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Brasília
Gustavo Bebianno antes de reunião com o ministro Sérgio Moro, em Brasília, no dia 14 de janeiro
Gustavo Bebianno antes de reunião com o ministro Sérgio Moro, em Brasília, no dia 14 de janeiro Valter Campanato Agência Brasil

 

Gustavo Bebianno passou de estratégico dirigente da campanha de Jair Bolsonaro a cambaleante ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República em apenas poucos dias. No comando do governista PSL quando supostas candidatas-laranja receberam verba pública na campanha eleitoral, Bebianno estava na berlinda e isso por si só já era uma dor de cabeça para a gestão. Mas, ao entrar na linha de ataque de um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, o vereador carioca Carlos, o ministro acabou ganhando apoio de integrantes do núcleo militar do Governo, de parlamentares do PSL e até do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Todos têm um ponto comum: estão preocupados com a escalada da crise –quando o Planalto apenas dá os primeiros passos na reforma da Previdência– e com o tamanho da influência da prole do mandatário nos destinos do Governo.

Durante toda a quinta-feira, nos bastidores do poder em Brasília, a principal discussão era sobre o momento em que Bebianno seria demitido pelo presidente –até a conclusão desta reportagem, isso não havia acontecido. Nesta quinta-feira, o ministro passou boa parte do dia no hotel onde mora, em Brasília. Não foi recebido por Bolsonaro, que ainda se recupera da cirurgia para a retirada da bolsa de colostomia. O presidente recebeu apenas um grupo de ministros e assessores no Palácio da Alvorada para tratar quase que exclusivamente da reforma da Previdência que enviará ao Congresso Nacional nos próximos dias.

Sempre que indagado se pediria demissão, Bebianno disse que não o faria. Como alguém que acompanhou de perto a trajetória do presidente, soou como quem enviava recados. Ao jornal O Estado de S. Paulo, provocou: “O que chamam de inferno, eu chamo de lar”. À revista eletrônica Crusoé, negou qualquer irregularidade nos repasses às candidatas do PSL, disse que não é moleque para ficar debatendo assuntos como esse na rede social e que Bolsonaro deve estar com medo de receber algum “respingo” da crise. “Não sou moleque e o presidente sabe. O presidente está com medo de receber algum respingo. Ele foi um mero candidato. Ele não participou da Executiva, ele não tinha mando no partido. Ele não tem responsabilidade nenhuma”.

A crise na qual se viu envolvido começou com as supostas candidaturas laranjas do PSL no período em que ele presidia interinamente o partido a mando de Bolsonaro. E chegou ao ápice – ao menos por enquanto – quando Carlos o chamou de mentiroso pelo Twitter e acabou replicado pelo seu pai. Seu processo de fritura pública começou na quarta-feira. O então ministro havia dito à imprensa que tinha conversado três vezes por telefone com Bolsonaro no período em que ele estava internado. O vereador entendeu que ele tinha tratado com o presidente sobre o suposto laranjal do PSL e quis afastar esse vínculo de uma possível irregularidade da campanha de seu pai. Carlos, então, publicou um áudio que Bolsonaro teria enviado a Bebianno em que ele se nega a atender seu assistente. Essa foi umas das mensagens replicadas pelo próprio Bolsonaro ainda na quarta. Mais tarde, em entrevista à TV Record, foi o presidente que chamou seu auxiliar de mentiroso e que, caso tivesse cometido algum erro, ele poderia “voltar às origens”.

Aproximação e defesas

Advogado de formação, Bebianno trabalha com Bolsonaro há apenas dois anos. Sua aproximação célere do presidente se deu um pouco antes da campanha eleitoral e sempre foi questionada por Carlos. Ambos chegaram a disputar quem comandaria a comunicação do Governo. Por fim, oficialmente, nenhum dos dois ficou com a máquina na mão. A Secretaria de Comunicação é hoje vinculada à Secretaria de Governo, ministério sob a batuta do general Carlos Alberto dos Santos Cruz. Na prática, contudo, é Carlos quem administra as redes sociais de seu pai.

