Do  Jornal Nacional
 

 

Segundo a polícia, decisão foi tomada apenas depois de encerradas as negociações com o criminoso. Mãe do sequestrador foi amparada pelo pai de uma refém.

 
Comandante do Bope deu sinal verde para atirador alvejar sequestrador de ônibus no RJ

Comandante do Bope deu sinal verde para atirador alvejar sequestrador de ônibus no RJ

Quem deu o sinal verde para atirar foi o comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), segundo a polícia, só depois de encerradas as negociações com o sequestrador.

Foi um momento doloroso demais. A mãe do sequestrador passou mal na porta da delegacia e foi amparada, consolada, pelo pai de uma das reféns.

“A gente não quer isso para ninguém, a gente tem que respeitar todos os lados, mas, naquele momento, não tinha muito o que fazer. Graças a Deus, com a minha filha correu tudo bem. A gente tem que tentar respirar. Ainda não respirei tranquilo, não”, disse Paulo Cesar Leal, pai de uma refém.

Os investigadores sabem que William Augusto da Silva agiu de forma premeditada, mas ainda tentam entender o motivo do sequestro.

“Ele se comunicou com a família no sentido de que queria acabar coma própria vida e, talvez, tenha tomado essa atitude querendo esse objetivo”, afirmou o delegado Antônio Ricardo Nunes.

William planejou detalhes: levou lacres de plástico para amarrar as mãos dos reféns, instalou armadilhas dentro do ônibus, uma espécie de varal com garrafas cheias de gasolina e, enquanto isso, obrigou uma passageira a segurar a arma que todos pensavam ser de verdade.

“Ele vinha fazendo alguns procedimentos, alguns contatos, alegando que iria se matar, que iria se jogar da ponte com refém, poderia atear fogo, pediu dinheiro para tentar, se não ia matar dez reféns. Então, ele estava com um perfil difícil de manter uma negociação para que acabasse com todos bem”, disse o comandante do Bope, tenente-coronel Maurílio Nunes.

O comandante do Bope afirmou ter seguido todos os protocolos, inclusive internacionais, na operação de resgate. Uma psicóloga da polícia esteve no local e analisou o perfil do sequestrador.

“Ela traçou o perfil dele pela negociação, ela fez entrevista com as vítimas que tinham sido retiradas do recinto. Ela fez entrevista com familiares dele, inclusive já vinham falando que ele estava em surto psicótico”, afirmou o comandante do Bope.

O comandante do Bope disse que autorizou os tiros quando não conseguiu mais negociar.

“A partir do momento que ele cessa o contato direto com o meu negociador, a negociação passa ser tática. A negociação tática é com atiradores posicionados, eles tinham a possibilidade de, na melhor oportunidade que evitasse maiores danos colaterais, efetuar disparos para preservar as vidas que estavam dentro daquele ônibus”.

Quatro atiradores de elite do Bope ocuparam pontos estratégicos. O policial em cima do caminhão dos bombeiros foi um dos que atiraram. A distância era de cerca de 80 metros.

Segundo a polícia, no momento dos tiros, William Augusto da Silva estava com um isqueiro na mão. Médicos do hospital para onde William foi levado disseram que há seis perfurações no corpo dele: duas no peito, uma na barriga e também nos braços e na perna esquerda.

O sequestrador, de 20 anos, não tinha antecedentes criminais.

Os passageiros do ônibus da linha 2520 não vão esquecer esta terça-feira. Dizem que as primeiras palavras do sequestrador vão ecoar para sempre na cabeça deles.

“Ele perguntou se a gente lembrava do filme 174, eu acho que é isso, e falou que ia fazer algo parecido, que ele queria parar o estado e foi isso”, conto a refém Rafaela.

Faz quase 20 anos e o sequestro do ônibus 174, na Zona Sul do Rio, ainda está na memória de muita gente. Um homem armado fez os passageiros reféns. Ameaçava as vítimas a todo momento.

Mas, ao contrário da ação desta terça, o desfecho foi trágico. O bandido abriu a porta e desceu usando uma refém como escudo.

