set
25

Willie: carisma em Saratoga

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CRÔNICA/ESPETÁCULO

Com Willie em Saratoga

Regina Soares

Direto de San Francisco (EUA)

O verão não começa sem a abertura dos concertos na Vinha da Montanha, “The Mountain Winery” (http://www.mountainwinery.com/).
No topo de uma elevada colina na cidade de Saratoga na California, o local é, por si só, um deslumbramento: Espetacular vista do Silicon Valley, ambiente acolhedor e refinado, ainda que ao ar livre, cada visita é um evento realmente inesquecível!
O calendário é largo e o preço alto, deixando a tarefa da escolha ainda mais difícil. Dentre os nossos escolhidos estava o show de Willie Nelson, legendário cantor e compositor da musica “country” nos Estados Unidos. Uma figura controversa, não só por seu visual com suas longas tranças grisalhas, bandanna vermelha acompanhando o famoso chapéu de vaqueiro que o tornou um icone da cultura popular americana e reconhecido universalmente, também por sua rebeldia em conformar com as regras sociais e a dureza das leis que não se adptam ao seu modo de viver. Willie travou uma longa batalha com o todo poderoso IRS (Internal Revenew Service) que seria o nosso famoso “Leão”, na década de 80 que o deixou com uma divida de alguns milhões de dólares em impostos atrasados, pagos com a venda do disco duplo “The IRS Tapes” e o apoio popular.
Mas, não vou contar sua historia nem trajetoria musical que, com mais de 200 álbuns desde o começo de sua carreira em 1950, grandes hits que o tornaram uma grande estrela do gênero “Country Americano” é conhecida e reconhecida mundialmente. Quero responder a pergunta que talvez alguns de vocês tenha: Por que Willie?
A resposta é simples: Autenticidade! Nos tempos que vivemos, coisa rara.
Não sendo, nem eu nem meu filho jovem que me acompanhava, fãs da chamada musica sertaneja (country), embora as características do nosso sertão sejam bem diferentes ao equivalente americano, também sofredor e embalado em “blues”, não temos nenhum tipo de restrição a qualquer tipo de musica desde que nos toque, que nos fale, que nos chegue aos sentidos e nos ganhe.
Willie Nelson foi sempre alguém que me interessou conhecer por tudo que já disse e seu carisma ficou evidente em tudo que nos presenteou naquela noite de lua cheia no céu de fim de verão!

Regina Soares é advogada, especializada em eleições americanas, mora na Califórnia há mais de 30 anos e esteve, com o filho Pablo, também amigo e colaborador do BP, no show de Willie Nelson em Saratoga.


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ELEIÇÕES NA HISTÓRIA

MORALIDADE ÀS FAVAS

Rosane Santana

Menos de dois séculos depois da primeira eleição geral, que elegeu os deputados às Cortes de Lisboa, em 1821, o Brasil deu saltos significativos em direção ao aperfeiçoamento do processo eleitoral. Para coibir a fraude, velha prática estimulada pelos barões do Império e pelos coronéis da República, por exemplo, criou-se o título de eleitor, em 1881, e, nos anos 30 do século passado, a Justiça Eleitoral e o voto secreto foram implantados por Getúlio Vargas, que, mesmo derrotando com armas os constitucionalistas de 1932, teve de incorporar algumas de suas reivindicações, no sentido de moralizar as eleições viciadas pelas velhas oligarquias estaduais.

Em 1996, outro marco histórico: a estreia das urnas eletrônicas iniciou o processo de informatização das eleições, que tem atraído a atenção de estudiosos, políticos e eleitores em várias partes do Planeta. A iniciativa tem sido aperfeiçoada ao longo dos últimos anos e caminha para a identificação do eleitor pela impressão digital (biometria), aproveitando os avanços proporcionados pela revolução tecnológica.

Com mais de 135 milhões de eleitores inscritos para votar este ano, de acordo com números do Tribunal Superior Eleitoral, o Brasil é a terceira “democracia participativa”do mundo, atrás da Índia e dos Estados Unidos, segundo o cientista político Jairo Nicolau. Enquanto a urna biométrica não é implantada, definitivamente, com o objetivo de assegurar a lisura das votações em todo o País, o Tribunal Superior Eleitoral determinou que, no dia do pleito, o eleitor apresente, além do título, um documento de identidade com fotografia, fechando uma porta escancarada para a fraude.A medida, aliás, foi aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado..

A iniciativa que de há muito deveria ter sido tomada, enquanto não se institui, em caráter definitivo, a votação por meio de biometria, está sendo condenada pelo Partido dos Trabalhadores, que também participou de sua aprovação há um ano.

