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OPINIÃO POLÍTICA
O dinheiro para a saúde

Ivan de Carvalho

O líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vacarezza, garantiu em debate na televisão Bandeirantes, no fim de semana, que nenhum novo tributo será criado para o financiamento do setor de saúde “em 2011”. Sua garantia está sendo repetida por outros governistas, ao tempo em que a presidente Dilma Rousseff já afirmou à nação e até repetiu que se o Congresso determinar o aumento dos gastos públicos com a saúde estará na obrigação de indicar as fontes de recursos que cobrirão esses gastos.

Essa polêmica a respeito dos recursos e gastos para o setor público de saúde decorre do fato de que está marcada para o dia 28, na Câmara dos Deputados, a votação de um solitário destaque que vai liberar para tramitação no Senado Federal o projeto de lei complementar que regulamenta a Emenda Constitucional 29.

Esta emenda constitucional – que está completando 11 anos de vida e não conseguiu ainda ser regulamentada porque o governo e o Congresso negligenciam o setor e têm preferido gastar o dinheiro tomado aos contribuintes em muitos outras coisas menos importantes que a saúde das pessoas – aumenta, em caráter obrigatório, as dotações orçamentárias para o setor de saúde. A União terá de aumentar sua parte de sete para dez por cento de suas receitas correntes, enquanto os Estados deverão aumentar de dez para 12 por cento sua participação e os municípios passarão a investir 15 por cento de sua receita bruta no setor de saúde.

Em verdade, para a União não deveria ser nenhum grande sacrifício, pois, por exemplo, conseguiu arrecadar este ano R$ 1 trilhão nada menos que 43 dias antes da data em que havia atingido a mesma marca no ano passado. Por aí se observa o crescimento da receita da União. Quanto aos Estados e, em grande parte, aos municípios, a verdadeira dificuldade não está em aumentar suas respectivas participações para 12 e 15 por cento de suas receitas.

A dificuldade deles está em que o projeto de lei complementar em tramitação no Congresso – e que está avançando aí sob a pressão de muitas lideranças partidárias sensibilizadas pelos efeitos que o assunto pode ter na decisão dos eleitores no ano que vem – dificulta extremamente um drible, uma espécie de fraude mais ou menos ostensiva que vem sendo largamente praticada por muitos Estados e municípios.

Sem considerar a saúde da população pobre e da classe média fajuta que não pode ter um plano de saúde respeitável – uma prioridade que mereça dez, imagine-se 12 por cento, como deverá ficar –, Estados têm gasto os valores constitucionais destinados à saúde em outras coisas que somente nas cabeças dos governantes e alguns de seus auxiliares têm relação com o setor. É uma vergonha e é isto que o projeto de lei complementar à Emenda 29 vai travar – normas bem específicas definem o que é gasto com a saúde e o que não está assim qualificado não é e pronto.

Aí estão correndo pra todo lado, em busca de alguma maneira de arranjar mais dinheiro, com novo tributo, com aumento de alíquotas de tributos antigos (pelo menos dois casos são aceitáveis, os tributos sobre cigarros e bebidas). Mas o dinheiro para a saúde – neste país em que se paga uma das mais altas cargas tributárias do mundo em troca de serviços públicos que ficam entre os piores do planeta – não deve ter uma “fonte específica”, como não a têm outros setores.

Que as fontes sejam os Orçamentos federal, estaduais e municipais e fim. Há uma fonte tributária específica para pagamento dos servidores públicos? Ou para comprar caças-borbardeiros ou porta-aviões? Ou para encher a sacolinha de milhares de ONGs que de repente aparecerem por aí e são, parece, prioridade absoluta?


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Gilbertogênio, no Boa Noite do BP!

(Gilson Nogueira)


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deu no Estadão

A última gravação da cantora britânica Amy Winehouse antes de sua morte em julho, um dueto com o veterano Tony Bennett, será lançada na quarta-feira, dia em que a cantora teria comemorado seu 28o aniversário.

A música e o videoclipe de “Body and Soul” foram gravados no Abbey Road Studios, em Londres, em 23 de março, e pelo menos parte do valor arrecadado em vendas será destinada à Fundação Amy Winehouse.

Criada pelo pai de Winehouse, Mitch, a entidade beneficente tem como objetivo ajudar jovens que estão lutando contra dependência química.

Winehouse sofreu com o abuso de álcool e drogas durante sua breve e tumultuada carreira, apesar de um relatório de toxicologia revelar que a cantora não estava consumindo drogas ilegais no momento de sua morte.

“Tivemos um momento maravilhoso gravando juntos no estúdio e eu sabia que Amy estava muito feliz com seu desempenho naquele dia”, disse em comunicado o cantor norte-americano Bennett, que comemorou recentemente seu 85o aniversário.

