fev
22
Posted on 22-02-2010
Filed Under (Aparecida, Artigos) by vitor on 22-02-2010

Dirceu: em movimento

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OPINIÃO POLÍTICA

ZÉ DIRCEU NAS ENTRELINHAS

Aparecida Torneros

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Ler sobre o Zé Dirceu, requer saber reler as entrelinhas da sua história. Políticos, os há, de toda sorte, ordem, origem, identificação ideológica, trajetória baseada em sorte ou oportunidade,perseverança, estilo próprio, carisma que vem de berço, ou crescente ao longo dos anos, com simpatia respeitável ou questionável antipatia, arrogância detestada ou coragem admirada, liderança reconhecida, capacidade de engendrar estratégias e de conciliar acordos, narcisismo acalentado, poder de persuasão, olhar futurista, sorriso largo ou contido, palavra amena ou arrebatadora, postura e presença constantes, arroubos defensivos e ataques desfechados para atiçar ou derrubar inimigos.

Um dos personagens em questão poderia ser qualquer bom profissional da política internacional ou nacional, com o nome citado nas primeiras páginas dos principais jornais que informam sobre a vida que circula nos meandros do poder de nações ou povos ao redor do mundo e precisamente nos bastidores da performance eleitoral que o Brasil assume em regime de arregimentação de votos ou de simpatizantes que gerem votos para que se atinja objetivos plenos de vitórias em pleitos espalhados em cidades, estados, regiões, rincões longínquos, lugares onde a brasilidade sacode ideias e expectativas, sob a égide do embate de idéias, atitudes, propostas, números alcançados , índices atingidos, qualidade de vida ampliada ou melhorada ou ainda sonhada por centenas de milhares de criaturas cuja necessidade maior parece alicersar-se na confiança que depositara em alguém que os protegera muito mais do que os representara em postos ou cargos de comando.

Percebe-se que há desses políticos, em forma e conteúdo, sim, deles, existem aos milhares, pelo mundo, nas histórias contadas em livros biográficos ou romanceados, e nos relatos memoráveis dos bastidores, que um dia, podem virar filmes de grande circuito, porque as historias de políticos lendários como é o caso do Zé Dirceu, rendem sinopses atraentes ao mesmo tempo em que incitam a curiosidade dos públicos mais diversos e atentos

Um brasileiro cuja história pessoal se confunde com as últimas 5 décadas da vida nacional, tal a sua vocação de fênix a ressurgir dos rolos compressores em que se viu metido ao longo dos tempos, nas perseguições da ditadura militar, na vida clandestina, na cassação, no ressurgimento à luz do comando do PT, por dezenas de anos, no papel fundamental que exerceu durante as campanhas que levaram o presidente Lula ao topo do Poder, e ainda, no efeito avassalador que a informação e a contra-informação exerceram no episódio apelidado de “mensalão”, que, a partir de 2005 espocou como se fora um meteoro gigante a bombardear a vida republicana em pleno mandato do poder petista, prato cheio para a oposição aturdida.

Interessante ler e reler o noticiário que nestes dias explode na mídia nacional trazendo a figura do Ze Dirceu para o primeiro plano novamente:
José Dirceu diz que vai subir no palanque ao lado de Dilma O Globo; Dilma sobre Zé Dirceu, “Ele é um dirigente do partido e como tal … Jornal Feira Hoje; Lula diz: Dilma é para 2 mandatos, e acrescenta:quando aconteceram todos os problemas que levaram o companheiro José Dirceu a sair do governo, eu não tinha dúvida de que a Dilma tinha o perfil para..; O Globo 09/02/10:
Dirceu sai para o confronto com FHC; A volta de Dirceu: A Tarde On Line – ?25/01/2010?, Os adversários do PT, tem na “reabilitação” do ex-ministro e deputado cassado José Dirceu, uma boa artilharia. Zé Dirceu circulou recentemente como um icone…

Ler sobre o Ze Dirceu implica em reler sua própria historia na vida brasileira com altos e baixos e com pinceladas ora romanceadas e ora realistas, e, na maioria das vezes, entremeadas com releituras sobre a furia e a intensidade com que a os veículos o assediam, o abordam, o reinterpretam, o nomeiam, tentam desvenda-lo e ainda, no auge da comunicação massificada, tentam enquadra-lo a modelos pré- estabelecidos.

