maio
29
Posted on 29-05-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 29-05-2010

Lula e Evo: ironias

====================================

No artigo deste sábado, na Tribuna da Bahia, o colunista político Ivan de Carvalho recorda a Declaração Unânime dos 13 Estados Unidos da América , ao analisar o momento complexo vivido pelo País em suas relações atuais no continente. “Aproveito, nesses tempos de tanta insegurança, mal que o povo debita aos Estados – porque estes têm as polícias mais visíveis, enquanto a União (brasileira) e seu governo parece lavar as mãos o tempo todo, numa espécie de malandra síndrome de Pilatos –, para lembrar ainda que a Declaração fala na constituição de governos que pareçam ao povo convenientes para “realizar-lhe a segurança e a felicidade”, assinala o colunista no texto que Bahia em Pauta reproduz.

(VHS)

====================================
OPINIÃO POLÍTICA

ELES NÃO SABEM

Ivan de Carvalho

Há verdades evidentes por si mesmas, diz a Declaração Unânime dos 13 Estados Unidos da América, aquele núcleo que em 4 de julho de 1776 emitiu o documento que ao mesmo tempo era uma Declaração de Independência em relação à Inglaterra e a carta-doutrina da mais importante Revolução política da história conhecida da humanidade. Digo Revolução política porque, caso se busque uma revolução muito mais abrangente, ela será encontrada – tenho certeza – nos Evangelhos.

Mas, voltando ao começo, a Declaração Unânime dos 13 Estados Unidos da América afirma que os homens, criados iguais pelo criador, foram dotados de certos direitos inalienáveis, entre estes a vida, a liberdade e a busca da felicidade.

Aproveito, nesses tempos de tanta insegurança, mal que o povo debita aos Estados – porque estes têm as polícias mais visíveis, enquanto a União (brasileira) e seu governo parece lavar as mãos o tempo todo, numa espécie de malandra síndrome de Pilatos –, para lembrar ainda que a Declaração fala na constituição de governos que pareçam ao povo convenientes para “realizar-lhe a segurança e a felicidade”.

Bem, vê aí o leitor? A segurança também foi incluída. A segurança.

Mas que segurança pode haver quando o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, aparece aos fotógrafos, abraçado ao colega da Bolívia, Evo Morales, e convida-o, rindo muito: “Vamos posar aqui; vamos fazer inveja no Serra”. E fez piada com o pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, que, na quarta-feira, afirmara que o governo da Bolívia “é cúmplice” do tráfico de cocaína para o Brasil. Morales, já de mãos dadas com Lula, também riu, mas nada falou.

José Serra, do PSDB e o principal candidato da oposição a presidente da República, na quarta-feira, respondendo a perguntas de jornalistas, afirmou que o governo boliviano faz “corpo mole” ao permitir que “de 80% a 90%” da cocaína que entra no Brasil venha “via Bolívia”. E Serra explicou: “É um problema de bom senso. Você acha que poderia entrar toda essa cocaína no Brasil sem que o governo boliviano fizesse, pelo menos, corpo mole? Eu acho que não”, definindo sua avaliação sobre a conivência do governo boliviano de Evo Morales com o tráfico de drogas para o Brasil como “uma análise”, ressalvando: “Eu não fiz uma acusação”.

Claro que não fez, nem podia, pois não tem o controle da Polícia Federal para conseguir as provas. Tem, contudo, a evidência e a lógica a seu lado. Morales foi eleito presidente como líder dos “cocaleiros”, os que cultivam a coca, matéria prima para a cocaína. Com os votos deles. Do antigo Império Inca, em toda a região pessoas guardam o hábito de mascar folhas de coca para se sentirem estimuladas e com “alto astral”. Para isto a natureza dá folhas suficientes, não precisa ninguém plantar. Os cocaleiros cultivam a coca para a fabricação da cocaína. E o presidente Evo Morales é o grande líder dos cocaleiros. E a Bolívia tem boa parte de sua economia baseada na lavoura de coca.

Então, presidente Lula, o que significam suas cenas com Morales? E você, candidata Dilma Rousseff, porque fica tão brava com Serra se ele apenas fez “análise” óbvia e responsável, sobre tema tão relevante para a nação? Morales é um chefe de Estado e tal? É. Morales é o líder cocaleiro? É. E então? Não sabem disso o presidente e a candidata do PT? Vai ver, não sabem também que o crack é feito à base de cocaína.

maio
29

Delegado Cleyton: crime e política

===============================================

ARTIGO DA SEMANA

TIROS E VUVUZELAS

Vitor Hugo Soares

Foi uma semana como o diabo gosta na Bahia, embora nada indicasse que terminaria assim. Os indícios eram de que uma trégua se anunciava no horizonte das complicadas manobras sucessórias na política local, depois das recentes e agitadas passagens dos pré-candidatos José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva por Salvador. Todos eles de olhos e garras voltados para a conquista do mais alentado naco possível do quarto maior colégio eleitoral do País, no espaço nordestino que os estrategistas consideram crucial para quem deseja o lugar do presidente Lula nas eleições que se aproximam.

