set
11
Posted on 11-09-2009
Filed Under (Artigos, Multimídia, Regina) by vitor on 11-09-2009

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ARTIGO/AMÉRICA HOJE

SINAL DOS TEMPOS

Regina Soares

Numa extraordinária quebra do decoro parlamentar, um legislador Republicano, Joe Wilson, gritou “mentira”, interrompendo o discurso do Presidente Barack Obama na reunião conjunta na noite de ontem, quando este se empenhava em convencer a bancada legislativa e o povo americano da importância e necessidade de uma reforma no plano de saúde na Nação Americana.

O chamado de desculpas não se fez esperar e hoje de manha, Rahm Emanuel, chefe da casa civil (White House Chief of Staff), recebeu no lugar do Chefe da Nação, os pedidos de perdão. Enquanto isso, o site na Web do legislador Wilson e o seu Twitter sofreram um acesso brutal que os levaram a parar. “ Esta noite eu deixei minha emoção tomar conta de mim”, tratou de explicar a quebra de protocolo e boas maneiras durante a visita presidencial ao fórum de uma cessão conjunta do Congresso.

O protesto de Wilson paralisou Republicanos e Democratas, Vice Presidente Biden, a presidente da câmara Nancy Pelosi, a primeira dama Michelle Obama que cobriu a boca e abanou a cabeça em descrença, e milhões de surpresos telespectadores, e até o próprio presidente que precisou de alguns segundos para recuperar o fio da meada. A acusação de mentira veio como uma reação a afirmacão do presidente de que a intenção de cobrir todos os americanos sob o novo plano de saúde não incluiria imigrantes ilegais.

Enquanto o novo projeto que atende aos cuidados de saúde proíba servicos aos ilegais, não há uma provisão que autorize os provedores desses serviços examinar o status residencial, legalidade de visto, etc, sem o acesso a essas informação, não há como poder separar imigrantes legais dos ilegais e os criticos do novo plano acreditam que ilegais receberiam tratamento medico coberto pelo plano publico.

O comportamento do legislador republicano foi algo nunca visto numa reunião conjunta do congresso com a presença do presidente como convidado do Congresso e Senado, quando todos se reúnem para mostrar ao mundo sua “melhor cara” e seu grau de civilidade. Seriam sinal dos tempos que vivemos ou os gringos estão aprendendo com o mundo?

Regina Soares , advogada, mora em Belmont, na área da Baia de San Francisco, Califórnia (USA)

set
10
Posted on 10-09-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 10-09-2009

Nothing Hill/ Um lugar
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Nothing Hill/ Um lugar
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Não faz muito tempo, em visita a Londres, fiquei hospedado em um hotelzinho aconchegante e bem transado de Nothing Hill. Ficava a poucos passos da maioria das lojinhas, brechós, restaurantes, bares e livrarias no cenário do filme que conta a bela história de amor entre Júlia Roberts e Hugh Grant no famoso bairro londrino.

E ainda dava para ir caminhando, sem muito esforço, até o mercado de Portobello Road, onde Gilberto Gil, no exílio, viu aquele seu camarada da canção “cair naquela fossa”, e onde encontrei o craque Rai caminhando contra o vento. Andando para a esquerda, também se chegava à pé, sem suar, ao fantástico Hyde Park, um dos orgulhos da capital britânica..

Ao ler o texto a seguir, da repórter da BBC Brasil, não resisti à emoção e à saudade. Decidi então compartilhar tudo com os leitores do Bahia em Pauta, incluindo a vontade de voltar por lá. Quem sabe algum leitor perdido está por aquelas bandas do mundo, ou algum leitor cidadão do planeta está arrumando as malas para ir a Londres e mata as saudades de Notinhg Hill por mim.

Enquanto isso, curtam texto delicioso de Maria Luisa Cavalcanti e, se de repente der vontade de pegar um avião não estranhe: você não está sozinho(a). Pode apostar!

(Vitor Hugo Soares, editor)

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hill
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Notting Hill, muito além do sábado

Maria Luisa Cavalcanti (BBC Brasil)

No último fim-de-semana, satisfiz uma das minhas maiores curiosidades desde que vim morar em Londres, há sete anos: conheci o jardim que serviu de cenário para o romance de Julia Roberts e Hugh Grant no filme Um Lugar Chamado Notting Hill.

Graças ao Open Garden Squares, uma iniciativa que uma vez por ano abre aos simples mortais vários desses jardins particulares e secretos de Londres, pude ver de verdade o portão que Anna Scott e William Thacker pulam em seu primeiro encontro, o cantinho em que se beijam, o banco em que namoram pacificamente à espera do primeiro bebê.