Colocado como presidente interino do PSL de janeiro do ano passado até as eleições, cabia a Bebianno as decisões estratégicas da campanha. Ele foi o responsável por levar negociar a ida do então presidenciável ao partido ao invés de ir para o Patriota, com quem estava negociando antes de ser oficializado concorrente.

Se a queda de um ministro da cozinha do Planalto com menos de dois meses de Governo já preocupava governistas, a participação de Carlos Bolsonaro no episódio acendeu de vez os alertas. Desde antes mesmo da posse, o braço militar do Governo Bolsonaro tenta afastar a influência dos filhos dele na gestão. A questão ficou explícita nesta quinta-feira, quando, em entrevista à agência Reuters, o vice-presidente, o general Hamilton Mourão, disse que o presidente vai dar uma ordem aos seus filhos. “A minha visão é que estamos num momento de acomodação. Também tem que ser levado em conta que o presidente vem passando por uma série de problemas de saúde. É óbvio que isso deixa a pessoa numa situação mais frágil. Agora está voltando sem a preocupação de ter de fazer mais cirurgias, de correr riscos, então eu acredito que ele vai dar uma ordem unida aí nessa rapaziada”.

No Congresso, alguns dos representantes do PSL e outros aliados, como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), queixaram-se da postura de Carlos e dessa interferência familiar em assuntos de Estado. “A impressão que dá é que o presidente está usando o filho para pedir para o Bebianno sair. E ele é presidente da República, não é? Não é mais um deputado, ele não é presidente da associação dos militares”, reclamou Maia ao portal G1. “Ele tem que comandar a solução, e não pode, do meu ponto de vista, misturar família com isso porque acaba gerando insegurança.”

Um outro que reclamou foi o líder do PSL no Senado, major Olímpio Gomes. “Carlos é um amigo. Eu o respeito. Algumas atitudes podem ser tomadas de filho em relação ao pai. É simplesmente ajustar a sintonia e se distinguir o que é a defesa, uma manifestação em função do pai, e quais são as atividades, as competências e o tamanho da responsabilidade da presidência”, afirmou. Já a oposição, segue na clara tentativa de constranger o Governo. Nesta semana, representantes de dois partidos opositores, PSOL e PCdoB, apresentaram requerimento de convocações de ministros e entraram com representações junto à Procuradoria-Geral da República.

Indícios de candidatura de fachada

O esquema de candidaturas laranjas do PSL foi revelado pelo jornal Folha de S. Paulo. Em reportagens publicadas nas últimas duas semanas, há indícios de que, enquanto o partido era presidido interinamente por Bebianno, ao menos três mulheres de Minas Gerais e de Pernambuco, sem nenhuma expressão ou militância política, teriam se candidatado a cargos de deputada estadual e federal apenas para compor a cota de 30% obrigatório definido pela legislação eleitoral. Essas candidaturas laranjas são consideradas um delito, pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Os contornos negativos foram amplificados quando se revelou que recursos públicos foram investidos nessas campanhas, por meio do fundo partidário. Uma delas, a de Maria de Lourdes Paixão, recebeu 400.000 reais provindos do diretório nacional, dirigido por Bebianno. A maior parte desse valor foi gasta em uma gráfica aparentemente de fachada. Outra concorrente, Érika Siqueira Santos, recebeu 250.000 reais, da mesma maneira. Os valores estão entre os maiores repasses do partido. No caso de Paixão, ela recebeu mais recursos que o próprio presidente e que a deputada federal mais votada do país, Joice Hasselmann. Nenhuma delas se elegeu. Paixão teve 274 votos para a Câmara. Érika, 1.315 para a Assembleia Legislativa de Pernambuco.

Além das duas candidaturas laranjas, também há suspeita de que algo similar tenha acontecido em Minas Gerais, onde o partido é comandado pelo deputado federal e ministro Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG). Todos esses esquemas passaram a ser investigados pela Polícia Federal.

