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Publicado no jornal O Globo. Reproduzido do espaço da autora teatral Aninha Franco , no Facebok.
ARTIGO
 
 Vídeo, mentiras e palavrões
Fernando Gabeira
É raro ver um filme, depois de ler seu argumento e roteiro. Você sabe o que vai acontecer. No entanto, desconhece como os atores vão representar o texto, como reagirão às falas, como se movimentam no espaço cênico.
O famoso vídeo da reunião do Conselho de Ministros já foi vazado a ponto de termos uma ideia de como transcorreu. Sim, havia dúvidas sobre os palavrões. Como foram ditos, com que expressão facial, em que contexto, que tipo de olhar suscitaram.
Tenho impressão de que o vídeo veio na íntegra. O corte da fala de Weintraub é tão óbvio que todo mundo percebe o que disse: não queria ser escravo do PC chinês. Talvez seja uma das frases mais inocentes de todo o texto.
Não foi uma reunião de Conselho de Ministros tal como a supomos. Foi mais parecido com uma pajelança, uma tentativa de Bolsonaro de animar seu Ministério. O debate mesmo era sobre o plano Pró-Brasil.
O trecho básico, que interessa ao processo nascido com a queda de Moro, é o que afirma que não vai deixar sua família se foder, nem seus amigos. Por isso, mudaria até o ministro se necessário. Mudou o superintendente da Polícia Federal, e Moro caiu em seguida.
O nível das intervenções de Bolsonaro é bastante singular se cotejado com os documentos de reuniões presidenciais. Um dos momentos mais dramáticos foi afirmar que, se a esquerda vencesse, todos estariam cortando cana e ganhando 20 dólares por mês.
Como escritor, o que mais me impressionou foi a maneira como figurou a perda da liberdade: “Eles querem nossa hemorroida”, disse. Da primeira vez, hesitei. Seria isso mesmo? De onde tirou a hemorroida para expressar a perda da liberdade, não tenho a mínima ideia. Os analistas talvez nos ajudem.
A divulgação na íntegra, exceto referência aos chineses, deu uma boa ideia de como estamos sendo governados. Não apenas pelas palavras escolhidas, mas pela falta de conexão, de uma liderança que tivesse a agenda na cabeça e tentasse trabalhar o Ministério no conjunto como o maestro que rege uma orquestra afinada.
A perversidade ficou evidente na fala do ministro Ricardo Salles. Ele sabe que a Amazônia está sendo destruída num ritmo alucinante: de agosto de 2019 a abril de 2020 o desmatamento cresceu 94,4 % em relação ao período de agosto de 2018 a abril de 2019.
A tática explícita de Salles é aproveitar a grande preocupação com a pandemia e passar todas as agendas que significam enfraquecer a legislação ambiental e acelerar o processo destrutivo em curso.
Eu já intuía isso. O Human Rights Watch publicou um relatório semana passada, mostrando como as multas na Amazônia deixaram de ser devidamente cobradas desde outubro e como os funcionários sentem-se desamparados na execução da lei.
Consegui passar essa mensagem no meio de uma notícia sobre Covid. É preciso usar todas as brechas para neutralizar a tática perversa.
O general Heleno escreveu uma nota ameaçadora antes da divulgação do vídeo. Não entendeu que o ministro Celso de Mello apenas submeteu ao procurador-geral a hipótese de periciar o telefone de Bolsonaro e seu filho Carlos.
A ameaça é clara: intervenção militar. Heleno é um militar com experiência internacional. Creio que ele e as Forças Armadas sabem que existe uma pandemia e que ela é um tema decisivo para a Humanidade.
Creio também, caso leiam os jornais, que sabem o papel de Bolsonaro no imaginário internacional: o de um negacionista, cada vez mais perigoso na medida em que o Brasil torna-se o epicentro da pandemia mundial.
Um golpe militar no Brasil vai colocar o país em choque com o mundo. Dois temas vão se entrelaçar: a pandemia e a destruição da Amazônia.
Não creio que depois de tanta reflexão histórica, estudos, seminários, palestras, cursos no exterior, as Forças Armadas queiram participar dessa aventura. Já associaram sua imagem à cloroquina. Será que ouviriam o general Heleno e os defensores de uma intervenção militar?
Desta vez, não cairemos no erro de resistir com armas. Será uma luta longa e pacífica, alavancada pelo próprio mundo. Da primeira vez foi uma tragédia; agora, será uma farsa com consequências profundas. Se é possível dar um conselho, ai está: por favor, não tentem.

