jun
06
Posted on 06-06-2009
Filed Under (Artigos, Multimídia) by vitor on 06-06-2009


Para este sábado (6) da Semana Mundial do Meio Ambiente é difícil encontrar música melhor que Terra, do santamarense Caetano Veloso, para começar o dia. Com a palavra um ouvinte não identificado, em comentário ao vídeo postado no You Tube: “a música mais bonita que eu ouvi do tempo da ditadura, a mais emocionante dedicatória de amor a nossa vida? e a nossa TERRA”. Nada a acrescentar. Só ouvir e prestar bem atenção na letra e melodia.

(Vitor Hugo Soares)

jun
06
Posted on 06-06-2009
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Que somos afinal?
et

Deu na coluna
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O jornalista Alex Ferraz, em sua coluna na Tribuna da Bahia, começa o sábado(6) com reflexões essenciais para qualquer dia da semana.Confira:

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“Seríamos nós os extraterrestres?
“Vá pela sombra”, “leve o agasalho”, “não ande descalço”, “não esqueça de tomar o remédio”, “cuidado com o degrau”, “não corra”, “vá com Deus”, ufa! Estas e dezenas de outras recomendações típicas de mães são um pequeno retrato de como destoamos radicalmente do ambiente em que vivemos, neste planeta. Da proteção do agasalho ao apelo divino, provavelmente não existe ação que executemos neste mundo para a qual não tenhamos que estar especialmente resguardados. Ou seja, nosso corpo, pura e simplesmente como viemos ao mundo, não suporta o meio ambiente terrestre.
Somos atacados impiedosamente pela natureza, de todos os lados. Desde seres microscópicos que invadem nosso organismo e podem nos levar à morte, até ventos gélidos que muito certamente trarão uma pneumonia a quem submeter-se a ele sem abrigo.
Tentamos voar, mas, como vimos recentemente, a gravidade nos chama à terra na primeira oportunidade, e sempre de forma violenta e comumente fatal.
Então, meus caros, neste devaneio de sábado, sou levado a crer que, ao contrário de ursos, leões, bactérias, águias, cães, gatos, macacos e serpentes, que não precisam de penicilina nem de casaco para sobreviver no seu habitat natural, somos seres completamente estranhos à Terra. Extraterrestres, sem dúvida!”

LEIA A COLUNA DE ALEX NA TRIBUNA DA BAHIA

jun
06
Posted on 06-06-2009
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Lula e Minc em Caravelas
minc
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ARTIGO DA SEMANA

TRAQUINAGENS DO CAÇULA MINC

Vitor Hugo Soares

Da Guatemala, no começo da semana, o presidente Luis Inácio Lula da Silva passou de público um pito de “pai” incomodado com a algazarra aprontada em sua ausência pela “filharada” no Brasil. A turma abrigada no ministério fica mais indócil e malcriada à medida que 2010 se acerca e quem mais tem aporrinhado ultimamente é o caçula, Carlos Minc, do Meio Ambiente. O garoto ladino, porém, parece ter percebido o perigo da língua sem controle disparando “nomes feios” para todo lado e nos últimos quatro dias têm-se desdobrado em artes e manobras para obter o perdão paterno e dos “irmãos” de governo.

Talvez seja tarde, mas Minc faz movimentos para passar a imagem de que é daqueles que não desistem com facilidade. Nem mesmo diante das maiores armadilhas e apertos que o poder costuma aprontar. Assim, tratou de correr para o colo do “pai”, logo que este desembarcou de volta em Brasília.Na quinta-feira mesmo recebeu as palmadas e as reprimendas pessoalmente e tornou-as públicas sem pejo, em mensagem dirigida principalmente aos manos que, a exemplo dos ruralistas, querem lhe comer o fígado e manda-lo de volta para os braços dos verdes do Rio de Janeiro.

Mas o ministro do Meio Ambiente foi em seguida ao Congresso com a atiradeira em punho e fez novos disparos na cabeça dos ruralistas e seus aliados na oposição ao governo do pai. “Saí mais forte do que nunca”, proclamou Carlos Minc depois da conversa reservada com o presidente. Pelas aparências, tudo indica que sim. “Os ruralistas estão desesperados e querem me tirar, mas vou com o presidente Lula até o último dia de seu governo”, gritou para os repórteres que o esperavam á saída do Congresso.

