nov
13
Posted on 13-11-2009
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 13-11-2009

OPINIÃO/ POLÍTICA

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

Rosane Santana

É preocupante a desenvoltura com que se movimentam na política baiana, dois personagens da história recente deste País, de passado nada lisonjeiro. Impossível não lembrar da repetina epidemia de cegueira, a que alude o escritor português José Saramago, em um dos seus romances – no qual fala da mixórdia e desapreço aos valores mais básicos do ser humano-, que atinge, em nome da sobrevivência, o Brasil de hoje, especialmente, a classe dirigente, de onde deveriam partir os exemplos.

Os dois são personagens da histórica CPI dos Anões, de 1992, primeiro dos escândalos que marcam a crise do estilo toma-lá-da-cá na política brasileira, de raiz oitocentista. Ambos, com ligações pessoais e familiares com a antiga Arena, o partido da ditadura. Um deles, punido com a pena de banimento do cenário politico, por longo tempo, até ressurgir das sombas do esquecimento pela ignorância e pela cegueira. Outro, descendente de uma oligarquia, ganhou salvo conduto no episódio, com apoio de poderoso clã baiano.

É fato, que ninguém pode levar a sério essas personagens, velhas raposas de bastidores, principalmente quando se fala em mudança. Mas, nunca é demais abrir o olho, antes que seja tarde.

Rosaner Santana, jornalista, mestre em História pela UFBA, mora em Boston e estuda na universidade de Harvard.

nov
12
Posted on 12-11-2009
Filed Under (Artigos, Gilson) by vitor on 12-11-2009

Cuidado com o bolinho
BOLINHO
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CRÔNICA/ COMIDA TÍPICA

BOLINHO FAJUTO

Gilson Nogueira

Bolinhos boiam em uma pequena bacia de alumínio sobre o balcão de madeira de um quiosque de concreto e tijolos aparentes, quase em frente ao local de saída dos passageiros que desembarcam dos aviões que chegam ao Aeroporto Internacional Deputado Luis Eduardo Magalhães. Por Aeroporto Dois de Julho e Aeroporto de Ipitanga este equipamento da capital dos absurdos também é conhecido. Alô, alô Dois de Julho, quero seu nome de volta, no espaço que é seu, urgente!!!

O cheiro do azeite de dendê do bolinho que acaba de ser fritado impregna o ar de Bahia. Narinas abertas, porta de entrada do olfato, o cheiro viaja nas vias do cérebro e estimula-me o desejo de comer um deles. Com camarão e pimenta, que é como baiano que é baiano gosta, sem negócio de vatapá, salada e outros complementos que fazem do bolinho sanduíche de feijão. Modas do tipo, muitos filhos da Terra da Felicidade abominam. Aliás, baianos da gema de araque preocupam-se mais com a quantidade dos complementos do que com o bolinho como um todo saboroso.

A “baiana” gentilmente atende meu pedido. A ânsia de devorar o quitute faz-me pedir desculpas ao motorista que havia ido apanhar-me no Dois de Julho, ou melhor, no Luis Eduardo, ou…Ofereço-lhe um. O motorista não quer. Pago quatro reais, pelo bolinho, à “baiana”, e entro no carro. Sapeco a primeira mordida, na iguaria, e sinto que sua aparência me engana.

Por conta do camarão aferventado que o acompanha, o bolinho não me inspira confiança. A fome e a saudade de minha terra se misturam e fazem-me embarcar na hipótese de uma possível infecção intestinal, por engolir aquele camarão escuro, com pinta de terrorista.

Vou em frente. Nhac. nhac, nhac, nhac. Não sinto o gosto característico do bolinho. Tem mais, ele parece ter sido feito no óleo de soja, suponho. Alguma coisa impede sua massa de apresentar o gostinho característico. Pesada, bruta, sem gosto de feijão fradinho, é a massa. Como gosto não se discute, desisto de comê-lo e o guardo para atirá-lo na cesta de lixo. A Avenida Paralela não merecia aquele bolinho, apesar da merda que ela está, com seu engarrafamento que parece conduzir ao inferno.

O bolinho que conheço desde criança, quando os saboreava, ao pé do tabuleiro de Maria, no Relógio de São Pedro, após as aulas no Ginásio de São Bento, é outro. Ah, o nome dele é acarajé. Isso, a-ca-ra-jé! Ou acará! Ele é a marca da afroreligiosidadeculturalgatsronômicabaiana, ícone do povo que é de santo e de Bahia sem dendê no sangue, apenas, na frigideira. Dendês no sangue, alcunha nascida da verve do jornalista Tasso Franco, para esses enganadores da baianidade.

