fev
13
Posted on 13-02-2010
Filed Under (Artigos, Gilson) by vitor on 13-02-2010

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CRÔNICA / CARNAVAIS

Boêmio azul turquesa

Gilson Nogueira

Sorveteria Primavera, verão, quatro horas da tarde, a brisa sempre mansa e sinuosa entra pelas mangas da mortalha. Feito espiã do sexo chega às chamadas partes íntimas do malandro e suaviza o calor. Parece picolé do céu escorrendo na pele ouriçada com o beijo da francesa linda – e anônima- no folião moreno de sol do Porto da Barra envergando a mortalha do Broco do Jacu, o maior e melhor bloco do planeta, até que Deus apareça para fundar outro igual. Sigo desfilando na avenida saudade. E lembro que brincar o Carnaval de Salvador tinha algo de estágio no paraíso.

Sorveteria Primavera, quatro e meia da tarde. A francesa já beija outro baiano e, logo em seguida, some no beco, como se quisesse confirmar que amor de Carnaval desaparece na fumaça, de acordo com a música que deveria haver escutado em algum lugar antes de aterrissar ali. O Relógio de São Pedro imita um vigia do tempo, mas, está parado, inerte na sua importância e magnífico enquanto ícone do passado glorioso da primeira capital do Brasil. Seus ponteiros dormem, um em cima do outro, sugerindo o acasalamento da sua falta de manutenção que atravessa os anos com a idéia de que meio-dia de domingo é uma boa hora de se fazer amor. O tesão do beijo da conterrânea de Brigitte Bardot segue firme, fazendo mais um adão de todas as evas do Carnaval da Bahia querer mais e mais…

O beijo daquela lourinha sapeca fez o tempo parar. E um silêncio regado a uísque com cerveja tomar conta do boêmio azul turquesa que acabara de misturar línguas em confraternização universal de amor à vida, como aluno da escola da dialética do prazer. “Adeus, francesinha cheirosa, remetendo ao perfume de Paco Rabane e ás flores de Besançon!”, soluçou, baixinho, mergulhando em uma dose de uisque escocês que Buldogue levava enfiado no short.

O couro come de cor e salteado nas barracas de mesas e tamboretes de madeira, onde a turma deixa cair a alegria picárdica de uma geração cheia de charme, astúcia, talento, beleza e picardia. Os metais e couros da “orquestra” atacam sucessos do grande compositor Waltinho Queiroz, fundador do bloco, cidadão que honra a cultura nativa, guardião da música baiana, defensor dos pobres e oprimidos, São Jorge da gandaia honesta.

E uma tristeza, de repente, abraça o folião exausto de tanto sonhar. O Carnaval não deveria ser o mesmo, nos anos que viriam, pensou ele, solitário, próximo ao Mosteiro de São Bento, misturando samba e reza, entendendo que o progresso, inevitável, infelizmente, iria impor modismos, envelhecendo o que se fazia, ali, sem medo de ser assaltado, de ser agredido, na felicidade geral.O Bloco do Jacu, do maioral Waltinho, que foi obrigado a rasgar sua fantasia, assimo como fiz, também, é, apenas, um retrato na parede. A culpa é sua, progresso.

( Gilson Nogueira é jornalista )

fev
13
Posted on 13-02-2010
Filed Under (Artigos, Janio) by vitor on 13-02-2010

Moraes Moreira: volta ao ninho/Terra Magazine

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CRÔNICA / CARNAVAIS

Moraes Moreira e o Rebolation

Janio Ferreira Soares

Andei acompanhando os debates realizados pelo jornal A Tarde sobre o Carnaval de Salvador e a maioria quer a volta da praça e do poeta. Eu também. Agora só falta combinar com os russos. Mas adianto que vamos perder.

