um Jack Nicholson soberbo que encarnou não só um rebelde como alguém que conseguiu despertar seus colegas de hospício no sentido da liberdade que estava adormecida. Lembrou daquela filmagem em uma oficina de cinema em Málaga em 2009: “Quase não precisei falar com ele e dirigi-lo, porque os grandes atores são também grandes profissionais. Jack se sentiu estranho e me disse que eu era o único diretor que não o incomodava durante a filmagem”. Com a produção ganhou seu primeiro Oscar de melhor direção, um dos cinco obtidos pelo filme.

Mozart e o Holocausto

Mas o maior sucesso de sua carreira viria em 1984 com Amadeus. A história da inveja e da secreta admiração que Antonio Salieri sentia por Mozart ganhou oito Oscars (sua segunda estatueta como diretor) e se transformou em um dos títulos mais emblemáticos dos anos oitenta. No filme havia também um desejo realizado: foi filmado em seu país natal – à época Forman já tinha a nacionalidade norte-americana – e pôde voltar a sua casa como um vencedor. Em sua biografia, Turnaround: A Memoir (1994), escreveu que tudo na vida o havia “condicionado a vencer”, ainda que a sua maneira.

Como diretor, o tcheco nunca se importou em filmar roteiros de outros. E mais, de seus oito filmes no exílio, só escreveu o roteiro de dois: “Eu prefiro ter um roteiro sólido no qual me apoiar, mas gosto que exista lugar à improvisação na filmagem da sequência. 10% de improvisação na hora de filmar pode trazer momentos únicos, incríveis. Gosto de filmar com atores que não saibam o roteiro nos mínimos detalhes, mas fazê-los representar seguindo o roteiro, que eu já sei de cor, dando-lhes indicações para que o diálogo seja mais real, mais fresco, mais vivo”, afirmava.

“Prefiro um país livre abarrotado de mau gosto a um país refinado, mas sem liberdade”

Milos Forman tinha uma ideia muito clara sobre seu exílio. “Prefiro um país livre e abarrotado de mau gosto a um país refinado, mas sem liberdade”, dizia. “A censura é o pior dos males. Vivi sob um regime totalitário em que existia a pressão da censura ideológica. Agora vivo em um país em que se existe alguma pressão é a comercial. Sem dúvida, prefiro essa última, pelo menos nela milhares de pessoas decidem e não só uma”. Ele mesmo sofreu na pele várias ditaduras. Nascido em Caslav em 1932, tanto sua mãe, Anna Suabova, como o homem que ele pensava que era seu pai, um professor chamado Rudolf Forman, morreram assassinados pelos nazistas em campos de extermínio. Apesar de ter se educado no protestantismo, Forman às vezes dizia ser meio judeu. Somente após a publicação de suas memórias, escritas com Jan Novak, sua história foi conhecida: em meados dos anos sessenta, Forman encontrou uma amiga de sua mãe em Auschwitz a quem ela confessou que o verdadeiro pai do cineasta era um amante seu, um arquiteto judeu que sobreviveu ao Holocausto e que Forman chegou a conhecer no Peru.

Por isso Jan Tomáš Forman, seu nome verdadeiro, cresceu com pais adotivos. Estudou cinema na Escola de Praga, e desde o começo seus filmes – Pedro, o Negro (1964) e Os Amores de uma Loira (1965) – chamaram a atenção dos festivais internacionais. Com The Firemen’s Ball, em que ironizava a burocracia em um destacamento de bombeiros voluntários, começou a sentir a pressão das autoridades comunistas. De modo que quando as tropas soviéticas entraram na Tchecoslováquia em agosto de 1968, Forman, que estava em Paris negociando seu primeiro projeto norte-americano, decidiu não voltar.

Início difícil nos EUA

Seu primeiro trabalho nos EUA foi a comédia Procura Insaciável (1971). Não foi nada bem, e Forman entrou em depressão em seu quarto do nova-iorquino hotel Chelsea. Somente Um Estranho no Ninho o tirou desse estado. Em suas memórias conta que os dois produtores do filme, Michael Douglas e Saul Zaentz, o contrataram por uma ninharia. A partir daí pode escolher seus projetos: o musical Hair (1979), que dizia ter gostado pela energia dos jovens atores; Na Época do Ragtime (1981), o último filme no cinema de James Cagney; Amadeus (1984); Valmont – Uma História de Seduções (1989), um filme que teve contra ele a estreia no ano anterior de Ligações Perigosas, já que ambos eram baseados na mesma obra epistolar de Pierre Ambroise Choderlos de Laclos; O Povo contra Larry Flint (1996); O Mundo de Andy (1999) – em que a imersão total no papel de Jim Carrey, seu protagonista, quase o tirou do sério – e Sombras de Goya (2006).