Dia seguinte, nesta sexta-feira, 05 de junho, sorridentes “pai” e “filho” (mais o governador petista Jaques Wagner), desembarcaram juntos em Caravelas, na chamada Costa do Descobrimento, pedaço mais que paradisíaco do litoral da região sul da Bahia. Ali o governo Lula e o governo baiano comemoraram o Dia Mundial do Meio Ambiente, com a assinatura do decreto que cria a reserva de Cassarubá, projeto sustentável para famílias de pescadores e catadores de mariscos, menina dos olhos da administração federal e das ONGs ambientalistas desde o tempo da ministra Marina Silva. O projeto de proteção ambiental, no entanto, enfrenta criticas e reações severas de grandes empresários do turismo e da hotelaria, que têm projetos bem diferentes para a área de praias e recantos de tirar o fôlego à beira do Atlântico entre os municípios de Caravelas e Nova Viçosa.

Quando a semana começou a sorte não sorria assim para o ministro Carlos Minc.Não tanto – agora se sabe depois da conversa com Lula – pelo que ele aprontou no palanque do ato público realizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), na sensível Esplanada dos Ministérios, em Brasília.Com boné de trabalhador rural e tudo, o ministro chamou parlamentares ruralistas (que os ambientalistas preferem denominar de “bancadas da motosserra”) de “vigaristas”. Gente que, segundo o ministro de Meio Ambiente, “encolheu o rabinho de capeta e agora finge defender a agricultura familiar”.

O ministro do Meio Ambiente, por vontade refletida ou involuntariamente, até tinha um bom gancho (no jargão corrente nas redações) para o ataque: a Semana do Meio Ambiente, com muito pouco ou nada a festejar no País, mesmo pelo mais abnegado militante da causa verde. Mas, mesmo os raros aliados que ainda lhe restam no ministério, estão convencidos de que Minc não poderia ter escolhido um pior espaço geográfico e oportunidade menos apropriada para levar para o meio da rua a algazarra interna entre ministros do governo Lula. Ainda mais na ausência do “pai”, então em viagem pela América Central.

“Tenho muitos filhos, e toda vez que o pai sai de casa a meninada faz algazarra mais que deveria fazer”, disse paternal e complacente o presidente da República, talvez seriamente incomodado com a briga entre “irmãos”, mas sem poder esconder de todo a satisfação íntima com a traquinagem do caçula em relação a adversários ferozes de seu governo. Destes, Minc só livra a cara da ruralista senadora Kátia Abreu (DEM), a quem se dispõe pedir desculpas pessoalmente, “pois além de bonita ela é inteligente”- joga o barro o traquino da “família Lula”.

De volta da costa do sol da Bahia, quando a Semana do Meio Ambiente tiver passado, tudo poderá ser diferente. Apesar das desculpas, no ambiente que Lula controla paternalmente , a portas fechadas, não falta quem da porta pra fora esteja faminto pelo fígado do ministro do Meio Ambiente. Cada vez mais, à medida que 2010 chega mais perto. Tempo eleitoral em que para alguns dos “manos” e adversários de Minc prevalece o ensinamento de Macunaíma: “Agora é cada um por si, e Deus contra”.

Mas esta é outra novela, a conferir nos próximos capítulos.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E mail:vitor_soares1@terra.com.br

jun
05
Posted on 05-06-2009
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CRÕNICA DO COTIDIANO/LEMBRANÇAS

Vamos à luta!

Gilson Nogueira

Salvador é uma das 12 capitais brasileiras escaladas para sediar algumas partidas da Copa do Mundo de 2014. Palmas para ela! O fato irá proporcionar enormes benefícios à capital do estado cujo povo faz do futebol uma de suas maiores paixões, tendo o Carnaval entre elas. De melhoramentos no sistema viário a outras intervenções de peso na infra-estrutura da cidade, a Copa deverá provocar mudanças definitivas na paisagem urbana da Meca da Capoeira que, hoje, parece gemer calada ao receber golpes mortais da especulação imobiliária.

São punhaladas arquitetônicas que a descaracterizam, da noite para o dia. Salvador geme, baixinho, ao ver sangrar o que restou de sua Mata Atlântica, principalmente, às margens da Avenida Paralela, e não se rebela, como deveria, por inércia ou ingenuidade de sua boa gente, com o fato do Abaeté vir a secar, de vez, e deixar de ser uma lagoa escura, arrodeada de areia branca, como cantou o mestre Dorival Caymmi, ícone maior de nossa música.

