Morte do ator Rafael Miguel por disparos feitos pelo sogro e assassinato de criança por mãe e a companheira dela têm sido usados para reforçar pautas de direita e de esquerda

São Paulo
Familiares e amigos acompanham o sepultamento dos corpos do ator Rafael Henrique Miguel e de seus pais, João Alcisio Miguel e Miriam Selma Miguel, na zona sul de São Paulo.
Familiares e amigos acompanham o sepultamento dos corpos do ator Rafael Henrique Miguel e de seus pais, João Alcisio Miguel e Miriam Selma Miguel, na zona sul de São Paulo. MARCELO GONCALVES ESTADÃO CONTEÚDO/SIGMAPRESS

Em um Brasil que permanece polarizado mesmo sete meses após as eleições presidenciais, nem mesmo os casos graves de violência — que costumam comover todo o país — têm escapado de sucumbir ao centro da disputa de narrativas ideológica travada principalmente na Internet. Nos últimos dez dias, pelo menos dois crimes foram repercutidos por políticos e ativistas em seus perfis nas redes sociais para alimentar bandeiras de direita e de esquerda. De um lado, o assassinato do ator Rafael Miguel por tiros supostamente disparados pelo sogro rapidamente se tornou argumento contra a política de liberação de armas do Governo Bolsonaro. Do outro, o assassinato do menino Rhuan — cuja própria mãe é acusada de esquartejar seu corpo e amputar seu pênis — chegou a ser associado à “ideologia de gênero” pelo deputado Eduardo Bolsonaro.

Rosana Auri da Silva Candido está sendo investigada por matar e esquartejar o filho Rhuan Maycon junto com a companheira Kacyla Priscyla Santiago Damasceno Pessoa. Elas admitiram terem praticado o crime na noite do dia 31 de maio, no Distrito Federal, enquanto a criança estava dormindo, e teriam tentado queimar as partes do corpo em uma churrasqueira da residência, onde também vivia a irmã de criação de Rhuan, de oito anos. A Polícia ainda investiga as causas do assassinato e trabalha com a hipótese de que as duas mulheres teriam matado a criança “para cortar gastos” após o corte da pensão paga pelo pai do garoto. As acusadas contaram ao Conselho Tutelar que, cerca de um ano antes do crime, Rhuan teve o pênis cortado por elas em um procedimento feito em casa porque o menino teria dito que queria ser uma garota.

O caso ganhou ampla repercussão nas redes sociais dos eleitores de Bolsonaro, que usaram o crime para criticar políticas de diversidade de gênero. Em um vídeo de pouco mais de dois minutos, o filho do presidente Jair Bolsonaro, Eduardo, comparou o espaço dado a este crime pela mídia ao tratamento aos crimes envolvendo as famílias Nardoni e Von Richthofen. “Não está tendo a mesma repercussão na imprensa, por quê? Por que um ano antes, a mãe do Rhuan e sua companheira acabaram fazendo uma cirurgia caseira de mudança de sexo, isso nas palavras dela. Ele foi bizarramente assassinado, esquartejado, mas esse crime parece que não está ecoando tanto na imprensa”, criticou. “Se você puxar um pouquinho, se raciocinar um pouquinho, você vai conseguir conectar esse caso à ideologia de gênero. Ou você não consegue conectar essa amputação de pênis com nenhum projeto da deputada Erika Kokay [PT] e Jean Willys [PSOL]?”, disparou o deputado contra dois políticos opositores de sua família.

Eduardo Bolsonaro se referia a um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados que estabelece o direito à identidade de gênero definida como cada um sente e não necessariamente ao sexo de nascimento. O projeto não dispõe especificamente sobre crianças, mas foi relacionado ao caso Rhuan pelo parlamentar para criticar as políticas de identidade de gênero, uma pauta que costuma ser atribuída à esquerda e à qual o clã Bolsonaro historicamente tem se colocado contra. O vídeo do deputado do PSL rapidamente passou a ser replicado em perfis e canais de direita nas redes sociais, dando corpo a uma narrativa contra o que eles chamam de “ideologia de gênero”.

