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OPINIÃO POLÍTICA

A rede de segurança

Ivan de Carvalho

A notícia caiu como uma bomba no sábado. Lula tem câncer na laringe. A nação ficou traumatizada. Ainda está. Por todo o significado político que o fato médico tem. Também por todo o significado pessoal que esse fato tem para a pessoa de Lula e para a grande maioria das pessoas que compõem a nossa população.

Aprovando suas políticas ou não, e até, muito provavelmente, sem haver evoluído ao ponto de cumprir o mandamento cristão de amar os inimigos, a grande maioria dos brasileiros – incluindo boa parte dos adversários políticos – sente pelo drama que o atinge e torce para que, pessoalmente, vença a batalha que começa hoje a travar com o início do tratamento.

Mas o fato está aí. Dando sequência a outros, vários.
Fidel Castro, que em já avançada idade foi acometido de misterioso câncer abdominal que quase o levou à morte e o obrigou a passar a presidência e o comando ao irmão Raul Castro, na república hereditária de Cuba.

Mudou de vida, mas sobreviveu.
Dilma Rousseff, em quem descobriu-se, em fase inicial, um linfoma sincero e franco (ela não tentou esconder, despistar) às vésperas das eleições, mas está declarada curada, fazendo apenas, como mandam os protocolos médicos, revisões periódicas.

O ex-vice-presidente José Alencar, mineiro como Tancredo e muito mais cortado do que ele, teve câncer abdominal com metástases e foi de uma coragem impressionante. Driblou a morte durante 11 anos, até o final inevitável.

Fernando Lugo, presidente do Paraguai, do qual se anunciou a retirada total da próstata, informando-se que não havia neoplasia.
Barack Obama, que surpreendeu a todos informando que acabara de ser operado (com algum tubinho, nada de serra no esterno) para retirada de um nódulo pulmonar que mudara de morfologia e cuja biópsia confirmou não ser maligno. Como cautela adicional, deixou de fumar.

Finalmente, sem sair das Américas, Hugo Chávez, o ditador-presidente da Venezuela, retirou sob sigilo em Cuba um tumor maligno em algum lugar até hoje incerto e não sabido da região pélvica, ao que se seguiram vários ciclos de quimioterapia braba. Ele se declarou curado reiteradamente, mas acaba de cancelar sua presença numa reunião de chefes de Estado e admitir que não terá mais a mesma desenvoltura física de antes. Médicos ouvidos no anonimato não vinham fazendo bons prognósticos para ele.

Quanto a Lula, registrado o trauma nacional, a esperança e o desejo mais sincero de que vença a batalha, cumpre assinalar que o tumor foi qualificado de “não muito grande”, o que também significa que não é pequeno nem foi detectado no início, e que o Hospital Sírio-Libanês anunciou que hoje ele começa o tratamento, “inicialmente” com quimioterapia.
O “inicialmente” aí significa que precisará ser usada também radioterapia. O tumor, na região supra-glote, tem 3 centímetros.

Quanto à voz, dá-se como certo que algum estrago é inevitável. A quimioterapia afeta a voz, a radioterapia também. Somadas, afetam mais, uma agrava os efeitos da outra. A equipe médica optou por não remover cirurgicamente o tumor. A remoção seria desastrosa para a voz do paciente. Para Lula e seu estilo de fazer política, a voz é considerada elemento essencial.
Sob o aspecto político, há uma grande mudança.

Incerteza sempre há na política e em quase tudo, mas o problema de saúde do ex-presidente aumenta a nível crítico a incerteza. Imagine-se que a presidente Dilma sofra desgaste popular progressivo, agravado pelos efeitos atuais e futuros da crise financeira e econômica global no Brasil e chegue às eleições de 2014 com chances mínimas de reeleição. O PT tinha uma rede de segurança – Lula. Mas se ele não estiver em condições físicas de ser candidato ou se estiver claro que não terá condições para governar, então… bem, o PT tem Jaques Wagner, da Bahia, o PSB tem Eduardo Campos, governador de Pernambuco, o PMDB…o PSD… o PP…

Estará em plena ação o princípio da incerteza.