Mas, quem diria, o PT que se arroga porta-voz da modernidade política no Brasil entrou com processo no Supremo Tribunal Federal (STF) para que aquela corte decrete inconstitutional a exigência do TSE, que faz cumprir uma lei sabidamente correta, no sentido de coibir a fraude num território de dimensões continentais, onde a fiscalização é frouxa e a ação de capangas travestidos de cabos eleitorais, além do abuso de poder econômico e toda sorte de violência, mesmo no século XXI, pode facilitar a ação inescrupulosa de “fósforos”.

Os fósforos, para quem não sabe, eram aquelas personagens que, no Brasil Império (1822-1889), segundo o deputado conservador e testemunha da época, Francisco Belisário Soares de Souza, costumavam votar em lugar de mortos, doentes e ausentes por qualquer motivo, fraudando o resultado das eleições e a autenticidade da representação popular, pedra fundamental do regime democrático.

Sinal de que a iniciativa do TSE atinge em cheio o eleitorado do Bolsa Família, onde estão os geralmente indocumentados eleitores da candidata petista Dilma Rousseff, que fez coro com o partido, e que a eleição, ao contrário do que parece, não deve ser decidida no primeiro turno. Não é outro senão este, o motivo da gritaria petista.

Moralidade às favas.

Rosane Santana é jornalista, com mestrado em História pela UFBA. Estuda o Poder Legislativo, elites políticas e eleições no Brasil.

set
25
Posted on 25-09-2010
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 25-09-2010

Dilma: tropeço no Farol da Barra/A Tarde

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ARTIGO DA SEMANA

TROPEÇO COM SALTO ALTO

Vitor Hugo Soares

Recebo em Salvador uma ligação de Brasília. Na outra ponta da linha está um jovem repórter em sua primeira cobertura em escala nacional, mas em cujas corretas informações factuais e observações opinativas sempre agudas e inteligentes confio integralmente. Lembra muito o inquieto Bob Fernandes, recém saído da Escola de Comunicação da UFBA, em seu começo de carreira na redação da Radio JB-FM e sucursal baiana do Jornal do Brasil, que então eu chefiava no bairro de Pernambués.

Conversamos sobre política e Bahia e lamentamos mutuamente a morte do antropólogo Vivaldo da Costa Lima na quarta-feira, 22, (motivo principal do telefonema). Poucos parecem se dar conta da extensão cultural da perda, envoltos no tiroteio da campanha política e do cada um por si dos últimos dias de comícios, animados ou macambúzios pelos números mais recentes das pesquisas dos principais institutos.

Acadêmicos, jornalistas e intelectuais em particular, salvo raras exceções, passam batidos diante do desaparecimento de Vivaldo, pensador, pesquisador e contundente homem de ação que marcou um tempo na Bahia. Na política, inclusive, quando conduzia a restauração do Pelourinho, no primeiro governo de Antonio Carlos Magalhães.

Escurece na capital baiana e na capital do País. Ao telefone, o repórter informa: está parado diante do quartel general de comando da campanha petista, à espera da saída da candidata da coligação PT-PMDB, que voaria dali a instantes para participar, ainda naquela noite, de um comício no Paraná.

No interior do prédio, Dilma Rousseff aguarda o “fim do expediente” no Palácio do Planalto. Em seguida, o presidente Luís Inácio Lula da Silva trocará o terno com gravata de chefe da Nação pela camisa vermelha de cabo eleitoral, antes de também decolar no avião que o levará ao comício paranaense, onde aparecerá horas depois em imagens esfuziantes ao lado de sua candidata “in pectore” .

Antes de desligar vem à tona na conversa considerações sobre o ambiente de evidente e perigoso “já ganhou” no núcleo principal de condução da campanha da chapa da coligação governista. “Salto alto quase geral”, comenta o atento repórter. O comentário confere com registros de Brasília chegados aos ouvidos do autor desta linhas por outras vias. O empenho visível de passar a impressão de “favas contadas”, e, principalmente, apresentar Dilma não mais como candidata preocupada com os resultados das urnas, e sim na condição de executiva sentada na cabeceira da grande mesa, tratando já do futuro governo.

Quase ninguém parece dar importância igualmente aos vídeos da “campanha alternativa” do candidato do PSDB, José Serra, que minutos antes começavam a circular nos múltiplos espaços da Internet, via You Tube, mas já bombavam em quantidade acessos nos mais importantes sites, portais e blogs políticos do país , a ponto de até travar alguns, como revelava em comentário um leitor do Blog do Noblat.