O que se passa [ e que o Dirceu, político, ex presidente e fundador do PT, ex ministro do Lula, ex deputado federal, atual dirigente do seu partido, militante assumido das suas idéias, em última análise, foge aos modelos convencionais, tem no seu caminho ora pedregoso e ora vitorioso uma certa capacidade de estarrecer e surpreender, exercendo a magia dos bruxos, a competência dos bons estrategistas ou o domínio consciente e inquietante dos guerreiros, para a satisfação dos seus correligionários e a perda do sono das noites dos seus adversarios.Sua volta alvoroça a midia e aquece as falas dos especialistas, mas sobretudo, demonstra que ainda há muito a rever, reler ou renascer a partir desta figura lendária, chamada Jose Dirceu de Oliveira e Silva.

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária

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OPINIÃO/ JUSTIÇA E CULTURA

O Lado BB do Ministério Público: como arrasar a Mudança do Garcia

Claudio Leal

Fez bem o promotor do Ministério Público, Heron José Santana Gordilho, em esclarecer a proibição de jegues e outros animais cavalgáveis na tradicional Mudança do Garcia, do carnaval de Salvador. Enfrentar o debate é um mérito de cavalheiro. No artigo “Consideração moral dos animais”, publicado em A Tarde (18/02), o promotor respondeu às críticas do antropólogo Roberto Albergaria, ainda que tenha preferido omitir o nome do interlocutor. Exato: uma técnica dos maus polemistas.

Como sabe o Cavalo Branco de Napoleão, o MP, a OAB e mais dois ou três ongueiros pressionaram os organizadores da Mudança a não usar animais no desfile da segunda-feira momesca. Ninguém sabe se o veto se estenderá aos Encourados de Pedrão, no cívico Dois de Julho, e à carruagem da Rainha Elizabeth II. Quem adivinhar o próximo desdobramento da chicotada contra a história da Mudança, ganha um exemplar do “Febeapá”, de Stanislaw Ponte Preta.

Porém o cabriolé não deve andar rápido. Voltemos ao artigo do dr. Heron José. Numa linguagem elevada, ele afirma que “a cultura da ignorância não consegue perceber que houve consenso entre os interessados”. Depreende-se da candura dessa frase o conforto das lideranças de um bairro popular diante do cerco de engravatados e ambientalistas xiitas. O consenso, nesse ambiente de argumentos surreais, lembra “a ordem superior” do samba “Despejo na favela”, de Adoniran Barbosa. A alternativa do favelado era sair “pra não ouvir o ronco do trator”.

Num Estado em que não houvesse a “cultura da ignorância”, o MP não se atreveria a esvaziar uma manifestação cultural quase secular sem receber questionamentos formais da Secretaria da Cultura (onde está Marcio Meirelles?), do Conselho Estadual de Cultura, do Instituto Geográfico e Histórico, da Câmara Municipal e de organizações da sociedade civil.

O primeiro efeito se apresentou no desfile de 2010. Houve uma redução absurda das belas carroças e jegues, tradicionalmente com cartazes de protestos. E os remanescentes não fugiram à regra de conduta dos anos anteriores. Afinal, qual era o problema? Para 2011, promete-se a proibição total. Duas ONGs sem relevância pública conseguirão arrasar um patrimônio de Salvador. Restará o vaivém de bandeiras sindicais vazias. Os medidores de decibéis de jegue podem identificar outras falsidades: inelutavelmente, haveria maus-tratos contra animais na Mudança do Garcia; por óbvio, os carnavalescos se comprazem com torturas a cavalos e jumentos.

Prevaleceu o Lado B.B. (Brigitte Bardot) do Ministério Público. Enquanto alguns promotores se esforçam para evitar a ocupação selvagem das áreas verdes da Avenida Paralela, há os que preferem seguir os ensinamentos da ronronante atriz francesa: “Eu dei minha beleza e minha juventude aos homens. Agora dou minha sabedoria e minha experiência aos animais”. Ouvem-se dois relinchos no presépio.

Qual a diferença entre legislar e impor mandamentos supostamente ambientalistas a lideranças populares indefesas? O promotor de Justiça, com a retórica do marxismo, decreta que “a inclusão dos animais em nossa esfera de dignidade moral é um processo histórico irreversível”. Além de ser um contrassenso axiológico, contraria ainda qualquer rabiscado livro de filosofia e o próprio acúmulo mental do Oriente e do Ocidente. “Dignidade moral” possuem os cordeiros dos blocos carnavalescos, outra vez submetidos a intocáveis subcondições de trabalho.

O MP só não argumenta em sânscrito quando recorre a Mahatma Gandhi para dar tom erudito ao acordo. “Gandhi, em sua política de não violência, afirmou certa feita que ‘a grandeza de uma nação e o seu progresso moral podem ser avaliados pela forma com que ela trata os seus animais'”, diz o promotor. Entretanto, retirado da redoma da política, o líder indiano é um exemplo de reacionarismo e princípios anti-humanos, como atesta o escritor George Orwell num ensaio não-hagiográfico incluído na coletânea brasileira “Dentro da baleia”
(Cia. das Letras).