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15
Posted on 15-02-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-02-2019

De acordo com o secretário de Previdência Social, Rogério Marinho, Jair Bolsonaro ‘bateu o martelo’

O secretário de Previdência Social, Rogério Marinho, afirmou nesta quinta-feira (14) que a proposta do governo para a reforma da Previdência determinou que a idade mínima de aposentadoria para homens será de 65 anos e, para mulheres, de 62 anos. Estas idades serão adotadas após o período de transição de 12 anos. Marinho destacou que esse foi um meio termo encontrado após uma discussão de quase duas horas entre a equipe econômica e o presidente, no Palácio da Alvorada.

Macaque in the trees
Rogério Marinho (Foto: Reprodução de TV)

Bolsonaro queria uma idade mínima de 60 anos para mulheres e 65 anos para homens e uma transição mais longa. Já a equipe do ministro Paulo Guedes defendia idades mínimas iguais em 65 anos para ambos os gêneros e uma transição mais curta, de 10 anos. Segundo Marinho, os detalhes da proposta só serão divulgados na próxima quarta-feira, dia 20, quando o texto será finalmente enviado ao Congresso Nacional. No mesmo dia, o presidente Bolsonaro fará um pronunciamento à nação para explicar a proposta.

Antes disso, a proposta precisa passar por diferentes instâncias dentro do governo para verificar sua adequação jurídica e constitucionalidade. É por isso que o secretário especial informou que ainda pode haver alguma outra mudança na semana que vem, caso os órgãos jurídicos do governo apontem essa necessidade.

Marinho evitou cravar qual será o impacto obtido com a reforma que foi decidida por Bolsonaro. Quando questionado sobre a fala de Guedes de que a proposta precisaria garantir uma economia de R$ 1 trilhão, ele respondeu: “Se o ministro disse…”

O secretário especial fez questão de ressaltar que Bolsonaro vinha sendo atualizado constantemente das discussões em torno da proposta, a não ser o tempo em que ficou internado. A reunião desta quinta ocorre um dia após o presidente receber alta médica e retornar a Brasília.

DO BLOG O ANTAGONISTA

Fraude no Senado: “Talvez tenha sido uma brincadeira irresponsável, não sei”

Por Diego Amorim

O senador Chico Rodrigues, do DEM de Roraima, considera a fraude na eleição para presidente da Casa “algo extremamente irresponsável e reprovável”.

Ele disse que compreende o clima de indignação, mas, em conversa com O Antagonista, quis deixar claro que o episódio não interferiu no resultado da disputa.

“O voto iria mudar o resultado? Não. Talvez tenha sido uma brincadeira irresponsável, não sei. O gesto, claro, é reprovável. Só que o Senado tem tantas coisas grandes para cuidar. Não vejo razão para jogar esse caso para o Conselho de Ética, abrir sindicância, essas coisas.”

Você já descobriu

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15
Posted on 15-02-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-02-2019


 

Simanca, no

 

Washington

Donald Trump planeja firmar o pacto de financiamento que legisladores democratas e republicanos alcançaram e que não atende sua grande exigência — 5,7 bilhões de dólares (cerca de 21,22 bilhões de reais) para começar a construir o polêmico muro ao longo da fronteira com o México —, mas logo em seguida declarará uma emergência nacional, o que lhe permitiria construir o muro com recursos destinados ao combate às catástrofes naturais. Isso foi anunciado na tarde de quinta-feira pelo líder republicano no Senado, Mitch McConnell. Assim, o presidente evita a grande fratura política que seria mais um fechamento parcial do Governo — por falta de consenso sobre o financiamento — e evita outra junto às suas bases: ceder em relação à promessa principal dessa barreira.

Donald Trump, nesta quarta-feira em Washington.