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No relax musical do Bahia em Pauta, “Rosa”, antológica canção do saudoso mestre Pixinguinha, no violão monumental de Baden Powell.

BOA NOITE!!!

(Gilson Nogueira)

out
30
Posted on 30-10-2011
Filed Under (Aparecida, Artigos) by vitor on 30-10-2011


Ouro Preto – Minas Gerais

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Minas nas “coincidências”

Cida Torneros

Na sessão de terapia, um comentário sobre a interessante sincronicidade que observo na vida, quer dizer, na minha… antes de sair, peguei a revista Bravo na caixa de correio e deixei em casa para ler na volta. Também, atendi um telefonema já quando ia por a chave na porta. Voltei para ouvir minha amiga Áurea, de Belo Horizonte, que conheci na Itália, onde ela e o marido Francisco participaram do mesmo tour que eu e Katia fizemos há alguns meses. Minha reação de alegria correspondeu à coincidência(?) pois ontem, resolvendo sobre um passeio que quero muito fazer às cidades históricas de Minas Gerais, combinei com Katia nossa ida em 12 de novembro, descobri uma excursão que se encaixa com o feriadão da República, com três noites passadas na capital mineira. Falei então, o mais rápido que pude (estava atrasada) para a Áurea que vamos vê-la num desses dias, quando estivermos em BH, e aí, vou lhe entregar as fotos (fiz muitas do casal na Itália) já que a bagagem deles havia extraviado e ficaram sem máquina para registrar a viagem. Disse a ela que nem mandei por correio por causa da longa greve e que apareceu a oportunidade para conhecer a Gruta de Maquiné (incluída a visita no roteiro), e Congonhas do Campo, onde eu quero muito ver as obras do Aleijadinho.

Na verdade, fui a Ouro Preto, a trabalho, uma vez, quando o presidente Itamar Franco, juntamente com os presidentes da Argentina, Paraguai e Uruguai, assinaram um grande acordo do Mercosul. Deve ter sido em 1996, acho, fiquei encantada com a cidade, mas tinha que cobrir o evento, correr de um lado para outro e passar matéria para o Rio. Pensei que devia voltar lá com calma. De outra vez, uma amiga me convidou e fomos juntas a S.João del Rey e Tiradentes, viagem do tipo vapt-vupt, ela ia pagar uma promessa numa igreja de lá, deve ter por aí, uns quinze anos, e também decidi que deveria voltar ali, há muita história, precisava de um guia local, o ideal seria fazer , quando pudesse , uma excursão.
No roteiro que escolhemos, estão incluídas, além de Belo Horizonte,todas esses lugares que quero rever e os que desejo conhecer. Um deles, o Museu Guimarães Rosa, em Cordisburgo, sua terra natal.

Bem, fui à terapia, houve a conversa sobre as “coincidências” da vida, e ao retornar a casa, me deparei com um artigo intitulado ” Chá com Elizabeth Bishop”,na revista Bravo, escrito pelo americano Michael Sledge, que descreve suas duas visitas à cidade de Ouro Preto.

Ele é autor de “A arte de perder”, romance que tem Elizabeth Bishop com personagem, a famosa poeta americana que viveu no Brasil, tendo comprado uma casa em Ouro Preto, cidade pela qual ela se apaixonou.

O articulista relata que em 2003, na sua primeira vez, fi em busca de um caminho de investigação, já que pretendia escrever um livro baseado na vida de uma escritora “querida e icônica, cujo status nas letras norte -americanas cresce notadamente com o tempo”.

Ao se referir ‘a segunda visita, em julho passado, Michael conta que desta vez visitou a casa que fora de Elizabeth.

” Quase uma década tinha se passado desde a primeira vez que estive na frente dessa porta. Naquela época, eu lia tanto as cartas dela sobre sua casa em Ouro Preto que sentia que podia andar vendado pelas salas, que podia até ouvir as conversas que aconteceram entre os moradores… A empregada serviu chá na sala, em uma mesa tão apertada que as xícaras se tocavam. Escolhi um lugar. Sentei na cadeira de Elizabeth Bishop.”

