nov
14
Posted on 14-11-2009
Filed Under (Aparecida, Artigos, Multimídia) by vitor on 14-11-2009


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Vasco campeão no Maracanã
vasco
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CRÕNICA/ CRUZ DE MALTA

VASCO, vASCO,VASCO!

Aparecida Torneros

São 23 horas e 50 minutos de uma noite de sexta feira, 13, dia de superstição, noite de bruxas, azar ou sorte, mas o fato é que há um barulho ensurdecedor de buzinas à minha volta, que moro nas imediações do Maracanã, estádio que acaba de testemunhar a vitória vascaína, time carioca recuperado à primeira divisão, e agora campeão da rodada.

Vem à minha cabeça a noite do “Apagão”, dias atrás, recente ainda na memória de todos nós, quando vários estados brasileiros sofreram o colapso do fornecimento de energia e praticamente a força-motriz brasileira representada pela região sudeste esteve à mercê de um contraditório e inexplicado ainda episódio que nos fez sentir quase nos tempos das cavernas, não fosse a prestimosa comunicação do veículo rádio, via satélite, e equipado com modernos retransmissores movidos a geradodes potentes, que exerceram o papel fundamental de nos informar o que estava acontecendo.

Nosso povo é ordeiro em sua maioria. Quando tudo parecia à beira do caos, o volume de acidentes, na verdade, foi menor do que o esperado, e a manhã do dia seguinte trouxe a retomada da vida nacional, embora com prejuízos que ainda estão sendo avaliados além de investigação em curso que se faz necessária para elucidar as causas pífias ou naturais de tamanho desconforto a que nos vimos submetidos.

Mas não é do “Apagão” que quero falar. Quero é saudar o “Clarão”, a luz no fim do túnel, a recuperação do prestígio do futebol carioca, este esporte que movimenta massas de torcedores, gente efusiva, um povo capaz de tanta comemoração e alegria, e , enquanto escrevo, o som dos fogos invade meus ouvidos, gritos de euforia, festa da torcida, a força de uma população ciosa de direitos, deveres e com direito à festas como esta.

Um movimento inusitado se faz por aqui, as camisas em preto e branco, as bandeiras, os abraços, os gritos de “Viva o Vascão”, gente rindo, gente chorando de emoção, o Rio de Janeiro em festa, até os times adversários, através de seus fiéis escudeiros, reconhecem o esforço e a merecida vitória do Clube de Regatas Vasco da Gama.

Imagino a felicidade da minha amiga Penha, agora, com quem só devo conseguir falar amanhã, já que ela deve estar saindo do Maracanã e se dirigindo para São Januário, onde haverá, com certeza, festa a noite inteira. Penha, advogada, com quem trabalhei por muitos anos, é chefe da torcida que leva o nome de “Tulipas Vascaínas”. Senhora respeitada pela profissão e conduta, mãe de filho já homem feito, ela tem paixão pelo seu Vasco, o acompanha em jogos nacionais e internacionais, comanda seu grupo de torcedores, não falta às partidas, levando no peito a medalhinha com a Cruz de Malta, e vibrando com cada conquista do seu clube do coração.

Como a Penha, milhares de vascaínos espalhados pelo Brasil e pelo mundo, a essa hora, exultam com o título, e eu conheço um que se encontra agora no interior da França, Antonio Flores, que acompanha tudo a respeito do time que ele idolatra, mesmo morando naquele país há mais de 30 anos. A torcida esportiva é mesmo assim, vai além das fronteiras, ultrapassa a razão, carrega de emoção e afeto, ilumina a alma de quem torce, é motivo de respeito por quem acompanha, une criaturas de raças e credos diversos, junta em torno de uma bandeira , um time, uma jogada, um lance, um gol, muitos corações, como neste instante, vejo e acompanho a torcida vascaína que deixa o estádio, com seu carnaval improvisado.

Futebol e vitória representam luz e energia para o povo brasileiro, esse mesmo povo que merece respeito, porque é formado de grande massa trabalhadora, e tem nas partidas de futebol um grande alento, uma intensa válvula de escape, fazendo com que nos orgulhemos do nosso esporte nacional, o mesmo que já nos deu tantas Copas do Mundo e agora, nos faz esquecer as mazelas do “Apagão”, porque nos faz cantar com os vascaínos o seu hino de Glória.