“O que é prejudicial não é repercutir um caso como este, mas usá-lo como centro do debate sobre as políticas públicas. Não dá pra planejar uma política efetiva com base em casos individuais”, diz o sociólogo Ignácio Cano, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Segundo ele, usar casos de repercussão na disputa de narrativas ideológicas cumprem mais uma função retórica e ignoram estudos e comprovações científicas para de fato debater ações que possam evitar esses crimes e melhorar a segurança. “Há um disparo de mensagens em massa em que o importante é o número de likes, em como (a narrativa) reflete nas redes sociais e conquista a opinião pública. Isso evidencia muito mais essa disputa pela narrativa ideológica do que gera impacto sobre alguma política pública”, afirma.

Cano diz que esta é uma estratégia que tem sido amplamente utilizada no espectro da extrema direita, mas que também é uma estratégia pontual de lideranças mais alinhadas ideologicamente à esquerda. “Grupos políticos acusam o inimigo de ideologização e tudo que fazem é profundamente ideológico. Fatos como esses são usados para alavancar a ideologia quando interessa”, analisa. Um exemplo disso é o uso de outro crime grave para combater a política de armas do presidente Bolsonaro.

O ator Rafael Miguel, que interpretou o personagem Paçoca no último remake da novela Chiquititas, estava com os pais João Alcisio Miguel e Miriam Selma Miguel próximo ao portão da casa da namorada, na zona Sul de São Paulo, quando foi surpreendido por disparos feitos pelo sogro, Paulo Cupertino Matias. Eles haviam ido até o local na tarde do último domingo para conversar com a família dela sobre o relacionamento dos dois, que não seria aceito por Matias. Ao encontrá-los conversando com sua esposa, Matias começou a atirar sem dizer nenhuma palavra, informa o boletim de ocorrência registrado na polícia. Rafael e os pais morreram no local. O autor dos disparos (que já tinha passagem pela polícia por roubo, lesão corporal e ameaça) fugiu após o crime e ainda segue foragido.

Não demorou para que o caso ganhasse uma robusta repercussão nas redes sociais. Nas postagens, internautas apoiavam-se neste crime para criticar a política de liberação de armas defendida pelo presidente ultradireitista Jair Bolsonaro, antes mesmo de saber mais detalhes do crime ou a procedência da arma. “Não é todo mundo que tem estrutura emocional para ter uma arma em casa”, comentou um usuário do Twitter. “Ainda tem gente que defende a liberação de armamento pesado para a população. O povo está perdendo a noção”, opinava outro internauta, entre dezenas de postagens que em geral traziam a preocupação de casos como este. Neste caso específico, especialistas apontam que armar a população não garante redução da violência.

Para o sociólogo Ignácio Cano, o problema é que essa guerra de narrativas ideológicas que colocam casos isolados no centro do debate encontra um contexto no Brasil, mas também em outros países, de se implementar políticas públicas mais baseadas nos “achismos” e nas posições individuais do que propriamente em estudos e pesquisas que apontem a probabilidade de eficácia das medidas. “Trump, nos Estados Unidos, também segue essa lógica quando se posiciona sobre os imigrantes. São ditas coisas que nunca chegam a ser cientificamente demonstradas. Você tem autoridades públicas com um discurso que não tem nada a ver com as burocracias do estado. O importante é se você concorda ou não com determinada política”, explica. Para ele, esse tipo de estratégia, na qual se coloca casos de grande repercussão no centro do debate de políticas públicas, tem função muito mais de retórica ideológica do que de contribuir de fato para ações construtivas na área de segurança, diz.

“Segredos”, Jamelão: a voz magistral dos sambas de enredo nos desfiles de carnavais do Rio e o intérprete grandioso e imortal do samba-canção no Brasil. Aqui um dos melhores, entre muitos, para recordar com devoção e matar a saudade do insuperável Jamela. Viva!!!  

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

jun
12
Posted on 12-06-2019
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PF extrai dados de celular de Moro para investigar hacking

 

Peritos da PF foram à sede do Ministério da Justiça hoje para extrair dados do celular de Sergio Moro.