O bolinho que boiava na bacia deveria estar sendo vendido por uma baiana do acarajé autêntica, em seu traje de soberana no reino das delícias da comida de origem africana, em tabuleiro de madeira, ou de ouro, se possível, simbolizando, na principal porta de entrada da cidade, a magia desta terra que encanta os que a conhecem e a admiram por sua riqueza cultural, por sua alegria sincera, por seu povo festeiro, por sua forte participação na Independência do Brasil, por ter sido ela sua primeira capital.A Bahia com H, como canta João Gilberto.

Ao chegar na garagem de casa, o motorista, enquanto entregava-me as malas,educadamente, pergunta ! E aí, doutor, não gostou do acarajé?”

Não.

“ Pois é, os turistas, que não conhecem acarajé, acham uma delícia!”

Tudo bem, meu caro. Eles, os gringos – e não gringos – e os responsáveis pela gestão do turismo no Estado. Esses, por estar o acarajé sendo apresentado dessa forma, aos que chegam à Bahia , não estão nem aí, nem vão chegando, para absurdos como o do acarajé sendo vendido como se fosse um bolinho qualquer.

“ Boa noite”

Boa. Cuidado com o camarão !

Gilson Nogueira é jornalista

nov
12
Posted on 12-11-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 12-11-2009

Deu na Tribuna da Bahia
Em seu artigo diário na Tribuna da Bahia o jornalista político Ivan de Carvalho fala nesta quinta-feira, 12, sobre erro de linguagem e apagão. Demonstra, ao mesmo tempo, como coisas aparentemente tão distantes podem estar tão próximas. Confira no Bahia em Pauta.

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São Pauio na hora do blecaute
Apagsp
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OPINIÃO

TODO MUNDO ERRA

Ivan de Carvalho

Todo mundo comete erros. Só retiro dessa constatação Jesus Cristo. Além do Pai, de quem Ele disse que é maior do que Ele (não é maior o Enviado do que Aquele que o enviou) e do Espírito Santo, ente para mim absolutamente misterioso da Santíssima Trindade, segundo a teologia católica gerado desde sempre pelo amor do Pai pelo Filho e do Filho pelo Pai.

Dizem que só adquire uma noção (não se trata de compreensão, mas apenas de uma noção) do Espírito Santo, O Consolador, aquele ser humano que por ele é tocado no coração. Desconfio que, infelizmente, ainda não chegou a minha vez e o que posso fazer é consolar-me com a confiança em que ela em algum momento chegará.

Mas, porque estou eu falando de erros e afirmando que deles ninguém escapa? Bem, ontem, nas minhas funções de jornalista, deparei-me com uma reportagem que atraiu meus olhos a uma frase que continha a expressão “diante mão”.

Nas humildes linhas que escrevo, já cometi milhares de erros de linguagem na minha já longa atividade de jornalista. E já vi também muitos erros cometidos por colegas. A uns e outros considero normais, ante a imensa ignorância humana. Até o sábio,dizem, é aquele que sabe que não sabe. Tenho mesmo uma leve suspeita de que esta seria talvez a principal ou única razão que levava o grande Sócrates a não dar respostas, mas somente a fazer perguntas.

Isso seria bem cômodo: não respondendo, ele punha-se praticamente a salvo de erros, enquanto os deixava para serem cometidos por seus discípulos, forçados a responder. Até Platão deve ter passado por essa desagradável experiência, o que não o impediu de constituir a luminosa mente que o servia e tanto serviu depois à humanidade. E ainda serve aos que dele têm o prazer ou a esperteza de servir-se.

Mas a troca da expressão “de antemão” por “diante mão”, confesso que me deixou um tanto atônito, a ponto de só numa segunda ou terceira leitura da frase perceber que ela começava pela palavra “agente”. Mas não se tratava de algum agente da CIA, ou de agente fiscal, enfim, de qualquer agente. Pretendia dizer “a gente”. Mas como poderia eu perceber isso de antemão se estava siderado por “diante mão”?

Talvez continue o leitor, depois de ler o que já leu deste artigo, no escuro. Mas isso parecerá normal, se considerado que na noite e madrugada de terça-feira grande parte do país também ficou no escuro, sabe Deus a razão e tenta o ministro Lobão nos convencer de que foi por causa dos raios que o partam, sempre os raios. De nada valeram, nessa questão, os quase sete anos de governo Lula para tornar o sistema elétrico seguro. Se Lobão pretende explicar tudo com os raios, o presidente Lula, chamado de analfabeto “sem intenção ofensiva” por Caetano Veloso, resolveu ser cauteloso e veraz. Disse que duas coisas sabia: não houve interrupção de geração de energia em Itaipu nem problemas de interligação do sistema. No mais, “não vou chutar, porque eu não chuto nesse assunto”.