Parabéns ao Vasco da Gama, aos seus jogadores e à sua contagiante torcida! Viva o “Clarão” da alegria futebolísitica e abaixo o “Apagão” amadorístico”!

Cida Torneros, jornalista e escritora ( torcedora do América do Rio) mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária. (http://blogdamulhernecessaria.blogspot.com)

Aparecida Torneros

nov
13
Posted on 13-11-2009
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 13-11-2009

Adoniran…
adonirran
…Zé Alencar e…
zealencar
…Buñuel: luzes na escuridão
lbunuel
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ARTIGO DA SEMANA

ADONIRAN, ZÉ ALENCAR, BUÑUEL E O APAGÃO

Vitor Hugo Soares

Petardos passam zunindo sobre cabeças no meio do azucrinante tiroteio marcado pela hipocrisia política típica dos comícios pré-eleitorais. É o que se vê por todo lado desde o apagão que deixou no escuro 18 estados do País. Governantes, políticos, gente de jornal, notórios cientistas, mas, principalmente candidatos, falam, se contradizem e se desentendem como no tempo de babel. No bafafá de Itaipu, todos, ou quase, falam de torres e usinas com olhos e idéias fixas não no desastre elétrico, mas na eleição que vem aí em 2010.

O blecaute do começo da semana deflagrou este clima meio surreal, na política e na administração publica. Verdadeira guerra de torcidas onde se diz e se inventa qualquer coisa e ninguém se entende, nem se importa com fatos ou cobra verdade científica e histórica das coisas e das pessoas, nem mesmo dos técnicos e especialistas no assunto. Verdadeiro Fla x Flu ou Ba x Vi dos bons tempos do futebol do Rio de Janeiro e da Bahia, transformados em vale-tudo político-eleitoral.

Em Salvador não faltou luz desta vez. Graças à velha e boa usina da CHESF, em Paulo Afonso, construída no governo de Getúlio Vargas e que vi ser inaugurada pelo presidente Café Filho em dia inesquecível da vida de um garoto nascido na beira do Rio São Francisco. Parece lugar seguro para não perder lances eletrizantes (sem trocadilho) deste tumulto nacional.

Ainda assim, sinto-me, outra vez, como aquele personagem no bar do bairro paulistano do Bixiga, no samba de Adoniran Barbosa. Protegido debaixo de uma mesa, ele observa o malandro Nicola fazer misérias no meio da pancadaria generalizada em que voavam pizzas e bracholas para todo lado. Terminada a briga, no fim de “Um samba no Bixiga”, gente ferida para todo lado e o breque genial de Rubinato: “A situação está cínica. Os mais pió vai pras Crínicas”.

Grande Adoniran! Que bom poderia ser para o país, se políticos, governantes, ministros, gerentes, cientistas e jornalistas parassem um pouco com esta zoada para escutar a letra e a melodia do samba da briga na cantina do Bixiga.

Não sendo possível, que ao menos escutem com a atenção devida os conselhos oferecidos ontem por um sábio mineiro da atualidade, cada dia mais profético e essencial: o vice-presidente da República José Alencar. Enfim, alguém que olha em perspectiva, e vê muito além do próprio umbigo ou da eleição presidencial do próximo ano.

Para Alencar, o apagão pode ter sido uma “topada que ajuda a caminhar”. Bom mineiro que não nega a origem, bem sucedido empresário e político clarividente, ele sabe como poucos que o Brasil está amarrado e sujeito aos muitos riscos de seu tradicional modelo dependente da energia hidrelétrica de usinas monumentais como Itaipu e Paulo Afonso. Precisa diversificar sua matriz energética e investir em fontes alternativas – nuclear, térmica, eólica e a gás. “Há topadas que ajudam a caminhar. Então esperamos que essa nos ajude a ter uma energia com segurança absoluta para que isso não se repita”, ensinou o vice-presidente durante inauguração de um centro de inclusão social do Senai, no Rio de Janeiro.

Alencar considera fundamental descobrir o que provocou o apagão e, se tiver havido falha, que ela seja corrigida e os responsáveis punidos exemplarmente. Mas o principal, segundo ele, é que o episódio sirva para ser repensada a matriz energética. “O Brasil tem todas as condições de fazer o enriquecimento de urânio com fins pacíficos, mas não pode porque assinou o tratado de não-proliferação de armas. É preciso ver se isso está funcionando com outros signatários. A verdade é que não é bem assim”, afirmou, com a coragem dos que pregam idéias, princípios sem se importar se isso pode render ou tirar votos nas próximas eleições. Grande Zé Alencar!