Os cartões-postais da Bahia correm o risco de se perpetuarem, apenas, no papel. Salvador, a dona da bola, quando o assunto é festa, parece aceitar, de braços cruzados, passivamente, com raras exceções, de grupos que buscam impedir a destruição do seu patrimônio natural, sua morte anunciada. É preciso dizer Não! Dessa vez, a esses capitães do lucro a qualquer preço, neo-invasores de terras alheias!

As dunas, no entorno do Abaeté, onde a natureza era intocada, no tempo em que as serenatas existiam, começam a ser destruídas, para dar lugar à ampliação do Aeroporto Internacional Deputado Luis Eduardo Magalhães, que deveria voltar a chamar-se Dois de Julho. Os horizontes da nossa urbe, sob a ótica de quem defende a qualidade de vida da sua população, revelam-se turvos nos aspectos ambientais. Dessa sanha imobiliária, que agride a paisagem, derivam males incuráveis, como, por exemplo, a perda da auto-estima dos habitantes da cidade por sua terra, como se algo ferisse seu amor-próprio. É preciso estar atento e forte para impedir que Salvador deixe de ser Salvador. Vamos á luta!

O aquecimento global não é mais uma ameaça. O clima da maior metrópole nordestina está mudando, para pior. Não posso mais dizer às pessoas que ele é o melhor do mundo. Há, no espaço de minhas lembranças da mocidade, a Fonte Nova de antigamente, com seu formato lembrando uma ferradura.Creio, para permitir ao vento – que balançava as palhas dos coqueiros e que encrespava as águas do mar -,entrar, por ali, de graça, a fim de assanhar, mais ainda, os cabelos da morena, na torcida do Bahia. Era um gol de vida!

Gilson Nogueira, jornalista, ex-morador do bairro da Saúde, em Salvador, a menos de 300 metros do estádio da Fonte Nova em linha reta.

jun
04
Posted on 04-06-2009
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Deu no jornal:

A coluna política Painel,da Folha de S. Paulo, assinada pela jornalista Renata Lo Prete, publica na edição desta quinta-feira(4) a seguinte nota sobre o jeito baiano de fazer política:
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“SEM RECIBO- A apresentação sobre o PAC colocou frente a frente, no auditório do Itamaraty, os desafetos Geddel Vieira Lima e José Sérgio Gabrielli. “Geddel, pode ficar tranquilo, não sou candidato ao Senado”, afirmou o presidente da Petrobras. “Nem eu”, replicou o ministro da Integração Nacional.

jun
04
Posted on 04-06-2009
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Popó: da Bahia para o Haiti
acelino
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É pura perda de tempo procurar Acelino Popó de Freitas em Salvador ou em qualquer outro lugar da Bahia, até mesmo no bairro da Cidade Nova nos dias das imperdíveis feijoadas de dona Zuleica, que ele trocou por alimentação mais saudável à base de frutas, verduras e laticínios. O ex-campeão mundial de superpenas da Organização Mundial de Boxe (OMB), depois de deixar a Secretaria Municipal de Esportes, arrumou a bagagem e se mudou.

Segundo revela o jornalista Ancelmo Góis na sua coluna no jornal O Globo, o pugilista está no Haiti. Recebeu um convite da organização não-governamental Viva Rio, que tem um trabalho social e não pensou duas vezes: “Vai abrir uma academia por lá”, conta Ancelmo.

Sucesso para o campeão.

(Postado por:Vitor Hugo Soares

jun
04
Posted on 04-06-2009
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Mágico David Copperfield
magico

Deu no jornal

A Tribuna da Bahia, em sua edição desta quinta-feira (4), publica o artigo do jornalista Ivan de Carvalho, que o site-blog Bahia em Pauta, referido no texto,reproduz a seguir

