dez
23

De Sanctis: um juiz de bem
juiiz
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Deu no Blog do Azenha (Vi o Mundo)

Lições de processo penal, conforme ensinamentos dos sábios advogados do banqueiro. Leitura obrigatória para qualquer estudante de direito:

1) Quando a coisa apertar no Juiz de primeira instância, promova uma campanha de difamação contra ele na imprensa, pague lobistas, jornalistas e assessores de imprensa para dizerem que o Juiz é isso ou aquilo, lance suspeição sobre casos passados, assassine reputações, utilize sites de assessoria jurídica para reforçar as teses e depois vá a qualquer tribunal superior e alegue suspeição do magistrado. A suspensão do processo é líquida e certa.

2) Se o Juiz de primeira instância estiver julgando rápido, estiver convicto dos crimes, entupa o escaninho dele de petições. 100, 200, 300, 600, não importa, desde que sejam muitas. Alguma delas o Juiz não vai conseguir responder adequadamente, alguma delas será esquecida na mesa de um assistente qualquer, e basta isso para que se diga que o Juiz não respeitou o direito de defesa. Depois, vá aos tribunais superiores e pronto. Direito de defesa assegurado, juiz sob suspeição, caso encerrado.

3) Quando quiser alegar cerceamento de direito de defesa, é fácil: plante em um ou dois veículos de imprensa amigos a história de que entre as provas está uma agenda telefônica de alguém com dados comprometedores sobre qualquer coisa. Depois, diga ao Juiz de primeira instância que você não está achando essa informação, mas que o dado “saiu na imprensa” e que constaria entre as provas. Peça para o Juiz mandar escanear todas as dezenas de milhares de páginas do processo, copiar não sei quantas vezes todos os CDs e DVDs, passar para um pendrive todos os arquivos eletrônicos, e se possível peça isso para o dia seguinte. O Juiz certamente vai dizer que isso é desnecessário ou protelatório. Vá então ao STF e peça para que um ministro qualquer mande colocar tudo em um caminhão e mandar para Brasília. É garantia de sucesso.

4) Quando a coisa estiver feia mesmo, lembre-se que acima do Supremo há ainda o Conselho Nacional de Justiça, que é um Supremo de um homem só. Ali pode-se resolver qualquer parada, desde uso de algema até suspeição de juiz.

5) Na semana que começarem a ouvir testemunhas e suspeitos dos crimes praticados, sobretudo se o crime for lavagem de dinheiro e evasão de divisas para fundos Anexo IV, é fundamental soltar na imprensa camarada umas notinhas do tipo “as provas foram mal interpretadas” ou “misturaram fundos brasileiros com estrangeiros” ou ainda “nossos advogados, fulano e ciclano, garantem que todos os cotistas estarão protegidos pois atestarão que nunca fizeram nenhum depósito no fundo de Cayman”. Enquanto o ser humano não desenvolve a habilidade da telepatia, essa é a melhor forma de combinar depoimento.

6) Aproveite, sempre, a época do recesso do Judiciário para entrar com pedidos de habeas corpus ou liminares. O recesso acontece duas vezes ao ano, em um total de quatro meses por ano, então a chance de conseguir aproveitar uma data festiva dessas é de 25%. É nessa época que as decisões são tomadas por um homem só, que fica mais fácil falar com o juiz, desembargador ou ministro, e conseguir uma canetada com pelo menos dois meses de validade.

7) Não se preocupe se a lógica disser que todas essas medidas são absurdas. Você está no Brasil. Aqui, há independência entre os poderes, desde que a independência seja o Judiciário dar palpite em tudo, o Legislativo é dependente do bolso de alguém e o executivo tem ministros bananas que ou dão guarida às teses dos bandidos plantadas pela imprensa amiga, sobretudo no caso envolvendo maletas de espionagem, ou são bananas a ponto de abaixarem a cabeça para o auto-proclamado “chefe” do Judiciário. E o presidente? Ah, se você der sorte, o presidente terá 75% de aprovação e estará sem nenhuma vontade de colocar a mão nesse vespeiro.

http://www.viomundo.com.br/

dez
22

Daniel Dantas: presente de Natal
Ddantas
Deu no Terra Magazine

Walter Maierovich

O Superior Tribunal de Justiça, –por decisão cautelar do ministro Arnaldo Esteves Lima, da 5ª Câmara, (1) suspendeu as apurações policiais relativas à Operação Satiagraha, (2) afastou o juiz Fausto de Sanctis e (3) paralisou todos os atos investigatórios e processuais em curso.

