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ARTIGO

velha Glória pela lente de Fellini

 

Janio Ferreira Soares

 

Como não uso WhatsApp, por esses dias, enquanto eu lia um belo texto sobre o centenário de Fellini, Valéria me mostrou no seu celular um velho filme que falseia completamente a verdade sobre a inundação da velha Glória e a construção da nova cidade.

Produzido em 1974 e ufanista até o talo, o que se vê é uma louvação ao Brasil ame-o ou deixe-o, onde imagens de casinhas de taipas rodeadas por crianças esquálidas são mostradas ao toque de um violão plangente e de uma lamuriosa flauta em tons de uma esmolinha pelo amor de Deus, tudo na intenção de reforçar a ideia de que seus habitantes viviam condenados ao atraso, mas, depois de “indenizados com justiça e compreensão”, encontrariam a tão sonhada modernidade.

Na sequência, engenheiros abrem uma planta mostrando as 208 habitações (um embrião do Minha Casa Minha Vida) que seriam construídas a um custo de “25 milhões de cruzeiros”, expressados pelo locutor com uma entonação que até parece que a quantia seria distribuída entre os ariados moradores sem saber pra onde ir.

Glória, se viva, teria completado 133 anos no último dia 6 de janeiro, apenas um Cristo a mais do que Fellini, que nessa segunda-feira, 20, faria 100 anos em sua Rimini, cidade que lhe serviu de inspiração para seu poema maior, Amarcord. E aí, meus caros e caras, me vejo forçado a montar no lombo do jumento que ora relincha as horas pra quem não usa Rolex, e viajo em como seria um filme sobre o afogamento de pedaços do meu passado pela lente do genial italiano.

Entre tantas figuras iguais às suas, creio que ele se fixaria no aluado Zé Bacalhau, que quase perdeu a mão na esteira de um trator depois de jurar que o motor lhe dizia: “bote o dedo, Zé!”; em Lulinha Boca Preta, que todo dia surgia de paletó na casa de minha avó com um violão, cantando: “você partiu, saudades me deixou, eu chorei” e depois recitava, de sua autoria: “e meu corpo vai morrendo, minha alma vai gemendo, na alegria de voltar”; em Osminho, viciado em pimenta e cachaça, que, do nada, parava no meio da rua e cantava alguma do Trio Nordestino e aí, numa alusão ao seu cantor, berrava: “Lindú é foda!”; ou em Barbosinha, que quando chegava bêbado na casa de tio Rui, ameaçava parar o ventilador com a língua.

No fim, embarcaríamos num imenso navio ancorado no Caxacá e seguiríamos à deriva, com Lulinha Boca Preta gritando desesperadamente num megafone: “e agora, meu povo, para onde?”, enquanto sereias e negos d’água dançariam na réstia da Lua ao som do pífano de Zé Bode, da zabumba de Carrinho e do tarol de Tonho de Duba, os três a flutuar como anjos banidos em busca do adro da igreja, que surgiria submersa na tela com peixinhos prateados nadando ao redor de Santo Antônio e de um assustado Menino Jesus fazendo glub glub no altar.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura  de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco

Tema do filme Amacord”, New York Phylarmonic Orchestra: Uma empolgante e especial sugestão musical do Bahia em Pauta pa o domingo. Companhia mais que perfeita para acompanhar na leitura do artigo de Janio . Confira,

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Regina Duarte deve conversar com Bolsonaro pessoalmente na segunda

Regina Duarte deve conversar pessoalmente com Jair Bolsonaro sobre o convite para assumir a Secretaria Especial da Cultura no lugar de Roberto Alvim.

Interlocutores da atriz disseram a Natuza Nery, do G1, que Regina quer uma conversa “olho no olho” com o presidente.

Os dois devem se encontrar na próxima segunda-feira, segundo o blog.

jan
19
Posted on 19-01-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 19-01-2020
 

Por G1

 princípe Harry e sua esposa, Meghan, duquesa de Sussex, em 7 de janeiro, em Londres — Foto: Reuters/Toby Melville  princípe Harry e sua esposa, Meghan, duquesa de Sussex, em 7 de janeiro, em Londres — Foto: Reuters/Toby Melville

O principe Harry e sua esposa, Meghan, duquesa de Sussex, em 7 de janeiro, em Londres — Foto: Reuters/Toby Melville

 

O Palácio de Buckingham anunciou neste sábado (18) que o príncipe Harry e sua mulher, Meghan Markle — duque e duquesa de Sussex — não vão mais utilizar o título de “alteza real”. Além disso, deixarão de receber dinheiro público para os chamados “deveres reais”.