Animado e festeiro como reza a fama, o baiano na verdade parecia deslocar seu foco de interesse para a África do Sul, distante do campo de conflitos do governador petista Jaques Wagner com o ex-ministro peemedebista Geddel Vieira Lima, enquanto o carlista ex-governador Paulo Souto, do DEM, aproveita a brecha para ir ganhando terreno nas pesquisas do jogo pelo Palácio de Ondina.

Salvo pequenas escaramuças e querelas localizadas, a “gente dos interiores”, principalmente os moradores da capital e Região Metropolitana – adeptos de um barulho como ninguém – pareciam interessados mesmo, por enquanto, em aprender a lidar com a Vuvuzela.

Os soteropolitanos pegaram gosto pela diabólica invenção em forma de instrumento de sopro das arquibancadas sulafricanas. Mas, assim como o aparentemente descomplicado toque do berimbau na terra de João Gilberto e Carlinhos Brown, a vuvuzela também não é tão simples e óbvia de soprar e fazer zoada como aparenta. Ou tocar como se deve e fazem os torcedores da terra de Mandela nas ruas e nos estádios.

Requer técnica, pulmão forte e bastante esforço. No entorno da Baia de Todos os Santos alguns até já conseguiram dar um jeitinho para tornar as coisas mais fáceis, sem perder a festa: “é a chamada vuvuzela baiana , com fole em uma das extremidades para não precisar botar os bofes para fora na hora da barulheira”, explica ao articulista um surpreendido amigo, ao verificar a febre da vuvuzela que começa a grassar na cidade da Bahia.

Enquanto isso, em Brasília, os escolhidos de Dunga e a ladina turma da CBF recebiam, na quarta-feira, as bençãos do poder, antes do embarque para campos africanos. No meio do foguetório no Planalto Central, e acima do zumbido das vuvuzelas, escuta-se o som de disparos de verdade e os gritos de socorro e de desespero de uma jovem esposa diante do marido assassinado fria e inapelavelmente.

O morto é o delegado Cleyton Leão: 35 anos, dois filhos pequenos (um ainda de colo), chefe de polícia em Camaçari, considerado modelar. Assassinado com tiros na cabeça quando dava entrevista, por telefone celular, a uma emissora de rádio local, sobre combate ao crime organizado, dentro do carro parado na margem da estrada da Cascalheira – área metropolitana onde a violência e a miséria se alimentam e vicejam em glebas de pobreza ao lado de um dos mais prósperos e produtivos polos petroquímicos do País e de uma das mais modernas montadoras de automóveis da América Latina

Logo a tragédia baiana dividiria os espaços dos principais noticiários locais e nacionais, da quarta-feira, com a festiva despedida dos canarinhos em Brasília. É tempo de Copa do Mundo e de campanhas eleitorais e as emoções se misturam . Oportunismo e demagogia política e administrativa também, no governo e na oposição. A grave questão da violência é politizada de parte a parte. Volta ao topo do cardápio de promessas dos pré-candidatos presidenciais e estaduais. Segue-se a ladainha de sempre dos “a favor” e “dos contras”.

“Depois do crime, o tiroteio”, diz o Correio da Bahia em título primoroso e emblemático de uma de suas manchetes, no noticiário político desta sexta-feira, sobre o crime da Cascalheira. Em menos de 24 horas a força tarefa policial mobilizada pelo Governo do Estado prendeu, em vistosa mega-operação, três acusados pelo “latrocínio seguido de morte do delegado”, apresentados em feérica entrevista coletiva. Um quarto suspeito foi morto e o caso dado por “encerrado” em seguida ao sepultamento de Cleyton, no Campo Santo.

Mas não acaba aí, pois segue sem trégua o conflito político. Os pré-canditatos ao governo, Geddel e Paulo Souto, juntaram-se nos ataques cerrados à política de segurança do governo de Jaques Wagner, que acusam de inerte, leniente e vacilante diante do crescimento da violência no estado. Os petista do governo estadual e seus novos aliados reagem e jogam a culpa na “herança maldita” deixada por sucessivos governos carlistas, comandados pelo finado Antonio Carlos Magalhães.

Como se vê, vai ser preciso soprar forte as vuvuzelas para abafar o barulho da campanha na Bahia antes do primeiro chute na Copa do Mundo..

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: Vitor_soares1@terra.com.br

maio
28
Posted on 28-05-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 28-05-2010

OPINIÃO POLÍTICA

Morte matada e morte morrida

Ivan de Carvalho

.
As pessoas morrem de tiro. Inclusive delegados de polícia e chefes de Estado. Doenças também matam. E ambas as causas, além do sofrimento que provocam, frequentemente deixam as pessoas com seqüelas graves de saúde. Geralmente, as doenças matam mais. Fenômeno que se torna mais devastador quando ocorrem grandes epidemias.