A história de Goya chegou a ele por um livro, que havia lido há anos e escreveu o roteiro em parceria com seu grande amigo, o mítico roteirista Jean-Claude Carrière. “Aquele volume falava sobre a Inquisição espanhola. Existiam muitas semelhanças com coisas que eu havia conhecido. Fiquei espantado com os paralelismos que existiam entra a Inquisição espanhola e os regimes totalitários nazista e comunista”, contou em uma homenagem no festival de Sevilha. “Provavelmente, Goya não teria sobrevivido no século XXI”. E usou, efetivamente, mais uma vez o pintor para ilustrar sua eterna história, a de um indivíduo contra a opressão angustiante do poder, a da ciência e do Iluminismo contra a Inquisição.

No século XXI, Forman também dirigiu ópera, com seus filhos gêmeos, Petr e Matêj, como A Walk Worthwhile: Uma Caminhada de Valor, dos autores tchecos Jiri Slitr e Jiri Suchy que curiosamente ele já havia dirigido para a televisão tchecoslovaca em 1966. Além disso, foi um dos diretores da seção de cinema da Universidade de Columbia, e se manteve na ativa com alguns projetos que não deram certo e outros que deram, como a versão ao cinema, dirigida em conjunto com seu filho Petr, de A Walk Worthwhile: Uma Caminhada de Valor

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Governadores em Curitiba: à espera na PF para ouvir um “não”. ..

 

 

…e Wagner, ao lado de Boulos, se explica no acampamento em Curitiba.

ARTIGO DA SEMANA

Governadores e Wagner: caravana a Lula deu errado

Vitor Hugo Soares

Equivocada desde o começo de sua imprópria preparação – ao redor de palácios de chefes políticos, figurões e figurinhas de executivos do Nordeste (7) e do Norte (4), e palpites de marqueteiros -, a caravana suprapartidária de governadores a Curitiba, tinha tudo para dar errado. E deu. De forma mais contundente e humilhante do que se previa.

Erros crassos guiaram a comitiva. A começar pelo propósito principal – mal disfarçado sob capa de solidariedade humana e política – de inaugurar em ano eleitoral, nas barbas do juiz Sérgio Moro e da Polícia Federal, um privilegiado gabinete de audiências, na cela de Lula (condenado por crimes comuns de corrupção passiva e lavagem de dinheiro).

“Patacoada” (em linguajar baiano), dizia-se em círculos menos ensimesmados e arrogantes, além de bem informados – por estudo ou por experiência – sobre os ditames da justiça e da polícia no que tange a visitas a presidiários, comuns ou políticos. Trapalhada geral, até o desconcertante desfecho. Com a trupe de poderosos mandada de volta aos seus respectivos “condados”, depois da juíza Carolina Moura negar o pedido para que os chefes de executivos estaduais visitassem o líder encarcerado.

Mais constrangedor, ainda, antes do “retorno às bases”, foi o chá de cadeira que os visitantes ilustres – acompanhados dos anfitriões, senadores Roberto Requião (retórico e trovejante) e da incendiária Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT,– tiveram de enfrentar na sala de espera do diretor da PF . Quando receberam o não definitivo e a reprimenda esclarecedora sobre as tarefas e funções básicas da PF, nas operações de combate a corruptos e corruptores, ao lado do expediente normal de atendimento ao público em funções como a expedição de passaportes. Atividades perturbadas pelos governadores que trocaram seus afazeres administrativos por inoportuna viagem política. Somando-se aos  estorvos que militantes do MST (e agregados) já causam na capital da Lava Jato, acampados em tendas montadas nas cercanias do prédio onde Lula está preso.

 Emblemática mesmo é uma imagem que mostra o governador da Bahia, Rui Costa, o grandalhão “Tamanho G” (como proclama sua propaganda oficial nas rádios e TVs). No meio dos colegas, ele, um notório turrão que detesta esperar, demonstra não saber o que fazer para esconder seu desconforto. Comunica que a despesa da viagem foi custeada com dinheiro de sua conta pessoal no BB. Menos mal. Seu colega da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), reconheceu ter usado dinheiro público para pagar seus gastos na caravana.