No comunicado deste sábado, o Palácio de Buckingham afirmou que as mudanças valem a partir do fim de março deste ano.

A nota possui um trecho assinado pela rainha Elizabeth, de 93 anos. Ela afirma que “Harry, Meghan e Archie sempre serão membros muito amados da minha família”. A monarca ainda agradeceu “por todo o trabalho dedicado em todo o país, na Commonwealth e além dela”, e diz que está “particularmente orgulhosa de como Meghan se tornou tão rapidamente um membro da família.”

O trecho assinado pelo Palácio de Buckingham reforça que “embora não possam mais representar formalmente a rainha, os Sussex deixaram claro que tudo o que fizerem continuará a defender os valores de Sua Majestade”, e que “são gratos à Sua Majestade e à família real por seu apoio contínuo enquanto embarcam no próximo capítulo de suas vidas”.

 Harry e Meghan ainda deverão reembolsar o governo britânico pelos custos da reforma da residência na qual viviam. As obras foram orçadas em 2,4 milhões de libras, ou R$ 11,6 milhões.

Por fim, o Palácio de Buckingham não esclareceu como será o esquema de segurança para o duque e a duquesa de Sussex. “Existem processos independentes bem estabelecidos para determinar a necessidade de segurança com financiamento público”, disse a nota.

Independência financeira

 

Camilla, duquesa de Cornwall, Elizabeth II, rainha da Inglaterra, Meghan, duquesa de Sussex, Harry, duque de Sussex e o príncipe William durante evento da Força Aérea Real britânica, em 10 de julho de 2018 — Foto: Tolga Akmen / AFP Camilla, duquesa de Cornwall, Elizabeth II, rainha da Inglaterra, Meghan, duquesa de Sussex, Harry, duque de Sussex e o príncipe William durante evento da Força Aérea Real britânica, em 10 de julho de 2018 — Foto: Tolga Akmen / AFP

Camilla, duquesa de Cornwall, Elizabeth II, rainha da Inglaterra, Meghan, duquesa de Sussex, Harry, duque de Sussex e o príncipe William durante evento da Força Aérea Real britânica, em 10 de julho de 2018 — Foto: Tolga Akmen / AFP

No último dia 8 de janeiro, o duque e a duquesa de Sussex anunciaram que iriam deixar a função de ‘membros seniores’ da família real para buscar a independência financeira.

 

Na última segunda-feira (14), após uma reunião de família na residência real de Sandringham, no leste da Inglaterra, a rainha Elizabeth concordou com seu filho Charles – herdeiro do trono – seus dois filhos – William e Harry – em realizar um período de transição para que o príncipe possa abandonar gradualmente seu papel de primeiro plano na realeza.

O casal alegou se sentir desconfortável com a pressão da mídia e disse que pretende abandonar seu papel de membros de primeira classe da família real, modificar seu relacionamento com a imprensa, dividir seu tempo entre Reino Unido e América do Norte e ser financeiramente independente.

Meghan ex-atriz americana de 38 anos que deixou sua carreira quando se casou com Harry em 2018, viajou para o Canadá na semana passada e reencontrou o pequeno Archie, filho do casal. A ex-atriz morou no país por causa da série de televisão “Suits”, na qual trabalhava.

Leia na íntegra o comunicado do Palácio de Buckingham:

Declaração de Sua Majestade, a rainha

Após muitos meses de conversas e discussões mais recentes, congratulo-me por termos encontrado juntos um caminho construtivo e solidário para meu neto e sua família.

Harry, Meghan e Archie sempre serão membros muito amados da minha família.

Reconheço os desafios que enfrentaram como resultado de intenso escrutínio nos últimos dois anos e apoio o desejo de uma vida mais independente.

