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DE OLHO NELES

Aurora Vascocelos

“Pense num absurdo. Na Bahia tem precedente”. A frase do governador Octávio Mangabeira já está surrada, porém continua mais atual do que nunca no estado. Desta vez, o absurdo foi a liminar expedida pela juíza Lisbete Maria Almeida, da 7ª Vara da Fazenda Pública, proibindo uma manifestação popular contra a ocupação da Praça de Ondina, que é pública, já OCUPADA pelo Camarote Salvador da empresa Premium Eventos, que tomou toda a área incluindo partes da praia do referido bairro. A juíza proibiu a jornalista Nadja Vladi, uma das líderes do Movimento Desocupa de comparecer ao evento sob pena de pagar multa diária de R$5 mil reais.

Fiquei numa dúvida profunda: porque a desimportância da lei que garente que todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local?

A atitude da juíza desagradou a todos os que prezam a liberdade de expressão e cerca de 400 pessoas compareceram à manifestação para protestar contra a ocupação do local pelo camarote, expandindo o protesto contra o desgoverno municipal e o uso de áreas públicas para a construção dos camarotes, cujos lucros milionários não são revertidos em benefício da cidade. A manifestação foi uma grande festa- com microfone aberto a todos aqueles que quiseram protestar contra os desmandos desta cidade abandonada pelos poderes públicos, como uma vaca da qual tiram todo o leite e deixam na pele e no osso.

A instalação de camarotes na cidade é considerada uma mina de ouro para seus donos. Conforme os sites noticiosos, no do Premium, o camarote em questão da praia de Ondina, a diária mais barata custa R$490 e a mais cara R$ 900. Para quem compra o pacote o custo é menor: o kit masculino para seis dias sai por R$4.980 e o feminino por R$3.690.

Esse lance de proibição das pessoas se manifestarem contra um empreendimento acordado entre empresários e poderes públicos municipais me deixam com a pulga atrás da orelha. Começo a ver as coisas com uma ansiosa antecipação. Não me sai da cabeça o projeto do PT de “redemocratizar a imprensa”, eufemismo usado para controlar a mídia que não dance conforme a música do partido, e até essa tal comissão estadual de regulação da imprensa criada recentemente pelo governo do Estado.

Por outro lado, já se viu que o povo baiano e soteropolitano, em particular, não gostam nada de ser reprimidos nos seus justos direitos. O movimento vai continuar. E os donos de camarote que se preparem. A prefeitura vai ter que provar que esses empreendimentos dão lucro a cidade, informar de quanto foi esse ganho e onde a grana vai ser utilizada.

Um dos discursos do superintendente de Controle e Ordenamento do Uso do Solo (Sucom), Cláudio Silva, responsável pelo acordo com a empresa foi o de que não há o que se discutir porque o contrato trouxe benefícios para a cidade e que aquela era uma área usada inclusive para o tráfico de drogas. As más linguas do facebook e de outras redes insinuam que no quesito das drogas deve mudar apenas a clientela, o preço e a quantidade. Mas, nisso eu não me meto porque não frequento camarotes e nunca vi nada.

Enfim, os donos de camarotes e seus acordados que se segurem. Tudo indica que a partir de agora, o povo vai estar de olho neles. A prefeitura que prepare seus recibos e notas fiscais. Se entra dinheiro nessa ocupação desavergonhada do espaço público de Salvador, a grana tem que ser revertida para a cidade, o que até agora ninguém viu acontecer. O que se vê é a situação de decadência e degradação em que nossa terra se encontra. E isso já passou dos limites há muito tempo.

Aurora Vasconcelos é jornalista. O texto foi escrito especialmente o BP


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Comentário de um ouvinte no You Tube

“Ela é eterna e Sergio Natureza foi? no âmago de todos os enganos …que piano?”

boa tarde!!!

(VHS)


Caetano COM eLIS: “um amor muito pessoal, particular
e cheio de conteúdos peculiares”.
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CONTEÚDO LIVRE – CAETANO VELOSO

GENTE

Ouvi Elis pela primeira vez vendo-a na televisão. Foi em Salvador — e nós, os baianos que chegaram ao eixão na esteira da estreia de Bethânia no Opinião, já tínhamos um esboço de visão da música popular numa perspectiva brasileira. Tive reação semelhante à que muitos tiveram: finalmente uma cantora moderna, em pleno domínio de seus recursos aparecia na cena profissional — e já embalad para alcançar massas de ouvintes. Era indubitavelmente um largo passo dado. Éramos todos, Elis e nós, esforços de criação dentro do universo exigente que foi o imediato pós-bossa nova.