No jargão popular, “colocou-se tudo no congelador”. Tudo paralisado, no interesse do potente banqueiro Daniel Dantas, já condenado à pena de 10 anos de reclusão e mais R$12 milhões de multa patrimonial por consumada corrupção.

Por coincidência, a decisão judicial faz recordar uma certa interceptação telefônica referente à “quadrilha” do banqueiro Dantas, que, num restaurante da capital de São Paulo e com tudo filmado e gravado, quis corromper a polícia federal.

Da referida interceptação constou que Daniel Dantas apenas temia os juízes de primeiro grau, instância inicial. Nos tribunais superiores, acertava tudo.

O ministro Arnaldo Esteves Lima errou e minou, com a sua decisão, a segurança social, pública. Suspender toda a atividade policial diante de um oceano de indicativos de crimes graves, representa, no mínimo, um ato temerário, data vênia. Uma inversão tumultuária, contra o prevalente interesse público e à luz de veementes indícios de gravíssimos crimes.

Em outras palavras, com habeas corpus canhestro conferido a Daniel Dantas pelo ministro Gilmar Mendes, e confirmado por voto do relator Eros Grau, ambos do Supremo Tribunal Federal (STF), só faltava parar com a investigação e o processo. E Daniel Dantas, com a liminar do ministro Arnanldo Esteves Lima, conquistou, embora provisoriamente, um “bill” (declaração) de indenidade.

Afastar um juiz cautelarmente por suspeição, tudo bem. Mas, não colocar outro no lugar, em substituição e para tocar atos urgentes, só favorece o infrator, ou melhor, a criminalidade operada pelos potentes.

Mais uma vez, Daniel Dantas obtém sucesso na Justiça.

Pano Rápido: Um pequeno aviso. Não estamos mais no tempo do obscurantismo. Portanto, decisão judicial pode ser comentada e criticada. Num Estado democrático, a decisão judicial tem de ser cumprida, mas não está imune à crítica.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

http://maierovitch.blog.terra.com.br/

dez
22
Posted on 22-12-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 22-12-2009

Corrupção: ponto fraco
Corrup

Deu na coluna
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Em sua coluna diária na Tribuna da Bahia o jornalista político Ivan de Carvalhoi comenta nesta terça-feira, 22, sobre aqueles que são identifcados como os pontos mais fracos do desempenho do governo Lula -saúde, corrupção e violência – na recente pesquisa da Data Folha na qual os pontos favoráveis predominam. Apesar da enormidade desses dois problemas – a violência e a corrupção – o ponto mais grave é a saúde, segundo a pesquisa. assinala Ivan em seu texto na TB, que Bahia em Pauta reproduz.(VHS)
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OPINIÃO POLÍTICA

TRÊS PONTOS FRACOS

Ivan de Carvalho

Dados da pesquisa Datafolha que não constaram da divulgação feita no domingo vieram a público, ontem, por intermédio do jornalista Gilberto Dimenstein, da Folha online. Ele destaca a avaliação ruim, dada pelos entrevistados, ao setor de saúde. Para 24 por cento deles, é a saúde “a área mais vulnerável da gestão Lula”, seguida pela violência, setor em que o desempenho do governo foi condenado por 15 por cento dos entrevistados e, em terceiro lugar, nesta lista negra, está o combate à corrupção.

Este último ponto mostra que os eleitores e a sociedade não se deixaram sensibilizar muito por operações pirotécnicas da Polícia Federal. Talvez hajam até percebido o triste fim dado na
PF ao delegado Protógenes Queiroz, afastado da presidência do inquérito que envolveu o banqueiro Daniel Dantas, o mega-investidor Naji Nahas e o ex-prefeito paulista Celso Pita, morto há poucos dias.

