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30
Posted on 30-10-2009
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 30-10-2009

Nos comícios do tupamaro Mujica…
festpolitica
…e do liberal Lacalle: festa democrática
Lacalle
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ARTIGO DA SEMANA

NA BAHIA DE OLHO NO URUGUAI

Vitor Hugo Soares

Dos lugares por onde já passei no mundo, um dos que mais gosto fica bem ali, minúsculo geograficamente mas imponente em sua presença marcante na história política e social da América do Sul. Sim, estou falando do Uruguai, que chamo sempre pelo nome completo – República Oriental do Uruguai. Assim como seus cidadãos de origem o fazem, com o justo orgulho cívico desta gente firme e participativa, principalmente em tempos de campanhas políticas como agora, quando se decide a escolha do sucessor do presidente Tabaré Vasquez.

Sejam partidários da Frente Ampla, de esquerda, do candidato José Mujica (ex-tupamaro amigo pessoal de Lula); sejam os adeptos do Partido Nacional, do liberal Luis Lacalle (admirador de FHC ), dá gosto ver a intensidade dos comícios e a maciça presença popular nas urnas. Assim, recomendo a quem gosta do bom combate político e debate de programas e ideias, dar uma olhada mais atenta na casa do vizinho a partir deste fim de semana, quando recomeçam os eletrizantes comícios da fase decisiva.

No primeiro turno o Uruguai já foi uma festa democrática de dar inveja, como sempre. O índice de comparecimento às urnas beirou os 90% do eleitorado apto a votar. Fato digno de admiração até mesmo naqueles países tidos como os mais civilizados e democráticos do planeta. Os Estados Unidos ou a França, inclusive.

Para muita gente, no entanto, aquele bravo pedaço do continente não passa de um prosaico balneário para repouso e lazer de aposentadas celebridades de Hollywood, com palacetes construídos em Punta Del Este. Ou belo recanto de novos ricos paulistas, gregos e baianos que ultimamente se esbaldam entre Montevidéu e Punta Del Este. Há ainda também quem veja o país como mais um desses paraísos fiscais espalhados pelo planeta. Lugar onde governantes, políticos e empresários corruptos costumam esconder do Fisco e das CPIs suas fortunas construídas da noite para o dia nas estranhas transações realizadas em seus respectivos e assaltados países.

“Venho de longe, sempre escutando isso”, dizia o ex-governador Leonel Brizola, que conheci pessoalmente por lá em uma das fases de seu longo e sempre polêmico exílio e retorno, como mais uma vez se verá no livro de memórias que o jornalista baiano Sebastião Nery irá lançar em Recife, na festa de aniversário do histórico Diário de Pernambuco, mês que vem.

O Uruguai acolheu brasileiros notáveis no começo de seus exílios: Jango (que morreu sem conseguir retornar), Brizola, Darcy Ribeiro e Waldir Pires. Lá convivi com outras figuras expulsas daqui e acolhidas do outro lado da fronteira. Foi através de algumas delas que aprendi a gostar de Montevidéu, batendo pernas nas Ramblas de Pocitos, freqüentando o Café Copacabana, no Centro Histórico, os restaurantes populares de assados imbatíveis, ou os bares dos hotéis da Calle Yi, ou Calle Cuaréim.

Papos intermináveis que abarcavam o Uruguai, o Brasil, o mundo. Conversas de política, de saudades ou de conspirações fracassadas. Ali, em períodos diversos, testemunhei fatos – como a chegada da ditadura nas “orillas” do Rio da Prata e a feroz Operação Condor – e aprendi história com uma das figuras mais dignas e generosas que já conheci: o coronel Dagoberto Rodrigues, diretor geral dos Correios na época do golpe contra o governo de Jango. O homem digno e corajoso que botou o poderoso Henry Kissinger para fora de seu gabinete, em Brasília, no governo JK, quando o americano insinuou negociata em nome de empresa americana no setor da telefonia, no período da construção de Brasília.

Mas é preciso citar dados sobre o Uruguai de hoje, às vésperas da escolha de seu novo presidente. Mesmo distante de sua fase de Suíça do continente, consegue ainda exibir índices de dar inveja em muita gente. Por exemplo: uma renda per capita anual de 7.090 dólares americanos, uma das maiores do mundo, ao lado de uma das menores taxas de pobreza da América Latina. O índice de analfabetismo também é dos mais baixos do continente, perto de zero.

Tem mais: com população de 3,3 milhões de habitantes, o país é pioneiro na América do Sul na adoção de políticas sociais e foi o primeiro da região a criar um sistema de previdência. Além de seu elevado Índice de Desenvolvimento Humano frente aos demais países do continente, o Uruguai também é um modelo no setor de assistência aos idosos, que formam parte significativa da população. Sobre isso, lembro um episódio emblemático para terminar.