E o espanhol Luis Buñuel, onde entra nessa história toda? Bem, leio na “Ilustrada” do jornal Folha de S. Paulo, que “Meu Último Suspiro”, seu mágico livro de memórias, acaba de ganhar reedição. Isto é pura luz no meio do breu. Na matéria assinada por Marcos Strecker e na entrevista de Jean-Claude Carrière, na Folha, recebo preciosas informações que desconhecia sobre a fundamental participação do cineasta francês na concepção e execução desta obra indispensável, a não ser pelas breves palavras de Buñuel na introdução do exemplar que tenho. Mas deixo ao leitor a tarefa de descobri-las também.

O que quero agora é recolher duas referências de “Meu Último Suspiro”, que considero perfeitas para este momento surreal do debate sobre o apagão brasileiro. A primeira é sobre a memória – a sua perda principalmente – um dos capítulos mais marcantes da obra: “Indispensável e toda poderosa, a memória é também frágil e ameaçada. Ela não é apenas ameaçada pelo esquecimento, seu velho inimigo, mas também pelas lembranças enganosas que dia após dia nos invade”, diz Buñuel.

A segunda é sobre proliferação da informação, no capítulo em que o cineasta enumera as coisas de que ele mais gostava e as que mais detestava; “A informação-espetáculo é uma vergonha. Os títulos enormes – no México atingem recordes – e as manchetes sensacionalistas me provocam náuseas. Todas essas exclamações sobre a miséria, para vender um pouco mais de papel! Para quê? Além disso, uma notícia destrói a outra.”

Grande Buñuel!

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

nov
13
Posted on 13-11-2009
Filed Under (Artigos, Regina) by vitor on 13-11-2009

Malik: que é esse homem?
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ARTIGO/ RETRATO

TERRORISTA OU ATERRORIZADO?

Regina Soares

O médico psiquiatra Maj. Nidal Malik Hasan, 39, acusado de disparar contra seus colegas em Fort Hood, Texas, foi oficialmente acusado no sistema legal militar dos Estados Unidos da América como responsável por 13 mortes premeditadas. Outras acusações podem ser acrescentadas, inclusive a 14ª vítima, o feto no ventre de uma oficial grávida.

Hasan é acusado de abrir fogo contra um grande grupo de soldados que estavam sendo avaliados fisicamente, sendo vacinados e processando documentações que os habilitavam a uma próxima partida para serviço militar nas guerras e bases militares fora do território americano. O acontecimento é considerado um dos piores e mais extraordinários assaltos a mão armada em uma base militar americana, principalmente se levarmos em consideração o local e os personagens da tragédia.

Consta dos seus registros que Hasan se mostrava agressivo, defensivo e argumentativo nas suas discussões sobre sua fé muçulmana e do fato de ser obrigado, por força das suas responsabilidades, como oficial da US ARMY, de ir servir na linha de combate no Afganistão, para onde deveria partir ainda nesse mês contra “seus irmãos”. Descendente de palestinos e devoto muçulmano, Hasan, repetidamente se referia à sua forte crença nas discussões com seus companheiros. Chegou a dizer que se considerava “Muslim first, than American”.

O serviço militar americano, embora voluntário, torna aqueles que se dispõem a servir seu país obrigados a cumprir certos compromissos, como é de se esperar. Em troca dos seus serviços, um dos benefícios recebidos é ter sua educação militar e profissional financiadas pelo governo. De acordo com registros oficiais, Hasan tinha quase 20 anos de serviço militar, inclusive 8 como soldado e concluiu rigorosos cursos de medicina. Apesar de seu conflito de consciência contra participar em combates onde poderia confrontar outros muçulmanos, era praticalmente impossível que fosse liberado de suas obrigações.

A familia informouáque ele desejava se afastar do Servico Militar e chegou a procurar advogado que o representasse na busca de uma maneira legal para evitar seu envio para o Afganistão.

A investigação será longa e profunda. O FBI já se manifestou dizendo que os contatos mantidos entre Hasan e o considerado radical clérigo muçulmano, Anwar al-Awlaki, que tem encorajado mulçumanos a matar soldados americanos no Iraque, não foram reportados aos seus superiores por não ter sido considerados de caráter terroristas.