Procurei o local por anos e anos, e cheguei até a acreditar em um boato internético de que ele não exisitiria, e que cada cena teria sido feita em um jardim diferente da cidade. Mas uma representante do Open Garden me garantiu: foi tudo filmado no Lansdowne and Elgin Crescent Gardens.

Notting Hill, o filme, e Notting Hill, o bairro, têm o poder de me fazer sonhar com uma vida perfeita, onde minha casa seria enorme e linda, onde eu teria grana para frequentar sem culpa os restaurantezinhos, as livrarias e as lojas fofas da região, onde haveria flores e romance a cada esquina e onde Londres seria eternamente ensolarada.

Mas mesmo com os pés no chão e apenas alguns trocados na carteira, há muito o que se ver e curtir por ali.

O grande atrativo do bairro ainda é o mercado de Portobello Road, que acontece todos os sábados. Confesso que cansei um pouco deste programa, talvez pelo excesso de visitantes e também por ele parecer ter virado um grande “camelódromo”.

Mas Notting Hill vai muito além do sábado: a feira de produtos orgânicos às quintas, os agitos às sextas, as matinês no Electric Cinema aos domingos – o melhor dia também para quem quer explorar as lojas com calma e silêncio.

E se você não quer esperar até 12 e 13 de junho do ano que vem para o novo Open Garden, pode olhar os jardins do alto dos ônibus 7, 23 e 52.

Ou fazer como Anna e Will e entrar sem ser convidado. Às vezes algum morador acaba esquecendo o portão aberto – o que já aconteceu comigo, by the way.

set
08

Harvard: “lugar apaixonante”
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373 anos de uma legenda do saber

Rosane Santana

(De Boston (USA))- A Universidade de Harvard, a mais antiga instituição de ensino superior dos Estados Unidos, completa hoje, 8 de setembro, 373 anos. Está localizada na pequena cidade de Cambridge, separada de Boston ( capital de Massachusetts), pelo Charles River. Por aqui passam, todos os anos, cerca de 20 mil estudantes estrangeiros e centenas de turistas curiosos de conhecer os prédios da universidade, espalhados por toda a cidade. São dezenas de bibliotecas, livrarias, cinema, teatro, museus e loja de souveniers comercializados com a marca Harvard.

Não é exagero afirmar que a Universidade de Harvard é o sonho de consumo de todo estudante americano e, por que não dizer, do Planeta (cientistas, pesquisadores e alunos de graduação), pelo que a instituição oferece enquanto espaço para geração de ciência, novas tecnologias e formação de líderes. Nas ruas e no campus se fala e se ouve uma profusão de línguas, mas há uma unidade de espírito quando o assunto é a busca do conhecimento, aquilo que os gregos acreditavam ser a aspiração maior do ser humano.

A legendária universidade, falada em dezenas de filmes e livros, ocupa o topo do ranking das melhores do mundo, com patrimônio avaliado em cerca de 30 bilhões de dólares (doações de ex-estudantes e empresas), e tem entre os seus ex-alunos oito presidentes (John Adams, John Quincy Adams, Theodore and Franklin Delano Roosevelt, Rutherfor B. Hayes, John Fitzgerald Kennedy, George W. Bush e Barack Hussein Obama), mais de 40 prêmios Nobel e o homem mais rico do mundo, Bill Gates.

Em Harvard há uma soma de tudo que faz uma grande universidade, além de dinheiro, é claro: liberdade de ação, respeito à diversidade e estímulo à formação de pensamento crítico voltados para a pesquisa e geração de conhecimento.

Há inteligência, delicadeza e inspiração por toda parte, que fazem dessa universidade um lugar apaixonante.

Rosane Santana, jornalista, mestre em História pela UFBA, mora em Boston e estuda em Harvard

set
08
Posted on 08-09-2009
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 08-09-2009

incendio
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OPINIÃO / SEGURANÇA

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TENTAÇÃO DO FOGO

Alguém já escreveu certa vez: das tentações dos baianos, o fogo é uma das maiores. Na mosca. Fatos das últimas horas parecem dar razão, mais uma vez, ao autor desta palavras.

Estamos falando dos estranhos,audaciosos, mas emblematicos atentados a tiros que atingiram agentes de segurança pública e módulos policiais, além da própria população no dia das comemorações cívicas e militares do 7 de setembro.

Ônibus , que servem principalmente às camadas mais necessitadas da população, foram atacados e incendiados em bairros populares nas últimas 24 horas, inclusive na manhã desta terça-feira.