Sempre conto que, na minha imaginação, Bethânia, Gal, Gil e eu faríamos algo marcante. Dos quatro, Gal e eu éramos os mais radicalmente joãogilbertianos. E eu talvez mais do que Gal. Bethânia tinha um temperamento e um talento que a levavam para além das marcas estilísticas do supercool de João. Gil, por ser o que mais era capaz de apreender os acordes e as levadas de violão do mestre, sentia-se livre para cruzar a fronteira. Gal desejava entrar cada vez mais fundo no mundo desdramatizado da bossa pura. Eu, que me julgava um observador útil, capaz apenas de contribuir com acompanhamento crítico e conversas teóricas (o que não me impedia de fazer umas musiquinhas), tinha João como paradigma e, por isso, interessava-me pelo desvelamento do ser da canção como forma. Assim, o canto e violão dele se opunham, dentro de mim, ao samba-jazz dos grupos instrumentais (ou voco-instrumentais) que se desenvolveram no Beco das Garrafas. Elis, cantando na TV, num videotape dos que chegavam de avião às províncias (ainda não havia televisão em rede), era a realização brilhante do estilo que me parecia oposto ao de João.

Mas a evidência de competência, talento e desenvoltura era mais forte do que meus esquemas críticos. O fato bruto de que alguém estivesse dominando divisões complicadas das frases rítmicas e exibindo com espontânea segurança o entendimento de cada notacantada (o modo como ela instintivamente cuidava daafinação) era em si mesmo um acontecimento na cena brasileira, um acontecimento que me obrigava a pôr tudo em novo patamar. Bem, tudo o que eu imaginava par meus três amigos era algo que tivesse esse poder — mas por outras vias, a partir de outros elementos, sempre nascidos da atenção a João. Assim, vi uma tensão natural entre nosso projeto e o acontecimento Elis. Tive quase um sentimento de ciúme. Sobretudo me senti com maiores responsabilidades e excitadopor desafios mais altos.

Nada disso nunca se desmentiu. Depois de Elis, teríamos que fazer algo mais radical. Bethânia esteve sempre fora da questão, já que ela tinha um estilo assombrosamente desenvolvido e totalmente independente da estética da bossa nova. Mas ela mal tinha se decidido pela música: havia sonhado em ser atriz, escrevia e fazia joias de metal. Sua voz e sua intensidade pessoal é que a puxaram para o canto, através do interesse despertado em quem a ouvia. O modo extrovertido, o tom expressionista, que contrastava com a sobriedade da bossa nova, tudo isso ela tinha em comum com Elis. Mas eram figuras opostas. Pôr as duas em comparação, dentro da cabeça, era como contrapor Sarah Vaughan a Edith Piaf. Mas o que acontecia era que, com Elis, eu era levado a pensar assim, em termos mundiais, considerando figuras nascentes de nossa canção com divas do grande mundo.

Bem, o ambiente de criação de música popular no Brasil estava se diversificando. Era a época de Edu — e Nara tinha aberto o leque do repertório, saindo das salas sofisticadas e indo ao morro e ao sertão. Mas, fosse Edu, Nara ou nós, todos parecíamos treinados em ambientes de teatro, cineclubes e diretórios acadêmicos. Elis era uma menina que gostava de Ângela Maria e se tornara um fenômeno infantojuvenil em Porto Alegre. A evidência de seu talento chamou a atenção de produtores que sonharam em fazer dela uma nova versão de Celly Campello, o que resultou em quatro LPs que, depois do estouro de “Arrastão”, foram banidos de sua discografia oficial — não tão diferente assim do que aconteceu com o 78 RPM de João, gravado no início dos anos 50. Seja como for, Elis vinha do mundo da música comercial, enquanto Nara , Edu e nós vínhamos dos ambientes intelectualizados.

O Beco das Garrafas e Armando Pittigliani compuseram a Elis genial que, logo formatada por Solano Ribeiro, veio a ser aquela espantos a explosão de musicianship que eu vi na TV.

