dez
19


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CRÔNICA/ SENTIMENTOS

AMORES TRAPACEIROS

Maria Aparecida Torneros

A noite, em Copacabana, era momento de brinde, muito chope rolando, na Avenida Atlântica, um mesmo restaurante de tantos anos, o grupo de amigos festejando o final do ano, a cada tim-tim, repetíamos: ao Amor!! e assim foi, por horas, quando já, na madrugada, voltando pra casa, o som da palavra “amor” reverberava dentro de mim… Amor, quantas vezes teremos provado de suas trapaças, e, porque, num processo freudiano, tendemos a reprisar comportamentos que julgamos, sob o ponto de vista racional, que beiram a estupidez, ou se alicersam em jogadas trapaceiras?

Pois dormi pensando nisso. Acordei pensando nisso. Fiz um balanço oportuno, desses que costumamos nos dar o direito íntimo de fazer na época de Boas Festas, lembrei de amores de uma vida inteira, lembrei de amores de novela, amores de cinema, amores de literatura, amores trágicos, amores passionais, amores que justificaram crimes, amores que propiciaram poder, amores que se perderam, amantes que viveram comédias, que se enganaram mutuamente, amantes que se amaram a si mesmos, usando o outro apenas como espelhos para sua sede narcisista, amantes que se doaram e renunciaram para deixar que seus parceiros seguissem livres e pudessem tentar novos rumos em busca da tal felicidade.

Aí, uma canção melosa, antiga, bem latina, bem nostálgica, me veio na memória, dos tempos em que eu editava um jornal espanhol e o cantor Julio Iglesias estava no auge da sua carreira. Ele veio ao Brasil, no início dos anos 80, eu participei de uma entrevista coletiva sua, em São Paulo, o homem jogava charme em todas as direções, tinha um marketing perfeito para vender o tal amor trapaceiro.

A letra da música, que ele também gravou em português, ressurgiu em mim, como um troféu para “amantes” , os tais que são estúpidos, se deixam levar por impulsos, vão no olho do furacão, se embrenham no vendaval, atores em cena, buscando representar e voar enquanto a vida segue em meio a desencontros, afastamentos, saudades arrefecidas, vidas divididas, e, na maturidade, um dia, vem o final do ano, chegam os tais pensamentos que nos fazem sentir o quanto fomos ( e somos) estúpidos, em conceituar e viver certos amores trapaceiros. Um inconsciente sado-masoquista, quem sabe, proporcionado por um mundo imaginário, o lugar das “briguinhas” por amor, mas o tempo, impiedoso, ultrapassando o orgulho, a questão de sofrer por amor, como se isso fosse uma regra básica para que a felicidade nos inundasse, e, de repente, vemos que tudo poderia ter sido diferente.

“Se eu pudesse a vida mudar”, prega o cantante, como uma chicotada da saudade, numa atitude impensável, e ainda assim, tão trapaceira e marketeira, como se o lamento por tudo que se passou, essa maneira de julgar sentimentos como se eles fossem deveres legalizados, estivessem escritos não nas estrelas, mas no código civil, conferindo à loucura da paixão um lugar inconcebível, onde coubesse razão em lugar de impulso.

Não há como voltar atrás, os amores vividos, quase sempre tiveram sua dose de trapaça consentida, faz parte do jogo, é lícito e legal sentir ciúmes, provocar também, brigar e reconciliar, ter saudades e reencontrar-se com o amor, numa rodada de chope, ainda que seja num brinde que vira mantra… Repetir o tim-tim ao amor, permitir que ele se reverbere internamente, que sua meladeira contagiosa nos inunde de muitas saudades, muitas lembranças, espelhos do tempo estradeiro, coisas fortes entranhando memórias, espaços feridos de corações amadores, aprendizes de jogadas que deviam se transformar em golpes de mestre, mas que, no fundo, não passaram de “blefes”, ou melhor, podem ser classificadas como tentativas cujos acertos ou erros, não nos cabe juízo de valor, justamente agora, se não há como ” poder mudar a vida”.

Então, mais prudente, honesto, saudável, é olhar para a frente, seguir vivendo, amando, aprendendo a vencer novos amores trapaceiros, fingir que tudo será diferente, prometer-se uma isenção quase alienada, comprometer-se com a paz de uma alma amante da emoção, pronta para voar como gaivotas sobre mares imensos, disposta a enveredar pelas artimanhas dos grandes encontros, sem dispensar a malícia e o sabor passageiro dos pequenos arremedos do bendito amor…

Feliz final de ano para os amores, todos, os trapaceiros, principalmente, porque é deles o enredo que move a indústria cinematográfica, a produção literária, a poesia , a música, a pintura, a escultura, sua saga inunda o planeta, com arte e ilusão, passemos pois à contagem regressiva, vamos saudar o amor, eu e tu, como na velha canção melosa que a voz do cantante latino trouxe de volta ao meu “coração vagabundo”. Tim-tim!