Nos vídeos, em produções marqueteiras caras, de primoroso acabamento técnico e artístico, pontuado por corrosivas mensagens críticas, a imagem de Dilma se transforma em José Dirceu, e cães agressivos são açulados em cena. Nem parece campanha sonolenta do tucano Serra na TV, mas os petistas nem ligam. Ou pelo menos não ligavam até a divulgação, no dia seguinte, da mais recente pesquisa Datafolha, na qual Dilma cai cinco pontos diante de seus adversários em conjunto, o que transforma a antes remota possibilidade do segundo turno no pleito presidencial em algo nem tão distante assim. Marina, sem mud ar o tom, se destaca na “onda verde” que cresce em todas as regiões e pode levar o jogo para a prorrogação. Ou para decisão nos pênaltis.

Desligados os telefone, revejo mentalmente que o “salto alto” não é só em Brasília. No começo da semana, Dilma Rousseff chegou de surpresa em Salvador. Veio gravar cenas para o seu programa eleitoral no Farol da Barra, dias depois de ter alegado problemas de agenda para não subir no palanque do aliado do PMDB, Geddel Vieira Lima.

No cartão postal de Salvador, de público, a petista “rifou” de vez o apoio ao candidato peemedebista. Anunciou no Farol dos grandes eventos, que seu apoio nesta etapa definitiva da campanha é exclusivamente a Jaques Wagner (PT). “Nesse instante eu tenho apoio claro ao governador Jaques Wagner. Geddel nós apoiamos, mas pelas pesquisas, não está bem situado. Tudo indica que a disputa é entre os dois primeiros (Wagner e Paulo Souto). Por isso eu tenho um candidato: Jaques Wagner”.

E ponto quase final, não fossem os resultados das pesquisa Datafolha para o governo da Bahia, divulgados quinta-feira, 23. Wagner, do PT, caiu cinco pontos diante de Paulo Souto, do DEM/PSDB, que subiu cinco em relação à última pesquisa. Geddel cresceu um ponto. São 11 pontos de perda do governista para seus adversários. Sustos na Bahia como em Brasília.

Pelos índices do último Datafolha ainda daria Wagner no primeiro turno. Mas a oposição ganhou o gás que já parecia faltar para tentar empurrar a decisão baiana para novembro.

Salto alto é pouco.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: Vitor_soares1@terra.com.br

Souto cresce e reanima campanha

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Os resultados da nova pesquisa do instituto Datafolha, divulgados ontem, espalhou ânimo novo nas campanhas eleitorais, tanto para a presidência da República como para o governo estadual. Este é o tema do jornalista político Ivan de Carvalho em seu artigo desta sexta-feira, na Tribuna da Bahia. “Quanto à sucessão estadual, Wagner continua em posição para vencer no primeiro turno, mas tem motivos para não estar eleitoralmente feliz”, diz Ivan no texto que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

O eleitor se move
Ivan de Carvalho

A última pesquisa do Instituto Datafolha espalhou sobre o panorama das eleições para presidente da República e para o governo do Estado da Bahia uma onda de dúvidas. A amostragem, feita com mais de 12 mil entrevistados – sendo 1.300 deles em 43 cidades baianas – teve a descortesia de trocar o certo pelo duvidoso, de introduzir a polêmica onde já havia, pela força dos fatos ou das aparências, comemorações antecipadas mal disfarçadas de um lado e conformismo quase confesso de outro.
Na disputa presidencial, o escândalo da violação do sigilo fiscal, inclusive de pessoas ligadas ao candidato oposicionista José Serra ou ao seu partido, o PSDB, somou-se a outro mais estridente, envolvendo os Correios, mas centrado na Casa Civil da Presidência da República e na ex-ministra-chefe Erenice Guerra, para a Casa Civil levada pela candidata petista e governista Dilma Rousseff.
À escandalosa e criminosa violação de sigilo fiscal de tantas pessoas – de algumas com óbvio objetivo político-eleitoral – e ao outro escândalo, realmente espantoso, de corrupção, juntou-se um terceiro escândalo, coordenado ou liderado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Este não é um crime contra as garantias individuais – mais especificamente a privacidade – asseguradas pela Constituição como uma de suas cláusulas pétreas. Nem se trata de denúncias gravíssimas de corrupção, que precisam ser investigadas a partir dos já fartos indícios e evidências existentes.
O escândalo coordenado ou liderado pelo presidente da República é mais grave – um ataque em profundidade contra a liberdade de expressão, que inexiste na civilização atual sem uma mídia livre, alvo contínuo de bombardeio desencadeado a partir dos discursos recentes do presidente. Parece que para ele, nas proximidades das eleições e simultaneamente às denúncias de violação de sigilo fiscal e de corrupção no cerne do Poder Executivo, a tentativa de intimidar ou desmoralizar a mídia tornou-se uma obsessão. Ora, se consegue silenciar pelo medo ou desmoralizar o denunciante principal (a mídia), as denúncias perdem força.
Mas parece que a sociedade começa a reagir, embora seja muito duvidoso que o faça na velocidade e amplitude necessárias para virar o jogo eleitoral para presidente, pois as eleições estão muito próximas – faltam nove dias apenas. A diferença entre Dilma e o conjunto de seus concorrentes caiu de 12 para sete pontos percentuais. Continua improvável, embora já não pareça impossível, um segundo turno eleitoral para presidente.
Detalhe: Dilma perdeu quatro pontos na Bahia. Isso aconteceu depois que ela, quando veio filmar pata a propaganda eleitoral gratuita no Farol da Barra, deixou quase todo mundo perplexo ao definir-se pelo apoio exclusivo à candidatura do governador Wagner à reeleição, descartando explícitamente Geddel, numa atitude impressionante, já que antes de subir nos saltos altos vivia paparicando o peemedebista e achando normal os “dois palanques” na Bahia.
Quanto à sucessão estadual, Wagner continua em posição para vencer no primeiro turno, mas tem motivos para não estar eleitoralmente feliz. Em uma semana, sua vantagem sobre o conjunto dos concorrentes (o que define se haverá ou não segundo turno) caiu 11 pontos, segundo o Datafolha. Wagner passou de 53 para 48, enquanto a soma dos concorrentes subiu de 23 para 36. Foi, não há como negar, um movimento importante. Com esses números, Wagner ainda ganharia sem precisar de segundo turno. Resta saber se o movimento ocorrido é uma tendência ou foi apenas um momento isolado na disputa do Palácio de Ondina.