Todos os encontros e desencontros que tive com Elis tiveram esse histórico como pano de fundo. Rogério, seu irmão, me deu de presente os quatro LPs pré-“Arrastão”, numa época em que eu, deslumbrado pelo prazer que dava assistir aos shows dessa cantora que nunca estava fora de sintonia com a música, via mais de uma vez seus espetáculos. Desde que voltei de Londres (coincidindo, em parte, com o período em que ela mostrou sua versão do cool), eu via Elis cantar exclusivamente para me sentir bem. Ela influenciou gerações de cantores, lançou multidões de autores, briguei com a “Veja” por causa do modo com essa revista publicou a notícia da sua morte (briga que nunca mais achei jeito de desfazer), e hoje a gente sabe que Björk a admira, que quem entende de música no mundo sabe que ela é uma das maiores que já houve. Ela me escreveu um bilhete pedindo perdão pelo que fez com “Gente”. E saúdo sua memória com um amor muito pessoal, particular e cheio de conteúdos peculiares.


Eliana:atraso não é culpa só da burocracia
/ Foto:Agência Brasil
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DEU NO JORNAL DIGITAL BRASIL247

Esperar décadas pela solução de um processo é algo corriqueiro na Justiça brasileira, conforme evidenciam as dezenas de processos cadastrados no programa Justiça Plena, da Corregedoria Nacional de Justiça. Criado em 2010, o programa acompanha de perto casos de grande repercussão que estão encalhados há anos e tenta neutralizar as barreiras para a decisão final.

“Esses atrasos comprometem a imagem da Justiça no Brasil e no exterior”, atesta a corregedora-geral Eliana Calmon. Ela acredita que é preciso “proteger” determinados processos e garante que muitos casos complexos só começaram a tramitar mais rapidamente depois que a corregedoria mostrou interesse. A solução de vários desses processos também é cobrada pela Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Atualmente, o Justiça Plena tem 70 casos cadastrados – outros três que constavam da lista já foram resolvidos. Um dos processos mais antigos é o caso Paulipetro, que envolve o ex-governador de São Paulo Paulo Maluf. A ação popular, que está em fase de execução, tramita há mais de 30 anos para apontar responsabilidades no consórcio firmado entre o então governador e a Petrobras na tentativa de encontrar petróleo em São Paulo.

O caso Ceci Cunha, referente à chacina que matou a deputada alagoana e seus familiares em 1998, também faz parte do Justiça Plena. O processo foi incluído no programa no início do ano passado, e depois de 13 anos, os acusados finalmente serão julgados pela primeira vez amanhã (16).

Outros casos emblemáticos que compõem o Justiça Plena são a regularização fundiária do Jardim Botânico e do Horto Florestal, no Rio de Janeiro, a apuração de um dos assassinatos supostamente cometidos pelo ex-deputado Hildebrando Paschoal no Piauí, os desvios fraudulentos da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e vários casos de atuação de grupos de extermínio.

Segundo Eliana, o programa evidenciou que os atrasos são parte do sistema jurídico brasileiro e acredita que a grande vilã é a burocracia. “Foi bom até para mim participar disso, pois ficou provado que o processo no Brasil é complicado. Há atrasos tanto no Ministério Público, quanto no juiz de primeira instância, quanto no tribunal. Na hora que vamos apurar as responsabilidades, vemos que ela se dilui”, relata a corregedora.

Ela cita como exemplo de responsabilidade compartilhada o caso Maria da Penha, que virou símbolo da luta contra a violência doméstica. Provocada pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, a corregedora apurou o motivo de a Justiça ter demorado 20 anos para colocar o ex-companheiro da farmacêutica atrás das grades. O relatório mostra que não houve qualquer ilegalidade, apenas a demora no rito processual agravada por uma série de recursos permitidos pela legislação em vigor.
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(Informações da Agência Brasil)

jan
15
Posted on 15-01-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-01-2012

DEU NO IG

Mais dois corpos foram localizados neste domingo (15) no cruzeiro “Costa Concordia”, naufragado nas águas da ilha italiana de Giglio, de acordo com o porta-voz dos bombeiros. Os corpos foram encontrados parcialmente submersos na costa italiana. Com a atualização, subiu para cinco o número de mortos no naufrágio. Ainda não há informações sobre a identidade das vítimas.