Envolvi-me com a leitura do artigo, mas percebi novamente a tal sincronicidade…Voltar a lugares pela segunda vez, buscar histórias, identificar antigas conversas, inalar a poesia da velha e querida Minas Gerais, berço de Drummond, de tantos poetas, de Tiradentes, o soldado da Inconfidência, de arte sacra, barroca, patrimônio brasileiro, de tamanha tradição, de presença marcante na política nacional, de onde saiu um JK, um Tancredo, uma Dilma hoje presidenta.

Gabei-me então de poder fazer turismo no meu próprio país, tão convidativo e intrigante quanto a velha Europa, e poder sentir o apaixonamento que Bishop deve ter sentido por estas bandas de cá.

Michael finaliza assim, “coincidentemente”, adentrando meu coração, sacudindo minha alma de brasileira com seu texto: ” Como Elizabeth, eu havia chegado ao Brasil como turista. E, como ela, descobri um país intoxicante em sua beleza, na generosidade de seu povo, na linda e louca poesia que permeia sua vida diária. Elizabeth Bishop abriu a porta para o Brasil e eu entrei”.

Maria Aparecida Torneros é escritora e jornalista, mora no Rio de Janeiro, onde edita O Blog da Mulher necessária


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Seu Nelson Cavaquinho para um domingo de saudades!!!

Atenção para o “garoto” Bonner na apresentação do vídeo.

BOM DIA!!!

(VHS)

out
29


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OPINIÃO POLÍTICA

O ministro e a xenofobia

Ivan de Carvalho

O deputado Aldo Rebelo, escolhido para representar o PC do B no cargo de ministro do Esporte, em substituição a Orlando Silva é considerado um político sério e, dizem, competente.
A favor de sua competência há o fato de haver conseguido, além de ser eleito deputado federal (o que não é para nenhum bobo), ser presidente da Câmara dos Deputados, onde – excetuado Severino Cavalcanti, João Paulo Cunha e alguns outros poucos como eles – só chega quem tem farinha no saco, começando por considerável capacidade de articulação.
A reputação de competência política foi ligeiramente atingida nos últimos meses pelo fracasso de Rebelo em alcançar alguns objetivos, o mais recente dos quais, o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União, que acabou perdendo para a deputada Ana Arraes, mãe do governador de Pernambuco. Mas sumir quando começaram a especular nomes que poderiam substituir o exorcizado, perdão, exonerado Orlando Silva, foi sinal inequívoco de competência.
Até o momento o conceito social do comunista Aldo Rebelo é o de um homem sério. Sua história política não desmente isto. Recentemente, como relator do projeto do Código Florestal, sofreu de muitos, especialmente dos ambientalistas, enérgicas críticas, mas de outros, especialmente dos ruralistas, enfáticos elogios. Empate lógico ante o caráter polêmico do tema e as posições inconciliáveis dos dois lobbies.
No entanto, parece que a principal característica do ministro Aldo Rebelo, que toma posse hoje, é a criatividade. O que é animador se vai ele cuidar do esporte, no qual o atleta criativo costuma se dar bem, desde que não exagere ao ponto de fazer gol contra de borboleta.
A criatividade de Aldo Rebelo é reconhecida por todos. Tramita no Senado, já aprovado na Câmara, um projeto de lei de sua autoria que pretende promover, proteger e defender a língua portuguesa. Uma das regras é que todos os documentos oficiais do Brasil serão escritos em português. Se mandarem algum deles para o governo do Nepal, talvez não haja ninguém lá capaz de traduzi-lo – mas o idioma português estará protegido, de qualquer forma.
A proposta combate o uso excessivo de expressões em língua estrangeira. Pretende que toda comunicação dirigida ao público (mesmo por particulares), caso use palavra ou expressão em língua estrangeira, acrescente a tradução. Se um jornal escrever, sobre esse movimento em curso nos Estados Unidos, “Ocupar Wall Street”, deverá explicar que isso é o mesmo que “Ocupar a Rua do Muro”. E se alguma loja anunciar um computador com “Windows 7 instalado”, deverá explicar que o PC (computador pessoal) tem o “Janelas 7 instalado”. A regra vale para relações comerciais, peças publicitárias, meios de comunicação de massa e informações afixadas em estabelecimentos comerciais.
Outro projeto de Aldo Rebelo, que foi arquivado, mas precisa ser ressuscitado por algum deputado. Condena a comemoração do Halloween (Dia das Bruxas), instituindo em troca, oficialmente e na mesma data, 31 de outubro, o Dia do Saci Pererê. Esse símbolo do folclore, o Saci, explica Aldo no projeto, é uma “força da resistência cultural à invasão dos x-men, dos pokemons, os raloins e os jogos de guerra”. O texto do projeto diz que a lei “apoiará” iniciativas de entidades públicas que contribuam para a “celebração do folclore brasileiro, através do Saci e de seus amigos (Iara, Curupira, Boitatá e outros”.
Outros? Claro. O Caipora, a Mula-Sem-Cabeça, Matinta Pereira, a Cuca do Sítio do Pica-pau Amarelo, o Negrinho do Pastoreio (talvez rebatizado de Pequenino Afrodescendente do Pastoreio), Beto Carneiro, o Vampiro Brasileiro. Mas os internacionais e os clássicos estão excluídos: Drácula, os outros vampiros, o lobisomen, os zumbis, o Chupa-cabras, o Abominável Homem das Neves, as Górgonas lideradas pela terrível Medusa, os centauros, as sereias, os tritões, o Minotauro e um sem número de criações da natureza, da manipulação genética e/ou da excitada mente humana.
Xenofobia é isso aí.