Sinais mais evidentes de ações organizadas e coordenadas por traz disso tudo, impossível. Quanto a este ponto parece haver concordância total entre as polícias Civil e Militar, autoridades de governo, políticos sempre com acusações ou soluções na ponta da língua (a depender do lado de atuação) e sociedade.

As dúvidas começam na hora de identificar (e punir com máximo rigor) os responsáveis por estas tentativas perigosas de amedrontar a cidade e seus habitantes e visitantes, e mostrar, com fatos irrespondíveis, a quem tudo isso interessa.

A primeira saída é sempre a mais fácil: atribuir tudo ao tráfico e a traficantes, apontar dois ou três prováveis culpados, e deixar que tempo leve tudo ao esquecimento mais uma vez. O Chefe de Polícia, cESAR Nunes, parece ter dúvidas ainda, pelo que deixou claro em entrevista coletiva esta manhã, e é bom que as tenha, ao contrário dos que já decidiram que o crime organizado é quem comanda tudo em Salvador, atualmente.

Para Nunes, os incêndios e os atentados a tiros são coisas com motivações e agentes diferentes. “Não vimos ainda uma conexão plausível para os dois fatos”. Ainda bem, mas é essencial que polícias – e meios de comunicação também – atuem com rapidez e competência para descobrir quem, efeitivamente está acendendo as tochas que ameaçam incendiar Salvador. E os culpados não devem ser procurados apenas no tráfico, mas também na própria polícia e em outras áreas.

Há quem considere estranho, por exemplo, a coincidência do fogo e dos tiros com o anúncio do julgamento de oficiais corruptos detidos no comando da PM há poucos meses. Sem falar nos olhos da imprensa internacional voltados para a Bahia nestes dias de fogo, que antecedem o jogo Brasil e Chile em Pituaçu. “Vamos acordar”, diria o radialista Moura Costa.

Seja como for, é preciso atuar – e o governo não pode se omitir nesta ação – não só para apagar as chamas visíveis nas últimas horas, mas para extinguir o fogo que grassa há tempo sob o monturo.

( Vitor Hugo Soares )

set
06
Posted on 06-09-2009
Filed Under (Aparecida, Artigos) by vitor on 06-09-2009

O “carinha” se deu mal
macara

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CRÔNICA/ NOITE FELIZ

A CARA DO “CARINHA”

Aparecida Torneros

Minha amiga gritava, a cada um dos três gols do Brasil no jogo contra os agentinos, que assistimos na noite de sábado, com imagens desde Rosário, no calor da torcida: – quero ver a cara do Maradona…mostra!!!

E numa sequência prometida, a televisão focalizava a cara do “carinha”, ruminando a impáfia que lhe é característica, ao som do samba bem dançado da equipe “dunguiana” que lavava nossa alma de brasileiros bons de bola, enquanto a rivalidade se alimentava mais uma vez da paixão pelo futebol, comum aos dois países vizinhos, colados nesse Mercosul fadado a buscar um caminho econômico-social e até político, com mais irmandade e menos “briga de galo”.

Mas, a torcida imensa, a brasileirada de plantão, na verdade, era um coro de valentes diante de um desafio de “europeus de araque”, segundo ouvi de outra amiga, ao definir os argentinos.

Permitam-me discordar. E como a raiz da palavrinha, indica “cord”, que quer dizer coração, é com ele mesmo, o meu coraçãozinho apaixonado pelas terras argentinas, e por seu povo, onde fiz e tenho muitos amigos e amigas, que preciso dizer que “amigos, amigos, jogos à parte”.

Não é que sejamos inimigos futebolísticos, ou quase isso, mas é que nossos meninos, em campo, refletem uma necessidade que temos, de confirmar nossa hegemonia mundial no que tange à magia em torno dela, da redondinha, a tal “pelota”, aquela bola que rola bonitinha indo direto à rede adversária, para nosso contentamento e vitória.

Mas e a cara dele? Pois é, minha amiga, que é médica, e faz plantão aos domingos, saiu tarde da minha casa, ia dormir feliz e, certamente, ao chegar no hospital no domingão imprensado com o feriado, de alma “vingada”, deve ter brindado os colegas e pacientes com um sorrisão daqueles, pois ela viu a cara do “carinha”, engolindo nossos sapos, nossas cobras, ou melhor, engolindo sua armação, seus trejeitos de “melhor dos melhores”, diante de uma brava gente brasileira que foi lá, na casa do adversário e botou pra quebrar.

Bem que se tentou, de certo modo, minimizar a tentativa de massacre, afinal, foi tudo preparado, um campo onde a torcida argentina ficaria de cara com o gramado, e devia xingar e achincalhar nossos meninos, mas a tática não colou, não deu certo, o tiro do Maradona saiu pela culatra, e nossos jogadores desempenharam o papel que todos os compatriotas esperávamos.