“Sargaço Mar”, Nana Caymmi: Só poesia, só inspiração de seu Dorival e só canto forte e melodioso de Nana. E não é necessário mais nada para encer um dia inteiro de música.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

A defesa de Sergio Moro defendeu, em nota, “apuração das circunstâncias anormais” envolvidas no ato de exoneração de Maurício Valeixo da direção da Polícia Federal, publicado sem o consentimento do então ministro da Justiça.

Mais cedo, como mostramos, o governo admitiu que Moro não assinou a exoneração, embora seu nome tenha sido registrado no Diário Oficial da União junto com o de Jair Bolsonaro.

“A Defesa do ex-Ministro Sérgio Moro informa que não houve coleta de assinaturas físicas nem eletrônicas de nenhuma das autoridades com atribuição para o ato. O ex-Ministro não foi previamente consultado sobre a exoneração, com a qual, inclusive, ele não concordou”, diz a nota, assinada pelo advogado Rodrigo Sánchez Rios.

“É preciso, portanto, a apuração das circunstâncias anormais envolvidas na publicação oficial”, completa a nota da defesa.

No mesmo dia da exoneração, em 24 de abril, o Palácio do Planalto publicou uma edição extra do Diário Oficial com uma nova versão da exoneração de Valeixo, sem o nome de Moro.

E ofício enviado à Polícia Federal, a Secretaria Geral da Presidência explicou que publicar no “Diário Oficial” o nome do ministro responsável pelo órgão é a “praxe” do governo, e que a assinatura física é colhida depois.

 

Presidente interrompeu posse de procurador por videoconferência para ir ao local. Encontro ocorre três dias após o ministro Celso de Mello encaminhar ao PGR um pedido para o celular do presidente ser apreendido


IS Ingrid Soares

postado em 25/05/2020 11:38 / atualizado em 25/05/2020 12:46

 
(foto: Marcos Corrêa/PR)
(foto: Marcos Corrêa/PR)

O presidente Jair Bolsonaro participava, nesta segunda-feira (25/5), por meio de videoconferência e no Palácio do Planalto, da solenidade de posse do novo procurador federal dos Direitos do Cidadão, Carlos Alberto Vilhena. Mas resolveu ir pessoalmente ao evento participar do evento, o que não estava previsto.

Vilhena foi empossado, por videoconferência, pelo procurador-geral da República,

Augusto Aras, para o biênio 2020-2022. Mas, ao final do evento, o chefe do Executivo parabenizou Vilhena e afirmou que iria até a sede da Procuradoria-Geral da República (PGR), onde acontecia o evento de posse, “apertar a mão” Vilhena.

“É uma satisfação participar, mesmo por videoconferência, de um evento como esse. Cada vez mais nosso MP se mostra completamente inteirado com o destino da nossa nação. Um grande homem soma-se nesse momento a essa posição e nós desejamos a ele e a todos os integrantes do MP muito sucesso para o bem do nosso Brasil. Se me permite a ousadia,  se me convidar eu vou agora aí apertar a mão do nosso novo integrante desse colegiado maravilhoso aí da PGR”, disse Bolsonaro.

Aras então respondeu que Bolsonaro estava convidado. “Estaremos esperando vossa excelência, com a alegria de sempre”, afirmou. O presidente então levantou e seguiu para o encontro, onde ficou cerca de 10 minutos no local e depois retornou ao Palácio do Planalto.

Aras decidirá sobre apreensão de celular

O encontro fora da agenda ocorre três dias após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello enviar para Aras um pedido de apreensão do celular de Bolsonaro.

Os despachos seguem curso natural de três notícias-crime que foram apresentadas por partidos políticos e pedem novas diligências para apurar se o presidente tentou interferir na Polícia Federal.

O pedido foi feito por parlamentares da oposição e não significa que o presidente terá o celular apreendido. Essa decisão será do PGR. Mello seguiu o que diz a lei ao encaminhar a decisão (se há necessidade da perícia) ao chefe do Ministério Público. 