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ARTIGO/POLÍTICA BAIANA

CANDIDATURA SOLITÁRIA NÃO RESOLVE

Ivan de Carvalho

1. O blog www.bahiaempauta.com.br, do jornalista Vitor Hugo Soares, chamou a atenção, ontem, para o trecho relacionado com a Bahia na entrevista do ex-ministro e ainda poderoso petista José Dirceu à edição desta semana da revista Isto É. Dirceu está mergulhado na articulação da candidatura de Dilma Roussef à sucessão de Lula. Vale a pena dar conta, ainda que não literalmente, do trecho citado. A revista pergunta: “E na Bahia, o sr. já conversou com o ministro Geddel Vieira Lima. Ele pode sair para o Senado para não ameaçar a reeleição do governador Jaques Wagner?”. Dirceu responde: “Eu conversei com o ministro Geddel, mas já faz tempo. Estou inclusive para procurá-lo para outra conversa. Onde o PT governa é natural que dispute a reeleição. Acho que o Geddel quer ser candidato a senador. Mas ele alega que há riscos de o PT lançar um candidato que concorra com ele”. A revista insiste: “O PT, então, não terá candidato a senador na Bahia?”. E Dirceu responde: “Depende. Temos que fazer pesquisa, analisar, porque lançar um candidato isolado também pode ser errado. Já tivemos experiência de lançar candidato fraco e perder a eleição exatamente por isso”.
2. Daí ficam evidentes duas informações e uma idéia que eu chamaria de surpreendente. A primeira informação é a de que Dirceu já conversou com Geddel a respeito da sucessão baiana e da hipótese de ele ser candidato a senador, em coligação com o PT, na chapa de Jaques Wagner. A segunda é que Dirceu pretende conversar outra vez, em breve, com o ministro da Integração Nacional, sobre os mesmos assuntos, vale frisar, a sucessão baiana, a aliança PT-PMDB na Bahia e a candidatura de Geddel a senador. Surpreendente é a idéia posta pela revista e não contestada por Dirceu, que chegou a admiti-la sem endossá-la, de o PT não ter um candidato a senador na Bahia. Falou em riscos, necessidade de pesquisas, precedentes que não deram certo, sem descartar ou confirmar.
3. Aparentemente, ficou posta, na pergunta da revista e na resposta de Dirceu, a hipótese de o PT não ter candidato ao Senado e – não está dito expressamente, mas implícito – o único candidato a senador na chapa de Wagner ser Geddel. A hipótese não tem lógica. As cadeiras de senador a serem disputadas em 2010 na Bahia são duas. Ser candidato sem um outro candidato, filiado ao PT, não resolve o problema de desconfiança do ministro quanto à solidariedade eleitoral da militância petista e de alguns outros partidos da base política de Wagner, bem como do eleitorado mais ligado a esses partidos. O que preocupa o ministro não é se a militância do PT e adjacências (PSB, PC do B, etc) e os eleitores não militantes, mas disciplinados, dessas legendas votariam no parceiro dele de candidaturas a senador, no âmbito da chapa encabeçada por Wagner. Isso não tem maiores problemas, pois as vagas são duas. A desconfiança ou incerteza do ministro Geddel é quanto à solidariedade desses militantes e eleitores à candidatura dele, Geddel. Votar no companheiro de chapa para senador não preocupa, a vaca pode ir pro brejo é se não votarem nele, Geddel, também. Aí é que está o nó, que não sei se é cego ou não, e que a revista e o ex-ministro Dirceu não perceberam (improvável) ou que o ex-ministro fingiu não perceber (quase certo). Risco semelhante correria Geddel mesmo na estranha hipótese de a base política de Wagner lançá-lo solitariamente ao Senado – tanto a militância quanto os eleitores (in)disciplinados poderiam abster-se de votar nele, com a consideração de que mais perigoso é um aliado-concorrente interno forte, espaçoso e em busca de prosseguir uma escalada do que a eleição de adversários formais.
4. Qual seria a mágica que fariam o governador Jaques Wagner, o PT e alguns partidos aliados do PT para convencer Geddel de que a militância desses partidos e o eleitorado mais chegado estariam tão firmes com a candidatura dele a senador quanto com o outro candidato da base governista? Um primeiro passo foi dado por Wagner ao dizer que não haverá mais de dois candidatos na base governista e que uma das vagas na chapa está reservada ao PMDB, isto é, a Geddel. Importante, mas seguramente não suficiente. Melhor chamar David Copperfield

Ivan de Carvalho,jornalista, responde por coluna diária sobre Política na Tribuna da Bahia..

jun
04
Posted on 04-06-2009
Filed Under (Artigos, Multimídia) by vitor on 04-06-2009

Eastwood: valor das rugas
ator
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A música e o vídeo que inspiraram o cronista

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CRÕNICA DO COTIDIANO/MÚSICA E CINEMA

CLINT EASTWOOD É O CARA

Janio Ferreira Soares

Existem pessoas que vivem travando um eterno combate contra o tempo, como se ele fosse um velho esclerosado que se deixa enganar por plásticas, mini-saias e jovens de aluguel a tiracolo, que na verdade estão mais interessados na fama pós-coito do que na própria relação em si. Em contrapartida existem aqueles que assimilam com perfeição as durezas impostas pelos anos e aceitam numa boa seus cruzados no fígado e demais golpes baixos, que de vez em quando nos pegam de jeito. Mas, enfim, cada um que cuide de suas necessidades, de seus pés de galinha e de seus cabelos brancos como bem entender.