Depois do falecimento dos seus pais, antes de concluir seus estudos de medicina, o solitário e gentil médico psiquiatra, atormentado entre Patria e Religião, chegou a um beco sem saida. Ou, pelo menos, ele não conseguia ver uma…

Regina Soares, advogada, mora em Belmont, na área da Baia de San Francisco, Califórnia (USA)

nov
13
Posted on 13-11-2009
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 13-11-2009

OPINIÃO/ POLÍTICA

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

Rosane Santana

É preocupante a desenvoltura com que se movimentam na política baiana, dois personagens da história recente deste País, de passado nada lisonjeiro. Impossível não lembrar da repetina epidemia de cegueira, a que alude o escritor português José Saramago, em um dos seus romances – no qual fala da mixórdia e desapreço aos valores mais básicos do ser humano-, que atinge, em nome da sobrevivência, o Brasil de hoje, especialmente, a classe dirigente, de onde deveriam partir os exemplos.

Os dois são personagens da histórica CPI dos Anões, de 1992, primeiro dos escândalos que marcam a crise do estilo toma-lá-da-cá na política brasileira, de raiz oitocentista. Ambos, com ligações pessoais e familiares com a antiga Arena, o partido da ditadura. Um deles, punido com a pena de banimento do cenário politico, por longo tempo, até ressurgir das sombas do esquecimento pela ignorância e pela cegueira. Outro, descendente de uma oligarquia, ganhou salvo conduto no episódio, com apoio de poderoso clã baiano.

É fato, que ninguém pode levar a sério essas personagens, velhas raposas de bastidores, principalmente quando se fala em mudança. Mas, nunca é demais abrir o olho, antes que seja tarde.

Rosaner Santana, jornalista, mestre em História pela UFBA, mora em Boston e estuda na universidade de Harvard.

nov
12
Posted on 12-11-2009
Filed Under (Artigos, Gilson) by vitor on 12-11-2009

Cuidado com o bolinho
BOLINHO
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CRÔNICA/ COMIDA TÍPICA

BOLINHO FAJUTO

Gilson Nogueira

Bolinhos boiam em uma pequena bacia de alumínio sobre o balcão de madeira de um quiosque de concreto e tijolos aparentes, quase em frente ao local de saída dos passageiros que desembarcam dos aviões que chegam ao Aeroporto Internacional Deputado Luis Eduardo Magalhães. Por Aeroporto Dois de Julho e Aeroporto de Ipitanga este equipamento da capital dos absurdos também é conhecido. Alô, alô Dois de Julho, quero seu nome de volta, no espaço que é seu, urgente!!!

O cheiro do azeite de dendê do bolinho que acaba de ser fritado impregna o ar de Bahia. Narinas abertas, porta de entrada do olfato, o cheiro viaja nas vias do cérebro e estimula-me o desejo de comer um deles. Com camarão e pimenta, que é como baiano que é baiano gosta, sem negócio de vatapá, salada e outros complementos que fazem do bolinho sanduíche de feijão. Modas do tipo, muitos filhos da Terra da Felicidade abominam. Aliás, baianos da gema de araque preocupam-se mais com a quantidade dos complementos do que com o bolinho como um todo saboroso.

A “baiana” gentilmente atende meu pedido. A ânsia de devorar o quitute faz-me pedir desculpas ao motorista que havia ido apanhar-me no Dois de Julho, ou melhor, no Luis Eduardo, ou…Ofereço-lhe um. O motorista não quer. Pago quatro reais, pelo bolinho, à “baiana”, e entro no carro. Sapeco a primeira mordida, na iguaria, e sinto que sua aparência me engana.

Por conta do camarão aferventado que o acompanha, o bolinho não me inspira confiança. A fome e a saudade de minha terra se misturam e fazem-me embarcar na hipótese de uma possível infecção intestinal, por engolir aquele camarão escuro, com pinta de terrorista.

Vou em frente. Nhac. nhac, nhac, nhac. Não sinto o gosto característico do bolinho. Tem mais, ele parece ter sido feito no óleo de soja, suponho. Alguma coisa impede sua massa de apresentar o gostinho característico. Pesada, bruta, sem gosto de feijão fradinho, é a massa. Como gosto não se discute, desisto de comê-lo e o guardo para atirá-lo na cesta de lixo. A Avenida Paralela não merecia aquele bolinho, apesar da merda que ela está, com seu engarrafamento que parece conduzir ao inferno.

