jun
05

Stone e Dilma Rousseff: convergências

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ARTIGO DA SEMANA

AO SUL DA FRONTEIRA

Vitor Hugo Soares

Com lançamento nacional de “Ao sul da Fronteira” previsto para esta sexta-feira, 04, o mais recente filme de Oliver Stone chega às telas cercado de críticas e polêmica políticas, muito mais que de apreciações sobre o conteúdo e qualidades cinematográficas da fita. Aspectos, aliás, para os quais quase ninguém parece prestar atenção ou dar a mínima bola.

O furor “a favor e contra” é causado tanto pelo realizador norte-americano em si, como pelos personagens principais do documentário, que mexe, entre outros materiais explosivos, com o papel dos meios de comunicação nos Estados Unidos e na América Latina. O barulho se propaga rapidamente e alcança decibéis cada vez mais elevados: de Los Angeles a Nova Iorque, de Caracas a Cochabamba, de Buenos Aires a Córdoba, do Rio de Janeiro e São Paulo a Brasília.

Por um desses paradoxos difíceis de entender, praticamente tudo o que se imaginava iria acontecer em relação ao filme nacional “Lula, o Filho do Brasil”, de Fábio Barreto – monumental fracasso de público e crítica desde o lançamento – , parece ocorrer ao inverso agora com o filme de Stone, “Ao Sul da Fronteira” que desperta interesse e já motiva debates acalorados na imprensa e entre candidatos políticos do governo e oposição neste modorrento período da pré-campanha eleitoral.

Não é para menos. Nas entrevistas, de sua passagem pelo continente para lançamento do documentário, Stone não fala bem apenas de Hugo Chaves, derramando-se também em abraços, elogios e palavras de explícito apoio à ex-ministra Dilma Rousseff. Joga mais água fervente no caldeirão dos conflitos entre governo e oposição, com a imprensa no meio.

Uma fala de Stone sobre Dilma, em inglês, legendada e transformada em vídeo, multiplica acessos agora no You Tube, país e mundo afora. Nos ambientes mais restritos da propaganda na campanha da ex-ministra, já não é segredo que outro depoimento do cineasta foi especialmente gravado e reservado como peça de resistência de futuro programa de TV, na fase mais aguda da campanha, como parte do esforço petista de “dar uma cara internacional para Dilma”.

E assim segue Oliver Stone, como sempre, em sua larga trilha de polemista consumado – e bom propagandista de suas realizações, já se vê , principalmente quando mistura cinema e política. Quem não recorda do barulho mundial no lançamento do filme “JFK-A pergunta que não quer calar?”, que reconstitui o dramático assassinato do presidente John Kennedy, em Dallas? Foi assim igualmente em “Salvador, martírio de um povo”, sobre os movimentos guerrilheiros da América Central, também de 1986, como JFK.

O diretor de “Platoon” retoma em 2010 sua antiga receita. “Ao Sul da Fronteira ( South of the border”) é uma espécie de painel cinematográfico com dirigentes que respondem um questionário de perguntas as vezes obvias – tanto quanto os elogios do cineasta americano à candidata petista apoiada por Lula – , na tentativa de reverter a imagem errônea que o americano dos EUA em geral têm da América Latina, principalmente de seus políticos e governantes, segundo imagina o diretor.

É emblemática a cena de abertura de “Ao Sul da Fronteira”. Mostra a jornalista de um programa de televisão, nos Estados Unidos, que faz piada com um de seus colegas, diante de participantes do programa que dão risadas quando ela explica que confundiu “cacau” com “coca”, “porque não entendo nada de drogas”. Em seguida a estas primeiras imagens, Stone transporta suas câmeras para a Venezuela, e entrevista Hugo Chaves, que confessa: “todas as manhã faço meu desjejum com cacau”.

Na Bolívia, durante a sessão de lançamento do filme em um cinema de Cochabamba, é outra cena com Chaves que levanta o público. “You are a donkey, mister Bush (você é um burro, senhor Bush”), diz o presidente da Venezuela referindo-se ao então colega dos Estados Unidos. É a primeira das várias cenas “que arrancaram aplausos do público que ontem presenciou a premier nacional de Ao Sul da Fronteira”, informa um comentarista de “La Prensa”, presente ao lançamento festivo na Bolívia.