Os liderados do Dunga produziram a cara mais abobalhada e tola, ressabiada e sem graça nenhuma, de um “carinha” chamado Diego, um tal de Maradona bom de blá-blá-blá…

E o que valeu, gritou minha amiga: Olha a cara de “bunda” dele! E todos, na minha sala, caímos na gargalhada. O Brasil todo era a cara da alegria. E o Dunga, pô meu… é o nosso “cara”, ainda bem… Salve os carinhas bons de bola, toda a troupe, nossos garotos mestiços, acanhados, humildes, vindos de todos os lados, que não se intimidaram com manobra de “gringo”, pois são a cara do Brasil, do país que lidera o futebol no mundo, “sorry”, periferia, como já dizia o grande Ibrahim Sued, irreverente e direto!

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro. (http://blogdamulhernecessaria.blogspot.com)

set
06
Posted on 06-09-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 06-09-2009

Argentinos: perdidos em Rosário/ El Clarim
argentinos

OPINIÃO/ Maradona

Maradona sem rumo

Por Daniel Guiñazú

Diego Maradona pensou e executou a partida com o Brasil com transparente infantilidade. Supôs o técnico ( e ninguém o questionou) que mudar a sede para Rosário, com o espírito exaltado da torcida em um estádio menor e com a pressão que isso significaria para os brasileiros, seria suficiente para para inclinar a coisa a seu favor. Ficou claro ao final dos 90 minutos que não alcançou nada disso. Os brasileiros absorveram sem pestanejar o apoio do público. E ganharam caminhando. Com uma resolutividade, um domínio da situação, uma solidez coletiva e destaques individuais que se situaram muito acima da confusão celeste e branca.

O problema maior da Seleção é que nem sequer existe um Plano A. Há tempo que subsistem as dúvidas sobre o que pretende Maradona. Não basta . Não bastam invocações retóricas e o motivacional para armar um time competitivo. Também não é suficiente lançar em campo os melhores homens . Se não existe uma idéia clara de que é preciso jogar, tudo o demais passa a ser secundário, E esse é o grande esse é o grande que a derrota da noite de sábado recoloca sobre o tapete. Diego e Bilardo repetem que não há espaço para trabalhar. É um pretexto. Dunga recebe tanto ou mais jogadores do exterior que a Argentina. E ao mesmo tempo arma times compactos, que há tempo vêm demostrando a nossos selecionados uma superioridade que, atualmente, parece abissal.

(Texto opinativo publicado na edição deste domingo (6) pelo jornal argentino Página 12. Traduzido por Vitor Hugo Soares, editor de Bahia em Pauta)

set
06
Posted on 06-09-2009
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 06-09-2009

Desafio: petróleo e meio ambiente
petromar

OPINIÃO

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Meio ambiente muda agenda política

Rosane Santana

Um dos maiores desafios dos países em desenvolvimento – neste grupo inclusos Brasil, China e India -, atualmente, é conciliar a expansão econômica com a preservação do meio ambiente – fundamental para a perpetuação da vida no Planeta. O assunto – ressalte-se – foi tema de discussão e prova na Universidade de Harvard (EUA), neste verão, quando comemorou-se o bicentenário do naturalista inglês, Charles Darwin, autor do livro “A Origem das Espécies”, que revolucionou a biologia moderna opondo-se à concepção religiosa da origem divina do universo narrada no livro dos Gênesis.

O darwinismo ganha relevância, neste momento, especialmente sua tese de sobrevivência dos mais fortes no processo de adaptacão das espécies ao meio ambiente, em funcão das mudanças climáticas aceleradas pelo excesso de gás carbônico na atmosfera – o vilão do efeito estufa -,que está provocando o aquecimento global.. Ressalte-se, entretanto, serem os maiores emissores de CO2 os países mais industrializados, que integram o chamado G-7 (Estados Unidos, Canadá, Japão, Itália, Alemanha, França e Inglaterra).

Tais alteracões têm atingido indistintamente populações de todos os países, com excesso de calor e chuvas e inundacões que provocam destruicão, afetando as localidades mais pobres, o Terceiro Mundo em especial, onde os prejuízos na agricultura, por exemplo, são enormes, pela precaridade tecnológica.

O assunto vem ganhando a cada dia maior relevância nas discussões acadêmicas e políticas nos Estados Unidos. Tanto que o presidente Barack Obama, desde que tomou posse em janeiro, anunciou sua disposição de colocar “a energia alternativa, o meio ambiente e a mudança climática no centro da definição americana de segurança nacional, recuperação econômica e prosperidade”. A indicação do Prêmio Nobel de Física de 1997, Steven Chu, promotor da pesquisa de fontes energéticas renováveis, para secretário de Energia, é uma demonstração do esforço nessa direção.

