fev
27
Posted on 27-02-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 27-02-2010

No artigo que assina neste sábado na Tribuna da Bahia o jornalista político Ivan de Carvalho assinala em sua antenada coluna que de acordo com os rumores de bastidor, embolou – mais do que já estava – a composição da chapa de candidatos às eleições majoritárias liderada pelo governador Jaques Wagner.

Um pouco mais de tempo (provavelmente pouco) ainda será necessário para que se decidam as coisas. No entanto, manifestam-se no PT resistências, principalmente na bancada federal, mas não só nela, à inclusão de César Borges na chapa. É o que alguns já consideram a dança do Rebolation, sucesso do carnaval e DO verão baiano chjegando à sucessão. Confira.

( VHS )

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A dança da sucessão no governo

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OPINIÃO POLÍTICA


REBOLATION NA CHAPA GOVERNISTA

Ivan de Carvalho

De acordo com os rumores de bastidor, embolou – mais do que já estava – a composição da chapa de candidatos às eleições majoritárias liderada pelo governador Jaques Wagner. Um pouco mais de tempo (provavelmente pouco) ainda será necessário para que se decidam as coisas.

Parece que a única coisa certa, imutável, é a candidatura do atual governador à reeleição.

Uma das questões ainda a receber um ponto final é a candidatura à reeleição do senador César Borges, presidente estadual do PR, na chapa encabeçada por Wagner. Há uma tendência muito forte de que o senador venha realmente a integrar a coligação liderada pelo PT, mudando radicalmente o seu alinhamento político anterior.

No entanto, manifestam-se no PT resistências, principalmente na bancada federal, mas não só nela, à inclusão de César Borges na chapa. Parte de alguns que propõem em seu lugar principalmente o ex-governador Waldir Pires (no deputado e secretário estadual Walter Pinheiro não se fala mais). O senador Borges ainda não fez manifestação pública clara a respeito, embora o governador haja sinalizado publicamente no sentido de que é muito provável a inclusão do senador e do PR na coligação.

Outro ponto nebuloso diz respeito ao candidato à outra cadeira de senador. O governador Wagner vinha dizendo que, além da candidatura dele mesmo à reeleição, só o que havia de certo era uma candidatura do PP a senador. Queria com isto dizer que estava acertado que o ex-governador e atual conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios, Otto Alencar, deixaria seu atual cargo, ingressaria no PP e seria candidato a senador. Tudo isso relativo a Otto parece estar mantido, menos a candidatura ao Senado. Rumores mais recentes o colocam entre a disputa da cadeira de senador e o cargo de vice-governador. Motivos pessoais, de saúde e até de “equilíbrio político” na chapa para o Senado poderiam (não estou afirmando que isto ocorrerá com certeza) deslocar Otto Alencar da disputa pelo Senado para candidato a vice-governador. A conferir.

Isso abrirá – ou abriria – espaço para outras mudanças. A deputada e ex-prefeita de Salvador, Lídice da Mata (dizem que está esfuziante), do PSB, que estava ficando escalada mesmo para candidata a vice, embora seu objetivo prioritário fosse o Senado, substituiria Alencar como candidata a uma das duas cadeiras de senador.

Quanto ao presidente da Assembléia Legislativa, Marcelo Nilo, do PDT, primeiro nome pensado para candidato a vice pelo governador, inclusive por ser máximo o grau de confiança pessoal e política de Wagner nele, ficará (ficaria) sem espaço numa chapa Wagner-César-Lídice-Otto. Neste caso, concorreria a mais um mandato de deputado estadual, com a garantia, construída ao longo desses últimos três anos, de uma votação extremamente expressiva. Uma análise rápida de conjuntura na Assembléia – incluindo previsões sobre sua composição na próxima Legislatura – sugere que, uma vez que Wagner seja vitorioso na candidatura à reeleição, Nilo teria chance de eleger-se presidente da Casa pela terceira vez consecutiva, em 2011. E, sabe Deus, até pela quarta, em 2013. Não é permitida mais de uma reeleição para presidente da Assembléia, mas a proibição só vale para a mesma Legislatura, o que não será o caso.

Velório de Orlando Zapata Tamayo

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Raul Castro e Lula em Havana

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A nostalgia comovente de Célia Cruz

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ARTIGO DA SEMANA

NOSTALGIA DE HAVANA

Vitor Hugo Soares

Das caixas de som do computador explode a voz potente e marcante da cantora cubana Célia Cruz. No vídeo do YouTube ela interpreta pela enésima vez com a mesma força e o mesmo sentimento de sempre – pouco antes da partida definitiva – a dor de seu interminável exílio e da saudade que a distância de Havana lhe provoca. Algumas vezes, antes de morrer, ela disse ser esta uma das preferidas de seu repertório imenso e repleto de muitas das mais belas canções da América Latina: “Nostalgia Habanera”.

Traduzo para o leitor os versos que escuto em castelhano da letra do fabuloso bolero: “Sinto a nostalgia de voltar a ti, mas o destino manda que não pode ser/ Minha Havana, minha terra querida, quando eu poderei voltar a ver-te?… Eu não sei se voltarão aqueles tempos/ de quando eu procurava a tua lua no céu do Malecón?”.

Para Célia Cruz – ela deixou Cuba quando o regime do comandante Fidel Castro começou a entrar pelos primeiros desvios -, aqueles dias com os quais ela sonhava no bolero inolvidável não voltaram. Nem ela retornou a sua Havana querida, sequer a passeio. Morreu em Nova Jérsei, exilada nos Estados Unidos, aos 78 anos de idade e de muito sucesso no mundo inteiro, incluindo o Brasil, que visitou muitas vezes.

