“Evie”: um cantor admirado por meu saudoso pai, seu Alaôr, amante de boa música em qualquer idioma, e uma canção da especial predileção deste editor do Baahia em Pauta.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

 

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“A luta não é em vão quando a semente fica”. A frase, estampada de fora a fora em um telão, aparecia logo acima das fotos de Eduardo Campos e do governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), durante um ato político em Paulista, no interior do Estado. O ano poderia ser 2014, quando Campos lançou-se candidato à Presidência e escolheu Câmara para disputar o Governo do Estado. Mas é final de julho de 2018, durante um giro do governador e candidato à reeleição pelo interior. Quatro anos após o acidente aéreo que tirou a vida de Eduardo Campos e de outras seis pessoas, em 13 de agosto de 2014, a memória do político pernambucano ainda é viva na campanha eleitoral. E o eduardismo deve ser explorado ao máximo nos próximos meses.

A vida política de Câmara está completamente vinculada a Campos. O hoje governador de Pernambuco foi secretário de Administração, de Turismo e da Fazenda ao longo das duas gestões de Campos à frente do Palácio do Campo das Princesas, entre 2007 e 2014. De perfil mais técnico, deixou seu posto na gestão para disputar o Governo do Estado no partido de Campos, em 2014. Explorada, a imagem de seu tutor colou, e ele acabou vencendo no primeiro turno, com 68% dos votos. “Eduardo teve um papel determinante pelos governos que fez, inclusive para eleger um governador que não tinha aparição”, explica o deputado socialista Tadeu Alencar.

Quando deixou o Governo de Pernambuco após duas gestões para disputar a presidência em 2014, Campos tinha 58% de aprovação, segundo o Ibope. Agora, quase no final do primeiro mandato, Paulo Câmara tem 74% de reprovação no Estado, segundo levantamento do Instituto Uninassau realizado em dezembro do ano passado. E não tem a vitória garantida, de acordo com as pesquisas. Algumas simulações demonstravam que ele poderia perder no segundo turno caso enfrentasse a petista Marília Arraes —em um acordo para tirar o PSB da disputa nacional e, com isso, neutralizar uma possível aliança com Ciro Gomes, o PT retirou a candidatura dela, que agora disputará uma vaga no Legislativo federal; nos comícios estaduais, o PSB agora também explora a imagem de Lula.

Trator Eduardo

Eduardo Campos é constantemente descrito como um político habilidoso, brincalhão e exímio imitador. Imitava assessores, políticos e jornalistas. Herdou do avô —“doutor Arraes” para políticos e autoridades e “velho arraia” para o povo mais humilde— o gosto pela política e o poder de seduzir eleitores, jornalistas e até mesmo seus pares. Conciliador, tinha habilidade para transitar por diferentes grupos, mas nos bastidores era comparado a um trator. Capaz de passar por qualquer um para alcançar seus objetivos, até mesmo da família, se preciso fosse.

Em 2013, quando as candidaturas à eleição do ano seguinte começavam a ser articuladas, sua prima e então vereadora do Recife pelo PSB, Marília Arraes, quis lançar-se à Câmara dos Deputados. Por disputas internas, Campos, que era presidente do partido, não proibiu a candidatura, mas a isolou na sigla. Marília desistiu da disputa e acabou rompendo com os socialistas. O racha na família seguiu-se após a morte de Campos, e ela se filiou ao PT em 2016. Seu único irmão, o advogado Antônio Campos, deixou o PSB no ano passado, brigado com a viúva de Eduardo, Renata Campos, e foi para o Podemos para se candidatar a deputado federal.

A dinastia de Arraes, portanto, será disputada neste ano pelas candidaturas à Câmara Federal de Antônio Campos, pelo Podemos, Marília Arraes, pelo PT, e João Campos, filho de Eduardo, que estreia no pleito aos 23 anos pelo PSB. A candidatura de João é, inclusive, a maior investida do PSB no Estado. Nos bastidores, fala-se que o objetivo não é apenas que João ocupe uma das 25 cadeiras que o Estado tem na Câmara, como também que seja o mais votado de Pernambuco. “Naturalmente as pessoas já querem votar em João. A tragédia de certa maneira cristalizou um momento mítico em que ele [Eduardo] estava ascendendo na carreira política”, opina o deputado Tadeu Alencar.

PF conclui inquérito sobre acidente aéreo

Na última semana, a Polícia Federal apresentou a conclusão do inquérito sobre o acidente aéreo que matou Eduardo Campos e outras seis pessoas em Santos (SP). João Campos, filho do ex-governador, afirmou à imprensa que foram apresentadas quatro hipóteses para explicar o que pode ter ocorrido no momento do acidente: possível coalizão, desvio de algum objeto, desorientação espacial dos pilotos e falha mecânica.