 Ampliar foto Donald Trump, nesta quarta-feira em Washington. Susan Walsh AP

O que o Congresso norte-americano discute há meses é um amplo acordo de financiamento da Administração para o restante do ano, mas os recursos destinados à segurança das fronteiras se tornaram desde o início o centro da batalha, por conta do braço de ferro de Trump pelo muro, promessa principal de sua campanha eleitoral. A disputa impediu o acordo sobre o orçamento em dezembro e, devido à paralisação dos recursos, desencadeou o mais longo fechamento parcial do Governo da história. O país mais rico do mundo teve de funcionar a meio gás durante mais de um mês, com centenas de milhares de funcionários públicos sem receber, porque seus legisladores não entravam em um acordo. O presidente cedeu no dia 26 de janeiro e abriu uma trégua que terminou em um pacto entre os legisladores.

Uma vez votado na Câmara dos Representantes e no Senado, o que está previsto para esta quinta-feira, e depois assinado por Trump, outro fechamento terá sido evitado. Mas uma nova frente se abre. A declaração de emergência nacional, se confirmada, pode provocar uma batalha nos tribunais sobre sua justificativa. Trump alega uma situação de crise por causa do fluxo migratório que não se sustenta pelos números. A Constituição dos EUA estabelece que nenhum dinheiro pode ser desviado do Tesouro se não for com uma lei do Congresso, mas o presidente pode recorrer aos seus poderes especiais em casos de crise.

A obtenção do acordo dos legisladores, sobre uma das questões mais espinhosas da atualidade política, havia dado esperança de uma maior colaboração bipartite, apesar da polarização da situação política. Houve outros sinais recentemente: na terça-feira o Senado aprovou por maioria quase absoluta o maior plano de proteção de áreas naturais em uma década, o que significa a criação de mais de 1,3 milhão de acres (526.000 hectares) de solo protegido, e em dezembro foi aprovada a reforma da Justiça mais relevante em décadas, também por uma esmagadora maioria. O risco, no entanto, está agora na Casa Branca.

O acordo do Congresso está a anos-luz de distância do que Trump exigia em relação ao seu tão falado muro com o México. O custo global da construção é de cerca de 25 bilhões de dólares (cerca de 93 bilhões de reais) e o que o presidente republicano reclamava neste pacote legislativo era uma remessa de 5,7 bilhões para começar. No final, foi concedido 1,375 bilhão de dólares para 88 quilômetros de “cercas” e “barreiras”, mas sem menção alguma ao muro de concreto que prometeu.

A busca de vencedores e vencidos nesta batalha pode se tornar uma questão de vocabulário se esses milhões em cercas podem ser considerados uma primeira peça desse muro, mas estes já figuravam na oferta de dezembro, que os republicanos e Trump rejeitaram categoricamente.

Na terça-feira, assim que foram divulgadas as linhas mestras do acordo, Trump se mostrou derrotado. “Não posso dizer que estou contente”, disse à imprensa na Casa Branca. À noite, no entanto, reorientou a situação, apesar de não confirmar se assinaria ou vetaria o pacto. “O senador Richard Shelby, que é muito trabalhador, acaba de me expor o conceito e os parâmetros do acordo de segurança de fronteira. Analisando todos os aspectos e sabendo que a isto se juntará muito dinheiro de outras fontes, teremos quase 23 bilhões de dólares para a segurança das fronteiras. Independentemente do dinheiro para o muro, ele está sendo construído enquanto falamos”, escreveu no Twitter. Mas com o passar das horas e as críticas dos setores mais duros do trumpismo, parece convencido de recorrer à emergência nacional.

Para além do 1,375 bilhão em cercas, o plano prevê melhorias na vigilância na fronteira, mais agentes para patrulhar e ajuda para os migrantes sem documentos detidos. Além disso, mantém a polícia de imigração, que os democratas mais progressistas querem abolir, embora contenha seu orçamento, numa tentativa de reduzir o número de retidos.