Quero agradecer a eles por todo o seu trabalho dedicado em todo o país, na Commonwealth e além dela, e estou particularmente orgulhoso de como Meghan se tornou tão rapidamente um membro da família.

É a esperança de toda a minha família que o acordo de hoje lhes permita começar a construir uma nova vida feliz e pacífica.

FIM

Declaração do Palácio de Buckingham

O duque e a duquesa de Sussex são gratos à Sua Majestade e à Família Real por seu apoio contínuo enquanto embarcam no próximo capítulo de suas vidas.

 

Conforme acordado neste novo arranjo, eles entendem que são obrigados a se afastar dos deveres reais, incluindo as nomeações militares oficiais. Eles não receberão mais fundos públicos para os deveres reais.

Com a bênção da rainha, os Sussex continuarão mantendo seus patrocínios e associações particulares. Embora não possam mais representar formalmente a rainha, os Sussex deixaram claro que tudo o que fizerem continuará a defender os valores de Sua Majestade.

Os Sussexes não usarão seus títulos de Sua Alteza Real, pois não são mais membros da Família Real.

O duque e a duquesa de Sussex compartilharam seu desejo de reembolsar as despesas do Sovereign Grant pela reforma do Frogmore Cottage, que continuará sendo sua casa familiar no Reino Unido.

O Palácio de Buckingham não comenta os detalhes dos arranjos de segurança. Existem processos independentes bem estabelecidos para determinar a necessidade de segurança com financiamento público.

Este novo modelo entrará em vigor na primavera de 2020.

CadernoB

RODRIGO FONSECA

Há cerca de cem filmes na seleção do 22º Rendez-vous Avec Le Cinéma Français, um fórum de promoção dos maiores sucessos recentes do audiovisual francófono, iniciado na quinta-feira em Paris, com espaço para a badalação de novos projetos. Alguns já têm estreia europeia marcada, como é o caso de “O Sal das Lágrimas” (“Le Sel Des Larmes”), do veteraníssimo Philippe Garrel: nenhuma produção é mais falada por aqui do que a dele. Aos 71 anos, ele é encarando como um potencial concorrente ao Urso de Ouro da Berlinale 2020 (20 de fevereiro a 1º de março) com seu novo longa-metragem, previsto para entrar no circuito francês no dia 8 de abril, abordando uma história de amor cheia de percalços. Estima-se que se trata do trabalho definitivo do septuagenário cineasta, que inaugurou sua carreira com “Marie pela memória” (“Marie pour mémoire”,1967).

Macaque in the trees
Phillippe Garrel (Foto: Reprodução)

“Com sua engenharia complexa, avessa a modismos, o Amor carrega um componente político em si, que é a habilidade de desafiar interditos de classe e de cultura, representando, de modo selvagem, a permanência e a universalidade de sentimentos que não se limitam a cabrestos civilizatórios”, disse Garrel por telefone ao JB.

Em “Le Sel des Larmes”, o realizador de “A cicatriz interior” (1972) e “A fronteira da alvorada” (indicado à Palma de Ouro de Cannes, em 2008) fala de um estudante francês, Luc (Logann Antuofermo), siderado por seu velho pai (André Wilms), que se apaixona por uma jovem de origem africana, Djemila (Oulaya Amamra) em meio a uma mudança de cidade, para tocar seus estudos. Mas a paixão pela moça vai alterar sua rotina e liberar sentimentos que hão de abrir feridas em sua relação familiar.

“Em ‘Civilização e Barbárie’, Freud nos mostrou que certos códigos de conduta são exercícios sutis de dominação, linguagem de controle. O amor também inclui controle. Filmo para poder investigar essa condição de submissão e de exploração. Só o que eu posso dizer, por enquanto, é que se trata de um olhar honesto sobre a vida, sobre os sentimentos, sem compromisso com as demandas do mercado e atento às possíveis mentiras inerentes ao olhar histórico, falando da interseção entre corações. Cinema pautado pelo imaginário, para libertar, é o que eu busco”, disse Garrel, cujo maior sucesso é “Amantes constantes”, ganhador do prêmio de Melhor Diretor e de Melhor Fotografia no Festival de Veneza de 2005. “Meu filho, Louis Garrel, fez esse filme e trabalhou comigo em outros projetos. Fico feliz ao vê-lo trilhar seu próprio caminho como diretor, em paralelo a seu trabalho na atuação”.