Só nos outros, parece. Está vendo? Todo mundo erra

nov
11
Posted on 11-11-2009
Filed Under (Artigos, Claudio) by vitor on 11-11-2009

Bar em São Paulo ontem: luz de vela.
BRAZIL-BLACKOUT/

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Deu em Terra Magazine

A dupla afinada de repórteres da revista digital Terra Magazine, Claudio Leal e Diego Salmen, caminha na escuridão da madrugada de São Paulo, na noite do apagão no País, e revela o que pouca gente e praticamente nenhum veículo de comunicação noticiou – pelo menos com tanto talento, bom humor, perspicácia , visão crítica e – como de hábito – talento jornalístico.

Confira o texto que Bahia em Pauta reproduz, postado no day after do blecaute em TM (http://terramagazine.terra.com.br) (Vitor Hugo Soares )

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Claudio Leal e Diego Salmen

Sabem os paulistanos que andar a pé pelas ruas da capital durante a noite não é tarefa das mais seguras – esteja o flaneur na Cracolândia, nos Jardins ou Itaquera. Sem luz, a experiência pode variar entre um ato de valentia, onde todos são suspeitos em potencial, ou uma caminhada agradável. O atrativo, porém, é o mesmo: a penumbra.

Na Avenida Paulista, a queimação de maconha corre em liberdade, nos grupinhos que se sentam em frente a estabelecimentos comerciais fechados. Nas beiradas do Parque Trianon, o infatigável “trottoir” dos michês. Quatro garotos de programa zanzam na noite escura da alma.

Tradicionais pontos noturnos fecham as portas. Na praça Vilaboim, em Higienópolis, a banca de revistas 24h encerra o expediente. Coisa igual ocorreu somente em 2006, na noite dos ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital). A lanchonete Fifties, na mesma praça, resiste ao apagão.

Na rua Haddock Lobo, outra baixa para a turma da ressaca. A padaria Bela Paulista, também 24h, suspende os trabalhos. Padeiros e atendentes ficaram à porta, num papo amistoso. Infortúnio semelhante ao de outras casas de pasto na rua Augusta.

De nome sugestivo, o Corujão é um dos poucos sobreviventes. Mesas espalhadas na calçada, reunia alguns dos zumbis dispersos na região. A geladeira estava desligada, apesar do boteco ficar bem de frente a uma sub-estação de energia.

– Tem cerveja quente aí?
– Só gelada.
– Mas como?
– Energia solar.
– Manda duas.

Nunca antes na história deste País houvera um apagão com tão poucas velas. Bem executado, o atendimento é realizado com o auxílio das luzes de telefones celulares. Casais e amigos se divertem.

– Se eu tivesse no Congresso, tinha luz nessa porra!

O relógio marca 00h09. Volta ligeira da luz.

– AEEEEE!

Cinco segundos depois, trevas novamente.

– AEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!

Na esquina da Augusta, o rádio do carro irradia o embaraço do governo, porta-mala aberto.

– 20% da nossa energia vem de lá… 80% do Sudeste sofre com o apagão…

De outro carro, um grito a ser decifrado:

– Olha a mulher dando a luz ali!

O sumiço da energia redime o rádio como principal meio de informação na capital paulista. Porteiros, pedestres, motoristas colados no aparelho.

– A linha de transmissão… Desde 2007 se alerta o governo da existência de riscos na linha de transmissão…

Na rua Peixoto Gomide, o bar apinhado de gays notívagos, sentados no chão ou escorados na parede. Um grupo de seis pessoas forma uma roda, abastecida por cerveja, embaixo de uma árvore. A única mulher diz aos “miguxos”:

– Não tenho nenhum problema em namorar gays. Mas o cara precisa avisar! Já namorei muitos “bi”, meu. E já fiquei com mulher…

Uma da manhã, dezesseis funcionários do Hospital Sírio-Libanês fumam na saída da rua Barata Ribeiro. Os enfermeiros e a palavra repetida:

– Itaipu…

Os rostos iluminados apenas por farois. Viaturas deslizam no asfalto e lançam as luzes giratórias nos edifícios. O trabalho da polícia parece ter se intensificado para evitar que a cidade se transformasse em mote de livro para José Saramago. Em uma hora, mais de 10 viaturas cruzaram o caminho da reportagem. Felizmente, não houve enquadro.