Esse processo permite obter o histórico de ligações e da utilização dos aplicativos por Moro, com o objetivo de tentar rastrear a origem dos ataques ao aparelho do ministro.

A tentativa de invasão foi informada por Moro à PF na terça-feira passada.

Após suspeitar dos ataques, o ministro trocou de celular. Foi esse aparelho antigo que teve seus dados extraídos.

A investigação está sendo coordenada pela Diretoria de Inteligência da PF.

 DO G1
 

Por Andréia Sadi

Repórter da TV Globo e da GloboNews. Cobre os bastidores da política em Brasília

 

O ministro Luiz Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou a “euforia que tomou os corruptos e seus parceiros” com a publicação pelo site The Intercept de reportagens produzidas com com base no vazamento de trocas de mensagens – extraídas de um aplicativo – entre o ex-juiz federal Sérgio Moro e o coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná, Deltan Dallagnol.

Ele fez a afirmação em entrevista ao programa Em Foco com Andréia Sadi, da Globo News.

Para Barroso, “não há nada a celebrar”. “A corrupção existiu e precisa continuar a ser enfrentada, como vinha sendo. De modo que tenho dificuldade em entender a euforia que tomou os corruptos e seus parceiros”, declarou.

Segundo as reportagens do The Intercept, quando era juiz federal e julgava os processos da Lava Jato no Paraná, Moro, atual ministro da Justiça do governo, orientou ações dos procuradores da República que atuavam na força-tarefa e cobrou de Dallagnol novas operações.

“A corrupção existiu, eu até tenho dificuldade de entender um pouco essa euforia que há em torno disso se houve algo pontualmente errado aqui ou ali”, afirmou Barroso. “Porque todo mundo sabe, no caso da Lava Jato, que as diretorias da Petrobras foram loteadas entre partidos com metas percentuais de desvios. Fato demonstrado, tem confissão, devolução de dinheiro, balanço da Petrobras, tem acordo que a Petrobras teve que fazer nos EUA”, disse.

O ministro ainda acrescentou: “ “A única coisa que se sabe ao certo, até agora, é que as conversas foram obtidas mediante ação criminosa. E é preciso ter cuidado para que o crime não compense”.

 
 
Ministros do STF comentam a divulgação de mensagens entre Moro e procuradores

Ministros do STF comentam a divulgação de mensagens entre Moro e procuradores

 

Para Barroso, os fatos ainda estão sendo apurados e, somente ao final, um juiz pode se manifestar.

“Sou juiz. Os fatos estão sendo apurados. Juiz fala ao final da apuração – e se tiver que falar, nos autos, de preferência. E não é hora de formar juízos sobre isso, ainda. Na vida, o que é certo é certo, o que é errado é errado. Formamos juízo depois da apuração”, declarou.

(CORREÇÃO: diferentemente da versão inicial deste texto, o ministro não fez, em nenhum momento, menção ao nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao ser publicado, o texto dizia que “em relação a casos de corrupção na Petrobras investigados pela Operação Lava Jato e que levaram à condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de membros do governo do PT e de dirigentes do partido, o ministro afirmou que a corrupção efetivamente existiu”. Barroso, no entanto, em nenhum momento de sua declaração fez menção ao nome do ex-presidente.)

jun
12
Posted on 12-06-2019
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DO JORNAL DO BRASIL
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente Jair Bolsonaro (PSL) manteve o silêncio sobre o vazamento de mensagens do ministro Sergio Moro e encerrou uma entrevista coletiva ao ser questionado sobre o assunto nesta terça-feira (11) em São Paulo. 

Bolsonaro finalizou abruptamente a coletiva quando uma repórter perguntou como ele avaliou “as questões envolvendo o ministro Sergio Moro”. “Tá encerrada a entrevista”, disse o presidente, depois de responder a perguntas de jornalistas sobre a reforma da Previdência. 

Macaque in the trees
Moro, Bolsonaro e Mourão (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Bolsonaro estava ao lado do governador João Doria (PSDB), com quem se reuniu em uma sala do aeroporto de Congonhas para falar sobre mudanças no sistema de aposentadorias.