As canções românticas do coração de Bibi, em performance histórica, inesquecível e insuperável: 

“Em 06/01/92, foi ao ar pela TV Globo o especial “Bibi In Concert”, gravado no Teatro João Caetano, no Rio, em homenagem aos 50 anos de carreira de Bibi Ferreira. Ainda no primeiro bloco do programa, a artista, acompanhada da Orquestra Sinfônica Brasileira sob regência de Henrique Morelembaum, apresentou este pot-pourri romântico. Aparecem: “Boa Noite Amor” (José Maria de Abreu/Francisco Mattoso), “Apelo” (Baden Powell/Vinicius de Moraes), “Eu Sei Que Vou Te Amar” (Tom Jobim/Vinicius de Moraes), “Ouça” (Maysa), “Ninguém Me Ama” (Antônio Maria), “Demais” (Tom Jobim/Aloysio de Oliveira). “Bibi In Concert” teve direção de Augusto Cesar Vanucci.”

Para aplaudir de pé e lembrar eternamente de Bibi Ferreira.

ADEUS!!!

(Vitor Hugo Soares)

Morre Bibi Ferreira
Bibi Ferreira, durante uma apresentação. Divulgação/William Aguiar
Joana Oliveira
  

Bibi Ferreira, atriz, cantora e compositora que fez história nos musicais brasileiros, morreu nesta quarta-feira, 13 de fevereiro, aos 96 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pelo empresário da artista e por sua família, que acredita que Bibi morreu dormindo.Fruto de uma família profundamente ligada ao circo e ao teatro —seu pai era o ator Procópio Ferreira, um dos maiores nomes das artes cênicas do país, e sua mãe era a bailarina espanhola Aída Izquierdo (também apelidada Bibi)—, a artista estreou nos palcos já aos 24 dias de vida, no espetáculo Manhãs de Sol, com a madrinha Abigail Maia, substituindo uma boneca de pano. Desde então, não deixou os holofotes. Aos três anos, animava os entreatos dos espetáculos da companhia de teatro da mãe, a Velasco.

 A estreia profissional chegou aos 18 anos, depois de uma infância de aulas de ópera, piano e violino, além de uma temporada no Corpo de Baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, dos sete aos 14 anos. Em 1941, atuou ao lado do pai em La Locandiera, peça de Carlo Goldoni. Apenas um ano depois, fez história ao montar sua própria companhia e tornar-se uma das primeiras mulheres a dirigir teatro no Brasil, com a obra Fizemos Divórcio, em que conduziu o próprio pai em cena. Nessa época, trabalhou com nomes como Cacilda Becker, Maria Della Costa e a diretora francesa Henriette Morineau.

Bibi Ferreira levou muitos dos artistas com quem trabalhou no teatro para a televisão em 1960, quando inaugurou a TV Excelsior com o programa Brasil 60. Também apresentou Bibi sempre aos domingos e, em 1968, estrelou o musical Bibi ao vivo, transmitido direto do auditório da Urca. Pouco depois, realizou os papeis que marcaram sua carreira: My fair lady (Minha Querida Dama), de Frederich Loewe e Alan Jay Lerner, e Hello, Dolly!,  versão da obra The matcmaker, de Thornton Wilder, com Hilton Prado e Lísia Demoro.

A artista também foi responsável por um dos maiores sucessos do Canecão, ao dirigir o espetáculo Brasileiro, profissão esperança, inspirado na obra do compositor Antonio Maria e protagonizado por Paulo Gracindo e Clara Nunes.

Ganhadora do Prêmio Molière, em 1975, por interpretar Joana em Gota D’água, de Paulo Pontes e Chico Buarque —montagem que ambientava a tragédia Medeia em um morro carioca—, Bibi também eternizou a fadista Amália Rodrigues em Bibi vive Amália, nos anos 2000. Também se apresentou acompanhada por orquestra e coral os recitais Bibi in concert e Bibi in concert pop.