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária
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BOA NOITE!!!

dez
18

Sarney: o começo da queda do PMDB

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OPINIÃO POLÍTICA

A desidratação do PMDB

Ivan de Carvalho

Políticos do PMDB percebem que a longa permanência da legenda como força coadjuvante na política brasileira, durante um longo período, já está produzindo resultados preocupantes. Entendem que está deflagrado processo semelhante ao que levou o DEM, antigo PFL, a uma desidratação profunda e muito provavelmente mortal.

A diferença é que o PMDB, desde o início, sempre foi maior que o PFL/DEM, e que nos últimos oito anos o PMDB ou pelo menos parte dele esteve participando de forma expressiva do governo federal, razões pelas quais o processo de desidratação foi retardado. Mesmo assim já vai se tornando notório. Também conta a maior capilaridade que o PMDB sempre teve no país, se comparado ao PFL/DEM.

Para entender melhor o que atualmente assombra mentes peemedebistas capazes de desviar a vista das árvores para observar a floresta, vale um exame conjunto com o que aconteceu ao DEM, novo nome do extinto PFL.

O PMDB conquistou o poder com Tancredo Neves e governou com José Sarney, tudo com preciosa ajuda do PFL. O governo Sarney, no entanto, terminou com forte impopularidade. E então começou o desastre.

O PFL apresentou candidato à presidência da República em 1989. Foi Aureliano Chaves, mas os pefelistas massivamente abondonaram seu candidato e apoiaram a candidatura de Fernando Collor, que foi eleito. Na mesma ocasião, o PMDB apresentou candidato a presidente, Ulysses Guimarães, mas este, apesar de sua enorme relevância na história política do país durante o regime militar e nos anos subsequentes, não tinha carisma eleitoral. Ulysses não foi abandonado por seu partido tanto quanto Aureliano foi pelo dele, mas os eleitores abandonaram ambos. Entre outros motivos, por causa da grande impopularidade do governo Sarney.

Collor renunciou no dia em que ia ser declarado seu impedimento pelo Senado, assumiu o vice Itamar Franco e o PSDB plantou o Plano Real e colheu a eleição de Fernando Henrique Cardoso para presidente.

O PFL /DEM, sem lançar candidato próprio a presidente, apoiou, como força auxiliar do PSDB, as candidaturas e governos do tucano FHC durante oito anos. Nos oito anos seguintes, após tentar em 2002 a candidatura abortada de Roseana Sarney a presidente, dividiu-se entre os candidatos Ciro Gomes e José Serra. Apoiou Geraldo Alckmin em 2006 e José Serra este ano.

E então o PFL/DEM havia quase que desaparecido – elegeu agora somente dois governadores, seis senadores e 43 deputados federais.

O PMDB seguiu uma estrada mais ou menos paralela. Depois de 1989, não disputou com candidato próprio eleições presidenciais. Deixou que o PSDB e o PT disputassem o poder maior. Dividiu-se no apoio a um e outro desses partidos, até que este ano praticamente uniu-se no apoio à candidatura apresentada pelo PT.

Enquanto o PFL/DEM e, mais lentamente, o PMDB, murchavam, emergia cada vez com mais força o PT e abria-se também espaço para o crescimento de partidos médios. Em 1986, o PMDB elegeu a maior bancada na Câmara, com 89 deputados, contra 83 do PT, a segunda bancada. Este ano, o PT passou a primeira bancada, com 88 e o PMDB caiu para 79. Só elegeu um governador de estado importante, o Rio de Janeiro. No Senado, manteve a maior bancada, 20 senadores. O processo de desidratação está no início, mas já é sensível.

O PMDB, até uns anos atrás, era a legenda mais popular do país, a preferida dos eleitores, segundo as pesquisas. Atualmente, a popularidade desta legenda não chega aos calcanhares da popularidade da legenda PT. Sem designar candidaturas a presidente, o 15 é pouco presente na propaganda eleitoral.

dez
18

Life: um livro para não esquecer

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CRÔNICA/ UM LIVRO

Keith Richards – LIFE

Regina Soares

“People say ‘why don’t you give it up?’ I don’t think they quite understand. I’m not doing it just for the money, or for you. I’m doing it for me.” – Keith Richards in action!

Tudo começou num 18 de Dezembro, e agora, 67 anos depois, ele, o mais controverso, fora da lei, figura quase apocalíptica, extraordinário músico e compositor, um Rolling Stone, na profissão e na vida, resolveu nos contar de próprio punho, em parceria com James Fox, jornalista do Sunday Times em Londres, sua historia, que, mais que isso, é sua vida, LIFE, como ele chamou o livro, quente do forno e nas bancas do mundo para nosso deleite.