“Os ensinamentos de Gandhi”, expõe Orwell, “não estão de acordo com a crença de que o Homem é a medida de todas as coisas e de que nossa tarefa é tornar a vida digna de ser vivida neste mundo”. Defensor do voto de bramahcharya, o pacifista tentou eliminar o desejo sexual de seu cotidiano (após experiências na área). Prossegue o autor de “A revolução dos bichos”: “A autobiografia deixa vago se Gandhi se comportou de forma desatenciosa com a esposa e os filhos, mas de qualquer maneira deixa claro que em três ocasiões ele se dispôs a permitir que a esposa ou um filho morresse em vez de fornecer o alimento animal recomendado pelo médico”. Para Gandhi, o único jeito era dançar o “Rebolation”. Ainda é melhor dar dignidade moral aos cordeiros e capim aos muares da Mudança.

Claudio Leal é jornalista
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fev
20
Posted on 20-02-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 20-02-2010

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Em sua coluna deste sábado, 20, na tribuna da Bahia, o colunista político Ivan de carvalho, fala de um tema sempre fadado à polêmimica em tempo campanha eleitoral: a propaganda política. Sem a proteção do Código de Defesa do Consumidor ou qualquer outra coisa, pois a propaganda política enganosa não é vedada em lei, assinala o jornalista no texto que Bahia em Pauta reproduz.

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OPINIÃO POLÍTICA

Propaganda enganosa liberada

Ivan de Carvalho

O que ocorre com um fabricante que anuncia ter o seu produto qualidades com as quais na realidade não conta ou o comerciante que promete preços mais baixos do que o concorrente durante um determinado período, mas não sustenta o anunciado quando o consumidor se apresenta? Em ambos os casos e em dezenas ou centenas de outros, o produtor e o comerciante estão incorrendo numa infração prevista no Código de Defesa do Consumidor, a propaganda enganosa, e podem ser punidos com multa e com uma sentença judicial em que pagarão uma indenização ao consumidor.

A propaganda enganosa é punida no âmbito econômico, embora a fiscalização que o Estado exerce a respeito ainda seja extremamente escassa e falha, dando a impressão muito nítida de que não existe um verdadeiro interesse do comando estatal de aplicar com rigor a lei, vale dizer, o Código de Defesa do Consumidor.

Esta falta de vontade política ou interesse do comando estatal reflete-se nos órgãos encarregados da fiscalização e da aplicação direta da lei – retirando-lhes a capacidade de atuar, seja por falta de garantia política, seja pela ausência de meios que permitam uma ação eficaz. O resultado disso é o consumidor prejudicado a cada passo pela propaganda enganosa, que usa mil artifícios para atingir seus objetivos.

Comecei a escrever estas linhas abordando a propaganda enganosa no âmbito econômico, numa atitude – que me perdoe o leitor – levemente didática, mas que não considero inútil. O ponto de destino, no entanto, é a propaganda enganosa no âmbito político e, mais especificamente, porque é onde naturalmente adquire seu mais alto grau de periculosidade, no comando maior do Estado. O jornal Folha de S. Paulo publicou na quinta-feira reportagem de Gustavo Patu, sob o título “Petistas mistificam dados e ignoram passado” e o subtítulo “Lula e Dilma dão ênfase a quantidades, em detrimento de pertinência e relevância”.

Vou citar apenas, pela exigüidade de espaço, dois exemplos dos que a inteligente reportagem recolheu e ofereceu aos leitores, na linha de “O que o PT diz” e “O que o PT fez”. “Vou ser, até agora, o presidente da República que mais fez universidades. Nós já temos 13 em construção” – Lula, em 5 de fevereiro. “Das 13 universidades supostamente novas – diz a reportagem – 9 são resultado de fusão, desmembramento ou ampliação de instituições já existentes”, assinala a reportagem.

Outro: “Até 2003 tinham sido construídas no Brasil 140 escolas técnicas profissionalizantes e só no governo Lula já foram feitas 140, com a previsão de construção de mais 74” – Dilma, em 7 de fevereiro. Mas, segundo a reportagem, “o censo escolar aponta 72 novas escolas técnicas federais até 2009 e o número de matrículas cresceu apenas 20% contra 45% na rede estadual (paulista)”.