 

Apoiadores de Bolsonaro hostilizam jornalistas em frente ao Alvorada

Gritos e xingamentos começaram pouco depois de o presidente afirmar que não falaria com os jornalistas


IS Ingrid Soares

postado em 25/05/2020 17:52 / atualizado em 25/05/2020 18:25

 
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

Apoiadores de Jair Bolsonaro que foram ver o presidente na entrada do Palácio da Alvorada, nesta segunda-feira (25/5), hostilizaram os jornalistas que trabalhavam no local com gestos, gritos e xingamentos de “lixo”.

A ação dos populares ocorreu pouco depois de Bolsonaro deixar o local, após ficar quase 16 minutos conversando com os simpatizantes e ter dito que não falaria com a imprensa. “No dia que vocês tiverem compromisso com a verdade, eu falo com vocês de novo”, disse o presidente, recebendo imediato apoio de alguns simpatizantes.

 
Na hora das agressões verbais, os manifestantes se uniram em coro para chamar a imprensa de “lixo”, enquanto outros gritavam e batiam no peito. “Nossa bandeira jamais será vermelha”, “fechada com Bolsonaro”, “imprensa golpista” e “Bolsonaro até 2050” foram algumas das frases ditas. Houve também quem chamasse os profissionais de “comunistas”, “safados”, “sem vergonha”, “escória”, e “ratos”.
 

O espaço reservado aos jornalistas fica próximo ao destinado aos apoiadores que vão ao palácio para ver o presidente. As manifestações hostis são frequentes, mas, nesta segunda-feira, foram mais virulentas.

Como os ataques vêm aumentando, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) instalou duas grades para aumentar o espaço entre os dois grupos. No entanto, nos últimos dias, das duas grades, apenas uma estava no local, além de uma fita de contenção, geralmente ignorada pelos bolsonaristas.

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
 

Hostilidade e agressões

Os jornalistas que cobrem o presidente Bolsonaro têm sido alvos constantes de assédio. Em uma ocasião, um humorista que estava com o presidente no Alvorada ofereceu bananas aos repórteres, depois de o próprio presidente cruzar por duas vezes os braços, em um gesto que significa “dar uma banana”.

 No domingo 17, uma repórter da TV Bandeirantes foi atingida por uma bandeirada ao cobrir um ato de apoio ao presidente. A mulher que segurava o objeto, uma servidora pública, alegou ter sido um acidente.

Na manhã do último dia 10, dois simpatizantes do governo reviraram o lixo deixado pelos profissionais para filmar notas fiscais e exibir dados como nomes e CPF. Durante o vídeo, um dos homens chamava os repórteres de “porcos” e “sujos”.

E, no início do mês, o fotógrafo Dida Sampaio, do jornal O Estado de S. Paulo, foi agredido por bolsonaristas. Segundo consta na ocorrência da Polícia Civil, o repórter fotográfico informou que fazia a cobertura de uma manifestação e estava tirando fotos do presidente da República quando começou a ser hostilizado. Algumas pessoas teriam colocado bandeiras na frente da câmera, tentando impedir os registros.
 
Na sequência, os manifestantes começaram a colocar a mão na lente da câmera e a agredir o profissional. O homem, que usava uma escada pequena para ter uma visão melhor, acabou sendo empurrado, caiu e bateu a cabeça no chão. A partir daí, ele se levantou para tentar sair da aglomeração e começou a ser agredido com socos e chutes.

maio
26

DO EL PAÍS

As medidas progressistas da primeira-ministra agitam a Internet. O que aconteceu para que já não sonhemos (tanto) com o modelo escandinavo?

Jacinda Stardust, ilustração criada por Todd Atticus em um café de Madri, deu a volta ao mundo: serigrafiada em camisetas, em cartazes e até impressa em jornais e capas de livros que analisam o fenômeno Jacinda.
Jacinda Stardust, ilustração criada por Todd Atticus em um café de Madri, deu a volta ao mundo: serigrafiada em camisetas, em cartazes e até impressa em jornais e capas de livros que analisam o fenômeno Jacinda.
Noelia Ramírez