“Eu acho que ela foi absolutamente brilhante e essa gravação realmente resgata a essência de seu talento artístico. Ela era um talento raro.”

Winehouse gravou apenas dois álbuns antes de sua morte, mas seu lançamento de 2006 “Back to Black”, que inclui sua música mais conhecida, “Rehab”, foi um sucesso comercial e de críticas e lhe rendeu cinco prêmios Grammy.

A MTV Networks exibirá o videoclipe da música em 14 de setembro, e as rádios também tocarão a canção no dia do lançamento.

“Body and Soul” é uma das 17 músicas que estarão no novo álbum de Bennett, “Duets II”, a ser lançado nos Estados Unidos em 20 de setembro.

O álbum inclui gravações com artistas como Lady Gaga, Michael Buble e Queen Latifah.

(Reportagem de Mike Collett-White)

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BOA TARDE COM AMY E BENNETT NO BAHIA EM PAUTA.

(vhs)


Aparecida: 12 de outubro, próximas manifestações

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OPINIÃO POLÍTICA

Uma luz nas trevas

Ivan de Carvalho

Na opinião do cientista político Cláudio Couto, da Fundação Getúlio Vargas, em entrevista concedida ao jornal O Globo, o Campanha Contra a Corrupão, que começou com certa timidez nas redes sociais e refletiu-se em manifestações no Sete de Setembro, pode ganhar dimensão de um forte movimento da sociedade brasileira contra a corrupção.

Claudio Couto vê desenhar-se uma mudança do “clima político do país”, traduzido principalmente numa intolerância dos brasileiros com atos de corrupção em qualquer esfera de governo. O cientista político não disse na sua entrevista, mas o que se pode concluir de suas observações é o fato de que estaria a sociedade brasileira chegando a um ponto de saturação (ou já teria chegado) que tende a fazê-la reagir vigorosamente contra qualquer episódio significativo de corrupção.

Nota-se que os milhares de jovens que protestaram em vários lugares do país no dia 7 (somente em Brasília foram 25 a 30 mil) já marcaram para 12 de outubro (Feriado de N. S. Aparecida, padroeira do Brasil, e dia das Crianças) novas manifestações. Apressado, o Rio de Janeiro já programou uma manifestação para o próximo dia 20. E não custa nada lembrar, para se quiserem marcar as manifestações seguintes para uma data próxima, que o dia 15 de novembro é o feriado da proclamação da República. Ora, nada mais republicano do que o combate à corrupção, portanto a honestidade no trato da coisa pública, vale dizer, da res publica.

Mas os que estiverem interessados em combater a corrupção (há os que estão desinteressadíssimos, naturalmente) devem estar conscientes que a mobilização nacional idealizada não será fácil de conseguir. Pelo contrário, será dificílima. Tomem-se três exemplos, das três maiores mobilizações populares que o país já conheceu e suas circunstâncias.

O primeiro deles aconteceu em 1964, iniciado às vésperas da deposição do presidente João Goulart em 31 de março de 1964. Era contra o governo e o que foi caracterizado como uma tentativa em curso de implantar no país um regime marxista ou uma “república sindicalista”. Duas grandes “marchas da família, com Deus, pela liberdade” foram planejadas, a primeira delas realizada em São Paulo, tendo a grande mídia, talvez com boa dose de exagero, noticiado a presença de 500 mil pessoas. Foi uma mobilização da classe média, então dotada de influência política incontrastável, com apoio financeiro e organizacional do empresariado paulista e o incitamento de grandes lideranças políticas, como os governadores Carlos Lacerda, do Estado da Guanabara e Adhemar de Barros, de São Paulo e o apoio de partidos políticos.

Antes de se realizar a segunda marcha, Jango foi deposto e uma junta militar assumiu o poder. A junta queria cancelar a marcha, mas seus organizadores não aceitaram. Fizeram-na. O desfile no Rio teria contado com 1 milhão de pessoas, segundo a mesma “grande mídia”. Como na época a cidade do Rio tinha cerca de 3,5 milhões de habitantes, sugere-se um bom desconto nesse público presente na marcha, segundo as notícias já aí com certa conotação aduladora. De puxa-saco, para ser direto.

As outras duas grandes mobilizações populares da história brasileira foram a Campanha das Diretas-Já e o Fora Collor. Ambas contaram com o apoio ativo das estruturas sindicais e de movimentos sociais, aos quais se somaram partidos políticos que ou tinham quase a metade do Congresso (Diretas-Já) ou bem mais da metade (Fora Collor) e, recursos financeiros e estruturas consideráveis. O Fora Collor contou com a maior parte da “grande mídia” desde o princípio e o movimento Diretas-jà conquistou esse apoio quando cresceu o suficiente que se tornou impossível esconder.