Estou falando isso porque recentemente eu andei vendo alguns filmes protagonizados ou dirigidos por Clint Eastwood e pude observar que ele, que no último domingo, 31 de maio, completou 79 anos, vale cada ruga que a vida lhe sapecou na pele. E quanto mais elas aparecem, melhor ele fica, seja como ator, diretor ou um simples garimpeiro de belas canções que compõem suas trilhas sonoras.

Lá pro final dos anos 60 e início dos 70, quando eu flanava por Paulo Afonso (BA) em meio a gibis, brigites e lolobrigidas, o cinema tinha lugar de honra por essas bandas do sertão. A cidade chegou a ter cinco salas funcionando simultaneamente, o que representava uma verdadeira festa no interior. E pela proximidade entre elas dava até pra pegar duas sessões por dia, como acontece nesses democráticos complexos de salas germinadas dos grandes centros, onde Fellini e Rambo às vezes ficam lado a lado, apenas separados por grossas paredes que servem como uma luva para que queijos, salames e garrafas de vinhos da Toscana não sejam atingidos por rajadas de bazucas endiabradas e músculos bombados made in Vietnam.

Lembro-me que quando passava algum western em que ele era o mocinho, tirando a dificuldade de pronunciar o seu sobrenome, o resto era uma festa. Além de toda agitação, eu também ficava doido para ouvir a música que iria acompanhar suas cavalgadas por cânions, vales e montanhas, pra depois ir correndo até a minha casa (assoviando-a, claro, pra não esquecer nenhuma nota pelo caminho) aprender a tocá-la no violão.

O seu último filme, Gran Torino, pode não ser uma obra prima, mas, para quem conhece o seu trabalho, é muito bacana poder identificar em Walt Kolwalski – um veterano da guerra da Coréia -, traços do cavaleiro solitário que ele foi um dia, misturado com o policial durão, Dirty Harry, acrescido de algumas pitadas do fotógrafo que conquistou Maryl Streep – ao som da sensual voz de Dinah Washigtton – em As Pontes de Madison.

Confesso que ao subir o letreiro, quando ele sussurra com sua voz rouca e desafinada a canção que dá nome ao filme (uma bela parceria com Jamie Cullum), deu vontade de colocar os dedos na boca e dar aquele mesmo assovio que eu dava nos tempos em que ele sacava o seu Colt 45 na tela do velho Cine São Francisco e derrubava pelo menos uns três. Só não o fiz porque naquela hora eu estava com uma das mãos segurando um lenço meio umedecido. Vida longa ao bom e velho Clint.

Janio Ferreira Soares, cronista e escritor, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, na região do Vale do São Francisco

jun
03
Posted on 03-06-2009
Filed Under (Artigos) by vitor on 03-06-2009

Minc na Bahia: torradeira em ação
ministro
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Começam a furar as paredes e ganhar as ruas (cada vez com maior intensidade) o que até terça-feira (3) não passavam de sussuros restritos aos limites dos gabinetes mais bem situados de Brasília: os ruídos sobre o futuro do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, no governo do presidente Lula.

O verde do Rio de Janeiro fica cada dia mais avermelhado (quase tostado) pelo “efeito frigideira” a que vem sendo submetido nos últimos dias dentro da própria administração federal. A gota d’ agua que entornou o copo, no entanto, parece ter sido a imagem e as palavras de Minc no palanque do protesto em Brasília, no ato de quatro mil trabalhadores rurais ligados à Contag na Esplanada dos Ministérios.

A parte do discursos em que Minc chama de “vigaristas” os parlamentares da bancada ruralista (que os ambientalistas denominam de “bancada da motosserra” no Congresso – transmitidas nos noticiários das principais redes de televisão do país na noite de terça-feira(2) – furou fundo a carne e ego de muita gente, inclusive dentro do governo.