Há situações, no entanto, em que há mais mortes de tiro. Ou de espadas, lanças, flechas, tacapes, machadinhas, facas e punhais. Sem esquecer queixadas de jumento e armas nucleares. No livro do Apocalypse, o último da Bíblia, são nomeados quatro exímios matadores, responsáveis pela eliminação de um terço da humanidade – a guerra, a fome, a peste e a saraiva.

Sobre a saraiva – “muito grande aquela saraiva”, por causa da qual os homens blasfemarão – a suposição principal é a de que será uma chuva de meteoros de até “um talento”, o que equivale a 40 quilos. Quanto à guerra, à fome e à peste, dispensam apresentação. Óbvio, no entanto, que na guerra estarão envolvidas armas nucleares, “no grande dia do Senhor, quando todos os ímpios queimarão como palha”, segundo profetiza Isaías. E a “peste” poderá ser uma referência às viróticas ou bacterianas, como poderá ser o efeito da radiotividade espalhada pelo conflito nuclear.

Cumpre avisar que outro terço da humanidade morrerá por outras causas, também discriminadas no mesmo e último livro da Bíblia. Mas não é o Fim do Mundo, somente o fim desta civilização. Um terço da humanidade sobrevive e construirá a nova civilização, deixa claro o livro do Apocalypse, palavra grega que se traduz por Revelação.
Bem, aí estão postas as questões da morte morrida e da morte matada. Ontem, assim como na terça-feira, escrevemos sobre insegurança pública, portanto sobre a morte matada. Aliás, para quem acredite no simbolismo aparentemente ingênuo da história de Adão e Eva, a primeira morte ocorrida na humanidade foi da modalidade morte matada – Caim matou Abel. Os governantes podem proclamar: não começamos.

Mas não é da morte matada que pretendo tratar hoje e sim da morte morrida. E das doenças. Para ser otimista, dos tratamentos e da cura. O que buscam os médicos e seus pacientes fazer, principalmente com medicamentos. Mas nem sempre a indústria farmacêutica busca a cura, que estanca o lucro, e por isto às vezes não é pesquisada ou é escondida, mas o tratamento permanente que lhe dá lucros até a morte do doente.
Bem, os medicamentos para uso humano, no Brasil, sofrem uma carga tributária de 35,07 por cento, carga que é totalmente repassada para o preço final ao consumidor-paciente. E haja paciência para agüentar isso sem quebrar as farmácias ou mudar os governantes.

Medicamentos veterinários são tributados em 14,31 por cento, comprovando que o governo nos trata pior do que aos bichos ou morre de amores pelos donos dos bichos.
Aí, companheiro, vem uma candidata como a companheira Dilma Rousseff, com sete anos e meio de governo (ministra das Minas e Energia, depois ministra-chefe da Casa Civil e Mãe do PAC) e promete, em campanha eleitoral, que, se for eleita, vai trabalhar para reduzir (não diz em quanto) a carga tributária sobre os remédios. E sobre a energia elétrica, vejam só. Mas esse tempo todo que ela esteve no governo, nem se tocou. Se ela chegar ao governo cumprirá a promessa? Conclua você mesmo.

maio
27
Posted on 27-05-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 27-05-2010

Delegado Cleyton:morte na Cascalheira

========================================


=========================================

Em seu artigo desta quinta-feira, na Tribuna da Bahia, o colunista político Ivan de Carvalho comenta sobre o assunto que ontem chocou a Bahia e o país: o homicídio do titular da 18ª Delegacia, em Camaçari, o delegado Cleyton Leão Chaves. O jornalista que o aparelho policial do Estado foi posto em ação e polvorosa. Autoridades policiais – a exemplo do delegado-chefe da Polícia Civil, Joselito Bispo – consideraram o assassinato um atentado contra o próprio Estado. E disseram – aí já abrindo espaço para duras contestações – que o Estado está preparado para o revide. “Se alguém se interessar, antecipo minha opinião: não está. Não está não. Porque não se preparou”, afirma Ivan no artigo que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)

OPINIÃO POLÍTICA

A insegurança, outra vez

Ivan de Carvalho

Na terça-feira, escrevi sobre segurança pública. Ou insegurança pública. Não dá mais para saber se o problema é o tradicional, de preservação da segurança, ou já mudou de paradigma e passou a ser de insegurança.
Ou talvez já seja até possível afirmar que o paradigma mudou mesmo, já não é a questão de segurança, mas de insegurança, segundo a percepção que a sociedade vinha adquirindo gradualmente e que nos anos mais recentes tornou-se comparável a uma alucinação.

Apenas, quando alguém tenta afastar esta alucinação para ver a realidade por trás dela, descobre que nada há de ilusão: é a própria realidade que se tornou alucinante.
Na terça-feira, escrevi sobre o desempenho da União (perdão, a ausência de desempenho) na questão da insegurança pública. A omissão absoluta, repugnantemente mal disfarçada com o até agora inócuo Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci) e a criação de uma ridícula e quase inútil Força Nacional de Segurança, cuja única “virtude” é poupar o governo federal de gastos e investimentos, pois a tal FNS é integrada por policiais militares estaduais eventualmente convocados pela União.