Para outro dissidente, Orlando Zapata Tamayo – “negro cubano, bom filho, operário, pobre, e valente cidadão a vida inteira”, como destacou esta semana sua mãe Reina Tamayo repetidas vezes com dor e orgulho – o destino parece ter sido mais cruel. Tamayo, de pouco mais de 40 anos, que preferiu ficar e gritar o seu protesto entre Olguin e Havana, também perdeu para sempre a lua do Malecón: o recanto poético e de histórica beleza na capital cubana pelo pôr-do-sol e pelas noites enluaradas.

Depois de cumprir 7 anos de cárcere dos 30 a que havia sido condenado por crime político de “desobediência civil” – com seguidas denúncias de maus tratos a ele e a mais de uma centena de “prisioneiros de consciência” – Zapata Tamayo morreu na última terça-feira, depois de 85 dias de uma greve de fome.

Após denúncias de grupos de defesa dos direito humanos, incluido a Anistia Internacional- AI, o preso foi levado às pressas para um hospital de Havana e colocado em tubos de soro contra a sua vontade. Mas já era tarde demais.

Célia Cruz pára de cantar e saio da frente do computador para passar água nos olhos vermelhos, provavelmente por causa de algum desses ciscos irritantes que nessas horas insistem em incomodar. De volta sigo no vício de todo blogueiro: navego por Havana e pelo mundo, via Internet, para observar reações diante do que acontece nestes dias mais nostálgicos que nunca em Cuba.

O país governador pelos irmãos Castro, como escuto em algumas entrevistas de rádio e TV mundo afora, ou nas páginas dos jornais nas edições online, que começam a noticiar a morte do preso político. Principalmente nos veículos de Madri, Paris, Londres, Nova Iorque e Lisboa.

Por aqui, como de hábito, notícias como esta, principalmente sua contextualização e repercussões sempre demoram mais a chegar, sabe-se lá porque cargas d’água. Mesmo quando o fato acontece no mesmo dia em que desembarca em Havana em “viagem de amizade e solidariedade ao governo e ao povo de Cuba”, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado de comitiva repleta de jornalistas de diferentes órgãos de comunicação, incluindo os oficiais.

Nos jornais do dia seguinte lá está a imagem dos sorrisos do presidente Lula em visita ao não menos sorridente comandante Fidel Castro, aparentemente vendendo saúde, depois da grave doença que o afastou do comando direto do País, transferido ao irmão Raúl. No encontro com Fidel, nenhuma palavra para publicação sobre a morte de Orlando Tamayo.

Mas fatos com tal gravidade cobram responsabilidades e explicações de governantes, principalmente nas circunstâncias dolorosamente trágicas da morte de Tamayo, e de sua forte repercussão mundial. Ainda mais quando está de visita a Havana um personagem simbólico das lutas e dos governos democráticos do continente – o presidente Lula. Ele formalmente lamenta a morte do preso, embora afirme não entender como ainda hoje alguém “se deixa morrer em uma greve de fome”, tipo de protesto que condena agora por já ter feito antes: “Por experiência própria”, como ressalta na entrevista mostrada de Cuba no Jornal Nacional, na TV Globo.

As imagens da americana CNN, no entanto, são mais contundentes. Mostram Raúl Castro em seu discurso gritado e nervoso – marcados pelos rictos de violência no rosto, e arrogância ameaçadora nos gestos mal contidos – tentando explicar a Lula ao seu lado e ao mundo inteiro, “que em Cuba ninguém morre por maus tratos”. A imagem do presidente do Brasil, na CNN, também é impressionante, por outro motivo: Visivelmente constrangido, Lula parece indeciso: não sabe se ri ou se chora diante do discurso patético do amigo e colega Raúl”.

Volto à voz de Celia Cruz, em “Nostalgia Habanera”: “Havana, quanto desejo voltar e ver tuas praias/ Havana, e voltar a ver tuas ruas a sorrir/ Havana, apesar da distância não te esqueço/ Havana, por ti sinto a nostalgia de voltar”. E o soluço saudoso, melancólico e emblemático do final: “Havana!”.

O cisco no olho volta a incomodar e desligo o computador.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

fev
26
Posted on 26-02-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 26-02-2010

Rio das Pedras “esgoto a ceu aberto no Imbuí”
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Em seu artigo desta sexta-feira o jornalista político Ivan de Carvalho comenta um fato que cairia no terreno do inacreditável se não não fosse aqui a terra dos maiores absurdos, como aformava Otávio Mangabeira, relacionado à canalização e urbanização do Rio das Pedras, no populoso bairro do Imbuí, em Salvador., Para ser franco e verdadeiro, diz Ivan ; no texto de arrepiar que Bahia reproduz, o Rio das Pedras (ou Rio Cascão, nome antigo) nada mais é do que um esgoto a céu aberto.Confira a história bem típica de tempos eleitorais na parte da Bahia que parece imutável.

(VHS)

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Opinião Política

INGÁ PERSEGUE IMBUÍ

Ivan de Carvalho

Seria absolutamente inacreditável se fosse apenas contado e não estivesse acontecendo mesmo a conduta do Ingá – um órgão da administração estadual – em relação à canalização e urbanização do Rio das Pedras, no populoso bairro do Imbuí, em Salvador, a cargo da prefeitura com recursos repassados pelo governo federal por intermédio do Ministério da Integração Nacional, cujo ministro é Geddel Vieira Lima, candidato do PMDB à sucessão do governador Jaques Wagner.