Protógenes atualmente está em outra, em busca de um mandato no Congresso pelo PC do B, um partido aliado do governo que o pôs para escanteio. E diz que poderia aceitar ser secretário de Esportes deste mesmo governo. Durma o entrevistado na pesquisa com um barulho destes. E durma também ao som da charanga do PT, sob a maestra Dilma Rousseff, executando o convite para reabilitar plenamente (praticamente reabilitados eles já estão) os petistas do Mensalão.

Mas isto é “apenas” o terceiro item da lista negra. O segundo é a questão da violência e da criminalidade que a gera. O governo Lula criou o Pronasci, mas o Pronasci não criou até agora quase nada, ressalvada a propaganda em torno do próprio programa, uma maneira de parecer que está cumprindo sua obrigação, sem cumprir. A criminalidade cresce rapidamente no país.

Apesar da enormidade desses dois problemas – a violência e a corrupção – o ponto mais grave é a saúde, segundo a pesquisa. Em outras palavras, o SUS. Não é de admirar. Há dinheiro para quase tudo (para um reajuste digno nas aposentadorias, não há, nem para corrigir a tabela do Imposto de Renda) ou pelo menos parece, ante certos gastos escandalosos e políticas estranhas e custosas, mas para a saúde só é possível aumentar o desembolso do Tesouro se for criado um novo imposto para substituir a provisória e extinta CPMF. Chantagem.

No domingo, num desses programas populares de televisão, vi uma mulher chorando. Problemas nos olhos, com descolamento de retina em ambos, risco iminente de cegueira total, precisando operá-los a laser imediatamente. Pedia ajuda. Precisava de R$ 10 mil para a cirurgia, “porque o SUS não paga essa operação”. Ah, o SUS também não paga o stent com rapamicina, droga que reduz fortemente o risco de reentupimento (os médicos dizem reestenose) nas artérias do coração em que a prótese é feita. Paga somente o stent “convencional”, que custa cerca de um terço do preço e aumenta (aí não sei quantas vezes) o risco de reestenose e, eventualmente, morte da pessoa. Em síntese: o SUS, “um sistema de saúde quase perfeito”, segundo o presidente Lula, mata por dinheiro.

dez
21
Posted on 21-12-2009
Filed Under (Artigos, Multimídia, Olivia) by vitor on 21-12-2009


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Maria Olívia

Nesta segunda, dia 21, a turma do samba carioca, a exemplo de Alcione, Zeca Pagodinho, Dudu Nobre, Monarco, Arlindo Cruz, entre tantos outros bambas, faz show em prol do cantor e compositor Walter Alfaiate. O grande encontro vai rolar no Circo Voador – com nova e moderna estrutura na Lapa, Rio de Janeiro. O sambista, que aos 79 anos ainda precisa cantar e fazer ternos para viver, está internado num hospital público da cidade maravilhosa.

“Magnata Supremo da Elegância”, como se auto-define o cantor e compositor Walter Nunes Alfaiate, consagrado e cultuado pelos grandes sambistas do país, especialmente do Rio de Janeiro, só aos 68 anos de idade, meio século de carreira e mais de 200 sambas compostos, conseguiu registrar sua belíssima voz em disco – gravou apenas um disco, repita-se -, Olha Aí, lançado em 1998 perlo selo Alma e produzido pelo genial Aldir Blanc. O disco, além de composições próprias, tem pérolas de Aldir Blanc, Martinho da Vila, Paulinho da Viola e Nelson Sargento. Oportunidade imperdível para se homenagear este maravilhoso compositor e intérprete, que esteve presente em todos os momentos importantes e bons nestes últimos sessenta anos no samba e no carnaval brasileiro, especialmente, no bairro onde nasceu e passou sua vida, Botafogo.

Maria Olívia é jornalista baiana

dez
21
Posted on 21-12-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 21-12-2009

“Geddel não está só”.Img.Bahia Dia Dia
geddelpmdb

Deu na coluna
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Em sua coluna diária na Tribuna da Bahia o jornalista Ivan de Carvalho lança nesta segunda-feira, 20, o seu olhar analítico diferenciado e texto igualmente original sobre a convenção estadual de ontem do PMDB da Bahia. Vale a pena conferir. (V.H.S.)

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OPINIÃO POLÍTICA

DIA DO PMDB

Ontem foi dia do PMDB da Bahia, que realizou uma convenção para eleger seu Diretório Estadual e, imediatamente por este, a Comissão Executiva Estadual. Mas tais objetivos foram simplesmente o cumprimento de formalidades necessárias e de resultados antes planejados, previstos por todo mundo e efetivamente consumados.