O artigo de anteontem examinava, também, a imensa responsabilidade da União na segurança pública e as posições a respeito dos candidatos do PSDB e do PT a presidente – José Serra e Dilma Rousseff. Marina Silva terá sua vez, quando revelar o que pretende a respeito.
Mas hoje somos forçados a descer do nível federal ao estadual pelo homicídio do titular da 18ª Delegacia, em Camaçari, o delegado Cleyton Leão Chaves. O aparelho policial do Estado foi posto em ação e polvorosa.

Autoridades policiais – a exemplo do delegado-chefe da Polícia Civil, Joselito Bispo – consideraram o assassinato um atentado contra o próprio Estado. E disseram – aí já abrindo espaço para duras contestações – que o Estado está preparado para o revide.

Se alguém se interessar, antecipo minha opinião: não está. Não está não. Porque não se preparou. E não digo isto sob forte e incontrolável emoção. Há vários anos venho alertando para a ausência de prioridade do Estado – e, obviamente, dos governantes – para a questão da segurança, perdão, da insegurança pública. O crime foi fincando suas raízes, não ligaram. A árvore do mal cresceu, espichou seus galhos. Satisfizeram-se com podas modestas e desordenadas. O crime se organizou e com ele convive, paralelo, o crime desorganizado.

Para o líder da oposição na Assembléia Legislativa, não existem argumentos capazes de tirar o terrível significado dos dados oficiais da própria Secretaria de Segurança Pública, que, disse ele, registram mais de 14 mil homicídios na Bahia no período do atual governo.

Muitos eram registrados antes, mas nem tanto, há de admitir o líder. Mas não estamos precisando de soluções para o passado e sim para o presente e o futuro próximo. O longo prazo, aliás, de que tanto se busca falar, é outro departamento. Mas como está, até nessas lonjuras as coisas podem piorar.

maio
25


========================================
Em seu artigo desta terça-feira, na Tribuna da Bahia, o jornalista político Ivan de Carvalho escreve sobre as diferenças na maneira de encarar a questão da violência e propor saídas para o problema que se agrava, entre os dois candidatos que lideram as pesquisas da sucessão presidencial. O tucano Serra promete até a criação de um novo ministério, só para tratar da questão. A petista Dilma Rousseff, candidata do PT, já criticou o Ministério da Segurança Pública prometido pelo oposicionista . Bahia em Pauta reproduz o texto. Confira.

(VHS)

==========================================


OPINIÃO POLÍTICA

Segurança, Serra e Dilma

Ivan de Carvalho

1. Recentemente, durante visita à Bahia, o candidato a presidente República da coligação PSDB-DEM-PPS e outros partidos, José Serra, assumiu publicamente o compromisso de, caso seja eleito, criar o Ministério da Segurança Pública e transformar o problema da insegurança na sociedade em uma das prioridades de seu governo. Escolheu a Bahia para o anúncio porque este é um estado em que o avanço da criminalidade, organizada ou não, mas habitualmente violenta, pode ser qualificada sem receio de exagero como alucinante. Último fim de semana, 22 homicídios na RMS, segundo o noticiário policial.

2. Em ocasião pouco posterior, o candidato tucano insistiu no assunto, assinalando o óbvio – que a criminalidade e a violência no Brasil são alimentadas principalmente pelo contrabando de armas e o tráfico de drogas, sendo, portanto, grande a responsabilidade federal, e que sem um envolvimento profundo e decidido da União o problema não será atenuado, muito menos resolvido, mas sim agravado. Deixou claro que é uma obrigação da União assumir, politicamente e com os meios de que dispõe, a liderança da luta contra a insegurança.

3. Lamentavelmente, já durante os oito anos do governo FHC o crime organizado e violento, que inicialmente fincou suas raízes no Rio de Janeiro sob a condescendência ou inação dos governos de Leonel Brizola, passou a expandir-se para outras áreas do território nacional com intensidade, embora em graus diferentes haja se espalhado por todo o país, quebrando os parâmetros anteriores de criminalidade. É claro que a rápida urbanização do país foi um fator fundamental para isto, mas os governantes (sempre com as tradicionais raras e honrosas exceções) não deram a mínima importância para isso nos seus programas de governo. Havia a convicção de que o grau de segurança pública acaba não influindo expressivamente nas eleições e, portanto, pode ser negligenciado.

4. Se já foi assim durante o governo de oito anos de FHC, com Lula vem sendo muito pior. Basta vez os números do começo do governo Lula e os de agora em relação à criminalidade e à violência e observar que o atual presidente foi tão omisso quanto seu antecessor num programa de combate ao crime. E que, assim, este acelerou seu avanço. Lula inventou o Pronasci (Programa Nacional de Segurança com Cidadania), com o qual o leitor deve estar completamente familiarizado e sabedor de tudo que tal programa tem feito pela segurança pública. Perdoem a ironia. Inventou também a Força Nacional de Segurança, uma colcha de retalhos formada por grupos de policiais militares dos Estados, sem treino para isto, deslocados e postos, em emergências, sob comando federal. Uma idéia impressionante.