Para ser franco e verdadeiro, o Rio das Pedras (ou Rio Cascão, nome antigo) nada mais é do que um esgoto a céu aberto. E, como esgoto, empesteando o bairro com os produtos habituais dos esgotos – ratos, baratas, cobras, enxames de muriçocas, fedor – este insuportável em certas áreas, a exemplo das proximidades do shopping-center Caboatã. Tenho um razoável conhecimento dessas coisas como um dos 80 mil a 100 mil moradores do bairro.

Pois então a prefeitura, com a ajuda do Ministério da Integração Nacional, resolve executar obras que envolvem desde as bacias de captação próximas ao Condomínio Amazonas, no lado oposto da Avenida Paralela, até o canal, paralelo à Avenida Jorge Amado, que corta o bairro do Imbuí. Decidiu a prefeitura fazer o que é normal fazer com esgotos – canalizar, impedindo que aquelas pragas já mencionadas continuem ativas. O Imbuí é, historicamente, um dos focos do aedes aegypti, que transmite dengue e pode transmitir febre amarela.

Mas a prefeitura resolveu, no seu projeto, ir mais adiante. Além de transformar o esgoto a céu aberto em um esgoto devidamente acondicionado, incapaz de espalhar seus venenos para as adjacências, planejou transformar o espaço conquistado à sujeira numa área urbanizada, agradável, apropriada para o bairro cuja característica principal é ser vertical e ter escassez de áreas urbanizadas de uso público. Assim, realiza a principal obra municipal na capital no momento.

Então apareceu o Ingá, supostamente preocupado com duas ou três sucuris e meia dúzia (não estou minimizando, quis dizer meia dúzia mesmo) de piabas sobreviventes da sujeira. Nem sucuris nem piabas são animais em extinção, diga-se de passagem, como não muito de passagem é preciso dizer que essa preocupação com bichos é competência de outro órgão estadual, não do Ingá.

Pois o Ingá ficou todo preocupado com a hipótese da canalização e da cobertura do rio com placas de concreto tirarem das duas ou três sucuris (se ainda existem), da meia dúzia de piabas e, suspeito, dos milhares de ratos e baratas e milhões de larvas de mosquitos o oxigênio de que precisam. É improvável que o presidente do Ingá, que é candidato a deputado federal, espere eleger-se com os votos desses bichos, mas a ação insana (insana porque contrária à sanidade ambiental visada pela obra da prefeitura) permite visibilidade a esse candidato e ao órgão que dirige. Propaganda, a alma do négócio. Porque, se não for esta a razão da resistência, a outra seria ainda pior.

Ora, se o Ingá queria o Rio das Pedras a céu aberto, por que não intimou a Embasa (Empresa Baiana de Águas e Saneamento) a promover tal saneamento, trabalho que a gente sabe muito bem que nunca será feito.

fev
26
Posted on 26-02-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 26-02-2010

Emiliano José: revelação

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DEU NO TERRA MAGAZINE:(25/O2/AO1O)


Waldir Senador: a voz da Bahia

Emiliano José

De Salvador (BA)

A política é fascinante também pelo que ela tem de revelador da natureza humana, da diversidade do humano. Nada do que é humano me é estranho. É de Terêncio (Publius Terentius, dramaturgo do Império Romano antes de Cristo). Nada mais próprio se aplicado também à política. Quando soube de uma pichação que me dizia eleitor do senador César Borges, pensei nisso. Não atinei completamente sobre as intenções de quem se dedicou à pichação. E não fiquei a me perguntar de quem seria a iniciativa.

A pichação tinha um quê de irônico. De engraçado. Pela impropriedade da formulação. Confesso que cheguei a rir quando vi a pichação estampada no Política Livre, do meu amigo Raul Monteiro. Talvez, quem sabe, do ponto de vista político, quisessem provocar uma reflexão minha sobre a situação política do nosso Estado, sobre as próximas eleições e, de modo especial, sobre a chapa ao Senado.

Houve os que me aconselharam a não morder a isca.

Mas, homem público deve esconder suas posições?

Ou deve sempre revelar o que pensa, o que defende?

Lamento que haja os que se escondem atrás ou na frente dos muros, os que preferem o anonimato. Eu gosto sempre é do debate aberto, público, à luz do dia, sem tergiversações.

Nós derrotamos uma oligarquia cruel, autoritária, que não tinha qualquer respeito pela coisa pública, para dizer o mínimo. Uma oligarquia que nos legou índices sociais inaceitáveis, criminosos. Este primeiro mandato do governador Wagner está representando uma mudança radical na vida da Bahia, seja no plano dos valores políticos, do respeito profundo à democracia, seja no plano das condições de vida do nosso povo. O governador Wagner sabia, como é da política do PT, que deveríamos realizar um governo de coalizão, e assim temos feito.

O que impressiona em Wagner, mais do que obras, que são muitas, é a sua convicção de que mais vale a afirmação de novos valores – a consolidação dos valores democráticos. Ele diz isso com freqüência. Suas convicções republicanas e democráticas são sólidas. Num artigo que escrevi recentemente, eu lembrava que a nova hegemonia que está sendo construída no Estado leva, sobretudo, essa marca: a da afirmação da democracia no sentido mais substantivo.