Argentinos celebram nas ruas…
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…Condenação do torturador Astiz
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ARTIGO DA SEMANA

A ARGENTINA E NÓS

Vitor Hugo Soares

A presidente da República combina com o PCdoB, Lula e o PT, despacha Orlando Silva do ministério do Esporte, encaixa o deputado Aldo Rebelo no lugar e pronto: bola pra frente, que a Copa do Mundo de 2014 vem aí e nada parece ser mais importante que isso agora, nem mesmo a honra e a credibilidade do País.

Reclame quem quiser, mas diante deste faz-de-conta na base do muda qualquer coisa para deixar tudo como está, mesmo com a “faxina” da presidente Dilma Rousseff, é recomendável não gastar tanta vela nem levar demasiadamente a sério a geleia geral e as arengas de poder destes dias no Planalto Central. Depois da queda do sexto ministro, começam as apostas sobre onde explodirá o novo escândalo federal no Brasil e quem será a bola da vez.

Haja paciência e complacência! A trama, que não se resolve, começa a ficar repetitiva, sem graça, desgastante e a cheirar mal por aqui. Enquanto isso, se acumula o lixo debaixo dos tapetes para abrir espaços às novas denúncias, aos escândalos quentinhos da hora e, finalmente, a exemplo do verificado no Esporte, os novos “acordos da governabilidade”.

“Vida que segue”, escutei tantas vezes o grande João Saldanha repetir na redação do Jornal do Brasil, no Rio, ou na sucursal do JB, na Bahia. Depois lia tudo com enorme prazer em sua coluna de texto primoroso, na qual ele misturava futebol, política e mazelas brasileiras. Tudo embalado com suprema maestria no texto repleto de informações, boas histórias e o toque de coragem e dignidade de um dos maiores jornalistas que conheci e tive a graça de conviver profissionalmente.

Sem um Saldanha por perto para ajudar a iluminar o cenário embaralhado por estas bandas, o melhor talvez seja observar com mais atenção – a exemplo do que tem feito a imprensa mundial nas últimas semanas – os fatos e os ventos que sopram da Cordilheira dos Andes e movimentam as águas do Rio da Prata.

Em Buenos Aires, olhos, ouvidos e lentes da mídia internacional ainda captam fatos e imagens capazes de ilustrar as reportagens e análises sobre a reeleição domingo passado da presidente Cristina Fernández de Kirchner em primeiro turno – depois de aplicar histórica surra eleitoral em seis concorrentes diretos. Além de mais quatro anos de mando na Casa Rosada, a reconquista da maioria que o governo justicialista havia perdido no Congresso. Ou seja: a faca e o queijo na mão.