Disse anteriormente, inclusive, que a decisão de Obama representa uma tentativa de colocar os Estados Unidos na liderança da luta contra o aquecimento global, depois da resistência a iniciativas como o Protocolo de Quioto, na Era Bush, no momento em que a União Européia discute um novo tratado climático e o presidente da ONU, Ban Ki-Moon, propõe um “New Deal Verde”, para combater as alterações no clima e no meio ambiente

É nessa conjuntura, em que a questão ambiental está na pauta do dia, que a candidatura da senadora Marina Silva, a presidência da República, esperam seus idealizadores, pode ganhar corpo e, supostamente, atrapalhar o caminho da ministra Dilma Roussef, candidata declarada do presidente Lula. Esse ponto de vista (a força de Marina) é compartilhado por políticos e marqueteiros, além de fervorosos admiradores da ministra.

Mais do que um problema ambiental, em minha opinião, essa é uma questão política e de gestão que deve estar aberta ao debate não apenas àqueles que historicamente estão vinculados a causa ambientalista, pois está a afetar a todos indistintamente. Trata-se de um problema de sobrevivência humana, de reeducacão de todos, inclusive com um nítido direcionamento na área do ensino formal, e não do partido ou do candidato A ou B. Essa partidarização, pode ser um bom mote publicitário, mas não ajuda o debate e nem contribui para sua democratização, o que é o mais importante.

O desafio para o Brasil, por exemplo, um dos candidatos a potência, neste século, sem dúvida, será conciliar a exploracão de seu potencial energético, fundamental para o seu desenvolvimento, sobretudo as novas descobertas na área de petróleo – considerado uma fonte de energia poluente -, com a preservação do meio ambiente.

Se isso é possível, quem pode responder e propor caminhos é a ciência e a tecnologia, sugerindo políticas públicas adequadas. Espera-se que na campanha à presidência da República, no próximo ano, os candidatos e candidatas saibam discutir a questão, sem satanizar essa ou aquela alternativa, com discursos panfletários, mas buscando equacioná-la com bom senso, como o fez Obama, por exemplo, indicando um renomado cientista para uma pasta considerada estratégica.

A depender da abordagem, o debate da questão no horário político eleitoral será um dos pontos altos da campanha presidencial do próximo ano e pode ser um passo importante para uma mudança na agenda política dos atuais e futuros governantes.

Rosane Santana, jornalista e mestre em História pela UFBA, mora atualmente em Boston e estuda da universidade de Harvard.

set
05
Posted on 05-09-2009
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 05-09-2009

Mafalda estátua (com Quino)…
Quimafalda
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…perdeu o vestido vermelho
vermafalda
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Macunaíma continua o mesmo
macunaima
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ARTIGO DA SEMANA

DE MAFALDA A MACUNAÍMA

Vitor Hugo Soares

Bombardeado por tantas notícias desagradáveis, que chegam de um lado e outro do continente, dá alegria saber que, desde domingo passado, quem caminhar por San Telmo, bairro boêmio, antigo e charmoso de Buenos Aires, encontrará a estátua em tamanho natural de Mafalda. Homenagem justa à heroína das tiras de histórias em quadrinhos (HQ) do desenhista Quino, uma das mais fascinantes figuras femininas que já conheci. Mesmo não sendo de carne e osso, ela transpirava paixão e entrega por todos os poros, comum naqueles anos 60/70.

Pensei com meus botões de baiano perdidamente apaixonado, há décadas, tanto por esta garota incontrolável, quanto por Buenos Aires, a esplendorosa cidade de seu nascimento e residência. Penso: que grande personagem da semana de Brasil e Argentina, a clamar a ressurreição pelo menos por um dia, do épico Nelson Rodrigues. Só este pernambucano e carioca da gema como nenhum outro, seria capaz de produzir um texto com a força necessária para este sábado de fim de inverno no sul do continente. Dia histórico qualquer que seja o resultado da partida em Rosário, em que as seleções de Maradona e Dunga revivem toda rivalidade e encantamento desse confronto do futebol mundial com paixões à flor da pele, bem do jeito de Mafalda.

A primeira recordação é das tantas vezes que andei quilômetros pelas calles Corrientes, Esmeralda ou Reconquista, sempre cheias de gente, dia e noite – “até fechar o último quiosque”, como diz Maradona – à procura de uma “tira” nova de Mafalda. Se não havia recente, comprava as mais antigas mesmo, pois sempre pareciam renovadas e surpreendentes a cada nova leitura. Que prazer acompanhar de perto as aventuras daquela garota indomável, com suas tiradas saborosas e implicâncias que sempre faziam pensar.