5. Dilma Rousseff, candidata do PT, já criticou o Ministério da Segurança Pública prometido pelo oposicionista José Serra. E não prometeu nada para compensar. A impressão é a de que pretende deixar tudo como está.

maio
24
Posted on 24-05-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 24-05-2010

Candidatos: olhos abertos para os números

========================================
A subida da pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, nas pesquisas eleitorais dos principais institutos, produz nuances que buscam explicações. É este o tema do artigo do jornalista Ivan de Carvalho na edição desta segunda-feira na Tribuna da Bahia, que este site blog reproduz.
Esta é uma resposta, sergundo o articulista, que não parece difícil e que, aliás, foi dada, de um modo indireto, mas muito claro, por um dirigente do Instituto Datafolha. Ivan, no entanto, destaca um aspecto relevante na corrida presidencial, que ficou meio obscurecido nas avaliações sobre os dados da mais recente pesquisa: a subida também, pelas beiradas, da pré-candidata Verde, Marina Silva, que bateu nos 12% da preferência do eleitorado. Confira.
( VHS )


============================================
OPINIÃO POLÍTICA

Confirmação aparente

Ivan de Carvalho

À primeira vista, a pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana, colocando José Serra e Dilma Rousseff em um perfeito empate – cada um deles com 37 por cento das intenções de voto – confirma as pesquisas feitas pouco antes, uma delas pelo Instituto Sensus e a outra pelo Instituto Vox Populi. Essas duas pesquisas colocaram o tucano e a petista em situação de “empate técnico”, o que representou um avanço de Rousseff, que antes vinha sempre em desvantagem.
Mas a pesquisa Datafolha foi ainda melhor para a candidata petista do que as dos outros dois institutos citados. Pois, pela primeira vez, uma pesquisa coloca a candidata governista em vantagem num eventual segundo turno. Todas as pesquisas anteriores de todas as entidades que as fizeram davam vantagem ao oposicionista José Serra, do PSDB, no segundo turno. E vantagem confortável.
Bem, mas então como é que o Datafolha, com seu empate de 37 contra 37 por cento das intenções de voto, confirma apenas aparentemente os resultados do Sensus e do Vox Populi, que oportunamente abordei aqui, pondo-os sob suspeita?
Esta é uma resposta que não me parece difícil e que, aliás, foi dada, de um modo indireto, mas muito claro, por um dirigente do Instituto Datafolha. Disse ele que entre a pesquisa Datafolha de abril e a de maio, a que aqui nos referimos, houve apenas um fato importante capaz de alavancar as intenções de voto em Dilma Rousseff: a propaganda partidária do PT na televisão (e no rádio, que o dirigente do Datafolha não citou). O Sensus e o Datafolha fizeram suas pesquisas antes dessa propaganda.
Essa propaganda gratuita, por imposição da legislação eleitoral, foi feita em um programa de dez minutos e em uma série de inserções na programação normal da televisão e do rádio. Devia ser apenas propaganda partidária, estando vedada por lei propaganda eleitoral.
Mas o PT entendeu, segundo reclamou a oposição, que “o crime compensa” – neste caso, como em alguns outros, como o dos dólares na cueca e o da violação ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo na tentativa de salvar o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que, aliás, segundo notícias de ontem, deverá ser o chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff, se ela for eleita presidente. E o PT gastou todo o tempo fazendo, sob o comando de Lula e Dilma, a propaganda eleitoral proibida.
Foi exatamente, segundo não só o dirigente do Datafolha como os políticos em geral, notadamente os da oposição (entre os governistas, muitos tentam alinhavar outras razões, evidentemente), essa propaganda ilegal que valeu o empate a Dilma, um empate que não existia antes de tal propaganda e que, portanto, pode-se supor que não deveria existir nos resultados do Sensus e do Vox Populi. Tão gentis para Dilma que negligenciaram as intenções de voto da outra mulher, Marina Silva, maltratada com sete e com nove por cento, e vingada pelo Datafolha, que lhe atribuiu 12 por cento.

maio
23


Eleições no Império eram nas igrejas

=================================================

CRÔNICA DA HISTÓRIA

Fraude eleitoal nas sacristias

Rosane Soares Santana

A primeira lei eleitoral brasileira (Decisão n.57/06/1822), que regulou a eleição dos deputados para a Assembleia Constituinte de 1823, consagrou a Igreja como espaço religioso, social e político – herança do período colonial – e estabeleceu a eleição indireta, aspectos incorporados às legislações posteriores até o final do Império. Mas, mesmo realizadas em local devotado ao culto da religião católica, após uma missa e a benção do pároco, as eleições foram marcadas pela fraude e pela violência, ao longo do século XIX, como registrou o deputado conservador Francisco Belisário Soares de Souza, no livro “O Sistema Eleitoral do Império”, que se tornou um clássico.