Como se não bastasse, eis que a Argentina virou palco na madrugada da quarta-feira, 27, de um acontecimento transcendente. Destes com dimensão e força capazes de emocionar e levantar um país. Além de renovar as esperanças de um povo em sua longa e decidida luta por justiça e pela punição exemplar para crimes e criminosos hediondos que imaginavam ficar impunes e sob proteção do estado, de cujo poder ditatorial se utilizaram, insana e covardemente, para delinquir.

O ex-oficial da Armada argentina Alfredo Astiz foi finalmente condenado a prisão perpétua por crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura militar no país vizinho, no período entre 1976 e 1983. Este foi um dos maiores processos judiciais de direitos humanos na Argentina, onde as estimativas são de que tenham morrido 30 mil pessoas, vítimas de um dos mais violentos e sanguinários regimes na história do continente latino-americano.

Conhecido como “Anjo Loiro da Morte” (alcunha angariada em razão de seu aspecto físico quase angelical), Astiz foi considerado culpado de tortura, assassínio e sequestros. Entre as suas inúmeras vítimas estavam duas freiras francesas e fundadores do grupo de direitos humanos Mães da Praça de Maio.

Astiz comandava então Escola Superior de Mecânica da Armada (ESMA), um dos maiores e mais terríveis centros de torturas e assassinatos do regime, com corpos atirados ao mar. Esta foi também a primeira vez que 16 elementos deste centro de torturas compareceram perante a justiça. Doze deles, incluindo Astiz, foram
condenados pelo Tribunal Federal.

“Esta é uma decisão que honra a Argentina”, proclamou o chanceler francês Alain Juppé ao saudar a sentença que condenou por delitos de lesa humanidade a 16 dos 18 torturadores julgados na “causa ESMA” – entre eles os assassinos das freiras francesas Alice Domon e Léonie Duquet. Este fato de destaque mundial evidencia o compromisso do país “na luta contra a impunidade e os crimes cometidos pela ditadura militar”, assinalou Juppé.

Para Victoria Donda, filha de desaparecidos, eleita deputada pela Frente Ampla Progressista (FAP), “a sentença de quarta-feira é um triunfo coletivo da Argentina”. O julgamento, e em especial as condenações impostas aos torturadores, trazem “a paz que só a verdadeira justiça pode trazer a uma pessoa e um povo que lutaram por ela”.

Sábias palavras. Salve a Argentina, a sua Justiça e seu povo. Que este notável exemplo de coragem e tenacidade frutifique além das barrancas do Rio Prata e que a brisa de paz e justiça que sopra estes dias na Cordilheira chegue até nós.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

out
29


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Enviado para o You Tube por Noemia Hime em 04/02/2010

“A dupla Toquinho e Vinícius é responsável por vários sucessos que estão sempre atuais. Compuseram e cantam esta música romântica, linda e suave que fala do amor por uma morena”, diz Noemia em seu comentário de apresentação do vídeo.

“Uma morena baiana, evidentemente”, acrescenta o BP.

BOM SÁBADO!!!

(VHS)


Luciano:cuidados em UTI de hospital
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DEU NO IG

De acordo com o boletim médico divulgado pelo Hospital Santa Cruz, em Curitiba, onde o cantor Luciano foi admitido na manhã desta sexta-feira (28), o motivo da internação dele na UTI foi o desconforto causado por uma “Hipocalemia Aguda”, crise ocasionada pela redução do potássio no sangue, gerada pelo uso recente de diurético.

Ainda segundo o boletim, o cantor permanece na unidade por motivos de segurança, já que alterações do potássio podem levar o paciente à paradas cardíacas. “Ele deu entrada no hospital com arritmia cardíaca causada por forte stress. Ele (Luciano) sentiu desconforto quando acordou e não ingeriu bebida alcoólica, segundo ele mesmo me disse”, revelou o Dr. Hipólito Carraro, coordenador médico da UTI Geral do hospital, que recebeu a imprensa no começo da tarde para uma coletiva.