Segundo a guarda costeira, os mergulhadores que vasculhavam a embarcação encontraram os dois corpos, de dois homens, presos em um dos pontos de encontro do navio. Três corpos já haviam sido encontrados no sábado – de dois passageiros franceses e um tripulante peruano.

jan
15


No ano da sucessão municipal petistas de Juazeiro
festejam rompimento com prefeito do PC do B
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DEU NO BLOG DO GERALDO JOSÉ ( JUAZEIRO)

Durante reunião na tarde de ontem (14) a maioria dos membros do diretório municipal do PT – Partido dos Trabalhadores em Juazeiro decidiu que a legenda deveria sair do governo do prefeito Isaac Carvalho.

A reunião convocada por um terço dos membros do diretório começou de forma conturbada e foi necessária a presença de uma viatura da polícia militar para garantir a tranquilidade da votação que decidiu pela saída da administração municipal.

Dos 35 membros que compõem o diretório municipal do PT, 22 votaram pela saída do governo. A presidente do partido no município Josimeire Pinheiro afirmou que “a presidência apenas atendeu o chamamento de um terço do diretório e cumpriu a pauta solicitada pelos seus membros de forma democrática. Agora vamos levar a decisão ao conhecimento da direção estadual e nacional do partido”, explicou Josimeire. Sobre os cargos que são ocupados por petistas na gestão Isaac Carvalho, a presidente informou que em breve uma reunião discutirá o assunto.

O vereador Leonardo Bandeira que já fazia oposição ao prefeito Isaac Carvalho esclareceu que agora vai ficar mais a vontade para realizar o seu trabalho na Câmara Municipal. “O PT está apenas endossando o que já pensa a maioria da população juazeirense que não está nada satisfeita com essa desastrada administração. As únicas obras existentes são do governo do estado e do governo federal. O exemplo de abandono desse governo é o bairro de Piranga completamente destruído, sujo e esburacado. Com essa decisão vamos nos reunir com os partidos aliados e começar a trabalhar um novo projeto para Juazeiro”, ressaltou Leonardo.

Sobre a presença da polícia na sede do PT, foram apresentadas duas versões à reportagem do blog: A primeira delas, oriunda da presidente Josimeire Pinheiro, destaca que a PM foi chamada por que os petistas aliados do prefeito Isaac Carvalho estavam impedindo uma diretoriana de entrar na sede do partido para conceder o seu voto.

A segunda versão, que partiu de Josenaldo Cícero (Naldinho do Quidé), Bento e outros membros da legenda, dá conta de que a polícia foi chamada para impedir o acesso dos integrantes do diretório que se posicionavam contrários à saída do governo municipal.

Esta decisão, por certo, acirrará ainda mais a queda de braço existente hoje entre o deputado federal Joseph Bandeira e seus seguidores com o presidente do partido no Estado, Jonas Paulo e membros do partido que ocupam cargos na administração municipal.

http://youtu.be/av9f6PVMKJE
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O domingo começa bem se começa com um samba rock como este, melhor ainda com a interpretação preciosa dos Originais. Confira.

BOA NOITE!!!

(VHS)


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OPINIÃO POLÍTICA

Coisas do Brasil

Ivan de Carvalho

Foi ontem um dia cheio de novidades, tanto relacionadas com o país quanto com o mundo. Daí valer que as primeiras linhas neste espaço se refiram a um fato relativo tanto ao mundo quanto ao Brasil em particular e que, se aqui não entra pela importância, ganha espaço pela surpresa e pelo caráter quase inacreditável do fato.

É que exatamente quando o Brasil alcança a posição de sexta maior economia do planeta, ultrapassando o Reino Unido, Dilma Rousseff quebra a tradição da presença de presidentes brasileiros no Fórum Econômico Mundial, que anualmente, sempre em janeiro, se realiza em Davos, na Suiça, fórum que não é o Clube do Bolinha e no qual têm trânsito livre tanto homens quanto mulheres, melhor dizendo, tanto presidentes quanto presidentas. Lá, pelo menos este tipo de preconceito não há.