Todo ano a turma com mais de cinquenta Carnavais questiona o modelo da folia e reclama dos blocos e camarotes, que continuam avançando pelo asfalto, coitado, que nesses dias deve estranhar a quantidade de pés paulistas a lhe pisotear. Mas o pior é que o único eco dessas discussões é o pancadão do Chiclete reverberando na caixa dos peitos dos nativos (apenas 19%, segundo pesquisa do governo), cada vez mais espremidos entre tapumes e churrasquinhos de gato.

O problema – ou a solução, aí depende dos cifrões – é que o Carnaval baiano virou um grande negócio e funciona basicamente para os donos de blocos, camarotes e emissoras de tevês, além da selecionada fauna que frequenta certos espaços nababescos, totalmente excitada pela possibilidade de cruzar com celebridades entre caipiroscas de seriguela e canapés by Dadá.

Quanto aos saudosistas, um conselho: se conformem, ou procurem algo parecido. Sugiro Recife, pois lá ainda se brinca um autêntico Carnaval de multidões sem cantor, com milhares de pessoas fantasiadas indo pra rua só pelo prazer de ficar nas calçadas esperando passar algum bloco de sopro ou de percussão pra ir atrás.

Há uns dois anos eu cruzei com Moraes Moreira depois de sua participação no Quanta Ladeira, bloco comandado por Lenine, e a visão do velho exilado baiano caminhando à vontade entre colombinas e pierrôs, enquanto o som dos metais da orquestra do maestro Spock invadia as esquinas do Recife Antigo, foi quase de fazer chorar.

Agora, 10 anos depois, finalmente o genial pombo correio volta ao ninho. Mas uma coisa me preocupa. O que passará pela sua cabeça quando, ao cantar Chão da Praça, ele procurar a mão do poeta e der de cara com os apresentadores da Band exaltando o Rebolation. É capaz de a saudade pegá-lo de novo pelo braço e em 2011 levá-lo de volta pra embriaguez do frevo.

( Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, na região do vale do São Francisco )

fev
12
Posted on 12-02-2010
Filed Under (Artigos, Regina) by vitor on 12-02-2010

Aninha Franco leva drama…

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…dos “cordeiros” ao palco

Postado originalmente como comentário ao artigo do músico Paquito sobre o carnaval de Salvador, o texto da advogada Regina Soares, colaboradora deste site-blog que mora há décadas na área da belissima Baia de San Francisco, na Californa, sem tirar os olhos de sua Baia de Todos os Santos, sobe agora para o espaço principal do Bahia em Pauta, por seu contaúdo e propriedade. Confira. (VHS)

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REGINA SOARES

SAN FRANCISCO (CA-USA) – A escritora, advogada, dramaturga e administradora do Theatro XVIII http://www.theatroxviii.com.br , localizado no Pelourinho, Aninha Franco, uma legítima cidadã “pelourinhense”, que acompanhou com atenção todas as etapas pelas quais passou o local, sempre interferindo em seu destino, escreveu uma peca sobre os “cordeiros” em 2005, “Esse Glauber”, que representava um dialogo entre dois desses homens e mulheres que tem essa função no Carnaval da Bahia.

Na história, o carnaval acabou e o tema do ano na cidade foi “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, em homenagem ao cineasta Glauber Rocha. Todo Mundo (RitaAssemany) e Qualquer Um (Diogo Lopes Filho), aguardam o pagamento pelos dias trabalhados separando dois mundos: o do interior dos blocos e o da multidão excluída. O texto é de Aninha Franco, a direção de Marcio Meirelles (então amigos de outros carnavais) e a trilha sonora original de Jarbas Bittencourt.

Os depoimentos colhidos e que fazem parte do dialogo são impactantes. O que os faz segurar aquela corda por cerca de oito horas, expostos a todo tipo de violência e discriminação, com direito a apenas um pacote de biscoito recheado e duas garrafinhas de água por dia? Dinheiro, claro. O valor em questão assusta ainda mais. “Me prometeram uma diária de R$10, mas na hora só pagaram R$8. Acho um absurdo, mas vou reclamar com quem? Tenho três filhos pequenos pra criar, precisava do dinheiro”, diz a jovem cordeira, sem querer se identificar, revelando que já apanhou muito e já bateu também quando “o bicho pega na avenida”.