Reconheça-se: a Campanha contra a Corrupção tem apoio nas redes sociais – um instrumento que nas outras ocasiões citadas não existia – e na CNBB, OAB e ABI. Mas lhe faltam, por enquanto, ou até são adversos, os instrumentos que os outros três movimentos citados tiveram, de início ou no curso do processo.
A campanha será muito, muito difícil mesmo. Mas isso não é razão para desistir. Thomas Alva Edson fez dez mil experiências até conseguir inventar a lâmpada elétrica. E então ela brilhou nas trevas.

set
11
Posted on 11-09-2011
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-09-2011


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VIEJA LUNA (BOLERO)
Letra de Orlando de la Rosa
Interprete Celia Cruz

Quiero escaparme con la vieja luna,
en el momento en que la noche muere;
cuando se asoma la sonrisa blanca,
en la mañana de mi adversidad.

Quiero volver a revivir la noche,
porque la vieja luna volverá;
ella es quien sabe donde esta mi amor,
ella sabe si es que la perdí;
vieja luna que en la noche va.

BOA NOITE!!!

(VHS)


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“Samba em Paz”, a composição que Caetano fez em 1968 a pedido do Centro Popular de Cultura-CPC da UNE.

BOA TARDE!!!

(VHS)


Caetano Veloso: um quase guerrilheiro
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CONTEÚDO LIVRE

(Belissimo texto de Caetano Veloso publicado este domingo, 11 de Setembro, em O Globo e A Tarde, sugerido para reprodução no Bahia em Pauta pela jornalista e colaboradora Maria Olívia Soares )
(VHS)

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LURDINHA

Caetano Veloso


Eu tendia a gostar dos artistas insubmissos a programas que deveriam servir a alguma “ditadura do proletariado”

Paulinha Lavigne, que foi minha mulher e é minha empresária (portanto tem de me conhecer um bocado), riu muito ao me ler aqui contando que quase colaborei com a luta armada. Mesmo Dedé, que era minha mulher no tempo em que essas coisas se deram (e que é minha amiga queridíssima), poderá ter se surpreendido: não me lembro de ter dito a ela sobre o esboço de combinação que fiz com Lurdinha de dar apoio logístico à guerrilha. Ambas devem estranhar que um banana de pijama como eu, que, como disse o brilhante Lobão numa pocket-palestra, toca violão como quem está tomando um cafezinho (embora eu não tome cafezinho), pudesse estar ligado, ainda que remotamente, a atos de violenta bravura.

Lurdinha era minha colega de sala na faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia. A turma era muito pequena. Os professores não despertavam entusiasmo. O interesse em ir à faculdade se centrava nos encontros com Wladimir Carvalho e Fernando Kraichete e nas conversas com Rose Foly no Diretório Acadêmico. Lurdinha, no entanto, com sua genuína vocação para a disciplina, assistia às aulas e executava as tarefas curriculares com pontualidade. Várias vezes ela foi me buscar em casa, fazendo arrancarem-me da cama às pressas, para que eu não perdesse uma prova. Ela era comunista e olhava com benevolência meu jeito boêmio.

Wladimir também era comunista. Todos os meus amigos na faculdade — e fora dela — eram de esquerda. Nenhum iria ao Cine Roma assistir a um show de rock de Raulzito e os Panteras. Íamos ao clube de cinema, ao MAM, ao Teatro dos Novos, aos concertos da Reitoria, ouvíamos João Gilberto e Thelonious Monk. Rock era lixo e anátema. Carlos Nelson Coutinho era nosso contemporâneo na faculdade e já escrevia artigos sérios: era o lado teórico do movimento que crescia no período pós-Jânio e pré-ditadura . Quando surgia uma discussão sobre se Luís Carlos Maciel escrever um livro sobre Kafka e Beckett representava alienação, eu sempre me posicionava do lado dos malucos: embora só tivesse lido “A metamorfose” e os contos “Na colônia penal” e “O faquir” (estes, na revista “Senhor”) — e nada de Beckett — eu tendia a gostar dos artistas insubmissos a programas que deveriam servir a alguma “ditadura do proletariado”. Apesar da minha teimosia em não entrar em grupo nenhum, eu era tratado com simpatia. O Centro Popular de Cultura da UNE local me pediu que escrevesse um samba para um bloco de carnaval engajado. Fiz “Samba em paz” — que veio a ser gravado, anos depois, por Elis.

