jul
24
Posted on 24-07-2010
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 24-07-2010

JB : a espera do fim

========================================

ARTIGO DA SEMANA

DE OLHO NA GELÉIA GERAL

Vitor Hugo Soares

Enquanto aguardo para o mês que vem ou setembro, no máximo, a chegada nas bancas da última edição impressa do Jornal do Brasil, como o próprio JB anuncia, vou convivendo com a melancolia que esta notícia instala no coração de quem passou mais de 17 anos de sua existência profissional no ventre então rico e generoso desta legenda mais que centenária do jornalismo no País, que agora solitariamente agoniza .

Em Salvador – base principal mesmo quando ganhava a vida catando notícias na sucursal baiana do jornal carioca de expressão nacional, cuja redação dirigi por largo tempo em bons e maus períodos -, espero ainda algum sinal milagroso. Algo capaz de impedir – ou adiar de novo- o desastre outras vezes anunciado do “diário da Condessa” , como tantas vezes ouvi o colunista político Castelinho chamar carinhosamente o JB, em suas passagens sempre referenciais pela Bahia. Principalmente para os mais jovens que viviam a profissão naqueles insanos dezembros. “Mas quando me lembro são anos dourados”, faço coro agora com os versos insuperáveis da canção de Chico Buarque e Tom Jobim.

Admito, no entanto, como alguns mais preocupados e menos sonhadores ex-companheiros da antiga sucursal no bairro soteropolitano de Pernambués alertam, que o mais recomendável nesta quadra talvez seja manter o velho ceticismo profissional. Aquele ensinado na teoria das faculdades e aprendido de fato na prática do dia a dia da redação. Confesso que neste caso não consigo, pois o sentimento fala mais forte e mais alto que a razão.

Mas enquanto o desfecho não chega, seja ele qual for, o melhor mesmo é aguardar sem tirar os olhos dos fatos da geléia geral brasileira, nestes dias virulentos e estranhos de campanha eleitoral sem debates e sem propostas. Sigo assim uma antiga recomendação do saudoso editor nacional do JB, Juarez Bahia – sete prêmi os Esso de Jornalismo em uma das mais ricas e dignas biografias nacionais de mestre de jornalismo impresso e de escritor – nascido em Feira de Santana , entroncamento de estrada inescapável de quem trafega do Nordeste para o Sul e Sudeste do País, e vice versa.

Na política, a cidade da Feira abrigou histórica barricada das chamadas “esquerdas baianas”, nos tempos heróicos do resistente deputado Chico Pinto, ícone nacional na política como o autor de “Dezembro na Feira” no jornalismo. Na última década a cidadela foi invadida e tomada pelos ex- soldados do carlismo, seguidores da Arena e PFL de Antonio Carlos Magalhães, atualmente hospedados no DEM, partido que combate o governo petista de Jaques Wagner no Estado, abrigo nacional de Indio da Costa, aliado e vice de José Serra, do PSDB, na chapa sucessória para o Palácio do Planalto.
Por Feira de Santana – talvez por mera coincidência, talvez por considerar o lugar um antigo talismã eleitoral desde antigas campanhas presidenciais -, andou ontem o presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, em seu roteiro sentimental de despedidas, precedido de polêmica, emocionada e reveladora entrevista no Jornal da Rede Record, que segue sem a devida repercussão das demais grandes redes de TV e, principalmente, da grande mídia impressa do Pais. Espaço correta e devidamente ocupado pelo diário argentino “El Clarin”, em sua edição de quinta-feira.

Ou seria, voltando à visita de Lula, “o roteiro mal disfarçado de velho e tarimbado mitingueiro de palanque em campanha política, fazendo ouvidos moucos à legislação eleitoral em vigor”, como desconfiam em veementes protestos os adversário tucanos e do DEM?
O motivo da visita, assinalado na agenda do Palácio do Planalto, foi a participação do chefe da Nação na abertura do II Encontro Nacional de Agricultura Familiar do Brasil. “O evento que reúne, esta semana, na cidade tambor de percussão e entroncamento da Bahia, aproximadamente cinco mil agriculto res familiares de todas as regiões do País, além de autoridades das três esferas de governo e parlamentares, para fazer um balanço dos avanços nas políticas direcionadas à agricultura familiar e apontar as perspectivas e os desafios para o próximo período”, segundo comunicado da assessoria do governo petista de Wagner.

Na véspera, noite festiva de quinta-feira, em Salvador, o presidente Lula da Silva foi a primeira personalidade ‘homenageada com o mais alto grau do título criado em honra aos que contribuíram para a consolidação da Independência do Brasil na Bahia: a Grã-Cruz da Ordem 2 de Julho – Libertadores da Bahia”, o comunicado oficial. Na saída da solenidade cívica, Lula não resistiu ao apelo político. Na conversa com jornalistas, comentou a saia justa que para muitos políticos, candidatos principalmente, representa o duplo palanque eleitoral como nas campanhas ao governo estadual dos ferrenhos adversários Jaques Wagner, do PT, e do ex-ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, que tanto constrang e a candidata presidencial do PT, Dilma Rousseff, em suas visitas à Bahia.
“Para mim isso não é problema. Já participei de campanhas de até três palanques, disse Lula antes de seguir viagem para Feira de Santana.