A passageira Geísa Gonçalves morreu baleada pelo assaltante e o criminoso, Sandro do Nascimento, também terminou morto, asfixiado dentro de um carro da Polícia Militar.

Paulo César Storani, especialista em segurança, ex-integrante do Bope, disse que, naquela época, decisões políticas prevaleceram, ao contrário do que aconteceu nesta terça.

“Na verdade, consolidou aquilo que já era previsto. Então, estabelecendo as equipes, melhorando o processo de treinamento, fazendo com que o perfil fosse mais adequado, demonstra o amadurecimento das instituições policiais porque todas aquelas que se envolveram fizeram o que tinha que ser feito”.

Outro especialista em segurança pública, José Ricardo Bandeira, defendeu o uso de atiradores de elite em situações muito específicas, como a desta terça.

“Foi usado depois de muito tempo um atirador, um sniper para abater o criminoso. É um crime com reféns, uma situação isolada. Dentro dessa situação isolada, a polícia foi exemplar em sua missão”.

“Olha eu aqui”. Evinha: olha ela aí de novo na trilha sonora do Bahia em Pauta, com seu estilo leve, doce e sempre romântico de cantar e encanta. Primeira e única (para este editor) no jeito todo seu de dizer poesia e música que sempre deixam a alma e o coração contentes. Ouçamos , com emoção!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

ago
21
Posted on 21-08-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 21-08-2019

 

Balanço divulgado pela força-tarefa da Lava Jato no Paraná contabiliza 101 denúncias apresentadas desde 2014 contra 445 pessoas.

Em 50 ações penais, houve condenação de 159 réus a penas que somam 2.249 anos, 4 meses e 25 dias.

Só neste ano, foram apresentadas 16 acusações, contra, entre outros, os ex-senadores Edison Lobão e Romero Jucá, o ex-governador Beto Richa e o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza.

Os acordos de colaboração e leniência já garantiram a devolução de R$ 14 bilhões aos cofres públicos.

Nada disso teria acontecido se estivesse em vigor a nova Lei de Abuso de Autoridade.

Do Jornal do Brasil/ Folha

 

“A compra e o financiamento da aeronave foi feita por meio de um contrato absolutamente legal, sem vício, vantagem ou privilégio”, disse o apresentador

  MÔNICA BERGAMO

O apresentador Luciano Huck diz que o empréstimo que fez junto ao BNDES para comprar um avião foi “transparente, pago até o fim, sem atraso”. Na segunda, o banco divulgou uma lista de centenas de empresas que fizeram operações semelhantes. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) anunciou, há uma semana, que ela seria publicada.

Macaque in the trees
Huck rebateu as acusações sobre vantagens que teria recebido do BNDES (Foto: Divulgação/TV Globo)

Por meio da empresa Brisair, empresa da qual é sócio junto com Angélica Huck, o apresentador pegou R$ 17,7 milhões com o BNDES em 2013 por meio do Finame (Financiamento de Máquinas e Equipamentos).

“A empresa Brisair, da qual sou sócio, comprou um avião produzido pela Embraer. Para tanto, fizemos um empréstimo transparente, pago até o fim, sem atraso. Tudo como manda a lei”, afirma Huck em texto enviado à reportagem.

“O BNDES/Finame é um tipo de financiamento bancário concebido para favorecer a indústria nacional, abrindo-lhe condições de competir em pé de igualdade com produtores estrangeiros. Milhares de operações financeiras como esta foram realizadas, com único objetivo de estimular a produção, a aquisição e a comercialização de bens, máquinas e equipamentos produzidos no Brasil”, segue o apresentador.

“A compra e o financiamento da aeronave foi feita por meio de um contrato absolutamente legal, sem vício, vantagem ou privilégio”, finaliza ele.

DO EL PAÍS

“Não quero submeter o meu filho a um fracasso”, afirma o presidente. Senadores ouvidos pela reportagem acham pouco provável o recuo

Diante de uma iminente derrota em votação no Senado, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse que pode rever a decisão de indicar seu filho Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) como embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Os placares informais no Congresso mostram que são altas as chances do deputado federal ter seu nome barrado em votação pelos senadores. Na Comissão de Relações Exteriores, a conta é que os opositores teriam de 9 a 11 apoios entre 19 votantes. No plenário da Casa, de 39 a 42, entre 81 senadores. Ou seja, uma margem apertada para o Governo garantir uma vitória.