Macaque in the trees
Le Sel des Larmes (Foto: Reprodução)

Nesta sexta, a principal atração do Rendez-vous foi a passagem da diretora Justine Triet, de 41 anos, para falar do cult “Sibyl”, que rendeu a ela uma indicação à Palma de Ouro de Cannes. Nele, temos “a” estrela do momento no cinema francês, Virginie Efira (de “Um amor à altura”), que está nas páginas da edição de janeiro da revista “Cahiers du Cinéma” nas fotos do esperado “Benedetta”, de Paul Verhoeven, do qual será a protagonista. E Virginie gravita com elegância do trágico ao hilário no papel de uma terapeuta às voltas com uma paciente com os nervos em frangalhos: uma atriz (Adèle Exarchopoulos, de “Azul é a cor mais quente”) cujo namorado traiu sua confiança. Sibyl (Efira) precisa atender a moça no meio de um set de filmagem comandado por uma diretora enervada (a alemã Sandra Hüller, de “Toni Erdmann”) onde tudo ameaça dar errado. Inclusive a psicóloga. Indicada à Palma de Ouro, a produção é o trabalho de maturidade da realizadora de “Na cama com Victoria” (2016).

“Encontrei em Virginie uma grande amiga, mas também uma parceira que se põe à prova no set, aceitando se adequar à direção complexa que eu proponho a cada plano, buscando uma forma de expor a verdade e o mal-estar que existem por trás das aparências nas relações do dia a dia”, disse Justina ao JB. “Para funcionar, eu crio uma atmosfera de troca, que exige muito do meu elenco, mas que liberta ideias.

Também nesta sexta o evento conferiu, em sua sessão fechada para distribuidores e exibidores a comédia em tons fantásticos “Le prince oublié”, de Michel Hazanavicius. O ganhador do Oscar de melhor direção por “O Artista” (2011) assina o que pode ser “o” fenômeno de bilheteria francês de 2020, de carona o carisma de Osmar Sy (do já citado “Intocáveis”). Ele vive Djibi, contador de histórias capaz de inventar as fábulas mais surpreendentes para entreter sua filha de 7 anos. Nelas, ele sempre é um herói imbatível, um príncipe cheio de glórias. Mas a menina chega à adolescência e, cansada do arquétipo do pai perfeito, resolve criar suas próprias fantasias, nas quais Djibi já não é tão infalível assim. O problema é que a imaginação crítica da jovem começa a refletir na vida dele, com consequências nada agradáveis. O Rendez-vous segue até segunda, quando Costa-Gavras, o papa do cinema político, passa por Paris com “Adults in the Room”, uma reflexão sobre a crise na Grécia.

jan
19
Posted on 19-01-2020
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Duke no jornal mineiro

 

Mercado aéreo regional está há cinco décadas dobrando o seu tamanho a cada 12 anos, graças ao crescimento da classe média

Passageiros embarcam na Latam Airlines no aeroporto de Puerto Maldonado, no Peru.
Passageiros embarcam na Latam Airlines no aeroporto de Puerto Maldonado, no Peru.John Milner (Getty Images)

Os céus dos norte-americanos e europeus se tornaram curtos para a ambição das principais companhias aéreas dos dois lados do Atlântico. Com as empresas de baixo custo dominando uma fração importante do bolo do curto e médio porte tanto nos EUA como no Velho Continente, e as possibilidades de expansão restritas pela própria maturidade do mercado, as grandes empresas voltaram o olhar para a América Latina —de acordo com as cifras do setor, o terceiro mercado que mais crescerá nas próximas duas décadas, só atrás da Ásia e do Oriente Médio— para tentar garantir o seu crescimento a mais longo prazo. A primeira a mexer as fixas foi a Delta, que começou a comprar ações da Aeroméxico em 2017 e aumentou gradualmente sua participação para os atuais 49%, o máximo legal permitido no México. Em paralelo, a companhia dos EUA apostou na Latam (assumiu a quinta parte de seu capital) para agigantar sua posição continental e tirá-la da Oneworld, a aliança rival. Mais recentemente, o grupo da Iberia, IAG, redobrou sua exposição na região com a aquisição da Air Europa, que consolidará Madrid-Barajas como o principal ponto de entrada da América Central e do Sul, com quase um terço das chegadas. Todas essas operações possuem um denominador comum: têm a América Latina como grande alvo.