Como ele nos adverte logo de entrada:

“This is the life. Believe or not I haven’t forgotten any of it”
“Essa é a vida. Acreditem ou não eu não esqueci nada dela”
Uma vida que muitos de nós só poderiam imaginar e invejar, narrada por ele, que sempre abriu seu caminho, falou o que sente e sentiu o que falou, ao seu jeito, sem disfarce, e que agora nos abre nesse livro que acabo de começar a ler e pretendo compartir com vocês, leitores do Bahia em Pauta, em alguns capítulos, à medida que a leitura avançe e os fatos se desdobrem.

Desde seus primeiros dias, filho único criado por devotos pais, Bert Richards and Doris Dupree Richards, ou simplesmente Bert e Doris, como ele os chama carinhosamente e intimamente, durante o desenrolar da sua historia, seis tias, foi criado em um verdadeiro matriarcado, onde mulheres eram maioria e ditavam as regras do jogo, e outras figuras importantes na sua formação como homem e músico, já que música se manifestou desde muito cedo em sua vida, como única opção. O avô materno, Gus, de quem herdou o temperamento boêmio e o amor pela música desde muito cedo, quando escapavam da casa em longas caminhadas, “para escapar das mulheres”, e se perdiam em aventuras que ao fim se transformaram em lições de vida.
“Gus, uma vez me perguntou, enquanto caminhava-mos, eu tinha 5 ou 6 anos de idade”:
– “Você tem uma moeda nos bolsos?”
-“ Sim, Gus.”
-“Vê aquele menino na esquina?”
-“Sim, Gus,”
-“Vá e entregue a ele.”
-“O que, Gus?”
-“Vai lá, ele necessita mais que você.”
“Eu entregava a moeda. Gus me dava duas de volta. A lição ficou comigo…”

Como também o dia em que, finalmente recebeu de suas mãos a primeira guitarra, a mesma que tinha visto em cima do piano e que não podia alcançar nos seus tenros 5 anos de idade, estava sempre lá, inalcançável e atrativa e vivia nos seus sonhos. Aos 9 ou 10 anos essa “clássica guitarra Espanhola, doce e ansiado desejo, adorável como uma garota, embora eu não soubesse o que fazer com ela, me foi entregue”. “O cheiro, lembro até hoje, quando abro a caixa de uma guitarra, quando é uma velha guitarra, eu poderia enrolar-me dentro e fechar a tampa”…

Desde esses tenros dias, como um garoto, vivendo numa familia que se reunia em torno do radio para cantar e esquecer as amargas lembranças de guerras vividas na Europa dos seus primeiros passos, escutando obsessivamente, Chuck Berry e Muddy Waters, até levar a guitarra aos seus mais absolutos limites e juntar forças com Mick Jagger para formar os Rolling Stones, muita agua vai rolar….

Regina Soares, advogada, especializada em eleições americanas, mora em Belmont, na área da baia de San Francisco, Califórnia(EUA).
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Nota: prometo voltar de quando em quando para continuar a historia… Essa é uma daquelas que a gente tem que sorver devagarinho, como um bom vinho. (Regina)

dez
18

Lula e Assange: dupla em alta no fim do ano

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OPINIÃO POLÍTICA

Assange e Lula nas quebradas de 2010

Vitor Hugo Soares

É fim de ano outra vez. No Brasil e no mundo vive-se período de baixa estação de notícias. Os diários impressos, as revistas semanais, as redes de TV, os blogs e os sites “operam à meia boca”, expressão que o jornalista Ricardo Noblat gostava de usar quando morava e trabalhava na Bahia – antes da explosão da web que o levaria de vez de Salvador e o transformaria em pioneiro dos blogueiros políticos mais citados do País.

Em dias assim a mídia está voltada, em geral, para o jogo interesseiro e desinteressante que cerca as escolhas ministeriais da presidenta que chega; ou às viagens e pajelanças de despedida do presidente que sai – na capital o no interior do País. Pior ainda, abre manchetes e produz textos amplos e generosos para mais “um retorno do imperador Adriano ao futebol brasileiro” (depois de eleito o pior jogador estrangeiro na Itália), ou para as maravilhas que a “top model” consegue operar na cozinha.

Tamanha apatia investigativa e falta de vigor no noticiário político e geral, principalmente, mas também o insosso e repetitivo noticiário de comportamento de nossas “celebridades”, é que valorizam e dão sabor jornalístico especial à matéria de capa da revista “Time” desta semana.

Trata da escolha do público leitor, por larga margem de votos, do australiano criador do site WekiLeaks, Julian Assange, como Personalidade do Ano, e da polêmica e contestável decisão dos editores da influente publicação de ofertar o título ao décimo colocado na votação popular do leitores: o norte-americano Mark Zuckerberg (criador do Facebook), a onda da moda na Internet.

Ainda assim merece destaque o notável saque jornalístico da Time, que começa pela própria composição da capa em si. A imagem na revista corre o mundo. No entanto, nunca é demais descrevê-la mais uma vez para os menos avisados, ou em respeito à lição de técnica de redação do saudoso e premiado mestre do Jornal do Brasil, Juarez Bahia (sete premiações do Esso de Jornalismo): “escreva sempre como se estivesse transmitindo a informação para o leitor pela primeira vez”. Obedeço ao querido Bahia, que nos deixou em um dezembro como este.