“Onni-soit qui mal y pense” (amaldiçoado aquele que pensar mal dessas coisas ), diriam os elegantes políticos franceses. Máxima com a qual, neste caso baiano, tucanos e democratas estão longe de concordar. Sinal mais que evidente de que é hora de segurar o Indio, pois vem mais flechadas por aí.
É só esperar para ver.
E conferir
=====================================================
EM TEMPO: Que todos os santos e todos os orixas se juntem para salvar o Jornal Brasil, livrando tambérm o JB de todos os males e encostos que o infelicitam atualmente e o ameaçam de amargo fim. Amém e Axé!

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail:vitor_soares1@terra.com.br

jul
23
Posted on 23-07-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 23-07-2010


=======================================================================
É sobre as blitzes “de segurança” que a Polícia Militar tem tealizado últimamente na capital, em geral nos momentos de maior movimentação de tráfego de veículos, o artigo que o jornalista político Ivan de Carvalho assina nesta sexta-feira na Tribuna da Bahia. Desrespeita-se a cidadania, presumindo-se malfeitos já feitos ou intenções criminosas em pessoas normalmente insuspeitas. Fere-se o direito de ir e vir. Submetem-se os cidadãos e cidadãs ao incômodo e até a eventual vexame de revista do veículo e da própria pessoa. Tal comportamento é uma violência em si mesmo. Além do que atravanca ruas e avenidas, aumentando a tortura que já é, normalmente, em certos horários, o trânsito em Salvador, opina o colunista no texto que Bahia em Pauta reproduz. Confira. (VHS)
=========================================================================

OPINIÃO POLÍTICA

Blitz, segurança e cidadania

Ivan de Carvalho

Tenho, e há muito tempo, pedido reiteradamente às autoridades competentes, entre elas as estaduais, não somente neste governo, mas bem mais desesperadamente neste pelo crescimento estonteante da violência, que atuem mais amplamente para reduzir a insegurança pública e, gradualmente, restaurar a segurança, hipótese, esta última, que desconfio seja fruto da minha imaginação ingênua e perturbada pela boa fé.

Leio que o prefeito João Henrique conversou ontem, longamente, com o secretário estadual da Segurança Pública, César Nunes, a respeito das blitzen (parece que o plural é assim) que a Polícia Militar realiza na capital numa tentativa de conter a escalada da violência e que estão sendo acusadas pela prefeitura de serem responsáveis por perturbações de grande monta no tráfego da cidade, com grandes engarrafamentos.

O secretário disse ao prefeito que desde o lançamento do Plano de Proteção ao Cidadão, as ocorrências policiais diminuíram de forma expressiva. Prefeito e secretário combinaram encontrar-se outra vez para discutir uma tática comum de combate à violência. Logo apareceu um vereador do PT, Henrique Carballal, para dizer que o prefeito está querendo responsabilizar a PM pelos engarrafamentos, quando eles já existiam antes.

Como antes existiam blitzen de trânsito da Transalvador, mas não aumentavam engarrafamentos, porque feitas com os devidos critérios técnicos, de modo a não piorar o que já é ruim – o trânsito da cidade. Mas não é este o aspecto que julgo necessário abordar nas blitzen, não sem antes dizer que são perfeitamente desejáveis medidas sensatas e legais para combater a violência, evitando-se, inclusive, que os cidadãos e cidadãs tenham aumentado seus sofrimentos com engarrafamentos involuntariamente provocados por elas.

Mas há outro aspecto nas blitzen indiscriminadas, nas quais qualquer cidadão pode ser obrigado a parar seu carro e ser abordado por policiais sem haver indício, por mais leve que seja, de que haja cometido ou esteja cometendo alguma infração penal ou de trânsito. Sempre combati esse tipo de ação policial ou mesmo de trânsito, em que existe a presunção de que o cidadão é um infrator da lei penal ou da lei de trânsito. Posso desencavar do baú, até de décadas atrás, publicações por mim assinadas em que deixo essa crítica explícita.

Desrespeita-se a cidadania, presumindo-se malfeitos já feitos ou intenções criminosas em pessoas normalmente insuspeitas. Fere-se o direito de ir e vir. Submetem-se os cidadãos e cidadãs ao incômodo e até a eventual vexame de revista do veículo e da própria pessoa. Tal comportamento é uma violência em si mesmo. Além do que atravanca ruas e avenidas, aumentando a tortura que já é, normalmente, em certos horários, o trânsito em Salvador.

Creio que o aparelho policial tem a possibilidade de usar contra a criminalidade e mais especificamente contra a violência criminosa instrumentos muito mais efizazes e também mais discretos e menos perturbadores do que as blitzen. A não ser que não esteja sendo desejada a discrição, hipótese em que, por enquanto, prefiro não apostar.

Além disso, as blitzen podem matar. Basta provocarem engarrafamentos dos quais ambulâncias, doentes em situação de emergência em carros particulares e viaturas dos bombeiros não conseguem desvencilhar-se.

jul
22
Posted on 22-07-2010
Filed Under (Crônica, Gilson) by vitor on 22-07-2010

Hotel da Bahia: salvo na cidade que desmorona

============================================================

CRÔNICA/ SALVADOR

UM TUBO SEM SAÍDA

Gilson Nogueira

Até hoje, pela manhã, havia um poste estendido no chão, em pleno coração de Salvador, cidade que espanta pela beleza e, paradoxalmente, por absurdos. Na esquina do Largo do Campo Grande, onde está localizado o Teatro Castro Alves, com a Avenida Leovigildo Filgueiras, pequeno e fino, de ferro, pintado de azul cobalto, indicando aqueles dois logradouros públicos, o poste permanece sobre o passeio do TCA.