Uma delas com políticos fanfarrões e gente machista, autoritária, pusilânime ou corrupta. Tipos que Mafalda detestava tanto quanto a sopa quente caseira que a mãe a fazia tomar, crente – como todas as boas madres com misturas explosivas de sangue italiano e judeu correndo nas veias – nos poderes da alimentação saudável. Filhos devem tomar toda a sopa, mesmo que seja preciso matar ou morrer – a depender da origem da mãe no caso -, para que eles obedeçam, sem deixar um pingo no prato.

A busca por Mafalda produzia uma sensação empolgante de descoberta – semelhante às idas às bancas de jornais em Salvador para comprar a nova edição do Pasquim – para o jovem repórter brasileiro do Jornal do Brasil que trabalhava na sucursal de “Salvador de Bahia”, como os amigos portenhos repetiam a cada nova apresentação. A Argentina então, ao contrário do Brasil, parecia um oásis de liberdade na política, nas ruas, nos bares e restaurantes no convívio cotidiano da “cidade florescente”, como no tempo em que Gardel canta com saudade no tango “Anclao em Paris”.

Leio que a inauguração da estátua de Mafalda, em escala proporcional ao tamanho de uma menina real da sua idade, tem múltiplos significados e objetivos, além de simplesmente criar mais uma atração para turistas que visitam em levas uma cidade já tão repleta de atrações. O escultor Pablo Irrgang, responsável pela escultura, explica: a idéia central é estabelecer um ponto de interação da personagem com seus seguidores e visitantes, “no local dos fatos”.

Há, porém, uma diferença: na estátua recém inaugurada o original vestidinho vermelho dos primeiros anos de Mafalda foi trocado sutilmente no monumento (ou nem tão sutilmente assim?) por uma roupa verde, como pedem os novos tempos “politicamente corretos”, em que a questão ambiental assume o lugar das utopias de antes, concentradas nos conflitos políticos, ideológicos e de mudanças de comportamento, expressos com todas as palavras e ações da menina enfezada.

Esta observação crítica partiu de Margarida, minha mulher, também jornalista, fã ardorosa de Mafalda, a ponto de ter recebido o apelido honroso da personagem de Quino, nos tempos de chumbo em que circulava na redação do jornal em que trabalhava vestida em contestadoras camisetas da contestadora portenha, na época em que generais, aliados a civis mal dissimulados, mandavam no Brasil. O fato é que a escultura vem saldar uma dívida pendente dos argentinos com Mafalda, um personagem local com dimensões globais, “capaz de expressar seu mal-estar com o mesmo ímpeto para desterrar a sopa e a guerra da face da terra”.

Quanta grandeza e diferença humanitária para os minúsculos personagens transpirando mau-caráter que vemos nestes dias mesquinhos da política, dos governos e da sociedade – por quase todo lado: nas barrancas do Rio da Prata ou nas bandas de cá da América do Sul, sintetizados por figuras trêfegas, que rondam por gabinetes e corredores da política e do poder, agora mais tranqüilos e soltos, depois que um novo surto de revolta e gritaria parece ter cessado, no Planalto Central e no resto do país.

O que se vê nestes dias é gente cada vez mais distante da paixão que transforma e dos sentimentos sempre críticos, mas generosos de Mafalda. Estamos de novo mais próximos de Macunaíma, o personagem safado, preguiçoso e sem caráter do livro de Mário de Andrade, que ganhou na adaptação para o cinema por Joaquim Pedro de Andrade, a cena emblemática em que dezenas de pobres retirantes sem força e sem vontade são despejados na entrada de uma grande cidade brasileira e o dono do caminhão depois de receber o dinheiro pelo transporte da carga humana, avisa “Agora é cada um por si, e Deus contra!”.

Bom jogo Brasil e Argentina para todos.

Vitor Hugo Soares
é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

set
04
Posted on 04-09-2009
Filed Under (Artigos, Laura) by vitor on 04-09-2009

“O que você acha/”
pílulas

ARTIGO/REFLEXÕES

Psicotrópicos, solução ou droga?

Laura Tonhá

Faço parte de um grupo de mulheres, do Brasil e de outros países, que se correspondem por email, trocamos dúvidas e falamos sobre vida pessoal, quando isto é conveniente. Temos como premissa ajudarmos umas as outras. Recentemente, depois de um depoimento sofrido de uma das integrantes concluímos que uma boa opção seria procurar um psiquiatra. Durante a discussão, outras integrantes do grupo confessaram o uso regular de medicamentos psicotrópicos, com bons resultados na manutenção da qualidade de vida. Convencida, a integrante em questão decidiu procurar um médico. Dias depois relatou-nos contente que recebeu um diagnóstico esclarecedor e estava feliz com as perspectivas, ressaltou que consultar um psiquiatra havia sido uma quebra de paradigmas.