Assange está com a boca amordaçada por uma bandeira americana, o que já seria forte o suficiente, mas não pára aí. Acompanha uma incômoda pergunta como chamada, que completa o jeito ousado e genial de pensar e fazer imprensa: “Quer saber um segredo?”, pergunta a revista.

Bravo! Sensacional! Mesmo que no fundo a imagem e a pergunta sirvam para disfarçar uma boa dose de temor. Até mesmo de pusilanimidade – para ser mais exato – dos editores da legendária publicação. Na verdade, uma piedosa, embora criticável compressa jogada sobre a enorme ferida aberta na diplomacia e nos círculos mais representativos do governo e do poder nos Estados Unidos.

Ainda assim, o fato quando se analisa o conjunto da obra é que esta edição da Time é um primor. Um marco neste ano de 2010, em que a mídia impressa nos Estados Unidos, no Brasil e no resto do mundo tem pouco ou nada a festejar. E olha que, por estas bandas do Atlântico Sul, foi um ano de campanha presidencial.

Semana passada, bem antes de surgir a idéia da capa e de começar a circular a revista americana, o presidente Lula, notório peladeiro da Granja do Torto, não deixou a bola passar sem petardo certeiro na direção dos vacilos e omissões da mídia e dos grupos de opinião e intelectuais mais destacados no país. Deu apoio firme e explicito a Assange e seu site explosivo, além de levantar suspeitas em relação ao que, de fato, se esconde nos subterrâneos da insólita perseguição desencadeada contra o Wekileaks e seu criador: um grave e surpreendente atentado contra a liberdade de informação, com origem nos Estados Unidos.

Assange foi levado à prisão pelo governo britânico, sempre dócil e atencioso aos desejos do governo americano, parceiro histórico para toda obra na Europa. Mesmo que esses desejos sejam manifestados “por vias travessas” (como dizem os nordestinos) de uma ordem de prisão com base em estranha e suspeita acusação de “estupro” vinda da Suécia, onde o criador do Wikileaks teria se recusado a usar camisinha ao fazer sexo com duas súditas do farrista e bígamo Rei Gustavo, que anda as voltas em casa com atribulações sérias no gênero.

Tão forte quanto a capa da Time são as imagens de Assange saindo da detenção na última quinta-feira, sob aplausos e gritos de incentivos vindos das ruas de Londres, depois de pagamento de salgada fiança. Graças, registre-se por justiça, à colaboração de anônimos rackers e blogueiros do mundo, ajuda financeira mais substancial de celebridades como Michael Moore e Bianca Jagger, além de apoios políticos como o do presidente do Brasil. “Seguirei na minha luta”, anunciou Julian Assange, em breves e alentadoras palavras de coragem na saída da prisão.

Duas vitórias de uma vez e na mesma semana do criador do Wikileaks: A sua escolha, pelos leitores da Time, como “Personagem do Ano” e a reconquista da liberdade, ainda que tardia e provisória, mas sob palmas e vivas das ruas. Isso apesar da mal justificada decisão dos editores da revista de não dar bolas à vontade dos leitores, e oferecer o prêmio, de fato, ao criador do Faceboook, décimo colocado na votação.

Poderiam ao menos minorar a injustiça, se tivessem optado pelos mineradores e heróis chilenos retirados do fundo da terra, que ficaram em oitavo lugar na escolha dos leitores da revista. Os protestos já pipocam aqui e ali e não será surpresa se o presidente cobrar satisfações mais uma vez antes de passar a faixa para Dilma Rousseff.

No fim, Viva a revista Time. Afinal, fotos, opinião e polêmica seguem sendo, apesar de tudo, os melhores combustíveis da mídia (impressa ou digital) e do bom jornalismo.

Vitor Hugo Soares é jornalista; E-mail: vitor_soares1@terra.com.

dez
17

Ministro temporão: “culpa da CPMF”

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OPINIÃO POLÍTICA

Resultados ruins

Ivan de Carvalho

Ao fazer ontem uma espécie de prestação de contas de sua gestão, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou que o fim da CPMF em dezembro de 2007 impediu que sua pasta apresentasse resultados melhores neste final do governo do presidente Lula.

Ainda bem que o ministro tem a sinceridade de reconhecer que os resultados não foram os melhores. Se fosse, além de sincero, inteiramente franco, poderia até avançar mais em direção à verdade e afirmar que foram os piores possíveis.

Essa avaliação mais desfavorável pode ser feita pela soma de numerosos motivos, entre eles, por exemplo, por coisas como o tempo de espera e a espera nas filas do SUS para conseguir consultas médicas, principalmente quando são com especialistas, para fazer exames de certa complexidade ou para fazer cirurgias de eleição. Mas também pode-se não encontrar vagas nos hospitais para fazer cirurgias de certa urgência, como fui informado de um caso, em Salvador, há poucos dias.