A informação é de Mônica Bérgamo, da Folha de S. Paulo, mas o que causa ainda maior surpresa é a revelação, também, da ausência do governador paulista Geraldo Alckmin, que sequer enviará um representante de seu estado. Uma das justificativas entre os alquimistas (ou alckmistas, talvez) para a ausência tanto do governador quanto de um representante paulista é a de que ele quer economizar para o tesouro estadual os custos da viagem.

Ora, já foi o tempo em que o grande presidente Juscelino Kubitscheck dizia que “governar é abrir estradas”. No mundo globalizado de hoje, as estradas já estão aí, segundo as necessidades, por terra, mar e ar. Portanto, “governar é viajar”, frase que o governador Jaques Wagner ainda não disse, talvez para não correr o risco de proclamar o óbvio, talvez porque, no caso, prefere as realizações materiais às imateriais.

Mas tenho a impressão de que o Fórum Econômico Mundial pegou assim uma fama de coisa de rico e a ele vem se antepondo o esmulambado Fórum Social Mundial, invenção marginal (à margem do núcleo, bem entendido) brasileira. O presidente Lula procurava sempre um jeitinho de comparecer aos dois, a um para supostamente projetar o Brasil dentro do Brasil (lá fora, quem ligava?), ao outro para projetar a si mesmo entre os organizadores e participantes.

Para encerrar esse assunto, devo dizer da minha impressão de que, tanto Dilma quanto Alckmin não querem desfilar em Davos porque é o fórum grã-fino e este é um ano de eleições, nas quais mais vale o voto do povão. Economizar as passagens?! Ora, conta uma piada melhor.

Mas fatos que valem piada estão acontecendo mesmo é no Senado. Uma servidora da Secretaria Geral da Mesa usava sandálias (se soubesse onde pisava, usaria botas de cano alto, para se proteger também das cobras) quando foi atacada por um rato. Aconteceu na quarta-feira, ela foi atendida no Serviço Médico e, de licença, está sob observação (não se informou se o rato também está sendo observado, nem se foi capturado, mas pela lógica escapou ileso sem pedir licença).

Foi determinada uma desratização e dedetização nos setores da Secretaria Geral da Mesa Diretora e da Secretaria do Congresso. Esses dois lugares são repletos de documentos e livros e, como se sabe, roedores gostam dessas coisas. Até existem os conhecidos “ratos de livraria”.

Mas há relatos de que os ratos podem ser vistos em outros locais do Senado Federal. E não só ratos compõem a fauna do Senado. Em 2009, o serviço de prevenção de acidentes foi chamado para exterminar uma colméia de abelhas no gabinete do senador Álvaro Dias. Dois funcionários foram picados e saíram idem. A presença de escorpiões é freqüente.

Já foi encontrada uma família de saruês. Eles são uma espécie de gambás. Com aquele poder odorífero avassalador. Um funcionário do Senado considerado sensitivo por alguns colegas comentou, na ocasião, que o mais velho dos saruês emitiu mensagem telepática por ele captada: “Quando todos cheiram mal, ninguém fede”. A frase filosófica, o saruê deve ter encontrado nas proximidades, fuçando em algum livro sobre seu autor, São Bernardo.

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ARTIGO

Polícia e racismo na USP

Vitor Hugo Soares

Mesmo no Alabama da abominável Ku, Klux Klan, nos piores tempos do racismo no século passado e início do atual nos Estados Unidos, imagino que as imagens reveladoras de racismo explícito envolvendo a atuação de policiais da PM paulista, esta semana, na repressão de estudantes no campus da USP – a mais importante universidade pública do País – teriam causado pelo menos duas consequências imediatas: mais incisiva reação factual e opinativa dos meios de comunicação (a chamada grande imprensa em especial) e mais forte e necessária indignação da sociedade.

O pior é que o silêncio ocorre não por falta de informação e provas, como poderiam alegar alguns veículos de imprensa, mas por pura apatia ou inércia. Em alguns casos, infelizmente, por cumplicidade e boa dose de aprovação mesmo do truculento comportamento policial.

Afinal, este episódio de boçalidade e revoltante abuso de autoridade foi fartamente documentado em vídeo dos mais acessados esta semana na Internet no Brasil e em inúmeros países democráticos. Neste último caso, com os inexoráveis arranhões para a “imagem modelar de democracia racial” que o turismo e os governantes gostam de vender lá fora, principalmente em festas de Ano Novo ou tempo de Carnaval.