Das hipóteses, não há nenhuma prevalecente. Ou seja, pode ter ocorrido somente uma delas ou a combinação de várias. Ainda segundo João Campos, o delegado que apresentou o inquérito descartou a possibilidade de sabotagem na aeronave, tese defendida pelo tio, Antônio Campos. “Cabe agora a cada família olhar os autos do inquérito e, com muita serenidade, entender o que pode ser feito para evitar que outros acidentes como esse aconteçam”, disse João.

Teleférico Eduardo

Assim como o avô, Eduardo Campos deixou um legado na política e na família. Com Renata Campos, teve cinco filhos. A mais velha, Maria Eduarda, assumiu, aos 23 anos, a gerência de Zoneamento Especial do Instituto Pelópidas Silveira, órgão ligado à secretaria de Planejamento da Prefeitura do Recife, cuja gestão está nas mãos do PSB. João, antes de se candidatar a deputado, foi nomeado, aos 22 anos, chefe de gabinete da gestão Paulo Câmara.

A viúva de Eduardo também desempenha papel importante na política, mas sempre nos bastidores. Filiada desde 1991 ao PSB, Renata sempre foi consultada pelo marido antes de tomar uma decisão. Até hoje, ela é uma figura respeitada dentro e fora do partido. Desde o final do ano passado, quando começaram as negociações pelas alianças, recebeu no Recife, onde vive, as visitas de Lula (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede). Discreta, não dá entrevistas e nem fala com a imprensa. Recusou, educadamente, dois pedidos feitos pela reportagem nos últimos dois meses.

Além da família e da campanha política deste ano, o legado de Campos está presente em diversas homenagens por todo o Estado. Hospital, estádio de futebol, escolas, barragem, trechos de estradas, o Complexo Turístico Portuário e até um teleférico levaram seu nome.

Por uma infeliz coincidência, Campos e Arraes morreram no mesmo dia: 13 de agosto, o neto, em 2014, e o avô, em 2005. A fatalidade, ocorrida quando Campos tinha 49 anos, mexeu muito nas peças do xadrez eleitoral daquele ano. O pernambucano havia entrado na campanha se autointitulando o candidato da “nova política”, uma alternativa à polarização entre PT e PSDB. Sua vice naquela chapa, Marina Silva incorporou o discurso da terceira via, utilizado por ela até hoje, candidata novamente, pela Rede.

Quando Campos morreu, tinha 9% das intenções de voto, segundo uma pesquisa do Ibope divulgada uma semana antes do acidente. Ocupava o terceiro lugar na disputa, atrás de Aécio Neves (PSDB), com 23%, e Dilma Rousseff (PT), com 38%. Sem Campos, Marina Silva, que na época estava filiada ao PSB porque não havia conseguido registrar seu partido, a Rede, assumiu a cabeça da chapa.

Rapidamente, a ambientalista encostou em Dilma Rousseff, ultrapassando Aécio Neves e chegou a figurar como vencedora nas simulações de um segundo turno com a petista. Mas, rapidamente, Marina perdeu o título de cometa e ficou mais próxima de uma estrela cadente, mostrando que a força de Campos ainda era muito maior no nível estadual. No final do pleito, ficou em terceiro lugar, com 21% dos votos.

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Posted on 14-08-2018
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Cristian Favaro
 

A candidata da Rede nas eleições 2018, Marina Silva, disse que o governo federal tem papel importante na articulação para que se construa uma educação sólida no País. De acordo com ex-senadora, “o governo federal pode abrir a caixa-preta” da educação e melhorar a distribuição dos recursos.

Marina, que participou de evento do Todos Pela Educação, nesta segunda-feira, 13, na capital paulista, disse que o papel do governo na tarefa de ajudar os Estados e municípios a melhorarem o sistema de educação passa pela equalização da diferença entre o que é gasto por aluno em diferentes regiões. “Você tem realidade em que o município tem um custo por aluno anual de R$ 20 mil, outro de R$ 10 mil. Para fazer essa equalização, o governo tem de saber qual é a realidade dos municípios”, disse. Ainda de acordo com a candidata, é papel do governo também trabalhar para que haja “transparência para que possa se verificar inclusive se há problemas de gestão nos municípios.”