No exílio, o jornalista alagoano Paulo Cavalcante Valente teve problemas de saúde e precisou ser submetido a uma cirurgia urgente e delicada. Foi internado em um hospital público de Montevidéu. De passagem pela cidade, fui com Margarida visita-lo ainda internado mas às vésperas de ter alta, firme e forte outra vez. Ouvi então depoimento insuspeito:

“Baiano, embora internado como quase indigente, aqui recebi um tratamento de magnata. Equipe de cirurgiões de primeira linha, medicamentos a tempo e a hora de graça, sem falar nessas enfermeiras daqui que nunca vi igual. Até talquinho em minhas costas elas passam toda hora, para não sentir incômodo por ficar deitado tanto tempo. Já pensastes?”, perguntava Valente, sem perder o sotaque nordestino, mesmo depois de quase 20 anos de exílio em terras castelhanas, ante de poder voltar ao Rio.

Qualquer que seja o resultado, com o tupamaro Mujica ou o liberal-conservador Lacalle no poder, espero rever em breve a querida, culta e sempre generosa Montevidéu. “Já pensastes?”.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

out
30
Posted on 30-10-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 30-10-2009

Em noite de insônia à véspera do feriadão brasileiro, como ele próprio assinala por e-mail ao editor, o jornalista Patrick Brock produziu o segundo e excelente artigo para o Bahia em Pauta. Desta vez mexe com economia, uma de suas especialidades no jornalismo, com texto de gente grande e refinado humor baiano misturado com sangue anglo-saxônico, ou vice-versa. Fala dos medos americanos pós-crise das moradias e diante de outra que parece próxima, às vésperas do Halloween, “festival de origem pagã em que os americanos tentam exorcizar seus temores”. Um primor, de texto e de análise. Confira(VHS)

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>maodollar.
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ARTIGO / AMERICANOS

O declínio do dólar e o sorriso de Mao

Patrick Brock, de Nova Iorque

Um dos filmes assistidos nos EUA ultimamente se chama “Atividade Paranormal”. Produzido em 2007, conta a história de um casal que se muda para uma casa nos subúrbios de San Diego, na Califórnia, um dos estados que mais simbolizaram o sonho americano de prosperidade material. A esposa se diz perseguida desde pequena por uma entidade e logo depois da mudança coisas estranham começam a acontecer. O marido faz pouco do terror dela, mas os dois acabam chamando um especialista em demônios para estudar a casa. Há um espírito maligno que se alimenta de energia negativa na casa, diz o homem. No estilo falso-documentário de “A Bruxa de Blair”, o filme custou apenas US$ 15.000 e já rendeu mais de US$ 60 milhões à Paramount, subsidiária do conglomerado americano Viacom, também dono da rede de televisão CBS.

Além da conveniente proximidade com o Halloween, festival de origem pagã em que os americanos tentam exorcizar seus inúmeros medos, o sucesso do filme parece ecoar também o trauma nacional da recente crise imobiliária. Estimulado por incentivos tributários para os interessados na compra da primeira casa própria, e também pela magnitude do declínio no próprio valor dos imóveis, o mercado imobiliário voltou a dar sinais de vida, com leve alta no valor médio das residências.

Em vez de enfrentarem o terror em suas próprias casas, os americanos podem se dar ao luxo de ver seus medos refletidos metaforicamente no casal cujo sonho de prosperidade é transformado em pesadelo. Enquanto isso, já se avizinha uma nova crise, desta vez com os imóveis comerciais, muitos deles vitimados pelas falências de empresas e surgimento de shoppings fantasmagoricamente vazios.

Desde a Grande Depressão, nos anos 30, os americanos viveram um grande período de expansão econômica irregular, mas impressionante. Mesmo com as esporádicas recessões, o padrão de vida da população continua refletindo sua renda per capita de US$ 40.000, a sexta maior do mundo. Homens como Warren Buffett, o presidente do conglomerado Berkshire Hathaway, fizeram fortunas durante esse período. Para o americano médio, essa pujança se traduziu em fácil acesso a credito, carros e casas espantosamente grandes e baixo desemprego.

Mas agora a situação mudou e o desemprego está perto de 10%. Se estudarem os efeitos negativos da globalização na economia americana, talvez os manifestantes que costumam inundar as ruas contra o imperialismo ianque aplaudissem seus efeitos niveladores sobre a economia mundial.