Bolsonaro ainda não se manifestou sobre a troca de mensagens entre o ex-juiz Moro e o procurador Deltan Dallagnol, quando ambos atuavam na Operação Lava Jato. 

O conteúdo, divulgado no domingo (9) pelo site The Intercept Brasil, demonstra colaboração entre o então magistrado e procuradores do Ministério Público Federal envolvidos na investigação.

Bolsonaro se encontrou com Moro na manhã desta terça em Brasília, mas não comentou o caso revelado pelo site. O ex-juiz foi condecorado pelo presidente em um evento da Marinha.

Antes da solenidade, os dois conversaram por cerca de 20 minutos no Palácio da Alvorada. O encontro não estava previsto inicialmente na agenda oficial deles.

O Ministério da Justiça se pronunciou só por meio de nota, dizendo que Moro e Bolsonaro tiveram uma conversa “tranquila” sobre “a invasão criminosa” de celulares de juízes, procuradores e jornalistas.

Segundo o texto enviado pela assessoria de imprensa, “o ministro rechaçou a divulgação de possíveis conversas privadas obtidas por meio ilegal e explicou que a Polícia Federal está investigando a invasão criminosa”.

Mensagens divulgadas no domingo (9) pelo site Intercept Brasil mostram que Moro e Deltan trocavam colaborações quando integravam a força-tarefa da Lava Jato. Os dois discutiam processos em andamento e comentavam pedidos feitos à Justiça pelo Ministério Público Federal.

Após a publicação das reportagens, a equipe de procuradores da operação divulgou nota chamando a revelação de mensagens de “ataque criminoso à Lava Jato”. Também em nota, Moro negou que haja no material revelado “qualquer anormalidade ou direcionamento” da sua atuação como juiz.

A Polícia Federal tem ao menos quatro investigações abertas para apurar ataques de hackers em celulares de pessoas ligadas à Operação Lava Jato, em Brasília, São Paulo, Curitiba e Rio. Uma das suspeitas é a de que os invasores tenham conseguido acesso direto a aplicativos de mensagens dos alvos, sem precisar instalar programas para espionagem. 

O pacote de diálogos que veio à tona inclui mensagens privadas e de grupos da força-tarefa no aplicativo Telegram de 2015 a 2018.

Segundo as mensagens, Moro sugeriu ao Ministério Público Federal trocar a ordem de fases da Lava Jato, cobrou a realização de novas operações, deu conselhos e pistas e antecipou ao menos uma decisão judicial. 

Já o governo Jair Bolsonaro adotou cautela em relação ao vazamento de conversas entre o ex-juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol. A equipe do presidente quer evitar movimentos prematuros, antes que fique clara a dimensão completa do caso.

Embora aliados do presidente tenham defendido o ministro da Justiça e afirmado que Bolsonaro confia em Moro, seus auxiliares recomendaram que o presidente aguarde a revelação de outros trechos dos diálogos entre o ex-juiz da Lava Jato e integrantes da força-tarefa da operação. 

A equipe do governo, no entanto, prevê agitação no Congresso com a divulgação das conversas entre o ex-juiz e Deltan. Um assessor diz que os parlamentares certamente farão “um carnaval”.

Nas conversas privadas, membros da força-tarefa fazem referências a casos como o processo que culminou com a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por causa do tríplex de Guarujá (SP), no qual o petista é acusado de receber R$ 3,7 milhões de propina da empreiteira OAS em decorrência de contratos da empresa com a Petrobras.

O valor, apontou a acusação, se referia à cessão pela OAS do apartamento tríplex ao ex-presidente, a reformas feitas pela construtora nesse imóvel e ao transporte e armazenamento de seu acervo presidencial. Ele foi condenado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. 

Preso em decorrência da sentença de Moro, Lula foi impedido de concorrer à Presidência na eleição do ano passado. A sentença de Moro foi confirmada em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região e depois chancelada também pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).

jun
12

Projeto precisa ser aprovado nesta semana pelo Congresso para evitar prejuízos ao fluxo de pagamentos de gastos

  A Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprovou nesta terça-feira projeto que autoriza operações de crédito de 248,9 bilhões de reais em créditos orçamentários fora da regra de ouro e encaminhou a matéria para o plenário do Congresso Nacional, que pode votar o projeto ainda nesta terça.