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No artigo que assina esta quinta-feira-feira, na Tribuna da Bahia, o jornalista Ivan de Carvalho comenta o resultado da pesquisa do Pew Research Center, realizada em 21 países. As melhores avaliações encontradas no Brasil, dentro do universo de temas pesquisados pelo Pew Research Center, couberam ao presidente Lula e à mídia . “Lula conseguiu uma pequena vantagem sobre a mídia, mas com uma margem estreita o suficiente para caracterizar o chamado empate técnico”, revela Ivan no texto que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Avaliações positivas

Ivan de Carvalho

O Pew Research Center é uma organização apartidária sediada em Washington e que, como o próprio nome indica, pesquisa. Nesta sua função, acaba de anunciar – a notícia chegou ao Brasil ontem – os resultados de uma pesquisa que realizou em 22 países. OI, numa outra forma de dizer, os resultados de uma pesquisa realizada no Brasil, semelhante a outras realizadas em 21 países espalhados pelo mundo.
O cerne dessa pesquisa de opinião pública diz respeito à avaliação que a população do Brasil e dos outros 21 países fazem de diversas coisas. As melhores avaliações encontradas no Brasil, dentro do universo de temas pesquisados pelo Pew Research Center, couberam ao presidente Lula e à mídia – esta, atualmente, sob ataque do governo.
Lula conseguiu uma pequena vantagem sobre a mídia, mas com uma margem estreita o suficiente para caracterizar o chamado empate técnico. Nada menos que 84 por cento dos entrevistados no Brasil consideram que a influência do presidente tem sido positiva para o país.
No momento, só Deus seria capaz de superar Lula em avaliação positiva no Brasil e mesmo assim tenho minhas dúvidas, já que o eleitorado se apronta para eleger uma candidata que, segundo voz geral no meio político, era atéia até o início da campanha eleitoral, quando, talvez em resposta à ânsia dos repórteres por novidades, passou a experimentar um processo de conversão progressiva e rápida.
Assim, essa candidata teria avançado do ateísmo àquela “reza básica” quando o avião balança, maneira com que “a gente vai assim equilibrando as coisas” entre o “não sei se é, não sei se não é”, chegando às lembranças da formação cultural católica e do batismo até a mais recente afirmação categórica – “Sou católica, com certeza”.
Mas a mídia – que por falta de coisa mais importante a fazer, anda aqui e ali informando (com demasiada discrição) sobre a orientação religiosa ou o ateísmo de candidatos a presidente da República, uma informação que pode não ter importância para muitos eleitores, mas tem grande importância para muitos outros – não fica quase nada atrás do presidente Lula.
Dos entrevistados pelo Pew Research Center (podem esperar, alguém vai alegar que não vale, por ser entidade sediada em Washington e ter nome em inglês), 81 por cento avaliam que a mídia tem tido uma influência boa para o Brasil.
Assim, quando a mídia critica o presidente, a grande maioria das pessoas não concorda. A outra face da moeda é a de que, quando o presidente critica a mídia, ou simplesmente a ataca, grosseiramente, como vem fazendo nos últimos dias – período em que a mídia tem denunciado certas malfeitorias no governo – a grande maioria das pessoas não concorda com o presidente.
Esta é uma boa razão para ele refletir. Talvez conclua que deve rever os conceitos recentemente emitidos sobre a mídia. Ou talvez conclua, como fez seu colega venezuelano Hugo Chávez, que vale a pena manter a queda de braço e que acabará vencendo. Mas, se vencerá ou não, caso persista, somente a história nos contará.