Bem, na propaganda enganosa no âmbito da economia, a vítima é o consumidor. No âmbito da política, a vítima é o cidadão, mas também o eleitor e a nação. Sem a proteção do Código de Defesa do Consumidor ou qualquer outra coisa, pois a propaganda política enganosa não é vedada em lei.

fev
20

Cardeal Magela: entre a ponte…

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…e o lema da Campanha da Fraternidade

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ARTIGO DA SEMANA

DEUS E O DINHEIRO NA TERRA DE MAMON

Vitor Hugo Soares

À medida que se distancia o barulho dos tambores e das guitarras elétricas nas ruas e avenidas dos muitos circuitos do carnaval baiano, fica mais fácil observar e escutar o que se passa em volta nestes dias de retirada da fantasia e dos santos cobertos de pano roxo, na Bahia e no País. Desde já, é possível dizer: muitos fatos e ruídos merecem atenção e reflexão, além do drama político que abala o Distrito Federal de Arruda, Paulo Octávio e a turma do chamado “Mensalão do DEM”.

A mudez dos sinos nos campanários da mística Salvador, imposto pelos ritos da Quaresma, facilitam também verificar: partem dos templos religiosos (católicos ou não) os sinais mais contundentes. O principal deles é bem nítido já nos preparativos do lançamento neste domingo, 21, da Campanha da Fraternidade, cujo tema este ano é “Dinheiro e Vida”.

Isso ficou visível nos cuidados e nas oscilações na entrevista coletiva do mineiro arcebispo de Salvador, Primaz do Brasil, Dom Geraldo Magela, para falar da parte prática da CF, de caráter ecumênico. O simples comunicado foi suficiente para levantar sinais de fumaça e de polêmica em muitos setores. Na política, nos governos, nas empresas. Dúvidas e suspeitas se levantam, aqui e ali, a começar pelo real significado de algumas palavras e indicações do Primaz do Brasil, ex-presidente da CNBB, em sua conversa com a imprensa na Quarta-feira de Cinzas.

Até a construção da controvertida ponte Salvador-Itaparica, empreendimento bilionário de projeto incerto e não debatido, veio à baila, e mereceu o apoio explícito do cardeal. Pelo tema em si, não é difícil prever o fuá que está a caminho, a partir deste domingo. No material da campanha, que será distribuído e debatido pelos fiéis nas paróquias de todas as dioceses do País, há motivos de sobra tanto para concordâncias, quanto para desavenças. Mais, provavelmente, para desavenças.

“Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”. Eis um desses motivos, escrito como lema em destaque no cartaz de promoção da CF-2010. O próprio cartaz não poderia ser mais emblemático e provocativo, em se tratando de campanha de cunho religioso e social. Nele, velas acesas sobre uma mesa aparecem cercadas de moedas.

Mais direto, impossível, principalmente porque a CF-2010 passou pelo crivo da Santa Sé desde setembro do ano passado. É sabido que o Vaticano não costuma ser tão direto em suas mensagens e palavras de ordem na maioria das vezes. A não ser em questões como o aborto ou a obrigatoriedade do celibato. Neste último caso, como se sabe, com inegáveis motivações do dinheiro desde as origens do impedimento do casamento dos padres católicos.

No lançamento da CF deste ano, na Bahia, quem lucrou de saída foi Wagner e seu governo. Como assinalou o jornal A Tarde, o governo baiano ganhou um aliado de peso na sua empreitada pela construção da ponte entre Salvador e Itaparica.

“Eu acho que vai ser bom. Temos muitas pessoas que usam a passagem pela ilha para ir mais para o sul do nosso Estado. Se tivermos uma ponte, o tempo e os custos da viagem vão ser abreviados”, argumentou o arcebispo primaz do Brasil em favor da ponte.

A obra, como destaca o jornal baiano, tem gerado um debate acirrado entre políticos, empresários e sociedade civil. A polêmica se aprofundou após o escritor João Ubaldo Ribeiro, natural de Itaparica, produzir um manifesto desferindo críticas ao projeto. O protesto ganhou projeção nacional e recebeu o apoio de artistas e intelectuais que também se posicionaram contra a ponte.

No mesmo dia da entrevista de Dom Geraldo, a discussão chegou (à noite), ao plenário da Assembleia Legislativa da Bahia, a bordo da mensagem do governo, levada pessoalmente por Jaques Wagner, que abriu generoso espaço em seu discurso na abertura do ano legislativo no Estado, para fazer veemente defesa da ponte de 13 km sobre a Baía de Todos os Santos.

Ah, é preciso ressaltar, a bem da verdade, que o Primaz do Brasil colocou o tema do dinheiro e da corrupção no País, no centro da sua entrevista de lançamento da CF. Deu destaque especial ao escândalo mais recente e ainda em andamento, que culminou na prisão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e no processo para o afastamento do vice, Paulo Octávio. “É o bendito dinheiro de quem o põe no bolso, põe na barriga, em não sei mais onde. São interesses partidários e de grupos que estão em jogo”, disse o arcebispo.