O bolinho que conheço desde criança, quando os saboreava, ao pé do tabuleiro de Maria, no Relógio de São Pedro, após as aulas no Ginásio de São Bento, é outro. Ah, o nome dele é acarajé. Isso, a-ca-ra-jé! Ou acará! Ele é a marca da afroreligiosidadeculturalgatsronômicabaiana, ícone do povo que é de santo e de Bahia sem dendê no sangue, apenas, na frigideira. Dendês no sangue, alcunha nascida da verve do jornalista Tasso Franco, para esses enganadores da baianidade.

O bolinho que boiava na bacia deveria estar sendo vendido por uma baiana do acarajé autêntica, em seu traje de soberana no reino das delícias da comida de origem africana, em tabuleiro de madeira, ou de ouro, se possível, simbolizando, na principal porta de entrada da cidade, a magia desta terra que encanta os que a conhecem e a admiram por sua riqueza cultural, por sua alegria sincera, por seu povo festeiro, por sua forte participação na Independência do Brasil, por ter sido ela sua primeira capital.A Bahia com H, como canta João Gilberto.

Ao chegar na garagem de casa, o motorista, enquanto entregava-me as malas,educadamente, pergunta ! E aí, doutor, não gostou do acarajé?”

Não.

“ Pois é, os turistas, que não conhecem acarajé, acham uma delícia!”

Tudo bem, meu caro. Eles, os gringos – e não gringos – e os responsáveis pela gestão do turismo no Estado. Esses, por estar o acarajé sendo apresentado dessa forma, aos que chegam à Bahia , não estão nem aí, nem vão chegando, para absurdos como o do acarajé sendo vendido como se fosse um bolinho qualquer.

“ Boa noite”

Boa. Cuidado com o camarão !

Gilson Nogueira é jornalista

nov
12
Posted on 12-11-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 12-11-2009

Deu na Tribuna da Bahia
Em seu artigo diário na Tribuna da Bahia o jornalista político Ivan de Carvalho fala nesta quinta-feira, 12, sobre erro de linguagem e apagão. Demonstra, ao mesmo tempo, como coisas aparentemente tão distantes podem estar tão próximas. Confira no Bahia em Pauta.

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São Pauio na hora do blecaute
Apagsp
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OPINIÃO

TODO MUNDO ERRA

Ivan de Carvalho

Todo mundo comete erros. Só retiro dessa constatação Jesus Cristo. Além do Pai, de quem Ele disse que é maior do que Ele (não é maior o Enviado do que Aquele que o enviou) e do Espírito Santo, ente para mim absolutamente misterioso da Santíssima Trindade, segundo a teologia católica gerado desde sempre pelo amor do Pai pelo Filho e do Filho pelo Pai.

Dizem que só adquire uma noção (não se trata de compreensão, mas apenas de uma noção) do Espírito Santo, O Consolador, aquele ser humano que por ele é tocado no coração. Desconfio que, infelizmente, ainda não chegou a minha vez e o que posso fazer é consolar-me com a confiança em que ela em algum momento chegará.

Mas, porque estou eu falando de erros e afirmando que deles ninguém escapa? Bem, ontem, nas minhas funções de jornalista, deparei-me com uma reportagem que atraiu meus olhos a uma frase que continha a expressão “diante mão”.

Nas humildes linhas que escrevo, já cometi milhares de erros de linguagem na minha já longa atividade de jornalista. E já vi também muitos erros cometidos por colegas. A uns e outros considero normais, ante a imensa ignorância humana. Até o sábio,dizem, é aquele que sabe que não sabe. Tenho mesmo uma leve suspeita de que esta seria talvez a principal ou única razão que levava o grande Sócrates a não dar respostas, mas somente a fazer perguntas.

Isso seria bem cômodo: não respondendo, ele punha-se praticamente a salvo de erros, enquanto os deixava para serem cometidos por seus discípulos, forçados a responder. Até Platão deve ter passado por essa desagradável experiência, o que não o impediu de constituir a luminosa mente que o servia e tanto serviu depois à humanidade. E ainda serve aos que dele têm o prazer ou a esperteza de servir-se.

Mas a troca da expressão “de antemão” por “diante mão”, confesso que me deixou um tanto atônito, a ponto de só numa segunda ou terceira leitura da frase perceber que ela começava pela palavra “agente”. Mas não se tratava de algum agente da CIA, ou de agente fiscal, enfim, de qualquer agente. Pretendia dizer “a gente”. Mas como poderia eu perceber isso de antemão se estava siderado por “diante mão”?