set
22
Posted on 22-09-2010
Filed Under (Crônica, Eventuais) by vitor on 22-09-2010

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CRÔNICA DE ADEUS

OYÁ VEIO BUSCAR VIVALDO

Marlon Marcos

A primeira vez que ouvi falar sobre antropologia foi, aos 7 anos de idade, da boca do próprio professor Vivaldo da Costa Lima, simbolo da antropologia brasileira, que foi “bater um papo” com os alunos do antigo primário de uma escola pública, situada no bairro do Maciel – Pelourinho, que levava o nome deste grande mestre. Eu, ousadamente, já era aluno do 2º e estava entre os mais curiosos e lhe fiz, na época, várias perguntas… A antropologia me mordeu ali, e desatento, não entendi que esta disciplina, em algum tempo, seria minha maior linha de ação e interesse profissional. Perdi muito tempo. Em 1990, fui aluno do professor Vivaldo no curso de Ciências Socias, na UFBA, quando, tive contato com sua arrogância , e na mesma proporção, com sua maestria e generosidade intelectual.

Vivaldo se foi… Nesta quarta-feira, dia 22 de setembro; o sol quente dos trópicos e a Primavera iniciando. Se foi deixando discípulos e livros, leituras expressivas sobre a diversidade cultural humana à luz das mais importantes teorias antropológicas que circularam nos meios acadêmicos no mundo. Se foi cumprindo uma vida como homem, intelectual e político – que será para sempre lembrado na cidade e no País que ele tanto contou história, preservou a memória e dignificou o filão dos que usam a ciência como forma de melhorar o mundo explicando a necessidade da coexistência entre os diferentes, e lançando luz sobre os feitos culturais dos que foram submetidos pela escravidão ou pela pobreza social.

E eu aqui: aquele menino descobrindo o termo antropologia em 1977… hoje, um jovem senhor, em 2010, continuo querendo querendo querendo descobrir a antropologia captando e exprimindo a poesia que há nela e que senti pela primeira vez na fala de um dos mestres maiores que esta ciência produziu no Brasil.

Oyá veio buscá-lo… O senhor foi o melhor intérprete do Afro-Brasil… Ogum que lhe dê assento no Orum entre os ventos nobres e negros do povo que o senhor tanto estudou. Olorum modupé e minhas saudades sinceras!!!
Marlon Marcos, cronista, é um poeta em busca da poesia da antropologia, como o próprio autor, diplomado pela UFBA, se define.

set
22


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O novo choque imprensa x governo, que se radicaliza às vésperas do pleito para a sucessão presidencial, em 3 de outubro, motiva a análise do jornalista político Ivan de Carvalho em seu artigo desta quarta-feira, na Tribuna da Bahia, que Bahia em Pauta reproduz. Confira.
(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Ataque em nova fase

Ivan de Carvalho

Ataques do governo à mídia não são uma novidade histórica. Ocorrem com certa freqüência nos países cujos governos são pouco afeitos à democracia ou têm pouco afeto à liberdade. Esses ataques de quando em vez têm ocorrido no Brasil.

O fenômeno experimentou uma fase especialmente intensa durante o regime militar que consumiu a década de 70 e parte das décadas de 60 e 80 do século passado. Então, o ataque era geralmente silencioso, praticado pelo sufocamento econômico de alguns veículos, pela intimidação política implementada por inquéritos policiais e até processos judiciais e principalmente pelo silenciamento por intermédio da censura prévia.

Em alguns casos extremos, pelo ataque físico às instalações do veículo, como ocorreu, por exemplo, com a Tribuna da Imprensa, do Rio de Janeiro, que teve seus equipamentos e instalações literalmente destruídos. O processo movido por esse jornal contra o Estado brasileiro, reclamando indenização, ainda aguarda julgamento pelo STF, mas a destruição criou uma conjuntura financeira que obrigou finalmente o jornal a extinguir (suspender indefinidamente) sua edição impressa e manter apenas um site na internet.