Dom Geraldo destacou a prisão do governador, mas ainda assim o o arcebispo mostrou-se descrente frente à impunidade em crimes de corrupção: “Vemos este mensalão e nos parece que não aconteceu nada. Eles sempre têm dinheiro para ter um habeas corpus, para sair da cadeia”.

Mesmo em relação à construção da ponte multibilionária, que ele abençoa, o cardeal pede vigilância. Admitiu que o empreendimento pode ser alvo de desvios e superfaturamento. “Essa obra vai ser muito valorizada, até acima mesmo do seu valor objetivo. Há o perigo de que certas empresas possam ser beneficiadas. Um benefício que vem em troca de corrupção”, alertou.

A Campanha da Fraternidade deste ano promete muito mais, no Brasil das metrópoles, mas sem tirar as vistas também da dinheirama que corre no País dos grotões.

A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail:vitor_soares1@terra.com.br

fev
19
Posted on 19-02-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 19-02-2010

Wagner: “ganha quem abraça”

No artigo desta sexta-feira, em sua coluna na Tribuna da Bahia, o jornalista Yvan de Carvalho espalha seu olhar crítico sobre as múltiplas faces e sgnos da sessão solene de abertura dos trabalhos deste ano na Assembléia Legislativa da Bahia, na qual o governador Jaques Wagner leu a mensagem anual do Executivo. Ivan obsrve: Aliás, certamente que os aplausos dados pelos integrantes da oposição não significaram concordância integral com conteúdo da mensagem. Confira a íntegra do texto que Bahia em Pauta reproduz. (VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA

Os significados dos aplausos

Ivan de Carvalho

A Assembléia Legislativa reabriu na manhã de ontem, em sessão solene em que o governador Jaques Wagner leu a mensagem anual do Executivo, seus trabalhos deste ano. Há que assinalar, de início, duas coisas: a oposição esteve presente, sem exceções partidárias ou protestos, à sessão e, no final do pronunciamento do governador, o aplaudiu, juntamente com os governistas.

Pelo que observaram os jornalistas, somente um deputado preferiu, ainda que mantendo uma atitude civilizada, abster-se de aplaudir – o líder da oposição, democrata Heraldo Rocha, provavelmente mais por causa da função que exerce do que pela concordância ou não com o conteúdo do discurso.

Aliás, certamente que os aplausos dados pelos integrantes da oposição não significaram concordância integral com o conteúdo da mensagem. As oposições discordam e têm críticas severas à gestão Wagner, principalmente no âmbito administrativo, como nas áreas de segurança pública e de saúde, que ele defendeu na mensagem. Entre muitos outros aspectos. Os aplausos tiveram dois outros sentidos.

O primeiro, de civilidade, até como uma retribuição à civilidade demonstrada pelo chefe do Executivo que, sem ignorar que é filiado ao PT e apóia a candidatura deste partido a presidente da República – quando fez uma menção a Dilma Rousseff, observando que vai “rodar os quatro cantos” da Bahia em busca de votos para ela – elogiou o candidato José Serra, da coligação oposicionista liderada pelo PSDB, afirmando que os dois “políticos da mais alta qualidade” para governar o Brasil.

O segundo sentido, o que foi posto na mensagem anual em que o governador presta contas à Assembléia do trabalho de sua administração no ano anterior (2009) e que permeou realmente o comportamento do governo e mais especificamente do governador nesse período. Mais do que isso, desde que assumiu seu mandato – o de uma política pautada em princípios democráticos e no livre debate das ideias e projetos, ainda que, no âmbito do Legislativo e no momento das decisões, haja feito valer a maioria de que dispõe o governo ali. E apesar, também, de alguns malabarismos matemáticos e regimentais para manter o controle de comissões técnicas da Assembléia.

Há que assinalar que a linha mestra do exercício da democracia ocorreu mesmo à custa de alguns descontentamentos, nem sempre explícitos, na própria base de apoio político do governador e até mesmo em seu partido, pois nesse aglomerado ainda existem alas ideologicamente petrificadas, fossilizadas e outras que não conseguiram livrar-se da superada dicotomia carlismo e anti-carlismo da política baiana.