Ao deixar o Palácio da Alvorada na manhã desta terça-feira, o presidente foi questionado se desistiria da indicação de seu filho para o posto, caso notasse um cenário desfavorável no Senado. Respondeu: “Na política, tudo é possível. Não quero submeter o meu filho a um fracasso. Acho que ele tem competência, mas tudo pode acontecer”, comentou. Ao ser indagado por jornalistas, o presidente comparou o assunto a questões de relacionamento pessoal. Dessa vez voltou a fazer a comparação com um noivado. “Você está noivo, noiva virgem. Vai que você descobre que ela está grávida. Você desiste do casamento?”, questionou aos repórteres.

Horas depois, Eduardo rejeitou a ideia de que seu pai pudesse recuar da sua indicação. “Não tive nenhuma conversa dessa com ele. Está mantido. Estamos seguindo adiante. Estou esperançoso e confiante”, afirmou o deputado, que já teve o nome referendado pelo Governo Trump.

Desde que anunciou que queria indicar o filho para a embaixada brasileira em Washington, Bolsonaro tem recebido uma série de críticas, inclusive de aliados. A mais recorrente é a de que o presidente estaria fazendo o que sempre criticou em sua campanha eleitoral beneficiando os seus apoiadores e familiares, ao invés de valorizar a “meritocracia”.

Nas últimas semanas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou a indicação e, no dia 9, seu Governo deu o aval para o deputado se tornar embaixador. Porém, qualquer novo embaixador precisa ser sabatinado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado e ter seu nome aprovado pela maioria dos senadores presentes na sessão de votação da indicação.

As primeiras repercussões no Senado nesta terça-feira foram de surpresa de um lado e de comemoração, do outro. O líder da oposição na Casa, Randolfe Rodrigues (REDE-AP), disse que o presidente “aprendeu a fazer contas”. “O presidente viu que não tinha votos para aprovar a indicação. Depois, viu que ela era absurda e descabida, principalmente depois do parecer da consultoria do Senado que mostrou que a indicação seria nepotismo”, afirmou.

Dois senadores governistas consultados pela reportagem disseram que não confiam nesse recuo do presidente. Ambos falaram sob a condição de não terem seus nomes divulgados. “Ele é dono de soltar esses balões de ensaio. Não acredito que ele vá recuar. Temos de aguardar”, disse um dos parlamentares.

Uma das possibilidades, caso se confirme o recuo, é que Bolsonaro concretize o que ele próprio ventilou recentemente, indicar seu filho para o cargo de ministro das Relações Exteriores, em substituição a Ernesto Araújo. “Se ele colocar o Eduardo como chanceler, vamos convocá-lo para ser sabatinado no Senado. Dos questionamentos ele não foge”, disse o senador Randolfe.

Os opositores também recorrerão à Justiça para impedir eventual nomeação de Eduardo Bolsonaro para o primeiro escalão do Governo, também sob o argumento de que essa indicação seria nepotismo.

Do Jornal do Brasil

 

GUSTAVO URIBE

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente Jair Bolsonaro defendeu a atuação de um atirador de elite contra o homem armado que manteve passageiros de um ônibus reféns por quase quatro horas na ponte Rio-Niterói, na manhã desta terça-feira (20), e afirmou que “não tem que ter pena”. O suspeito foi morto pela polícia pouco depois.

“Estou sabendo [do caso]. No meu entender [a solução seria], snipper”, disse. “Eu defendo que o cidadão de bem não morra nas mãos dessas pessoas”, acrescentou.

A entrevista foi concedida antes da execução do sequestrador por um atirador de elite. Bolsonaro disse que a solução para o episódio seria o uso de um “snipper” para que o “cidadão de bem não morra nas mãos dessas pessoas”.