Stone viaja por este lado do continente. Desfilam opiniões de Cristina Kirchner, Evo Morales, Luis Inácio Lula da Silva, Rafael Correa e Fernando Lugo. É Cristina Kirchner quem diz a Stone que é a primeira vez que na América do Sul “os governantes se parecem com os governados”. Na conversa com o cineasta, a governante só se mostra e enérgica quando é consultada sobre quantos pares de sapatos tem a presidenta: “Você não perguntaria isso a um homem”, rebate Cristina.

Ainda assim nada parecido com o bafafá de dois anos atrás, quando, de passagem pela Argentina nos preparativos para o documentário, Stone definiu Eva Perón, a sagrada Evita dos peronistas, como “uma mistura de santa e prostituta”. Precisou sair às pressas da capital portenha.

Pelas bandas de cá, no entanto, parece que o maior furor se concentra nas reações às duras críticas de Stone sobre o papel dos meios de comunicação no continente, um dos assuntos mais polêmicos mostrados em “Ao sul da fronteira”. Na entrevista ao portal UOL, o realizador joga mais combustível na fogueira:

”No Brasil, na Venezuela. Na Argentina. Grandes cadeias, grandes famílias, eles são como as oligarquias. Eles são donos dos meios de comunicação, das emissoras de televisão. E eles os usam para interesses próprios. E eles mentem”, ataca o cineasta.

Tem mais, mas não conto. Quem quiser saber que vá ao cinema, até para desancar o filme “Ao Sul da Fronteira” e seu diretor. Com fatos e algum conhecimento de causa, naturalmente.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail:vitor_soares1@terra.com.br

jun
04
Posted on 04-06-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 04-06-2010


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Em seu artigo desta sexta-feira, na Tribuna da Bahia, o colunista político Ivan de Carvalho comenta a entrevista à revista digital Terra Magazine, da professora Maria da Dores Campos Machado, da Universidade Federal do Rio de Janeiro , especialista em voto e religião, julga preocupante que não existam regras sobre promoção de candidatos nas igrejas e defende um controle sobre as mensagens passadas aos fiéis pelos sacerdotes.
Para o jornalista, aí começa o ataque à liberdade religiosa no Brasil e a entrevista pode se tornar um marco histórico, caso a tese prospere. Quem iria controlar? Pergunta Ivan no texto que Bahia em Pauta reproduz.

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OPINIÃO POLÍTICA
Religião e política
iVAN DE cARVALHO

(VHS)

Ivan de Carvalho
O dia de Corpus Christi, ontem, suscitou na mídia brasileira uma temática que mistura religião e política. Não é uma coisa despropositada. Quando Pilatos advertiu Jesus de que tinha poderes para mandar crucificá-lo, ouviu uma resposta que lhe terá soado surpreendente: “Nenhum poder tens sobre mim, senão o que te foi dado do Alto”. Estava aí posta pelo fundador do cristianismo uma relação entre a realidade espiritual e a política.
Mas o próprio Jesus recomendara antes uma certa separação – coisa que a ditadura teocrática iraniana, tão amada pelo governo brasileiro, não faz – quando lhe foi perguntado se os tributos a Roma deviam ser pagos. Ele pediu uma moeda e, ao indagar e ouvir que era do imperador romano (César Tibério) a efígie que estava nela, recomendou: “Daí a César o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”.
No entanto, houve também a recomendação para que seus seguidores se aproximassem (também) dos governantes, de modo a falar-lhes e convencê-los a comportamento compatível que os ensinamentos de Jesus, recomendação que foi adiante seguida de ressalva no diálogo entre Pilatos e Jesus, no qual este último afirmou, inquirido se era o “rei dos judeus”, que “meu reino não é deste mundo”. Mais adiante, no entanto, já ressurreto, ele anunciou aos discípulos: “Me foi dado todo o poder nos céus e na Terra”.
É normal que os candidatos a presidente busquem a simpatia dos espiritualistas, assim como dos ateus. Também é normal que procurem atrair o apoio de denominações religiosas específicas, mas não é correto que, caso seja algum deles ou delas ateu ou atéia, tente passar aos eleitores católicos, evangélicos ou de qualquer