Também pode-se chegar à mesma avaliação profundamente desfavorável por outro tipo de razões. Por exemplo, pela não oferta pelo sistema SUS de medicamentos convenientes, necessários e até mesmo indispensáveis ao tratamento das pessoas, o que tem gerado, cada vez com mais frequência, ações e decisões judiciais que obrigam ao fornecimento desses medicamentos.

Há, além disso, uma grande insuficiência do sistema na oferta de procedimentos médicos, especialmente quanto a cirurgias e mesmo exames, que o avanço tecnológico tem gerado e que representam grande benefício para os pacientes. No caso de exames, pela precisão dos diagnósticos que permitem. No caso de cirurgias, por serem muito menos traumáticos que os “convencionais”, melhor dizendo, os da medicina desatualizada, ou por darem mais segurança quanto aos resultados imediatos e mediatos de diversos procedimentos cirúrgicos.
Mas o ministro José Gomes Temporão voltou a bater na tecla do imposto especial para a Saúde, ao lamentar que a CPMF haja sido extinta em dezembro de 2007 – e rejeitada pelo Congresso Nacional sua recriação, como queria o governo. E é então que o ministro se deixa apanhar pela palavra e confessa a hipocrisia que há no argumento de que a Saúde precisa de tal tributo para que possa atender melhor à população.

“Nós íamos ter R$ 24 bilhões ao longo desses quatro anos e não tivemos”, disse o ministro, lamentando o fim do tributo. Mas que R$ 24 bilhões, se a receita anual da CPMF seria, em 2008, de 39 ou 40 bilhões de reais, como mencionaram diversas vezes autoridade do governo, inclusive o presidente da República?

A resposta certamente o leitor já sabe, não é nenhum segredo, embora para a grande maioria da população o governo tentou e ainda tenta fazer parecer que a CPMF seria para a Saúde. Não. Esta era apenas a justificativa. Para a Saúde ia apenas uma parte da arrecadação desse tributo e, até por conta disso, recursos orçamentários antes existentes haviam sido reduzidos. Foi assim desde a época do ministro Adib Jatene, que após conseguir a criação do tributo, ficou decepcionado com a manobra financeira do governo FHC, pediu o boné e voltou para o Instituto do Coração. Mas as manobras persistiram nos cinco primeiros anos do governo Lula, até o tributo ser extinto. Talvez se estivesse indo todo para a Saúde sem que do setor fossem cortados os recursos antes existentes, o Congresso não tivesse acabado com ele.

João: semelhanças com Itamar

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OPINIÃO POLÍTICA

O prefeito e o futuro

Ivan de Carvalho

A movimentação política do prefeito João Henrique, do PMDB, em direção ao Partido Verde, com a disposição abortada de criar uma Secretaria de Meio Ambiente, trouxe momentaneamente à frente da cena política baiana o possível futuro político do atual chefe do governo municipal.

O prefeito, que terminará em 2012 o seu segundo mandato no cargo, está procurando viabilizar um novo caminho político para 2014. É que nas eleições municipais, não podendo mais pleitear nova reeleição e não fazendo o menor sentido voltar ao início de sua carreira política, disputando mandato de vereador, ele terá de abster-se de concorrer.

Mas 2014 é outra coisa. E como está, na prática, e até por opção própria, sem relações políticas com o deputado e ex-ministro Geddel Vieira Lima, que controla o PMDB, o prefeito João Henrique busca outra legenda. Não precisaria trocar de legenda imediatamente, podendo fazer isto somente quando deixar o cargo, em 31 de dezembro de 2012.

A primeira legenda que lhe atraiu a atenção foi a do PV. Um partido light, simpático, com um desempenho surpreendentemente bom nas eleições presidenciais, por meio da candidatura de Marina Silva. Daí a idéia de criar a Secretaria do Meio Ambiente, uma espécie de passaporte dele para a possível futura legenda.

Mas a situação financeira da prefeitura é crítica e a criação de uma nova secretaria poderia ser, neste contexto, explorada por adversários e mal vista pela opinião pública. O prefeito, em toda sua carreira política, sempre deu a maior importância à opinião pública e, portanto, à sua própria imagem política. Daí a desistência quanto à criação dessa secretaria-isca para o PV.

Pessoas que não fazem muito boa avaliação da habilidade política do prefeito João Henrique às vezes o comparam ao ex-presidente Itamar Franco, ao qual se atribui a “competência” de fazer tudo errado e no fim tudo dar certo. Difícil é saber se têm ou não razão, mas o fato é que, até aqui, as coisas acabam saindo certo para João Henrique. O último grande ato foi, como a Fênix, o ressurgir das cinzas da impopularidade e da rejeição para a vitória espetacular na disputa pela reeleição.