O importante da convenção foi a própria convenção, a demonstração de força do maior partido do Brasil na Bahia e os sinais políticos que esse tipo de reunião ampla pode emitir. E que de fato emitiu, mostrando, em primeiro lugar, que o PMDB e seu candidato a governador, Geddel Vieira Lima, não estão isolados nas articulações sucessórias e tem capacidade de diálogo além dos três partidos com que já conta para sua coligação, o PTB, o PSC e o PRTB.

Estiveram na convenção os presidentes estaduais do PSDB, do Democratas e do PR, ex-governadores Antonio Imbassahy, Paulo Souto e César Borges, este atualmente senador e disputado para integrar suas chapas pelos três aspirantes principais ao mandato de governador nas eleições de 2010 – o governador Jaques Wagner, o ministro Geddel Vieira Lima e o ex-governador e ex-senador Paulo Souto.

Talvez numa demonstração do apreço que todos dão a uma aliança com o senador, que busca renovar seu mandato de senador, César Borges foi escolhido para fazer, na convenção, discurso em nome dos presidentes dos três partidos citados acima. Borges não avança (até mesmo, talvez, porque ela não exista ainda) qual a chapa que aceitará integrar – a de Wagner, a de Souto ou a de Geddel.

Mas a presença desses políticos na convenção – à exceção de Wagner, de quem Geddel recentemente disse esperar que ele não lhe dirija a palavra – desmancha em grande parte a teoria de que o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, estaria “isolado” e indica que ele mantém condições plenas de diálogo com os principais protagonistas da sucessão estadual (excetuado, como já assinalado, o governador Wagner e o PT). Seja para o traçado de estratégias nas campanhas eleitorais para o primeiro turno das eleições, seja para os acordos políticos do segundo turno, se houver, como a conjuntura está atualmente a indicar.

Importante para Geddel foi também a presença do presidente nacional licenciado do PMDB e presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, indicado por seu partido para ser candidato a vice-presidente da República na chapa da petista e ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef. Temer declarou na convenção que Geddel tem total apoio da legenda no plano nacional para ser candidato ao governo da Bahia.

Pode ser uma declaração formal e quase obrigatória, estando Temer presente no evento, mas pode funcionar também como uma sutil advertência do PMDB nacional ao governo federal no sentido de que não seria aceitável o governo federal dar um tratamento de segunda classe à candidatura de Geddel, em comparação com o tratamento que der à candidatura de Jaques Wagner à reeleição.

dez
21
Posted on 21-12-2009
Filed Under (Artigos, Gilson, Multimídia) by vitor on 21-12-2009

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CRÔNICA/ UM NOME,UM LUGAR

NELSINHO, ROBERTO E AS BALEIAS

Gilson Nogueira

Nelsinho Mota vinha em direção oposta à minha. O sol e o céu azul eram as duas únicas coisas acima de nossas cabeças, além de Deus, gaivotas perdidas e aviões. Deu-me, ali,vontade de cumprimentar o grande Nelsinho, mas, meio acanhado, passei por ele, em silêncio,sorrindo, para dentro, com a brisa a beijar-me a cara. Fiz de alguma forma, sem querer, o charme dos que não dão bola para celebridades.

Nelsinho, jornalista, poeta, compositor, produtor musical dos bons, seguiu seu caminho. Eu ia para o bar de Vevé. Nelsinho, possivelmente, deveria estar visitando a Ilha, mais uma vez, hospedado no Galeão Sacramento, em Mar Grande, ou em casa de algum amigo ou amiga. Não me importei para onde ele caminhava. Torci para que conhecesse Vinagre, Brígido, Biro Biro, Joca, Salvinho e outros parceiros de farras etílicas, sob a sombra dos coqueiros da Ilha e dos nossos sonhos. Ao vê-lo passar, com aquele jeito cariocamente blasé, pensei: “ Esse cara é foda! É um talento, faz parte da minha geração. Ele também deve cagar para esse negócio de cultuar famosos e poderosos, como se fossem eles feitos de outro material que não a carne.