Morre Bibi Ferreira
Bibi Ferreira no espetáculo ‘Brasil 79’, em 1979. Acervo TV Globo
 O momento mais bonito da sua carreira ocorreu, quiçá, em março de 2018, aos seus 95 anos, quando fez o público de Brasil, Portugal e Estados Unidos se emocionar ao cantar chorando músicas de Edith Piaf (em Bibi canta Piaf). A interpretação foi considerada “perfeita e cuidadosa” pelos críticos e lhe rendeu os prêmios Molière, Mambebe, Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) e Pirandello. Em setembro do mesmo ano, a diva dos musicais foi obrigada a fazer o que dizia nunca ter imaginado na vida: despedir-se dos palcos. Ao explicar seu afastamento, disse, em um breve comunicado no facebook: ”Entender a vida é ser inteligente”.

Após a notícia de seu falecimento, diversos companheiros do meio artístico manifestaram tristeza e gratidão pela artista que contribuiu para que o que era considerado um sub-ofício das artes se transformasse em uma profissão de lendas vivas. “Foi-se a imensa Bibi Ferreira. Devo a ela meu primeiro encantamento com o palco assistindo sua performance em Alô, Dolly quando era um menino de oito anos. Obrigado por tudo, mas principalmente obrigado por honrar o palco sempre”, escreveu o ator e diretor Miguel Falabella.

Em entrevista a EL PAÍS em agosto de 2018, Fernanda Montenegro afirmou que Bibi era sua “raíz”. “No momento, embora com 97 anos, Bibi Ferreira é a grande mulher, a grande atriz, a grande produtora, a grande artistas dos palcos desse país. Não sou eu. É nela que eu me espelhei quando eu tinha 15 ou 20 anos. Além dela, Dulcina de Moraes. Mas Bibi trabalhou até 95 anos e é também uma cantora extraordinária, uma mulher de palco absoluta”, disse a atriz.

“Ô meu Deus! Que dia triste para o Brasil! Brilhe sempre, Estrela Bibi”, disse Elza Soares em seu conta no Instagram. A também cantora Alcione afirmou que “perdemos a maior personalidade do teatro brasileiro”, enquanto a atriz Zezé Motta disse que não consegue “imaginar o mundo e os palcos” sem pessoas como Bibi.

“Acabamos de perder a grande dama do Teatro Brasileiro. Bibi abrilhantou nossos palcos com seu talento e sabedoria, foi uma atriz, cantora e diretora única em seu entendimento da arte teatral, em seu olhar sobre a humanidade, com a força e o mistério do amor, da entrega e dedicação ao ofício da interpretação. Todos nós aprendemos com ela e a reverenciamos. Vai continuar brilhando no céu de nossa memória. Nos palcos e na vida nosso amor e gratidão eternas! Bravos Bibi”, publicou a atriz Beth Goulart.

Bolsonaro chega a Brasília e saúda Mourão.

 Bolsonaro chega a Brasília e saúda Mourão. Marcos Correa AP
Brasília

Após 17 dias afastado do centro do poder político, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) teve alta hospitalar e desembarcou nesta quarta-feira em Brasília com algumas bombas a desarmar. A principal delas é a crise provocada pelos indícios de que seu partido, o PSL, usou candidaturas-laranja na eleição e o mal-estar com o seu ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, que comandava a sigla durante a campanha. Bolsonaro endossou críticas públicas a Bebianno feita por um de seus filhos, o vereador Carlos Bolsonaro. A conta oficial do Twitter do mandatário replicou a mensagem de Carlos que chamava o ministro, até então um dos homens-fortes do Planalto, de “mentiroso”. Depois, o próprio Bolsonaro disse o mesmo em entrevista à TV Record.

“É mentira”, disse o presidente na entrevista ao canal de TV, negando ter conversado com seu ministro a respeito da crise enquanto ainda convalescia de uma operação intestinal no hospital Albert Einstein, em São Paulo. Bolsonaro não anunciou, no entanto, que Bebianno deixaria o cargo. O mandatário disse ter ordenado à Polícia Federal que investigue os casos suspeitos no PSL. “Se for verdade (a existência de candidaturas-laranja), (Bebianno) não tem outro caminho a não ser retornar às suas origens”, seguiu.