Em entrevista à rádio Bandeirantes, um dos produtores da banda, Silvio Luciano Alves, revelou que Luciano “toma remédios para emagrecer e tem problemas de saúde”, mas não explicou se tal medicação facilitou a atual crise do músico.

Deu na revista digital Terra Magazine:
No colo de Margarita, cartaz com o rosto de João Paulo II (Foto: Bob Fernandes)
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Bob Fernandes

Direto de Guadalajara

Abre-se o portão do Santuário de los Mártires. Do lado de fora, a multidão em êxtase.

Sob escaldante sol de 32 graus à uma da tarde, se acotovelam velhos, crianças, deficientes em cadeiras de rodas, casais com recém-nascidos, jovens, vítimas de paralisia… Quando sete homens com emblema do Vaticano no uniforme cruzam o portão com o esquife, o empurra-empurra, os gritos, as súplicas e os cânticos que se elevam, criam uma atmosfera de transe. Os coros se misturam e ecoam Cerro del Tesoro abaixo:
-Se ve, se siente, Juan Pablo está presente… Se ve, se siente, Juan Pablo está presente…
-Juan Pablo, Segundo, te quiere todo el mundo…Juan Pablo, Segundo, te quiere todo el mundo…

No esquife de acrílico, a réplica em cera do Papa João Paulo II morto.

A imagem, em tamanho natural, vestida com batina branca e coberta por ornamentos sacerdotais; sobre os ombros e tórax, a escarlate Mozzetta Papal e, descendo até a altura do joelho, a estola em negro e dourado com símbolos do Vaticano.

Nas mãos cruzadas sobre o peito, o crucifixo. Num relicário pouco acima, a ampulheta com uma porção do sangue de João Paulo II.

O travesseiro ergue um pouco a cabeça do Papa. Quem a cotovelaços e empurrões consegue chegar perto da réplica se depara com um rosto sereno. Na lateral da urna, a inscrição “Beato Juan Pablo”.

Pregado na parte inferior da urna de acrílico, pouco além das solas dos sapatos do Papa, o brasão do seu pontificado.

Não há espaço para todos. A multidão não estava convidada para a missa na sede provisória do Santuário de Los Mártires. Ali deveriam estar apenas 90 sacerdotes, membros da cúpula da Arquidiocese, e próximos do Cardeal Juan Sandoval Iñiguez.

Mas a multidão de fiéis subiu o Cerro, a pé ou de carro, e suplica em coro:
-Queremos ver al Papa! …Queremos ver al Papa!…

Por entre os fiéis, ambulantes sacodem bandeirolas, cartazes e fotos de João Paulo II, e apregoam:
-El Santo Padre Juan Pablo, dez pesos! Dez pesos por El Santo Padre Juan Pablo!

Ao fundo da tenda que abriga a Sede Provisória, ergue-se um esqueleto de aço em forma de arcos. São as fundações do Santuário dedicado a 26 Santos e 24 Beatos martirizados no México. Em construção já há quatro anos, numa área de 14 hectares, a igreja para 12 mil fiéis –mais 40 mil no adro-, um hospital e um escola de enfermagem.

Aos pés do Cerro del Tesoro e do Santuário, Guadalajara.
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Van que carrega a réplica em cera do Papa João Paulo II morto é cercada por fiéis (Foto: Bob Fernandes)
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Desde 25 de agosto, até 15 de dezembro, a réplica de João Paulo II morto percorrerá 94 dioceses do México. Metade do périplo foi feito e a Conferência Episcopal avalia que mais de 8 milhões de fiéis já viram e tocaram no esquife.

Estima a igreja que somente entre esta quarta e sexta-feiras na Región Valles (Cocula, Ameca, Tala e San Martín Hidalgo), nas filas da Basílica de Zapopan, da comoção no Santuário de Los Mártires e na Catedral Metropolitana, mais de 300 mil mexicanos foram ver João Paulo II em cera. E o relicário com seu sangue.