O apetite pelo mercado aéreo latino-americano contrasta com sinais vitais que há meses vêm despontando em vários países do subcontinente, tanto no plano político —protestos, com a desigualdade como alvo central— como no puramente econômico —o crescimento recorrente abaixo da média dos emergentes—. Os céus, no entanto, parecem alheios a essa realidade: o mercado aéreo regional está há cinco décadas multiplicando por dois o seu tamanho, em média, a cada 12 anos, e o crescimento anual do número de usuários de aviões mais que dobrou a taxa de PIB nesse período. “Estamos a caminho de 16 anos seguidos com taxas de crescimento positivas, algo que nem todos os setores podem mostrar”, ilustra Luis Felipe de Oliveira, diretor da Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (ALTA). “Os mercados de origem estão em uma fase madura e a América Latina oferece várias décadas de bom crescimento”, diz ele, no Panamá. “Como resultado de uma grande consolidação e reestruturação corporativa, os grandes grupos aéreos da América do Norte e da Europa continuam prosperando enquanto as operadoras latino-americanas enfrentam dificuldades. Isso criou oportunidades de compra para empresas como a Delta aproveitarem o crescimento do mercado latino-americano”, conclui Jonathan Berger, diretor da Alton Aviation, uma dos grandes consultoras do setor.

O interesse das companhias aéreas internacionais na região “já estava aí, mas claramente aumentou muito”, resumem Victor Nomiyama e Flavia Bedran, especialistas em aviação da agência de classificação de risco da S&P. “É lógico: as possibilidades de crescimento futuro são muito maiores do que em seus mercados de origem”. Embora as perspectivas do setor sejam piores no curto prazo do que em outras regiões, as empresas líderes mundiais do setor não querem perder seu pedaço do bolo em um mercado que se percebe como fundamental nas próximas décadas: com uma infraestrutura ferroviária muito fraca (e até diretamente inexistente), uma rede viária insuficiente e longas distâncias para cobrir, muitas vezes só atravessadas por ar, o avião se move no melhor ecossistema possível. O Brasil é um dos exemplos mais claros de como o setor aéreo é uma das poucas opções de mobilidade na região: um país enorme —com uma área comparável (embora menor) à da China e a dos Estados Unidos—, população de mais 200 milhões de pessoas muito espalhadas e uma rede de transporte terrestre frágil (e muito extensa), na qual sulcar os céus é a única solução possível para muitos deslocamentos. Contudo, apenas metade da população brasileira viaja hoje de avião, um fator que aplaina ainda mais o terreno para novos e velhos players do mercado.

Algo semelhante acontece no México, onde a expansão “do aumento do poder aquisitivo, com a recente recuperação do salário mínimo, amplia o interesse em um mercado subexplorado”, observa Miguel Mujica, professor da Aviation Academy, vinculada à Universidade de Amsterdã, que lembra que no ano passado —não exatamente o melhor para o México em termos macro (entrou em recessão)— o tráfego de passageiros cresceu 5%. A variável da imigração é importante: com mais de 40 milhões de pessoas de origem mexicana (nascidas no país latino-americano ou com pais ou avós originários de lá), tanto as companhias aéreas tradicionais como as de baixo custo estão aproveitando a opção de negócio da conexão de ambos os países.

A esse leque de fatores é preciso acrescentar o crescimento sustentado da classe média e a queda nas tarifas com a popularização do modelo de baixo custo, afirma o consultor independente Brendan Sobie. A estatística situa quase metade da população latino-americana nesse grupo social, uma cifra que, se as projeções forem cumpridas, deve subir para cerca de 70% em meados do século. “E quando a classe média aumenta, as oportunidades de negócios das companhias aéreas também aumentam. O potencial é enorme e grupos estrangeiros estão se posicionando para quando o boom chegar”, resume por telefone o vice-presidente da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) para as Américas, Peter Cerdá, um dos homens fortes da aviação na região. O setor espera que em 2035 o avião seja o meio de transporte escolhido por mais de 650 milhões de viajantes por ano na América Latina e no Caribe, com um crescimento anual previsto que ficará em torno de 6% até então, mais de um ponto acima da média global