Durante anos vivemos suspirando pela utopia escandinava e de outros países nórdicos. Queríamos ser mães na Finlândia. Sonhávamos com nossos filhos indo a creches a 300 reais por mês, tendo educação pública até o doutorado e com trabalhar no máximo oito horas por dia (mas de verdade). Que em Helsinque, se você perder a carteira e alguém a encontrar, a devolverá. Pois se eles tinham até uma palavra para a glória (pré-coronavírica) de ficar em casa, só de calcinha (kalsarikänni)! E uma sauna cada dois habitantes! Quem não gostaria de viver nesse país honrado que tinha encontrado a fórmula da felicidade? Mas o fato é que, há alguns meses, os progressistas utópicos deixaram de suspirar pela Finlândia. Agora esticam os olhinhos para Jacinda Ardern, novo ícone da utopia social. Todos sonham em se mudar para a Nova Zelândia. Para tomar a temperatura do assunto, basta dar uma olhada nas redes cada vez que Ardern propõe uma medida social:

  • New Zealand's Prime Minister Jacinda Ardern briefs the media about the COVIS-19 coronavirus at the Parliament House in Wellington on April 27, 2020. - Ardern claimed New Zealand had scored a significant victory against the spread of the coronavirus, as the country began a phased exit from lockdown. (Photo by Mark Mitchell / POOL / AFP)

“Amo você. O que tenho que fazer para morar aí?”, “Como fazemos para que você seja a presidenta de todo o planeta?”, “Como não te amar?”, “Quero uma presidenta como ela!”, “Jacinda fez de novo”, “Eu quero ir para a Nova Zelândia”, “Estou dentro”, “Nova Zelândia é tudo de bom” ou “Me levem pra láááá” são alguns dos entusiasmados comentários que acompanham os retuítes quando o EL PAÍS publicou no Twitter a última proposta de Ardern: estabelecer uma semana de trabalho de quatro dias para reativar a economia depois do impacto do coronavírus e assim poder impulsionar o turismo enquanto se ajuda os cidadãos a conciliarem a vida profissional com a pessoal.

Desde que virou primeira-ministra da Nova Zelândia aos 37 anos, em 2017, Jacinda Ardern, terceira mulher a chefiar o governo em seu país e a dirigente mais jovem desde 1856, tornou-se um ícone político pop da esquerda global. Especialmente entre os que transitam pela bolha da Internet progressista: são aqueles que aplaudiram seu gesto de calar os machistas quando lhe perguntaram por que não era mãe (já foi), ou os que a defenderam frente a uma campanha de desprestígio por parte da direita (#TurnAdern).

Seguindo o rastro de outra política pop, Alexandria Ocasio-Cortez, Ardern faz um uso estratégico das redes e não hesita em aparecer ao vivo no Instagram de moletom para conversar com seus seguidores sobre a crise do coronavírus. Também conta com ajuda externa: a conta do Facebook @NZLPMemes, supostamente sem origem política, aglutina uma comunidade de mais de 40.000 seguidores que curtem e viralizam memes positivos sobre as propostas de Jacinda. Todos a amam. A tal ponto que seu rosto estampa camisetas (que se esgotam). Uma busca no Google indicará 119.000 resultados para “Jacinda merchandise”. Existem bordados à venda por 35 euros (210 reais) que perguntam “WWJD”: What would Jacinda do? (“o que Jacinda faria?”), camisetas do “Team Jacinda” (“time Jacinda) a 42 euros (252 reais), máscaras repletas de mini-Jacindas a 9 euros (54 reais), ilustrações em que ela toma a forma da princesa Leia, da Mulher-Maravilha e até da personagem feminista Rosie the Riveter.

Jacinda Ardern durante entrevista coletiva em janeiro.
Jacinda Ardern durante entrevista coletiva em janeiro. Nick Perry / AP

A iconografia feminista se alia, também, com a veneração pop: a ilustração de Jacinda Stardust, ressignificando a capa de Bowie concebida pela mãe da estilista Phoebe Philo para a capa do seu álbum Aladdin Sane, é uma das mais populares e reproduzidas. Foi inventada pelo artista Todd Atticus em um café de Madri em apenas duas horas, depois que o principal rival dela na campanha, Bill English, a tentou menosprezar em um debate televisivo dizendo: “Agora que a poeira de estrelas [stardust, nome também do personagem de Bowie] assentou, podemos ver a fragilidade das suas propostas”. Como aconteceu com o “Nevertheless she persisted” (“Entretanto, insistiu”) contra Elizabeth Warren, a desqualificação se transformou em lema viral a favor dela. Três anos depois daquela frase, sua fama e a veneração por seu país não diminuíram em nada.