A Tribuna da Imprensa era, na época em que foi atacada e destruída, um jornal que criticava duramente o governo. O governo mudou, mas o jornal continuou criticando duramente o governo de plantão, fosse qual fosse. Seu atual proprietário, jornalista Hélio Fernandes, sustenta que “imprensa é oposição, o resto é perfumaria”. Ou coisa semelhante.Menos. Eu diria que menos. Mas, por causa de seu público, diante dos governos, a mídia tem algumas obrigações básicas. Quando um governo acerta, não faz mais do que sua obrigação e, portanto, não deve esperar elogios. Quando erra, descumpriu sua obrigação de fazer a coisa certa e merece críticas. Para impedir que continue errando e se compraza no erro e para que perceba o erro e sinta a necessidade de repará-lo.

Mas, no momento, no Brasil, a mídia está sob ataque severo do governo federal, principalmente do presidente Lula. Da maneira que ele está colocando as coisas, está fazendo muito mal à democracia e à liberdade que diz tanto prezar. Busca jogar os segmentos menos instruídos da sociedade brasileira contra a mídia, que, malgrado suas imperfeições, é indispensável à existência da liberdade em geral e da democracia.
Uma nova fase do ataque à mídia começa agora. A mesma fase que, na Venezuela, já está em avançado estágio de execução. Aqui, o presidente da República acusou a imprensa de agir como partido político. Isso, desta vez, talvez irritado por causa das graves denúncias – às vésperas das eleições – sobre violação de sigilo fiscal e sobre as coisas ruins no entorno da Casa Civil da Presidência da República.

Ato contínuo, as centrais sindicais, vinculadas ao governo, alguns sindicatos, partidos governistas e movimentos sociais farão na quinta-feira, em São Paulo, um “Ato contra o golpismo midiático”. O convite para o evento, divulgado pelo PT, acusa a imprensa de “castrar o voto popular”, de “deslegitimizar (sic) as instituições” e destruir a democracia. Chávez não diria melhor.

Ah, o convite para o tal “Ato contra o golpismo midiático” – apenas num primeiro momento evidente esforço para tentar vencer a eleição de governador em São Paulo – não faz, segundo O Globo, menção explícita às “denúncias de corrupção que atingem a Casa Civil da Presidência”.

set
21
Posted on 21-09-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 21-09-2010

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OPINIÃO POLÍTICA

A TV ESTATAL E SEU USO

Ivan de Carvalho

Com base em reportagem publicada ontem no jornal Folha de S. Paulo, o PSDB decidiu pedir que o Ministério Público Eleitoral investigue o uso de funcionários públicos e equipamentos da TV oficial do governo para filmar comícios da candidata Dilma Rousseff (PT) que tenham a participação de Luiz Inácio Lula da Silva. Advogados desse parido de oposição devem entregar hoje à Procuradoria Geral da República representação com o pedido de investigações.

O advogado Eduardo Alckmin, que trabalha para o PSDB, evitou assumir integralmente a denúncia do jornal. “Aparentemente, há indícios de que isso [uso da máquina pública] esteja acontecendo. Mas é preciso apresentar provas, por isso o Ministério Público Eleitoral tem melhores meios para investigar que os partidos”, disse ele.

Segundo denuncia o jornal, há no governo ordem para que cinegrafistas e auxiliares da TV NBR – canal da Empresa Brasil de Comunicação, EBC, que noticia atos e políticas do governo – gravem todos os discursos do presidente Lula nos eventos da campanha eleitoral.

Isto, perante a legislação eleitoral brasileira, caracteriza uso ilegal da máquina pública na campanha eleitoral, mesmo tratando-se da gravação de discursos do presidente da República. É que Lula não está comparecendo a esses eventos eleitorais como presidente da República, mas como um político partidário da candidatura de Dilma Rousseff à sua sucessão. Ou então como cabo eleitoral de outros candidatos a governador e senador, nas unidades federadas.

Segundo o jornal – e aí estará um aspecto grave, se confirmado, pois significará tentativa de dissimulação do crime eleitoral, algo assim como a ocultação do cadáver da vítima de homicídio. A direção da TV estatal determinou que esses servidores, antes de iniciarem as filmagens, tenham o cuidado de retirar os sinais de identificação da emissora estatal – a camiseta ou colete, a canopla (peça que tem a logomarca) do microfone e o adesivo colado na câmera. Tudo isto, claro, porque a lei proíbe o uso eleitoral da máquina pública.

A determinação da emissora, ressalta o jornal, fere também o estatuto da NBR. “Cabe à emissora divulgar somente os atos institucionais do Executivo, o que inclui os ministérios, com prioridade para a Presidência da República”, explica a Folha.