 Vejo agora que o ex-ministro e ex-governador Jaques Wagner também anda por Curitiba. O “galego” foi uma das ausências mais notadas nos atos de“resistência”, no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo, durante dois dias, antes de Lula se entregar. Nem ao menos postou mensagem de solidariedade ao companheiro, e “amigo do peito”, durante a catarse de despedida no ABC paulista. Na quarta-feira, ao participar de “atos em defesa do ex-presidente”, disse ser ele quem mais sente não ter ido. Culpou “problemas logísticos de vôo”. “Não tomem minha ausência como um afastamento”, apelou Wagner, em fala aos militantes reunidos nas proximidades do prédio da PF. Até deu “bom dia” a Lula, através do serviço de som. Estranhos dias de abril!

 Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail:  vitor_soares1@terra.com.br

 

 

Maravilhosa canção! Maravilhoso cantor!

Feita uma para o outro!

E nada, musicalmente, melhor para começar um sábado de abril.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Monica Tereza Benicio, esposa de Marielle, segura uma bandeira com a foto da vereadora, durante um ato no dia 2 de abril.
Monica Tereza Benicio, esposa de Marielle, segura uma bandeira com a foto da vereadora, durante um ato no dia 2 de abril. Antonio Lacerda EFE
Felipe Betim
Felipe Betim Jornalista | Periodista – El País

Muitas incógnitas, milhares de indignados e nenhuma punição. É o resultado do primeiro mês da bárbara execução da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes no Estácio (Rio de Janeiro), assassinatos que abalaram o Brasil, mas que ainda não têm suspeitos. “Este é um caso difícil, não se trata de uma coisa simples. Existem vários fatos que estão sendo estudados, várias perícias que vêm sendo realizadas e vários indícios que estão sendo analisados pelos investigadores e que apontam para que o crime possa ter uma solução”, diz o coronel Roberto Itamar, porta-voz do general Walter Braga Netto, interventor federal no Rio e chefe do Comando Militar do Leste. “Não falta empenho por parte da equipe que está trabalhando”

Na noite do dia 14 de março, quando seu carro transitava pela rua Joaquim Palhares, no Estácio, Rio de Janeiro, Marielle foi abordada por um grupo de homens armados em outro veículo e levou quatro tiros na cabeça. Foram, no total, 13 tiros de uma pistola 9mm que também atingiram a cabeça de Anderson Pedro Gomes, seu motorista. Um dia depois, as ruas da capital fluminense e de outras grandes cidades brasileiras foram tomadas por milhares de pessoas que prometiam continuar as lutas da parlamentar, negra, lésbica e oriunda do complexo de favelas da Maré. Exigiam o fim da intervenção federal no Estado do Rio, o fim da guerra contra as drogas, travada nas favelas e periferias e que vitimiza milhares de jovens e negros todos os anos, o fim do racismo e do machismo institucional. Também clamavam por Justiça, com a certeza de que aquele crime era político.

Mas, até hoje, esse é o fim da história. “Todos [os envolvidos na investigação] estamos altamente interessados e empenhados em desvendar esse crime e responsabilizar as pessoas que realizaram esses assassinatos covardes. As investigações estão sob sigilo para que não sejam prejudicadas, mas estão andando bem e o otimismo a gente sempre tem que ter”, acrescenta o coronel Roberto Itamar.

Para este sábado, 14 de abril, está prevista uma caminhada entre a Lapa e o Estácio, para refazer o último percurso da vereadora e de seu motorista. Também foi convocado o ato “Amanhecer por Marielle e Anderson”, que pretende, nas primeiras horas de sábado, enfeitar praças e ruas de várias cidades com cartazes, fotos, fitas, bolas e flores. Veja abaixo o que já se sabe sobre um dos maiores crimes da história política do país.

Provável envolvimento de milicianos

A principal hipótese levantada pela Polícia Civil é a de que a morte de Marielle foi encomendada por milicianos, grupos paramilitares formados por policiais, bombeiros, militares e agentes penitenciários — alguns ainda estão na ativa e outros não. Marielle trabalhou, em 2008, na CPI das milícias ao lado do seu companheiro do PSOL e deputado estadual Marcelo Freixo. Por não sofrer ameaças, ao contrário de Freixo, a vereadora não contava com um esquema de segurança pessoal e era um alvo fácil. O modo como foi executada indica a participação desses grupos paramilitares.