É exigível a quem se candidata a presidente da República que não minta, não engane o eleitorado, não ponha disfarces e máscaras sobre suas posições, inclusive sobre espiritualidade, religião e temas correlatos, como é o do aborto e vários outros. É exigível que não fale por meias palavras, ou enrolando a língua para enrolar as pessoas, pois não é exigível que em um país de nível educacional tão baixo quanto o Brasil todos os eleitores sejam bons entendedores, para os quais meia palavra basta. É exigível, em nome da cidadania e da verdade, bem como do caráter de futuro presidente, que os candidatos a tão alto cargo não se aproveitem da educação que seus antecessores não asseguraram a uma grande parte do eleitorado para enganá-la.
Em tempo: em entrevista ao Terra Magazine, a professora Maria da Dores Campos Machado, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e especialista em voto e religião, julga preocupante que não existam regras sobre promoção de candidatos nas igrejas. E defende um controle sobre as mensagens passadas aos fiéis pelos sacerdotes. Pronto. Aí começa o ataque à liberdade religiosa no Brasil. Esta entrevista pode se tornar um marco histórico, caso a tese prospere. Quem iria controlar? O Congresso com suas leis e a Justiça Eleitoral. O Estado, portanto. Ora, assim vai-se dar a César o que é de Deus.

jun
03
Posted on 03-06-2010
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 03-06-2010


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Fotografia de Maria Sampaio

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Apaixonada pela fotografia e pela Bahia que registrou como ninguém em suas lentes, Maria Guimarães Sampaio, ou simplesmente Sampa, como era chamada pelos mais próximos, adorava fazer amigos e cultivá-los. Foi mestra nisso. No ano passado, reuniu mais de 300 deles em uma festa de aniversário. Velhos e novos baianos que a admiravam, sobretudo pelo jeito simples e despojado.

Descobriu-se também escritora e registrou seu talento em romances como “Estrela de Ana Basília” e “Rosália Roseiral”, pela editora Record, além de crônicas e literatura infantil. “Salvador chove e chora”, disse-me hoje a amiga e jornalista Isabela Larangeira, pelo telefone, para falar sobre a perda prematura de Maria, nascida em Salvador no dia 23 de abril de 1948.

A vi pela última vez, antes de ir para os Estados Unidos, no Museu de Arte Moderna da Bahia, durante lançamento de livro sobre a história da fotografia baiana, cujo trabalho de pesquisa foi por ela realizado. Estava cercada de amigos como sempre viveu e amou viver. Era de uma simplicidade que encantava.

Rosane Santana é jornalista

jun
02
Posted on 02-06-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 02-06-2010

Jota Carlos: “arrasador”.

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Com informação e bom humor o jornalista Ivan de Carvalho comenta nesta quarta-feira, em sua coluna na Tribuna da Bahia, que os deputados na Assembléia da Bahia não se limitam apenas a aprovar projetos do Executivo ou do Judiciário. Os deputados estaduais têm, em seu conjunto, segundo Ivan, uma produção impressionante do que eles chamam, genericamente, de “proposições”. Uma delas é o “projeto devastados” do deputado J. Carlos, para combater a obesidade nas escolas baianas. Confira.
(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

As cantinas escolares

Ivan de Carvalho

Não existem na Assembléia Legislativa somente os projetos de lei enviados pelo Poder Executivo e, raramente, pelo Poder Judiciário. Os deputados estaduais têm, em seu conjunto, uma produção impressionante do que eles chamam, genericamente, de “proposições”.

As “proposições” vão desde propostas de emenda constitucional, projetos de lei complementar, projetos de lei ordinária (nem sempre as leis propostas são ordinárias, embora isso não seja raro), projetos de resolução, moções de aplauso, de pesar, de congratulações, e uma coisa chamada “indicação”.
A indicação é um tipo de iniciativa parlamentar que merece um parágrafo próprio. Geralmente tal iniciativa acaba no início mesmo. Ela consiste em documento que o deputado protocola na Secretaria Geral da Mesa e que faz uma recomendação ou sugestão a alguma autoridade, mas às vezes o deputado ou deputada estadual “viaja na maionese”, como disse Ciro Gomes, referindo-se a Lula.