Em alguns pontos da cidade, iluminações misteriosas, como na Rua Cel. Xavier de Toledo, na Estação da Luz e em hoteis e hospitais. Destaque para o prédio da Fiesp, cujas luzes natalinas reluziam despreocupadamente na Av. Paulista. Situação excepcionais, porém.

Largo do Paissandu, Consolação, Praça do Correio, Avenida Tiradentes, Pinacoteca, Batalhão da Rota, Praça Santos Dummont, Terminal Santana, Jardim São Paulo. Tudo no mais absoluto breu.

Caminhões avançam cruzamentos, sem sinalizações ou buzinas. Semáforos agora são meras convenções sociais, que oscilam entre a educação escandinava de alguns motoristas às tentativas de atropelamento. No centro, a linha 107P/10 acelera rumo à zona norte da cidade. De um passageiro:

– Hoje vai ser difícil para as putas ganharem dinheiro. Como vão mostrar o corpo?

Na Avenida Voluntários da Pátria, farois de carros denunciavam o vai e vem das garotas de programa, aparentemente despreocupadas com a falta de energia. Às 1h30, as luzes dos prédios começam a piscar, na Avenida Nove de Julho. Fez-se a luz. Do lado Centro, meia hora depois, ainda prevalece a escuridão. O mesmo na zona norte.

Enquanto isso, autoridades buscavam solucionar o apagão que atingiu 18 Estados e o vizinho Paraguai. Falha na transmissão? Explosão de gerador? Terrorismo? Sabotagem de Fernando Lugo? Quem apagar a luz por último é a mulher do padre.

nov
11


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“Tarde em Itapoã”, de Toquinho e Vinicius de Moraes, interpretada neste vídeo por Toquinho e Gilberto Gil, é a música para começar esta quarta-feira, 11 de novembro, no Bahia em Pauta. Vai direto para Dimas Josué da Fonseca, aniversariante nesta data, moderador deste site-blog. Moderador é pouco, pois pelo papel que cumpre desde o começo neste site-blog baiano de olho no mundo ele tem sido um permanente pilar de sustentação, que permite e estimula avanços seguidos ao BP.

Dimas é pilar, como está no título, no sentido mais literal do termo, ou em sua utilização para definir um ser humano. É uma figura estrutural, vertical, usada normalmente para receber os esforços de uma edificação e transferi-los para outros elementos, como as fundações. Na arquitetura, costuma estar associado ao sistema laje-viga-pilar.

Isso é Dimas em pessoa, o aniversariante que Bahia em Pauta homenageia hoje. E muito mais: mestre dos software e dos hardware, imbatível nos números e cálculos, sempre magnânimo, corajoso seguidor e arauto da ciência, leitor compulsivo e apreciador incansável de filmes e vídeos de ficção científica, vertical e ético sempre, amante da boa mesa, do vinho, da música, do mar.

E fiquemos por aqui, porque Dimas é ser inesgotável. Agora todos os nossos abraços de felicitações e agradecimentos para ele. E música, maestro!

(Vitor Hugo Soares, em tributo pessoal do editor e de todos os que fazem Bahia em Pauta )

nov
10
Posted on 10-11-2009
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 10-11-2009

Caso Geisy chega a Harvard
UHarvard
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ROSANE SANTANA

BOSTON (EUA)- A discussão sobre os constragimentos a que foi submetida a estudante Geisy Arruda, da Universidade Bandeirante (Uniban), de São Paulo, por estar usando uma minissaia, está globalizada. Foi tema do warm up (aquecimento), que precede o debate principal nas aulas do Instituto de Linguas da Universidade de Harvard ontem.

“Ridiculous” foi a palavra mais usada por alunos de varias nacionalidades (austríacos, coreanos, chineses, cazaquistaneses e mongóis) para classificar o episódio. Muita gente ficou sem entender por que num país onde as mulheres ficam nuas no Carnaval, uma estudante foi quase linchada por causa do vestido curto. Como brasileira, francamente, não soube responder o que aconteceu. Mas corei de vergonha. Na pátria de Betth Friedan e Glória Stein isso é impensável, porque os agressores, no mesmo dia, teriam sido presos e responderiam a processos. Quanto `a escola, teria sido fechada. Ninguém se engane. Os direitos da mulher nos EUA são levados a sério.