Cada vez menos industrializados, os EUA cedem à China o papel de fábrica do mundo e se transformam numa economia predominantemente de serviços; nesse meio tempo, os salários foram pressionados pela concorrência em nível mundial, tornando difícil sobreviver com os empregos que antes permitiam um padrão de vida confortável. Os pais estão assistindo ao mundo em que cresceram desmoronar com o desemprego dos filhos recém-formados nas faculdades, que cobram preços exorbitantes mas não servem mais para garantir o emprego. Antes forte, a moeda nacional é corroída cada vez mais pela inflação.

Sessenta e quatro anos atrás, os EUA emergiram vitoriosos do maior conflito militar da humanidade. Na cidadezinha de Bretton Woods, no Estado de New Hampshire, ditaram o modelo econômico do pós-guerra. Desde então, o combalido dólar ainda reina absoluto. É a moeda número um dos mercados de câmbio de Mogadisu a Londres. O governo americano sabe disso e tem aproveitado o peso das verdinhas para operar em US$ 1,3 trilhão no vermelho e sem qualquer lastro físico desde os anos 70, quando Richard Nixon acabou com o padrão ouro. Diferentemente do império britânico, a “paz americana” usou o poder do capital, das ideias, das armas e principalmente da moeda para se manter por cima da carne seca.

No fim do século 19, se popularizavam no Reino Unido os romances de invasão, como Drácula (1897), do irlandês Bram Stoker, em que uma estrangeiro sinistro se dirige a Londres para sugar na fonte o sangue da civilização mais próspera de então. Esse e outros livros refletiam o temor dos britânicos de que se avizinhava a decadência de sua dominância. Cinquenta anos depois, com o império dissolvido e o país devastado pela Segunda Guerra, o Reino Unido teve que pedir um empréstimo camarada de US$ 45 bilhões da ex-colônia para se reconstruir. Só terminou de pagá-lo em 2006. Hoje em dia a China é que assumiu o papel dos EUA nessa equação – segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, a República Popular da China é maior detentora de títulos do Tesouro, com US$ 800 bilhões em agosto. Até o Brasil está nessa brincadeira: é o sexto maior detentor de Treasuries no mundo, com US$ 137 bilhões.

Continuam as reuniões, mas diferentemente de Bretton Woods, não surgem soluções; no máximo algum líder mundial pede a fundação de uma nova ordem. Mas essa ordem ainda não apareceu em definitivo; o sistema de bancos centrais iniciado após a Grande Depressão parece ter freado o ímpeto devastador da crise. Talvez a solução surja de um camponês da China que abandona a fome do povoado e, tal qual retirante, vai buscar um emprego nas fábricas do litoral. Ou talvez de uma vila africana, como Wangari Maathai, queniana ganhadora do Nobel da Paz de 2004 que inspirou um movimento responsável por plantar mais de 20 milhões de árvores.

O total de reservas chinesas em Treasuries aumentou quase US$ 230 bilhões desde agosto do ano passado. Até agora no ano, a China já cresceu 7,7%. Na nota de 100 iuanes, Mao até parece sorrir.
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Links:

Reino Unido quita dívida da Segunda Guerra com os EUA:
http://www.independent.co.uk/news/business/news/britain-pays-off-final-instalment-of-us-loan–after-61-years-430118.html

Maiores detentores de títulos do Tesouro, segundo dados do governo americano:
http://www.treas.gov/tic/mfh.txt

China ultrapassa o Japão em investimento nos Treasuries:
http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2008/11/18/AR2008111803558.html

Biografia de Wangari Maathai, no site do Prêmio Nobel:

http://nobelprize.org/nobel_prizes/peace/laureates/2004/maathai-bio.html

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Patrick Brock é jornalista, tradutor e faz mestrado na universidade de Nova York

out
30

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CRÔNICA / MONUMENTO

BROCHE NELES!

Gilson Nogueira

Uma réplica da imagem do Cristo Redentor forma o broche da campanha “Eu Sou de Cristo” que a Igreja lançou terça-feira (27), no Alto do Corcovado, visando arrecadar dinheiro para a manutenção do monumento que está necessitando de reforma na sua estrutura interna e no seu revestimento externo.

Os entendidos dizem que o Cristo sofre com os desgastes do tempo e com fenômenos climáticos, como ventos, chuvas, raios, e a incidência do sol. A Igreja venderá o broche, a R$ 7,00 nas 252 paróquias da Arquidiocese do Rio. Bela iniciativa, para recuperar a imagem, eleita, há dois anos, uma das sete maravilhas do mundo moderno e que, segundo versão atualizada do Guinness World Records, é a maior estátua de Jesus Cristo no mundo.