Às vezes o deputado viaja na maionese e se dana a protocolar documentos com enfáticas recomendações ao presidente da República, ministros e outras autoridades federais, sendo irrelevante a possibilidade de que, ao chegar no destino, os documentos sejam lidos pelos destinatários.

Também há “indicações” dirigidas a pessoas ou entidades jurídicas que não estão na esfera pública. Impressiona, por exemplo, que um deputado protocole “indicação” recomendando ao governador que destine uma viatura policial para determinada cidade ou povoado, bem como à OI para que instale um posto telefônico ou, se não der, até um orelhão numa comunidade rural.

Um projeto de lei devastador é do deputado J. Carlos, do PT. Ele argumenta que 40 por cento da população brasileira é obesa e, desses 40 por cento, 15 por cento são contingente infantil. “Se essa situação não for contornada, o número de obesos continuará aumentando, podendo atingir 70 milhões de pessoas”.
Daí que ele traça regras detalhadas para proibição das cantinas escolares, em todo o estado da Bahia, venderem produtos que colaborem para a obesidade, diabetes, hipertensão e outros males. Alimentos ou bebidas de alto teor de gorduras e açucares ou que contenham substâncias químicas sintéticas ou naturais inconvenientes para a saúde. Exemplos: balas, pirulitos e gomas de mascar, chocolates, doces à base de goma, caramelos, refrigerantes, sucos artificiais, refrescos à base de pó industrializado, salgadinhos industrializados, biscoitos recheados, salgados e doces, fritos, pipocas industrializadas.

É tudo que as cantinas escolares têm, tudo que os alunos gostam de consumir e boa parte do que não se deve comer. O deputado, que se tiver êxito vai fechar as cantinas, esqueceu de providenciar sua substituição pela inclusão, no currículo escolar, de aulas de jejum e de reeducação alimentar

jun
02
Posted on 02-06-2010
Filed Under (Artigos) by vitor on 02-06-2010

O Governo de Cuba começou nesta terça-feira,1 de junho, o transferir os presos políticos para prisões mais próximas de onde moram as famílias, como resultado de contatos da hierarquia da Igreja Católica com o líder do regime Raul Castro.

Os contatos pretendiam suavizar as condições de detenção, permitindo ainda a transferência dos presos doentes para hospitais.

Em declarações ao portal português TSF, a famosa blogueira cubana, Yoani Sanchez, mostrou-se convencida de que este é o primeiro passo para a libertação dos presos políticos em Cuba.

A blogueira confessou que, tal como outras pessoas, debate-se entre a «esperança» e a «dúvida e o ceticismo» perante esta atitude do regime cubano.

(Informações TSF, Lisboa)

jun
02
Posted on 02-06-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 02-06-2010


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“No momento é o caos”. Isto sim diz respeito à situação presente na Bahia quanto ao aspecto da segurança pública, afirma o jornalista político Ivan de Carvalho, no artigo que assina nesta terça-feira em sua coluna na Tribuna da Bahia e que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)