Um total de 10 vereadores já prestaram depoimentos como testemunhas para a Divisão de Homicídios da Polícia Civil: Tarcísio Motta (PSOL), Ítalo Siba (Avante), Babá (PSOL), Renato Cinco (PSOL), Leonel Brizola Neto (PSOL), Jair da Mendes Gomes (PMN), Val da Ceasa (PEN), Juninho da Lucinha (PMDB), Marcello Siciliano (PHS) e Zico Bacana (PHS). Os últimos três são suspeitos de envolvimento com a milícia do Rio. A polícia também pediu a quebra de sigilo de aparelhos celulares de integrantes do Legislativo carioca, após identificar o número de celular do motorista do carro usado no crime, segundo informou o The Intercept Brasil.

Na noite do último domingo, Carlos Alexandre Pereira Maria, conhecido como Alexandre Cabeça e colaborador parlamentar do vereador Siciliano, foi assassinado a tiros dentro de seu carro. Dois dias depois, na terça-feira, o subtenente reformado da PM Anderson Claudio da Silva, envolvido com milicianos, também foi morto a tiros. A hipótese é a de que ambos os casos sejam uma tentativa de queima de arquivo.

Conforme informou o The Intercept Brasil, milicianos estiveram na Câmara de Vereadores antes dos assassinatos de Marielle e Anderson. Um deles é um ex-policial militar indiciado na CPI das milícias. Ele esteve, horas antes do crime, no sétimo andar da Casa, onde fica o gabinete de Zico Bacana. No dia 7 de março, no mesmo sétimo andar, esteve o ex-vereador Cristiano Girão, condenado por chefiar uma milícia na Gardênia Azul, em Jacarepaguá. O Intercept teve acesso à imagem que mostra o rosto de Girão ao entrar no prédio.

Munições e digitais

Nesta semana, a Polícia Civil conseguiu detectar fragmentos de digitais nas cápsulas encontradas no local do assassinato, segundo informou O Globo. Elas serão comparadas com as digitais de Alexandre Cabeça e de Anderson Cláudio da Silva. A Polícia Civil concluiu, ainda nos primeiros dias de investigação, que a munição utilizada pelos atiradores, de calibre 9mm, pertencia ao lote UZZ-18 vendido pela empresa CBC para a Polícia Federal de Brasília, em 29 de dezembro de 2006, que acabou roubado na Paraíba, segundo o Governo. Foi desse mesmo lote que saiu parte da munição utilizada por policiais na maior chacina de São Paulo, em 2015, na cidade de Osasco.

Na ocasião, o ministro Raul Jungmann disse que o lote havia sido desviado dos Correios da Paraíba, algo que foi desmentido pela própria instituição. Correios disse ainda que “não aceita postagem de remessas contendo armas ou munição, exceto quando autorizado por legislação específica”.

Testemunhas que viram o crime

No início deste mês, O Globo publicou uma reportagem com o depoimento de duas testemunhas do caso. Elas, que foram ouvidas separadamente, contaram que o veículo onde estavam os assassinos imprensou o de Marielle. Depois, viram um homem negro sentado no banco de trás colocando o braço para fora do veículo com uma arma de cano alongado, semelhante a um silenciador. Elas também asseguram ter visto apenas um carro — as câmeras de segurança mostram dois veículos seguindo a vereadora. As duas pessoas ouvidas pelo jornal também contam ter ficado no local do crime até a chegada da polícia, mas que a PM mandou todos saírem do lugar sem serem ouvidos.

Para o coronel Roberto Itamar, porta-voz da intervenção federal, trata-se de um procedimento normal adotado pelos agentes para que o local do crime não seja contaminado. Também acredita que as testemunhas poderiam ser pessoas curiosas que trafegavam pelo local após o crime.