Depois da ação policial no Rio de Janeiro, o porta-voz da Polícia Militar, coronel Mauro Fliess, confirmou o óbito e disse que a arma usada pelo sequestrador era de brinquedo. 

O criminoso foi atingido no momento em que deixava o veículo. Nenhum dos reféns foi baleado. A polícia disse não saber, até a conclusão desta reportagem, as motivações que levaram o suspeito a sequestrar o ônibus.

Na entrevista, Bolsonaro lembrou do caso do sequestro do ônibus 174, em 2000, quando a professora Geísa Firmo Gonçalves foi assassinada pelo sequestrador Sandro Barbosa do Nascimento.  

“Não foi usado snipper e morreu uma professora inocente. Depois, esse vagabundo morreu no camburão”, disse. “Não tem de ter pena.”

O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), afirmou que vai promover os atiradores e elogiou o trabalho da polícia. 

ago
21
Posted on 21-08-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 21-08-2019


 

Iotti, no jornal

 

ago
21
Posted on 21-08-2019
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 DO EL PAÍS

Exportações recorde obrigam o Uruguai a abastecer o mercado interno com carne bovina importada de menor qualidade

Este ano o Uruguai está batendo seu recorde histórico de importação de carne bovina para satisfazer o mercado interno, uma mudança completa de situação para um dos principais produtores do mundo, causada pelo constante aumento das exportações para um comprador voraz: a China. Segundo dados oficiais, em julho chegaram ao país sul-americano, uma das mecas mundiais do churrasco, 3 mil toneladas de carne bovina do Brasil e, em menor medida, do Paraguai e da Argentina, enquanto milhares de toneladas do produto local de alta qualidade deixaram seus portos com destino à China e muitos outros países. A rastreabilidade do gado e a alimentação dos animais apenas com pastagens, sem farinha de engorda ou hormônios, permitiram que a carne uruguaia se posicionasse no segmento de alta qualidade no mundo. Paralelamente, a febre suína fez disparar a demanda.

A situação é “inédita”, como reconheceu o Instituto Nacional de Carnes, em um país de pouco mais de três milhões de habitantes e 13 milhões de bovinos. Os preços estão aí para explicar o fenômeno: no Rio Grande do Sul, o quilo do novilho está cotado a 2,65 dólares (10,6 reais) –valor resultante, em parte, da depreciação do real nos últimos anos–, no Paraguai, 2,60 dólares e no Uruguai, beira os 4 dólares (16 reais), segundo dados da Mercopress.

Até agora, em 2019, a China absorveu 62% da produção uruguaia de carne bovina, número que vem aumentando há vários anos. E tudo indica que a tendência é de continuar em alta, já que a população procura aumentar as proteínas em sua dieta.

China contra o “churrasco do Pepe”

O corte de carne mais vendido no Uruguai é o asado ou a tira de asado, uma costela cortada de forma transversal, em tiras que incluem pedaços de osso. Até recentemente era uma carne barata, por quilo, um corte popular. Em 2005, com o primeiro governo da Frente Ampla (esquerda), o novo ministro da Pecuária, José el Pepe Mujica, que mais tarde se tornaria presidente, promoveu um pacto com produtores e distribuidores para reduzir o preço de um produto essencial na alimentação nacional. O país saía de uma grave crise, a queda do preço foi festejada com entusiasmo e nasceu um mito: o chamado asado del Pepe (churrasco do Pepe).

Mais de 14 anos depois, o consumidor chinês e a lógica do comércio mundial subjugaram esse mesmo Pepe Mujica: o preço da tira de asado está nas nuvens porque a carne de osso é usada nas sopas e ensopados do gigante asiático. Germán Möller, presidente da Associação Nacional de Açougues do Uruguai, reconhece que os preços subiram entre “20% e 25% até agora este ano, e tudo indica que não cairão”. Com esse encarecimento, o célebre churrasco agora compete em preço com cortes sem osso, como a maminha de alcatra, que no mercado local sempre foi considerada de qualidade superior.