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Não vi ninguém de burka

Ivan de Carvalho

“No princípio era o caos”. Mas isso diz respeito ao princípio do Universo, quando a matéria não havia ainda saído de seu estado indiferenciado e começado a percorrer o caminho que levaria ao que está aí hoje e a tanto mais que estará amanhã e que não temos condições de prever, salvo se recorrermos a algumas “lendas” e “mitos” que a academia científica cisma em manter na lata de lixo do conhecimento, ao invés de procurar entender.
“No momento é o caos”. Isto sim diz respeito à situação presente na Bahia quanto ao aspecto da segurança pública. E têm todos a condição de prever que, se medidas amplas e enérgicas não forem adotadas com urgência e ampla coordenação entre as esferas de poder, incluída nelas o caos aumentará, ainda que isto pareça um paradoxo.
Mas o paradoxo é só aparente. Vejamos. Há algum tempo atrás a população da capital e algumas outras áreas da região metropolitana de Salvador compreendeu que se tornara um risco utilizar os caixas eletrônicos bancários espalhados nas ruas, proximidades de shoppings-centers e lugares semelhantes. O risco era bastante grave para levar os bancos (não só na Bahia, mas em todo o país) a limitar a quantia quase irrelevante, a partir das 22 horas, o valor dos saques permitidos.
Esta precaução, no entanto, revelou-se um paliativo de eficácia mínima, pois os assaltos a clientes de bancos nesses caixas podiam ser feitos antes desse horário. O cliente seria assaltado depois ou já faria o saque sob ameaça, inclusive na situação conhecida como “seqüestro relâmpago”.
Então, os clientes passaram a preferir fazer seus saques diretamente nas agências bancárias, nos guichês ou nos caixas eletrônicos instalados no interior das agências. Isto, gradual, mas rapidamente, está multiplicando o número de crimes abrigados sob a denominação de “saidinha bancária”, que o leitor, por já saber, me poupará explicar do que se trata.
Claro que qualquer desses crimes mencionados implica em risco para a vida ou risco de morte da vítima, pois tem muito assaltante matando sem nenhuma razão. E para eles é razão fortíssima qualquer movimento que considerem “suspeito” – por mais pacífico que realmente seja.
Impulsionado por essa insegurança coletiva e preocupado em por obstáculos ao crime da “saidinha bancária”, o deputado democrata Clóvis Ferraz, ex-presidente da Assembléia Legislativa, apresentou projeto de lei que proíbe, no território do Estado da Bahia, o ingresso, nas agências bancárias, de pessoas com aparelhos de telefonia móvel ou outros equipamentos de comunicação à distância, assim como de pessoas com óculos escuros, chapéu ou boné. Ele espera que a proibição dessas indumentárias e adereços facilite o reconhecimento dos bandidos pela polícia, com base nas imagens de câmaras espiãs e eventualmente de testemunhas.
O deputado deixou de incluir no rol das coisas proibidas as máscaras, mas não sei se isto ocorreu por esquecimento ou por presumir que pessoas mascaradas sejam naturalmente barradas, mesmo que isto não conste em lei – obviamente ressalvada a hipótese de essas pessoas portadoras de máscaras renderem os seguranças do banco antes de entrarem.
Ah, acho que a proibição da burka também não foi proposta. Mas, por enquanto, ainda não vi ninguém de burka na Bahia. Contudo, com esse amor roxo entre Lula e Ahmadinejad, os assaltantes podem ser estimulados a usar o estratagema.

Dirceu e Protógenes na festa de Orlando Silva

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“Ó o delegado que quis me prender”, anunciou o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, ao avistar o delegado da Polícia Federal , Protógenes Queiroz, entre os convidados da festa de aniversário do ministro dos Esportes, Orlando Silva, que reuniu políticos, empresários e amigos para comemorar seu aniversário de 39 anos, no restaurante Praça São Lourenço, em São Paulo, na noite desta segunda-feira (31).
Com um grupo de jazz, a festa atraiu dirigentes esportivos e personagens fundamentais na engrenagem da Copa 2014. Em 9 de junho, o ministro viajará para a África do Sul, onde vai iniciar conversas preparatórias para o mundial no Brasil.O encontro em que Dirceu e Protógenes (PC do B ), agora candidato a deputado federal por São Paulo, selaram as pazes depois de um período de hostilidade. Presente, o reporter Claudio Leal conta tudo em Terra Magazine e Bahia em Pauta reproduz.