Mas depois disso episódios menos vistosos já aconteceram, como a jogada de mestre da escolha do deputado estadual e dirigente partidário João Carlos Bacelar para a Secretaria Municipal da Educação, com o que atraiu o PTN e conseguiu formar, na Assembléia Legislativa, um bloco que lhe permite a indicação da deputada Maria Luiza Carneiro para a Mesa Diretora e, ao mesmo tempo, lançar uma ponte política para aproximar-se do governo Jaques Wagner. “Uma jogada de mestre. Será que foi pensada ou simplesmente aconteceu?”, indagava-se esta semana, entre fascinado e intrigado, um competente e experimentado articulador político.

Bem, voltando ao principal, o prefeito é também, na avaliação de alguns, um “visionário”. Ele estará pensando, talvez, ao menos como hipótese, numa candidatura a governador. Note-se que, no momento, as oposições têm nomes “possíveis” para desafiar o candidato oficial a governador em 2014, mas não tem o que se possa considerar um candidato “natural”.

Então, o prefeito pode estar pensando em incluir-se. Como poderá estar pensando na hipótese de uma candidatura a senador, sem excluir, claro, o que parece mais provável, a candidatura a deputado federal, o que apresenta certos problemas: ele disputaria uma cadeira na Câmara dos Deputados, com sua mulher Maria Luiza buscando a reeleição para a Assembléia e seu irmão, Sérgio Carneiro, deputado federal não reeleito, tentando reconquistar um mandato de deputado

dez
15
Posted on 15-12-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 15-12-2010


Luiza Barrios: elo entre Bahia e Rio Grande do Sul

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OPINIÃO POLÍTICA

Bahia e Ministério

Ivan de Carvalho

O governador Jaques Wagner não diria uma coisa dessas de maneira assim ostensiva, mas a julgar pelo que se sabia até ontem sobre as escolhas certas ou prováveis da presidente eleita para compor seu Ministério, ele não pode estar muito feliz.
A sucessora de Lula o consultou sobre as três pessoas ligadas à Bahia que podem integrar a equipe ministerial, como o próprio governador disse ontem. Claro que ele disse que achava “ótimo” todas três: sua secretária estadual Luiza Barrios para o Ministério da Igualdade Racial, Lúcia Falcón, para o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o deputado Mário Negromonte para o Ministério das Cidades.
Mas o que o governador Wagner não explicitou na entrevista foi que, se a presidente eleita pediu sua opinião sobre aquelas três pessoas, até aqui – ou melhor, até ontem, no momento da entrevista – não lhe pediu para indicar ou sugerir um nome para a equipe ministerial.
Vale, assim, analisar, ainda que ligeiramente, o quadro “baiano” no Ministério, até aqui. Luiza Barrios foi idéia de Dilma Rousseff, que a conheceu como colega de secretariado no governo de Olívio Dutra, no Rio Grande do Sul. Mulher, negra, há tempo residindo na Bahia (o Estado com maior percentual de população negra do Brasil), Dilma lembrou dela para a Igualdade Racial. E está no secretariado do governo Wagner, de modo que não deixa de ser uma gentileza com este.
Mas, politicamente, a que serve a Wagner ter nesse ministério uma pessoa ligada à Bahia e pinçada do seu secretariado? Qual é o orçamento desse ministério, o que a Bahia poderá ganhar com ele e qual o peso político que tem? Estou certo de que o leitor não precisa que sejam dadas aqui as respostas.
Quanto a Lúcia Falcón, nasceu na Bahia. Seu irmão Pery Falcón é uma das lideranças da seção estadual do PT, que já presidiu, bem como foi presidente estadual da Central Única dos Trabalhadores, a CUT. Mas Lúcia, que militou com Wagner no Sindiquímica (como ele próprio lembrou ontem), não faz política na Bahia e nem é do PT. Está vinculada ao PC do B e trabalha com o governador reeleito de Sergipe, Marcelo Deda, deste mesmo partido.
Finalmente, o deputado Mário Negromonte, o nome para o importante Ministério de Cidades, foi uma indicação do PP. Como ao governador Wagner foi perguntado o que acha a respeito e ele achou ótimo, pode-se dizer que, embora indicado pelo PP logo depois das eleições, Negromonte vai para o Ministério com o aval de Wagner – da mesma maneira que aconteceu com Geddel Vieira Lima, quando foi para o Ministério da Integração Nacional por indicação “do PMDB da Câmara”, mas com o aval e até uma visita protocolar do então futuro ministro e do então governador eleito ao presidente Lula.
Bem, o governador diz que não vai “ficar” nisso de indicar ministros – embora ressalvando que é claro que gostaria de indicar ministros – pois, afinal, tem canal direto com a presidente eleita Dilma Rousseff, de quem é amigo. E assim pode conversar com ela diretamente sobre obras e recursos para a Bahia. Interessante o governador assinalar que, se o PT do Nordeste se julgar mal aquinhoado no Ministério, então deve queixar-se, não a Dilma, mas ao PT nacional.
Quanto a Dilma, a julgar pelo que aconteceu até ontem, talvez esteja raciocinando que o PT da Bahia já tem a presidência da Petrobrás, com Sérgio Gabrielli, e que a Bahia tem também o Ministério de Cidades, por indicação do PP, que integra a base política do governo de Wagner. Assim, tanto a Bahia quanto seu governador estariam atendidos.
Como diria Millor Fernandes, livre pensar é só pensar.