Aliás, o governador deu também uma entrevista coletiva à imprensa e saiu-se com a afirmação de que, em política, “ganha quem abraça”, coisa que no momento está tentando fazer principalmente em relação ao senador César Borges, candidato à reeleição, com o que conquistaria também o apoio formal do PR, o que daria um expressivo reforço eleitoral à chapa majoritária governista e mais três minutos de televisão e rádio na propaganda eleitoral gratuita.

fev
18
Posted on 18-02-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 18-02-2010

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DEU NA REVISTA MUITO


OPINIÃO / PRINCÍPIOS

A PONTE, OS ARTISTAS E OS POLÍTICOS

Aninha Franco

O governador Jaques Wagner se indispõe com artistas desde o início de seu governo, ou pessoalmente ou através do secretário de Cultura que promoveu tremor haitiano na produção artística local sob seu silêncio. Calado. Consentido. Agora é a vez da ponte Salvador-Itaparica. Meu irmão, que eu amo, proprietário na ilha, que sofre horrores para chegar e sair de lá, acha que a ponte resolverá o funcionamento caótico do ferryboat. João Ubaldo nasceu na Ilha e criou Viva o povo brasileiro, livro-ponte da obra de Jorge Amado para a Bahia atual, e por suas razões, contrárias à ponte, terá, sempre, o meu apoio independente do meu amor. A contrapartida do governador é João Leão, secretário pós-Geddel, que como argumento master diz que os intelectuais estão contra a ponte mas o povo está a favor. E pode falar em nome do povo quem perdeu as eleições? Tem credibilidade para falar pelo povo quem ofendeu políticos íntegros como Moema Gramacho na disputa pelo poder em Lauro de Freitas?

A diferença entre políticos e artistas, governador, é que nós nos admiramos e respeitamos como pares, sem partidos, sempre por um mundo mais belo e honesto. Um mundo melhor. E é por isso que Chico Buarque é contrário à ponte, e sendo artista pode falar pelo povo porque tem o seu respeito e amor. Estar do outro lado de Chico, até em disputa de cuspe a distância, não é bom sinal, governador.

Tem gente que garante que a ponte só vai unir a violência de Salvador à violência de Itaparica, e por isso prefere a Ilha sem ponte, com o sistema ferryboat funcionando, honesto, eficiente, coisas que ele não faz há décadas, minado pela corrupção, providência infinitamente menos onerosa para nós, financiadores da ponte. Conselho não se dá nem a quem pede, governador, mas no futuro, dentro da história que o senhor está tecendo, essa que vem sendo fotografada, filmada, escrita, a ponte que falta é a que liga o povo à educação, para que ele nunca mais precise de intermediários do seu querer. E pra fazer essa ponte, governador, é mais seguro ser parceiro de artistas.

(Aninha Franco é poeta, escritora e dramaturga. Texto publicado originalmente na Revista Muito, jornal A Tarde, 14/02/2010, p. 41)

fev
18

Wagner: escolhas decisivas

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Em seu artigo desta quinta-feira pós-carnaval, o jornalista político Ivan de Carvalho comenta em sua coluna na Tribuna da Bahia, sobre as decisões para finalizar articulações que vinham de antes da folia, para composição das chapas para as eleições deste ano. Segundo Ivan, na Bahia o PT fornecerá o candidato a governador, mas dificilmente ocupará também uma das duas vagas de candidato a senador.Confira.
(VHS)

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A CHAPA DO GOVERNO

Ivan de Carvalho

Começa agora uma fase de decisões político-eleitorais e de finalização de articulações que vinham ocorrendo antes do carnaval.

O primeiro foco das atenções será a aliança que vem sendo articulada em torno da candidatura do governador Jaques Wagner à reeleição. Vejamos, hoje, isto.

A aliança em torno da candidatura de Wagner à reeleição envolverá um número de partidos maior que os quatro lugares existentes na chamada chapa majoritária. Quatro ou cinco legendas estarão diretamente envolvidas, não mais.

O PT fornecerá o candidato a governador. Dificilmente ocupará também uma das duas vagas de candidato a senador. Vale aqui lembrar que, na última entrevista em que falou do assunto, durante o carnaval, o governador Jaques Wagner não descartou a hipótese, mas insistiu em minimizar tal possibilidade: “Acho difícil, acho difícil”, disse ele aos repórteres, afirmação que na mesma entrevista fez pela segunda vez.

Ele tinha e tem ainda suas razões para não descartar, pois sabe que há dentro do PT resistências a uma chapa somente com um petista (ele próprio) e movimentos favoráveis à inclusão, como candidato ao Senado, do ex-governador e ex-ministro Waldir Pires (um movimento forte) e um movimento menos encorpado em favor da candidatura do secretário estadual de Planejamento, deputado federal e ex-candidato do PT a prefeito, Walter Pinheiro.