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Claudio Leal

O ministro dos Esportes, Orlando Silva Jr., reuniu políticos, empresários e amigos para comemorar seu aniversário de 39 anos, no restaurante Praça São Lourenço, em São Paulo, na noite desta segunda-feira (31). Com um grupo de jazz, a festa atraiu dirigentes esportivos e personagens fundamentais na engrenagem da Copa 2014. Em 9 de junho, o ministro viajará para a África do Sul, onde vai iniciar conversas preparatórias para o mundial no Brasil.
Entre os convidados, o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira; o pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante; o ex-ministro José Dirceu; o pré-candidato do PCdoB ao Senado, Netinho de Paula; o delegado federal Protógenes Queiroz; o presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero; a ex-jogadora de basquete Hortência; o tricampeão mundial Rivelino; os presidentes do São Paulo, Juvenal Juvêncio, e do Santos, Luis Álvaro de Oliveira; e o filho do presidente da República, Lulinha.
Às 23h, Orlando Silva agradeceu a celebração, organizada por sua mulher, a atriz Ana Cristina Petta, e lembrou que não será candidato em 2010, acenando apoio para o ex-presidente da UNE Gustavo Petta.
– Quem esqueceu de trazer o presente, não se contranja. Em outubro, vote em Dilma para presidente do Brasil… – brincou.
O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu chegou mais tarde ao evento. Antes de sentar-se na mesa do presidente do PT de São Paulo, Edinho Silva, o petista se encontrou com o delegado Protógenes, pré-candidato do PCdoB a deputado federal. Dirceu, que teve o mandato cassado em 2005, foi citado em trechos e diálogos do inquérito da Operação Satiagraha.
– Ó o delegado que quis me prender! – anunciou, alto, Zé Dirceu.
E abraçou-o.
“Você tá em campanha?”, quis saber o ex-ministro. Ambos confidenciaram a maldade das fofocas que envenenaram a relação dos dois no rastro da operação que prendeu o banqueiro do Opportunity, Daniel Dantas, em julho de 2008. “Está tudo acabado”, entreouviu-se, ao selarem as pazes. Protógenes afirmou a Dirceu que as intrigas nasceram dos “adversários do presidente Lula”.
Até as 2h, a festa ainda não havia acabado, como prometeu Orlando Silva. Ao lado da banda de jazz, que a essa altura improvisava com um cantor de hip-hop, ele dançava e recebia os abraços dos retardatários.

Leia mais em Terra Magazine
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4461918-EI6578,00.html

maio
31
Posted on 31-05-2010
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 31-05-2010

DEU NO TERRA-ELEIÇÕES 2010

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Rosane Santana

A introdução das reformas liberais no Brasil, no início dos anos 20 do século XIX, abriu caminho para a modernização política, com a criação do Parlamento geral, a escolha dos seus representantes por votação popular e a instauração do regime constitucional. Três eleições gerais foram realizadas no período: para a escolha dos deputados às Cortes de Lisboa (1821), para a Assembleia Constituinte (1823) e para a primeira legislatura da Câmara dos Deputados (1824), instalada dois anos depois.
Após 300 anos de colonização e escravidão, entretanto, as eleições não conseguiram mobilizar a população, que não entendia nem mesmo o significado de votar. O Brasil possuía poucos eleitores. Entre os cerca de cinco milhões de habitantes espalhados pelo vasto território – 95% de analfabetos – uma minoria ia às urnas. Havia mais de um milhão de escravos e 800 mil índios, que estavam excluídos do processo eleitoral, além de outras categorias indicadas pela legislação.

Exigia-se uma renda líquida anual de cem mil réis para os votantes (na eleição de primeiro grau), que escolhiam os eleitores encarregados da escolha dos deputados e senadores. Segundo o brasilianista Richard Graham, essa renda só não era acessível aos mendigos e vagabundos na época. No caso dos eleitores, a exigência de renda subia para 200 mil réis.

Podiam ser votantes os cidadãos brasileiros e os estrangeiros naturalizados com mais de 25 anos, oficiais militares com mais de 21 anos e bacharéis e clérigos de qualquer idade. Excluíam-se ainda, entre outras categorias, as mulheres e os escravos. No dia da eleição, entretanto, entre os votantes existiam até mesmo escravos, que eram vestidos e calçados pelos senhores para se passarem por homens livres.
Não havia rigor nem controle sobre a comprovação das qualificações exigidas pela lei para participar da votação. Dentro das igrejas, onde a eleição era realizada, até as imagens, candelabros e outros objetos eram retirados para não servir de projéteis, segundo o deputado conservador Francisco Belisário Soares de Souza – testemunho da época -, porque a turbulência, o alarido, a violência e a pancadaria decidiam o conflito.