Prioritária para o governo, a matéria precisa ser aprovada nesta semana para evitar prejuízos ao fluxo de pagamentos de gastos. Uma sessão conjunta do Congresso está prevista para esta tarde para apreciar vetos presidenciais pendentes e, com isso, poder votar o projeto de crédito extra.

Macaque in the trees
Plenário da Câmara (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou logo após a aprovação do projeto pela CMO que a matéria será votada na ordem do dia da sessão do Congresso desta tarde.

A votação do projeto na CMO foi possível graças a um acordo negociado pela líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), sob o qual o governo cedeu e concordou com demandas de parlamentares da comissão.

A oposição, que se colocava rigidamente contra o contingenciamento de recursos para a educação, garantiu a liberação de 1 bilhão de reais para a área como parte do acordo.

Joice comemorou a aprovação do projeto na CMO, argumentando que a votação sinalizou que “com diálogo a gente consegue tudo”, lembrando inclusive de outra proposta de interesse do governo a tramitar na Câmara: a reforma da Previdência.

Também foram negociados mais 1 bilhão de reais para o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, 550 milhões para as obras da transposição do Rio São Francisco e 330 milhões para bolsas coordenadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O texto aprovado nesta terça-feira por deputados e senadores da CMO prevê ainda um ajuste nas dotações destinadas à subvenção econômica no âmbito do Programa de Financiamento da Agricultura Familiar (Pronaf), remanejando 80 milhões de reais.

(Reportagem adicional de Ricardo Brito)

jun
12
Posted on 12-06-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-06-2019


 Passofundo, PUBLICADA em


Peronistas ganharam nove províncias contra apenas uma da aliança governista entre macristas e radicais. Pleitos mostram que popularidade do presidente argentino não aumenta, mas também não desaba

Juan Manzur (direita) comemora com Osvaldo Jaldo sua reeleição como governador da província de Tucumán.
Juan Manzur (direita) comemora com Osvaldo Jaldo sua reeleição como governador da província de Tucumán. TÉLAM

As eleições provinciais argentinas estão sendo claramente favoráveis ao lado peronista. Dentre as realizadas até agora, a aliança de macrismo e radicalismo só venceu uma, a de Jujuy (província no noroeste do país), enquanto a oposição venceu em nove. Mas esse é um indicador pouco confiável para as eleições gerais de outubro, porque em quase todas se reelegeu o governador já no cargo e porque o peronismo não está unido. O que parece se formar é uma eleição presidencial entre dois blocos, o de Mauricio Macri de um lado e o de Alberto Fernández e Cristina Kirchner do outro. A fraqueza das opções intermediárias pode fazer com que o primeiro turno, em 27 de outubro, já seja decisivo.

O que a eleições provinciais demonstraram até agora é que a popularidade de Macri não aumenta, mas também não desaba, e que a coalizão presidencial não tem a inserção territorial que possui o peronismo. A maior eleição provincial, a de Buenos Aires, ocorrerá em outubro, no mesmo dia da votação para presidente da República e para os parlamentares das duas Câmaras, e essa terá enorme relevância: quem ganhar em Buenos Aires, com seus mais de doze milhões de eleitores, muito provavelmente será o vencedor no país.A desconfiança em relação à atração eleitoral de Macri fez com que a maioria dos governadores, incluindo os macristas, afastasse suas datas eleitorais do 27 de outubro: não querem se ver afetados por uma possível onda de repúdio ao presidente. Buenos Aires não o fez e sua governadora, María Eugenia Vidal, disputará a reeleição junto com Macri contra o candidato kirchnerista, o ex-ministro da Economia Axel Kicillof.

Os liberais de Macri afinal conseguiram uma vitória no domingo, em Jujuy, uma das províncias mais pobres do país. O radical Gerardo Morales foi reeleito e aproveitou para pedir ao presidente que abra sua coalizão ao peronismo moderado, na convicção de que, por enquanto, os números do Cambiemos não são suficientes para uma vitória nacional.