Regina Soares, advogada, foliã desde menina, mora em Belmont, área da Baia de San Francisco, Califórnia, há mais de 30 anos, com antena voltada para sua Baia de Todos os Santos, que ferve em mais um carnaval)

fev
11
Posted on 11-02-2010
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-02-2010

fev
11
Posted on 11-02-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 11-02-2010

Lula e Armadinejad: conveniências?


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Na Tribuna da Bahia, em seu artigo desta quinta-feira, o jornalista político Ivan de Carvalho assinala que o governo brasileiro, um dos primeiros em todo o mundo a reconhecer a duvidosa vitória eleitoral de Ahmadinejad e um dos poucos a receber a visita oficial do suposto presidente reeleito, divulga sua posição contrária a novas sanções contra o Irã pelo anúncio do governo iraniano de que vai enriquecer urânio a 20%, um passo importante na direção da construção de armas nucleares. Para Ivan, o que Brasília quer é entusiasmar a “esquerda” no ano eleitoral, mesmo à custa de ajudar no avanço do programa atômico militar do Irã. Bahia em pauta reproduz o texto.(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

UMA POSIÇÃO IRRESPONSÁVEL

IVAN DE CARVALHO

O governo do Irã avisou aos jornalistas que trabalham para os meios de comunicação estrangeiros que eles não poderão cobrir, hoje, os desfiles – que serão sete – pelo 31º aniversário da Revolução Islâmica, que derrubou o regime do xá Reza Palevi e colocou no poder o clero islâmico xiita chefiado pelo ayatollah Ruhollah Khomeini, sucedido até aqui pelo ayatollah Ali Khamenei. Nos últimos meses, esses jornalistas foram proibidos de cobrir manifestações oposicionistas, mas é a primeira vez que são excluídos de comemorações do aniversário da Revolução Islâmica de 1979.

É que há uma grande expectativa de que a oposição – considerada pelos chefes dominantes do clero xiita “inimiga de Allah” – realize manifestações de protesto contra a reeleição (considerada fraudulenta pela oposição) do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Os jornalistas ou meios de comunicação estrangeiros estão autorizados a cobrir apenas o discurso que o presidente Ahmadinejad (aquele que nega, declarando ser mito e mentira, a matança de seis milhões de judeus pelo nazismo durante a Segunda Guerra Mundial) fará na manhã de hoje na praça de Azadi. Azadi significa liberdade e a escolha do local para o discurso parece mais uma ironia do que qualquer outra coisa.

O governo prevê a presença de centenas de milhares de pessoas nos sete desfiles. Ocorre que a oposição convocou o povo para protestar, nesses desfiles oficiais, contra o regime e a eleição por ela não aceita de Ahmadinejad. Explicando: a oposição está proibida de fazer manifestações de rua. Nas últimas que fez, no dia 27 de dezembro, nas grandes cidades do Irã, em comemoração à luta religiosa de Ashura, foram reprimidas pelas forças de segurança. Houve oito mortos, centenas de feridos e mais de mil presos. Daí que agora a oposição resolveu usar as manifestações oficiais para misturar-se a elas e protestar, na esperança de embaraçar a repressão e se fazer ouvir.

Enquanto isso, o governo brasileiro, um dos primeiros em todo o mundo a reconhecer a duvidosa vitória eleitoral de Ahmadinejad e um dos poucos a receber a visita oficial do suposto presidente reeleito, divulga sua posição contrária a novas sanções contra o Irã pelo anúncio do governo iraniano de que vai enriquecer urânio a 20%, um passo importante na direção da construção de armas nucleares.