Rosane Santana, jornalista, mestre em História pela UFBA, estuda em Harvard.

nov
10
Posted on 10-11-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 10-11-2009

Senador Sarney: Chavez como saída
jsarney

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DEU NA TRIBUNA DA BAHIA

Tapas e beijos entre Hugo Chavez, presidente da Venezuela, e José Sarney, presidente do Congresso brasileiro, dão pano para a costura do provocante artigo que o jornalista Ívan de Carvalho assina nesta terça-feira em sua coluna diária da Tribuna da Bahia. O site-blog Bahia em Pauta, que corre léguas por uma boa polêmica, reproduz a seguir. (VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA

O BEIJO DE CHÁVEZ

Ivan de Carvalho

O ex-presidente da República e presidente do Senado e do Congresso Nacional, José Sarney, (des)qualificou ontem como “despropositada” e “absoluta insensatez” a declaração do presidente da Venezuela, coronel Hugo Chávez, sobre a perspectiva de haver guerra entre seu país e a Colômbia.
Chávez disse, no rádio e televisão, que a população e as forças armadas do país devem se preparar para a guerra como forma de garantir a paz e citou a vizinha Colômbia e os Estados Unidos da América como possíveis agressores.
Bem, o senador José Sarney não está exatamente nas boas graças da opinião pública brasileira, especialmente depois dos mais recentes escândalos no Senado, dos quais foi o principal protogonista. Mas isto de modo nenhum retira dele a capacidade de analisar o cenário, usando sua vasta experiência política e a tendência, nele reconhecidamente natural, para o “bom senso” político, apesar dos defeitos, muitos deles já amplamente apontados por toda a mídia nacional.
No entanto, Sarney fez uma observação interessante. “Acho que (a declaração de Chávez) é tão despropositada que dificilmente ela será levada em consideração”, acrescentando não saber se o ingresso da Venezuela como membro do Mercosul será votado ainda esta semana pelo plenário do Senado. Esse ingresso já foi aprovado em comissões técnicas.
Mesmo com experiência, capacidade e bom senso para analisar a espantosa declaração de Hugo Chávez, Sarney mudou de posição, evidentemente por interesse político próprio. Ele, não faz muito tempo, esteve contra o ingresso da Venezuela no Mercosul, por conta da truculenta não renovação da concessão e do confisco de todos os bens e equipamentos praticados pelo governo de Chávez sobre a RCTV, a mais antiga televisão do país, a mais tradicional e a que detinha, de longe, a maior audiência. E que também fazia oposição a Chávez e seu governo.
Diante disso, o Senado brasileiro aprovou uma moção cobrando de Chávez uma revisão dessas duas decisões antidemocráticas. O ditador-presidente respondeu chamando o Senado brasileiro de “papagaio” do Congresso americano. Então o Senado brasileiro, num movimento liderado por Sarney, resolveu engavetar a votação do acordo de ingresso da Venezuela no Mercosul, considerando anti-democrático o governo de Chávez.
Mas agora as coisas mudaram. Houve os escândalos no Senado. Lula mandou a bancada do PT salvar Sarney, que já não se agüentava mais no cargo de presidente do Senado e do Congresso. Sarney foi salvo, os escândalos foram abafados. E Sarney está pagando o preço do socorro recebido: a declaração de Chávez é tão despropositada e insensata que “dificilmente será levada em consideração”. Isto é, não deve atrapalhar a aprovação do ingresso da Venezuela no Mercosul. Se Chávez pegasse esse Sarney, dava-lhe um beijo apaixonado.

nov
09
Posted on 09-11-2009
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 09-11-2009

Soldados em Fort Hood:mistérios
Stringer

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ROSANE SANTANA

BOSTON (EUA) – A prestigiosa National Public Radio (NPR), dos Estados Unidos, divulgou na noite de domingo, 8 de novembro, que investigadores estão procurando pistas que levem a uma explicacão sobre a atitude do major Nidal Hasan, 39, que matou 13 e feriu 30 pessoas, na última semana, na maior base militar do país, Fort Hood, Texas. Até a hipótese de terrorismo está sendo considerada, após denúncia de que o militar teria gritado “Allahu Akbar”, “Deus é grande”, em árabe, antes do tiroteio.

Obama, que vai visitar o posto militar do Texas, nesta terça-feira, para homenagear as vitimas, usou seu programa de rádio do fim de semana para caracterizar o tiroteio como “um crime contra a nossa nação”. O presidente ordenou que as bandeiras na Casa Branca e outros edifícios federais fossem hasteadas a meio mastro até quarta-feira, Dia dos Veteranos.