É uma mudança cultural que está em andamento. Passo a passo, Wagner, ao lado do nosso partido, está construindo persistentemente essa nova hegemonia. Uma hegemonia que não se faz no grito, que descarta o autoritarismo, que apenas afirma a autoridade pelo que ela tem de mérito e de força junto ao povo. Diria, para pensar um pouco teoricamente, que Wagner vai num passo gramsciano, trincheira por trincheira, conquistando corações e mentes do nosso povo, e por isso tem se afirmado como a nova e grande liderança política do povo baiano.

Temos convicção, o PT tem, de que as nossas grandes tarefas políticas são eleger Dilma presidente, Wagner governador. E que para tanto devemos fortalecer uma ampla frente política de alianças, como temos feito. Temos o privilégio de termos o governador Wagner à frente dos destinos da Bahia. E não é preciso dizer o quanto Wagner tem de fidelidade ao PT, do qual é um dos fundadores e uma de suas principais lideranças.

O Senado, se olharmos para o quadro da grande política, não pode ser visto como uma Casa secundária. Nosso partido precisa tanto eleger uma grande bancada de deputados federais, de deputados estaduais, quanto tem obrigação de aumentar o número de senadores comprometidos com o intenso processo de mudanças em curso no Brasil. Temos visto o quanto de dificuldades o governo Lula tem tido naquela Casa.

O Senado precisa ser uma casa de sustentação do próximo governo Dilma e, no caso da Bahia, precisamos ter uma voz que defenda o segundo mandato do governador Wagner, os interesses do Brasil e os interesses da Bahia. Essa voz, tenho defendido com convicção, é a de Waldir Pires.

Falo de um político também raro, pelo seu extraordinário compromisso com a democracia, pela sua capacidade, pelo conhecimento que tem do mundo, do Brasil e da Bahia. Um político que subordina tudo aos projetos amplos do País. Que acompanha Lula desde 1989. E que ocupa cargos públicos desde o início dos anos 50, sem nunca ter se desviado, um minuto que seja, do caminho democrático.

Foi, junto com Darcy Ribeiro, o último homem a deixar Brasília quando do golpe de 1964. Passou anos no exílio. Foi e é até hoje um dedicado servidor da Bahia. Tem uma vida dedicada à nossa terra como secretário de Estado, professor universitário, deputado federal, governador. Ou como simples militante da democracia. E cuja vitalidade, dinamismo, capacidade de raciocínio e de análise sobre o País e o mundo, impressiona a quem quer seja que o ouça falar.

A política é parte de sua vida, e aqui, em Waldir, a política ganha a amplitude que merece, a dimensão que merece. Nele, a política assume a sua extraordinária missão civilizatória. No governo Lula, foi ministro do Controle e da Transparência, consolidando a Controladoria Geral da União, que se tornou um exemplo para o mundo no combate à corrupção. E foi também ministro da Defesa.

A Bahia, ao tê-lo como senador, terá uma voz ativa e altiva no Senado. Dilma o terá defendendo os interesses fundamentais do governo e do País. O governador Wagner e a Bahia o terão como uma voz poderosa, uma voz presente, atuante, capaz sempre de descortinar horizontes, de enfrentar os desafios postos pela história.

Não seria um orgulho extraordinário ter uma voz como a de Waldir no Senado?

Sem dúvida, seria.

Ainda mais quando se sabe quem em 1994 ele teve nitidamente um mandato roubado pelo carlismo, que conseguiu eleger um personagem absolutamente obscuro pelos artifícios da fraude, e uma fraude escandalosa.

Seria um resgate histórico, um grande resgate histórico.

Emiliano José é jornalista, ex-preso político e deputado federal (PT-BA). Site: www.emilianojose.com.br .

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MARIA OLIVIA

Badaladíssimo vendedor de picolé na Praia do Porto da Barra há muitos verões, tem um bordão que diz: ‘Quem não pediu, pida’. Pego carona no moço do picolé para afirmar: quem não assistiu a estreia do programa História Sexual da MPB, à meia-noite de hoje, no Canal Brasil (na SKY é o 66), assista o próximo, que vai ao ar na quarta-feira, dia 3 de março, no mesmo horário.

No episódio de ontem/hoje o jornalista carioca Rodrigo Faour conversou com Simone, Alcione, Ivan Lins, Erasmo Carlos, Martinho da Vila e Wando sobre temas que representam a evolução do amor, da sensualidade, do comportamento e das conquistas da mulher na sociedade brasileira, todas as análises são ilustradas com canções e clips diversos, de todos os tempos.

Divórcio, aborto, orgasmo feminino (por falar nesse assunto, Ivan Lins interpretou Vitoriosa magistralmente, ‘Quero, sua risada mais gostosa, seu sorriso escandaloso, vitoriosa por não ter, vergonha de aprender como se goza..’ dele e Vitor Martins), dentre outros. Outro ponto alto do programa de estreia foi Alcione recitando a letra da música Nem Morta, ‘eu só fico em seus braços, porque não tenho forças para tentar ir à luta…’, Wando também deu um show com ‘Moça, te espero amanhã…’.

No próximo programa, semana que vem, a Sensualidade na MPB é a convidada de Faour. Ele vai mostrar que esse tema era raro em nossas canções até o início dos anos 60 por conta da repressão sexual. Depois, o jornalista vai debater o Duplo-sentido, a Dor-de-cotovelo e a Sexualidade transgressora. O resto não conto, porque vale a pena esperar, a nova atração do Canal Brasil é imperdível, como de resto toda programação do canal pago.