O caso Marielle nas redes sociais

Após o assassinato de Marielle e Anderson, grupos direitistas como o Movimento Brasil Livre (MBL) e outras pessoas – dentre elas uma desembargadora do Rio e o deputado da bancada da bala Alberto Fraga (DEM) –  espalharam mentiras e promoveram uma campanha difamatória contra a vereadora. Mas a família da vítima conseguiu importantes vitórias na Justiça contra eles. O juiz Jorge Jansen Counago Novelle, da 15ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, ordenou na ocasião que o Facebook retirasse do ar todas as publicações “que ofendam a intimidade, a honra e a imagem de Marielle Franco”. Determinou ainda que a rede social informasse se o MBL, assim como a pessoa identificada como Luciano Ayan, administrador do site Ceticismo Político, ligado ao grupo, “patrocinaram os posts que impulsionaram a onda de fake news“. A Justiça do Rio também determinou que o Google retirasse 16 vídeos do Youtube que continham mentiras contra a vereadora.

 

Jornal do Brasil

 

 Após comandar a primeira reunião do novo ministério, no Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer decidiu ir para São Paulo onde cumpriu uma agenda particular. Comentou-se, em Brasília, que Temer está preocupado com os rumos das investigações da Polícia Federal  no chamado Inquérito dos Portos, no qual ele é acusado de ter favorecido algumas concessionárias do Porto de Santos. Outro motivo de preocupação são os respingos da Operação Skala em sua filha Maristela Temer.

Na passagem por São Paulo, o presidente tinha um jantar marcado previamente com um experiente formador de opinião, mas é quase certo que Temer tenha aproveitado a viagem para se encontrar com o advogado Antonio Mariz de Oliveira, que é seu amigo e quase assumiu o Ministério da Justiça logo após o impeachment de Dilma Rousseff.  “Sempre que vai a São Paulo, o presidente entra em contato com Mariz”, confirmou ao JB uma fonte do Planalto.

Integrante destacado da tropa de choque do governo, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmou, logo após a reunião dos ministros, que Michel Temer é vítima de “mais um capítulo de perseguição”. Eis as palavras do fiel escudeiro do presidente: “A própria falta de cautela, a agressividade de alguns setores ao se referirem ao presidente, sem que prova alguma exista a corroborar as afirmações que fazem, no meu entender, eu vejo essa questão como mais um capítulo desta perseguição que se faz ao governo”.

Logo após a reunião como o novo ministério, o presidente Michel Temer seguiu para São Paulo, onde cumpriu agenda estritamente pessoal, que não foi divulgada pelo Palácio do Planalto

Carlos Marun  referiu-se à reportagem da “Folha de S. Paulo” de ontem informando que a filha do presidente, a psicóloga Maristela Temer, teria recebido pagamento suspeito da mulher do coronel João Baptista Lima Filho, investigado pela Polícia Federal. O coronel chegou a ser preso pela PF no último dia 29 de março no âmbito da Operação Skala – que investiga favorecimento à empresa Rodrimar S/A por meio do Decreto dos Portos em maio de 2017. O coronel Lima é apontado como intermediário no pagamento de propinas das empresas beneficiadas. Ele foi solto em 1º de abril, após ser interrogado.

Na noite de quarta-feira, o juiz Marcos Vinícius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal de Brasília, negou um pedido de prisão preventiva contra o coronel Lima e o advogados José Yunes, ambos amigos de Temer e denunciados pelo doleiro Lúcio Funaro na Operação Skala. “Nós temos que parar de ter essa visão de que o que fala o delator é a absoluta verdade. Tem delator falando tanta coisa que muita gente que parece boa estaria comprometida se tudo o que o delator falar for verdade”, declarou Marun, referindo-se às denúncias contra Lima e José Yunes.

Durante a reunião ministerial, o ministro Marun usou sua intervenção para cobrar  mais empenho dos integrantes da base aliada na defesa do governo.  E transmitiu a todos o que considera a linha de ação ideal nessa antevéspera de campanha eleitoral. Eis os três mandamentos de Carlos Marun. Em primeiro lugar, afirmou o ministro, quem bater as portas do Palácio do Planalto pedindo verbas públicas  e tivwer a demanda atendida deve valorizar o papel do governo central, em lugar de esconder a fonte dos recursos. A seu ver, é importante ressaltar as boas ações do Executivo.

Em sua segunda recomendação aos colegas, Marun ressaltou  que os  ministros também não devem cair no jogo dos candidatos da oposição que pedem verbas mas sabem de antemão que o pedido não se tornará realidade. “Só fazem isso com o objetivo de criticar o governo”. E finalmente deu seu terceiro recado para fortalecer a base de sustentação do governo: “Nos eventos nos estados, principalmente nas inaugurações  e nos lançamentos de projetos,  devem ser convidados todos os parlamentares da base aliada, sem distinção”.