A candidata foi questionada sobre quais as características ideais para seu ministro da Educação em uma eventual vitória nas eleições 2018. Marina desconversou e não adiantou um nome para a pasta, mas argumentou que vai manter os critérios usados quando escolheu sua equipe do Ministério do Meio Ambiente, quando foi ministra da pasta no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Operação Lava Jato. “Critérios éticos, formação técnica e capacidade de mediação política”, emendou.

A candidata também voltou a criticar um dos principais projetos do governo de Michel Temer, o teto dos gastos públicos. “Quando você faz isso por 20 anos, com a possibilidade de revisão em 10 anos, você está dizendo que está congelando a educação, a saúde e a segurança que nós temos”, disse.

“No meu entendimento, a responsabilidade fiscal não precisava ser uma emenda constitucional”, disse. “Em 2010, eu já dizia que a gente precisava de um regime de capitalização da Previdência. Eu já dizia que era fundamental controlar gastos públicos. Ao fazer uma emenda na Constituição, no entanto, ao invés de diminuir o custo, se cria um problema”, disse, reforçando o alerta do Tribunal de Contas da União (TCU), de que o teto pode paralisar o governo.

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Posted on 14-08-2018
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Aroeira, no jornal

 

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Posted on 14-08-2018
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As ameaças de Stédile

Folha de S. Paulo abriu espaço para que João Pedro Stédile fizesse propaganda da “marcha” de seus recrutados rumo a Brasília.

O líder do MST escreveu em artigo publicado pelo jornal:

“Se Lula não for candidato, as eleições serão uma fraude, pois impedirão que a maior parte do povo tenha o direito de escolher quem deseja para a Presidência. E as crises se aprofundarão e teremos mais quatro anos de conflitos, violência e agravamento das desigualdades sociais.”

 
Debate Band
Bolsonaro, Alckmin, Boulous e Meirelles durante o debate na Band F.Bizerra Jr. AFP

O debate dos presidenciáveis da Band, transmitido nesta quinta, nivelou o processo eleitoral que entra na prova dos nove sobre o papel que a televisão vai cumprir a partir de agora. Ao trazer a campanha para a casa do brasileiro, num formato familiar e conhecido desde 1989, percepções se cristalizam sobre cada candidato e injetam mais realidade do que as redes sociais conseguem. Não se pode eleger vencedores, mas pode-se dizer quem são os perdedores deste palanque televisivo. A candidatura do PT, ausente diante da sua crise de identidade entre Lula preso e Fernando Haddad, seu vice. Ciro Gomes, do PDT, também fica em xeque, pouco questionado nos primeiros blocos do programa, quando havia mais audiência acordada. Mas é o PT quem mais perde, emaranhado no imbróglio jurídico sobre quem é efetivamente a cabeça de chapa. Se não resolver isso antes do próximo debate, no dia 17 na RedeTV, vai perder espaço precioso na cabeça do eleitor que ainda flerta com a possibilidade de escolher a ‘chapa triplex’.

Com oito candidatos em cena e as aparições mais diluídas, não houve palco para Jair Bolsonaro se sobressair como se esperava, nem positiva e nem negativamente. Trouxe os mesmos argumentos de sempre, com a defesa da posse de armas, a castração química a estupradores e o ataque às políticas de direitos humanos e à esquerda. Liderou as buscas por seu nome na internet enquanto o debate estava no ar, mas não se sabe se essa curiosidade virtual vai se transformar em votos. Há indícios que quando se torna mais conhecido do eleitor, sua rejeição aumenta, como mostrou uma pesquisa do DataPoder360.

O desempenho do tucano Geraldo Alckmin, que defendeu ajuste fiscal, e reforma tributária, é uma incógnita. Visivelmente tenso, Alckmin viu no programa da Band que ele não conseguirá fugir do calvário de ser identificado com o radioativo presidente Michel Temer. O mesmo vale para Henrique Meirelles, que se esforçou para se destacar como o homem forte do emprego durante os governos Lula (2003-2010), como se o cargo de presidente do Banco Central fosse mais decisivo que de um presidente. Meirelles, no entanto, não tem nada a perder, pois está em baixa nas pesquisas, diferente de Lula.

Marina Silva, por sua vez, repetiu o mesmíssimo discurso que apregoa há dois anos, atacando PT e PSDB, corrupção, e fazendo o aceno de sempre sobre um plebiscito quando questionada sobre aborto, por exemplo. Mas, para aqueles que estão acessando a campanha política somente agora, ela ainda pode estar mais próxima do ideal de um candidato a presidente. Álvaro Dias também pode disputar um pedaço dos indecisos, amarrando o juiz Sergio Moro ao seu eventual mandato. E o Cabo Daciolo virou a caricatura da vez com suas mensagens religiosas e as platitudes que lembravam o discurso do PSTU, como a auditoria da dívida pública, uma desculpa que a gente ouve desde o slogan contra burguês, vote 16.