Com a eleição da capital do Estado do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2016, um dos mais notáveis cartões-postais do país jamais necessitou tanto de cuidados especiais, como esses que, a partir de agora, serão tomados, pela Igreja. Resta, contudo, rezar, a fim de que a venda dos broches renda a importância capaz de garantir a manutenção do Cristo.

Ah, ia esquecendo da pergunta que não quer calar! Quantos broches da campanha os governos municipal, estadual e federal pretendem adquirir? Respostas para o Bahia em Pauta. Obrigado.

Gilson Nogueira, jornalista ( Direto de Botafogo, no Rio de Janeiro)

out
28
Posted on 28-10-2009
Filed Under (Aparecida, Artigos) by vitor on 28-10-2009

Búzios: presença de BB
Buzios
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CRÔNICA / LUGARES

BÚZIOS…OUTUBRO, 2009

Aparecida Torneros

Uma brisa sopra, a água tá morna, Geribá espreita os turistas e as minhocas da terra se dissolvem em cânticos de bel prazer. Estou, mais uma vez, agradeço aos Deuses, em Búzios, na casa da minha amiga-irmã, Cristina Márcia, a CM, uma criaturinha do Bem, de muito encantamento e que a mim passa ternura sempre. Pois nesse recanto abençoado , de natureza exuberante, ponto turístico internacional, vivendo à sombra de uma Brigitte Bardot que por aqui passou no auge da fama e transformou esse lugar em point para os prazeres da vida de todos nós. Vila de pescadores, balneário de crescimento mal controlado, berço de um mar azul esverdeado, adensadamente aconchegante, a paz vem me encontrar no fim de tarde, olho os barcos, tomo um chope avistando , desde o restaurante, os transatlânticos que trazem sonhadores para um encontro com suas verdades e magias interiores.

Um canto de voz argentina, o cd desliza com a arte de uma jovem Mercedes ( faz-me lembrar da grande Sosa) que por cá passou, deixando a gravação que a Cris comprou para relembrá-la, tem uma voz que me lembra Nara Leão, canta bossa nova com sotaque portenho, demonstra sensibilidade naturalmente surgida em tempo de sentimentos aflorados, coisa que em Búzios, é mesmo tão forte e comum.

Não fujo à regra, deixo-me dominar por este estado latente de viver a vida com paz, harmonia, felicidade, alegria, encantamento e crença no amanhã. Pouco importa, se Búzios está na novela das oito ou nove, que a exporta para o mundo, pouco se me dá, pois o muito já o tenho agora, entre as lufadas de vento marinho e com tanto brilho de um sol dadivoso a me queimar a pele necessitada de carinho intenso, de um tipo de chamego especial, aquele que o amor proporciona, em dose tripla, em porções generosas, quando se tem a certeza do quanto é possível e necessário conviver e respeitar a natureza em festa onipresente.

Melhor que tudo isso é refletir na grandeza de possibilidades que há em ser conivente com a sobrevivência de tal paraíso, com a responsabilidade de preservar este tesouro, salvaguardar seu conteúdo, legá-lo ás próximas gerações. Ainda bem que há movimentos de pessoas atentas a esse caminho que podem fiscalizar o cumprimento das leis e lutar pelos direitos da natureza, ainda bem!

Volto os ouvidos aos sons que me chegam das praias repletas, e o barulho das ondas é plácido, permissivo, um convite ao sabor de novos arremedos e paixões. Queria o meu amor aqui, hoje, para que ele pudesse sentir o que sinto, e partilhasse, agora , deste paraíso comigo. Um dia, quem sabe, o trago e mostro tudo, ou melhor, não mostro nada, deixo apenas que ele descubra o que já descobri, ou talvez, um pouco mais, por
que sei que ele merece e é capaz.

Que tal passar o dia em Geribá, almoçar um dourado arretado de bom no Pit Bone, na companhia da Cris, da Vaninha e com a visita do amigo Carlos. Depois, vamos tomar um sorvete na rua das Pedras?
Dá pra esticar no Shami Chou, e encarar um crepe, que delícia, talvez passar em casa e descansar um pouco antes, com a classe de quem pode sair lá pelas 10 da noite e ir comprar um chapéu, com a Marli da Boutique, enquanto se ouve o rock pauleira que alguém apresenta no barzinho apinhado. A noite tá só começando, Búzios ferve no fim de semana, amanhã tem mais, a gente acorda e vai pra João Fernandes, aquele lugarzinho tão especial cercado de verde, com água deliciosa, repleto de hermanos argentinos, e o sol é um presente que nos enfeita as almas. É quase verão, mas ainda é outubro, 2009…

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro. É editora do Blog da Mulher Necessária, onde o texto foi publicado originalmente) (http://blogdamulhernecessaria.blogspot.com)

out
28
Posted on 28-10-2009
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 28-10-2009

Guiomar Mendes (e esposo): aposentadoria e novo emprego…
guiomar
…no escritório de Sergio Bermudes
bermudes
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A antenada jornalista da Folha de S. Paulo, Mônica Bergamo, informou na sua coluna de ontem, 27 de outubro, que a mulher do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, Guiomar Feitosa Mendes, vai trabalhar como “gestora na área jurídica do escritório do advogado Sergio Bermudes, no Rio de Janeiro”. A senhora Mendes vai se aposentar, ela deixa o STF depois de 32 anos de serviços prestados ao órgão.