Talvez continue o leitor, depois de ler o que já leu deste artigo, no escuro. Mas isso parecerá normal, se considerado que na noite e madrugada de terça-feira grande parte do país também ficou no escuro, sabe Deus a razão e tenta o ministro Lobão nos convencer de que foi por causa dos raios que o partam, sempre os raios. De nada valeram, nessa questão, os quase sete anos de governo Lula para tornar o sistema elétrico seguro. Se Lobão pretende explicar tudo com os raios, o presidente Lula, chamado de analfabeto “sem intenção ofensiva” por Caetano Veloso, resolveu ser cauteloso e veraz. Disse que duas coisas sabia: não houve interrupção de geração de energia em Itaipu nem problemas de interligação do sistema. No mais, “não vou chutar, porque eu não chuto nesse assunto”.

Só nos outros, parece. Está vendo? Todo mundo erra

nov
11
Posted on 11-11-2009
Filed Under (Artigos, Claudio) by vitor on 11-11-2009

Bar em São Paulo ontem: luz de vela.
BRAZIL-BLACKOUT/

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Deu em Terra Magazine

A dupla afinada de repórteres da revista digital Terra Magazine, Claudio Leal e Diego Salmen, caminha na escuridão da madrugada de São Paulo, na noite do apagão no País, e revela o que pouca gente e praticamente nenhum veículo de comunicação noticiou – pelo menos com tanto talento, bom humor, perspicácia , visão crítica e – como de hábito – talento jornalístico.

Confira o texto que Bahia em Pauta reproduz, postado no day after do blecaute em TM (http://terramagazine.terra.com.br) (Vitor Hugo Soares )

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Claudio Leal e Diego Salmen

Sabem os paulistanos que andar a pé pelas ruas da capital durante a noite não é tarefa das mais seguras – esteja o flaneur na Cracolândia, nos Jardins ou Itaquera. Sem luz, a experiência pode variar entre um ato de valentia, onde todos são suspeitos em potencial, ou uma caminhada agradável. O atrativo, porém, é o mesmo: a penumbra.

Na Avenida Paulista, a queimação de maconha corre em liberdade, nos grupinhos que se sentam em frente a estabelecimentos comerciais fechados. Nas beiradas do Parque Trianon, o infatigável “trottoir” dos michês. Quatro garotos de programa zanzam na noite escura da alma.

Tradicionais pontos noturnos fecham as portas. Na praça Vilaboim, em Higienópolis, a banca de revistas 24h encerra o expediente. Coisa igual ocorreu somente em 2006, na noite dos ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital). A lanchonete Fifties, na mesma praça, resiste ao apagão.

Na rua Haddock Lobo, outra baixa para a turma da ressaca. A padaria Bela Paulista, também 24h, suspende os trabalhos. Padeiros e atendentes ficaram à porta, num papo amistoso. Infortúnio semelhante ao de outras casas de pasto na rua Augusta.

De nome sugestivo, o Corujão é um dos poucos sobreviventes. Mesas espalhadas na calçada, reunia alguns dos zumbis dispersos na região. A geladeira estava desligada, apesar do boteco ficar bem de frente a uma sub-estação de energia.

– Tem cerveja quente aí?
– Só gelada.
– Mas como?
– Energia solar.
– Manda duas.

Nunca antes na história deste País houvera um apagão com tão poucas velas. Bem executado, o atendimento é realizado com o auxílio das luzes de telefones celulares. Casais e amigos se divertem.

– Se eu tivesse no Congresso, tinha luz nessa porra!

O relógio marca 00h09. Volta ligeira da luz.

– AEEEEE!

Cinco segundos depois, trevas novamente.

– AEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!

Na esquina da Augusta, o rádio do carro irradia o embaraço do governo, porta-mala aberto.

– 20% da nossa energia vem de lá… 80% do Sudeste sofre com o apagão…

De outro carro, um grito a ser decifrado:

– Olha a mulher dando a luz ali!

O sumiço da energia redime o rádio como principal meio de informação na capital paulista. Porteiros, pedestres, motoristas colados no aparelho.