Embora os movimentos recentes dos investidores tenham se concentrado no segmento de companhias aéreas tradicionais, eles não são os únicos. O do baixo custo, que vem reduzindo a participação de mercado das antigas companhias de bandeira em mercados como o brasileiro, mexicano, colombiano e, em anos recentes, o argentino —as quatro maiores economias da região, que somam mais 70% do PIB total—, também atraiu a atenção de grupos aéreos e fundos de investimento europeus e latino-americanos: a United possui 8% da brasileira Azul; a Air France-KLM, pouco mais de 1% da Gol e o fundo de capital de risco Indigo (proprietário da Frontier, nos EUA) controla a Volaris e a JetSmart, e acaba de fechar a aquisição do negócio da Norwegian na Argentina também por intermédio da própria JetSmart . Longe dos refletores e quase sem fazer barulho, um colossal segmento de baixo custo nasceu na região na base do talão de cheques.

Tarifas altas e combustível caro

Nem tudo é música clássica na sede das principais companhias aéreas regionais: há também um número que não é pequeno de fatores que impedem o desenvolvimento mais rápido do setor. Alguns, como o custo do combustível, geralmente mais alto do que em outras partes do mundo, são comuns em toda a área —de acordo com dados da ALTA, enquanto para a média das companhias aéreas em todo o mundo, o combustível responde por menos de um terço de seus custos operacionais, essa cifra sobe para quase um terço para as empresas regionais. Outros, como a regulamentação “não amigável” para as empresas, variam entre os países e “inibem o crescimento”, nas palavras de Luis Felipe de Oliveira, da ALTA.

O setor tem a face mais amarga e a mais doce da realidade regional no México e no Panamá. Enquanto o Governo de Andrés Manuel López Obrador fazia do cancelamento do novo aeroporto de Texcoco –planejado como o maior da região e um dos mais importantes do mundo no futuro– uma de suas bandeiras políticas e a primeira grande decisão de seu mandato, os sucessivos Governos panamenhos depositaram no Canal e no transporte aéreo boa parte de suas opções de desenvolvimento no futuro, com o novo terminal do aeroporto de Tocumén como ponta de lança para o tráfego de conexão. É um setor fundamental para seu crescimento econômico e é o exemplo que sempre damos: quando um Governo tem o transporte aéreo como uma de suas prioridades e permite o desenvolvimento das companhias aéreas, o sucesso está aí”, aplaude Peter Cerdá, da IATA, que compara o modelo seguido pelo país da América Central com os de Dubai, Doha e Cingapura, os grandes hubs do Oriente Médio e da Ásia.

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Lewandowski e Gilmar: atacam Moro e Lava Jato no começo de 2020…
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,,,e Buñuel: “a inveja é um pecado espanhol por excelência”, diz
o cineasta. Será?
 ARTIGO DA SEMANA