Descartar essas duas hipóteses sem cumprir um ritual de conversas e acertos pareceria autoritário e Jaques Wagner não gosta disso. Além do fato de que está na dependência, ainda, de outras decisões para fechar a chapa. Mas as articulações estão direcionadas para incluir, como candidatos ao Senado, o ex-deputado, ex-vice-governador e ex-governador Otto Alencar, atualmente conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (Alencar ingressaria no PP) e o senador, ex-governador e presidente estadual do PR, César Borges. Wagner já conversou com o presidente Lula a respeito da inclusão de Borges, certamente Lula conversará com o comando nacional do PR. E já está acertada uma conversa entre o governador e o senador, que poderá ser o lance decisivo. O governador, nas declarações sobre o assunto, vem deixando transparecer otimismo quanto a um resultado positivo.

Cumprindo-se essa expectativa – do contrário, será necessária uma revisão de planos para composição da chapa – ficará faltando definir a candidatura a vice-governador, o que é importante, porque, se Wagner for reeleito, deverá renunciar ao governo nove meses antes do final do mandato para disputar outro, de senador. E o vice assumirá, já como titular, o cargo de governador, comandando a máquina do Estado no período eleitoral. Dois políticos são considerados para a candidatura governista a vice-governador: a deputada federal e ex-prefeita de Salvador, Lídice da Mata, do PSB, e o presidente da Assembléia Legislativa, Marcelo Nilo, do PDT.

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Duas músicas para cantar nesta tarde de sexta-feira, no desfile da banda Chiclete com Banana, Bell Marques, à frente no circuito do Campo Grande, que seguramente fará tremer mais uma vez o centro de Salvador na despedida do Carnaval 2010. Corra que ainda dá tempo de cantar com o Chiclete antes do dia acabar. (VHS)

BOA NOITE!!!

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VOU SEM ROUPA, NOEL!


Aparecida Torneros

As imagens e o suor não me deixam mentir. Ò abre-alas que eu quero passar… Tudo esquentou neste Brasil tropical, nos tempos recentes.

Desde os tamborins até a disputa presidencial. Tem Dilma, Serra e Ciro se acotovelando no camarote para serem “vistos” pelos foliões do Galo da Madrugada em Recife. No carnaval baiano, quem se preza e quer ser notado pela plebe, não vai deixar de passar por Salvador, salvando sua reputação de onipresente na festa da praça do povo, ainda que a sabedoria popular salva a Pátria e põe na berlinda a animação mais desprovida de compromisso eleitoral.

O grande vencedor do reino da folia é o voto dado à alegria contagiante da nossa gente , embalada pelo samba, o pula-pula, o frevo, a timbalada, as marchinhas, os cordões, o ritimo afro, o batuque sentido na boca do estômago, o convite ao recesso de tanta pressão do resto do ano.

Mais quente que o verão carioca, impossível. Madonna e afins vão disputar espaço nos camarotes da Sapucaí. Tá se derretendo cada pedacinho de juízo, e nem se pensa em mais nada a não ser cair na rua, acompanhar o bloco, misturar-se o pobre e o rico, o novo e o velho, tem o suvaco do Cristo, o bloco do Boi Tatá, o Simpatia é quase amor, o Carioca da Gema, o bloco das Carmelitas, a banda de Ipanema, o Concentra mas não sai, o humor carioca é pródigo em criar suas manifestações momescas.

Tradição espirituosa e espiritualizada, tem dedo da Chiqhinha Gonzaga, aí isso tem, do Pixinga, do Ari, do Braguinha,do Jamelão, da Emilinha, gente que animou os velhos carnavais, que nos legou esse patrimônio cultural indestrutível e fervilhante. Se as escolas paulistas arrebentam em tecnologias e o samba vai-vai, seu Nenê e seu Leandro honrarm a memória do grande Adoniram, aquecem nossos corações na cadência do samba trabalhado e amado.

Amar o samba, amar o carnaval, explodir em mil manifestações em cada esquina ou camarote, estar na correria e no suaodouro de mais um momento especial da cultura brasileira. Carnaval é tempo de ebulição, nele, evaporam-se tristezas, elucidam-se mistérios, engendram-se amores impossíveis, abre-se espaço para beijos improváveis, o mundo pára por aí, e nós vamos nos divertindo como podemos e devemos, sem a preocupação de sermos votados. Isso, deixamos pra eles e elas que nos olham como potenciais eleitores. Mas, é preciso esclarecer de uma vez por todas, nestes dias, escolhemos escolas vencedoras, musas rebolativas mais performáticas, cantores e puxadores de samba mais vibrantes, baterias emonionantes, fantasias deslumbrantes, sorrisos estonteantes, abraços reconfortantes, ruas apinhadas, multidões ao sabor dos ventos carnavalescos, gente sem nome e sem sobrenome, amamos sim os galhofeiros, os que brincam com as mazelas do cotidiano, que fazem a festa, que nos mostram um Brasil maravilhoso , o Brasil do espírito do seu povo que está pairando acima dos candidatos, dos governantes, dos poderosos.