Diz-se, comumente, que brasileiro é gente de memória curta. Assim, nunca é demais lembrar: o advogado Sergio Bermudes é um dos advogados, entre uma legião de causídicos de primeira linha, que trabalham para Daniel Dantas!

E por falar em lembranças e saudades: onde anda o Conselho Nacional de Justiça, presidido pelo presidente do STF? E a OAB? Entre outros, que não se pronunciam ante tamanha aberração? E quando os processos de Daniel Dantas chegarem ao STF, será que o magistrado supremo vai se declarar impedido de apreciar porque sua esposa trabalha para o defensor do dono de Oportunity?

São algumas indagações, apenas, que ficam no ar depois da leitura da nota de Monica. No mais, é recordar o saudosíssimo Renato Russo e sua pergunta sempre pertinente:

” Que país é este?”

(Postado por Vitor Hugo Soares )

out
27

Histórias das canções de Chico…
Lichico
… como Beatriz(cantada por Milton Nascimento)

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LANÇAMENTO / LIVRO

Maria Olívia

Histórias de canções – Chico Buarque, de Wagner Homem, conta histórias que estão por trás das letras e músicas deste moço, torcedor do Fluminense e um dos maiores, senão o maior, representantes da música popular brasileira. Um bálsamo para nossas almas e para a legião de fãs e admiradores de Chico, o livro relata as circunstâncias em que foram compostas muitas pérolas da nossa MPB. O autor, Wagner Homem, é amigo pessoal de Chico Buarque e curador da sua página na Internet (www.chicobuarque.com.br). O livro tem 356 páginas, custa R$ 44,90 e saiu pela Editora portuguesa Leya, que acaba de chegar ao Brasil. Abaixo, acompanhe apresentação da obra, recolhida no site www.historiasdecancoes.com.br. e corra às livrarias. Boa leitura.

As histórias relacionadas às circunstâncias em que são compostas as canções sempre despertam muita curiosidade. O cantor e compositor Toquinho afirma que, durante seus shows, esses fatos chegam a fazer mais sucesso do que a própria música. Às vezes, por falta de informação, o próprio povo cria sua interpretação, que nem sempre corresponde aos fatos.

Quem não gostaria de saber pra quem foi feita esta ou aquela canção, quem é a filha dos versos “você não gosta de mim, mas sua filha gosta” ou ainda o “você” de “Apesar de você”? Ou quem são “Carolina”, “Januária”, a “Morena dos Olhos d’água”, “Beatriz” e outras tantas? Como eram as relações do letrista Chico Buarque com parceiros como Vinícius de Moraes e Tom Jobim que tiveram importância fundamental na sua carreira?

Foi pensando nisso que Wagner Homem, curador do site oficial de Chico Buarque, selecionou uma centena de histórias relacionadas às suas composições.

Engraçadas, tristes, reveladoras ou simplesmente curiosas, essas histórias descortinam o universo em que as canções aparecem e os fatos que a elas se ligam.

Num texto enxuto o leitor poderá conhecer não apenas as histórias por trás das canções, mas também (embora não seja o objetivo principal da obra) um pouco da história recente do Brasil e da personalidade, processo criativo e hábitos dos personagens envolvidos.

Maria Olívia é jornalista

out
25

Michelini: Argentina condena seu algoz
Michelini
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OPINIÃO / DIREITOS HUMANOS

O advogado Inácio Gomes, referência na defesa democrática e dos direitos humanos na Bahia, enviou e-mail para o editor do Bahia em Pauta. Pela atualidade da informação e pela qualidade do conteúdo da análise, este site-blog reproduz na íntegra o texto de Inácio.
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INÁCIO GOMES

“Hoje, dia 25/10, a Tarde em sua pagina B8, publica noticia que entendo merece sua atenção. Resumindo:
Foi julgado pela justiça militar o general reformado Jorge Oliveira Róvera acusado do assassinato do ex-senador Zelmar Michelini, um dos fundadores da coalizão de esquerda Frente Ampla que hoje governa o Uruguai.