É, de alguma forma, monumento ao desleixo com que são tratadas algumas questões urbanas da cidade da Bahia. Sendo assim, a pergunta: Será que algum preposto ( êpa!) da Prefeitura Municipal de Salvador não constatou o ocorrido?

Convém que a comuna procure levantar o equipamento derrubado por algum vândalo, considerando estar sua base aparentando haver sido danificada, após empurrão, por mãos criminosas.O fato é triste, para uma cidade que se diz capital do turismo. Urge, portanto, providência.

E, nessa viagem citadina, a pé, entre espantos e surpresas, num festival de assombrações e alumbramentos, vejo a frondosa mangueira do Hotel da Bahia, encostada às pilastras de um dos ícones da hotelaria brasileira, sacudir-se em verde amazônico, cheia de oxigênio, à minha passagem, anunciando-me ter sido o HB salvo, pelo Governo do Estado, de uma punhalada anunciada, voltando a ser, ele, o HB, hotel, de primeira, a serviço da boa imagem da Bahia,e, não, como pretendiam alguns, mais um empreendimento imobiliário colocado à mesa dos que só pensam em abocanhar o lucro,sem compromisso algum com a cultura e as tradições da Boa Terra. Para o bem da Bahia e de sua história, o Hotel da Bahia continua vivo. Palmas para os responsáveis por sua salvação!

Entre as observações matinais, na ida ao Campo Grande, um soco, sem mão, silencioso, no peito do repórter, ao constatar quase uma dezena de jovens deitados nas calçadas com o sol tentando despertá-los, sem conseguir, já que o efeito arrasador de alguma substância, inalada na madrugada, suponho, os impele ao entorpecimento, ao sono profundo, sem colorido, na companhia dos atores de uma peça conhecida. Enquanto isso, a cidade é invadida por carros de som com propaganda política, ” santinhos ” são distribuídos à população. Na cara de pau.

Faz parte do triste show da vida de uma Salvador desmoronando.

Aqui, sim sinhô,onde jovens sem futuro fazem dos passeios prancha para entrar em um tubo sem saida.

Gilson Nogueira é jornalista

jul
22
Posted on 22-07-2010
Filed Under (Crônica, Janio) by vitor on 22-07-2010

===============================================================
CRÔNICA/ PERDAS

O triste fim do Jornal do Brasil

Janio Ferreira Soares

“Quem lê tanta notícia?”. Ao fazer esta pergunta em 1967 nos versos de Alegria, Alegria, Caetano Veloso devia estar de saco cheio de passar por bancas lotadas de jornais estampando matérias sobre a morte de Che Guevara, a visita do General Costa e Silva ao Papa Paulo VI, as tropas americanas bombardeando o Vietnam com napalm, ou a posse de Delfim Neto no Ministério da Fazenda. Quanto às resenhas sobre o lançamento do LP Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e do compacto simples com Penny Lane de um lado e Strawberry Fields Forever do outro (ambos dos Beatles), ou ainda algo sobre a morte de Guimarães Rosa, certamente estavam nas páginas do excelente Caderno B do Jornal do Brasil, na época um contraponto aos vigiados primeiros cadernos e às barras pesadíssimas que nos espreitavam nos bares, esquinas, sertões e gerais.
Nos anos 70, quando eu estudava em Salvador, gastava quase toda minha grana em discos, livros, revistas e jornais. Além dos locais eu comprava o Estadão, O Globo, Folha de São Paulo e o Jornal do Brasil, e passava boa parte do dia devorando-os e vibrando com uma turma de colunistas e cronistas que tinha um jeito todo especial de escrever, sobretudo nos cadernos culturais. Mesmo de férias no interior eu sempre encontrava um jeito de mandar alguém enviá-los, especialmente as edições dominicais, pesadas e preciosas pérolas de papel.
A propósito, vibrei muito quando começou toda essa onda de Internet e descobri-os novamente a disposição dos meus ainda ávidos olhos, antes mesmo de o galo cantar. É claro que paginá-los com um simples toque nem de longe se compara ao prazer de folheá-los manualmente, embora essa possibilidade tátil continue existindo quando das minhas viagens, infelizmente agora com um desfalque irreparável.
É que a partir de setembro não mais terei o prazer de comprar o velho JB nas bancas. Dalí em diante, só na Internet. Não que não valha a pena acessá-lo via rede. Mas que vai ser muito esquisito sabê-lo para sempre ausente das minhas mãos numa manhã chuvosa de um domingo qualquer, isso vai. Uma pena.