O poder é dos foliões agora, por alguns dias, quem há de duvidar da grande força que é a multidão acalorada gritando sua alegria de viver a despeito de todo o resto? Viva o clima tórrido e espiritualizado do carnaval 2010, cada um de nós sabe que todo esse calor produz nossa própria superação, afinal, como cantou e imortalizou o grande Noel Rosa, do alto da sua boemia figura, “eu hoje estou pulando como um sapo pra ver se escapo desta praga de urubu”,já estou coberto de farrapo eu vou acabar ficando nu, pois esta vida nao está sopa e eu pergunto com que roupa que eu vou, pro samba que você me convidou?”

Vou sem roupa , Noel!!! Os candidatos é que precisam vestir suas fantasias e tentar nos encantar, não é?

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária

fev
14
Posted on 14-02-2010
Filed Under (Artigos, Ivan, Multimídia) by vitor on 14-02-2010

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AS VÍTIMAS DO CAIPORA

Ivan de Carvalho

Estava próxima a eclosão do movimento político-militar que depôs o presidente João Goulart quando Carlos Lacerda, governador do Estado da Guanabara e candidato da UDN à sucessão de Jango, a quem fazia cerrada oposição, veio a Salvador para uma reunião de governadores promovida pelo seu colega baiano Lomanto Júnior. As eleições seriam em 1965, mas ele já estava em plena campanha antecipada, pois na época não existiam para isso as limitações temporais da atual legislação eleitoral.

Para a “esquerda”, Lacerda era o “monstro da lagoa”, o líder “devastadoramente capaz”, como o qualificara a CIA em um dos seus relatórios para o governo americano, classificação que só recentemente chegou ao conhecimento público. A “esquerda” estudantil, principalmente a universitária, eriçou-se toda com a presença dele em Salvador e resolveu caçá-lo para vaiá-lo. Buscou-o no hotel, no palácio, em todos os lugares em que os cérebros de seus líderes puderam imaginar que ele estaria. Nada.

À noite, Lacerda estava dando uma entrevista – com formato de quase monólogo – na TV Itapoan, a única então existente na Bahia. E aproveitou para ironizar os que o perseguiam pela cidade e contra-atacar, como diria a CIA, devastadoramente. Era recente o assassinato do presidente americano John Kennedy, que comovera o mundo. “Filhos do fanatismo, filhos de Lee Oswald, filhos do assassino do presidente Kennedy”, repetiu ele bem mais que uma dezena de vezes ao longo da entrevista-pronunciamento. E então completou o esculacho: “Procuraram-me em todos os lugares, só não foram onde eu estava – no Mercado Modelo”.

Há poucas semanas, um grupo de destacados militantes petistas foi flagrado pelo jornalista Levy Vasconcelos (Tempo Presente) planejando uma vaia para o cantor e compositor Caetano Veloso, nos “circuitos nobres” do carnaval. Dentro de um certo contexto em que dizia que votará em Marina Silva porque “não é analfabeta”, Caetano (des)qualificara o presidente Lula: ele “é cafona falando, grosseiro” e, implicitamente, analfabeto. Lula replicou: “Nada mais burro do que isso”. É verdade que, ante a notícia sobre o planejamento das vaias, o presidente estadual do PT, Jonas Paulo, enviou correspondência ao jornalista, afirmando que o PT não procederia da forma noticiada. Mas é também verdade que depois disso a história da vaia persistiu e chegou a ser estimulada publicamente, ainda que não pela direção do PT.

Bem, Caetano – de quem se chegou a falar que, ao contrário do que faz todos os anos, não viria a este carnaval para evitar eventuais vaias petistas – assistiu na madrugada de sábado, como assinalou o Bahia em Pauta, o desfile da banda Psirico, recebeu homenagem de Moraes Moreira, outro ícone do carnaval baiano, e muitos aplausos. Vaia, nem umazinha por honra da militância petista. Mas como, se ele não pediu desculpas e nem pediu perdão?…

Perguntar não ofende: a “militância petista” sacou que a vaia seria contraproducente ou repetiu-se o que aconteceu com Carlos Lacerda, ao caçarem o artista em todos os lugares, exceto no lugar mais lógico para encontrá-lo – o camarote de Gil? Será que a “militância” petista foi também, como a “esquerda” dos anos 60, vítima do caipora?

(Ivan de Carvalho é jornalista.Texto especial para Bahia em Pauta)

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