Para além das especulações, que só serão dirimidas numa próxima pesquisa eleitoral, as três horas de programa da Band só confirmaram que as eleições de 2018 são o pleito em que os brasileiros (que não desistirem de votar) escolherão o menos pior. Depois de tantas cambalhotas no cenário político desde 2014, há um couro mais curtido entre o eleitor que já se iludiu ou foi enganado por discursos de lobos em pele de cordeiro durante a campanha. É a eleição mais angustiante da democracia recente, em que ninguém se atreve a ter certeza sobre quem estará no segundo turno em outubro. O coração está na boca e o desafio principal é não permitir retrocessos maiores do que o país já viveu até aqui. Não é só um debate que vai definir essa percepção, mas o noticiário que vem a reboque.

A linda canção de Edu e Cacaso, na mais que perfeita interpretação de Emílio Santiago, Vai dedicada ao mano José Genival (o Chico famoso da torcida do Bahia e do Bloco do Jacu) , que ontem, 12 de agosto, apagou mais uma velinha de aniversário.  Felicidades, longa vida, TimTim, com a cerveja mais gelada e gostosa que houver.

BOM DIA!!!

 

(Vitor Hugo Soares)

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PF está pronta para assumir investigações do caso Marielle, diz Jungmann

 

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse a O Globo que só depende dos ministérios públicos do Rio e Federal para a PF entrar no caso da morte de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

“Se o Ministério Público do Estado do Rio, o Ministério Público Federal ou a Segurança do Rio requererem, a PF está pronta para assumir as investigações, como uma das melhores polícias investigativas do mundo. Com todos seus recursos humanos e tecnológicos. Friso que e inaceitável não punir duramente os que covardemente mataram Marielle. Agora, repito aqui o que tenho afirmado: a equipe da Delegacia de Homicídios da Capital, da Polícia Civil do Rio, é competente e dedicada. Eu já consultei o presidente da República, Michel Temer, sobre a possibilidade de colocarmos a Polícia Federal no caso Marielle e ele autorizou.”

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Posted on 13-08-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 13-08-2018
 

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Jornal de charges – O melhor do humor gráfico brasileiro na Internet – ano XXII – Domingo 12/08/2018

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Duke, no jornal O Tempo (MG)

DO PORTAL DE NOTÍCIAS TERRA BRASIL
Andreza Matais
 
 

Trinta homens do Comando de Operações Táticas (COT), a tropa de elite da Polícia Federal, estavam a postos com suas armas para invadir o Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo. Com mandado de prisão expedido pelo juiz Sérgio Moro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva resistia a se entregar.

Na primeira entrevista desde que assumiu o cargo, há cinco meses, o diretor-geral da PF, Rogério Galloro, relata detalhes das negociações para levar o petista a Curitiba naquele sábado, 7 de abril. O número um da polícia se aproximou dos negociadores de Lula: “Acabou! Se não sair em meia hora, vamos entrar”. Em seguida, ordenou que os agentes invadissem o prédio no fim do prazo estipulado.

O diretor-geral da Polícia Federal, Rogério Galloro

 
O diretor-geral da Polícia Federal, Rogério Galloro

Foto: José Cruz/Agência Brasil / via Fotos Públicas

Como foi o episódio da prisão do ex-presidente Lula?

Foi um dos piores dias da minha vida. Quando eles (interlocutores de Lula) pediram detalhes da logística da prisão, nos convenceram de que havia interesse do ex-presidente de se entregar ainda na sexta (6 de abril, prazo dado pelo juiz Sérgio Moro). Acabou o dia e ele não se apresentou. Nós não queríamos atrito, nenhuma falha.

Chegou o sábado, Moro exigiu que a gente cumprisse logo o mandado. A missa (improvisada no sindicato) não acabava mais. Deu uma hora (da tarde) e eles disseram: ‘Ele vai almoçar e se entregar’.

O sr. perdeu a paciência em algum momento?

No sábado, nós fizemos contato com uma empresa de um galpão ao lado, lá tinha 30 homens do COT (Comando de Operações Táticas) prontos para invadir. Ele (Lula) iria sair em sigilo pelo fundo quando alguém, lá do sindicato, foi para a sacada e gritou para multidão do lado de fora, que correu para impedir a saída. Foi um susto. A multidão começou a cercá-lo e eu vi que ali poderia acontecer uma desgraça. Ele retornou.

Qual era o risco?