Seriam de acrílico?! Nossa geração não era chegada a essas babaquices que os dendês no sangue adoram promover no Carnaval da Bahia. Famosos, celebridades e poderosos uma ova, eles que se lixem. Comigo não cola!!! Todos os humanos são iguais, na fila da transitoriedade, seguindo a dinâmica da vida.

Dentre as melhores coisas feitas na Ilha, lembro, aqui, à véspera da abertura oficial do Verão, amanhã, 219o artigo foi escrito domingo,20), no calendário do tempo, que andar em Itaparica, sem que o pavor de ser assaltado não faz mais parte da geografia poética do lugar.É impossível, hoje, ficar sozinho, em harmonia com aquele paraiso. Os bandidos impedem a paz de quem procura esse estado de espírito na ilha.

Mesmo assim, para quem nunca experimentou embriagar-se com sua beleza, com o astral que domina esse território, vale a pena tentar. Nesse momento, faça como fiz, várias vezes, deixe seus pés à beira d´água, onde, certamente, uma canção, em forma líquida, irá refrescar seu corpo, sua cabeça, a lhe dizer que a paz depende de nós.

Se o calor impedir a aventura, estacione seus pensamentos na sombra de um barco, ou de uma barraca qualquer, dessas que vendem cerveja, para admirar a paisagem, admitindo que, além do horizonte deve ter algum lugar bonito para viver em paz. Fique de olhos abertos, para sua segurança. E viva Nelsinho, Roberto Carlos e as baleias!!!

Gilson Nogueira é jornalista

dez
20
Posted on 20-12-2009
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 20-12-2009

Corrupção e Violência:i~mãos siameses
Corrupção

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OPINIÃO/ VISÃO CRÍTICA

CORRUPÇÃO E VIOLÊNCIA

Rosane Santana

Com as pesquisas qualitativas a indicarem a Segurança Pública, como o calcanhar-de-aquiles dos governos estaduais em todo o Brasil, inclusive na Bahia, às vésperas das eleições majoritárias é comum aparecerem, de última hora, “candidatos especialistas” em soluções para o problema da violência. A maioria da população não sabe, entretanto, que o aumento da criminalidade, direta ou indiretamente, guarda estreita relação com a corrupção na esfera política.

Segundo estudiosos, a corrupção política, que é crime, além de desviar recursos públicos de serviços essenciais ao bem-estar da população em benefício de grupos privados, também favorece atividades ilícitas como lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e prostituição, entre outras. A prática, estimulada pela impunidade, está atraindo o crime organizado para dentro do País, de acordo com a pesquisadora da Universidade de Brasília (UNB), Lígia Pavan Baptista, responsável pela implantação da Biblioteca Virtual Sobre Corrupção, da Controladoria Geral da União (CGU).

De 1 a 4% do Produto Interno Bruto (PIB), valor estimado em um mínimo de R$ 30 bilhões de reais, é o custo anual da corrupção para a economia brasileira, segundo dados recentes da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Órgãos de Controle administrativo, como a Controladoria Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU) admitem que a corrupção é praticada com a participação de funcionários públicos e políticos em diversas esferas – prefeitos, vereadores, deputados, senadores etc. – em benefício próprio e de grupos privados envolvidos no negócio.

Do que foi detectado pela CGU, no período entre 2003 e 2007, os setores mais prejudicados pelos desvios são saúde, com 613 milhões, seguido pela educação, com 470 milhões. Ao impedir que a população carente tenha acesso a políticas públicas em áreas essenciais à melhoria da qualidade de vida, a corrupção contribui para aumentar a exclusão social e a violência, restringindo a cidadania e condenando o País a um ciclo vicioso de miséria e desigualdade. Combatê-la, portanto, ainda é o melhor remédio para diminuir a escalada do crime no Brasil

Não se pode dizer, evidentemente, que todos os políticos são corruptos. Mas, a lentidão das casas legislativas em tomarem providências contra os seus integrantes flagrados em desvios e as brechas encontradas na lei para que os corruptos escapem no Judiciário acabam por colocar em descrédito toda a classe, levando o País a iminência de uma crise institucional, diante da falsa percepção de que a política é sempre território de atividades ilícitas.