Janio Ferreira, cronista, é secretário de Cultura e Turismo da cidade de Paulo Afonso (BA), no Vale do São Francisco

jul
22
Posted on 22-07-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 22-07-2010

Marina: twitaço repercute

========================================
Perguntar não ofende, já se sabe. Então vamos lá: “Não dá para discordar do senador Sérgio Guerra. Se Dilma resolver não participar do debate, o que estará tentando esconder dos eleitores?”, pergunta o jornalista político Ivan de Carvalho em seu artigo desta quinta-feira na Tribuna da Bahia, que Bahia em Pauta reproduz.
=======================================

( VHS )

OPINIÃO PÚBLICA

A Internet na campanha

Ivan de Carvalho

Campanha na Internet. A candidata do PV a presidente, Marina Silva, com um tempo diminuto nos programas de propaganda eleitoral gratuita na televisão e no rádio, aposta boa parte das suas fichas na campanha pela Internet. E parece que não está sonhando.

A Internet fez sua mais espetacular participação em campanhas eleitorais, até hoje, na campanha de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos.

Na terça-feira, a campanha de Marina promoveu um “twitaço”, uma versão cibernética do conhecido panelaço, que foi mais intensamente usado no Chile, contra o regime do general Pinochet, mas fez incursões também em outros países. O “twitaço” de Marina foi um êxito.

Pouco depois das 15 horas da terça-feira, o microblog da candidata do Partido Verde (senadora e ex-ministra do Meio Ambiente no governo Lula) conseguiu ultrapassar a marca dos 100 mil seguidores, o que teve repercussão inclusive no exterior, segundo registra o jornalista Josias de Souza, na Folha.com.

Conta ele que, de passagem por São Paulo, Marina “abriu espaço na agenda para conferir os resultados da mobilização”. Ela foi a uma lan house, na Rua Augusta e mais tarde comemorou no próprio twitter: “Feliz coincidência: no dia do Twitaço, cruzamos a marca dos 10 mil”.

Serra também está feliz com seu twitter. Na madrugada de quarta-feira (grande parte da vida ativa de Serra ocorre nas madrugadas e você pode observar o resultado naquelas olheiras). Assinalou no twitter: “Êpa, olhei para o lado e vi: hoje passamos os 300 mil seguidores! Não sei identificar quem protagonizou a virada dos 200 para os 300 mil”.

Dilma Rousseff, da poderosa coligação governista liderada pelo PT, está muito atrás de Serra. E agora tem Marina pisando-lhe os calcanhares. Os seguidores de Dilma no twitter, às 5h30, eram 121 mil.

Mas nem só de microblogs, blogs e sites vive a campanha presidencial na Internet. A campanha de Marina Silva, das três principais a que, evidentemente, dispõe de menos recursos financeiros (não dá nem para comparar), está examinando a possibilidade de incrementar doações financeiras para a campanha por intermédio da rede internacional de computadores.

E há mais. Vai haver um debate entre candidatos a presidente, promovido pelo iG, MSN, Terra e Yahoo, o que é mais um sinal da mudança que está que o uso da Internet está provendo na campanha eleitoral. Como a candidata do PT a presidente, Dilma Rousseff, tem fugido de debates, sabatinas e outras entrevistas como o diabo foge da cruz, o presidente do PSDB e coordenador nacional da campanha tucana ao Planalto, senador Sérgio Guerra, desferiu um ataque preventivo: “Se a ministra Dilma correr dessa, como tem corrido de quase tudo, vai se dar mal”, assinalando que “o tamanho desse debate e o alcance dele são imprevisíveis”.

Não dá para discordar do senador Sérgio Guerra. Se Dilma resolver não participar do debate, o que estará tentando esconder dos eleitores?

O debate promovido pelo iG, MSN, Terra e Yahoo está marcado para segunda-feira. Será transmitido ao vivo.

Lula se emociona na TV…

==============================================================================
…e chora ao falar sobre catadores de rua

======================================================================

DEU NO PORTAL R7

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou nesta quarta-feira (21), em entrevista exclusiva ao Jornal da Record, que não pretende voltar à Presidência em 2014. Lula disse que nunca se pode dizer não na política.Em um “bate bola” com a jornalista Adriana Araújo, Lula se emocionou e chorou duas vez mas respondeu praticamente sobre todos os temas: de suas glorias e fracassos no governo, Receita, reformas que não conseguiu fazer e deu apoio aom nome de Felipão para o lugar de Dunga em 2014.

Questionado sobre qual seria seu maior erro, Lula disse que foi não ter conseguido aprovar a reforma política.
– Devo ter errado muito. Não fiz a reforma política, que queria fazer. Vou brigar para fazer. Não era obrigação do presidente, era dos partidos e do Congresso.

Lula afirmou que não vai precisar “dizer adeus” ao povo brasileiro e que pretende andar pelo país após deixar o cargo.
– Não preciso dizer adeus, porque eu vou andar muito pelo Brasil.

Sobre o vazamento de dados fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, Lula afirmou que a Receita é que deve esclarecer a quebra de sigilo.