Aqui em Brasília, entre uma aula e outra, ouvi rumores, nos corredores de cursinhos sobre o uso de drogas que melhoram o rendimento dos concurseiros. Entre elas a ritalina e a ampaquina. Procurei saber do que se trata: ritalina, conceitualmente, é um medicamento para quem tem síndrome do déficit de atenção e hiperatividade, uma espécie de anfetamina, que proporciona maior concentração e aumenta o estado de alerta. A outra droga, ampaquina, vem sendo usada experimentalmente como tônico da memória, com efeito nas sinapses cerebrais e influencia positiva no aprendizado e na capacidade de memória. Aparentemente essas drogas estão sendo largamente utilizadas por pessoas interessadas em potencializar seu rendimento estudantil e/ou profissional.

Na academia fui abordada, pós aula de spinning, por uma atlética senhora que, entre tímida e entusiasmada, me questionou se eu estava fazendo uso do Lexapro, segundo ela “remédio do momento” nos consultórios psiquiátricos. Levou alguns segundos para “cair à ficha” e eu me lembrar onde já tinha visto aquele nome e entender o porquê daquela pergunta. Estava lá estampado em letras azuis na minha simpática e pequenina toalhinha, utilizada durante as suadas aulas de ginástica. Surpresa, expliquei que a minha toalhinha era um souvenir que meu pai, médico, havia ganhado em algum congresso, e que me era muito útil nas idas a academia, mas até aquele momento não tinha a menor noção do significado daquele nome grafado nela.

Outro dia a querida mãe de uma amiga comentou felicíssima que seu psiquiatra a tinha autorizado o uso do Prozac pelo resto da vida. Disse-nos que isto garantiria a sua paz e bem-estar pelos próximos anos, naturalmente ficamos contentes por ela. Eu mesmo adoraria uma pílula que me ajudasse a passar pelos cinco dias anteriores a minha menstruação, todos os meses, período em que o mundo se torna incrivelmente mais difícil e eu me sinto como dizem “doente dos nervos”.

Minha intriga com este assunto chegou ao nível máximo essa semana ao ler a coluna da Eliane Brum no site da revista Época, artigo intitulado “O doping dos Pobres”, onde ela questiona: “Nossa época está produzindo gerações de anestesiados? Para boa parte das pessoas tomar uma pílula para conseguir “aguentar a pressão” é tão trivial quanto tomar um cafezinho. O que tenho visto é um doping social. Combate-se a maconha, o crack, até o cigarro, ótimo. Mas e as drogas médicas que estão pelos barracos e pelos palácios? São menos drogas porque dadas por um doutor?”

Sou filha de psiquiatra e entendo que a psiquiatria é uma ciência. Acho saudável que da mesma forma que freqüentamos ginecologista, oftalmologista, endocrinologista entre outras especialidades médicas também nos consultemos com um psiquiatra, se for o caso. Não sou a Alice do País da Maravilhas, sei que as dores da alma podem roubar o nosso chão, já estive na frente de psicólogos e psiquiatras, chorei muito, mas nunca sai com uma receita de antidepressivo e/ou tranqüilizante. De qualquer forma, sou a favor uso dos medicamentos, desde que recomendados em situações específicas e administrados com acompanhamento médico.

Ainda assim, assisto intrigada à crescente utilização destes remédios e a diminuição do tabu em torno deles e questiono: a psiquiatria deu um salto significativo nos últimos anos e/ou as milagrosas pílulas parecem ser mesmo a solução para agüentar a vida neste mundo competitivo e exaustivo que vivemos?

Nos últimos 40 anos do século XX, houve o renascimento do entendimento biológico de algumas doenças mentais, a psiquiatria evolui e novos medicamentos surgiram. Quanto à vida, sabemos que esta dia-a-dia mais competitiva; confiamos menos uns nos outros; usamos mascaras que impendem relações profundas; somos cobrados a uma postura de super-heróis e estamos em pânico com a crescente violência entre tantas outras mazelas que roubam nosso equilíbrio e sanidade. Mas a questão continua pendente, pelo menos para mim, seriam as novas e velhas pílulas a solução para lidar com tanto desafio e tensão?