Os uruguaios não estão acostumados a comprar carne estrangeira, pois sempre se abasteceram com o produto nacional. Portanto, o surgimento de importados é visto com um certo tabu: o açougueiro do bairro jura que não vende carne paraguaia e acusa os supermercados de fazer isso; e nos supermercados, por sua vez, os rótulos usam a qualidade nacional como propaganda. A verdade é que a legislação uruguaia não prevê mais informações ao consumidor sobre a origem do produto, entre outras coisas, porque a situação é nova.

As coisas terão de mudar muito para que o apetite da China não continue a alterar os costumes dos consumidores uruguaios. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), o consumo per capita de carne bovina na China está em torno de 5,8 quilos por ano, ainda abaixo da média mundial. Mas, com a renda por pessoa em alta, a tendência é seguir um caminho ascendente. E cada aumento de 100 gramas no consumo equivale a um crescimento de 140.000 tonelada na demanda.

Os quase seis quilos por ano por habitante da China abalam o mundo, mas, de uma perspectiva uruguaia, ainda não são grande coisa. Em 2017 (de acordo com os dados mais recentes disponíveis), cada um de seus cidadãos consumiu uma média de 59 quilos de carne bovina, um número que posiciona o país como o primeiro consumidor do mundo, cetro que disputa todos os anos com a Argentina. Se todas as carnes estiverem incluídas, o consumo per capita é de quase 110 quilos.

ago
20

Do Jornal do Brasil

 

A Pesquisa Focus que o Banco Central divulgou nesta segunda-feira. 19 de agosto, mostrou o mercado financeiro tranquilo quanto ao andar da inflação. Apesar das turbulências na taxa do dólar, com o impacto das escaramuças entre Estados Unidos e China reverberando mais, devido à crise na Argentina, com o esfarelamento político do governo Macri, o mercado não vê risco de a inflação sair do controle.

Para a mediana do mercado, o IPCA deste ano vai fechar em 3,71% (3,76% na pesquisa anterior) e em 3,90% em 2020. Com a despencada dos preços das commodities agrícolas e minerais (petróleo e minério de ferro) em função da guerra comercial sino-americana, o Bradesco reduziu a taxa deste ano de 3,8% para 3,5%, elevando a o IPCA de 2020 de 3,8% para 3,9%. Já o Itaú espera 3,6% para este ano e 2020. O Itaú calcula que a taxa do IPCA em 12 meses chegará a cair até 2,8% em outubro, subindo em novembro e dezembro a 3,60%.

Isso significa que há espaço para o Banco Central baixar fortemente os juros para tentar fazer a economia reagir e o desemprego diminuir.

O Itaú prevê, há mais de um mês, que a taxa Selic, atualmente em 6% ao ano, caia para 5% este ano e se mantenha neste patamar até dezembro do ano que vem. O Bradesco, que até duas semanas apostava na Selic em 5,50%, desde o dia 12 de agosto prevê que ela desça a 5% e até admite que possa ficar abaixo desse patamar, no menor nível histórico das taxas de juros no país.

O que muda para o investidor

Infelizmente, há sempre o outro lado da moeda. A baixa de juros que os dois maiores bancos privados estão prevendo só está ocorrendo na ponta do investidor. A taxa Selic serve de piso à captação dos bancos (aplicações do investidor). Para o tomador de crédito, as taxas estão nas alturas (até aumentando em termos reais, descontando a inflação que é declinante e está na faixa dos 3%) e seguem descendo lentamente, como algumas paradas, pela escada.

Mas o efeito para o investidor é terrível. Já faz muitos anos que não se obtém juros mensais de 1% nas aplicações do mercado financeiro, nos chamados fundos de renda fixa ou no mais popular, o fundo de DI (depósito interfinanceiro) ou na caderneta de poupança.

O Itaú tem um interessante levantamento sobre as rentabilidades médias mensais dos DIs nesta década. Na violenta recessão de 2015 (PIB encolheu 3,5%) e 2016 (-3,3%), o DI rendia, em média, 1% ao mês (com a taxa de administração o rendimento líquido ficava mais baixo, às vezes perdendo para a poupança).