CURRAL ELEITORAL

Mais de 90% da população vivia na zona rural, onde os todo-poderosos senhores de engenho e grandes proprietários rurais dominavam a vida pública e, naturalmente, o processo eleitoral e político. Para garantir os votos necessários à escolha dos eleitores e influir na eleição de deputados e senadores, esses potentados mantinham centenas de homens livres e pobres como agregados, durante todo o ano.
Os senhores forneciam comida, roupa e proteção, em troca de fidelidade eleitoral. No dia da eleição, confinados em currais e barracões, os votantes eram vigiados por capangas até o final do pleito. Alguns senhores dirigiam-se à Igreja matriz acompanhado de seus afilhados, como descreve o historiador Richard Graham, no livro “Clientelismo e Política no Brasil do Século XIX.”

O alto custo dessa empreitada foi um dos motivos para a introdução do voto direto, em 1881. Mas os currais permaneceram como herança até meados do século XX no processo eleitoral brasileiro, marcado pela violência, sobretudo nas zonas rurais, mais distantes do poder central.

Rosane Santana é jornalista, com mestrado em História pela UFBA. Estuda o Poder Legislativo, elites políticas e eleições no Brasil.

LEIA Integra Da cobertura de eleições do Terra.

( http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4456947-EI6578,00.html )

Waldir Pires:”excluído”

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Em votação de resultado incerto e não sabido, porque realizada a votação em ambiente vedado à imprensa e dispensada a contagem dos votos pela direção partidária, o PT da Bahia escolheu Pinheiro e assim extinguiu a candidatura do ex-governador e ex-ministro Waldir Pires, de 84 anos, sob a principal alegação de que na conjuntura atual o partido deve formar ou consolidar novas lideranças, um entendimento sustentado pelo governador Jaques Wagner e endossado pela quase totalidade da executiva estadual do partido”.
O trecho acima é parte emblemática do artigo no qual jornalista político Ivan de Carvalho analisa na coluna desta segunda-feira, na Tribuna da Bahia, a decisão do PT que escolheu ontem o deputado Walter Pinheiro para a vaga de senador que sobrava na chapa majoritária do governador Jaques Wagner, pré-candidato à reeleição. Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Partido é res pública