Em entrevista,  Carlos Marun afirmou que desistiu de entrar com um pedido de impeachment contra o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, que incluiu Temer entre os investigados na caso do Decreto dos Portos. Foi Barroso também que autorizou a prisão dos amigos de Temer, a pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge. Para ele, Barroso “tem desrespeitado a Constituição e deixado com que suas referências políticos partidárias se revelem nas suas decisões”. No mês passado, Marun disse que apresentaria um pedido de impeachment, na primeira sessão conjunta do Congresso. “Desisti (de apresentar o pedido) porque daria a impressão de que seria uma ação de governo. Não gostaria que isso acontecesse. Então estou reavaliando e não devo fazê-lo, pelo menos por enquanto.” (Com Agência Brasil)

 

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Transparência Internacional elogia a Lava Jato

 

Em Lima para um evento paralelo à Cúpula das Américas, Delia Ferreira Rubio, a argentina que preside a ONG Transparência Internacional, falou a O Globo e fez muitos elogios à Lava Jato.

Rubio chamou os juizes e procuradores da operação de “campeões” do combate à corrupção. “Eles representam o modelo dos campeões, porque são pessoas empoderadas que aplicam as ferramentas que têm para combater a corrupção sem medo.”

Mas também alertou para o risco de retrocesso. “O problema é que lutar contra a corrupção é como jogar xadrez. Você tem um rival na frente.”

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Posted on 14-04-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 14-04-2018


 

 S. Salvador, no jornal

 

Os silêncios de Rosa Weber em um Supremo ruidoso

Rosa Weber
Rosa Weber na sessão do STF que rejeitou o ‘habeas corpus’ de Lula. ANDRE COELHO EFE

A sociedade começa a se sentir incomodada diante de um Supremo Tribunal Federal em que sobrariam palavras e brigas entre suas excelências. Já se começa a pedir que seria melhor não transmitir ao vivo suas sessões eternas, que dão a impressão de que suas excelências estão de mal com a vida e em confronto uns com os outros. Uma das contradições de alguns magistrados é que, enquanto acusam a imprensa de “opressora”, como acaba de fazer Gilmar Mendes, sonham em aparecer na mídia, esquecendo-se de sua responsabilidade, como se se tratasse de simples políticos em busca de votos. Uma das exceções é Rosa Weber, de quem as pessoas sabem pouco ou nada de sua vida, nem perde tempo em expor opiniões para a mídia. Ela fala onde deve fazer um magistrado da Alta Corte, em seus votos, que costumam ser concisos e nem por isso menos densos e responsáveis.

Desde os tempos do mensalão, nós, jornalistas, estamos acostumados a acompanhar ao vivo as sessões do Supremo e já vimos de tudo, até brigas, como a famosa entre Gilmar Mendes, então presidente da Corte e um duro crítico do PT, e o relator do mensalão, Joaquim Barbosa. Era 22 de abril de 2009. Irritado com Barbosa, Mendes afirmou: “O ministro não tem condições de dar lição a ninguém”. Barbosa pediu respeito e respondeu: “Vossa excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário”. E continuou: “Vossa excelência, quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso”. E já desde essa época me lembro de Rosa Weber, silenciosa, concentrada em seus papéis. Nunca a vi interromper um colega e menos ainda desrespeitá-lo, algo que, sim, fizeram com ela.

Se os magistrados têm tanto medo da imprensa, que a ignorem. O que não podem é procurá-la, passar informações a seus jornalistas amigos com uma mão e, com outra, execrá-la. Eles mais que ninguém deveriam ter a consciência de que em todas as ditaduras se começa por demonizar os meios de comunicação e se acaba fechando-os ou censurando-os. Jogar com os ataques à liberdade de informação é o melhor meio de armar quem gostaria de silenciá-la.

Parece às vezes que Gilmar, quando ataca a mídia e diz que “nunca a viu tão opressora”, se esqueceu dos tempos da ditadura militar. Nós jornalistas que já trabalhamos por anos na informação durante uma ditadura, sob um censor, sabemos a gravidade que significa atacar a mídia durante uma democracia. E ainda mais um magistrado, que deveria ser o maior garantidor do direito que a sociedade tem de ser informada. Deveria ser o primeiro a saber que informar é publicar o que o poder quer ocultar. O resto é publicidade.