O governo brasileiro sugere que a proposta de novas sanções não seria aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU e, sendo, seria ineficaz, pois não conduz ao diálogo. Ora, as sanções visam a forçar o Irã ao diálogo, evitando a perigosa alternativa, de desdobramentos imprevisíveis – um ataque militar “preventivo” ocidental ou israelense às instalações nucleares iranianas. A galera da “esquerda” do PT e outras galeras “esquerdistas” adjacentes devem estar exultantes. Como o governo Lula quer.

Aparentemente, apenas. Porque que ele quer é entusiasmar a “esquerda” no ano eleitoral, mesmo à custa de ajudar no avanço do programa atômico militar do Irã.

fev
11

DEU EM TERRA MAGAZINE

De sua janela aberta para a Baia de Todos os Santos o músico Paquito observa as múltiplas faces de Salvador, e escreve com a argúcia e competência de sempre sobre delícias e mazelas da cidade da Bahia, para a revista digital Terra Magazine ( http://terramagazine.terra.com.br ).

Nesta quinta-feira, ele que não morre de amores pelo carnaval soteropolitano, fala de belezas da festa que surpreendem mesmo que não gosta dela.Mas critica em TM o lado mais feio da folia: a miséria de “cordeiros” dos blocos no Carnaval.

O músico condena, principalmente, a posição do produtor Nelson Motta sobre a função de cordeiros no Carnaval de Salvador. “Se há grande concorrência para a função de cordeiro, a causa deve ser mesmo a miséria e exclusão social” . Um texto de leitura essencial para quem vai cair na folia baiana.Ou não.

Até mesmo para a ministra Dilma Rousseff (PT) e o governador José Serra (PSDB), que devem desembarcar na cidade -, concorrentes na disputa na sucessão de Lula – a partir de sábado, em campanha nos camarotes e blocos da cidade (fala-se até no Ilê).

Confira.

(Vitor Hugo Soares)

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Retrofolia:cada ano melhor, diz Paquito

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ARTIGO

CARNAVAL, DESENGANOS…

Paquito

De Salvador (BA

Não sou fã do carnaval de Salvador e disso não faço segredo. Já escrevi nesta coluna sobre a angústia que antecede a festa para os moradores do circuito – eu, incluído – que não curtem a folia, o estupor, e tem de simplesmente se mudar de suas casas durante o período. No entanto, reconheço a legitimidade do evento, mesmo sabendo o quanto houve de demagogia no decreto do então governador Antonio Carlos Magalhães que esticou, de três para cinco dias, a chamada maior festa de rua do mundo, que dura agora uma semana.

No entanto, frequentei eventos pré-carnavalescos, de leve, como o Ensaio do Cortejo Afro, sob o comando de Alberto Pita, que me convenceu a ir, e me fez ficar surpreso diante de coisas que parecem só acontecer na Bahia. Quem imaginaria que, numa segunda-feira, que é quando acontecem os ensaios, apareceria, em pleno palco, Clifton Davis, autor de Never can say goodbye, gravada por Michael Jackson, para uma palhinha junto a J. Velloso, cantando a própria canção acompanhado pelos tambores do cortejo? Nem sei se é um elogio, vindo de um anti-carnavalesco, mas o fato é que gostei de estar lá, muito bem recebido por Pita.

O segundo evento de que participei – e cada ano sai melhor – foi a Retrofolia dos Retrofoguetes, que também já comentei nesta coluna, e não fui apenas espectador, mas cantei clássicos da lambada. E lamentei muito não ter acordado a tempo pra ver Gerônimo domingo de manhã no TCA, gravando seu DVD. Cheguei atrasado, bamba de sono, e não pude entrar.