O que mais impressionava em Lurdinha era sua sobriedade. Ela não exibia retoricamente a força de suas convicções: seu despojamento pessoal, sua lealdade inabalável, sua decisão de não perder tempo com discussões decorativas é que mostravam a firmeza de sua orientação política.

Quando nos jogamos no tropicalismo, Lurdinha tinha se casado com o pintor Humberto Vellame e se mudado para São Paulo. Entre móveis de plástico transparente e manequins de fibra de vidro, tínhamos, Dedé e eu, em nossa sala, um quadro de Vellame. O casal nos visitava de vez em quando. O tropicalismo tinha uma fome estética de violência que se traduzia em imagens fortes nas letras, sons elétricos e distorcidos nas bases, aproximação com a vanguarda radical da música clássica, contraste gritante com a bossa nova. Isso correspondia a uma impaciência com a inatividade dos comunistas sob ordens de Moscou e a uma identificação com a nascente dissidência liderada por Marighella. Faz pouco Juca Ferreira me alertou para o fato de que não toda a esquerda era hostil ao tropicalismo: dentre a turma da Lubelu (Liberdade e Luta) havia quem gostasse do nosso estilo. Lurdinha — que nunca fez coro às reações antipáticas ao nosso trabalho por parte da esquerda — sentia a mesma impaciência que eu. Só que ela nunca fora nem boêmia nem retórica: seu sentimento tinha de se expressar em ação. Quando ela me pediu um eventual apoio logístico, acedi de imediato.

Em “Verdade Tropical” digo que se a nossa revolução de esquerda tivesse vencido talvez daí saísse apenas mais um gigante com câimbras. Mas Marighella foi morto numa rua de São Paulo antes que isso se tornasse ao menos provável. E pela mão de Sérgio Fleury, o truculento policial que, em entrevista à revista“Realidade”
nos anos 70, disse da “Baixinha” que estivera sob tortura: “Maria de Lourdes do Rego Mello: Está aí uma das moças mais corajosas que vi na minha vida. De uma lealdade e segurança impressionantes. Nunca se deixou trair nos interrogatórios, nunca arrancamos dela uma palavra que levasse ao ‘Velho’ (Joaquim Câmara Ferreira, o ‘Toledo’). Foi seguida durante 60 dias, filmada, fotografada, até que foi presa. Essa moça recusou ir para o Chile, na troca com um embaixador. Quando soube disso, eu a chamei até minha sala. Disse: ‘Olha aqui, Baixinha, você mentiu para mim o tempo todo. De tudo quanto disse, 99% era mentira. Mas gostei de sua atitude. Aceito as suas mentiras. Agora deixo você em paz.’”

Desde que fui preso e exilado, eu não tinha notícias de Lurdinha. Temia que ela não estivesse viva. Foi o blog “Obra em progresso”, da feitura do Zii e Zie, quem a trouxe de volta. Um dos comentaristas, Julio, tinha o sobrenome Vellame. Perguntei se ele era parente de Humberto. Ele respondeu: “Sou filho de Lurdinha, Caetano.” Assim, a internet de Hermano Vianna me reaproximou da Maria Quitéria da guerrilha urbana.

set
11
Posted on 11-09-2011
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-09-2011


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“Vida que segue”, diria o grande João Saldanha, se vivo estivesse neste 11 de setembro de 2011. Um samba para não se deixar abater.

Vida que segue, repete o BP

BOM DOMINGO!!!!

(VHS)

set
11


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Canção “Mi Patria”, em video do Concerto do Reencontro”, no retorno dos integrantes do Quilapayun ao Chile, depois de longo exílio. Eu vi o grupo, com Margarida e um querido casal de amigos (Arnaldo e Vera) cantando em Buenos Aires. Um espetáculo inesquecível.

BOA NOITE!!!

(Vitor Hugo Soares)

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MI PATRIA

Quilapayun

Mi patria era sauces, alerces y nieve,
canelos oscuros, la flor de Pomaire,
doncella de yeso en azul de los cielos,
aromos flotando entre viejos volcanes,
mi patria era sauces, alerces y nieve.

Mi Patria era cantos en rojas guitarras,
nostalgia en la rosa que enciende la tarde,
ardiente torcaza quemando sus alas
dormida en el humo fragante del campo,
mi Patria era cantos en rojas guitarras.

Patria, luz y bandera
de los puños alzados,
volverás a florecer,
volverás a renacer.


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11 diretores foram convidados para fazer um filme sobre a queda das torres gêmeas em 11 de setembro.
Essa é a contribuição de Ken Loach que traça um paralelo com um outro 11 de setembro, aquele de 1973 no Chile.

Pense nisso também, neste 11 de Setembro de 2011

(Postado por Vitor Hugo Soares)

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