A sequência de derrotas de Macri é grande. Em San Juan, seu candidato perdeu para Sergio Uñac, aglutinador do peronismo moderado e do kirchnerismo. Em Misiones o vencedor foi Oscar Herrera, peronista moderado. Sergio Ziliotto, outro unificador do peronismo, ganhou em La Pampa, e a capital provincial, Santa Rosa, ficou nas mãos do kirchnerista Luciano di Nápoli. Em Neuquén Omar Gutiérrez, do Movimento Popular Neuquino, teve vitória arrasadora. Em Santa Fé ganhou o socialista Antonio Bonfatti, mas as duas candidaturas peronista obtiveram mais votos. Tucumán foi para Juan Manzur, ex-ministro da Saúde de Cristina Kirchner. Em Entre Ríos venceu Gustavo Bordet, e em Río Negro, Arabela Carreras, aliada do kirchnerismo.

Na província de Córdoba, a segunda maior do país, Juan Schiaretti, peronista bem próximo a Macri, se manteve como governador. Tanto Schiaretti como o influente senador peronista Miguel Ángel Pichetto afirmaram que em um segundo turno presidencial entre Macri e Kirchner, votariam em Macri. A grande questão é se esse segundo turno ocorrerá, ou se o resultado do primeiro turno dará uma vantagem muito clara a uma candidatura para transformar em quase simbólica uma nova votação.

Os estrategistas de Mauricio Macri acreditavam que a Alternativa Federal, o bloco dos peronista moderados, obteria um bom resultado no primeiro turno e depois transportaria seus votos ao Cambiemos. Essa ajuda, somada ao repúdio a Cristina Kirchner por um amplo setor do eleitorado, deveria dar-lhes a vitória. Mas a união de Alberto Fernández, como candidato a presidente, e Cristina Kirchner, como candidata à vice-presidenta, sufocou a Alternativa Federal. E se o kirchnerismo conseguir atrair Sergio Massa, presidente da Alternativa Federal, pode sonhar com uma vitória decisiva no primeiro turno. Massa e Fernández há dias negociam e precisam de um acordo antes de quarta-feira, prazo final para o registro das coalizões eleitorais.

jun
11
Posted on 11-06-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-06-2019

Por Patrick Marques, G1 AM

Site diz que mensagens mostram colaboração entre Moro e procurador da Lava Jato

Site diz que mensagens mostram colaboração entre Moro e procurador da Lava Jato

O ministro Sérgio Moro afirmou nesta segunda-feira (10) que não deu nenhuma orientação nas mensagens trocadas com integrantes da força-tarefa da Lava Jato quando era juiz da 13ª Vara da Justiça Federal, em Curitiba. Ele disse que trechos das conversas não mostram nenhuma prática ilegal, ressaltou que os procuradores foram vítimas de invasão criminosa e que não pode assegurar que os diálogos sejam verdadeiros. Moro disse que não pode assegurar que os diálogos sejam verdadeiros.

O site The Intercept divulgou neste domingo (9) conversas no aplicativo Telegram atribuídas a Moro e a procuradores, entre eles Deltan Dallagnol, sobre alguns assuntos investigados pela Lava Jato. Segundo o site, Moro orientou ações e cobrou novas operações.

“Na verdade, já me manifestei ontem, não vi nada de mais ali nas mensagens. O que há ali é uma invasão criminosa de celulares de procuradores, não é? Pra mim, isso é um fato bastante grave – ter havido essa invasão e divulgação. E, quanto ao conteúdo, no que diz respeito à minha pessoa, não vi nada de mais”, disse o ministro após participar de evento com secretários de segurança pública em Manaus.

“Não tem nenhuma orientação, ali, naquelas mensagens. Eu nem posso dizer que são autênticas, porque, veja, são coisas que aconteceram, se aconteceram, há anos atrás. Eu não tenho mais essas mensagens, eu não guardo essas… – não tenho registro disso. Agora, ali não tem orientação nenhuma.”