Por que a Internet quer se mudar para a Nova Zelândia?

O que tem um pequeno país do sudoeste do Pacífico com menos de cinco milhões de habitantes para que todos o idealizem atualmente? Uma líder carismática que aposta nas políticas sociais. Ardern se somou à lista de líderes mulheres que provaram uma eficaz gestão sanitária e social perante o coronavírus —aprovou uma lei que, sob o lema de “bata firme e bata rápido”, conseguiu achatar a curva da pandemia em apenas três semanas (com apenas 21 mortos até o momento). Embora sejam os programas, as pautas de ação e a ideologia que definam os resultados, e o gênero não seja critério exclusivo para a validade de uma política, Ardern provou que a Nova Zelândia é um país apetecível para viver.

Ardern abriu o caminho a uma política aglutinadora quando disse aquilo de “eles são nós” e soube administrar a crise decorrente de um ataque terrorista do supremacismo branco contra mesquitas, cobrindo-se com um hijab e abraçando os familiares das vítimas em um ato público: “Não foi fraqueza o que Jacinda Ardern mostrou: exibiu, pelo contrário, uma força incomum na classe política dirigente, reconhecendo a vulnerabilidade como o ponto de referência para pensar a política a partir de outro lugar”, escreveu Máriam Martínez-Bascuñán a propósito desse gesto.

Também disse que seu país estava “no lado certo da história” na luta contra a mudança climática quando aprovou a histórica lei do carbono zero e se comprometeu a eliminar as emissões de gases do efeito estufa até 2050, como exige o Acordo de Paris.

Seu governo de coalizão aprovou um dos pacotes sociais mais aplaudidos contra a epidemia da ansiedade e frente aos elevados índices de violência de gênero detectados ao chegar ao cargo (está entre as piores posições da OCDE). Investiu o equivalente a cerca de seis bilhões de reais ao todo, dos quais uma boa parte se destinará ao chamado “centro perdido”: os neozelandeses que sofrem ansiedade leve a moderada e transtornos depressivos, os que estão num ponto intermediário e não precisam de hospitalização, mas cujo mal-estar afeta significativamente sua qualidade de vida. Também anunciou que investirá outro bilhão de reais em políticas contra a violência de gênero, entre as quais se inclui uma rede de refúgios para mulheres que sofrem maus-tratos, assistência às cidadãs maoris e cursos educativos para advogados.

Por causa da crise do coronavírus, anunciou um corte de 20% nos salários dos executivos públicos, ministros e, naturalmente, dela mesma. E tornou a fazer história ao propor estabelecer uma semana trabalhista de quatro dias para reativar a economia depois do impacto do coronavírus. “Ouvi muita gente dizer que deveríamos ter uma semana de trabalho de quatro dias. É um acordo que deve ser feito entre empregador e empregado. Mas aprendemos muito durante a covid-19, a flexibilidade das pessoas que trabalham de casa e a produtividade que se pode tirar disso”, afirmou. Quem poderia assumir seu lugar? Enquanto isso, a Internet continuará sonhando em se mudar para a Nova Zelândia.

maio
26
Posted on 26-05-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-05-2020


 

 

Fred, no portal de humor gráfico

 

Do Jornal do Brasil

 

O ex-ministro da Justiça Sergio Moro disse que o governo usou de sua “imagem” para parecer que combateria a corrupção, mas “não fortaleceu as instituições” para alcançar esse objetivo.
Macaque in the trees
Sergio Moro deu entrevista ao Fantástico da TV Globo (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Além disso, o ex-juiz criticou a aproximação do governo do presidente Jair Bolsonaro ao grupo de parlamentares do centrão. Moro afirmou ainda que o vídeo da reunião ministerial divulgada na sexta-feira (22) demonstra que o chefe de Estado queria interferir na Polícia Federal em proveito próprio.

“O governo se vale da minha imagem, que eu tenho esse passado de combate firme contra a corrupção, e de fato o governo não está fazendo isso. Não é? Não está fortalecendo as instituições para um combate à corrupção”, afirmou em entrevista para o programa Fantástico, da Rede Globo.