Toda essa conversa é, na verdade, um preâmbulo, para tratar de outra conversa, não de mesa de bar, mas de livraria de shopping, onde encontrei Osvaldo Braminha – com quem travo conversas divertidas e discordâncias cordiais – que me disse coisas que eu não sabia sobre o carnaval soteropolitano. Por exemplo, o número de pessoas que brinca não é de um nem dois milhões, mas cerca de 500 mil, segundo pesquisa da Secretaria de Cultura do Estado, o que não deixa de ser expressivo, de todo modo. O mais espantoso, no entanto, é que parece que o governo do Estado mais perde dinheiro do que ganha durante a semana de Momo.

Bem, alguém deve estar ganhando alguma coisa, senão não se poria tantos blocos e aquele um sem-número de trios elétricos engarrafando a cidade. Não é só pelos belos olhos da vetusta Soteropólis, nobre e opulenta cidade, madrasta dos naturais e dos estrangeiros madre, diria o poeta.

Alguém deve estar ganhando e não são os cordeiros, no cerne da discussão por conta de um Estatuto do Carnaval, baixado pela prefeitura, que pretende dar a estes que, literalmente, seguram os blocos, melhores condições de trabalho. Quero adiantar que não fui eleitor do atual prefeito, e acho que a cidade caiu numa esparrela danada ao reelegê-lo.

Não posso, no entanto, deixar de comentar a reação de Nelson Motta ao estatuto, entrevistado na revista Muito, que vem encartada no jornal A Tarde : “Primeiro, ninguém está ali obrigado. Sou a favor que tenham as mínimas garantias de trabalho, porque é um trabalho como qualquer outro.” Diante do primeiro argumento, caem por terra todos os movimentos sociais e tentativas históricas de trabalhadores que tentaram melhores condições de realizar o seu ofício com dignidade. Sensibilidade social é isso aí… Quanto a ser um trabalho como qualquer outro, aconselho, se já não basta o que se vê nas ruas bem claramente, que se assista ao documentário Cordeiros, de Ana Rosa Marques e Amaranta César, de 2008.

Se há – e olha que pode haver mesmo – grande concorrência para a função de cordeiro, a causa deve ser mesmo a miséria e exclusão social que faz da Bahia um dos estados mais pobres do Brasil. Nada de novo, diz um samba de Paulinho da Viola, discreto, baixinho, mas eloqüente.

fev
10

Carroças na mudança:fim da tradição

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DEU NA REVISTA DIGITAL TERRA MAGAZINEtERRA

Claudio Leal

Em reunião no Ministério Público da Bahia, nesta quarta-feira, os organizadores do tradicional desfile carnavalesco Mudança do Garcia, que vai às ruas de Salvador há mais de 80 anos, se comprometeram a não usar mais carroças puxadas por animais.

O bloco de protesto, nascido no bairro popular do Garcia, se tornou um patrimônio do Carnaval baiano e, com essa medida, pode iniciar sua decadência, já que o uso de jegues, cavalos, burros, que carregam cartazes com críticas a políticos, ficará proibido a partir de 2011. A partir deste ano, haverá restrições.

Veja também:
» Bahia: Antropólogo critica ecologistas e quer encontro de jegues
» Blog das Ruas: Em bloco de carnaval, “Jegue de Cueca” casa com “Jega de Calçola”
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Por pressão das entidades ambientalistas Terra Verde Viva e Célula Mãe e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção Bahia, o promotor de justiça da 2ª Vara do Meio Ambiente, Heron de Santana Gordilho, promoveu uma reunião com os organizadores do único desfile de protesto da folia de Salvador.

Barrados pelo MP, burros não irão à Mudança do Garcia (Foto: Vagner Magalhães/Terra)

– Este ano não vai ter figura de destaque, isopor, nada. Nem cavalo nem nada. Não foi só o Ministério Público, não! Estava um monte de gente lá… OAB, ambientalistas… Batemos na tecla da tradição, mas eles alegaram que a tradição não pode prejudicar os animais – diz Lorito, um dos organizadores da Mudança.

Questionado se a festa não se tornará careta, por radicalismos de ambientalistas, Lorito lamenta a proibição, mas diz que lei é lei.