– Quem tem que esclarecer é a Receita. Somente ela. A Receita é intocável, até para o presidente. É tão intocável que, se eu pedir a declaração do meu pior inimigo, a Receita precisa me denunciar.
– Não, eu te falo de coração [sobre a hipótese de disputar a Presidência em 2014]. Mas em política a gente nunca pode dizer não. Se tiver juízo, se tiver meus neurônios perfeitos, me comprometo a ser um bom ex-presidente da República.
Questionado sobre o que vai fazer “no primeiro sábado de sol” após deixar o cargo, Lula disse que vai olhar para a mulher, Marisa Letícia, e falar para os dois “tocarem a vida”.
– Fico pensando o que vai ser da minha vida no dia 2 [de janeiro]. Não ter ninguém para xingar, para ficar bravo. Vou olhar para a Marisa e dizer “vamos tocar a vida”.
Em um “bate bola” com a jornalista Adriana Araújo, Lula respondeu qual foi sua maior glória durante os oito anos de governo.
– [A maior glória] não foi minha, foi do povo brasileiro. [Foi] ter tido a confiança em um torneiro mecânico, que só tem o primário [para ficar na Presidência].
Questionado sobre a Justiça Eleitoral ter aplicado multas contra ele e a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, Lula disse que o TSE deve ter “motivos” para aplicar as punições.
– A justiça deve ter suas razões para entender que eu desrespeito a lei quando eu falo o nome de uma candidata.
Lula também disse que o Brasil “não corre riscos”, independente de qual candidato for eleito para sucedê-lo no cargo.

jul
21
Posted on 21-07-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 21-07-2010

FARCs na campanha brasileira

=====================================

Ganha corpo o bafafá desatado na campanha presidencial a partir das suspeitas sobre ligações entre o PT e as FARCs , levantadas pelas acusações do deputado do DEM, Índio da Costa, candidato a vice-presidente na chapa de José Serra, do PSDB, sobre outras vinculações do partido brasileiro, além das políticas, com os grupos guerrilheiros colombianos. Índio da Costa, apesar das ameaças de processo, não retirou a acusação, feita no site Mobiliza PSDB e explicada no twitter do candidato a vice, no sentido de que o PT é ligado às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), uma força guerrilheira que tem profunda ligação com o narcotráfico.É este o tema do artigo desta quarta-feira de Ivan de Carvalho, na Tribuna da Bahia, que BP reproduz.
(VHS)
==========================================

OPINIÃO POLÍTICA

A questão das FARC e o PT

Ivan de Carvalho

O candidato a vice-presidente da República na chapa do tucano José Serra, Índio da Costa, apesar das ameaças de processo, não retirou a acusação, feita no site Mobiliza PSDB e explicada no twitter do candidato a vice, no sentido de que o é ligado às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), uma força guerrilheira que tem profunda ligação com o narcotráfico.
Além disso, as FARC praticam ritineiramente sequestros de civis (os reféns atuais contam-se por centenas), que são usados de duas maneiras: como escudos humanos e principalmente para obtenção de resgates que financiam a guerrilha, mediante extorsão. As FARC, de inspiração original marxista-leninista, são consideradas internacionalmente como uma organização terrorista.
Na ligação com o narcotráfico, as FARC encontram outra fonte de financiamento, mais importante que os sequestros: elas dão cobertura a plantadores de coca em regiões que ainda controlam na Colômbia e protegem traficantes, recebendo em troca dinheiro e armas contrabandeadas. Essa proteção tem alguma semelhança com as que a máfia dava a comerciantes, fenômeno que teve seu auge nos tempos do chefão Al Capone, na cidade de Chicago, nos Estados Unidos.
É notório que as FARC são o que se pode chamar de uma organização “barra pesada”. Se alguma ligação delas com o PT ou parte do PT existe, este é um assunto que interessa profundamente ao eleitorado brasileiro, titular do direito de exigir que um esclarecimento total e definitivo a respeito seja feito antes das eleições, de modo a que ele, eleitorado, possa orientar com segurança suas decisões.
Pelo que se tem divulgado a partir da incômoda acusação de Índio da Costa, a conexão do PT com as FARC ficou evidente no Foro de São Paulo, um conglomerado de partidos e organizações de esquerda da América Latina, criado em 1990 por iniciativa do PT, após um encontro de Luiz Inácio da Silva, o Lula (ainda longe de chegar à presidência do país e apenas presidente do PT) com o ditador cubano Fidel Castro. Este queria um ente capaz de promover encontros de partidos e organizações de esquerda da região. As FARC participaram da fundação do foro ao lado do PT. Portanto, a ligação existe, formalmente, em documentos tanto do PT quanto do Foro.
Em 2008, a revista Veja publicou dossiê, com vários documentos, principalmente troca de mensagens escritas, que supostamente provariam a existência de contatos entre integrantes das FARC e do governo Lula. O PT e o governo desmentiram, mas o assunto não foi definitivamente encerrado.
Depois que chegou ao poder (conta o jornalista Clóvis Rossi, da Folha de São Paulo), o PT cortou seus laços com o Foro. Ou, pelo menos, nota ele, “a parte mais importante do partido”. E cito mais Clóvis Rossi: “Devem ter sobrado alguns nostálgicos do tempo em que o PT era de esquerda que ainda acham que as FARC são revolucionárias e não um grupo narco-terrorista”.
Em 2005, a participação das FARC na reunião que marcou o 15º aniversário do Foro foi vetada. Dois anos depois, veto semelhante no encontro realizado em San Salvador. É que vários partidos que fundaram o Foro chegaram ao poder e sofreram mudanças. Mesmo assim, não tiveram coragem ou vontade de romper e expulsar a organização narco-guerrilheira-terrorista do Foro.
Covardia para assumir abertamente as novas posições ou gato escondido com o rabo de fora?

jul
20
Posted on 20-07-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 20-07-2010

Juntamente com um convite lembrete para a Caminhada da Lua Cheia que ela comanda há anos, todos os meses em Itapoan – que em julho acontece no próximo sábado, 25 -, o editor do Bahia em Pauta recebeu da amiga e estimuladora do BP, Glauvânia M. Jansen, um sugestivo texto sobre Salvador, que este site blog publica a seguir.