Jutahy Jr: PF na mira

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OPINIÃO POLÍTICA

Jutahy vai reagir à PF

Ivan de Carvalho

No sábado, fiz aqui uma análise do comportamento da Polícia Federal em diversas operações e citei, como exemplo, o caso da operação realizada em Buerarema – além de Itabuna e Salvador – em que foram envolvidos nomes de vários políticos, dos quais o de mais destaque foi o deputado federal Jutahy Jr., do PSDB, principal partido de oposição ao governo federal e um dos principais operadores políticos da campanha do ex-candidato a presidente da República José Serra.

A maior parte do que tinha a dizer a respeito já foi dito neste espaço, no sábado. Deixei claro que a maneira como a Polícia Federal em Ilhéus procedeu ao anunciar à mídia o que chamou de Operação Paga, a respeito de suposta compra de votos, agredia direitos humanos e preceitos constitucionais e do direito penal. O mais notório, assinalo agora, foi o da presunção de inocência até o trânsito em julgado de sentença condenatória. Destaquei que a Polícia Federal, nesses casos, atuava como polícia e juiz (ao condenar socialmente cidadãos sobre os quais chega, às vezes, ao cúmulo de apenas dizer que vai fazer uma averiguação para saber se estão envolvidos ou não, como fez no caso de Jutahy Jr.).

Vale ainda lembrar que tratei da pirotecnia que a Polícia Federal tem feito, com freqüência crescente, em muitas de suas operações, especialmente durante o segundo mandato do presidente Lula, isto é, a partir de quando esteve subordinada ao ex-ministro da Justiça Tarso Genro, hoje governador eleito do Rio Grande do Sul. E indiquei os objetivos dessa pirotecnia, alternativos ou cumulativos – mostrar serviço à sociedade para valorizar o órgão e seus agentes, mostrar serviço ao governo, para valorizar-se junto a este ou atender a objetivos políticos específicos do governo de plantão.

No sábado, publicada esta análise, recebi telefonema do deputado Jutahy Jr. Ele mostrou-se indignado com o envolvimento de seu nome pela Polícia Federal. “Isso não vai ficar assim, atingem as pessoas de modo absurdo, não respeitam o direito à reputação, nem a presunção de inocência”, disse. “Não fiz e não faço mesmo nada de errado, não tenho medo”. Não chegou a antecipar como pretende reagir, se politicamente, se também juridicamente.

Em tese, uma reação política pode ser principalmente efetivada da tribuna parlamentar, como também originar-se no partido político ou na bancada deste partido, no caso, o PSDB. Uma reação judicial, teoricamente, pode ocorrer nos âmbitos do direito penal (crime de calúnia ou difamação) e do direito civil (danos morais).

Não sei se o deputado vai entrar por esta seara dos danos morais, a serem ressarcidos pela União, mas estou convicto de que faria um benefício à afirmação da cidadania se, entre outros, trilhar este caminho. Isto porque ele é uma pessoa de bastante visibilidade no país e o processo teria, assim, visibilidade para tornar-se um exemplo para outras vítimas de ações autoritárias e arbitrárias dos aparelhos policiais e para esses aparelhos também.

O deputado Jutahy Jr. está convencido de que o comportamento da PF foi “direcionado” politicamente. Ele lembra que a PF com base em Ilhéus executou a operação na quinta-feira e a anunciou, por email (o texto do email, observou o deputado, é esclarecedor dos propósitos visados pela PF na divulgação), na sexta-feira, exatamente o dia em que o presidente Lula esteve em Ilhéus.

Mera coincidência? Karl Jung não diria isto. Ele não encontraria melhor exemplo para caracterizar o que chamou de sincronicidade.

A Vila boêmia de Noel e da cronista

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CRÔNICA/UM LUGAR

Noel na minha vida na Vila Isabel…

Maria Aparecida TornerosPiso nas notas musicais desenhadas no chao da Vila Isabel. Em pedrinhas portuguesas, ali estao alguns pedacinhos das canções que Noel Rosa imortalizou, em nosso bairro.

Quando vim morar no Andarai, com meus pais e irmao, tinha 20 anos. Logo, mudamos para a Vila e aqui passamos a morar em casas proximas, a partir dos casamentos e vindas de filhos e netos, costumamos circular pelas ruas onde vivemos, Teodoro da Silva, Maxwell, Artistas, Dona Maria, Souza Franco, e no Boulevard 28 de setembro.

Para quem vive por aqui, ja se tornou habito, dar uma paradinha no Petisco e ouvir historias de Noel.