O Poder Legislativo é colocado em xeque, com boa parte do eleitorado questionando a existência da instituição, como adverte a Transparência Brasil,e o Judiciário, pela brandura com que tem tratado os corruptos no país, cai em descrédito absoluto, reforçando a idéia de que a cadeia é somente para pobres. Essa conjuntura, naturalmente, gera um clima de impunidade que favorece ainda mais a escalada da violência, as aventuras autoritárias de poder, com a supressão das liberdades democráticas, e o aumento da corrupção.

Rosane Santana, jornalista, mestre em História pela UFBA, mora em Boston e estuda na Universidade de Harvard).

dez
19
Posted on 19-12-2009
Filed Under (Artigos, Janio, Multimídia) by vitor on 19-12-2009


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CRÕNICA/ COTIDIANO

ARRUDA,ADEMAR DE BARROS E PABLO

Janio Ferreira Soares

Na sala de espera do oftalmologista, dois vizinhos de cataratas comentam sobre os últimos acontecimentos. Apuro meu ouvido e consigo pescar algo sobre o aumento dos aposentados, o preço dos ansiolíticos e, claro, sobre o escândalo político do momento, já que nossa gente engravatada não se cansa de mostrar o seu valor. Monetário, diga-se.

Do meu lado esquerdo uma senhora choramingando um misto de colírio e lágrimas me cutuca com seu roliço cotovelo e sussurra, com aquele semblante característico das atrizes de um filme de Almodóvar – ou de alguma novela mexicana -: “fariam a mesma coisa, esses dois descarados!”. Antes de esboçar qualquer forma de contato, uma mocinha delicada inclina minha cabeça pra trás e pinga uma gota de colírio em cada olho, o que basta para me transformar num lacrimoso coadjuvante daquele dramalhão latino. “Mui prazer, mi nombre es Pablo”.

Mais tarde, já no táxi, óculos escuros pra não dar bandeira e evitar lampejos pós-dilatação, o motorista puxa assunto. Como percebo que não há outra opção senão entabular uma prosa movida a pagode romântico e a aroma de alfazema, vou direto ao que interessa. “E Arruda, hein?”. Antes que ele discorra a típica verborragia daqueles que têm a solução para todos os problemas do mundo, me lembro que até há pouco a deixa era: “e o Zuleido, hein?”, que veio antes de: “e o Sarney, hein?”, que, por sua vez, sucedeu a: “e o Delúbio, hein?”, o que prova que Brasília roda, roda e parece que nunca surge um minuto de comercial.

O mais preocupante é que a esperada indignação das pessoas está dando lugar a uma impotência acrescida de pitadas de normalidade, muitas vezes acompanhada de uma conivência do tipo: “eu não, mas se alguém encher as meias e depois me der um apartamento em Paris, tudo bem”.

Chego ao meu destino, me despeço de mais uma sumidade autônoma e observo que logo a frente um senhor acena para outra viagem movida à política e à voz de Belo, naturalmente. Pelo semblante deve ser do tempo de: “e o Ademar de Barros, hein?”. Só me resta encarnar Pablo, meu personagem latino, e seguir cantarolando Tu Me Acostumbraste.

(Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, na região do Vale do São Francisco )

dez
19
Posted on 19-12-2009
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 19-12-2009

O poder de uma imagem..
Fantome
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…de Silvio Berlusconi
Silvio

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ARTIGO DA SEMANA

O FANTASMA DA ÓPERA DE MILÃO

Vitor Hugo Soares

Uma das imagens mais fortes, entre as cenas marcantes no caso da recente agressão sofrida pelo primeiro ministro da Itália é, sem dúvida, a da saída de Sílvio Berlusconi do hospital, em Milão. Alí esteve internado, até quinta-feira, para tratar dos ferimentos no rosto e na alma, decorrentes da estatueta do Duomo atirada sobre ele, por um italiano com problemas mentais, domingo passado, na saída de um ato público na imensa praça em frente à famosa catedral milanesa.

A fotografia de que falo – entre as inúmeras que foram feitas e publicadas no Brasil e no mundo – é uma dessas raridades que grandes profissionais conseguem, as vezes. No caso, o repórter fotográfico Giampiero Sposito, da agência de notícias européia Reuters. Coisa para prêmio, tamanha a sua expressividade e as múltiplas possibilidades de interpretação humana, política e comportamental que oferece. Bem mais até –avalio – que o também impactante registro fotográfico da cara sangrando do polêmico líder político.