Glau, para quem não sabe, é a pernambucana mais baiana da face da Baia de Todos os Santos.

O texto que ela nos manda é mais uma demonstração cabal disso. Um título de soteropolitana honorária já para ela!

(Vitor Hugo Soares)
=======================================
Salvador: andou no buzu da Vibensa?

RECORDAÇÕES!! SE NÃO FOR DE SUA ÉPOCA, ENVIE PARA ALGUM AMIGO QUE CERTAMENTE RECORDARÁ.

*Para quem foi jovem nos anos 1970 e 80 em Salvador, essa é do BAÚ!*

Ir à praia da 3ª escada do Farol, que era o point; e na Pituba no Tatu Paca;

A Kombi de sorvete Primavera com o seu sininho;

Abadá de mortalha, usou daquelas que iam até o pé, inclusive a azul turquesa do Jacu e do macacão do Traz Os Montes; Luís Caldas tocando em trio, do baile do Patropi e do baile do Preto e Branco no Bahiano de Tênis… A segunda-feira gorda na Associação Atlética… O Baile dos Internacionais e de Iemanjá, no Clube Português… Curtiu bailes de carnaval no clube dos
Fantoches; Quem não se lembra da Banda Reflexos e da Banda Mel;

Foi pra festas de 15 anos na Cabana da Barra ou na Close-up, frequentou a Bual’amour, a barraca do Juvená e o Varandá do Sandoval… Participou da Gincana da Primavera na Fonte Nova, tinha algum colega de escola que fabricava loló para o Carnaval (e vendia em frasco de Seiva de Alfazema)?

Andava em ônibus da Vibensa, estudou no Marista, ISBA, Vieira, SãoPaulo, 2 de Julho, Sacramentinas, Instituto Feminino e, se levou pau, acabou no Ipiranga ou outra “fábrica”. Estudou também no Central, Iceia ou Severino Vieira…

Quem não se lembra do Cine Rio Vermelho que tinha dois andares. Do cinema Guarani, que virou Glauber Rocha,e agora é Espaço Unibanco…

Ia com seus pais assistir a sessões matinais de ‘Tom & Jerry’ no Cine Guarani no primeiro domingo de cada mês; No Cine Bristol, ficava em dúvida se sentava na parte de cima ou na de baixo;

Garanto que você deve ter assistido muitos filmes nos Cines Art 1 e 2 (que antes era Bristol e antes ainda, era Cine Politeama) virou igeja evangélica, agora nem sei mais…

Viu o Leônico disputar título na Fonte Nova, com o goleiro ajoelhado rezando pra acabar o jogo;

Marcava encontros no Fundação Politécnica, pois o Iguatemi ainda não existia…

Depois, passava as tardes de sábado no Iguatemi com calça OP, mochila Company, camisa fio Escócia e Hang Loose e sandália Catina Surf;

Ia comer pizza no Giovanni no terraço do Iguatemi; Já usou muita roupa da Mesbla e Sandiz; Colecionou carrinhos de metal em miniatura da Match Box, que abria as portas e a tampa do motor, comprados numa loja que eu não lembro o nome, na Av. Carlos Gomes;

E aquele hot dog do Tonni’s na Pituba? Já assistiu muita corrida de caranguejo no Jardim dos Namorados; Assistia ao ‘Parquinho’ de Tia Arilma só para ver Miss Mara, Geisa e Deusete;

Não perdia um show no Circo Troca de Segredos;

Sabe também o jingle da TV Aratu (‘TV Aratu canal 4/Salvador, meu amor, Bahia… ‘), Telebahia (‘e fale bem desta terra com emoção… ‘) e da Cesta do Povo (‘nesse ano novo, eu quero meu povo… ‘); Lembra da música da Varig (‘estrela brasileira no céu azul, iluminando de norte a sul… nasceu Jesus, chegou Natal… varig, varig, varig);

No São João comprava bomba de 1000 escondido; Já teve uma calça jeans US Top, porque a Lee Riders era muito cara!!