O sagaz desenhista El Roto, da edição espanhola de EL PAÍS, publicou dias atrás seu cartum com estas palavras: “Não sei se acredito nas notícias falsas ou nas mentiras oficiais”. E referindo-se à vaidade dos homens públicos que tanto gostam de aparecer na mídia que eles amaldiçoam, escreveu: “Ser homem de palavra hoje é um arcaísmo. Agora é preciso ser homem de imagem”. Esse pode ser hoje o drama de alguns magistrados brasileiros que, em vez de se preocuparem em ser homens de palavras e não caniços que mudam com o vento ou com seus interesses políticos, preferem ser homens de imagem.

Como correspondente durante muitos anos deste jornal na Itália, tive de escrever sobre muitos de seus políticos importantes. Quando os criticava, em vez de se irritarem, todas as vezes que havia alguma reportagem sobre eles me mandavam um motorista em meu escritório com um cartão escrito à mão no qual me agradeciam a publicação. Conservo ainda alguns deles. Não era sarcasmo, era inteligência política. Uma noite, em um jantar em que me coube sentar ao lado de Giulio Andreotti, então primeiro-ministro, ao saber que era o correspondente de EL PAÍS, ele me disse: “O senhor escreve mal de mim, mas escreve”. Disse isso rindo.

Os grandes estadistas, os políticos ou juízes importantes costumam estar acima das possíveis críticas da mídia. Eles devem saber que a crítica ao poder faz parte da defesa da democracia. Nesse sentido, com a admiração pelos silêncios de Rosa Weber, mais frutíferos que a fanfarronice de alguns de seus colegas, quero recordar que Dilma Rousseff, em seu discurso de posse como presidenta, afirmou: “Prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras”. E ela conheceu a ditadura em sua própria carne. Dilma encontrou em seu gabinete um projeto do PT do último Governo Lula para o “controle social dos meios de comunicação”, um eufemismo para indicar a censura. Pelo que sei Dilma mandou deixá-lo num canto e nunca se voltou a falar dele. Seria triste hoje que os dardos contra a imprensa chegassem do palácio do Supremo, templo das garantias de todas as liberdades que a Constituição consagra. Uma das não menos importante é a liberdade de expressão para que a sociedade possa controlar o poder. Todos os poderes.

Também a imprensa? Também, mas só nos tribunais de Justiça, não a partir deles.

A Lava Jato reagiu nesta quinta-feira, 12, às acusações do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que no Plenário da Corte, na quarta-feira, 11, afirmou que “a corrupção chegou ao Ministério Público Federal”. Gilmar citou o ex-procurador Marcelo Miller, envolvido no caso JBS, e também Diogo Castor, que integra a força-tarefa da Lava Jato no Paraná.

Em nota, a Lava Jato do Ministério Público Federal se disse “surpreendida” e atribuiu a Gilmar “absoluta falta de seriedade”.

“Lançou contra o procurador da República Diogo Castor de Mattos notícias antigas e falsas a respeito do comportamento deste na Operação Lava Jato”, diz o texto.

“A fala do ministro Gilmar Mendes desbordou o equilíbrio e responsabilidade exigidos pelo seu cargo”, afirmam os procuradores da Lava Jato.

Eles alegam que o ministro faz “não só acusações genéricas e sem provas contra a atuação do Ministério Público Federal, mas especialmente imputações falsas contra o procurador da República Diogo Castor de Mattos com base em notícias antigas e em suposto ‘ouvir dizer’ de desconhecidos advogados, mentiras já devidamente rechaçadas em nota pela força-tarefa Lava Jato em Curitiba em 12 de maio de 2017”.

Lava Jato reagiu às acusações do ministro Gilmar Mendes, do STF, que no Plenário da Corte, na quarta-feira, 11, afirmou que “a corrupção chegou ao Ministério Público Federal”

A nota esclarece o caso do procurador Diogo Castor. “A força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal em Curitiba informa que o procurador da República Diogo Castor de Mattos não atuou e não atua em nenhum dos casos ou processos envolvendo o empresário João Santana de Cerqueira Filho.”

João Santana foi marqueteiro do PT. Ele e a mulher Mônica Moura foram presos na Operação Acarajé, desdobramento da Lava Jato.