O processo indireto, em dois turnos, estabelecido pela primeira lei eleitoral, para a escolha de 100 deputados constituintes, foi estendido até 1881, às vésperas da proclamação da República. Nas eleições primárias, com a ingerência dos mandões locais – grandes proprietários de terra, comerciantes etc – eram escolhidos os eleitores de primeiro grau. A estes, cabia eleger os eleitores de paróquia, que, enfim, escolhiam os deputados e os senadores. No caso destes últimos, após 1824, entre os três mais votados, o imperador escolhia um nome para o cargo, que era vitalício.

Votavam homens com idade mínima de 25 anos; oficiais militares e casados, a partir de 21 anos e clérigos e bacharéis de qualquer idade. Mulheres e escravos não podiam votar. Libertos votavam nas eleições de primeiro grau. Exigia-se uma renda de 100 mil réis por ano para ser eleitor de primeiro grau e 200 mil réis, de segundo grau. Em 1846, esses valores passaram a 200 mil e 400 mil, respectivamente.

Cabalistas e fósforos

Violência e fraude marcaram o processo eleitoral do Império. “Apesar dos requisitos estabelecidos na Constituição (1824) para poder o cidadão votar nas eleições primárias, nenhuma autoridade as examinava e reconhecia previamente. A vozeria, o alarido, o tumulto, quando não murros e cacetadas, decidiam o direito de voto dos cidadãos que compareciam”, conta Belisário no livro . Tudo isso, frise-se, dentro da Igreja.

Alguns personagens assumiam papel estratégico, fraudando o resultado das eleições. Os cabalistas, que incluíam e excluíam nomes de pessoas das listas de qualificação de eleitores, a serviço dos mandões. “Numa freguesia de mil ou mil e tantos votantes, as novas inclusões contam-se por centenas, de modo que a alteração da lista dos qualificados excede às vezes a mais da metade do número total dos votantes (…). Os requisitos vagos, indeterminados de idoneidade para a qualificação dos votantes tais como exige a lei e têm sido entendidos, são uma fonte perene de abusos pelas inclusões e exclusões de turbas inúmeras e desconhecidas, as quais por si só alteram todas as condições normais e estáveis dos partidos nas localidades”, segundo Belisário.

O fósforo foi outro personagem importante no processo. Eles votavam em lugar de eleitores qualificados que, por algum motivo, inclusive morte, não podiam votar. “Os cabalistas sabem que F. qualificado morreu, mudou de freguesia, está enfermo; em suma, não vai votar: o fósforo se apresenta. É mui vulgar que, não acudindo à chamada um cidadão qualificado, não menos de dois fósforos se apresentem para substituí-lo, cada qual cabe melhores provas de sua identidade, cada qual tem maior partido e vozeria para sustentá-lo em sua pretensão”, mais uma vez Belisário.

“Bico de Pena”

Quando as eleições primárias não eram disputadas e as igrejas ficavam desertas, percorria-se “os arredores da matriz” e, de última hora, convocavam-se pessoas para votar pelos eleitores ausentes ou colocavam-se na urna cédulas preenchidas pelos integrantes da mesa eleitoral, lavrando-se uma ata para dar aparência de legalidade ao processo. Eram as eleições a “bico de pena”

Rosane Soares Santana é jornalista, com mestrado em História pela UFBA. Estuda o Poder Legislativo, elites políticas e eleições no Brasil. Integra a cobertura de eleições do Terra.

——————————————————-
Leia mais sobre eleições na história do Brasil

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4444372-EI6578,00.html

Protógenes (PC doB) abre o peito em Sampa

==========================================
DEU NO TERRA MAGAZINE

Claudio Leal

Pré-candidato do PCdoB a deputado federal, o delegado Protógenes Queiroz festejou seu aniversário de 51 anos no Bar Brahma, em São Paulo, na noite desta quinta-feira (20). Respondeu pelo fundo musical o grupo “Originais do Samba”, uma das atrações do bar na esquina da avenida Ipiranga com a São João.

Entre os convidados, o maestro João Carlos Martins, o pré-candidato do PCdoB ao Senado, Netinho de Paula, o empresário J. Hawilla (Traffic), o político Adhemar de Barros Filho e o vereador Jamil Murad. “Nunca pensei em vir pra um festa do PCdoB em um ambiente popular”, disse Adhemar, filho do ex-governador paulista, ao delegado responsável pela Operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas em 2008.

À meia-noite, quando o grupo de samba começou a tocar “Se gritar pega ladrão”, clássico do repertório de Bezerra da Silva, Protógenes subiu ao palco do Brahma, pegou um tamborim e dividiu o microfone: “Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão/ Se gritar pega ladrão, não fica um…”.