Viu seu primeiro show de strip-tease na Number One; foi a show no Baiano, curtiu A Cor do Som, Moraes, Novos baianos…

Chupava bala Apache e Juquinha e o Pirulito Zorro;
Saía para pegar coroa no Quintela, Cabana e Carinhoso;
Alistou-se na Barroquinha ou no Forte de Santo Antônio;
Programa de domingo à tarde era ir à Ribeira tomar sorvete; Dançou lambada ou discoteca no Freddy’s;

Tinha algum parente que corria na Turma da Madruga;
Chamava a UNIFACS de Trabuco;
Participou de ‘pegas’ na Barra. E quando jogavam óleo na pista pra os carros rodarem;

Domingo à noite vibrava com o Pitubão e corria quando a polícia chegava;
Já pulou do trampolim de saltos ornamentais na AABB, que virou Unimar, que virou Paes-Mendonça, que virou Bom Preço;

Fez escolinha de tênis com Tchê na Associação Atlética;
Já foi ao Iguatemi de frescão; Praia longe era a do SESC, Plakafor e Itapoan (longíssimo)

Assistiu sete vezes à peça A Bofetada;

Já perdeu a conta de quantas vezes a Concha Acústica do TCA foi reinaugurada;

Lembra do Teatro Maria Bethânia;

Assistiu show de A Cor do Som no Farol;

Não perdia um domingo na Hipopotamus, ou na Maria Fumaça ($100,00 com direito a pipoca e coca-cola); dançou na Tropicália, dia de domingo, às 18:00, com Cleber e Pica-pau querendo dar show; foi na Boate Champanhe, e na Green House; tomava sorvete na Bambinella, na Rua Marques de Leão…

As ‘Mostras de Som’ do ISBA e do Vieira;

Participou dos desfiles das escolas no dia do estudante;

Viu alguns malucos andarem de moto na balaustrada da Barra no domingo à noite durante os pegas; Ouviu mixagem do DJ Wilson na Itapoan FM;

Quem não se lembra da música (ali ali ali alimbinha a mais deliciosa merendinha); foi sócio do clube do Mickey com Mara Maravilha;

Quem não lanchou na Cubana, em cima do elevador Lacerda e na Roses, no início da Carlos Gomes;

E por falar em Carlos Gomes, quem não comeu as esfihas do Good Day e do Teng Teng, ali em frente ao Brazeiro;

Veraneava em Itapoan; viajava pra Itacimirim e Arembepe (looonge); quem não acampou durante o carnaval em Guarajuba, que quase não tinha casas; e no clube do Camping;

Assistiu a abertura da TV Itapoan que durava 5 min. Só para ver a bunda da menina que saia da água;

Esperou durante um mês a TV Bahia começar a programação e durante este tempo só estava no ar o logotipo;

Visitou o Museu de Tecnologia;

Quem se lembra do bar Portal, onde Netinho cantava;

Quem se lembra do Sabor da Terra, barzinho de movimento;

Quem se lembra do Canteiros (barzinho na Pituba)? E das batidas do Diolino no Rio Vermelho…

Quem lembra que para ir para praia do Conde eram mais de 6 horas, pois a estrada era trilha… Quem não esteve (ou disse que esteve) na Fonte Nova quando o Papai Noel chegou de helicóptero…

E o boneco do Fofão era mesmo maldito?

Curtiu banho de lagoa depois da praia em Stela Mares;

Curtiu as noite de sábado na Le Zodiac, imperdível…

Quem lembra do barzinho Inverno Verão da Pituba? Ou do Voyage? Ou do Cine Bahia, onde Ghost passou durante oito meses. Ou comprava uva na subida da Barroquinha no Carnaval…

Namorou escondido no Passeio Público… Ou no Jardim de Nazaré?
Tomou cerveja mini e paquerou na Moenda, cheia de turistas;

Comia no chines Tong Fong em frente ao Fórum;

Todas as sextas e sábados o programa era ir para o Barravento…

O Porto da Barra ainda era legal para pegar uma praia no meio da semana…

O pôr do sol no Farol…

Quanta coisa boa… Não dá pra esquecer.
Haha! Só dá pra perceber que ta todo mundo coroa…

jul
20

Índio: acusação grave

=======================================
O tempo esquentou na fria campanha presidencial desde a semana passada, quando através do twitter o candidato a vice-presidente na chapa de José Serra disparou contra o PT, acusando gravemente o partido da candidata Dilma Rousseff, à presidência da República, de manter ligações com as FARCs da Colômbia e sugerindo cumplicidades com o narcotráfico. Ontem, em Belo Horizonte, Serra reforçou parte das acusações. O PT promete troco, a começar por ações penal, civil e eleitoral contra os acusadores. O jornalista político Ivan de Carvalho comenta o bafafá que abala a campanha em seu artigo desta terça-feira, na Tribuna da Bahia, que BP reproduz.
(VHS)
=========================================
OPINIÃO POLÍTICA

LIGAÇÕES PERIGOSAS

Ivan de Carvalho

As coisas mudaram de figura.

Na última sexta-feira, o candidato a vice-presidente da República na chapa do tucano José Serra, o deputado democrata fluminense Índio da Costa, usou o portal Mobiliza PSDB para disparar artilharia pesada contra o PT: “Todo mundo sabe que o PT é ligado às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), ligado ao narcotráfico, ligado ao que há de pior. Não tenho dúvida nenhuma disso”.

Foi um horror. O PT ficou todo indignado, quase teve um troço. Na própria coligação oposicionista liderada por José Serra, houve preocupação com o ataque radical de Índio da Costa. Este sentiu as reações e, sem pedir desculpas, tratou de explicar, ontem, no Twitter: “PT não faz narcotráfico. As Farc, sim”. E em seguida cita o jornalista Clóvis Rossi na Folha de S.Paulo: “quem respeita um projeto narcoterrorista não merece respeito”.