 

Ministro da Justiça, Sérgio Moro, durante entrevista coletiva em Manaus — Foto: Bruno Kelly/Reuters Ministro da Justiça, Sérgio Moro, durante entrevista coletiva em Manaus — Foto: Bruno Kelly/Reuters

Ministro da Justiça, Sérgio Moro, durante entrevista coletiva em Manaus — Foto: Bruno Kelly/Reuters

Moro disse que é normal o diálogo entre as partes envolvidas nos processos. “Veja, os juízes conversam com procuradores, juízes conversam com advogados, juízes conversam com policiais, isso é algo normal.”

Questionado se influenciou no resultado da operação, o ministro afirmou: “De forma nenhuma”.

Ele também foi questionado se fez alguma sugestão de troca de fases da Lava Jato: “Olha, se houve alguma coisa nesse sentido, são operações que já haviam sido autorizadas. É uma questão de logística de ser discutido com a polícia de como fazer ou não fazer. Isto é absolutamente normal”.

Segundo o ministro, “está havendo muito sensacionalismo em cima dessas supostas mensagens”.

Os alvos dessas conversas denunciaram recentemente que tiveram seus celulares hackeados ilegalmente, o que é crime. O Intercept, no entanto, disse que obteve os diálogos antes dessa invasão. De acordo com o site, as informações foram obtidas de uma fonte anônima.

Nota divulgada por Moro no domingo

O ministro lamentou, em nota divulgada no domingo, que a reportagem do Intercept não indicasse a fonte das informações e o fato de não ter sido ouvido.

Segundo ele, no conteúdo das mensagens que citam seu nome, “não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado, apesar de terem sido retiradas de contexto e do sensacionalismo das matérias, que ignoram o gigantesco esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato”.

Vice-presidente

Hamilton Mourão, vice-presidente da República, também comentou o caso. Ele foi a primeira autoridade do governo a se manifestar.

“Conversa privada é conversa privada, né? E , descontextualizada, ela traz qualquer número de ilações. Então, o ministro Moro é um cara da mais ilibada confiança do presidente, é uma pessoa que, dentro do país, tem um respeito enorme por parte da população, haja visto aí as pesquisas de opinião que dão a popularidade dele. Em relação aos processos ocorridos na Lava Jato, todos eles passaram por primeira, segunda e alguns outros já chegaram na terceira instância. Então eu não vejo nada de mais nisso aí tudo, tá bom?”, afirmou o vice

jun
11
Posted on 11-06-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-06-2019

Segundo porta-voz, presidente quer ouvir análise de ministro antes de se manifestar oficialmente sobre vazamento de mensagens que atingem seu ministro da Justiça

O presidente Bolsonaro durante evento do Ministério da Defesa.
O presidente Bolsonaro durante evento do Ministério da Defesa. ADRIANO MACHADO REUTERS
Brasília

O presidente Jair Bolsonaro já defendeu o jogador Neymar Jr. de uma acusação de estupro, mesmo antes da conclusão das investigações. Lamentou a morte do músico MC Reaça, cantor que chamava feministas de cadelas e que se suicidou após espancar a própria amante grávida. Mas decidiu que, por enquanto, não se manifestará pessoalmente sobre as suspeitas que pesam contra o seu superministro da Justiça, Sérgio Moro, de ter supostamente usado de sua posição de magistrado para interferir na operação Lava Jato junto a procuradores.

Bolsonaro se calou nas 24 horas seguintes ao site The Intercept Brasil noticiar que o ex-magistrado da Lava Jato orientou a ação do Ministério Público e cobrou novas fases da operação. O presidente teve apenas uma agenda pública nesta segunda-feira, na qual discursou por pouco mais de dez minutos e não proferiu nenhuma palavra sobre o tema que tomou conta do noticiário nacional desde a noite de domingo.

Segundo o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, a justificativa do mandatário é que, antes de se manifestar, ele queria ouvir uma análise do próprio ministro Moro. “Em relação às notícias referentes ao vazamento de informações sobre a Operação Lava Jato, o presidente da República não se pronunciará a respeito do conteúdo de mensagens e aguardará o retorno do ministro Moro para conversar pessoalmente”, anunciou. Em nota lida no Jornal Nacional, a Secretaria de Comunicação do Governo afirmou: “Nós confiamosrestritamente no ministro Moro”, afirmou.