Bem, a propósito de que fiz até aqui a reprodução de duas notícias, uma, a denúncia do jornal, a outra, a decisão do PSDB de pedir investigação do Ministério Público, notícias que já foram objeto de divulgação? Apenas para situar melhor uma reflexão.

Quando o governo Lula decidiu criar a TV estatal NBR, houve uma polêmica, com uns afirmando que o governo pretendia criar um instrumento de propaganda, principalmente política, a seu serviço. A TV estatal seria desnecessária, pois a mídia eletrônica já divulga normalmente o noticiário do Executivo quando é do interesse do público a informação.

Tal argumentação foi contestada pelo governismo, que criou a estatal EBC e a TV NBR, garantindo que não seria usada politicamente. Agora, surge a denúncia detalhada de que não só está sendo usada politicamente, como eleitoralmente. E de modo ilegal, constituindo crime eleitoral. Se comprovada a denúncia, qual o crédito que ainda se poderá dar a garantias do governo? Aliás, de um governo que tão mal tem falado da mídia…

set
20

Dirceu: fala explosiva para petroleiros

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Segue motivando polêmica – e com razão – o discurso do ex-miniostro da Casa Civil, José Dirceu, para petroleiros em Salvador, na semana passada. É este o tema do artigos do jornalista político Ivan de Carvalho, esta segunda-feira, na Tribuna da Bahia, que Bahia em Pauta reproduz.

(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Associação e dissociação históricas

Ivan de Carvalho

1. Escândalo da violação de sigilo fiscal na Receita Federal, atingindo, não por mera coincidência, também familiares e aliados do principal candidato da oposição a presidente da República, José Serra.
2. Escândalo causado pelas denúncias sobre tráfico de influência e propina, com foco na Casa Civil da Presidência da República, onde a ministra-chefe Erenice Guerra, indicada para o cargo por sua antecessora Dilma Rousseff e nomeada pelo presidente Lula, foi forçada a pedir exoneração.
3. Os dois escândalos anteriores deixaram numa área de sombra, de divulgação modesta e pouco debate nacional, as quase (estou querendo ser generoso) escandalosas afirmações do ex-guerrilheiro, ex-deputado, ex-presidente do PT e ex-ministro-chefe da Casa Civil (antecessor de Dilma Rousseff), José Dirceu, que tem uma influência muito grande em seu partido.
4. Nessas afirmações, feitas em Salvador para uma platéia de petroleiros, supostamente sem saber da presença de jornalistas, Dirceu disse várias coisas interessantes, talvez cada uma delas merecendo ser objeto de algum debate em escala nacional, especialmente neste momento em que a maioria do eleitorado se dispõe a dar o terceiro mandato consecutivo de presidente da República a alguém do PT.
5. Mas o que, tentando ser generoso, qualifiquei de afirmações “quase escandalosas” foram as que envolveram o poder da mídia, a liberdade de imprensa e de expressão. Não estou me referindo à noticiada declaração de que “há um excesso de liberdade de expressão e de imprensa” no país, pois o ministro acaba de desmenti-la, de afirmar que não disse isto.
6. Refiro-me, sim, à parte de sua palestra em que o importante petista explica aos petroleiros, numa óbvia alusão ao papel desagradável – para a sensibilidade do palestrante, bem como do presidente Lula (este não deixou dúvidas quanto a isso em comício na semana passada) – que a mídia tem exercido. Dirceu destacou o “poder econômico” e o “poder da mídia”, para indagar qual o poder que pode enfrentar o poder econômico aliado ao poder da mídia e dar a resposta: “É o poder político…”.
7. É. Nos regimes comunistas enfrentou com galhardia. Extinguiu o poder econômico privado, extinguiu a mídia livre pela diversidade, tornou ambos monopólio do Estado controlado por um partido. Resultado: totalitarismo. Atualmente, tem-se uma tentativa autoritária, com a “revolução socialista bolivariana” do coronel-presidente-ditador Hugo Chávez. Cassa, confisca e estatiza a mídia oposicionista mais eficaz, ameaça de fazer o mesmo com a parte da mídia privada que restou, intimida, sufoca, enquanto constrói forte mídia estatal. Com isso solapa o “poder econômico” privado que, como o restante da sociedade, fica sem canais de expressão livres.
8. Rebatendo as interpretações de que estaria contra a liberdade de expressão e imprensa, o ex-ministro José Dirceu disse que quem tem uma história diretamente associada à liberdade. “Só quem sofreu as chagas da Ditadura Militar neste país sabe, na pele, o que é ser defensor da democracia. E não existe democracia sem garantia ao direito à expressão e ao livre exercício da atividade jornalística”.
Bem, o ministro disse isso ontem, em um artigo. Li todo, mas o resto não importa. O que importa é que é uma verdade totalmente conhecida que os que escolheram a luta armada contra o regime militar tinham ideologia que propunha, não a liberdade e a democracia, mas aquele regime que extinguiu o poder econômico privado e a liberdade de expressão, usando para isto o poder político (incluindo seus braços militar e policial). Infelizmente, esta é uma história diretamente dissociada da liberdade.