O general, 82 anos, era acusado de quatrio homicidios e 107 sequestros e desaparecimentos, entre eles, o do escritor rgentino Harldo Conti e dos cidadãos uruguaios Rosario Barreto e William Whiteaw. Ao final do julgamento foi condenado á prisão perpetua.

Enquanto isto, no Brasil, torturador é anistiado; eleito senador; deputado federal e ocupam importantes cargos na administração publica. Em futebol podemos ser melhores do que a Argentina. Na defesa dos direitos humanos e condenação dos que os desrespeitaram Maradona comanda um que , á todo instante, nos derrota por 10 a 0.

out
24
Posted on 24-10-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 24-10-2009

Aecio Neves: bem na foto
ANeves
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ARTIGO / POLÍTICA

A CHAPA DOS SONHOS

Ivan de Carvalhos

Perto de completar três dos quatro anos de seu segundo mandato como governador de Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral e a terceira maior economia do país, o tucano Aécio Neves tem muita vontade de ser candidato a presidente para suceder a Lula. E está trabalhando duro para isto.
O início desta semana registrou uma ação sua e outra que o beneficia. A dele foi defender, inclusive junto ao seu concorrente a candidato a presidente da República dentro do PSDB, o governador paulista José Serra, uma decisão sobre quem será o candidato tucano até janeiro.
Isto daria a Aécio Neves mais tempo, e ele precisa muito disso, para trabalhar junto ao eleitorado em geral e a diversos segmentos da sociedade a sua candidatura, pois seus índices de popularidade ainda são muito modestos. Aécio precisa desesperadamente de exposição e ela viria, não com a tese que chegou a lançar, de realização das prévias, mas com uma decisão que o faça o candidato da oposição.
A iniciativa do governador mineiro de cobrar para janeiro a decisão sobre o candidato do PSDB e seus aliados a presidente também é um esforço para embaraçar a estratégia do governador paulista José Serra, que trabalha para retardar a decisão, que se for tomada em março ainda lhe parecerá precoce, mesmo que admita isto.
Uma outra iniciativa, não de Aécio, mas em seu favor, também acaba de ocorrer. O mineiro considerou “enorme estímulo” a manifestação majoritária de preferência por seu nome das bancadas do Democratas na Câmara dos Deputados e no Senado e interpretou o fato como “uma demonstração clara de que não há decisão tomada e há espaço para nós criarmos um projeto que eu chamaria de mais convergente”.
Quem não tem cão caça com gato. A iniciativa de Aécio de tentar abreviar a escolha do candidato e a manifestação de parte dos congressistas do DEM em seu favor mal conseguem responder a uma pesquisa eleitoral encomendada pelo PSDB, na qual Serra – como em todas as outras, com a alta exposição que já teve e continua tendo nacionalmente em sua vida pública – aparece muito bem na foto. E excepcionalmente em cenário no qual Aécio é proposto como candidato a vice na “chapa dos sonhos”, que une como ponto de partido o PSDB, os dois maiores colégios eleitorais do país e as primeira e terceira economias, além de ter a aprovação do DEM, que renuncia alegremente, em nome do aumento das chances de vitória, ao “direito” de indicar o candidato a vice, com as devidas compensações, naturalmente.
Um experiente e bem informado político, muito bem colocado para analisar este processo, reconhece que Aécio quer ser o candidato da oposição a presidente, mas admite que a escolha acabará recaindo sobre Serra. E que Aécio não escolherá alternativas como a de candidato a senador, mas cederá às pressões de Minas Gerais – e, por que não, do PSDB? – para integrar a chapa de Serra como candidato a vice. Tudo muito bem conversado, claro, que mineiro não é bobo. Muito menos quando é neto de Tancredo Neves.

out
23
Posted on 23-10-2009
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 23-10-2009

Glória Pires é dona Lindu no cinema
GPires
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ARTIGO DA SEMANA

Lula, o filme: a campanha está na tela

Vitor Hugo Soares

Está prontinho da silva o que deverá ser uma das pedras de toque da campanha presidencial de 2010. Falo do filme “Lula, o filho do Brasil”, que abrirá o 42º Festival de Cinema de Brasília, mês que vem. Em janeiro de 2010 entrará no circuito das casas exibidora do país, a superprodução dirigida por Fabio “Quatrilho” Barreto.

Um “trailer oficial”, porém, já está disponibilizado pelo You Tube e começa a invadir sites, blogs e portais da Web. Um aperitivo e tanto para a grita e polêmica que seguramente virão ainda antes do longa metragem chegar à telona e às telinhas.