– Eles alegam que só os animais estarem no meio de tanta gente, o som, o batuque, isso estressa. E o calor… Não pude falar nada. Foi constatado pelo veterinário: o animal ouve 20 vezes mais do que a gente. Vou dizer que não tem? Já vi os caras das Muquiranas (bloco de travestidos) pegarem nos testículos do cavalo. E uma mulher deu “uma tapa” no animal… Essas coisas acontecem.

Para o organizador, a Mudança se “descaracteriza” com a interferência do MP.

– Não acho que a Mudança vai acabar, mas ela se descaracteriza. Fica bonita de carroça! A gente vai ter que colocar a Mudança à altura dela. Estamos contando com todo mundo pra solucionar esse problema – relata Lorito.

Em tempo: na histórico desfile da Independência na Bahia, o 2 de Julho, há também a presença de carroças, jegues, burros, cavalos… E demais classes. Ainda não foi baixado um novo mandamento.

fev
10
Posted on 10-02-2010
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 10-02-2010

DEU NA COLUNA


Ao inaugurar um campus universitário em Teófilo Otoni (MG) esta semana, o presidente Lula foi mais enfático do que costuma ser ao falar de sua sucessão: “Nós vamos fazer a sucessão (?) neste país para dar continuidade ao que nós estamos fazendo, porque este país não pode retroceder. Este país não pode voltar para trás como se fosse caranguejo”, disse o presidente. Segundo o colunista, há outras pessoas que, pensando um pouco diferentes do presidente Lula, mas também um pouco à sua semelhança, julgam que o caranguejo anda para trás. A partir daí, Ivan tece a abordagem do tema em sua coluna desta quarta-feira, na Tribuna da bahia, que BP reproduz (VHS)

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Carangueijo: para o lado

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OPINIÃO POLÍTICA

DE CARANGUEIJOS E LULAS

Ivan de Carvalho

Bem, ter um “diploma de presidente da República”, como é o auto proclamado e verdadeiro caso de Luiz Inácio Lula da Silva, é o máximo que um cidadão brasileiro pode almejar, com exceção do Reino Céus, porque, afinal, como disse Jesus, “de que vale a um homem conquistar o mundo inteiro, se perder a sua alma?”.

Mas é claro que um diploma universitário pode ajudar um pouco o feliz possuidor de um diploma presidencial. Se, por exemplo, o presidente Lula tivesse um diploma de biólogo, e nem precisaria ter pós-graduação em biologia aquática ou doutorado em crustáceos (essas coisas de doutorado e mestrado, ele deixa para a candidata do PT a sua sucessão, Dilma Roussef, enriquecer o currículo dela) com ênfase na infra-ordem Brachyura, não teria dito ontem o “besteirol” com que brindou a nação brasileira.

A mídia registra (li na Folha online):O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender na tarde desta terça-feira (ontem) a continuidade de seu governo. Ele também disse estar certo de que conseguirá fazer seu sucessor na Presidência da República.

“Nós vamos fazer a sucessão (?) neste país para dar continuidade ao que nós estamos fazendo, porque este país não pode retroceder. Este país não pode voltar para trás como se fosse caranguejo”, disse Lula ao inaugurar um campus universitário em Teófilo Otoni, Minas Gerais.

Bem, pelo que disse o presidente da República, e ante as óbvias dificuldades para o que quer que seja, inclusive o caranguejo, voltar para a frente, é evidente que o presidente pensa que caranguejo “volta para trás”. Há outras pessoas que, pensando um pouco diferentes do presidente Lula, mas também um pouco à sua semelhança, julgam que o caranguejo anda para trás.