Ora, o projeto narcoterrorista a que se refere Rossi é o das Farc. Um movimento “revolucionário” que dá proteção aos plantadores de coca e traficantes de cocaína na Colômbia, em troca de dinheiro e armas.

Após a repercussão de sua declaração de que o PT tem ligação com o tráfico e com os guerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), o vice na chapa do tucano José Serra à Presidência, Indio da Costa (DEM-RJ), voltou a comentar o assunto hoje no Twitter.

O PT preparava-se ontem à tarde para dar entrada em representação criminal contra Índio da Costa e pensava ainda em uma ação cível por danos morais.

Mas as coisas evoluíram, ganhando dimensão maior. Ontem, em Belo Horizonte, o candidato a presidente pela coligação PSDB-DEM-PTB-PPS, o ex-governador Paulista José Serra, atacou: “A ligação do PT é com as Forças Armadas Revolucionárias Colombianas. Mas isso todo mundo sabe, tem muitas reportagens, tem muita coisa. Apenas isso. Agora, as Farc são uma força ligada ao narcotráfico, isso não significa que o PT faça o narcotráfico”.

Claro, claro. Serra foi exatamente na linha do que observara Clóvis Rossi e na linha da nova versão do que diz a respeito o vice de sua chapa. Trocando em miúdos: os dois candidatos (com o que concorda evidentemente o jornalista) afirmam que o PT tem ligação com a narcoguerrilha das Farc, e que isto não significa que o PT faça o narcotráfico. Mas respeita e politicamente apóia uma guerrilha que protege, incentiva, negocia e usa o narcotráfico.

É o que dizem Serra e seu vice. E é claro que não dizem em relação a todos os petistas, há pessoas no PT que não têm a menor ligação ou simpatia pelas Farc, assim como existiriam no partido setores ligados a essa narcoguerrilha, que também recebe estímulos do ditador-presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Trata-se de um ataque muito sério, sob os aspectos ético e político. Processar Indio da Costa não é suficiente. O PT agora tem que processar Serra também, pois em essência os dois estão dizendo a mesmíssima coisa. E tem com o eleitorado a obrigação de demonstrar que a vinculação petista às Farc é uma invenção dos dois, que buscaram em reportagens e na idéia ou constatação de que “todo mundo sabe”.

jul
19

Viviani: filosofia e vida

============================================================================
Viviane Mosé e Roberto Dávilla no Canal Brasil

Maria Aparecida Torneros

Quando sintonizei o programa, no domingo à noite, já ia no meio, perdi grande parte. Entretanto, o que pude assistir, valeu como sensação feliz para idéias bem conduzidas e conversa tecida em conjecturas saudáveis, já que nas tevês de canal aberto, chega a ser praticamente exceção um assunto tão fascinante: a filosofia. Ela é filósofa com penetração midiática,já fez parte de quadro fixo no Fantástico, consegue explanar os labirintos do pensamento humano com facilidade para quem é neófito nos ditames das questões investigativas do mundo da filosofia e suas histórias.

O bate-papo, correndo solto, foi tocante, quando se referiu à educação no Brasil, chamando atenção para a baixa qualidade do ensino, e a necessidade de transformação, muito além da reforma, segundo Viviane. Ela relembrou que o pensamento racionalista que impera na sociedade ocidental começou a ser organizado no século V antes de Cristo, preconizando um homem formatado à luz da concepção de que seu pensamento é superior ao seu corpo.

Exemplos como o de uma professora de crianças de uma escola que ela visitou no Espírito Santo, que se questionou porque ensinar sobre flores, desenhando no quadro e não visitando o jardim, foram usados por Viviane para mostrar o quanto a nossa formação se baseia na dissociação do racional diante da emoção. Pensar é valorizado muito mais do que sentir, segundo observação generalizada, mas o conteúdo maior da entrevista reside justamente no encontro de dois bons interlocutores, conseguindo passar suas impressões de viajantes do seu tempo, adentrando por caminhos de extrema reflexão e intensa interrogação.

No domingo seguinte( próximo, dia 25) haverá o prosseguimento da entrevista. Vale conferir e interagir com idéias da filósofa antenada com o dia-a-dia da população, ao ser entrevistada por um profissional experiente na arte de questionar “cabeças pensantes”. Momento raro da comunicação televisiva nacional, pela oportunidade de nos afastar de notícias criminosas, ou assuntos tediosos que geralmente infestam a grade de transmissão em horário nobre.

Um encontro com Viviane Mosé, através do diálogo com o Roberto, incluiu até uma boa “sacação” sobre a sociedade brasileira, que é a da anti-segregação, o que ela sintetizou muito bem, com a esperança positiva de que o Brasil possa ainda exemplificar para o mundo o que é uma nação resultante de mistura racial, com sucesso, afinal.

Esperemos a continuidade da conversa afiada nas lâminas de boa dose de inteligência e sagacidade, de entrevistada e entrevistador, para nossa condição de espectadores privilegiados, ainda bem, para compensar tanto “caso Bruno”, caso “Bispo”, etc e etc.

Cida Torneros é jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária

Pages: 1 2 ... 2030 2031 2032 2033 2034 ... 2149 2150

  • Arquivos

  • junho 2019
    S T Q Q S S D
    « maio    
     12
    3456789
    10111213141516
    17181920212223
    24252627282930