Ataques de Lewandowski e Gilmar a Moro e o pecado espanhol segundo Buñuel

Vitor Hugo Soares

A nau de 2020, ano regido por Xangô (orixá guerreiro da justiça, segundo quem pratica e entende dos cultos afro-brasileiros), começa a navegar a todo pano em Brasília, por sobre as marolas no reino da deusa  Têmis,  divindade grega através da qual a justiça é definida, no sentido moral, como “o sentimento da verdade, da equidade e da humanidade, posto acima das paixões. Mas, a deduzir das recentes entrevistas dos ministros do STF Ricardo Lewandowski, no El País, e Gilmar Mendes, a Fernando Rodrigues (SBT), paixão (ou outra razão submersa qualquer) é o que não falta nos disparos que partem da casa da rainha de olhos vendados, contra a Lava Jato, o ministro Sérgio Moro e agora também, explicitamente, contra o que representam: o combate à corrupção (corruptos e corruptores)  que prolifera como praga devastadora no Brasil.  Talvez, a melhor síntese disso tudo, até aqui, esteja na resposta do ministro da corte suprema de justiça a uma das perguntas do editor de Poder em Foco: “Uma contribuição importante que o governo brasileiro deu ao sistema político institucional do País foi ter tirado Moro da Lava Jato. Eu não sei se foi uma boa opção para o juiz Moro”, disse Gilmar Mendes. Precisa desenhar?
Mas há também, nisso tudo que está aí,  quem enxergue um que de surrealismo a lá Luis Buñuel, genial cineasta espanhol. Principalmente por trás dos novos bombardeios contra a mais ampla e relevante operação de combate à rapinagem do dinheiro público no Brasil – de efeito exemplar continental na América Latina –  e à sua figura mais representativa: Sérgio Moro, o ex – juiz federal em Curitiba, e atual ministro da Justiça e Segurança Pública. Único brasileiro incluído na relação de 50 Maiores Personalidades da Década, do jornal britânico Financial Times, destacado, em todas as pesquisas de opinião, no país, como o mais bem avaliado ministro do atual governo e figura política de maior bem querer e reconhecimento dos brasileiros. O que, sem dúvida, provoca reações e ciumeiras, fora e dentro do governo.

Vale destacar, aqui, o pensamento do imortal realizador de filmes nascido em Calanda (povoado perto de Saragoza), diretor de A Bela da Tarde e de outros filmes memoráveis, expresso no seu livro “Meu Último Suspiro”. No capítulo em que relaciona as coisas que gosta e as que tem ojeriza, Buñuel destaca que, dos pecados capitais, a inveja é o que mais detesta: “Os outros são pecados pessoais que não ofendem ninguém, a não ser a ira, em determinados casos. A inveja é o único pecado que conduz inevitavelmente à vontade de desejar a morte de outra pessoa cuja felicidade nos deixa infeliz.. A inveja é um pecado espanhol por excelência”,  afirma o cineasta em seu livro de memórias. Há controvérsias, pode-se dizer, olhando bem os dias que correm e as coisas que são ditas e feitas deste lado de baixo da linha do Equador.
“Amaldiçoado seja aquele que pensar mal destas coisas”, diria aquele irônico viajante francês, de passagem pelo Eixo Monumental da capital do País, neste começo de década. Mas vale a pena ver o que dizem os dois ministros do STF nas referidas entrevistas, E depois refletir sobre as palavras do genial Buñuel.  

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta: vitors.h@uol.com.br

“Eu vou Bahiá”, Edil Pacheco: Para ouvir com a alma da Velha Bahia em qualquer lugar do mundo! Sem ponte!

BOM DIA!!!

(Gilson Noggueira)

DO EL PAÍS

Roberto Alvim copiou trechos de discurso de ministro da Propaganda de Hitler e atribuiu o fato a uma “busca” feita por sua equipe no Google. Atriz Regina Duarte foi convidada para o cargo

O pronunciamento do secretário Roberto Alvim.
O pronunciamento do secretário Roberto Alvim.

Ao som de Richard Wagner, o compositor favorito de Adolf Hitler, o secretário de Cultura do Governo, Roberto Alvim, plagiou em pronunciamento que foi ao ar nas redes sociais trechos de um discurso do ministro da Propaganda do führer nazista, Joseph Goebbels. “A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa […] ou então não será nada”, diz Alvim no vídeo. O líder nazista havia dito: “A arte alemã da próxima década será heroica, será ferrenhamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa (…) ou então não será nada”. O caso provocou revolta nas redes sociais e a manifestação dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Supremo, Dias Toffoli. A Confederação Israelita do Brasil considerou “inaceitável” o uso do discurso. No início da tarde desta sexta, o Governo demitiu o secretário , alegando que o pronunciamento “tornou insustentável” sua permanência.