Já ouvi também comentários que questionavam a quem interessa a venda desses remédios e colocavam a indústria farmacêutica em cheque. A situação, neste caso, me pareceria ainda mais complexa. Penso se foi isso que Eliane Brum quis insinuar quando disse: “A medicalização da dor psíquica é um fenômeno relativamente recente. Pelo menos nesta proporção, com essa enorme variedade de medicamentos disponíveis e muito mais sendo produzido em escala industrial e vendido em licitações para a rede pública em suas variadas instâncias. Cada comprimido de diazepam (benzodiazepínico), por exemplo, custa menos de um centavo para a rede pública. Bem mais barato, digamos, que uma sessão de psicoterapia.”

E você o que acha?

Laura Tonhá é publicitária e mora em Brasília

set
04

Rosane Santana

Boston (EUA)- Há duas semanas, a mídia mundial, com certo estardalhaço, anunciou que o governo brasileiro queria mudar os contratos de exploracão do pré-sal entre a Petrobras e petrolíferas estrangeiras, colocando estes últimos na condição de financiadores, apenas, medida apontada como um retrocesso. Aqui nos Estados Unidos, o The New York Times, em matéria de capa, chegou a insinuar que o país enveredaria por um viés nacionalista a la Bolívia, Equador e e Venezuela.

“Confrontado com a mais importante descoberta mundial de petróleo em anos, o governo brasileiro pretende um retrocesso de mais de uma década de estreita cooperação com as companhias petrolíferas estrangeiras e, mais diretamente, contra a extração em si”, disse o mais importante jornal americano.

Sucederam-se debates dentro e fora do país, sempre nessa linha.

Em entrevista ao jornalista Bob Fernandes, editor da revista eletrônica TerraMagazine, nesta sexta-feira, 4 de setembro, o senador Aloísio Mercadante dá importante contribuição para esclarecer os interesses multinacionais por trás das críticas contra as mudanças nas regras do jogo.

Saiba, porque num mundo onde haverá escassez de petróleo é fundamental que o Estado brasileiro controle a exploração do pré-sal – a mais importante descoberta mundial de petróleo em décadas-, se quer, como é esperado, aqui nos Estados Unidos, transformar-se numa potência mundial, o que passa pela redução da pobreza e melhoria nos serviços de saúde e educação, por exemplo.
Rosane Santana, jornalista e mestre em História pela UFBA, atualmente estuda em Harvard, Massachusets (USA).

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Mercadante: controle estatal/ Agencia Brasil
mercadante
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A ENTREVISTA

Bob Fernandes

A exploração de petróleo nas camadas pré-sal fará o Brasil subir dez posições no ranking mundial de produtor do combustível e é “fundamental que o Estado controle essas reservas”, defende o senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Em entrevista a Terra Magazine, o líder petista no Senado argumenta:

– Porque se a Petrobras tiver que disputar com as grandes empresas de petróleo, que não têm reservas e que sabem que o pré-sal é a mais importante descoberta da última década, elas vão despender grandes recursos para ter acesso a esses blocos. E vão obrigar a Petrobras a se descapitalizar, quando o mais importante para o Brasil é que ela invista.

O regime de urgência dos projetos que definem o novo marco regulatório para exploração do petróleo no pré-sal é necessário, segundo Mercadante. “Você não pode ficar mais de 90 dias esperando a capitalização da Petrobras. A empresa precisa de capital, ela precisa investir”, afirma o senador.

Mercadante não deixou de recordar que os vigorosos críticos da agora oposição, no PSDB e DEM, bradam hoje contra o prazo de 90 dias apreciar e votar as regras do pré-sal, mas fizeram o oposto quando estavam no poder, nos anos FHC. Recorda o líder petista: DEM e PSDB votaram no ano de 1995, no espaço de 5 meses e 18 dias, 5 emendas constitucionais que mudaram a história econômica, a estrutura econômica do Estado brasileiro. O senador lista:

– Em um ano, o governo Fernando Henrique quebrou o monopólio estatal das telecomunicações. E fez uma mudança toda da regulação do setor para a privatização, em cinco meses. Quebrou o monopólio da distribuição do gás canalizado. Tudo isso, emenda constitucional, não é projeto de lei. Eliminou a diferença entre capital nacional e estrangeiro em cinco meses e 18 dias. Quebrou o monopólio do petróleo, refino etc. Também nesse ano de 1995, estendeu ao capital estrangeiro a navegação, interior e cabotagem. E praticamente todas essas emendas tramitaram no prazo de cinco meses. Só aí estou falando de cinco emendas constitucionais, que mudaram decisivamente a história econômica, a estrutura econômica do Estado brasileiro.

Leia a entrevista completa com Mercadante em Terra Magazine
(http://terramagazine.terra.com.br)

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