Passei minha infancia e adolescencia no subúrbio da Leopoldina, precisamente em Ramos, era vizinha do mestre Pixinguinha, morava na rua do bloco Cacique, via e ouvia serenatas, pagodes de quintal, chorinho nos portões das casas, homens nas esquinas tocando violão.

Havia sempre gente cantando num Rio de Janeiro dos anos 50 e 60; cresci metida na “grandeza da gente humilde e fui muitas vezes a igrejinha da Penha, nas suas festas de outubro, subindo ate o alto, de onde avistava uma cidade encantadora, sob o prisma inverso do glamour da zona sul. Por ali, comecei a ouvir o que contavam sobre Noel, passei tambem a escutar sua musica, aprendi a sentir sua alma carioca , especialmente a vida curta e boêmia que levou

A marca do quanto Noel ziguezagueou mesclando-se entre classes sociais, misturando-se sem preconceitos ao seu povo, ele, um estudante de medicina, que se fez amigo dos malandros, que leu e traduziu o espirito gozador que caracterizou as duas decadas da sua passagem na terra.

Seu mundo virou legado e patrimônio para nossa cidade, e alcançou o patamar de brasilidade formada na consciencia cultural de uma capital como o Rio de Janeiro, infestada de fabricas de tecidos, botões, predios publicos, faculdades formadoras de médicos, engenheiros, e vidas paralelas, os botecos, os lugares do baixo meretricio, as noitadas, os amores oficiais e as paixões clandestinas, proibidas ou seus desdobramentos. Festas de São Joaã, festas da igreja da Penha, bailes nas gafieiras do centro, banhos de mar em Copacabana, escapadas da juventude que ele representou. Havia o risco da tuberculose, e ainda pairava nos ares daquele seu tempo, o romantismo quase suicida de viver intensamente as emoções, ainda que o tempo fosse curto, mas de profunda busca da felicidade.

Noel estava constantemente nas histórias suburbanas. Todos os antigos da época sabiam algo sobre ele, cada música sua tinha um enredo tão carioca e tão entranhado no orgulho dos trabalhadores que pegavam o trem de manhazinha.

Nas minhas aulas de escola normal, analisavamos suas letras. Lembro-me que a professora Telenia Terezinha levou semanas trabalhando conosco os versos de algumas das suas criações. Impressionavam-me pelo conteudo e forma, por exemplo: “O orvalho vem caindo, vai molhar o meu chapeu, e também vão sumindo as estrelas lá do céu, tenho passado tão mal, a minha cama e uma folha de jornal, meu cortinado é o vasto ceu de anil e o meu despertador é o guarda-civil, que o salário ainda nao viu”

Como nao se apaixonar por Noel, sua genialidade e seu irreverente viver? Anos mais tarde, trabalhei com um médico que fora seu companheiro de classe na universidade, dr. Paulo Ferreira, que já velhinho, me contava mazelas entre risadas, sobre o rodizio que os colegas faziam para cobrir suas faltas, ajuda-lo nos trabalhos, esconde-lo no fundo das salas, para que ele dormisse nas manhãs em que tentava frequentar a faculdade de medicina, vindo direto da boemia, mas encantando os amigos com seus relatos e poesias musicais.

Talento, arte, encanto, um conjunto privilegiado para um compositor e interprete do seu proprio destino, capaz de nos sensibilizar hoje tanto que ao completar 100 anos de nascimento, e depois de ter vivido somente 26, na verdade, permanece vivo, esta entre nós, e a mim, especialmente, me faz muito bem cantarolar Palpite Infeliz… ” quem e você que nao sabe o que diz, meu Deus do ceu que palpite infeliz, a Vila não quer abafar ninguem, so quer mostrar que faz samba tambem…”

As rodas de samba continuam pela Vila e pela cidade toda, temos uma herança que nos mobiliza especialmente na vida e obra do grande Noel, o sensivel estudante, o apaixonado homem, o gozador e brincalhao letrista que perguntava com que roupa iria ao samba, o sofrido autor do ultimo desejo, o simpatico motorista apaixonado pela operaria da fabrica de tecidos, cujo apito feria seus ouvidos, nas manhas em que ele voltava da farra e observava a jovem que nao lhe dava bola.

Noel fez do seu dia a dia um enredo de canções especiais, imortalizou costumes através das suas poesias, brincou com seus momentos de dor e ultrapassou os sofrimentos humanos nos oferecendo alegria, emoção, a sensação deliciosa de que realmente ser da Vila, com licença, meus senhores, nos confere o status de sermos parceiros do Noel, mesmo um seculo depois…

Cida Torneros, jornalista e escritora, moradora da Vila Isabel, edita no Rio sdew Janeiro o Blog da Mulher Necessária.

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Viva a Vila de Noel, Martinho, Martinália e Cida.

BOA NOITE!!!

(Postado por Vitor Hugo Soares)

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