Os procuradores observam que o acordo de delação de João Santana “foi celebrado com a Procuradoria-Geral da República em 8 de março de 2017, antes do escritório Delivar de Mattos e Castor Advogados (que tem como um dos sócios Rodrigo Castor de Mattos, irmão do procurador) assumir a defesa do empresário em 17 de abril de 2017”.

O procurador atua na operação Lava Jato desde abril de 2014. O escritório ingressou na representação de Santana em abril de 2017. “Acrescenta-se que Rodrigo Castor de Mattos, embora permaneça como sócio do escritório citado, deixou a defesa de Santana em maio do ano passado.”

A Lava Jato dá o troco e faz menção a um polêmico capítulo do ministro – sua proximidade com o empresário Jacob Barata Filho, o “Rei do Ônibus”, alvo da Lava Jato no Rio.

“Como se pode ver, o procurador da República Diogo Castor de Mattos na força-tarefa Lava Jato não atuou na investigação de João Santana por decisão própria, indo além das exigências éticas e legais da magistratura, comportamento esse que o próprio ministro Gilmar Mendes não observou quanto ao seu impedimento em medidas judiciais relativas ao investigado Jacob Barata Filho.”

“A força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná presta estes esclarecimentos à população para não ficar indefesa diante do reiterado sentimento negativo do ministro Gilmar Mendes com o sucesso da Operação Lava Jato em desbaratar organizações criminosas que atuavam no poder público federal e com as mudanças positivas que o combate à corrupção trazem para a Justiça brasileira, bem como para mostrar sua indignação com o destemperado uso de falsas notícias e supostas intrigas de advogados desconhecidos em relação ao procurador da República Diogo Castor de Mattos.”

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DA LAVA JATO

“A força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná (MPF/PR) foi surpreendida na data de ontem, 11 de abril de 2018, pela intervenção do ministro Gilmar Mendes na sessão do plenário do Supremo Tribunal Federal, a qual, com absoluta falta de seriedade, lançou contra o procurador da República Diogo Castor de Mattos notícias antigas e falsas a respeito do comportamento deste na Operação Lava Jato.

A fala do ministro Gilmar Mendes desbordou o equilíbrio e responsabilidade exigidos pelo seu cargo, fazendo não só acusações genéricas e sem provas contra a atuação do Ministério Público Federal, mas especialmente imputações falsas contra o procurador da República Diogo Castor de Mattos com base em notícias antigas e em suposto “ouvir dizer” de desconhecidos advogados, mentiras já devidamente rechaçadas em nota pela força-tarefa Lava Jato em Curitiba em 12 de maio de 2017 no seguinte sentido:

A força-tarefa Lava Jato do MPF em Curitiba informa que o procurador da República Diogo Castor de Mattos não atuou e não atua em nenhum dos casos ou processos envolvendo o empresário João Santana de Cerqueira Filho. Além disso, o acordo de colaboração foi celebrado por Santana com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 8 de março de 2017, antes do escritório Delivar de Mattos e Castor Advogados (que tem como um dos sócios Rodrigo Castor de Mattos, irmão do procurador) assumir a defesa do empresário em 17 de abril de 2017.

O procurador atua na operação Lava Jato desde abril de 2014, enquanto o escritório ingressou na representação do réu em abril de 2017. Por fim, acrescenta-se que Rodrigo Castor de Mattos, embora permaneça como sócio do escritório citado, deixou a defesa de Santana em maio do ano passado.

Como se pode ver, o procurador da República Diogo Castor de Mattos na força-tarefa Lava Jato não atuou na investigação de João Santana por decisão própria, indo além das exigências éticas e legais da magistratura, comportamento esse que o próprio ministro Gilmar Mendes não observou quanto ao seu impedimento em medidas judiciais relativas ao investigado Jacob Barata Filho.

A força-tarefa Lava Jato do MPF no Paraná presta estes esclarecimentos à população para não ficar indefesa diante do reiterado sentimento negativo do ministro Gilmar Mendes com o sucesso da Operação Lava Jato em desbaratar organizações criminosas que atuavam no poder público federal e com as mudanças positivas que o combate à corrupção trazem para a Justiça brasileira, bem como para mostrar sua indignação com o destemperado uso de falsas notícias e supostas intrigas de advogados desconhecidos em relação ao procurador da República Diogo Castor de Mattos.”

abr
13
Posted on 13-04-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 13-04-2018


37 h

 

Jorge Braga, no jornal (GO)

 

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