Ambos estão errados e as pessoas que se deram ao trabalho de observar os caranguejos andando na areia das praias, nos mangues, nas margens de rios (todos esses habitats são freqüentados por caranguejos, que os há de várias espécies) terão notado que eles não se deslocam para trás, mas para os lados. E o fazem com notável habilidade, sem atropelarem ou embaraçarem os seus cinco pares de patas – um par deles, mais poderoso, que funciona como pinças – pois essa habilidade é de sua natureza, adquirida em longa evolução, se dermos crédito a Charles Darwin. Aliás, as lulas, – com uma única exceção, talvez, até para confirmar a regra – também têm oito braços e dois tentáculos e a capacidade de não os embaraçarem nem se embaraçarem com eles, enquanto a lula da exceção tem reconhecidamente língua afiada, mas frequentemente inclinada a um besteirol.

Mas por que falar de lulas, se são moluscos e o tema era caranguejo, um crustáceo? Não tem nada a ver. Assim, ponto final.

fev
09
Posted on 09-02-2010
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 09-02-2010

Lampião: fantasma não assusta mais

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ROSANE SANTANA

BOSTON (EUA) – Houve um aumento crescente da violência na Bahia, nos últimos três anos, período em que estou nos Estados Unidos, mas pude acompanhar os acontecimentos em tempo real, pela Internet.Considero equivocada a explicação que vincula o fenômeno específico, diretamente, ao tráfico de droga e a falta de uma política de Segurança Pública para o Estado.

Ressalte-se que o governo Wagner manteve intocável a cúpula da Policia Militar do Estado, como o fez Obama, em nível mais amplo, com as autoridades de Segurança dos EUA, para não provocar interrupções que seriam prejudiciais ao trabalho policial, na visão de estrategistas. Aqui, apesar do atentado terrorista frustado no Natal de 2009, não houve solução de continuidade na área, mas na Província da Bahia, sim, com os chefões envolvidos em tenebrosas transações.

A droga é um problema em todo o mundo, é verdade, mas, cá para nós, não entra na minha cabeça a idéia de que o consumo de crak é fator responsável pela multiplicação, em progressão geométrica, da violência em Salvador e em todo o Estado.

Antes de Jacques Wagner assumir o poder, já tínhamos o Morro do Águia, na San Martin, endereço conhecido de qualquer taxista, onde Ravengar fazia a festa, frequentado, dizem, até por patricinhos baianos.

Recorramos à história…

Durante a Regência (1831-1840), período de muitas turbulências, após o Primeiro Reinado, Feijó criou a Guarda Nacional para assegurar a tranqüilidade do Império, escanteando o Exército que participou, no Campo de Santana, no Rio de Janeiro, das manifestações a favor da deposição do imperador Pedro I.

Sabe-se, desde então, para não retrocedermos muito, da importância da Segurança Pública para a estabilidade dos negócios, tanto que a Regência foi sucedida pela relativa tranquilidade do Segundo Reinado, longo período de alternância no poder e posterior conciliação entre conservadores e liberais. A cafeicultura floresceu nessa época. A famosa frase positivista, Ordem e Progresso, cunhada no “Pendão da Esperança”, não foi à toa.

Milicias, como a Guarda Nacional, deram origem às polícias militares, no Brasil, que tiveram papel fundamental para garantir o poder dos coronéis, especialmente os mandões do Nordeste.

Em Terra Brasilis, os conservadores sempre andaram de mãos dadas com as milícias e, posteriormente, polícias militares.

Eles, seguramente, sabem muito sobre o súbito aumento da violência na Bahia.

Há mais coisas no ar do que simples aviões de carreira, nessa história de banditismo armado pelo interior.

Lampião é só um fantasma.

E fantasmas não metem medo.