Vi pela primeira vez a foto da Reuters no Público, bom e confiável diário da minha predileção, prazer renovado quando vou à Lisboa e posso manuseá-lo na edição impressa, sentado numa das mesinhas de rua de A Brasileira, bar tradicional do bairro boêmio do Chiado, ao lado da estátua do poeta Fernando Pessoa. Com um copo de vinho “Porca de Murça” na mão, o prazer é ainda maior..

Mas a face transformada de Berlusconi ví na edição online do jornal, que acesso na web pelo menos três vezes ao dia, por força do ofício de blogueiro, na sempre formosa (embora cada dia mais violenta) cidade da Bahia, como chamava Jorge Amado. Leio Publico para saber as últimas da romântica cidade à beira do Tejo, na porta de entrada da Europa. O rio que a atriz Maitê Proença confundiu com o Atlântico, no vídeo polêmico mostrado no programa Saia Justa, da GNT, que indignou os lusitanos recentemente e quase os levanta em armas em defesa da honra cívica agredida.

Mas retomo a ponta do novelo para não me perder no meio das lembranças de Lisboa, de Dulce, de Amália, de Zeca Afonso e de Pessoa.

O flagrante que Sposito colheu, do primeiro ministro italiano, é mesmo impressionante. Berlusconi olha os jornalistas e curiosos de dentro do automóvel, na saída do hospital milanês, com destino à sua não menos rumorosa casa de descanso e lazer, nos arredores da cidade da alta costura e do futebol. Deverá permanecer em repouso absoluto, por pelo menos duas semanas, recomendam seus médicos.

A expressão, em geral enigmática de Berlusconi, aparece mais enigmática ainda na fotografia da Reuters. Com rosto cheio de ataduras colado na vidraça traseira do automóvel oficial, o político só bem remotamente guarda algumas atitudes e a aparência do “Il Cavalieri”, tratamento respeitoso que lhe é dispensado por jornais e outros veículos de comunicação em seu país e em Portugal.

O Berlusconi da foto é todo o Fantasma da Ópera, como lembrou ontem, na conversa matinal com o jornalista Ricardo Boechat, o impagável anarquista José Simão, na Radio Band News-FM, transmitida em Salvador. Com todas as ilações políticas, comportamentais, psicológicas (até freudianas) que a comparação com o impressionante personagem da ficção permite.

Este é o ponto. O Fantasma da Ópera da novela francesa, de 1910, criação imortal do escritor Gaston Leroux. Desde a sua publicação, foi adaptada inúmeras vezes para o cinema e produções teatrais, cujo auge é a produção da Broadway, por Andrew Lloyd Webber, Charles Hart e Richard Stilgoe. O musical mais visto de todos os tempos em todo o mundo.

A obra de Leroux é tida por inúmeros analistas como uma “novela gótica” (a expressão é do Wilkpedia), que combina romance, horror, ficção, mistério e tragédia. Uma criação sobre subterrâneos da alma e das relações humanas, cuja ação desenvolve-se no século XIX, na Ópera de Paris, um monumental e luxuoso edifício construído, entre 1857 e 1874, sobre um enorme lençol de água debaixo do terreno.

Tudo a ver com o drama de Berlusconi, destes dias, na Itália, com cenário transposto para a fantástica Milão. A dúvida que se levanta agora é sobre os signos da imagem e das atitudes do líder, duramente agredido em público domingo passado. A nova face de uma tragédia pessoal e política? Ou sacada de mestre dos marqueteiros italianos, a serviço do governo desastrado do primeiro ministro, considerados geniais desde os filmes de Fellini e De Sicca?

O conservador direitista Berlusconi, nas cordas, acusado das mais corruptas, mafiosas e sinistras transações – y otras cositas más – em seu país até a semana passada, de repente tende a virar vítima de agressões, preconceitos e incompreensões de seus “adversários e algozes”.