– A linha de transmissão… Desde 2007 se alerta o governo da existência de riscos na linha de transmissão…

Na rua Peixoto Gomide, o bar apinhado de gays notívagos, sentados no chão ou escorados na parede. Um grupo de seis pessoas forma uma roda, abastecida por cerveja, embaixo de uma árvore. A única mulher diz aos “miguxos”:

– Não tenho nenhum problema em namorar gays. Mas o cara precisa avisar! Já namorei muitos “bi”, meu. E já fiquei com mulher…

Uma da manhã, dezesseis funcionários do Hospital Sírio-Libanês fumam na saída da rua Barata Ribeiro. Os enfermeiros e a palavra repetida:

– Itaipu…

Os rostos iluminados apenas por farois. Viaturas deslizam no asfalto e lançam as luzes giratórias nos edifícios. O trabalho da polícia parece ter se intensificado para evitar que a cidade se transformasse em mote de livro para José Saramago. Em uma hora, mais de 10 viaturas cruzaram o caminho da reportagem. Felizmente, não houve enquadro.

Em alguns pontos da cidade, iluminações misteriosas, como na Rua Cel. Xavier de Toledo, na Estação da Luz e em hoteis e hospitais. Destaque para o prédio da Fiesp, cujas luzes natalinas reluziam despreocupadamente na Av. Paulista. Situação excepcionais, porém.

Largo do Paissandu, Consolação, Praça do Correio, Avenida Tiradentes, Pinacoteca, Batalhão da Rota, Praça Santos Dummont, Terminal Santana, Jardim São Paulo. Tudo no mais absoluto breu.

Caminhões avançam cruzamentos, sem sinalizações ou buzinas. Semáforos agora são meras convenções sociais, que oscilam entre a educação escandinava de alguns motoristas às tentativas de atropelamento. No centro, a linha 107P/10 acelera rumo à zona norte da cidade. De um passageiro:

– Hoje vai ser difícil para as putas ganharem dinheiro. Como vão mostrar o corpo?

Na Avenida Voluntários da Pátria, farois de carros denunciavam o vai e vem das garotas de programa, aparentemente despreocupadas com a falta de energia. Às 1h30, as luzes dos prédios começam a piscar, na Avenida Nove de Julho. Fez-se a luz. Do lado Centro, meia hora depois, ainda prevalece a escuridão. O mesmo na zona norte.

Enquanto isso, autoridades buscavam solucionar o apagão que atingiu 18 Estados e o vizinho Paraguai. Falha na transmissão? Explosão de gerador? Terrorismo? Sabotagem de Fernando Lugo? Quem apagar a luz por último é a mulher do padre.

nov
11


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“Tarde em Itapoã”, de Toquinho e Vinicius de Moraes, interpretada neste vídeo por Toquinho e Gilberto Gil, é a música para começar esta quarta-feira, 11 de novembro, no Bahia em Pauta. Vai direto para Dimas Josué da Fonseca, aniversariante nesta data, moderador deste site-blog. Moderador é pouco, pois pelo papel que cumpre desde o começo neste site-blog baiano de olho no mundo ele tem sido um permanente pilar de sustentação, que permite e estimula avanços seguidos ao BP.

Dimas é pilar, como está no título, no sentido mais literal do termo, ou em sua utilização para definir um ser humano. É uma figura estrutural, vertical, usada normalmente para receber os esforços de uma edificação e transferi-los para outros elementos, como as fundações. Na arquitetura, costuma estar associado ao sistema laje-viga-pilar.

Isso é Dimas em pessoa, o aniversariante que Bahia em Pauta homenageia hoje. E muito mais: mestre dos software e dos hardware, imbatível nos números e cálculos, sempre magnânimo, corajoso seguidor e arauto da ciência, leitor compulsivo e apreciador incansável de filmes e vídeos de ficção científica, vertical e ético sempre, amante da boa mesa, do vinho, da música, do mar.

E fiquemos por aqui, porque Dimas é ser inesgotável. Agora todos os nossos abraços de felicitações e agradecimentos para ele. E música, maestro!

(Vitor Hugo Soares, em tributo pessoal do editor e de todos os que fazem Bahia em Pauta )

nov
10
Posted on 10-11-2009
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 10-11-2009

Caso Geisy chega a Harvard
UHarvard
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ROSANE SANTANA

BOSTON (EUA)- A discussão sobre os constragimentos a que foi submetida a estudante Geisy Arruda, da Universidade Bandeirante (Uniban), de São Paulo, por estar usando uma minissaia, está globalizada. Foi tema do warm up (aquecimento), que precede o debate principal nas aulas do Instituto de Linguas da Universidade de Harvard ontem.