Inspirada no livro homônimo do apresentador – lançado em 2006, A História Sexual da MPB, a evolução do amor e do sexo na música brasileira, Editora Record – o programa traz entrevistas com mais de 30 nomes de diversos estilos da música nacional.

Cada episódio debate um tema específico dentro da MPB: a mulher, a sensualidade, o duplo-sentido, a dor-de-cotovelo e a sexualidade transgressora. Dentre os convidados,estão personalidades como Gilberto Gil, Alcione, Martinho da Vila, Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Erasmo Carlos, Fafá de Belém, Fernanda Abreu, Wando e Ângela Rô Ro.

Ao lado desses artistas, Faour resgata histórias de diversas gerações e artistas menos lembrados da nossa MPB, como Eduardo Dussek, João Roberto Kelly, Maria Alcina, Waleska, além de dez grandes nomes da época áurea do rádio.

“Confesso que jamais imaginaria que este trabalho rendesse tantos frutos, pois é uma pesquisa um tanto ousada em que dou valor a muitos artistas que nunca são lembrados em livros que pretendem historiar a música brasileira”, comenta Faour. “Muitos artistas podem não ser virtuoses como músicos ou poetas letrados, mas influenciaram a sociedade brasileira no que diz respeito a comportamento — em sua própria imagem (sendo cantores) ou nas danças e letras que produziram, atiçando a libido geral ou mesmo quebrando tabus e preconceitos em suas mensagens”, explica o jornalista. Nesta primeira temporada (o jornalista adianta que a próxima irá ao ar no segundo semestre) serão exibidos seis episódios.

Rodrigo Faour é jornalista e pesquisador musical. Reeditou, compilou e escreveu textos de encartes de mais de 300 CDs, incluindo o relançamento das obras de Maria Bethânia, Simone, Caetano Veloso e Ney Matogrosso. Como escritor, publicou “Bastidores” (2001), biografia de Cauby Peixoto; “Revista do Rádio” (2002) e “História Sexual da MPB (2006). Desde 2008, apresenta o programa diário “Sexo MPB”, na MPB FM do Rio de Janeiro.

Uma pena que um programa desta qualidade só alcance o canal fechado e seja exibido à meia-noite. Paciência, vale ficar ligado, quem tem canal fechado, claro. Acompanho o trabalho de Rodrigo Faour há algum tempo, ele é muito bom, preparadíssimo e colecionador de mais de 70 mil músicas catalogadas e um vasto clipping de matérias publicadas na imprensa.

Maria Olívia é jornalista

fev
25

Geddel e Wagner: debate à vista

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Debate à vista entre o governador Jaques Wagner (PT) e o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), antes do horário eleitoral gratuito? Quem sabe? O jornalista político, Ivan de Carvalho fala sobre essa possibilidade no artigo que assina nesta quinta-feira em sua coluna na Tribuna da Bahia.

Na cerimônia de “inauguração” ou entrega de 350 novas viaturas policiais, exibidas como em governos anteriores na Avenida Paralela, o governador Jaques Wagner desafiou para um debate os críticos da segurança pública na Bahia.Via twitter, como registrou Bahia em pauta, o ninistro Geddel topou o convite na hora, com velocidade digital.

Vale registrar que o desafio do governador é benéfico para a sociedade e precisa mesmo ser realizado, opina Ivan em seu artigo, que Bahia em Pauta reproduz.

(Vitor Hugo Soares ).

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OPINIÃO POLÍTICA

O DESAFIO DO GOVERNADOR

Ivan de Carvalho

Na cerimônia de “inauguração” ou entrega de 350 novas viaturas policiais, exibidas como em governos anteriores na Avenida Paralela, o governador Jaques Wagner desafiou para um debate os críticos da segurança pública na Bahia.

Como informa o blog Bahia em Pauta, “as palavras não foram lançadas ao vento”. Aspirante do PMDB à sucessão de Wagner nas eleições de outubro deste ano, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, resolveu levar o discurso do governador petista a sério (como, aliás, devem ser levados a sério os discursos dos governadores, com exceção, conforme já demonstrou a prática, dos feitos pelo governador preso José Roberto Arruda, do Distrito Federal).

No twitter e em seu blog, Geddel aceitou o desafio: “Governador quer debater segurança? Marque hora e local. Tenho legitimidade para criticar e a mim não vão perguntar “por que não fez?”. Eu aceito o desafio”, insiste Geddel.

Certamente, se lançou o desafio, o governador, que naturalmente não estará pensando em fugir do debate que propôs, estará convicto de que tem elementos e argumentos para enfrentar as críticas, que são extremamente pesadas e vão desde o nível dos investimentos feitos no setor (apesar das 350 novas viaturas, dos 1350 novos integrantes da Polícia Militar e até, por que não, do polêmico Guardião) até o crescimento constante e acelerado dos índices de criminalidade, especialmente nas modalidades em que é usada a violência.

Convém ressalvar que, quanto à disseminação do tráfico de drogas e do tráfico de armas que o negócio das drogas ilegais enseja, uma enorme parte da culpa ou responsabilidade não assumida cabe ao governo federal – ao presidente Lula e ao Ministério da Justiça, bem como à legislação pertinente, que deveria ser feita por um Congresso Nacional dominado, na Câmara e no Senado, pelas forças governistas. Aí faltaram ações práticas no âmbito administrativo, como o controle de fronteiras, e vontade política do governo Lula para adequar a legislação ultrapassada. Mas isto não retira a responsabilidade do governo estadual, apenas a divide.