‘Agenda anticorrupção não teve impulso’

O ex-ministro disse que foi chamado para o cargo com o “compromisso” de “combate à corrupção”, “à criminalidade violenta” e “ao crime organizado”, mas que a “agenda anticorrupção não teve um impulso por parte do presidente”.

Moro citou especificamente a transferência do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) do Ministério da Justiça para a pasta da Economia, que, segundo o ex-juiz, o governo não se empenhou para evitar. Além disso, queixou-se de falta de apoio para aprovar seu pacote anticrime no Congresso.

Ao mesmo tempo, criticou a aproximação do governo ao centrão, bloco de parlamentares no Congresso que teria apenas interesse em cargos e verbas, sem se preocupar com ideologias.

“E, recentemente, vimos essas alianças, que são realizadas com políticos que não têm um histórico, assim, totalmente positivo dentro da história da administração pública”, disse.

Ambiente desfavorável ao ‘contraditório’

Sobre a acusação de tentativa de interferência na Polícia Federal, motivo alegado por ele para pedir demissão, disse que não retrucou o presidente na reunião ministerial de 22 de abril porque não havia espaço para o “contraditório”.

“Nós tivemos a reunião ministerial, na qual novamente ele externou essa situação de que ele queria trocar, intervir, porque os serviços de inteligência não funcionavam, ele precisava trocar. E ele ali, me parece claro, até pelo gestual que ele realiza, que ele se refere a mim. Ele fala da Polícia Federal. Agora, eu não ia discutir isso no âmbito de uma reunião ministerial. Até porque ali o ambiente não era um ambiente muito favorável ao contraditório”, disse.

Moro também afirmou que o vídeo, que teve conteúdo liberado como parte de investigação pedida pela Procuradoria-Geral da República para apurar possível interferência em investigações, “fala por si”.

“Acho que o vídeo fala por si. Quando ele olha na minha direção, isso evidencia que ele estava falando desse assunto da Polícia Federal”, argumentou.(Sputnik Brasil)

CRÔNICA

HQ – Cinerama
 Cartum de Flávio Luiz (SP)

CRÔNICA

Lágrimas por Tico

Gilson Nogueira

“Lembrar do que é bom”, sentencia uma de minhas filhas. Ela está certíssima. Contudo, não há como recordar o que era ótimo, ou mais que isto, e chorar, por dentro, a todo instante, lágrimas de saudade, a começar por meus pais. E nessa de sofrer em silêncio a ausência de entes e amigos queridos, vou vivendo entre o riso e o pranto. Hoje, a onze dias de mais um aniversário de minha primogênita, chorei em lágrimas invisíveis ao ver em seus braços o gato de estimação dela e da filha de olhos abertos e sem respirar:
Quadro tocante, desses de fazer da gente uma lágrima em carne e osso. Na hora, com minha neta em soluços e gritos, fiquei sem palavras. Nem tanto, recordo, agora, enquanto ouço jazz na Rádio MEC. “ Minha netinha primeira, ele também vai para o Céu!”, afirmei, tentando consolá-las. Não deu. Os minutos foram de completa tristeza, até que alguém levantou a cabeça e disse: “ Todo mundo tem seu dia!”, buscando consolar mãe e filha. Saí do quarto em pranto íntimo e fui refletir ao ouvir Eumir Deodato, no You Tube. Ao dirigir-me para a cama, rezei,em todas as dimensões, pedindo a Deus que console os que foram vítimas do Novo Coronavírus. “ Meu Deus, quanto sofrimento em escala mundial! O que dizer a essas pessoas que ficaram ao ter parentes e amigos e conhecidos apunhaladas pela fatalidade e agora mortas? Faltam-me mais que palavras. Silêncio. Sou vítima, morrendo um pouco mais, mesmo que vivo, por testemunhar a maior tragédia dos novos séculos do homem sapiens. Boto, porém, fé na vida, na esperança, como brasileiro, em ver meu país livre de gente que não merece minhas lágrimas. Tico, muitíssimo mais que essa corja!

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do Bahia em Pauta

“São João sem Futrica”, Luiz Gonzaga: Feliz São João, em casa! Ano que vem, com Fé em Deus, vai rolar fogueira! Bom início de semana, com a Certeza que a Saúde Vale Mais!

BOM DIA E BOM COMEÇO DE SEMANA!

(Gilson Nogueira)

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