A realidade é que o gritante atentado dentro da modelar academia de ensino superior na capital paulista – onde estive nestes primeiros dias de 2012 e de onde retornei para a Bahia na terça-feira, um dia depois da divulgação do vídeo e de suas primeiras e frágeis repercussões fora da WEB – tem passado até aqui praticamente ao largo do interesse das pautas de nossos jornais, radios e televisões.

Mesmo em Salvador, de onde agora escrevo estas linhas de protesto, proclamada aos quatros ventos como “A Roma Negra do Brasil”, a repercussão tem sido ínfima. Uma lástima e um retrocesso, tanto no terreno profissional da comunicação, como no campo das liberdades democráticas e dos direitos humanos, o que é mais estranho, grave e preocupante ainda.

O vídeo divulgado no You Tube rola na rede para quem não viu ou tenha curiosidade e interesse de ver.

Ainda assim, façamos uma breve memória do fato (como recomendava o saudoso mestre do jornalismo impresso Juarez Bahia, ex-editor nacional do Jornal do Brasil, oito vezes premiado com o Esso) para que o essencial não se perca e tudo, afinal, não se reduza a retórica inócua diante de um caso grave e que ainda cobra providências severas por parte da PM, dos governantes e, evidentemente, da justiça , diante do atentado condenável a preceito constitucional basilar .

O cenário da agressão policial é um espaço acadêmico no campus da USP, zona oeste de São Paulo. O sargento André Luiz Ferreira, acompanhado do soldado Rafael Ribeiro Fazolin, discute em um círculo de estudantes, professores e servidores da universidade (quase todos brancos, ou quase brancos) sobre uma questão ligada ao DCE. Como seria previsível em “conversa” de estudantes com policiais armados dentro do campus, a discussão fica acalorada e áspera.

De repente, não mais que de repente, o sargento André, uma espécie rechonchuda e equivocada do Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, vivido magistralmente pelo ator baiano Wagner Moura, vira-se para o único negro no grupo, um jovem de cabelo rastafári que participa da reunião na ponta oposta da sala, e pergunta : “Você é aluno desta universidade?”. O rapaz responde afirmativamente. O policial então ordena : ”Mostre a carteira”. O estudante diz: “Tenho minha palavra”.

A reação é suficiente para desencadear toda fúria do PM, que saca da arma no meio do local de discussão. Nicolas Menezes Barreto, estudante de Ciências da Natureza na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, leva tapas e é empurrado para fora, pelo militar, alheio às ponderações e protestos de alunos, professores e servidores da USP presentes. O vídeo divulgado em alguns sites, blogs e na Carta Capital (online) registra todo episódio, inclusive o momento em que o PM aponta a arma para Nicolas. É só conferir.

As providências, até aqui, são as de praxe. Declarações formais do governador Geraldo Alkmin, de São Paulo, de que sua administração não tolera violência policial e atitudes flagrantemente racistas, como as verificadas esta semana no campus da USP; o afastamento preliminar e a promessa de punição dos PMs envolvidos, por parte do comando da corporação; notas de entidades de direitos humanos e raciais e protesto veemente de uma desembargadora paulista.

No mais, uma sindicância de 60 dias – tempo em geral mais que suficiente para esquecer tudo por aqui – foi aberta para apurar o caso.

Resta, talvez, uma esperança ainda para que tudo não resulte em mais impunidade no País: Que a chamada “grande imprensa” saia da passividade diante deste flagrante de racismo, que humilha e enodoa e abra suas pautas para acompanhar as “apurações” e cobrar opinativamente medidas punitivas indispensáveis e urgentes.

Mas, neste terreno, tudo por aqui fica cada dia mais parecido com as palavras de Ernst Junger em “La tijera”, publicadas na coletânea de textos do livro “Contra La prensa”, recentemente publicado na Argentina:

“Há uma claridade difusa que não deixa ver bem as coisas. A luz não deve chegar a ser demasiado intensa. No campo que rodeia a morte se infiltra também o silêncio; se torna mais profundo, chega a não ter fundo”.