Dificilmente o ex-governador Paulo Souto, do DEM, e aspirante, tal qual Geddel, a voltar ao cargo, não vai querer ficar fora desse debate. A ele, como insinuou o ministro, implicitamente, poderá ser perguntado “por que não fez?”. Mas Souto tenderá a entrar no debate fazendo comparações, principalmente entre o seu último mandato de governador e o governo atual, no âmbito da segurança. Wagner terá que buscar elementos e argumentos para enfrentar essa comparação. Possível, mas nada fácil, pois o cidadão sente um forte aumento da insegurança pública e é isso que estará ocupando sua mente aos ouvir críticas, comparações e defesa.

Vale registrar que o desafio do governador é benéfico para a sociedade e precisa mesmo ser realizado. Os três candidatos – e mais, a exemplo do deputado Luiz Bassuma, candidato a governador pelo PV – estarão prioritariamente buscando assegurar votos nesse debate, mas ganhará a sociedade na medida em que ele conduza, menos a diagnósticos acadêmicos, e mais a medidas práticas que se possam adotar a curto e médio prazos para atenuar significativamente o problema e inverter as tendências tenebrosas atuais.

fev
24
Posted on 24-02-2010
Filed Under (Artigos, Gilson, Multimídia) by vitor on 24-02-2010


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CRÕNICA / BAHIAS

FAZENDO FÉ

Gilson Nogueira

No mês passado, voltando da Colina Sagrada, no dia da Lavagem do Bonfim, vi dois siris jogando bola. É brincadeira. Eram, na verdade, dois rapazes fazendo de conta que sabiam jogar capoeira! O local, parte baixa do Elevador Lacerda. Observei, também, um terceiro entrando na parada para evitar que a idéia deles acabasse em briga. Foi fácil apartar o grandalhão que pisava forte no chão, depois de recolher a perna comprida, ameaçando uma “benção” enganadora no seu “oponente”. De capoeirista o grandalhão não tinha nada. Ele queria aparecer, imaginei, enquanto bebia água de coco gelada para amenizar o calor de verão.

Faltava-lhe, sobretudo, a espinha mole, um dos atributos que identificam quem entende do riscado que o saudoso Mestre Pastinha ensinou a milhares de baianos na capital do berimbau. O respeito a si e ao próximo são um dos mandamentos que ficaram gravados na memória dos que juraram obediência aos conselhos que ele, O Pai da Capoeira Angola, lhes deu e que, por essas e outras, podem – e devem – ser respeitados – e aplaudidos- como verdadeiros discípulos do saudoso Manoel dos Reis Machado, o inesquecível Pastinha, ex-marinheiro, que os tinha como verdadeiros filhos, continuadores de seus ensinamentos iluminados.

Aos que pensavam aprender capoeira, na sua academia, localizada em um velho casarão do Pelourinho, hoje restaurante-escola, do Senac, o velho Pastinha alertava: Não era com ele que iriam obter diploma para baixar o cacete em deus e o mundo. Capoeira não era isso. Para o Papa da Capoeira Angola, no Brasil, tratava-se, sobretudo, de arte, prática sagrada, religião

E o som da pisada do sujeito alto e forte no asfalto, naquela quase porrada, intensifica-se, na cabeça, lembrando o dos coturnos atrás de estudantes nos idos das nuvens de chumbo, em Salvador. Ela tinha ginga de mágico barato, calculei. Ou melhor, de enganador do povo, desses que parecem, mas, não são. Brasília está cheio deles, denorex da política.

A caminho de casa, ocorreram-me lembranças da cidade de Salvador que o tempo não apagou, como acontece com músicas que o incansável pesquisador da MPB Perfilino Neto faz desfilar no seu programa, na Rádio Educadora da Bahia, Memórias do Rádio, a partir das dez horas da noite. Um das recordações, o Carnaval de Ontem, que me faz chorar ” pedacinhos coloridos de saudade”. O que acabou de ser visto, nas ruas da província , é, simplesmente, como a capoeira do grandalhão que maltratava a cultura baiana, uma mentira. Esta, eletrizada. Não tinha confetis. Nem serpentinas. Só as que Waltinho Queiroz testemunhou sendo atiradas nos ombros de uma foliã desiludida e que, ao final da festa, deu-se por recompensada com o cupido de papel.

Desejoso em citar o que o mestre Gildo Alfinete escreveu, como dedicatória, no livro Pastinha, da Coleção Gente da Bahia, da Assembléia Legislativa do Estado da Bahia, redigido pelos jornalistas José de Jesus Barreto e Otto Freitas, afirmo: é urgente intensificar-se o rigor da fiscalização dos mestres e órgãos competentes (?) para o jogo de “capoeiristas de araque” que visam , apenas, parece, pelos relatos ouvidos, de gente de fora e daqui, arrecadar, muitas vezes com agressividade, dinheiro de turistas incautos, praticando um esporte fora dos padrões ensinados nas academias.

Ah, Gildo Alfinete, um dos seguidores da Religião Angola, fiel escudeiro da obra do eterno Pastinha, anotou, no belo livro: “ As águas do mar são fortes e o vento tem seu poder / quem anda com Deus nada pode acontecer / Na Bahia tem petróleo, tem cacau e tem dendê, tem Capoeira Angola para eu me defender / Você joga pelo alto, eu jogo pelo chão, na roda da Capoeira todos nós somos irmãos.” Por último, emocionou-me, um pouco mais: “

“Você é um amigo irmão, você é gente da gente, acredite, faça fé. Mestre Gildo Alfinete.” É bondade sua, parceiro. Saravá!