Quando tem multidão, você não tem controle. Aquele foi o pior momento, porque eu percebi que não tinha outro jeito. A pressão aumentando. Quando deu 17h30, eu liguei para o negociador e disse: ‘Acabou! Se ele não sair em meia hora nós vamos entrar’. E dei a ordem para entrar. Às 18h, ele saiu.

Houve alguma exigência?

Eles pediram para não haver muita exposição, que não humilhasse o ex-presidente, nós usamos tudo descaracterizado. Ele estava quieto o tempo todo, bastante concentrado.

Por que o ex-presidente está na superintendência da PF?

Isso não nos agrada. Nunca tivemos preso condenado numa superintendência. É uma situação excepcional. O juiz Moro me ligou, pediu nosso apoio, ele sabe que não temos interesse nisso. Mas, em prol do bom relacionamento, nós cedemos.

Recentemente, Lula mandou chamar dirigentes do PT para discutir, dentro da superintendência, a eleição presidencial. É um tratamento diferenciado?

Não somos nós que organizamos isso (as regras para visitas), mas o juiz da Vara de Execuções Penais. O Lula está lá de visita, de favor. Nas nossas novas superintendências não vão ter mais custódia. No Paraná, não vamos mexer agora. Só depois da Lava Jato.

O sr. conversou com o ex-presidente na prisão?

Eu estive na superintendência, mas não fui vê-lo. É um simbolismo muito ruim. O segundo momento tenso para a PF envolveu a ordem de soltar Lula dada pelo desembargador Rogério Favreto e a contraordem de Moro e dos desembargadores Gebran Neto e Thompson Flores, do TRF-4. Eu estava no Park Shopping, em Brasília, dei uma mordida no sanduíche, toca o telefone. Avisei para a minha mulher: ‘Acabou o passeio’.

Em algum momento a PF pensou em soltar o ex-presidente?

Diante das divergências, decidimos fazer a nossa interpretação. Concluímos que iríamos cumprir a decisão do plantonista do TRF-4. Falei para o ministro Raul Jungmann (Segurança Pública): ‘Ministro, nós vamos soltar’. Em seguida, a (procuradora-geral da República) Raquel Dodge me ligou e disse que estava protocolando no STJ (Superior Tribunal de Justiça) contra a soltura. ‘E agora?’ Depois foi o (presidente do TRF-4) Thompson (Flores) quem nos ligou. ‘Eu estou determinando, não soltem’. O telefonema dele veio antes de expirar uma hora. Valeu o telefonema.

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo, blindou o delegado da PF Cleyber Malta Lopes ao autorizar a prorrogação do inquérito dos Portos, que investiga o presidente Michel Temer. O sr. tentou trocar o delegado?

Não. Eu estive com o Cleyber antes de me tornar diretor-geral. Depois disso sequer o vi. Houve um momento em que eu coloquei 25 policiais para ajudá-lo. Foi no período anterior à decisão do ministro de prorrogar por mais 60 dias.

Não lhe pareceu um recado o fato de o ministro especificar em sua decisão que o delegado deveria continuar à frente do caso?

Acho que o ministro quis dizer que Cleyber toca bem o caso. Na linha: ‘Olhe, não tire ele, não. Se ele entrar de férias, não põe outro no lugar’.

A PF está perseguindo professores da UFSC que fizeram protestos contra agentes da operação que investigou o ex-reitor Luiz Carlos Cancellier?

Depois que o reitor se suicidou, uma situação terrível, começou um movimento de muita crítica às autoridades que participaram da investigação, a delegada, a juíza, o corregedor da universidade. Foram colocadas fotos deles dizendo: ‘autoridades que cometeram abuso de poder e mataram o reitor’. E essa faixa é exposta toda vez que fazem uma manifestação. E essas autoridades se sentiram ofendidas.

Houve necessidade de abertura de inquérito?

É a mesma coisa de colocar, por exemplo, a foto de servidores e dizer: ‘Esses indivíduos estupraram alguém’. É uma acusação seriíssima. E esses indivíduos, cada vez que saem da oitiva, dizem que estão sendo perseguidos. Não é uma investigação contra a universidade. É de crime contra a honra.

Mas o inquérito não pode ser uma forma de censura?

Tem outros meios de protestar que não acusar uma autoridade de abuso.

O sr. é um gestor, um técnico. Como evitar que o próximo presidente nomeie um delegado amigo para a diretoria da PF?

Tem policial com viés político. E isso é legal. Mas será que um desses, se tornando diretor-geral, é bom para a instituição? A gente teve um exemplo recente que se provou que não é. Se o gestor não tiver legitimidade interna, ele não consegue permanecer. Eu não tenho influência nas investigações.

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