O boné usado pelo ministro do Meio Ambiente durante a manifestação, que causou calafrios nos ruralistas, também não agradou a poderosos do Planalto, que querem comer assado o fígado de Minc.

O problema, para o governo, é saber: quem, com alguma credibilidade internacional, se disporá a assumir o pepino monumental representado pela fogueira permanente que cerca o Ministério do Meio Ambiente, que já queimou a respeitada e discreta ministra Marina Silva e agora torra, implacavelmente, também, o agressivo e falastrão Minc?

A conferir.

(Vitor Hugo Soares)

jun
02
Posted on 02-06-2009
Filed Under (Artigos) by vitor on 02-06-2009

desastre
CRÔNICA / PARIS-RIO

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DEVEDORA DA PRÓPRIA EMOÇÃO

Aparecida Torneros

Saí de Paris na manhã ensolarada de um domingo primaveril depois de viver dias de sonhos realizados, entre amigas e com a companhia de um amor brasileiro que vive na França, desde 68.

Histórias pessoais que se confundem com os tempos modernos da nossa geração, e ali estava eu a descontar décadas de imaginação de como seria nosso encontro um dia. Foi tudo perfeito, sim, porque estar em Paris já, por si só, torna a vida perfeitamente vivível e supostamente conclusiva. Passear por suas ruas, estar à beira do Sena, contemplar a torre Eifel, observar seus barcos singrando levemente nas águas das tardes longas e ver seu por do sol pelas dez da noite, tudo compõe
um quadro entrecortado de doces expectativas.

Se entro na catedral de Notre Daime e o órgão dispara a tocar canção solene, elevo-me ao encontro do Deus universalmente poderoso e peço pela paz dos seres humanos, agradeço tantos bens e tantos amores, solicito um tempo para os que ainda esperam encontrar seus pares verdadeiros. Aceito as intempéries e me perdoo por ser ainda tão inconsistente e egoísta tantas vezes. Mas, me refaço enquanto busco o olhar de alguém que virá me ver no penultimo dia. Virá de longe, trará a mensagem do coração, e a humildade da doação.

Mas, tudo que for possível viver e trocar, nossas andanças pela Sorbonne, o Quartier Latin, o jantar arrastado entre vinhos e purês, cada gesto de reconhecimento será definitivamente marcado pela surpresa de estarmos tão felizes como dois jovens da geração 70, lembrando que naquelas ruas o pau comeu e o mundo mudou.

Juntos, de mãos dadas, vamos recordar uma Paris onde só estive antes em pensamento e que o viu menino, um guri de 16 anos, imigrante brasileiro, disposto da viver ali e se tornar um cidadão franco-brasileiro.
Pois o tempo parou para nos proporcionar a rodagem de um filme, cujos protagonistas fomos nós dois. Os cinquentões sonhadores de outrora, e os jovens de hoje, esses jovens de cabelos embranquecidos nos quais nos tornamos para sentir a Paris que nos recebeu com festa, saudações e paixões ressuscitadas.

Imaginem o que foi desperdir-se de tudo isso, depois dos 20 dias maravilhosos na Europa, encerrados na capital do Amor?
Só ouvi a ressonância de uma frase repercutida no coração que falava do amor, e da saudade eterna.

Entao, depois de um vôo Paris, Madri, Rio, de quase 12 horas, com muita turbulência, cheguei ao Rio e avistei o avião da Air France que decolaria naquela noite de domingo rumo à cidade de onde eu acabava de chegar repleta de boas lembranças.

Acordei na segunda-feira sob o impacto da notícia trágica do desaparecimento da aeronave. Passei um dia dificil, angustiada, triste, lamentosa, e fui até a igreja rezar pelas vítimas do acidente e seus familiares e amigos.

Dentro de mim, uma Paris que sobrevive repleta de felicidades, mas, na fatalidade ocorrida na mesma rota, meu sentimento de impotência, dor e perplexidade pelos sonhos desfeitos ou não realizados dos que viajaram para os céus do desconhecido.

Apenas um ponto de mutação me consola, sonhos voam além do espaço e do tempo, e as almas são capazes de empreender feitos etéreos, desafiando prognósticos infelizes, por isso, creio que muitas delas passeiam por Paris, a despeito da dimensão humana, e agora, ali comemoram invisíveis, seus sonhos de amor e suas alegrias de ultrapassar a limitada vida.

Cida Torneros, jornalista e escritora, é autora do livro “A Mulher Necessária , acaba de retornar de Paris.

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