Protógenes também esteve à frente das operações da Polícia Federal que prenderam Paulo Maluf e Law Kin Chong, além de ter investigado lavagem de dinheiro na parceria MSI/Corinthians
——————————————————
Leia mais no Terra Magazine
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4442386-EI6578,00.html

maio
22
Posted on 22-05-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 22-05-2010


=========================================
No artigo deste sábado, na Tribuna da Bahia, o jornalista político Ivan de Carvalho comenta a decisão do ministro do TSE Henrique Neves, que aplicou, ontem, multa de R$ 10 mil ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e de R$ 5 mil à candidata a presidente pelo PT, Dilma Rousseff, por considerar que eles fizeram, novamente, propaganda eleitoral antecipada. O segundo fato grave, assinala Ivan, é que esta é a quarta multa imposta pelo TSE ao presidente Lula. Todas elas por propaganda eleitoral indevida. Bahia em Pauta reproduz o texto.
(VHS)

==============================================

OPINIÃO POLÍTICA

Lula e Dilma dão mau exemplo
Ivan de Carvalho

O ministro do TSE Henrique Neves aplicou, ontem, multa de R$ 10 mil ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e de R$ 5 mil à candidata a presidente pelo PT, Dilma Rousseff, por considerar que eles fizeram, novamente, propaganda eleitoral antecipada, desta vez em um evento realizado em São Bernardo do Campo, no dia 10 de abril. Os dois condenados podem ainda recorrer ao pleno do TSE.

Há no episódio três fatos graves. O primeiro é que um dos multados – exatamente o que foi penalizado com a multa mais alta, certamente devido à intensidade da infração cometida – foi o presidente da República. Ora, uma pessoa neste cargo deve dar o exemplo de absoluto respeito à lei, o que não aconteceu, salvo melhor juízo do pleno do tribunal, no que não acredito.

O segundo fato grave é que esta é a quarta multa imposta pelo TSE ao presidente Lula. Todas elas por propaganda eleitoral indevida. Vale dizer, o presidente já é judicialmente tri-reincidente (a primeira multa, claro, não caracteriza reincidência) em burlar a legislação eleitoral para favorecer a candidata petista. Não são casos, portanto, de mera infração à lei, mas também de desrespeito tanto à responsabilidade do cargo que ele ocupa quanto ao exemplo que um presidente deve dar para a formação da cidadania.

O terceiro fato grave é talvez o mais perigoso e o que está a merecer uma reação enérgica de todas as forças sérias do país, o que, aliás, não tem acontecido, restando saber se essas forças estão intimidadas ou não são realmente sérias. O fato perigoso para o estado de direito é que o presidente resolveu levar na troça, na ironia, na piada sem nenhuma graça e muita desgraça, as multas que lhe foram aplicadas.
Em relação a uma das quatro multas, não à mais recente, mas de igual valor, exatamente R$ 10 mil, ele, de cima do palco ou do palanque, tratou de, perante os cidadãos e cidadãs que o ouviam, ávidos talvez de lhe seguirem os apelos e indicações de caminhos, ridicularizar a penalidade determinada pelo TSE. “Vamos fazer uma vaquinha”, gritou, ou mugiu, sei lá.

O que sei é que há poucos dias o TSE julgou uma reclamação contra programa de propaganda partidária do PT (dez minutos) que fizera “propaganda eleitoral antecipada” – o que é proibido – da candidata Dilma Rousseff. O TSE condenou o PT e aplicou-lhe a penalidade de perda do direito ao programa de propaganda partidária, de igual duração, do primeiro semestre de 2011, por ser o primeiro desse tipo seguinte ao julgamento.

Bem, se o TSE houvesse sido menos lento e feito o julgamento uns poucos dias mais cedo, o PT teria perdido o direito a fazer o programa de propaganda partidária seguinte ao julgamento, durante o qual Lula e Dilma fizeram escandalosos dez minutos de propaganda antecipada da candidata petista. Dá pra pensar sobre um hipotético mecanismo de retardo encrustado no TSE. Não sei a razão, mas lembrei-me do que disse há dias o ex-presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, reclamando do TSE estar sendo “compreensivo” com o comportamento de “altas autoridades” na campanha eleitoral e notando que o tratamento deve ser “igual para todos, de presidente da República a vereador”.

maio
22
Posted on 22-05-2010
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 22-05-2010

Marina na Metrópole fala de sucessão com jeito…

————————————————-
…de Leão da Barra na Copa Brasil

======================================

ARTIGO DA SEMANA

MARINA E VITÓRIA, LEÃO E JAGUATIRICA

Vitor Hugo Soares

Mal comparando, como se diz nas barrancas do rio São Francisco da minha aldeia, a acreana Marina Silva, pré-candidata do Partido Verde à presidência da República, desembarcou nesta sexta-feira, 21, em Salvador, decidida e surpreendente. Do jeito que o time do Vitória, o rubro-negro baiano, aportou nas finais da Copa do Brasil na noite histórica para o futebol estadual da última quarta-feira,19 de maio .