Advogado de formação, Bebianno se aproximou de Bolsonaro há apenas dois anos. Em 2018, a pedido do então pré-candidato a presidente, assumiu interinamente o comando do PSL no período eleitoral, quando ao menos três candidaturas aparentemente fictícias foram lançadas pela legenda. Uma delas, a de Maria de Lourdes Paixão (PSL-PE), abocanhou 400.000 reais do fundo partidário, que é composto de dinheiro público. Outra, de Érika Siqueira Santos (PSL-PE), recebeu 250.000 reais, autorizados pelo hoje ministro. Os casos foram revelados pelo jornal Folha de S. Paulo.

O incômodo político-familiar cresceu depois que o ministro afirmou à imprensa que tinha conversado com Bolsonaro sobre as candidaturas-laranjas na terça-feira, quando ele ainda estava internado. Em um aparente movimento para blindar o pai do desgaste do escândalo, Carlos, usou suas redes sociais para dizer que Bebianno mentiu. “É uma mentira absoluta de Gustavo Bebbiano (sic) que ontem teria falado 3 vezes com Jair Bolsonaro para tratar do assunto citado pelo Globo e retransmitido pelo Antagonista.”

Em mais um ineditismo de um Governo que orbita nas redes sociais, o vereador ainda publicou no Twitter um áudio no qual o presidente diz que não iria conversar com Bebianno naquele dia. “Ô Gustavo, complicado de conversar, ainda. Eu não vou falar, não vou falar com ninguém, a não ser estritamente o essencial. Estou em fase final de exames para possível baixa hoje. , ok? Boa sorte, aí”, diz a gravação.

 

Horas depois, o presidente replicou as mensagens de Carlos.  Já em Brasília, seguiu para o Palácio da Alvorada e não teve agenda pública. Bebianno, por sua vez, também não participou de eventos públicos nem respondeu às perguntas da reportagem, por telefone e por e-mail, sobre o tema.

Desgaste na base

Mesmo antes da entrevista da TV Record ir ao ar, entre assessores da presidência e alguns aliados do Governo a demissão de Bebianno era dada como quase certa. No plenário da Câmara, o deputado federal Alexandre Frota (PSL-SP) queixou-se das críticas que a legenda vem recebendo. “A maioria dos partidos de esquerda que subiram aqui [na tribuna da Câmara] falou que o PSL é um partido de laranjas. O PSL não é um partido de laranjas”. Disse ainda que ninguém será protegido pelo Governo, caso cometa alguma irregularidade. “Qualquer secretário, deputado, ministro envolvido em qualquer coisa, essa laranja podre vai cair.”

Outra parlamentar que atua na linha de frente de Bolsonaro, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), reclamou das postagens de Carlos. “Não pode se misturar as coisas. Filho de presidente é filho de presidente. Temos que tomar cuidado para não fazer puxadinho da Presidência da República dentro de casa para expor um membro do alto escalão do governo dessa forma”.

O chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), amenizou a crise e defendeu seu colega na esplanada dos ministérios. “Ajustes nas relações são normais. Temos 40 dias de Governo. O presidente ficou quase 20 hospitalizado. Temos de ter calma. O ministro Gustavo Bebianno é uma pessoa superdedicada ao projeto, é um homem sério, responsável, correto”.

Opositor de Bolsonaro no Congresso, o PSOL apresentou um requerimento pedindo a convocação dele para prestar esclarecimentos na Câmara e uma representação criminal na Procuradoria-Geral da República.

Outras bombas a desarmar e Mourão

Se não bastasse a crise de seu partido, Bolsonaro terá nos próximos dias de resolver problemas pontuais e não tanto nas mais diversas áreas. Na econômica, terá de dar encaminhamento à sua reforma da Previdência – escolhendo qual proposta será enviada ao Congresso até o dia 20. Na entrevista à Record, ele prometeu “bater o martelo” sobre a questão na tarde desta quinta-feira. Terá também de conter uma queda de braço entre os ministros Paulo Guedes (Economia) e Tereza Cristina (Agricultura), que não se entenderam sobre a taxação de leite que é importado pelo Brasil. A taxa caiu. Depois da reclamação da bancada ruralista, voltou.