Rosane Santana, jornalista, mestre em História pela UFBA, mora em Boston e se prepara para voltar ao Brasil )

fev
09
Posted on 09-02-2010
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-02-2010

Jose Alencar:jogo de Minas

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No artigo desta terça-feira na Tribuna da Bahia, o jornalista político Ivan de carvalho fala de manobra política de grande envergador , visando as eleições presidenciais e com repercussões prováveis na eleições de governador de pelo menos dois estados de grande importância: Minas gerais, segundo maior colégio eleitoral do País e Bahia. O núcleo da manobra, que tenta envlver o vice-presidente José Alencar (que enfrenta bravamente um câncer|) estaria instalado em Minas, segundo Ivan, e quer unir a base aliada em Minas e tentar contrabalançar a força de Aécio, principalmente se este acabar aceitando ser vice de Serra.Confira no texto que Bahia em Pauta. (VHS).

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OPINIÃO POLÍTICA

ALENCAR, MINAS E BAHIA

Ivan de Carvalho

Está em pleno curso uma manobra política de grande envergadura, visando às eleições presidenciais e com repercussões prováveis nas eleições de governador de pelo menos dois Estados de grande importância – Minas Gerais – segundo maior colégio eleitoral do país – e Bahia. O núcleo da manobra está situado em Minas Gerais.

Ali, o governador tucano Aécio Neves, com os mais elevados índices de avaliação, durante os sete anos de mandato que já cumpriu, declara-se candidato a senador e publicamente descarta figurar como candidato a vice na chapa do governador José Serra, candidato tucano a presidente. Está decidido a jogar seu prestígio para eleger governador de Minas o seu vice, Antonio Anastasia.

Mas Aécio Neves sofre uma forte pressão de seu partido e de alguns outros setores para aceitar esse risco, de modo a reforçar a principal chapa da oposição. Assim, seria formada uma chapa integrada pelos governadores dos dois maiores colégios eleitorais do país, São Paulo e Minas Gerais, capaz de neutralizar ou até superar a grande vantagem que Lula tem no Nordeste por seu prestígio pessoal e pelos aliados, para benefício da candidata governista Dilma Rousseff, do PT.

Ocorre que Lula é muito esperto. Acaba de escalar o atual vice-presidente da República, José Alencar – 81 anos, um câncer em estágio avançado no intestino, 12 cirurgias e ausência, até aqui, de resolução do problema –, que é um grande empresário mineiro, para governador de Minas. Quer unir a base aliada em Minas e tentar contrabalançar a força de Aécio, principalmente se este acabar aceitando ser vice de Serra. E – é até uma ironia – a entrada de Alencar na equação pode levar Aécio a tentar se fortalecer concorrendo a vice-presidente, apesar do natural risco que isto representa.

O primeiro objetivo, unir sua base em Minas, parace facilmente alcançável. Os dois aspirantes petistas ao governo mineiro – o ministro de Desenvolvimento Social e ex-prefeito Patrus Ananias e o ex-prefeito Fernando Pimentel – estão resignados a desistir para apoiar Alencar. O senador e ministro das Comunicações, Hélio Costa, do PMDB, disse que só abre mão para Alencar. Pronto, sendo Alencar o candidato, a base estará pacificada e Aécio terá um imenso problema, pois Alencar conquistou a simpatia geral no país, imagine-se em Minas. E Antonio Anastasia, o candidato de Aécio ao governo, está para Aécio assim como Dilma está para Lula.

Mas, e a Bahia? A Bahia entraria na desistência do peemedebista Hélio Costa. Abrindo mão, em consequência de uma manobra direta de Lula, de disputar, com Hélio Costa, o governo mineiro, o PMDB ganharia um poderoso elemento para cobrar do presidente uma compensação. Não seria a desistência de Jaques Wagner disputar a eleição, claro, mas o PMDB poderia pedir tratamento absolutamente igual do governo ao candidato petista e ao peemedebista, sem qualquer favorecimento a este e absoluto respeito à estratégia do peemedebista Geddel Vieira Lima. Em síntese: perfeito equilíbrio dos dois pratos da balança governista na Bahia. O que já começaria com a confirmação de João Santana como secretário executivo do Ministério da Integração Nacional, quando, no início de abril, Geddel deixar o cargo para manter as condições legais de disputar as eleições de outubro.

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