O time dos quase anônimos Viáfara, Berola e Junior e de veteranos notáveis que parecem jogar com uma fita métrica de passes perfeitos nos pés, como Ramon, qualificou-se para brigar pelo título máximo com o Santos dos fenômenos indiscutíveis da hora para a mídia inteira do País – até na baiana – Ganso, Neymar e companhia dos “meninos da Vila”.

No futebol da Bahia, o Leão da Barra provoca paixões e tem tradição mais que centenária. Mas só agora conseguiu romper o círculo de ferro das disputas entre paulistas e cariocas. À exceção de uma boquinha de vez em quando para representantes mineiros e gaúchos, como variação da batida de uma nota só que não raramente deslumbra e até causa cegueira em boa parte da chamada “crítica esportiva do Brasil”.

Na política, a ambientalista e evangélica pré-candidata do PV à sucessão de Lula deixou claro em suas entrevistas, conversas e encontros na capital baiana – um deles com o arcebispo de Salvador e cardeal Primaz do Brasil, Dom Geraldo Magella -, que um de seus sonhos e motor fundamental da campanha que empreende com vistas às eleições presidenciais deste ano, é muito semelhante aos do Vitória nesta Copa Brasil a ser decidida em agosto.

Marina, voz mansa e figura aparentemente frágil, pisa no chão devagarinho, chega como quem aparentemente não quer nada, navegando pelas beiradas dos igarapés de sua região natal. No entanto, é contundente e firme ao dizer a que vem: quer mostrar e discutir projetos novos, mostrar a face de uma parte sem voz e sem mídia no país.

Em síntese – e nisso foi contundente nas conversas da sexta-feira e deve repetir no discurso deste sábado no lançamento dos candidatos verdes à eleição estadual: fará o que estiver ao seu alcance para evitar que tudo se transforme em mero plebiscito entre a mineira-gaucha Dilma Rousseff (PT) e o tucano paulista José Serra (PSDB).

Na primeira e emblemática entrevista do dia, concedida ao programa da Rádio Metrópole do apresentador Mario Kertész, a pré-candidata do PV lamentou a ausência na disputa de um nome que ela considerava aliado crucial na defesa da apresentação de projetos nacionais e dabate de ideias, como em princípio deveria ser no primeiro turno de uma campanha como a que se aproxima: o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), tirado do jogo na hora H por razões que nem os socialistas ainda conseguiram explicar direito.

A “doce, frágil e gata” Marina de repente vira jaguatirica – como ela própria já antecipou a um blogueiro -, ao repelir a ideia dos eleitores serem conduzidos e reduzidos em 2010 a passivos observadores de uma disputa plebiscitária entre petistas e tucanos, entre Serra e Dilma.

Pior ainda, pensa Marina, se tudo virar um grande Palmeiras e Flamengo eleitoral. Uma inaceitável disputa de egos, como muitos já antecipam, entre o tucano Fernando Henrique Cardoso, “cujo mandato duplo terminou há oito anos”, e o petista Lula, “cujo governo também de oito anos, está prestes a chegar ao fim”, protesta Marina em Salvador.

E a candidata verde volta a considerar imperdoável a rasteira do PSB e do governo Lula – “de quem Ciro Gomes foi um dos amigos e aliados mais competentes e leais, até em questões polêmicas e delicadas como a transposição das águas do rio São Francisco” – no deputado socialista pelo Ceará.

“Quem poderia dizer se o Ciro seria ou não presidente eram os brasileiros e brasileiras”, disse Marina na conversa com Mário Kertész na Rádio Metrópole, cercada por todos os lados de mensagens via internet e telefonemas de aprovação e elogios de ouvintes durante e depois de um dos programas de maior audiência do rádio na Bahia.

Na entrevista e nas andanças e contatos baianos, a pré-candidata lançada domingo passado pelo PV em ato na cidade de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (com anúncio do empresário da Natura como candidato a vice -, tambem para marcar diferenças), Marina falou de sua saída do PT sem atirar pedras em antigos companheiros.

A senadora acreana destacou avanços do governo do presidente Lula – sem esquecer o de FHC, e sem o mesmo entusiasmo em relação ao presidente petista revelado recentemente por Serra na visita a Recife, ou os petardos pesados que Dilma costuma disparar contra o período do governo tucano.

No fim, disse fazer política com humildade e sabedoria – que segundo a senadora acreana são virtudes tipicamente femininas . Mas deu o tom pessoal que ela pretende seja a marca de sua caminhada nesta campanha presidencial e de um eventual e surpreendente caso de triunfo eleitoral: “Vamos manter o que já temos de bom, mas vamos transitar para o futuro”.

A torcida do Vitória, o glorioso Leão da Barra de garra e tradição, que acaba de chegar de supresa para a decisão com o Santos da Copa do Brasil, também agradece.

Bola pra frente!

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares@terra.com.br

Pages: 1 2 ... 2172 2173 2174 2175 2176 ... 2282 2283

  • Arquivos

  • dezembro 2019
    S T Q Q S S D
    « nov    
     1
    2345678
    9101112131415
    16171819202122
    23242526272829
    3031