Uma espécie de Fantasma da Ópera de Milão, tipo ideal para receber a solidariedade, a compaixão e a simpatia do grande público, como o fantasma da Broadway. A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

dez
18
Posted on 18-12-2009
Filed Under (Aparecida, Artigos, Multimídia) by vitor on 18-12-2009


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CRÕNICA / SENTIMENTOS                       

 

                           CUANDO ME ENAMORO

                          Aparecida Torneros*

 

 

Dezembro chegou ao meio e um estado indiferente, morno, pleno de pasmaceira, havia me tomado de assalto, por duas semanas. O esforço repetido de me fazer compreender num mundo tão incompreensível. Kopenhagem fracassada, o clima indo pra cucuia, o mundo em clima de “salve-se quem puder”, meu umbigo pedindo isolamento, o computador desligado, a ausência de inspiração para escrever, a solidão disfarçada pelas aulas de francês, um desgosto estranho que tem sabor de “esse filme eu já vi e morro no final, tô fora”, a saudade da infância, a saudade de risadas ecoando na memória dos dias em que eu nem imaginava que a vida podia ser finita, e também nem questionava a pequenez da sombria face dos egoístas ou dos que desrespeitam seres e natureza, sentimentos e confianças, achei que ia percorrer este dezembro, fugindo de mim mesma, como na música do Roberto, a 200 km por hora.

Nenhuma chance de ir ao shopping e fazer compras natalinas, o desânimo de enfeitar a casa para as festas, uma única vontade, fechar-me em copas, enclausurada no ninho da própria solidão de um final de 2009, pensativo e desconfortante, após perder tios idosos, cansar-me de tantas esperas, decepcionar-me com os conceitos de amor e amizade.

  A gota dágua, um telefonema, de longe, na quase madrugada de uma manhã enevoada. A voz disse “buon jour”, mas o tom era de discórdia, talvez a disputa mais infantil de um triângulo amoroso tão extemporâneo quanto a mediocridade que permeia a história de amores mal resolvidos. O silêncio me invadiu, internamente. Pra que responder, se qualquer palavrinha em nada ia modificar o acontecido?

  Melhor me “desenamorar”, não da vida, pois desta e por esta, estou em constante enamoramento, aliás crescente, no dia após dia… Refiro-me ao desencantamento por criaturas humanas e falhas, como eu, pessoas que são previsíveis e desconcertantes, que fazem parte de um inúmero e retumbante eco dos sonhos não vividos, dos tempos que nem chegam a chegar afinal.

  Mas, o destino prega peças, tripudia previsões, oferece saídas, janelas, abre portas, ilumina caminhos, põe na casa ao lado um olhar de carinho, o de alguém que me fez recomeçar o dezembro, bem no meio, acelerando um repentino estágio de “quero tudo” para a segunda quinzena. Peguei-me sorrindo, internamente, redescobri a canção que fala de se enamorar e dar a alguém o melhor que se tem para dar, sonhos e olhares brilhantes. Como um renascimento pré-vivencial, reconheço a alegria que volta ao meu coração, não posso desperdiçar o resto do ano, com lamúrias e tristezas. Estou pronta para refazer projetos, vejo que o tempo me dá um sobressalto, vou correr atrás do prejuízo, vou enfeitar minha vida, com detalhes de luz e cores.

  Então, eis que o mundo se colore de novo, vou a alguma festa com urgência, compro logo uma bolsa cor de cenoura, não posso fazer por menos, sou personagem do sonho de quem me confessa que me acha “charmosa”, acho que um vulcão me sacode em tempo de corre-corre, imagino-me recuperando o fôlego, acendendo as luzes da casa inteira, o sol renova minha sede de viver, o que terá sido pior do que ter perdido 15 dias sem perpectivas de festejar dezembro?

  Foram dias para refletir sobre escolhas infundadas, momentos que ficaram para trás, e daqui pra frente, lá vem o Roberto de novo, “tudo vai ser diferente”, preciso recomeçar o mês, tenho dias para preencher com música, festa, carinho, amizade, bem naquele tradicional “clima” de um dezembro freneticamente solucionado em termos de esperanças renovadas.

  Lá vou eu, Papai Noel, me aguarde que baixo na sua chaminé e lhe dou de presente um sorriso tao grande que serei capaz de incendiar o futuro de um 2010 bem mais feliz ainda. Boas Festas, feliz resto de dezembro, e obrigada por ter a chance de recomeçar a ser feliz.

  Cida Torneros, jornalista, escritora e cronista, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária.

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