set
19
Posted on 19-09-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 19-09-2010

Assinada pela correspondente Maria João Guimarães o jornal Público, um dos mais importantes diários de Portugal, publica interessante reportagem sobre o surpreendente papel da ferramenta Twitter, na Internet, na campanha presidencial em curso no Brasil. Bahia em pauta reproduz:
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A campanha política brasileira apostou na Net, e a Net apostou de volta. A presença dos três principais candidatos no Twitter é grande: juntos têm mais de 750 mil seguidores. O Twitter serviu para divulgação de boatos e notícias (por exemplo em relação à escolha dos “vices”), e serviu ainda de palco para debates – esta campanha viu o primeiro debate presidencial na Internet.

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Maria João Guimarães

Curiosamente, a candidata à frente nas sondagens, Dilma Rousseff, tem bastante menos seguidores do que o seu rival mais direto, o ex-governador de São Paulo José Serra (@joseserra_). Serra foi um “tuiteiro” entusiasta enquanto governador de São Paulo e ia bem lançado, com mais de 400 mil seguidores, enquanto Dilma Rousseff (@dilmabr) chegou ao Twitter apenas em Abril, mas ia subindo de audiência, comemorando recentemente os seus 200 mil seguidores. Marina Silva (@silva_marina), a candidata do Partido Verde, contava com quase 176 mil seguidores.

José Serra é um “tuiteiro” descontraído, embora os risos informais (“rsrs”) tenham diminuído à medida que a campanha foi decorrendo e ele foi descendo nas sondagens. Aumentam as mensagens sobre comícios, eventos e temas de campanha, mas há ainda alguma interação com outros “tuiteiros”.

Os candidatos aproveitam para mostrar o seu lado “comum”, com notas para músicas, embora isso possa por vezes dar polémica – Dilma Rousseff falou do novo álbum da banda Pato Fu, mas o problema é que o fez quando decorria um debate entre candidatos a que faltou, alegando problemas de agenda.

Da Net para a imprensa

Mas também lançam ou rebatem ataques, emendam a mão explicando alguma citação mais polémica, e acabam citados na imprensa.

Quando Dilma Rousseff disse, num comício, que o “vice” de Serra, Índio da Costa, tinha “caído do céu”, ele respondeu no serviço de microblogging: “Para uma ateia, deve ser duro ter um “vice” que cai do céu”. Logo foi fustigado por seguidores, e foi obrigado a explicar que respeitava profundamente “todas as crenças e opções”.

O jornal O Estado de São Paulo relatava que, nos bastidores, o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira, de Serra) tem pelo menos dez mil militantes a atuar na rede em nome do seu candidato. O PT tem, só em São Paulo, quase mil pessoas defendendo o partido na Net – isto para além das equipes especializadas, pagas, para controlar o que sai nos blogues, Twiter, etc.

Dilma Rousseff confessou logo no início que não seria apenas ela a colocar informação no microblog: “Também não vou ficar fingindo que passarei muito tempo na Web. Vocês sabem que será impossível. Alguns amigos vão me ajudar”-

Imitar Obama não resultou

Mas há vida na Web para além do Twitter. Quem acabou por ter uma das ações mais originais de campanha usando a Internet foi José Serra. O candidato pediu contribuições dos internautas para o seu programa de Governo num site interactivo – talvez para disfarçar o fato de ter entregado ao Tribunal Superior Eleitoral (que agora exige programas dos candidatos) uma mistura de dois discursos como programa.

No entanto, Dilma Rousseff e Marina Silva levaram a cabo outra novidade inspirada em Obama: a possibilidade de doações via Internet, uma opção não utilizada por José Serra. Mas esta campanha foi vista como um fracasso. Segundo o jornal Folha de São Paulo, Dilma Rousseff obteve 90 mil reais (40 mil euros; 0,18 por cento do total de doações) de 860 pessoas, e Marina Silva 75 mil reais (33,5 mil euros, 0,55 por cento do total de doações) vindos de 1118 internautas. Em 2008, Barack Obama tinha conseguido cerca de 3,5 milhões de dadores individuais.

O fascínio com o uso eleitoral da Net aumentou com a campanha de Novembro de 2008 nos Estados Unidos. PT e PSDB cortejaram intervenientes da parte digital da campanha, e um deles acabou por acordar trabalhar para a equipa de marketing do PT.

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