O médico militar Val Finnell, que fez pós-graduacão em saúde pública com Hasan, na Virgínia, diz que ele possuia sentimentos anti-americanos e queixava-se de sentimento anti-mulcumano na tropa.”Eu tinha verdadeiras dúvidas sobre suas prioridades e suas crenças”, disse Finnell.

No entanto, um irmão de Hasan afirmou que a família está “em estado de choque” e que ele é um homem “pacífico, amoroso e compassivo”.

Comentário: Tudo leva a crer que as tropas americanas andam mesmo exauridas com as guerras do Iraque e Afeganistão, deflagradas para combater o terrorismo, destruir a Al Qaeda e matar Osama Bin Laden, sem êxito. Tanto que o tiroteio de Fort Hood não foi isolado. Outras bases teriam se rebelado e chegaram a ser cercadas, permanecendo sob forte vigilância. Obama que prometeu por fim aos conflitos, mas escalou a elite da Era Bush, para a área de segurança, temendo novos atentados terroristas, terá que dar explicações ao povo americano.

Rosane Santana, jornalista e mestre em História pela UFBA, mora em Boston e estuda na Universidade de Harvard.

nov
08
Posted on 08-11-2009
Filed Under (Artigos, Claudio) by vitor on 08-11-2009

“Seu” Magno:”prazer da política verbal”
Magno
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PERFIL

ORA, MAGNO BURGOS

Claudio Leal

Nunca vi Magno Burgos pela primeira vez. O personagem se enroscou à primeira infância como o amigo de meu avô Luiz, ambos enredados em confabulações políticas na sala de visita. Havia na casa do Bonfim o uísque de “seu Magno”, sagrado e lacrado. No carrinho de bebidas, ninguém ousava sorvê-lo. E até se defenderia a inviolabilidade do gelo.

Esse tratamento antigo, “seu”, ressoava as docilidades da Santo Amaro dos maculelês e dos canaviais, transferidas aos modos urbanos da Bahia. Vitor Hugo Soares sorria ao ouvir “seu Magno”. Talvez lhe remetesse às cerimônias da pequena Glória, nas barrancas do São Francisco, onde a civilidade era também diversa.

No Bonfim, se o tempo me refluísse, surpreenderia Magno inteiramente “seu”: a camisa mal abotoada, a fumaça serpejante do cigarro, o uísque na mesa de folhas de tabaco. Sentado na ponta do sofá – evitava o recosto –, iniciaria a argumentação com um questionamento: “Mas, rapaz, o que esses cabras pensam?”. O tom pausado e veemente desenovelaria os fatos da semana ou da última executiva do partido. “Não é não, Magno”, ouviria o avô na contradita.

Às vezes interrompia os meus deveres escolares para assistir aos dois no teatro da grande política, a que ainda se praticava ao lado de Antonio Guerra Lima, Chico Pinto, Fernando Sant’Anna, Inácio Gomes, Jorge Medauar, Rômulo Almeida, Sérgio Gaudenzi, Ulysses Guimarães, Virgildásio Senna, Waldir Pires, tantos homens.

Entrevistar os políticos contemporâneos, por imposições do jornalismo, magoa as heranças dessa arquitetura de vozes, que me impunha o compromisso com o homem, a vida e os calores de um debate, e bem pouco com os delírios do poder. Penso na letra de uma música de Chico Buarque, “Trapaças”, composta para Ulysses Guimarães na campanha de 1989. Ela recupera o sentido dessa arte da conversa entre os egressos do MDB (mais lá atrás, PSD e PTB), com mil intenções escamoteadas por gentilezas mútuas, regada a idealismos passionais, mas nada ingênuos: “Contigo aprendi/ A perder e achar graça/ Pagar e não dar importância/ Contigo a trapaça/ Por trás da trapaça/ É pura elegância”.

Como era elegante esse jogo de acenos. Magno Burgos transmitia o prazer da política verbal, do manejo adequado do humor, da língua, nas situações mais tensas. Suas tribunas: os cafés e os bares. Havia a lenda do terceiro uísque. Depois dessa dose, ele elevava a polêmica às alturas, fazia provocações sarcásticas. Pude comprovar que isso não passava de uma lenda. Magno polemizava somente a partir do primeiro copo. Nos últimos anos, nem precisaria beber. Balançava a cabeça, como quem abatia a estupidez no ar, dava um riso nervoso e indagava: “Você não está vendo que não sou nenhum idiota? Ora, senhor”. Irredutível em suas teses para ser generoso em todas as coisas vãs.