Carregada pelos sete homens, a urna ultrapassa o portão. Policiais militares se dão as mãos, formam um corredor a caminho da Van onde será depositada a imagem. A cobertura de acrílico viaja numa segunda Van.

Moldada com um cera especial, a réplica resiste a temperaturas de até 45 graus. Só assim não sofreu danos, salvo uma ou outra pequena trinca, em fornalhas como são as regiões de Oaxaca, Chiapas e Veracruz.

Para compensar, quando o calor é tanto o ar condicionado dentro da Van baixa até os 12 graus.

Luiza, 50 anos, conhecida por “Lula”, está colada à Van que transportará João Paulo II. Agarrado à mãe, quase sem conseguir manter-se em pé, Henrique, 14 anos. Enquanto enxuga com as mãos a saliva que escorre dos lábios do filho vitimado por paralisia cerebral, a mãe faz coro com a multidão. Que se espreme, se empurra e suplica:
-…Queremos ver al Papa!… Queremos ver al Papa!

Dentro da Van que transporta o João Paulo II em cera, Javier Cinta, 45 anos, e Mike Berni, 46. Trajam calças pretas e camisetas polo, brancas, com símbolo do Vaticano à altura do peito. Camisetas com código de barra em metal; para que não se extraviem.

Bob Fernandes)

Javier Cinta e Mike Berni na Van que transporta a réplica de cera (Foto: Bob Fernandes)

Javier trabalhou na embaixada do México no Uruguai dos 19 aos 21 anos. Viajou para Porto Alegre, Rio de Janeiro, conhece alguma coisa do Brasil. Ele e Mike, dois dos sete homens que, nas suas palavras “levam o Santo Padre por todo o país”.

Javier é católico, como Mike, mas não se considera um “místico”. Sobre a longa viagem e seus significados, avalia:
-É uma carga muito especial de energia que nos acompanha…

Mike atalha:
-Vimos coisas incríveis…

Eles contam.

No município Playa Vicente, estado de Oaxaca, uma jovem de 15 anos foi conduzida numa cadeira de rodas até ser posta em frente à urna. Mike recorda:
-Ela gritava, urrava blasfêmias, chamava o Santo Padre de Hijo de Puta, Hijo del Diablo…, dizia coisas inomináveis… até que, de repente, ela desfaleceu…

O despertar da jovem minutos depois, já serena, olhos postos na imagem de cera, mãos cruzadas em sinal de contrição, surpreendeu os dois guardiões. Mas o que mais impressionou Javier Cinta não foi a reação da jovem:
-…o que me provocou espanto e uma emoção incomum é o que as pessoas em volta começaram a repetir em voz alta: ‘milagre, milagre…’

Javier relata o episódio e, novamente, acrescenta:
-Sou católico, mas não sou um místico, não vejo coisas…

Ele e Mike concordam quanto ao que mais os tocou ao longo da viagem:
-A armação em acrílico e o corpo em cera pesam 300 quilos. Todos os dias, quando chegamos a alguma cidade, nós sete a carregamos. Mas quando vamos transportá-la de volta para a Van,
quase não conseguimos… pesa muito, muito mais…

Mike, Javier e os outros cinco guardiões chegaram à mesma conclusão:
-O que faz a urna pesar cada vez mais é a energia das pessoas que a cercam e tocam…

Margarita Carrilo Gouna, 87 anos, tenta abrigar-se do sol dobrando um jornal sobre a cabeça. Ela tem asma, artrite, está numa cadeira de rodas, mas não veio ao santuário para pedir nada:
-Eu vim porque amo o Santo Padre…

Bob Fernandes)

No colo de Margarita Carrilo Gouna, cartaz com o rosto de João Paulo II (Foto: Bob Fernandes)

A urna de João Paulo II está nos fundos da Van. A multidão se espreme para tentar chegar às janelas, sacar fotos com máquinas e celulares, lançar bilhetes e objetos para perto da imagem, luta para ver o Papa Karol Wojtyla de cera.

Os que não conseguem se aproximar, suplicam, em coro:
-Queremos ver al Papa!…Queremos ver al Papa!