Profundas e verdadeiras palavras que, diante deste caso na Universidade de São Paulo, merecem toda a reflexão dos que verdadeiramente apostam e acreditam na democracia além da retórica.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

jan
13
Posted on 13-01-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 13-01-2012

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ARTIGO

A MULHER SEM CULPA

Maria Aparecida Torneros

Em cada cultura, em cada época ou era, a figura feminina tem passado por poucas e boas, melhor dizendo , muitas e más pressões de seu tempo. Religiões, moral, cobranças, modelos, medos, submissões, dependências, estereótipos, espaços a preencher com imagens físicas e mentais, medidas a serem conquistadas com dietas, pedaços de pele e carne a serem consumidos pelo fútil prazer de serem aceitas por alguém ou pela sociedade em geral, onde estiverem, estão ou estiveram inseridas.

Mulheres sem culpa, será que existem, existiram ou existirão aos bocados, pilhas delas, por aí, na história?
Talvez, uma Joana D’arc, uma Maria Madalena, uma médica que trabalhe no grupo Médico sem Fronteiras, uma dirigente que não acionou a bomba atômica, uma escritora que disseminou sem pestanejar o direito feminino de ser ela mesma, como fez Simone de Beauvoir , por exemplo.

Sem arrependimentos, sem medos passados , presentes ou futuros, que mulheres cultivam a chance de serem realmente livres dentro de si mesmas, lutadoras, bravas, consumidoras da própria essência, mãe amorosa e dura de filhos que ela cria para o mundo tão duro quanto? Poucas, algumas, quase todas, aquelas privilegiadas, as que acreditam em si mesmas, as que enfrentam sem pensar os obstáculos e vão em frente?

A canção de Piaf, interpretada por Cassia Eller me fez pensar na corregedora Eliana Calmon. Calma, minha gente, que a corregedora está no lugar certo e na hora certa, ela corrige, ora, é seu dever de ofício, sem culpa, com dignidade e coragem. Um atributo ora feminino, quem diria…

Em artigo de Ivan de Carvalho, destaco trecho que a mim tocou profundamente: ” Nos próximos oito meses há uma grande possibilidade de lances emocionantes na luta entre as duas partes da magistratura, a que quer um Conselho Nacional de Justiça exercendo uma fiscalização eficaz do aparelho judiciário do país e a que quer tornar essa fiscalização esquálida, frágil, quase imprestável. O prazo de oito meses diz respeito ao tempo que resta de mandato à atual corregedora nacional de Justiça, a ministra baiana Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça. Terminará no início de setembro seu movimentado mandato no cargo que ocupa no CNJ, quando os até previsíveis (por corporativos) ataques judiciais e extrajudiciais de setores da magistratura às suas ações e procedimentos levou-a a confrontar esses setores. E, para usar expressão bem popular, botou a boca no mundo. Entre outras coisas, disse que há “um gravíssimo problema” de “bandidos escondidos atrás da toga”.

Que mulher não conhece, nas entranhas e nas fases da lua, prazos como este, de 7, 8 ou 9 meses, justo período para nascer vida nova, parir filhos e mudar o mundo.

Cada vez que penso numa mulher como Piaf, Cassia, Eliana, e tantas outras, do porte de quem se entrega às causas da sua vida e de outras que delas dependem, seja sob o ponto de vista da sensibilidade, da emoão, da razão ou da justiça, lembro mesmo é que é preciso dar um viva às femeas que realizam e não se arrependem, pois vão na direção dos seus propósitos e se baseiam nas suas livres consciências, sem se importar para fogueiras de bruxas, serpentes de traições ou armadilhas de amores mentirosos, elas seguem em frente e vão.

Sem se arrependerem de nada, recomeçam do zero, todos os dias, antes, durante, e depois das próprias vidas, através da reflexão que nos legam e dos exemplos que nos deixam, não se furtam ao toque ameaçador de inimigos públicos ou recônditos, nem à manobra de velhos articuladores que as sociedades fabricam e alimentam no seio de falsos pudores, podres poderes, hipocresias camufladas ou de verdades mascaradas, elas, mais do que tudo, dão a volta nas pedras do caminho e enfrentam seus perigos, arriscam-se nas quedas, aceitam ajuda se preciso for, ou, quando são abatidas, levam consigo o dom de renascerem, em muitas novas Elianas, Edites, Cassias, Joanas, Simones, Marias, Madalenas, Ritas, que cantam… por isso não provoque… ou que entoam juntas..não, eu não me arrependo de nada..


Cida Torneros é jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária

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