Moro esteve em uma série de reuniões com autoridades da área de segurança pública em Manaus (AM), cidade que testemunhou dezenas de mortes em complexos penitenciários nas últimas semanas. Na coletiva de imprensa, ele negou que tenha direcionado a ação dos procuradores e, quando jornalistas insistiram em questioná-lo, o ex-juiz abandonou a entrevista, conforme relatos do jornal Em Tempo.

O silêncio do presidente é visto como estratégico. A popularidade de Moro é maior que a do seu chefe – 61,5% contra 49,5%, conforme o Atlas Político. O apoio é tamanho que no último protesto a favor do Governo, no dia 26 passado, o ex-juiz acabou exaltado como herói, com direito a boneco inflável vestido de super-homem. A longos três anos da eleição, Moro é apontado como sucessor natural do presidente, ainda que este possa concorrer à reeleição. E Bolsonaro sabe que sua fala irá nortear seus apoiadores nas redes sociais.

Um levantamento do sistema analítico Bites constatou que, na batalha de versões, a oposição está em vantagem. “Entre os 300 artigos em português com maior repercussão em redes sociais nas últimas 24 horas, 177 tratavam do vazamento e registraram 7,3 milhões de interações no Twitter e no Facebook”, concluíram os pesquisadores.

Outro registro: a hashtag #vazajato, impulsionada pelo The Intercept chegou a 255.700 posts às 18h contra 36.200l para #euapoioalavajato, muito compartilhada entre militantes pró-Bolsonaro. Recém-chegado às redes sociais, Moro só entrou no Twitter em abril de 2019, e ainda depende de um sinal do presidente para tentar essa contraofensiva virtual. “Sem esse apoio, Moro não terá como enfrentar o tsunami digital após as denúncias do The Intercept”, concluem os pesquisadores do Bites.

Militares e políticos

Diante do silêncio presidencial, coube à ala militar de seu Governo defender o ministro Moro. Três generais falaram sobre o tema. O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) afirmou que os diálogos revelados pelo Intercept estão fora de contexto e que o presidente Bolsonaro confia no ministro. “O ministro Moro é um cara da mais ilibada confiança do presidente, é uma pessoa que dentro do país tem o respeito de enorme parte da população”.

O chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, enviou mensagem a seus amigos e aliados sinalizando que os representantes da Lava Jato foram alvos de ataques hackers ilegais. Falou que o objetivo dos vazamentos sé “macular a imagem” de Moro, “cujas integridade e devoção à Pátria estão acima de qualquer suspeita”. “Os diálogos e acusações divulgadas ratificam o trabalho honesto e imparcial dos que têm a lei a seu lado. O julgamento popular dará aos detratores a resposta que merecem”, afirmou o ministro.

Responsável pelo Ministério da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, disse que seu colega da Justiça é uma pessoa “do bem”. “O ministro Moro tem total confiança nossa. Ele é um homem de muito respeito e do bem”.

Na esfera política, as reações são diversas. Há os que pedem a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar o caso, os que tentam convocar Moro para depor na Câmara, os que o denunciaram junto ao Supremo Tribunal Federal e os que o defendem dessa artilharia. Um deles foi o deputado Capitão Augusto Rosa (PL-SP), que, como presidente da frente parlamentar da segurança pública, é o principal representante da bancada da bala. Em nota, Augusto afirmou que Moro e os procuradores da Lava Jato são as verdadeiras vítimas desse processo.

Há ainda quem acredita que os vazamentos ocorreram para prejudicar o andamento da reforma da Previdência. Isso foi o que o ministro Paulo Guedes relatou a conselheiros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que se reuniram em Brasília nesta segunda-feira. Se na semana que passou ninguém no Brasil se esquivava de opinar no caso Neymar-Najila, na semana que começa é o caso Moro-Dallagnol que estimula os brasileiros a se manifestar. A única exceção, até o momento, é o presidente Bolsonaro.

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