Gilson Nogueira é jornalista
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fev
24
Posted on 24-02-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 24-02-2010

Delúbio: único forçado a sair

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Em sua coluna desta quarta-feira na Tribuna da Bahia, o jornalista político Ivan de Carvalho fala de dois escândalos e a diferença de tratamento entre eles:o Mensalão do PT e o Mensalão do DEM. Ao registrar a recente eleição do ex-ministro chefe da Casa Civil ,Jose Dirceu , para o diretório nacional do Partido dos trabalhados, o colunista lembra que só o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, foi forçado a sair do partido, ganhando depois o prêmio de consolação de ser chamado por Lula de “nosso Delúbio”. Bahia em Pauta reproduz o testo de Ivan de Carvalho. (VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Diferenças dos Mensalões

Ivan de Carvalho

Há certeza de que o escândalo de corrupção em curso no governo do Distrito Federal e adjacências, já apelidado de Mensalão do DEM, envolvendo a sessão distrital deste partido no DF, será, naturalmente, objeto de exploração eleitoral pelos adversários da coligação a que os democratas estarão integrados na disputa pela presidência da República e que deverá ter na cabeça de chapa o governador paulista José Serra, do PSDB.

Essa previsível exploração terá como objetivo principal fazer parecer que, no item da corrupção, “é todo mundo igual”, que o eleitor não tem escolha e pode trocar uns pelos outros sem pedir troco. Isto porque o governo federal e o PT, que tem a ministra Dilma Rousseff como candidata apadrinhada pelo presidente Lula, produziu antes o escândalo do Mensalão, cuja denúncia da procuradoria geral da República foi recebida pelo STF, mas dormita nas gavetas do tribunal, dando margem à prescrição de crimes denunciados.

Convém lembrar que o Mensalão, denunciado inicialmente pelo presidente do PTB, então deputado Roberto Jefferson (que não estava alheio ao esquema do Mensalão), ao presidente Lula, colocou a este num nível desesperador de desprestígio popular. Só não foi iniciado um processo de impeachment porque o PSDB – recusando-se a adotar a linha proposta pelo aliado DEM – resolveu botar panos quentes, na esperança de enfrentar, em 2006, um presidente “sangrando”, com a popularidade no fundo do poço. Mas com a estranha desculpa de que “não sabia de nada” – apesar do aviso prévio de Roberto Jefferson – Lula recuperou-se.

E o PT passou a mão na cabeça de seus mensaleiros, ou quadrilheiros, para usar a expressão do ministro Joaquim Barbosa, do STF, que apontou o ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, como “chefe da quadrilha”. Só o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, foi forçado a sair do partido, ganhando depois o prêmio de consolação de ser chamado por Lula de “nosso Delúbio”.

Hoje, José Dirceu está eleito para o novo Diretório Nacional do PT e fala a todo momento como uma das maiores lideranças políticas do partido. E ele é isso. José Genoíno, que era o presidente do PT na época do mensalão, é deputado federal. Eu poderia multiplicar os exemplos.

Mas vamos às flagrantes diferenças entre o Mensalão e o Mensalão do DEM, que o espaço é escasso. 1) A direção nacional do DEM ia expulsar o governador Arruda do partido, o único governador que tinha. Ele cancelou sua filiação na véspera. Ontem, o vice-governador Paulo Otávio também cancelou sua filiação para não ser expulso e renunciou ao mandato. 2) O Mensalão foi de âmbito nacional, o Mensalão do DEM restringe-se, até agora, à seção distrital do DF. 3) O Mensalão do DEM do DF é um horror, mas está sendo enfrentado de modo severo pelos democratas, ao contrário do outro, que teve o governo federal e o PT para “passar a mão” sobre a cabeça dos implicados, numa atitude do tipo, vão (ou fiquem?), vossos pecados estão perdoados, nós vos abençoamos.

Há outras diferenças, claro. A serem abordadas mais adiante.

fev
23

Nas manobras políticas da sucessão é chagada a hora de saber quem de fato tem farinha para vender na feira, como dizia, com seu jeito todo especial, o finado gaúcho Leonel Brizola.Várias e fundamentais são ainda as indefinições no cenário da Bahia, visualiza o jornalista político Ivan de Carvalho em sua coluna desta terça-feira na Tribuna da Bahia.Por exemplo: na tão comentada aliança do governador Jaques Wagner e seu PT com o senador Cesar Borges e seu PR, como fica a cantoria? Será que a militância e os simpatizantes do PT vão mesmo votar no “carlista” ou “ex-carlista” César Borges? E se eles tiverem alternativas? Pois vão ter, afirma Ivan em seu texto que Bahia em Pauta reproduz.Confira (VHS)

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Petistas votam em Cesar?

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OPINIÃO POLÍTICA

INDEFINIÇÕES NA SUCESSÃO

Ivan de Carvalho

OLHO: Mas será que a militância e os simpatizantes do PT vão mesmo votar no “carlista” ou “ex-carlista” César Borges? E se eles tiverem alternativas? Pois vão ter.

Várias e fundamentais são ainda as indefinições no cenário da sucessão baiana. Até mesmo sobre o que parece absolutamente certo – as candidaturas de Jaques Wagner, Paulo Souto e Geddel Vieira Lima a governador – alguns políticos põem dúvidas. Não a respeito da candidatura de Wagner à reeleição, mas quanto às outras.