Ainda na relação com o Congresso, o presidente terá de deter as críticas feitas ao seu inexperiente líder na Câmara dos Deputados, o major Vitor Hugo (PSL-GO), um parlamentar em primeiro mandato. Com Bolsonaro hospitalizado, ele tentou reunir os líderes do partido aliado, não conseguiu. Tem sido vítima até de fogo amigo do PSL. Deputados entendem que era necessário ter alguém mais experiente no trato com os colegas. Por ora, o presidente deverá mantê-lo na função.

Já no Senado, o presidente também está em busca do líder de seu Governo. A ideia é que seja algum político fora do PSL. O nome ventilado até agora é o de Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE). Dois fatores pesam contra ele, no entanto, ser do MDB e aliado de Renan Calheiros (MDB-AL), o cacique que foi derrotado por Davi Alcolumbre (DEM-AP) na disputa pela presidência do Senado. Ainda falta definir também o líder do Governo no Congresso. Segundo o ministro Onyx, os nomes serão levados a Bolsonaro neste fim de semana e devem ser anunciados em breve.

Na entrevista à TV Record, o presidente acrescentou ainda um item na agenda de arestas: afinar os ponteiros com o vice-presidente, Hamilton Mourão. Ele afirmou que o vice dá “escorregadas” ao falar com a mídia, mas frisou que há harmonia entre os dois.

Collor sobre pacote do Moro: “Em vez de enfraquecer o crime organizado, as medidas acabarão por fortalecê-lo”

 

Fernando Collor de Mello ocupou a tribuna do Senado, há pouco, para fazer duras críticas ao pacote anticrime de Sergio Moro.

“Diante da violência e da insegurança cotidianas, é certamente uma referência polêmica, equivocada e, sobretudo, incompleta”, disse, no início do discurso.

“Em vez de enfraquecer o crime organizado, as medidas propostas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública acabarão por fortalecê-lo. Trabalharão em favor da criminalidade ao lotar presídios com militantes que permitirão aos grupos criminosos ampliar sua atuação”, acrescentou.

A quem interessar, AQUI está a íntegra da fala do senador.

Pela manhã, esse mesmo Collor preocupado com o pacote de Moro prestou depoimento no STF, como registramos:

Do  Jornal do Brasil

O vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PSC), filho do presidente Jair Bolsonaro, escreveu no Twitter que o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, mentiu ao afirmar que teria conversado três vezes com o presidente na terça-feira, 12.

Em entrevista ao jornal ‘O Globo’, Bebianno negou ser motivo de instabilidade no governo após a repercussão de uma publicação da ‘Folha de S.Paulo’, que informa que o PSL, partido do presidente, teria financiado uma candidatura laranja no Pernambuco em outubro de 2018. Bebianno era o presidente da sigla na época.

“Falei três vezes com o presidente”, disse Bebianno. Carlos, que diz ter estado 24 horas ao lado de Bolsonaro, desmentiu o ministro: “É uma mentira absoluta de Gustavo Bebbiano que ontem teria falado 3 vezes com Jair Bolsonaro para tratar do assunto citado.”

Posteriormente, Carlos publicou um áudio aonde o presidente afirma repetidamente que só falaria o essencial ao telefone.

De acordo com a publicação do jornal ‘Folha de S.Paulo’, Bebianno teria sido responsável pela liberação R$ 250 mil de verba pública para a campanha de uma ex-assessora, que repassou parte do dinheiro par uma gráfica registrada em endereço de fachada. A gráfica teria sido a mesma usada pela candidata Maria de Lourdes Paixão, que diz ter repassado R$ 380 mil à empresa.

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