A quem acompanhou a paixão diária pelos destinos brasileiros, ouvindo-o cantarolar Ary Barroso depois de um debate ferrenho, a insinuar o valor da amizade acima das opiniões, a morte de Magno Burgos enternece, num desconsolo. Nele transparecia o mais próximo amigo dos filhos Daniel, Cristiano e Leonardo, pela jovialidade da interlocução, sempre sábia e repleta de lugares-incomuns. Ao contrário de Mallarmé, leu todos os livros e não tinha a carne triste. “Melhor andar à toa do que ficar parado à toa”, dizia, lembrando a frase do pai, antes de propor uma água de coco.

Se você tivesse o jornalismo por ofício, como este escrevinhador, Magno encarnaria o vulto do poema de João Cabral de Melo Neto, “A Willy Lewin morto”, dedicado ao intelectual pernambucano, decisivo em sua formação (apresentou-lhe os poetas surrealistas): “Se escrevemos pensando/ como nos está julgando/ alguém que em nosso ombro/ dobrado, imaginamos…”. Ele materializava esse fantasma da escrita, o homem que prelê o que fazemos, pairando sobre nosso ombro, de quem buscamos “o sim e o desagrado”.

E havia a indicação de livros, de artigos, de revistas. Seus duelos livrescos com Guerrinha: Eça e Machado, estilo e conteúdo, Balzac e Flaubert. Lembro-me de ouvi-lo aconselhar meu pai: “Chegou a hora de você ler Heródoto”. Indicou-me “A curva da estrada”, do romancista português Ferreira de Castro. A curva do livro era a que se insinua ao político em fim de carreira, tentado a trair os princípios. A sabedoria da renúncia ao poder – o que o estimulava a comparar o personagem Soriano a Chico Pinto, precocemente afastado da política. Corri os alfarrábios da Praça Tiradentes, no Rio, em 2005. Lá estava o volume de Ferreira de Castro, em edição portuguesa, com a aquarela difusa na capa: braços levantados, homens engalanados, a bandeira vermelha. Meti o livro na mala e fui ali perto ao lançamento de José Saramago, “As intermitências da morte”. Vendo-me sobraçar o romance do outro português, pedi-lhe a opinião. Folheou “A curva da estrada”, risonho.

– Líamos muito há uns anos. Mas hoje está um tanto superado.

Ferreira de Castro antecipou um desencanto com o socialismo quando Saramago ainda estava investido de ilusões ideológicas. Magno divertiu-se com a reação do Nobel de Literatura, mas reafirmou o valor do livro para qualquer homem público.

O comportamento que mais o irritava era ver alguém se declarar “sem lado” (Olívia Soares lembrou esse aspecto no necrológio). Uma tarde presenciei seu ataque a um desconhecido contrário à tríade MST-Lula-Esquerda, mas disposto a pairar sobre o PT e o PFL. “Pare de dizer que você não tem um lado”, reagiu Magno. “Um fascista e um comunista se conhecem de longe. Você é um fascista, eu sou um comunista, nunca vamos nos entender!”. Pegou os jornais, “boa tarde, meu filho”, e foi embora. Minutos depois, espreitou a mesa e me surpreendeu novamente sozinho. “Era só pra me livrar daquele chato. Eu não agüento, não…”.

Agora que a morte nos impõe um sentimento uniforme, elaboro mil teorias para explicar essa existência tão original, firme na subversão do cotidiano pelas leituras de contracorrente, inversas às dos jornais. Apesar de ele ter sido vereador em Londrina, vislumbro em Magno um daqueles personagens de Balzac, prenhe da História e ocupado nos desvios da corte, entretanto mais interessado nos bastidores, certo de que o poder absoluto lhe valeria menos do que a observação livre da comédia humana. Preferiria freqüentar as tertúlias da marquesa de Listomère do que integrar o governo de Napoleão. Não serei incompleto: Magno desejaria a companhia de Napoleão num jantar da marquesa. Era um afinado conhecedor do corso, de Balzac e dos pais fundadores dos Estados Unidos.

Quem lhe saboreou as frases? “Há uma grande diferença entre os homens da minha geração e a garotada que foi para a luta armada. Quando nós acordamos para a política, caímos numa democracia, a de 1946. Os garotos da guerrilha, quando despertaram para política, caíram numa ditadura, a de 1964. É bem diferente.” Numa crítica ao caudilho gaúcho: “Brizola é aquele tio que conquistou o direito de mijar na sala”. Antecipando-se ao desconcerto de um amigo quase obrigado a aplaudir o discurso de uma adversária: “Não precisa aplaudir essa não. Deixa comigo. De palmas eu sou ótimo!”. E mais: “Se ele for candidato ao Senado, votarei no suplente”. Meu irmão, Luís, outro interlocutor contumaz, testemunhou sua proeza de preservar, durante décadas, a primeira e a última página de “Thais”, romance de Anatole France: “Naquele tempo o deserto era povoado de anacoretas”, desatou a ler de dentro.