Após parafrasear o nazista, Alvim afirmou nas redes sociais que se tratou de uma “coincidência retórica” e que não citou Goebbels “e jamais o faria”. Ao jornal O Estado de S. Paulo, no entanto, ele disse que “a origem [da frase] é espúria, mas as ideias contidas da frase são absolutas perfeitas.” “Eu assino embaixo”, ressaltou. Já em entrevista à Rádio Gaúcha, ele apresentou nova versão, e se defendeu alegando que foi uma “infeliz coincidência retórica”, fruto de uma pesquisa feita por sua equipe no Google. A busca teria sido por discursos que envolvessem “nacionalismo em arte”. Ele admitiu ter escrito 90% do texto lido na quinta-feira, mas não os trechos copiados de Goebbels. Por fim, o secretário foi novamente às redes sociais, onde afirmou que, “se soubesse da origem da frase, jamais a teria dito. Tenho profundo repúdio a qualquer regime totalitário, e declaro minha absoluta repugnância ao regime nazista”. Ele pediu desculpas à comunidade judaica, e disse ter colocado o cargo à disposição de Bolsonaro “com o objetivo de protegê-lo”.

Horas após a demissão, o jornal Folha de S.Paulo revelou que a atriz Regina Duarte foi convidada para assumir o lugar de Alvim. Em entrevista ao programa Os Pingos nos Is, da rádio Jovem Pan, a atriz disse que ainda não decidiu se aceita o convite, mas destacou que não se sente preparada para o cargo. “Acho que a gestão pública é algo complicado, uma pasta como a da Cultura, muito mais. Este é um país imenso e continental, tem muitos artistas, grupos, criações, vamos querer abraçar tudo. Então, eu fico muito preocupada de não estar preparada”, comentou. Duarte ficou de dar uma resposta a Bolsonaro neste sábado.

Histórico

Não é a primeira vez que um integrante do primeiro escalão bolsonarista emula regimes autoritários em detrimento da democracia. O ministro da Economia, Paulo Guedes, já defendeu em duas ocasiões um novo Ato Institucional número 5 (AI-5) da ditadura militar, responsável pelo endurecimento da repressão e conhecido como “golpe dentro do golpe”. A fala aconteceu depois de uma referência ao AI-5 feita pelo próprio filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, que defendeu a medida caso a “esquerda radicalizasse”. O próprio presidente fez sua carreira política defendendo torturadores da ditadura, como o coronel do Exército Carlos Brilhante Ustra, famoso por inserir ratos na vagina de presas políticas e morto em 2015.

O discurso de Alvim coloca Bolsonaro em uma situação delicada. Eleito com apoio de boa parte da comunidade judaica do país, o presidente se empenhou desde a posse na tarefa de estreitar laços com o premiê israelense, Benjamin Netanyahu. O Planalto, inicialmente, afirmou eu não iria comentar o discurso de inspiração nazista de Alvim. Horas depois veio a nota do presidente afirmando que ele seria demitido. Já a Confederação Israelita do Brasil divulgou nota dizendo ser “inaceitável o uso de discurso nazista pelo secretário”. “É um sinal assustador da sua visão de cultura, que deve ser combatida e contida”, diz o texto. A embaixada da Alemanha no Brasil publicou texto afirmando que “o período do nacional-socialismo é o capítulo mais sombrio da história alemã […] opomo-nos a qualquer tentativa de banalizar ou glorificar esta era”.

Mesmo dentro do círculo bolsonarista o plágio de um discurso nazista não foi bem recebido. O filósofo Olavo de Carvalho, principal ideólogo do Governo, afirmou ser “cedo para julgar, mas o Roberto Alvim talvez não esteja muito bem da cabeça. Veremos”. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pediu a demissão do secretário: “Passou de todos os limites. É inaceitável. O Governo brasileiro deveria afastá-lo com urgência do cargo”, escreveu no Twitter. Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Senado, também se manifestou: “Como primeiro presidente judeu do Congresso Nacional, manifesto veementemente meu total repúdio a essa atitude e peço seu afastamento imediato do cargo”. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, também se manifestou: “Há de se repudiar com toda a veemência a inaceitável agressão que representa a postagem feita pelo secretário de Cultura. É uma ofensa ao povo brasileiro, em especial à comunidade e judaica”.

Dramaturgo por formação, Alvim ocupava a direção do Centro de Artes Cênicas da Funarte. No período ele chegou a atacar a atriz Fernanda Montenegro após ela criticar o presidente em entrevista. Bolsonaro o promoveu para a chefia da secretaria de Cultura em novembro de 2019. No comando da pasta, ele chegou a nomear Sergio Camargo para a presidência da Fundação Palmares: o indicado pedia o fim do movimento negro e relativizava a escravidão no Brasil.

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