A oposição, aparentemente, ainda não teve tempo de dar uma olhada no trailer. Perde tempo, mais uma vez. Demora a perceber que o estrago que a “odisséia” filmada de Lula irá provocar nos planos do PSDB, DEM e aliados de emplacar o sucessor do atual ocupante do Palácio do Planalto, deverá ser maior que o causado pelo recente périplo presidencial ao longo de três estados (MG, BA, PE), através das barrancas do Velho Chico.

Passei parte da infância em uma cidadezinha baiana na região do chamado Polígono da Seca no Nordeste, de nome Macururé. Por dentro da cidade passava a rodovia Transnordestina, coalhada nos anos 50 (da minha meninice) de caminhões paus-de-arara, que paravam nas pensões da beira da estrada do lugar, antes de seguir a longa travessia até São Paulo.

O lugar era então passagem obrigatória das multidões pobres e famintas que migravam em ondas humanas do Nordeste para Sul. Eram como páginas vivas no Brasil dos tempos amargos da depressão nos Estados Unidos, que John Steinbeck descreve de forma tão pungente no romance “Vinhas da Ira”, transposto para a tela no magistral e premiado filme de John Ford.

É verdade que – sem demérito para o diretor brasileiro – há uma larga distância entre Ford e Barreto. Mas, ainda assim, imagino o impacto que as cenas do enredo e as imagens de “Lula, o filho do Brasil” irão causar em Macururé quando por lá for exibido o filme, em pleno período da campanha eleitoral de 2010. Nenhum comício político, por maior que seja, terá a mesma força e apelo popular.

O problema, dirão alguns, será transformar a emoção da tela em voto em quem Lula indicar na campanha. Mas isso é outra história.”E cada coisa a seu tempo’, dirão os marqueteiros e responsáveis pela campanha.

Até onde estou informado, o desejo dos produtores (e da turma do governo) é que o filme passe não apenas nas cidades nordestinas de onde saíam ou por onde passavam os paus-de-arara levando gente fugida da seca para o Sul. O filme, por iniciativa dos seus realizadores – com uma mãozinha de políticos e candidatos oficiais – deverá ter exibição pública em cada praça de cidades de todas as regiões, mesmo naquelas onde não existe uma sala exibidora sequer.

Há quem diga que até o ministério da Cultura participará do esforço de disseminação do filme país afora. Algo ainda a conferir depois de janeiro, pois tudo pode não passar de “esperneio de gente dos tucanos e do DEM”, como “o povo do governo” diz na Bahia.

O trailer disponibilizado no You Tube é longo e detalhado. “Quase o resumo do filme inteiro”, como registra um expectador na área de comentários do portal de vídeos. As cenas mais fortes e emblemáticas constam praticamente todas neste resumo: o nascimento do menino saído de parto com dor do ventre de dona Lindu (Glória Pires), matriarca da família Silva. Esta, ameaçada de surra no meio da rua pelo pai beberrão e dominador, enquanto se agarra com o filho Luis, que o marido quer à força mandar para trabalhar na roça antes da escola. A reação (também pública) do filho diante da tentativa do pai bater na mãe.

Em seguida, a fuga da família na carroceria do caminhão, enquanto dona Lindu grita para o filho: “Se segura, Luís!”. E vem São Paulo e as primeiras perdas: a cena no hospital público onde o médico lhe comunica a perda ao mesmo tempo do primeiro filho e da primeira mulher. Depois a perda do dedo no torno da siderúrgica, mas também as primeiras conquistas nas lutas sindicais históricas dos metalúrgicos do ABC em plena ditadura. A conquista de Marisa. A prisão. O começo da ascensão política. E mais não conto para não tirar a graça do futuro espectador interessado na obra.

O que posso adiantar é que outro barulhão está à vista desde já, a deduzir por três comentários recolhidos aleatoriamente no You Tube.

“Grande, Lula? Getúlio Vargas, esse sim merecia um filme”. (Felipaum Camargo)

“Será que vai falar do mensalão?” (Isb)

“O filme é sobre o Lula e não sobre os políticos envolvidos no mensalão. Se souber de algum envolvimento do mesmo (Lula) no mensalão favor avisar às autoridades e não postar aqui comentários sem um pingo de conhecimento sobre política, baseado apenas em reportagens da Veja”. (Alceu).

Isso é só o trailer. Imaginem quando “Lula, o filho do Brasil” entrar para valer na campanha de 2010.

A conferir!