Alegam que, a depender de uma série de circunstâncias, algumas improváveis, Souto ou Geddel poderiam trocar a aspiração ao governo por uma disputa por cadeira de senador. Mas deixemos isso de lado, já que as duas hipóteses parecem, no momento, muito improváveis.

Vamos às indefinições mais objetivas. Começando por uma quase certeza: o conselheiro do TCM, ex-governador Otto Alencar, vai se aposentar de seu atual cargo, filiar-se ao PP e concorrer a senador pela coligação que será formada em torno da candidatura de Wagner à reeleição.

E a outra vaga de senador, já que duas cadeiras estão em jogo? Aí é que se transpõe o portal do inferno. O governador esforça-se para completar sua dupla para o Senado com a candidatura à reeleição do senador César Borges, presidente estadual do PR e considerado candidato à reeleição quase imbatível. “Ex-carlista histórico”, gritam políticos da “esquerda” do PT, a exemplo do deputado federal Zezéu Ribeiro e do líder do partido na Assembléia, Paulo Rangel. E lançam alternativas como Waldir Pires e o deputado, ex-candidato a prefeito de Salvador e secretário estadual Walter Pinheiro.

Zezéu e Rangel podem até “ceder ao consenso” que o governador tenta estabelecer. Mas será que a militância e os simpatizantes do PT vão mesmo votar no “carlista” ou “ex-carlista” César Borges? E se eles tiverem alternativas? Pois vão ter. O deputado federal Edson Duarte é candidato a senador pelo PV da candidata a presidente Marina Silva. E Lídice da Mata, se não lhe for aberto espaço na chapa majoritária (para senadora ou vice-governadora) pode muito bem disputar cadeira de senadora pelo PSB. Enquanto isso, César Borges, se candidato na coligação liderada por Wagner, tende a perder muitos votos da área em que militou na política “desde criancinha”, a área do DEM e adjacências.

Quanto à chapa majoritária liderada por Paulo Souto, tem como uma possibilidade séria a candidatura do senador ACM Júnior, caso César Borges fique com Wagner. Mas, e a outra cadeira de senador na chapa de Souto, quem a disputaria? Mistério, ainda.

Quanto ao ministro Geddel Vieira Lima, a primeira indefinição a ser eliminada é a de o presidente Lula aceitar ou não a indicação do secretário executivo do Ministério da Integração Nacional, João Santana, para sucedê-lo no cargo. Definir isto significará a definição de outras questões, a principal das quais o relacionamento do peemedebista Geddel com a candidatura presidencial de Dilma Rousseff. Geddel, sabe-se, confia em que João Santana o sucederá. Os indícios apontam também para isto. Mas a nomeação será somente no início de abril. Convém lembrar Lavoisier – na natureza tudo se transforma. Um provável candidato ao Senado Geddel já tem, o vice-prefeito de Salvador, Edvaldo Brito. Falta o outro. Lídice não se sensibilizou com o aceno que lhe foi feito.

fev
23

PT: ondas no andar de baixo

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ROSANE SANTANA

O aburguesamento de petistas que ocupam cargos no poder, especialmente de comando, tem gerado insatisfação crescente nas alas mais a esquerda do partido. Alguns xiitas não se acanham em tratar abertamente de temas como corrupção, demonstrando insatisfação com seus lideres, alguns deles citados nominalmente, inclusive na Bahia, a quem acusam de abandonar antigas bandeiras da esquerda, o que não é novidade nenhuma.

Quem imagina que o recente congresso do PT, em Brasilia, foi missa encomendada em que o partido caminharia para um lado e o governo e sua candidata, Dilma Roussef, para outro, pode estar certo em sua avaliação, mas, em parte. Em caso de sérias turbulencias internas na agremiação,com repercussões externas e no governo, Dilma Rousseff, cuja liderança não foi engendrada nos movimentos populares e de massa, mas ungida pelas mãos de Lula, ficaria mais vulnerável as pressões das alas xiitas do partido, depois de eleita, avalia fonte partidária.

Essa insatisfação ja foi captada pelos dirigentes do partido e pela candidata, que se esforçam em fazer propostas mais à esquerda do que tem sido a Era Lula, no futuro programa de governo, de olho no que, no momento, é apenas uma marolinha, mas poderá ser uma onda gigante que se avoluma. Alertam os xiitas.

Em um ano eleitoral a tendencia sera a acomodação das partes, segundo fontes do partido, com o objetivo de eleger Dilma Rousseff para a presidencia e conquistar o maior número de cadeiras na Camara dos Deputados e nas Assembleias Legislativas. Mas, a partir de 2011, a coisa muda de figura e o que pareciam divergencias naturais, a olhares menos atentos, poderá caminhar para um serio rompimento, em uma luta em que as alas mais a esquerda, que se consideram porta-vozes dos movimentos sociais, não deixariam barato.

Se assim for, fica ameacado o projeto de Lula que deseja a permanencia do PT 16 anos na presidência da Republica, com uma provável eleição de Dilma e posterior reeleição. A menos que os companheiros do andar de baixo e mais à esquerda joguem a toalha, o que não parece ser o animo no momento.

Alias, nunca foi.


Rosane Santana é jornalista, mestre em História pela UFBA, acaba de retornar ao País, depois de três anos de estudos na Universidade de Harvard.

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