Ivan da Carvalho

O PT da Bahia escolheu ontem Walter Pinheiro, o mais votado deputado federal do partido em todo o país nas eleições de 2006, ex-líder da bancada do PT na Câmara federal, candidato derrotado a prefeito de Salvador em 2008 e ex-secretário do Planejamento do governo Wagner para candidato a senador.
Em votação de resultado incerto e não sabido, porque realizada a votação em ambiente vedado à imprensa e dispensada a contagem dos votos pela direção partidária, o PT da Bahia escolheu Pinheiro e assim extinguiu a candidatura do ex-governador e ex-ministro Waldir Pires, de 84 anos, sob a principal alegação de que na conjuntura atual o partido deve formar ou consolidar novas lideranças, um entendimento sustentado pelo governador Jaques Wagner e endossado pela quase totalidade da executiva estadual do partido.
Abrindo um parêntesis. Konrad Adenauer foi o primeiro chanceler da República Federal da Alemanha (Alemanha Ocidental) e a governou durante 14 anos, até 1963, quando tinha 87 anos. Foi, durante todo seu período de governo, um dos principais líderes mundiais responsáveis pela barreira erguida na Europa contra o avanço do império totalitário da União Soviética. Um dos políticos mais eficientes do mundo no século XX.
Voltando ao PT, a escolha de Pinheiro e a exclusão de Waldir eram esperadas, devido ao amálgama de forças que se formou, sob evidente estímulo do governador (surpreendeu não comparecendo ao evento), o que certamente determinou a atuação da direção partidária na mesma direção e mesmo a adesão à candidatura de Pinheiro de muitas lideranças que estiveram antes apoiando Waldir Pires e mesmo várias das que tiveram a iniciativa de lançar seu nome. Faltou firmeza ou sobraram interesses pessoais ou de grupos. Durante o processo, Waldir pedira “neutralidade” ao governador, mas seria uma fantasia dizer que foi atendido.
Uma questão estranha a registrar é o fato de ter sido proibida a presença dos jornalistas no encontro petista, criado para substituir a eleição prévia proposta pelos waldiristas e rejeitada pela direção partidária. A imprensa não teve acesso aos discursos e ao “clima” do encontro. Até as informações sobre a forma de votação foram inicialmente desencontradas, esclarecendo-se, depois, que foi feita pela modalidade de “levantamento de crachás”, que não foram contados porque, em evidente maioria, os crachás dos 350 presentes não votaram em Waldir.
Impressiona que o presidente do partido, Jonas Paulo, haja justificado o caráter secreto do encontro como “uma praxe do PT” e comparado a situação à de “uma empresa que faz uma reunião” para decidir assuntos de seu interesse. Ora, empresa é ente de direito privado. Partido, no Brasil, é ente de direito público e, se busca os votos e a confiança do eleitor, não deve estar escondendo dele as decisões, sobretudo quando elas são importantes e miram o eleitorado, caso das candidaturas. Partido político é “res publica”, coisa pública, república. Espera-se que seja republicano, apesar das praxes.
Em tempo. Waldir disse ao governador, na sexta-feira, considerar essencial que houvesse a disputa no encontro para que os delegados tomassem posição. E ontem o ex-governador completou, falando ao blog Política Livre: “Não faria bem ao PT não realizar este momento hoje. Seria uma repetição de coisas do passado que eu não quero ver repetidas”, disse Waldir.

Sobe com emoção para o espaço principal do Bahia em Pauta a mensagem e o vídeo postados por Regina Soares, colaboradora deste site blog, a propósito da morte do ator Dennis Hopper. Vem de Belmont, na área da Baia de San Francisco, na Califórnia, estado onde Hopper morreu em casa cercado de parentes e amigos.

Ouçamos Regina antes de curtir as cenas e o ritmo memoráveis de Sem Destino:
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“As décadas de 60/70 foram tempos em que muitos de nós, jovens rebelados contra o “status quo”, pensávamos que realmente podíamos mudar o mundo ou pelo menos a nós mesmos . O filme EASY RIDER é muito representativo desse época já que capturou perfeitamente a angustia em que vivíamos nossos “anos dourados” . Mostrou que a estrada, ou o caminho, é a odisséia do descobrimento pessoal, mais que um simples destino. Também mostrou que seremos sempre prisioneiros da mesma sociedade da qual queremos nos livrar.

Acima de tudo, questionava quão verdadeira a liberdade realmente é, se realmente nos podemos considerar livres e se a liberdade realmente existe.
Fonda, Hopper e o maravilhoso estreante Jack Nicholson, que roubou o show na interpretação do “slighthly nerdy” advogado chamado George Hanson nos mostraram que o caminho da liberdade não é um caminho fácil.
R.I.P. Dennis…You are missed!!
Born To Be Wild!!!!! “.

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Com a palavra também, neste espaço de liberdade e opinião, a escritora e jornalista Maria Aparecida Torneros, a Cida de A Mulher Necessária, colaboradora e leal amiga deste site blog .
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“Emoção e saudade… A morte de Dennis Hopper refaz, em nossa memória, da geração que tinha 20 anos em 1970, exatamente o clima do seu inesquecível “sem destino”, lembro bem, das sensações que o filme me passou, naquela época… havia o horror da guerra do Vietnam, a fuga das drogas, a tentativa de desestabilizar a corrida desenfreada da industrialização capitalista…era um sonho de toda uma juventude, ele representou isso muito bem, não só nesse filme, mas na própria vida pessoal e por toda sua carreira. Que descanse em paz, e que sua arte nos faça reviver sempre que um dia acreditamos que era possível mudar tudo ou parte de tudo… beijo Cida Torneros
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SAUDADES DE HOPPER . BOA NOITE A TODOS!!!

(vhs)

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