“Ridiculous” foi a palavra mais usada por alunos de varias nacionalidades (austríacos, coreanos, chineses, cazaquistaneses e mongóis) para classificar o episódio. Muita gente ficou sem entender por que num país onde as mulheres ficam nuas no Carnaval, uma estudante foi quase linchada por causa do vestido curto. Como brasileira, francamente, não soube responder o que aconteceu. Mas corei de vergonha. Na pátria de Betth Friedan e Glória Stein isso é impensável, porque os agressores, no mesmo dia, teriam sido presos e responderiam a processos. Quanto `a escola, teria sido fechada. Ninguém se engane. Os direitos da mulher nos EUA são levados a sério.

Rosane Santana, jornalista, mestre em História pela UFBA, estuda em Harvard.

nov
10
Posted on 10-11-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 10-11-2009

Senador Sarney: Chavez como saída
jsarney

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DEU NA TRIBUNA DA BAHIA

Tapas e beijos entre Hugo Chavez, presidente da Venezuela, e José Sarney, presidente do Congresso brasileiro, dão pano para a costura do provocante artigo que o jornalista Ívan de Carvalho assina nesta terça-feira em sua coluna diária da Tribuna da Bahia. O site-blog Bahia em Pauta, que corre léguas por uma boa polêmica, reproduz a seguir. (VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA

O BEIJO DE CHÁVEZ

Ivan de Carvalho

O ex-presidente da República e presidente do Senado e do Congresso Nacional, José Sarney, (des)qualificou ontem como “despropositada” e “absoluta insensatez” a declaração do presidente da Venezuela, coronel Hugo Chávez, sobre a perspectiva de haver guerra entre seu país e a Colômbia.
Chávez disse, no rádio e televisão, que a população e as forças armadas do país devem se preparar para a guerra como forma de garantir a paz e citou a vizinha Colômbia e os Estados Unidos da América como possíveis agressores.
Bem, o senador José Sarney não está exatamente nas boas graças da opinião pública brasileira, especialmente depois dos mais recentes escândalos no Senado, dos quais foi o principal protogonista. Mas isto de modo nenhum retira dele a capacidade de analisar o cenário, usando sua vasta experiência política e a tendência, nele reconhecidamente natural, para o “bom senso” político, apesar dos defeitos, muitos deles já amplamente apontados por toda a mídia nacional.
No entanto, Sarney fez uma observação interessante. “Acho que (a declaração de Chávez) é tão despropositada que dificilmente ela será levada em consideração”, acrescentando não saber se o ingresso da Venezuela como membro do Mercosul será votado ainda esta semana pelo plenário do Senado. Esse ingresso já foi aprovado em comissões técnicas.
Mesmo com experiência, capacidade e bom senso para analisar a espantosa declaração de Hugo Chávez, Sarney mudou de posição, evidentemente por interesse político próprio. Ele, não faz muito tempo, esteve contra o ingresso da Venezuela no Mercosul, por conta da truculenta não renovação da concessão e do confisco de todos os bens e equipamentos praticados pelo governo de Chávez sobre a RCTV, a mais antiga televisão do país, a mais tradicional e a que detinha, de longe, a maior audiência. E que também fazia oposição a Chávez e seu governo.
Diante disso, o Senado brasileiro aprovou uma moção cobrando de Chávez uma revisão dessas duas decisões antidemocráticas. O ditador-presidente respondeu chamando o Senado brasileiro de “papagaio” do Congresso americano. Então o Senado brasileiro, num movimento liderado por Sarney, resolveu engavetar a votação do acordo de ingresso da Venezuela no Mercosul, considerando anti-democrático o governo de Chávez.
Mas agora as coisas mudaram. Houve os escândalos no Senado. Lula mandou a bancada do PT salvar Sarney, que já não se agüentava mais no cargo de presidente do Senado e do Congresso. Sarney foi salvo, os escândalos foram abafados. E Sarney está pagando o preço do socorro recebido: a declaração de Chávez é tão despropositada e insensata que “dificilmente será levada em consideração”. Isto é, não deve atrapalhar a aprovação do ingresso da Venezuela no Mercosul. Se Chávez pegasse esse Sarney, dava-lhe um beijo apaixonado.

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