O escrever tem as danações de apaziguar Magno, trancafiá-lo em julgamentos lineares, em sentenças sobre sua ausência nos cafés. Somos trezentos, trezentos e cinqüenta, e nada alcançáveis por palavras. Bem mais inglório o desafio da escrita quando o ausente é uma presença em nós refletida, na incerteza do sim, do desagrado e do silêncio. Ora, senhor.

Claudio Leal, jornalista , mora em São Paulo e trabalha na revista digital Terra Magazine.

nov
07
Posted on 07-11-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 07-11-2009

Deu na Tribuna da Bahia

E porque hoje é sábado o jornalista Ivan de Carvalho aproveita o conselho do poeta Vinícius de Moraes para deixar de lado a política e entrar brevemente na área da medicina para abordar em sua coluna diária na Tribuna da Bahia dois assuntos cujo conhecimento está se disseminando na sociedade, graças principalmente à Internet. O Bahia em Pauta reproduz o texto de Ivan, cuja coluna política pode ser lida todos os dias na edição impressa da TB. Confira.
(VHS)

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Dr. Luiz Moura: auto-hemoterapia
moura

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Redescobrindo a medicina

Ivan de Carvalho

Como hoje é sábado, tomo a liberdade de por a política de lado e entrar na área da medicina para abordar brevemente dois assuntos cujo conhecimento está se disseminando ultimamente na sociedade, principalmente graças à Internet e apesar do descrédito e desinteresse da imensa maioria dos profissionais (mas não de todos) da área médica, ao que se soma a viva (vivíssima) reação da indústria farmacêutica.

Quem quiser detalhes sobre esses assuntos pode pesquisar no Google, escrevendo, por exemplo, Cloreto de magnésio Dr. Luiz Moura. Isto será suficiente para o site de pesquisa lhe indicar diversos vídeos com explicações do médico Dr. Luiz Moura a respeito das utilidades do cloreto de magnésio como preventivo para evitar doenças e como meio de remover problemas de saúde já instalados, além, claro, de poderoso e barato desinfetante.

Junto com isso, você encontrará uma antiga técnica médica, a auto-hemoterapia, abandonada a partir da descoberta dos antibióticos, que supostamente a substituem. Mas o Dr. Moura explica que não é bem assim. Diz ele que a ação básica dos antibióticos é de impedir a multiplicação dos microorganismos nocivos, dando a chance para que o sistema imunitário do paciente elimine esses microorganismos. Já a auto-hemoterapia tem função totalmente diversa dos antibióticos – essa técnica combate as infecções reforçando extraordinariamente o sistema imunitário, multiplicando por quatro o número de macrófagos, que são as células do sangue que devoram as bactérias e vírus. Antibióticos e auto-hemoterapia são complementares.

A auto-hemoterapia consiste em retirar sangue de uma veia (10 ml, normalmente) e ato contínuo injetá-lo nos bíceps dos dois braços (5 ml em cada) ou no músculo glúteo (que suporta os 10 ml).

Lugar de sangue é nas artérias, veias e nas quatro cavidades do coração. No músculo o sangue é reconhecido como “corpo estranho” pelo sistema imunitário, que parte para o ataque e num período de oito horas multiplica por quatro o número de macrófagos – de 5 para 20 a 22, permanecendo neste nível mais alto durante cinco dias, voltando gradualmente ao normal nos dois dias seguintes. Pode-se repetir tudo de sete em sete e até de cinco em cinco dias, se necessário. Extremamente reforçado para “comer” o sangue que foi posto no músculo, lugar “errado”, o sistema imunitário torna-se muito mais eficaz contra bactérias, vírus, células pré-neoplásicas ou mesmo neoplásicas e atua com sucesso nas doenças auto-imunes, a exemplo do lúpus, asma e numerosas outras. A auto-hemoterapia e os antibióticos são, evidentemente, complementares. Quanto ao cloreto de magnésio é um regulador do cálcio. Fixa-o onde ele deve estar (nos ossos, por exemplo, combatendo a osteoporose) e retira-o de onde não deve estar – dissolve calcificações nas artérias e veias, cálculos de oxalato de cálcio nos rins e custa uma pechincha nas farmácias.

Há mais. Ainda pretendo voltar ao assunto.

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