Juro mensal cai de 0,8% para 0,4% em dois anos

Entretanto, com a queda na taxa Selic promovida no governo Temer, que a baixou, a partir de outubro de 2016, dos 14,25% ao ano em que estava desde julho de 2015 no governo Dilma (numa escalada iniciada em outubro de 2014, quando saltou de 11% para 11,25%, logo após o resultado da reeleição), desde março de 2017, quando a Selic já estava em 11,25%, não se obtém rendimento bruto superior a 1% ao mês no DI.

Em dezembro de 2016 era de 1,07%. Caiu para 1,01% em fevereiro de 2017 e foi baixando sucessivamente. No mês de junho era de 0,81% e em dezembro, o DI pagava rendimento bruto (fora a taxa de administração) de 0,56%.

A taxa Selic continuou caindo até março de 2018, quando estacionou em 6,50% ao ano. Enquanto estava neste patamar, o rendimento bruto do DI era de 0,52% ao mês. Mas com a queda para 6% em 31 de julho, o rendimento mensal baixou naquele mês para 0,48% e para 0,46% em agosto.

Como o Itaú, o Bradesco e todo o mercado prevêem nova baixa de 0,50 ponto percentual da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária dias 17 e 18 de setembro, com a Selic a 5,50% ao ano e eventualmente nova baixa de 0,50 p.p em 30 de outubro ou duas quedas de 0,25 p.p. em outubro e 11 de dezembro. O Bradesco já acena com algo abaixo de 5% este ano (4,75%?).

A redução do rendimento a conta-gotas

Para o investidor brasileiro, que era essencialmente um rentista, usufruindo tranquilamente ganhos mensais de 1% ou mais aplicando em papéis do Tesouro (diretamente via Tesouro Direto, ou indiretamente nas carteiras de DIs dos bancos e corretoras, que são majoritariamente compostas por papéis do Tesouro, de maior liquidez), a mudança o expulsa da zona de conforto.

O Itaú está prevendo que a taxa bruta do DI caia em novembro para 0,40% ao mês e assim siga até dezembro de 2020.

Em outras palavras, quem quiser ganhar mais no mercado financeiro vai ter de correr riscos. Ou apertar os cintos nas despesas.

Ganhar mais exige correr mais riscos

Há bancos e corretoras que têm eficientes modelos de investimentos que permitem ao investidor ter ganhos mesmo quando o Ibovespa (o índice da bolsa brasileira) cai. São as chamadas operações de travas que limitam perdas nas baixas e maximizam ganhos nas altas.

É que o Ibovespa é composto por mais de 60 ações de empresas com grande movimentação e liquidez diária (facilidade de compra e venda) na B3. O maior peso é das ações do Itaú Unibanco (pouco mais de 9%), seguido por Vale (pouco mais de 8%). Nem todas sobem ou caem no mesmo dia.

Com as turbulências internacionais e a crise da Argentina (cujo mercado financeiro tem no dólar tantas transações diárias quanto com pesos), dólar e ouro estão entre as maiores rentabilidades do ano.

Mas se trata de um mercado arriscadíssimo e para peixes grandes.

Tanto se pode perder ou ganhar muito nas oscilações, como ainda há o risco de ser chamado pela Política Federal ou a Receita Federal para se explicar caso seja apanhado numa lista de investidores em doleiros como Dario Messes, o “rei dos doleiros”, preso no mês passado pela PF, em São Paulo.

ago
20

Lei de abuso pode gerar ‘temor excessivo’ da polícia, diz Moro

 

Em visita ao centro de operações da PM em Bauru, Sergio Moro disse se preocupar com “temor excessivo” de polícia, juízes e MP após a aprovação do projeto da Lei de Abuso de Autoridade, registra a Folha.

Segundo o ministro da Justiça, o texto terá de ser analisado com cautela. “É possível que possamos sugerir vetos. Quem vai decidir isso, evidentemente, é o presidente, mas ainda é cedo para informar o que exatamente vamos propor.”

Moro acrescentou: “Ainda que bem intencionado o projeto para coibir o abuso, temos que tomar cuidado para que ele não tenha efeito de gerar temor excessivo por parte da polícia, do Ministério Público e do juiz em fazer o seu trabalho”.

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