Uma e meia da tarde. A multidão cerca e conduz as duas Vans, passo a passo, disputando as janelas. Uma ambulância e dois carros da Policia Estadual de sirenes ligadas, 32 graus, e o cântico que provoca lágrimas e vertigens:
-Se ve, se siente, Juan Pablo está presente… Se ve, se siente, Juan Pablo está presente…

Ambulantes com cartazes, bandeirolas e fotos de João Paulo II apregoam:
-El Santo Padre por cinco pesos! El Santo Padre por cinco pesos!

Outubro, 27. Em quatro dias, a 1 e 2 de novembro, começam os festejos do “Dia de Muertos”, com abundância de caveiras nas ruas. Tradição há mais de três mil anos, quando a Deusa
Mictecacíhuatl já era cultuada como “La Dama de la Muerte”.

As Vans, lentamente, embicam ladeira abaixo no Cerro. Solo árido, pedregulhos, cascalho fino e uma terra amarelada. Uma senhora tropeça e cai, dois meninos escorregam e, por segundos, são pisoteados.

A multidão, em êxtase e atropelo, desce a ladeira do Cerro del Tesouro atrás de João Paulo II e seu sangue. Mike murmura:
-Nem com um Beatle eu vi isso…

Mike já assitiu e acompanhou o show de um Beatle, Paul McCartney.

Não apenas. Mike e Javier, assim como outros guardiões do João Paulo II de cera, e de seu sangue, já cuidaram de astros pop como Ricky Martin, Shakira…

Afinal, Javier e Mike, hoje com brasões do Vaticano no peito, trabalham para a Radical Entertainment.

Especializada em grandes espetáculos e turnês de astros pop, a Radical Entertainment foi contratada pelo Vaticano. Para guardar a réplica de João Paulo II e seu sangue na longa viagem México adentro.

Bob Fernandes, editor-chefe de Terra Magazine,está no México, cobrindo os Jogos Pan Americanos 2011.


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CRÔNICA

O homem que decifrava ventos

Janio Ferreira Soares

Como um clarividente do sertão, João Vaqueiro gabava-se de que não precisava ler jornais ou assistir TV para saber o que se passava pelo mundo, já que possuía o dom de entender os recados do vento. Bastava alguém comentar alguma notícia recente, que ele dizia: “conte outra que essa o vento já me soprou ontem”, e aí partia uma melancia, se ajeitava na cadeira trançada de fitas plásticas coloridas e então começava a contar a sua versão do fato, geralmente recheado de peculiaridades.

Para aqueles que iam na onda e perguntavam como se dava o processo ele explicava, com a propriedade de um Deus grego responsável pelos alísios, que os mais difíceis de compreender eram os que sopravam entre setembro e dezembro, pois vinham açoitados e misturados com cheiros primaveris e algazarras de passarinhos no cio, causando embaraços olfativos e sonoros. Já os de maio/junho eram os seus preferidos, pois chegavam mansos e perfumados pelas delícias juninas, aí incluídas pamonhas, canjicas e moçoilas com gotas de alfazema calculadamente colocadas na saboneteira da clavícula, que era exatamente o lugar onde ele encostava a cabeça durante o forró no pátio da igreja. Pena que o velho gabola não esteja mais aqui para nos dar suas interpretações sobre as últimas rajadas vindas do Planalto Central, que nesses tempos pós-Inácio andam zunindo mais do que os assobios dos fantasmas dos antigos filmes de terror. Mas presumo suas respostas.

Dilmista ferrenho, inicialmente ele culparia a herança maldita recebida por sua musa, reforçando que todos os ministros demitidos até agora foram-lhes servidos numa bandeja de inox com manchas suspeitas nas bordas deixadas por apenas quatro digitais. Em seguida, para não perder a fama, comentaria sobre sua fantasia de vê-la com um espanador de penas de ema faxinando o Alvorada, e, por fim, iria até um descampado, colocaria a mão no ouvido e voltaria, tripudiando: “querem saber quem é o próximo a ser espanado depois de Orlando Silva? Pois vão aprender a ler os ventos, seus willianbonistas!”.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, margem baiana do Rio São Francisco

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