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

out
23

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OPINIÃO / POLÍTICA

Obama , Web e Brasil

Rosane Santana

Leio em jornais brasileiros que a Blue State Digital, empresa norte-americana que estruturou o suporte tecnológico para viabilizar a bem-sucedida campanha de marketing de Barack Obama na Internet, está de malas prontas para desembarcar nas eleições presidenciais do próximo ano, no Brasil. Pelas mãos do engenheiro elétrico Ben Self, sócio da companhia, o efeito Obama poderá dar resultados na Terra Brasilis.

Não acredito. Recorro ao arquivo pessoal onde guardo, cuidadosamente, artigos e livros adquiridos nesses quase três anos de estudo na Universidade de Harvard, em que há um pouco de tudo, especialmente Política. Releio, então, uma esclarecedora entrevista de Eli Pariser, diretor executivo do Moveon.org Politic Action sobre como a Internet está revolucionando a política, concedida a revista Rolling Stone, em novembro de 2007.

Criada há 10 anos, a Moveon é uma organização que congrega cinco milhões de internautas ativistas, nos Estados Unidos, e foi um dos principais responsáveis pelas milionárias arrecadacões e sucesso de Obama no mundo virtual, embora muitos continuem a pensar que Obama inventou o Blackberry e descobriu a Internet. Simpatizante do Partido Democrata, a Moveon decidiu pelo apoio a Barack Obama, entre outras coisas, porque os Clinton eram considerados muito próximos de George Bush, especialmente em questões de política externa, tendo a senadora Hillary apoiado a invasão do Iraque.

Eli Pariser diz que a maior contribuição que a revolução tecnológica trouxe para a política é a possiblilidade de dialogar com eleitores em tempo real e realizar mudanças rapidamente, diferente dos tempos em que os contatos com senadores e deputados, por exemplo, eram praticamente impossíveis ou levavam muito tempo, quando uma lei ou uma proposta já não podia ser modificada.

No futuro, ele acredita que alguém vai experimentar uma estrutura de decisão democrática que tirará o máximo proveito da tecnologia. Provavelmente, segundo Eli Pariser, o modo como irá funcionar é que eleitores terão representantes sobre várias questões. “Eu poderia decidir que você (o entrevistador) é meu representante em meio ambiente. Cada vez que você votar, eu recebo um e-mail que diz: “Ele votou, sim, em painéis solares”. Se eu não gosto da maneira que você esta votando, eu vou escolher outro representante. Se 100.000 pessoas dão a você uma representação você pode influenciar…”.

Como imaginar, no curto prazo, uma estrutura dessa natureza funcionando no Brasil, país onde a região Norte não conhece banda larga, segundo informações que me chegam por telefone, e boa parte do território não possui sequer energia elétrica? Superados os entraves de infraestrutura, cairemos na questão da democratização da tecnologia. Aqui nos Estados, por exemplo, entre pobres e ricos, negros e brancos, gregos e troianos, o uso de tecnologia de ponta está disseminado em toda a parte.

Computadores, microcomputadores e afins são acessíveis à população de tal forma, que é difícil você encontrar hoje um celular que não seja iPhone ou BlackBarry, por exemplo. Lan houses praticamente não existem (nunca vi), porque se alguém não pode adquirir um bom computador, a biblioteca pública tem centenas deles à disposição. A maioria dos estudantes maneja computadores desde a escola fundamental sem risco de sofrer violência, isto é, ser assaltado na próxima esquina. Em muitas salas de aula, computadores tomam o lugar do quadro negro para o ensino de ciência, matemática, português etc. e tal.

Além da cultura tecnológica, há ainda o que eu chamaria de cultura cidadã, adquirida por anos de valorização da educação. O historiador americano John Lukács diz que, nos Estados Unidos, “desde o início do século XX, a mania nacional de educação havia se tornado parte do credo norte-americano”, abraçado por gente de todas as matizes políticas, republicanos e democratas, capitalistas e socialistas etc.

Isso significa dizer que a maioria das crianças freqüenta escola e que o índice de analfabetismo é quase zero .Isso explica, além do desenvolvimento científico e tecnológico alcançado pelos Estados Unidos, a formação de pensamento crítico, capacidade de autodeterminação nas escolhas pessoais e profissionais, incluindo política, e, ao longo dos anos, o surgimento de organizações como o Moveon, que, aproveitando as possibilidades oferecidas pela Internet, está mudando a história política dos EUA.

Como no Brasil, lembrando Oliveira Viana, tudo acontece por decreto, de cima para baixo, a utilização da tecnologia na política será instrumento do partido do governo e com dinheiro público, tudo indica, haja vista a presença de assessores palacianos em seminários e negociações com a empresa de Ben Self. Coisa muito diferente do que ocorreu nas eleições americanas.

Rosane Santana, jornalista, mestre em História pela UFBA, mora em Boston (EUA) atualmente e estuda em Harvard.

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